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sábado, 24 de maio de 2025

OS POVOS NATUFIANOS







Pioneiros do Neolítico no Levante e sua Contribuição para as Civilizações Posteriores




Resumo




O presente artigo investiga os Povos Natufianos, cultura arqueológica pré-neolítica do Levante, considerada uma das primeiras sociedades humanas a estabelecer aldeias sedentárias e a praticar formas incipientes de agricultura e pecuária. O estudo explora a origem do nome, o período cronológico, as principais localidades arqueológicas, os aspectos culturais, as inovações tecnológicas e sua contribuição para as civilizações posteriores. A pesquisa demonstra a importância dos Natufianos no processo evolutivo que culminou na Revolução Neolítica.


Palavras-chave: Natufianos; Neolítico; Levante; Agricultura; Civilizações Antigas.



Introdução



Os Natufianos representam uma das culturas arqueológicas mais significativas da Pré-História do Levante, ocupando regiões que hoje correspondem a Israel, Palestina, Síria, Líbano e Jordânia. Considerados pioneiros na transição para a vida sedentária, os Natufianos estabeleceram aldeias permanentes e desenvolveram práticas protoagrícolas. O termo "Natufiano" deriva do Wadi en-Natuf, um sítio arqueológico localizado próximo a Ramallah, na Cisjordânia, onde os primeiros vestígios dessa cultura foram identificados por Dorothy Garrod em 1928. Este artigo objetiva apresentar uma análise descritiva e cronológica sobre esse povo, seu modo de vida e legado para as civilizações subsequentes.



Desenvolvimento



Origem do nome e localização



O nome "Natufiano" foi atribuído em referência ao sítio arqueológico Wadi en-Natuf, onde foram encontrados artefatos típicos dessa cultura. Posteriormente, dezenas de outros sítios associados aos Natufianos foram identificados, entre eles Ain Mallaha (Eynan), El Wad, Hayonim e Jericó (Tell es-Sultan). Essas aldeias localizavam-se principalmente na região do Levante, um corredor geográfico fértil entre o Mar Mediterrâneo e o Deserto da Arábia.



Período de ocupação



Os Natufianos viveram aproximadamente entre 12.500 e 9.500 a.C., durante o Epipaleolítico, uma fase de transição entre o Paleolítico Superior e o Neolítico. Este período coincidiu com mudanças climáticas significativas, como o final da última Era Glacial, que favoreceram a sedentarização e o aproveitamento intensivo dos recursos naturais.



Cultura material e organização social



Os Natufianos foram caracterizados por uma economia baseada na coleta de cereais silvestres, caça de gazelas e outros animais, bem como pela pesca. Diferentemente dos grupos paleolíticos anteriores, estabeleceram aldeias semi-permanentes com estruturas circulares ou ovais feitas de pedra. Desenvolveram ferramentas de moagem para processar grãos, lâminas de micrólitos e ornamentos de conchas e ossos, evidenciando uma complexidade cultural crescente.


Rituais funerários elaborados indicam uma organização social mais estruturada e crenças espirituais, como se observa nos sepultamentos com oferendas e em alguns casos com cães domesticados — um dos primeiros indícios de domesticação animal.



Inovações na agricultura e pecuária



Embora os Natufianos ainda dependessem de plantas silvestres, há evidências de manipulação e cultivo incipiente de cereais como trigo e cevada, além da coleta sistemática de leguminosas. Esse manejo de recursos representou um prelúdio da agricultura plena desenvolvida no Neolítico. A domesticação do cão (Canis familiaris) sugere uma das primeiras experiências humanas em manejo animal.


Essas inovações resultaram em uma crescente sedentarização, que permitiu a construção de habitações permanentes, o armazenamento de alimentos e a formação de comunidades mais complexas.



Contribuições para civilizações posteriores



Os Natufianos são considerados precursores diretos das culturas neolíticas do Levante, como a Cultura de Jericó (Neolítico Pré-Cerâmico A), que consolidou a agricultura e a domesticação de animais. A sua experiência em gestão de recursos naturais e organização social lançou as bases para o surgimento das primeiras cidades-estado da Mesopotâmia e do Crescente Fértil, marcando uma etapa essencial no processo de formação das civilizações antigas.



Considerações Finais



A cultura Natufiana representa um marco fundamental na trajetória evolutiva da humanidade, ao inaugurar práticas de sedentarismo, manipulação de plantas e domesticação de animais. Seus legados transcenderam os limites regionais e temporais, influenciando profundamente o desenvolvimento das sociedades agrícolas que caracterizam a civilização humana. Assim, o estudo dos Natufianos não apenas enriquece o conhecimento sobre o passado pré-histórico do Levante, mas também ilumina as origens das complexas organizações sociais e econômicas que definem o mundo moderno.




Referências Bibliográficas




BAR-YOSEF, Ofer. The Natufian Culture in the Levant, Threshold to the Origins of Agriculture. Evolutionary Anthropology, v. 6, n. 5, p. 159-177, 1998.


GARRARD, Andrew; COLEMAN, David. Early Holocene Hunter-Gatherers in the Levant. Levant, v. 28, p. 15-30, 1996.


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KUHN, Steven L.; STINER, Mary C. What’s a Mother to Do? The Division of Labor among Neandertals and Modern Humans in Eurasia. Current Anthropology, v. 47, n. 6, p. 953-980, 2006.


ROLLEFSON, Gary O. The Neolithic Revolution in the Near East: Transforming the Human Landscape. Journal of Archaeological Research, v. 27, n. 3, p. 241-289, 2019.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 





Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 23 de maio de 2025 e a capa no dia 24 de maio de 2025.


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