terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

NAMYTSE UBÁCRUTÉ – O SERVIÇO DA CANOA DE PASSAGEIROS






O Opará corria largo e paciente, como quem guarda segredos antigos. Suas águas sabiam os nomes dos ventos, das margens e dos homens. Muito antes do ronco dos motores e do asfalto quente das estradas, era nele que vivia o Namytse, o serviço silencioso e constante que unia pessoas, mercadorias e destinos.


As Ubácruté, canoas de pano, deslizavam sobre o rio como se fossem extensão da própria água. Não havia pressa. Havia tempo. Tempo de observar o céu, de sentir o balanço manso da travessia, de ouvir histórias contadas em voz baixa enquanto a canoa cortava o espelho do Opará. Eram elas que ligavam as Naticróbeá, as cidades ribeirinhas, levando gente, arroz, farinha, sonhos e notícias.


No Baixo São Francisco, a travessia entre Porto Real do Colégio e Propriá era mais que caminho: era rotina de vida. Por séculos, a canoa foi o único meio possível, a ponte viva entre Alagoas e Sergipe. Crianças, trabalhadores, comerciantes, anciãos — todos confiavam seus passos às mãos firmes dos canoeiros, que conheciam o rio como quem conhece o próprio corpo.


Em Colégio, ainda repousa o Radamy Cródzu, o Porto de Baixo. Ali, o chão guarda marcas invisíveis de sacas descarregadas, de pés descalços, de despedidas e reencontros. Dali partiam mercadorias das fábricas de beneficiamento de arroz e dali também partiam pessoas, rumo à outra margem, rumo a outros destinos que o rio permitia alcançar.


Mas o tempo mudou o curso das coisas. Na década de 1970, a estrada chegou com sua promessa de rapidez. A BR-101 rasgou o país de Norte a Sul, e o que era água virou pó. A navegação das canoas foi silenciando, pouco a pouco. O Namytse perdeu passageiros, e as Ubácruté passaram a esperar mais do que navegar.


Ainda assim, o Opará não esqueceu. O rio continua correndo, guardando na memória das águas o som dos remos, o ranger da madeira, as vozes que cruzavam de uma margem à outra. Quem escuta com atenção ainda pode ouvir: a canoa não morreu — ela apenas repousa na lembrança viva do povo que aprendeu a atravessar o mundo sobre as águas.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó



WOROY SAICRÃ BOIGHYTÉÁ, HISTÓRIA DAS DOENÇAS DAQUI E DAS QUE VIERAM

 



 


Naquele fim de tarde em que o sol já se escondia atrás das árvores do Opará, a jovem Namuãny sentou-se perto da fogueira, observando o velho Bidzamu, o Pajé, preparar seus remédios de folhas, raízes e palavras antigas. O cheiro da lenha queimando misturava-se ao silêncio respeitoso da aldeia.


Com o coração inquieto, Namuãny rompeu o silêncio:


— Bidzamu, é verdade que todas as Saicrã, as doenças, foram trazidas pelos Caraí, os brancos?


O velho Pajé ergueu os olhos devagar, como quem busca respostas no tempo antigo. Passou a mão enrugada sobre o rosto e respondeu com voz firme, porém serena:


— Não, Namuãny. Nem todas. Algumas Saicrã já moravam nesta terra antes dos Caraí chegarem. Outras, sim, foram as que aqui vieram, as Boighytéá.


Ele então começou a contar o que aprendeu com seus ancestrais, palavras guardadas como sementes.


Disse que os parentes Tupi da Aindzubé, da beira do mar, já conheciam certas doenças desde tempos imemoriais.


Falavam da Pereba, a ferida que não fecha; da Akubaby, as febres e a malária que enfraquecem o corpo; da Seba, os vermes que roubam a força das crianças; do Vupir, a doença silenciosa do coração; e da Poxi, que mancha o corpo e o destino.


— Essas — explicou Bidzamu — já caminhavam conosco antes do primeiro Caraí pisar nesta terra.


Mas o Pajé também falou das doenças que chegaram com os passos estrangeiros, trazidas nas roupas, na respiração e no contato forçado. Os Kariri do Opará logo perceberam sua presença cruel:


a Aba-póra, a peste que varria aldeias;

a Uhu, a gripe que derrubava fortes guerreiros;


os Borôrus, as bexigas que marcavam a pele e a memória;


a Tatapora, que atacava as crianças;

as Dsebudana, febres sem nome;


a Baekla, a tosse longa da tuberculose;

e a Wonghecri, a doença da mente, que confundia o espírito.


— Essas — disse o Pajé, abaixando a cabeça — chegaram com o mundo que mudou tudo.


Por muito tempo, as Saicrã levaram parentes, deixando aldeias em luto. Mas o tempo também trouxe caminhos de cura. Com a criação do Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso, surgiu uma enfermaria, remédios e novas formas de cuidado, somando-se ao saber antigo dos Pajés.


Hoje, contou Bidzamu com esperança, a Aldeia Kariri-Xocó tem um Polo Base de Saúde, com médico, dentista, enfermeira, técnicos e agentes de saúde. Um espaço inaugurado em 15 de maio de 2014, símbolo de resistência, sobrevivência e continuidade da vida.


O fogo da fogueira já virava brasa quando o Pajé concluiu:


— Enquanto houver memória, palavra e cuidado, nosso povo seguirá curando o corpo e o espírito.


Namuãny ficou em silêncio. Agora entendia que a história das doenças era também a história da luta e da permanência de seu povo.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

HEHÉ PAHAEMPÁ – ESCORREGAR NO BARRANCO MOLHADO






Quando vinham as Pehóá, as grandes enchentes do Opará, ainda não existia na Naticróraí, a cidade, o Oncródzu, o cais de pedra. Naquele tempo, o rio falava direto com a terra, e o Pahankó, o barranco de barro cru, era parte da nossa vida. Era ali que acontecia o Hehé Pahaempá — escorregar no barranco molhado.


Assim que as águas começavam a subir, a alegria também subia junto. Os Inghéá, os meninos, os Mynhekiá, os rapazes, e as Tibudinã, as moças, se reuniam naquele antigo Kenhé, um costume passado de geração em geração, como se o próprio rio ensinasse.


Primeiro vinha o preparo. Com o Dehebá, o cavador, moldávamos a rampa no barro vivo. Abríamos uma cavidade funda, depois malhávamos a superfície com os pés e com as mãos, alisando o caminho até ficar perfeito para Craraidyó, descer. O barranco ficava liso, escuro, brilhando de água, pronto para o Hehé — o escorregar ligeiro que terminava no abraço frio das Dzuá, as águas do Opará.


Era queda, riso e grito. A Curaempá, roupa toda molhada, e o Dimy Bunhá, o corpo sujo de barro, não eram problema — eram motivo de alegria. Aquele era o tempo da Pehó Kayaku, a Lua da Enxurrada, em dezembro. Tempo bom para Buiempá, tomar banho no rio, lavar o corpo e também o espírito.


Para ter segurança de não ter ferimentos havia uma grande minúcia na verificação de pedras no barro, retirando detritos pedregosos ficando somente a argila macia umedecida com água,  assim a rampa estava pronta para a brincadeira. 


O Opará corria forte, largo, como se sorrisse com a nossa brincadeira. Cada escorregada era um desafio, cada mergulho uma vitória. O barro grudava na pele, o riso ecoava pelas margens, e a memória se escrevia sem papel, direto no coração.


Depois, o tempo mudou. Veio o prefeito, veio o Oncródzu, o cais de pedra. O barranco desapareceu, e com ele aquele lugar exato da brincadeira. Mas o Opará continuou grande. O rio não esquece seus filhos.


E quando as águas voltarem a subir, nós saberemos: acharemos outros barrancos, outros caminhos, outros lugares para viver de novo o Hehé Pahaempá — porque enquanto o rio existir, a memória não morre.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó




NHAEHÍ AIBY NUNÚ, RESGATE DA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ






Quando os missionários chegaram às margens do Opará, não vieram apenas com cruzes e promessas. Trouxeram também o silêncio.


Levaram os Uanieá,  indígenas para a Natiwaré, a Aldeia dos Padres, onde escreveram o Tonranraná — livros de gramática e catecismo — para entender como nosso povo falava, como pensava, como nomeava o mundo.


Aprenderam nossa Nunú Antse, língua nativa para, depois, nos ensinar a esquecê-la.


Os Waréá passaram a ensinar a Samy Caraí, a cultura dos brancos, e proibiram nossos antepassados de falar a língua nativa. A ordem era clara: a partir dali, só o Nunú Peró, língua portuguesa deveria ser ouvida. A língua Kariri foi empurrada para dentro das casas, depois para dentro da memória, até quase desaparecer no fundo do silêncio.


O tempo seguiu seu caminho duro.

A antiga Natiá, aldeia virou Naticróraí, povoação dos brancos. As terras foram tomadas, os direitos negados, e já no Império do Brasil nosso povo foi declarado invisível. Mas o espírito Kariri-Xocó nunca aceitou o fim.


Quando chegou a República, chegou também o tempo de lutar outra vez pelo reconhecimento étnico.


Foi na Woderáehó Uanie, a Rua dos Índios, que um gesto pequeno reacendeu a chama. Ali, no Posto Indígena, o indígena Iraminõ reuniu o que ainda restava da língua: poucas palavras, sobreviventes, datilografadas em quatro folhas de papel, em letras vermelhas — como se o sangue da memória ainda pulsasse nelas.


O jovem Nhenety soube da existência daquele vocabulário. Procurou Iraminõ. Sentaram, conversaram, compartilharam palavras como quem partilha sementes raras. Já na Aldeia Kariri-Xocó, na Fazenda Modelo, algo começou a nascer: o Nhaehí Aiby Nunú — o Resgate da Língua.


Com um Cramycá Samyonhé, um simples gravador de voz, Nhenety passou a traduzir os Wonhé Torá, os cantos de Toré, para a língua Kariri. Depois criou um blog, onde espalhou cantos, frases e palavras, oferecendo aos jovens da aldeia aquilo que quase lhes havia sido roubado: a própria voz.


A tecnologia, antes instrumento de apagamento, virou ali ferramenta de resistência.


Com o apoio da Thydêwá, ONG cultural, e ao lado de Sebastian, seu amigo Caraí, Nhenety gravou CDs e DVDs de cantos de Toré. O som antigo ganhou novos caminhos, atravessando fios, telas e gerações.


A revitalização da língua ganhou novo fôlego com a criação do grupo de WhatsApp OKAX, reunindo cerca de cento e vinte participantes. Logo depois nasceu a Escolinha da Língua Subatekié Nunú, conduzida por Indiane Crudzá e Nhenety — professora e coordenador pedagógico — onde a língua deixou de ser lembrança e voltou a ser ensinada.


Vieram também os estudiosos. Thea, Daiane, Elizabete. Caminharam junto, acompanharam as atividades, escreveram artigos e teses, sempre com a participação ativa de Nhenety e Indiane. A língua Kariri-Xocó, antes calada, passou a existir também nos livros, nas universidades, sem perder o chão da aldeia.


E assim, palavra por palavra, canto por canto, a Nunú Antse voltou a respirar.

Porque uma língua não morre enquanto houver quem a pronuncie com o coração.





Nhenety Kariri-Xocó 




domingo, 1 de fevereiro de 2026

PIWONHÉ IEENDEÁ – A REPRODUÇÃO DAS AVES






Antigamente, quando o Opará ainda conversava com o céu em águas largas e mansas, o Baixo São Francisco se tornava caminho de asas. Era tempo de anúncio, tempo sagrado. As Parari, ligeiras e numerosas, riscavam o firmamento em grandes revoadas. Os mais antigos as chamavam de Arribaçã, e diziam que sua chegada era sinal de fartura, de renovação da vida.


O céu escurecia de movimento, e o som das asas parecia um canto coletivo, um chamado antigo que vinha de longe para cumprir o ciclo da reprodução. Elas pousavam, descansavam, procriavam, e depois partiam, deixando no ar a lembrança de sua passagem.


Junto delas vinham outras parentes do vento. A Pukûa-tinga, a Rolinha-cinzenta, chegava em bandos numerosos, mas diferente das Parari, permanecia mais tempo. Fazia morada, observava o chão, escutava a mata. Seu canto fino atravessava as manhãs como um fio invisível ligando céu e terra.


Na Terra Indígena Kariri-Xocó, entre Porto Real do Colégio e São Brás, a mata do Ouricuri ainda guarda esse segredo vivo. Ali, a Caatinga respira diversidade. Entre galhos retorcidos e folhas resistentes, muitas espécies de aves fazem sua morada, conhecendo cada sombra, cada fruto, cada silêncio.


Na Várzea do Itiúba, onde a terra se deixa inundar pelas águas do rio, a vida se multiplica o ano inteiro. As aves aquáticas conhecem bem esse território. O Socó-Yobi, o Socó azul, caminha lento pelas margens. A Guaraúna, ave carão, anuncia sua presença com voz forte. Marrecas e paturis deslizam sobre a água como se fossem parte do próprio rio, cumprindo ali o mistério eterno da reprodução.


Para o indígena, tudo isso não é apenas paisagem. É convivência. É parentesco. Viver com a natureza é respeitar o tempo de cada ser, é proteger a flora e a fauna, porque na cultura Kariri-Xocó os Keríá — os Animais — não são apenas criaturas: são seres sagrados, guardiões do equilíbrio e geradores da vida.


Assim, quando uma ave cruza o céu do Opará, ela não passa sozinha. Leva consigo a memória dos antigos, o espírito da terra e a certeza de que, enquanto houver respeito, o ciclo continuará.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó




NAMYTSE IBARANÚ NATIÁ, O SERVIÇO DE MOTOTÁXI NA ALDEIA






Dizem que a primeira Ibaranú, a “Moto”, chegou à Natiá, a Aldeia, como coisa estranha, barulhenta, levantando poeira e curiosidade. Era década de 1960, tempo em que os Kariri-Xocó ainda moravam na Woderáehó Uanieá, a Rua dos Índios, na Naticróraí, a Cidade de Porto Real do Colégio. A máquina veio trazida por um forasteiro, e seu ronco ecoou diferente entre as casas, como um bicho novo aprendendo a respirar naquele chão antigo.


No começo, poucos se aproximavam. Uns olhavam de longe, outros riam, outros desconfiavam. A moto parecia não entender os passos da aldeia, nem o silêncio da terra. Mas o tempo, esse velho ensinador, tratou de aproximar homem e máquina.


Em 1989, quando a FUNAI comprou uma moto para a vigilância da Terra Indígena, a Ibaranú deixou de ser apenas novidade. Passou a ser ferramenta, aliada, extensão do corpo que protege o território. Foi aí que os Kariri-Xocó começaram a conhecer melhor aquele meio de transporte, sentindo no vento do caminho uma nova possibilidade de ir e vir.


Na década de 1990, nasceu de vez o Namytse Ibaranú Natiá, o Serviço de Mototáxi na Aldeia. A moto passou a levar gente, histórias, recados e sonhos. Levava indígenas da aldeia para a cidade e trazia de volta sacolas, remédios, notícias e esperanças. Levava também quem precisava seguir viagem para outras cidades, cruzando estradas que antes eram longas demais a pé.


O Tayu, o dinheiro, era simples e justo: Yeendeçó, cinco reais. Na nota, a figura da Ieende-ku-homoechi, a garça-branca-de-pescoço-comprido, parecia observar tudo em silêncio, como quem sabe que aquele pagamento não comprava só a corrida, mas também a confiança entre quem leva e quem é levado.


Hoje, na aldeia, existem em média vinte mototáxis ou mais. Eles transportam indígenas e não-indígenas pela cidade e pelos povoados circunvizinhos. Quanto maior a distância, maior o valor — porque o caminho também cansa, e a estrada tem suas exigências.


Assim, pouco a pouco, os Kariri-Xocó vão se adaptando às novas opções de trabalho. A tecnologia chega, mas não apaga a tradição. Ela aprende a conviver com ela. A Ibaranú já não é mais estranha: é parte da paisagem, como o sol da manhã, como o pó da estrada, como o chamado de quem precisa ir — e de quem sempre sabe voltar.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó




quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

CANGHÍÁ UCHÉTÉ – QUANDO OS BONS TEMPOS CHEGARAM






Na memória dos mais velhos, ainda ecoa o tempo em que a Natiá, a Aldeia, repousava na Woderáehó Uanieá, a antiga Rua dos Índios, apertada entre os caminhos da Naticróraí, a Cidade de Porto Real do Colégio, em Dzurióá, Alagoas. Ali vivíamos, mas não era ali que a alma dos Tokenhé, os Antepassados, repousava inteira.

Faltava espaço para o sonho, para o canto, para a roça crescer sem medo.


Então veio 1978. Ano marcado como Canchetéá — bons tempos. A mudança para a Wanheré Uanhícó, a Fazenda Sementeira, não foi apenas uma travessia de casas, mas um retorno do espírito à terra antiga. Quando o povo atravessou o Okenaye, o Grande Portão, algo invisível se abriu junto com ele: o direito de nomear. Ali escrevemos, com madeira, barro e coragem, o nome Aldeia Kariri-Xocó, selando o Canghíá Uchété — os bons tempos chegaram.


A terra nos reconheceu. Das Dzurióá, as lagoas, brotou a argila que virou Ruñonhú, cerâmica moldada pelas mãos que herdaram o saber do fogo. Das águas vieram os Wãmyá, peixes, alimento e celebração. As Erá, casas, nasceram com Wohoerá, quintais vivos, e as Bechiéá, roças, se estenderam como promessa de fartura. Cada passo no chão parecia reencontrar um rastro antigo.


Com o tempo, a aldeia foi se erguendo por inteiro. Surgiu o Erádékan, Polo Base de Saúde, cuidando dos corpos; a Erátekié, Escola, guardando a palavra; a Erantoá, Igreja, acolhendo a fé; o Bypeddá, Campo de Futebol, onde o riso corre solto; e a Erákemydzu, Estação de Tratamento d’Água, levando vida às casas. Tudo crescia em harmonia, como se a terra soubesse o lugar exato de cada coisa.


Os bons tempos trouxeram ainda mais. As Natisamyá, Aldeias Culturais, reacenderam o toré, fazendo o chão pulsar sob os pés. A Bypecró, Quadra de Futsal, virou ponto de encontro das gerações. Os Iabaerá, Conjuntos Residenciais, acolheram novas famílias. A Hinebakró, Energia Elétrica, iluminou as noites sem apagar as estrelas.


Assim, o Canghíá Uchété não foi apenas um tempo que chegou — foi um tempo que se assentou. Ficou na terra, no canto, na memória e no futuro. Porque quando um povo retorna ao chão dos seus antepassados, não constrói apenas moradas: reconstrói o próprio tempo.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó