Resumo:
O presente trabalho aborda os principais grupos étnicos africanos que foram trazidos para o Brasil durante o período colonial, especialmente para a Capitania de Pernambuco, uma das regiões mais significativas economicamente na época. O estudo destaca a diversidade cultural dos povos africanos, suas origens e as contribuições socioculturais que marcaram profundamente a formação da identidade brasileira. Entre os principais grupos, destacam-se os Jejes, Akan, Iorubás, Hauçás e Malês, cada um trazendo costumes, religiões e tradições que resistiram ao tempo e se manifestam até os dias atuais, principalmente na religiosidade, na língua, na culinária e na música.
Introdução:
Durante o período colonial brasileiro, o tráfico transatlântico de africanos escravizados foi um dos pilares da economia e da sociedade, principalmente nas regiões produtoras de açúcar, como a Capitania de Pernambuco. Os africanos que aqui chegaram pertenciam a diferentes grupos étnicos, oriundos de diversas regiões do continente africano. Cada povo trouxe consigo uma riqueza cultural própria, com tradições, crenças, práticas religiosas e línguas que, mesmo diante da violência da escravidão, resistiram e contribuíram para a formação da cultura brasileira. Este trabalho tem como objetivo apresentar os principais grupos étnicos africanos trazidos ao Brasil colonial, ressaltando suas origens e o legado cultural deixado por eles.
Grupos Étnicos Africanos do Brasil Colonial
Durante o período colonial, o Brasil recebeu um grande número de africanos trazidos à força pelo tráfico transatlântico de escravizados. Esses grupos eram diversos e pertenciam a diferentes regiões da África, cada um com sua cultura, língua e tradições próprias. Na Capitania de Pernambuco, uma das principais regiões econômicas do Brasil colonial devido à produção açucareira, o tráfico de escravizados foi intenso, trazendo grupos específicos.
Principais grupos étnicos africanos no Brasil Colonial
Os povos africanos escravizados vieram principalmente de três grandes regiões:
1. Região da Costa da Mina (África Ocidental - Golfo da Guiné)
Jejes (Ewes e Fons) – provenientes do atual Benim e Togo, trouxeram influências religiosas importantes para o Candomblé (nação Jeje).
Akan (Ashanti, Fanti, Akwamu, etc.) – vieram da atual Gana e Costa do Marfim, com influência cultural forte em práticas religiosas e resistência.
2. Região da Costa dos Escravos e Nigéria (África Ocidental)
Iorubás (Nago, Ketu, Oyo, Ifé, etc.) – da atual Nigéria e Benim, formaram uma base cultural forte no Candomblé (nação Nagô) e em tradições musicais e linguísticas.
Hauçás e Malês – muçulmanos vindos da região do Sudão Ocidental (atual Nigéria e Níger), participaram de revoltas escravas como a Revolta dos Malês (1835).
3. Região da África Central (Congo e Angola)
Bantos (Congos, Ambundos, Ovimbundos, Quicongos, etc.) – da atual Angola, República do Congo e Moçambique, foram a maioria dos africanos escravizados em Pernambuco e no Brasil. Eram agricultores e especialistas em metalurgia, e sua cultura influenciou fortemente a língua, a música e as religiões afro-brasileiras (Umbanda e Candomblé Bantu).
Grupos africanos na Capitania de Pernambuco
Pernambuco foi um dos maiores receptores de africanos escravizados no Brasil devido à sua economia açucareira. Os principais grupos que chegaram à região foram:
Bantos (Angolas, Congos e Moçambiques) – vieram em grande número e influenciaram práticas religiosas (Jurema, Candomblé Bantu), o vocabulário do português falado no Brasil e ritmos como o maracatu e a capoeira.
Nagôs (Iorubás e Jejes) – responsáveis pela forte tradição do Candomblé na região, especialmente em Recife e no interior.
Hauçás e Malês – muçulmanos africanos que, mesmo em menor número, participaram de revoltas e influenciaram ritos e costumes.
Influências culturais dos africanos em Pernambuco
A presença desses grupos moldou profundamente a cultura pernambucana e brasileira. Entre as principais contribuições estão:
A música (maracatu, coco, capoeira, afoxé).
A religião (Candomblé, Jurema, cultos afro-indígenas).
O vocabulário (palavras de origem banto e iorubá no português).
A gastronomia (uso do dendê, acarajé, mungunzá).
A diversidade africana no Brasil Colonial mostra que a escravidão não apagou as identidades desses povos, mas sim contribuiu para a formação da cultura afro-brasileira.
Considerações Finais:
Pode-se concluir que os grupos étnicos africanos trazidos ao Brasil colonial desempenharam um papel fundamental na construção da identidade cultural do país. Apesar de terem sido vítimas de um sistema desumano de escravidão, esses povos mantiveram vivas muitas de suas tradições e influenciaram diretamente diversos aspectos da cultura brasileira. A religiosidade, a culinária, a música, a linguagem e as manifestações populares existentes no Brasil atualmente são exemplos da resistência e da força cultural desses grupos. Reconhecer e valorizar essa herança é essencial para a compreensão da história do Brasil e para o fortalecimento de uma sociedade plural e respeitosa com suas origens.
REFERÊNCIAS:
Livros e artigos acadêmicos:
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
REIS, João José. Ganhadores: A Greve Negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
VERGER, Pierre. Fluxo e Refluxo: O tráfico de escravos entre o Golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos, dos séculos XVII a XIX. São Paulo: Corrupio, 1987.
SOUZA, Marina de Mello e. Os Negros na História do Brasil. São Paulo: Contexto, 2007.
CARVALHO, Marcus J. M. A Formação das Classes Trabalhadoras e o Escravismo no Nordeste do Brasil: Século XIX. Recife: Editora Universitária UFPE, 2003.
Autor: Nhenety KX
Utilizando a ferramenta Gemini ( Google ), inteligência artificial para análise da temática e Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 1 de abril de 2025 e a capa do artigo dia 30 de abril de 2025.

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