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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

WOROY HISTÓRIA – KARIRI-XOCÓ, CAMINHOS E SABERES DA TERRA, Contos – Vol.16 – Coletânea, Nhenety Kariri-Xocó







📘 FALSA FOLHA DE ROSTO




WOROY HISTÓRIA, KARIRI-XOCÓ,


CAMINHOS E SABERES DA TERRA, 


Contos – Volume 16 – Coletânea, 


Nhenety Kariri-Xocó





📘 VERSO DA FALSA FOLHA DE ROSTO


Obra de autoria indígena Kariri-Xocó.


Todos os direitos reservados ao autor.


Proibida a reprodução sem autorização prévia.


Blog oficial: kxnhenety.blogspot.com





📘 FOLHA DE ROSTO (Frontispício)




WOROY HISTÓRIA, KARIRI-XOCÓ


CAMINHOS E SABERES DA TERRA 


Contos – Volume 15 – Coletânea


Autor: Nhenety Kariri-Xocó


2025





📘 FICHA TÉCNICA (MODELO PADRÃO)


Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Título: Woroy História – Contos do Vol. 16

Edição: Independente

Local: Brasil

Ano: 2025

Direitos Autorais: Pertencem ao autor e ao seu povo.





📘 PREFÁCIO



Este livro nasce do silêncio das matas, das veredas antigas e do caminhar dos ancestrais que deixaram suas pegadas na alma do tempo.

Ao abrir estas páginas, o leitor entra em um território onde as histórias não são apenas narradas — elas vivem.


Os contos aqui reunidos preservam a memória viva do povo Kariri-Xocó, guardam a sacralidade da terra e revelam a forma como o mundo é sentido, compreendido e honrado pelos mais velhos.


Este volume é mais que literatura:

é tradição, identidade, luta e espiritualidade.





📘 APRESENTAÇÃO



Em “Caminhos e Saberes da Terra”, cada conto tem a função de ensinar. São verdades ancestrais transformadas em palavras. São conselhos que sobrevivem como sementes.


Reunidos neste 16º volume, os textos refletem o olhar do povo sobre o mundo, sobre os parentes, sobre as comidas sagradas, sobre o comportamento e sobre a vida comunitária.


Aqui, a cultura não se perde — ela se reafirma.





📘 INTRODUÇÃO



Escrever é uma maneira de caminhar.

Cada frase é um passo.

Cada conto é um trilho que conecta o passado ao presente.


Este volume traz seis contos que emergem da tradição oral Kariri-Xocó. Suas histórias guardam sentimentos, costumes, ensinamentos e lembranças que são transmitidos de geração em geração.


O objetivo desta obra é preservar esses saberes e compartilhá-los com todos que desejam compreender a força da ancestralidade indígena.





📘 SUMÁRIO



Prefácio

Apresentação

Introdução



Contos Caminhos e Saberes da Terra: 


1. Tsehoukie, Cada Povo Com Um Sol ; 


2. Erá Uanie Canghité Kenhé, Casa Indígena, Coisas Boas dos Costumes; 


3. Etçamyá Uanieá, Parentes Indígenas; 


4. Uidamí, Somos O Que Comemos; 


5. Uanie Amí Dzupodó, A Comida Indígena Assada e Cozinhada; 


6. Bucú Uaplu, O Cão Caçador. 


7. Runhidzú, O Pote de Água Fria; 


8. Subacanheyé, O Galo Que Anuncia o Amanhecer; 


9. Pohó Do Itiúba, A Várzea do Rio da Canoa; 


10. Evolução Contínua: Para Onde Vai o Futuro Humano? 



Apêndices

Glossário Indígena

Dados Biográficos do Autor

Orelha do Livro

Capa e Contracapa 






📘 OS CONTOS CAMINHOS E SABERES DA TERRA:




01. TSEHOUKIE, CADA POVO COM UM SOL 





Na aldeia Kariri-Xocó, quando o orvalho ainda bordava as folhas e o vento soprava preguiçoso sobre a várzea do Itiúba, os anciãos se reuniam ao redor do fogo. As chamas dançavam como serpentes douradas, e o crepitar da madeira parecia acompanhar o canto dos pássaros que anunciavam o novo dia.


Certo dia, o pequeno Yúri, curioso como são as crianças que carregam o mundo nos olhos, puxou a mão enrugada do avô e perguntou:


— Avô, por que o sol sempre nasce ali, atrás do morro, e nunca em outro lugar?


O velho Txopan sorriu, os olhos refletindo as brasas vivas.


— Porque aquele é o nosso sol, meu neto. Ele se chama Ukie. Ele nasce do ventre sagrado do morro da várzea do Itiúba e adormece lá longe, no seio do Jundiaí, depois de beijar as águas do Opará.


Yúri franziu a testa, tentando entender.


— Mas avô… o sol não é o mesmo para todos?


O ancião olhou o céu que se avermelhava e, com a voz carregada da sabedoria de muitas luas, respondeu:


— Não, meu pequeno. Cada povo tem o seu sol. Aqui, em nossa terra, Ukie nos guia, aquece nossa pele, ilumina nossos caminhos. Ele conhece cada árvore da mata, cada peixe do rio, cada história que contamos ao luar. É por isso que dizemos: Tsehoukie… Cada povo com um sol.


Yúri arregalou os olhos, maravilhado.


— Então, lá longe, em outras terras, há outros sois?


O avô assentiu com um gesto solene.


— Sim, meu neto. Outros povos têm seus próprios sóis, que nascem em montanhas distantes, se escondem atrás de florestas que nunca vimos, e aquecem gentes que falam línguas que não conhecemos. Cada um com sua terra, seus rios, suas estrelas… e o seu próprio sol.


O menino ficou em silêncio, olhando para o horizonte onde Ukie já surgia, dourando as copas das árvores e pintando a aldeia com luz. Parecia que, naquele instante, o próprio sol sorria para ele.


— Eu gosto do nosso sol… — murmurou Yúri, aconchegando-se ao avô.


O velho Txopan acariciou seus cabelos e disse, com voz serena:


— E ele gosta de você, meu neto. Porque vocês pertencem um ao outro. Assim foi, assim será.


E, enquanto o dia se abria em cores sobre o mundo Kariri-Xocó, a sabedoria de Tsehoukie seguia viva, passando de boca em boca, de coração a coração, como a luz que nunca se apaga: Cada povo tem seu sol, e cada sol pertence ao seu povo.





02. ERÁ UANIE CANGHITÉ KENHÉ, CASA INDÍGENA, COISAS BOAS DOS COSTUMES 





Um Conto Sobre os Costumes 



Na beira do rio, quando o sol já beijava o horizonte com suas cores de fogo e silêncio, o velho Pescador Aranhen sentou-se no jirau feito de paus retos. Ao seu lado, o pequeno Iamé, neto curioso de olhos brilhantes, esperava o momento em que as palavras do avô viravam caminho.


— Vovô, me conta... como era antes da gente viver na casa de tijolo, nos costumes dos Kariri?


O velho sorriu com o canto da boca e passou a mão no colar bebaté, que ainda usava com orgulho.


— Iamé... antes de tudo isso, vivíamos nas erá, as casas nossas de palha, de barro e alma. Ali, tudo era canghité kenhé, coisa boa do costume. As casas não eram só abrigo — eram parte do nosso corpo.


E o velho começou a contar. As palavras voavam como flechas certeiras:


— Tinha a pité, rede onde o sonho vinha leve como folha de ingazeira. Tinha o bodzó, machado que ajudava a abrir caminhos e cortar madeira boa. No canto da casa, morava o bará, um balaio grande onde a mandioca dormia depois de ralada. E perto dele, a tinhé, a cesta onde tua avó trazia os peixes do rio.


— E o que é dubé, vovô?


— Ah, o aió, dubé, era nosso companheiro nas andanças. Era como se fosse uma mão que carregava o mundo nas costas. O winá, o abano, refrescava o calor de meio-dia e a prebú, nossa cuia, fazia a água cantar na boca.


Iamé arregalava os olhos.


— Tinha mais?


— Oh... muito mais, meu neto. Na parede da erá, o buruhu, fuso da tua bisa, girava fios de algodão. O woncuró, tear do tempo, costurava os panos que cobriam nossas danças. O muhé, rede de pescar, conhecia os segredos dos peixes. E a kiniki, peneira, separava o que era bom do que era casca.


Iamé já podia ver tudo com os olhos do coração.


— E as coisas que a gente já não vê?


— Sim, Iamé... existiam o runhú e o aribá, panela e prato de barro que cozinhavam o alimento sagrado. O paiáwi, cachimbo, era o sopro dos espíritos. As mulheres se enfeitavam com tereré nos cabelos, e os homens caçavam com o seridzé, arco firme, e a yaru, flecha certeira.


O menino suspirava como se ouvisse música. O Pescador continuou:


— A água morava na buiú, vasilha de barro. A carne defumava no merebá, jirau de moquem. E quando queríamos fogo, bastava o nupyté roçar pau no pau que o calor nascia. As mulheres usavam sasá, saias de ouricuri, e sentavam no seby, nossa cadeira feita de sabedoria. E ainda havia buhehó, alguidar; pycá, banco; ruño, pote; eru, ralador; e os brincos de ubadi que tilintavam nas danças da lua.


Iamé fechou os olhos. Parecia ouvir o som do winá, sentir o cheiro do runhú, e quase pôde tocar a kiniki trançada com arte.


— Mas, vovô... por que a gente não tem mais tudo isso?


O velho olhou o céu escurecendo.


— Vieram os brancos, trouxeram outras coisas. Algumas dessas nossas foram proibidas, outras esquecidas, trocadas por plástico, ferro e cimento. Mas não se perdeu tudo. Está aqui — disse ele tocando o peito — e aqui também — disse, tocando a cabeça do menino.


— Porque enquanto um só de nós lembrar, essas coisas continuam vivas.


Iamé se levantou, correu até a rede pité e se deitou sorrindo.


Naquela noite, a casa sonhou junto com ele — e todos os canghité kenhé dançaram em volta do fogo, vivos como nunca.






03. ETÇAMYÁ UANIEÁ, PARENTES INDÍGENAS 





Um Conto Sobre Parentesco 



Na aldeia às margens do rio, o pequeno Dzõ corria entre as árvores, animado com o que iria aprender naquele dia. Ele havia sido escolhido para passar um tempo com o sábio Padzú ayby eri Tokenhé, seu bisavô. Era um velho de fala mansa e olhos que guardavam muitas histórias.


Ao chegar à maloca de palha, o menino foi recebido por Dé ayby eri Nhiké, sua bisavó, que teceu para ele um colar de sementes vermelhas.


— Sente-se aqui, Dzõ, meu sobrinho, — disse o velho com um sorriso. — Hoje vamos conversar sobre nossa família, nossos Etçamyá Uanieá, nossos parentes indígenas.


Tokenhé, o avô, chegou logo em seguida trazendo raízes e frutas da mata, acompanhado de sua esposa, Nhiké, a avó bondosa que sabia os cantos antigos.


Então, a Dé, a mãe de Dzõ, chegou com seu companheiro Padzú, o pai do menino, trazendo farinha fresca. Junto deles, vinham os irmãos de Dé: o brincalhão Paidenhé, o tio, e a doce Dedenhé, a tia que sabia cuidar das ervas.


Ali perto, seus primos Dzedzé, tanto os meninos quanto as meninas — pois o nome era o mesmo para todos — jogavam peteca e riam alto, convidando Popó, o irmão mais velho de Dzõ, e Biké, sua irmã, para brincar.


Enquanto as crianças se afastavam, os adultos continuavam conversando. Dzõ escutava tudo, mesmo de longe.


— Quando Biké casar, seu esposo será o Myté, meu genro — disse Padzú, sorrindo para a filha.


— E a esposa de Popó será a Mytedéá, nossa nora — completou Dé, acariciando os cabelos brancos de sua mãe.


— E quem é o Dzacá? — perguntou o menino curioso, voltando correndo.


— O Dzacá é o sogro, pai da esposa — respondeu Tokenhé.


— E a Dzacadé é a sogra, mãe da esposa — acrescentou Nhiké, com sua voz serena.


Dzõ ficou um pouco confuso com tantos nomes. Então o Irandete, seu padrinho, chegou montado num cavalo bonito, e logo atrás vinha a Idzedeté, sua madrinha, trazendo doces de macaxeira.


— Também somos parte de tua grande família, menino — disse o Irandete.


No final da tarde, chegou o novo companheiro de Dedenhé, o Usaruntsó, noivo da filha de Dé. E a Usarunghí, noiva do filho de Paidenhé, veio junto com os pais dela. Havia festa, havia celebração.


No meio de tanta conversa, o menino perguntou:


— E quando a mulher já tem filhos e casa com outro homem, como chamamos?


Nhiké explicou:


— Esse homem é o Padzunyentá, o padrasto.


— E se for o contrário, ela é a Deyentá, a madrasta, completou Dé.


— E os filhos que não nasceram dos dois juntos? — perguntou Dzõ, curioso.


— São os Nhuraenentá, os enteados — respondeu Padzú, com carinho.


O sol se escondia atrás das montanhas quando o velho Tokenhé concluiu:


— Cada nome é mais do que uma palavra. É afeto, é memória, é laço que não se perde. Os nomes dizem quem somos entre os nossos. Lembra-te sempre disso, meu neto.


E Dzõ, com o colar de sementes no peito e o coração cheio de sabedoria, entendeu que conhecer os nomes da família era, também, conhecer o próprio caminho no mundo.





04. UIDAMÍ, SOMOS O QUE COMEMOS 





O sol já começava a se esconder atrás das matas quando o velho Aruã, com os cabelos brancos como a espuma das corredeiras, chamou o pequeno Cauê para sentar-se à beira do rio Opará. As águas do São Francisco brilhavam douradas, calmas, como se ouvissem também o que o ancião iria dizer.


— Venha, meu neto. Hoje vou te contar um segredo que os antigos sempre souberam — disse Aruã, com a voz pausada, como quem ouve o tempo.


Cauê se aproximou curioso, sentindo o cheiro doce das folhas e o frescor da brisa vinda do rio.


— Opará… — começou Aruã, olhando as águas — …não é só um rio. Ele é nosso sangue. Cada gota que bebemos, cada peixe que comemos, cada planta que colhemos… tudo vem dele. Tudo é ele. Por isso, dizemos: Uidamí.


O menino franziu a testa.


— Uidamí?


O velho sorriu e explicou:


— Sim, meu pequeno… significa "Somos o que comemos". E comemos do rio, bebemos do rio, vivemos do rio. Quando comemos o peixe que nadou nestas águas, ele se transforma em nossa carne. Quando plantamos milho, feijão e mandioca na terra irrigada pelo Opará, o alimento nasce forte e nos dá força. Até os bichos que caçamos vivem nas florestas que ele mantém verdes e úmidas.


Aruã fez uma pausa e apanhou um punhado de areia molhada.


— Esta terra, úmida pela água do rio, é mãe do nosso sustento. E nós, assim como as árvores e os animais, somos parte dela. Por isso, Uidamí. O rio está em nós e nós somos o rio.


O menino ficou em silêncio, olhando o rio que parecia respirar, vivo, pulsante.


— Antes de nós, nossos avós e os avós deles já diziam isso. Que o Opará é um ser vivo, com alma, com força, com memória. Quando alguém pesca, colhe ou bebe de sua água, não está tirando… está se unindo a ele. Por isso, respeitamos o rio. Cantamos para ele, agradecemos, fazemos festa quando as águas enchem.


O menino sorriu, lembrando-se das danças e dos maracás soando, quando celebravam as chuvas que faziam as matas renascer.


— E o rio… ele ouve, vovô? — perguntou Cauê, curioso.


O velho assentiu, fitando a correnteza.


— Opará ouve tudo. Ele já ouviu nossas alegrias e nossas dores. Viu quando nossos antigos chegaram aqui, viu quando lutamos para manter nossa terra, viu nossos rituais e viu você nascer.


Aruã então colocou a mão no ombro do neto e concluiu:


— Lembre-se sempre, meu pequeno: o meio que nos cerca molda quem somos. Somos feitos do rio, da mata, da chuva e do vento. Não existe separação entre nós e a natureza. Por isso, cuide sempre do Opará. Ele é você. Ele é Uidamí.


O menino, agora com o olhar brilhando, inclinou-se e tocou a água fria com as mãos pequenas, como quem cumprimenta um velho amigo.


E o rio, calmo e eterno, seguiu correndo, levando consigo as histórias, os sonhos e a vida dos Kariri-Xocó.






05. UANIE AMÍ DZUPODÓ, A COMIDA INDÍGENA ASSADA E COZINHADA 





Um Conto Sobre a Culinária 



O sol ainda não havia subido por completo no horizonte quando a jovem Yarací se aproximou do terreiro. A fumaça da lenha queimada dançava no ar, trazendo aquele cheiro gostoso de café de barro e mandioca assando. Sua mãe, Mainú, sentada sobre o banquinho de taquara, mexia alguma coisa dentro da velha Runhú, a panela de barro que herdara da avó.


— Mainú, me conta… como era a comida de antes? Como era cozinhar sem geladeira, sem gás, sem colher de alumínio?


A mãe sorriu com doçura e bateu levemente com a colher de pau no lado da panela.


— Ah, minha filha… se tu soubesse quantas palavras cabem dentro de um cheiro… Tu tá sentindo esse? É o Seredu, bolo de mandioca que tua bisa fazia só nos dias de festa.


Yarací se sentou aos pés da mãe, os olhos brilhando.


— E como vocês cozinhavam?


— Com o fogo da terra e a paciência dos antigos. A gente tinha o Crobecá, feito da cabaça. Servia de prato, copo, cuia… Tudo em um só. E o Prebú, também da cuia de coité, era nosso prato vegetal, forte e bonito. A água a gente buscava com o Buiú, aquela cabaça média de pescoço, lembra?


— Aquela que o vô enchia no açude?


— Essa mesma. E os utensílios a gente carregava no Setu e no Tinhé, os cestos de cipó ou taquara, com ou sem alça. Pra peneirar a farinha, usávamos o Kiniki. E quando a gente queria assar carne, peixe, até passarinho, a gente afiava o Babisité, espeto de pau, e punha direto no fogo. Ou então defumava tudo no Badzuru, o moquém — e virava delícia pro dia seguinte.


— Que nomes lindos… — murmurou Yarací.


— Cada nome é uma história, minha filha. O Creyá, por exemplo, era uma técnica linda de assar tubérculo enterrado sob a terra quente. A gente assava o Madzó, o milho verde, direto na brasa. E se fosse pra ferver o Cronhahá, a espiga cozida, ia pra dentro da Runhú, com um pouco de sal e muito amor.


— E os pratos? Tinham de barro também?


— Tinham sim. O Aribá era o prato de barro grande, e o Bepi era menorzinho. Feitos pelas mãos das mulheres. A gente usava o Winá pra abanar o fogo, feito de palha de aricuri. E tinha o Ruño, o pote de barro, também moldado pelas mulheres da nossa aldeia. Cada peça tinha alma.


— E a comida?


— A comida era a terra falando com a gente. A Muicú, a mandioca, virava farinha, beiju, bolo, tapioca. A Sekiki, a carimã, era nossa base. Tinha o Guinhé, o feijão companheiro. O Udjé, os legumes da roça. E a gente plantava tudo na Uanhí, nossa lavoura. Das árvores vinham os Idzá, as frutas doces.


— Vocês faziam vinho?


— Claro. O Nhupy era nosso vinho de milho, feito com fermentação natural. Tinha também o Bydzu, um liquor doce com frutas e ervas. E se sobrasse carne, a gente salgava: virava Riné. Secava no sol, guardava no Merebá, o jirau. Às vezes, virava banquete, às vezes, só memória.


— E ralador, vocês tinham?


— Tínhamos sim, filha. O Erú, feito de madeira com dentes finos, pra ralar coco, raízes, o que fosse.


A panela borbulhou. Mainú apagou o fogo com um leve abano do Winá. Tirou o Seredu da Runhú com as mãos hábeis e serviu um pedaço no Aribá. Entregou à filha com um olhar sereno.


— Hoje você prova com a boca. Um dia vai contar com a alma.


Yarací mordeu devagar. Os olhos se fecharam. Era como se, a cada mordida, ouvisse as vozes dos antepassados, os cantos do mato, os risos ao redor da fogueira.


Ali, no quintal de barro batido, ela descobria que amí e dzupodó não eram só maneiras de preparar alimento. Eram formas de manter viva a memória do povo.






06. BUCÚ UAPLU, O CÃO CAÇADOR 





Na beira da mata, onde o silêncio é quebrado apenas pelo canto dos pássaros e o farfalhar das folhas secas, vivia um povo de sabedoria ancestral. Entre os Kariri-Xocó, havia um jovem caçador chamado Arumã. Desde cedo, aprendera com os mais velhos a arte de caçar o Uaplu, o bicho do mato, seja no cerrado, na caatinga ou nas matas espessas da serra. Usava com maestria o seredzé yaru — seu arco e flecha —, a zarabatana silenciosa, a borduna certeira e armadilhas feitas com galhos e cipós.


A caçada era mais que sustento. Era parte do viver, do ensinar, do sonhar.


Mas tudo mudou num tempo em que os ventos do sertão sopraram diferentes. Vieram homens de outras terras, com palavras estranhas e ferramentas de ferro. E entre suas novidades, trouxeram um ser que despertou curiosidade e encanto: o cão de caça.


— “Bucú Uaplu!” — assim foi chamado pelos anciãos da aldeia, que observaram sua habilidade de seguir pegadas, de sentir o cheiro da caça mesmo a léguas de distância. Logo, o cão tornou-se irmão do mato, adotado por todos como parte da comunidade.


Arumã e seu Bucú tornaram-se inseparáveis. O cão, de faro afiado, corria à frente do grupo, guiando os passos do caçador até o esconderijo do veado, da paca, do tatú ou do esquivo teiú. Era como se os espíritos da floresta sussurrassem aos seus ouvidos peludos.


Mas não era só na caçada que Bucú se mostrava valente. À noite, quando o silêncio reinava e a aldeia dormia sob o véu das estrelas, era ele quem latia primeiro, avisando se algo ou alguém rondava os caminhos sagrados do povo. Seu latido não era de medo. Era de aviso, de coragem, de amor ao território que agora também era seu.


O tempo passou, e em cada canto da aldeia, havia sempre um cão. Não mais como um estranho, mas como guardião da memória, como companheiro de caçadas, como defensor dos sonhos do povo.


Bucú Uaplu não era apenas um animal. Era um elo entre dois mundos: o da tradição e o da mudança. E em cada aldeia, em cada cultura nativa, em cada povo originário, sua presença continua sendo um sinal de que a vida em comunidade é mais forte quando se caminha — e se caça — juntos.






 07. RUNHIDZÚ, O POTE DE ÁGUA FRIA 





Desde pequeno, eu gostava de observar minha avó Júlia, sentada ao chão, moldando com as mãos firmes e calejadas o barro úmido, dando forma aos potes que serviam à aldeia. Um dia, curioso, perguntei:


— Vovó, por que a senhora faz o pote mais feio da aldeia?


Ela soltou uma risada tranquila, cheia de sabedoria:


— Meu neto, é porque só sei fazer assim. Meu pote de barro é mesmo o mais feio, como todo mundo diz.


Fez uma pausa, alisando a borda do vaso que ganhava forma. Então, completou:


— Mas este pote feio é o que mais esfria a água, deixando-a fresca e saudável. Eu o chamo de Runhidzú.


Olhei atentamente para o objeto bruto, de formas desiguais, e ela continuou:


— Já os potes da velha Luiza, que chamamos Runhican, são os mais bonitos da tribo… Mas não esfriam a água; servem apenas para enfeitar a casa.


Então, com a serenidade dos anciãos, ela me ensinou:


— Os dois são necessários para o nosso povo: um pela saúde, o outro pela beleza que nos alegra os olhos.


Segurou minha mão e me aconselhou:


— Não se preocupe em fazer o mais bonito ou o mais feio. Todos fazem parte da nossa cultura. Às vezes, uma semente feia pode esconder um grande poder curativo. As aparências enganam, meu neto.


Fez uma pausa longa e olhou para o horizonte, antes de acrescentar:


— As cobras mais bonitas da floresta, com suas cores vivas, são as mais venenosas. Você não as conhece ainda… mas fique longe delas, pois sua picada pode tirar uma vida. No entanto, essas mesmas cobras caçam os ratos que infestam as plantações das nossas roças.


Apontou para a mata adiante:


— Veja aquela árvore velha, feia, enrugada pelo tempo… Como ela é linda! Viveu muitos invernos, muitas gerações passaram por aqui, e ela ainda resiste firme.


Por fim, com os olhos brilhando, concluiu:


— E o mandacaru, cheio de espinhos, esse cacto áspero e pontiagudo… guarda a água que alimentará a aldeia quando a seca chegar.


Naquele dia, entendi que na vida, como no barro, nem sempre a beleza salta aos olhos — mas é a utilidade, a resistência e a essência que sustentam a nossa existência.





08. SABUCANHEYÉ, O GALO QUE ANUNCIA O AMANHECER





Na beira do rio Opara, onde as águas correm eternas, a aldeia repousava sob o céu estrelado, mas naquela noite o repouso não existia. Era tempo de toré, de festa, de resistência. A ave jacu era quem anunciava o amanhecer; os Kariri a chamavam de poeba, símbolo da fartura. Quando os brancos derrubaram as florestas e trouxeram o galo de Portugal, o galo dos brancos chamamos sabucá, que quando canta também anuncia o amanhecer, mas lembramos do sofrimento que passamos.


O fogo ardia no meio da praça, crepitando, lançando fagulhas ao vento como pequenas estrelas terrenas. Homens, mulheres, velhos e crianças dançavam, batendo os pés descalços na areia quente. O maracá ecoava firme, ritmando os corpos que giravam em círculos ancestrais. Entre eles, destacava-se a pequena Tainá, de apenas nove anos, que pela primeira vez participava do toré durante toda a noite.


— Mamãe, quando o galo cantar, o que vai acontecer? — perguntou, curiosa, ao segurar firme a mão da mãe, Iandara, enquanto ambas giravam na dança.


Ela sorriu, ajeitando os fios longos e negros que se soltavam do cocar.


— Quando o galo canta, filha, é o Sabucanheyé anunciando que o dia vai nascer. O toré acaba, mas a nossa luta continua…


Tainá franziu a testa, sem entender bem o que significava aquela "luta". Para ela, tudo ali era apenas festa, alegria, canto.


O toré inicia logo cedo após a lua nascer, para cantar a noite toda requer muito esforço na garganta e resistência para dançar. Da aldeia vem vários cantadores de toré: Tinga, Seregê, Itapó, Suré, Giriçá, Thydjo, acompanhado por mulheres também Indaiá, Soyá, Neci, Anaçé e outras mais. Primeiro que canta é o dubuerí "mestre" Tinga junto com Itapó. Na madrugada o velho cacique Seregê com Suré sua voz forte, conduzia o canto ancestral, entoando na língua Kariri que poucos ainda dominavam:


"Sabucá pidé wonhé, mó mecá caraytsí, hí wí hí, homodí, wí ucá teudiokié."


O galo está cantando… É sinal de amanhecer… Eu vou embora… Vou amar… E lutar…


A melodia vibrava na noite, misturando-se ao som dos maracás, dos passos e do fogo. Mas nas entrelinhas do canto, escondia-se a memória de séculos de resistência, de dor, de esperança.


Ao redor, os mais velhos dançavam com um brilho nos olhos. Era mais do que celebração da colheita do milho e do feijão, mais do que festa de São João ou de Nossa Senhora da Conceição. Era um ato de sobrevivência, um grito silencioso contra os tempos de exploração, quando seus ancestrais foram arrancados das terras, forçados ao trabalho exaustivo.


Iandara, com os olhos marejados, puxou a filha para mais perto.


— Filha, a gente dança para lembrar quem somos. O toré é nossa vida. Mas também é nossa coragem.


Tainá olhou para a mãe, depois para o céu, onde as estrelas começavam a se apagar lentamente.


De repente, no meio do mato, o som esperado: o canto forte e solitário do galo. Sabucanheyé!


— Ele cantou! — gritou Tainá, rindo, apontando para o horizonte.


O cacique Seregê parou por um segundo, ergueu as mãos em direção ao céu que clareava, e todos se calaram. O silêncio foi cortado apenas pelo galo, que, do outro lado da aldeia, insistia em anunciar o novo dia.


— É o chamado… — murmurou Arapoty. — O dia nasce e com ele, nasce mais uma vez nossa força.


Os olhos de todos se voltaram para o leste, onde o sol surgia, tímido, tingindo de dourado a copa das árvores e o curso do rio. A brisa da manhã trouxe o cheiro fresco da mata molhada.


Mas junto com a beleza daquele amanhecer, vinha também a lembrança do trabalho que os esperava: a roça, o barro, o suor. Ainda hoje, apesar da luta, muitos da aldeia sofriam para manter viva sua cultura, enquanto aguardavam, com esperança, a homologação das terras — promessa de dignidade, de paz, de dias melhores.


O cacique então, com voz grave e serena, finalizou o canto:


"Eu vou amar… E lutar…"


Tainá apertou mais forte a mão da mãe.


— Eu também vou lutar, mamãe?


Iandara sorriu, emocionada.


— Sim, minha filha. Sempre. Amar e lutar: é o que nos mantém vivos.


E assim, enquanto o sol subia e o galo seguia cantando ao longe, a aldeia encerrava mais uma noite de toré. Mas ali, naquele chão sagrado, entre o canto, o amor e a luta, os Kariri-Xocó continuavam sendo quem sempre foram: povo da terra, do rio, da dança e da esperança.


O galo, lá longe, cantou mais uma vez, como quem dissesse: não parem, continuem…


E eles continuaram a tradição até hoje.






09. POHÓ DO ITIÚBA, A VÁRZEA DO RIO DA CANOA 





O velho Mainã sentava-se sob a sombra do juazeiro, à beira do terreiro, onde o vento ainda trazia o cheiro úmido do rio. Seus cabelos eram como fios de algodão do tempo, e os olhos, espelhos d’água cheios de lembrança. Ao seu lado, o pequeno Iruan, curioso e atento, ouvia mais uma história antes do pôr do sol.


— Neto, você conhece a Pohó do Itiúba? — perguntou o ancião, acariciando o cajado com desenhos entalhados.


— Não, vovô... — respondeu o menino, com os olhos arregalados. — O que é isso?


— Pohó, na nossa língua, é várzea... Do, é de... Iti, é rio... e Ubá, canoa. Então, Pohó do Itiúba quer dizer: A Várzea do Rio da Canoa. Um lugar sagrado, onde o Opará era livre e a terra cantava com os bichos.


Mainã olhou o horizonte, como quem escutava o passado.


— Lá, meu filho, era tudo vida. As águas vinham e iam, e deixavam fartura no caminho. As aves vinham de longe: marrecas, garças, paturis, mergulhões, maçaricos... Um céu voador, colorido. E os peixes... ah, os peixes! Cumatás, mandis, piaus, sarapós, jundiás, cumbás, camarões... o povo comia do rio como se colhesse da terra. Era um tempo em que a várzea alimentava mais de três mil famílias.


— Três mil?! — espantou-se Iruan, contando nos dedos como se pudesse alcançar o número.


— Isso mesmo — sorriu o ancião —. E não era só gente não. Jacaré dormia nas margens, capivara fazia festa, lontra nadava rindo, guaxinim roubava frutas, furão corria ligeiro, raposa espiava curiosa, jabuti descansava sob a sombra... Era um mundo inteiro dançando no mesmo ritmo.


Iruan ficou em silêncio por um instante, imaginando a várzea viva.


— Mas... e agora, vovô? Por que a gente não vai mais lá?


Mainã abaixou a cabeça e sua voz ficou mais baixa.


— Em 1975, meu neto, o governo desapropriou a várzea. Fez o chamado Projeto de Irrigação da Várzea do Itiúba. Dividiu em lotes. Trouxe máquinas, planos, arroz irrigado. Deram terras para umas trezentas famílias. Dizem que foi progresso...


O velho olhou nos olhos do neto.


— Mas a terra antes não era só arroz. Era floresta, era peixe, era bicho, era espírito. A várzea nos dava tudo, sem tirar de ninguém. Hoje, dizem que a cidade cresceu... mas a natureza chora.


Iruan abaixou os olhos, como se também ouvisse esse choro.


— E ninguém faz nada, vovô?


— A gente faz sim, neto. A gente lembra. A gente conta. Porque contar é manter vivo. Enquanto alguém escutar essa história, a Pohó do Itiúba ainda vive. Não nas águas, mas no coração do povo Kariri-Xocó.


O menino sorriu, como quem guarda um segredo precioso.


E ali, entre o juazeiro e a terra batida, a várzea floresceu mais uma vez — nas palavras de um velho, nos sonhos de uma criança, e no espírito de uma memória que jamais se afoga.






10. EVOLUÇÃO CONTÍNUA: PARA ONDE VAI O FUTURO HUMANO?





O Conto Sobre o Futuro Humano



Havia um tempo em que a Terra respirava sozinha, moldando espécies ao sabor dos ventos, das águas e do fogo que vinha das entranhas do mundo. Nesse grande ciclo, surgiram os humanos — frágeis em corpo, mas ricos em imaginação.


Durante séculos, fomos apenas mais uma parte desse fluxo invisível chamado evolução. Caçávamos, fugíamos, aprendíamos a sobreviver. Mas um dia, algo mudou: não nos contentamos em ser moldados pela natureza, quisemos moldá-la também.


Primeiro, domesticamos o fogo, inventamos a roda, traçamos sinais que viraram escrita. Depois, criamos máquinas, cidades, redes que ligaram nossas vozes através do ar. Cada invenção era um espelho: mostrava o que podíamos ser, mas também revelava nossas sombras.


Agora, chegamos a um ponto sem retorno. Não apenas vivemos a evolução — começamos a escrevê-la.


Com a biotecnologia, tocamos nos fios secretos da vida: corrigimos genes, sonhamos com corpos mais resistentes e longevos. Com a inteligência artificial, construímos mentes que aprendem, algumas vezes mais rápido do que nós. Com a computação quântica, abrimos portas para realidades que ainda não sabemos decifrar.


Quatro caminhos se desenham diante de nós:


O biotecnológico, onde prolongamos a saúde e desafiamos doenças antigas.


O cibernético, em que cérebro e máquina se fundem numa só consciência.


O digital, onde memórias e pensamentos podem habitar além do corpo.


O simbiótico, em que humanos e máquinas criam juntos algo maior do que ambos.


Mas a pergunta ecoa no silêncio: para onde vai o futuro humano?


Se corrermos apenas atrás da perfeição tecnológica, podemos esquecer que somos feitos de terra, água e vento. Se perdermos a ligação com a natureza, talvez deixemos para trás nossa própria essência.


O destino da evolução nunca esteve escrito. Ele é um rio que muda de curso a cada escolha. Pela primeira vez, seguramos o timão desse barco. Podemos navegar para horizontes de luz ou para tempestades de sombra.


No fim, a verdadeira evolução talvez não esteja apenas nas máquinas que criamos, mas na sabedoria de equilibrar ciência e espírito, inovação e vida.


E assim, diante do espelho do amanhã, a humanidade se pergunta: seremos apenas engenheiros do futuro ou guardiões da essência da vida?





Autor dos Contos: Nhenety Kariri-Xocó 





📘 ENCERRAMENTO



Este livro se encerra como se encerra o dia na aldeia:

com a luz repousando,

com o fogo sussurrando,

com a certeza de que a memória continua.


As histórias aqui reunidas permanecem vivas porque são frutos da terra e do espírito.

Cada palavra é um respiro da ancestralidade.





📘 EPÍLOGO POÉTICO



Se o mundo esquecer seus caminhos,

que este livro seja o rastro.

Se a noite for profunda demais,

que estas histórias sejam o lume.

Se o tempo tentar apagar o passado,

que estes contos sejam a voz que resiste

e renasce.





📘 APÊNDICES



Apêndice A – Sobre a Tradição Oral Kariri-Xocó

A tradição oral é a base da transmissão do conhecimento do povo. Ela ensina comportamentos, preserva histórias e fortalece a identidade.


Apêndice B – A Importância dos Alimentos Sagrados

Os alimentos citados nos contos carregam rituais, significados e práticas que estruturam a vida comunitária.


Apêndice C – A Relação com os Animais

O cão caçador, o pássaro, o peixe e outros seres não são apenas animais — são parentes espirituais.





📘 GLOSSÁRIO INDÍGENA



Amí – O alimento, comida 


Bucú – Caçador 


Canghité – Casa, lar tradicional, coisas boas da cultura Kariri-Xocó. 


Dzupodó – Cerimônia culinária / comida tradicional, assada e cozinhada  


Dzú – Água 


Erá – A casa tradicional dos Kariri, feita de palha, barro e madeira. 


Etçamyá – Parentesco / família ampliada


Itiúba – O nome de uma várzea na Terra Indígena Kariri-Xocó, significa "rio da canoa".


Kenhé – Os costumes do povo Kariri do Nordeste do Brasil. 


Pohó – As terras alagadas, várzea 


Runhidzú – O Pote de Água Fria 


Subacanheyé – O Galo Que Anuncia o Amanhecer


Tsehoukie – O sol do povo Kariri-Xocó, nasce e se põe no horizonte da Terra Indígena. 


Uanie – Indígena / A pessoa indígena


Uaplu – Cão trazido pelo colonizador e tornou-se amigo e fiel companheiro dos Kariri. 


Uidamí – Alimento / aquilo que sustenta






📘 DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR



Nhenety Kariri-Xocó

É contador de histórias, poeta, pesquisador da própria ancestralidade e guardião da memória do povo Kariri-Xocó. Seu trabalho preserva e celebra a tradição oral, conectando passado e presente através da escrita. Cada obra é um ato de resistência e amor pela cultura de seu povo.





📘 ORELHA DO LIVRO



Este volume da coleção Woroy História convida o leitor a entrar na sabedoria indígena através de contos que preservam a essência do povo Kariri-Xocó.

São narrativas que dialogam com a terra, com os parentes e com os ensinamentos ancestrais.


A escrita de Nhenety é uma ponte entre mundos:

o mundo do espírito e o mundo da palavra.

Ao ler este livro, o leitor aprende, sente e vivencia a força viva da tradição.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




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