quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

UCHÉ IBÁDZÓ — NO TEMPO DO CARRO DE BOI

 






Houve um tempo antigo, um Uché em que o mundo caminhava devagar, no mesmo ritmo do sol e dos passos do boi. Naquele tempo, os Caraí, os homens brancos, chamaram o grande rio de Rio dos Currais.


Mas os Kariris, atentos ao sentido das coisas, logo compreenderam de outro modo e passaram a chamá-lo de Iwo Dedíá, o Rio dos Currais, porque foi exatamente nesse tempo que o Cradzó, o boi, chegou às margens do Opará.

Era um tempo de mudança.


Os indígenas passaram a viver na Natiwaré, a Aldeia dos Padres, onde os missionários ergueram o Erátekié, o Colégio dos Jesuítas. Ali, entre rezas, sinos e ensinamentos, tentavam introduzir a cultura cristã nos costumes trazidos pelos Peró, os portugueses. Mas a terra, silenciosa e paciente, continuava ensinando do seu próprio jeito.


Com a construção das Erácró, as Casas de Pedra, chegou também um novo modo de caminhar sobre o chão. Os colonizadores trouxeram um transporte pesado, de madeira rangente e passos lentos. Os Kariris deram-lhe nome, como sempre fizeram com tudo o que passa a existir: Ibádzó.


Ibá, o carro.

Cradzó, o boi.


Assim nasceu o nome que atravessaria gerações.


O Ibádzó tornou-se parte da vida cotidiana. Era ele quem levava o fruto do trabalho da terra: o Masiche, o milho dourado; o Geɲe, o feijão miúdo; os Uanhí, grãos e cereais; e o Abati-uaupé, o arroz que alimentava o corpo e a esperança. Rangendo, lento, paciente, o carro de boi cruzava caminhos de barro, puxando não apenas colheitas, mas histórias.


O tempo seguiu seu curso, como o rio. Séculos passaram. O Ibádzó resistiu ao esquecimento e chegou aos tempos mais próximos, aqueles que ainda moram na lembrança dos mais velhos. Muitos recordam Teipó, o indígena cuidador do carro de boi da senhora Maria Matildes.


Dizem que até o ano de 1944 ele ainda conduzia o Ibádzó, com mãos firmes e olhos atentos, como quem guarda um saber antigo.


Hoje, a Aldeia já não possui mais um Ibádzó. O silêncio tomou o lugar do rangido das rodas. Mas, por todo o Opará e pelo Nordeste do Brasil, a tradição do Carro de Boi ainda respira. Vive nas festas, nos caminhos de terra, na memória dos povos e no coração daqueles que sabem que certas coisas não morrem — apenas caminham mais devagar.


E assim, no compasso do boi e da madeira, o tempo continua passando.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 






UBAUIPÚ ITOHIQUIETE – A LANCHA DOS VIAJANTES






O Uché, o Tempo, não caminhava: ele deslizava manso sobre as Dzuá, as águas do Opará. E quem soubesse olhar percebia que algo estava mudando. As antigas Ubácruté, canoas de pano que durante décadas cortaram o rio com paciência e coragem, começavam a ceder espaço a uma nova forma de viajar.


Chegavam as Ubauipú Itohiquiete, as Lanchas dos Viajantes. Eram canoas transformadas, agora com cobertura firme e motor a diesel no ventre, rompendo a correnteza com mais ligeireza. O rio era o mesmo, mas o jeito de atravessá-lo ganhava outro ritmo.


No Baixo São Francisco, quase toda Ubauipú carregava uma história anterior. Antes lancha, fora Ubácruté. As mãos que um dia esticaram pano e confiaram no vento, agora aprenderam a domar o motor. Não era abandono do passado, mas continuação — evolução que respeita a origem.


No antigo Radamy Cródzu, o Porto de Baixo, onde antes repousavam as canoas de pano, o cenário se renovava. As Ubauipúá alinhavam-se à margem, prontas para a travessia entre Porto Real do Colégio e Propriá. De um lado e do outro do rio, pessoas, histórias, mercadorias e esperanças cruzavam juntas.


Cada lancha levava quarenta passageiros e três tripulantes. Custava pouco atravessar: três reais para quem escolhia o rio, seis para quem seguia pelo Ibápohduá, o automóvel, pelas estradas de terra e asfalto. Mas não era só o preço que pesava na escolha. Havia quem preferisse o balanço das águas, o vento no rosto, o cheiro do rio vivo.


Mesmo com as rodovias cortando a paisagem e os transportes terrestres acelerando o mundo, as Ubauipúá continuavam essenciais. Não apenas como meio de transporte, mas como elo cultural. Para muitos, entrar numa lancha não era só atravessar: era Tuyokié, passear com o rio, conversar com o Opará, lembrar que a vida também sabe fluir.


E assim, enquanto o Tempo seguia mudando, as Lanchas dos Viajantes continuavam indo e vindo, levando no casco não apenas pessoas, mas a memória viva de um povo que aprendeu a transformar sem esquecer.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó




terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

NAMYTSE UBÁCRUTÉ – O SERVIÇO DA CANOA DE PASSAGEIROS






O Opará corria largo e paciente, como quem guarda segredos antigos. Suas águas sabiam os nomes dos ventos, das margens e dos homens. Muito antes do ronco dos motores e do asfalto quente das estradas, era nele que vivia o Namytse, o serviço silencioso e constante que unia pessoas, mercadorias e destinos.


As Ubácruté, canoas de pano, deslizavam sobre o rio como se fossem extensão da própria água. Não havia pressa. Havia tempo. Tempo de observar o céu, de sentir o balanço manso da travessia, de ouvir histórias contadas em voz baixa enquanto a canoa cortava o espelho do Opará. Eram elas que ligavam as Naticróbeá, as cidades ribeirinhas, levando gente, arroz, farinha, sonhos e notícias.



No Baixo São Francisco, a travessia entre Porto Real do Colégio e Propriá era mais que caminho: era rotina de vida. Por séculos, a canoa foi o único meio possível, a ponte viva entre Alagoas e Sergipe. Crianças, trabalhadores, comerciantes, anciãos — todos confiavam seus passos às mãos firmes dos canoeiros, que conheciam o rio como quem conhece o próprio corpo.


Em Colégio, ainda repousa o Radamy Cródzu, o Porto de Baixo. Ali, o chão guarda marcas invisíveis de sacas descarregadas, de pés descalços, de despedidas e reencontros. Dali partiam mercadorias das fábricas de beneficiamento de arroz e dali também partiam pessoas, rumo à outra margem, rumo a outros destinos que o rio permitia alcançar.


Mas o tempo mudou o curso das coisas. Na década de 1970, a estrada chegou com sua promessa de rapidez. A BR-101 rasgou o país de Norte a Sul, e o que era água virou pó. A navegação das canoas foi silenciando, pouco a pouco. O Namytse perdeu passageiros, e as Ubácruté passaram a esperar mais do que navegar.


Ainda assim, o Opará não esqueceu. O rio continua correndo, guardando na memória das águas o som dos remos, o ranger da madeira, as vozes que cruzavam de uma margem à outra. Quem escuta com atenção ainda pode ouvir: a canoa não morreu — ela apenas repousa na lembrança viva do povo que aprendeu a atravessar o mundo sobre as águas.


A Ubácruté, canoa de pano era também chamada de Ubácruté Itohiquiete, canoa dos viajantes que levavam pessoas do litora até o sertão subindo e descendo o Opará, elas não desapareceram, algumas resiste ao tempo com novas configurações. 





Autor: Nhenety Kariri-Xocó



WOROY SAICRÃ BOIGHYTÉÁ, HISTÓRIA DAS DOENÇAS DAQUI E DAS QUE VIERAM

 



 


Naquele fim de tarde em que o sol já se escondia atrás das árvores do Opará, a jovem Namuãny sentou-se perto da fogueira, observando o velho Bidzamu, o Pajé, preparar seus remédios de folhas, raízes e palavras antigas. O cheiro da lenha queimando misturava-se ao silêncio respeitoso da aldeia.


Com o coração inquieto, Namuãny rompeu o silêncio:


— Bidzamu, é verdade que todas as Saicrã, as doenças, foram trazidas pelos Caraí, os brancos?


O velho Pajé ergueu os olhos devagar, como quem busca respostas no tempo antigo. Passou a mão enrugada sobre o rosto e respondeu com voz firme, porém serena:


— Não, Namuãny. Nem todas. Algumas Saicrã já moravam nesta terra antes dos Caraí chegarem. Outras, sim, foram as que aqui vieram, as Boighytéá.


Ele então começou a contar o que aprendeu com seus ancestrais, palavras guardadas como sementes.


Disse que os parentes Tupi da Aindzubé, da beira do mar, já conheciam certas doenças desde tempos imemoriais.


Falavam da Pereba, a ferida que não fecha; da Akubaby, as febres e a malária que enfraquecem o corpo; da Seba, os vermes que roubam a força das crianças; do Vupir, a doença silenciosa do coração; e da Poxi, que mancha o corpo e o destino.


— Essas — explicou Bidzamu — já caminhavam conosco antes do primeiro Caraí pisar nesta terra.


Mas o Pajé também falou das doenças que chegaram com os passos estrangeiros, trazidas nas roupas, na respiração e no contato forçado. Os Kariri do Opará logo perceberam sua presença cruel:


a Aba-póra, a peste que varria aldeias;

a Uhu, a gripe que derrubava fortes guerreiros;


os Borôrus, as bexigas que marcavam a pele e a memória;


a Tatapora, que atacava as crianças;

as Dsebudana, febres sem nome;


a Baekla, a tosse longa da tuberculose;

e a Wonghecri, a doença da mente, que confundia o espírito.


— Essas — disse o Pajé, abaixando a cabeça — chegaram com o mundo que mudou tudo.


Por muito tempo, as Saicrã levaram parentes, deixando aldeias em luto. Mas o tempo também trouxe caminhos de cura. Com a criação do Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso, surgiu uma enfermaria, remédios e novas formas de cuidado, somando-se ao saber antigo dos Pajés.


Hoje, contou Bidzamu com esperança, a Aldeia Kariri-Xocó tem um Polo Base de Saúde, com médico, dentista, enfermeira, técnicos e agentes de saúde. Um espaço inaugurado em 15 de maio de 2014, símbolo de resistência, sobrevivência e continuidade da vida.


O fogo da fogueira já virava brasa quando o Pajé concluiu:


— Enquanto houver memória, palavra e cuidado, nosso povo seguirá curando o corpo e o espírito.


Namuãny ficou em silêncio. Agora entendia que a história das doenças era também a história da luta e da permanência de seu povo.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

HEHÉ PAHAEMPÁ – ESCORREGAR NO BARRANCO MOLHADO






Quando vinham as Pehóá, as grandes enchentes do Opará, ainda não existia na Naticróraí, a cidade, o Oncródzu, o cais de pedra. Naquele tempo, o rio falava direto com a terra, e o Pahankó, o barranco de barro cru, era parte da nossa vida. Era ali que acontecia o Hehé Pahaempá — escorregar no barranco molhado.


Assim que as águas começavam a subir, a alegria também subia junto. Os Inghéá, os meninos, os Mynhekiá, os rapazes, e as Tibudinã, as moças, se reuniam naquele antigo Kenhé, um costume passado de geração em geração, como se o próprio rio ensinasse.


Primeiro vinha o preparo. Com o Dehebá, o cavador, moldávamos a rampa no barro vivo. Abríamos uma cavidade funda, depois malhávamos a superfície com os pés e com as mãos, alisando o caminho até ficar perfeito para Craraidyó, descer. O barranco ficava liso, escuro, brilhando de água, pronto para o Hehé — o escorregar ligeiro que terminava no abraço frio das Dzuá, as águas do Opará.


Era queda, riso e grito. A Curaempá, roupa toda molhada, e o Dimy Bunhá, o corpo sujo de barro, não eram problema — eram motivo de alegria. Aquele era o tempo da Pehó Kayaku, a Lua da Enxurrada, em dezembro. Tempo bom para Buiempá, tomar banho no rio, lavar o corpo e também o espírito.


Para ter segurança de não ter ferimentos havia uma grande minúcia na verificação de pedras no barro, retirando detritos pedregosos ficando somente a argila macia umedecida com água,  assim a rampa estava pronta para a brincadeira. 


O Opará corria forte, largo, como se sorrisse com a nossa brincadeira. Cada escorregada era um desafio, cada mergulho uma vitória. O barro grudava na pele, o riso ecoava pelas margens, e a memória se escrevia sem papel, direto no coração.


Depois, o tempo mudou. Veio o prefeito, veio o Oncródzu, o cais de pedra. O barranco desapareceu, e com ele aquele lugar exato da brincadeira. Mas o Opará continuou grande. O rio não esquece seus filhos.


E quando as águas voltarem a subir, nós saberemos: acharemos outros barrancos, outros caminhos, outros lugares para viver de novo o Hehé Pahaempá — porque enquanto o rio existir, a memória não morre.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó




NHAEHÍ AIBY NUNÚ, RESGATE DA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ






Quando os missionários chegaram às margens do Opará, não vieram apenas com cruzes e promessas. Trouxeram também o silêncio.


Levaram os Uanieá,  indígenas para a Natiwaré, a Aldeia dos Padres, onde escreveram o Tonranraná — livros de gramática e catecismo — para entender como nosso povo falava, como pensava, como nomeava o mundo.


Aprenderam nossa Nunú Antse, língua nativa para, depois, nos ensinar a esquecê-la.


Os Waréá passaram a ensinar a Samy Caraí, a cultura dos brancos, e proibiram nossos antepassados de falar a língua nativa. A ordem era clara: a partir dali, só o Nunú Peró, língua portuguesa deveria ser ouvida. A língua Kariri foi empurrada para dentro das casas, depois para dentro da memória, até quase desaparecer no fundo do silêncio.


O tempo seguiu seu caminho duro.

A antiga Natiá, aldeia virou Naticróraí, povoação dos brancos. As terras foram tomadas, os direitos negados, e já no Império do Brasil nosso povo foi declarado invisível. Mas o espírito Kariri-Xocó nunca aceitou o fim.


Quando chegou a República, chegou também o tempo de lutar outra vez pelo reconhecimento étnico.


Foi na Woderáehó Uanie, a Rua dos Índios, que um gesto pequeno reacendeu a chama. Ali, no Posto Indígena, o indígena Iraminõ reuniu o que ainda restava da língua: poucas palavras, sobreviventes, datilografadas em quatro folhas de papel, em letras vermelhas — como se o sangue da memória ainda pulsasse nelas.


O jovem Nhenety soube da existência daquele vocabulário. Procurou Iraminõ. Sentaram, conversaram, compartilharam palavras como quem partilha sementes raras. Já na Aldeia Kariri-Xocó, na Fazenda Modelo, algo começou a nascer: o Nhaehí Aiby Nunú — o Resgate da Língua.


Com um Cramycá Samyonhé, um simples gravador de voz, Nhenety passou a traduzir os Wonhé Torá, os cantos de Toré, para a língua Kariri. Depois criou um blog, onde espalhou cantos, frases e palavras, oferecendo aos jovens da aldeia aquilo que quase lhes havia sido roubado: a própria voz.


A tecnologia, antes instrumento de apagamento, virou ali ferramenta de resistência.


Com o apoio da Thydêwá, ONG cultural, e ao lado de Sebastian, seu amigo Caraí, Nhenety gravou CDs e DVDs de cantos de Toré. O som antigo ganhou novos caminhos, atravessando fios, telas e gerações.


A revitalização da língua ganhou novo fôlego com a criação do grupo de WhatsApp OKAX, reunindo cerca de cento e vinte participantes. Logo depois nasceu a Escolinha da Língua Subatekié Nunú, conduzida por Indiane Crudzá e Nhenety — professora e coordenador pedagógico — onde a língua deixou de ser lembrança e voltou a ser ensinada.


Vieram também os estudiosos. Thea, Daiane, Elizabete. Caminharam junto, acompanharam as atividades, escreveram artigos e teses, sempre com a participação ativa de Nhenety e Indiane. A língua Kariri-Xocó, antes calada, passou a existir também nos livros, nas universidades, sem perder o chão da aldeia.


E assim, palavra por palavra, canto por canto, a Nunú Antse voltou a respirar.

Porque uma língua não morre enquanto houver quem a pronuncie com o coração.





Nhenety Kariri-Xocó 




domingo, 1 de fevereiro de 2026

PIWONHÉ IEENDEÁ – A REPRODUÇÃO DAS AVES






Antigamente, quando o Opará ainda conversava com o céu em águas largas e mansas, o Baixo São Francisco se tornava caminho de asas. Era tempo de anúncio, tempo sagrado. As Parari, ligeiras e numerosas, riscavam o firmamento em grandes revoadas. Os mais antigos as chamavam de Arribaçã, e diziam que sua chegada era sinal de fartura, de renovação da vida.


O céu escurecia de movimento, e o som das asas parecia um canto coletivo, um chamado antigo que vinha de longe para cumprir o ciclo da reprodução. Elas pousavam, descansavam, procriavam, e depois partiam, deixando no ar a lembrança de sua passagem.


Junto delas vinham outras parentes do vento. A Pukûa-tinga, a Rolinha-cinzenta, chegava em bandos numerosos, mas diferente das Parari, permanecia mais tempo. Fazia morada, observava o chão, escutava a mata. Seu canto fino atravessava as manhãs como um fio invisível ligando céu e terra.


Na Terra Indígena Kariri-Xocó, entre Porto Real do Colégio e São Brás, a mata do Ouricuri ainda guarda esse segredo vivo. Ali, a Caatinga respira diversidade. Entre galhos retorcidos e folhas resistentes, muitas espécies de aves fazem sua morada, conhecendo cada sombra, cada fruto, cada silêncio.


Na Várzea do Itiúba, onde a terra se deixa inundar pelas águas do rio, a vida se multiplica o ano inteiro. As aves aquáticas conhecem bem esse território. O Socó-Yobi, o Socó azul, caminha lento pelas margens. A Guaraúna, ave carão, anuncia sua presença com voz forte. Marrecas e paturis deslizam sobre a água como se fossem parte do próprio rio, cumprindo ali o mistério eterno da reprodução.


Para o indígena, tudo isso não é apenas paisagem. É convivência. É parentesco. Viver com a natureza é respeitar o tempo de cada ser, é proteger a flora e a fauna, porque na cultura Kariri-Xocó os Keríá — os Animais — não são apenas criaturas: são seres sagrados, guardiões do equilíbrio e geradores da vida.


Assim, quando uma ave cruza o céu do Opará, ela não passa sozinha. Leva consigo a memória dos antigos, o espírito da terra e a certeza de que, enquanto houver respeito, o ciclo continuará.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó