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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

MUSSUM E O SARAPÓ, Os Peixes que Parecem Cobras






A Fábula dos Peixes Cobras


Numa lagoa escondida entre matas e campos alagados, viviam dois companheiros muito especiais: o Mussum e o Sarapó. Ambos eram alongados e escorregadios, tanto que, de longe, quem os via pensava logo: “São cobras d’água!”.


Por causa dessa aparência, muitos pescadores novos torciam o nariz:

— “Argh! Que bichos feios, devem ser venenosos!”


Mas as comunidades tradicionais, que carregavam a sabedoria dos antigos, sabiam que ali se escondia um tesouro da natureza.


O Sarapó, de corpo pardo com faixas escuras, tinha dons especiais. Conseguia sentir o mundo ao redor com descargas elétricas invisíveis, como se fosse um mago das águas. Já o Mussum, paciente e resistente, sabia sobreviver mesmo em tempos de seca, enterrado na lama até que as chuvas voltassem.


Certa noite, enquanto nadavam juntos, o Sarapó comentou:

— “Amigo Mussum, será que algum dia vão reconhecer nosso valor? Sempre nos confundem com cobras, quando na verdade somos guardiões da vida nos rios e lagoas.”


O Mussum sorriu, movendo-se como se dançasse na correnteza:

— “Quem não nos conhece pode se enganar, irmão. Mas o povo que aprendeu a viver com a natureza nos honra há séculos. Eles sabem que nosso corpo dá força, que nossa carne alimenta, e que nossa presença é sinal de equilíbrio.”


E assim os dois seguiram nadando, sem se importar com as aparências. Sabiam que, no coração da tradição, já estavam eternizados como alimento sagrado e companheiros de jornada das comunidades ribeirinhas.


Moral da Fábula:


As aparências podem enganar. O que parece estranho ou assustador aos olhos de alguns, pode ser um grande tesouro para aqueles que conhecem a verdadeira essência das coisas.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó 



MUSSUM E O SARAPÓ, Os Peixes que Parecem Cobras

( Versão Cordel Sextilhas )



No fundo de uma lagoa,

Viviam dois camaradas,

O Mussum cheio de força,

O Sarapó nas jornadas.

Pareciam cobra-d’água,

Mas eram joias sagradas.


O Sarapó era esperto,

Sentia tudo ao redor,

Com energia escondida,

Se guiava sem ter sol.

Um peixe de grande tino,

Que sabia o seu farol.


O Mussum tinha um segredo,

Sabia se proteger,

Na seca ficava oculto,

Na lama pra não morrer.

Quando a chuva retornava,

Voltava logo a viver.


Muitos viam e temiam,

Diziam: “São peçonhentos!”

Mas o povo da floresta

Guardava outros pensamentos:

Sabia que aqueles peixes

Valiam mais que sustento.


Pois davam força ao corpo,

Nutriam toda a família,

E no saber ancestral

Tinham valor que brilha.

O saber dos ancestrais

É a luz que não vacila.


Assim Mussum e Sarapó

Seguiram sua missão,

De alimentar os humanos

E ensinar a lição:

Não se julga pela forma,

Mas sim pelo coração.


👉 Moral em verso:

Quem só olha a aparência

Corre o risco de enganar,

Pois a beleza da vida

Está no modo de amar.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó 






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