quinta-feira, 8 de outubro de 2026

SUBANTSE SUBATEKIÉ, CIÊNCIAS DA NATUREZA NOS SABERES TRADICIONAIS






Ensino Fundamental

Ciências da Natureza / Conhecimentos Ambientais

Organização, autoria e curadoria:
Nhenety Kariri-Xocó

Aldeia Kariri-Xocó — Porto Real do Colégio — Alagoas — Brasil

2026




FALSA FOLHA DE ROSTO

SUBANTSE SUBATEKIÉ

CIÊNCIAS DA NATUREZA NOS SABERES TRADICIONAIS

Ensino Fundamental — Ciências da Natureza / Conhecimentos Ambientais

Nhenety Kariri-Xocó

Aldeia Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio — Alagoas
2026




FOLHA DE ROSTO

SUBANTSE SUBATEKIÉ — CIÊNCIAS DA NATUREZA NOS SABERES TRADICIONAIS

Conteúdo metodológico para o Ensino Fundamental na área de Ciências da Natureza e Conhecimentos Ambientais, integrando saberes tradicionais Kariri-Xocó, língua indígena, memória ancestral, educação ambiental e conhecimentos científicos.

Autor, organizador e curador:
Nhenety Kariri-Xocó

Área: Ciências da Natureza / Conhecimentos Ambientais

Público: Ensino Fundamental

Local: Aldeia Kariri-Xocó — Porto Real do Colégio — AL

Ano: 2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

© 2026 — Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados ao autor quanto à organização, seleção, elaboração e apresentação desta obra.

Esta publicação possui finalidade cultural, educacional e de preservação da memória e dos saberes tradicionais Kariri-Xocó.

Os conhecimentos tradicionais aqui apresentados devem ser compreendidos dentro de seu contexto cultural e comunitário, respeitando os mestres, anciãos, famílias e gerações responsáveis por sua transmissão.

A utilização de conhecimentos, imagens, relatos ou materiais pertencentes a terceiros deverá respeitar as respectivas autorizações e direitos.

Obra pertencente à Biblioteca Digital Nhenety Kariri-Xocó.

Somos guardiões da memória do Opará.




FICHA CATALOGRAFICA

Nhenety Kariri-Xocó

Subantse Subatekié: Ciências da Natureza nos Saberes Tradicionais / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: edição do autor, 2026.

Conteúdo metodológico para o Ensino Fundamental.

Ciências da Natureza.

Educação ambiental.

Saberes tradicionais indígenas.

Cultura Kariri-Xocó.

Língua indígena.

Flora.

Fauna.

Medicina tradicional.

Astronomia cultural.

Manejo sustentável.

CDD: a definir por profissional habilitado.

CDU: a definir por profissional habilitado.

Nota: a ficha catalográfica definitiva deverá ser elaborada e validada conforme os procedimentos biblioteconômicos aplicáveis à edição final.





ISBN — SIMBÓLICO


ISBN simbólico/editorial desta edição digital:

ISBN-SIMBÓLICO:
SUB-SUBATEKIÉ-2026-NKX

Observação:
Este código é uma identificação simbólica da obra para fins culturais e editoriais internos. Não substitui o ISBN oficial.



PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó



DEDICATÓRIA

Dedico este livro aos Tokenhé Antoá — Antepassados Sagrados, que caminharam antes de nós, observaram a terra, conheceram as águas, ouviram os sons da floresta, reconheceram os animais, aprenderam com as plantas e transmitiram seus conhecimentos às novas gerações.

Dedico aos anciãos e mestres Kariri-Xocó, guardiões da palavra, da cultura, da língua e da memória.

Dedico às crianças e aos jovens da Aldeia Kariri-Xocó, para que possam aprender olhando para o céu, pisando a terra, conhecendo as águas, respeitando os animais e reconhecendo nas plantas a continuidade da vida.

Dedico aos nossos filhos, netos e futuras gerações.

Que este livro seja uma pequena semente plantada na terra da memória.




AGRADECIMENTOS

Agradeço aos Dzenhéá Antse — Guardiões da Natureza, aos Dzenu Nhenetíá — Guardiões das Tradições, aos Dzenu Uaɲoá — Guardiões dos Costumes, aos Dzenuandzoá — Guardiões da Cura, aos mestres, pajés, anciãos, agricultores, pescadores, caçadores tradicionais, artesãos, professores, crianças e jovens.

Agradeço especialmente àqueles que conservaram pela oralidade os nomes das plantas, dos animais, das águas, da Lua, do Sol, das estações e dos fenômenos da natureza.

Agradeço às famílias Kariri-Xocó que continuam transmitindo seus conhecimentos às novas gerações.

Agradeço também aos educadores que compreendem que a escola indígena pode ser espaço de encontro entre a memória ancestral e a investigação científica.

Minha gratidão é também ao Opará, às águas, à floresta, à terra e a todos os seres que fazem parte da vida.

Inatekié — Obrigado.

Iewóá — Gratidão.




EPÍGRAFE

“A natureza é uma grande escola: a terra ensina, a água conta histórias, a Lua marca o tempo, os animais mostram seus caminhos e os antepassados deixam a palavra para as novas gerações.”

Nhenety Kariri-Xocó




PREFÁCIO DO VOLUME

Este volume nasce do encontro entre dois caminhos de conhecimento.

De um lado está a tradição oral Kariri-Xocó, construída pela experiência de gerações que observaram a natureza, conheceram seus ciclos, reconheceram plantas e animais, aprenderam os caminhos das águas e transmitiram conhecimentos por meio da palavra.

Do outro lado está a escola, espaço de investigação, leitura, escrita, experimentação e sistematização do conhecimento.

Subantse Subatekié procura aproximar esses caminhos sem apagar suas diferenças.

A criança indígena não precisa abandonar seus saberes para aprender Ciências da Natureza. Pelo contrário: pode partir de seu próprio território, de sua língua e de sua memória para investigar cientificamente aquilo que observa.

O nome de uma planta em Kariri pode iniciar uma investigação de Botânica.

O nome de um animal pode iniciar uma investigação de Zoologia.

A observação da Lua pode conduzir à Astronomia.

A chuva pode levar ao estudo do ciclo da água.

A roça pode ensinar germinação, solo, sementes e alimentação.

A pesca pode ensinar ecologia.

A abelha pode ensinar polinização.

A medicina tradicional pode abrir caminho para o estudo das substâncias naturais e da Farmácia.

Assim, o conhecimento transforma-se em ponte.

Este livro é, portanto, uma proposta de educação que reconhece a criança como herdeira de uma memória e, ao mesmo tempo, como pesquisadora do mundo.




RESUMO

Subantse Subatekié — Ciências da Natureza nos Saberes Tradicionais é uma proposta metodológica para o Ensino Fundamental voltada à integração entre os conhecimentos tradicionais Kariri-Xocó, a língua indígena, a memória ancestral, a educação ambiental e as Ciências da Natureza.

A obra aborda a relação entre natureza e cultura, os guardiões dos saberes, os fenômenos naturais, o ciclo lunar, os períodos climáticos, a fauna silvestre, a caça tradicional, a pesca, a agricultura, as plantas medicinais, os animais domésticos e o manejo sustentável.

A proposta valoriza a observação, a oralidade, a pesquisa, o trabalho de campo, o registro escrito e visual e a participação dos mestres e anciãos da comunidade.

O livro apresenta os saberes tradicionais como patrimônio cultural vivo, promovendo o diálogo com conhecimentos científicos relacionados à Biologia, Ecologia, Botânica, Zoologia, Astronomia, Química, Saúde e Educação Ambiental.

Palavras-chave: Ciências da Natureza; Saberes Tradicionais; Kariri-Xocó; Educação Ambiental; Língua Indígena; Opará; Natureza; Cultura.




ABSTRACT

Subantse Subatekié — Natural Sciences in Traditional Knowledge is a methodological proposal for Elementary Education that integrates Kariri-Xocó traditional knowledge, Indigenous language, ancestral memory, environmental education and Natural Sciences.

The book addresses the relationship between nature and culture, knowledge keepers, natural phenomena, lunar cycles, climate periods, wildlife, traditional hunting, fishing, agriculture, medicinal plants, domestic animals and sustainable management.

The proposal values observation, oral tradition, research, fieldwork, written and visual records, and the participation of elders and knowledge keepers in the educational process.

The work understands traditional knowledge as living cultural heritage and promotes dialogue with scientific knowledge related to Biology, Ecology, Botany, Zoology, Astronomy, Chemistry, Health and Environmental Education.

Keywords: Natural Sciences; Traditional Knowledge; Kariri-Xocó; Environmental Education; Indigenous Language; Opará; Nature; Culture.



NOTA DO AUTOR

Este livro foi construído a partir dos conhecimentos tradicionais apresentados na língua e na memória Kariri-Xocó.

Os termos indígenas registrados nesta obra são apresentados conforme o material fornecido pelo autor, preservando sua forma de escrita.

O livro não pretende substituir os conhecimentos científicos especializados, nem transformar todo conhecimento tradicional em explicação científica.

Seu objetivo é criar um diálogo pedagógico.

Quando o estudante conhece uma planta medicinal tradicional, por exemplo, ele pode aprender simultaneamente sobre cultura, território, Botânica e os estudos científicos realizados sobre substâncias naturais.

Quando observa a Lua, pode conhecer tanto o calendário cultural quanto os fundamentos astronômicos de suas fases.

Quando aprende sobre pesca, pode estudar simultaneamente cultura, alimentação, ecologia, reprodução dos peixes e conservação das águas.

Esse diálogo constitui a essência metodológica desta obra.




MEMÓRIA DO AUTOR

Sou Nhenety Kariri-Xocó, contador de histórias e guardião de memórias.

Minha relação com a cultura começou dentro da própria comunidade, ouvindo as palavras dos mais velhos, conhecendo histórias, costumes, pessoas, lugares e acontecimentos que fazem parte da trajetória do povo Kariri-Xocó.

Aprendi que uma história não é apenas uma história.

Dentro dela podem existir ensinamentos sobre a terra, a água, os animais, as plantas, a família, a espiritualidade, a sobrevivência e a identidade.

Ao longo da vida, fui registrando memórias que poderiam desaparecer se não fossem transformadas em palavras, imagens e livros.

A escrita passou a ser uma maneira de continuar a tradição oral.

A tecnologia passou a ser uma nova ferramenta de preservação.

O livro passou a ser uma espécie de território da memória.

Este trabalho nasce dessa caminhada.

Não pretendo dizer que uma obra escrita substitui a palavra dos anciãos. Pelo contrário: desejo que a escrita ajude a fazer essa palavra chegar às crianças e às gerações futuras.

Nhenety significa tradição ou ser lembrado.

Por isso, escrever é também preservar.




APRESENTAÇÃO

O ensino de Subantse Subatekié — Ciências da Natureza nos Saberes Tradicionais parte do princípio de que o conhecimento da natureza não está somente nos livros. Ele também está na observação da floresta, das águas, do céu, da Lua, dos animais, das plantas, das roças, das mudanças do clima e nas experiências transmitidas pelos mais velhos.

Na tradição Kariri-Xocó, o conhecimento é construído pela convivência entre o ser humano e a Antse — Natureza, compreendendo que todos os elementos possuem relação com a vida.

A criança aprende, portanto, a observar:

a Radá — Terra;

o Ukie — Sol;

a Kaiaku — Lua;

as Batiá — Estrelas;

as Dzuá — Águas;

as Retséá — Florestas;

os Keríá — Animais;

os Ieendeá — Pássaros;

os Wãmyá — Peixes;

as Ubuá — Plantas;

as roças, frutos e sementes;

os ciclos do tempo e do clima.

Assim, os saberes tradicionais podem dialogar com as Ciências da Natureza ensinadas na escola.



OBJETIVOS GERAIS

Ao estudar Subantse Subatekié, espera-se que o estudante seja capaz de:

Reconhecer a natureza como fonte de vida e conhecimento.

Valorizar os saberes tradicionais transmitidos pelos antepassados.

Identificar plantas, animais, águas e fenômenos naturais.

Compreender relações entre os seres vivos e o ambiente.

Observar os ciclos da Lua, do Sol, das chuvas e das estações.

Conhecer práticas tradicionais de caça, pesca, agricultura e manejo.

Diferenciar práticas sustentáveis de práticas que podem causar desequilíbrio ambiental.

Reconhecer plantas utilizadas tradicionalmente para fins medicinais.

Compreender que muitas substâncias de origem vegetal são estudadas pela ciência para desenvolvimento de medicamentos.

Conhecer a importância dos animais domésticos para alimentação, transporte, trabalho e convivência.

Desenvolver atitudes de proteção da floresta, dos rios, das lagoas e dos animais.

Utilizar a língua Kariri como instrumento de aprendizagem científica e cultural.




INTRODUÇÃO

A natureza está presente em todos os momentos da vida.

Respiramos o ar, bebemos água, alimentamo-nos de plantas e animais, utilizamos materiais provenientes da terra e observamos diariamente o céu.

Os povos indígenas desenvolveram conhecimentos profundos sobre seus territórios justamente porque dependem dessa relação para viver.

O povo Kariri-Xocó possui palavras, histórias, observações e práticas relacionadas à natureza.

A disciplina Subantse Subatekié parte desses conhecimentos para construir uma proposta de ensino de Ciências da Natureza.

A palavra Subantse representa, neste trabalho, as Ciências da Natureza.

Aprender Subantse é aprender a observar.

É perceber quando as nuvens se formam.

É acompanhar a chuva.

É reconhecer as mudanças da Lua.

É saber quando uma planta floresce.

É conhecer os animais.

É observar os peixes.

É acompanhar a roça.

É compreender a importância da água.

É reconhecer o valor das abelhas.

É conhecer as plantas utilizadas tradicionalmente.

É entender que a natureza possui ciclos.

E é compreender que a vida humana depende do equilíbrio desses ciclos.




SUMÁRIO 

Falsa Folha de Rosto

Folha de Rosto

Verso da Folha de Rosto

Ficha Catalográfica

ISBN — Simbólico

Prefácio da Coleção

Esclarecimento do Autor

Dedicatória

Agradecimentos

Epígrafe

Prefácio do Volume

Resumo

Abstract

Nota do Autor

Memória do Autor

Apresentação

Objetivos Gerais

Introdução

Sumário

Princípio Metodológico

1. Dzenhéá Subantse — Guardiões dos Saberes e da Ciência

2. Sãá Saerae Antse — Coisas de Poder da Natureza

3. Iworóché Kayaku — Ciclo do Tempo Lunar

4. Uché Busá Kyehâ — O Tempo Dividido do Clima

5. Keríá Retsé Ayby Radá — Animais Silvestres da Terra

6. Keríá Retsé Uaplu — Animais Silvestres de Caça

7. Mydzé e os Wãmyá — A Pesca dos Peixes

8. Uttihuá, Uanhí e Tdjeá — Frutas, Lavouras e Legumes

9. Ubudzoá Wohoerá — Frutas e Plantas Medicinais do Quintal

10. Ubudzoá Caaoby — Plantas Medicinais do Campo das Ervas

11. Keríerá Caraí — Animais Domésticos e sua Utilidade

12. Manejo Sustentável — Cuidar da Natureza para as Futuras Gerações

13. Metodologia de Ensino

14. Projeto Final — Calendário Vivo da Natureza Kariri-Xocó

15. Avaliação

16. Frase-Síntese para o Material Didático

Considerações Finais

Glossário Kariri-Português

Referências Bibliográficas

Sobre o Autor

Encerramento




PRINCÍPIO METODOLÓGICO

“Aprender a natureza observando, vivendo, respeitando e transmitindo os conhecimentos dos antepassados.”



1. DZENHÉÁ SUBANTSE — GUARDIÕES DOS SABERES E DA CIÊNCIA 

O conhecimento tradicional é transmitido por pessoas que possuem experiência e responsabilidade dentro da comunidade.


Entre esses conhecimentos encontram-se:


Dzenhéá Antse — Guardiões da Natureza;


Duboherí Subantse — Professor ou mestre que revela os conhecimentos das Ciências da Natureza;


Subantse — Ciências da Natureza;


Doboherí Nunúanie — Mestre que faz a língua nativa florescer;


Dubosamy — Mestre que ensina a cultura como raiz;


Dzenu Uaɲoá — Guardião dos Costumes;


Dzenu Nhenetíá — Guardião das Tradições;


Dzenuandzoá — Guardiões da Cura;


Bidzanuandzo — Pajé, Guardião da Cura;


Dzenude — Guardião da Reza;


Dzenu Katiantse — Guardião das Abelhas Nativas;


Duboherí Torá — Mestre do Canto do Toré.


Atividade pedagógica


O professor pode convidar um ancião, mestre ou conhecedor da comunidade para conversar com os estudantes sobre:


“O que nossos antepassados aprenderam observando a natureza?”


Os alunos podem registrar:


palavras em Kariri;

nomes de plantas;

nomes de animais;

fenômenos do céu;

histórias tradicionais;

formas de utilização dos recursos naturais.




2. SÃÁ SAERAE ANTSE — COISAS DE PODER DA NATUREZA 

A Antse — Natureza forma o Radda — Mundo.


O estudante poderá observar a relação:


Ukie — Sol → Hine — Luz → Cayápri — Dia

Aranke — Céu → Batiá — Estrelas → Kaiaku — Lua

Arankedzoá — Nuvens → Dzo — Chuva → Dzuá — Águas

Dzuá — Águas → Ebedzú — Fonte → Opará — Rio São Francisco

A água alimenta as plantas, os animais, as pessoas e as atividades da comunidade.


Experiência


Os estudantes podem observar durante vários dias:


posição do Sol;


formação das nuvens;


ocorrência de chuva;


direção dos ventos;


mudanças de temperatura;


comportamento dos animais;


aparecimento de flores e frutos.


Depois, registram suas observações em um Calendário de Observação da Natureza.




3. IWORÓCHÉ KAYAKU — CICLO DO TEMPO LUNAR

O Iworóché Kayaku — Ciclo do Tempo da Lua representa uma maneira tradicional de observar e compreender a passagem do tempo por meio da Kaiaku — Lua e dos acontecimentos que se manifestam na natureza durante o ano. Para o povo Kariri-Xocó, observar a Lua não significa apenas acompanhar sua mudança no céu, mas também perceber os sinais da terra, das águas, das plantas, dos animais e das atividades realizadas pela comunidade.

Esse conhecimento foi sendo construído pela observação contínua da natureza e transmitido pelos Tokenhé Antoá — Antepassados Sagrados, passando de geração em geração por meio da tradição oral. Cada período do calendário carrega uma memória, uma atividade, um fenômeno natural ou uma prática cultural que ajuda a compreender a relação entre o povo e o ambiente.


O calendário tradicional apresenta doze períodos:


Matikay Kayaku — Lua de Festa Ritual do Ouricuri, janeiro.


É o período associado à Festa Ritual do Ouricuri, momento de grande importância espiritual e cultural. A Lua marca o início de um novo ciclo anual, relacionado à continuidade das tradições e à transmissão dos conhecimentos dos antepassados.


Mydzé Kayaku — Lua dos Peixes, fevereiro.


É o período relacionado aos Wãmyá — Peixes e às águas. A observação desse tempo permite aos conhecedores da natureza perceber mudanças nos rios, lagoas e outros ambientes aquáticos, relacionando o ciclo natural aos conhecimentos da pesca.


Uanhí Kayaku — Lua da Lavoura, março.


É o tempo associado às Uanhí — Lavouras e ao trabalho da terra. O conhecimento tradicional observa a relação entre o período lunar, as condições do solo, as chuvas e o desenvolvimento das plantações.


Içá Kayaku — Lua das Formigas Grandes ou Tanajuras, abril.


É o período em que a presença das grandes formigas, conhecidas como tanajuras, torna-se um sinal observado pela comunidade. Os animais também podem funcionar como indicadores das transformações que acontecem no ambiente.


Sõ Kayaku — Lua da Cobra, maio.


É o período associado às cobras e à observação dos Keríá — Animais. O conhecimento tradicional acompanha o aparecimento e o comportamento desses animais, reconhecendo sua presença como parte do equilíbrio da natureza.


Dzó Kayaku — Lua da Chuva, junho.


É o tempo relacionado ao Dzó — Chuva. A chegada das águas transforma a paisagem, alimenta as nascentes, rios e lagoas e favorece o crescimento das plantas. A chuva é compreendida como elemento fundamental para a continuidade da vida.


Curuté Kayaku — Lua de Colheita, julho.


É o período relacionado à colheita dos alimentos cultivados. O conhecimento tradicional reconhece o momento em que aquilo que foi plantado anteriormente pode ser recolhido e compartilhado pela família e pela comunidade.


Cunhí Kayaku — Lua do Frio, agosto.


É o período associado à percepção das temperaturas mais baixas. A comunidade observa as mudanças do clima, o comportamento dos animais e as transformações das plantas durante esse período.


Hiaidé Kayaku — Lua do Sol, setembro.


É o tempo relacionado ao Ukie — Sol, à luminosidade e às mudanças percebidas na natureza. A observação do Sol ajuda a compreender a passagem do tempo e as transformações que ocorrem durante o ano.


Puruá Kayaku — Lua das Flores ou da Floração, outubro.


É o período em que a floração ganha destaque. As Ubuá — Plantas apresentam flores que anunciam novas etapas de seu ciclo de vida. As flores também possuem importância para os insetos, especialmente para as abelhas, que participam da polinização.


Bunhawí Kayaku — Lua da Cerâmica, novembro.


É o período associado ao conhecimento da cerâmica, relacionando o trabalho humano aos elementos encontrados na natureza, especialmente à terra. A atividade representa também a transmissão de conhecimentos culturais entre gerações.


Pehó Kayaku — Lua da Enxurrada, dezembro.


É o período associado às águas fortes e às enxurradas. A observação desse fenômeno permite compreender o movimento da água sobre a terra, a formação dos caminhos das águas e a importância da proteção do solo e da vegetação.


O calendário tradicional e as Ciências da Natureza


Na escola, o Iworóché Kayaku pode ser utilizado como instrumento para aproximar o conhecimento tradicional dos conteúdos científicos.

A criança pode observar a Kaiaku — Lua, registrar suas fases e compreender que elas resultam da posição relativa entre Sol, Terra e Lua. Ao mesmo tempo, pode registrar acontecimentos ambientais associados a cada período do calendário tradicional.

Dessa maneira, o estudante aprende que existem diferentes formas de organizar e interpretar as experiências da natureza. A ciência escolar busca explicar os fenômenos utilizando observação, investigação, hipóteses e evidências; os saberes tradicionais, por sua vez, carregam experiências acumuladas por muitas gerações de convivência com o território.

O objetivo não é colocar um conhecimento contra o outro, mas ensinar a criança a conhecer, comparar, investigar e respeitar diferentes formas de produzir conhecimento.

Assim, o calendário lunar Kariri-Xocó torna-se também um instrumento de educação ambiental, memória cultural e alfabetização científica.

O estudante pode construir seu próprio Calendário Vivo da Natureza, registrando, mês a mês:

Lua → Sol → chuva → temperatura → plantas → flores → frutos → animais → peixes → agricultura → pesca → cultura.

Dessa forma, o céu, a terra, as águas, as plantas, os animais e a cultura passam a fazer parte de uma mesma experiência de aprendizagem.




4. UCHÉ BUSÁ KYEHÂ — O TEMPO DIVIDIDO DO CLIMA 

Os quatro períodos apresentados no conhecimento tradicional:


Puruha — Primavera;

Makye — Verão;

Âradzi — Outono;

Ñikudzi — Inverno.

podem ser utilizados para ensinar:

clima;

temperatura;

chuva;

umidade;

vento;

ciclo das plantas;

floração;

frutificação;

comportamento dos animais.


Observação importante para a escola


Como a comunidade Kariri-Xocó está no Nordeste brasileiro, o professor pode comparar o modelo tradicional das quatro estações com a realidade climática local, mostrando que as estações astronômicas existem como referência, mas os padrões de chuva e temperatura observados localmente podem seguir períodos climáticos próprios da região.

Isso transforma a diferença em oportunidade de investigação científica.




5. KERÍÁ RETSÉ AIBY RADÁ — ANIMAIS SILVESTRES DA TERRA 

O conhecimento tradicional dos animais deve ser valorizado como memória ecológica e linguística.


Os estudantes podem construir um Dicionário Kariri da Fauna, utilizando os nomes apresentados:


Ibozoim — Sonhim

Kati — Abelha

Munim — Grilo

Cotó — Rato

Myghy — Caramujo

Nieɲi — Cobra

Klimi — Lontra

Axum — Formiga

Xykxyk — Gafanhoto

Poió Retsé — Gato-do-mato

Xepre — Morcego

Kõpere — Muriçoca

Chorecá — Raposa

Hazú — Tamanduá


E entre os pássaros:


Gongá — Sabiá

Sohó — Socó

Kêtre — Periquito

Xáj — Pica-pau

Xõn — Urubu


Ciências relacionadas


O professor pode trabalhar:


habitat;

alimentação;

reprodução;

cadeia alimentar;

biodiversidade;

animais ameaçados;

polinização;

equilíbrio ecológico.




6. KERÍÁ RETSÉ UAPLU — ANIMAIS SILVESTRES DE CAÇA 

A caça tradicional pode ser ensinada dentro de uma perspectiva histórica, cultural e ambiental, sem incentivar a captura indiscriminada de animais.


Os estudantes podem conhecer os nomes tradicionais:


Tõnbozu — Tatu

Suét — Tatuí

Kaplan — Jabuti

Mé — Jacaré

Wakõ — Saroê

Miriu — Coelho

Doyé — Capivara

Buké — Veado-do-mato

Sãmbá — Cágado

Bani — Mocó


Conceito de manejo sustentável


O professor pode perguntar:


“Como nossos antepassados retiravam alimento da natureza sem destruir a natureza que deveria alimentar as próximas gerações?”


A discussão pode envolver:


necessidade → respeito → quantidade → época → reprodução → proteção → continuidade da vida.

Esse princípio pode ser relacionado atualmente à conservação da biodiversidade e ao manejo sustentável.




7. MYDZÉ E OS WÃMYÁ — A PESCA DOS PEIXES

Os Wãmyá — Peixes permitem estudar diretamente o ambiente aquático.


Os estudantes podem pesquisar:


peixes do Opará;

lagoas e riachos;

alimentação dos peixes;

reprodução;

qualidade da água;

períodos de pesca;

tamanho mínimo dos animais;

preservação das margens;

importância das matas ciliares.


A pergunta central pode ser:


“Se o rio é fonte de vida, como podemos pescar hoje sem acabar com os peixes de amanhã?”




8. UTTIHUÁ, UANHÍ E TDJEÁ — FRUTAS, LAVOURAS E LEGUMES 

O conhecimento das roças permite ensinar simultaneamente Biologia, alimentação, agricultura e cultura.

Frutas


Bacobá — Banana;

Akryte — Caju;

Krow — Coqueiro;

Mé — Jenipapo;

Bucrenké — Urucu;

Obó — Imbu;

Ucrí — Mangaba;

Prebú — Cuieté.

Lavouras e legumes


Ghinhé — Feijão;

Eremú — Abóbora;

Ját — Batata;

Madiki — Mandioca;

Behedzi — Melancia;

Propwi — Melões;

Masiche — Milho.

Atividade


Criar uma pequena horta ou roça pedagógica, observando:


semente → germinação → crescimento → floração → fruto → semente.




9. UBUDZOÁ WOHOERÁ — FRUTAS E PLANTAS MEDICINAIS DO QUINTAL 

Aqui existe uma excelente possibilidade de integração entre sabedoria tradicional, Botânica, Química, História e Saúde.


Os estudantes podem conhecer:


Ainpeân — Arruda;

Niútáia — Gengibre;

Ainxeverã — Manjericão;

Jpâkuaçû — Erva-cidreira;

Jecotiaçadé — Sálvia;

Aincrãdí — Tomilho;

Pyantoá — Capim-santo;

Caacica — Mastruz.

A ponte com a Farmácia


Uma explicação adequada para o Ensino Fundamental seria:


Algumas plantas possuem substâncias químicas biologicamente ativas. A ciência pode estudar essas substâncias, identificar seus efeitos, avaliar sua segurança e, em determinados casos, utilizá-las no desenvolvimento de medicamentos.


É importante ensinar também:


planta medicinal ≠ medicamento automaticamente.

Uma planta utilizada tradicionalmente pode ter efeitos, mas isso não significa que qualquer preparação caseira seja segura ou substitua tratamento médico. A ciência realiza estudos de dose, composição, eficácia, toxicidade, interações e segurança.




10. UBUDZOÁ CAAOBY — PLANTAS MEDICINAIS DO CAMPO DAS ERVAS 

O conhecimento apresentado pode formar um Herbário Pedagógico Kariri-Xocó, reunindo:


nome Kariri;

nome em português;

fotografia/desenho;

local onde cresce;

parte tradicionalmente utilizada;

conhecimento transmitido pelos mais velhos;

estudos científicos existentes;

cuidados e contraindicações.


Entre os nomes apresentados:


Ainhiéní — Guaco

Aindonga — Beldroega

Dzícaiá — Cana-do-brejo

Kabacrúpí — Cavalinha

Kigyndzú — Pimenta-d'água

Akãoba — Chapéu-de-couro

Jûtoádé — Espinheira-santa

Aguarapongá — Gervão

Mybusãytoá — Macela

Ainrahedé — Mentrasto

Macaé — Cordão-de-São-Francisco

Goambú — Carrapicho-de-agulha.




11. KERÍERÁ CARAÍ — ANIMAIS DOMÉSTICOS E SUA UTILIDADE 

Os animais domésticos podem ser estudados dentro da relação entre ser humano, alimentação, trabalho, transporte e criação animal.


Animais apresentados:


Curé — Porco;

Igaborou — Cavalo;

Cradzó — Boi;

Wathõ — Bode;

Erintuca — Ovelha;

Irerê — Pato;

Kati — Abelha;

Kaplan — Jabuti;

Krêre — Papagaio;

Bucuté — Cão;

Poió — Gato;

Tute — Pombo;

Miriu — Coelho;

Sabucá — Galo.


Relação com a vida cotidiana


Os alunos podem investigar:


Cavalo → transporte

Boi → trabalho, alimentação e atividades rurais

Porco → alimentação

Cabra → leite, carne e criação

Ovelha → lã, carne e criação

Galinha → ovos e alimentação

Abelha → mel + polinização

Cão → companhia e proteção

Gato → convivência e controle de alguns animais considerados pragas

A abelha merece destaque especial: além de produzir mel, participa da polinização, fundamental para muitas plantas produzirem frutos e sementes.




12. MANEJO SUSTENTÁVEL — CUIDAR DA NATUREZA PARA AS FUTURAS GERAÇÕES 

O manejo sustentável é um dos conceitos centrais das Ciências da Natureza e dos Conhecimentos Ambientais, pois ensina que os seres humanos dependem da natureza para viver e, por isso, precisam utilizá-la com responsabilidade.

Para os saberes tradicionais, a natureza não deve ser vista apenas como um lugar de onde se retiram alimentos, plantas, água, madeira ou outros recursos. A Antse — Natureza é parte da própria vida. A Radá — Terra, as Dzuá — Águas, as Retséá — Florestas, os Keríá — Animais, os Wãmyá — Peixes e as Ubuá — Plantas participam de uma grande relação de vida.


Por isso, o princípio do manejo sustentável pode ser apresentado aos estudantes da seguinte maneira:


“Usar a natureza sem destruir a capacidade de a natureza continuar produzindo vida.”


Esse ensinamento significa pensar não somente no presente, mas também nas pessoas que viverão depois de nós. Aquilo que a comunidade utiliza hoje precisa continuar existindo para os filhos, netos e futuras gerações.


Plantar e replantar


Quando uma família cultiva uma planta, utiliza seus frutos ou sementes e depois continua plantando, contribui para a continuidade daquele alimento.


O estudante aprende que a agricultura possui um ciclo:


semente → plantio → crescimento → produção → colheita → novas sementes → novo plantio.

O conhecimento científico pode complementar esse ensinamento explicando a germinação, a reprodução das plantas, a fertilidade do solo e a importância da diversidade agrícola.


Proteger as nascentes e as águas


As Dzuá — Águas são indispensáveis à vida. Proteger uma nascente significa proteger uma fonte que alimenta pessoas, animais e plantas.

A preservação da vegetação próxima às nascentes e aos cursos d'água ajuda a proteger o solo e a qualidade da água.

O estudante aprende que cuidar da água é cuidar de toda a comunidade.


Preservar as árvores


As árvores fazem parte das Retséá — Florestas e oferecem alimento, abrigo e espaço de reprodução para diversos animais.

Também ajudam a proteger o solo, participam do ciclo da água, armazenam carbono e contribuem para a manutenção da biodiversidade.

Por isso, cortar uma árvore sem necessidade pode representar muito mais do que retirar madeira: pode significar alterar uma pequena parte de todo um sistema de vida.


Pescar com responsabilidade


Os Wãmyá — Peixes fazem parte da alimentação e da cultura das comunidades que vivem próximas às águas.

O manejo responsável da pesca significa retirar da natureza aquilo que é necessário sem comprometer a reprodução e a continuidade das espécies.

O estudante pode compreender que, quando os peixes são retirados em quantidade excessiva ou durante períodos importantes para sua reprodução, a população pode diminuir.

Assim, proteger os peixes hoje significa garantir que ainda existam peixes amanhã.


Caçar com respeito à fauna


O conhecimento tradicional da caça pode ser estudado como parte da história e da relação cultural com o território.

Na educação ambiental, o estudante deve compreender que a retirada de animais precisa respeitar as normas ambientais vigentes, os períodos de proteção das espécies e a necessidade de conservação da fauna.

A caça indiscriminada pode diminuir populações de animais e alterar o equilíbrio dos ecossistemas.

Dessa forma, o conhecimento tradicional pode ser relacionado ao princípio contemporâneo da conservação da biodiversidade.


Proteger as abelhas


As abelhas possuem grande importância para a natureza.

Além dos produtos que algumas espécies fornecem, elas participam da polinização, processo fundamental para a reprodução de muitas plantas.

Ao proteger as abelhas, a comunidade também contribui para a existência de flores, frutos e sementes.

O conhecimento tradicional sobre as abelhas pode, portanto, dialogar diretamente com a Biologia e a Ecologia.


Aproveitar e guardar sementes


As sementes carregam a possibilidade de uma nova planta.

Guardar sementes de plantas utilizadas pela comunidade contribui para a continuidade das espécies cultivadas e para a preservação da diversidade agrícola.

O estudante pode aprender que conservar sementes também significa conservar memória, alimentação e conhecimento.


Não jogar lixo nos rios, lagoas e florestas


O lixo lançado na natureza pode contaminar a água, o solo e os animais.

Materiais descartados de maneira inadequada podem permanecer durante muito tempo no ambiente, podendo causar danos aos ecossistemas.

Por isso, cuidar da natureza também significa reduzir a produção de resíduos, reutilizar materiais quando possível, separar corretamente os resíduos e evitar sua deposição em rios, lagoas, matas e terrenos.


O princípio da continuidade


Todas essas práticas podem ser reunidas em um único ensinamento:


Plantar para colher.
Colher para alimentar.
Guardar sementes para plantar novamente.
Proteger a água para continuar bebendo.
Preservar a floresta para continuar tendo vida.
Cuidar dos animais para que continuem existindo.
Proteger os peixes para que as águas continuem alimentando.
Cuidar das abelhas para que as plantas continuem florescendo.


O manejo sustentável, portanto, ensina uma ideia fundamental:


A natureza que recebemos dos antepassados deve ser cuidada para que possa ser entregue às futuras gerações.

Nesse sentido, o estudante deixa de ser apenas alguém que aprende sobre o meio ambiente e passa a compreender-se como participante e responsável pela continuidade da vida.

O conhecimento tradicional, a educação ambiental e as Ciências da Natureza encontram-se, assim, no compromisso de conhecer, respeitar, proteger e transmitir.




13. METODOLOGIA DE ENSINO

A metodologia pode ser chamada de:


“Aprender observando, fazendo, perguntando e transmitindo.”


1. Oralidade


O professor começa com a conversa dos anciãos e mestres.


2. Observação


Os estudantes observam diretamente plantas, animais, céu, água, roça e clima.


3. Registro


Registram por meio de:

desenhos;

palavras Kariri;

fotografias;

tabelas;

mapas;

calendários;

pequenos textos.


4. Investigação científica


O estudante formula perguntas:

O que aconteceu?

Por que aconteceu?

Quando acontece?

Como podemos comprovar?


5. Comparação de conhecimentos


O conhecimento tradicional é colocado em diálogo com:


Biologia;

Ecologia;

Botânica;

Zoologia;

Astronomia;

Ciências da Terra;

Química;

Educação ambiental.


6. Transmissão


O aluno apresenta aquilo que aprendeu para sua família e comunidade.




14. PROJETO FINAL — CALENDÁRIO VIVO DA NATUREZA KARIRI-XOCÓ 

A turma poderá construir um grande calendário anual contendo:


Lua → chuva → clima → plantas → animais → pesca → agricultura → flores → frutos → festas → conhecimentos tradicionais.


Cada mês poderá apresentar:


Nome Kariri + fenômeno natural + planta + animal + atividade tradicional + conhecimento científico.

O projeto pode se transformar em um livro produzido pelos próprios estudantes, preservando a língua e os conhecimentos ambientais da comunidade.




15. AVALIAÇÃO

A avaliação não precisa depender apenas de provas escritas.


Pode considerar:


participação nas rodas de conversa;

domínio de palavras Kariri;

identificação de plantas e animais;

capacidade de observar fenômenos;

registros no caderno de campo;

respeito à natureza;

participação nas atividades comunitárias;

comparação entre saber tradicional e conhecimento científico;

produção de desenhos, mapas e textos;

apresentação oral.


Princípio avaliativo


O estudante não aprende somente para responder uma prova; aprende para reconhecer, cuidar e transmitir o conhecimento.




16. FRASE-SÍNTESE PARA O MATERIAL DIDÁTICO

Subantse Subatekié é aprender a ciência da natureza com os olhos voltados para a floresta, os ouvidos atentos à palavra dos antepassados, os pés firmes na Radá e o coração ligado ao Opará.

Esse conteúdo tem potencial para se transformar em um livro didático/metodológico completo de Ciências da Natureza / Conhecimentos Ambientais para o Ensino Fundamental Kariri-Xocó, mantendo os termos Kariri apresentados por você e acrescentando habilidades por ano escolar, atividades práticas, experiências, glossário, exercícios, projetos, avaliação e uma sequência didática do 1º ao 9º ano.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Subantse Subatekié nasce da compreensão de que a natureza pode ser uma das maiores salas de aula do povo.

O céu ensina o tempo.

A Lua ensina os ciclos.

A chuva ensina a água.

A floresta ensina a diversidade.

Os animais ensinam equilíbrio.

As plantas ensinam continuidade.

As sementes ensinam futuro.

A roça ensina trabalho.

O rio ensina movimento.

Os anciãos ensinam memória.

A língua ensina identidade.

A ciência ensina a investigar.

Quando esses conhecimentos entram em diálogo, a escola pode tornar-se um espaço de fortalecimento cultural e de formação científica.

O estudante aprende que proteger a natureza não é apenas uma obrigação escolar.

É cuidar daquilo que sustenta a vida.

E aprende também que o conhecimento não termina em uma geração.

Ele passa de pessoa para pessoa.

De avó para mãe.

De mãe para filho.

De mestre para estudante.

De ancião para jovem.

De geração para geração.

A palavra continua caminhando.

A memória continua viva.

E a natureza continua ensinando.

Subantse Subatekié.

Ciências da Natureza nos Saberes Tradicionais.




GLOSSÁRIO KARIRI — PORTUGUÊS



Antse — Natureza

Radda — Mundo

Radá — Terra

Uanieá — Indígenas

Natiá — Aldeia

Ukie — Sol

Hine — Luz

Cayápri — Dia

Kaia — Noite

Aranke — Céu

Batiá — Estrelas

Kaiaku — Lua

Uché — Tempo

Tidzebæ — Relâmpago

Arankedzoá — Nuvens

Dzó — Chuva

Dzuá — Águas

Ebedzú — Fonte

Iwo Opará — Rio São Francisco

Retsé / Retséá — Floresta

Ubuá — Plantas

Keríá — Animais

Ieendeá — Pássaros

Wãmyá — Peixes

Mydzé — Pesca/peixes, conforme o contexto apresentado

Uanhí — Lavoura

Uttihu — Fruta

Tdjeá — Legumes

Bidzanuandzo — Pajé, Guardião da Cura

Dzenuandzoá — Guardiões da Cura

Dzenude — Guardião da Reza

Dzenhéá Antse — Guardiões da Natureza

Duboherí Subantse — Professor ou mestre das Ciências da Natureza

Dubosamy — Mestre que ensina a cultura como raiz

Doboherí Nunúanie — Mestre que faz a língua nativa florescer

Duboherí Torá — Mestre do Canto do Toré

Dzenu Nhenetíá — Guardião das Tradições

Dzenu Uaɲoá — Guardião dos Costumes

Dzenu Katiantse — Guardião das Abelhas Nativas

Tokenhé — Antepassados

Tokenhé Antoá — Antepassados Sagrados

Subantse — Ciências da Natureza

Kyehâ — Clima

Iworóché Kayaku — Ciclo do Tempo Lunar

Puruha — Primavera

Makye — Verão

Âradzi — Outono

Ñikudzi — Inverno



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em:

https://basenacionalcomum.mec.gov.br. Acesso em: 5 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Dzenhéá Duboheriá , Guardiões e Mestres dos Saberes do Opará. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/03/dzenhea-duboheria-guardioes-e-mestres.html?m=0 . Acesso em: 5 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Clima e Estações do Ano. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2022/08/clima-e-estacoes-do-ano.html?m=0 . Acesso em: 6 out. 2026. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Kariri-Xocó. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2018/11/calendario-kariri-xoco.html?m=0. Acesso em: 5 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Indígena, na Ordem do Ano Gregoriano. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2018/11/calendario-indigena.html?m=0. Acesso em: 5 out. 2026.

RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. O artigo definido e os numerais na língua Kiriri: Vocabulários Português-Kiriri e Kiriri-Português. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, Brasília, v. 4, n. 2, dez. 2012.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. A retomada da língua Kariri-Xocó. In: Cadernos de Linguística, v. 1, n. 3, p. 1–13. Rio de Janeiro: UFRJ, 2020. Disponível em:

 https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/254/243. Acesso em: 5 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História — Kariri-Xocó, Saberes, Contos — Volume 17 — Coletânea. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/12/woroy-historia-kariri-xoco-caminhos-e_5.html?m=0. Acesso em: 4 out. 2026.

SUZART, Elizabete Costa. Dicionário Cultural Kariri-Xocó: forma de ocupar a língua portuguesa como direito à memória e cidadania cultural. Tese (Doutorado em Crítica Cultural) – Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Alagoinhas, 2025. Disponível em:

https://www.poscritica.uneb.br/wp-content/uploads/2025/12/Suzart-Elizabete-Costa.-DICIONARIO-CULTURAL-KARIRI-XOCO_Forma-de-ocupar-a-lingua-portuguesa-como-direito-a-memoria-e-.pdf . Acesso em: 8 out. 2026.



SOBRE O AUTOR

NHENETY KARIRI-XOCÓ

Nhenety Kariri-Xocó é escritor, contador de histórias, pesquisador da memória cultural e autor de trabalhos voltados à preservação dos saberes tradicionais do povo Kariri-Xocó.

Sua produção reúne contos, fábulas, cordéis, artigos, registros históricos, vocabulários, narrativas ancestrais, conhecimentos culturais e materiais educativos.

Seu trabalho busca transformar a tradição oral em registros escritos e visuais, utilizando também as tecnologias contemporâneas como instrumentos de preservação cultural.

A natureza, o Opará, a aldeia, a memória dos antepassados, a língua indígena, as histórias dos anciãos e a educação das novas gerações constituem elementos importantes de sua produção.

Como contador de histórias, Nhenety compreende que contar é também guardar.

Escrever é continuar a transmissão.

Ensinar é plantar.

E preservar a memória é garantir que aquilo que foi recebido dos antepassados possa chegar às futuras gerações.

Nhenety significa tradição ou ser lembrado.




ENCERRAMENTO

UMA PALAVRA PARA AS NOVAS GERAÇÕES

Filhos e netos,

aprendam a olhar para a natureza.

Olhem para o céu.

Observem a Lua.

Escutem a chuva.

Conheçam o rio.

Respeitem a floresta.

Aprendam o nome das plantas.

Conheçam os animais.

Protejam as águas.

Guardem as sementes.

Ouçam os mais velhos.

Aprendam a língua.

Perguntem.

Pesquisem.

Escrevam.

Contem histórias.

Porque o conhecimento que fica guardado somente em uma pessoa pode desaparecer com ela.

Mas o conhecimento transmitido às novas gerações continua caminhando.

Que a Antse — Natureza continue ensinando.

Que o Opará continue correndo.

Que a Radá continue alimentando.

Que as Retséá continuem vivas.

Que os Keríá continuem existindo.

Que as Ubuá continuem florescendo.

E que a palavra dos Tokenhé Antoá continue viva no coração das crianças.

Somos guardiões da memória do Opará.

Iewóá 'Gratidão'.

Inatekié 'Obrigado'.





AUTOR:

Nhenety Kariri-Xocó




quarta-feira, 7 de outubro de 2026

SUBARERADÁ — GEOGRAFIA NA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ

 




Terra, Céu, Águas, Natureza, Território e Comunidade

Autor: Nhenety Kariri-Xocó




FALSA FOLHA DE ROSTO

SUBARERADÁ

GEOGRAFIA NA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ

Terra, Céu, Águas, Natureza, Território e Comunidade

Nhenety Kariri-Xocó

2026




FOLHA DE ROSTO

SUBARERADÁ — GEOGRAFIA NA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ

Terra, Céu, Águas, Natureza, Território e Comunidade

Autor, pesquisador e organizador:
Nhenety Kariri-Xocó

Obra destinada ao estudo introdutório da Geografia no Ensino Fundamental, valorizando a língua, o território, a paisagem, a natureza, a memória e os conhecimentos do povo Kariri-Xocó.

Porto Real do Colégio — Alagoas
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

SUBARERADÁ — GEOGRAFIA NA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ

Terra, Céu, Águas, Natureza, Território e Comunidade.

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Obra de caráter educacional, cultural e memorialístico, destinada à valorização dos conhecimentos geográficos relacionados à língua e ao território Kariri-Xocó.

Primeira edição — 2026

Esta obra integra o projeto de registro e valorização dos saberes ancestrais, da língua e da memória cultural Kariri-Xocó.




FICHA CATALOGRÁFICA

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Subareradá — Geografia na Língua Kariri-Xocó: Terra, Céu, Águas, Natureza, Território e Comunidade / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: edição do autor, 2026.

Livro didático-cultural.

Geografia.

Língua Kariri-Xocó.

Educação indígena.

Território indígena.

Natureza.

Paisagem.

Cultura Kariri-Xocó.

Ensino Fundamental.

CDD: 910
CDU: 91

Ficha catalográfica em caráter editorial e simbólico. A catalogação profissional poderá ser atualizada em edição destinada à publicação formal.





ISBN — SIMBÓLICO

ISBN simbólico/editorial: a definir.

Registro utilizado para fins de organização interna, identificação e memória bibliográfica da obra no acervo digital do autor.

Obra: Subareradá — Geografia na Língua Kariri-Xocó
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Ano: 2026
Edição: 1ª edição




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó





DEDICATÓRIA

Dedico este livro às crianças e aos jovens Kariri-Xocó, que caminham sobre a terra de seus antepassados e aprendem, geração após geração, a reconhecer o território, as águas, as serras, o céu, a natureza e a comunidade.

Dedico também aos anciãos e às anciãs que guardaram palavras, histórias e conhecimentos, transmitindo-os às novas gerações.

Que cada palavra Kariri aqui registrada seja uma semente lançada na terra da educação.

Às futuras gerações Kariri-Xocó, para que conheçam, valorizem e continuem contando a história de seu povo.




AGRADECIMENTOS

Agradeço aos meus antepassados, aos anciãos, às anciãs, aos mestres da tradição e a todos aqueles que contribuíram para que os conhecimentos Kariri-Xocó chegassem às novas gerações.

Agradeço à comunidade Kariri-Xocó, território vivo onde a memória, a língua, a cultura e a natureza continuam dialogando.

Agradeço especialmente às crianças e aos jovens, porque são eles que levarão adiante os conhecimentos recebidos.

Agradeço também aos pesquisadores, professores, escritores e colaboradores que contribuíram para o registro da língua e da cultura Kariri-Xocó.

Iewóá — Gratidão.




EPÍGRAFE

“A Terra é nossa casa, o território é nossa memória e a palavra é o caminho que leva o conhecimento de uma geração para outra.”

Nhenety Kariri-Xocó




PREFÁCIO DO VOLUME

Este volume nasce do encontro entre a Geografia escolar e os conhecimentos construídos e transmitidos pelo povo Kariri-Xocó.

A Geografia nos ensina a observar a Terra, compreender as paisagens, localizar os lugares, conhecer os rios, as serras, o clima, os territórios, as cidades e as atividades humanas.

Entretanto, para um povo indígena, o território não é apenas uma área representada em um mapa. Ele também é memória, história, natureza, espiritualidade, pertencimento e continuidade.

O Opará, as lagoas, as serras, os caminhos, a aldeia, as casas, os lugares sagrados e as comunidades fazem parte de uma paisagem que pode ser estudada tanto pela Geografia quanto pela memória cultural.

Este livro procura aproximar esses conhecimentos do cotidiano escolar.

Subareradá apresenta palavras e expressões relacionadas ao céu, aos planetas, às águas, ao relevo, ao clima, às divisões territoriais, às cidades, às aldeias, aos serviços e às atividades econômicas.

Seu propósito é contribuir para que o estudante perceba que aprender Geografia também pode significar aprender a olhar para o lugar onde vive.





RESUMO

Subareradá — Geografia na Língua Kariri-Xocó: Terra, Céu, Águas, Natureza, Território e Comunidade é uma obra didático-cultural destinada ao Ensino Fundamental.

O livro apresenta um conjunto de palavras e expressões da língua Kariri relacionadas aos conhecimentos geográficos, articulando conceitos de Geografia com elementos da realidade territorial e cultural Kariri-Xocó.

A obra está organizada em sete unidades: Céu e Planetas; O Relevo e as Águas; Clima e Estações; Unidades e Divisões Políticas; Cidades e Povoados Circunvizinhos; Expressões Urbanas e Étnicas; Economia e Serviços.

O conteúdo procura valorizar a observação da paisagem local, o conhecimento do território, a memória dos lugares, a relação com as águas e a transmissão dos conhecimentos entre gerações.

Palavras-chave: Geografia; Kariri-Xocó; língua indígena; território; Opará; natureza; educação indígena; cultura.




ABSTRACT

Subareradá — Geography in the Kariri-Xocó Language: Earth, Sky, Waters, Nature, Territory and Community is an educational and cultural work intended for Elementary Education.

The book presents Kariri-related words and expressions associated with geographical knowledge, connecting Geography concepts with the territorial and cultural reality of the Kariri-Xocó people.

The work is organized into seven units: Sky and Planets; Relief and Waters; Climate and Seasons; Political Units and Divisions; Neighboring Cities and Settlements; Urban and Ethnic Expressions; Economy and Services.

The book seeks to value observation of the local landscape, knowledge of territory, the memory of places, the relationship with waters, and the transmission of knowledge between generations.

Keywords: Geography; Kariri-Xocó; Indigenous language; territory; Opará; nature; Indigenous education; culture.




NOTA DO AUTOR

Este livro é resultado de um trabalho de registro, organização e valorização de palavras, expressões e conhecimentos relacionados à Geografia na língua Kariri.

A proposta não é separar o conhecimento tradicional do conhecimento escolar, mas estabelecer uma ponte entre eles.

O estudante pode aprender um conceito geográfico e, ao mesmo tempo, descobrir como determinados elementos do seu território são nomeados e compreendidos na língua Kariri.

O livro também registra nomes de lugares conhecidos pela comunidade e expressões relacionadas à vida cotidiana.

Algumas palavras apresentam referências às variantes Dzubukuá e Kipeá, conforme as fontes utilizadas. As formas linguísticas e suas interpretações devem continuar sendo estudadas, discutidas e aperfeiçoadas pelos próprios falantes, pesquisadores e educadores.

Esta obra, portanto, é também um registro em construção.




MEMÓRIA DO AUTOR

Sou Nhenety Kariri-Xocó, contador de histórias e escritor dedicado ao registro da memória, da cultura e dos conhecimentos do povo Kariri-Xocó.

Minha trajetória está profundamente ligada à comunidade, ao território, ao Opará e às histórias transmitidas pelos mais velhos.

Ao longo dos anos, venho registrando palavras, histórias, costumes, lugares, personagens, acontecimentos e conhecimentos que fazem parte da memória coletiva.

A escrita tornou-se uma forma de guardar aquilo que antes circulava principalmente pela oralidade.

A tecnologia também passou a fazer parte desse caminho. Livros, artigos, imagens e acervos digitais permitem que conhecimentos antigos encontrem novas formas de chegar às crianças e aos jovens.

Este livro nasce dessa caminhada.

Ao reunir palavras relacionadas à Geografia, procuro mostrar que o território também pode ser lido através da língua.

Cada nome de rio, lagoa, serra, aldeia, caminho ou lugar pode carregar uma história.

Por isso, escrever é também lembrar.

E lembrar é continuar vivendo a memória.




APRESENTAÇÃO

A Geografia é o estudo da Terra, dos lugares, das paisagens, das águas, do clima, do território e das relações entre as pessoas e a natureza.

Para o povo Kariri-Xocó, estudar a Geografia também significa conhecer e valorizar o próprio território, seus rios, lagoas, serras, caminhos, aldeias, cidades, comunidades e lugares sagrados.

Subareradá apresenta palavras e expressões da língua Kariri relacionadas aos conhecimentos geográficos. O estudo começa pelo céu e pelos planetas, passa pelo relevo e pelas águas, observa o clima e as estações do ano, conhece as divisões políticas, os municípios e povoados do entorno e chega às formas de organização da comunidade, da economia e dos serviços.

Assim, a Geografia deixa de ser apenas o estudo de lugares distantes e passa também a olhar para o lugar onde vivemos.

O Opará, as lagoas, as serras, os caminhos, as casas, a aldeia e as comunidades fazem parte de uma paisagem viva, construída pela natureza e também pela história do povo Kariri-Xocó.

Este livro procura contribuir para que crianças e jovens conheçam novas palavras, reconheçam seu território e percebam que a língua também guarda conhecimentos sobre a Terra.




INTRODUÇÃO

O QUE É SUBARERADÁ?


Subareradá é o título que reúne neste livro os conhecimentos relacionados ao estudo da Terra e da Geografia na língua Kariri-Xocó.

Estudar Geografia é aprender a observar:

o céu;

o Sol, a Lua e as estrelas;

a Terra e os planetas;

as montanhas e serras;

os rios e as lagoas;

o clima e as estações;

os territórios;

as aldeias, cidades e povoados;

os caminhos e meios de transporte;

as atividades econômicas;

a relação entre natureza e comunidade.

A Geografia também nos ajuda a responder perguntas importantes:

Onde estamos?

Como é o lugar onde vivemos?

Quais águas existem em nosso território?

Quais serras e morros fazem parte da paisagem?

Como o clima influencia nossa vida?

Como as pessoas utilizam a terra e as águas?

Como o território está organizado?

Conhecer o território é também conhecer parte da memória e da história de um povo.





SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto

Folha de Rosto

Verso da Folha de Rosto

Ficha Catalográfica

ISBN ( Simbólico )

Prefácio Oficial da Coleção

Esclarecimento do Autor

Dedicatória

Agradecimentos

Epígrafe

Prefácio do Volume

Resumo

Abstract

Nota do Autor

Memória do Autor

Apresentação

Introdução

Sumário

Unidade I — Céu e Planetas

Unidade II — O Relevo e as Águas

Unidade III — Clima e Estações

Unidade IV — Unidades e Divisões Políticas

Unidade V — Cidades e Povoados Circunvizinhos

Unidade VI — Expressões Urbanas e Étnicas na Língua Kariri

Unidade VII — Economia e Serviços

Considerações Finais

Glossário Kariri-Português

Referências Bibliográficas

Sobre o Autor





UNIDADE I — CÉU E PLANETAS

O céu sempre despertou a curiosidade dos povos. O Sol, a Lua, as estrelas, as nuvens e os planetas fazem parte da paisagem observada pelos seres humanos desde os tempos antigos.

Na língua Kariri-Xocó, encontramos palavras relacionadas ao céu e aos elementos da natureza.


Vocabulário


Aranke — céu, firmamento, espaço.

Kaiaku — Lua.

Ukie — Sol.

Batti — estrela.

Arankedzoá — nuvens.

Antse — natureza.

Radda — mundo.

Radá — Terra.


Os planetas


Badzae — Mercúrio.
Lit.: mundo de Badzé.

Wanagidzoe kye — Vênus.
Lit.: mundo de Wanaguidze/Warakidzã.

Da kye — Terra.
Lit.: mundo de terra.

Dhu kye — Marte.
Lit.: mundo de fogo.

Yoe kye — Júpiter.
Lit.: mundo grande.

Tsadzi kye — Saturno.
Lit.: mundo da primeira mulher.

Yoepa kye — Urano.
Lit.: mundo do pai grande.

Dzuhe kye — Netuno.
Lit.: mundo da senhora das águas.

Ñahe kye — Plutão.
Lit.: mundo do senhor da morte.



ATIVIDADE

O que significa Aranke?

Como se diz Lua na língua Kariri?

Qual palavra significa Sol?

Observe o céu durante o dia e durante a noite. O que muda?

Desenhe o céu visto de sua aldeia ou comunidade.




UNIDADE II — O RELEVO E AS ÁGUAS

O relevo é formado pelas diferentes formas da superfície da Terra. Montanhas, serras, morros, vales e planícies fazem parte das paisagens.

As águas também são fundamentais para a vida. Rios, lagoas, mares e outras fontes de água estão relacionados à alimentação, ao transporte, à cultura e à história dos povos.

No território Kariri-Xocó, o Opará ocupa um lugar especial.


Vocabulário


Aindzu — mar, grande água.

Siririté — serras ou montanhas.

Maraba — serra ao norte da Aldeia Kariri-Xocó; significa “Povo do Mar”.

Apreaca — serra ao noroeste da Terra Indígena Kariri-Xocó; significa “Ponta de Flecha”.

Opará — Rio São Francisco.

Iwo — rio.

Itiúba — terra alagadiça; relacionado à várzea e ao “Rio da canoa”.

Dzurió — lagoa.

Boêdo — morro.

Dzurichi — Lagoa Comprida.

Dzurió Curéá — Lagoa dos Porcos.

Hechi Wathõ — Alto do Bode, morro sagrado e antigo local do Ouricuri.

Boêdo da Dzurió Tasí — Morro da Lagoa da Enxada.


O Opará

O Opará, nome tradicional do Rio São Francisco, é um dos elementos fundamentais da paisagem e da história da região.

Suas águas estão relacionadas à pesca, à navegação, às comunidades ribeirinhas, às lagoas e aos modos de vida dos povos que vivem às suas margens.



ATIVIDADE


Faça um desenho representando:

Opará → lagoa → aldeia → serra → comunidade

Depois, escreva ao lado de cada elemento o seu nome em Kariri.




UNIDADE III — CLIMA E ESTAÇÕES

O clima influencia a vida das pessoas, dos animais e das plantas. A temperatura, os ventos, as chuvas e os períodos secos fazem parte da observação cotidiana da natureza.


Vocabulário


Kyehâ — clima.

Bâlinâ — meteorologia.

Kyehânâ — climatologia.

Puruha — primavera; lit.: nascer das flores.

Makye — verão; lit.: sol que queima, escaldante.

Âradzi — outono; lit.: cair das folhas.

Ñikudzi — inverno; lit.: cair da geada.

Uché — tempo, período.

Cunhí — frio.

Tedzó — chover.

Dzo — chuva.

Tinhecú — choviscar.



ATIVIDADE — OBSERVANDO O TEMPO NA COMUNIDADE


Durante uma semana, observe diariamente como está o tempo no lugar onde você mora. A observação pode ser feita pela manhã ou em outro horário combinado com o professor.

Preste atenção no céu, nas nuvens, no Sol, na chuva e no vento.

Observe se o dia está ensolarado, nublado ou com chuva. Perceba também se há vento e, quando possível, se ele está fraco, moderado ou forte.

Depois de observar, registre suas descobertas no quadro abaixo. Para cada dia, você pode marcar com um X os elementos que foram observados.



REGISTRO DA OBSERVAÇÃO


Dia da Semana


Sol

Nuvens

Chuva

Vento


Segunda-feira ☐☐☐☐

Terça-feira ☐☐☐☐

Quarta-feira ☐☐☐☐

Quinta-feira ☐☐☐☐

Sexta-feira ☐☐☐☐


Orientação: marque com um X ou ✓ os elementos observados em cada dia.


Depois da observação


Responda:


1. Em qual dia o céu estava mais ensolarado?

2. Em qual dia você observou mais nuvens?

3. Choveu durante a semana? Em qual dia?

4. Em quais dias você percebeu a presença de vento?

5. O tempo permaneceu igual durante toda a semana ou mudou?

6. Como estava o tempo no dia em que você realizou esta atividade?


Conversando com a turma


Depois de preencher o quadro, compare suas observações com as de seus colegas.

Vocês observaram as mesmas condições do tempo?

Conversem sobre as diferenças encontradas. Percebam que o tempo pode mudar de um dia para outro e até mesmo durante o mesmo dia.



PALAVRAS KARIRI PARA LEMBRAR


Kyehâ — clima.

Uché — tempo, período.

Ukie — Sol.

Arankedzoá — nuvens.

Dzo — chuva.

Tedzó — chover.

Tinhecú — choviscar.

Cunhí — frio.

Aranke — céu.



DESAFIO


Durante a próxima semana, continue observando o céu e o tempo.

Escolha um dia e faça um desenho da paisagem da sua comunidade, mostrando o céu, o Sol ou as nuvens, a vegetação, as casas, as águas, as serras ou outros elementos que você consiga observar.

Escreva abaixo do desenho uma frase contando como estava o tempo naquele momento.





UNIDADE IV — UNIDADES E DIVISÕES POLÍTICAS

Os territórios são organizados de diferentes maneiras. Existem países, estados, regiões, municípios, cidades, aldeias e outras formas de organização territorial.


Vocabulário


Nanheraí — chefe branco.

Klâratsâ — presidente.

Naratsâ — governador.

Yâbatsâ — prefeito.

Dumedili — vereador; literalmente, “aquele que dá dizer”, ou conselheiro.

Nanheua — chefe indígena.

Nanhe — cacique, chefe político da aldeia.

Bidzamu — pajé, chefe religioso da aldeia.

Nara — estado; lit.: repartir-chão ou chão repartido.

Dhaera — região; lit.: mãe-chão ou terra-mãe.

Dzura — país; lit.: pai-chão ou terra-pai.

Kyedaete — federação; ideia de união ou amizade atada.

Ye tsoeho — república; lit.: carga/fardo do povo.



ATIVIDADE


Complete:


Aldeia → Município → Estado → País

Depois procure em um mapa onde está localizada a Terra Indígena Kariri-Xocó.




UNIDADE V — CIDADES E POVOADOS DO ENTORNO

O território Kariri-Xocó está relacionado a diversas comunidades, cidades e povoados situados nas proximidades do Opará.

Entre eles estão:

Propriá — cidade sergipana situada às margens do Opará, em frente a Porto Real do Colégio.

Gararu — cidade sergipana às margens do Opará.

Pacatuba — município sergipano.

Traipu — cidade e município de Alagoas.

Japaratuba — município sergipano e nome de rio.

Jirau ou Girau — povoado de Porto Real do Colégio.

Tapera — povoado do município de Porto Real do Colégio.

Tibiri — povoado do município de São Brás.

Angico — povoado do município de Porto Real do Colégio e também nome de árvore.



ATIVIDADE DE MAPA


Com auxílio de um mapa:


Localize Porto Real do Colégio.

Localize o Opará.

Localize Propriá.


Identifique quais localidades estão em Alagoas e quais estão em Sergipe.

Desenhe o caminho aproximado entre sua aldeia e uma dessas localidades.




UNIDADE VI — EXPRESSÕES URBANAS E ÉTNICAS

A língua também pode nomear os lugares onde as pessoas vivem, estudam, trabalham, circulam e se encontram.


Vocabulário


Bohé — coletivo, grupo, muito.

Tseho — gente.

Uanie — índio.

Kariri — canto da lagoa.

Xocó — socó, pássaro da lagoa.

Natiá — aldeia.

Natianie — aldeia indígena tradicional.

Naticróraí — aldeia de pedra dos brancos, povoação.

Naticróbeá — cidades ribeirinhas.

Natierácró — aldeia urbana, com casas de pedra; cidade.

Natiuani Erácró — aldeia indígena urbana.

Natiwaré — aldeia dos padres.

Erátekié — Colégio dos Padres, Jesuítas.

Woderáehó Uanie — Rua dos Índios.

Erátekié Uanie — Escola Indígena.

Ubacródzuá — Porto das Canoas.

Króeránaí — Porto Real do Colégio.

Erantoá — Casa dos Santos, igreja.

Iabaerá — conjuntos residenciais.

Wohoerá — quintal da casa.

Hinebakró — poste de luz elétrica.

Bypeddá — campo de jogar futebol.

Natisamyá — aldeias culturais.

Erádékan — polo-base de saúde.

Erákemydzu — estação de tratamento d'água.

Wanheré Uanhícó — Fazenda Sementeira.

Iuwó Merata — estrada de ferro.

Iuwóiró — rodovia, estrada preta.

Uocró Idabacrú — ponte sobre o rio.




UNIDADE VII — ECONOMIA E SERVIÇOS

A Geografia também estuda as atividades realizadas pelas pessoas para produzir, transportar, comprar, vender e utilizar produtos e serviços.

No território Kariri-Xocó, diferentes atividades fazem parte da história e da vida cotidiana.


Vocabulário


Namytse Ubácruté — serviço da canoa de passageiros.

Namytse Ubauipú — serviço de lancha de passageiros. 

Namytse Ibákabaru — serviço da carroça de cavalo.

Natéibá Itoibápoiete — serviço de motorista de automóvel de passageiros.

Namytse Ibaranú Natiá — serviço de mototáxi.

Dembé / Eismbé — compra e venda.

Buruhúá — artesanatos.

Ruñohú — cerâmica.

Atsemiucan — pessoa que leva coisa boa para vender; vendedor ambulante.

Mydzé — pesca.

Sitó — caçar.

Bichénaté — agricultura.

Natékeriá — pecuária.



ATIVIDADE


Converse com uma pessoa mais velha da comunidade e pergunte:

Quais eram os meios de transporte utilizados antigamente?

Como as pessoas pescavam?

Como eram feitas as roças?

Quais artesanatos eram produzidos?

Quais atividades continuam atualmente?

Registre as respostas e compare passado e presente.




CONCLUSÃO

Estudar Subareradá é aprender a olhar para a Terra a partir do conhecimento e da experiência do povo Kariri-Xocó.

O céu possui seus nomes.

A Terra possui seus nomes.

As águas possuem seus nomes.

As serras possuem seus nomes.

As aldeias, ruas, caminhos, cidades e lugares também possuem seus nomes.

Cada palavra pode guardar uma lembrança, uma paisagem, uma história ou uma maneira de compreender o mundo.

Por isso, aprender Geografia na língua Kariri-Xocó é também fortalecer a memória, reconhecer o território e valorizar os conhecimentos transmitidos entre gerações.

Terra, água, céu, natureza, território e comunidade formam um grande caminho de conhecimento.




AUTORIA


Nhenety Kariri-Xocó


Contador de Histórias e guardião da memória do Opará.

SUBARERADÁ — GEOGRAFIA NA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ

Terra, Céu, Águas, Natureza, Território e Comunidade




CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Geografia pode ser aprendida olhando para o mundo e também olhando para o lugar onde vivemos.

O povo Kariri-Xocó possui uma relação profunda com seu território, com as águas, com as paisagens, com a natureza e com a memória dos lugares.

O estudo da Geografia na língua Kariri permite que o estudante reconheça que sua própria língua pode nomear o céu, a Terra, os rios, as lagoas, as serras, as aldeias, as cidades e as atividades humanas.

Assim, a escola pode ser um espaço onde o conhecimento tradicional e o conhecimento escolar dialogam.

Subareradá é, portanto, um caminho de aprendizagem.

Um caminho que começa no céu, passa pela Terra, acompanha as águas, observa o clima, percorre o território, chega às aldeias e cidades e termina nas atividades realizadas pelas pessoas.

Mas esse caminho não termina realmente.

Ele continua com cada criança que aprende uma palavra, cada jovem que pergunta a um ancião, cada professor que ensina e cada geração que transmite seus conhecimentos.

A palavra guarda o território.
O território guarda a memória.
E a memória continua viva quando é transmitida.




GLOSSÁRIO KARIRI–PORTUGUÊS

A

Aindzu — mar, grande água.

Antse — natureza.

Apreaca — serra; “Ponta de Flecha”.

Aranke — céu, firmamento, espaço.

Arankedzoá — nuvens.

B

Bâlinâ — meteorologia.

Batti — estrela.

Bidzamu — pajé, chefe religioso da aldeia.

Bichénaté — agricultura.

Boêdo — morro.

Bohé — coletivo, grupo, muito.

Buruhúá — artesanatos.

Bypeddá — campo de jogar futebol.

C

Cunhí — frio.

D

Dembé / Eismbé — compra e venda.

Dhaera — região.

Dhu kye — Marte.

Dzo — chuva.

Dzuhe kye — Netuno.

Dzura — país.

Dzurió — lagoa.

Dzurió Curéá — Lagoa dos Porcos.

Dzurichi — Lagoa Comprida.

E

Erádékan — polo-base de saúde.

Erákemydzu — estação de tratamento
d'água.

Erántekié / Erátekié — Colégio dos Padres, Jesuítas.

Erantoá — casa dos santos, igreja.

Erátekié Uanie — Escola Indígena.

H

Hechi Wathõ — Alto do Bode, morro sagrado.

Hinebakró — poste de luz elétrica.

I

Iabaerá — conjuntos residenciais.

Itiúba — terra alagadiça / várzea; “Rio da canoa”.

Iuwó Merata — estrada de ferro.

Iuwóiró — rodovia, estrada preta.

Iwo — rio.

K

Kaiaku — Lua.

Kariri — canto da lagoa.

Klâratsâ — presidente.

Króeránaí — Porto Real do Colégio.

Kyedaete — federação.

Kyehâ — clima.

Kyehânâ — climatologia.

M

Makye — verão.

Maraba — serra ao norte da Aldeia Kariri-Xocó.

Mydzé — pesca.

N

Nara — estado.

Naratsâ — governador.

Natiá — aldeia.

Natianie — aldeia indígena tradicional.

Naticróbeá — cidades ribeirinhas.

Naticróraí — povoação.

Natéibá Itoibápoiete — serviço de motorista de automóvel de passageiros.

Natékeriá — pecuária.

Natiwaré — aldeia dos padres.

Nanhe — cacique, chefe político da aldeia.

Nanheua — chefe indígena.

Nanheraí — chefe branco.

Namytse Ibaranú Natiá — serviço de mototáxi.

Namytse Ibákabaru — serviço de carroça de cavalo.

Namytse Ubácruté — serviço de canoa de passageiros.

Namytse Ubauipú — serviço de lancha de passageiros ).

Natisamyá — aldeias culturais.

Natierácró — aldeia urbana, cidade.

Natiuani Erácró — aldeia indígena urbana.

Ñahe kye — Plutão.

Ñikudzi — inverno.

O

Opará — Rio São Francisco.

P

Puruha — primavera.

R

Radá — Terra.

Radda — mundo.

Ruñohú — cerâmica.

S

Siririté — serras ou montanhas.

Sitó — caçar.

T

Tedzó — chover.

Tinhecú — choviscar.

Tseho — gente.

U

Uanie — índio.

Ubacródzuá — Porto das Canoas.

Uché — tempo, período.

Ukie — Sol.

W

Wanagidzoe kye — Vênus.

Wanheré Uanhícó — Fazenda Sementeira.

Woderáehó Uanie — Rua dos Índios.

Wohoerá — quintal da casa.

Y

Yâbatsâ — prefeito.

Ye tsoeho — república.

Yoepa kye — Urano.

Yoe kye — Júpiter.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 



KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Cargos Políticos do Poder Executivo. Disponível em: 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Clima e Estações do Ano. Disponível em: 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Sugestões de Nomes Planetas e Sistema Solar. Disponível em: 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Unidades Políticas Kariri. Disponível em: 


SUZART, Elizabete Costa. Dicionário Cultural para uma Prática Escrita Kariri-Xocó. Revista da Associação Internacional de Pesquisa em Crítica Cultural (ASIPC), v. 1, n. 1, 2018.





SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é escritor, contador de histórias e pesquisador da memória cultural do povo Kariri-Xocó.

Sua produção reúne histórias, contos, fábulas, cordéis, artigos, registros históricos, vocabulários e obras voltadas à valorização da cultura, da língua, do território e dos conhecimentos ancestrais.

Seu trabalho procura aproximar a tradição oral das novas formas de registro, utilizando a escrita, a imagem e as tecnologias digitais como instrumentos de preservação e transmissão da memória.

Entre seus temas estão a história Kariri-Xocó, o Opará, a aldeia, os ancestrais, a língua, a natureza, a educação, a cultura e a identidade.

Como contador de histórias, compreende a palavra como uma ponte entre passado, presente e futuro.

Nhenety significa tradição ou ser lembrado.

Por meio de seus livros e do seu acervo digital, o autor procura contribuir para que os saberes do povo Kariri-Xocó permaneçam vivos e possam continuar sendo conhecidos pelas novas gerações.


Lema do autor


“Somos guardiões da memória do Opará.”


FIM

SUBARERADÁ — GEOGRAFIA NA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ

Terra, Céu, Águas, Natureza, Território e Comunidade




AUTOR:

Nhenety Kariri-Xocó

2026