quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

MERÁ YEEMERÃKIÉ, O CAMPO DA AVIAÇÃO






Conto inspirado em memórias de Porto Real do Colégio

Naquele tempo em que a Iuwó Merata, a Estrada de Ferro, cortava a terra de Porto Real do Colégio como um risco firme no mapa do destino, o lado leste da cidade ganhou também um outro sinal de progresso: o Merá Yeemerãkié, o Campo de Aviação.


Era um campo largo, de chão batido e horizonte aberto, feito para receber Yeemerãkié — aviões bimotores pequenos, barulhentos, que chegavam como aves metálicas vindas de longe. Ali pousavam os Dubonaté, técnicos e mestres de obras, homens de fala apressada e olhar atento, e às vezes também os Nanheá, autoridades do governo, que vinham observar, mandar e partir.


Não havia asfalto, nem marcas pintadas no chão. O que mandava ali era o vento. No centro do campo erguia-se o Crupuhami, a biruta: um pano preso a uma vara alta, que dançava ao sopro invisível do ar e ensinava aos pilotos o caminho seguro da descida. Para nós, crianças e curiosos, aquele pano era um sinal mágico — quando se movia, algo estava para acontecer.

E acontecia.


Quando um Yeemerãkié surgia no céu, dando voltas lentas como quem escolhe o lugar exato para tocar a terra, a notícia corria mais rápida que o vento. Nós largávamos tudo: a conversa, a brincadeira, o descanso. Corríamos em bando até o campo, mantendo distância, mas com os olhos arregalados e o coração acelerado. O ronco dos motores fazia o chão vibrar e parecia anunciar que o mundo lá de fora estava nos visitando.


O campo não era só terra plana; era portal. Ali pousavam novidades, ideias, promessas de mudança. Mas o tempo, como sempre, não pousa — ele passa.

Quando começou a construção da Iuwóiró, a rodovia de asfalto, estrada preta que riscou o chão com outra lógica, o Merá Yeemerãkié começou a encolher. Um pedaço aqui, outro ali, até que o silêncio foi tomando o lugar do ronco dos motores. Depois veio a Uocró Idabacrú, a ponte sobre o rio, e com ela o fim definitivo do campo.


No início da década de 1970, o Merá Yeemerãkié já não recebia mais aviões. Restou a terra, a memória e o vento — que ainda sopra, mesmo sem biruta para indicar seu caminho.


E quem viveu aquele tempo sabe: houve um dia em que o céu descia até o chão de Porto Real do Colégio, e nós corríamos para ver.






Autor: Nhenety Kariri-Xocó 






ANRAMY ERAIBÁME, OS ESTIVADORES DA ESTAÇÃO






O Ibámeraipu, o trem, chegou a Porto Real do Colégio como quem anuncia um novo tempo. Era meados do século XX, e o apito da Maria-Fumaça ecoou pelas margens do Opará, chamando o povo para ver, ouvir e sentir a Eraibáme, nascer. A estação foi inaugurada em dia de festa: bandeirolas ao vento, autoridades de paletó engomado, crianças correndo, mulheres de vestido simples e olhos curiosos. O chão parecia tremer de alegria.


Pela Iuwó Merata, a estrada de ferro, vinham diferentes Ibámeraipu. Havia o trem Maria-Fumaça, cuspindo fumaça preta como nuvem de chuva; o Ibámeraipu Itohiquiete, trazendo passageiros, histórias e novidades; e o Ibámeraipu Damy, pesado, lento, carregado de riqueza bruta e suor humano. Cada chegada era um acontecimento, cada parada, um pequeno ritual.


Com o trem, a região despertou. O comércio cresceu, turistas começaram a aparecer e a Eraibáme virou lugar de trabalho e encontro. Entre os homens que ali labutavam estavam os Anramy, os estivadores — muitos deles indígenas, filhos da terra, acostumados ao peso da vida e à força dos braços. Eles conheciam o ritmo do trem, o tempo da carga e o silêncio que precede o esforço.


Do Ibámeraipu Damy desciam sacas e mais sacas: Uanhí, grãos e cereais; Masiche, o milho dourado; Cromera, minério de ferro pesado como destino; Sekiraê, o açúcar branco que adoçava terras distantes. Os Anramy carregavam tudo nos ombros, passo firme, suor escorrendo, levando as sacas até o Carnaúba, o armazém que guardava o coração econômico daquele tempo.


Naqueles dias, o trem cortava a cidade de Porto Real do Colégio como um rio de ferro. Depois, seguia até as margens do Opará, onde parava e esperava. Ali, sobre a Eyemé Merata, a balsa de ferro, atravessava o rio rumo a Propriá, em Sergipe. O trem parecia aprender a navegar, respeitando as águas antigas do Velho Chico.


O trabalho na estação marcou gerações. Ficou gravado nas mãos calejadas, nas costas curvadas, nas histórias contadas ao entardecer. Mas o tempo, como o próprio Ibámeraipu, não para. Em dezembro de 1972, com a inauguração da Uocró Idabacrú, a ponte sobre o rio, o trem mudou sua rota. A Eraibáme silenciou aos poucos.


Ainda assim, para quem viveu aquele tempo, nada se perdeu. A estação continua viva na memória do povo, no eco distante do apito e na lembrança dos Anramy Eraibáme — os estivadores que sustentaram, com força e dignidade, a passagem do trem pela história de Porto Real do Colégio.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó 






quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

IGABOROU DAMY, O CAVALO DE CARGA






No tempo em que o mundo andava devagar, quando ainda não existiam os Ibápohduá, os automóveis barulhentos, nem o Ibámeraipu, o trem de ferro cortando distâncias, os Iuwóá Radda — caminhos de terra — eram as veias abertas do Opará. Por elas passava a vida, marcada pelo som ritmado dos cascos e pelo ranger das cargas bem amarradas.


Era o tempo dos Igaborouá Damy, os cavalos de carga. Animais fortes, pacientes, que conheciam o caminho melhor que muito cristão. Sobre seus lombos seguia o sustento, a esperança e o trabalho de muitos povos. Onde hoje corre pressa, antes caminhava o tropeirismo — o vai-e-vem silencioso das mercadorias conduzidas por tropas de homens e cavalos.


Os Kariri chamavam aquele movimento de Bohé Anraná Igaborou, o grupo de homens de cavalos. Eles partiam em Itohiquiete, longas viagens, levando Damyá, as cargas, rumo às Naticróraí, as cidades espalhadas pelo interior do Brasil. O sol queimava a pele, a poeira grudava no suor, mas ninguém reclamava: o caminho era duro, porém conhecido.


Na Aldeia Kariri-Xocó, os mais velhos ainda contam, com voz mansa e olhos longe, sobre o indígena Gravié, tropeiro de respeito e curador. Dizem que ele falava pouco, mas seus cavalos entendiam tudo. Depois dele, seu sobrinho Profírio seguiu o mesmo rumo, já no começo do século XX, mantendo viva a lida antiga de transportar o mundo no lombo dos animais.


Até perto de 1970, não havia estrada de asfalto naquela região. O que existia era a estrada antiga, de barro vermelho e pedra solta, onde o transporte seguia no passo do cavalo. Cada viagem era um risco, cada chegada, uma vitória.


Às quintas-feiras, na Eisdembé, a Feira da Rua de Porto Real do Colégio, a cena se repetia como um ritual. Os matutos do interior chegavam cansados e famintos. Jantavam na casa de Indaiá, indígena acolhedora, enquanto na frente da casa se formava um mar de cavalos amarrados, respirando fundo após a jornada. Na sexta-feira cedo, as mercadorias seguiam para o centro da cidade, onde viravam troca, sustento e história.


Hoje, o asfalto cobre os antigos caminhos, e os cavalos quase não passam mais. Mas quem escuta com atenção ainda ouve, no fundo da terra, o som dos cascos dos Igaborouá Damy, lembrando que antes da pressa existia o passo, antes do motor existia o fôlego, e antes do esquecimento existia a memória.


E ela continua viva, contada de boca em boca, como deve ser.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




UCHÉ IBÁDZÓ — NO TEMPO DO CARRO DE BOI

 






Houve um tempo antigo, um Uché em que o mundo caminhava devagar, no mesmo ritmo do sol e dos passos do boi. Naquele tempo, os Caraí, os homens brancos, chamaram o grande rio de Rio dos Currais.


Mas os Kariris, atentos ao sentido das coisas, logo compreenderam de outro modo e passaram a chamá-lo de Iwo Dedíá, o Rio dos Currais, porque foi exatamente nesse tempo que o Cradzó, o boi, chegou às margens do Opará.

Era um tempo de mudança.


Os indígenas passaram a viver na Natiwaré, a Aldeia dos Padres, onde os missionários ergueram o Erátekié, o Colégio dos Jesuítas. Ali, entre rezas, sinos e ensinamentos, tentavam introduzir a cultura cristã nos costumes trazidos pelos Peró, os portugueses. Mas a terra, silenciosa e paciente, continuava ensinando do seu próprio jeito.


Com a construção das Erácró, as Casas de Pedra, chegou também um novo modo de caminhar sobre o chão. Os colonizadores trouxeram um transporte pesado, de madeira rangente e passos lentos. Os Kariris deram-lhe nome, como sempre fizeram com tudo o que passa a existir: Ibádzó.


Ibá, o carro.

Cradzó, o boi.


Assim nasceu o nome que atravessaria gerações.


O Ibádzó tornou-se parte da vida cotidiana. Era ele quem levava o fruto do trabalho da terra: o Masiche, o milho dourado; o Geɲe, o feijão miúdo; os Uanhí, grãos e cereais; e o Abati-uaupé, o arroz que alimentava o corpo e a esperança. Rangendo, lento, paciente, o carro de boi cruzava caminhos de barro, puxando não apenas colheitas, mas histórias.


O tempo seguiu seu curso, como o rio. Séculos passaram. O Ibádzó resistiu ao esquecimento e chegou aos tempos mais próximos, aqueles que ainda moram na lembrança dos mais velhos. Muitos recordam Teipó, o indígena cuidador do carro de boi da senhora Maria Matildes.


Dizem que até o ano de 1944 ele ainda conduzia o Ibádzó, com mãos firmes e olhos atentos, como quem guarda um saber antigo.


Hoje, a Aldeia já não possui mais um Ibádzó. O silêncio tomou o lugar do rangido das rodas. Mas, por todo o Opará e pelo Nordeste do Brasil, a tradição do Carro de Boi ainda respira. Vive nas festas, nos caminhos de terra, na memória dos povos e no coração daqueles que sabem que certas coisas não morrem — apenas caminham mais devagar.


E assim, no compasso do boi e da madeira, o tempo continua passando.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 






UBAUIPÚ ITOHIQUIETE – A LANCHA DOS VIAJANTES






O Uché, o Tempo, não caminhava: ele deslizava manso sobre as Dzuá, as águas do Opará. E quem soubesse olhar percebia que algo estava mudando. As antigas Ubácruté, canoas de pano que durante décadas cortaram o rio com paciência e coragem, começavam a ceder espaço a uma nova forma de viajar.


Chegavam as Ubauipú Itohiquiete, as Lanchas dos Viajantes. Eram canoas transformadas, agora com cobertura firme e motor a diesel no ventre, rompendo a correnteza com mais ligeireza. O rio era o mesmo, mas o jeito de atravessá-lo ganhava outro ritmo.


No Baixo São Francisco, quase toda Ubauipú carregava uma história anterior. Antes lancha, fora Ubácruté. As mãos que um dia esticaram pano e confiaram no vento, agora aprenderam a domar o motor. Não era abandono do passado, mas continuação — evolução que respeita a origem.


No antigo Radamy Cródzu, o Porto de Baixo, onde antes repousavam as canoas de pano, o cenário se renovava. As Ubauipúá alinhavam-se à margem, prontas para a travessia entre Porto Real do Colégio e Propriá. De um lado e do outro do rio, pessoas, histórias, mercadorias e esperanças cruzavam juntas.


Cada lancha levava quarenta passageiros e três tripulantes. Custava pouco atravessar: três reais para quem escolhia o rio, seis para quem seguia pelo Ibápohduá, o automóvel, pelas estradas de terra e asfalto. Mas não era só o preço que pesava na escolha. Havia quem preferisse o balanço das águas, o vento no rosto, o cheiro do rio vivo.


Mesmo com as rodovias cortando a paisagem e os transportes terrestres acelerando o mundo, as Ubauipúá continuavam essenciais. Não apenas como meio de transporte, mas como elo cultural. Para muitos, entrar numa lancha não era só atravessar: era Tuyokié, passear com o rio, conversar com o Opará, lembrar que a vida também sabe fluir.


E assim, enquanto o Tempo seguia mudando, as Lanchas dos Viajantes continuavam indo e vindo, levando no casco não apenas pessoas, mas a memória viva de um povo que aprendeu a transformar sem esquecer.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó




terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

NAMYTSE UBÁCRUTÉ – O SERVIÇO DA CANOA DE PASSAGEIROS






O Opará corria largo e paciente, como quem guarda segredos antigos. Suas águas sabiam os nomes dos ventos, das margens e dos homens. Muito antes do ronco dos motores e do asfalto quente das estradas, era nele que vivia o Namytse, o serviço silencioso e constante que unia pessoas, mercadorias e destinos.


As Ubácruté, canoas de pano, deslizavam sobre o rio como se fossem extensão da própria água. Não havia pressa. Havia tempo. Tempo de observar o céu, de sentir o balanço manso da travessia, de ouvir histórias contadas em voz baixa enquanto a canoa cortava o espelho do Opará. Eram elas que ligavam as Naticróbeá, as cidades ribeirinhas, levando gente, arroz, farinha, sonhos e notícias.



No Baixo São Francisco, a travessia entre Porto Real do Colégio e Propriá era mais que caminho: era rotina de vida. Por séculos, a canoa foi o único meio possível, a ponte viva entre Alagoas e Sergipe. Crianças, trabalhadores, comerciantes, anciãos — todos confiavam seus passos às mãos firmes dos canoeiros, que conheciam o rio como quem conhece o próprio corpo.


Em Colégio, ainda repousa o Radamy Cródzu, o Porto de Baixo. Ali, o chão guarda marcas invisíveis de sacas descarregadas, de pés descalços, de despedidas e reencontros. Dali partiam mercadorias das fábricas de beneficiamento de arroz e dali também partiam pessoas, rumo à outra margem, rumo a outros destinos que o rio permitia alcançar.


Mas o tempo mudou o curso das coisas. Na década de 1970, a estrada chegou com sua promessa de rapidez. A BR-101 rasgou o país de Norte a Sul, e o que era água virou pó. A navegação das canoas foi silenciando, pouco a pouco. O Namytse perdeu passageiros, e as Ubácruté passaram a esperar mais do que navegar.


Ainda assim, o Opará não esqueceu. O rio continua correndo, guardando na memória das águas o som dos remos, o ranger da madeira, as vozes que cruzavam de uma margem à outra. Quem escuta com atenção ainda pode ouvir: a canoa não morreu — ela apenas repousa na lembrança viva do povo que aprendeu a atravessar o mundo sobre as águas.


A Ubácruté, canoa de pano era também chamada de Ubácruté Itohiquiete, canoa dos viajantes que levavam pessoas do litora até o sertão subindo e descendo o Opará, elas não desapareceram, algumas resiste ao tempo com novas configurações. 





Autor: Nhenety Kariri-Xocó



WOROY SAICRÃ BOIGHYTÉÁ, HISTÓRIA DAS DOENÇAS DAQUI E DAS QUE VIERAM

 



 


Naquele fim de tarde em que o sol já se escondia atrás das árvores do Opará, a jovem Namuãny sentou-se perto da fogueira, observando o velho Bidzamu, o Pajé, preparar seus remédios de folhas, raízes e palavras antigas. O cheiro da lenha queimando misturava-se ao silêncio respeitoso da aldeia.


Com o coração inquieto, Namuãny rompeu o silêncio:


— Bidzamu, é verdade que todas as Saicrã, as doenças, foram trazidas pelos Caraí, os brancos?


O velho Pajé ergueu os olhos devagar, como quem busca respostas no tempo antigo. Passou a mão enrugada sobre o rosto e respondeu com voz firme, porém serena:


— Não, Namuãny. Nem todas. Algumas Saicrã já moravam nesta terra antes dos Caraí chegarem. Outras, sim, foram as que aqui vieram, as Boighytéá.


Ele então começou a contar o que aprendeu com seus ancestrais, palavras guardadas como sementes.


Disse que os parentes Tupi da Aindzubé, da beira do mar, já conheciam certas doenças desde tempos imemoriais.


Falavam da Pereba, a ferida que não fecha; da Akubaby, as febres e a malária que enfraquecem o corpo; da Seba, os vermes que roubam a força das crianças; do Vupir, a doença silenciosa do coração; e da Poxi, que mancha o corpo e o destino.


— Essas — explicou Bidzamu — já caminhavam conosco antes do primeiro Caraí pisar nesta terra.


Mas o Pajé também falou das doenças que chegaram com os passos estrangeiros, trazidas nas roupas, na respiração e no contato forçado. Os Kariri do Opará logo perceberam sua presença cruel:


a Aba-póra, a peste que varria aldeias;

a Uhu, a gripe que derrubava fortes guerreiros;


os Borôrus, as bexigas que marcavam a pele e a memória;


a Tatapora, que atacava as crianças;

as Dsebudana, febres sem nome;


a Baekla, a tosse longa da tuberculose;

e a Wonghecri, a doença da mente, que confundia o espírito.


— Essas — disse o Pajé, abaixando a cabeça — chegaram com o mundo que mudou tudo.


Por muito tempo, as Saicrã levaram parentes, deixando aldeias em luto. Mas o tempo também trouxe caminhos de cura. Com a criação do Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso, surgiu uma enfermaria, remédios e novas formas de cuidado, somando-se ao saber antigo dos Pajés.


Hoje, contou Bidzamu com esperança, a Aldeia Kariri-Xocó tem um Polo Base de Saúde, com médico, dentista, enfermeira, técnicos e agentes de saúde. Um espaço inaugurado em 15 de maio de 2014, símbolo de resistência, sobrevivência e continuidade da vida.


O fogo da fogueira já virava brasa quando o Pajé concluiu:


— Enquanto houver memória, palavra e cuidado, nosso povo seguirá curando o corpo e o espírito.


Namuãny ficou em silêncio. Agora entendia que a história das doenças era também a história da luta e da permanência de seu povo.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó