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terça-feira, 15 de abril de 2025

AS DESCOBERTAS SOBRE O JAIKÓ


Descobri recentemente algumas coisas interessantes sobre essa língua. Como argumentei anteriormente, o Jaikó é um idioma próximo do Kariri, pois o vocabulário base, que não é identificável como exclusivo do Transanfranciscano, Tarairiú e Coroado, pode ser traçado de volta para vocábulos da família Boróro (não da língua, mas da família, vejo que existe mais correspondência com o irmão do Boróro, o Umutina, que viviam ao Noroeste de Cuiabá).


Primeiro, como falei acima, o Umutina é mais próximo lexicalmente dessa língua do que o Boróro, mas lembro que o Jaikó, assim como Ramirez falou em sua publicação (2015, p. 260), parece se tratar de uma língua mista, fruto de contato entre nós Kariri, Tarairiú, Tremembé, Pimenteira e Masakará, cujo talvez se trate de um resultado de migração forçada para fora do São Francisco e em direção ao sul do Piauí, datando das expulsões ocorridas nos primeiros séculos da colonização. A língua tem pouquíssimos aspectos gramaticais documentas, salvo alguns sufixos e uma preposição identificáveis:


1) noh 'como, igual a' > 'adjetivizador', essa preposição é usada abundantemente na criação de adjetivos, tanto que não precisa do sufixo possessivo que o normalmente acompanha, assim portanto o separei da estrutura, ex.:


noh lä ni he 'como comprido POSS1 POSS2' > 'aquele é que como comprido' > 'alto, bonito'


Essa estrutura, com esses morfemas, não é comum no Kariri, apesar de termos um equivalente mais ou menos parecido no formato, que é o di-...-li.


2) ni e he 'sufixos possessivos', esses dois surgem compostos, assim como no Boróro -ie (perda do n de ni- > i-, e perda de h no he > e, assim nihe > ie), a língua Jaikó, assim como a nossa, é monossilábica, e compõe morfemas separados para desambiguar


3) ae 'eu', após pensar bastante, percebi que esse ae- só pode ser a primeira pessoa, pois a terceira pessoa já é u-, como no Boróro, e o Jaikó muda, comumente, o som de i- > ae-, compare o *ñĩm 'mão' do Jê que virou nae 'mão' no Jaikó


4) u 'ele(a)', comparando os vocábulos, descobri que no paradigma do Boróro, esse é o maracador de terceira pessoa, sim, ele é o mesmo marcador u- do Dzubukuá e su- do Kipeá, derivado possivelmente do marcador de posse da língua, pois nas línguas indígenas da América do Sul, a maioria marca a terceira pessoa (ele/ela) como a forma genérica do verbo.


FONOLOGIA


A fonologia é facilmente desvendável na comparação com a família Boróro, pois o Jaikó passou por processos sonoros em cadeia em suas velares, isso é, o som de /k/ virou /x/ (h ríspido, quase um rasgo na garganta), enquanto o /g/ compensou e virou /k/:


Ex.: xü-kü 'terra, areia', cognato do Umutina xuari 'areia' e distantemente relativo do Bororo kugaru 'areia', notem que x aqui faz o som de /x/, que é mais parecido com um /h/, e não o x de xícara.


Isso só aconteceu com as palavras nativas, pois as palavras Jê Setentrionais, que suspeito serem do grupo Trans-Tocantins (Apinajé e Kayapó sendo os maiores suspeitos), não passaram por isso:


nae no khlang 'dedo', lit.: 'mão ponta filho', onde khlang não virou xlang

krang bla 'cabeça', lit.: 'cabeça cabeça'


Na primeira palavra que exemplifiquei, a palavra para 'terra', note também que houve a mudança de um antigo /a/ para o i grosso /ɨ/ (Umutiana: xu-Ari vs xü-kÜ).


Outra mudança sonora que estava ocorrendo lentamente na língua era a troca de /ɾ/ (r de Pará, prato e Crato) por /l/ (de lado, lago e Lisboa), cujo em si, em alguns casos, já estava trocando para /ɬ/ (l chiado, como se misturasse l e x de xícara), como visto nos exemplos:


nae no klang 'dedo', onde klang deriva do Jê Setentrional *kra 'filho'

uhliong 'dormir', a forma não finita do verbo, derivado do Transanfranciscano *hũt, e depois disso de um hipotético *(h)ũr, demonstrando o l chiado com o dígrafo hl, que é tipicamente usado para esse propósito em várias ortografias do mundo.


Além dessas descobertas, que relacionam o Jaikó ao Umutina, também atualizei as etimologias do vocabulário:


VOCABULÁRIO DO JAIKÓ


krang bla cabeça, composto de krang 'cabeça' (cognato do Tarairiú kré 'cabeça' de kré-ka) + bla 'cabeça', do Bororo aora, por meio de: aora > ora > wra > bra > bla.

 

krang ce cabelo/pelo, composto de krang 'cabeça' + ce 'cabelo' (cognato do Tarairiú exek 'cabelo').

 

ai ce ro orelha, possivelmente relacionado ao verbo u-cie-ko 'eu escuto', visto que ambos usam *sh(i)e 'orelha' em sua composição, cognato do Masakará xüex-go 'orelha' (lit.: orelha-buraco', x aqui representar um som aspirado, próximo do h do inglês, mas mais parecido com o ch alemão). A segunda parte da palavra provavelmente significa pele, derivada do Kariri ro 'pele, casca'.

 

a le pu olho, cognato do Tarairiú aloji + Kariri poh 'olho'. Provavelmente deriva diretamente do Umutina alupu-kwa / adapu-kwa ‘cabeça’

 

ä ne kho pyö nariz, cognato do Tarairiú a-xéko 'nariz', sendo ä ‘eu’ + ne ‘nariz’ + ko ‘buraco’ + pyoe, do Kariri bidze 'rosto', como em na-bidze 'nariz'.

 

ain kho boca, cognato do Boróro (m)ako 'falar, dizer, fala, voz', do Baniwa de Maroa aako 'voz, idioma'.

 

a yang de dente, do Pimenteira jari, através da mudança de /r/ e /l/ > /nt/ ~ /nd/, visto na próxima palavra e mandattu 'mulato'.

 

ä ne tha língua, do Pimenteira nuri, mesma mudança que ocorreu acima.

 

ä nä non syä unha, composto de ä  'eu’ + nae non 'mão' + syae 'pele', cognato do Proto-Jê *kyj.

 

ä phä no  pé, composto de ä  'eu' + pae no 'pé', cognato do Jê *par + no 'ponta', mesmo que surge em nä-non 'mão', possivelmente um sufixo classificador.

 

ä khro coxa, composto de ä 'eu' + kro 'coxa', cognato do Jê Cerratense *krjaj ‘coxa’

 

ä nä nong mão, composto de ä  'eu' + nae nong 'mão', Nikulin afirma ser derivado do morfema Jê *ñĩm- 'mão', mas não providencia argumentos para a segunda sílaba, sugiro que seja derivado do Boróro no 'ponta'.

 

ä nä nong klang dedo, composto ä 'eu' + nä non 'mão' + klan 'osso', mesmo que o Jê *ñim-kra 'mão-osso'.

 

ae phang braço, composto de ä 'elu’ + pan 'braço', derivado de algum cognato do Proto-Transanfranciscano *-mãk 'asa, galho'.

 

a rang di ce ramo/folha, composto de a rang di 'folha', cognato do Boróro r-ari/r-aru 'folha' + ce 'pelo, cabelo'.

 

ä pu barriga, composto de ä 'eu' + pu 'barriga, ventre', derivado do Apinajé ou Kayapó ‘ipu ‘cheio’.

 

ä pur ko pescoço, sendo ä ‘eu’ + pur ‘pescoço’, derivado do Jê Cerratense (provavelmente o Apinajé ou Kayapó) *mbut 'pescoço' + ko 'buraco', visto em u-ce-ko 'eu escuto' (ce 'orelha' + ko 'buraco').

 

ä ju si peito/mama, composto de ae- 'eu' + jusi 'peito, seio', talvez seja cognato do Masakará jumbischtüh ‘peito’

 

ä reng pênis, cognato do Pimenteira aring 'pênis'.

 

ä wä nu vagina, composto de ä ‘eu’ + wä ‘mulher’, do Jê Setentrional *kwə̂j ‘mulher (morfema de composto) + nu ‘barriga (?)’, talvez derivado do Jê Cerratense *tu ‘barriga, bucho’, que deriva tu-jarô ‘grávida’ no Apinajé.


 

ä kwa krüng umbigo, composto de ä 'eu' + kwa 'boca', cognato do Boróro kwa 'boca' + krüng 'ventre', cognato do Boróro ku(ri) ‘barriga, e do Kariri mukri ‘umbigo’.

 

ä mang tä lä costela, composto de ä 'eu' + mang tä lä ‘costela’, derivado do Pimenteira maiantu-rü ‘peito’, deocmposto com mang ‘peito’ + tä ‘sufixo possessivo (Caribe)’ + -lä  ‘sufixo possessivo (Caribe)’.

 

ti piäung homem branco, cognato do Boróro tabae ‘indivíduo afrodescendente’, possivelmente a palavra deriva do Tupi tapuîa

 

ti ka homem negro, cognato do Tarairiú taka 'preto', ambos seguindo uma estrutura comum com o Proto-Transanfranciscano *tak 'preto'.

 

ta ka yo mulher negra, mesmo que de cima + -jo 'sufixo do feminino', talvez tenha relação com o sufixo Masakará -tozo 'sufixo do feminino'.

 

ya pai, cognato do Kariri (pa)dzu e do Pimenteira juju, possivelmente indicando uma origem no Caribe.

 

na mãe, de origem Jê, reconstruído como *nə̃.

 

i kwa te tio, composto de i kwa 'tio', cognato do Boróro ogwa 'tio' + te 'masculino'.

 

ca re te filho, composto de ca re 'filho', cognato do Boróro ore 'filho' + -te 'masculino'.

 

ca re piu filha, composto de ca re 'filho', cognato do Boróro ore 'filho' + -piu 'feminino'.

 

wo paung jovem, possivelmente do Pimenteira apüng de apueng ñangnae ‘marido’

 

yu ke moça, cognato do Boróro áka 'mocidade, juventude, novidade, frescor'.

 

neng piae piu irmã, julgando pela mudança de nuri > netta, creio que nem seja cognato do Boróro  

i-tuie 'minha irmã' + piae 'velho(a)', cognato do Boróro pega 'velhice' + -piú 'sufixo do feminino'.

 

xü kra sol, possivelmente derivado de xü ‘queimar’, cognato do Umutina hutaki ‘queimar’ + kra ‘suor’, cognato do Boróro karu ‘suar’

 

ti pi ya ko dia, do Umutina miniti báyató ‘meio dia’, decomposto como ti ‘sufixo da antiga palavra sol, função desconhecida’ pi ‘lugar’ (Um.: ba) + ya ‘centro’ (Um.: ya ‘centro’, compare com o Boróro ia ‘centro’) + ko ‘dentro’ (Um.: to ‘dentro’, assim yato ‘dentro do centro’, compare a mesma composição Boróro iadada ‘centro-dentro-dentro’)

 

mae ko céu, cognato do Proto-Macro-Jê *mbeñ-kuñ 'céu' (lit.: céu-buraco), possivelmente através do Proto-Transanfranciscano.

 

paang lua, do Umutina háripá ‘meia-lua’

 

brä klü estrela, cognato direto do Umutina barukudo 'estrela'.

 

ong tü vento, do Umutina odombo ‘vento’

 

wü tü floresta, cognato do Boróro itura 'floresta, mato'.

 

u rou ro / u lou ro casa, significa originalmente 'pátio, praça', do Umutina bododo ‘pátio’

 

xü kü terra, do Umutina huari ‘areia’

 

ping fogo, do Proto-Jê *pĩm 'madeira, lenha', possivelmente através do Timbira.

 

ko ko noite, do Pimenteira gonggong 'noite'.

 

ya hu quente, de origem Arawak da Bolívia, cognato do Ignaciano (t)ihʊ-re.

 

ong tür frio, do Umutina odombo ‘vento’

 

noh rä nihe / noh lä nihe bonito, derivado de no- ‘como, igual’, cognato do Boróro ino ‘como, igual’ + riä ‘bonito, comprido’, cognato do Boróro rai 'comprido'' +-nihe ‘sufixo que indica posse, semelhança’, cognato do Boróro ie ‘idem’


noh mele nihe feio,derivado de no- ‘como, igual’, cognato do Boróro ino ‘como, igual’ + mele ‘feio, feiura’, cognato do Boróro meréke 'feiura' +-nihe ‘sufixo que indica posse, semelhança’, cognato do Boróro ie ‘idem’


noh riä niheng comprido, derivado de no- ‘como, igual’, cognato do Boróro ino ‘como, igual’ + riä ‘bonito, comprido’, cognato do Boróro rai 'comprido' +-nihe ‘sufixo que indica posse, semelhança’, cognato do Boróro ie ‘idem’

 

noh thu thu täng curto, do Umutina kurika, por meio de kurika > kuruka > kutuda > tutuda > tutudã > tʰutʰutɛ̃

 

nong pü tür magro, cognato do Boróro pitóri 'pequenez'.

 

no to nihe gordo, cognato do Boróro tori 'pedra', visto que é usado em ku-tori 'ventre de pedra' > 'gordo'.

 

ti kwa comer, cognato do Boróro o-kwa 'boca' e o-kwa-ge 'comer'.

 

u le pu ver, cognato do alepuh, mesma etimologia + u- 'eu', assim 'ele olha’.

 

u ce go ouvir, cognato do ce-ro 'orelha', literalmente u- 'ele(a)' + ce 'orelha' + ko 'buraco'.

 

ur dormi, do Jê *ũr, fora do grupo Cerratense.

 

nong ke ro / nong kro morrer, cognato do Puri-Coroado tagran e ndran 'morrer'.

 

ti wing matar, cognato do Boróro bi 'morrer' e bi-do 'matar'.

 

ti lo shung assar, do Pimenteira taratshiu, com a primeira sílaba reinterpretada como prefixo de terceira pessoa de verbos ti- 'ele(a)', a palavra é decomposta como ti lo ‘cozinhar, assar’ + shung ‘verbalizador’

 

nang blu lavar, Ramirez equivocadamente compara com o Masakará a-xar namu, mas namu não é o verbo principal 'lavar'. Comparo aqui com o Xukurú nombru 'nuvem', ambos derivados de uma composição de cognatos do Boróro ino ‘libertação, descarga’ (visto no Umutina boino ‘chuva) + baru ‘céu’, assim: nom-bru / nang blu ‘descarga-céu’ ou ‘descarga d’água do céu’ > ‘nuvem’ (Xk) e ‘lavar’ (Jk)

 

ä ru / ka rá cuia/vaso, ae ru não tem uma etimologia clara, mas kará possivelmente é cognato do Kamakã kerächka e do Masakará krö.

 

päi / pe hi tabaco, cognato do Kariri badze, do Tarairiú mãjé, do Pankararú põi e do Proto-Jabuti paji, todos com significado de 'tabaco'.

 

po klä shü a kwä le diabo, pode ser que po-klae derive do Krenák po-klim ‘veado’, talvez uma alusão à Anhanguera e o neologismo cristão que o denota como o diabo.



VOCABULÁRIO DA FAUNA E FLORA


FLORA


röi yang do árvore, derivado de rö(i) ‘folha’, cognato do Boróro r-aru / r-ari ‘folha’ + yang-do ‘germinação da árvore, folha’, cognato do Boróro iwodu ‘idem’.


a rang di ce ramo/folha, composto de a-rang-di 'folha', cognato do Boróro r-ari/r-aru 'folha' + she 'pelo, cabelo'.


lo ri yeng to flor, derivado da mesma palavra que ‘árvore’, mesma etimologia.


we lu cabaça, mesmo que ä ru / e ru, etimologia desconhecida.


päi / pehi tabaco, cognato do Kariri badze, do Tarairiú mãjé, do Pankararú põi e do Proto-Jabuti paji, todos com significado de 'tabaco'.


rang to no milho, derivado de rang e tono, ambos cognatos do Boróro ra ‘osso, broto’ + etára ‘broto’




FAUNA


pie / piä cobra (genérica), cognato do Kamurú wia-chu, sendo que wia é a lenição de pia ‘cobra’, assim é cognato do Dzubukuá ñeñi ‘cobra’ e do Kipeá wò ‘cobra’.


ka ba lu cavalo, empréstimo do português cavalo.


u no ño siu seio, mama, composto de u-no-ño ‘peito’, de um antigo *m(o)-no-no ‘peito’, cognato do Boróro morora ‘peito’ + syu ‘tronco’, cognato do Boróro iura ‘tronco’ e do Dzubukuá dhui de immeddhui ‘costela’, do sù do Kipeá imesù ‘costela’ e do si do Kamurú e Sapuyá misi ‘costas’.


pau ndru / pau ngru ema, cognato do Boróro pari ‘ema’.


wi ngi ave/pássaro, do Umutina uí 'poaieiro' e provavelmente ngi 'plural', cognato do Boróro -ge 'plural'


xü kü no ñang anta, do Umutina ikikano 'boi' + ñang 'verdadeiro', cognato do Kariri -idze/-idzã 'verdadeiro'


pre pra jacaré, do Umutina amema 'lagarto', por meio de me ma > pe pa > pre pra


yaa ra / ya ra cachorro, empréstimo do Tupi Antigo îagûar-a ‘onça’.


ko lu nong onça, cognato do Boróro tchoreu ‘preto’, composto de ko ‘preto’ + lu nong/le nu ‘sufixo possessivo’, cognato do Boróro -réu ‘idem’.


ko le nu onça preta, cognato do Boróro tchoreu ‘preto’, composto de ko ‘preto’ +  lu nong/le nu ‘sufixo possessivo’, cognato do Boróro -réu ‘idem’.


ka pau na re jaguatirica, cognato do Puri-Coroado pama com ‘onça’ por inversão (pama com > com pama > com pana) + -ré ‘diminutivo’, de origem Jê, possivelmente por intermeio do Timbira ou Apinajé. As duas primeiras sílabas decompõem-se como ka ‘?’ + pauna ‘onça’.


ko pau nga maracajá, mesma etimologia da palavra acima. Decompõem-se como ko ‘?’ + pau nga ‘onça’.


brä le paraguá (ave psitacídea), cognato do Umutina ore ‘periquito-estrela’ + -le, possivelmente um diminutivo ou reduplicação da antiga sílaba -re.


pre le periquito, mesma etimologia da palavra acima.


bräng kwa do arara-vermelha,  mesmo bräng visto acima + kwa do ‘vermelho’, possivelmente cognato do Boróro kujagu ‘vermelho’


pi yung ‘peixe’, cognato do Boróro apuie 'peixinhos, sardinhas', mesma origem do Kariri my-dze


ko pau nga a ro gato de casa, mesma etimologia de ko pau nga + a ro ‘casa’, do Kariri anra/era ‘casa’, de origem do Proto-Caribe *arô ‘carregar’.


sa-pian-ho galinha, cognato do Otuke (u)tchiviaku ‘galinha’, mas a decomposição é desconhecida.


peiyo camaleão, cognato do Boróro baiga-reu 'camaleão'.


wau veado, cognato do Tarairiú fangu de xa-fangu ‘gado’, possivelmente do Boróro barogo ‘animal (de caça)’


wa ngu veado catingueiro, mesma etimologia da palavra acima.


wa ngu gu lae cabra, composto de wa ngu ‘veado’ + gu lae ‘pequeno’, cognato do Boróro kuguri ‘pequeno’.


wau nang boi e wau nang yö vaca, derivado de wau ‘veado’ + nang ‘?’, no caso de vaca, usa-se o sufixo do feminino -yö.




Autor da matéria: Ari Suã Kariri 




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