FALSA FOLHA DE ROSTO
REINOS, QUEDAS E PERMANÊNCIA DE JUDÁ VIII, COLETÂNEA DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ VOLUME 8
FOLHA DE ROSTO
REINOS, QUEDAS E PERMANÊNCIA DE JUDÁ VIII, COLETÂNEA DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ VOLUME 8
Porto Real do Colégio – AL
2026
VERSO DA FOLHA DE ROSTO
© Nhenety Kariri-Xocó, 2026
Obra pertencente à Biblioteca Digital Nhenety Kariri-Xocó.
Disponível em: https://kxnhenety.blogspot.com�
FICHA CATALOGRÁFICA (COM CÓDIGO CUTTER)
(Modelo técnico — pronto para uso editorial; pode ser validado por bibliotecário CRB se desejar registro oficial)
Kariri-Xocó, Nhenety
K18c
Reinos, Quedas e Permanência de Judá VIII, Coletânea do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó. Volume 8 / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio – AL, 2026.
1 recurso digital (aprox. ___ p.)
Inclui referências bibliográficas.
ISBN: (a atribuir)
História Antiga.
Povos Hebreus.
Reino de Israel.
Reino de Judá.
História Bíblica.
Civilizações Antigas.
Identidade Cultural.
CDD 933
EXPLICAÇÃO TÉCNICA
K18c → Código Cutter:
K = Kariri-Xocó
18 = tabela Cutter para diferenciação
c = Coletânea
CDD 933 → História do mundo antigo (hebreus)
VERSÃO FINAL (PARA INSERIR NO LIVRO)
Você pode copiar exatamente assim para o verso da folha de rosto:
Ficha Catalográfica
Kariri-Xocó, Nhenety
K18c
Reinos, Quedas e Permanência de Judá VIII, Coletânea do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó. Volume 8 / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio – AL, 2026.
1 recurso digital (aprox. ___ p.)
Inclui referências bibliográficas.
ISBN: (a atribuir)
História Antiga.
Povos Hebreus.
Reino de Israel.
Reino de Judá.
História Bíblica.
Civilizações Antigas.
Identidade Cultural.
CDD 933
DEDICATÓRIA
Dedico esta obra aos meus ancestrais,
ao povo Kariri-Xocó,
e a todos aqueles que preservam a memória,
a história e a identidade dos povos através do tempo.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus pela sabedoria e inspiração,
aos meus antepassados pela herança cultural,
e a todos os estudiosos, historiadores e fontes que contribuíram para a construção deste conhecimento.
Aos leitores, que mantêm viva a busca pela verdade histórica e espiritual.
EPÍGRAFE
Sugestão alinhada ao espírito da obra (história, resistência e permanência):
“Há tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras;
tempo de derrubar e tempo de edificar.”
(Eclesiastes 3:5)
Ou, se desejar algo autoral (muito forte para sua identidade):
“Os povos podem cair sob impérios,
mas sua memória permanece erguida no tempo.”
— Nhenety Kariri-Xocó
APRESENTAÇÃO
A presente obra integra o Volume 8 da Coletânea do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, reunindo estudos voltados à compreensão histórica dos reinos de Israel e Judá e suas transformações ao longo do tempo.
Com base em fontes bíblicas, historiográficas e arqueológicas, este volume propõe uma leitura cronológica e interpretativa dos processos de dominação, resistência e permanência cultural que moldaram o povo hebreu e suas influências no mundo contemporâneo.
Trata-se de uma contribuição à preservação da memória histórica e ao fortalecimento da identidade cultural por meio da escrita.
SUMÁRIO
Introdução Geral
Ficha catalográfica
Dedicatória (opcional)
Agradecimentos
Epígrafe
Apresentação
Capítulo 1 – Domínio sobre Israel e a Queda de Judá
Capítulo 2 – O Reino de Judá Mais Duradouro
Capítulo 3 – Mundo Pós-Bíblico D.C.
Conclusão Geral
Referências Bibliográficas
INTRODUÇÃO GERAL
A presente obra, correspondente ao Volume 8 da Coletânea do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, reúne estudos de natureza histórica, bíblica e cultural acerca da trajetória dos povos hebreus desde a formação dos reinos de Israel e Judá até suas transformações no mundo pós-bíblico.
A abordagem adotada é descritiva e cronológica, fundamentada em fontes bíblicas, historiografia clássica e pesquisas contemporâneas, permitindo uma análise interdisciplinar que integra história, religião e cultura.
Este volume busca evidenciar os processos de dominação, resistência e permanência identitária que marcaram a história do povo hebreu, bem como suas conexões com a formação das civilizações modernas.
CAPÍTULO 1
DOMÍNIO SOBRE ISRAEL E A QUEDA DE JUDÁ
Introdução
A trajetória histórica dos reinos de Israel e Judá está profundamente marcada por sucessivos períodos de dominação estrangeira, que deixaram impactos duradouros na identidade religiosa, cultural e política do povo hebreu. O presente trabalho tem como objetivo analisar os principais eventos que envolveram a conquista do Reino do Norte (Israel) pelos assírios em 722 a.C., a posterior queda de Jerusalém em 586 a.C. pelos babilônios, e os ciclos de dominação que se seguiram até a destruição do Segundo Templo em 70 d.C., sob o Império Romano. A abordagem adota um olhar cronológico e descritivo, apoiando-se em fontes bíblicas e historiográficas, bem como em pesquisas arqueológicas contemporâneas, com o intuito de compreender os mecanismos de dominação, as políticas de reassentamento populacional e os movimentos de resistência hebraica ao longo dos séculos. Além disso, busca-se refletir sobre a importância desses eventos para a formação da identidade judaica e para a compreensão do contexto histórico do Oriente Médio Antigo.
Domínio Sobre o Reino de Israel ( 722 a.C. ).
O domínio assírio sobre o Reino de Israel ocorreu em 722 a.C., quando os assírios, sob o rei Sargão II, conquistaram a capital Samaria. Esse evento marcou o fim do Reino do Norte (Israel) e a dispersão das Dez Tribos Perdidas.
Após a conquista, os assírios implementaram sua política de deportação em massa para evitar revoltas. As dez tribos do Reino de Israel foram levadas para várias regiões do império assírio, especialmente para:
Halah
Habor, junto ao rio Gozã
Cidades da Média (atual Irã)
As tribos foram assimiladas pelas populações locais e perderam sua identidade como grupo coeso. Diferente do Reino de Judá, que foi exilado na Babilônia e retornou 70 anos depois, os israelitas do Norte não tiveram uma restauração oficial. Fatores que impediram o retorno:
1. Mistura cultural e religiosa – Ao longo dos séculos, os descendentes dessas tribos adotaram costumes dos povos assírios e babilônicos.
2. Falta de uma liderança unificada – Não havia uma figura como Esdras ou Neemias para organizá-los.
3. Política assíria de reassentamento – Os assírios também trouxeram povos estrangeiros para a região de Samaria, criando os samaritanos, que eram uma mistura de israelitas remanescentes e estrangeiros.
Até hoje, há diversas teorias e lendas sobre o paradeiro das Dez Tribos Perdidas, com algumas tradições associando-as a grupos judaicos na Ásia Central, na África e até mesmo na Índia e China.
A terra de Israel (ou Reino de Judá) foi dominada por vários impérios entre 586 a.C. e 70 d.C. Veja a sequência:
1. Império Babilônico (586–539 a.C.) – Em 586 a.C., o rei Nabucodonosor II destruiu Jerusalém e o Templo de Salomão, exilando grande parte da população para a Babilônia.
2. Império Persa (539–332 a.C.) – Ciro, o Grande, conquistou a Babilônia em 539 a.C. e permitiu que os judeus retornassem a Jerusalém e reconstruíssem o Templo (o Segundo Templo foi concluído em 516 a.C.).
3. Império Macedônico (332–301 a.C.) – Alexandre, o Grande, conquistou a região em 332 a.C., trazendo a cultura helenística.
4. Império Selêucida (301–164 a.C.) – Após a morte de Alexandre, seu império foi dividido, e os selêucidas dominaram a Judeia. Esse período teve forte influência helenística e levou à Revolta dos Macabeus.
5. Dinastia Hasmoniana (164–63 a.C.) – Os judeus, liderados pelos Macabeus, conquistaram a independência dos selêucidas e estabeleceram um reino judaico autônomo.
6. Império Romano (63 a.C.–70 d.C.) – O general Pompeu conquistou a Judeia em 63 a.C., transformando-a em um protetorado romano. Depois, Herodes, o Grande, governou como rei cliente de Roma (37–4 a.C.), e seus descendentes continuaram como governantes sob supervisão romana. Em 70 d.C., após a Grande Revolta Judaica, os romanos destruíram Jerusalém e o Segundo Templo.
Ou seja, a terra de Israel passou por domínios sucessivos de Assírios, Babilônios, Persas, Macedônicos, Selêucidas e Romanos, com um breve período de independência sob os Hasmoneus.
O domínio romano sobre a terra de Israel (Judeia) começou em 63 a.C. e continuou oficialmente até o século IV d.C., quando o Império Romano foi cristianizado e a região passou a fazer parte do Império Romano do Oriente (Bizantino).
Os eventos mais marcantes do domínio romano incluem:
70 d.C. – Destruição de Jerusalém e do Segundo Templo.
132-135 d.C. – Revolta de Bar Kokhba, após a qual o imperador Adriano transformou a Judeia na província romana da Síria Palestina, expulsando muitos judeus e proibindo sua presença em Jerusalém.
395 d.C. – Com a divisão do Império Romano, a região passou ao domínio do Império Bizantino, que durou até a conquista islâmica em 636 d.C..
Portanto, Roma dominou a terra de Israel diretamente até 395 d.C., quando a administração passou ao Império Bizantino, que era a continuação oriental de Roma.
Considerações Finais
A análise histórica do domínio sobre os reinos de Israel e Judá evidencia a complexa teia de relações políticas, militares e culturais que moldaram a trajetória do povo hebreu na Antiguidade. A conquista de Samaria pelos assírios e a política de deportação que resultou na dispersão das Dez Tribos Perdidas marcam um ponto de ruptura irreversível na história de Israel. Por sua vez, a queda de Judá e os subsequentes ciclos de dominação por babilônios, persas, gregos, selêucidas e romanos reforçam a persistência de uma identidade religiosa e cultural mesmo diante da opressão. A breve autonomia sob a dinastia hasmoniana e a resistência frente à dominação romana demonstram a resiliência do povo judaico em preservar suas tradições. Ao reunir dados de fontes diversas, este estudo reforça a importância da análise interdisciplinar para a compreensão da história antiga e dos processos de resistência e assimilação vividos por comunidades subjugadas.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 2
O REINO DE JUDÁ MAIS DURADOURO
Introdução
A história dos antigos reinos de Israel e Judá constitui um dos capítulos mais significativos da tradição bíblica e da formação da identidade do povo hebreu. Após um período de monarquia unificada sob Saul, Davi e Salomão, o reino foi dividido em duas entidades políticas: o Reino de Israel, ao norte, e o Reino de Judá, ao sul. Este último demonstrou maior estabilidade dinástica e durabilidade, mantendo a linhagem da Casa de Davi e a centralidade do culto no Templo de Jerusalém. O presente trabalho tem como objetivo apresentar, em ordem cronológica, os reis do Reino de Judá, desde Roboão até Zedequias, evidenciando os aspectos políticos, religiosos e sociais que marcaram esse período. Além disso, será explorada a distribuição das tribos após a divisão, com destaque para a função dos levitas e a continuidade da prática religiosa segundo a Lei de Moisés. A pesquisa fundamenta-se em textos bíblicos e em obras de estudiosos modernos, visando oferecer uma compreensão abrangente da trajetória do Reino de Judá até sua destruição pelos babilônios.
Os Reis de Judá até o Cativeiro
Os reis de Judá antes de Cristo, incluindo Davi e Salomão, governaram desde o período da monarquia unificada de Israel até a queda de Judá diante da Babilônia. Aqui está a sequência:
Reino Unificado de Israel (antes da divisão)
1. Saul (c. 1047–1010 a.C.) – Primeiro rei de Israel, da tribo de Benjamim.
2. Davi (c. 1010–970 a.C.) – Estabeleceu Jerusalém como capital e consolidou o reino.
3. Salomão (c. 970–931 a.C.) – Construiu o Templo de Jerusalém e governou com grande esplendor, mas impôs tributos pesados, o que levou ao descontentamento popular.
Cisma das Tribos (Divisão do Reino, c. 931 a.C.)
Após a morte de Salomão, seu filho Roboão assumiu o trono. No entanto, devido ao seu governo opressor, as dez tribos do norte se revoltaram e formaram o Reino de Israel sob Jeroboão I. Apenas as tribos de Judá e Benjamim permaneceram fiéis à Casa de Davi, formando o Reino de Judá, com capital em Jerusalém.
Reis do Reino de Judá (931–586 a.C.)
4. Roboão (931–913 a.C.) – Seu governo causou a divisão do reino.
5. Abias (913–911 a.C.) – Continuou em conflito com Israel.
6. Asa (911–870 a.C.) – Reformador religioso, combateu a idolatria.
7. Josafá (870–848 a.C.) – Fez alianças com Israel e fortaleceu Judá.
8. Jorão (848–841 a.C.) – Casou-se com a filha de Acabe (Israel) e promoveu idolatria.
9. Acazias (841 a.C.) – Governou apenas um ano; influenciado por sua mãe, Atalia.
10. Atalia (841–835 a.C.) – Única rainha de Judá, usurpou o trono e tentou eliminar a linhagem davídica.
11. Joás (835–796 a.C.) – Sobreviveu à perseguição de Atalia e restaurou o culto a Deus.
12. Amazias (796–767 a.C.) – Guerreou contra Edom, mas foi derrotado por Israel.
13. Uzias (Azarias) (767–740 a.C.) – Reinou por muitos anos e fortaleceu Judá, mas foi atingido por lepra.
14. Jotão (740–732 a.C.) – Continuou as reformas de Uzias.
15. Acaz (732–716 a.C.) – Fez alianças com a Assíria e promoveu idolatria.
16. Ezequias (716–687 a.C.) – Fez reformas religiosas e resistiu aos assírios.
17. Manassés (687–643 a.C.) – Um dos piores reis, promoveu idolatria, mas se arrependeu no final.
18. Amom (643–641 a.C.) – Reinou pouco e foi assassinado.
19. Josias (641–609 a.C.) – Promoveu grandes reformas religiosas e redescobriu a Lei de Moisés.
20. Jeoacaz (609 a.C.) – Governou por apenas três meses, deposto pelo Egito.
21. Jeoaquim (609–598 a.C.) – Vassalo da Babilônia, mas depois se rebelou.
22. Joaquim (598–597 a.C.) – Governou por três meses e foi levado cativo para Babilônia.
23. Zedequias (597–586 a.C.) – Último rei de Judá; se rebelou contra Babilônia, resultando na destruição de Jerusalém e do Templo (586 a.C.).
Fim do Reino de Judá (586 a.C.)
O rei Nabucodonosor II, da Babilônia, conquistou Jerusalém, destruiu o Templo e exilou os judeus na Babilônia, encerrando a monarquia de Judá.
No Reino de Judá os levitas tinham uma presença especial devido ao Templo em Jerusalém. Vamos esclarecer como as tribos se distribuíram após a divisão do reino:
1. O Reino de Judá e Suas Tribos
O Reino de Judá era formado principalmente por:
Tribo de Judá – A maior e mais influente, forneceu a linhagem real da Casa de Davi.
Tribo de Benjamim – Pequena, mas permaneceu leal a Judá. Jerusalém ficava na fronteira entre Judá e Benjamim.
Levitas – Não tinham território próprio, mas muitos sacerdotes e levitas permaneceram em Judá para servir no Templo de Jerusalém.
2. O Reino de Israel e Suas Tribos
O Reino do Norte, Israel, incluía as outras dez tribos:
Efraim e Manassés – Filhos de José, formavam o coração do reino. Efraim tinha grande influência política.
Dã, Aser, Zebulom, Naftali, Issacar, Rúben, Simeão e Gade – Distribuídas pelo território do norte e leste.
3. O Destino dos Levitas
Os levitas estavam espalhados por todas as tribos, pois foram designados para o serviço religioso. No entanto, após a cisma:
Muitos levitas e sacerdotes que seguiam a Lei de Moisés deixaram Israel e se mudaram para Judá, pois Jeroboão I, rei de Israel, instituiu cultos em Betel e Dã para afastar o povo do Templo de Jerusalém (2 Crônicas 11:13-17).
Outros levitas permaneceram no Reino de Israel, mas perderam influência religiosa.
Conclusão
O Reino de Judá era composto oficialmente por Judá, Benjamim e parte dos levitas. A tribo de Efraim ficou no Reino de Israel e teve grande liderança política. O Templo de Jerusalém manteve a centralidade religiosa para os levitas fiéis a Deus, mas a maioria das tribos do norte se afastou do culto oficial.
Considerações Finais
O Reino de Judá, ao manter a linhagem davídica e a adoração centralizada no Templo de Jerusalém, destacou-se como um bastião da tradição israelita em meio aos desafios políticos e religiosos da Antiguidade. Sua maior longevidade em relação ao Reino de Israel deve-se não apenas à estabilidade dinástica, mas também ao papel unificador da religião e à presença ativa dos levitas. Ainda que tenha enfrentado períodos de idolatria e crises internas, o reino demonstrou momentos de reforma e retorno à Lei de Moisés, especialmente sob reis como Asa, Ezequias e Josias. A destruição de Jerusalém e do Templo em 586 a.C. marcou o fim da monarquia, mas não o fim da identidade religiosa e cultural do povo judeu, que encontrou, no exílio, novas formas de preservar sua fé. Este estudo reforça a importância do Reino de Judá como núcleo de resistência e continuidade espiritual, cujos legados perduram nas tradições judaicas até os dias atuais.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 3
MUNDO PÓS-BÍBLICO D.C.
Introdução
Após o advento do Cristianismo e a queda de muitos impérios antigos, os povos bíblicos mencionados em Gênesis 10 continuaram sua jornada histórica por meio de reinos, impérios e nações modernas. O legado dos descendentes de Sem, Cam e Jafé se transformou ao longo da história por meio da religião, da colonização, das migrações e dos conflitos globais. Abaixo segue um panorama descritivo e cronológico dessa evolução.
1. Povos Jaféticos – Europa, Ásia Central e Expansão Mundial
Os povos de Jafé deram origem às principais nações europeias e euroasiáticas. Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C., diversos reinos bárbaros se consolidaram na Europa, como os visigodos, ostrogodos, francos, anglo-saxões e lombardos, que formaram a base para países como França, Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha.
Durante a Idade Média (séculos V a XV), os jaféticos estiveram no centro da formação dos reinos cristãos e da expansão feudal. A partir do século XV, com o Renascimento e as Grandes Navegações, iniciaram a colonização da América, África, Ásia e Oceania. Impérios como o Espanhol, o Britânico, o Português, o Francês e o Russo dominaram vastas regiões do mundo, espalhando línguas indo-europeias e consolidando sua influência global.
No século XIX, com a Revolução Industrial, esses povos dominaram o cenário político, econômico e militar do mundo. No século XX, potências jaféticas como os Estados Unidos, Rússia (URSS) e países europeus lideraram as Guerras Mundiais, a Guerra Fria e o avanço tecnológico global.
Hoje, os descendentes de Jafé são maioria populacional na Europa, nas Américas, Oceania e partes da Ásia Central. Seus idiomas dominam a comunicação global, como o inglês, francês, alemão, espanhol, português e russo.
2. Povos Camitas – África, Levante e Diásporas Históricas
Os descendentes de Cam, sobretudo ligados à África e ao Levante, passaram por grandes transformações ao longo da história pós-bíblica. No norte da África, o Egito foi dominado por romanos, árabes muçulmanos (a partir do século VII) e otomanos, antes de sua independência moderna no século XX.
O Reino de Cuxe, ligado ao atual Sudão e Etiópia, resistiu à islamização e manteve o cristianismo copta por séculos. A Etiópia tornou-se um império independente sob a dinastia salomônica, perdurando até 1974. A Líbia e outras regiões camitas foram sucessivamente controladas por cartagineses, romanos, árabes e europeus.
Com a expansão islâmica a partir do século VII, muitos povos camitas adotaram o Islã. A África subsaariana viu o florescimento de grandes impérios como Mali, Gana, Songhai e o Império do Congo. No período moderno, a colonização europeia escravizou milhões de africanos camitas, levando-os para as Américas, criando vastas diásporas.
Hoje, os povos descendentes de Cam formam a maioria populacional do continente africano e estão presentes nas Américas como parte da população afrodescendente.
3. Povos Semitas – Oriente Médio, Mundo Árabe e Judaico
Os povos semitas, originados de Sem, mantiveram uma presença contínua no Oriente Médio. Após a destruição de Jerusalém em 70 d.C., os judeus se espalharam pelo mundo em diásporas, mantendo sua identidade religiosa e cultural. Essa dispersão culminou no movimento sionista e na fundação do Estado de Israel em 1948, que representa hoje uma das principais nações semitas modernas.
Os árabes, também semitas, expandiram-se com o surgimento do Islã no século VII, fundando o Califado Omíada (661–750) e o Califado Abássida (750–1258). O idioma árabe tornou-se dominante em regiões antes falantes de aramaico, hebraico e outras línguas semitas.
Os assírios, embora minoritários, preservaram sua identidade cristã e língua aramaica em comunidades do Iraque, Síria e Turquia, sendo perseguidos em diversos momentos da história.
Atualmente, os povos semitas formam o núcleo populacional de países como Israel, Síria, Líbano, Iraque, Arábia Saudita, Iêmen, Jordânia, Palestina e partes do Irã. São também importantes comunidades da diáspora judaica, árabe e assíria na Europa, América e Oceania.
CONCLUSÃO GERAL
A narrativa bíblica da divisão dos povos após o Dilúvio oferece uma estrutura genealógica que ecoa até os tempos atuais. Os jaféticos consolidaram-se como os povos predominantes da Europa e de suas colônias, os camitas mantêm sua presença originária na África e nas diásporas afrodescendentes, enquanto os semitas moldaram o destino religioso e político do Oriente Médio.
Ao longo dos séculos, esses povos passaram por transformações profundas, mas ainda carregam traços identitários e culturais que remontam aos seus ancestrais bíblicos. A conexão entre a Bíblia, a história e a geopolítica contemporânea oferece uma visão abrangente da continuidade e mudança na jornada da humanidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise histórica das nações descendentes de Sem, Cam e Jafé revela uma notável persistência de elementos culturais, religiosos e linguísticos que remontam à tradição bíblica. Embora submetidos a processos intensos de transformação, como migrações, guerras, colonizações e mudanças religiosas, esses povos preservaram traços distintivos que os conectam a suas origens ancestrais. A perspectiva genealógica de Gênesis 10, longe de ser apenas simbólica, oferece uma estrutura útil para compreender a diversidade das civilizações humanas em sua formação e trajetória. Compreender essa continuidade permite uma leitura mais profunda das dinâmicas geopolíticas atuais, bem como dos vínculos identitários que atravessam séculos de história. O presente estudo, portanto, contribui para reforçar o diálogo entre história, religião e cultura, valorizando a memória dos povos e seu papel na construção do mundo contemporâneo.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011.
BRIGHT, John. História de Israel. São Paulo: Paulus, 2003.
FINKELSTEIN, Israel; SILBERMAN, Neil Asher. A Bíblia Desenterrada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
KITCHEN, Kenneth A. On the Reliability of the Old Testament. Grand Rapids: Eerdmans, 2003.
LIVERANI, Mario. Israel’s History and the History of Israel. London: Equinox, 2005.
GOODMAN, Martin. Rome and Jerusalem. New York: Knopf, 2007.
SCHÜRER, Emil. The History of the Jewish People. Edinburgh: T&T Clark, 1973.
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. São Paulo: CPAD, 2004.
KELLER, Werner. E a Bíblia Tinha Razão. São Paulo: Melhoramentos, 1995.
FERGUSON, Niall. Civilização: Ocidente x Oriente. São Paulo: Planeta, 2012.
DAVIDSON, Basil. África: História de um Continente. Lisboa: Estampa, 1993.
LEWIS, Bernard. Os Árabes na História. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
REFERÊNCIAS DOS ARTIGOS DO ACERVO
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Domínio Sobre Israel e a Queda de Judá. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/dominio-sobre-israel-e-queda-de-juda.html?m=0 . Acesso em: 9 abr. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. O Reino de Judá Mais Duradouro. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/o-reino-de-juda-mais-duradouro.html?m=0 . Acesso em: 9 abr. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Mundo Pós-bíblico d.C. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/mundo-pos-biblico-dc.html?m=0 . Acesso em: 9 abr. 2026.

Autor: Nhenety Kariri-Xocó



















