Prólogo – A Força da Palavra
No tempo dos ancestrais,
A palavra era magia,
Dava voz à natureza,
Tornava viva a poesia.
Era a força da expressão,
Que encantava noite e dia.
A figura é conhecida,
Por prosopopeia também,
Dar aos seres inanimados
A emoção que o homem tem.
Um recurso da linguagem
Que o leitor entende bem.
O vento assovia forte,
Na janela faz canção,
O sol sorri para a lua,
Com ternura e emoção.
A onda beija a areia,
No balanço do verão.
Assim objetos e bichos
Ganhavam vida e ação,
Falavam, riam, dançavam,
Com humana expressão.
Era a língua criativa
Transformando a narração.
Na mitologia antiga
Tudo tinha coração:
Montes, rios, tempestades,
Estrelas na imensidão.
Era a vida retratada
Com força da imaginação.
Nhenety Kariri-Xocó
Canto I – Dos Deuses e Titãs
Do Caos nasceu o princípio,
Na Grécia, o mito maior,
Dele vieram o Érebo,
A Noite em seu véu de cor,
E a deusa mãe Geia,
Que deu à Terra o vigor.
O Céu chamado Urano,
Com Geia veio se unir,
Dos dois surgiram os Titãs,
Que iam o mundo assumir.
Cronos tomou a coroa,
E o tempo fez dividir.
Zeus nasceu poderoso,
Senhor do raio e trovão,
Personificando a força
Da justiça e da razão.
Era o pai do Olimpo,
Comandava a criação.
Poseidon, rei dos mares,
Agitava as águas em vão,
Com o tridente nas ondas
Punha o mar em rebelião.
Era o sopro das tormentas,
Era a fúria em ação.
Atena, a deusa da mente,
Da guerra com sabedoria,
Surgia armada e justa,
Trazendo paz e harmonia.
Personificação da luz,
Do pensar que alumia.
Afrodite, bela estrela,
Do amor era guardiã,
Do mar nasceu cintilante,
Com sorriso de manhã.
O desejo e a paixão
Faziam dela irmã.
Apolo, sol radiante,
Com lira e inspiração,
Guiava os homens nos cantos,
Na cura e revelação.
Era a arte, era a música,
Era a vida em expressão.
Dioniso, deus do vinho,
Das festas e da loucura,
Mostrava que a existência
Também tem sua doçura.
Era riso, era dança,
Era a alma mais pura.
As ninfas guardavam fontes,
Florestas e cada flor,
Sussurrando em voz suave
Segredos do seu ardor.
A beleza personificada,
Era a face do amor.
Canto II – Dos Heróis
Hércules, filho de Zeus,
Ganhou fama sem igual,
Fez doze trabalhos duros,
Mostrou força colosal.
Era a coragem do homem,
Num corpo quase imortal.
Perseu, herói valente,
Com a cabeça a cortar,
Derrotou Medusa fria,
Que petrificava o olhar.
Personificou na luta
A esperança de triunfar.
Ulisses, rei de Ítaca,
Astuto no seu pensar,
Nas guerras e nas viagens
Sabia sempre enganar.
Era o gênio do humano,
Com mil formas de lutar.
Aquiles, no campo ardente,
Na guerra de Troia brilhou,
Com sua fúria tremenda
Mil guerreiros derrotou.
Mas no calcanhar ferido,
A morte nele tocou.
Jasão com seus argonautas,
Pelo mar foi navegar,
Buscando o velo dourado,
Com coragem a remar.
Personificava o sonho
De quem ousa conquistar.
Orfeu, cantor divino,
Fez até Hades chorar,
Com sua lira encantada
Fez o amor ressuscitar.
Era a música da vida,
Que o tempo não vai calar.
Canto III – Dos Monstros e Mistérios
O Minotauro terrível,
Na Creta foi aprisionado,
Num labirinto sem fim
Por Dédalo foi cercado.
Era a fúria do instinto,
Num corpo misturado.
A Medusa de olhos frios,
Seu olhar petrificava,
Era o medo personado
Que aos homens dominava.
Perseu com sua coragem
A cabeça lhe cortava.
A Esfinge misteriosa
Propunha um enigma mortal,
Quem errasse sua charada
Pagava um preço fatal.
Era a face da razão
Num desafio imortal.
As harpias gritavam alto,
Roubando todo o banquete,
Com suas asas de fera
Trazendo pranto e repente.
Eram a fome e a angústia,
No corpo de uma serpente.
O Oráculo de Delfos santo,
No templo sempre a falar,
Com a voz de Apolo vivo
Revelava o que ia chegar.
Era a personificação
Do destino a se anunciar.
Semideuses nascidos
Da união de um mortal,
Com os deuses poderosos
Ganhavam brilho imortal.
Eram pontes vivas e fortes
Do humano ao divinal.
Assim a Grécia criou
Seu universo encantado,
Onde tudo tinha alma,
Deuses, homens, cada lado.
Era a vida transformada,
Num mito eternizado.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó



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