<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228</id><updated>2011-10-20T22:36:00.335-07:00</updated><title type='text'>Nhenety Kariri-Xoco</title><subtitle type='html'>Cultura Digital, Cultura Popular, Blogs, Historia...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-547747088423978994</id><published>2010-12-11T04:38:00.000-08:00</published><updated>2010-12-11T04:38:45.789-08:00</updated><title type='text'>PESSOA LIVRO VIVO DA MEMORIA</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;       Despertando a consciência indígena…&lt;br /&gt;Nós vivemos numa comunidade, participamos de seus eventos locais, deixamos nossa marca na tribo, somos reconhecidos na aldeia pelo o que fazemos no coletivo.&lt;br /&gt;Visando este lado indígena, de sociedade, comunidade, vida em grupo, o que nos interessa é a pessoa coletiva, o individuo agindo, assumindo sua função no seio da população a qual pertence.&lt;br /&gt;Para formar nossa “Biblioteca da Pessoa Livro Vivo da Memória”, é bom registrar em escritos, CDs, filmes e outras tecnologias o que a pessoa tem de índio coletivo. Porque se cada pessoa interessar-se pelo seu lado egoísta, ameaçaria a vida como povo. O “Índio Gigante” morreria, ele é nos coletivo. A memória é tudo que temos de lembrança da tribo: Tradição; Ritos, aquilo adquirido ao longo de todo o tempo de nossa existência como povo. Em etapas organizadas em gerações, fatos, histórias, pessoas, locais dos eventos, legados, marcas culturais dos heróis do passado. Fatos que mudaram a estrutura social da população, as pessoas que se destacaram em cada época, os anônimos que não foram citados pela história local. Os melhores e os piores, assim é constituída nossa memória, do passado e do presente.&lt;br /&gt;Temos os contadores de histórias reais e também os contadores de mentiras, todos são parte da memória viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/a_pessoa_livro_vivo_da_memoria/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-547747088423978994?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/547747088423978994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=547747088423978994' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/547747088423978994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/547747088423978994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/pessoa-livro-vivo-da-memoria_11.html' title='PESSOA LIVRO VIVO DA MEMORIA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-3958625421678459103</id><published>2010-12-10T14:28:00.000-08:00</published><updated>2010-12-10T14:28:48.436-08:00</updated><title type='text'>LANCHAS DO SAO FRANCISCO</title><content type='html'>A navegação no rio de unidade nacional é uma atividade bastante antiga, mesmo antes da construção da ponte em 1972. No meu tempo de criança, alcancei três grandes lanchas a motor, que fazia o trajeto do litoral ao sertão, pelo Baixo São Francisco; era a Tupã, Tupi e Tupigi. Quando elas passavam pela margem do rio, as crianças Kariri-Xocó, pegavam as ondas, feitas pela força dos motores, as embarcações tinham dois andares, mas a Tupã era a maior lancha em 1970. Logo após a construção da Ponte sobre o Rio São Francisco, começou as três grandes lanchas para de navegar neste trecho de Penedo a Pão-de-Açucar. As canoas do passado foram transformadas em lanchas motorizadas, para tentar competir com os automóveis que trafegavam a BR 101. Aqui em Porto Real do Colégio, várias lanchas foram construídas para esse fim; eram: As lanchas Cláudia, Jaspe, Rayane, Rosana, Princesa Rosa, Colegiense , Oriente. Em São Braz a Sãobraense, Escurial tinha a Goiás e Goiana. Na Aldeia Kariri-Xocó tem a Nova Iraci Tononé e a Nordeste, do índio José Francisco tononé. Estas lanchas faz o transporte de passageiros de Porto Real do Colégio a cidade de Própria, com capacidade de 40 pessoas na lotação. A lancha Oriente fazia o trecho de Penedo ao sertão, era a maior lancha neste estilo, com capacidade para 80 passageiros. Referindo as lanchas dos índios servia para atravessar o Rio São Francisco até Própria, além de levar os indígenas para trabalharem no Projeto de Irrigação de Plantação de Arroz na Várzea de Própria e Cedro de São João. Este tipo de transporte substituiu as canoas, mas fica cada vez mais difícil competir com os carros da BR 101.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/lanchas_do_sao_francisco/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-3958625421678459103?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/3958625421678459103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=3958625421678459103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/3958625421678459103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/3958625421678459103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/lanchas-do-sao-francisco.html' title='LANCHAS DO SAO FRANCISCO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-1937795784207814140</id><published>2010-12-10T14:26:00.000-08:00</published><updated>2010-12-10T14:26:00.047-08:00</updated><title type='text'>DESCRICAO COTIDIANA TRIBAL</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;        A Aldeia Kariri-Xocó aparece nas margens do Rio São Francisco, apresentando com casas de alvenaria, de tijolos, energia elétrica, saneamento básico, água tratada, telefones público. Estar organizada no aspecto urbano em diversas ruas: Rua da Frente, do Portão, Rua do Posto, Conjunto Novo e Rua da Baia. Tem uma caixa d água com capacidade de 42.000 litros. Um serviço de abastecimento próprio, tem Posto de Saúde, embora desativado, Posto da FUNAI fora da área indígena na cidade. As ruas da aldeia são de terra batida, arborizadas, com pessoas conversando nas portas,meninos brincando sem preocupação alguma. Ao amanhecer os pescadores saem com seus remos, pegam as canoas para pescar no Rio São Francisco. Mulheres ceramistas com seus potes de barro secando ao Sol, crianças caminhando para a escola da tribo. Passa pelas ruas da aldeia de vez em quando, cavalos, ovelhas dos criadores indígenas, carroças paradas nas portas. A tarde passam os jogadores dos times de futebol, para treinar no campo perto da escola, não falta platéia de torcedores até o por do Sol. Os programas de TV, colocam espectadores na sala, com desenhos animados, novelas, filmes e jogos. A Rádio FM Ilha de Propriá, deixam os indígenas sintonizados, com músicas sertanejas, românticas e notícias. Essa é a descrição cotidiana tribal, neste período contemporâneo, com suas mudanças, a Rodovia AL 225 com seus automóveis de Porto Real do Colégio á São Bráz. Quando morre uma pessoa na cidade ou na aldeia, o carro com serviço de auto-falante, anuncia o falecimento, para toda a comunidade. Outras vezes aparece carros de propagandistas, anunciando seus produtos para venda, calçados, água sanitária, roupas e afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/descricao_cotidiana_tribal/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-1937795784207814140?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/1937795784207814140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=1937795784207814140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1937795784207814140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1937795784207814140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/descricao-cotidiana-tribal.html' title='DESCRICAO COTIDIANA TRIBAL'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-2597653686308599103</id><published>2010-12-10T07:16:00.000-08:00</published><updated>2010-12-10T07:16:53.309-08:00</updated><title type='text'>ESTIVADORES DO PORTO</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;        Com a produção de arroz, algodão e milho, em Porto Realdo Colégio, aparti de 1909, os índios, trabalhavam no transporte de cargas das fábricas de beneficiamento. No ancoradouro natural da cidade, os inígenas trabalhavam como ” Estivadores no Porto”, carregando sacos de 60 kg, na cabeça.O índio Leopoldo Xocó de Colégio, chegou a trabalhar no Porto de Maceió, na capital do estado, em 1910. Para ganhar mais dinheiro no serviço tinha índio, que levava até 2 sacos( 120 kgs), caminhando pelas ruas da cidade, numa distância de 100 a 200 metros, até o lugar de embarque nas canoas. Durante décadas os indígenas eram a mão-de-obra, no transporte de cargas, das fábricas para o porto. Chega no município a Rede Ferroviária Federal em 1950, para escoar a produção do Nordeste para o Sul do país. Na Estação Ferroviária foi construido o Armazém Carnaúba, com uma balsa para transportar o trem, atravessando o rio na Ferro Boto. O movimento de índios estivadores, era grande na estação, transportavam dos vagões dos trens para os armazéns. Entre os estivadores do porto, destacou-se o Mudo da Marialve, descendente Xocó da Ilha de São Pedro, tornando-se uma lenda, por sua força descomunal. Para facilitar o transporte de cargas, construíram carroças de burro, com capacidade para 500 kg. Relacionando os estivadores indígenas do porto, citamos: elpídio, Antônio Cruz, Salvelino, Ademir, Antônio Sebo, Pedro Girí, Tinga, Eduardo, Juarez, Arnaldo e Nanô. O número de estivadores eram muitos, entre indígenas e brancos da cidade. O serviço era perigoso, o índio Salvelino, foi vitimado por uma pilha de sacos , que caiu sobre ele, causando sua morte em 1960, no Armazém de Zeca Matias. Quando foi construída a Ponte da BR 101 sobre o Rio São Francisco em 1972, o transporte por via aquática acabou. O transporte de cargas seria agora pela rodovia, em caminhões e carretas, não mais por canoas, lanchas e balsas. O único estivador que continua na profissão foi o índio Antônio Sebo, mudou-se para Maceió, trabalhou no Porto de Jaraguá até 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/estivadores_do_porto/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-2597653686308599103?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/2597653686308599103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=2597653686308599103' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2597653686308599103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2597653686308599103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/estivadores-do-porto.html' title='ESTIVADORES DO PORTO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-7170654427145052038</id><published>2010-12-03T03:17:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T03:17:04.160-08:00</updated><title type='text'>A PESSOA LIVRO VIVO DA MEMORIA</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;       Despertando a consciência indígena…&lt;br /&gt;Nós vivemos numa comunidade, participamos de seus eventos locais, deixamos nossa marca na tribo, somos reconhecidos na aldeia pelo o que fazemos no coletivo.&lt;br /&gt;Visando este lado indígena, de sociedade, comunidade, vida em grupo, o que nos interessa é a pessoa coletiva, o individuo agindo, assumindo sua função no seio da população a qual pertence.&lt;br /&gt;Para formar nossa “Biblioteca da Pessoa Livro Vivo da Memória”, é bom registrar em escritos, CDs, filmes e outras tecnologias o que a pessoa tem de índio coletivo. Porque se cada pessoa interessar-se pelo seu lado egoísta, ameaçaria a vida como povo. O “Índio Gigante” morreria, ele é nos coletivo. A memória é tudo que temos de lembrança da tribo: Tradição; Ritos, aquilo adquirido ao longo de todo o tempo de nossa existência como povo. Em etapas organizadas em gerações, fatos, histórias, pessoas, locais dos eventos, legados, marcas culturais dos heróis do passado. Fatos que mudaram a estrutura social da população, as pessoas que se destacaram em cada época, os anônimos que não foram citados pela história local. Os melhores e os piores, assim é constituída nossa memória, do passado e do presente.&lt;br /&gt;Temos os contadores de histórias reais e também os contadores de mentiras, todos são parte da memória viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/a_pessoa_livro_vivo_da_memoria/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-7170654427145052038?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/7170654427145052038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=7170654427145052038' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/7170654427145052038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/7170654427145052038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/pessoa-livro-vivo-da-memoria.html' title='A PESSOA LIVRO VIVO DA MEMORIA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4472211179339596463</id><published>2010-12-03T03:13:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T03:13:50.693-08:00</updated><title type='text'>COLAR A IDENTIFICACAO DO GUERREIRO</title><content type='html'>&lt;div class="entry"&gt;       Considerando o mundo tribal como uma série de significados, para a definição do guerreiro (arqueiro), como forma de status sócio-cultural. Como diz a tradição: “se quiseres conhecer um guerreiro olhe o seu colar”, porque em seu pescoço traz seus títulos, habilidades, capacidade e sua formação ao longo de sua vida como membro de uma sociedade. Ao iniciar suas atividades na comunidade, o jovem segue o processo de reconhecimento, segundo a tradição, nas artes de caçar, pescar, coletar, curar, necessárias a sua formação, como maturidade individual. Uma das formas de simbolizar sua capacidade de ação nessa sociedade é a constituição do “Colar”. Cada elemento (dente, pedras, semente, etc.) funciona como um distintivo do guerreiro.&lt;br /&gt;Numa caçada pela floresta um guerreiro caçou uma onça, todos podem comer o animal, mas somente ele quem pegou a caça pode usar o dente canino da fera, como prova de sua bravura.Para que uma pessoa use uma semente de árvore no colar é necessário que ela tenha uma profunda habilidade, conhecimento desse grande senhor da floresta e sua utilidade para a comunidade. Assim também funciona com o pescador, que ao capturar o maior peixe terá o direito de usar um de seus ossos. Quem faz pequenas proezas, é considerado pequeno na comunidade. Por isso, nem tudo pode ser colocado no colar, somente uma ação especial considerada importante para a tribo e principalmente ao próprio indivíduo como forma de título.&lt;br /&gt;No curso do Arco Digital vamos considerar esta simbologia do colar, utilizar seus elementos como instrumento de avaliação do arqueiro nas disciplinas de saúde, educação, agrofloresta, cidadania, projetos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/avaliando_pelo_colar/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4472211179339596463?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4472211179339596463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4472211179339596463' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4472211179339596463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4472211179339596463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/colar-identificacao-do-guerreiro.html' title='COLAR A IDENTIFICACAO DO GUERREIRO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-8727299416818401947</id><published>2010-12-03T03:09:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T03:09:49.509-08:00</updated><title type='text'>CHEGADA DOS XOCOS</title><content type='html'>A Tribo Kariri da Aldeia Urubu-Mirim( Porto Real do Colégio), mantia uma relação cultural, política com outros grupos indígenas do Baixo São Francisco. Entre os grupos que se relacionavam com os Kariris de Colégio, eram: os Karapotó de Tinguí-Al, Pacatuba do Rio Poxim-Se, Carnijós de Águas Belas-Pe, os Xocós da Ilha de São Pedro-Se e os Pankararus-Pe. No século XIX a política indigenista do Império do Brasil, foi arrazadora para os povos indígenas, publicou a Lei das Terras em 1850, declarando como Domínio Público. Nesta fase foram extintos muitos aldeiamentos nas províncias de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e outras regiões do Império, por critérios raciais e discriminatórios, só para se aposarem dos territórios indígenas. Os Kariri de Colégio por manter relações com esses grupos indígenas ao longo de sua história, á eles era solidário, acolheu muitas tribos em sua tribo, casando uns com os outros fazendo parte de um único povo. É o caso dos Xocó da Ilha de São Pedro de Porto da Folha da Província de Sergipe, suas terras foram leiloadas e vendidas aos arrendatários do próprio território, por ordem do Império a parti de 1870. Liderados pelo Cacique Inocêncio Muirá, os Xocós lutaram bravamente para ficar na terra, mas os adversários eram poderosos coronéis da região do Sertão . O Cel., João Fernandes de Brito, maior rendeiro do território indígena, após várias investidas, finalmente expulsa os Xocós da Ilha de São Pedro em 1882, ficando no local só família de Inocêncio Muirá e Manoel Lapada. Os Xocós sairam de São Pedro em canoas, com seus pertences, foram buscar abrigo entre os Kariri de Colégio no lado da Província de Alagoas. Na grande mudança dos Xocós, alguns foram para Itabaiana, Carrapicho e Serra Negra em Sergipe, outros para Águas Belas-Pernambuco. Mais a maior parte dos Xocós ficaram mesmo em Porto Real do Colégio, na referida ” Rua dos Índios “. Com os casamentos inter-étnicos entre Kariri e Xocó, os indígenas de Porto Real do Colégio, formaram a Tribo Kariri-Xocó.Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/chegada_dos_xocos/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-8727299416818401947?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/8727299416818401947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=8727299416818401947' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/8727299416818401947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/8727299416818401947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/chegada-dos-xocos.html' title='CHEGADA DOS XOCOS'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-6121958955433320457</id><published>2010-12-03T03:04:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T03:04:49.125-08:00</updated><title type='text'>ATIVIDADES DA ESCOLA VIVA</title><content type='html'>A aldeia é uma sala de aula social.&lt;br /&gt;A floresta a classe ambiental, nosso teto é o sol brilhando, a lua e as estrelas brilhantes.&lt;br /&gt;Toda a Terra Indígena Kariri-Xocó é uma Escola, a Comunidade são os alunos. Apredemos uns com os outros.&lt;br /&gt;A paisagem natural é viva, não está só em livros, os pássaros voam, os peixes nadam de verdade, o rio tem água verdes. Na escola da comunidade o pescador ensina no rio e também hoje ele vem ate a sala de aula para ensinar sobre pescaria, sobre a arte de fabricar os instrumentos de pesca como: kuwú, tarrafa, jeréré, puçá etc… A ceramista repassa para as meninas o segredo da arte do barro, confeccionar objetos utilitários: potes, panelas, pratos; O caçador conhece a fauna como nimguém e no pátio da escola faz imitação dos animais da floresta, as crianças adoram. Os músicos tradicionais cantam e dançam o Toré, emociona porque expressam a cultura, os acontecimentos históricos, sociais e os fenômenos naturais. Os artesões mostram suas habilidades na confecção de ojetos de adornos, instrumentos, os alunos aprendem observando e praticando, fazem brincos, puseiras, arcos, flechas, cachimbos, anéis, etc… Os tecelões repasam aos alunos o manejo de torcer fibras vejetais de caroá, fazem cordas, esteiras, tapetes, bolsas e tranças de palha da palmeira aricuri. O agricultor mostra na roça como plantar milho, feijão, abóbora, batata e mandioca, os meninos aprendem a cavar a terra e as meninas plantam as sementes no solo. A gente também fala de agricultura e da natureza dentro do predio da escola, a gente faz a ligacao de tudo o que acontece na aldeia dentro da educação escolar. Nos sabemos que a educação acontece muito alem dos horarios e do predio. Nossa escola é viva e é dinâmica. Todos contribuem, povo, meio ambiente, animais, plantas, rios, crianças, adolescentes, adultos e velhos, não tem idade. Assim funciona a escola viva aqui.&lt;br /&gt;Quem estar falando é o Contador de Histórias Nhenety Kariri-Xocó, participando nesta educação da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/atividades_da_escola_viva/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-6121958955433320457?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/6121958955433320457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=6121958955433320457' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/6121958955433320457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/6121958955433320457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/atividades-da-escola-viva.html' title='ATIVIDADES DA ESCOLA VIVA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-7598492090768586929</id><published>2010-12-03T02:56:00.000-08:00</published><updated>2010-12-03T02:56:03.974-08:00</updated><title type='text'>FLORESTA EXPRESSÃO DA BIODIVERSIDADE</title><content type='html'>A floresta é a expressão máxima da biodiverssidade, a sua exuberância em espécies, de animais e vegetais, em condições habitáveis para os seres humanos vem desde os tempos imemoriais. Os indígenas tiveram participação na formação desse ecossistema, agindo no meio ambiente, criando espécies da necessidade cultural.&lt;br /&gt;Para os tupis, Nhanderu no começo do mundo criou a terra, colocou o índio para cuidar da Grande Roça (a floresta), nasceu assim a tribo e tudo que o povo indígena queria estava ali.&lt;br /&gt;A verdadeira roça tem tudo em abundância , é o conjunto total do ambiente e utilizado pela tribo: árvores frutíferas, pau-de-arco, pau-de-canoa, genipapo para pintura, cana de flecha, coité como instrumento musical, sapé para cobertura da maloca, mandioca, milho, banana, mamão, urucum,etc. Temos na roça diverssos animais: cutia, paca, anta, arara, abelha, onça, tatu, pássaros em geral, peixes, répteis, insetos. Para complementar a Grande Roça temos dentro dela rios, lagos, argila para a cerâmica, serras, cavernas. Atualmente é muito difícil possuir uma Grande Roça como no princípio, mas a maneira de aproximar-mos mais dessa realidade é a Agrofloresta, por cultivar maior número possível de plantas, respeitando as condições naturais. Em termos de importância global, a floresta constitui como a maior indústria do mundo, produz gases indispensáveis a vida , o gás carbónico e o oxigênio, sem esses elementos todos morreríamos . Todos os seres vivos que faz parte de uma região, faz&lt;br /&gt;parte da roça. Cada ecossistema é um tipo de roça: Mata Atlântica,&lt;br /&gt;Caatinga, Cerrado,Floresta Equatorial, Mangue, Pantanal etc. No Brasil&lt;br /&gt;cada povo indígena tinha sua roça, muitas árvores centenárias e&lt;br /&gt;milenares é um legado de nossos antepassados, devemos fazer nossa parte “plantar”, que a natureza nos ajudará a criar seus filhos amados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/a_floresta_expressao_da_biodiverssidade/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-7598492090768586929?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/7598492090768586929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=7598492090768586929' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/7598492090768586929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/7598492090768586929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/floresta-expressao-da-biodiversidade.html' title='FLORESTA EXPRESSÃO DA BIODIVERSIDADE'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4889192389580351474</id><published>2010-12-02T16:05:00.000-08:00</published><updated>2010-12-02T16:05:08.199-08:00</updated><title type='text'>NÃO É LENDA APENAS VERDADE</title><content type='html'>Como Contador de Histórias da tribo, é muito freqüente ser entrevistado por acadêmicos que visitam os Kariri-Xocó. Certa vez estava em minha casa e chegou uma estudante de história da UFAL- Universidade Federal de Alagoas. Ela disse para mim que veio fazer um trabalho na tribo sobre “mitos e lendas” dos Kariri-Xocós. Respondi para a universitária que aqui na tribo não existia mitos e lendas. Ela levou um tremendo susto. Expliquei que entre os índios “mitos e lendas são verdades absolutas”, não é fantasias, nem mentira como contam os livros. Acreditamos na “Mãe Dágua” que é guardiã dos rios, dos peixes. Recebemos notícias da natureza através dos cantos dos pássaros, insetos e dos fenômenos atmosféricos, coisas boas ou ruins podem acontecer. As formigas quando saem do formigueiro é sinal que vai chover. Quando o joão-de-barro faz sua casinha de argila com a porta virada para o Norte é porque vamos ter um inverno chuvoso. o índio acredita em sua cultura, porque é uma verdade pura. A parti do momento que não acreditar em sua cultura, religião indígena estará tudo perdido. Quando acreditamos em nossa espiritualidade , se aproximamos do Ser Superior e nossa Mãe Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/nao_e_lenda_apenas_verdade/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4889192389580351474?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4889192389580351474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4889192389580351474' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4889192389580351474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4889192389580351474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/nao-e-lenda-apenas-verdade.html' title='NÃO É LENDA APENAS VERDADE'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4477644609813221122</id><published>2010-12-02T15:45:00.000-08:00</published><updated>2010-12-02T15:47:13.585-08:00</updated><title type='text'>FOGUEIRA DAS HISTORIAS</title><content type='html'>Pela necessidades de agrupamento, os indígenas se reuniam ao redor do fogo, para discutir seus problemas, falarem da criação do mundo, das caçadas, da pesca, das tradições dos antepassados deram origem a tribo como povo. Quando os índios Kariri-Xocó ocuparam a Fazenda Modelo em 31 de outubro de 1978, os homens fizeram piquete no portão de entrada da aldeia. Acenderam logo uma fogueira debaixo do pé da canafístula, ali ficavam a noite e o dia, fazendo vigilância para dar segurança a tribo. Naquele fogo faziam café, assavam carne e peixe da Lagoa Comprida, dali sai histórias dos tempos passados, do presente para garantir o futuro. Nossa tribo tinha grandes Contadores de Histórias: Joaquim Fumaça, Velho Gringo, Manoel Iraminon, Otávio Nidé, Francisco Suíra, Candará, Antônio Preto, Cícero Irêcê e Júlio Queiroz. Cada Contador de História tinha sua especialidade, Joaquim Fumaça falavam do Tempo do Rei, dos engenhos de cana-de-açúcar, de príncipes, de feiticeiros, assombrações, de Lobisomens, dos viajantes e tropeiros. O Velho Gringo contava de valentia dos Cangaceiros de Lampião, de Corisco, Polícia Volante, dos Valentões do Sertão, das espertezas de João Grilo, de Zé Bico Doce, dos Coronéis da região. Manoel Iraminon, conhecia o órgão S.P.I., dos fazendeiros do sertão e do litoral, da Revolução de 1930, da Intendência de Colégio, do sertanejo pobre, dos vaqueiros na lida do gado, histórias de mistérios, das festas do interior. O Cacique Otávio Nidé, conhecedor das Leis da Tradição, falava das genealogias tribal, dos pajés, do Conselho Tribal, do Cemitério Sagrado, onde enterrava os mortos em igaçabas, conhecia os segredos do rio, da Mãe Dágua, do Negro Dágua, do Fogo Fátuo, falava das trovoadas, dos raios, da chegada do inverno, da seca do verão. O Pajé Francisco Suíra nosso Chefe espiritual, comandava o Ritual do Ouricuri, da Cura dos Doentes, conhecia espíritos dos brancos, que na sua casa chegava, feitiços dos bruxos, olhos malignos da inveja, das doenças e fartura. Candará é um caçador da mata, este índio imita pássaros, animais de pelo, conhecia rastro de teiú, da capivara, do veado, sabia onde dormia o gato-do-mato, sobressaía da esperteza da raposa, tem um conhecimento vasto da fauna e flora. Antônio Preto era uma pessoa mateiro, trabalhava em madeira, remédio de raiz de pau, fazia girau de cipó, casa de pau-a-pique, choupana de taipa, trabalhou em engenhos velho, sofreu tanto de fazer dó. O Cacique Cícero Irêcê, comandou a entrada da Fazenda Modelo, conhece as histórias das tribos do São Francisco, dos Kariri, Natu, Romarís, Xocó, Aramuru, Karapotó, Aconãs e Tupinambás, um conhecedor das relações com o Governo Federal, FUNAI , ministérios e órgãos públicos. Julho Queiroz filho do Pajé Suíra, cantava toré e rojões, nas atividades de mutirão, fazendo tapamento de casa, limpando a terra para o plantio, de feijão e milho. Ao redor da fogueira saiam muitas histórias bonitas, de angústias que passamos, das injustiças da política indigenista, da invasões de nossa terra, dos fazendeiros poderosos, da exploração da mão-de-obra barata, do sofrimento do povo. Da histórias da fogueira saiu muitas soluções importantes, reconquistamos nossas terras, conservamos a tradição oral, a cultura preservamos, cantos e danças do toré, que agora podemos mostrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/fogueira_das_historias/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4477644609813221122?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4477644609813221122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4477644609813221122' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4477644609813221122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4477644609813221122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/fogueira-das-historias.html' title='FOGUEIRA DAS HISTORIAS'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-694957527934548366</id><published>2010-12-02T15:40:00.000-08:00</published><updated>2010-12-02T15:40:11.505-08:00</updated><title type='text'>MINHA VISAO DO COMPUTADOR</title><content type='html'>Nos índios já estamos usando o computador como ferramenta de buscar soluções. O computador nos serve para escrever projetos ou cartas, que nos auxiliam para buscar melhorias na saúde educação, sustentabilidade e tudo que se refere a nossa sobrevivência e desenvolvimento, servindo como um Arco e Flecha.&lt;br /&gt;O arco e flecha é um instrumento de defesa, de caça… Hoje em dia, um computador com internet também pode ser utilizado pelos os indios como um instrumento de defesa e caça.&lt;br /&gt;Quando nos índios pensamos em fazer uma caçada, nós nos preparamos, estudando todas as possibilidades: o clima, o terreno, a época do ano… Preparamos nossas flechas, fazemos nossas orações e saímos em grupo… tem índio que pesquisa no google, o que escreve carta para governo, o que escreve projeto, o que tem faro para os recursos, o que tira os vírus, o que faz contas, gráficos, apresentações.As ações da ” Grande Caçada” é um termo que simboliza qualquer atividade que busque a subsistência como no tempo que vivíamos na floresta, mas agora refere-se uma operação atual, caçamos: fazendo projetos, cartas, documentos, casas, plantando, criando animais doméstico, estudando, enfim e um série de coisas mais.&lt;br /&gt;Hoje em dia, também nos reunimos em grupo e através do computador e a internet nos estudamos todas as possibilidades: os órgãos do governo e seus editais e suas leis, as agencias de cooperação, os financiadores, os programas, os patrocínios de empresas, o mundo das parcerias… Preparamos nossos projetos e saímos na busca de concretizar nossa caçada.&lt;br /&gt;Arco e flecha = computador e internet&lt;br /&gt;Caçada = elaboração de projetos&lt;br /&gt;Caça = projeto aprovado&lt;br /&gt;Cozinhar = executar&lt;br /&gt;E depois só comer o resultado&lt;br /&gt;Quando um projeto é pensado, projetado, elaborado, encaminhado é igual à CAÇADA TRADICIONAL.&lt;br /&gt;O que se precisa para ser um bom CAÇADOR?&lt;br /&gt;Precisa aprender com os mais hábeis caçadores e principalmente praticar muito.&lt;br /&gt;É bom estudar os hábitos dos animais: onde comem, onde bebem, onde vivem…&lt;br /&gt;É importante saber imitar os animais para atrai-os.&lt;br /&gt;É importante farejar, rastejar para capturar as caças.&lt;br /&gt;É muito importante também o domínio do arco e flecha para atingir a caça.&lt;br /&gt;O que se precisa para ser um bom CAÇADOR ELETRÔNICO?&lt;br /&gt;Precisa aprender um pouco da informática com aqueles que já sabem sem se importar com a tribo digital que a outra pessoa pertença. Dedicar horas a pratica no computador é fundamental. Praticando se aprende. Muito do que sabemos hoje temos o aprendido praticando… Sozinhos.&lt;br /&gt;Com a internet nos podemos estudar “os hábitos” das agencias, das secretarias, dos órgãos, das empresas… Onde se localizam, quais são a suas missões, quais suas formas de proceder (editais, chamadas, patrocínios, apoios, parcerias…).&lt;br /&gt;É importante saber “imitar”, saber ajustar nossos projetos aos perfis daqueles que agente quer atrair, sejam eles financiadores ou parceiros…&lt;br /&gt;È importante procurar, pesquisar, navegar na INTERNET para assim saber melhor como “capturar”.&lt;br /&gt;Hábitat (Floresta, rio, lagoa, árvores, subsolo…) = Financiadores (Agencias, Secretarias, Empresas).&lt;br /&gt;Hábitat é onde agente vai buscar a caça.&lt;br /&gt;Financiador é onde agente vai buscar aprovar o projeto.&lt;br /&gt;O computador é muito rápido ele vai longe pode até atrevessar o oceano, ir ao final do mundo em segundos. A luta para buscar as soluções dos problemas exige um grupo de pessoas articuladas e planejamento, portanto o arco foi esticado, quando o trabalho vai sendo desempenhado em forma de papel (flechas) elas são lançadas em todas as direções e atingem o alvo quando a ação for concretizada.&lt;br /&gt;Um arco e flecha pendurado na parede é decorativo não caça nem defende.&lt;br /&gt;Vamos usar nossos computadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.indiosonline.org.br/novo/visao_de_nhenety_sobre_computador/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-694957527934548366?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/694957527934548366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=694957527934548366' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/694957527934548366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/694957527934548366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/12/minha-visao-do-computador.html' title='MINHA VISAO DO COMPUTADOR'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-2159202660227498208</id><published>2010-11-28T05:13:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T05:16:29.707-08:00</updated><title type='text'>ALDEIA NA FLORESTA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;O Ouricuri, na minha época de menino, era uma grande mata fechada que cobria vasta área dos atuais municípios de Porto Real de Colégio e São Brás, no território indígena imemorial. Nessa floresta existiam várias espécies de vegetais e animais em abundância. O caminho que levava ao interior da mata era uma pequena vereda, onde existia a aldeia tradicional com casas de palha, em que nosso povo ficava vários dias no ritual religioso indígena. Esse cerimonial é sagrado; não pode ser revelado aos brancos; somente aos índios que nascem na tradição de preservar a cultura original de nosso povo indígena Kariri-Xocó. Além dessas tribos, outros grupos indígenas podem assistir ao ritual: os Fulni-ô, Tingui-Botó e parte dos Karapotó que vivem na área.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Eu saía para o interior da mata junto com Joelson, o meu amigo e primo, à procura de frutos silvestres. O cheiro da gabiroba, ubáia, maracujá nos fazia identificar onde encontrar. Árvores altas e sombrosas, como o angico, a baraúna, dominavam a paisagem. O som dos pássaros nos pedia para escutar seus cantos. Andar nessa floresta exigia muito cuidado; cobras ficavam escondidas nas folhagens, aranhas e escorpiões eram o perigo maior.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Hoje está diferente, mata devastada, os animais estão sumindo, lenhadores e caçadores ofenderam a natureza. Fico triste quando olho; aquela mata linda que existia pede socorro para as pessoas replantar a vegetação, preservar o que existe para os animais novamente voltarem. O Ouricuri é conservar o que Deus nos deu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Quando eu tomei consciência de estar no Ouricuri senti uma diferença; morávamos numa rua sem mata e o barulho era constante: carros buzinando, músicas nos rádios, pessoas estranhas sempre passando nesse beco em aperto. Quando eu era criança, lembro que uma vez chegou o meu cunhado Juarez, parou na porta com uma carroça de burro, desceu e disse: "dona Lurde, seu Alírio mandou levar as coisas para o Ouricuri".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Subimos na rua ladeirada; os índios também estavam no mesmo reboliço, carga na cabeça, trouxa e meninos nos quartos, esteiras debaixo do braço. Saímos pela rua da Aurora, pegamos um caminho ermo; o sol estava se pondo... Passamos pela cidade; as luzes cada vez se afastavam. Chegamos numa mata escura, a estrada era como quê um túnel de ramagem. Perguntava a Juarez: "que canto é esse?" Ele me dizia: "não tenha medo; isso é a coruja!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Finalmente nós estávamos numa nova aldeia de forma circular, as casas eram de palha e não tinham compartimentos. Perguntei a ele porque nós vínhamos para ali e ele respondeu: "Zé, aqui é o Ouricuri; muitas vezes você veio quando era mais pequeno!" Foi aí que tomei consciência de que aquele lugar não era estranho. Ele foi logo nos descendo, as coisas tirou também, colocou num ranchinho de palha e depois a mamãe chegou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A mamãe me dizia que no tempo dela o mato era maior; cobras atravessavam a estrada, raposas também cruzavam, o dia parecia noite pela sombra das árvores. Nossos ranchinhos de palha de Ouricuri ou de arroz, o gado dos fazendeiros quando nós não estávamos lá derrubava a casa e comia a cobertura; em nossa chegada, tudo estava no chão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Em noite de inverno se fazia um amparo com esteira de periperi para agasalhar os meninos; a chuva não parava, a água escorria por debaixo, nós agüentávamos por amor à tradição. Crianças ficavam roxas de tanto frio que passavam; se fazia um foguinho para enxugar a roupa molhada, aquilo era uma benção; ninguém vivia doente, as pessoas eram sadias porque estavam acostumadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Aqui, nos problemas de saúde ocorridos com as crianças, as mães sempre resolvem, quando a doença é simples, com chás de ervas ou uma simpatia. A papeira, sempre se cuidava com casinha de maribondo feita de barro nas paredes; quebrava em pedaços e fazia uma pasta colocando no rosto. Pronto, esse era o remédio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Para o sarampo se arrumava fezes de cachorro; estando seca, amarrava em um paninho e colocava para esquentar numa panela com água; era só tomar o chá. A frieira que se dá nos pés, mãos, não tem complicação, pois a pessoa mesma se cuida: é só mijar no pé. Em caso de diarréia, toma-se o chá da folha de goiabeira, pegando as folhas do olho ou raspa de arapiraca. Dor de cabeça, ela, minha mãe, sempre cuidava com mata-cabra, amarrando na cabeça. Casca de aroeira é bom para cicatrização. Para surdez, é bom coçar o ouvido com rabo de tatu; na queimadura, clara de ovo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;José Nunes de Oliveira&lt;/i&gt; é    índio da tribo Kariri-Xocó, localizada no município de    Porto Real do Colégio, Alagoas.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Karriri-Xoco&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141999000300005&amp;amp;script=sci_arttext&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-2159202660227498208?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/2159202660227498208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=2159202660227498208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2159202660227498208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2159202660227498208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/aldeia-na-floresta.html' title='ALDEIA NA FLORESTA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-2611295575457777201</id><published>2010-11-28T05:08:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T05:08:43.765-08:00</updated><title type='text'>FESTAS DA CIDADE</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nossa professora Terezinha, nas aulas ministradas na escola da aldeia, ensinava aos alunos orações cristãs; incentivava meninos para a missa do sábado e do domingo. Como eu estudava na 3ª série e tinha 10 anos, acompanhava a turma para a Igreja. O vigário da paróquia era o padre Hildebrando. De manhã, os sinos tocavam e mamãe me acordava: "José, levante! Vai tomar um banho no rio! Tome o café para ir à missa! O sino já deu a primeira badalada!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Pedia-lhe a benção e ela me abençoava. Vestia a roupa, calçava as congas azuis com uma meia branca. Papai me dava moeda para comprar pipoca. Meu primo César Girir chegava lá em casa com os meus colegas de classe: Lenoir, Djalma, Vilma... Alguns iam acanhados por terem uma roupinha fraca com relação aos brancos da cidade, sempre bem vestidos e calçados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nossa família nunca perdeu uma procissão; muitos índios também faziam o cortejo, junto com o pessoal da cidade, a começar na Semana Santa: na participação nas Estações, Senhor dos Passos eu ia junto com meu pai e a outra procissão seguia outras ruas com as mulheres acompanhando Nossa Senhora das Dores; minha mãe ia nesse grupo, com algumas índias, junto à imagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;No mês de agosto, dia 16, era a procissão de São Roque, o padroeiro da cidade desde 1911, quando teve uma cólera na região de Colégio, o padre fez uma promessa e a epidemia acabou. Desde essa época São Roque ficou como padroeiro pela graça alcançada. Houve muitas vítimas e entre elas os índios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;No dia 29 de novembro começava a primeira noite de novena, festa da padroeira da cidade, organizada por cada classe social e com direito a uma noite. Esse período era aguardado com muita ansiedade pela sociedade colegiense. Todo mundo do município fazia economia para comprar boas roupas e ter dinheiro no bolso para gastar na festa. A procissão era no dia 8 de dezembro, às três horas da tarde, e a noite era dedicada aos índios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Na praça Rosita de Góes Monteiro ficava o parque de diversões; meu pai sempre nos levava para andar nos aviões, patinhos e roda gigante, além de comprar baganas após o encerramento da procissão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-2611295575457777201?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/2611295575457777201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=2611295575457777201' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2611295575457777201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2611295575457777201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/festas-da-cidade.html' title='FESTAS DA CIDADE'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4868176276731206489</id><published>2010-11-28T05:00:00.001-08:00</published><updated>2010-11-28T05:05:02.659-08:00</updated><title type='text'>FESTAS NA RUA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Na época da folia do carnaval, na zoada, a cidade de Colégio não parava nem de dia e nem de noite. Homens mascarados, cada um a seu modo, outros banhados em pó de maizena, acompanhados sempre por uma batucada. Andavam de rua em rua; pela nossa também passavam os rapazes da aldeia. Nossa rua era modesta; os mais velhos só observavam; muitos nos aconselhavam, falavam que essa festa não era abençoada, que o rebuliço foi o cão que inventou. Diziam que muitos deles se fantasiavam só para dar uma lapada; não era bom que se participasse disto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A colheita das roças coincidia com a festa junina, milho verde, feijão e abóbora: tempo de fartura. Todos os anos o rio enchia com as enxurradas; desciam rolos de pau pela força da água, meninos e meninas pegando para fazer as fogueiras troncos, galhos, árvores que desciam do sertão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Em noite de São João, os pais compravam roupas para os filhos, traques, chuvinha e bombas. As mulheres faziam canjica, pamonha, mungunzá; na fogueira, carne e milho verde na brasa. Na escola, as carteiras eram tiradas da sala e às 8 horas começava o Toré; durava a noite toda, até amanhecer. No Toré estavam pessoas de todas as idades.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Os índios que moravam na Colônia também vinham participar. Não tinha nada de forró. A rua dos Índios estava toda iluminada, as fogueiras acesas, os mais novos soltavam fogos. Todos os índios de roupa nova. Em nossa casa, tudo já estava providenciado: arroz doce, peixe assado, roupa de meus irmãos. Papai comprava pano em Propriá: a costureira era Lizete, branca da cidade de Colégio. Nesse dia de festa, papai ia buscar a roupa na medida, colocava em cima da cama e todos nós vestíamos logo cedo para andar na rua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A festa de Natal comemora o aniversário de Cristo e era visto na rua dos Índios com grande respeito. Os pais preparavam os filhos com a melhor roupa para a missa na Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Antes da Missa do Galo começava o Pastoril no coreto da praça Godilho de Castro, centro da cidade, bem em frente à Igreja. As moças que faziam as cenas eram todas brancas. Papai Noel distribuía presentes às crianças na praça. Eu ganhei um carrinho de plástico azul; fiquei muito contente. A meia-noite começava o foguetório; eu ficava com medo e tinha pavor de fogos de artifício. Mamãe dizia que eu não devia chorar: a noite de Natal era para sorrir, pois foi nessa noite que Jesus nasceu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4868176276731206489?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4868176276731206489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4868176276731206489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4868176276731206489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4868176276731206489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/festas-na-cidade.html' title='FESTAS NA RUA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-8417400266630161888</id><published>2010-11-28T04:57:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:57:26.300-08:00</updated><title type='text'>HISTORIAS NA  NOITE</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;O homem que mais trabalhava em madeira era José Taré, grande artesão que fazia as maiores obras de arte, até por encomendas: tacapes, carrancas, móveis. Ele tinha a marcenaria como profissão. Otávio, maior contador de história indígena da época, chegava lá em casa à noite, como os outros velhos, para contar fatos passados e eu ficava ouvindo — deitado numa esteira de piripiri — até dormir. Alí ficavam até 11 horas da noite; quando a lua estava alta, as pessoas iam se acomodar, dormir no silêncio da noite, a não ser algum menino que chorava para mamar. Numa aldeia, as mulheres conhecem as crianças mesmo sem vela, só basta ouvir seu choro e uma diz: "aquele é fulano, filho de fulana".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Na esquina da rua morava o chefe Paulo Austragésimo da FUNAI, no próprio Posto Indígena, do qual tenho boas recordações por ser uma pessoa amiga das crianças. Introduziu na escola o esporte do vôlei, a quadrilha junina, o forró, o desfile de 7 de Setembro e a premiação dos alunos, do 1º ao 3º colocado pelas melhores notas no final do ano pela aprovação. Na lagoa do Cordeiro em época de pescaria, Laudilina, irmã do pajé Francisquinho, era a índia que mais pegava peixe de mão: cará, traíra e outros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Resistir era preciso; Josival, irmão de meu pai, nunca perdeu uma briga na cidade com aqueles que queriam maltratar os índios, mas nunca matou ninguém; só dava uma lição nos brancos provocadores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-8417400266630161888?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/8417400266630161888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=8417400266630161888' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/8417400266630161888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/8417400266630161888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/historias-na-noite.html' title='HISTORIAS NA  NOITE'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4192235172977154021</id><published>2010-11-28T04:52:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:52:24.498-08:00</updated><title type='text'>CACIQUE OTAVIO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;O cacique Otávio Queiroz Nidé era irmão do pajé Francisquinho, por parte do pai Manoel de Queiroz, bisneto de João Maromba, chefe religioso dos Xocó entre 1899 a 1913. Manoel de Queiroz, portanto, era filho de Gregório Maromba, um dos filhos de João Maromba. A liderança de Otávio teve início após sua escolha, em 1944, após a morte do antigo cacique Kariri Jonas, também seu parente. Todos os índios da aldeia tinham uma atenção especial ao cacique Otávio, porque sua dedicação na tradição o tornara respeitado internamente e dera exemplo à comunidade indígena: o cacique é aquele que ouve as decisões dos órgãos internos (Conselho Tribal), chefes de família... Junto com o pajé examina o ponto de vista viável, executando a ordem estabelecida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Numa aldeia, o cacique deve visitar todas as casas, ouvir problemas ao longo do tempo, dar atenção às crianças, aconselhar os mais inexperientes, conscientizar que o povo indígena só sobrevive coletivamente em união das pessoas. Otávio, através de sua observação social, dava nomes às pessoas da aldeia de acordo com a característica comportamental do indivíduo a denominar. Por exemplo, um menino que tomava banho no rio e era muito veloz na habilidade de nadar, o cacique dava-lhe logo o apelido de piaba (peixe do rio) e todas as pessoas reconheciam socialmente a identificação, denominação do indivíduo. Agora eu digo que cada povo tem o doutorado em sua cultura, porque somente ele pode saber sua origem, o que quer, o que sente, o que busca e para onde vai seguir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4192235172977154021?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4192235172977154021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4192235172977154021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4192235172977154021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4192235172977154021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/cacique-otavio.html' title='CACIQUE OTAVIO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-5308421686525993258</id><published>2010-11-28T04:49:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:49:05.613-08:00</updated><title type='text'>ORGANIZACAO DA RUA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nessa rua dos Índios tinha duas partes em sua definição social: o lado baixo, que era chamado rua de Fora e a parte alta, denomina rua do Alto; havia uma pequena baixa no meio, por onde as águas das lagoas Grande e Cordeiro se encontravam nas épocas da cheia do São Francisco. Nesse ponto, chamava-se Baixinha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;No alto moravam Antônio Tingá e Manoel Preto, melhores cantadores de Toré. Firmino Pires, casado com Selé, irmã de meu avô Euclides também morava lá. Firmino Pires, foi o melhor piloto de canoas; era o filho mais novo do antigo cacique Inocêncio Pires. Ainda no alto morava Lorinda, anciã de grande sabedoria, filha de Nezinho e bisneta de Pedro Lolaço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Na rua de Fora morava Analbertino, tio de minha avó Júlia; também era filho de um ancião muito respeitado. Perto dele morava o cacique Otávio, casado com Iria, maior rezadeira da região; todos os dias chegava em sua casa muita gente de fora para ser curada das doenças. Uma das melhores ceramistas era a velha Luiza, que decorava com pinturas de argila branca as mais belas figuras nos potes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-5308421686525993258?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/5308421686525993258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=5308421686525993258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/5308421686525993258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/5308421686525993258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/organizacao-da-rua.html' title='ORGANIZACAO DA RUA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4181647325398674687</id><published>2010-11-28T04:44:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:44:47.677-08:00</updated><title type='text'>INDIOS SOLIDARIOS</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Aquela rua era nossa aldeia, onde o povo morava, onde era possível viver como índio; a união nos dava resistência. Esse lugar foi para mim especial, lá onde nasci e me criei entre parentes: nossa comunidade viva e ativa. Quando um casal precisava de morada, todos se reuniam para construir a habitação, da criança ao mais idoso faziam parte do mutirão. Na limpa das roças nas terras da Colônia, o processo era o mesmo; pessoas se ajudavam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nosso povo era amigo na alegria e na dor; quem arrumasse uma coisa que o outro necessitasse, dividia no meio para fome não passar. Em tempos de crise, viajavam dois índios, Pitombo e Zé da Morena, procurando serviço com os fazendeiros Pedro Chaves e doutor Ercílio, todos de Sergipe; na volta à aldeia avisavam que tinham trabalho para um mês inteiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Na doença de alguma pessoa, homens e mulheres iam visitar; o paciente se alegrava mesmo ali sofrendo, lágrimas nos olhos a rolar gemendo. No inverno, água na rua correndo, poças, pedras e lama; meninos na chuva pulando, cantando e patos ali brincando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Dos momentos ali vividos jamais vão se acabar lembranças, imagens... Vozes, gritos e lamentos estão registrados no tempo. O solo daquela rua guarda um pedaço da nossa história: cacos de panelas, potes e ossos, umbigo de menino novo, restos da cultura material... O sol ainda é o mesmo; estrelas no mesmo lugar; o rio ainda passa, agora beirando um cais... O mundo não para nunca de circular.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4181647325398674687?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4181647325398674687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4181647325398674687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4181647325398674687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4181647325398674687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/indios-solidarios.html' title='INDIOS SOLIDARIOS'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-2164234745244743280</id><published>2010-11-28T04:39:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:39:57.681-08:00</updated><title type='text'>ESCOLA INDIGENA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A escola da aldeia fazia parede com a nossa casa; dava até para ouvir as aulas da professora Terezinha Wanderley, uma branca da cidade de Colégio. Por ansiedade de estudar, pedia a meu pai que queria. Ele, pela minha insistência, foi na mercearia de seu Antônio Donato e comprou um ABC de cor vermelha e deu para mim. Mamãe foi à escola comigo e falou: "comadre Terezinha, bote o José para estudar com os outros meninos; a vida dele é me aperrear". Dona Terezinha me colocou na turma da manhã; ainda me lembro: as carteiras eram daquelas que acomodavam quatro alunos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Antes das aulas, tínhamos de dar bom dia à professora, rezar Pai Nosso e Ave Maria. O uniforme era bermuda marrom com suspensórios e camisa xadrez, fornecido pela FUNAI, como também caderno, lápis e borracha, além da merenda escolar: sopa ou leite.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Um ano depois, já estudava a cartilha e começava a formar palavras. Na hora do recreio ensinavam as brincadeiras da cidade. De manhã, o zelador abria e varria; era o índio Francisco Tamoné (Zé Gatinho) e também chegava a cozinheira, também índia, a velha Marieta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Quando eu tinha oito anos já estudava na 1ª série e cada vez mais gostava de estudar; meus pais sempre davam uma força; já os outros, tinha deles que seus pais os tiravam da escola para ajudar na cerâmica ou nas roças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A pobreza era dominante nessa rua. Muitos deixavam a escola. A professora reclamava ao chefe do Posto, Ademir, mas não adiantava; ele dizia: "o que é que eu vou fazer?" Os alunos, muitos deles, é quem ajudam os pais na agricultura; as meninas também auxiliam as mães a cuidar dos irmãos menores, lavam pratos; outros vão para as lagoas buscar barro para a cerâmica da mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-2164234745244743280?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/2164234745244743280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=2164234745244743280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2164234745244743280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2164234745244743280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/escola-indigena.html' title='ESCOLA INDIGENA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-6258339295625302949</id><published>2010-11-28T04:36:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:36:52.834-08:00</updated><title type='text'>HORIZONTE CULTURAL</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;De cima do barranco, avistávamos o rio São Francisco, com suas águas verdes descendo em direção ao mar; olhando para o meio, percebíamos umas pequenas ilhas que as pessoas chamavam de croas de areias claras, com vegetação espinhosa denominada calombi; quem lá ia de canoa, encontrava o capim grande; era o caniço com que nosso povo costumava pescar quando o peixe era abundante. Olhando adiante, na margem direita está o estado de Sergipe; pés de ingazeiras sombreavam o outro lado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Quando morávamos lá naquela rua dos Índios, não existia o cais de pedra; só tinha o barranco alto, escavado pelas águas do rio ao longo dos séculos; a beira era de uma areia fina, meio amarelada, pequenas pedrinhas alvas como as nuvens do céu; cardumes de peixes remexiam as águas, pulavam como se estivessem brincando. Este rio é um grande espelho do sol e da lua; onde refletem as suas luzes no horizonte estão os pequenos montes; do lado de cá, onde está nossa cidade, só tem casas beirando o rio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Acima da rua onde morávamos, estavam canoas de pesca amarradas com cordas em troncos fincados n'água; continuando mais além, o Morro de São Caetano, marco tradicional de nossa terra. Da calçada do antigo Posto dava para ver a Serra da Apreaca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-6258339295625302949?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/6258339295625302949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=6258339295625302949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/6258339295625302949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/6258339295625302949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/horizonte-cultural.html' title='HORIZONTE CULTURAL'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-3180399150707700050</id><published>2010-11-28T04:29:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:29:48.813-08:00</updated><title type='text'>BRINCADEIRAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nossos quintais na rua dos Índios, cada um tinha uma cerca de madeira no fundo, com um portãozinho ao lado. Dava para a lagoa do Cordeiro, que banhava em círculo os quintais das outras ruas: Santa Cruz, Dr. Clementino do Monte. Na margem da lagoa, a vegetação era um pouco baixa: existia velame, pipeira, ingazeiro, marizeiro e ramagens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A meninada gostava de brincar de cozinhada, em que cada um dava um pouco para fazer a misturada. As meninas davam as panelas, sal e arrumavam lenha, além de varrerem o pé do velho ingazeiro. Os meninos saiam para o mato para colher frutos silvestres e caçar passarinhos de peteca e apanhar sardão e os outros temperos do mato: tomatinho, alfavaca, ciguleira, maxixe. Os meninos eram quem mais suavam para arranjar a mistura. Mas aquela lagoa era farta, além do peixe; os moradores jogavam lixo nos fundos dos quintais e ali nasciam verduras e legumes das sementes jogadas fora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Quando tudo estava arranjado, os meninos levavam a caça, a pesca e a colheita para que as meninas começassem a cozinhada; elas tratavam do preparo dos alimentos e cozimento. Após as tarefas cumpridas, a menina maior do grupo era quem fazia a divisão, colocando nos pratinhos de barro, ou em cacos de potes quebrados, a comida de todo o grupo, e todos saiam satisfeitos com a brincadeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Fazíamos pequenas canoas de raiz de timbauba, colocávamos um pano para pegar corrida na lagoa do Cordeiro. Mas as brincadeiras eram por época; às vezes demorava muito tempo para uma acontecer. No tempo do caju, brincávamos com a castanha: colocando uma encostada na parede, tentávamos acertar e quem conseguia ganhava todas as castanhas jogadas. Quando apareciam os ventos, em certa época do ano, fazíamos pequenos corta-ventos colocados numa vara suspensa com a mão. Na safra do milho, as meninas brincavam com as bonecas que nascem no pé.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Uma outra brincadeira... Um menino segurava um pedaço de pau lá na beira do rio e gritava: "galinha gorda!" Os outros respondiam: "gorda!" Aí, ele continuava: "para o meio ou para a beirada?" Os outros respondiam: "para o meio!" Ele sacudia o pedaço de pau bem no meio das águas e todo mundo começava a nadar para ver quem era o mais rápido nadador.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Também no rio, tinha a brincadeira de derrubar: eram dois pares de meninos, com o grande colocando o menor nos ombros, ambos em pé, com água na cintura; começava a luta entre os que estavam em cima; quem derrubasse seria o vencedor. A minha brincadeira predileta era atirar com uma lança de madeira para acertar o pé de mamoeiro da minha avó Júlia. Na aldeia só tinha um pareio para disputar comigo: era o meu primo Joelton, filho de Tio Jó (Josival). Gostava muito de fazer um alvo, mesmo no chão e atirar a lança para o alto e acertar no círculo riscado com uma pedra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;O jogo da peteca, feita de palha de milho com pena de pato, era uma roda de meninos batendo com o brinquedo na palma da mão, sem deixar cair. Aquele que derrubasse sairia da brincadeira, ficando no final só dois para disputar a vitória. Eu mesmo não era muito bom nessa brincadeira, perdia todas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-3180399150707700050?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/3180399150707700050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=3180399150707700050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/3180399150707700050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/3180399150707700050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/brincadeiras.html' title='BRINCADEIRAS'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4587528801376579483</id><published>2010-11-28T04:22:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:24:42.129-08:00</updated><title type='text'>DESCRIMINACAO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Quando nós vivíamos na cidade de Colégio, na rua dos índios, alguns brancos passavam nela, poucos amigos, negociante para vender a prestação, fazendeiros atrás de gente para trabalhar no campo a preço abaixo do mercado; também tinha aqueles com laço de amizade. Muitas vezes jogávamos bola no campinho do Cordeiro com meninos de várias ruas, formando times de pelada. Muita amizade nessa época de 12 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Com o passar dos tempos, cheguei até a visitar a casa deles. Conheci outras pessoas que me perguntavam se eu era caboclo; respondia que era índio. Outros perguntavam quem era meu pai e eu dizia que era filho do Alírio, aquele que vendia peixe. Eles diziam que conheciam meu pai, que ele era gente boa, mas tinha caboclo onde eu morava que eles não gostavam: comem moroba, bobó, andam sujos, bebem cachaça: "aquele povo é imundo, cheio de confusão, querem tomar as terras". Eu ficava ofendido; não gostava quando falavam isso da minha gente. Eu rebatia e discutia com eles.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nesse momento, moderavam: "não é com você não; nós sabemos que tem muita gente de bem como você!" Esse só foi um caso, mas muitas vezes repetiu-se com outras pessoas da cidade com relação aos índios, às vezes, com zombaria, humilhação e até brigas. Mas reconheço que tem pessoas amigas lá e em outros lugares, que nos compreendem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;Nhenety Kariri-Xoco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4587528801376579483?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4587528801376579483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4587528801376579483' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4587528801376579483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4587528801376579483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/descriminacao.html' title='DESCRIMINACAO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-2656850727588554951</id><published>2010-11-28T04:16:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:16:37.254-08:00</updated><title type='text'>BOM PAI</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Para criar os filhos, Alírio começava a andar pelas ruas da cidade, com um balaio de peixe, aproximadamente 60 kg de peso na cabeça, gritando: "olha o peixe!" Toda vez que alguém queria comprar, ele tinha que colocar esforçando a carga em baixo. Quando era no verão, aquele calor do sol ele suportava nos paralelepípedos das ruas. Aquele peso diário era rotina só para ver a família numa boa. No inverno, período das chuvas, não parava essa profissão; nunca tinha férias nem frio e nem calor. Toda a cidade o conhecia como um bom pai de família; sua freguesia abrangia todas as classes da sociedade colegiense; foi respeitado do menino ao mais velho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Na época que as lagoas Comprida, Grande, Coité ficavam cheias, o peixe era abundante; o dono prendia o peixe no viveiro. De madrugada começavam a bater na porta. Diziam: "seu Liro, seu Tojal está chamando". Era o empregado da Lagoa Grande. Ele acordava ainda escuro; os cachorros começavam a latir e ele saía para a porta d'água: "Tojal, oi eu!" Ele dizia: "o peixe tá aí; quantos quilos vai querer hoje?" Papai respondia: "vou querer uns 200 quilos". Seu Tojal dizia: "só isso?" Papai rebatia: "sim, eu sou só; vou dar três viagens para casa com esse peixe para começar a vida". O sol começava a raiar; quando eu acordava, em cima da mesa já estava o que seria para o almoço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-2656850727588554951?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/2656850727588554951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=2656850727588554951' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2656850727588554951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2656850727588554951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/bom-pai.html' title='BOM PAI'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-1124443536786325414</id><published>2010-11-28T04:09:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:09:56.518-08:00</updated><title type='text'>ALEGRIA DE PAPAI</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Meu pai era uma pessoa alegre, gostava de rir. Pegava as crianças e começava a brincar; colocava eu e meu irmão no braço, cantava e pulava. Corria e bulia com os meninos na aldeia. Às vezes dizia: "menino que anda nu, eu capo!" Os meninos saiam correndo sorrindo. As mães diziam: "o que é isso?". Eles diziam: "é o tio Olire; diz que vai capar!" Elas diziam: "é não; ele só tá brincando!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Quando meu pai vinha da cidade, trazia banana, bala e bagana após vender o peixe. As crianças diziam: "tio Olire, me dê uma banana!" Ele nunca negava; às vezes, até os adultos. Nosso estilo de vida era mais ou menos; meu pai era um batalhador pelo pão nosso de cada dia. Quando ele ia na rua Dr. Clementino do Monte, de frente ao rio, na bodega do seu Joaquim comprar qualquer coisa, eu escapulia atrás dele; quando ele chegava lá, eu chegava também. Ele dizia: "o que é que você quer, José?" Eu dizia: "aquelas cocadas"; ele comprava, me dava e eu saía correndo para casa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Minha mãe dizia: "já foi atrás de seu pai? Quando nós for almoçá, você nem belisca o comer!" Nessa hora papai chegava e minha mãe dizia: "mas rapaz, você comprou de novo cocada para esse menino!" Ele dizia: "comprei, ele gosta!" Ele era aquele pai que atendia os filhos no que precisassem: carinho, amor, só gritava: essa era a pisa que ele nos dava em caso de desobediência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-1124443536786325414?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/1124443536786325414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=1124443536786325414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1124443536786325414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1124443536786325414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/alegria-de-papai.html' title='ALEGRIA DE PAPAI'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-9137409166680739823</id><published>2010-11-28T04:05:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:05:42.470-08:00</updated><title type='text'>PAI E OS PEIXES</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Meu pai Alírio era conhecido por Peixe Caro pelos brancos da cidade. Quando era de madrugada saía para a margem do rio, a esperar os pescadores chegarem nas canoas; uns eram daqui da cidade; outros moravam no povoado Tibiri e de São Brás. No porto encostavam as embarcações; os balaios eram cheios para levar para casa, começar a negociar o peixe pelo tamanho e qualidade; nessa hora eu acordava com as teimas de vendedor e comprador. Depois do acerto eles iam embora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Mamãe acordava para fazer o café da manhã e eu ia olhar os peixes. Tinha piranha, aragú, curumatá, dourado, sarapó, curvina, bagre, niquin, piau. A sala estava repleta de peixe. Após o café, meu pai pegava um balaio cheio. Ia vender pelas ruas da cidade. Quando acabava ele retornava para casa, para levar outro carrego. O peixe que ficava e não era vendido seco, era tratado e salgado em gamelas para vender aos matutos do interior que vinham à cidade para a feira, na sexta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Na quinta-feira, papai matava porco para vender na estação ferroviária aos funcionários da Rede e para receber quando saísse o pagamento. Nossa casa tinha fartura; papai sempre andava com dinheiro no bolso e não deixava nada faltar: o alimento, a roupa, o remédio, tudo que uma casa precisava e a sua família.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-9137409166680739823?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/9137409166680739823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=9137409166680739823' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/9137409166680739823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/9137409166680739823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/pai-e-os-peixes.html' title='PAI E OS PEIXES'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-8294409974747927698</id><published>2010-11-28T04:00:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T04:00:07.927-08:00</updated><title type='text'>ANTES DO POSTO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Mamãe também sabia fazer lingüiça, que aprendeu com minha avó Pureza. A corda era repleta do produto; tirava para a alimentação do pessoal da casa e a outra parte vendia aqui mesmo, a quem viesse comprar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Ela me contava, que muitos anos antes da fundação do Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso, as coisas eram muito mais difíceis para os índios. Os brancos da cidade, principalmente a polícia, perseguiam os indígenas, proibindo de dançar o Toré na rua em que moravam. À noite, um pessoal que não sei o nome, chegava na rua dos Índios e mandava que nossos parentes fossem dormir cedo, às seis horas. Não podiam ouvir choro de menino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Esse pessoal era malvado, espancava índios com chibata, montava no índio (homem) como se fosse animal, com esporas nos pés e feriam aqueles que não tinham quem os acudisse. Certa vez os índios estavam reunidos debaixo de um pé de juazeiro e começaram a dançar o Toré; entre eles havia alguns brancos da cidade observando o fato. No momento da dança em movimento, o índio Pedro Tinga pisou no pé duma mulher branca sem querer e ela caiu fazendo cenas de drama.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Alguém foi dar queixa às autoridades locais; a polícia chegou, acabou com as danças, pegou o índio Pedro Tinga e começou a espancar desde a rua até a delegacia. Arrastaram pelo chão. Os outros índios não puderam fazer nada; não tinham proteção. Ficavam temerosos porque ninguém estava do seu lado. Os índios vieram a ter algum respeito após a fundação do Posto, em 1944.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-8294409974747927698?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/8294409974747927698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=8294409974747927698' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/8294409974747927698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/8294409974747927698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/antes-do-posto.html' title='ANTES DO POSTO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-1220598627216270961</id><published>2010-11-28T03:51:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:56:39.314-08:00</updated><title type='text'>TRADICAO CERAMICA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Maria Pureza, minha avó por parte de mãe, era ceramista; trabalhava em casa, como todas da profissão. Na aldeia, quando uma mãe de família não plantava arroz de meia, a alternativa foi sempre o trabalho com barro. Pureza fazia pote, panela e frigideira na própria casa onde morava, que servia de residência e olaria. As meninas da casa aprendiam com a mãe a arte, para ajudarem o marido a criar os filhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Minha mãe, filha mais velha, ajudava minha avó, que lhe passou o segredo da cerâmica; quando se casou, sabia todo o manejo da palhete do coité. Ela contava que viajou muito mais o meu avô Euclides; carregava a louça queimada no forno para a canoa grande de Cícero Catingueira, um branco da cidade; subia ao sertão pelo rio São Francisco vendendo potes e panelas pelas cidades e povoados até o município de Pão de Açúcar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Na volta trazia farinha, peru, galinha e dinheiro, após uma semana fora de casa. Quando a canoa chegava ao porto defronte a aldeia encalhava; meu avô descia e mandava mamãe chamar as irmãs em casa para ajudar a levar a bagagem; era uma grande alegria, porque todos agora iam ter comida em fartura para os próximos dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Mamãe ajuntava, no canto, um cento de potes por semana de trabalho; quando estava com uma fornada pronta, com cerca de 250 objetos diversos, começava meu pai a comprar a lenha para efetivar a queima. O cacique Otávio, que tinha um forno, era sempre o que queimava a louça após fazer a arrumação. Começavam a vir os cambistas (compradores) da cidade, o sr. Manoel de Bilé e a sra. Bina, não-índios, e o dinheiro da produção era pago na hora da entrega.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Minha mãe Lurdes pegava o dinheiro e apresentava a papai para ver o que ia fazer, mas geralmente ele mandava ela comprar umas roupinhas para nós ou alguma coisa que necessitasse. Ela começava de novo a fazer o mesmo trabalho de cerâmica. Tinha índio que descia a Penedo, Piassabuçu e Brejo Grande para vender louça de barro. Mamãe mandava uns objetos. A canoa encostava e começavam a embarcar a cerâmica: homens, mulheres e crianças ajudavam no carrego.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-1220598627216270961?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/1220598627216270961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=1220598627216270961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1220598627216270961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1220598627216270961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/tradicao-ceramica.html' title='TRADICAO CERAMICA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-5157961220493035602</id><published>2010-11-28T03:46:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:46:06.326-08:00</updated><title type='text'>O RIO DAVA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;O meu avô trabalhava com os indígenas justamente na limpa da lavoura de legumes, com um salário de fome, insuficiente para o sustento da família. Minha avó Júlia trabalhava como meeira nas lagoas de plantação de arroz, onde os proprietários chamavam os índios para aceitarem o contrato de ficar com a metade da produção no final da safra. O dono da lagoa cedia às mulheres a propriedade para plantar arroz, sem ganhar salário. O pagamento era dar a metade da safra e o trabalho para as índias; o proprietário ficava com a outra metade da produção sem o trabalho, despesa alguma com o arroz; só o uso da terra pelos índios; dava direito ao dono da lagoa a 50% do lucro a custo zero. As índias e as crianças ajudavam as mães: sobravam 50% da produção com as despesas e o trabalho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Minha mãe contava que Euclides, meu avô, trabalhava também como agricultor, mas só que era nas terras de vazante do rio São Francisco. As terras de vazante eram aquelas de solo úmido, onde os proprietários também usavam a mão-de-obra barata dos índios no cultivo de mandioca, abóbora, milho e batata. Mas Euclides, além de agricultor, era pescador experiente: possuía a canoa de pesca e os utensílios da profissão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Quando era três e meia da madrugada, ele ia ao rio São Francisco pescar os covos para pegar camarão. Ao longo da pesca, continuava com a tarrafa lanceando na pesca de outros peixes: curumatá, piau, lambiá e piranha. Logo após a pescaria, ele retornava para casa com o balaio cheio de peixe, às cinco horas da manhã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A família arrodeava o balaio para ajudar a tratar os peixes que seriam salgados na gamela; os peixes graúdos eram tirados para a alimentação do dia. Na vazante, ele ia após o café; colocava a enxada nas costas e saía para o trabalho, levando uma cabaça d'água e Jurandir, seu filho mais velho, para ajudar no orçamento familiar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-5157961220493035602?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/5157961220493035602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=5157961220493035602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/5157961220493035602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/5157961220493035602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/o-rio-dava.html' title='O RIO DAVA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4821271128449717595</id><published>2010-11-28T03:38:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:38:34.820-08:00</updated><title type='text'>EXPROPRIACAO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Meu pai fazia parte do Conselho tribal, pessoa de confiança do pajé, nas reuniões que buscavam as soluções dos problemas da aldeia. Ele também era agricultor, trabalhava para os fazendeiros que nossas terras tomaram. Mas criou os filhos como pescador e vendedor de peixe na cidade de Colégio. Minha mãe era ceramista; trabalhava no barro: a produção era vendida na feira local.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Contava meu pai que meu avô Manoel Nunes trabalhava como agricultor nas propriedades dos posseiros, ocupantes da terra indígena, nos atuais municípios de Porto Real do Colégio e São Braz. Os posseiros eram filhos dos antigos arrendatários das terras indígenas, da época das Diretorias dos Índios, que logo após a extinção oficial das aldeias pelo governo Imperial foram loteadas e vendidas aos invasores, já pelo governo da República.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Aos índios expropriados, só restou para habitação uma rua estreita na periferia da cidade de Porto Real do Colégio, onde os fazendeiros se deslocavam para contratar mão-de-obra indígena para trabalhar nas fazendas de plantações de algodão, milho, feijão, arroz nas propriedades das terras alagadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4821271128449717595?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4821271128449717595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4821271128449717595' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4821271128449717595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4821271128449717595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/expropriacao.html' title='EXPROPRIACAO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-6133905950829372043</id><published>2010-11-28T03:30:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:30:56.192-08:00</updated><title type='text'>GUARDIAO DA TRADICAO ORAL</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nunes é das beiradas do rio de São Francisco. Passei um bom tempo conversando com ele e tentando conseguir que assentasse suas lembranças num pedaço de papel. Hoje em dia, ele escreve e eu apenas digito. Devo dizer, que as reticências no texto são minhas e são coisas de &lt;i&gt;cabeça seca&lt;/i&gt;.          Por outro lado, sugeri alguns tópicos, como poderia acontecer com          outro e qualquer amigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nunes é considerado como espécie          de &lt;i&gt;guardião&lt;/i&gt; da história das tradições Kariri-Xocó. Ele lê muito e guarda grande parte do que é escrito sobre o seu e outros povos; anota o que dizem os mais velhos. No seu texto, é fácil verificar um pé na raiz e outro nas conversas dos &lt;i&gt;cabeça seca&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;No mais, gostaria de referir-me a uma fala de Maria de Lurdes, branca, casada com um Karapotó, gente com a qual Nunes tem relação de família. Na verdade, a Lurdes constrói um conceito de história que tem sua expressão, também, no texto do Nunes e que sigo &lt;i&gt;assim, assim, assim&lt;/i&gt; na tentativa de historiar sobre os índios das Alagoas: "A história dos Karapotó é uma história. Uma história bonita e interessante. Já é de descendentes, bisavós, tataravós, de pai, de mãe... Vai passando de geração em geração. E cada um vai contando: meu avô me contava assim, assim, assim... Meu bisavô me contava assim, assim, assim... Meu pai me contava assim, assim, assim... e cada um vai contando" .&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Luiz Sávio de Almeida&lt;/i&gt; é professor da Univerisidade          Federal de Alagoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141999000300005&amp;amp;script=sci_arttext&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-6133905950829372043?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/6133905950829372043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=6133905950829372043' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/6133905950829372043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/6133905950829372043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/guardiao-da-tradicao-oral.html' title='GUARDIAO DA TRADICAO ORAL'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-1239841263209274593</id><published>2010-11-28T03:20:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:20:34.693-08:00</updated><title type='text'>A RUA UMA ALDEIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Eis a aldeia segundo a tradição dos velhos: casas de taipa cobertas de palha, rua de terra batida, arvoredos de pés de ingazeiras em cujas sombras existiam pilões, também pontos de reuniões, conversas. Meninos nus, descalços, brincando; índias trabalhando na cerâmica utilitária, homens chegando da pescaria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nesse meio foram criados meus pais; num sentimento de amor cresceram juntos, com a perspectiva de fundar uma nova família. Em 1941 casaram-se Maria de Lurdes e Alírio, meus pais. Numa casinha de palha também foram morar: uma cama de vara, fogo de lenha no chão, vasilhames de barro, potes e pratos, todos feitos pelas mãos de minha mãe, completavam a arrumação, juntamente com os artifícios de pesca trabalhados por meu pai: jereré, kuvú, tarrafa e puçá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A família é a unidade do povo, mas a riqueza da comunidade não é o poder econômico do casal. Grande número de filhos constitui a maior fortuna e respeito na posição social. Na reunião da comunidade, aquele que tem muita parentela é ouvido quando fala, considerado e admirado por todos. Meus pais tiveram dez filhos, mas por destino da vida só sete sobreviveram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-1239841263209274593?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/1239841263209274593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=1239841263209274593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1239841263209274593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1239841263209274593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/rua-uma-aldeia.html' title='A RUA UMA ALDEIA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-5652580288008188902</id><published>2010-11-28T03:15:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:15:38.191-08:00</updated><title type='text'>APRENDIZADO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Meu avô paterno havia morrido, mesmo muito antes de eu nascer; o avô materno morreu quando eu só tinha três anos. Otávio foi para mim como o avô que conheci e me ensinou, antes mesmo de freqüentar a escola indígena que ficava ao lado da minha casa. Aprendi que devemos imitar os mais velhos para a cultura continuar; ouvir as histórias para um dia contar, fazer arcos, flechas, o jereré.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Quando eu ia a sua casa ou ele ia na minha, eu perguntava sobre as coisas. O jenipapo... O fruto maduro serve para comer... Isso eu fiquei sabendo pela minha mãe, mas o Otávio me ensinou que o fruto verde do jenipapo ralado, espremido o bagaço, dava uma tinta escura preta azulada com que os antigos se pintavam. O caldo escorrido era colocado no fogo numa panela de barro só para mornar; tirava o caldo do fogo e deixava de molho uma noite: pronto para ser usado no corpo. Uma vez fiz para aprender; passaram-se muitos dias para sair a tintura do corpo. Só saiu com o passar do tempo, não continuando a renovar os traços.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Como aconteceu em Sergipe com os Xocó, as aldeias indígenas foram extintas legalmente em Alagoas no ano de 1873. A expropriação levou, ao longo dos anos, a população indígena a se fixar em Porto Real do Colégio, numa rua da periferia da cidade, perpendicular ao rio São Francisco. A aldeia dos índios situada na rua da cidade de Porto Real do Colégio foi o cenário da história da vida em comunidade de nosso povo sofrido, junto com o Ouricuri, unindo a todos na preservação de nossas crenças, costumes e cultura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-5652580288008188902?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/5652580288008188902/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=5652580288008188902' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/5652580288008188902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/5652580288008188902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/aprendizado.html' title='APRENDIZADO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-4468536811597944509</id><published>2010-11-28T03:12:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:12:50.299-08:00</updated><title type='text'>LEMBRANÇAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A lembrança mais remota que tenho no entendimento é de quando eu era criança, chorando numa rede. Mamãe pegou-me nos braços e me colocou no chão: saí caminhando, começava a brincar. Outra vez, ainda me lembro, foi na casa de meu avô Euclides: ele estava deitado e doente. Eu ficava no quarto e ele se assentava. Minha avó Pureza lhe dava mingau no prato e ele começava a comer. No corredor da casa tinha uma canoa de pesca que estava encostada que o pescador não mais usava: remo, cuia e uma tarrafa. Quando Euclides morreu em 1966, eu tinha três anos de idade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A casa onde eu morava já era de telha e taipa, bem vizinha à nossa escola da aldeia, construída desde o tempo do SPI; na frente, do outro lado da rua, era a casa de Analbertino, homem já velho na idade; era filho de Inocêncio Pires, tio de minha avó Júlia. Encostado, morava o cacique Otávio, irmão do pajé Francisquinho. No canto do quintal existia uma ingazeira, em cuja sombra eu brincava com meus dois irmãos: Lurdinha e Antônio, ambos surdos e mudos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Segundo história de Antônio Nunes, irmão de meu pai, embaixo dessa velha Ingazeira, em 1944, Otávio foi escolhido pela comunidade indígena para ser o cacique tribal. Ainda no quintal, existia um velho pé de jenipapo no qual pousavam pássaros: vim-vim, bem-te-vi, assanhaço, pintassilgo, entre outros. Os meus pais foram, na minha infância, os primeiros educadores na formação de minha conduta perante os mais velhos, comunidade indígena e família. Mas na minha vida de criança, o cacique Otávio Queiroz Nidé instruiu-me no conhecimento tradicional de nosso povo indígena, cultura, costumes e organização tribal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xoco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-4468536811597944509?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/4468536811597944509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=4468536811597944509' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4468536811597944509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/4468536811597944509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/lembrancas.html' title='LEMBRANÇAS'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-9007662016396896649</id><published>2010-11-28T03:03:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:10:16.071-08:00</updated><title type='text'>NASCIMENTO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Minha mãe teve uma gravidez difícil. Não comia muito bem, tinha fastio e enjoava; num alguidar com farinha, às vezes beliscava moqueca de peixe miúdo, mingau de milho ralado. O alimento preferido de minha mãe gestante era a água do rio São Francisco quando descia o barranco. "Água de pote fedia nas ventas", ela dizia; o rio era cheiroso quando ela vinha beber, chegava na beiradinha e ficava saciada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nessa mesma época, estava para chegar um irmão de minha mãe chamado Jurandir, que foi embora há muitos anos para Manaus, no Amazonas. Era primeiro tenente das Forças Armadas; não sei dizer de qual polícia: Marinha, Exército ou Aeronáutica. O dia em que ele chegou de viagem, foi o dia em que nasci: aos 10 de setembro de 1963. Trouxe vários presentes para toda a família, inclusive um enxoval para recém-nascido, para uma irmã gestante ou que estivesse parida. No momento, fui eu o tal escolhido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;A parteira do caso foi a velha Nenê, assim conhecida por todos de Colégio. O menino que nascera era magrinho, dizia o povo que chegava em visita à mamãe na aldeia arruada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-9007662016396896649?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/9007662016396896649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=9007662016396896649' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/9007662016396896649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/9007662016396896649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/nascimento-de-nhenety.html' title='NASCIMENTO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-5099562343553398312</id><published>2010-11-28T03:00:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T03:00:07.182-08:00</updated><title type='text'>JOSE NUNES DE OLIVEIRA</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;EU, JOSÉ NUNES DE OLIVEIRA, sou índio da tribo Kariri-Xocó, localizada no município de Porto Real do Colégio, estado de Alagoas. Na realidade, a história das origens dos meus pais é, em certa medida, da homogeneização dos meus avós em cruzamentos de etnias diferentes entre Kariri, Natu, Xocó e Pankararu que habitaram as margens do rio São Francisco desde os tempos imemoriais, atualmente sob o denominativo genérico de índios Kariri-Xocó.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Meus pais são Alírio Nunes Pires e Maria de Lurdes Ferreira. Segundo as histórias da minha avó Júlia Pires, mãe de meu pai, de origem Xocó, ela era filha de Ormina Pires, filha caçula de Inocêncio Pires, meu tataravô, que foi o chefe tribal desse grupo no século XIX. O próprio Inocêncio Pires era filho de uma índia Xocó com José Ribeiro Sabino Pires, índio Pankararu de Pernambuco que chegou na ilha de São Pedro de Porto da Folha e construiu sua família.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;Nhenety Kariri-Xoco . &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-5099562343553398312?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/5099562343553398312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=5099562343553398312' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/5099562343553398312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/5099562343553398312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/jose-nunes-de-oliveira.html' title='JOSE NUNES DE OLIVEIRA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-6422592658362111358</id><published>2010-11-02T05:01:00.000-07:00</published><updated>2010-11-02T05:01:33.338-07:00</updated><title type='text'>EQUILIBRIO JUSTO</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O Planeta Terra passa por uma grande transformação, pelo que ja foi retirado dela sem repor as perdas materiais, da vida, extinção de espécies vegetais, animais, empobrecimento dos povos habitantes deste mundo. Os governantes dos paises desde a antiguidade, criam Leis com muitos Direitos nas riquesas da Terra&amp;nbsp; poucos Deveres para com Distribuição igualitária de responsabilidade do usso.Assim o Desequilíbrio será tamanho que comprometerá as futuras gerações pelo que foi destruido para enrequecimento de alguns e emprobrecimento de bilhões de pessoas. As Leis criadas para ser justa teria que ser assim : " Cada Direito vem com um Dever ", porque se houver a igualdade em ambos teremos o " Equilíbrio Justo ". So poderemos gastar o quanto podemos consumir, não precisa acumular a matéria prima, a Terra tem a quantidade adequada a cada geração, podemos entregar o Planeta em condições habitaveis e sustentáveis para as outras gerações que virão .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nhenety Kariri-Xocó .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-6422592658362111358?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/6422592658362111358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=6422592658362111358' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/6422592658362111358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/6422592658362111358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/11/equilibrio-justo.html' title='EQUILIBRIO JUSTO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-1353344416933981631</id><published>2010-07-29T11:19:00.002-07:00</published><updated>2010-07-29T11:32:33.533-07:00</updated><title type='text'>REDE DE RELAÇÕES</title><content type='html'>&lt;p&gt;     Sou Contador de História da Tribo Kariri-Xoco, membro Gestor da Rede Indios Online do Brasil , fico no Telecentro de Inclusão Digital Indios Online Kariri-Xoco, do municipio de Porto Real do Colégio, Alagoas, Coordenador das Oficinas do Ponto de Cultura Horizonte Circular, da Rede Alagoana de Pontos de Cultura. Nós com os jovens da Aldeia indigena estamos com uma Iniciativa do Memoria Viva Kariri-Xoco para registrar a sabedoria ancestral, das histórias, medicina tradicional, cantos, danças, pintura corporal, cerâmica utilitária das mulheres da comunidade, onde deveremos proteger nosso patrimônio cultural, na Web num blog acessivel a todos. Entre estas ações, de sites, blogs, E-mail, Twitter, nas relaçoes por onde passei em defesa da cultura, meio ambiente, gostaria de interligar as informações numa rede comunicativa   global para facilitar a resoluções dos problemas locais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;              Nhenety Kariri-Xoco&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-1353344416933981631?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/1353344416933981631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=1353344416933981631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1353344416933981631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/1353344416933981631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2010/07/rede-de-relacoes.html' title='REDE DE RELAÇÕES'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-8360325958165170405</id><published>2009-06-04T17:07:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T17:18:16.294-07:00</updated><title type='text'>MATA  ATLÃNTICA</title><content type='html'>http://pt.wikipedia.org/wiki/Mata_Atl%C3%A2ntica&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-8360325958165170405?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/8360325958165170405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=8360325958165170405' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/8360325958165170405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/8360325958165170405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2009/06/mata-atlantica.html' title='MATA  ATLÃNTICA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-2436340012129095117</id><published>2008-12-15T09:39:00.000-08:00</published><updated>2008-12-16T10:18:41.494-08:00</updated><title type='text'>ARCO DIGITAL</title><content type='html'>A internet para o índio é como um arco e flecha, porque com o compultador nós elaboramos nossos projetos de subsistência de criação de peixes, frangos, de boi, agricultura, educação, cidadania e cutura. Para caçar com arco e flecha na floresta, saimos em grupo, planejamos nossas ações para buscar a nossa sobrevivência: coletamos mel das abelhas, sementes das árvores para fazer artezanato, folhas de palmeira na cobertura de nossas casa, frutas saborosas; enfim trazemos tudo que precisamos. O compultador com internet tabém fazemos nossas caçadas, elaboramos projetos e enviamos aos órgãos públicos, civil e privados clicando em sites, portais e E-mais. Quando esses projetos são bem discutido na comunidade, encaminhados com sucesso, eles retornam para as aldeias em  forma de aves, escolas, posto de saúde, agricultura irrigada, como uma chuva em abundância. Nhenety Kariri-Xocó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.indiosonline.org.br/blogs/index.php?blog=42&amp;amp;tuser=3512"&gt;http://www.indiosonline.org.br/blogs/index.php?blog=42&amp;amp;tuser=3512&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-2436340012129095117?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/2436340012129095117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=2436340012129095117' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2436340012129095117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/2436340012129095117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2008/12/arco-digital.html' title='ARCO DIGITAL'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-3471818731166987009</id><published>2008-10-29T05:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T06:10:26.775-07:00</updated><title type='text'>LINGUAGEM DA NATUREZA</title><content type='html'>A comunicação humana não a única que existe no planeta Terra, todos os seres tem seu modo de transmitir suas mensagens. A terra estar nos informando pelas reações dos desastres ecológicos, que se o homem não preservar o Meio Ambiente, poderar levar a estinção da vida. As nuvens carregadas de gotícolas quer dizer que vai chover; os descongelamentos dos blocos de gelo dos pólos nos diz que o ser humano estar elevando o clima do mundo. O latido suave do cachorro de estimação é uma boa vinda, assim o sorrizo das pessoas diz mais que palavras. Nhenety Kariri-Xocó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-3471818731166987009?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/3471818731166987009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=3471818731166987009' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/3471818731166987009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/3471818731166987009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2008/10/linguagem-da-natureza.html' title='LINGUAGEM DA NATUREZA'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9115272795173997228.post-7639860614893889716</id><published>2008-07-30T06:21:00.000-07:00</published><updated>2008-07-30T06:39:30.168-07:00</updated><title type='text'>O RIO SÃO FRANCISCO</title><content type='html'>Nós indios Kariri-Xocós somos uma tribo indígena localizada no municipio de Porto Real do colégio, estado de Alagoas, Brasil , nas margens do rio São Francisco. Este grande rio do Nordeste brasileiro, forma uma Bacia Hidrográfica com 168 rios menores, numa superfície de 642.000 quilômetros quadrados. No passado esta bacia era habitada por inúmeros povos indígenas, culturas e linguas diferentes. Do ponto de vista ambiental é uma região bastante rica em ecossistemas. Ao longo da Bacia do São Francisco, temos Cerrados, na parte alta, Caatinga na parte sub-médio e médio, Mata Atlântica e Mangue no baixo curso do rio. Sempre digo que o Rio São Francisco não é apenas as águas que corre no vale, mas todos os elementos que constitui esse grande patrimônio da humanidade. O Rio são Francisco somos todos nós: seres humanos, vegetais, animais, minerais, céu, estrelas, Sol, Lua etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor Nhenety Kariri-Xocó.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9115272795173997228-7639860614893889716?l=kxnhenety.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://kxnhenety.blogspot.com/feeds/7639860614893889716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9115272795173997228&amp;postID=7639860614893889716' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/7639860614893889716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9115272795173997228/posts/default/7639860614893889716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://kxnhenety.blogspot.com/2008/07/o-rio-so-francisco.html' title='O RIO SÃO FRANCISCO'/><author><name>Nhenety Kariri-Xocó</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18188329723273070147</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1AM52ouS2hg/TE2-blrouwI/AAAAAAAAAK0/-j8mo4orM_Q/S220/DSC00690.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
