sexta-feira, 17 de julho de 2026

UKIDZA BAE KAYADÉ: PAI SOL E MÃE LUA






FALSA FOLHA DE ROSTO

UKIDZA BAE KAYADÉ: PAI SOL E MÃE LUA

Narrativa da tradição oral do povo Kariri-Xocó

Nhenety Kariri-Xocó






FOLHA DE ROSTO

UKIDZA BAE KAYADÉ: PAI SOL E MÃE LUA

Pai Sol e Mãe Lua

Narrativa baseada na tradição oral e na memória ancestral do povo indígena Kariri-Xocó.

Autor

Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – Alagoas

2026






VERSO DA FOLHA DE ROSTO

© 2026 – Nhenety Kariri-Xocó.

Todos os direitos desta obra pertencem ao autor.

Esta publicação valoriza a tradição oral, a memória ancestral e os conhecimentos culturais do povo Kariri-Xocó. Sua reprodução poderá ocorrer mediante autorização do autor e com o devido reconhecimento da autoria e da origem cultural dos conhecimentos apresentados.





FICHA CATALOGRÁFICA

K18u

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Ukidza Bae Kayadé: Pai Sol e Mãe Lua / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL, 2026.

Narrativa da tradição oral.

Inclui glossário e referências bibliográficas.

Povos indígenas. 2. Kariri-Xocó. 3. Tradição oral. 4. Mitologia indígena. 5. Cosmologia. 6. Sol. 7. Lua. I. Título.

CDD: 398.20981






ISBN (SIMBÓLICO)

ISBN: 978-65-0000-000-0

(Registro apresentado apenas para fins editoriais simbólicos.)






PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.





ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 






DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos meus ancestrais Kariri-Xocó, aos Tokenhé Antoá, cuja sabedoria continua iluminando nossos caminhos, e aos nossos anciãos, que preservaram a memória dos Primeiros Tempos por meio da palavra, do Toré e do exemplo.

Dedico também às crianças e aos jovens de nosso povo, para que encontrem nestas páginas a força de suas raízes e o orgulho de sua identidade.






AGRADECIMENTOS

Minha profunda gratidão a Sonsé, o Grande Criador, pela vida e pelos caminhos percorridos.

Agradeço aos anciãos Kariri-Xocó, verdadeiras bibliotecas vivas, que mantiveram acesa a chama da tradição oral.

Agradeço às famílias de nossa comunidade, que continuam transmitindo os ensinamentos dos antepassados, fortalecendo nossa cultura e nossa língua.

Estendo igualmente minha gratidão a todos os leitores, pesquisadores e educadores que reconhecem o valor da memória indígena como patrimônio da humanidade.






EPÍGRAFE

"Enquanto o Sol nascer e a Lua iluminar a noite, os ensinamentos dos Tokenhé Antoá continuarão vivos no coração do povo Kariri-Xocó."






PREFÁCIO DO VOLUME

Este livro nasce da tradição oral do povo Kariri-Xocó e apresenta uma narrativa ancestral sobre a origem do Sol, da Lua e da organização do mundo segundo nossa memória coletiva.

Mais do que explicar fenômenos da natureza, a história revela valores fundamentais de respeito, reciprocidade e equilíbrio entre todos os seres da criação.

Que cada página seja lida como quem escuta um ancião contando histórias ao redor do fogo, onde o conhecimento se transforma em memória e a memória fortalece a identidade.






RESUMO

Esta obra reúne uma narrativa tradicional da cosmologia Kariri-Xocó acerca da criação do universo. A partir dos ensinamentos transmitidos pelos anciãos, apresenta a atuação de Sonsé, dos Tokenhé Antoá, de Ukiedza, Pai Sol, e de Kayadé, Mãe Lua, revelando princípios de equilíbrio, respeito à natureza e continuidade da vida. O livro contribui para a valorização da tradição oral indígena e para a preservação da memória cultural do povo Kariri-Xocó.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; tradição oral; cosmologia; memória ancestral; Sol; Lua.






ABSTRACT

This book presents a traditional Kariri-Xocó narrative about the creation of the universe. Based on oral tradition, it tells the story of Sonsé, the Sacred Ancestors, Ukiedza (Father Sun) and Kayadé (Mother Moon), emphasizing harmony between nature, humanity and the sacred. The work contributes to the preservation and appreciation of the cultural memory of the Kariri-Xocó people.

Keywords: Kariri-Xocó; oral tradition; cosmology; sacred ancestors; Sun; Moon.






APRESENTAÇÃO

As narrativas tradicionais constituem um dos maiores patrimônios culturais dos povos indígenas. Elas guardam conhecimentos construídos ao longo de incontáveis gerações e ensinam que toda forma de vida possui valor e merece respeito.

Nesta obra, o leitor encontrará uma narrativa que une espiritualidade, memória e identidade, oferecendo um olhar Kariri-Xocó sobre a criação do mundo e sobre o papel do Sol e da Lua na manutenção da vida.






NOTA DO AUTOR

Esta obra foi escrita com profundo respeito à tradição oral Kariri-Xocó. Seu objetivo não é substituir a palavra dos anciãos, mas contribuir para sua preservação por meio da escrita, permitindo que esses conhecimentos alcancem as futuras gerações.






MEMÓRIA DO AUTOR

Desde criança, ouvi histórias contadas pelos mais velhos de minha comunidade. Sentado ao lado dos anciãos, aprendi que cada narrativa guarda muito mais do que acontecimentos antigos: ela transmite ensinamentos para viver em equilíbrio com a natureza e com o próximo.

Escrever este livro representa um gesto de gratidão aos meus antepassados e um compromisso com a continuidade da memória de nosso povo.






INTRODUÇÃO

Ukiedza e Kayadé ocupam lugar especial na tradição Kariri-Xocó. Não representam apenas os astros que iluminam o céu, mas seres ancestrais responsáveis pela continuidade da vida.

Ao reunir esta narrativa, buscamos preservar uma parte importante da cosmologia indígena, mostrando que natureza, espiritualidade e humanidade caminham juntas desde os Primeiros Tempos.






SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
A Memória Sagrada da Criação
Sonsé Desperta a Grande Criação
Os Dois Avôs do Primeiro Tempo
As Duas Avós da Criação
A Missão dos Antepassados Sagrados
O Nascimento de Ukiedza, o Pai Sol
O Surgimento de Kayadé, a Mãe Lua
A Alternância do Dia e da Noite
O Equilíbrio da Vida sobre a Terra
Nikedda, a Guardiã dos Netos
O Legado dos Primeiros Tempos
A Luz Eterna dos Antepassados
Considerações Finais
Glossário
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor






A MEMÓRIA SAGRADA DA CRIAÇÃO





Entre os Kariri-Xocó, as histórias da criação não são apenas lembranças do passado, mas ensinamentos vivos que atravessam as gerações. Contadas pelos mais velhos durante as noites de conversa e nos momentos de partilha da comunidade, elas revelam como o universo foi organizado por Sonsé, o Grande Criador, e pelos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados. Nesta narrativa, conhecemos a origem de Ukiedza, o Pai Sol, e de Kayadé, a Mãe Lua, seres luminosos que receberam a missão de proteger e manter o equilíbrio de toda a vida sobre a Terra.





SONSÉ DESPERTA A GRANDE CRIAÇÃO




Nos antigos Bihéuché, os Primeiros Tempos, quando tudo ainda era silêncio e apenas o grande mistério existia, foi Sonsé, o Grande Criador, quem decidiu que chegara a hora de dar forma ao mundo. Dizem os mais velhos que foi naquele instante sagrado que começaram as primeiras histórias contadas ao redor do fogo, para que ninguém esquecesse como nasceu a vida sobre a Radá, a Terra.





OS DOIS AVÔS DO PRIMEIRO TEMPO




Primeiro, Sonsé chamou os Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados. Vieram os Sumarãtó, os Dois Avôs. Um era Upuhto, o Avô do Vento, que caminhava levando o sopro da vida por todos os lugares. O outro era Duto, o Avô do Fogo, cuja chama aquecia, iluminava e transformava tudo aquilo que tocava.




AS DUAS AVÓS DA CRIAÇÃO




Depois, Sonsé chamou as Sumanike, as Duas Avós. Chegou Nikedda, a Avó da Terra, firme como as montanhas e generosa como o chão que alimenta. Ao seu lado veio Dzúnike, a Avó da Água, cujas correntes levavam força, frescor e renovação para todas as coisas que ainda estavam por nascer.





A MISSÃO DOS ANTEPASSADOS SAGRADOS





Então Sonsé falou aos quatro Antepassados Sagrados e lhes confiou uma grande missão:

— Da união de vocês nascerão aqueles que protegerão toda a vida. Criem os Ubuá, as Plantas; os Keriá, os Animais; e os Uanieá, os Povos Indígenas. Ensinem-lhes que nada poderá existir sem equilíbrio, pois toda criação caminhará unida.

Os quatro Antepassados inclinaram suas cabeças em sinal de respeito e aceitaram a missão sagrada.





O NASCIMENTO DE UKIEDZA, O PAI SOL




Os Sumarãtó reuniram seus poderes e fizeram surgir no alto do céu o Ukie, o Sol. Seu brilho espalhou calor pelos campos, despertou as águas e fez crescer a esperança. Sonsé olhou para sua obra e disse:

— Tu serás Dzaba, o Pai da Vida dos Keriá, chamarás Ukiedza, o Pai Sol. Caminharás durante o Kaie, no dia despertando toda a vida com tua luz.

Ukiedza respondeu com voz firme:

— Enquanto existir a Radá, aquecerei os Ubuá, fortalecerei os Keriá e iluminarei o caminho dos Uanieá.





O SURGIMENTO DE KAYADÉ, A MÃE LUA




Enquanto isso, as Sumanike olharam para o céu quando a claridade descansava. Com o carinho das avós, criaram Kayaridu, a Lua, de luz suave e serena. Sonsé aproximou-se dela e declarou:

— Tu serás Déba, a Mãe da Vida, protetora das Ubuá, as Plantas, chamarás Kayadé, a Mãe Lua. Quando chegar a Kaia, na noite
guardarás o descanso da criação, acompanharás os ciclos das plantas e velarás pelos sonhos de todos os seres.

Kayadé sorriu serenamente e respondeu:

— Quando o brilho de Ukiedza repousar atrás das montanhas, estarei presente para que jamais faltem paz, esperança e renovação.





A ALTERNÂNCIA DO DIA E DA NOITE




Então Sonsé reuniu Ukiedza e Kayadé diante dos Tokenhé Antoá e lhes disse:

— Nenhum de vocês caminhará sozinho. O dia pertencerá ao Pai Sol e a noite pertencerá à Mãe Lua. Um preparará o caminho do outro, pois somente juntos manterão vivo o equilíbrio da criação.

Desde aquele dia, quando Ukiedza se despede do horizonte, Kayadé surge silenciosa para continuar a missão recebida do Grande Criador.






O EQUILÍBRIO DA VIDA SOBRE A TERRA




Desde então, Pai Sol e Mãe Lua passaram a cuidar de tudo o que vive sobre a Radá. Um fortalece com sua luz ardente; a outra alimenta com sua claridade delicada. Juntos, mantêm o tempo em equilíbrio para que plantas, animais e povos continuem vivendo em harmonia com a criação de Sonsé.






NIKEDDA, A GUARDIÃ DOS NETOS




Mas os antigos também ensinam que, nos primeiros passos da vida, nem sempre o pai e a mãe conhecem todos os caminhos. Por isso, Nikedda, a Avó da Terra, recebeu uma missão muito especial: cuidar dos Tekéá, as Netas, e dos Téá, os Netos, acolhendo-os com paciência enquanto aprendem a caminhar pelo mundo.






O LEGADO DOS PRIMEIROS TEMPOS




É por essa razão que os anciãos dizem às novas gerações que a sabedoria nasce do cuidado das avós e dos avôs, deixado pelos Tokenhé Antoá desde os Primeiros Tempos. Quando o Sol nasce e a Lua se levanta, eles lembram que Ukiedza e Kayadé continuam velando pela vida, enquanto Nikedda permanece sustentando seus netos sobre a Terra, para que jamais se percam os ensinamentos sagrados da criação.





A LUZ ETERNA DOS ANTEPASSADOS




Assim permanece viva, na memória do povo Kariri-Xocó, a lembrança de que o Sol e a Lua não são apenas astros que iluminam o céu, mas ancestrais da criação que continuam guiando o ritmo da vida. A cada amanhecer e a cada anoitecer, Ukiedza e Kayadé renovam o pacto sagrado firmado nos Primeiros Tempos, enquanto Nikedda, a Avó da Terra, segue acolhendo seus netos com sabedoria e cuidado. Dessa forma, a tradição ensina que viver em harmonia com a natureza é também honrar os ensinamentos deixados pelos Tokenhé Antoá e fortalecer a continuidade da vida para todas as gerações.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir esta narrativa, compreendemos que Ukiedza e Kayadé permanecem vivos não apenas no céu, mas também na memória, na espiritualidade e nos ensinamentos do povo Kariri-Xocó.

Os Primeiros Tempos continuam presentes sempre que o Sol nasce, a Lua desponta e a natureza segue seu ciclo. Honrar esses ensinamentos significa preservar o equilíbrio da vida, respeitar todas as formas de existência e fortalecer a herança deixada pelos Tokenhé Antoá.

Que esta obra inspire novas gerações a conhecer, valorizar e transmitir a riqueza da tradição oral Kariri-Xocó, mantendo acesa a luz da ancestralidade.



GLOSSÁRIO

Bihéuché – Primeiros Tempos.
Dzaba – Pai da Vida.
Déba – Mãe da Vida.
Duto – Avô do Fogo.
Dzúnike – Avó da Água.
Kaia – Noite.
Kaie – Dia.
Kayadé – Mãe Lua.
Kayaridu – Lua.
Keriá – Animais.
Nikedda – Avó da Terra.
Radá – Terra.
Sonsé – Grande Criador.
Sumanike – Duas Avós.
Sumarãtó – Dois Avôs.
Tekéá – Netas.
Téá – Netos.
Tokenhé Antoá – Antepassados Sagrados.
Uanieá – Povos Indígenas.
Ubuá – Plantas.
Ukie – Sol.
Ukiedza – Pai Sol.
Upuhto – Avô do Vento.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Tokenhé Antoá Bihéuché: Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tokenhe-antoa-biheuche-os-antepassados.html?m=0 . Acesso em: 10 jul. 2026. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História, Kariri-Xocó, Crenças do Mundo Espiritual, Contos - Volume 12 - Coletânea, Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/11/woroy-historia-kariri-xoco-crencas-do.html?m=0 . Acesso em: 10 jul. 2026. 





SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é escritor, pesquisador, contador de histórias da tradição oral (Worobü Woroyá Toklikli) e dedicado à preservação da memória cultural de seu povo.

Sua produção literária reúne narrativas, contos, estudos históricos e obras voltadas à valorização da língua, da espiritualidade, da cosmologia e dos conhecimentos ancestrais Kariri-Xocó. Por meio da escrita, busca fortalecer a identidade indígena, registrar a sabedoria dos anciãos e contribuir para que as futuras gerações mantenham viva a herança cultural recebida dos Tokenhé Antoá.

Em UKIDZA BAE KAYADÉ: PAI SOL E MÃE LUA, o autor apresenta uma narrativa inspirada na tradição oral sobre a criação do mundo, reafirmando o compromisso com a preservação da memória ancestral e com o respeito à natureza como fundamento da vida.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó






terça-feira, 14 de julho de 2026

UITANE BIRANÁ RADDA: DOIS IRMÃOS NO MUNDO 







FALSA FOLHA DE ROSTO 


UITANE BIRANÁ RADDA: DOIS IRMÃOS NO MUNDO 


Nhenety Kariri-Xocó




FOLHA DE ROSTO 


UITANE BIRANÁ RADDA: DOIS IRMÃOS NO MUNDO 


Uma narrativa sobre os caminhos do conhecimento, da tradição e do reencontro entre diferentes mundos


Autor


Nhenety Kariri-Xocó


Porto Real do Colégio – Alagoas – Brasil


2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO 


Copyright © 2026 – Nhenety Kariri-Xocó


Todos os direitos reservados.


Esta obra valoriza a memória oral, os saberes tradicionais e o patrimônio cultural do povo Kariri-Xocó. É permitida a reprodução de pequenos trechos para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a autoria.


ISBN (Simbólico): 978-65-0000-020-9




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.


Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.


Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.


Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.


Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.


Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.


Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.


O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.



Nhenety Kariri-Xocó 





FICHA CATALOGRÁFICA 



K18p


KARIRI-XOCÓ, Nhenety.


Uitane Biraná Radda: Dois Irmãos no Mundo / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio (AL), 2026.


Livro infantojuvenil.


Literatura indígena brasileira.


Povo Kariri-Xocó.


Narrativas tradicionais.


Saberes indígenas.


Educação intercultural.


Cultura brasileira.


CDD: 398.20981





DEDICATÓRIA 


Dedico este livro às crianças indígenas e não indígenas que acreditam que aprender nunca significa abandonar suas raízes. Dedico também aos anciãos Kariri-Xocó, guardiões da memória, que mantêm viva a chama da tradição para que as futuras gerações continuem caminhando com dignidade, respeito e esperança.




AGRADECIMENTOS 


Minha gratidão ao povo Kariri-Xocó, aos mestres da tradição oral, às famílias da aldeia, aos educadores indígenas e a todos que compreendem que o conhecimento cresce quando diferentes culturas dialogam com respeito. Agradeço ainda aos leitores que acolhem esta história como uma ponte entre a aldeia e o mundo.



EPÍGRAFE 


"Assim como o Opará reúne muitas águas, a sabedoria reúne muitos caminhos. Quem aprende sem esquecer suas raízes nunca deixa de encontrar o caminho de casa."




PREFÁCIO DO VOLUME 


Patã e Porã apresenta uma narrativa inspirada na tradição oral Kariri-Xocó que dialoga com temas universais como identidade, educação, pertencimento e interculturalidade. Por meio da trajetória de dois irmãos, o livro demonstra que a convivência entre diferentes formas de conhecimento fortalece tanto os povos indígenas quanto toda a humanidade.




RESUMO 


Esta obra narra a história de dois irmãos Kariri-Xocó que escolhem caminhos distintos. Enquanto Patã parte para conhecer o mundo das cidades, Porã permanece na aldeia preservando os ensinamentos ancestrais. Muitos anos depois, ambos compreendem que seus conhecimentos se completam, mostrando que tradição e inovação podem caminhar juntas na construção de um futuro baseado no respeito e na diversidade cultural.


Palavras-chave: Kariri-Xocó; literatura indígena; tradição oral; interculturalidade; educação; Opará.




ABSTRACT 


This book tells the story of two Kariri-Xocó brothers who choose different life paths. Patã travels to the outside world in search of new knowledge, while Porã remains in the village preserving ancestral wisdom. Years later, they discover that both kinds of knowledge complement one another, demonstrating that tradition and innovation can walk together in building a future based on respect, cultural diversity and mutual learning.


Keywords: Kariri-Xocó; Indigenous literature; oral tradition; interculturality; education.




APRESENTAÇÃO 


As histórias dos povos indígenas guardam ensinamentos que ultrapassam o tempo. Patã e Porã convida o leitor a conhecer uma narrativa em que a tradição oral se une à reflexão sobre educação, identidade e convivência entre culturas, valorizando tanto a sabedoria ancestral quanto o conhecimento adquirido ao longo da vida.




NOTA DO AUTOR 


Embora inspirada na tradição oral Kariri-Xocó, esta narrativa assume forma literária para preservar e divulgar valores culturais, fortalecendo o respeito às identidades indígenas e estimulando o diálogo entre diferentes modos de compreender o mundo.




MEMÓRIA DO AUTOR 


Minha caminhada como contador de histórias nasceu ouvindo os mais velhos da aldeia. Cada narrativa recebida tornou-se uma responsabilidade de memória. Este livro representa mais uma etapa desse compromisso de registrar, fortalecer e compartilhar a riqueza cultural do povo Kariri-Xocó com leitores de todas as idades.




INTRODUÇÃO 


Uitane Biraná Radda: Dois Irmãos no Mundo, com Patã e Porã é uma história sobre escolhas. Mais do que apresentar dois irmãos, revela dois modos de aprender que não competem entre si, mas se complementam. Ao longo da narrativa, o leitor perceberá que nenhuma cultura cresce isolada e que toda aprendizagem se torna mais rica quando nasce do respeito às diferenças.




SUMÁRIO 


Falsa Folha de Rosto

Folha de Rosto

Verso da Folha de Rosto

Ficha Catalográfica

ISBN (Simbólico)

Prefácio Oficial da Coleção

Esclarecimento do Autor

Dedicatória

Agradecimentos

Epígrafe

Prefácio

Resumo

Abstract

Apresentação

Nota do Autor

Memória do Autor

Introdução

Dois Irmãos, Dois Caminhos

A Infância às Margens do Opará

A Escola e a Escolha dos Caminhos

A Jornada de Patã pelo Grande Mundo

Porã, Guardião da Tradição

O Grande Reencontro

O Vazio do Mundo Distante

O Desejo de Conhecer o Outro Mundo

Quando os Saberes Caminham Juntos

O Ensinamento para Todas as Gerações

Considerações Finais

Glossário

Referências Bibliográficas

Sobre o Autor




DOIS IRMÃOS, DOIS CAMINHOS 




Em todas as culturas existem histórias que atravessam gerações porque falam de escolhas, caminhos e reencontros. Entre o povo Kariri-Xocó, às margens do sagrado Opará 'Rio São Francisco', conta-se que Uitane Biraná 'Dois Irmãos' seguiram destinos diferentes para descobrir que nenhum conhecimento é maior do que o outro quando nasce do respeito e da vontade de aprender. Esta é a história de Patã e Porã, os Uitane Biraná 'Dois Irmãos' que ensinaram que a verdadeira sabedoria floresce quando diferentes mundos se encontram.




A INFÂNCIA ÀS MARGENS DO OPARÁ 




Dizem os mais velhos que, quando o Opará 'Rio São Francisco' ainda conversava baixinho com as pedras e as Sutuá 'Árvores' ouviam os segredos do vento, nasceram na aldeia Kariri-Xocó dois irmãos muito diferentes e, ao mesmo tempo, muito unidos. Um recebeu o nome de Patã 'Resistente'; o outro, Porã 'Harmonioso'. Cresceram sob o mesmo Arankié 'Céu', beberam da mesma água do Iwo 'Rio' e correram pelos mesmos caminhos da aldeia. Brincavam desde o nascer do Ukie 'Sol' até a chegada das primeiras Battiá 'Estrelas', descobrindo, em cada dia, um novo motivo para sorrir.




A ESCOLA E A ESCOLHA DOS CAMINHOS 




Quando a Erátekié 'Escola' chegou à Natiá 'Aldeia', cada Biran 'Irmão' encontrou um caminho diferente para seguir. Patã sentiu o coração bater forte ao abrir os Torarã 'Livros'. As letras pareciam pequenas portas que se abriam para o grande Radda 'Mundo'. Sonhava conhecer as Naticróraí 'Cidades', ver os Ibápohduá 'Carros', atravessar terras distantes e aprender tudo o que ainda não sabia. Porã, porém, preferia permanecer onde seus pés conheciam o chão. Para ele, a mata, os velhos sábios, os Tokenhé 'Ancestrais' e as Woroyá 'Histórias' guardavam ensinamentos que nenhum livro poderia substituir.




A JORNADA DE PATÃ PELO GRANDE MUNDO 




O Uché 'Tempo' seguiu seu caminho, como seguem as águas do Opará sem jamais voltarem para trás. Um dia, Patã despediu-se da família e partiu. Itohiquiete 'Viajou' por muitos lugares, Naté 'Trabalhou' com dedicação, aprendeu novas línguas, conheceu diferentes costumes e construiu uma vida próspera. Casou-se com uma Tetsi Caraí 'Mulher Branca', criou seus filhos e tornou-se respeitado por onde passava. Ainda assim, em algumas noites silenciosas, seu pensamento atravessava a distância e retornava à aldeia onde havia nascido.




PORÃ GUARDIÃO DA TRADIÇÃO 




Enquanto isso, Porã permaneceu junto ao seu povo. Ubu 'Plantou', Uaplu 'Caçou', pescou nas águas do rio e escutou atentamente cada palavra dos mais velhos. Aprendeu a reconhecer os Wonhé Retsé 'Cantos da Floresta', a ler os Mecá Uché 'Sinais do Tempo' e a compreender o brilho das Battiá 'Estrelas'. Casou-se, criou sua família e tornou-se um guardião da Nhenetíá 'Tradição', alguém procurado por todos quando era preciso lembrar os antigos ensinamentos.




O GRANDE REENCONTRO 




Passaram-se muitos e muitos anos. Então, numa tarde em que o Ukie 'Sol' mergulhava lentamente atrás das águas do Opará, um homem de cabelos grisalhos apareceu no caminho da aldeia. Era Patã voltando para casa. Porã o reconheceu antes mesmo que dissesse uma palavra. Os dois irmãos correram um ao encontro do outro e se abraçaram demoradamente, como se naquele abraço estivessem reunidos todos os anos de saudade. A aldeia inteira celebrou o reencontro, pois sabia que dois corações separados pelo caminho finalmente voltavam a caminhar lado a lado.




O VAZIO DO MUNDO DISTANTE 




Naquela noite, reunidos ao redor da Buyê 'Fogueira', enquanto as chamas iluminavam seus rostos, Patã falou com a voz embargada. Contou sobre as grandes cidades, as máquinas, as estradas, as pontes e tudo o que aprendera durante sua longa caminhada. Depois baixou os olhos e confessou que, apesar de ter conhecido quase todo o Radda 'Mundo', sentia dentro de si um vazio profundo. Percebia que havia partido cedo demais e deixado para trás as histórias, os cantos e os ensinamentos de seu próprio povo.




O DESEJO DE CONHECER O OUTRO MUNDO 




Porã ouviu em silêncio e, quando chegou sua vez de falar, revelou que também carregava um desejo escondido. Disse que aprendera muito com a floresta, com o rio, com os Tokenhé 'Ancestrais' e com os velhos da aldeia, mas que sempre tivera curiosidade de conhecer o mundo além das montanhas e das cidades. Então os dois sorriram, porque compreenderam que cada um guardava exatamente aquilo que faltava ao outro. Quase ao mesmo tempo disseram: "Ensina-me o mundo de fora." E o outro respondeu: "Ensina-me o mundo de dentro."




QUANDO OS SABERES CAMINHAM JUNTOS 




Desde aquele dia, os Uitane Biraná 'Dois Irmãos' passaram a caminhar juntos novamente. Patã compartilhava o conhecimento das cidades, das invenções e dos caminhos do mundo. Porã transmitia a sabedoria da aldeia, dos rituais, das plantas, dos espíritos e da memória dos antigos. Assim descobriram que nenhum saber é completo quando caminha sozinho. Como as duas margens do Opará sustentam o mesmo rio, também a sabedoria da aldeia e a sabedoria do mundo precisam andar de mãos dadas. E até hoje os mais velhos contam que Patã e Porã ensinaram a todos que cada povo tem um lugar na Terra e que a verdadeira riqueza nasce quando diferentes conhecimentos se encontram com respeito e harmonia.




O ENSINAMENTO PARA TODAS AS GERAÇÕES 




Desde então, a história de Patã e Porã continua sendo lembrada como um ensinamento para todas as gerações. Ela recorda que ninguém perde sua identidade por aprender com o outro e que todo conhecimento, seja o da aldeia ou o do mundo além dela, pode fortalecer a caminhada humana. Assim como o Opará reúne muitas águas em seu curso, também os diferentes saberes podem correr juntos, alimentando a vida, a memória e o futuro de todos os povos.




CONSIDERAÇÕES FINAIS 


Patã e Porã demonstra que a verdadeira riqueza humana nasce do encontro entre diferentes formas de conhecimento. Ao preservar suas raízes e, ao mesmo tempo, dialogar com outros saberes, cada geração amplia sua compreensão do mundo sem perder sua identidade. Esta é uma mensagem de esperança, respeito e convivência para todos os povos.




GLOSSÁRIO 


Arankié – Céu.

Battiá – Estrelas.

Biraná – Irmãos. 

Biran – Irmão. 

Buyê – Fogueira.

Erátekié – Escola.

Ibápohduá – Carros.

Itohiquiete – Viajou.

Iwo – Rio.

Mecá Uché – Sinais do tempo.

Naté - Trabalhou. 

Naticróraí – Cidades.

Natiá – Aldeia.

Nhenetíá – Tradições.

Opará – Rio São Francisco.

Patã – Resistente.

Porã – Harmonioso.

Radá – Terra. 

Radda – Mundo.

Sutuá – Árvores.

Tetsi Caraí – Mulher branca.

Tokenhé – Ancestrais.

Torarã – Livros.

Uaplu – Caçou.

Ubu – Plantou.

Uché – Tempo.

Uitane – Irmão. 

Uitane Biraná – Dois Irmãos. 

Ukie – Sol.

Wonhé Retsé – Cantos da floresta.

Woroyá – Histórias.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 



KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Patã e Porã, Dois Irmãos no Mundo. Disponível em:

 https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/pata-e-pora-dois-irmaos-no-mundo.html?m=0. Acesso em: 10 jul. 2026.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Dois Irmãos no Mundo. Portuguese. Thydewá. Ilhéus, 2015. Disponível em:

 https://www.thydewa.org/ebooks/pdfs/Ebook-2irmaos.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.





SOBRE O AUTOR 


Nhenety Kariri-Xocó é escritor indígena, pesquisador, contador de histórias da tradição oral, educador cultural e autor de diversas obras dedicadas à preservação da memória, da língua, da história e dos conhecimentos tradicionais do povo Kariri-Xocó. Sua produção literária busca aproximar leitores de todas as idades da riqueza cultural dos povos originários, valorizando a oralidade, a educação intercultural e o diálogo entre diferentes formas de conhecimento.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó 







sábado, 11 de julho de 2026

RUÑOHÚ CRODÍ TSEHO: CERÂMICA RESISTÊNCIA DO POVO KARIRI-XOCÓ






FALSA FOLHA DE ROSTO

RUÑOHÚ CRODÍ TSEHO
CERÂMICA RESISTÊNCIA DO POVO KARIRI-XOCÓ

Narrativas da tradição oral, memória ancestral e conhecimentos da cerâmica indígena Kariri-Xocó.



FOLHA DE ROSTO

RUÑOHÚ CRODÍ TSEHO: CERÂMICA RESISTÊNCIA DO POVO KARIRI-XOCÓ

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – Alagoas
Brasil




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

Copyright © Nhenety Kariri-Xocó.

Todos os direitos reservados.

Esta obra valoriza os conhecimentos tradicionais do povo indígena Kariri-Xocó, preservando narrativas da tradição oral, vocabulário ancestral e memórias culturais relacionadas à produção da cerâmica indígena.




FICHA CATALOGRÁFICA

Ficha catalográfica elaborada para fins editoriais.

Nhenety Kariri-Xocó.

Ruñohú Crodí Tseho: Cerâmica Resistência do Povo Kariri-Xocó.

Povos Indígenas.

Kariri-Xocó.

Cerâmica Tradicional.

Patrimônio Cultural.

História Oral.

Etnoconhecimento.

Memória Ancestral.

CDD: 738.089981




ISBN (Simbólico)

ISBN: 978-65-0000-000-0




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.





ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 




DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos nossos Tokenhé, os Antepassados Sagrados, que ensinaram às primeiras ceramistas o respeito pela Terra, pela Água, pelo Vento e pelo Fogo.

Dedico também às mulheres Kariri-Xocó, guardiãs da Ruñohú, que transformaram o barro em alimento, sustento, arte e resistência, preservando a identidade de nosso povo através das gerações.




AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Grande Criador, aos ancestrais Kariri-Xocó, às mulheres ceramistas, aos anciãos que mantiveram viva a tradição oral, às famílias da aldeia e a todos que continuam preservando a memória do nosso povo.

Minha gratidão estende-se igualmente aos pesquisadores, educadores, estudantes e leitores que compreendem que proteger a cultura indígena significa proteger parte da própria história do Brasil.



EPÍGRAFE

"O barro guarda a memória da Terra. O fogo fortalece a tradição. As mãos transmitem a sabedoria. O povo preserva a eternidade."

— Sabedoria Tradicional Kariri-Xocó




PREFÁCIO DO VOLUME

Este volume reúne conhecimentos tradicionais sobre a cerâmica Kariri-Xocó apresentados na forma da narrativa oral indígena.

Cada capítulo foi construído como se um ancião estivesse contando suas lembranças ao redor do fogo, preservando não apenas técnicas artesanais, mas também valores espirituais, sociais e ambientais que acompanham essa tradição há muitas gerações.

Mais do que estudar a cerâmica, este livro convida o leitor a compreender uma maneira indígena de viver, ensinar e preservar a memória.




RESUMO

Esta obra apresenta a tradição cerâmica do povo Kariri-Xocó por meio da oralidade ancestral. São abordadas a origem sagrada da cerâmica, as fontes naturais da argila, o preparo do barro, os materiais utilizados, o processo de fabricação, sua importância histórica, as práticas de troca e comercialização e as transformações ocorridas com a chegada da modernidade. O livro também preserva vocabulário tradicional da língua Kariri-Xocó, contribuindo para o fortalecimento da memória cultural indígena.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; Cerâmica; Patrimônio Cultural; Oralidade; Memória; Povos Indígenas.




ABSTRACT

This book presents the ceramic tradition of the Kariri-Xocó people through ancestral oral narratives. It discusses the sacred origins of pottery, natural clay sources, clay preparation, traditional materials, ceramic production, historical significance, exchange and trade practices, and the transformations brought by modern society. It also preserves traditional Kariri-Xocó vocabulary, contributing to the safeguarding of Indigenous cultural heritage.

Keywords: Kariri-Xocó; Pottery; Indigenous Heritage; Oral Tradition; Memory.




APRESENTAÇÃO

A Ruñohú representa muito mais do que utensílios produzidos com barro. Ela constitui um patrimônio cultural que expressa a relação do povo Kariri-Xocó com a natureza, os ancestrais e a coletividade.

Este livro busca registrar esse conhecimento para que continue vivo entre as novas gerações e também seja conhecido por todos aqueles que desejam compreender a riqueza das culturas indígenas brasileiras.




NOTA DO AUTOR

As narrativas aqui apresentadas foram organizadas respeitando a tradição oral Kariri-Xocó.

Os vocábulos indígenas foram preservados sempre que possível, acompanhados de seus significados em português, fortalecendo a valorização linguística e cultural de nosso povo.




MEMÓRIA DO AUTOR

Desde criança acompanhei os ensinamentos dos mais velhos, ouvindo histórias ao redor das fogueiras e observando o cotidiano das mulheres ceramistas.

Compreendi que cada panela, pote ou moringa carregava muito mais do que barro endurecido pelo fogo: carregava a memória coletiva do povo Kariri-Xocó.

Escrever esta obra significa devolver às futuras gerações parte desse patrimônio recebido dos ancestrais.




INTRODUÇÃO

A cerâmica acompanha a história dos Kariri-Xocó desde tempos imemoriais.

Mais do que uma atividade artesanal, constitui uma expressão de resistência cultural, econômica e espiritual.

Ao longo dos oito capítulos, o leitor conhecerá os caminhos do barro, os ensinamentos das mulheres ceramistas, as mudanças provocadas pela modernidade e o permanente compromisso do povo Kariri-Xocó com a preservação de sua identidade.






SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto

Folha de Rosto

Verso da Folha de Rosto

Ficha Catalográfica

ISBN (Simbólico)

Prefácio Oficial da Coleção

Esclarecimento do Autor

Dedicatória

Agradecimentos

Epígrafe

Prefácio

Resumo

Abstract

Apresentação

Nota do Autor

Memória do Autor

Introdução

Capítulo I – Kenhé Samy Ruñohú: Cerâmica, Costumes e Cultura
Capítulo II – Ebebunhá Antse: Fontes da Argila na Natureza
Capítulo III – Diteri Bunhá: Preparar o Barro
Capítulo IV – Sanéá Buruhúá: Materiais da Cerâmica
Capítulo V – Utsoho Ruñohú: Fazer Cerâmica
Capítulo VI – Woroy Ruñohú: História da Cerâmica
Capítulo VII – Eismbé Moitará Ruñohú: Vender e Trocar Cerâmica
Capítulo VIII – Ruñohú Uché Cramenunhí: A Cerâmica e o Tempo da Geladeira
Considerações Finais
Glossário
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor




CAPÍTULO I - KENHÉ SAMY RUÑOHÚ: CERÂMICA COSTUMES E CULTURA 




Aproximem-se do fogo, meus parentes, e escutem com atenção, porque esta é uma história antiga, contada muitas e muitas vezes pelos nossos avôs e avós, desde o tempo em que o Opará ainda ensinava seus caminhos às crianças. Não é apenas a história do barro que se transforma pelas mãos das mulheres, mas da sabedoria que nasceu com os primeiros Tokenhé e continua viva em cada geração Kariri-Xocó. Quem aprende a ouvir esta narrativa compreende que a cerâmica não é somente um trabalho, mas uma memória sagrada moldada pela Terra, abençoada pela Água, acariciada pelo Vento e fortalecida pelo Fogo, para que o nosso Kenhé jamais desapareça.

Antes de ser lembrado pelos mais velhos como um simples ofício, o fazer da cerâmica já era contado como um presente sagrado deixado pelos nossos Tokenhé, os Antepassados. Diziam os antigos que, no Uché, o Tempo das origens, a Nikedda, a Avó Terra, caminhou ao lado da Dzúnike, a Avó Água, para ensinar às Tetsiá, as mulheres, os primeiros segredos do Bunhá, o barro. Assim nasceu uma tradição que atravessou gerações e passou a fazer parte da identidade do povo Kariri-Xocó.

As anciãs contavam que cada punhado de barro carregava um pouco da força da Terra e da suavidade da Água. Por isso, antes de moldar uma panela, um pote ou qualquer outra peça, era preciso reconhecer que aquele barro não era apenas matéria, mas um presente das Avós Sagradas. Era esse respeito que transformava o trabalho das mãos em um gesto de gratidão à natureza e aos espíritos ancestrais.

Diziam ainda que a Ruñohú, a cerâmica, não servia somente para preparar alimentos ou guardar sementes e água. Cada peça guardava histórias, memórias e ensinamentos. Enquanto os dedos moldavam o barro, as palavras dos mais velhos eram repetidas, fazendo com que as crianças aprendessem, ao mesmo tempo, a arte de criar e a importância de preservar os costumes herdados dos Tokenhé.

Os antigos também ensinavam que as Sumanike Antoá, as Duas Avós Sagradas, nunca caminhavam sozinhas. Ao lado delas estavam os Sumarãtó, os Dois Avôs: Upuhto, o Avô do Vento, que secava lentamente as peças, e Duto, o Avô do Fogo, que lhes dava resistência e vida definitiva. Assim, Terra, Água, Vento e Fogo trabalhavam juntos, mostrando que a natureza inteira participava da criação da cerâmica.

É por isso que, até hoje, quando lembramos da Ruñohú, não recordamos apenas uma antiga técnica, mas um caminho de sabedoria deixado pelos nossos ancestrais. Cada peça de barro continua sendo um elo entre o passado e o presente, mantendo vivo o Kenhé, o costume, e fortalecendo a Nhenetíá, as tradições, para que as futuras gerações jamais esqueçam os ensinamentos da Nikedda, da Dzúnike e dos nossos eternos Tokenhé.

Assim termina esta lembrança, mas não termina o ensinamento, porque a palavra dos antigos continua viva sempre que uma nova peça de barro nasce das mãos do nosso povo. Enquanto houver quem conte estas histórias, quem respeite a Nikedda, a Dzúnike, os Sumarãtó e honre os Tokenhé, a Ruñohú permanecerá como um sinal da força do povo Kariri-Xocó. Que as crianças guardem estas palavras no coração, que os jovens as levem adiante e que os mais velhos continuem sendo a voz da memória, para que os costumes, a cultura e a tradição caminhem juntos, hoje, amanhã e por todo o tempo que o Opará continuar correndo em direção ao grande mar.




CAPÍTULO II – EBEBUNHÁ ANTSE: FONTES DA ARGILA NA NATUREZA




Toda boa caminhada começa ouvindo a voz da terra, assim diziam os anciãos ao redor do fogo. Antes mesmo de moldar o primeiro pote, era preciso conhecer os caminhos do barro, sentir o perfume da argila molhada e agradecer aos espíritos da natureza pelos dons recebidos. Assim, reunidas à sombra das árvores, as crianças escutavam os ensinamentos dos anciãos, que apontavam as margens do Opará e as lagoas sagradas como lugares onde a própria Mãe Terra revelava seus tesouros. Foi dessa maneira que o povo Kariri-Xocó aprendeu que cada fonte de argila possui sua história, sua força e sua missão na continuidade da arte da cerâmica.

Nossos anciãos contavam que a terra nunca escondia seus presentes de quem sabia conversar com ela. Nas margens do Opará, o grande Rio São Francisco, e nas Radá Dzurió, as Terras de Lagoa, repousam as Ebebunhá, as Fontes da Argila. Não são apenas lugares de onde se retira o barro, mas espaços sagrados onde a natureza oferece a matéria que, pelas mãos do povo, ganha nova vida na Ruñohú, a arte da cerâmica.

Na Dzurichi, a Lagoa Comprida, encontra-se o Bunhakuá, o barreiro conhecido pelas mulheres ceramistas desde os tempos dos antepassados. É dali que elas retiram o Buncotçó, o barro preto, forte e resistente, que dá forma aos belos Ruño, os potes que guardam água, alimentos e a memória das famílias. Cada retirada acontece com respeito, pois sabem que a terra é generosa quando também é cuidada.

Mas a natureza oferece muitos outros presentes. Em outro ponto encontra-se a Bunhé, a argila vermelha, ideal para moldar as Runhú, as panelas e outras peças tradicionais. Mais adiante repousa o Becunan, a argila branca, usada para criar pinturas e enfeites que tornam cada cerâmica única. Há também a Bunerã, a argila amarela, utilizada para alisar e dar acabamento às peças antes que recebam o calor do fogo.

Os anciãos também ensinavam que a boa cerâmica nasce da união de muitos elementos. Por isso, no leito do Iwo, o rio, recolhe-se a Kitci, a areia fina, que é misturada ao Bydi, a cinza, fortalecendo o barro e evitando que as peças se quebrem durante a secagem e a queima. Assim, cada elemento da natureza participa da criação, como se todos trabalhassem juntos para transformar a terra em arte.

Por isso, até hoje, as Ebebunhá permanecem vivas na lembrança do povo Kariri-Xocó. Cada fonte de argila, cada barreiro, cada punhado de areia e cada porção de cinza carregam os ensinamentos dos mais velhos. Quem aprende a conhecer esses lugares compreende que a verdadeira cerâmica não nasce apenas das mãos, mas do respeito pela natureza, da sabedoria ancestral e da gratidão ao Opará, que continua alimentando a cultura e a memória de seu povo.

E quando a história chegava ao fim, os anciãos lembravam que as Ebebunhá jamais seriam apenas lugares de retirar barro, mas verdadeiras escolas da natureza, onde cada grão de argila ensina paciência, respeito e gratidão. Enquanto o Opará continuar correndo e as novas gerações caminharem pelos antigos barreiros com o mesmo cuidado de seus antepassados, a Ruñohú permanecerá viva, moldando não apenas potes e panelas, mas também a memória, a identidade e o espírito do povo Kariri-Xocó, que segue guardando na terra a sabedoria de seus ancestrais.





CAPÍTULO III – DITERI BUNHÁ: PREPARAR O BARRO




Quando os mais velhos se reuniam ao redor da conversa, costumavam dizer que a terra também ensina aqueles que sabem escutá-la. Contavam que nenhuma panela, pote ou vasilha surgia apenas da habilidade das mãos, mas do respeito ao tempo da natureza e à sabedoria herdada dos ancestrais. Era assim que começavam a narrar o antigo caminho do Diteri Bunhá, o preparo do barro, um conhecimento guardado pelas mulheres ceramistas Kariri-Xocó e transmitido de geração em geração como um dos mais preciosos tesouros do povo.

Os antigos sempre ensinavam que toda boa cerâmica começa muito antes das mãos moldarem a panela ou o pote. Ela nasce no Bunhakuá, o barreiro sagrado, lugar onde repousa o Bunhá, o barro oferecido pela Mãe Terra. Ainda nas primeiras horas do dia, a ceramista seguia o caminho conhecido pelos antepassados, levando consigo o Bará, o balaio de cipó, enquanto recordava que cada passo era também um gesto de respeito à natureza.

Ao chegar ao barreiro, iniciava-se o trabalho de Kla bunhá, cavar o barro com paciência e cuidado. Aos poucos surgiam os Craerù Bunhá, os torrões de barro, retirados um a um e colocados delicadamente no balaio. Não havia pressa, pois os mais velhos diziam que o barro reconhece as mãos de quem trabalha com serenidade e gratidão, oferecendo sua força apenas àqueles que sabem esperar o tempo da terra.

De volta à aldeia, começava a etapa de Diteri dó bunhá, preparar o barro. Primeiro vinha o Pedabó bunhá, quebrar os torrões até que perdessem toda a dureza. Depois seguia-se a Curaempá Bunhá, molhar o barro, despertando sua maciez e devolvendo-lhe a vida. Cada movimento era acompanhado por ensinamentos transmitidos de geração em geração, como uma verdadeira escola da memória indígena.

Então a Tetsi, a mulher ceramista, iniciava o trabalho de transformar o barro em matéria viva. Suas mãos amassavam o Bunhá Poroné, misturando cuidadosamente Bunhá Bydi Ketci — barro, areia e cinza — até alcançar a consistência perfeita. Era um trabalho silencioso, mas cheio de sabedoria, pois cada ingrediente possuía sua função e cada gesto carregava o conhecimento herdado dos ancestrais.

Tudo estava pronto, surgia o Küdi bunhá, o bolo de barro, firme, macio e preparado para dar origem à Ruñohú, a cerâmica tradicional Kariri-Xocó. Assim, os mais velhos ensinavam que antes de nascer um objeto, nasce uma história; antes da beleza da cerâmica, existe o diálogo entre as mãos da ceramista, a força da terra e a memória viva dos antepassados, que continuam falando por meio de cada peça moldada.

Os anciãos encerravam essa lembrança, dizendo que preparar o barro era muito mais do que uma etapa do fazer cerâmico; era renovar a aliança entre o povo e a Mãe Terra. Em cada torrão quebrado, em cada punhado de areia misturado e em cada bolo de barro cuidadosamente amassado, permanecia viva a voz dos antepassados. Por isso, toda vez que uma nova peça de Ruñohú nascia das mãos da Tetsi, renasciam também a memória, a identidade e a força do povo Kariri-Xocó, para que esse saber jamais deixasse de caminhar com as futuras gerações.





CAPÍTULO IV – SANÉÁ BURUHÚÁ: MATERIAIS DA CERÂMICA



Naquele tempo, quando o sol ainda despertava lentamente sobre as margens do Opará, os mais velhos reuniam crianças e jovens ao redor das ceramistas para revelar um ensinamento precioso. Diziam que o barro, por mais generoso que fosse, jamais se transformaria sozinho em Buruhúá. Era preciso conhecer cada Sanéá, cada material que acompanhava a criação da cerâmica, pois todos possuíam um espírito de serviço e uma missão herdada dos ancestrais. Assim, antes mesmo de aprender a moldar uma panela, aprendia-se a respeitar os instrumentos que caminhavam ao lado das mãos, tornando possível o nascimento de obras que atravessariam muitas gerações.

O barro já havia sido preparado e estava pronto para ganhar vida, as anciãs chamavam os mais jovens para perto e diziam que nenhuma Buruhúá, a cerâmica sagrada, nascia apenas das mãos. Ela surgia da união entre o conhecimento, a paciência e os Sanéá, os materiais que acompanhavam o trabalho desde o princípio. Cada objeto possuía um nome, uma função e uma história, ensinada de geração em geração como um presente deixado pelos antepassados.

No centro do trabalho repousava o Aribá Ruño, o prato do pote, colocado sobre a Ybyrápeba, a tábua de madeira. Antes de receber o barro, a superfície era coberta com Bydi, a cinza, e Kitci, a areia bem Kiniki, cuidadosamente peneirada. Assim o barro podia girar livremente sem se prender, como se aprendesse a dançar ao ritmo tranquilo das mãos da ceramista, obedecendo ao compasso da tradição.

Mas quando o corpo da panela começava a crescer, entrava em ação o Prebúde, o capeador feito de coité, que acariciava o bojo até lhe dar forma harmoniosa. Depois vinha o Preretá, o capeador de ferro, retirando com delicadeza cada pequena imperfeição. Os mais velhos ensinavam que uma boa ceramista não lutava contra o barro; conversava com ele, corrigindo seus caminhos com calma, respeito e sabedoria.

Ao lado permanecia sempre a Runhú Tauá, a panela com argila amarela misturada à água. Com um Cruté, o pano, a peça era banhada lentamente, recebendo um brilho suave. Em seguida, surgia o precioso Cópiné Mucunã, a semente de alisar, que deslizava sobre a superfície como quem acaricia um filho, revelando a beleza escondida dentro do barro e preparando a cerâmica para sua longa existência.

Por fim, cada detalhe recebia sua identidade. O Bakiribú, o pente, desenhava marcas delicadas nas bordas das panelas, enquanto o capucho de Endi, algodão servia como pincel para aplicar os pigmentos naturais que davam cor e vida às peças. Assim ensinavam os antigos: nenhuma ferramenta era apenas um instrumento. Todas guardavam a memória dos ancestrais e transformavam o simples barro em Buruhúá, uma cerâmica que carregava a história, a arte e a alma do povo Kariri-Xocó.

Nesse momento os antigos encerravam seus ensinamentos dizendo que a verdadeira riqueza da Buruhúá não estava apenas na beleza das panelas, mas na união entre as mãos da ceramista, os Sanéá e a sabedoria dos antepassados. Cada prato, cada capeador, cada semente, cada pente e cada pequeno pedaço de algodão guardava uma lembrança viva da caminhada do povo Kariri-Xocó. Enquanto esses conhecimentos continuarem sendo contados, aprendidos e praticados, a cerâmica jamais será apenas barro moldado: continuará sendo a voz silenciosa da memória ancestral, preservando a identidade, a cultura e a resistência de um povo que nunca deixou de transformar a terra em vida e em história.





CAPÍTULO V – UTSOHO RUÑOHÚ: FAZER CERÂMICA




A fogueira lançava sua luz sobre a aldeia e o silêncio da noite se misturava ao canto dos insetos e ao murmúrio do Opará, os mais velhos reuniam crianças e jovens para recordar que toda arte nasce primeiro no espírito antes de tomar forma nas mãos. Diziam que o barro escutava quem se aproximava com respeito e que somente os corações pacientes eram capazes de despertar a vida escondida na terra. Assim começava a antiga narrativa sobre o Utsoho Ruñohú, o fazer cerâmica, um conhecimento sagrado herdado dos antepassados, no qual cada gesto unia trabalho, memória e pertencimento ao povo Kariri-Xocó.

Em reunião com os jovens ao cair da tarde, os mais velhos diziam que o barro nunca foi apenas terra molhada. Ele guardava a memória do povo e esperava pelas mãos pacientes de quem conhecia seus segredos. Assim nascia o Naté Ruñohú Bunhá, o trabalho cerâmico de barro, do qual surgiam o Ruño, o pote que conservava a água fresca e o mel; a Runhú, a panela onde eram preparados os Amí, os alimentos da família; o Aribé, o prato que reunia todos ao redor da comida; e o Buiú, a urna funerária que acolhia os entes queridos em sua última morada, com respeito e reverência.

Os anciãos ensinavam que cada peça possuía um corpo semelhante ao de um ser vivo. Primeiro era moldada a Barú, a base que sustentava toda a obra. Depois crescia o Ibuehohó, o corpo firme e resistente. Em seguida surgia a Ubiro, a barriga generosa que guardaria água, alimento ou mel. Por fim, era formada a Waridzá, a boca da vasilha, por onde a utilidade encontrava a vida. Nada era feito às pressas, pois cada etapa exigia calma, atenção e sabedoria.

No tempo que a peça estava completamente moldada, ela era colocada sob o calor do Crá Ukie, secando lentamente ao sol. Somente depois recebia a beleza dos desenhos. As mãos habilidosas realizavam o Kuatçó, pintando cuidadosamente cada objeto com o Purúhe, a pintura floral que trazia a lembrança das flores, das folhas e da própria floresta. Assim, cada cerâmica deixava de ser apenas um utensílio para tornar-se também uma expressão da arte e da identidade do povo.

Chegava então o momento mais delicado do trabalho. O Muncuisú, o homem queimador, organizava cuidadosamente todas as peças dentro do Bubehó, o forno cerâmico. Ali, durante o Umah Ruñohú, a queima da cerâmica, o fogo do Buyê transformava o barro em resistência, alimentado pela Héisú, a lenha seca retirada com respeito da Retsé, a floresta. O calor completava aquilo que as mãos haviam iniciado.

Nesse instante os antigos lembravam que fazer cerâmica era muito mais do que fabricar objetos. Era conversar com a terra, caminhar ao lado do fogo, do sol e da floresta, unindo os ensinamentos dos antepassados ao trabalho das novas gerações. Cada pote, panela, prato ou urna carregava consigo a história de um povo que moldava o barro enquanto também moldava sua própria memória, preservando viva a tradição dos Kariri-Xocó através do tempo.

Ao terminar a narrativa, os anciãos sorriam serenamente e lembravam que o barro continua ensinando aqueles que desejam aprender. Enquanto houver mãos que amassem a terra, olhos que observem o fogo e corações que respeitem a floresta, o saber dos antigos jamais desaparecerá. Cada peça moldada será sempre mais do que um objeto: será um testemunho vivo da sabedoria ancestral, da força da memória coletiva e do compromisso das novas gerações em manter acesa a chama da tradição cerâmica do povo Kariri-Xocó, para que ela continue atravessando os tempos como um legado de identidade, resistência e vida.





CAPÍTULO VI – WOROY RUÑOHÚ: HISTÓRIA DA CERÂMICA




A noite cobria a aldeia e o fogo aquecia os rostos dos mais novos, os anciãos chamavam todos para perto e diziam: "Escutem bem, porque cada pedaço de barro guarda uma lembrança do nosso povo." Então começavam a contar que a Ruñohú, a cerâmica, não nasceu apenas das mãos humanas, mas da união entre a terra, a água, o fogo e a sabedoria deixada pelos antepassados. E ensinavam que, antes de conhecer a forma dos potes e das panelas, era preciso conhecer a história de coragem que vive dentro de cada grão de argila.

Os nossos mais velhos sentavam ao redor da palavra e diziam que, ao longo dos Battiá, os anos que atravessaram o Uché Caraí, o tempo dos brancos, muitas Buangheté, muitas coisas más, chegaram às terras de nossos antepassados. Onde antes havia silêncio das matas, canto dos pássaros e passos dos caçadores, começaram a surgir as Naticróraí, as cidades, que derrubavam as Retseá, as florestas, e transformavam a paisagem que nossos ancestrais conheciam desde tempos antigos.

Com a chegada dessas mudanças, as Radá, as terras de nosso povo, foram sendo tomadas pouco a pouco. As Uapluá, as caças, tornaram-se cada vez mais raras, e já não era possível abrir as Bechiéá, as roças, como faziam os antigos. Vieram dias de grande dificuldade, e muitas famílias conheceram o Unu, o sofrimento, provocado pela falta de Amí, o alimento necessário para sustentar a vida.

Mas foi justamente nos tempos mais difíceis que brilhou a força das nossas Tetsiá, as mulheres Kariri-Xocó. Enquanto muitos caminhos se fechavam, elas mantiveram vivas as mãos ensinadas pelas avós e bisavós. Do barro retirado da terra moldavam a Ruñohú, a cerâmica, transformando a argila em potes, panelas, moringas e outros utensílios que carregavam não apenas utilidade, mas também a memória de nosso povo.

As mulheres caminhavam por feiras, povoados e comunidades levando suas peças. Algumas eram vendidas, outras trocadas por alimentos, tecidos, ferramentas e tudo aquilo que ajudava na sobrevivência das famílias. Assim, cada objeto de barro levava consigo um pedaço da história Kariri-Xocó, mostrando que a sabedoria ancestral podia vencer até mesmo os tempos mais difíceis.

É por isso que os anciãos nos ensinam que a Ruñohú nunca foi apenas cerâmica. Ela é a memória moldada pelas mãos das nossas mulheres, a resistência que nasceu do barro e do coração do povo. Enquanto existir alguém para contar essa história e alguém para moldar a argila com respeito aos ensinamentos dos antigos, a força dos Kariri-Xocó continuará viva, atravessando os Battiá e alcançando as futuras gerações.

E assim os mais velhos encerravam sua palavra, olhando para as crianças e para os jovens como quem entrega um tesouro. Diziam que, enquanto houver uma mulher Kariri-Xocó moldando o barro com respeito, uma família preservando esse saber e uma voz contando a história da Ruñohú, nossos ancestrais jamais serão esquecidos. Porque o barro pode endurecer no fogo, mas também fortalece a memória do povo, unindo passado, presente e futuro, para que os Kariri-Xocó continuem caminhando com dignidade pelos Battiá, levando adiante a herança sagrada de seus antepassados.





CAPÍTULO VII – EISMBÉ MOITARÁ RUÑOHÚ: VENDER E TROCAR CERÂMICA




Meus parentes, aproximem-se do fogo e escutem o que guardam as brasas da memória. Antes que os caminhos de terra se transformassem em estradas e antes que o dinheiro se tornasse o centro das trocas, nossos ancestrais já conheciam a força do trabalho compartilhado e da confiança entre os povos. Hoje vou contar como as mulheres Kariri-Xocó faziam da Ruñohú muito mais do que simples cerâmica: faziam dela alimento, dignidade e um elo vivo entre a aldeia, o sagrado Opará e as terras por onde caminhavam.

Nas fogueiras os mais velhos contam que havia um tempo em que as Tetsiá, as mulheres Kariri-Xocó, acordavam antes mesmo do nascer do sol para preparar a Ruñohú, a cerâmica moldada com as próprias mãos. Cada panela, pote, moringa ou alguidar carregava o barro da aldeia, o calor do fogo e a sabedoria ensinada pelas avós. Quando chegava o dia da viagem, elas seguiam rumo às Naticróraí, as cidades do Radami, o interior, levando consigo não apenas suas peças, mas também a história de seu povo.

A caminhada era longa e cheia de desafios. Algumas viajavam em Ibákabaru, a carroça de cavalo, cruzando caminhos de terra, enquanto outras embarcavam nas Ubacródzu, as canoas do porto, deslizando pelas Dzuá do sagrado Opará, o Rio São Francisco. O rio era companheiro de jornada, abrindo caminhos e conduzindo aquelas mulheres corajosas que transformavam o barro da aldeia em sustento para suas famílias.

Quando chegavam às cidades, acontecia o antigo Moitará, a troca respeitosa entre diferentes povos. A Ruñohú era oferecida aos Caraí, os não indígenas, e em troca recebiam Amíá para alimentar seus lares. Voltavam trazendo Uttihu, as frutas, Ghinhé, o feijão, Sabucá, as galinhas, Cunobó, a farinha e tantos outros mantimentos que garantiam a fartura da comunidade. Era uma troca que unia trabalho, confiança e amizade.

Com o passar dos anos, novos caminhos surgiram. A abertura de grandes estradas, como a BR-101, transformou a forma de viajar. As antigas carroças e muitas canoas foram sendo substituídas pelo Ibáchiddá, o ônibus, que levava as artesãs para mercados cada vez mais distantes. Assim, continuaram a Eismbé, vender suas cerâmicas, conquistando Tayu, o dinheiro necessário para fortalecer suas casas e manter viva a tradição.

É por isso que os anciãos dizem que cada peça de Ruñohú guarda uma longa viagem em sua memória. Nela vivem o barro, o fogo, o rio, as estradas, o esforço das mulheres e a esperança de um povo que nunca deixou de caminhar. Enquanto houver mãos moldando a cerâmica e vozes contando essas histórias, permanecerão vivos o Eismbé, o Moitará e a ancestral sabedoria do povo Kariri-Xocó.

Assim termina esta lembrança, mas sua caminhada continua em cada geração que aprende a moldar o barro com respeito aos ensinamentos dos mais velhos. Que nunca se apaguem as pegadas deixadas pelas Tetsiá, nem o brilho do fogo que endurece a Ruñohú, pois enquanto houver quem conte esta história e quem carregue consigo o espírito do Eismbé e do Moitará, o povo Kariri-Xocó continuará mostrando ao mundo que sua maior riqueza não está apenas nas peças que cria, mas na sabedoria ancestral que transforma trabalho, solidariedade e memória em herança para os filhos, netos e para todos os que ainda virão.






CAPÍTULO VIII – RUÑOHÚ UCHÉ CRAMENUNHÍ: A CERÂMICA E O TEMPO DA GELADEIRA




O povo se reunia ao cair da tarde, enquanto o fogo estalava e o vento do Opará passeava entre as árvores, os mais velhos costumavam dizer que o tempo nunca caminha sozinho. Ele sempre traz novidades nas mãos, mas também leva consigo lembranças que não podem ser esquecidas. Foi assim que chegaram as novas invenções ao Radda e à nossa Natiá. Algumas transformaram a maneira de viver, enquanto outras colocaram à prova os antigos saberes. E entre todas essas mudanças, a história da Ruñohú, nossa cerâmica sagrada, tornou-se um ensinamento para que as novas gerações compreendessem que o verdadeiro valor de um povo não está apenas naquilo que é novo, mas naquilo que permanece vivo em sua memória.

Houve um tempo em que muitas novidades começaram a chegar ao Radda, o nosso mundo, e também à nossa Natiá, a aldeia. Primeiro veio a Hinebakró, a luz elétrica, iluminando as noites como nunca antes. Depois apareceram o Crameupudu, o fogão a gás, e as Runhúmerá, as panelas de ferro e de alumínio. Cada novidade parecia trazer um jeito diferente de viver, despertando a curiosidade de todos, principalmente dos mais jovens.

Mas foi a chegada da Cramenunhí, a geladeira, que muitos passaram a chamar de "Caixa Que Esfria", que mudou profundamente os costumes. Aquilo que antes era conservado na sabedoria da natureza passou a depender do frio. Nas cidades, as pessoas deixaram de Dembé, comprar ou trocar, a Ruñohú, a cerâmica, com seus Ruño, os potes, e as Runhú, as panelas de barro, que por tantas gerações haviam servido às famílias.

Os Woroby Kenhéá, os novos costumes, espalharam-se depressa. As panelas de barro foram sendo substituídas pelas Runhúmerá de ferro, consideradas mais modernas. Muitos acreditaram que o tempo da cerâmica havia chegado ao fim. Porém, os anciãos diziam que um povo jamais abandona aquilo que guarda a memória de seus antepassados, pois os objetos também carregam histórias e ensinamentos.

Ao redor das fogueiras, os velhos continuavam a lembrar que a Ruñohú nunca foi apenas barro moldado pelas mãos humanas. Cada pote, cada panela e cada vasilha guardava o sopro da terra, da água, do fogo e das mãos pacientes das mulheres e dos homens que aprenderam esse saber com os seus ancestrais. A cerâmica era muito mais do que um utensílio: era um elo vivo entre as gerações.

Aqui ainda permanece viva a Coram, a esperança, de que nossa Samy, nossa cultura, jamais será esquecida. A Ruñohú é Antoá, sagrada, porque nasceu junto com a caminhada do nosso povo e continua acompanhando nossas vidas até os dias de hoje. Enquanto houver alguém para moldar o barro, contar essas histórias e ensinar às crianças o valor da tradição, a cerâmica continuará aquecendo não apenas o alimento, mas também a memória e o coração do povo Kariri-Xocó.

Agora termina esta lembrança, mas não termina a caminhada da Ruñohú. Sempre que uma criança tocar o barro com respeito, ouvir um ancião contar estas histórias ou contemplar um velho pote guardado na casa de sua família, os antepassados voltarão a caminhar ao seu lado. Porque o barro guarda o calor da terra, o fogo conserva a força da tradição e a memória nunca se deixa esfriar pelo tempo. Enquanto existir o povo Kariri-Xocó honrando seus ancestrais, a Ruñohú continuará sendo Antoá, sagrada, unindo passado, presente e futuro na grande roda da vida.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Ruñohú permanece como um dos maiores símbolos da resistência cultural Kariri-Xocó.

Mesmo diante das profundas transformações sociais e tecnológicas, a tradição continua viva nas mãos das ceramistas, na memória dos anciãos e na curiosidade das crianças que aprendem a respeitar os ensinamentos dos antepassados.

Preservar a cerâmica significa preservar uma forma indígena de compreender a vida, o território, a natureza e a coletividade.



GLOSSÁRIO

Amí - Alimento.
Amíá - Alimentos.
Antoá - Sagrada.
Aribá - Prato de barro.
Aribé - Prato grande.
Bakiribú - Pente.
Bará - Balaio.
Barú - Base.
Battiá - Anos.
Becunan - Argila branca.
Bechiéá - Roças.
Buiú - Urna funerária.
Bubehó - Forno cerâmico.
Buncotçó - Barro preto.
Bunerã - Argila amarela.
Buangheté - Muitas coisas más ).
Bunhá - Barro.
Bunhakuá - Barreiro.
Bunhé - Argila vermelha.
Buruhúá - Cerâmica.
Buyê - Fogo.
Bydi - Cinza.
Caraí - Brancos.
Cópiné - Semente.
Crá - Secar.
Craerù - Torrões.
Crameupudu - Fogão a gás.
Cramenunhí - Geladeira.
Cruté - Pano.
Cunobó - Farinha de mandioca.
Curaempá - Molhar.
Diteri - Preparo.
Duto - Avô do Fogo.
Dzuá - Águas.
Dzúnike - Avó Água.
Dzurió - Lagoa.
Dzurichi - Lagoa Comprida.
Ebebunhá - Fontes da Argila.
Eismbé - Vender.
Endi - Algodão.
Ibáchiddá - Ônibus.
Ibákabaru - Carroça de cavalo.
Ibuehohó - Corpo.
Iwo - Rio.
Ghinhé - Feijão.
Héisú - Lenha seca.
Hinebakró - Luz elétrica.
Kenhéá - Costumes.
Kla - Cavar.
Kitci - Areia.
Kiniki - Peneira.
Kuatçó - Pintar.
Küdi - Bolo.
Moitará - Troca de produtos.
Mucunã - Semente de alisar.
Muncuisú - Homem queimador.
Naté - Trabalho.
Natiá - Aldeia.
Nikedda - Avó Terra.
Naticróraí - Cidade.
Opará - Rio São Francisco.
Pedabó - Quebrar.
Poroné - Misturar.
Prebúde - Capeador de coité.
Preretá - Capeador de ferro.
Purúhe - Pintura floral.
Radá - Terra.
Radda - Mundo.
Radami - Terras do interior.
Retsé - Floresta.
Retseá - Florestas.
Runhú - Panela de Barro.
Runhúmerá - Panelas de ferro.
Ruño - Pote de Barro.
Ruñohú - Cerâmica.
Sabucá - Salinhas.
Sanéá - Materiais.
Samy - Cultura.
Sumanike - Duas Avós Antepassadas.
Sumarãtó - Dois Avôs Antepassados.
Tauá - Barro amarelo.
Tayu - Dinheiro.
Tetsiá - Mulheres.
Tetsi - Mulher.
Tokenhé - Antepassados.
Uapluá - Caças.
Ubacródzu - Canoas do porto.
Ubiro - Barriga.
Uché - Tempo.
Ukie - Sol.
Umah - Queimar.
Unu - Sofrimento.
Upuhto - Avô do Vento.
Utsoho - Fazer.
Uttihu - Fruta.
Ybyrápeba - Tábua. 
Waridzá - Boca.
Woroby - Novos.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Tokenhé Antoá Bihéuché: Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tokenhe-antoa-biheuche-os-antepassados.html?m=0 . Acesso em: 7 jul. 2026. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História, Kariri-Xocó, Crenças do Mundo Espiritual, Contos - Volume 12 - Coletânea, Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/11/woroy-historia-kariri-xoco-crencas-do.html?m=0 . Acesso em: 6 jul. 2026. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Mekuá, O Grafismo na Marca Viva do Povo. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/06/mekua-o-grafismo-na-marca-viva-do-povo.html?m=0 . Acesso em: 6 jul. 2026.

SUZART, Elizabete Costa. Dicionário Cultural Kariri-Xocó: forma de ocupar a língua portuguesa como direito à memória e cidadania cultural. 2025. 338 f. Tese (Doutorado em Crítica Cultural) – Departamento de Linguística, Literatura e Artes, Universidade do Estado da Bahia, Alagoinhas, 2025. Disponível em:

https://www.poscritica.uneb.br/wp-content/uploads/2025/12/Suzart-Elizabete-Costa.-DICIONARIO-CULTURAL-KARIRI-XOCO_Forma-de-ocupar-a-lingua-portuguesa-como-direito-a-memoria-e-.pdf . Acesso em: 7 jul. 2026. 




SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador indígena, escritor, memorialista e contador de histórias da tradição oral de seu povo.

Dedica-se ao registro da memória ancestral, da língua, da história, da cultura e dos conhecimentos tradicionais dos Kariri-Xocó, produzindo obras voltadas à valorização do patrimônio cultural indígena brasileiro.

Sua produção literária constitui um importante instrumento de preservação da identidade indígena e de fortalecimento da educação intercultural, contribuindo para que as futuras gerações mantenham viva a herança deixada pelos Tokenhé, os Antepassados Sagrados.






Autor: Nhenety Kariri-Xocó