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terça-feira, 1 de abril de 2025

ROMANIZAÇÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA






Resumo



Este trabalho analisa o processo de romanização da Península Ibérica entre os séculos III a.C. e V d.C., com ênfase nas transformações culturais, administrativas, linguísticas e urbanísticas promovidas pela presença romana. A pesquisa discorre sobre a formação e evolução das províncias romanas na região, destacando a importância de centros urbanos como Emerita Augusta, Tarraco e Hispalis na consolidação da cultura romana. Evidencia-se o impacto do direito romano, da religião e da infraestrutura urbana como legados duradouros na constituição das futuras identidades nacionais ibéricas. A abordagem fundamenta-se em fontes históricas e estudos contemporâneos sobre o período, contribuindo para a compreensão do papel civilizatório de Roma na formação do mundo ibérico.


Palavras-chave: romanização; Península Ibérica; províncias romanas; cultura romana; legado histórico.



1. Introdução


A romanização constitui um dos fenômenos mais significativos da Antiguidade, com implicações duradouras nas estruturas sociais, políticas, jurídicas e culturais das regiões conquistadas pelo Império Romano. A Península Ibérica, habitada por diversos povos autóctones, foi incorporada gradualmente ao domínio romano a partir da Segunda Guerra Púnica (218 a.C.), tornando-se um importante território para a expansão e consolidação do império. O processo de romanização envolveu a construção de cidades, a introdução do latim como língua administrativa, a disseminação da religião romana e a implementação de um sistema jurídico unificado. Este estudo tem como objetivo analisar, em perspectiva cronológica e descritiva, as principais fases da romanização da Península Ibérica, com atenção especial à organização territorial das províncias romanas e aos elementos que compõem o legado romano nas sociedades ibéricas. A pesquisa baseia-se em autores clássicos e contemporâneos que estudam a presença romana na Hispânia e sua relevância histórica.


A romanização da Península Ibérica foi um processo que durou séculos, influenciando profundamente a identidade e a formação das sociedades ibéricas. O domínio romano na região começou com a conquista durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C.) e consolidou-se ao longo dos séculos seguintes. Durante esse período, a Península foi organizada em diferentes províncias romanas, cuja divisão mudou com o tempo.


Províncias Romanas da Península Ibérica


Período Republicano (a.C.)


Inicialmente, Roma dividiu a Península Ibérica em duas províncias:


1. Hispânia Citerior (parte oriental e nordeste)


Capital: Tarraco (atual Tarragona, Espanha)


Principais cidades: Tarraco, Saguntum (Sagunto), Ilerda (Lleida)


2. Hispânia Ulterior (parte sul e oeste)


Capital: Corduba (atual Córdoba, Espanha)


Principais cidades: Corduba, Gades (Cádiz), Hispalis (Sevilha), Italica (Santiponce, perto de Sevilha)


Período Imperial (d.C.)


Com a reorganização feita pelo imperador Augusto no final do século I a.C., a Península foi dividida em três províncias:


1. Hispânia Tarraconense (norte e centro)


Capital: Tarraco


Principais cidades: Caesaraugusta (Zaragoza), Clunia (Burgos), Emerita Augusta (Mérida), Asturica Augusta (Astorga)


2. Hispânia Bética (sul)


Capital: Corduba


Principais cidades: Hispalis, Gades, Italica, Malaca (Málaga), Astigi (Écija)


3. Lusitânia (oeste, atual Portugal e parte da Espanha)


Capital: Emerita Augusta (atual Mérida, Espanha)


Principais cidades: Olissipo (Lisboa), Bracara Augusta (Braga), Norba Caesarina (Cáceres), Conimbriga (perto de Coimbra)


Mais tarde, no século III d.C., sob a reforma de Diocleciano, a Península ganhou uma quarta província: 4. Hispânia Cartaginense (separada da Tarraconense)


Capital: Carthago Nova (Cartagena)


Principais cidades: Toletum (Toledo), Segobriga, Complutum (Alcalá de Henares)


Principais cidades fundadas e sua importância


Os romanos fundaram e desenvolveram várias cidades que se tornaram centros administrativos, comerciais e culturais. Algumas delas cresceram e se tornaram cidades modernas importantes, como:


Emerita Augusta (Mérida) → Centro administrativo da Lusitânia, ainda preserva um dos mais impressionantes conjuntos arqueológicos romanos da Espanha.


Bracara Augusta (Braga) → Importante centro urbano na Lusitânia e futuro centro cristão.


Caesaraugusta (Zaragoza) → Homenagem a Augusto e um dos maiores centros comerciais da Tarraconense.


Olissipo (Lisboa) → Porto comercial estratégico na costa atlântica.


Carthago Nova (Cartagena) → Grande porto do Mediterrâneo e centro naval.


Contribuições da Romanização para a Identidade Ibérica


4. A Província Romana da Galécia foi criada oficialmente em cerca de 285 d.C., durante as reformas administrativas do imperador Diocleciano. Antes disso, fazia parte da Província Tarraconense, uma das províncias romanas na Península Ibérica.


Término da Galécia


A província terminou oficialmente em 585 d.C., quando foi conquistada pelos visigodos sob o rei Leovigildo, tornando-se parte do Reino Visigótico.


Capital da Galécia


A capital da província era Bracara Augusta (atual Braga, em Portugal).


Principais cidades da Galécia na Península Ibérica


Além de Bracara Augusta, algumas das cidades importantes incluíam:


Lucus Augusti (atual Lugo, na Galiza, Espanha)


Asturica Augusta (atual Astorga, na Espanha)


Aquae Flaviae (atual Chaves, em Portugal)


Iria Flavia (atual Padrón, na Galiza)


Tude (atual Tui, na Galiza)


Conimbriga (próxima da atual Coimbra, Portugal)


Região de Abrangência


A Galécia abrangia a região noroeste da Península Ibérica, incluindo:


Galiza (Espanha)


Norte de Portugal (até aproximadamente o rio Douro)


Parte do Reino de Leão (Astúrias e parte de Castela e Leão)


Era habitada principalmente por galaicos, astures e lusitanos, povos celtas que foram romanizados ao longo do tempo.


A influência romana foi profunda e ajudou a moldar a identidade da Península Ibérica em vários aspectos:


1. Língua: O latim tornou-se predominante e deu origem às línguas ibero-românicas (espanhol, português, catalão, galego).


2. Infraestrutura: Construção de estradas, pontes, aquedutos e cidades bem organizadas, muitas das quais ainda formam a base de cidades modernas.


3. Direito Romano: Serviu de base para os sistemas jurídicos de Portugal e Espanha.


4. Cultura e Religião: A Península adotou o modelo urbano romano, a arquitetura monumental e, mais tarde, o cristianismo como religião oficial.


5. Economia: A exploração de minérios, a agricultura e o comércio com outras partes do Império Romano fortaleceram a economia local.


A romanização criou um legado duradouro, consolidando uma identidade comum na Península Ibérica, que permaneceu mesmo após a queda do Império Romano e influenciou as futuras nações de Portugal e Espanha.


As províncias romanas na Península Ibérica passaram por diversas reorganizações desde a sua conquista até a queda do Império Romano. Aqui estão os períodos aproximados de sua existência:


Período Republicano (a.C.)


1. Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior (criação: 197 a.C.)


Criadas após a conquista romana durante a Segunda Guerra Púnica (218–201 a.C.).


Permaneceram com essa divisão até o início do Império.


Período Imperial (d.C.)


2. Hispânia Tarraconense, Bética e Lusitânia (reorganização por Augusto: 27 a.C.)


Divisão feita durante o governo do imperador Augusto.


Duraram até a reforma administrativa de Diocleciano no final do século III d.C.


3. Nova reorganização por Diocleciano (por volta de 293 d.C.)


Criou a Hispânia Cartaginense, separando-a da Tarraconense.


Essas províncias permaneceram até o colapso do domínio romano na Península Ibérica.


Fim do domínio romano nas províncias ibéricas


Maior parte da Península caiu sob domínio dos Visigodos entre 409 e 476 d.C.


4. A Província Romana da Galécia foi criada oficialmente em cerca de 285 d.C.,  terminou em 585 d.C., quando foi conquistada pelos visigodos sob o rei Leovigildo.


Capital da Galécia


A capital da província era Bracara Augusta (atual Braga, em Portugal).


A última província sob domínio romano foi a Tarraconense, tomada pelos Visigodos em aproximadamente 476 d.C., marcando o fim do Império Romano do Ocidente.


Portanto, o período das províncias romanas na Península Ibérica se estendeu de 197 a.C. a 476 d.C., com mudanças administrativas ao longo dos séculos.



6. Considerações Finais



A análise do processo de romanização da Península Ibérica permite compreender a complexa dinâmica de interação entre conquistadores e povos locais, revelando um cenário de resistência, adaptação e assimilação cultural. A estrutura administrativa implementada por Roma, a construção de centros urbanos e a difusão do latim e das instituições jurídicas romanas moldaram profundamente a realidade ibérica, deixando marcas que ultrapassaram o período imperial. O legado romano é perceptível ainda hoje nas línguas neolatinas faladas na região, nas bases do direito vigente, nos traçados urbanos e em elementos simbólicos da cultura. Ao promover a integração da Península Ibérica ao mundo romano, esse processo estabeleceu as bases históricas e identitárias que contribuíram para a formação das nações de Portugal e Espanha. Compreender a romanização é, portanto, fundamental para compreender o passado e o presente do mundo ibérico.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 



Livros



ALFÖLDY, Géza. Historia social de Roma. Madrid: Cátedra, 1992.


FLEMING, Maria Isabel D’Agostino. "A questão celta do noroeste da Península Ibérica: entre história e arqueologia." Brathair - Revista de Estudos Celtas e Germânicos, v. 19, n. 1, 2019. Disponível em: https://ppg.revistas.uema.br/index.php/brathair/article/view/2075. Acesso em: [ 30 de mar. 2025 ].


LE ROUX, Patrick. Roma e o nascimento da Espanha: cultura, política e sociedade. Lisboa: Edições 70, 2007.


MARTINS, Manuela. A romanização do noroeste da Península Ibérica: cidade e território. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1990.


ROLDÁN HERVÁS, José Manuel. Historia de España: Hispania Romana. Madrid: Cátedra, 1998.


SCHULTEN, Adolf. Los cántabros y astures y su guerra con Roma. Madrid: Biblioteca Nueva, 2000.


SILVA, Bruno dos Santos. Estrabão e as Províncias da Gália e da Ibéria: um estudo sobre A Geografia e o Império Romano. 2013. Dissertação (Mestrado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-29072013-100434/. Acesso em: [ 30 de mar. 2025 ].


Artigos e capítulos de livro


GARCÍA Y BELLIDO, Antonio. "La romanización de Hispania". Archivo Español de Arqueología, v. 31, n. 1, p. 1-36, 1958.


MORILLO, Ángel. "El proceso de romanización de Hispania". In: FUNARI, Pedro Paulo; PELOSO, Jeanne Marie. Roma e o Ocidente: cultura e poder. São Paulo: Annablume, 2004. p. 101-128.


MARTÍN, José Luis. "Hispania Romana: La estructuración del espacio peninsular". Studia Historica. Historia Antigua, v. 8, p. 13-42, 1990.



Referências online e institucionais



UNIVERSIDADE DE SALAMANCA. Romanización de Hispania. Disponível em: https://www.usal.es/. Acesso em: 30 mar. 2025.


REAL ACADEMIA DE LA HISTORIA. Hispania romana. Disponível em: https://www.rah.es/. Acesso em: 30 mar. 2025.



Autor: Nhenety KX



Utilizando a ferramenta Gemini ( Google ), inteligência artificial para análise da temática e Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 30 de março de 2025 e a capa do artigo em 28 de abril de 2025.







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