Resumo
Este estudo apresenta uma proposta de leitura simbólica da criação do mundo, fundamentada na narrativa bíblica de Gênesis 1 e 2, à luz da interpretação do Salmo 90:4, que relaciona um "dia de Deus" a mil anos humanos. A partir dessa perspectiva, e com base nas cronologias tradicionais judaica (Seder Olam Rabá) e cristã (James Ussher), constrói-se uma cronologia simbólica da Criação, estabelecendo marcos milenares para cada dia da narrativa criacional. O objetivo não é fornecer uma cronologia científica ou histórica, mas oferecer uma chave de leitura espiritual e teológica que valorize o tempo sagrado e os ritmos divinos na tradição judaico-cristã. A proposta culmina no simbolismo do sétimo dia, o tempo do descanso de Deus, associado à história da humanidade e à expectativa escatológica do Reino.
Palavras-chave: Criação, Gênesis, cronologia simbólica, Salmo 90:4, tempo sagrado, escatologia.
Introdução
A narrativa da criação do mundo, contida nos primeiros capítulos do livro do Gênesis, tem sido objeto de diversas interpretações ao longo da história das tradições judaica e cristã. Entre essas abordagens, destaca-se a leitura simbólica dos "dias de Deus", baseada no Salmo 90:4, que declara: "Porque mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou...". Esta perspectiva tem permitido a elaboração de uma cronologia teológica em que cada dia da Criação corresponde simbolicamente a um milênio de tempo humano.
Com base nessa concepção, autores e estudiosos buscaram estabelecer uma linha cronológica simbólica da Criação que, embora não pretenda substituir os modelos históricos ou científicos, propõe uma visão espiritual do tempo e da ação divina no mundo. A referência às tradições cronológicas do Seder Olam Rabá e da obra do arcebispo James Ussher, que situam a criação de Adão em 4004 a.C., serve como marco para esse exercício simbólico, permitindo projetar a criação do mundo até aproximadamente 10.004 a.C.
Este trabalho tem por objetivo apresentar, de forma descritiva e cronológica, essa leitura simbólica dos sete dias da Criação, relacionando-os a eventos cósmicos e espirituais segundo uma chave interpretativa que valoriza a dimensão sagrada do tempo.
A Cronologia Simbólica da Criação — Contextualização Acadêmica
A Cronologia Simbólica da Criação está fundamentada na narrativa bíblica dos capítulos 1 e 2 do livro do Gênesis, que descreve a criação do mundo em seis dias, seguidos pelo sétimo dia de descanso de Deus. Essa narrativa, interpretada à luz do Salmo 90:4 — "Porque mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou..." — foi utilizada por várias tradições religiosas e estudiosos para estabelecer uma cronologia simbólica dos acontecimentos primordiais.
No contexto da tradição judaica, o Seder Olam Rabá, compilado no século II d.C. por Rabi Yossi ben Halafta, propôs uma linha cronológica detalhada da história bíblica desde Adão até eventos posteriores, sendo referência fundamental para o calendário judaico tradicional.
Na tradição cristã ocidental, o arcebispo anglicano James Ussher, em 1650, realizou um cálculo cronológico que fixava o ano da Criação de Adão em 4004 a.C., com base na genealogia bíblica. No entanto, considerando a interpretação de que cada "dia da criação" corresponderia simbolicamente a mil anos (Salmo 90:4), é plausível situar o início do Primeiro Dia de Deus aproximadamente em 10004 a.C., o que retrocede a origem da criação do cosmos em relação ao marco tradicional da criação do homem.
Essa abordagem simbólica propõe que os seis dias criacionais representem seis milênios de desenvolvimento da criação até o surgimento do homem, culminando no sétimo milênio como símbolo do descanso ou da plenitude escatológica, uma ideia presente em interpretações rabínicas e patrísticas.
Assim, esta cronologia simbólica não visa substituir a cronologia histórica ou científica, mas sim oferecer uma leitura teológica e espiritual da Criação, destacando os ritmos divinos e o tempo sagrado na tradição judaico-cristã.
Como seria as datas da criação do mundo nos termos cronológicos seguindo como base os seguintes pontos:
O versículo que diz que "um dia para Deus é como mil anos" está em Salmos 90:4.
Gênesis 1 e 2 descrevem a criação do mundo em seis dias, seguidos pelo descanso de Deus no sétimo.
Na descrição cronológicas da tradição judaica (Seder Olam Rabá) e cálculos cristãos medievais como os de James Ussher (1650), que situava a Criação do mundo em 4004 a.C.
Aqui está a Cronologia Simbólica da Criação de forma descritiva, com base no princípio de que um "Dia de Deus" equivale a mil anos humanos (Salmos 90:4) e considerando que Adão foi criado em 4004 a.C., ao final do 6º Dia.
Cronologia Simbólica da Criação em Dias de Deus
Baseando-se no relato bíblico da Criação (Gênesis 1 e 2), na ideia de que um dia para Deus equivale a mil anos para o ser humano (Salmos 90:4), e tomando como referência a cronologia tradicional de James Ussher (1650), que situa a criação de Adão em 4004 a.C., temos a seguinte disposição simbólica dos "Dias de Deus":
1º Dia de Deus – 10.004 a.C. a 9.004 a.C.
Deus cria a luz e separa as trevas.
Simboliza o início do universo, a manifestação da energia primordial e o princípio da ordem sobre o caos.
2º Dia de Deus – 9.004 a.C. a 8.004 a.C.
Deus cria o firmamento e separa as águas.
Representa a formação dos céus e a organização da atmosfera, preparando o ambiente terrestre.
3º Dia de Deus – 8.004 a.C. a 7.004 a.C.
Deus faz aparecer a terra seca e cria a vegetação.
Simboliza a preparação da terra fértil e o início do ciclo vital vegetal.
4º Dia de Deus – 7.004 a.C. a 6.004 a.C.
Deus cria o sol, a lua e as estrelas.
Estabelece os luminares para governar o tempo, as estações e marcar os dias e os anos.
5º Dia de Deus – 6.004 a.C. a 5.004 a.C.
Deus cria os animais aquáticos e as aves.
Simboliza a abundância da vida nos mares e nos céus, preparando a biodiversidade.
6º Dia de Deus – 5.004 a.C. a 4.004 a.C.
Deus cria os animais terrestres e o ser humano (Adão).
Culmina com a criação do homem e da mulher, sendo este o ponto alto do projeto criador.
7º Dia de Deus – 4.004 a.C. em diante
Deus descansa de Sua obra criadora.
Este período corresponde à história da humanidade. Trata-se do tempo de desenvolvimento humano, civilizações, culturas, e também o tempo da experiência espiritual da humanidade aguardando a plenitude dos tempos e o Reino de Deus.
Observação Final:
Nesta visão simbólica e profética, o "7º Dia de Deus" duraria aproximadamente 1.000 anos para cada dia humano, sendo que muitos estudiosos cristãos e judeus consideram que, após cerca de 6.000 anos da criação de Adão (isto é, próximo do século XXI ou XXII d.C.), iniciaria-se o tempo messiânico — o "Grande Sábado" ou "Reino de Paz", cumprindo a simbologia do descanso de Deus.
Considerações Finais
A proposta da Cronologia Simbólica da Criação, apresentada neste estudo, oferece uma leitura que transcende os limites da ciência empírica e da historiografia tradicional, inserindo-se no campo da teologia simbólica e da espiritualidade bíblica. Ao considerar que cada "dia de Deus" equivale a mil anos humanos, a narrativa da Criação adquire novos contornos interpretativos, nos quais a ordem, a progressão e o propósito divino se revelam em um ritmo cósmico e sagrado.
Essa leitura permite compreender a história da humanidade — especialmente a partir da criação de Adão — como parte do "sétimo dia" de Deus, tempo de maturação espiritual, desenvolvimento cultural e expectativa escatológica. A noção de um "Grande Sábado", presente em diversas tradições religiosas, aponta para uma esperança messiânica e um tempo de plenitude futura.
Em suma, a cronologia simbólica aqui descrita não busca invalidar outras formas de compreensão do tempo e da criação, mas sim enriquecer o imaginário espiritual e abrir espaço para reflexões mais profundas sobre o mistério da existência, da história e da eternidade sob a ótica do tempo sagrado.
Conclusão
A Cronologia Simbólica da Criação oferece uma leitura teológica que ultrapassa os limites da história factual, propondo uma visão espiritual e interpretativa dos "dias" da criação. Fundamentada na correspondência simbólica entre um "dia divino" e mil anos humanos, segundo o Salmo 90:4, essa perspectiva valoriza os ritmos do tempo sagrado e sua função pedagógica na tradição judaico-cristã.
Ao utilizar como base a criação de Adão em 4004 a.C., conforme a cronologia de James Ussher, e retroceder mil anos para cada "dia criacional", alcança-se uma proposta simbólica que situa o início da criação cósmica em torno de 10.004 a.C. Esse marco não pretende competir com teorias científicas da origem do universo, como o Big Bang ou a evolução biológica, mas sim oferecer um modelo de compreensão baseado em princípios espirituais, escatológicos e de revelação divina.
Além disso, o sétimo dia — o descanso de Deus — carrega consigo o peso simbólico do tempo messiânico, um período esperado de redenção e plenitude espiritual, que, segundo algumas interpretações, coincidiria com o fim dos seis milênios da história humana desde Adão, aproximando-se dos tempos modernos.
Dessa forma, essa cronologia simbólica propõe uma releitura do tempo como expressão do plano divino, auxiliando na meditação sobre o papel do ser humano na criação, seu destino espiritual e sua esperança escatológica. Ela também nos convida a contemplar os ciclos da história à luz do propósito sagrado, promovendo uma visão integradora entre fé, tempo e transcendência
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BÍBLIA. Antigo Testamento. Livro de Gênesis, capítulos 1 e 2. Tradução Judaico-Cristã.
BÍBLIA. Salmos 90:4 — "Pois mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que se foi..." Tradução Judaico-Cristã.
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WALTKE, Bruce K. An Old Testament Theology: An Exegetical, Canonical, and Thematic Approach. Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 2007.
Autor: Nhenety KX
Utilizando a ferramenta Gemini ( Google ), inteligência artificial para análise da temática e Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 5 de abril de 2025 e a capa do artigo dia 30 de abril de 2025.

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