A Fábula do Caititu e a Paca
Na beira de um rio, sob as sombras da floresta antiga, viviam dois grandes amigos: o Caititu, forte e destemido, e a Paca, silenciosa e atenta.
O Caititu, sempre andando em bando, gostava de explorar os caminhos da mata em busca de frutos caídos. A Paca, mais discreta, observava cada som, cada movimento, sempre vigilante para não ser surpreendida.
Um dia, enquanto caminhavam juntos, o Caititu resmungou:
— “Ah, Paca, às vezes penso que somos pequenos diante desta floresta imensa. Será que fazemos alguma diferença para ela?”
A Paca, com olhar desperto, respondeu:
— “Amigo, cada semente que carregamos em nossos ventres, cada fruta que deixamos cair pelo caminho, é um presente que devolvemos à mata. A floresta se renova porque nós caminhamos. E eu, atenta, guardo o silêncio da mata, para que ela siga viva e protegida.”
Naquele instante, um vento forte espalhou sementes que o Caititu havia derrubado, e a correnteza levou algumas que a Paca havia roído. Eles observaram as sementes desaparecerem no solo fértil e compreenderam: não eram apenas comedores de frutos, mas guardiões da vida.
Tempos depois, pequenas árvores começaram a brotar nos lugares por onde tinham passado. O Caititu, orgulhoso, disse:
— “Agora entendo, Paca! Nosso alimento não é apenas para nós, mas para o futuro da floresta e dos que nela viverão.”
A Paca completou com sabedoria:
— “E assim, amigo, mesmo quando partirmos, deixaremos nosso rastro de vida e vigilância para os que virão.”
Moral da fábula:
Cada ser da floresta tem seu papel: uns semeiam, outros vigiam. Juntos, mantêm a vida eterna da mata.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
O CAITITU E A PACA, O Semeador e o Vigilante da Floresta
( Versão em Cordel ).
Na beira do rio a clareira se abre,
Vive o Caititu forte, que nada o acabe.
Ao seu lado a Paca, sempre desperta,
Vigiante da mata, atenta e certa.
Eles seguem juntos pelo chão da floresta,
Cumprindo a missão que a vida lhes empresta.
O Caititu resmunga, com jeito cansado:
— “Essa floresta é tão grande, tão vasto legado.
Será que fazemos alguma diferença,
Ou passamos na vida sem deixar presença?”
A Paca responde, com calma e paciência:
— “Cada semente espalhada é uma herança.”
— “Eu semeio a vida, você guarda a trilha,
Eu corro nos caminhos, você vigia a ilha.
Juntos somos fortes, cada qual em seu lugar,
A mata agradece e começa a brotar.”
O vento leva frutos, sementes a rolar,
E no solo fértil começam a germinar.
O Caititu sorri, cheio de alegria:
— “Agora compreendo a importância do dia!
Nosso alimento não é só pra nós,
Mas pra floresta, que é mãe de todos vós.”
A Paca concorda, sua voz sempre guia:
— “Deixamos rastro de vida e vigília.”
E assim caminham, amigos na mata,
Semeando e vigiando cada flor que desata.
O ciclo da vida é eterno e constante,
A floresta agradece, é mãe abundante.
Uns semeiam, outros vigiam vigilante,
Juntos mantêm a vida sempre vibrante.
Moral da fábula em sextilha:
Quem semeia a vida e vigia com atenção,
Deixa na floresta eterna gratidão.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Nenhum comentário:
Postar um comentário