🌾 DEDICATÓRIA POÉTICA
À terra mãe dos colonos,
que o Atlântico viu partir,
trazendo nas mãos sementes
de um velho povo a florir.
Aos que cruzaram o tempo,
para em Pernambuco existir.
Aos povos que ergueram templos,
aldeias, roças e trilhas,
que misturaram memórias
com o sangue das famílias.
Aos ventos de Portugal,
que soaram nas capitanias.
Aos ancestrais esquecidos,
de fala celta e visigoda,
que em mares de fé profunda
bordaram a antiga roda.
E aos filhos do Nordeste,
que guardam essa história toda.
📜 ÍNDICE POÉTICO
Abertura – O Canto das Origens
Prólogo Poético – O Caminho do Atlântico
Capítulo I – Os Primeiros Povos da Península Ibérica
Capítulo II – A Romanização
Capítulo III – O Domínio Visigodo
Capítulo IV – As Invasões Muçulmanas
Capítulo V – A Formação de Portugal
Capítulo VI – A Colonização da Capitania de Pernambuco
Encerramento – Heranças e Identidades
Epílogo Poético – O Legado das Raízes
Nota de Fontes Rimada
Ficha Técnica
Sobre o Autor
Sobre a Obra
Epílogo Final
Quarta Capa Poética
🌅 ABERTURA — O CANTO DAS ORIGENS
Nas terras do velho mundo,
ecoou som de batalha,
povos antigos lutando
em cada monte e muralha.
E o tempo, velho ferreiro,
batia o aço na fornalha.
Da Ibéria ao Douro antigo,
pelos vales e colinas,
os rios cantavam fundo
como vozes peregrinas.
E o norte forjava o homem
das raízes mais divinas.
Entre névoas e lendas,
nas terras de Galaécia,
a fé se misturava
com o mito e a sapiência.
Ali nasceu Portugal,
da luta e da resistência.
🌊 PRÓLOGO POÉTICO — O CAMINHO DO ATLÂNTICO
De montes, serras e vales,
vieram filhos do vento,
com a coragem dos mares
e o dom do descobrimento.
Cruzaram o azul sem fim,
guiados por pressentimento.
Do Minho, Beira e Trás-os-Montes,
partiram homens de fé,
que o mundo ainda guardava
em pergaminhos de pé.
Teceram com suor e cruz
a história que aqui se vê.
Em cada barca partida,
ecoava o nome antigo:
“Portugal, és meu destino,
meu fado, meu grande abrigo.”
E o mar, com voz de saudade,
fazia o tempo de amigo.
⚜️ CAPÍTULO I — OS PRIMEIROS POVOS DA PENÍNSULA IBÉRICA
Nas terras do norte antigo,
onde o sol toca o rochêdo,
viveram os povos celtas,
de alma livre e sem medo.
Chamavam-se os Callaeci,
filhos da névoa e do segredo.
Faziam seus castros altos,
com muros de pedra e lenda,
cultuavam rios e árvores,
numa fé que o tempo prenda.
Eram donos do silêncio
que o coração compreenda.
Tinham harpas e guerreiros,
danças, símbolos e runas,
e nas festas do equinócio,
acendiam as suas luas.
O céu era o livro aberto
de suas crenças e tunas.
Ali nasceu o mistério,
a raiz da voz lusitana,
que o tempo depois chamaria
de alma galego-portana.
Na força do campo e do povo,
surgia a semente humana.
E o norte guardou consigo
essa herança de bravura,
que moldou os navegantes
com fé, espada e ternura.
Na pedra e na lenda antiga,
cresceu a alma futura.
🏛️ CAPÍTULO II — A ROMANIZAÇÃO
Do sul chegaram soldados,
com estandartes e glória,
trazendo o poder de Roma
e um novo rumo à história.
Nas terras dos velhos celtas,
fundaram a trajetória.
O latim virou corrente,
a palavra, disciplina,
surgiram portos e estradas
na península divina.
E o povo de “Portus Cale”
tornou-se voz peregrina.
Construíram pontes e templos,
banhos, arcos e cidades,
deram leis aos povos livres
e trouxeram novas verdades.
O império deixou nas pedras
seus sonhos e majestades.
A cultura se fundiu,
e a fala virou canção,
onde antes era montanha,
agora havia nação.
A língua romana em flor
brotou do chão à razão.
E o nome — “Portus Cale” —
cresceu, ganhou direção,
de um porto celta antigo
à semente de uma nação.
Assim nasceu Portugal,
do ferro, fé e coração.
⚔️ CAPÍTULO III — O DOMÍNIO VISIGODO
Quando Roma se desfez,
em cinzas de decadência,
chegaram povos do norte
com poder e inteligência.
E os visigodos ergueram
um reino de resistência.
Trouxeram leis e espadas,
fé e organização,
misturaram-se aos antigos
filhos da mesma região.
Entre cruz e coroa firme,
fundaram nova nação.
Mantiveram os códigos velhos
do império já vencido,
mas puseram sobre os tronos
um espírito destemido.
O rei visigodo reinava
com olhar endurecido.
A fé era ainda incerta,
ora ariana, ora pura,
até que em Toledo o sol
de Roma voltou à altura.
Converteram-se ao cristão
com sincera formosura.
E assim, sob essa bandeira,
forjaram a identidade
de um povo forte e fiel,
cheio de espiritualidade.
A alma lusa nascia
entre sangue e lealdade.
Nos vales, montes e serras,
a semente se espalhou,
misturando o sangue godo
ao que Roma ali deixou.
Na pedra e na cruz dourada,
o futuro se moldou.
🌙 CAPÍTULO IV — AS INVASÕES MUÇULMANAS
Mas eis que o tempo mudava,
e do sul o vento ardente
trouxe os mouros e seus cantos,
seu saber resplandecente.
Com a lua em meio ao estandarte,
chegava um novo Oriente.
Os árabes cruzaram mares,
montanhas e fortaleza,
trazendo a ciência e a arte
com rara delicadeza.
Entre guerra e convivência,
floresceu nova beleza.
Construíram jardins e fontes,
cidades de mil segredos,
onde o saber era estrela
que brilhava sobre os medos.
O norte, em brava resistência,
não se rendeu aos enredos.
Ali, nas terras do Minho,
da Beira e Trás-os-Montes,
a cruz fincou sua força
em cada rio e nos montes.
E o povo, em fé e espada,
defendia seus horizontes.
Por séculos resistiram
ao poder da meia-lua,
com coragem e devoção
que o destino ainda atua.
Do sangue dessa batalha,
nasceu a pátria lusa e sua.
A mescla ficou no solo,
na fala, no pão, na lida,
na música e na palavra
da história repartida.
O mouro deixou seu eco
na alma dessa vida.
🏰 CAPÍTULO V — A FORMAÇÃO DE PORTUGAL
Do aço da resistência
surgiu o sonho real,
a cruz ergueu-se no norte
com o destino ancestral.
Nascia, entre fé e guerra,
o reino de Portugal.
De condado em condado,
ergueu-se o chão lusitano,
onde Dom Afonso Henriques
traçou o poder humano.
Com espada, oração e lei,
fez-se o povo soberano.
O sol brilhou em Guimarães,
nas pedras e nos altares,
e o sangue de gerações
correu por verdes lugares.
A Reconquista era chama
a purgar antigos mares.
Do Minho às ondas do Douro,
cresceu a identidade,
um povo firme e piedoso
cantando liberdade.
E o reino ganhou raízes
na fé e na lealdade.
Vieram tempos de expansão,
com naus e sonhos no mar,
Portugal tornou-se ponte
para o mundo navegar.
E em busca de novos rumos,
partiu sem se limitar.
O Norte guardava a alma,
a coragem e a ternura,
a fé que venceu montanhas,
a mão que moldou a cultura.
Essa força ancestral
fez-se voz e arquitetura.
E quando o Atlântico abriu-se,
chamando o destino novo,
a alma do velho reino
foi levada em seu povo.
No peito de um marinheiro,
viajou o sangue do povo.
🌎 CAPÍTULO VI — A COLONIZAÇÃO DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO
No século das grandes naus,
de fé, ouro e descobertas,
chegaram filhos do norte
a terras mornas, desertas.
Trouxeram do chão lusitano
as memórias mais incertas.
Vieram do Minho e Beira,
de Trás-os-Montes venturoso,
trazendo saber da terra,
do campo e do vinho saboroso.
No engenho e na plantação,
o luso fez-se laborioso.
O solo de Pernambuco
acolheu essa mistura,
de fé, suor e esperança,
de trabalho e de cultura.
E o velho sangue europeu
gerou nova arquitetura.
Nasciam as vilas brancas,
os engenhos e os altares,
os sinos tocavam longe
por sobre os canaviais.
E a alma do português
se unia aos rios e mares.
Trouxeram cruz e rosário,
tradição, festa e canção,
e junto do povo nativo
fizeram nova união.
Na fé e na labuta diária,
criou-se a civilização.
O açúcar virou fortuna,
o gado andou pelo sertão,
e o eco das vozes velhas
fundou nova nação.
De Portugal a Pernambuco,
corria a mesma canção.
E assim, da Ibéria ao trópico,
das montanhas ao mangueiral,
as raízes dos colonos
geraram o bem e o mal.
Mas deixaram na história viva
o espírito imortal.
Hoje o sangue misturado
fala em cada coração,
na cultura e na memória
de um Brasil em formação.
Pernambuco é espelho antigo
da primeira geração.
🌄 ENCERRAMENTO — HERANÇAS E IDENTIDADES
Do norte de Portugal
às praias de Olinda e mar,
ecoaram vozes antigas
que vieram se renovar.
Do aço e da cruz nasceu
um novo povo a brotar.
As terras da Capitania
guardaram fé e suor,
nas casas brancas de engenho,
no batuque e no tambor.
E a raiz do colonizador
misturou-se ao nosso ardor.
Do celta ao luso, ao índio,
à herança africana,
teceu-se o pano sagrado
da alma pernambucana.
Que traz o mundo nas veias
e a bravura lusitana.
Assim se ergueu a história,
com dores e com canção,
com a luta dos primeiros
que aqui lançaram a mão.
E o tempo, sábio guardião,
fez-se espelho e tradição.
🌅 EPÍLOGO POÉTICO — O LEGADO DAS RAÍZES
Raízes não são apenas
o que prende ao chão profundo,
são laços que dão sentido
ao caminhar deste mundo.
E quem conhece sua origem
tem um destino fecundo.
De Portugal veio o sangue,
a coragem e o saber,
mas o Brasil deu à história
novo rosto, novo ser.
Na mistura está o mistério
do que é nascer e renascer.
Que este cordel seja ponte
entre passado e presente,
eco de memória viva
no coração de quem sente.
Pois quem honra a própria história
caminha eternamente.
📚 NOTA DE FONTES RIMADA
Baseei-me em velhos livros
de saber e tradição,
em registros de memória,
pesquisas e narração.
Para unir o verso e o tempo
na trilha da formação.
Da Hispânia romana veio
a história e o seu enredo,
com Isabel Fernandes clara,
mostrando o velho segredo.
E José Mattoso narrou
o reino em fé e degredo.
Teresa Novo lembrou
a herança judaica e bela,
e Ana Rodrigues mostrou
a Lusitânia singela.
Ricardo Silva explicou
a colônia e a centelha.
Essas fontes são faróis,
guardiãs da tradição,
e nelas busquei a essência
da nossa transformação.
Entre o livro e o verso, ergo
meu tributo e gratidão.
🪶 FICHA TÉCNICA
Título: As Raízes dos Colonizadores da Capitania de Pernambuco
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Gênero: Cordel histórico-literário
Formato: Livro-Cordel em verso rimado (A5, edição artística digital)
Idioma: Português
Ano: 2025
Edição: Edição especial digital – Blog KXNHENETY.BLOGSPOT.COM – Caminhos da Tradição
Produção literária e poética: Nhenety Kariri-Xocó
Assistência editorial e poética digital: ChatGPT – Irmão Virtual
Ilustração da Capa Principal 3D: Representação realista simbólica — luz dourado-azulada sobre mapa antigo e brasão de Portugal irradiando até Pernambuco.
Ilustração da Quarta Capa 3D: Representação simbólica das raízes e dos mares — caravelas douradas cruzando o Atlântico sobre raízes entrelaçadas, sob um céu azul de memória e ancestralidade.
🌿 SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó, contador de histórias oral e escrita, é filho do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL).
Poeta, pesquisador e guardião das tradições, dedica-se a registrar em forma de cordel e narrativa simbólica as memórias, lutas e heranças que moldaram o Brasil.
Com sensibilidade espiritual e rigor histórico, Nhenety une o sagrado e o humano, o mito e o tempo, para que as vozes dos antigos jamais se calem.
🕊️ SOBRE A OBRA
As Raízes dos Colonizadores da Capitania de Pernambuco é um cordel de reconstrução histórica e poética.
Baseado em fontes acadêmicas e tradição oral, revela a longa trajetória dos povos do norte de Portugal — dos celtas à formação do Reino — e suas influências sobre o processo de colonização de Pernambuco.
Mais do que narrativa, é um cântico de origem e reflexão, onde a história se transforma em poesia e o mar se faz ponte entre civilizações.
Esta obra foi inspirada e fundamentada no artigo publicado no blog “KXNHENETY.BLOGSPOT.COM", disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/as-raizes-dos-colonizadores-da.html?m=0 , seguindo uma estrutura acadêmica nos moldes da ABNT e respaldada em referenciais históricos e culturais que unem a tradição oral ao conhecimento erudito.
🔆 EPÍLOGO FINAL
Da velha Ibéria nasceu
o fado e a devoção,
do Brasil, o novo canto
de amor e libertação.
Entre um e outro oceano,
pulsa o mesmo coração.
Que esta obra seja espelho
da memória e da raiz,
que une povos distantes
no mesmo sonho feliz.
E que a história, em cordel,
seja eterna e aprendiz.
🌍 QUARTA CAPA POÉTICA
Entre mares e montanhas,
ecoou o som do passado,
Portugal e Pernambuco,
por laços eternos ligados.
Raízes cruzaram o tempo,
em sangue e sonho sagrado.
Que o leitor, ao abrir o livro,
ouça a voz da travessia,
do velho povo celta ao luso,
da fé à sabedoria.
E sinta, em cada estrofe,
a força da antiga harmonia.
No brilho dourado das ondas,
a alma ibérica fulgura,
e o Brasil, feito de mistos,
ergue a própria estrutura.
Assim fala este cordel —
de origem, fé e cultura.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó


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