FALSA FOLHA DE ROSTO
NAMYTSEIBA DAMYATSEITO
Serviço no Transporte de Carga e Pessoas
Nhenety Kariri-Xocó
VERSO DA FALSA FOLHA DE ROSTO
Este livro reúne contos inspirados na memória oral do povo indígena Kariri-Xocó e nas histórias do Baixo São Francisco.
A obra apresenta diferentes formas de transporte utilizadas ao longo do tempo: caminhos percorridos a pé, canoas que atravessavam o rio Opará, carros de boi, cavalos de carga, carroças, trens, aviões, ônibus-ambulatório, automóveis e mototáxis.
Mais do que falar sobre meios de transporte, os contos revelam modos de vida, trabalho e resistência cultural.
FOLHA DE ROSTO
NAMYTSEIBA DAMYATSEITO
SERVIÇO NO TRANSPORTE DE CARGA E PESSOAS
Contos da memória Kariri-Xocó sobre caminhos, rios e transportes do Baixo São Francisco
Autor
Nhenety Kariri-Xocó
Brasil
2026
FICHA CATALOGRÁFICA (modelo)
Kariri-Xocó, Nhenety.
Namytseiba Damyatseito: serviço no transporte de carga e pessoas / Nhenety Kariri-Xocó. – Brasil, 2026.
Livro de contos que registra a memória cultural e histórica dos meios de transporte utilizados pelos povos do Baixo São Francisco, especialmente pela comunidade indígena Kariri-Xocó.
Inclui narrativas sobre caminhos ancestrais, canoas, carros de boi, tropas de cavalos, carroças, trem, campo de aviação, ônibus-ambulatório, automóveis e mototáxis.
Literatura indígena brasileira
Cultura Kariri-Xocó
História do transporte regional
Memória oral
CDD: 398.20981
CDU: 82-34
DEDICATÓRIA
Dedico este livro ao meu povo Kariri-Xocó,
que mantém viva a memória dos caminhos da terra e das águas.
Dedico também aos meus ancestrais,
que caminharam antes de nós pelas trilhas do Radda,
atravessaram o Opará em canoas
e ensinaram que cada caminho carrega uma história.
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos mais velhos da Aldeia Kariri-Xocó, que guardam e compartilham as histórias do nosso povo.
Agradeço às gerações que viveram os tempos dos caminhos de terra, das canoas do rio, dos carros de boi e das carroças.
Agradeço também aos leitores que reconhecem a importância da memória indígena e valorizam a tradição oral como parte fundamental da história do Brasil.
EPÍGRAFE
“Os caminhos da terra ensinam que a vida não é apenas chegar.
É aprender enquanto caminhamos.”
— Sabedoria indígena
SUMÁRIO
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Sumário
Prefácio
Apresentação
Introdução
Contos ( 01 a 10 )
01. Wóatse Itohiquiete — O Caminhar do Viajante
02. Namytse Ubácruté — O Serviço da Canoa de Passageiros
03. Uché Ibádzó — No Tempo do Carro de Boi
04. Igaborou Damy — O Cavalo de Carga
05. Namytse Ibákabaru — Serviço da Carroça de Cavalo
06. Anramy Eraibáme — Os Estivadores da Estação
07. Merá Yeemerãkié — O Campo da Aviação
08. Ibáchiddá Pidékan — O Ônibus-Ambulatório nas Aldeias
09. Natéibá Itoibápoiete — Motorista de Automóvel de Passageiros
10. Namytse Ibaranú Natiá — O Serviço de Mototáxi na Aldeia
Palavra do Autor
Apêndices
Glossário
Apêndices
Dados Biográficos do Autor
Sobre a Obra
Orelha do Livro
PREFÁCIO
A literatura indígena contemporânea tem desempenhado um papel fundamental na preservação da memória histórica e cultural dos povos originários do Brasil. Obras produzidas por autores indígenas não apenas ampliam o campo literário nacional, mas também oferecem novas perspectivas sobre história, território e identidade.
O livro “Namytseiba Damyatseito — Serviço no Transporte de Carga e Pessoas”, de Nhenety Kariri-Xocó, insere-se nesse movimento de valorização da memória e da tradição oral transformada em narrativa escrita. A obra apresenta uma série de contos que registram as transformações históricas nos modos de transporte utilizados no território do Baixo São Francisco, especialmente na região de Porto Real do Colégio, em Alagoas, onde vive o povo Kariri-Xocó.
Mais do que narrativas sobre meios de locomoção, os textos revelam a profunda relação entre território, cultura e experiência cotidiana. Cada conto apresenta uma etapa da história regional: o caminhar ancestral pelas trilhas da terra, as travessias em canoas pelo rio Opará, o uso de carros de boi e cavalos de carga, a chegada da ferrovia, a presença de aviões, o surgimento do transporte rodoviário e, mais recentemente, a introdução do mototáxi nas aldeias.
Ao narrar essas transformações, o autor constrói um verdadeiro registro etno-histórico, no qual memória oral, linguagem indígena e experiência comunitária se entrelaçam. O uso de termos da língua Kariri-Xocó ao longo dos contos também representa um importante gesto de preservação linguística, reforçando a dimensão cultural e identitária da obra.
APRESENTAÇÃO
Os contos reunidos neste livro nasceram da observação, da memória e das histórias contadas entre gerações.
Cada narrativa revela um momento diferente da história do transporte no território Kariri-Xocó: o caminhar ancestral, as travessias do rio Opará, os carros de boi, os cavalos de carga, a chegada do trem, o campo de aviação, o ônibus-ambulatório, os automóveis e os mototáxis.
Esses meios de transporte não são apenas máquinas ou animais de trabalho. São parte da vida das pessoas, da economia local e da organização das comunidades.
INTRODUÇÃO
O deslocamento sempre fez parte da vida humana.
Antes das estradas asfaltadas e dos motores, os povos indígenas já conheciam profundamente os caminhos da terra e das águas.
No território do Baixo São Francisco, esses caminhos conectavam aldeias, cidades, roças, feiras e portos. Por eles circulavam alimentos, mercadorias, histórias e saberes.
Este livro busca registrar essas experiências por meio da literatura, preservando memórias que fazem parte da história do povo Kariri-Xocó.
PALAVRA DO AUTOR
Sou Nhenety Kariri-Xocó, contador de histórias do meu povo.
Escrevo porque a memória precisa continuar caminhando.
Os contos deste livro nasceram das histórias ouvidas entre os mais velhos da aldeia, das lembranças do rio Opará e dos caminhos que ligavam aldeia, cidade e sertão.
Ao escrever estas narrativas, busco preservar parte da memória do meu povo, para que as novas gerações possam conhecer os caminhos que nos trouxeram até aqui.
CONTOS ( 01 a 10 )
01. WÓATSE ITOHIQUIETE, O CAMINHAR DO VIAJANTE
O Radda, o Mundo, sempre esteve aberto como um grande corpo vivo. Nele se estendem os Iuwóá, os Caminhos, traçados não apenas pela terra, mas pelo sopro do tempo e pela passagem das Atseá, as Pessoas. Caminhos que atravessam as Retséá, as Florestas profundas, onde os Kerítséá, Animais Silvestres, conhecem cada sombra e cada cheiro. Caminhos que acompanham as Dzuá, as Águas correntes, por onde os Wãmyá, Peixes, seguem seus percursos antigos. Caminhos que se erguem até os Arankeá, os Céus, onde os Ieendeá, Pássaros, riscam rotas invisíveis com suas asas.
Houve um Uché, um Tempo antigo, em que o Mundo ainda não conhecia os inventos do homem. Não existiam Ibá, Carros de ferro e fumaça. Não havia Ubá, Canoas talhadas para vencer as águas, nem Yeemerãkié, Aviões que cortam os céus. Nesse tempo primeiro, o corpo era o próprio transporte, e as Atseá, pessoas caminhavam com os Biá, os Pés, sentindo a pele da terra, o calor do chão e a aspereza das pedras.
O Itohiquiete, o Viajante, aprendia desde cedo que caminhar era mais que ir — era escutar. Escutar o vento que falava com as folhas, o silêncio das matas, o chamado distante dos rios. Pela floresta ele seguia, subindo Siririté, as Serras, com o coração firme e as pernas confiantes. Cada passo era uma conversa com os ancestrais, cada trilha guardava histórias deixadas por quem passara antes.
O viajante caminhava para Eriwí, Visitar os Etçamyá, Parentes, nas Natiá, Aldeias espalhadas pelo território vivo. Assim foi por milênios, de geração em geração. As Biá, Pernas humanas, levavam sonhos, notícias, cantos e saudades. Levavam também o saber de que todo lugar alcançado tinha um motivo, e todo motivo nascia do espírito.
Os caminhos nunca foram apenas linhas na terra. Alguns conduzem às Bechiéá, as Roças, onde o alimento brota do cuidado. Outros levam às Sitoá, as Caçadas, onde o respeito ao animal é lei antiga. Há os que seguem para as Mydzéá, as Pescarias, onde a água ensina paciência. E há ainda os caminhos invisíveis, aqueles que conduzem ao entendimento e à memória.
Tudo depende do sentido da busca. Pois caminhar, no Radda, o mundo nunca foi apenas chegar a um Undéá, um Lugar. Caminhar sempre foi descobrir quem somos enquanto seguimos adiante.
02. NAMYTSE UBÁCRUTÉ – O SERVIÇO DA CANOA DE PASSAGEIROS
O Opará corria largo e paciente, como quem guarda segredos antigos. Suas águas sabiam os nomes dos ventos, das margens e dos homens. Muito antes do ronco dos motores e do asfalto quente das estradas, era nele que vivia o Namytse, o serviço silencioso e constante que unia pessoas, mercadorias e destinos.
As Ubácruté, canoas de pano, deslizavam sobre o rio como se fossem extensão da própria água. Não havia pressa. Havia tempo. Tempo de observar o céu, de sentir o balanço manso da travessia, de ouvir histórias contadas em voz baixa enquanto a canoa cortava o espelho do Opará. Eram elas que ligavam as Naticróbeá, as cidades ribeirinhas, levando gente, arroz, farinha, sonhos e notícias.
No Baixo São Francisco, a travessia entre Porto Real do Colégio e Propriá era mais que caminho: era rotina de vida. Por séculos, a canoa foi o único meio possível, a ponte viva entre Alagoas e Sergipe. Crianças, trabalhadores, comerciantes, anciãos — todos confiavam seus passos às mãos firmes dos canoeiros, que conheciam o rio como quem conhece o próprio corpo.
Em Colégio, ainda repousa o Radamy Cródzu, o Porto de Baixo. Ali, o chão guarda marcas invisíveis de sacas descarregadas, de pés descalços, de despedidas e reencontros. Dali partiam mercadorias das fábricas de beneficiamento de arroz e dali também partiam pessoas, rumo à outra margem, rumo a outros destinos que o rio permitia alcançar.
Mas o tempo mudou o curso das coisas. Na década de 1970, a estrada chegou com sua promessa de rapidez. A BR-101 rasgou o país de Norte a Sul, e o que era água virou pó. A navegação das canoas foi silenciando, pouco a pouco. O Namytse perdeu passageiros, e as Ubácruté passaram a esperar mais do que navegar.
Ainda assim, o Opará não esqueceu. O rio continua correndo, guardando na memória das águas o som dos remos, o ranger da madeira, as vozes que cruzavam de uma margem à outra. Quem escuta com atenção ainda pode ouvir: a canoa não morreu — ela apenas repousa na lembrança viva do povo que aprendeu a atravessar o mundo sobre as águas.
A Ubácruté, canoa de pano era também chamada de Ubácruté Itohiquiete, canoa dos viajantes que levavam pessoas do litora até o sertão subindo e descendo o Opará, elas não desapareceram, algumas resiste ao tempo com novas configurações.
03. UCHÉ IBÁDZÓ — NO TEMPO DO CARRO DE BOI
Houve um tempo antigo, um Uché em que o mundo caminhava devagar, no mesmo ritmo do sol e dos passos do boi. Naquele tempo, os Caraí, os homens brancos, chamaram o grande rio de Rio dos Currais.
Mas os Kariris, atentos ao sentido das coisas, logo compreenderam de outro modo e passaram a chamá-lo de Iwo Dedíá, o Rio dos Currais, porque foi exatamente nesse tempo que o Cradzó, o boi, chegou às margens do Opará.
Era um tempo de mudança.
Os indígenas passaram a viver na Natiwaré, a Aldeia dos Padres, onde os missionários ergueram o Erátekié, o Colégio dos Jesuítas. Ali, entre rezas, sinos e ensinamentos, tentavam introduzir a cultura cristã nos costumes trazidos pelos Peró, os portugueses. Mas a terra, silenciosa e paciente, continuava ensinando do seu próprio jeito.
Com a construção das Erácró, as Casas de Pedra, chegou também um novo modo de caminhar sobre o chão. Os colonizadores trouxeram um transporte pesado, de madeira rangente e passos lentos. Os Kariris deram-lhe nome, como sempre fizeram com tudo o que passa a existir: Ibádzó.
Ibá, o carro.
Cradzó, o boi.
Assim nasceu o nome que atravessaria gerações.
O Ibádzó tornou-se parte da vida cotidiana. Era ele quem levava o fruto do trabalho da terra: o Masiche, o milho dourado; o Geɲe, o feijão miúdo; os Uanhí, grãos e cereais; e o Abati-uaupé, o arroz que alimentava o corpo e a esperança. Rangendo, lento, paciente, o carro de boi cruzava caminhos de barro, puxando não apenas colheitas, mas histórias.
O tempo seguiu seu curso, como o rio. Séculos passaram. O Ibádzó resistiu ao esquecimento e chegou aos tempos mais próximos, aqueles que ainda moram na lembrança dos mais velhos. Muitos recordam Teipó, o indígena cuidador do carro de boi da senhora Maria Matildes.
Dizem que até o ano de 1944 ele ainda conduzia o Ibádzó, com mãos firmes e olhos atentos, como quem guarda um saber antigo.
Hoje, a Aldeia já não possui mais um Ibádzó. O silêncio tomou o lugar do rangido das rodas. Mas, por todo o Opará e pelo Nordeste do Brasil, a tradição do Carro de Boi ainda respira. Vive nas festas, nos caminhos de terra, na memória dos povos e no coração daqueles que sabem que certas coisas não morrem — apenas caminham mais devagar.
E assim, no compasso do boi e da madeira, o tempo continua passando.
04. IGABOROU DAMY, O CAVALO DE CARGA
No tempo em que o mundo andava devagar, quando ainda não existiam os Ibápohduá, os automóveis barulhentos, nem o Ibámeraipu, o trem de ferro cortando distâncias, os Iuwóá Radda — caminhos de terra — eram as veias abertas do Opará. Por elas passava a vida, marcada pelo som ritmado dos cascos e pelo ranger das cargas bem amarradas.
Era o tempo dos Igaborouá Damy, os cavalos de carga. Animais fortes, pacientes, que conheciam o caminho melhor que muito cristão. Sobre seus lombos seguia o sustento, a esperança e o trabalho de muitos povos. Onde hoje corre pressa, antes caminhava o tropeirismo — o vai-e-vem silencioso das mercadorias conduzidas por tropas de homens e cavalos.
Os Kariri chamavam aquele movimento de Bohé Anraná Igaborou, o grupo de homens de cavalos. Eles partiam em Itohiquiete, longas viagens, levando Damyá, as cargas, rumo às Naticróraí, as cidades espalhadas pelo interior do Brasil. O sol queimava a pele, a poeira grudava no suor, mas ninguém reclamava: o caminho era duro, porém conhecido.
Na Aldeia Kariri-Xocó, os mais velhos ainda contam, com voz mansa e olhos longe, sobre o indígena Gravié, tropeiro de respeito e curador. Dizem que ele falava pouco, mas seus cavalos entendiam tudo. Depois dele, seu sobrinho Profírio seguiu o mesmo rumo, já no começo do século XX, mantendo viva a lida antiga de transportar o mundo no lombo dos animais.
Até perto de 1970, não havia estrada de asfalto naquela região. O que existia era a estrada antiga, de barro vermelho e pedra solta, onde o transporte seguia no passo do cavalo. Cada viagem era um risco, cada chegada, uma vitória.
Às quintas-feiras, na Eisdembé, a Feira da Rua de Porto Real do Colégio, a cena se repetia como um ritual. Os matutos do interior chegavam cansados e famintos. Jantavam na casa de Indaiá, indígena acolhedora, enquanto na frente da casa se formava um mar de cavalos amarrados, respirando fundo após a jornada. Na sexta-feira cedo, as mercadorias seguiam para o centro da cidade, onde viravam troca, sustento e história.
Hoje, o asfalto cobre os antigos caminhos, e os cavalos quase não passam mais. Mas quem escuta com atenção ainda ouve, no fundo da terra, o som dos cascos dos Igaborouá Damy, lembrando que antes da pressa existia o passo, antes do motor existia o fôlego, e antes do esquecimento existia a memória.
E ela continua viva, contada de boca em boca, como deve ser.
05. NAMYTSE IBÁKABARU, SERVIÇO DA CARROÇA DE CAVALO
Quando o sol ainda se espreguiçava por cima do Opará, o rangido da Ibákabaru, carroça de Cavalo, já cortava o silêncio da manhã. Era um som conhecido, quase um chamado. Madeira cansada, ferro antigo e o passo firme do cavalo anunciavam que o Namytse Ibákabaru, serviço de carroça estava em movimento.
Desde o início do Brasil República, entre os Kariri-Xocó, o Ibákeríá — transporte de animais — seguia sendo mais que trabalho: era modo de viver. A carroça carregava Damy, mas também levava histórias, palavras trocadas na estrada, promessas de sustento e dignidade. Cada Natéibáruá, carroceiro conhecia o caminho pelo cheiro da terra e pela inclinação do animal.
No tempo em que a Iuwó Merata, estrada de ferro começou a rasgar Porto Real do Colégio, em meados do século XX, a cidade pulsava diferente. O apito distante do trem misturava-se ao bater dos cascos, e o Namytse Ibákabaru, serviço de carroça cresceu como cresce rio em tempo de cheia. Onde havia obra, havia carroça; onde havia peso, havia braço e cavalo dispostos.
Lá embaixo, no Cródzu Radamy, Porto de Baixo o movimento nunca dormia. As Ubácruté, canoas de panos balançavam presas à margem, as Eyemérata, balsa deslizavam lentas, e hoje, onde passam as Ubadzúpui, lanchas antes o barro guardava marcas profundas de rodas e pegadas. A carga ia e vinha, e a carroça era o elo entre a água e a terra.
A prefeitura chamava os carroceiros para o serviço pesado: obra, limpeza, Kenké Dimy. O lixo da cidade, que ninguém queria ver, seguia na Ibákabaru, conduzido com respeito. Era trabalho duro, mas honesto. Trabalho que ensinava que tudo tem lugar e destino.
Com o tempo, chegaram os Ibápohduá, os automóveis que vieram velozes, cheios de barulho e fumaça, e aos poucos empurraram a carroça para a beira da estrada da memória. O serviço diminuiu na cidade, e até na Aldeia Kariri-Xocó — que teve o maior comboio nos anos 1980 — o silêncio começou a ocupar o espaço do rangido.
Mas quem viveu aquele tempo sabe: enquanto houver lembrança, a Ibákabaru continua andando. Em cada história contada, em cada palavra antiga preservada, o cavalo ainda puxa, a roda ainda gira, e o Namytse não se perde.
Porque há serviços que não acabam.
Apenas viram memória.
06. ANRAMY ERAIBÁME, OS ESTIVADORES DA ESTAÇÃO
O Ibámeraipu, o trem, chegou a Porto Real do Colégio como quem anuncia um novo tempo. Era meados do século XX, e o apito da Maria-Fumaça ecoou pelas margens do Opará, chamando o povo para ver, ouvir e sentir a Eraibáme, nascer. A estação foi inaugurada em dia de festa: bandeirolas ao vento, autoridades de paletó engomado, crianças correndo, mulheres de vestido simples e olhos curiosos. O chão parecia tremer de alegria.
Pela Iuwó Merata, a estrada de ferro, vinham diferentes Ibámeraipu. Havia o trem Maria-Fumaça, cuspindo fumaça preta como nuvem de chuva; o Ibámeraipu Itohiquiete, trazendo passageiros, histórias e novidades; e o Ibámeraipu Damy, pesado, lento, carregado de riqueza bruta e suor humano. Cada chegada era um acontecimento, cada parada, um pequeno ritual.
Com o trem, a região despertou. O comércio cresceu, turistas começaram a aparecer e a Eraibáme virou lugar de trabalho e encontro. Entre os homens que ali labutavam estavam os Anramy, os estivadores — muitos deles indígenas, filhos da terra, acostumados ao peso da vida e à força dos braços. Eles conheciam o ritmo do trem, o tempo da carga e o silêncio que precede o esforço.
Do Ibámeraipu Damy desciam sacas e mais sacas: Uanhí, grãos e cereais; Masiche, o milho dourado; Cromera, minério de ferro pesado como destino; Sekiraê, o açúcar branco que adoçava terras distantes. Os Anramy carregavam tudo nos ombros, passo firme, suor escorrendo, levando as sacas até o Carnaúba, o armazém que guardava o coração econômico daquele tempo.
Naqueles dias, o trem cortava a cidade de Porto Real do Colégio como um rio de ferro. Depois, seguia até as margens do Opará, onde parava e esperava. Ali, sobre a Eyemé Merata, a balsa de ferro, atravessava o rio rumo a Propriá, em Sergipe. O trem parecia aprender a navegar, respeitando as águas antigas do Velho Chico.
O trabalho na estação marcou gerações. Ficou gravado nas mãos calejadas, nas costas curvadas, nas histórias contadas ao entardecer. Mas o tempo, como o próprio Ibámeraipu, não para. Em dezembro de 1972, com a inauguração da Uocró Idabacrú, a ponte sobre o rio, o trem mudou sua rota. A Eraibáme silenciou aos poucos.
Ainda assim, para quem viveu aquele tempo, nada se perdeu. A estação continua viva na memória do povo, no eco distante do apito e na lembrança dos Anramy Eraibáme — os estivadores que sustentaram, com força e dignidade, a passagem do trem pela história de Porto Real do Colégio.
07. MERÁ YEEMERÃKIÉ, O CAMPO DA AVIAÇÃO
Conto inspirado em memórias de Porto Real do Colégio
Naquele tempo em que a Iuwó Merata, a Estrada de Ferro, cortava a terra de Porto Real do Colégio como um risco firme no mapa do destino, o lado leste da cidade ganhou também um outro sinal de progresso: o Merá Yeemerãkié, o Campo de Aviação.
Era um campo largo, de chão batido e horizonte aberto, feito para receber Yeemerãkié — aviões bimotores pequenos, barulhentos, que chegavam como aves metálicas vindas de longe. Ali pousavam os Dubonaté, técnicos e mestres de obras, homens de fala apressada e olhar atento, e às vezes também os Nanheá, autoridades do governo, que vinham observar, mandar e partir.
Não havia asfalto, nem marcas pintadas no chão. O que mandava ali era o vento. No centro do campo erguia-se o Crupuhami, a biruta: um pano preso a uma vara alta, que dançava ao sopro invisível do ar e ensinava aos pilotos o caminho seguro da descida. Para nós, crianças e curiosos, aquele pano era um sinal mágico — quando se movia, algo estava para acontecer.
E acontecia.
Quando um Yeemerãkié surgia no céu, dando voltas lentas como quem escolhe o lugar exato para tocar a terra, a notícia corria mais rápida que o vento. Nós largávamos tudo: a conversa, a brincadeira, o descanso. Corríamos em bando até o campo, mantendo distância, mas com os olhos arregalados e o coração acelerado. O ronco dos motores fazia o chão vibrar e parecia anunciar que o mundo lá de fora estava nos visitando.
O campo não era só terra plana; era portal. Ali pousavam novidades, ideias, promessas de mudança. Mas o tempo, como sempre, não pousa — ele passa.
Quando começou a construção da Iuwóiró, a rodovia de asfalto, estrada preta que riscou o chão com outra lógica, o Merá Yeemerãkié começou a encolher. Um pedaço aqui, outro ali, até que o silêncio foi tomando o lugar do ronco dos motores. Depois veio a Uocró Idabacrú, a ponte sobre o rio, e com ela o fim definitivo do campo.
No início da década de 1970, o Merá Yeemerãkié já não recebia mais aviões. Restou a terra, a memória e o vento — que ainda sopra, mesmo sem biruta para indicar seu caminho.
E quem viveu aquele tempo sabe: houve um dia em que o céu descia até o chão de Porto Real do Colégio, e nós corríamos para ver.
08. IBÁCHIDDÁ PIDÉKAN, O ÔNIBUS-AMBULATÓRIO NAS ALDEIAS
Na Woderáehó Uanieá, a Rua dos Índios, havia um dia esperado como quem espera a chuva depois da seca. Não vinha anunciado por sino nem por papel escrito, mas pelo som distante do motor que fazia o coração bater diferente. Era o Ibáchiddá Pidékan, o ônibus do Funrural, que surgia levantando poeira e esperança.
Desde 1971, ele chegava como um parente viajante, trazendo dentro de si remédios, instrumentos, vozes de cuidado e a promessa de alívio. Onde não havia posto de saúde nem casa de médico, o governo fazia rodar o socorro sobre rodas. O ônibus era branco, com faixas verde-lima, cores que se destacavam na paisagem da aldeia como sinal de vida.
Quando estacionava em frente à escola, o tempo parecia desacelerar. Homens, mulheres, crianças e anciãos se organizavam em fila, cada um carregando sua dor, seu medo ou apenas a necessidade de ser visto. O atendimento durava três dias, e nesses dias a aldeia respirava diferente.
O médico era o Dr. Rovérsio, homem de fala firme e mãos que examinavam com atenção. O dentista, Dr. Mário, trazia o som do motorzinho que assustava as crianças, mas também levava embora dores antigas. Dentro do ônibus, o espaço era pequeno, mas o cuidado era grande. Ali, muitos descobriram que sua dor tinha nome e tratamento.
Com o tempo, nosso povo se mudou para a nova Aldeia Kariri-Xocó, na Fazenda Modelo. Mesmo assim, o Ibáchiddá Pidékan continuou vindo, ficava defronte à Eráye "Casa Grande", atendendo os indígenas até meados da década de 1980.
Era antes do SUS, antes de acontecer a redemocratização, quando a saúde ainda vinha em passos lentos, mas vinha, fiel como o curso do rio, até a Aldeia Kariri-Xocó, no município de Porto Real do Colégio, Alagoas.
Para nós, aquele ônibus não era só ambulatório. Era sinal de que ainda existíamos aos olhos do mundo. Trouxe alívio aos corpos, mas também esperança aos espíritos. Em cada partida, deixava saudade; em cada chegada, renovava a confiança de que viver valia a pena.
Hoje, quando a memória chama, ainda é possível ouvir o motor chegando na Woderáehó Uanieá, Rua dos Índios e ver, entre poeira e sol, o ônibus branco e verde-lima trazendo consigo o cuidado que atravessou gerações.
09. NATÉIBÁ ITOIBÁPOIETE, MOTORISTA DE AUTOMÓVEL DE PASSAGEIROS
Quando o sol ainda se espreguiçava por cima do Opará, já se ouvia o ronco discreto do Ibápohduá cortando a estrada de barro batido. Era assim todos os dias. O Namytse, o Serviço de Passageiros, começava cedo entre a Aldeia Kariri-Xocó e a cidade de Porto Real do Colégio, seguindo até Propriá, em Sergipe, levando gente, histórias e sonhos apertados no banco traseiro.
Natéibá Itoibápoiete, motorista de automóvel segurava o volante com firmeza e respeito. Não era apenas um motorista: era conhecedor dos caminhos, das curvas da estrada e das necessidades do povo. Sabia quem ia para vender, quem ia para consultar médico, quem ia apenas visitar parente distante. Cada passageiro carregava um motivo, e ele carregava todos.
Na aldeia havia outros como ele — homens e mulheres que transformaram o automóvel e a Ibáchiddá, a topic ou van, em instrumento de sobrevivência. Na cidade também havia transporte, mas quando o carro saía direto da Aldeia Kariri-Xocó para Propriá, o valor mudava. Custava Yeendéar, dez reais, dez tayu, a nota onde a arara vermelha parecia observar tudo com olhos atentos, como guardiã do trajeto.
Alguns preferiam o caminho das águas. As Ubauipú Itohiquiete, lanchas dos viajantes, deslizavam pelo rio por um preço menor, três reais apenas. Mas nem sempre o rio estava manso, e nem todos confiavam nele. A estrada, apesar de poeira e buracos, também contava suas histórias.
Enquanto dirigia, Natéibá, motorista pensava no quanto o tempo havia mudado. Antes, poucas opções. Agora, novos meios, novas profissões. O volante nas mãos indígenas era mais do que trabalho: era autonomia, era futuro, era comida na mesa e dignidade dentro de casa.
Quando o carro parava e os passageiros desciam, ficava no ar um silêncio breve, quebrado apenas pelo vento e pelo canto distante de um pássaro. Natéibá desligava o motor, respirava fundo e sorria. Sabia que no dia seguinte estaria ali de novo, ligando o Ibápohduá, conduzindo pessoas, conectando aldeia, cidade, estrada e rio — como quem tece, pouco a pouco, a própria sobrevivência.
10. NAMYTSE IBARANÚ NATIÁ, O SERVIÇO DE MOTOTÁXI NA ALDEIA
Dizem que a primeira Ibaranú, a “Moto”, chegou à Natiá, a Aldeia, como coisa estranha, barulhenta, levantando poeira e curiosidade. Era década de 1960, tempo em que os Kariri-Xocó ainda moravam na Woderáehó Uanieá, a Rua dos Índios, na Naticróraí, a Cidade de Porto Real do Colégio. A máquina veio trazida por um forasteiro, e seu ronco ecoou diferente entre as casas, como um bicho novo aprendendo a respirar naquele chão antigo.
No começo, poucos se aproximavam. Uns olhavam de longe, outros riam, outros desconfiavam. A moto parecia não entender os passos da aldeia, nem o silêncio da terra. Mas o tempo, esse velho ensinador, tratou de aproximar homem e máquina.
Em 1989, quando a FUNAI comprou uma moto para a vigilância da Terra Indígena, a Ibaranú deixou de ser apenas novidade. Passou a ser ferramenta, aliada, extensão do corpo que protege o território. Foi aí que os Kariri-Xocó começaram a conhecer melhor aquele meio de transporte, sentindo no vento do caminho uma nova possibilidade de ir e vir.
Na década de 1990, nasceu de vez o Namytse Ibaranú Natiá, o Serviço de Mototáxi na Aldeia. A moto passou a levar gente, histórias, recados e sonhos. Levava indígenas da aldeia para a cidade e trazia de volta sacolas, remédios, notícias e esperanças. Levava também quem precisava seguir viagem para outras cidades, cruzando estradas que antes eram longas demais a pé.
O Tayu, o dinheiro, era simples e justo: Yeendeçó, cinco reais. Na nota, a figura da Ieende-ku-homoechi, a garça-branca-de-pescoço-comprido, parecia observar tudo em silêncio, como quem sabe que aquele pagamento não comprava só a corrida, mas também a confiança entre quem leva e quem é levado.
Hoje, na aldeia, existem em média vinte mototáxis ou mais. Eles transportam indígenas e não-indígenas pela cidade e pelos povoados circunvizinhos. Quanto maior a distância, maior o valor — porque o caminho também cansa, e a estrada tem suas exigências.
Assim, pouco a pouco, os Kariri-Xocó vão se adaptando às novas opções de trabalho. A tecnologia chega, mas não apaga a tradição. Ela aprende a conviver com ela. A Ibaranú já não é mais estranha: é parte da paisagem, como o sol da manhã, como o pó da estrada, como o chamado de quem precisa ir — e de quem sempre sabe voltar.
Autor dos Contos: Nhenety Kariri-Xocó
APÊNDICES
Sugestões para incluir:
• Fotografias antigas do Porto de Baixo
• Registros da estação ferroviária
• Imagens das capas dos contos
• Mapas do Baixo São Francisco
MAPA CULTURAL DOS TRANSPORTES DO OPARÁ
Memória Viva dos Caminhos do Povo Kariri-Xocó
Ao longo das margens do Opará — nome ancestral do Rio São Francisco — o povo Kariri-Xocó construiu caminhos de sobrevivência, resistência e cultura. Muito antes das estradas modernas, os percursos eram feitos a pé, em trilhas abertas pela sabedoria da terra e pela orientação das águas.
Este Mapa Cultural dos Transportes do Opará apresenta uma jornada visual e histórica que percorre diferentes tempos: dos caminhos ancestrais às navegações tradicionais, das rotas coloniais às ferrovias, até os meios de transporte contemporâneos que hoje conectam comunidades e territórios.
Mais do que um registro cartográfico, esta obra é um instrumento de memória viva. Cada imagem revela modos de deslocamento que também são formas de relação com o território, com o rio e com a identidade de um povo que continua a caminhar entre tradição e futuro.
Este mapa convida o leitor a percorrer esses caminhos e a reconhecer que o transporte, para os povos originários, nunca foi apenas deslocamento — mas também cultura, história e pertencimento.
Uma homenagem à memória do Opará e à sabedoria do povo Kariri-Xocó.
ESTRUTURA DO MAPA:
🌿 1 — Caminhos ancestrais
caminhada indígena
trilhas da floresta
🚣 2 — Transporte nas águas
canoas Ubácruté
travessias do Opará
🐂 3 — Transporte colonial
carro de boi
tropas de cavalos
🐎 4 — Transporte regional
carroças
tropeirismo
🚂 5 — Era da ferrovia
estação ferroviária
estivadores
balsa ferroviária
✈ 6 — Campo de aviação
aviões bimotores
🚌 7 — Transporte social
ônibus-ambulatório do Funrural
🚗 8 — Transporte rodoviário
automóveis
vans
🏍 9 — Transporte contemporâneo
mototáxi indígena
📖 Esse mapa funciona como síntese visual do livro, mostrando que a obra percorre uma história completa do transporte regional.
GLOSSÁRIO KARIRI-XOCÓ
Abati-uaupé — arroz.
Anramy — estivadores, trabalhadores de carga.
Arankeá — céus.
Atseá — pessoas, seres humanos.
Bechiéá — roças ou plantações.
Biá — pés ou pernas humanas.
Bohé Anraná Igaborou — grupo de homens cavaleiros.
Carnaúba — armazém de carga.
Cradzó — boi.
Cródzu Radamy — Porto de Baixo.
Crupuhami — biruta usada em campo de aviação.
Cromera — minério de ferro.
Damy — carga, mercadoria.
Damyá — cargas transportadas.
Dubonaté — técnicos ou trabalhadores especializados.
Dzuá — águas, rios.
Eraibáme — estação ferroviária.
Erátekié — colégio ou espaço de ensino.
Erácró — casas de pedra.
Eráye — casa grande.
Eisdembé — feira pública.
Etçamyá — parentes.
Eyemé Merata — balsa ferroviária.
Geɲe — feijão.
Ibá — carro ou veículo.
Ibábárú / Ibákabaru — carroça de cavalo.
Ibáchiddá — ônibus ou veículo coletivo.
Ibáchiddá Pidékan — ônibus-ambulatório.
Ibádzó — carro de boi.
Ibápohduá — automóvel.
Ibámeraipu — trem ou locomotiva.
Igaborou — cavalo.
Igaborou Damy — cavalo de carga.
Ieendeá — pássaros.
Ieende-ku-homoechi — garça branca.
Itohiquiete — viajante.
Iuwóá — caminhos.
Iuwó Merata — estrada de ferro.
Iuwóiró — rodovia ou estrada asfaltada.
Kerítséá — animais silvestres.
Masiche — milho.
Merá Yeemerãkié — campo de aviação.
Namytse — serviço ou atividade de transporte.
Natéibá — condutor ou motorista.
Naticróbeá — cidades ribeirinhas.
Naticróraí — cidade.
Natiá — aldeia.
Opará — rio São Francisco.
Radda — mundo.
Sekiraê — açúcar.
Siririté — serras ou montanhas.
Uanhí — grãos ou cereais.
Ubá — canoa.
Ubácruté — canoa de pano.
Ubauipú — lancha.
Uocró Idabacrú — ponte sobre o rio.
Wãmyá — peixes.
Woderáehó Uanieá — Rua dos Índios.
DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó é indígena do povo Kariri-Xocó, de Porto Real do Colégio, Alagoas, às margens do rio São Francisco.
Contador de histórias orais e escritas, dedica-se ao registro da memória cultural indígena por meio de textos, contos e pesquisas históricas publicadas em seu blog.
Seu trabalho busca preservar a tradição, a língua e os saberes ancestrais do povo Kariri-Xocó.
SOBRE A OBRA
Namytseiba Damyatseito reúne contos que narram a evolução dos meios de transporte utilizados no território do Baixo São Francisco ao longo do tempo.
A obra apresenta desde os caminhos percorridos a pé até os serviços modernos de mototáxi, mostrando como cada forma de transporte transformou a vida das comunidades.
Ao registrar essas histórias, o livro contribui para preservar a memória cultural do povo Kariri-Xocó.
ORELHA DO LIVRO
Entre trilhas da floresta, travessias do rio Opará e estradas de barro percorridas por carros de boi e cavalos, o leitor é convidado a viajar pela memória do povo Kariri-Xocó.
Em Namytseiba Damyatseito, Nhenety Kariri-Xocó transforma lembranças e histórias orais em literatura, registrando as formas de transporte que conectaram aldeias, cidades e pessoas ao longo do tempo.
Com linguagem sensível e profunda ligação com a tradição indígena, o autor apresenta uma obra que preserva a memória cultural e revela a riqueza da experiência histórica do Baixo São Francisco.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó

























