Chegada de Roma
Roma veio com sua força
Pelas guerras púnicas,
Dominando a Península
Com estratégias políticas.
E no século dois a.C.
Firmou bases sólidas, críticas.
O norte resistiu primeiro,
Lusitanos e guerreiros,
Tribo brava de Viriato,
Líder forte e altaneiro.
Roma venceu com astúcia,
Mas sofreu por inteiro.
Revoltas contra Roma
Não foi fácil o domínio,
Nem sem luta o conquistar,
Pois nas serras e valados
Havia povo a lutar.
As revoltas lusitanas
Souberam sangue deixar.
No norte, bravos guerreiros
Das tribos se levantaram,
Nas florestas e montanhas
Contra Roma se armaram.
Mas as legiões persistentes
Tudo enfim conquistaram.
Roma então impôs a ordem,
Com cidades e poder,
Fez de Braga um grande centro
Com estradas a crescer.
Mas na memória do povo
As revoltas vão viver.
A Gallaecia Romana
A Gallaecia se formava
Com vigor e estrutura,
Bracara Augusta era a joia
Do império e sua cultura.
Ali comércio e governo
Tinham base e largura.
Via Décima Sétima,
Caminho de ligação,
Levava soldados e povo
Pelas rotas da região.
Era o traço de Roma
Na geográfica união.
Cultura e Língua
Do latim vulgar nascia
O falar que ia ficar,
Herança que se transforma
E começa a se firmar.
Português tem na sua alma
O legado singular.
Com aquedutos, com termas,
Com teatros e muralhas,
Roma ergueu sua grandeza,
Conquistando sem falhas.
E as práticas agrícolas
Fortaleciam as batalhas.
Cristianismo em Braga
No correr do tempo antigo,
A fé nova ia surgir,
Do Império vindo ao norte,
O cristão a resistir.
E Braga foi grande sede
Da mensagem a florir.
Bispos logo se assentaram
Na cidade de poder,
E as igrejas começaram
Pela fé a florescer.
Roma dava sua face,
Mas Cristo vinha a vencer.
Assim o mundo romano
Misturou-se à nova crença,
Braga tornou-se bastião
De cristandade e presença.
O que Roma construiu
Teve fé como herança.
A Invasão Muçulmana
No ano setecentos e onze
Chegou a invasão,
Os mouros tomaram o sul
Com vigor e expansão.
Mas no norte a resistência
Se firmava em coração.
Montanhas, serras e vales
Protegiam o cristão,
E nas terras do Portucale
Roma ainda tinha mão.
Braga e Guimarães se erguiam
Com fé, espada e oração.
O Reino das Astúrias
Nas Astúrias se formou
Um reduto poderoso,
Cristãos do norte reunidos
Num bastião corajoso.
Herdeiros do mundo romano,
Mantinham o seu gozo.
Ali Roma era presente
Na política e cultura,
Na fé, na língua latina
E na força da estrutura.
Os reis das Astúrias tinham
Roma como base segura.
Reino de Leão
Do Reino das Astúrias
O de Leão brotou,
Com fronteiras ampliadas
E poder que se firmou.
E o norte português
Com ele se conectou.
Roma viva no direito,
Nas cidades, na linguagem,
No modelo administrativo,
Na força e na linhagem.
O Reino de Leão seguia
Com Roma em sua bagagem.
Condado Portucalense
Do Reino leonês nasceu
O condado portucalense,
Com raízes tão fundadas
No legado que convence.
Roma estava no sangue
Da nação que ali se pense.
Guimarães, berço da pátria,
Era filho desse chão,
Que herdou da Roma antiga
A fé, língua e tradição.
Assim se forjou a base
Da futura formação.
Conclusão
Roma foi mãe do norte,
Da cultura e da fé,
Dos caminhos, das cidades,
Da palavra que se lê.
E Portugal deve muito
À herança que lhe é.
Enquanto o sul se moldava
Ao Islã tão persistente,
O norte guardava Roma
Na alma de sua gente.
E daí nasceu um povo
Com destino reluzente.
Referências
Alarcão, Jorge de. Romanização do Noroeste da Península Ibérica. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009.
Fernandes, Hermenegildo. História de Portugal: das origens à atualidade. Lisboa: Esfera dos Livros, 2010.
Mattoso, José. A Identidade Nacional: Formação e Transmissão. Lisboa: Círculo de Leitores, 1998.
Teixeira, Carlos Alberto. Braga Romana: História e Arqueologia. Braga: Edições Colibri, 2003.
Vasconcelos, Carolina Michaelis de. Estudos sobre o Dialeto Português de Bragança. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1900.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó

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