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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

INFLUÊNCIA ROMANA NO NORTE DE PORTUGAL: Cordel de Nhenety Kariri-Xocó






Chegada de Roma


Roma veio com sua força

Pelas guerras púnicas,

Dominando a Península

Com estratégias políticas.

E no século dois a.C.

Firmou bases sólidas, críticas.


O norte resistiu primeiro,

Lusitanos e guerreiros,

Tribo brava de Viriato,

Líder forte e altaneiro.

Roma venceu com astúcia,

Mas sofreu por inteiro.


Revoltas contra Roma


Não foi fácil o domínio,

Nem sem luta o conquistar,

Pois nas serras e valados

Havia povo a lutar.

As revoltas lusitanas

Souberam sangue deixar.


No norte, bravos guerreiros

Das tribos se levantaram,

Nas florestas e montanhas

Contra Roma se armaram.

Mas as legiões persistentes

Tudo enfim conquistaram.


Roma então impôs a ordem,

Com cidades e poder,

Fez de Braga um grande centro

Com estradas a crescer.

Mas na memória do povo

As revoltas vão viver.


A Gallaecia Romana


A Gallaecia se formava

Com vigor e estrutura,

Bracara Augusta era a joia

Do império e sua cultura.

Ali comércio e governo

Tinham base e largura.


Via Décima Sétima,

Caminho de ligação,

Levava soldados e povo

Pelas rotas da região.

Era o traço de Roma

Na geográfica união.


Cultura e Língua


Do latim vulgar nascia

O falar que ia ficar,

Herança que se transforma

E começa a se firmar.

Português tem na sua alma

O legado singular.


Com aquedutos, com termas,

Com teatros e muralhas,

Roma ergueu sua grandeza,

Conquistando sem falhas.

E as práticas agrícolas

Fortaleciam as batalhas.


Cristianismo em Braga


No correr do tempo antigo,

A fé nova ia surgir,

Do Império vindo ao norte,

O cristão a resistir.

E Braga foi grande sede

Da mensagem a florir.


Bispos logo se assentaram

Na cidade de poder,

E as igrejas começaram

Pela fé a florescer.

Roma dava sua face,

Mas Cristo vinha a vencer.


Assim o mundo romano

Misturou-se à nova crença,

Braga tornou-se bastião

De cristandade e presença.

O que Roma construiu

Teve fé como herança.


A Invasão Muçulmana


No ano setecentos e onze

Chegou a invasão,

Os mouros tomaram o sul

Com vigor e expansão.

Mas no norte a resistência

Se firmava em coração.


Montanhas, serras e vales

Protegiam o cristão,

E nas terras do Portucale

Roma ainda tinha mão.

Braga e Guimarães se erguiam

Com fé, espada e oração.


O Reino das Astúrias


Nas Astúrias se formou

Um reduto poderoso,

Cristãos do norte reunidos

Num bastião corajoso.

Herdeiros do mundo romano,

Mantinham o seu gozo.


Ali Roma era presente

Na política e cultura,

Na fé, na língua latina

E na força da estrutura.

Os reis das Astúrias tinham

Roma como base segura.


Reino de Leão


Do Reino das Astúrias

O de Leão brotou,

Com fronteiras ampliadas

E poder que se firmou.

E o norte português

Com ele se conectou.


Roma viva no direito,

Nas cidades, na linguagem,

No modelo administrativo,

Na força e na linhagem.

O Reino de Leão seguia

Com Roma em sua bagagem.


Condado Portucalense


Do Reino leonês nasceu

O condado portucalense,

Com raízes tão fundadas

No legado que convence.

Roma estava no sangue

Da nação que ali se pense.


Guimarães, berço da pátria,

Era filho desse chão,

Que herdou da Roma antiga

A fé, língua e tradição.

Assim se forjou a base

Da futura formação.


Conclusão


Roma foi mãe do norte,

Da cultura e da fé,

Dos caminhos, das cidades,

Da palavra que se lê.

E Portugal deve muito

À herança que lhe é.


Enquanto o sul se moldava

Ao Islã tão persistente,

O norte guardava Roma

Na alma de sua gente.

E daí nasceu um povo

Com destino reluzente.


Referências


Alarcão, Jorge de. Romanização do Noroeste da Península Ibérica. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009.


Fernandes, Hermenegildo. História de Portugal: das origens à atualidade. Lisboa: Esfera dos Livros, 2010.


Mattoso, José. A Identidade Nacional: Formação e Transmissão. Lisboa: Círculo de Leitores, 1998.


Teixeira, Carlos Alberto. Braga Romana: História e Arqueologia. Braga: Edições Colibri, 2003.


Vasconcelos, Carolina Michaelis de. Estudos sobre o Dialeto Português de Bragança. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1900.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




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