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domingo, 25 de maio de 2025

VISITA DO IMPERADOR D. PEDRO II A ALDEIA KARIRI DE COLÉGIO







Na alvorada de 16 de outubro de 1859, o vapor Pirajá singrava as águas serenas do Rio São Francisco, cortando o silêncio matinal com o som ritmado de sua chaminé. Sobre o convés, o Imperador Dom Pedro II, de olhar curioso e contemplativo, apreciava a paisagem que se descortinava: a exuberância do sertão nordestino, o verde que se dobrava à margem das águas, e, mais adiante, os contornos da antiga Aldeia de Colégio, berço do povo Kariri. 


Ao seu lado, a Imperatriz Dona Teresa Cristina se protegendo do calor sob uma sombrinha de tecido claro, admirava a grandiosidade do rio e a movimentação que se via ao longe. Faziam parte da comitiva ilustres personagens: o presidente da Província de Sergipe, Manuel da Cunha Galvão; o conselheiro João de Almeida, ministro do Império; o visconde de Sapucaí e o barão de Atalaia, homem de fala pausada e olhar atento.


Quando o Pirajá aportou, os sinos da antiga missão jesuítica repicaram, misturando-se ao canto das aves. Na margem, sob a sombra de uma gameleira imensa, aguardava o chefe tribal Manoel Baltazar, de postura firme e olhar sábio. Ao seu lado, homens, mulheres e crianças de seu povo já dispunham-se em roda, adornados com cocares, colares de sementes e vestes de algodão tingido com as cores da terra.


Dom Pedro II desceu à terra firme, conduzido pela mão firme do presidente da Província. Foi então que, com passos compassados, Manoel Baltazar se aproximou e, erguendo o braço em saudação, entoou o Toré, cântico ancestral que ecoou por toda a povoação. Outros membros do povo Kariri se juntaram a ele, formando uma roda viva, os pés batendo no chão em cadência com os maracás que tilintavam como o som das águas do rio.


O Imperador, surpreso e emocionado, retirou o chapéu em sinal de respeito e permaneceu imóvel, absorvendo aquela manifestação tão viva e forte da cultura indígena. A Imperatriz sorriu discretamente, encantada com a beleza e a dignidade do momento.


Manoel Baltazar, após o Toré, aproximou-se e, num português entrecortado pelas raízes de sua língua, deu as boas-vindas ao Imperador:

— Seja bem-vindo à nossa terra, senhor Dom Pedro. Que o rio e os espíritos da mata lhe tragam bons caminhos.


Dom Pedro II agradeceu com palavras gentis, expressando sua admiração pelo povo e pela cultura daquele lugar, que há séculos resistia, mantendo viva a memória dos antigos.


Durante alguns minutos, a comitiva permaneceu na Aldeia de Colégio, trocando cumprimentos, partilhando frutas nativas e ouvindo as histórias contadas pelo ancião da tribo, que falava das épocas em que os primeiros padres haviam ali chegado, e das lutas silenciosas para manter as tradições diante do avanço do mundo dos brancos.


Antes de partir, Dom Pedro II voltou-se novamente para Manoel Baltazar, e, segurando a borda de seu manto imperial, fez uma leve reverência.

— Guardarei para sempre na memória esta recepção e este canto, que são a alma desta terra.


O povo, então, entoou uma última vez o Toré, desta vez como despedida, enquanto o Imperador e sua comitiva retornavam ao Pirajá, que lentamente deixou o cais, subindo o rio São Francisco rumo às águas caudalosas da Cachoeira de Paulo Afonso, onde outras comunidades também aguardavam a passagem do monarca.


Na margem, Manoel Baltazar e os seus permaneceram, acenando silenciosamente até que o vapor sumisse na curva do rio, levando consigo a lembrança daquele encontro onde tradição e poder se entrelaçaram, sob o testemunho eterno das águas e da mata.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 24 de maio de 2025 e a capa no dia 25 de maio de 2025.




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