terça-feira, 6 de outubro de 2026

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO MATEMÁTICO NA LÍNGUA KARIRI





Números, Medidas, Tempo e Saberes Culturais

Nhenety Kariri-Xocó




FALSA FOLHA DE ROSTO

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO MATEMÁTICO NA LÍNGUA KARIRI

Números, Medidas, Tempo e Saberes Culturais

Nhenety Kariri-Xocó

2026




FOLHA DE ROSTO

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO MATEMÁTICO NA LÍNGUA KARIRI

Números, Medidas, Tempo e Saberes Culturais

Nhenety Kariri-Xocó

Obra de caráter educativo, cultural e de preservação da memória linguística Kariri.

2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO MATEMÁTICO NA LÍNGUA KARIRI

Números, Medidas, Tempo e Saberes Culturais

Autor, organização e curadoria:
Nhenety Kariri-Xocó

Obra destinada à valorização da língua, da memória, dos conhecimentos tradicionais e das práticas educativas relacionadas à matemática no contexto Kariri-Xocó.

Primeira edição digital: 2026.

Esta publicação possui finalidade educativa, cultural e de preservação da memória. Os registros linguísticos apresentados devem ser compreendidos como subsídios de pesquisa e ensino, sujeitos ao diálogo permanente com os conhecedores da língua, professores, anciãos e pesquisadores.




FICHA CATALOGRÁFICA

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Alfabetização e letramento matemático na língua Kariri: números, medidas, tempo e saberes culturais / Nhenety Kariri-Xocó. — 1. ed. — 2026.

Obra digital.

Língua Kariri.

Alfabetização indígena.

Letramento matemático.

Numerais.

Matemática indígena.

Saberes tradicionais.

Cultura Kariri-Xocó.

Educação indígena.

I. Kariri-Xocó, Nhenety.
II. Título.

Ficha de caráter editorial e simbólico, destinada à organização da edição digital.




ISBN (SIMBÓLICO)

ISBN simbólico/editorial: a definir

Registro destinado à organização bibliográfica e cultural da obra em sua edição digital.

Observação: este campo possui finalidade simbólica e editorial e não substitui um ISBN oficial emitido pela agência competente.



PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.


ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó



DEDICATÓRIA

Dedico este livro aos meus antepassados, aos anciãos e anciãs que guardaram palavras, histórias e conhecimentos que atravessaram gerações.

Dedico às crianças e aos jovens Kariri-Xocó, para que possam reconhecer na própria língua um caminho de conhecimento, aprendizagem e pertencimento.

Dedico aos professores indígenas que transformam a sala de aula em espaço de memória, cultura e continuidade.

Dedico também às futuras gerações, para que possam receber, ampliar e transmitir os conhecimentos que hoje registramos.

Que cada número aprendido em nossa língua seja também uma lembrança de nossos ancestrais.




AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente aos meus antepassados e aos mais velhos, guardiões da memória e dos conhecimentos que chegaram até nós.

Agradeço à comunidade Kariri-Xocó, espaço vivo onde língua, cultura, território, memória e educação continuam encontrando caminhos para permanecer.

Agradeço aos professores, estudantes, pesquisadores e colaboradores que contribuem para a valorização dos conhecimentos indígenas.

Agradeço especialmente às pessoas que mantêm viva a palavra, pois uma língua não sobrevive somente nos livros: ela permanece quando é falada, ensinada, escutada e transmitida.

Agradeço também às novas tecnologias, utilizadas aqui como instrumentos de organização, pesquisa, escrita e preservação, sem substituir a memória e o conhecimento daqueles que constituem a fonte viva da tradição.

A todos que contribuem para que a palavra Kariri continue caminhando entre as gerações, minha gratidão.

Iewóá. Inatekié.




EPÍGRAFE

“Contar é registrar.
Registrar é lembrar.
Lembrar é preservar.
Preservar é transmitir.”

— Nhenety Kariri-Xocó




PREFÁCIO DO VOLUME

A matemática está presente em todos os povos e sociedades. Entretanto, as formas de contar, medir, organizar o tempo, comparar quantidades e transmitir conhecimentos podem assumir diferentes expressões culturais.

Este volume nasce da intenção de reunir subsídios para uma proposta de alfabetização e letramento matemático em língua Kariri.

O ponto de partida são os registros dos numerais e de palavras relacionadas à matemática, às medidas e ao tempo. A partir deles, propõe-se uma metodologia que aproxima o ensino escolar dos conhecimentos culturais e linguísticos.

O livro não pretende encerrar o conhecimento matemático ou linguístico Kariri. Ao contrário, procura abrir caminhos para novas pesquisas, novos registros e novas práticas pedagógicas.

O número pode ser aprendido no papel, mas também pode ser percebido nos dedos, nas mãos, nos pés, nos objetos, nas medidas, nos ciclos da Lua, na passagem dos anos e nas atividades cotidianas.

A matemática pode, portanto, tornar-se uma linguagem de encontro entre a escola e a cultura.

Este livro é uma contribuição para esse caminho.




RESUMO

Este livro apresenta uma proposta de alfabetização e letramento matemático na língua Kariri, tomando como referência registros dos numerais e de vocabulário relacionado à contagem, às operações matemáticas, às medidas, às capacidades e ao tempo. A proposta busca aproximar o ensino da matemática dos conhecimentos linguísticos e culturais Kariri-Xocó, valorizando o corpo, os objetos tradicionais, o território, a natureza e os ciclos temporais como possibilidades pedagógicas.

Os numerais são apresentados de forma descritiva, permitindo relacionar palavra, quantidade, corpo e representação escrita. O vocabulário matemático reúne termos associados a contar, somar, subtrair, multiplicar, medir e organizar o tempo.

A metodologia proposta parte da experiência concreta para alcançar progressivamente a representação abstrata do número. O estudante é convidado a ouvir, falar, contar, escrever, calcular e aplicar os conhecimentos em situações significativas.

A obra possui caráter educativo, cultural e de preservação da memória linguística, reconhecendo a importância dos anciãos, professores e conhecedores da língua na transmissão dos saberes.

Palavras-chave: língua Kariri; alfabetização; letramento matemático; numerais; matemática indígena; cultura Kariri-Xocó; saberes tradicionais.




ABSTRACT

This book presents a proposal for mathematical literacy and numeracy education in the Kariri language, based on records of numerals and vocabulary related to counting, mathematical operations, measurements, capacities and time.

The proposal seeks to connect mathematics education with Kariri-Xocó linguistic and cultural knowledge, valuing the human body, traditional objects, territory, nature and temporal cycles as educational possibilities.

The numerals are presented descriptively, establishing relationships among words, quantities, the body and written representations. The mathematical vocabulary includes terms associated with counting, addition, subtraction, multiplication, measurement and the organization of time.

The proposed methodology begins with concrete experiences and gradually develops toward abstract representations of numbers. Students are encouraged to listen, speak, count, write, calculate and apply knowledge in meaningful situations.

This work has an educational, cultural and linguistic preservation purpose, recognizing the importance of elders, teachers and language keepers in the transmission of knowledge.

Keywords: Kariri language; literacy; mathematical literacy; numerals; Indigenous mathematics; Kariri-Xocó culture; traditional knowledge.




APRESENTAÇÃO DO VOLUME

Este volume foi elaborado a partir da necessidade de reunir, em uma única obra, alguns registros relacionados aos números e ao vocabulário matemático na língua Kariri.

A proposta parte de uma pergunta simples, porém profunda:

Como ensinar matemática utilizando também a língua e os conhecimentos culturais de um povo?

A resposta começa pela valorização dos próprios registros linguísticos.

Quando uma criança aprende que determinada quantidade possui um nome em sua língua ancestral, ela não está apenas aprendendo matemática. Está descobrindo que sua língua também é capaz de nomear, organizar, comparar e transmitir conhecimentos.

Assim, este livro procura contribuir para uma educação em que língua e matemática caminhem juntas.




NOTA DO AUTOR

Este trabalho nasceu da reunião de subsídios linguísticos e culturais relacionados aos números, às medidas e ao tempo na língua Kariri.

O objetivo do autor é contribuir para que esses conhecimentos possam ser utilizados em atividades educativas e permaneçam disponíveis para professores, estudantes, pesquisadores e futuras gerações.

O livro deve ser compreendido como uma obra em construção permanente.

A língua é viva. Os registros podem apresentar diferenças de grafia, pronúncia, interpretação e uso conforme as fontes, variedades linguísticas, épocas e contextos.

Por isso, este trabalho não pretende estabelecer uma forma definitiva para todos os usos da língua Kariri.

Pretende, sobretudo, registrar, organizar e abrir caminhos para o estudo.




MEMÓRIA DO AUTOR

Minha caminhada como contador de histórias está profundamente ligada à memória do meu povo.

Desde cedo compreendi que muitas histórias, palavras e conhecimentos vivem na lembrança das pessoas mais velhas. Quando um ancião fala, não transmite somente uma informação: transmite uma parte da caminhada de seu povo.

Ao longo da minha trajetória, venho reunindo histórias, palavras, conhecimentos, memórias e experiências Kariri-Xocó, transformando parte dessa tradição oral em registros escritos, livros, cordéis, artigos e materiais educativos.

O trabalho com a língua Kariri segue esse mesmo caminho.

Registrar uma palavra é uma forma de impedir que ela desapareça da memória escrita. Registrar um número é também registrar uma maneira de pensar, contar e compreender o mundo.

Neste livro, procuro colocar a escrita a serviço da memória.

Acredito que a tecnologia pode ajudar nessa tarefa quando utilizada como ferramenta de preservação, organização e transmissão, sempre reconhecendo que a fonte fundamental do conhecimento está nas pessoas, na comunidade e na tradição.

Sou contador de histórias.

E contar também é guardar.

Guardar também é ensinar.

Ensinar também é preparar a próxima geração para continuar a caminhada.




APRESENTAÇÃO

A alfabetização tradicionalmente ensina a criança a reconhecer letras, palavras, frases e textos. O letramento amplia esse processo ao mostrar que a leitura e a escrita fazem parte das práticas sociais.

No campo da matemática, ocorre processo semelhante.

A criança precisa aprender os números, mas também precisa compreender o que eles significam e como utilizá-los em situações concretas.

Quando esse processo acontece em uma comunidade indígena, existe ainda uma dimensão importante: a valorização da língua e dos conhecimentos culturais.

Por isso, este trabalho propõe uma relação entre:

LÍNGUA + NÚMERO + CORPO + CULTURA + TERRITÓRIO + TEMPO.

Essa relação permite desenvolver atividades em que o estudante aprende matemática sem se afastar de sua própria realidade cultural.




INTRODUÇÃO

A matemática é uma forma de organizar relações de quantidade, espaço, medida, tempo e comparação.

Todas as sociedades desenvolveram maneiras próprias de lidar com essas questões.

No contexto Kariri, os registros dos numerais e das expressões relacionadas às medidas e ao tempo oferecem possibilidades para a construção de materiais pedagógicos.

O ensino pode começar com situações simples.

A criança conta os dedos.

Depois conta objetos.

Compara quantidades.

Aprende a palavra.

Reconhece o numeral.

Escreve.

Soma.

Retira.

Agrupa.

Multiplica.

Mede.

Observa o tempo.

Dessa maneira, o aprendizado passa do concreto para o abstrato.

O corpo torna-se uma primeira referência.

As mãos ajudam a contar.

Os dedos ajudam a representar quantidades.

Os pés aparecem também como referência nos registros relacionados ao número 20.

Os objetos tradicionais podem ensinar capacidade e medida.

A Lua pode ajudar a conversar sobre os ciclos do tempo.

O ano pode ser relacionado à passagem dos dias e às atividades da comunidade.

Assim, o ensino matemático pode nascer de elementos que fazem parte da experiência cultural do estudante.



SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto

Folha de Rosto

Verso da Folha de Rosto

Ficha Catalográfica

ISBN ( Simbólico )

Prefácio Oficial da Coleção

Esclarecimento do Autor

Dedicatória

Agradecimentos

Epígrafe

Prefácio do Volume

Resumo

Abstract

Apresentação

Nota do Autor

Memória do Autor

Apresentação

Introdução

Sumário

1. Objetivos

1.1 Objetivo geral

1.2 Objetivos específicos

2. Fundamentação Metodológica

3. Matemática Como Saber Cultural

4. Os Numerais na Língua Kariri

5. O Corpo Como Primeiro Instrumento de Contagem

6. Vocabulário Matemático e Referências Culturais Kariri

6.1 Número, quantidade e operações

6.2 Corpo, pessoa e grandezas

6.3 Medidas tradicionais e referências de comprimento

6.4 Capacidade, quantidade e objetos

6.5 Transporte, carga e matemática

6.6 Automóvel e situações matemáticas

6.7 Adornos e contagem

6.8 Tempo, Lua e ciclos

6.9 Dinheiro e valores

6.10 A matemática presente na cultura

7. As Medidas e o Cotidiano

8. A Matemática do Tempo

9. As Operações Matemáticas

9.1 Soma

9.2 Subtração

9.3 Multiplicação

9.4 Contagem

10. Duboherí Worobü: O Mestre dos Caminhos dos Números

11. Metodologia das Atividades

12. O Papel dos Anciãos e dos Conhecedores

13. A Língua Kariri Como Língua de Conhecimento

14. Letramento Matemático e Cultura

15. Proposta de Atividades Pedagógicas

Atividade 1 — Meu corpo conta

Atividade 2 — Palavra e número

Atividade 3 — Contagem de objetos

Atividade 4 — Mais e menos

Atividade 5 — Agrupamentos

Atividade 6 — Medidas

Atividade 7 — Capacidades

Atividade 8 — O tempo

Atividade 9 — Pesquisa com os mais velhos

Atividade 10 — Meu pequeno dicionário matemático

Considerações Finais

Glossário

Referências Bibliográficas

Sobre o Autor



1. OBJETIVOS

1.1 Objetivo geral

Desenvolver uma proposta de alfabetização e letramento matemático na língua Kariri, utilizando números, medidas, tempo e vocabulário matemático como instrumentos de aprendizagem e valorização cultural.

1.2 Objetivos específicos

Reconhecer os numerais registrados na língua Kariri.

Desenvolver a leitura e a escrita dos números.

Relacionar número, palavra e quantidade.

Utilizar o corpo como referência para a contagem.

Trabalhar operações matemáticas básicas.

Relacionar matemática e cotidiano.

Valorizar formas tradicionais de medida.

Trabalhar conceitos de tempo e ciclos naturais.

Estimular a pesquisa junto aos anciãos e conhecedores.

Fortalecer a transmissão da língua entre gerações.



2. FUNDAMENTAÇÃO METODOLÓGICA

A proposta fundamenta-se na compreensão de que a aprendizagem matemática pode começar pelas experiências concretas do estudante.

A criança não precisa encontrar o número somente no livro.

Ela pode encontrá-lo no próprio corpo, nos objetos, nos frutos, nos animais, na casa, no território e nas atividades comunitárias.

A sequência metodológica proposta é:

OUVIR → FALAR → CONTAR → OBSERVAR → ESCREVER → CALCULAR → APLICAR → TRANSMITIR.

Primeiro, o estudante escuta a palavra.

Depois aprende a pronunciá-la.

Em seguida relaciona a palavra à quantidade.

Posteriormente reconhece e escreve o numeral.

Depois utiliza o conhecimento em operações e situações práticas.

Por fim, torna-se capaz de transmitir o conhecimento a outra pessoa.




3. A MATEMÁTICA COMO SABER CULTURAL

A matemática não precisa ser apresentada como conhecimento distante da cultura.

Medir uma terra, dividir uma quantidade, guardar farinha, transportar frutos, armazenar água, observar a Lua ou contar dias são ações que envolvem raciocínio matemático.

Quando esses conhecimentos são levados para a escola, o estudante percebe que a matemática também está presente na vida de sua comunidade.

A educação passa, então, a estabelecer uma ponte entre o conhecimento escolar e o conhecimento cultural.


4. OS NUMERAIS NA LÍNGUA KARIRI

Os registros dos numerais na língua Kariri constituem importante subsídio para o desenvolvimento da alfabetização e do letramento matemático.

Neste capítulo, os números são apresentados de maneira descritiva, relacionando o numeral, sua forma registrada ou sugerida na língua Kariri, seu sentido e sua possibilidade de utilização pedagógica.

A proposta parte da compreensão de que a criança pode aprender matemática relacionando:


CORPO → QUANTIDADE → PALAVRA → NUMERAL → ESCRITA → CÁLCULO.


Os registros apresentados devem ser compreendidos como subsídios de pesquisa e ensino, sujeitos ao diálogo permanente com os conhecedores da língua, anciãos, professores, pesquisadores e comunidade Kariri-Xocó.

Nos números 11 a 20, são apresentadas formas indicadas como sugestões de neologismos, construídas a partir de referências linguísticas Dzubukuá e Kipeá. Por essa razão, essas formas devem ser utilizadas pedagogicamente com a devida identificação de seu caráter de proposta linguística, sem confundi-las automaticamente com formas tradicionais já consolidadas no uso cotidiano Kariri-Xocó.


4.1 Número 1 — bihé


O número 1 é registrado na língua Kariri como:

bihé

Corresponde à ideia de uma unidade.

Pedagogicamente, pode ser trabalhado mostrando um único objeto, uma semente, uma pedra, um fruto ou um dedo.


Exemplo:


1 objeto = bihé.

A criança aprende a relacionar a palavra à quantidade e posteriormente ao numeral escrito.


4.2 Número 2 — wacháni


O número 2 é registrado como:

wacháni

Corresponde à quantidade de duas unidades.

O professor pode utilizar dois objetos para representar a quantidade.


Exemplo:


2 objetos = wacháni.

A atividade pode envolver sementes, frutos, pedras ou outros materiais disponíveis no ambiente escolar.


4.3 Número 3 — wachanidikié


O número 3 é registrado como:

wachanidikié

Corresponde à quantidade de três unidades.

O estudante pode representar essa quantidade utilizando três objetos ou três dedos.


Exemplo:


3 objetos = wachanidikié.

Essa atividade ajuda a estabelecer a relação entre palavra, quantidade e numeral.


4.4 Número 4 — sumarã orobae


O número 4 é registrado como:

sumarã orobae

Corresponde à quantidade de quatro unidades.

O professor pode apresentar quatro objetos ou solicitar que o estudante represente quatro dedos.


Exemplo:


4 objetos = sumarã orobae.

Nesse momento, a criança começa a perceber a sequência crescente das quantidades.


4.5 Número 5 — mŷ bihé misã saí


O número 5 é registrado como:

mŷ bihé misã saí

O sentido registrado é:

“levar uma mão para ele”.

A expressão estabelece uma relação direta entre o número e a mão humana.

Uma mão possui cinco dedos.

Por isso, o número 5 pode ser trabalhado concretamente com a mão do estudante.


Exemplo:


uma mão = cinco dedos = 5.

Essa relação permite aproximar o conhecimento matemático da experiência corporal.


4.6 Número 6 — mŷreprí bubihé misã saí


O número 6 é registrado como:

mŷreprí bubihé misã saí

O sentido registrado é:

“levar uma mão junto com um (dedo) para ele”.

A referência pedagógica pode ser compreendida como:

uma mão + um dedo = 6.

O estudante pode levantar uma mão completa e acrescentar um dedo da outra mão.

Assim, percebe concretamente a passagem de cinco para seis.


4.7 Número 7 — mŷreprí wacháni misã saí


O número 7 é registrado como:

mŷreprí wacháni misã saí

O sentido registrado é:

“levar uma mão junto com dois (dedos) para ele”.

A referência corporal pode ser representada como:

uma mão + dois dedos = 7.

O professor pode utilizar essa representação para demonstrar a formação da quantidade.


4.8 Número 8 — mŷreprí wachanidikié misã saí


O número 8 é registrado como:

mŷreprí wachanidikié misã saí

O sentido registrado é:

“levar uma mão junto com três (dedos) para ele”.

A representação pedagógica pode ser:

uma mão + três dedos = 8.

A criança pode visualizar a quantidade utilizando os dedos das próprias mãos.


4.9 Número 9 — mŷreprí sumarã orobae misã saí


O número 9 é registrado como:

mŷreprí sumarã orobae misã saí

O sentido registrado é:

“levar uma mão junto com quatro (dedos) para ele”.

A referência corporal pode ser apresentada como:

uma mão + quatro dedos = 9.

O estudante percebe que falta apenas um dedo para completar as duas mãos.


4.10 Número 10 — mŷcribae misã saí


O número 10 é registrado como:

mŷcribae misã saí

O sentido registrado é:

“levar todas as mãos para ele”.

A expressão estabelece uma referência às duas mãos.

Duas mãos possuem dez dedos.

Assim:

5 + 5 = 10.

O professor pode pedir aos estudantes que levantem as duas mãos e contem todos os dedos.

A atividade permite relacionar:

duas mãos → dez dedos → número 10 → expressão Kariri.


4.11 Número 11 — *(s/y)-â-wi-te


Para o número 11, encontra-se a sugestão de neologismo:

*(s/y)-â-wi-te

O sentido indicado é:

“ele, a coisa que vem na frente”.

Na língua Dzubukuá, encontra-se a forma yâwite. No Kipeá, aparecem as formas sẽwitè e senwitè.

Neste capítulo, a forma é apresentada como sugestão de neologismo, apoiada nas referências linguísticas mencionadas.

Matematicamente:

10 + 1 = 11.

Pedagogicamente, a criança pode representar dez unidades e acrescentar mais uma:

10 + 1 = 11.


4.12 Número 12 — *(lya)wi-po(po)


Para o número 12, encontra-se a sugestão de neologismo:

*(lya)wi-po(po)

O sentido indicado é:

“número irmão mais velho”.

Na língua Dzubukuá aparecem as formas wipo e wipopo. No Kipeá, aparecem wipò e wipopò.

Matematicamente:

10 + 2 = 12.

A criança pode representar a quantidade utilizando dez objetos e acrescentando duas unidades.


4.13 Número 13 — *i-de


Para o número 13, encontra-se a sugestão de neologismo:

*i-de

O sentido indicado é:

“ele está perto”.

Na língua Dzubukuá, registra-se ide. No Kipeá, encontra-se idè.

Matematicamente:

10 + 3 = 13.

A criança pode representar a quantidade com dez objetos e mais três unidades.


4.14 Número 14 — *s-u-ma


Para o número 14, encontra-se a sugestão de neologismo:

*s-u-ma

O sentido indicado é:

“ele é inimigo”.

Na língua Dzubukuá, registra-se uma. No Kipeá, encontra-se sumà.

Matematicamente:

10 + 4 = 14.

A criança pode representar a quantidade utilizando dez objetos e acrescentando quatro unidades.


4.15 Número 15 — *lya-dze(dze)


Para o número 15, encontra-se a sugestão de neologismo:

*lya-dze(dze)

O sentido indicado é:

“número irmã mais velha”.

Na língua Dzubukuá, registra-se lyadze. No Kipeá, encontra-se ryadzè.

Matematicamente:

10 + 5 = 15.

A representação corporal pode ser feita por:

5 + 5 + 5 = 15.

A criança pode utilizar as mãos para visualizar a formação da quantidade.


4.16 Número 16 — *dze-bi(gâ)


Para o número 16, encontra-se a sugestão de neologismo:

*dze-bi(gâ)

O sentido indicado é:

“quinze e um”.

Na língua Dzubukuá, registra-se dzebi. No Kipeá, encontra-se dzebì.

Matematicamente:

15 + 1 = 16.

A criança pode compreender que, depois de quinze, acrescenta-se uma unidade.


4.17 Número 17 — *dze-ca(n(e/i)


Para o número 17, encontra-se a sugestão de neologismo:

*dze-ca(n(e/i)

O sentido indicado é:

“quinze e dois”.

Na língua Dzubukuá, encontra-se dzeta. No Kipeá, registra-se dzechà.

Matematicamente:

15 + 2 = 17.

A atividade pode utilizar quinze objetos e acrescentar mais duas unidades.


4.18 Número 18 — *dze-(wVcan(e/i))(di)ke


Para o número 18, encontra-se a sugestão de neologismo:

*dze-(wVcan(e/i))(di)ke

O sentido indicado é:

“quinze e três”.

Na língua Dzubukuá, registra-se dzeke. No Kipeá, encontra-se dzekiè.

Matematicamente:

15 + 3 = 18.

O professor pode representar a quantidade com quinze objetos e acrescentar mais três.


4.19 Número 19 — *dze-so


Para o número 19, encontra-se a sugestão de neologismo:

*dze-so

O sentido indicado é:

“quinze e quatro”.

Na língua Dzubukuá, encontra-se dzeho. No Kipeá, registra-se dzesò.

Matematicamente:

15 + 4 = 19.

A criança pode representar a quantidade utilizando quinze objetos e acrescentando quatro unidades.


4.20 Número 20 — *pri


O número 20 apresenta uma atualização importante neste levantamento.

A sugestão de neologismo é:

*pri

O sentido indicado é:

“todos”.

Na língua Dzubukuá, o número 20 é registrado como pri. No Kipeá, como prì.

Esse registro complementa a compreensão da contagem relacionada ao corpo.

Anteriormente, a quantidade 20 havia sido apresentada por meio da expressão:

mŷcribae misã idehó ibŷ saí

com o sentido de:

“levar todas as mãos incluindo os seus pés para ele”.

Essa expressão continua sendo significativa como descrição da contagem corporal.

A nova sugestão apresenta:

*pri — todos.

Matematicamente:

20 = 5 + 5 + 5 + 5.

Ou seja:

duas mãos + dois pés = 20 dedos.

O professor pode pedir aos estudantes que contem os dedos das duas mãos e dos dois pés.

Assim, o corpo continua funcionando como um instrumento concreto para o ensino da matemática.


4.21 A sequência corporal dos numerais


Os registros apresentados permitem construir uma sequência pedagógica relacionada ao corpo:


1, 2, 3 e 4

Representam as primeiras quantidades.


5

Relaciona-se a uma mão.


6, 7, 8 e 9

Relacionam-se a uma mão acrescida de dedos.


10

Relaciona-se às duas mãos.


11 a 14

Podem ser trabalhados como dez unidades acrescidas de novas unidades.


15

Pode ser compreendido como três grupos de cinco.


16 a 19

São apresentados nas sugestões como quinze acrescido de uma, duas, três ou quatro unidades.


20

Relaciona-se à totalidade dos dedos das mãos e dos pés, encontrando-se a sugestão *pri, “todos”.

Dessa maneira, o corpo pode funcionar como um dos primeiros instrumentos de contagem.


4.22 Do corpo à escrita matemática


O ensino dos numerais pode seguir uma sequência progressiva:

OUVIR

A criança escuta a palavra Kariri.

↓

FALAR

A criança procura pronunciar a palavra.

↓

CONTAR

A criança relaciona a palavra à quantidade.

↓

OBSERVAR

A criança identifica a quantidade no corpo ou nos objetos.

↓

ESCREVER

A criança registra o numeral.

↓

CALCULAR

A criança utiliza a quantidade em operações matemáticas.

↓

APLICAR

A criança utiliza o conhecimento em situações do cotidiano.

Essa metodologia aproxima a alfabetização linguística do letramento matemático.


4.23 A pesquisa dos numerais e a memória linguística


A ampliação dos registros dos números 11 a 20 demonstra que a pesquisa sobre os numerais Kariri permanece em movimento.

Os registros encontrados apresentam não somente formas numéricas, mas também informações sobre a maneira como os números podem ser relacionados a conceitos, parentesco, posição, quantidade, corpo e totalidade.

É importante, entretanto, distinguir:

registro tradicional;

registro histórico;

forma comparativa de língua relacionada;

e sugestão de neologismo.

Essa distinção é fundamental para o trabalho pedagógico e para o respeito à pesquisa linguística.

O professor pode incentivar os estudantes a perguntar aos anciãos e conhecedores:

Como se contava depois de dez?

Quais palavras eram utilizadas?

Como eram pronunciadas?

Havia diferentes formas de contar?

Como esses números eram utilizados antigamente?

Quais palavras permanecem na memória dos mais velhos?

Dessa maneira, a própria pesquisa linguística pode tornar-se uma atividade de alfabetização.

O estudante aprende que o conhecimento não está somente no livro.

O conhecimento também está na memória das pessoas.

A escola pode tornar-se, assim, um espaço de encontro entre:

memória dos anciãos → conhecimento dos professores → curiosidade das crianças → pesquisa linguística → registro escrito.


4.24 Ampliando a sequência numérica


A pesquisa apresentada não se limita aos números de 1 a 20.


Também são indicadas sugestões para outros números, entre eles:


30 — *ca(n(e/i))-dze

Sentido indicado: “dois quinze”.

Dzubukuá: tadze.

Kipeá: chadzè.


40 — *ca(n(e/i))-pri

Sentido indicado: “dois vinte”.

Dzubukuá: tapri.

Kipeá: chaprì.


50 — *lya-pa

Sentido indicado: “número pai”.

Dzubukuá: lyapa.

Kipeá: ryapà.


60 — *so-ñe

Sentido indicado: “4-antes”, no sentido de quatro dezenas antes do número 100.

Dzubukuá: hoñe.

Kipeá: sonhè.


70 — *ke-ñe

Sentido indicado: “3-antes”, no sentido de três dezenas antes do número 100.

Dzubukuá: keñe.

Kipeá: kienhè.


80 — *ca(n(e/i))-ñe

Sentido indicado: “2-antes”, no sentido de duas dezenas antes do número 100.

Dzubukuá: tañe.

Kipeá: chanhè.


90 — *bi(gâ)-ñe

Sentido indicado: “1-antes”, no sentido de uma dezena antes do número 100.

Dzubukuá: biñe.

Kipeá: binhè.


100 — *lya-dyé

Sentido indicado:

“número mãe”.

Dzubukuá: lyadê.

Kipeá: ryadé.

Esses registros permitem perceber que a pesquisa dos numerais pode avançar para dezenas, centenas e números ainda maiores.

Para números como 200, 1.000 e outros valores, recomenda-se consultar a referência específica indicada ao final deste capítulo.


4.25 Consideração final


Os numerais Kariri apresentados neste capítulo constituem um ponto de partida para uma educação matemática ligada à língua, ao corpo, à cultura e à memória.

A criança pode contar sementes, frutos, animais, objetos, pessoas e elementos do território.

Pode contar com os dedos.

Pode medir.

Pode comparar.

Pode somar.

Pode retirar.

Pode agrupar.

E pode aprender a fazer tudo isso valorizando sua própria língua.

Assim, o número deixa de ser apenas um símbolo.

Ele torna-se palavra.

A palavra torna-se conhecimento.

E o conhecimento torna-se memória.

Contar é registrar.

Registrar é lembrar.

Lembrar é preservar.

Preservar é transmitir.

Que os números sejam caminhos de conhecimento e que a língua Kariri continue caminhando entre as gerações.



5. O CORPO COMO PRIMEIRO INSTRUMENTO DE CONTAGEM

O corpo humano constitui uma referência inicial para a compreensão das quantidades.

A criança pode começar contando os próprios dedos e posteriormente utilizar objetos externos.

Essa passagem do corpo para o objeto permite construir uma compreensão progressiva da quantidade.

A metodologia pode trabalhar:

corpo → quantidade → palavra → numeral → escrita → operação.

A contagem deixa de ser apenas memorização e passa a ser uma experiência.


6. VOCABULÁRIO MATEMÁTICO E REFERÊNCIAS CULTURAIS KARIRI

O vocabulário apresentado neste capítulo reúne palavras e expressões da língua Kariri que podem contribuir para o ensino da matemática, juntamente com referências culturais que permitem trabalhar números, quantidades, medidas, capacidades, distâncias, tempo, valores e outras grandezas.

Nem todas as palavras apresentadas são termos matemáticos em sentido estrito. Algumas designam pessoas, objetos, animais, transportes, adornos ou elementos da vida cotidiana. Entretanto, esses elementos podem constituir importantes referências pedagógicas para a construção de situações de aprendizagem.

Dessa maneira, a proposta parte de uma compreensão ampla do letramento matemático: aprender matemática também significa observar, comparar, contar, medir, calcular e interpretar situações presentes na vida cultural.


6.1 Número, quantidade e operações


An — significa “nada” e pode ser relacionado à ideia de ausência de quantidade e ao conceito matemático de zero.

Worobu — significa “contar” e constitui uma palavra fundamental para as atividades de contagem e enumeração.

Maehae — significa “mais” ou “somar”, podendo ser relacionada às ideias de acrescentar, juntar e aumentar uma quantidade.

Apage — significa “tirar”, “diminuir” ou “subtrair”, podendo ser utilizada em situações de retirada e diminuição de quantidades.

Buieui — significa “elevar” ou “multiplicar”, podendo ser relacionada às atividades de multiplicação, agrupamento e aumento de quantidades.

Uohoie — significa “tudo”, podendo ser utilizada em atividades relacionadas à totalidade, conjunto e quantidade total.

Duboherí Worobü — expressão registrada como “Mestre que ensina os números como caminhos”. Pode ser utilizada pedagogicamente para representar aquele que transmite o conhecimento da contagem e dos números às novas gerações.


6.2 Corpo, pessoa e grandezas


Atse — pessoa. Pode ser utilizada como referência concreta para atividades envolvendo idade, peso, altura, comparação de medidas e outras características mensuráveis.

O uso pedagógico de uma pessoa como referência permite trabalhar situações como:

Quem é mais alto?

Quem é mais baixo?

Qual é a diferença de idade entre duas pessoas?

Qual é o peso aproximado?

Quantos anos possui cada pessoa?

Quantas pessoas formam determinado grupo?

Nesse caso, a pessoa não constitui uma “unidade matemática”, mas uma referência concreta para a aprendizagem de diferentes grandezas.

By — pé. Neste registro, corresponde a uma unidade de medida de 30,48 centímetros, equivalente a 12 polegadas. Pode ser utilizada em atividades de comprimento, distância e conversão de medidas.

A partir de By, o professor pode trabalhar relações entre pé, polegada, centímetro e metro.

6.3 Medidas tradicionais e referências de comprimento

Bóyentá — braça ou vara utilizada como referência para medir terra ou superfície, registrada com medida aproximada de 2,20 metros.

Pode ser utilizada em atividades envolvendo comprimento, distância, comparação e medição de terrenos.

Seriarú — arco e flecha. Pode constituir referência para atividades envolvendo distância, considerando-se, neste registro, um alcance médio de aproximadamente 70 metros.

A atividade pode trabalhar estimativas, comparação de distâncias e conversão entre diferentes unidades de medida.


6.4 Capacidade, quantidade e objetos


Cramenu — caixa de madeira utilizada como referência de capacidade, registrada com capacidade aproximada de 10 litros de farinha.

Setú — balaio médio utilizado como referência de quantidade, registrado como comportando aproximadamente 60 mangas.

Ruño — pote médio de barro utilizado como referência de capacidade, registrado com aproximadamente 15 litros de água.

Runhú — panela de barro média, registrada com capacidade aproximada entre 2 e 4 litros.

Bubehó — forno cerâmico. Neste registro, pode comportar aproximadamente 120 potes de barro ou 250 panelas grandes de argila durante a queima.

Essas referências permitem desenvolver atividades sobre:

capacidade;

quantidade;

comparação;

estimativa;

agrupamento;

divisão;

multiplicação;

organização de objetos.

Por exemplo:

Se um forno comporta 120 potes e são colocados 60 potes, qual é a metade da capacidade registrada?

Se um balaio comporta aproximadamente 60 mangas e existem 120 mangas, quantos balaios seriam necessários nessa referência?


6.5 Transporte, carga e matemática


Canindé — maior canoa do Opará, registrada neste vocabulário com capacidade de carga de aproximadamente 1.200 sacos de 60 kg.

A referência permite desenvolver atividades matemáticas envolvendo:

peso;

capacidade de carga;

multiplicação;

toneladas;

comparação;

transporte;

divisão de cargas.

Se cada saco possui 60 kg e a carga registrada é de 1.200 sacos, o professor pode trabalhar a multiplicação:

1.200 × 60 kg = 72.000 kg

ou:

72 toneladas.

A atividade pode mostrar ao estudante como uma situação cultural pode transformar-se em problema matemático.


6.6 Automóvel e situações matemáticas


Ibápohdu — automóvel.

O automóvel pode ser utilizado como referência pedagógica para trabalhar diferentes conceitos matemáticos, como:

velocidade;

distância;

tempo;

capacidade de passageiros;

consumo;

preço;

dinheiro;

comparação de valores.

O professor pode criar problemas contextualizados, por exemplo:

Um automóvel percorre determinada distância em determinado tempo. Qual é a velocidade média?

Quantas pessoas podem viajar no veículo?

Quanto seria gasto em determinada quantidade de viagens?

Assim, um elemento contemporâneo também pode participar do ensino matemático em língua Kariri.


6.7 Adornos e contagem


Daklone — colar, adorno utilizado no pescoço.

Dakloysã — pulseira, adorno utilizado na mão, registrada com uma fileira contendo aproximadamente 36 a 46 sementes.

Esses objetos podem ser utilizados em atividades de contagem, agrupamento, comparação e sequência.

O professor pode perguntar:

Quantas sementes existem em três pulseiras?

Qual é a diferença entre uma pulseira com 36 sementes e outra com 46?

Quantas sementes seriam necessárias para produzir cinco pulseiras com a mesma quantidade?

Dessa maneira, o objeto cultural transforma-se em recurso concreto para a aprendizagem.


6.8 Tempo, Lua e ciclos


Uché — tempo.

Batti — ano, relacionado a um período de aproximadamente 365 dias.

Kaya — Lua.

Kayaku — Lua, mês ou lunar, permitindo trabalhar relações entre Lua, mês e ciclos temporais.

Esses termos podem contribuir para atividades envolvendo:

dias;

semanas;

meses;

anos;

ciclos lunares;

calendários;

passagem do tempo;

comparação entre períodos.

O ensino pode estabelecer diálogo entre os ciclos naturais observados pela comunidade e o calendário utilizado oficialmente.


6.9 Dinheiro e valores


Tayu — dinheiro.

Neste registro, as cédulas são representadas por nomes de animais, formando uma referência cultural para o trabalho com valores monetários:

Yeendeçó — garça — R$ 5,00;

Yeendéar — arara-vermelha — R$ 10,00;

Dzicuá — mico-dourado — R$ 20,00;

Homomocleclé — onça-pintada — R$ 50,00;

Mydzé — peixe — R$ 100,00;

Bucuté — lobo-guará — R$ 200,00.

Essas referências possibilitam trabalhar reconhecimento de valores, composição de quantias, adição, subtração, troco, comparação e planejamento de compras.

Por exemplo:

Uma pessoa possui uma cédula Mydzé, de R$ 100,00, e compra um objeto por R$ 35,00. Quanto receberá de troco?

Ou:

Quantas cédulas Yeendeçó, de R$ 5,00, são necessárias para formar R$ 50,00?

A atividade aproxima o conhecimento matemático das situações cotidianas.


6.10 A matemática presente na cultura


O conjunto apresentado demonstra que a matemática pode estar presente em diferentes dimensões da vida cultural.

Ela aparece:

no corpo, quando contamos dedos, pés, altura e peso;

nos objetos, quando contamos sementes, potes, panelas e recipientes;

nas medidas, quando observamos comprimento, distância e capacidade;

no transporte, quando calculamos carga e quantidade;

no tempo, quando observamos dias, anos, Lua e ciclos;

no território, quando medimos espaços e distâncias;

nos adornos, quando contamos sementes;

no dinheiro, quando reconhecemos valores e realizamos operações.

Assim, o ensino da matemática pode partir daquilo que o estudante conhece e vivencia.

A palavra Kariri, o objeto cultural, o corpo, o território e a situação cotidiana podem tornar-se caminhos para chegar ao conhecimento matemático.

A matemática, nesse sentido, não aparece separada da vida.

Ela pode ser encontrada na própria experiência de viver, contar, medir, comparar, organizar e transmitir conhecimentos.

Por isso, este vocabulário deve ser compreendido como um conjunto de referências linguísticas e culturais para a construção de práticas de letramento matemático em língua Kariri.



7. AS MEDIDAS E O COTIDIANO

As medidas tradicionais podem constituir importantes recursos pedagógicos.

O estudante pode aprender distância, comprimento, capacidade e quantidade utilizando referências conhecidas na comunidade.

A partir de Bóyentá, por exemplo, pode-se trabalhar comprimento e distância.

A partir de Cramenu, Setú, Ruño e Runhú, podem ser trabalhadas capacidades e comparações.

O professor pode desenvolver situações como:

Qual recipiente comporta mais?

Qual comporta menos?

Quantas vezes uma quantidade menor cabe em uma maior?

Qual objeto é mais comprido?

Qual distância é maior?

Essas perguntas aproximam a matemática do cotidiano.




8. A MATEMÁTICA DO TEMPO

O tempo também constitui um campo de conhecimento matemático.

O termo Uché permite introduzir a ideia de tempo.

Batti pode ser relacionado ao ano.

Kaya pode ser utilizada como referência para conversar sobre a Lua e seus ciclos.

O estudante pode observar os ciclos naturais e relacioná-los ao calendário.

A proposta não pretende substituir o calendário oficial, mas apresentar a possibilidade de diálogo entre diferentes formas de organização do tempo.




9. AS OPERAÇÕES MATEMÁTICAS

9.1 Soma


A ideia de acrescentar pode ser relacionada a Maehae, registrada com o sentido de “mais” ou “somar”.

O professor pode utilizar objetos concretos para demonstrar a operação.


9.2 Subtração


A ideia de retirar ou diminuir pode ser relacionada a Apage.

A criança observa uma quantidade inicial, retira parte dela e identifica o que permaneceu.


9.3 Multiplicação


A ideia de multiplicar pode ser relacionada a Buieui, registrada com o sentido de “elevar” ou “multiplicar”.

A atividade pode começar com agrupamentos concretos.


9.4 Contagem


Worobu significa “contar” e constitui uma das bases para o desenvolvimento das demais operações.



10. DUBOHERÍ WOROBÜ: O MESTRE DOS CAMINHOS DOS NÚMEROS

A expressão Duboherí Worobü, registrada como “Mestre que ensina os números como caminhos”, oferece uma possibilidade simbólica e pedagógica muito significativa.

O conhecimento não caminha sozinho.

Ele é transmitido de uma pessoa para outra.

O ancião ensina o professor.

O professor ensina a criança.

A criança aprende e posteriormente transmite às novas gerações.

Assim, o conhecimento dos números também pode ser compreendido como um caminho entre gerações.




11. METODOLOGIA DAS ATIVIDADES

As atividades podem ser desenvolvidas em cinco momentos principais.

Primeiro: escutar.

O estudante escuta a palavra Kariri.

Segundo: observar.

Observa a quantidade representada.

Terceiro: falar.

Pronuncia a palavra.

Quarto: registrar.

Escreve a palavra e o numeral.

Quinto: aplicar.

Utiliza o conhecimento em uma situação matemática.

A sequência pode ser ampliada para:


OUVIR → FALAR → CONTAR → ESCREVER → CALCULAR → APLICAR.




12. O PAPEL DOS ANCIÃOS E DOS CONHECEDORES

Os anciãos e conhecedores da língua possuem papel fundamental na preservação dos conhecimentos tradicionais.

Sempre que possível, novas palavras, pronúncias, significados e formas de utilização devem ser pesquisados junto às pessoas que possuem conhecimento da língua e da cultura.

A escola pode criar momentos de encontro entre estudantes, professores e anciãos.

Nesses encontros, os estudantes podem perguntar:

Como se contava antigamente?

Como eram medidas as terras?

Como eram organizados os ciclos do tempo?

Quais palavras eram utilizadas?

Como essas palavras eram pronunciadas?

Dessa forma, a pesquisa torna-se parte do processo de alfabetização.




13. A LÍNGUA KARIRI COMO LÍNGUA DE CONHECIMENTO

A língua Kariri não é apenas objeto de estudo.

Ela pode ser instrumento de estudo.

Pode ser utilizada para falar sobre números, medidas, natureza, território, tempo, corpo, objetos, histórias e conhecimentos tradicionais.

Essa mudança de perspectiva é importante.

A língua deixa de ocupar somente um espaço simbólico e passa a ocupar também um espaço pedagógico.




14. LETRAMENTO MATEMÁTICO E CULTURA

O letramento matemático permite que o estudante compreenda e utilize conhecimentos matemáticos em situações da vida.

No contexto Kariri-Xocó, essas situações podem estar relacionadas à vida comunitária, ao território, à natureza, aos objetos, às atividades tradicionais e ao cotidiano.

Assim, aprender matemática também pode significar aprender a interpretar o próprio mundo.




15. PROPOSTA DE ATIVIDADES PEDAGÓGICAS

As atividades podem ser organizadas em diferentes níveis.


Atividade 1 — Meu corpo conta

Os estudantes utilizam os dedos para representar quantidades.


Atividade 2 — Palavra e número

O professor apresenta um numeral e sua forma registrada em Kariri.


Atividade 3 — Contagem de objetos

Os estudantes contam sementes, frutos, pedras ou outros objetos.


Atividade 4 — Mais e menos

Utilizando Maehae e Apage, os estudantes trabalham adição e subtração.


Atividade 5 — Agrupamentos

Os estudantes formam grupos de objetos para compreender a multiplicação.


Atividade 6 — Medidas

Utilizando referências como Bóyentá, os estudantes podem observar comprimentos e distâncias.


Atividade 7 — Capacidades

Os estudantes podem comparar recipientes e trabalhar os conceitos relacionados a Cramenu, Setú, Ruño e Runhú.


Atividade 8 — O tempo

Os estudantes observam o calendário, os dias, os meses, o ano e os ciclos da Lua.


Atividade 9 — Pesquisa com os mais velhos

Os estudantes entrevistam pessoas conhecedoras da língua para descobrir outras palavras relacionadas aos números e às medidas.


Atividade 10 — Meu pequeno dicionário matemático

Cada estudante registra novas palavras aprendidas e seus significados.




CONSIDERAÇÕES FINAIS

A alfabetização e o letramento matemático em língua Kariri constituem uma possibilidade de aproximar escola, língua, cultura, memória e conhecimento.

Os numerais registrados neste livro representam um ponto de partida.

A partir deles, podem ser desenvolvidos novos materiais sobre operações matemáticas, medidas, geometria, calendário, jogos, situações-problema e outros conhecimentos.

O mais importante é compreender que a matemática não precisa ser ensinada separadamente da cultura.

Ela pode estar presente na contagem dos dedos, na medida da terra, na capacidade dos recipientes, na organização do tempo, na observação da Lua e nas atividades cotidianas.

Quando uma criança aprende um número em sua língua, aprende também que sua língua possui capacidade de nomear e organizar conhecimentos.

Por isso, este trabalho é também uma ação de memória.

Contar é registrar.
Registrar é lembrar.
Lembrar é preservar.
Preservar é transmitir.

Que os números sejam caminhos de conhecimento.

Que a língua seja caminho de memória.

E que a memória continue caminhando entre as gerações Kariri-Xocó.





GLOSSÁRIO



Alfabetização: processo de aprendizagem da leitura e da escrita.


Letramento: uso social da leitura, da escrita e dos conhecimentos em diferentes situações.


Letramento matemático: capacidade de compreender e utilizar conhecimentos matemáticos em situações da vida.


Numeral: representação escrita de um número.


Número: conceito utilizado para representar quantidade, ordem ou medida.


Contagem: processo de determinar quantidades por meio da sequência dos números.


Medida: comparação de uma grandeza com uma referência determinada.


Quantidade: aquilo que pode ser contado ou medido.


Soma: operação matemática de adicionar ou juntar quantidades.


Subtração: operação matemática relacionada à retirada ou diminuição de uma quantidade.


Multiplicação: operação baseada na formação de grupos iguais e na adição repetida.


Zero: representação da ausência de quantidade; neste trabalho, relacionada ao registro An.


Worobu: contar.


Maehae: mais, somar.


Apage: tirar, diminuir, subtrair.


Buieui: elevar, multiplicar.


Uché: tempo.


Duboherí Worobü: mestre que ensina os números como caminhos.


Bóyentá: braça ou vara utilizada como referência para medir terra ou superfície.


Cramenu: caixa de madeira utilizada como referência de capacidade.


Setú: balaio médio utilizado como referência de quantidade e capacidade.


Ruño: pote médio de barro utilizado como referência de capacidade.


Runhú: panela de barro média utilizada como referência de capacidade.


Batti: ano.


Kaya: Lua.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Kariri-Xocó. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2018/11/calendario-kariri-xoco.html?m=0. Acesso em: 5 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Indígena, na Ordem do Ano Gregoriano. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2018/11/calendario-indigena.html?m=0. Acesso em: 5 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Dias da Semana na Língua Kariri. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2018/11/dias-da-semana-na-lingua-kariri.html?m=0. Acesso em: 5 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Sugestões de Números Um até Um Bilhão. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2023/04/sugestoes-de-numeros-um-ate-um-bilhao_26.html?m=0. Acesso em: 6 out. 2026.

RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. O artigo definido e os numerais na língua Kiriri: Vocabulários Português-Kiriri e Kiriri-Português. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, Brasília, v. 4, n. 2, dez. 2012.




SOBRE O AUTOR

NHENETY KARIRI-XOCÓ


Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias, escritor, pesquisador da memória cultural e autor de trabalhos relacionados à história, à língua, à cultura, à espiritualidade e aos conhecimentos tradicionais do povo Kariri-Xocó.

Sua produção reúne contos, fábulas, cordéis, artigos, livros e registros voltados à preservação da memória e à transmissão de conhecimentos para as novas gerações.

Ao longo de sua trajetória, dedica-se a transformar experiências da tradição oral em registros escritos e visuais, buscando construir pontes entre os conhecimentos dos antepassados, a educação e as novas tecnologias.

Seu trabalho valoriza a memória do povo Kariri-Xocó, o território, o Opará, os anciãos, as crianças, a língua e as manifestações culturais.

Para Nhenety, escrever é também uma forma de guardar a palavra.

E guardar a palavra é contribuir para que ela continue viva.

“Somos guardiões da memória do Opará.”

FIM

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO MATEMÁTICO NA LÍNGUA KARIRI

Números, Medidas, Tempo e Saberes Culturais




AUTOR:

Nhenety Kariri-Xocó

2026

Iewóá. Inatekié.





segunda-feira, 5 de outubro de 2026

PRODUÇÃO DE TEXTOS NA LÍNGUA KARIRI, TECENDO PALAVRAS, CRIANDO HISTÓRIAS





Nhenety Kariri-Xocó



FALSA FOLHA DE ROSTO

PRODUÇÃO DE TEXTOS NA LÍNGUA KARIRI

TECENDO PALAVRAS, CRIANDO HISTÓRIAS

Nhenety Kariri-Xocó




FOLHA DE ROSTO

PRODUÇÃO DE TEXTOS NA LÍNGUA KARIRI

TECENDO PALAVRAS, CRIANDO HISTÓRIAS

Livro 5 da coleção de Alfabetização e Letramento na Língua Kariri.

Autor, organizador e curador:
Nhenety Kariri-Xocó

Obra pedagógica, cultural e linguística

Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio – Alagoas
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

Produção de Textos na Língua Kariri: Tecendo Palavras, Criando Histórias

© 2026 — Nhenety Kariri-Xocó

Obra destinada ao estudo, à valorização, à transmissão e ao fortalecimento da Língua e da cultura Kariri-Xocó, especialmente no contexto da alfabetização e do letramento indígena.

Esta obra integra uma sequência pedagógica composta por:

Livro 1 — Letramento do Alfabeto Kariri

Livro 2 — As Primeiras Sílabas em Kariri

Livro 3 — Formando as Primeiras Palavras em Kariri

Livro 4 — Alfabetização e Letramento na Formação de Frases em Língua Kariri

Livro 5 — Produção de Textos na Língua Kariri: Tecendo Palavras, Criando Histórias

Organização, autoria e curadoria: Nhenety Kariri-Xocó

Edição: edição digital/pedagógica do autor.

Observação: informações bibliográficas, ISBN simbólico e dados editoriais poderão ser ajustados conforme a modalidade de publicação.




FICHA CATALOGRÁFICA

NHENETY KARIRI-XOCÓ

Produção de textos na língua Kariri: tecendo palavras, criando histórias / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Obra pedagógica sobre alfabetização, letramento, produção textual, língua Kariri, oralidade, memória e cultura indígena.

Alfabetização indígena.

Letramento.

Língua Kariri.

Produção textual.

Educação indígena.

Oralidade.

Cultura Kariri-Xocó.

Memória cultural.

CDD: a definir conforme catalogação profissional.

Nota: a ficha catalográfica definitiva deverá ser elaborada por profissional habilitado, quando necessária para uma edição formal.

ISBN — SIMBÓLICO

ISBN SIMBÓLICO / EDITORIAL

978-65-00000-00-0

Número utilizado exclusivamente como elemento simbólico/editorial desta versão de projeto e acervo digital.

Importante: este número não representa um ISBN oficial atribuído por agência competente.



PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.



ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó



DEDICATÓRIA

Dedico este livro às crianças Kariri-Xocó, que aprendem a transformar palavras em conhecimento e conhecimento em histórias.

Dedico aos professores e educadores indígenas que fazem da escola um espaço de fortalecimento da língua, da cultura e da memória.

Dedico aos anciãos e aos guardiões da tradição, que mantêm viva a palavra recebida dos antepassados.

Dedico às famílias Kariri-Xocó, porque é dentro da comunidade que a criança aprende as primeiras palavras da vida.

E dedico aos nossos antepassados, cuja memória continua caminhando conosco.

Que cada criança possa aprender a escrever sem deixar de ouvir.

Que possa aprender a ler sem deixar de lembrar.

E que possa contar suas próprias histórias.

Nhenety Kariri-Xocó




AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente aos antepassados Kariri, cuja memória atravessa gerações e continua presente na palavra, no território, na cultura e na vida comunitária.

Agradeço aos anciãos e aos conhecedores da tradição, que preservam conhecimentos transmitidos pela oralidade.

Agradeço às crianças Kariri-Xocó, inspiração maior deste trabalho. Cada criança que aprende uma palavra, constrói uma frase ou escreve uma história participa da continuidade de uma memória coletiva.

Agradeço aos professores e educadores indígenas que transformam a sala de aula em espaço de aprendizagem, identidade e fortalecimento cultural.

Agradeço às famílias, que são parte essencial do processo de transmissão dos saberes.

Agradeço também aos pesquisadores e autores que contribuíram para o conhecimento histórico e linguístico relacionado às línguas Kariri e às experiências de alfabetização e letramento.

Agradeço às tecnologias contemporâneas, inclusive às ferramentas de inteligência artificial utilizadas como instrumentos auxiliares de criação, organização e elaboração visual deste trabalho, sempre subordinadas à memória, ao conhecimento e à autoria humana.

E agradeço a todos aqueles que acreditam que uma língua indígena pode ocupar o papel de língua de conhecimento, criação, educação e produção literária.

Inatekié — Obrigado.




EPÍGRAFE

“A palavra é o fio; a memória é o tecido; a criança é quem continua tecendo a história.”

Nhenety Kariri-Xocó




PREFÁCIO DO VOLUME

Este quinto volume representa uma nova etapa de uma caminhada iniciada com o alfabeto, continuada pelas sílabas, pelas palavras e pelas frases.

A criança que chegou até aqui já descobriu que as letras podem representar sons, que os sons formam sílabas, que as sílabas formam palavras e que as palavras podem formar frases.

Agora ela descobrirá algo ainda maior:

as frases podem formar histórias.

A produção textual é apresentada neste livro como uma atividade de criação.

A criança não será apenas convidada a copiar.

Será convidada a observar, falar, imaginar, organizar, escrever e criar.

O território será fonte de inspiração.

O Opará poderá aparecer como paisagem e memória.

A aldeia poderá aparecer como espaço de vida.

A natureza poderá oferecer personagens.

As histórias dos mais velhos poderão estimular a escuta e o registro, sempre respeitando aquilo que pode ser compartilhado.

O objetivo não é transformar a cultura em simples ilustração para exercícios escolares.

O objetivo é fazer com que a cultura esteja presente como fonte viva de conhecimento.

Este livro é, portanto, uma ponte entre oralidade e escrita.

É uma ponte entre memória e futuro.

E é também um convite para que a criança possa dizer:

“Eu também sei contar uma história.”



RESUMO

Produção de Textos na Língua Kariri: Tecendo Palavras, Criando Histórias constitui o quinto volume de uma sequência dedicada à alfabetização e ao letramento na Língua Kariri.

A obra propõe uma metodologia progressiva para conduzir estudantes em fase inicial de alfabetização da construção de palavras e frases à produção de pequenos textos e histórias.

A metodologia está organizada em quatro movimentos: Ouvir e Contar; Analisar e Observar; Praticar e Conectar; Criar e Registrar.

As atividades utilizam oralidade, imagens, vocabulário, frases, sequências narrativas, conectivos, pequenos parágrafos e produção autoral.

A proposta valoriza elementos culturais e territoriais Kariri-Xocó, relacionando aprendizagem da escrita, memória, natureza, comunidade e tradição oral.

O livro busca contribuir para uma educação indígena em que a alfabetização esteja relacionada à identidade, à língua e à experiência cotidiana dos estudantes.

Palavras-chave: alfabetização indígena; letramento; Língua Kariri; produção textual; oralidade; cultura Kariri-Xocó; educação indígena; memória.




ABSTRACT

Text Production in the Kariri Language: Weaving Words, Creating Stories is the fifth volume of a series dedicated to literacy and language education in the Kariri language.

The book proposes a gradual methodology to guide beginning literacy students from the construction of words and sentences toward the production of short texts and stories.

The methodology is organized into four movements: Listening and Telling; Analyzing and Observing; Practicing and Connecting; Creating and Recording.

The activities combine oral language, images, vocabulary, sentences, narrative sequences, connectors, short paragraphs and authorial production.

The proposal values Kariri-Xocó cultural and territorial elements, connecting literacy learning with identity, memory, nature, community and oral tradition.

The book seeks to contribute to Indigenous education by connecting literacy with the students' language, identity and everyday experiences.

Keywords: Indigenous literacy; language education; Kariri language; text production; orality; Kariri-Xocó culture; Indigenous education; cultural memory.




APRESENTAÇÃO

Este livro foi pensado como uma continuação.

Não é o começo da caminhada.

É o próximo passo.

Nos volumes anteriores, a criança percorreu diferentes caminhos:

primeiro conheceu o alfabeto;

depois descobriu as sílabas;

aprendeu a formar palavras;

e passou a organizar frases.

Agora chega o momento de juntar essas aprendizagens.

A criança aprenderá que uma história não nasce pronta.

Ela é construída.

Uma palavra chama outra.

Uma frase se junta a outra.

Uma ideia encontra outra ideia.

E, pouco a pouco, nasce um texto.

Por isso, o livro utiliza a imagem do tecer.

As palavras são fios.

As frases são partes da trama.

Os conectivos aproximam as ideias.

O parágrafo organiza o pensamento.

E o texto completo forma um tecido de significados.




NOTA DO AUTOR

Este trabalho é resultado de uma caminhada de valorização da língua, da memória e dos conhecimentos Kariri-Xocó.

A proposta nasceu da necessidade de continuar desenvolvendo materiais que possam auxiliar o processo inicial de alfabetização e letramento, especialmente a partir de referências próximas da realidade das crianças indígenas.

A escrita aqui apresentada não pretende substituir a oralidade.

Pelo contrário.

Ela procura dialogar com ela.

A oralidade continua sendo uma fonte fundamental de conhecimento.

A escrita surge como outra possibilidade de registrar, estudar, ensinar e compartilhar determinados conhecimentos.

O uso do vocabulário Kariri neste livro deverá sempre considerar a documentação existente, os estudos linguísticos, as formas de uso reconhecidas e a validação comunitária.

Quando houver dúvidas, variantes ou formas em processo de resgate, essas situações deverão ser tratadas com cuidado e transparência.

Este livro também reconhece que língua não é apenas um conjunto de palavras.

Língua é memória.

Língua é pensamento.

Língua é identidade.

Língua é comunicação.

Língua é conhecimento.



MEMÓRIA DO AUTOR

Minha caminhada com as palavras começou antes de qualquer livro.

Começou com a escuta.

Começou com as histórias contadas pelos mais velhos.

Começou na comunidade, na família, no território e nas experiências de vida.

Sou Nhenety Kariri-Xocó, contador de histórias e guardião de memórias que encontrei na palavra dos nossos antepassados, dos anciãos e das pessoas que fizeram parte da minha formação.

Ao longo da vida, percebi que muitas histórias permaneciam principalmente na oralidade.

E compreendi que também era possível transformar parte dessas histórias em livros, livretos, artigos, cordéis e materiais educativos.

A tecnologia abriu novos caminhos para essa tarefa.

A escrita digital permitiu organizar conhecimentos.

As imagens permitiram reconstruir cenas, paisagens e memórias.

E a inteligência artificial passou a ser utilizada como ferramenta contemporânea de apoio à criação.

Mas a tecnologia não é a origem da memória.

A origem está no povo.

Está na experiência.

Está na palavra.

Está no território.

Está nos antepassados.

Este livro faz parte dessa caminhada.

Quando uma criança aprende a escrever uma pequena história em sua língua, ela não está apenas realizando um exercício escolar.

Ela está aprendendo que sua língua também pode escrever.

Que sua cultura também pode produzir conhecimento.

Que sua memória também pode ocupar um livro.

E que ela própria pode tornar-se autora.



APRESENTAÇÃO DA METODOLOGIA

A metodologia deste livro recebe o nome:

TECENDO PALAVRAS, CRIANDO HISTÓRIAS

Sua progressão fundamental é:

PALAVRA → FRASE → SEQUÊNCIA → PARÁGRAFO → TEXTO → HISTÓRIA

O trabalho acontece por meio de quatro momentos.

1. OUVIR E CONTAR

A criança escuta.

2. ANALISAR E OBSERVAR

A criança descobre como o texto foi construído.

3. PRATICAR E CONECTAR

A criança experimenta organizar as ideias.

4. CRIAR E REGISTRAR

A criança produz seu próprio texto.

Assim, a criança passa gradualmente de aprendiz para autora.



INTRODUÇÃO

Produzir um texto durante o período inicial de alfabetização pode parecer uma tarefa difícil.

Por isso, este livro não começa pedindo uma grande redação.

Ele começa pequeno.

Uma palavra.

Depois uma frase.

Depois duas frases.

Depois uma sequência.

Depois um pequeno parágrafo.

Finalmente, uma história.

A criança precisa perceber que escrever é possível.

Por isso, as atividades foram pensadas para reduzir progressivamente a dependência de modelos.

No início, existem imagens, bancos de palavras e frases iniciadoras.

Depois, os apoios diminuem.

Finalmente, a criança recebe espaço para criar.

Essa metodologia procura respeitar o ritmo de aprendizagem e utilizar a oralidade como ponto de apoio.

Antes de escrever uma história, a criança pode contá-la.

Antes de produzir um parágrafo, pode organizar oralmente os acontecimentos.

Antes de escrever uma palavra, pode ouvir seu som.

A produção textual torna-se, assim, uma experiência integrada de:

escuta + fala + leitura + escrita + imaginação + cultura.



SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto

Folha de Rosto

Verso da Folha de Rosto

Ficha Catalográfica

ISBN — Registro Simbólico/Editorial

Prefácio Oficial da Coleção

Esclarecimento do Autor

Dedicatória

Agradecimentos

Epígrafe

Prefácio do Volume

Resumo

Abstract

Apresentação

Nota do Autor

Memória do Autor

Apresentação da Metodologia

Introdução

Sumário

Título e Conceito da Obra

Objetivo Geral

Objetivos Específicos

Princípio Pedagógico

Do Micro ao Macro

Metodologia "Tecendo Palavras, Criando Histórias"

Momento 1 — A Palavra

Momento 2 — O Fio

Momento 3 — A Costura

Momento 4 — O Tecido

A Técnica "Início, Meio e Fim"

A "Casa" do Texto

Como Usar Este Livro

Parte I — Preparando os Fios

Capítulo 1 — Da Palavra à História

Capítulo 2 — Tecendo a História do Rio e da Mata

Capítulo 3 — Uma História Começa Com Um Personagem

Capítulo 4 — A Aldeia Conta Uma História

Parte II — Tecendo Frases e Ideias

Capítulo 5 — O Tempo da História

Capítulo 6 — Quando Uma Coisa Acontece

Capítulo 7 — Histórias da Natureza

Capítulo 8 — O Toré Como Palavra, Movimento e Memória

Parte III — Memória e Oralidade

Capítulo 9 — A Palavra dos Mais Velhos

Capítulo 10 — Minha Primeira História em Kariri

Parte IV — A Criança Como Autora

Capítulo 11 — Eu Sou Autor

Capítulo 12 — Nosso Livro de Histórias

Projeto Final

Minha Primeira Autoria

Materiais Pedagógicos Complementares

Banco Geral de Palavras Kariri

Banco de Ideias para Escrever

Banco de Conectires e Expressões

Conclusão

Ficha de Revisão do Texto

Encerramento Pedagógico

Certificado Simbólico de Pequeno Autor

Mensagem Final ao Estudante

A Palavra Como Memória Viva

Elementos Finais

Considerações Finais

Glossário de Termos e Vocabulário Kariri

Referências Bibliográficas

Sobre o Autor — Nhenety Kariri-Xocó

Memória da Obra

Contracapa




TÍTULO E CONCEITO DA OBRA


PRODUÇÃO DE TEXTOS NA LÍNGUA KARIRI: TECENDO PALAVRAS, CRIANDO HISTÓRIAS


O título utiliza a metáfora do tecer.

Cada palavra funciona como um fio.

Cada frase funciona como uma linha.

Os conectivos funcionam como nós que aproximam as ideias.

Os parágrafos formam partes do tecido.

E o texto completo transforma esses fios em uma história.

A criança deixa de ser apenas leitora ou repetidora de palavras e começa a assumir o papel de autora.


OBJETIVO GERAL


Desenvolver a produção textual inicial em Língua Kariri por meio de atividades graduais, visuais, orais, culturais e contextualizadas, levando o estudante da organização de palavras e frases à produção de pequenos textos e histórias.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS


O livro pretende possibilitar ao estudante:

ampliar o vocabulário em Língua Kariri;

reconhecer palavras dentro de pequenos textos;

relacionar oralidade e escrita;

formar frases com sentido;

unir frases utilizando conectivos;

compreender começo, meio e fim;

organizar acontecimentos em sequência;

construir pequenos parágrafos;

produzir pequenos textos;

criar personagens e situações;

descrever lugares e acontecimentos;

escrever a partir de imagens;

transformar relatos orais em registros escritos;

desenvolver autonomia na escrita;

valorizar a cultura e o território Kariri-Xocó;

reconhecer a importância dos conhecimentos dos anciãos;

compreender a escrita como instrumento de memória e transmissão cultural.



PRINCÍPIO PEDAGÓGICO


A metodologia está baseada na progressão:

DO MICRO AO MACRO

Palavra

↓

Frase

↓

Duas frases relacionadas

↓

Sequência de frases

↓

Parágrafo

↓

Pequeno texto

↓

História

A criança não é colocada diante de uma página em branco imediatamente.

Ela recebe apoio progressivo até conquistar autonomia.

METODOLOGIA “TECENDO PALAVRAS, CRIANDO HISTÓRIAS”

Cada capítulo será desenvolvido em quatro momentos.

MOMENTO 1 — A PALAVRA

Ouvir e Contar

O professor apresenta uma pequena história, relato, situação cotidiana, elemento da natureza ou aspecto da cultura.

A leitura pode ser acompanhada por ilustrações.

O professor lê.

A criança escuta.

Depois, as crianças repetem palavras selecionadas.

Nesta etapa, a oralidade é valorizada como ponto de partida.

Objetivos

desenvolver atenção auditiva;

ampliar vocabulário;

estimular compreensão;

relacionar imagem e palavra;

incentivar a participação oral.

MOMENTO 2 — O FIO

Analisar e Observar

Depois de ouvir o texto, o estudante observa como ele foi construído.

O professor destaca:

personagens;

lugares;

ações;

palavras importantes;

verbos;

conectivos;

começo;

desenvolvimento;

final.

O texto passa a ser visto como um tecido formado por diferentes fios.

Perguntas orientadoras

Quem aparece na história?

Onde acontece?

O que aconteceu primeiro?

O que aconteceu depois?

Por que aconteceu?

Como terminou?

MOMENTO 3 — A COSTURA

Praticar e Conectar

Nesta etapa, a criança passa a experimentar a construção textual.

São utilizados exercícios graduais:

a ) Varal de palavras

As palavras são apresentadas separadamente.

O estudante deverá relacioná-las para formar frases.

b ) Fios conectores

O aluno aprende que determinadas palavras ajudam a unir ideias.

Podem ser trabalhadas relações equivalentes a:

e;

depois;

então;

porque;

mas;

por isso;

quando.

As formas específicas em Língua Kariri devem ser apresentadas conforme a ortografia e o vocabulário adotados no projeto.

c ) Complete a frase

O aluno escolhe uma palavra para completar uma frase.

d ) Una as frases

Duas frases são apresentadas e o estudante escolhe o elemento adequado para conectá-las.

e ) Organize a história

Frases embaralhadas precisam ser colocadas na ordem correta.

MOMENTO 4 — O TECIDO

Criar e Registrar

Aqui começa a produção autoral.

O estudante recebe uma sequência de imagens e é convidado a criar uma pequena história.

No início, pode utilizar:

banco de palavras;

banco de conectivos;

imagens;

perguntas-guia;

frases iniciadoras;

linhas para escrita.

Gradualmente, esses apoios diminuem.

O objetivo é alcançar autonomia.

 A TÉCNICA “INÍCIO, MEIO E FIM”

Para crianças em alfabetização inicial, a estrutura narrativa pode ser representada por três momentos:

INÍCIO

Quem? Onde?

Apresentação do personagem e do lugar.

MEIO

O que aconteceu?

Desenvolvimento da ação.

FIM

Como terminou?

Conclusão da história.

Essa estrutura pode ser representada visualmente por três espaços na página.

A “CASA” DO TEXTO

Outra estratégia pedagógica será apresentar o parágrafo como uma construção.

A criança aprende que uma história precisa de uma estrutura.

A BASE

Apresentar o personagem e o lugar.

AS PAREDES

Contar o que aconteceu.

O TELHADO

Concluir a história.

A metáfora da construção pode dialogar com a ideia de morada, aldeia e memória, sem transformar a cultura em mero recurso decorativo.


COMO USAR ESTE LIVRO

Este livro acompanha a criança em uma caminhada.

Primeiro ela aprende a reconhecer palavras.

Depois aprende a juntá-las.

Em seguida aprende a organizar frases.

Agora aprenderá a juntar frases para construir textos.

A sequência será:

PALAVRA → FRASE → SEQUÊNCIA → PARÁGRAFO → TEXTO → HISTÓRIA

Em todos os capítulos, o estudante encontrará quatro momentos:

1. OUVIR E CONTAR

A criança escuta e conversa.

2. ANALISAR E OBSERVAR

A criança descobre como o texto foi construído.

3. PRATICAR E CONECTAR

A criança realiza atividades orientadas.

4. CRIAR E REGISTRAR

A criança produz sua própria história.



CAPÍTULO 1 — DA PALAVRA À HISTÓRIA

Tema

As palavras começam a formar histórias.

Objetivo

Relembrar palavras e frases dos volumes anteriores e iniciar a construção de pequenas sequências narrativas.

MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

A Palavra que Conta

Uma criança encontrou uma palavra.

Ela leu a palavra.

Depois, pensou em outra.

As duas palavras formaram uma frase.

A frase chamou outra frase.

Assim, uma pequena história começou.

A criança descobriu:

uma palavra pode lembrar uma ideia;
uma frase pode contar uma ação;
várias frases podem formar uma história.

MOMENTO 2 — ANALISAR E OBSERVAR

Observe:

Palavra: nome.

Frase: apresenta uma ideia.

Sequência: organiza acontecimentos.

História: reúne acontecimentos em uma narrativa.

Vamos descobrir

Quem aparece?

Uma criança.

O que ela encontrou?

Uma palavra.

O que aconteceu depois?

Ela pensou em outra palavra.

VOCABULÁRIO KARIRI

Revisar palavras estudadas nos volumes anteriores.

Hietçã — eu; meu.

Dzé — nome; chamar.

Nhenety / Nheneti — tradição; ser lembrado.

Uanieá — indígena.

Tsohó — povo; gente; comunicação; senhor, conforme o contexto.


MOMENTO 3 — PRATICAR E CONECTAR

Exercício 1 — Ligue

Observe as palavras em Língua Kariri e as imagens. Depois, ligue cada palavra à imagem correspondente.

Palavras

Dzé

Natiá

Opará

Baté

Imagens

A. 👧 Nome
B. 🏘️ Aldeia
C. 🏊‍♀️ Rio
D. 🛖 Morada

Desafio:

Agora diga em voz alta cada palavra em Kariri e explique o que ela significa.

Resposta esperada:
Dzé → A
Natiá → B
Opará → C
Baté → D


Exercício 2 — Palavra e frase

Aqui a criança primeiro escolhe uma das palavras já aprendidas e depois transforma a palavra em uma frase simples.

Proposta:

Exercício 2 — Palavra e frase

Escolha uma palavra em Língua Kariri:

Dzé — Natiá — Opará — Baté

Palavra escolhida: ______________________

Agora escreva uma frase usando essa palavra:

Minha frase:

Exemplo:

Palavra escolhida: Natiá

Minha frase: Eu vejo a Natiá.

Desafio:

👉 Faça um desenho que represente a frase.

Objetivo pedagógico: reconhecer a palavra, compreender seu significado e utilizá-la em uma frase com sentido.

Exercício 3 — Duas frases

Neste exercício, podemos trabalhar a relação entre duas ideias. A criança completa as frases e depois percebe que elas podem formar uma pequena narrativa.

Exercício 3 — Duas frases

Complete:

Eu vejo ____________.

Eu lembro ____________.

Agora junte as duas ideias e escreva uma pequena frase:

Eu vejo __________________ e lembro
__________________.

Exemplo:

Eu vejo o Opará.

Eu lembro da minha aldeia.

Juntando as ideias:

Eu vejo o Opará e lembro da minha aldeia.

Desafio:

👉 Faça um desenho mostrando aquilo que você vê e aquilo de que você se lembra.

Objetivo pedagógico: desenvolver a construção de frases, ampliar o vocabulário e perceber que duas frases podem formar uma ideia maior.

Exercício 4 — Organizando

Aqui podemos introduzir a ordem temporal da narrativa. A criança precisa descobrir o que aconteceu primeiro, depois e por último.

Exercício 4 — Organizando

Leia as frases e coloque os números 1, 2 e 3 na ordem correta:

( ) A história começou.

( ) A criança encontrou uma palavra.

( ) A criança pensou em outra palavra.

Resposta esperada:

( 1 ) A história começou.

( 2 ) A criança encontrou uma palavra.

( 3 ) A criança pensou em outra palavra.

Agora vamos contar a história!

Observe a sequência:

1 → começou

2 → encontrou uma palavra

3 → pensou em outra palavra

Complete:

Primeiro, a história ______________________________.

Depois, a criança _________________________________.

Por fim, a criança _________________________________.

Desafio final

Agora conte a história com suas próprias palavras:

Minha pequena história:

🌿 Progressão dos quatro exercícios

Assim, o Momento 3 — Praticar e Conectar fica pedagogicamente organizado:

Exercício 1: palavra → imagem → significado

Exercício 2: palavra → frase

Exercício 3: duas frases → uma ideia

Exercício 4: frases → sequência → pequena história


MOMENTO 4 — CRIAR E REGISTRAR

Atividade de desenho

Desenhe uma criança encontrando uma palavra em Língua Kariri.

A palavra que a criança encontrou é:

O que essa palavra significa?

Minha primeira pequena história

Agora observe seu desenho e conte o que aconteceu.

Título da minha história:

Minha história:

Primeiro, __________________________________________.

Depois, ____________________________________________.

Por fim, ____________________________________________.

Desenhe sua história no espaço abaixo.

🌿 Desafio — Conte para alguém

Leia sua pequena história para um colega, familiar, professor ou ancião da comunidade.

Eu contei minha história para:

Palavra em Língua Kariri que usei:

Significado:

Dessa maneira, o Momento 4 fecha muito bem a sequência anterior: a criança encontra a palavra, compreende seu significado, forma frases, organiza acontecimentos, desenha e finalmente cria sua primeira pequena história.


CAPÍTULO 2 — TECENDO A HISTÓRIA DO RIO E DA MATA

Tema

O Opará, a água e a natureza.

Objetivo geral

Desenvolver a capacidade de ouvir, compreender, ordenar e produzir acontecimentos em sequência, utilizando frases simples relacionadas ao Opará, à água, à mata e à aldeia.

Objetivos específicos

Ao final deste capítulo, o estudante deverá ser capaz de:

identificar personagens, lugares e ações;

reconhecer começo, meio e fim de uma história;

organizar acontecimentos em sequência temporal;

formar frases simples;

utilizar palavras do vocabulário Kariri-Xocó;

relacionar a língua escrita com a experiência de observar a natureza;

produzir uma pequena narrativa a partir de imagens e palavras.

MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

Caminho até o Opará

O dia começou.

O sol apareceu.

Um menino saiu de sua morada.

Ele caminhou em direção ao Opará.

No caminho, viu a mata e ouviu os sons da natureza.

Chegou à margem do rio e observou a água.

A água do Opará corria diante de seus olhos.

O menino ficou em silêncio por alguns momentos.

Depois, olhou para a mata.

Ele percebeu que o rio, a mata, os animais e as pessoas fazem parte da natureza.

Quando o sol começou a mudar de posição, o menino voltou para sua aldeia.

Levou consigo uma lembrança daquele caminho.

Na memória, guardou a água, a mata e o Opará.


Conversa depois da leitura

O professor ou contador de histórias pode perguntar:

1. Quem aparece na história?
Um menino.

2. Para onde ele foi?
Para o Opará.

3. O que ele encontrou no caminho?
A mata e os sons da natureza.

4. O que ele observou?
A água do Opará e a mata.

5. Para onde ele voltou?
Para sua aldeia.

6. O que levou consigo?
A lembrança e a memória do que observou.


MOMENTO 2 — ANALISAR E OBSERVAR

Quem?

Um menino.

Onde?

No caminho para o Opará.

O que fez?

Saiu, caminhou, observou e voltou.

O que ele viu?

A água, a mata e a natureza.

Sequência temporal

Primeiro: saiu de sua morada.

Depois: caminhou até o Opará.

Em seguida: observou a água e a mata.

Por fim: voltou para sua aldeia.

Palavras que ajudam a contar

Primeiro → Depois → Em seguida → Por fim

Explique à criança:

Essas palavras ajudam a colocar os acontecimentos na ordem em que aconteceram.

MOMENTO 3 — VOCABULÁRIO KARIRI

Neste momento, vamos conhecer algumas palavras relacionadas ao território, à natureza e à vida cotidiana. As palavras fazem parte da construção da história e ajudam o estudante a compreender e formar novas frases.

Opará

Opará — significa Rio São Francisco.

É o grande rio que atravessa o território e está presente na memória, na história e na vida dos povos que vivem às suas margens.

Dzu

Dzu — significa água.

A água está presente no rio, nas nascentes e na vida de todos os seres da natureza. No texto, o menino observa a água do Opará.

Natiá

Natiá — significa aldeia.

É o lugar onde vive a comunidade. Na história, o menino sai de sua aldeia e, depois de caminhar até o Opará, retorna para a Natiá.

Baté

Baté — significa morada, rancho ou pouso.

É o lugar onde uma pessoa ou família pode morar, descansar ou permanecer durante determinado período.

Vamos formar frases

Agora vamos utilizar as palavras aprendidas:

O menino foi até o Opará.

O menino observou a Dzu.

O menino voltou para a Natiá.

O menino saiu de sua Baté.

Vamos lembrar

Opará → Rio São Francisco.
Dzu → água.
Natiá → aldeia.
Baté → morada, rancho ou pouso.

Essas palavras ajudam a contar a história do menino e a relacionar a língua com o território, a natureza e a memória.

Trabalhando com frases

Leia:

O menino foi ao Opará.

O menino viu a Dzu.

O menino voltou para a Natiá.

O menino saiu da Baté.

Depois pergunte:

Quem? → O menino.
O que fez? → Foi, viu, voltou, saiu.
Onde? → Opará, Natiá, Baté.

Isso já introduz, de maneira muito simples, a estrutura:

PERSONAGEM + AÇÃO + LUGAR/OBJETO

MOMENTO 4 — PRATICAR E CONECTAR

Exercício 1 — Banco de palavras

Complete:

O menino foi até o __________.

Ele observou a __________.

Depois voltou para a __________.

Ele saiu de sua __________.

Banco de palavras

Opará — Dzu — Natiá — Baté

Exercício 2 — Ordem da história

Numere de 1 a 4:

( ) Observou a água.

( ) Saiu de sua morada.

( ) Voltou para a aldeia.

( ) Caminhou até o Opará.

Resposta esperada

1 — Saiu de sua morada.
2 — Caminhou até o Opará.
3 — Observou a água.
4 — Voltou para a aldeia.

Exercício 3 — Quem fez?

Ligue o personagem à ação.

O menino → saiu.

O menino → caminhou.

O menino → observou.

O menino → voltou.

Depois pergunte:

O que aconteceria se trocássemos a ordem dessas ações?

Isso leva a criança a perceber que uma história possui uma sequência.

Exercício 4 — Formando frases

Junte as palavras:

menino / O / saiu.

→ __________________________

até / caminhou / Opará / o / menino.

→ __________________________

água / observou / Ele / a.

→ __________________________

aldeia / voltou / para / a / Ele.

→ __________________________

Exercício 5 — Formando um parágrafo

Junte as quatro frases:

O menino saiu.
Ele caminhou.
Ele observou o Opará.
Ele voltou.

Agora transforme-as em uma pequena história usando:

Primeiro — depois — em seguida — por fim.

Modelo

Primeiro, o menino saiu de sua morada. Depois, caminhou até o Opará. Em seguida, observou a água. Por fim, voltou para sua aldeia.

Aqui o aluno começa a perceber que uma frase pode se ligar à outra para formar um texto.


MOMENTO 5 — LÍNGUA, MEMÓRIA E NATUREZA

Esta parte pode ser muito importante para o livro, porque aproxima a alfabetização da experiência cultural.

Pense e responda

1. Onde fica o Opará?

2. O que encontramos na água?

3. O que encontramos na mata?

4. O que devemos fazer com a natureza?

5. O que você vê quando caminha perto do rio?

Minha palavra para o Opará

Peça à criança para escolher uma palavra:

água — rio — mata — peixe — árvore — vida — natureza — memória

Depois ela poderá escrever uma frase:

O Opará é ____________________.


MOMENTO 6 — CRIAR E REGISTRAR

Desenho

Faça três desenhos:

1. A saída

O menino saindo de sua morada.

2. O encontro com o rio

O menino chegando ao Opará e observando a água.

3. A volta

O menino retornando para sua aldeia.

Depois, escreva uma pequena frase embaixo de cada desenho.

Desenho 1:

O menino saiu.

Desenho 2:

O menino viu o Opará.

Desenho 3:

O menino voltou para a aldeia.

MINHA HISTÓRIA DO OPARÁ

Agora é a vez do estudante.

Título: __________________________________

Primeiro:

Depois:

Em seguida:

Por fim:

Meu desenho

[Espaço amplo para desenho]


MOMENTO 7 — DESAFIO DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

Para fechar o capítulo, eu acrescentaria uma atividade especial:

Conte sem ler

Observe os três desenhos e conte a história para um colega, professor, pai, mãe, avô, avó ou outro familiar.

Tente usar:

Primeiro...

Depois...

Em seguida...

Por fim...

Depois, escreva uma frase que você conseguiu contar sozinho.

🌿 Fechamento do capítulo

Uma pequena mensagem pedagógica ao final:

A história também caminha. Ela começa, passa por diferentes acontecimentos e chega ao fim. Assim como o menino caminhou até o Opará, nossas palavras também caminham quando contamos aquilo que vemos, ouvimos e guardamos na memória.

E uma frase cultural para encerrar:

O Opará guarda caminhos, águas, histórias e memórias. Quem observa a natureza também aprende a contar a história da vida.

Assim, o capítulo deixa de ser apenas um exercício de “colocar frases em ordem” e passa a ensinar, de forma integrada, alfabetização + letramento + oralidade + formação de frases + sequência temporal + vocabulário Kariri-Xocó + relação com o território e a memória.


CAPÍTULO 3 — UMA HISTÓRIA COMEÇA COM UM PERSONAGEM

Tema

Personagem e identidade

Objetivo

Aprender a apresentar quem participa de uma história, reconhecendo seu nome, lugar onde vive, características, ações, desejos e conhecimentos.

Neste capítulo, vamos aprender que toda pessoa tem uma história. O nome pode identificar alguém, mas também pode estar ligado à família, à cultura, à natureza e à memória dos antepassados.

MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

A Criança da Aldeia

Uma criança vivia em sua aldeia.

Ela gostava de caminhar e observar a natureza.

Todos os dias aprendia novas palavras.

Um dia, perguntou sobre seu nome.

Sua família contou uma história.

A criança ouviu atentamente.

Naquele dia, descobriu que um nome também pode carregar memória.

Vamos conversar sobre a história?

Depois de ouvir a leitura, responda oralmente:

Quem é o personagem principal?

Onde a criança vivia?

O que ela gostava de fazer?

O que ela queria saber?

Quem contou a história sobre seu nome?

O que a criança descobriu?

O que o nome pode guardar?

Para pensar

Um personagem não precisa ser apenas alguém inventado.

Pode ser:

uma criança;

um jovem;

uma mulher;

um homem;

um ancião;

um personagem indígena;

um animal;

uma pessoa da família;

alguém que viveu no passado;

alguém que vive no presente.

Quando contamos a história de uma pessoa, podemos apresentar quem ela é e de onde vem.


MOMENTO 2 — ANALISAR

O personagem

Toda história pode apresentar um personagem.

Para conhecer melhor um personagem, podemos fazer perguntas.

Pergunte:

Quem é?

Qual é seu nome?

Onde vive?

De onde vem?

O que gosta de fazer?

Quem faz parte de sua família?

O que deseja saber?

O que deseja fazer?

O que aprende durante a história?

Observe

Na história “A Criança da Aldeia”, podemos conhecer melhor o personagem

Na história “A Criança da Aldeia”, o personagem principal é uma criança que vive em uma aldeia.

Ela gosta de caminhar e observar a natureza. Durante seus dias, demonstra curiosidade e interesse em aprender novas palavras e conhecer melhor aquilo que está ao seu redor.

Certo dia, a criança começa a se perguntar sobre o seu próprio nome. Ela deseja saber de onde vem seu nome e por que ele é importante.

Sua família então conta uma história. A criança escuta atentamente e descobre que seu nome não é apenas uma palavra usada para chamá-la. O nome também pode guardar memórias, histórias, ensinamentos e lembranças da família.

Assim, ao longo da história, a criança aprende algo importante: conhecer o próprio nome também pode ser uma maneira de conhecer sua história e sua identidade.

Vamos observar o personagem

Primeiro, conhecemos quem é o personagem: uma criança.

Depois, descobrimos onde ela vive: em uma aldeia.

Também percebemos o que ela faz: caminha, observa a natureza e aprende novas palavras.

Em seguida, conhecemos o que ela deseja saber: a história de seu nome.

Por fim, descobrimos o que ela aprende: que um nome pode carregar memória.

Dessa maneira, podemos perceber que um personagem não é apenas um nome dentro da história. Ele tem um lugar, ações, desejos, sentimentos, conhecimentos e uma identidade.

É assim que começamos a conhecer alguém dentro de uma narrativa.

Identidade

Quando apresentamos um personagem, estamos também apresentando parte de sua identidade.

O personagem pode ter:

nome + família + lugar + cultura + memória + desejos + conhecimentos.

Assim, uma história começa a ganhar vida.

VOCABULÁRIO KARIRI

Vamos conhecer algumas palavras:

Hietçã — eu; meu.

Dzé — nome; chamar.

Nhenety / Nheneti — tradição; ser lembrado.

Uanieá — indígena.

Natiá — aldeia.

Vamos repetir?

O professor ou a professora lê.

A turma escuta.

Depois, todos repetem juntos.

Hietçã.

Dzé.

Nhenety.

Uanieá.

Natiá.

Ligue a palavra ao significado

Hietçã

Dzé

Nhenety / Nheneti

Uanieá

Natiá

( ) aldeia

( ) eu; meu

( ) indígena

( ) nome; chamar

( ) tradição; ser lembrado


MOMENTO 3 — PRATICAR

Exercício 1 — Quem sou eu?

Complete as frases:

Meu nome é ______________________________.

Eu vivo em ______________________________.

Eu gosto de ______________________________.

Eu aprendo ______________________________.

Minha família é __________________________.

Uma coisa que gosto de lembrar é __________________________.

Exercício 2 — Escolha o personagem

Meu personagem é:

( ) criança

( ) jovem

( ) adulto

( ) ancião

( ) outro: __________________

Seu nome:

Onde vive?

O que gosta de fazer?

Exercício 3 — Monte o personagem

Agora vamos construir um personagem.

Nome: __________________________________

Lugar: __________________________________

Família: _________________________________

Ação: ___________________________________

Desejo: __________________________________

Conhecimento: ____________________________

Uma característica: _______________________

Exercício 4 — Complete a ficha

FICHA DO PERSONAGEM

Nome: __________________________________

Idade: __________________________________

Lugar onde vive: _________________________

O que gosta: _____________________________

O que não conhece: _______________________

O que deseja aprender: ___________________

Quem pode ajudá-lo: ______________________

Exercício 5 — Descubra o personagem

Leia as pistas:

Meu nome é __________________.

Eu vivo em __________________.

Gosto de __________________.

Todos os dias observo __________________.

Quero aprender __________________.

Quem sou eu?


MOMENTO 4 — CRIAR

Desenhe seu personagem

Imagine seu personagem.

Pense em seu rosto, seus cabelos, suas roupas, seu lugar, sua família e aquilo que ele gosta de fazer.

[ESPAÇO PARA DESENHO]

Meu personagem

Agora escreva

Use suas próprias ideias para completar a história.

Meu personagem se chama ______________________________.

Ele vive ______________________________________________.

Ele gosta de __________________________________________.

Sua família ___________________________________________.

Ele deseja aprender ___________________________________.

Um dia, ______________________________________________.


MOMENTO 5 — CRIAR UMA PEQUENA HISTÓRIA

Agora vamos transformar o personagem em uma história.

Complete:

1. COMEÇO

Era uma vez ______________________________________________.

Ele/ela vivia ______________________________________________.

Gostava muito de __________________________________________.

2. O QUE ACONTECEU?

Um dia, _________________________________________________.

Então, _________________________________________________.

O personagem perguntou __________________________________.

3. DESCOBERTA

Depois, descobriu ________________________________________.

Aprendeu que _____________________________________________.

4. FINAL

No final, _________________________________________________.

E nunca mais esqueceu ____________________________________.


MOMENTO 6 — O NOME E A MEMÓRIA

Os nomes podem fazer parte da história de uma família.

Um nome pode lembrar:

uma pessoa;

um lugar;

uma natureza;

uma tradição;

uma história;

um ensinamento;

um antepassado.

Por isso, conhecer o nome de um personagem pode ser também uma maneira de começar a conhecer sua história.

Pense no seu próprio nome

Meu nome é: ___________________________________________

Quem escolheu meu nome?

O que sei sobre meu nome?

Meu nome me lembra:


MOMENTO 7 — FALA, ESCUTA E MEMÓRIA

Converse com uma pessoa mais velha da família ou da comunidade.

Pergunte:

Qual é o seu nome?

Quem escolheu seu nome?

O que seu nome significa?

Existe alguma história sobre seu nome?

Quem ensinou essa história a você?

Depois, conte para a turma o que descobriu.

Minha pesquisa

Nome da pessoa entrevistada: ___________________________

Parentesco ou relação: _________________________________

História que ela contou: _________________________________

MOMENTO 8 — PRODUÇÃO FINAL

Agora você já conhece seu personagem.

Escreva uma pequena história com começo, meio e fim.

O título da minha história

________________________________________________________

Minha história

DESAFIO DO PEQUENO CONTADOR DE HISTÓRIAS

Imagine que você encontrou seu personagem caminhando pela aldeia.

Ele se aproxima e diz:

“Meu nome é __________________. E esta é a minha história...”

Continue a história.

PARA GUARDAR NA MEMÓRIA

Uma história começa com alguém.

Esse alguém pode ter um nome, uma família, um lugar, uma lembrança, um desejo e algo para aprender.

Quando apresentamos um personagem, começamos a conhecer sua história.

O personagem tem identidade.

O nome guarda memória.

A memória alimenta a história.

E a história ajuda a manter viva a tradição.


PALAVRAS QUE APRENDEMOS

Hietçã — eu; meu.

Dzé — nome; chamar.

Nhenety / Nheneti — tradição; ser lembrado.

Uanieá — indígena.

Natiá — aldeia.

Frase para lembrar

Meu nome faz parte da minha história.

Minha história faz parte da memória do meu povo.


CAPÍTULO 4 — A ALDEIA CONTA UMA HISTÓRIA

Tema

Lugar e descrição.

Objetivo

Ensinar a criança a descrever um lugar antes de desenvolver uma narrativa.


MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

Nossa Aldeia

A aldeia é um lugar de vida.

Ali existem casas, caminhos e pessoas.

As crianças brincam.

As famílias conversam.

Os mais velhos contam histórias.

A natureza está presente no cotidiano.

Quando a criança observa sua aldeia, percebe que cada lugar pode guardar uma história.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

Uma descrição pode responder:

Onde?

O que existe?

Quem está presente?

O que acontece?

VOCABULÁRIO

Natiá — aldeia.

Baté — morada; rancho; pouso.

Tsohó — povo; gente.

Opará — Rio São Francisco.


MOMENTO 3 — PRATICAR

Exercício 1 — O que existe na minha aldeia?

Marque ou escreva:

Casa: __________

Árvore: __________

Caminho: __________

Rio: __________

Pessoas: __________

Exercício 2 — Complete

Na minha aldeia existe __________.

Eu vejo __________.

As pessoas __________.

Exercício 3 — Forme o parágrafo

Complete as quatro linhas.

Onde?

Quem?

O que existe?

O que acontece?

Agora junte tudo.


MOMENTO 4 — CRIAR

Desenhe sua aldeia.

Minha aldeia



CAPÍTULO 5 — O TEMPO DA HISTÓRIA

Tema

Antes, durante e depois.

Objetivo

Compreender a sequência temporal.

MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

Um Dia na Aldeia

Antes de sair, a criança preparou suas coisas.

Depois, caminhou pela aldeia.

Durante o caminho, encontrou um amigo.

Os dois conversaram.

Mais tarde, voltaram para casa.

No final do dia, a criança contou à família o que havia acontecido.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

Toda história pode apresentar uma ordem.

Antes

O que aconteceu primeiro?

Durante

O que aconteceu enquanto a ação acontecia?

Depois

O que aconteceu em seguida?

Final

Como terminou?


MOMENTO 3 — PRATICAR

Exercício 1

Coloque na ordem:

( ) voltou para casa.

( ) saiu.

( ) encontrou um amigo.

( ) caminhou.

Exercício 2

Complete:

Antes: __________________.

Depois: __________________.

No final: __________________.

Exercício 3 — História em quatro imagens

Imagem 1 — saída.

Imagem 2 — caminho.

Imagem 3 — encontro.

Imagem 4 — volta.

Escreva uma frase para cada imagem.


MOMENTO 4 — CRIAR

Minha história do dia



CAPÍTULO 6 — QUANDO UMA COISA ACONTECE

Tema

Causa e consequência.

Objetivo

Perceber que acontecimentos podem estar relacionados.


MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

A Água

O dia estava quente.

A criança sentiu sede.

Por isso, procurou água.

Encontrou água e bebeu.

Depois, sentiu-se melhor.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

Observe:

A criança sentiu sede.

Isso explica:

Ela procurou água.

A primeira situação ajuda a explicar a segunda.

Chamamos isso de causa e consequência.


MOMENTO 3 — PRATICAR

Exercício 1 — Ligue causa e consequência

Sentiu sede → procurou água

Choveu → a terra ficou molhada

Anoiteceu → a criança voltou para casa

Exercício 2 — Complete

A criança sentiu sede porque __________.

Ela procurou água porque __________.

Exercício 3 — Crie uma causa

O menino voltou para casa porque:


MOMENTO 4 — CRIAR

Desenhe:

O que aconteceu?

Por que aconteceu?

O que aconteceu depois?

Escreva:



CAPÍTULO 7 — HISTÓRIAS DA NATUREZA

Tema

Animais, plantas, água, céu e território.

Objetivo

Desenvolver descrição e narrativa a partir da natureza.


MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

Os Pássaros

Era manhã.

O céu estava claro.

Os pássaros começaram a aparecer.

Alguns voaram sobre as árvores.

Outros pousaram perto da água.

Uma criança observou tudo em silêncio.

Depois, contou à família aquilo que tinha visto.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

Podemos escrever sobre aquilo que vemos.

Pergunte:

O que é?

Como é?

Onde está?

O que faz?


VOCABULÁRIO

Ieende / Iheendzi — pássaros.

Opará — Rio São Francisco.

Dzu — água.

Cracú — forma vocabular apresentada no projeto para “azul”; revisar e validar conforme a sistematização adotada.


MOMENTO 3 — PRATICAR

Exercício 1

Complete:

O pássaro está __________.

O pássaro voa __________.

O pássaro pousa __________.

Exercício 2 — Descrição

Meu animal é:

Ele é:

Ele vive:

Ele faz:

Exercício 3

Junte suas respostas em um parágrafo.


MOMENTO 4 — CRIAR

Desenhe um animal do território.

Depois escreva uma pequena história sobre ele.


CAPÍTULO 8 — O TORÉ COMO PALAVRA, MOVIMENTO E MEMÓRIA

Tema

Cultura, comunidade e relato.

Objetivo

Desenvolver a capacidade de narrar uma experiência cultural autorizada para registro pedagógico.


MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

Um Momento de Toré

A comunidade se reuniu.

As pessoas estavam juntas.

O espaço foi preparado.

Os participantes começaram a realizar o Toré.

As crianças observaram.

Os mais velhos acompanhavam.

Depois, todos guardaram na memória aquele momento de união.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

Um relato cultural pode responder:

Quem participou?

Onde aconteceu?

O que aconteceu primeiro?

O que aconteceu depois?

Como terminou?


VOCABULÁRIO

Tsohó — povo; gente; comunicação, conforme o uso apresentado.

Natiá — aldeia.

Nhenety / Nheneti — tradição; ser lembrado.

Uanieá — indígena.


MOMENTO 3 — PRATICAR

Exercício 1

Organize:

( ) As crianças observaram.

( ) A comunidade se reuniu.

( ) O momento terminou.

( ) O Toré começou.

Exercício 2

Complete:

A comunidade estava __________.

As crianças __________.

Os mais velhos __________.

Exercício 3 — Pequeno parágrafo

Escreva quatro frases sobre uma atividade cultural que possa ser registrada pedagogicamente.


MOMENTO 4 — CRIAR

Desenho

Desenhe um momento cultural autorizado para representação no livro.

Meu relato



CAPÍTULO 9 — A PALAVRA DOS MAIS VELHOS

Tema

Memória e oralidade.

Objetivo

Ensinar a criança a ouvir um relato e transformá-lo em registro escrito.


MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

Uma História Antiga

Uma criança sentou perto de uma pessoa mais velha.

Ela pediu que contasse uma história.

A pessoa começou a falar.

Contou como era a vida antigamente.

A criança ouviu com atenção.

Depois, contou à professora aquilo que tinha aprendido.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

Quando ouvimos uma história, precisamos lembrar:

Quem contou?

Sobre o que falou?

O que aconteceu?

O que aprendi?


MOMENTO 3 — PRATICAR

Entrevista com alguém da família

Nome da pessoa:

Que história ela contou?

Onde aconteceu?

O que aprendi?

Exercício de reconstrução

Conte oralmente a história para um colega.

Depois escreva três frases.


MOMENTO 4 — CRIAR

Minha memória

“Eu ouvi uma história sobre...”



CAPÍTULO 10 — MINHA PRIMEIRA HISTÓRIA EM KARIRI

Tema

Produção integrada.

Objetivo

Produzir uma pequena narrativa utilizando personagens, lugar, ação e final.


MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

O Caminho

Uma criança saiu de sua morada.

Ela caminhou por um caminho conhecido.

Encontrou a natureza.

Observou os pássaros.

Chegou perto da água.

Depois voltou para casa.

Ao chegar, contou sua experiência.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

A história tem:

Personagem

Uma criança.

Lugar

Caminho, natureza e água.

Ações

Sair, caminhar, observar, voltar e contar.

Final

Retorno para casa.


MOMENTO 3 — PRATICAR

Complete a ficha:

Meu personagem: __________

Meu lugar: __________

Primeiro: __________

Depois: __________

Por fim: __________

Organize seu parágrafo

Apresente o personagem.

Apresente o lugar.

Conte o que aconteceu.

Conte o final.


MOMENTO 4 — CRIAR

MINHA PRIMEIRA HISTÓRIA

Título:



CAPÍTULO 11 — EU SOU AUTOR

Tema

Autoria independente.

Objetivo

Permitir que a criança produza uma narrativa com menor quantidade de apoio.


MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

A História que Eu Criei

Eu escolhi um personagem.

Escolhi também um lugar.

Depois pensei em alguma coisa que poderia acontecer.

Imaginei o começo.

Imaginei o meio.

Imaginei o final.

Então escrevi minha história.

Quando terminei, percebi que as palavras que eu conhecia podiam criar um mundo inteiro.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

Um autor precisa tomar decisões.

Quem?

Onde?

O que acontece?

Como termina?


MOMENTO 3 — PRATICAR

Banco de criação

Escolha:

PERSONAGEM

( ) criança

( ) família

( ) ancião

( ) animal

( ) outro

LUGAR

( ) aldeia

( ) mata

( ) Opará

( ) caminho

( ) morada

ACONTECIMENTO

( ) encontro

( ) caminhada

( ) descoberta

( ) brincadeira

( ) outro


MOMENTO 4 — CRIAR

EU SOU AUTOR

Título da minha história

Minha história

Desenho da história

[GRANDE ESPAÇO PARA ILUSTRAÇÃO]




CAPÍTULO 12 — NOSSO LIVRO DE HISTÓRIAS

Tema

Produção coletiva e encerramento.

Objetivo

Reunir os conhecimentos aprendidos e construir uma produção coletiva.


MOMENTO 1 — OUVIR E CONTAR

Texto-base

Muitas Palavras, Muitas Histórias

Cada criança aprendeu palavras.

Depois aprendeu frases.

As frases começaram a se juntar.

As crianças escreveram pequenas histórias.

Cada história era diferente.

Uma falava do rio.

Outra falava da aldeia.

Outra falava da natureza.

Outra lembrava uma história ouvida dos mais velhos.

Quando todas as histórias foram reunidas, nasceu um livro.

Era o livro da turma.


MOMENTO 2 — OBSERVAR

Um livro pode reunir muitas vozes.

Cada criança pode contribuir com:

uma palavra;

uma frase;

um desenho;

uma memória;

uma história.


MOMENTO 3 — PRATICAR

Escolha sua melhor produção

Qual história você mais gostou de escrever?

Por quê?

Revise sua história

Meu texto tem:

[ ] personagem

[ ] lugar

[ ] acontecimento

[ ] começo

[ ] meio

[ ] final

[ ] título

[ ] desenho


MOMENTO 4 — CRIAR E REGISTRAR

NOSSO LIVRO DE HISTÓRIAS

Minha contribuição

Nome do autor:

Título:

Minha história:



ATIVIDADE FINAL

O LIVRO DA TURMA

O professor reunirá as produções.

Cada criança escolherá uma história.

A turma poderá organizar:

Capa


NOSSO LIVRO DE HISTÓRIAS

Página 1

Apresentação da turma.

Páginas seguintes

Uma história de cada criança.

Última página

Mensagem coletiva.


MENSAGEM COLETIVA

Nós aprendemos que:

uma palavra pode formar uma frase;

uma frase pode formar uma ideia;

várias frases podem formar um texto;

e um texto pode contar uma história.

Também aprendemos que nossa língua pode ser escrita.

Nossa memória pode ser registrada.

Nossa imaginação pode virar história.

E nós podemos ser autores.


PROJETO FINAL

MINHA PRIMEIRA AUTORIA

Depois dos doze capítulos, cada estudante produzirá uma história completa.

ETAPA 1 — ESCOLHER

Escolha o personagem.

ETAPA 2 — IMAGINAR

Escolha o lugar.

ETAPA 3 — PLANEJAR

Pense no que acontecerá.

ETAPA 4 — ORGANIZAR

Faça começo, meio e fim.

ETAPA 5 — ESCREVER

Produza o texto.

ETAPA 6 — DESENHAR

Faça uma ilustração.

ETAPA 7 — REVISAR

Leia novamente.

ETAPA 8 — COMPARTILHAR

Leia ou conte a história para a turma.

FICHA DO PEQUENO AUTOR

Meu nome:

Título da história:

Personagem:

Lugar:

Começo:

Meio:

Final:

Minha ilustração:

[ESPAÇO]

BANCO GERAL DE PALAVRAS

IDENTIDADE

Hietçã — eu; meu.

Dzé — nome; chamar.

Nhenety / Nheneti — tradição; ser lembrado.

Uanieá — indígena.

Tsohó — povo; gente; comunicação, conforme o contexto.

TERRITÓRIO

Natiá — aldeia.

Baté — morada; rancho; pouso.

Opará — Rio São Francisco.

Dzurió — lagoa.

NATUREZA

Dzu — água.

Ieende / Iheendzi — pássaros.

Xocó — pássaro da lagoa/socó, conforme a explicação apresentada.

Crodí — força.

Kariri — força/vigor, conforme o contexto tradicional apresentado.


BANCO DE IDEIAS

PERSONAGENS

Criança.

Ancião.

Mãe.

Pai.

Avó.

Avô.

Amigo.

Pescador.

Caçador.

Animal.

Personagem imaginário.

LUGARES

Aldeia.

Morada.

Caminho.

Mata.

Rio.

Lagoa.

Margem do Opará.

Lugar de encontro.

AÇÕES

Caminhar.

Observar.

Escutar.

Contar.

Encontrar.

Voltar.

Brincar.

Aprender.

Perguntar.

Descobrir.

BANCO DE CONECTORES

Nesta seção, o professor poderá apresentar as formas equivalentes em Língua Kariri, depois de devidamente validadas.

Relação de adição

e

Relação temporal

depois

Relação de continuidade

então

Relação de causa

porque

Relação de oposição

mas

Relação de consequência

por isso

Relação temporal

quando

As formas Kariri correspondentes deverão ser inseridas conforme a sistematização linguística adotada pela comunidade e pelo projeto.


FICHA DE REVISÃO DO TEXTO

Antes de entregar minha história, vou verificar:

1. Minha história tem título?

[ ] Sim

[ ] Ainda não

2. Apresentei o personagem?

[ ] Sim

[ ] Ainda não

3. Apresentei o lugar?

[ ] Sim

[ ] Ainda não

4. Contei o que aconteceu?

[ ] Sim

[ ] Ainda não

5. Minha história tem começo?

[ ] Sim

6. Tem meio?

[ ] Sim

7. Tem final?

[ ] Sim

8. Fiz minha ilustração?

[ ] Sim

9. Li minha história novamente?

[ ] Sim


CERTIFICADO SIMBÓLICO

PEQUENO AUTOR KARIRI

Este certificado é entregue a:

________________________________________

por ter participado da caminhada:

“Produção de Textos na Língua Kariri: Tecendo Palavras, Criando Histórias”

Aprendendo a:

OUVIR

FALAR

LER

ESCREVER

CRIAR

CONTAR

E transformar palavras em histórias.

Nhenety Kariri-Xocó


MENSAGEM FINAL AO ESTUDANTE

Você começou com uma palavra.

Depois aprendeu a formar frases.

Agora sabe que pode escrever uma história.

Não tenha medo de criar.

Observe o mundo.

Escute os mais velhos.

Pergunte.

Imagine.

Lembre.

Escreva.

Desenhe.

Conte.

Porque cada história que você escreve é também uma maneira de deixar uma marca daquilo que aprendeu.


SUA PALAVRA TEM VALOR.

SUA HISTÓRIA TEM VALOR.

SUA LÍNGUA TEM VALOR.

VOCÊ TAMBÉM É AUTOR.

Nhenety Kariri-Xocó



ENCERRAMENTO DO MIolo PEDAGÓGICO

DA PALAVRA À HISTÓRIA

Palavra

↓

Frase

↓

Sequência

↓

Parágrafo

↓

Texto

↓

HISTÓRIA

E a história continua...



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegar ao final deste livro significa completar uma etapa.

A criança percorreu um caminho que começou na palavra e chegou à história.

Aprendeu a observar.

Aprendeu a ouvir.

Aprendeu a organizar.

Aprendeu a conectar.

Aprendeu a escrever.

Mas, principalmente, aprendeu que também pode ser autora.

A alfabetização ganha um significado maior quando permite que a criança escreva sobre aquilo que conhece.

A aldeia.

A família.

A natureza.

O rio.

Os animais.

As brincadeiras.

As memórias.

As histórias.

A cultura.

A língua.

A produção textual passa, assim, a fazer parte da vida.

Que este livro seja uma ferramenta para professores, estudantes e famílias.

Que possa ajudar a fortalecer a aprendizagem da escrita.

Que possa estimular a leitura.

Que possa valorizar a oralidade.

E que possa contribuir para que novas gerações continuem produzindo histórias.

Porque uma língua vive quando é falada.

Uma língua se fortalece quando é ensinada.

E uma língua também pode ganhar novos caminhos quando suas crianças aprendem a escrever nela.

A palavra continua.

A história continua.

A memória continua.




GLOSSÁRIO

A

Aiby — de; do; da; preposição, conforme o uso apresentado no material.

B

Baté — morada; rancho; pouso.

C

Crodí — força.

D

Dzé — nome; chamar.

Dzu — água.

Dzurió — lagoa.

H

Hietçã — eu; meu.

I

Ieende / Iheendzi — pássaros.

N

Natiá — aldeia.

Nhenety / Nheneti — tradição; ser lembrado.

O

Opará — Rio São Francisco.

P

Peretó — ser nomeado; apresentar.

T

Tsohó — povo; gente; comunicação; senhor, conforme o contexto apresentado.

U

Uanieá — indígena.

W

Wide / Uide — que; conjunção.

X

Xocó — denominação relacionada a pássaro da lagoa/socó, conforme a explicação linguística utilizada no projeto.

Observação linguística

O glossário deverá ser revisado antes da edição definitiva, considerando ortografia, variantes, significado, classe gramatical, contexto de uso e documentação disponível.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MAMIANI, Lodovico. Arte de grammatica da lingua brasilica da nação kiriri. 2. ed. Rio de Janeiro: Typographia Central de Brown & Evaristo, 1877.

NANTES, Bernardo de. Katecismo indico da lingua kariris. Lisboa: Officina de Valentim da Costa Deslandes, 1709.

NHENETY KARIRI-XOCÓ. Gramática Básica da Língua Kariri. Blog Nhenety Kariri-Xocó, 13 set. 2020. Disponível em:


http://kxnhenety.blogspot.com/2020/09/gramatica-basica-kariri.html. Acesso em: 3 out. 2026.

RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. O artigo definido e os numerais na língua Kiriri: Vocabulários Português-Kiriri e Kiriri-Português. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, Brasília, v. 4, n. 2, dez. 2012.

SUZART, Elizabete Costa. Dicionário Cultural para uma Prática Escrita Kariri-Xocó. Revista da Associação Internacional de Pesquisa em Crítica Cultural (ASIPC), v. 1, n. 1, 2018.

MANSANI, Mara. Gêneros textuais para usar na alfabetização. Nova Escola, 12 maio 2022.

MORAES, Fabiano. Alfabetizar Letrando com a Tradição Oral. São Paulo: Editora Contexto, 2022.

SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento. 7. ed. São Paulo: Contexto, 2021.



SOBRE O AUTOR

NHENETY KARIRI-XOCÓ

Nhenety Kariri-Xocó é autor, contador de histórias, pesquisador da própria memória cultural e produtor de obras voltadas à valorização dos saberes, da história, da língua e da cultura Kariri-Xocó.

Sua produção reúne contos, fábulas, cordéis, artigos, registros históricos, materiais educativos e trabalhos de memória cultural.

Ao longo de sua trajetória, desenvolveu projetos relacionados à oralidade, à literatura indígena, à documentação cultural e ao uso de tecnologias contemporâneas como ferramentas de criação e preservação da memória.

Sua obra procura aproximar diferentes gerações, transformando experiências, histórias e conhecimentos em registros escritos e visuais.

Entre seus projetos está a organização de um acervo bibliográfico digital dedicado à produção cultural e intelectual Kariri-Xocó.

Como contador de histórias, compreende a palavra como instrumento de transmissão.

Como autor, utiliza a escrita para registrar.

Como educador cultural, procura contribuir para que as novas gerações reconheçam a importância de sua língua, sua história, seu território e seus antepassados.

Este livro representa mais uma etapa dessa caminhada:

levar a criança da palavra à frase, da frase ao texto e do texto à história.

Porque, quando uma criança aprende a contar sua própria história, a memória encontra um novo caminho para continuar viva.

Nhenety Kariri-Xocó




ENCERRAMENTO

PRODUÇÃO DE TEXTOS NA LÍNGUA KARIRI

TECENDO PALAVRAS, CRIANDO HISTÓRIAS

A palavra é o fio.

A memória é o tecido.

A criança é a autora.

E a história continua.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó