domingo, 7 de junho de 2026

PORTO REAL DO COLÉGIO: HISTÓRIA, CULTURA, RELIGIOSIDADE E MEMÓRIA POPULAR

 







FALSA FOLHA DE ROSTO


PORTO REAL DO COLÉGIO: HISTÓRIA, CULTURA, RELIGIOSIDADE E MEMÓRIA POPULAR

Nhenety Kariri-Xocó






FOLHA DE ROSTO


PORTO REAL DO COLÉGIO: HISTÓRIA, CULTURA, RELIGIOSIDADE E MEMÓRIA POPULAR

Nhenety Kariri-Xocó

1ª Edição

Porto Real do Colégio – AL 2026






VERSO DA FOLHA DE ROSTO


Copyright © 2026 por Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida sem autorização do autor, exceto para fins acadêmicos e de pesquisa, mediante citação da fonte.

Porto Real do Colégio – Alagoas Brasil

Edição independente.






FICHA CATALOGRÁFICA (MODELO)


Kariri-Xocó, Nhenety.

Porto Real do Colégio: história, cultura, religiosidade e memória popular / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

xxx p. : il.

Inclui referências bibliográficas.

ISBN: 978-65-0000-000-0

História de Porto Real do Colégio. 2. Cultura Popular. 3. Kariri-Xocó. 4. Memória Social. 5. Patrimônio Cultural. I. Título.




ISBN (SIMBÓLICO)


ISBN: 978-65-0000-000-0

(Registro simbólico para fins de apresentação editorial.)




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 





DEDICATÓRIA



Dedico esta obra ao povo Kariri-Xocó, aos moradores de Porto Real do Colégio, aos antigos mestres da tradição oral, aos pescadores, agricultores, artesãos, religiosos e trabalhadores que ajudaram a construir a memória coletiva de nossa terra.

Dedico também aos meus familiares e a todos aqueles que preservam a história e a cultura do Baixo São Francisco para as futuras gerações.





AGRADECIMENTOS

Agradeço aos anciãos Kariri-Xocó, aos moradores de Porto Real do Colégio, aos pesquisadores, professores, lideranças indígenas e amigos que compartilharam conhecimentos, histórias e documentos que contribuíram para a realização desta obra.

Agradeço igualmente aos leitores do Blog Kxnhenety, cuja participação ao longo dos anos incentivou a continuidade das pesquisas sobre a história regional.






EPÍGRAFE

“Um povo sem memória é como um rio sem nascente.”

(Provérbio adaptado pelo autor)






PREFÁCIO DO VOLUME

Este livro reúne memórias, acontecimentos históricos, manifestações culturais, tradições religiosas e experiências vividas pelos habitantes de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó.

A obra procura registrar aspectos da vida cotidiana que muitas vezes permanecem apenas na tradição oral, preservando para as futuras gerações elementos fundamentais da identidade regional.






RESUMO

Esta obra apresenta um panorama histórico e cultural do município de Porto Real do Colégio, Alagoas, e da Aldeia Kariri-Xocó. O estudo reúne informações referentes à formação social, manifestações religiosas, festas populares, folclore, cultura ribeirinha, atividades econômicas, instituições públicas, esportes, brincadeiras tradicionais e lugares de memória. A pesquisa fundamenta-se em bibliografia especializada, documentos históricos e relatos da tradição oral, contribuindo para a preservação do patrimônio cultural material e imaterial do Baixo São Francisco.

Palavras-chave: Porto Real do Colégio; Kariri-Xocó; Cultura Popular; História Regional; Memória Social.





ABSTRACT

This work presents a historical and cultural overview of the municipality of Porto Real do Colégio, Alagoas, Brazil, and the Kariri-Xocó Indigenous Village. The study gathers information regarding social formation, religious manifestations, popular festivals, folklore, riverside culture, economic activities, public institutions, sports, traditional games, and places of memory. The research is based on specialized bibliography, historical documents, and oral tradition narratives, contributing to the preservation of the material and immaterial cultural heritage of the Lower São Francisco River region.

Keywords: Porto Real do Colégio; Kariri-Xocó; Popular Culture; Regional History; Social Memory.






APRESENTAÇÃO

O presente livro resulta de anos de pesquisa, observação e registro das tradições culturais de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó. Seu objetivo é preservar a memória coletiva da população, valorizando personagens, acontecimentos, costumes, festas, religiosidade e formas de vida que marcaram a história regional.






NOTA DO AUTOR

As informações aqui reunidas foram obtidas por meio de pesquisa bibliográfica, entrevistas, observação participante e registros da tradição oral. Alguns fatos apresentados pertencem ao campo da memória popular e do imaginário coletivo, sendo preservados como parte do patrimônio cultural da comunidade.






MEMÓRIA DO AUTOR

Sou Nhenety Kariri-Xocó, indígena do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas. Desde cedo desenvolvi interesse pela história de meu povo, pelas narrativas dos mais velhos e pela memória das comunidades do Baixo São Francisco.

Esta obra representa uma contribuição à preservação da identidade cultural regional e ao fortalecimento da memória histórica das futuras gerações.






SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Apresentação
Introdução
Capítulo I – História Colonial, Imperial e Administrativa 
Capítulo II – Religiosidade Católica e Festas Cristãs 
Capítulo III – Religiosidade Afro-Brasileira 
Capítulo IV – Festas Populares e Folguedos 
Capítulo V – Cultura Popular, Artes e Entretenimento Circo 
Capítulo VI – Folclore, Lendas e Imaginário Popular 
Capítulo VII – O Rio São Francisco e a Cultura Ribeirinha 
Capítulo VIII – Pesca e Modos de Vida Ribeirinha 
Capítulo IX – Agricultura, Trabalho e Economia Rural 
Capítulo X – O Progresso Agropecuário e a Formação Rural 
Capítulo XI – Transportes, Comunicação e Modernização 
Capítulo XII – Comércio e Vida Urbana 
Capítulo XIII – Educação e Instituições Públicas 
Capítulo XIV – Esporte e Lazer 
Capítulo XV – Integração dos Kariri-Xocó na Sociedade Local 
Capítulo XVI – Brincadeiras e Jogos Tradicionais 
Capítulo XVII – Lugares de Memória e Patrimônio Colegiense 
Capítulo XVIII – Tradições e Memórias Populares de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó
Considerações Finais
Referências Bibliográficas






INTRODUÇÃO

Porto Real do Colégio constitui um dos mais importantes núcleos históricos do Baixo São Francisco. Sua formação resultou da interação entre povos indígenas, colonizadores portugueses e populações afrodescendentes, produzindo uma rica diversidade cultural.

Entre os grupos indígenas da região, os Kariri-Xocó destacam-se por sua resistência histórica e pela preservação de importantes tradições culturais. Ao longo dos séculos, a convivência entre diferentes grupos sociais contribuiu para a construção de uma identidade regional singular.

Neste contexto, o presente livro procura registrar elementos da história, cultura, religiosidade e memória popular que ajudaram a moldar a vida social de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó.





CAPÍTULO I - HISTÓRIA COLONIAL, IMPERIAL E ADMINISTRATIVA

A história de Porto Real do Colégio, localizada às margens do rio São Francisco, é marcada pela presença indígena, pela atuação missionária dos jesuítas e pela formação das instituições civis, religiosas e administrativas que contribuíram para a construção do município ao longo dos séculos. Desde os aldeamentos indígenas e as propriedades coloniais do século XVII até a consolidação dos órgãos públicos municipais nos séculos XIX e XX, a localidade desenvolveu uma identidade própria, resultante do encontro de diferentes tradições culturais e processos históricos.

Fazenda Urubumirim – Propriedade do colonizador Antônio Souto de Macedo, doada à devoção de Nossa Senhora da Conceição em 1675. Em suas terras desenvolveu-se o núcleo que deu origem ao Colégio dos Jesuítas no Baixo São Francisco.

Residência de Urubumirim – Centro da administração inaciana no Baixo São Francisco durante o século XVII. A residência coordenava as aldeias de Colégio e São Brás, promovendo atividades ligadas à produção de artefatos de couro, enfermagem, artes e ofícios.

Igreja Matriz – A Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Porto Real do Colégio, foi edificada em 1661 durante o período da missão jesuítica. Ao longo dos séculos, passou por diversas reformas e ampliações.

Visita de D. Pedro II – Segundo a tradição oral de Porto Real do Colégio, o imperador D. Pedro II visitou a localidade em 16 de outubro de 1859, sendo recebido pelo chefe tribal Manoel Baltazar.

Colônia São Francisco – Criada em 1878 no município de Porto Real do Colégio, teve como objetivo reunir e assistir os flagelados da seca. Sua administração foi confiada ao agrimensor Manoel de Souza Braga.

Intendência – Instituição administrativa criada em 1876, onde o intendente exercia as funções do poder executivo local. O primeiro intendente foi Francisco Xavier. A sede da Intendência funcionou até 1926, quando teve início a transição para a administração municipal moderna.

Prefeitura – Sede do Poder Executivo Municipal. Em Porto Real do Colégio, sua organização consolidou-se a partir de 1931, durante a administração de Joaquim Ferreira Barbosa, permanecendo como estrutura administrativa até os dias atuais.

Câmara Municipal – Instituição do Poder Legislativo local, criada em 1876. É o órgão responsável pela representação política da população do município por meio dos vereadores eleitos.

Delegacia de Polícia – Unidade de segurança pública existente desde o período da Intendência. Responsável pelas atividades policiais e investigações criminais, teve seu edifício reformado em 1921.

Paróquia de Nossa Senhora da Conceição – Instituição religiosa responsável pelos registros sacramentais e pela assistência espiritual da comunidade. Foi criada em 1827 e está localizada na Rua da Matriz, Centro de Porto Real do Colégio.

Centenário da Independência – Em 1922, Porto Real do Colégio participou das comemorações do Centenário da Independência do Brasil. As festividades incluíram desfiles cívicos com a participação da filha do ex-intendente Ignácio Albino de Figueiredo e de representantes indígenas do município.

Os marcos apresentados destacam alguns dos principais acontecimentos, edifícios, instituições e personagens que participaram da formação histórica de Porto Real do Colégio, evidenciando sua importância no contexto do Baixo São Francisco e do estado de Alagoas. O registro deste fatos contribuirá para os estudos para uma preservação da memória ancestral, cultural, histórica e espiritualidade.





CAPÍTULO II - RELIGIOSIDADE CATÓLICA E FESTAS CRISTÃS

A religiosidade católica exerce papel fundamental na formação histórica, social e cultural do município de Porto Real do Colégio, Alagoas. Desde o período colonial, as tradições cristãs foram incorporadas ao cotidiano da população por meio das celebrações litúrgicas, procissões, novenas, missões religiosas, festas de santos padroeiros e diversos ritos que marcam os ciclos da vida, da morte e das principais datas do calendário cristão.

Ao longo dos séculos, essas manifestações religiosas tornaram-se importantes elementos de identidade coletiva, reunindo famílias, fortalecendo laços comunitários e preservando costumes transmitidos de geração em geração. As festividades não se limitam aos aspectos espirituais, mas também promovem encontros sociais, atividades culturais, música, gastronomia e expressões populares que enriquecem a vida da comunidade.

Novenas de Nossa Senhora da Conceição, 29 de novembro até 8 de dezembro á procissão, com Parque de Diversões Jorginho,  barracas de jogos e entretenimento.

Procissão de São Roque, a festa do Padroeiro de Porto Real do Colégio desde 1911, os festejos com missas nos dias 14, 15 e 16 de agosto procissão pelas ruas da cidade.

Bom Jesus dos Navegantes, a procissão de barcos, lanchas e navio Encomendador Peixoto, no Rio São Francisco, com a imagem de Bom Jesus de Porto Real do Colégio, no último domingo de fevereiro.

Domingo de Ramos, a festa móvel cristã, no domingo anterior à Páscoa, representando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, os colegienses participam da procissão com ramos no domingo que antecede a Sexta-Feira Santa.

Procissão Senhor dos Passos, o ritual católico da terceira semana da Quaresma, na procissão reproduz os momentos finais da vida de Jesus Cristo, encontro entre mãe e filho a caminho do Calvário.

Procissão das Almas, a procissão ocorre na madrugada da Sexta-feira da Paixão ao Sábado de Aleluia, os fiéis com velas acessas, vestem túnicas brancas, representam as almas.

Corpus Christi, a comemoração litúrgica da Igreja Católica, que acontece na quinta-feira, no domingo seguinte ao de Pentecostes, os fiéis enfeitam as ruas da cidade para a procissão.

Sexta-feira da Paixão, a data religiosa cristã que relembra a crucificação de Jesus, no município é dia santo, na tradição é dia de pedir as bençãos, dos pais, avós, padrinhos, também á troca de presentes.

Período de Natal, a festa religiosa cristã, enfeitam a casa com árvore natalina, ceia, bebidas, presentes, dando Feliz Natal, as 00:00 horas do dia 25 de dezembro, comemorando o nascimento de Cristo.

Réveillon, a virada de ano, festa de passagem do Ano-velho para o Ano-novo, no dia 31 de dezembro, com missa às 00:00 horas , pessoas se cumprimentam dando Feliz Ano Novo.

Missão de Frei Damião, as santas missões realizadas por Frei Damião e Frei Fernando, com seus sermões, caminhadas  e romarias, também muito frequente em Porto Real do Colégio na década de 1970.

Coral da Igreja, o Coral da Igreja Nossa Senhora da Conceição, com 8 membros, animas as festas religiosas católica, no município de Porto Real do Colégio.

Batizados, após o rito cristão católicos, os padrinhos fazem uma festa na casa do afilhado (a), junto aos compadres, oferecem bebidas, comidas aos convidados.

Festa de Casamento, após a cerimônia de matrimônio religioso ou civil, os noivos fazem festa para os convidados, com música para todos dançar, comida e bebidas a vontade.

Fogueira do Morto, o fogo acesso a noite, na porta do falecido (a), a família do morto providencia café, pão para os visitantes, contam histórias sobre o finado relembrando sua trajetória até o dia amanhecer.

Sentinela do Morto, o rito de cantos fúnebre para a pessoa que morreu, geralmente com benditos, Ato de Contrição, Salve Rainha, as rezas vai até certas horas da noite.

Nesse contexto, destaca-se a participação ativa do povo Kariri-Xocó, que ao longo de sua trajetória histórica manteve relações de convivência e intercâmbio cultural com a sociedade local, integrando-se a diversas celebrações religiosas do município. Essa participação demonstra a riqueza do patrimônio cultural colegiense, marcado pela coexistência de diferentes tradições e formas de expressão da fé.

As festas religiosas, procissões, romarias, celebrações natalinas, ritos fúnebres e demais práticas apresentadas neste capítulo revelam a importância da religiosidade cristã na construção da memória coletiva de Porto Real do Colégio, constituindo um valioso legado histórico e cultural preservado pelas gerações passadas e presentes.






CAPÍTULO III – RELIGIOSIDADE AFRO-BRASILEIRA

Os afrodescendentes estão presentes no município desde os primeiros tempos da colonização do Baixo São Francisco, entre os séculos XVI e XVII. Em Porto Real do Colégio, a religiosidade de matriz africana permaneceu ativa ao longo das décadas de 1960 e 1970, destacando-se o Candomblé de Zuleica, figura muito querida e respeitada pela população local. Outras manifestações religiosas bastante frequentes nesse período incluíam oferendas dedicadas aos orixás, realizadas por parte da comunidade.

Candomblé de Zuleica – Liderança religiosa afro-brasileira ligada aos cultos de origem africana. Suas atividades eram realizadas na antiga Rua Santa Cruz. Entre as celebrações destacavam-se as festividades dedicadas a São Cosme e São Damião, realizadas anualmente em 27 de setembro.

Despacho de Macumba – Oferenda tradicionalmente associada a Exu, composta por elementos como cachaça, cigarro, galo preto, velas, pano preto, farofa e outros itens relacionados aos pedidos ou agradecimentos dirigidos à entidade. As oferendas eram geralmente depositadas por pessoas da cidade nas encruzilhadas.

Oferenda para Iemanjá – Homenagem dedicada à orixá das águas, realizada por meio de pequenos barcos lançados nas águas do Rio São Francisco. Nessas oferendas eram colocados presentes como rosas brancas, arroz-doce, perfumes, bijuterias e espelhos, especialmente durante as celebrações da passagem do Ano-Novo.

As manifestações religiosas afro-brasileiras constituíram importante elemento da diversidade cultural e espiritual de Porto Real do Colégio. Por meio de seus rituais, celebrações e práticas devocionais, contribuíram para a preservação de tradições ancestrais transmitidas entre gerações, fortalecendo a identidade cultural da comunidade e enriquecendo o patrimônio histórico do município.






CAPÍTULO IV - FESTAS POPULARES E FOLGUEDOS

As festas populares e os folguedos sempre desempenharam papel fundamental na formação da identidade cultural de Porto Real do Colégio. Por meio das danças, músicas, brincadeiras, celebrações religiosas e manifestações comunitárias, gerações de colegienses construíram laços de convivência, preservaram tradições e transmitiram conhecimentos que fazem parte da memória coletiva do município. Este capítulo apresenta algumas das principais festas e folguedos que marcaram diferentes épocas da história local, revelando a riqueza cultural de um povo que soube celebrar a vida, a fé, a amizade e suas raízes históricas.

Bumba Meu Boi, a festa popular de Porto Real do Colégio, personagens Boi ( índio Soyré ) e o Mateus ( Birra ), acontecia no mês de Janeiro, entre 1968 a 1974.

Guerreiro, um folguedo natalino, de Porto Real do Colégio, Alagoas, a fusão de reisados e chegança, do mestre Joaquim Migué, com Indígenas Kariri-Xocó entre 1958 a 1970.

Pastoril, com canções e danças religiosas no período natalino, apresentado no coreto próximo a Igreja Matriz de Porto Real do Colégio, deixou de ser praticado em 1973.

Carnaval, as Machinhas de Carnaval na Praça Pelé, com grande número de foliões, animadas pelo saxofonista Niraldo, clarinete Tonho e Companhia, foi até o período de 1986.

Serra-Velho, a brincadeira de  provocação para mexer com os mais velhos da cidade, feita por pessoas irreverentes, na quarta-feira da Quaresma, desde o século XVIII, terminou em 1976, aqui em Colégio.

Forró Real, o evento que acontece no período junino de 23 a 29 de junho, criado em 1992, com artistas do forró pé de serra e forró eletrônico, o Forró Real é bastante famoso em Alagoas.

Bailes dos Anos 70, acontecia no Salão Paroquial na Rua Santa Cruz,  promovidas pela turma da 8ª série do Ginásio São Francisco, com bandas de rock, cantores, com música da jovem guarda, forró-pé-de-serra, funcionou até 1988.

Discoteca Beira Rio, o salão de dança música disco, criada em 1977, era ponto de encontro dos colegienses, bastante frequentada aos finais de semana, funcionou até 1993.

Farra dos Seresteiros, o gênero musical, presente nas farras dos colegiense, nos fins de semana, sendo de dia ou a noite, Lu de Queiroz e amigos, entrou em declínio em 1989.

Pau de Sebo, a brincadeira de subir no mastro untado de sebo, para ganhar o prêmio, acontecia na Rua Dr. Clementino Dumont, em Porto Real do Colégio, no mês de janeiro até 1980.

As festas populares e os folguedos de Porto Real do Colégio representam muito mais do que momentos de diversão e entretenimento; constituem importantes expressões da história, da cultura e da identidade de seu povo. Embora algumas dessas manifestações tenham desaparecido com o passar do tempo, permanecem vivas na lembrança daqueles que as vivenciaram e nas narrativas transmitidas entre as gerações. Registrar essas tradições é contribuir para a preservação do patrimônio cultural colegiense, valorizando homens e mulheres que mantiveram acesa a chama das celebrações populares e ajudaram a construir a memória histórica do município.






CAPÍTULO V – CULTURA POPULAR, ARTES E ENTRETENIMENTO


A história cultural de Porto Real do Colégio é marcada por diversas manifestações artísticas, recreativas e informativas que contribuíram para a formação da identidade coletiva de seu povo. Ao longo das décadas, o município vivenciou momentos de lazer, educação e integração social por meio do cinema, da música, dos serviços de comunicação comunitária, dos parques de diversão e de outros espaços de entretenimento que se tornaram referências afetivas para várias gerações. Essas iniciativas fortaleceram os laços comunitários e enriqueceram a vida cultural da população colegiense.

Sessão de Cinema – A exibição de filmes no Salão Paroquial, realizada principalmente nos finais de semana, proporcionou momentos de lazer e convivência social para a população. Os filmes eram trazidos pelas empresas Cine Fernandes e Cine Veneza, da cidade de Propriá (SE), que atendiam Porto Real do Colégio entre os anos de 1971 e 1976.

Serviço de Alto-Falante – Importante canal de informação pública, cultura, educação e religiosidade, o serviço de alto-falante possibilitou a divulgação de notícias, avisos, campanhas comunitárias e eventos locais. Criado em 1952, marcou profundamente a memória dos colegienses, permanecendo ativo até sua desativação em 1984.

Filarmônica 7 de Julho – Fundada em 2001, a orquestra filarmônica tornou-se um dos maiores símbolos culturais do município. Suas apresentações animam festas religiosas católicas, eventos cívicos, comemorações populares e solenidades, representando motivo de orgulho para a população local.

Parque Jorginho – Tradicional espaço de diversão itinerante, com sede em Porto Real do Colégio, está presente na cidade desde o final da década de 1970. Suas atrações costumam integrar os festejos da padroeira Nossa Senhora da Conceição, realizados anualmente entre os dias 29 de novembro e 8 de dezembro.

Parque Aquático Sonho Real MM – Empresa fundada em 2018, localizada no Centro de Porto Real do Colégio (AL), voltada para atividades recreativas e turísticas. O empreendimento destaca-se como espaço de lazer familiar, oferecendo atrações aquáticas e contribuindo para o desenvolvimento do setor de entretenimento local.

A cultura popular, as artes e as formas de entretenimento desempenharam papel fundamental na construção da memória social de Porto Real do Colégio. O cinema, os serviços de comunicação comunitária, a música filarmônica e os parques de diversão proporcionaram momentos de aprendizado, integração e alegria para diferentes gerações. Esses elementos, além de promoverem o lazer, ajudaram a preservar tradições, fortalecer o sentimento de pertencimento e enriquecer o patrimônio cultural do município, tornando-se parte importante da história e da identidade do povo colegiense.






CAPÍTULO VI – FOLCLORE, LENDAS E IMAGINÁRIO POPULAR


O folclore constitui um dos mais importantes patrimônios culturais de um povo, preservando narrativas, crenças, costumes e ensinamentos transmitidos de geração em geração. Em Porto Real do Colégio e em toda a região do Baixo São Francisco, lendas, assombrações, personagens populares e histórias fantásticas fazem parte da memória coletiva, refletindo influências indígenas, europeias, africanas e sertanejas. Essas narrativas ajudaram a explicar fenômenos da natureza, transmitir valores morais e fortalecer a identidade cultural das comunidades ribeirinhas.

Tesouro dos Jesuítas – A lenda conta que, sabendo da expulsão da Companhia de Jesus em 1759, os jesuítas teriam escondido um grande tesouro nas proximidades do Rio São Francisco. Desde então, muitas histórias falam de riquezas enterradas que jamais foram encontradas.

Bezerro de Bronze – Segundo a tradição popular, existia uma escultura de bronze atribuída aos jesuítas, conhecida como Bezerro de Bronze. A narrativa afirma que os indígenas eram colocados em seu interior como forma de castigo e aprendizado da nova religião durante o século XVII.

Mudo da Marialva – Conhecido por sua força extraordinária, o estivador Davi tornou-se uma figura lendária do Baixo São Francisco. Piloto da canoa Marialva, viveu até o final da década de 1960, sendo lembrado pelas histórias que destacavam sua resistência física e coragem.

Papafigo – Lenda bastante difundida em diversas regiões do Brasil, conta a história de um velho que sequestrava crianças para retirar-lhes o fígado, acreditando que isso poderia curar uma doença misteriosa. Em Porto Real do Colégio, essa narrativa também fez parte do imaginário popular durante muitos anos.

Papai Noel – Figura lendária associada ao Natal, o bom velhinho de roupas vermelhas distribui presentes às crianças na noite de 24 de dezembro. Sua imagem tornou-se uma das mais queridas pelas novas gerações.

Serpente do Rio – Conta a lenda que uma mulher teria agredido a própria mãe e, após sua morte, foi transformada em uma gigantesca serpente. Diz-se que religiosos retiraram seu corpo do cemitério em um caixão de ferro e o lançaram às águas do Rio São Francisco, de onde teria seguido em direção ao mar.

Corpo Santo – Segundo a crença popular, algumas pessoas de grande santidade faleciam e seus corpos permaneciam incorruptos, como se ainda estivessem vivos. Essa condição era vista como sinal de virtude e proximidade com o divino.

Corpo Seco – Diferentemente do Corpo Santo, o Corpo Seco representa a pessoa extremamente má em vida. A tradição afirma que a terra rejeita seus restos mortais e que nem mesmo o inferno os aceita, restando apenas pele e ossos em uma aparência assustadora.

Lobisomem – Uma das lendas mais conhecidas do folclore brasileiro. Conta-se que um homem se transforma em uma criatura semelhante a um lobo durante as noites de lua cheia. Em Porto Real do Colégio existem diversas histórias relacionadas a esse ser lendário.

Caravanas Ciganas – Durante muitos anos, grupos de ciganos montados a cavalo acampavam nos arredores de Porto Real do Colégio. Além de comercializar diversos produtos, realizavam leituras de mãos e previsões, despertando curiosidade e fascínio entre os moradores.

As lendas e narrativas populares de Porto Real do Colégio representam uma valiosa herança cultural preservada pela tradição oral. Misturando fatos históricos, crenças religiosas, ensinamentos morais e elementos fantásticos, essas histórias ajudaram a formar a identidade cultural das comunidades ribeirinhas do Baixo São Francisco. Mais do que simples relatos imaginários, elas constituem testemunhos da criatividade, da memória coletiva e da forma como diferentes gerações compreenderam e interpretaram o mundo ao seu redor.






CAPÍTULO VII – O RIO SÃO FRANCISCO E A CULTURA RIBEIRINHA

O Rio São Francisco, conhecido carinhosamente como Velho Chico, sempre foi muito mais que um curso d'água para os habitantes de Porto Real do Colégio e de toda a região do Baixo São Francisco. Ao longo dos séculos, suas águas serviram como caminho para o transporte, fonte de alimento para os pescadores, espaço de lazer para as famílias e cenário de manifestações culturais que marcaram gerações. A vida ribeirinha desenvolveu costumes próprios, moldados pela convivência diária com o rio, criando uma identidade cultural profundamente ligada às canoas, aos portos, às pescarias, às embarcações e às tradições populares que ainda permanecem vivas na memória do povo.

Porto de Baixo, o antigo cais do porto em Colégio, onde ficavam atracadas as canoas de transporte e pescaria. Desde 1972, o local passou a funcionar como ponto de embarque e desembarque das lanchas que fazem a travessia entre Porto Real do Colégio e Propriá.

Porto das Canoinhas, o tradicional atracadouro das canoas de pescaria, localizado na margem do Rio São Francisco, em frente à bomba d'água do SAAE, em Porto Real do Colégio, permanece em atividade até os dias atuais.

Porto dos Homens, local protegido pela vegetação às margens do Rio São Francisco, próximo à Salgadeira, onde os homens mais velhos costumavam tomar banho nus. O costume permaneceu até aproximadamente 1984.

Coroas de Areia, praias de água doce formadas por bancos de areia que surgem como ilhas fluviais no Rio São Francisco, em Porto Real do Colégio, constituindo um dos principais espaços de lazer da população durante os fins de semana.

Corrida de Barcos, competição fluvial realizada com pequenas canoas de pescaria, geralmente durante as festividades de Bom Jesus dos Navegantes, nas manhãs do mês de janeiro, antes da procissão.

Batim, salto ornamental praticado pelos ribeirinhos a partir dos barrancos do Rio São Francisco durante os períodos de cheia. Atualmente ocorre com menor frequência devido ao assoreamento e às alterações no regime natural do rio.

Canoas do São Francisco, embarcações tradicionais que fizeram parte da cultura e da economia ribeirinha. Entre elas destacou-se a famosa canoa Canindé. Seu uso entrou em declínio após a expansão do transporte rodoviário e a consolidação da BR-101 na década de 1970.

Lanchas do São Francisco, embarcações motorizadas que se destacaram no transporte de cargas e passageiros no Baixo São Francisco durante a década de 1970, entre elas Sumatra, Sãobraense, Goiânia e Oriente.

Lanchas de Colégio, a navegação motorizada no município teve início por volta de 1960 com a lancha Vitória, pertencente à SUVALE. Posteriormente surgiram outras embarcações, como Fátima, Nordeste, Iraci e Cláudia, contribuindo para a mobilidade regional.

Navegação a Vapor, iniciada no Baixo São Francisco em 1852, ligando Penedo a Piranhas, em Alagoas. O último vapor da região, o Encomendador Peixoto, encerrou suas atividades em 1969.

Grandes Lanchas, embarcações motorizadas que passaram a operar regularmente no Baixo São Francisco a partir da década de 1950, destacando-se a Tupã, Tupy e Tupigy, que realizaram linhas entre Penedo e Piranhas até o encerramento da navegação em 1979.

A história do Rio São Francisco confunde-se com a própria história de Porto Real do Colégio. Seus portos, embarcações, praias fluviais e tradições populares testemunharam o cotidiano de inúmeras gerações que construíram sua existência às margens do Velho Chico. Embora muitas práticas tenham desaparecido ou se transformado com o avanço dos tempos modernos, a memória da cultura ribeirinha continua viva na lembrança dos moradores e no patrimônio cultural da região. Preservar essas histórias significa manter viva a identidade de um povo que encontrou no rio não apenas um meio de sobrevivência, mas também uma fonte permanente de cultura, convivência e pertencimento.






CAPÍTULO VIII – PESCA E MODOS DE VIDA RIBEIRINHA

A pesca artesanal sempre desempenhou papel fundamental na subsistência, na economia e na identidade cultural das populações ribeirinhas do Baixo São Francisco. Ao longo de gerações, homens e mulheres desenvolveram técnicas próprias de captura de peixes, utilizando instrumentos confeccionados de acordo com os conhecimentos transmitidos pelos mais velhos. Essas práticas, associadas ao cotidiano das canoas, aos ciclos das águas e à convivência com o rio, constituem um importante patrimônio cultural que continua presente na vida das comunidades de Porto Real do Colégio.

Pescaria de Tarrafa – Arremesso manual de uma rede circular de malha, lançado de forma que se abra completamente antes de tocar a água. Trata-se de uma das técnicas tradicionais mais antigas da pesca artesanal, ainda amplamente utilizada pelos pescadores da região.

Pesca com Rede de Bóia – Utiliza uma extensa rede de malha equipada com bóias, atualmente muitas vezes confeccionadas em isopor, podendo alcançar cerca de 100 metros de comprimento. A atividade é realizada principalmente em canoas que navegam pelas águas do Rio São Francisco.

Pesca com Rede de Galão – Rede de arrasto de menor porte, sustentada por dois suportes de madeira. Possui um compartimento em forma de bolsa na parte inferior, onde os peixes ficam retidos durante a captura.

Mercado do Peixe – O Mercado do Peixe Alírio Nunes de Oliveira, inaugurado em 2006, tornou-se um importante centro de comercialização da produção pesqueira local, reunindo pescadores e consumidores do município de Porto Real do Colégio e contribuindo para o fortalecimento da economia ribeirinha.

A pesca artesanal representa muito mais do que uma atividade econômica para os povos ribeirinhos. Ela expressa saberes tradicionais, formas de organização comunitária e uma relação histórica de respeito e dependência das águas do Rio São Francisco. Mesmo diante das transformações sociais e ambientais ocorridas ao longo do tempo, as técnicas e costumes ligados à pesca permanecem como símbolos da resistência cultural e da identidade das comunidades que vivem às margens do Velho Chico, preservando uma herança transmitida de geração em geração.





CAPÍTULO IX – AGRICULTURA, TRABALHO E ECONOMIA RURAL


A agricultura e as atividades produtivas rurais constituíram, ao longo de séculos, uma das principais bases da sobrevivência e do desenvolvimento econômico de Porto Real do Colégio. O trabalho coletivo, a utilização dos recursos naturais das lagoas e várzeas, a cooperação entre famílias e as práticas tradicionais de cultivo e beneficiamento dos alimentos moldaram a vida cotidiana da população local. Neste capítulo são apresentados os principais elementos da economia rural colegiense, destacando atividades agrícolas, manufaturas artesanais e formas comunitárias de trabalho que contribuíram para a formação histórica, cultural e econômica do município.

Plantação de Arroz – O cultivo de arroz nas regiões da Lagoa Grande e da Várzea do Itiúba contou com a participação de indígenas e da população local, que trabalhavam como meeiros entre 1923 e 1977.

Batimento de Arroz – Trabalho realizado em sistema de mutirão para beneficiar o arroz colhido. Os participantes batiam o arroz com cacetes, realizavam a limpeza dos grãos e o ensacamento da produção. Tradicionalmente eram servidas feijoadas aos trabalhadores. Essa atividade manual permaneceu até aproximadamente 1975, quando passou a ser substituída por máquinas agrícolas.

Fábrica de Arroz – Usina de beneficiamento de arroz criada em 1937 na então Rua dos Índios, posteriormente denominada Rua São Vicente. A unidade impulsionou a economia do município de Colégio, permanecendo em atividade até sua desativação em 1969.

Farinhada – Antiga prática comunitária e cooperativa de produção de farinha de mandioca, ainda presente em Porto Real do Colégio, especialmente nas comunidades rurais do interior do município, preservando conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.

Mutirão da Casa de Taipa – Trabalho coletivo realizado por familiares, amigos e vizinhos para a construção da moradia de um novo casal. Essa tradição solidária, bastante comum no passado, encontra-se atualmente em processo de desaparecimento.

Várzea do Itiúba – Terras inundáveis pelas águas do rio São Francisco e do rio Itiúba, onde a população mais humilde de Colégio retirava seu sustento por meio da agricultura, da pesca e da caça. Em 1975, a área foi desapropriada pela Codevasf.

Projeto Itiúba – Projeto de irrigação voltado ao cultivo de arroz, implantado em 1975, abrangendo uma área de aproximadamente 2.000 hectares e beneficiando 305 famílias de parceleiros no município de Porto Real do Colégio. O empreendimento impulsionou significativamente a economia regional.

Olaria – Atividade dedicada à fabricação artesanal de tijolos, telhas e outros artefatos de barro, introduzida pelos missionários jesuítas no Baixo São Francisco no século XVII. Desenvolvida nas regiões das lagoas do Cordeiro, Grande e Comprida, constituiu importante fonte de trabalho e renda para indígenas e população local, permanecendo ativa até 1994.

Caieira de Tijolos – Forno artesanal de formato piramidal utilizado na queima de tijolos, possuindo na base aberturas destinadas à alimentação do fogo com lenha. A maior caieira construída pelos Kariri-Xocó alcançou a produção de aproximadamente 100 mil tijolos, utilizando dez bocas de fogo, nas margens da Lagoa do Cordeiro, em 1976.

A história da agricultura, do trabalho comunitário e das atividades produtivas rurais de Porto Real do Colégio revela a capacidade de adaptação, cooperação e resistência de seu povo. Das plantações de arroz às olarias, das farinhadas aos mutirões de construção, cada atividade representou não apenas uma fonte de sustento, mas também um importante elemento de identidade cultural. Mesmo diante das transformações tecnológicas e das mudanças econômicas ocorridas ao longo do tempo, essas práticas permanecem como parte da memória coletiva do município e do patrimônio histórico dos povos indígenas e das comunidades tradicionais do Baixo São Francisco.






CAPÍTULO X– O PROGRESSO AGROPECUÁRIO E A FORMAÇÃO RURAL

No século XIX, a antiga Aldeia de Porto Real do Colégio foi transformada em vila, e grande parte de suas terras passou gradativamente para o domínio do Estado e de particulares. Ao longo do século XX, essas áreas receberam diferentes denominações e funções dentro de projetos governamentais voltados ao desenvolvimento agropecuário, à experimentação agrícola e à formação de trabalhadores rurais. Tais iniciativas contribuíram para a ocupação econômica da região e para a modernização das atividades agrícolas. Nesse processo, os indígenas Kariri-Xocó foram progressivamente integrados às transformações ocorridas em seu território tradicional, até que, após décadas de reivindicações e resistência cultural, retomaram parte de suas terras ancestrais, onde foi oficialmente restabelecida a Aldeia Kariri-Xocó.

Fomento Agrícola – Em 1940, o antigo Serviço do Algodão passou a denominar-se Fomento Agrícola, assumindo a administração da propriedade e transferindo sua vinculação da esfera estadual para a administração do Governo Federal.

Campo Experimental das Sementes – Em 25 de agosto de 1941, o Fomento Agrícola de Porto Real do Colégio foi reorganizado como Campo Experimental das Sementes, destinado ao desenvolvimento de pesquisas e experiências voltadas ao aprimoramento da produção agrícola regional.

Posto Agropecuário Federal – Também em 1941, foi instalado o Posto Agropecuário Federal em Porto Real do Colégio, permanecendo sob a administração do Fomento Agrícola até 1955.

Centro de Treinamento para Tratoristas – Em 1955, o Ministério da Agricultura, por intermédio da Superintendência do Ensino Agrícola e Veterinário, em convênio com a SUVALE e o Ministério do Interior, implantou o Centro de Treinamento para Tratoristas, que funcionou até 1960, promovendo a capacitação técnica de trabalhadores rurais.

Fazenda Escola – Em 1960, o Centro de Treinamento para Tratoristas passou a denominar-se Fazenda Escola. A instituição oferecia cursos de Extensão Rural Doméstica destinados a jovens mulheres em regime de internato, dispondo inclusive de atividades culturais e educativas, como sessões de cinema. Suas atividades foram encerradas em 1963.

Fazenda Modelo – Em 1964, a Fazenda Escola foi transformada em Fazenda Modelo, dedicada à criação de gado holandês para fornecimento de matrizes aos pecuaristas da região, além do desenvolvimento de projetos de piscicultura. A instituição permaneceu em funcionamento até 1978.

Aldeia Kariri-Xocó – Em 1978, as terras e a sede da antiga Fazenda Modelo passaram a constituir a Aldeia Kariri-Xocó, quando os indígenas retornaram da Rua São Vicente, localizada na periferia da cidade de Porto Real do Colégio, para reassumir parte de seu território tradicional.

EMATER – O Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), criado em 1975, passou a atuar posteriormente no município de Porto Real do Colégio, oferecendo assistência técnica, orientação produtiva e apoio ao desenvolvimento das atividades rurais.

FUNRURAL – O Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL), criado em 1971, levou à população do campo benefícios previdenciários e serviços de saúde itinerantes, incluindo atendimento médico, odontológico e de enfermagem por meio de ônibus ambulatoriais que percorriam povoados e aldeias. O programa foi extinto em 1985.

A sucessão de instituições agrícolas implantadas em Porto Real do Colégio ao longo do século XX demonstra a importância estratégica da região para os projetos governamentais de desenvolvimento rural no Baixo São Francisco. Desde o Fomento Agrícola até a Fazenda Modelo, essas iniciativas contribuíram para a modernização da agricultura, a formação de trabalhadores e a introdução de novas técnicas produtivas. Contudo, além de sua dimensão econômica, esse processo também esteve ligado à história do território tradicional dos Kariri-Xocó. A transformação das antigas terras indígenas em áreas de experimentação e produção agropecuária marcou um período de profundas mudanças sociais e culturais. A criação da Aldeia Kariri-Xocó, em 1978, representou não apenas uma nova denominação administrativa, mas um importante marco na retomada territorial e na reafirmação da identidade histórica de um povo que preservou suas tradições mesmo diante das transformações impostas ao longo dos séculos.






CAPÍTULO XI – TRANSPORTES, COMUNICAÇÃO E MODERNIZAÇÃO

A segunda metade do século XX marcou profundas transformações em Porto Real do Colégio. O desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação aproximou a cidade dos grandes centros regionais, facilitando o deslocamento de pessoas, mercadorias e informações. A chegada da ferrovia, a travessia por balsas e ferry-boats, a construção da ponte sobre o Rio São Francisco, a presença de um campo de aviação e a expansão dos serviços telefônicos simbolizaram uma nova etapa da história colegiense, caracterizada pelo progresso, pela integração regional e pela modernização da vida cotidiana.

Maria Fumaça – A locomotiva a vapor, conhecida popularmente como Maria Fumaça, com seu característico apito, faz parte da memória afetiva dos colegienses. Integrante da rede ferroviária da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.), operou entre 1950 e 1972. Um exemplar permanece preservado junto à antiga estação ferroviária como testemunho desse importante período histórico.

Estação Ferroviária – Local de embarque e desembarque de passageiros, bem como de carregamento e descarregamento de mercadorias. A estação de Colégio funcionou entre 1950 e 1972, desempenhando papel fundamental na integração econômica e social do município.

Armazém Carnaúba – Instalação destinada ao armazenamento e movimentação de cargas transportadas pela Rede Ferroviária Federal S.A. Localizado em Porto Real do Colégio, funcionou entre 1950 e 1972, sendo importante centro de trabalho para estivadores e demais profissionais ligados ao transporte ferroviário.

Grande Hotel – Estabelecimento de hospedagem, alimentação e entretenimento vinculado ao movimento ferroviário da região. Situado em Colégio, funcionou entre 1950 e 1972, acolhendo viajantes, comerciantes e funcionários da ferrovia.

Ferry-Boats – Embarcações especializadas no transporte de composições ferroviárias através do Rio São Francisco, ligando Porto Real do Colégio (AL) a Propriá (SE). Operaram entre 1967 e 1972, permitindo a continuidade do tráfego ferroviário entre os dois estados.

Porto das Balsas – Atracadouro destinado às balsas que realizavam o transporte de pessoas, mercadorias, caminhões e automóveis pelo Rio São Francisco, estabelecendo a ligação entre Porto Real do Colégio e Propriá. Funcionou principalmente entre 1967 e 1972, destacando-se a tradicional Balsa Atlântida, muito lembrada pela população regional.

Ponte sobre o Rio São Francisco – Importante obra de engenharia que passou a ligar os estados de Alagoas e Sergipe, unindo as cidades de Porto Real do Colégio e Propriá por meio da BR-101. Sua construção foi iniciada em 1968 e sua inauguração ocorreu em 1972, substituindo gradativamente os antigos sistemas de travessia fluvial.

Campo da Aviação – Área destinada ao pouso e decolagem de aeronaves de pequeno porte, localizada a leste da cidade de Porto Real do Colégio. Utilizado desde a década de 1950 até aproximadamente 1976, permaneceu vivo no imaginário popular como símbolo dos primeiros contatos da população local com a aviação.

TELASA S/A – Telecomunicações de Alagoas – Empresa responsável pelos serviços de telefonia no estado, chegou a Porto Real do Colégio na década de 1970, ampliando significativamente as possibilidades de comunicação da população. Em 1998, com o processo de privatização do sistema brasileiro de telecomunicações, seus serviços foram incorporados por novas operadoras, iniciando uma fase que culminaria na popularização dos telefones fixos e, posteriormente, dos aparelhos celulares.

Os avanços nos transportes e nas comunicações transformaram profundamente a realidade de Porto Real do Colégio durante o século XX. A ferrovia, as embarcações de travessia, a ponte sobre o Rio São Francisco, o campo de aviação e a expansão dos serviços telefônicos contribuíram para integrar o município às dinâmicas econômicas e sociais da região. Embora muitos desses equipamentos e serviços tenham desaparecido ou sido substituídos por tecnologias mais modernas, permanecem vivos na memória coletiva como marcos de uma época de progresso, desenvolvimento e esperança para as gerações que testemunharam a modernização da cidade.






CAPÍTULO XII – COMÉRCIO E VIDA URBANA

Ao longo de sua história, Porto Real do Colégio desenvolveu uma dinâmica comercial que acompanhou o crescimento populacional e as transformações econômicas do Baixo São Francisco. Desde as antigas feiras livres e pequenas bodegas familiares até os estabelecimentos comerciais de maior porte e os serviços de fiscalização estadual, o comércio desempenhou papel fundamental no abastecimento da população, na circulação de mercadorias e na integração do município com as cidades vizinhas. Esses espaços comerciais também se constituíram como importantes locais de convivência social, troca de informações e fortalecimento das relações comunitárias.

Feira da Cidade – Tradicional evento comercial realizado às sextas-feiras, reunindo feirantes, comerciantes ambulantes e produtores rurais de Porto Real do Colégio e de municípios circunvizinhos. A feira tornou-se um dos principais centros de abastecimento popular, movimentando a economia local e fortalecendo os laços sociais e culturais da região.

Mercearia do Teixeirinha – Estabelecimento comercial tradicional de Porto Real do Colégio, referência no comércio local durante grande parte do século XX. Comercializava gêneros alimentícios, bebidas, ferramentas e diversos produtos de consumo cotidiano, permanecendo em funcionamento até 1985.

Mercearia de Antônio Donato – Importante casa comercial da cidade, especializada na venda de gêneros alimentícios, utensílios domésticos e mercadorias diversas. Durante décadas foi uma das principais referências comerciais de Porto Real do Colégio, mantendo suas atividades até a década de 1990.

Bodega de Seu Joaquim – Pequena mercearia localizada na Rua Dr. Clementino Dumont, onde eram comercializados produtos de primeira necessidade e artigos variados. Seu proprietário, Joaquim Migué (Miguel), tornou-se figura muito estimada pela população, integrando a memória afetiva e a cultura popular do município.

Mercado da Carne Eraldo Custódio – Equipamento público inaugurado em 2006 com a finalidade de concentrar e organizar a comercialização de carnes bovinas, suínas e de aves. Sua criação contribuiu para melhorar as condições de abastecimento e atendimento aos consumidores de Porto Real do Colégio.

Posto Fiscal Estadual – Unidade da Secretaria da Fazenda do Estado de Alagoas implantada em 1972, às margens da Rodovia BR-101. Destinava-se à fiscalização de mercadorias em trânsito e ao controle da arrecadação tributária, especialmente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), desempenhando importante papel na administração fiscal da região.

A história do comércio e da vida urbana de Porto Real do Colégio reflete a capacidade de adaptação e crescimento de sua população diante das transformações econômicas e sociais ocorridas ao longo do tempo. Feiras, mercearias, bodegas, mercados e órgãos públicos contribuíram para a formação de uma rede de abastecimento essencial ao desenvolvimento do município. Mais do que espaços de compra e venda, esses locais constituíram pontos de encontro, convivência e construção da identidade coletiva, permanecendo vivos na memória da comunidade como símbolos e progresso urbano e da história econômica dos colegienses.






CAPÍTULO XIII – EDUCAÇÃO E INSTITUIÇÕES PÚBLICAS

A educação e as instituições públicas desempenharam papel fundamental no desenvolvimento social de Porto Real do Colégio e da Aldeia de Colégio ao longo do século XX e início do século XXI. A implantação de programas de alfabetização, escolas municipais, bibliotecas e serviços públicos contribuiu para ampliar o acesso ao conhecimento, fortalecer a cidadania e melhorar a qualidade de vida da população urbana e indígena. Esses investimentos refletiram o esforço contínuo do poder público em promover a formação educacional e a organização dos serviços essenciais para o município.

MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização – Programa federal criado em 1967 e implantado nacionalmente a partir de 1968. Chegou à Aldeia de Colégio em 1971, promovendo a alfabetização de jovens e adultos que não tiveram acesso à educação regular. Suas atividades foram encerradas em 1985, quando foi substituído por novos programas educacionais.

Ginásio São Francisco – Escola municipal de ensino secundário criada em 1960, localizada às margens do Rio São Francisco, em Porto Real do Colégio. Durante décadas contribuiu para a formação educacional de diversas gerações de estudantes do município, permanecendo em funcionamento até sua desativação em 1991.

Centro Educacional Professor Ernande F. Magalhães – Instituição integrante da rede municipal de ensino, criada em 1989, localizada na Rua da Independência, s/n, Centro, Porto Real do Colégio, Alagoas. Destaca-se pela oferta de ensino e pela contribuição à formação educacional de crianças e jovens do município.

Biblioteca Pública Municipal Enoy Magalhães Bitencourt – Criada em 2001, localizada na Avenida Moacyr Andrade, s/n, Centro, Porto Real do Colégio, Alagoas. Constitui importante espaço de incentivo à leitura, pesquisa e preservação da memória cultural do município.

SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Porto Real do Colégio – Autarquia municipal criada em 1965 com a finalidade de administrar os serviços de abastecimento de água e saneamento básico, atendendo à população urbana e contribuindo para a melhoria das condições de saúde pública do município.

A trajetória da educação e das instituições públicas em Porto Real do Colégio demonstra o esforço coletivo pela construção de uma sociedade mais instruída, organizada e preparada para enfrentar os desafios de cada época. Escolas, programas de alfabetização, bibliotecas e serviços públicos constituíram importantes instrumentos de desenvolvimento social, beneficiando tanto a população urbana quanto as comunidades indígenas da região. Esses marcos históricos permanecem como testemunhos do compromisso do município com a formação humana, a cidadania e o bem-estar de seus habitantes.





CAPÍTULO XIV – ESPORTE E LAZER

O esporte e o lazer sempre desempenharam papel importante na vida social de Porto Real do Colégio, constituindo espaços de convivência, integração comunitária e fortalecimento dos laços entre as famílias da cidade, dos povoados e da Aldeia Kariri-Xocó. Ao longo das décadas, campos de futebol, campeonatos, desfiles cívicos e festividades públicas contribuíram para a formação da identidade cultural do município, reunindo diferentes gerações em momentos de celebração, competição saudável e participação coletiva.

Campeonato Municipal de Futebol – Competição esportiva criada em 1976, reunindo equipes de futebol dos povoados e da sede de Porto Real do Colégio. O torneio tornou-se uma das principais tradições esportivas do município e permanece em atividade.

Campo do Murim – Campo de futebol localizado no Bairro Murim, criado na década de 1950. Durante muitos anos foi palco de partidas entre equipes locais e visitantes, sendo atualmente utilizado como estádio municipal para eventos esportivos.

Campinho – Tradicional campo de futebol improvisado nas margens da Lagoa do Cordeiro, utilizado pela juventude para partidas recreativas e torneios informais. O espaço deixou de existir em 1991 em decorrência da expansão imobiliária da área.

Desfile de 7 de Setembro – Comemoração cívica da Independência do Brasil realizada anualmente com a participação das escolas do município, entre elas o Ginásio São Francisco, a Escola Firmo de Castro, a Escola Dona Santa Bulhões, a Escola Dom Pedro II e a Escola da Aldeia Kariri-Xocó. Os desfiles ocorreram com grande participação popular, especialmente entre as décadas de 1970 e 1994.

Festa de Emancipação Política – Celebração da emancipação política de Porto Real do Colégio, realizada em 7 de julho. A programação tradicional incluía desfile das escolas do município, apresentações culturais e shows musicais, reunindo moradores e visitantes em um dos mais importantes eventos festivos da cidade.

As atividades esportivas, recreativas e cívicas registradas neste capítulo demonstram a importância dos espaços de lazer e das celebrações coletivas na construção da memória social de Porto Real do Colégio. Entre campos de futebol, campeonatos, desfiles e festividades populares, formaram-se tradições que marcaram gerações e fortaleceram o sentimento de pertencimento da população. Mais do que simples momentos de entretenimento, essas práticas constituem patrimônio cultural e afetivo do município, preservando lembranças e valores que continuam vivos na história de seu povo.





CAPÍTULO XV – INTEGRAÇÃO DOS KARIRI-XOCÓ NA SOCIEDADE LOCAL

A antiga aldeia indígena que deu origem ao atual município de Porto Real do Colégio, em Alagoas, constitui um importante marco da formação histórica e cultural do Baixo São Francisco. Ao longo dos séculos, a convivência entre indígenas, portugueses e afrodescendentes contribuiu para a construção de uma sociedade marcada pela diversidade cultural e pelas múltiplas formas de interação social.

Os tópicos a seguir apresentam alguns exemplos dessa integração social e cultural, evidenciando a participação dos Kariri-Xocó na construção da história local.

Futebol Indígena (Kariri e Guarani) – O futebol teve ampla aceitação entre os Kariri-Xocó, que organizaram equipes esportivas como Kariri e Guarani. Por meio desse esporte, os indígenas estabeleceram intercâmbio com municípios ribeirinhos do Baixo São Francisco, participando de competições e recebendo diversas equipes visitantes na Aldeia Kariri-Xocó.

Olimpíada do Índio – A primeira Olimpíada Indígena Kariri-Xocó foi realizada em 19 de abril de 1989. O evento contou com modalidades como atletismo, futebol de campo, futsal, ciclismo e futebol feminino, sendo organizado pelo chefe do Posto da FUNAI.

A Televisão – A utilização da televisão popularizou-se em Porto Real do Colégio a partir da década de 1970. Na Aldeia Kariri-Xocó, os primeiros aparelhos chegaram por volta de 1972. Atualmente, a televisão está presente na maioria dos lares, tornando-se importante meio de informação e entretenimento.

Sintonia no Rádio – O primeiro aparelho de rádio chegou à Aldeia de Colégio em 1948, trazido pelo indígena Antônio Correia. A partir das décadas de 1960 e 1970, sua utilização tornou-se cada vez mais frequente entre as famílias indígenas, mantendo-se presente até os dias atuais.

Radiograma – O serviço de radiograma, conhecido como telegrama sem fio transmitido por rádio, foi implantado na Aldeia Kariri-Xocó em 1972, quando a comunidade ainda estava localizada na Rua dos Índios. O serviço permaneceu em funcionamento até 1990.

Nhinhó – Na tradição espiritual Kariri, Nhinhó é concebido como uma entidade primordial. Segundo a visão nativa, essa divindade apresenta características semelhantes às dos próprios indígenas, utilizando pintura corporal, participando dos cantos sagrados e dançando o Toré.

Arcoverde – Indígena pernambucana, filha do cacique Uira Ubi, recebeu o nome cristão de Maria do Espírito Santo. Ao lado de Bartira e Paraguaçu, é lembrada por diversos autores como uma das figuras femininas associadas à formação histórica do povo brasileiro (ALMEIDA, 1988, p. 61).

Gaspar Lourenço – Indígena catequizado pelos jesuítas e instruído para auxiliar na evangelização de sua própria comunidade sob a supervisão do padre Leonardo Nunes. Segundo registros históricos, esteve na região do Baixo São Francisco em 1575 (ALMEIDA, 1988, p. 74).

Nesse contexto multicultural, diferentes práticas sociais aproximaram os Kariri-Xocó das comunidades vizinhas, fortalecendo vínculos de convivência e intercâmbio cultural. O esporte, os meios de comunicação e as manifestações tradicionais constituíram importantes elementos desse processo de integração, ao mesmo tempo em que a comunidade preservou aspectos fundamentais de sua identidade étnica e espiritual.







CAPÍTULO XVI – BRINCADEIRAS E JOGOS TRADICIONAIS

As brincadeiras e os jogos tradicionais constituem importante patrimônio cultural transmitido de geração em geração, fortalecendo os laços de amizade, convivência comunitária e aprendizado entre crianças e jovens. Muito antes da popularização dos jogos eletrônicos e das redes digitais, as ruas, praças, terreiros, campos e quintais eram espaços de encontro onde a criatividade transformava objetos simples em fontes de diversão. Em Porto Real do Colégio e na Aldeia Kariri-Xocó, essas brincadeiras fizeram parte do cotidiano de inúmeras famílias, preservando costumes, valores e formas de interação que permanecem vivos na memória coletiva da comunidade.

Ciranda – Cantiga folclórica realizada em roda, na qual as crianças de mãos dadas cantam e giram ao ritmo da música. Na parte final da canção, uma criança é escolhida para ocupar o centro da roda, encerrando a brincadeira com todos reunidos no meio.

Amarelinha ou Macacão – Jogo coletivo em que são desenhados no chão quadrados numerados. Cada participante lança uma pedra em um dos quadrados e percorre o percurso pulando em um pé ou nos dois, conforme as regras. Vence quem completar o circuito com menos erros.

Cabra Cega ou Quebra-Pote – Brincadeira tradicional realizada durante festas e comemorações. Com os olhos vendados e segurando um pau ou cacete, o participante tenta localizar e quebrar um pote suspenso contendo balas e outras guloseimas. Os jogadores se revezam nas tentativas até que um deles consiga acertar o alvo e romper o recipiente, momento em que os doces são distribuídos entre os presentes.

Bolas de Gude – Jogo realizado com pequenas esferas de vidro coloridas. Os participantes lançam suas bolinhas em direção às dos adversários, buscando acertá-las para conquistar as peças colocadas em disputa.

Pipas ou Papagaios – Brinquedos confeccionados com varetas de madeira, papel de seda colorido ou plástico. Empinadas ao vento, permitem a realização de diversas manobras no céu, sendo uma das brincadeiras mais populares entre crianças e adolescentes.

Pião – Brinquedo de madeira com ponta metálica que, ao ser lançado por meio de uma corda enrolada em seu corpo, gira rapidamente sobre o solo. Em algumas modalidades, os participantes tentam atingir o pião do adversário.

Estilingue – Instrumento confeccionado com galhos em forma de forquilha e tiras de borracha, utilizado para lançar pequenas pedras ou bolinhas de barro secas ao sol. Também foi empregado tradicionalmente em atividades de caça de pequeno porte.

Bater Figurinhas – Brincadeira em que as figurinhas são colocadas em um monte sobre o chão. Cada participante bate com a mão sobre elas, e as que virarem passam a pertencer ao jogador.

Corrida de Saco – Competição recreativa em que cada participante entra dentro de um saco e percorre determinada distância saltando até a linha de chegada. Vence quem completar o percurso mais rapidamente sem cair.

Dança da Corda – Brincadeira em que duas pessoas seguram as extremidades de uma corda esticada, enquanto os demais participantes tentam passar por baixo dela, inclinando o corpo para trás sem tocar na corda. A cada rodada, a altura da corda é reduzida, aumentando o grau de dificuldade.

As brincadeiras e os jogos tradicionais representam muito mais do que simples formas de entretenimento. Eles constituem expressões da cultura popular, contribuindo para o desenvolvimento físico, social e emocional das crianças, além de fortalecerem o espírito de cooperação, respeito e convivência comunitária. Ao registrar essas práticas, preserva-se uma importante herança cultural que marcou a infância de inúmeras gerações em Porto Real do Colégio e na Aldeia Kariri-Xocó, garantindo que essas memórias continuem vivas para as futuras gerações.






CAPÍTULO XVII – LUGARES DE MEMÓRIA E PATRIMÔNIO COLEGIENSE

Os lugares de memória constituem referências fundamentais para a compreensão da história de um povo. Mais do que simples espaços geográficos, eles guardam lembranças, experiências e acontecimentos que marcaram a vida das comunidades ao longo das gerações. Em Porto Real do Colégio, diversos locais, caminhos, construções e estruturas de uso coletivo testemunharam transformações sociais, econômicas e culturais, permanecendo vivos na memória dos moradores. Este capítulo reúne alguns desses marcos, cuja importância ultrapassa sua existência física, tornando-se parte do patrimônio histórico e afetivo colegiense.

Povoado Belém – Antiga povoação situada às margens do Rio São Francisco, nas proximidades da sede de Colégio. Conhecida pela grande quantidade de mangueiras existentes no local, foi desapropriada em 1975 em decorrência da implantação do Projeto Itiúba. Com a retirada dos moradores, muitas famílias migraram para outras localidades, permanecendo o povoado como uma importante referência da memória regional.

Estrada do Paturi – Antigo caminho de chão batido que dava acesso à região da Várzea do Itiúba, seguindo por trás do Posto Fiscal de Porto Real do Colégio. Durante décadas, serviu como importante via de ligação entre a sede municipal e diversos povoados circunvizinhos, facilitando o transporte de pessoas, animais e mercadorias.

Currais – Localidade situada nas proximidades do antigo SESP, onde existia um curral destinado ao manejo de bovinos. A área passou por transformações urbanas ao longo do tempo, sendo posteriormente ocupada pela Rua Pajé Manoel Baltazar, inaugurada em 1998, às margens da Lagoa do Cordeiro, em Porto Real do Colégio.

Palhoção – Quiosque localizado no porto das balsas e pertencente ao Sr. Helias Costa. O estabelecimento servia de ponto de apoio aos motoristas e viajantes que aguardavam a travessia do Rio São Francisco. Além da venda de bebidas e alimentação, o local era conhecido pela música e pelo ambiente de convivência social, funcionando aproximadamente entre 1967 e 1980.

Acampamento das Construtoras – Sede administrativa e alojamento das empresas de engenharia responsáveis pelas obras da ponte sobre o Rio São Francisco e da BR-101 na região. Funcionou entre 1968 e 1972 nas instalações da antiga fábrica de arroz, localizada na Rua São Vicente, antiga Rua dos Índios, tornando-se um importante centro de apoio às obras que transformaram a infraestrutura regional.

Carro de Boi – Tradicional meio de transporte de cargas e passageiros introduzido pelos colonizadores portugueses e amplamente utilizado no município durante muitos anos. Fundamental para o escoamento da produção agrícola e para a locomoção da população rural, entrou gradativamente em decadência após a melhoria das estradas e a construção da BR-101, concluída na região em 1972.

A preservação dos lugares de memória é essencial para fortalecer a identidade histórica e cultural de Porto Real do Colégio. Cada espaço aqui mencionado representa fragmentos da trajetória de homens e mulheres que contribuíram para a formação do município e de suas comunidades tradicionais, incluindo o povo Kariri-Xocó. Embora muitos desses locais tenham desaparecido ou se transformado ao longo do tempo, suas histórias permanecem vivas na lembrança dos moradores, constituindo um patrimônio imaterial que merece ser registrado, valorizado e transmitido às futuras gerações como parte da herança coletiva colegiense.





CAPÍTULO XVIII - TRADIÇÕES E MEMÓRIAS POPULARES DE PORTO REAL DO COLÉGIO E DA ALDEIA KARIRI-XOCÓ

As tradições populares de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó constituem um importante patrimônio cultural transmitido de geração em geração. Por meio das festas religiosas, das celebrações comunitárias, das manifestações artísticas e das memórias coletivas, preservam-se valores, costumes, saberes e formas de convivência que fortalecem a identidade do povo ribeirinho e indígena do Baixo São Francisco. Muitas dessas tradições estão associadas ao calendário religioso católico, enquanto outras refletem elementos próprios da cultura Kariri-Xocó, formando um rico mosaico cultural que caracteriza a região.

Fogueira de São José – Realizada no dia 19 de março, em homenagem a São José, padroeiro dos trabalhadores e protetor das plantações. Tradicionalmente, a fogueira é acesa diante das residências onde mora alguém chamado José. A celebração marca simbolicamente o início do período de plantio das roças, especialmente do milho, cuja colheita é esperada para as festividades juninas.

Fogueira de Santo Antônio – Celebrada no dia 13 de junho, com fogueiras acesas tanto na cidade de Porto Real do Colégio quanto na Aldeia Kariri-Xocó. Entre os indígenas, a festividade é enriquecida com a realização do Toré, acompanhado por cantos, danças tradicionais e queima de fogos de artifício, unindo elementos da religiosidade popular e da tradição ancestral indígena.

Noites de São João – Comemoradas nos dias 23 e 24 de junho, constituem uma das maiores festas populares da região. As ruas da cidade são iluminadas por fogueiras, enquanto moradores e visitantes participam de apresentações de forró pé-de-serra, quadrilhas e degustam comidas típicas juninas, como milho cozido, canjica, pamonha e bolo de milho.

Noites de São Pedro – Realizadas nos dias 28 e 29 de junho, encerram o ciclo principal das festividades juninas. Assim como nas celebrações de São João, as ruas são enfeitadas e iluminadas por fogueiras, reunindo famílias e amigos em torno do forró pé-de-serra e das tradicionais comidas típicas da época.

O Circo – Manifestação artística e popular de grande aceitação entre os colegienses ao longo do século XX. Diversas companhias circenses passaram pela cidade, levando espetáculos de humor, acrobacias, mágicas e atrações variadas. Entre elas destacou-se o Circo Aparecida, que esteve em Porto Real do Colégio em 1976, trazendo como uma de suas principais atrações o palhaço Chicha Rito, cuja apresentação permaneceu viva na memória de muitos moradores.

As tradições e memórias populares aqui registradas representam parte significativa da história cultural de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó. Elas revelam a força das relações comunitárias, da religiosidade, da arte e dos costumes transmitidos entre gerações. Mais do que simples celebrações, essas manifestações constituem referências de identidade e pertencimento, contribuindo para a preservação da memória coletiva e para a valorização do patrimônio cultural do povo colegiense e do povo Kariri-Xocó.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

A história de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó é marcada pela diversidade cultural, pela resistência das tradições e pela constante transformação social.

As memórias reunidas nesta obra demonstram a importância da preservação dos saberes populares, das manifestações religiosas, das práticas culturais e dos lugares de memória que constituem o patrimônio histórico da região.

Espera-se que este livro contribua para futuras pesquisas e para o fortalecimento da identidade cultural das comunidades do Baixo São Francisco.






SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador independente, escritor, memorialista, contador de histórias e integrante do povo indígena Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Dedica-se ao estudo da história indígena, da cultura popular, da tradição oral e da memória regional do Baixo São Francisco. É autor de pesquisas publicadas em seu Blog Kxnhenety e de diversos trabalhos voltados à preservação da identidade cultural de seu povo.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Geraldo Gustavo de. Heróis Indígenas do Brasil. Memórias sinceras de uma raça. Rio de Janeiro: Catedra, 1988 .

LIMA, Ronaldo Pereira de. Às Margens do Rio Rei. J. Andrade, Aracaju, 2006 . 

LIMA, Ronaldo Pereira de. Porto Real do Colégio: História e Geografia. Prima Edições, Colégio-AL, 2018 .

MATA, Vera Lucia Calheiros. A semente da terra: identidade e conquista territorial por um grupo indígena integrado – Maceió : EDUFAL, 2014. 389.: Il.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. As Origens Kariri-Xocó 4. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2023/01/as-origens-kariri-xoco-4.html?m=0 . Acesso em: 04 jun. 2026.

KARIRI-XOCÓ, N. Blog Kxnhenety. 12 Jun. 2010 a 21 Dez. 2022 [online]. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:

 http://kxnhenety.blogspot.com/2010-2022.html , Acesso em 21/12/2022.

PERFIL MUNICIPAL. Ano 4, nº 4 (2013), Maceió: Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio, 2018.



             





Autor: Nhenety Kariri-Xocó



 




quinta-feira, 4 de junho de 2026

CONEXÕES ÉTNICO-HISTÓRICAS DOS KARIRI-XOCÓ







FALSA FOLHA DE ROSTO

CONEXÕES ÉTNICO-HISTÓRICAS DOS KARIRI-XOCÓ

Nhenety Kariri-Xocó




FOLHA DE ROSTO

CONEXÕES ÉTNICO-HISTÓRICAS DOS KARIRI-XOCÓ
Memórias Ancestrais do Baixo São Francisco

Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – Alagoas
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

Copyright © 2026 – Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados.

Esta obra reúne memórias históricas, tradição oral, genealogias indígenas e registros etno-históricos relacionados aos povos indígenas do Baixo São Francisco, especialmente os Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Parte das informações aqui presentes foi preservada através da oralidade dos anciões, entrevistas, documentos históricos, registros do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), bibliografias especializadas e arquivos pessoais do autor.




FICHA CATALOGRÁFICA

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Conexões Étnico-Históricas dos Kariri-Xocó: memórias ancestrais do Baixo São Francisco / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Povos indígenas do Nordeste.

Kariri-Xocó.

Tradição oral indígena.

Genealogia indígena.

Etno-história do Baixo São Francisco.

Memória ancestral.

CDD: 980.41



ISBN (SIMBÓLICO)

ISBN: 978-65-0000-000-0

Registro simbólico para edição cultural e memorialística.




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.



ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 



DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos meus antepassados Kariri-Xocó, aos antigos pajés, caciques, conselheiros, cantadores, pescadores, agricultores, ceramistas e guardiões da memória oral do Opará.

Dedico também aos anciões que mantiveram viva nossa história nas fogueiras da aldeia, transmitindo aos mais jovens os caminhos da tradição, da resistência e da espiritualidade indígena.





AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente aos antepassados, aos ancestrais sagrados e ao Grande Espírito pela força concedida durante esta caminhada de pesquisa e memória.

Agradeço aos anciões Kariri-Xocó, Xocó, Pankararu, Fulni-ô, Karapotó e demais parentes indígenas do Nordeste que contribuíram com relatos, histórias, genealogias e ensinamentos preservados pela oralidade.

Agradeço às lideranças indígenas, professores, pesquisadores e instituições que preservam documentos históricos relacionados aos povos originários do Baixo São Francisco.

Minha gratidão especial à minha família, ao povo Kariri-Xocó e a todos que acreditam na importância da preservação da memória ancestral indígena.





EPÍGRAFE

“Enquanto existir a memória dos antigos nas fogueiras do conselho, nosso povo continuará vivo sobre as margens sagradas do Opará.”

— Tradição Oral Kariri-Xocó






PREFÁCIO DO VOLUME

A presente obra constitui um importante registro etno-histórico das conexões ancestrais dos povos indígenas do Baixo São Francisco, especialmente dos Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Mais do que um levantamento genealógico, este trabalho representa um exercício de preservação da memória coletiva indígena, articulando tradição oral, documentação histórica, experiências familiares e referências culturais transmitidas entre gerações.

Ao reunir lideranças, pajés, curandeiros, conselheiros, agricultores, pescadores e ceramistas, o autor demonstra como os povos indígenas nordestinos resistiram aos séculos de colonização, deslocamentos populacionais e tentativas de apagamento cultural.

Esta obra possui valor histórico, antropológico, memorialístico e identitário, contribuindo para o fortalecimento da memória dos povos originários do Nordeste brasileiro.





RESUMO

Esta obra apresenta um levantamento etno-histórico das conexões ancestrais dos Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas, com outros povos indígenas do Baixo São Francisco e do Nordeste brasileiro. A pesquisa fundamenta-se em tradição oral, entrevistas com anciões, documentos históricos, registros do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), bibliografia especializada e memória familiar. O trabalho organiza cronologicamente lideranças indígenas, pajés, curandeiros, conselheiros, agricultores, pescadores e ceramistas, demonstrando os processos históricos de resistência, migração, reorganização social e preservação cultural dos povos indígenas nordestinos entre os períodos colonial, imperial e republicano.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; tradição oral; etno-história; genealogia indígena; Baixo São Francisco.





ABSTRACT

This work presents an ethno-historical survey of the ancestral connections of the Kariri-Xocó people from Porto Real do Colégio, Alagoas, with other indigenous peoples of the Lower São Francisco River and Northeastern Brazil. The research is based on oral tradition, interviews with elders, historical documents, records from the Indigenous Protection Service (SPI), specialized bibliography, and family memory. The study chronologically organizes indigenous leaders, shamans, healers, counselors, farmers, fishermen, and potters, demonstrating the historical processes of resistance, migration, social reorganization, and cultural preservation among Northeastern indigenous peoples during the colonial, imperial, and republican periods.

Keywords: Kariri-Xocó; oral tradition; ethno-history; indigenous genealogy; Lower São Francisco River.






APRESENTAÇÃO

As histórias dos povos indígenas do Nordeste brasileiro foram, durante muito tempo, narradas apenas sob o olhar colonial. Muitas memórias ancestrais sobreviveram graças à oralidade preservada pelos anciões, pelos rituais sagrados, pelos conselhos tribais e pelas famílias indígenas.

A presente obra busca contribuir para a preservação dessas memórias, reunindo informações sobre lideranças, famílias tradicionais, práticas culturais e conexões históricas entre os povos indígenas do Baixo São Francisco.

O livro organiza narrativas ancestrais em ordem cronológica, permitindo compreender a continuidade histórica dos Kariri-Xocó ao longo das gerações.





NOTA DO AUTOR

Este trabalho nasceu da necessidade de preservar as memórias ancestrais do povo Kariri-Xocó e de registrar histórias transmitidas oralmente por nossos antigos.

Muitas informações aqui presentes foram reconstruídas através de relatos familiares, entrevistas com anciões, observações culturais e análise cronológica baseada na tradição oral indígena.

O objetivo desta obra não é encerrar debates históricos, mas contribuir para o fortalecimento da memória coletiva e da identidade dos povos originários do Baixo São Francisco.





MEMÓRIA DO AUTOR

Sou Nhenety Kariri-Xocó, indígena do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas. Cresci ouvindo as histórias dos antigos nas rodas de conversa, nas fogueiras, nos rituais e nos ensinamentos transmitidos pelos mais velhos.

Desde cedo desenvolvi interesse pela memória ancestral de meu povo, buscando compreender as origens das famílias indígenas, as migrações entre aldeias e as conexões históricas entre diferentes etnias do Nordeste.

Ao longo dos anos reuni relatos orais, documentos históricos, entrevistas e referências bibliográficas que hoje formam parte deste trabalho.

Esta obra representa não apenas uma pesquisa, mas também um compromisso espiritual e cultural com os antepassados Kariri-Xocó.



SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
Parte I — Contexto Histórico e Metodológico
Formação Histórica dos Povos do Baixo São Francisco
As Missões Indígenas no Período Colonial
Migrações Étnicas entre Alagoas, Sergipe e Pernambuco
Metodologia da Tradição Oral e Reconstrução Cronológica
A Memória dos Anciões e os Cálculos Geracionais
Parte II — Lideranças, Pajés e Conselheiros
Capítulo I — Lideranças e Conexões Étnico-Históricas
Capítulo II — Antigas Lideranças Militares de Aldeias e Missões
Capítulo III — Caciques e Pajés dos Séculos XVIII–XX
Capítulo IV — Curandeiros(as) e Mezinheiros(as) do Passado
Capítulo V — Conselheiros e Clãs Líderes de Famílias
Parte III — Memórias dos Trabalhadores e da Vida Comunitária
Capítulo VI — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XIX — Parte I
Capítulo VII — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XIX — Parte II
Capítulo VIII — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XIX — Parte III
Capítulo IX — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XIX — Parte IV
Capítulo X — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte I
Capítulo XI — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte II
Capítulo XII — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte III
Capítulo XIII — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte IV
Capítulo XIV — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte V
Capítulo XV — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte VI
Capítulo XVI — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte VII
Parte IV — Memória, Resistência e Continuidade
O Ouricuri e a Resistência Cultural
A Cerâmica, a Pesca e a Agricultura Tradicional
A Formação Contemporânea da Aldeia Kariri-Xocó
A Memória dos Antepassados na Atualidade
Considerações Finais
Referências Bibliográficas
Glossário
Sobre o Autor




INTRODUÇÃO

Os povos indígenas do Baixo São Francisco possuem uma longa trajetória histórica marcada por deslocamentos, alianças étnicas, resistência cultural e reorganização social diante dos impactos da colonização portuguesa.

A atual comunidade Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas, resulta de diversos processos históricos envolvendo povos indígenas provenientes de aldeias e missões situadas em Alagoas, Sergipe e Pernambuco.

Durante os períodos colonial, imperial e republicano, grupos indígenas foram submetidos à ocupação territorial, redução populacional, deslocamentos forçados e políticas de assimilação cultural. Apesar dessas dificuldades, mantiveram práticas religiosas, estruturas familiares, tradições orais e formas próprias de organização comunitária.

A presente obra busca reconstruir parte dessa trajetória histórica por meio de registros genealógicos, memórias familiares e narrativas preservadas pela oralidade indígena.



PARTE I — CONTEXTO HISTÓRICO E METODOLÓGICO

O contexto histórico-metodológico do povo Kariri-Xocó reconstrói a trajetória da comunidade no baixo Rio São Francisco a partir do cruzamento entre a etnohistória colonial e a cronologia baseada na memória e tradição oral.

Esta abordagem valida a ciência indígena de registrar o tempo, conectando os ciclos de vida dos antepassados aos marcos territoriais e políticos da região.

Para o povo Kariri-Xocó, a datação histórica não depende apenas de cartórios ou documentos oficiais, mas sim de uma metodologia cronológica viva:

A identificação de datas e eras baseia-se na idade cronológica de lideranças e parentes cruzada com o momento em que viveram e morreram.

O tempo é medido por acontecimentos marcantes da comunidade (como grandes enchentes do Rio São Francisco, secas, a chegada de órgãos coloniais, instituições religiosas, fundações de capitania, povoados, freguesias, paróquias, vilas, cidades, conflitos por terra ou a chegada e de de órgãos indigenistas).

Na pesquisa histórica moderna, essa metodologia é chamada de História Oral Coletiva, onde a memória dos anciãos possui o mesmo peso científico que um documento escrito antigo.

A configuração atual dos Kariri-Xocó é fruto de uma longa estratégia de resistência iniciada na antiga Capitania de Pernambuco:

As Missões Religiosas Coloniais: Durante o Brasil Colonial, o baixo Rio São Francisco foi palco do aldeamento jesuíta e capuchinho (como a Missão de N. Srª. da Conceição de Colégio, atual Porto Real do Colégio).

Esses aldeamentos reuniram diferentes grupos étnicos (Kariri, Karapotó, Aconã, Xocó, Natu, entre outros). Para resistir e manter a posse da terra, esses povos se uniram, gerando o processo de etnogênese que consolidou a identidade Kariri-Xocó.

Mesmo com a imposição colonial e a forte mistura cultural das missões, o povo preservou o seu segredo sagrado, a tradição do Ouricuri, elemento central que garantiu a coesão identitária e a resistência étnica até os dias de hoje.



FORMAÇÃO HISTÓRICA DOS POVOS DO BAIXO SÃO FRANCISCO

A narrativa oral dos povos originários chamado o rio chamado de Opará com a chegada dos colonizadores foi denominado de Rio São Francisco no ano 1501. Historicamente Alagoas ficou sob a jurisdição da Capitania de Pernambuco, fundado o povoado Penedo em 1560 nas margens do Rio São Francisco. O Colégio dos Jesuítas em Olinda, capital da Capitania de Pernambuco foi fundado em 1568 para incentivar a criação de aldeias e missões, reunindo vários grupos étnicos da região Nordeste, nos séculos posteriores. Essas aldeias, missões com passar dos anos tornaram povoados, freguesias, paróquias,
vilas e cidades, atravessando o tempo, ficaram marcados na tradição oral como datação de nascimento e morte de pessoas da comunidade indígena.

AS MISSÕES INDÍGENAS NO PERÍODO COLONIAL

Na região do Baixo São Francisco existiu várias missões jesuítas e capuchinhas ao longo dos séculos XVII - XVIII, mas em alguns lugares esse ciclo se prolongou até o final do século XIX, quando o Império do Brasil determinou extinção administrativa de aldeamentos indígena em várias províncias, inclusive de Alagoas em 1873.

As aldeias que mantiveram conexões com a Missão de N. Sra. da Conceição de Colégio, foram: Pacatuba (SE), Ilha de São Pedro (SE), Lagoa Comprida ( AL), Jaciobá (AL), Panema (PE), Brejo dos Padres (PE), por afinidades culturais e religiosas das tradições do Oricuri sagrado.

Nos meados do século XVIII, os jesuítas foram expulso do Brasil, por ordem do Marquês de Pombal 1⁰ Ministro de Portugal, assim os aldeamentos missionários foram ao longo do tempo transformados em povoados e vilas para a colonização da região.


MIGRAÇÕES ÉTNICAS ENTRE ALAGOAS, SERGIPE E PERNAMBUCO

A Carta Régia de 1700 determina uma légua de terra para cada aldeia, delimitando a população até 100 casais em cada missão religiosa. Assim os excesso populacional das aldeias para uma redistribuição de indígenas para outros lugares distantes de sua terra natal.

Nessa conjuntura política da época muitos povos migraram ora das vezes por força da lei, mas tiveram aqueles grupos étnicos que mudaram de região espontaneamente, buscando melhores condições de sobrevivência, outras vezes resistiam as mudanças impostas.

Os casamentos inter-étnicos favoreceram laços de parentesco, fortalecendo a resistência contra o colonizador, podemos perceber vários conflitos no Brasil Colonial entre os indígenas e colonizadores na defesa do território tradicional.

Na descrição dos nomes das lideranças e pessoas da comunidade veremos uma diversidade étnica de famílias de grupos indígenas sobreviventes que vieram residir em Porto Real do Colégio, Alagoas, por oferecer melhores condições de sobrevivência como povo nativo.


METODOLOGIA DA TRADIÇÃO ORAL E RECONSTRUÇÃO CRONOLÓGICA

Na tradição oral como fazer para descobrir as datas de nascimento e morte de um indígena? Quando vou entrevistar um ancião pergunto, o senhor sabe qual o ano que seu pai ou mãe nasceu e morreu? O ancião responde rapaz não sei não, mas quando eu nasci em 1940 meu pai tinha 19 anos de idade e minha mãe 18 anos. Meu pai morreu com 78 anos e minha mãe com 80 anos.

Para descobrir o ano de nascimento e falecimento dos pais desse ancião, podemos calcular da seguinte forma: Pai: Nasceu em \(1921\) e morreu em \(1999\).
Mãe: Nasceu em \(1922\) e morreu em \(2002\).

O Pai, nascimento: Como o ancião nasceu em 1940 e o pai tinha 19 anos, basta subtrair: \(1940 - 19 = 1921\). Falecimento: Sabendo que o pai nasceu em 1921 e viveu 78 anos, somamos: \(1921 + 78 = 1999\).

A Mãe, nascimento: Como o ancião nasceu em 1940 e a mãe tinha 18 anos, subtraímos: \(1940 - 18 = 1922\). Falecimento: Sabendo que a mãe nasceu em 1922 e viveu 80 anos, somamos: \(1922 + 80 = 2002\).





DESENVOLVIMENTO DOS CAPÍTULOS

Os capítulos desta obra encontram-se organizados em ordem cronológica e temática, reunindo informações sobre lideranças indígenas, capitães-mores, pajés, curandeiros, conselheiros, agricultores, pescadores, ceramistas e famílias tradicionais dos Kariri-Xocó e povos relacionados.

Cada capítulo aborda um aspecto específico da organização social indígena ao longo dos séculos, permitindo compreender a continuidade histórica e cultural das comunidades do Baixo São Francisco.

As informações foram obtidas através de tradição oral, entrevistas, documentos históricos, registros do SPI, bibliografia especializada e memória familiar preservada entre gerações.



CAPÍTULOS I - LIDERANÇAS CONEXÕES ÉTNICO-HISTÓRICA

No Nordeste do Brasil as aldeias indígenas foram incorporadas outras culturas, introduzida pelo colonizador, ocupação do território para a cana-de-açúcar, criação de gado ocasionou desestabilidade interna. Nesse período inicial lideranças indígenas tiveram influência regional, alianças étnicas, para superar conflitos com holandeses, Confederação dos Cariris, Palmares.

Tarobá ( Aldeia Natu, Opará, 1439 - Aldeia Natu, Capitania de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1548 ), estava com 62 anos quando avistou a caravela em 1501 na foz do Opará que os portugueses denominaram de Rio São Francisco, ele viveu 109 anos.

Piragibe  ( Aldeia Ribeiras do Opará, Alagoas, 1485 - Ilha do Bispo, Paraíba, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1600 ) foi cacique tabajara. Na tradição Kariri-Xocó existe a família Pirigipe, considerada relacionada simbolicamente à memória ancestral de Piragibe.

Jurumbá ( Aldeia Natú, Baixo São Francisco, Capit. de Pernambuco, Reino de Portugal, 1535 - Aldeia Pacatuba, Sergipe d'El Rei, Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1603 ) ele já estava com 25  anos quando os portugueses fundaram Penedo em Alagoas em 1560 na Capitania de Pernambuco, viveu 68 anos.

Camaná ( Aldeia Natú, Baixo São Francisco, Capitania de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1553 - Aldeia de Pacatuba, Sergipe d'El Rei, Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1629 ) indígena Natú, filha de Jurumbá que estava com 18 anos quando ela nasceu nas Ribeiras do Opará, ela viveu 76 anos.

Pindaíba ( Aldeia Aramurú, Sergipe d'El Rei, Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1576 - Aldeia Aramurú, Morgado de  Porto da Folha, Sergipe d'El , Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1658 ). cacique, indígena Aramurú.

Muira Ubi, Niraubi  ou Antônio Pessoa Arcoverde ( Paraíba, Capit. de Pernambuco, PE, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1604 - Paraíba, Capit. Pernambuco, 1692 ) capitão mor, indígena Tabajara, liderou os Xocó.

Maruandá (Aldeia Kariri, Vila de Penedo, Capitania de Pernambuco, Brasil Holandês, 1652 – Aldeia Urubumirim, Vila do Penedo do Rio São Francisco, Capitania de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1726).

Canindé ( Rio Grande do Norte, RN, Capit. Rio Grande ( RN ), Estado do Brasil, Reino de Portugal, Séc. XVII - Rio Grande (RN ), Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1699 ), líder dos Janduis e dos Cariris do Nordeste, em Kariri-Xocó existe a família Nidé.

Carapotó Antônio Gonçalves ( Capit. de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1618 - Aldeia Pacatuba, Sergipe 'dEl Rei', Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1708 ) cacique, indígena Karapotó deu origem o povo do mesmo nome.




CAPÍTULO II - ANTIGAS LIDERANÇAS MILITARES DE ALDEIAS E MISSÕES

Na ocupação do território no período Brasil Colonial, Brasil Império até na República, os indígenas lutaram com resistência, ora as vezes contra o colonizador outras vezes ao lado deles, sendo nomeados como capitão-mor. Essas lideranças visitavam os parentes em outras aldeias em momentos de luta pela sobrevivência do povo.


José Serafim de Souza ( Aldeia Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe 'dEl Rei', Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1765 - Aldeia Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1863 ) capitão mor, indígena Xocó, pai de Antônia Rosa de Souza.

Pedro Lolaço ( Rua dos Índios, Distrito Porto Real do Colégio, Vila de Penedo, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1796 - Rua dos Índios, Paróquia de Porto Real do Colégio, Penedo, Prov. Alagoas, Império do Brasil, 1871 ) capitão mor, indígena Kariri, irmão de Ludovico . 

Antônio Frutuoso ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe d'El Rei, Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1797 - Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Prov. Sergipe, Império do Brasil, 1873 ) capitão-mor da Ilha, substituiu o cap. José Serafim de Souza em 1823 .

Manoel Altanazio ( Rua dos Índios, Distrito Porto Real do Colégio, Comarca de Alagoas, Vila de Penedo, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1811 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Prov. Alagoas, Império do Brasil, 1880 ) cabo de esquadra e agricultor, indígena Kariri, pai de Maria Tomazia, João Vicente e Antônia Rosa.

Firmino José dos Santos ( Rua dos Índios, Paróquia de Porto Real do Colégio, Vila de Penedo, Prov. Alagoas, Império do Brasil, 1840 - Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1900 ) alferes e o 2º intendente de Porto Real do Colégio, indígena Kariri.

Manoel Pacífico de Barros ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Prov. Sergipe, Império do Brasil, 1834 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1906 ) soldado da marinha, indígena Xocó.

Jurandir Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1919 - Manaus, AM, Brasil, 1982 ) tenente, indígena Kariri, filho de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité.




CAPÍTULO III - CACIQUES E PAJÉS DO SÉCULOS XVIII - XX

O Estado Português e os missionários tentaram apagar a cultura indígena, colocando Capitão-mor no lugar do Cacique e o Padre no lugar do Pajé. Mas não funcionou, os Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas, mantiveram sua organização social e religiosa até os dias atuais. Nas fogueiras histórias no interior da floresta,  em segredo pessoas aflitas por não poder expressar sua cultura, foi tempo difícil mas tudo passou.


Luduvico ( Rua dos Índios, Freg. de N. Sra. da Conceição do Porto Real, Vila de Penedo, Comarca de Alagoas, Capit. de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1778 - Rua dos Índios, Paróquia de Porto Real do Colégio, Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1855 ) pajé, indígena Kariri, pai de Manoel Baltazar; avô paterno de Manoel Paulo; bisavô materno de Manoel Joaquim de Santana.

Manoel Baltazar ( Rua dos Índios, Freg. de N. Sra. da Conceição do Porto Real, Comarca de Alagoas, Vila de Penedo, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1794 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1876 ) pajé, indígena Kariri, filho de Ludovico e pai de Manoel Paulo.

Manoel Paulo ( Rua dos Índios, Distrito de Porto Real do Colégio, Capit. Alagoas, Vila de Penedo, Reino de Portugal, Brasil e Algarve, 1820 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1910 ) pajé, indígena Kariri, filho de Manoel Baltazar.

Antônio Binga ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1840 - Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1921 ) pajé em São Pedro,  pescador, indígena Xocó.

Inocêncio Pires Muirá ( Ilha de São Pedro, Porto de Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1855 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1936 ) cacique, indígena Xocó, Aramurú e Xocó, filho de Jetudes e José Ribeiro.

José Ferreira Botó ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1896 - Olho D'água do Meio, Feira Grande, Alagoas, Brasil, 1967 ) pajé Tingui-Botó, indígena Kariri, filho de João Xavier da Silva Botó e Maria da Conceição.

Manoel Joaquim de Santana ( Ilha de São Pedro, Freg. de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1878 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 ) pajé, indígena Kariri e Xocó, filho de José Maromba e Martinha.

Otávio Nidé ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1908 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 1989 ) cacique, rezador e pescador, indígena Xocó, filho de Umberlina de Souza Lima e Manoel Queroz.

Jonas Ibá ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1908 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 ) cacique, mestre de chegança, indígena Kariri e Xocó, filho de Manoel Joaquim de Santana e Maria Murú Ibá .

Francisco Queroz Suíra ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1912 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 1994 ) pajé e pescador, indígena Kariri e Xocó, filho de Manoel de Queroz e Maria Serafina .

Cícero Santiago Irecê ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2016 ) cacique e professor, indígena Xocó, filho de Benedita Muirá .





CAPÍTULO IV - CURANDEIROS (AS) E MESINHEIRAS (OS) DO PASSADO

As dificuldades imposta pelo colonizadores, ocupação do território, com pouco acesso às florestas, mesmo assim o indígena fez uso dos saberes ancestrais para superar os problemas, buscou a cura através dos pajés e curandeiros, assim foram chamador pelos brancos que também a procuravam em busca da cura nativa. O povo cresceu juntamente com a diversidade de saberes de outros grupos étnicos que vieram aos poucos em vários períodos históricos. A Rua dos Índios recebera esta denominação desde 1763, quando os indígenas saíram do centro da antiga aldeia com a criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real, Alagoas, foram morar na periferia ao lado norte. Com a criação da fábrica de beneficiamento de Arroz a Usina São Vicente a Rua dos Índios passou a ser chamada Rua São Vicente até os dias atuais, segundo a tradição local.


Jaciara ( Aldeia Jaciobá, Pão-de-Açúcar, Alagoas, Capitania de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1655 - Aldeia Jaciobá, Pão de Açúcar, Comarca de Alagoas, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1717 ) mesinheira, indígena Chocó, mãe de Tereza Muirá; mulher de Muirá ou Niraubi.

Rosa Ferreira Botó ( Rua dos Índios, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1824 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Porto Real do Colégio, Brasil, 1918 ) curandeira, indígena Kariri, filha de Pedro Lolaço; esposa de Marcos Ferreira.

Luzia ( Rua dos Índios, Distrito de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, 1829 - Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1912 ) mesinheira, indígena Kariri, filha de Manoel Baltazar; irmã de Manoel Paulo, esposa de Gabriel Gonçalves de Oliveira.

Martinha ( Rua dos Índios, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1848 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1922 ) mesinheira, índia Kariri, filha de Manoel Paulo e neta de Manoel Baltazar.

Gabriel Gonçalves de Oliveira ( Palmeiras dos Índios, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1853 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1933 ) mezinheiro, indígena Xucuru-Kariri, esposo de Luzia irmã de Manoel Paulo.

Maria Alexandrina Ferro ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1875 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, AL., 1951 ) mesinheira, indígena Xocó e Pankararu, filha de Jorge Alexandre e Almerinda Conceição.

Cícero Ferreira Botó ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1894 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1949 ) curandeiro, indígena Kariri, filho de João Xavier da Silva Botó e Maria da Conceição.

Antônio Rosa Ferro, ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1910 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1966 ) curandeiro, indígena Kariri e Xocó, filho de João Vicente Ferreira Ferro e Antônia Rosa C. Ferro.

Cícero de Aquino Candará ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil,  2011 ) caçador, curandeiro, indígena Xocó, filho de Marieta de Aquino e Antônio de Aquino.





CAPÍTULO V - CONSELHEIROS E CLÃS LÍDERES DE FAMÍLIAS

A política indigenista colonial de redução da população das aldeias e a extinção administrativa dos aldeamento para criação de vilas e cidades, muitas famílias de grupos étnicos diversos buscaram refúgio, onde as condições de sobrevivência era mais amenas em outras aldeias. Nesse tempo havia líderes de clã e conselheiros chefes de famílias, esse foi o tempo de acolhimento dos parentes em aflição por deixar sua terra querida. A Rua dos Índios, na periferia de Porto Real do Colégio, ali residiam: Kariri, Karapotó, Natu, Aconã, Xucuru-Kariri, Xocó e Fulni-ô.


Tereza Muirá ( Aldeia Jaciobá, Alagoas, Vila de Penedo, Capit. de Pernambuco, 1687 - Aldeia Jaciobá, Pão de Açúcar, Vila de Penedo, Comarca de Alagoas, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1759 ), líder clãnica indígena Chocó, filha de Jaciara e Muira Ubi.

Maria Pirigipe dos Santos ( Rua dos Índios, Distrito de Porto Real, Vila de Penedo, Capitania de Alagoas, Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, 1818 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1902 ) líder clãnica da Família Pirigipe, ceramista, indígena Kariri e Natú, mãe de Maria Tomazia Pirigipe.

João Xavier da Silva Botó ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real do Colégio, Comarca de Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1832 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1923 ) líder clãnico dos Botó, agricultor, indígena Kariri, filho de Pedro Lolaço.

João Maromba ( Freguesia de São Félix de Pacatuba, Vila Nova, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1835 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1921 ) líder clãnico dos Maromba, agricultor, indígena Xocó, pai de José, Francisco, Pedro e Gregório.

Maria Tomazia Pirigipe ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real do Colégio, Comarca de Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1838 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, Alagoas, 1953 ) conselheira,  tribal, indígena Kariri e Natú, filha de Manoel Altanazio dos Santos e Maria Pirigipe dos Santos.

Vicente Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real do Colégio, Comarca de Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1841 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, 1913 ) líder clãnico dos Poité, agricultor, indígena Kariri, filho de Pedro Lolaço.

João Pereira Pirigipe ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real do Colégio, Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1847 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, fal. 1945 ) chefe do Conselho Tribal, conselheiro, pescador, indígena Kariri, pai de Maria Pureza Poité.

Manoel Francisco da Silva ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1852 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1936 ) canoeiro, indígena Xocó, líder clãnico dos Tononé.

Maria Serafina ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1876 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1938 ) líder clãnica dos Suíra, ceramista e pescadora, indígena Kariri e Xocó, filha de Martinha e José Maromba, mãe de Francisco Queiroz Suíra.

Aniceto Tinga ( Ilha de São Pedro, Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1878 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1943 ) líder clãnico dos Tinga, agricultor, indígena Xocó, pai de Ernestina Tinga.





CAPÍTULO VI - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XIX  ( Parte 1 )

As comunidades indígenas a agricultura coletiva, homens e mulheres plantavam milho, feijão, mandioca e batata na base da alimentação. Na cerâmica as mulheres confeccionavam potes e panelas de barro, se tornando um meio de troca e venda do produto cerâmico por alimentos com o próprio colonizador. Mas a pesca era uma atividade diária, o Rio São Francisco com sua fartura de peixes supria as necessidades. O fortalecimento da comunidade com os casamentos inter-étnicos nos laços de parentesco e força grupal nos desafios porvir. Parte dos  Xocó migraram para Porto Real do Colégio em 1882, mas a família de Inocêncio Muirá ficou na Ilha de São Pedro, Porto da Folha, na Província de Sergipe, saindo em 1898.


Manoel Alexandre ( Brejo dos Padres, Freguesia de Nossa Senhora da Saúde de Tacaratu, Província de Pernambuco, Império do Brasil, 1825 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1903 ) agricultor, indígena Pankararu, irmão de José Ribeiro e Pedro Alexandre.

José Santana ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Paróquia de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Vila de Penedo, Império do Brasil, 1828 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1916 ) pescador, indígena Kariri, pai de Marco Ferreira, Martiniano Lima, Vicente F. Ferro e Maria Colodina. 

José Ribeiro Sabino Pires ( Freguesia de Nossa Senhora da Saúde de Tacaratu, Província de Pernambuco, Império do Brasil, 1830 - Ilha de São Pedro, Freguesia de Nossa Senhora do Porto da Folha, Província de Sergipe, 1880 ) agricultor, indígena Pankararu, pai de Inocêncio Pires Muirá.

Jetudes ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1835 - Ilha de São Pedro, Freguesia Nossa Senhora da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1890 ) fiandeira e ceramista, índia Xocó, mãe de Inocêncio Muirá.

Maria Tinga de Jesus ( Freguesia São Félix de Pacatuba, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1837 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1920 ) ceramista, indígena Orumarus e Xocó, esposa de Manoel Alexandre, mãe de Antônia Rosa Conceição.

Manoel Roberto Poité ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Paróquia de Porto Real do Colégio, Comarca de Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1841 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1909 ) agropecuarista, indígena Kariri, pai de Delmira Roberto Poité.

Lourenço Marinho ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1853 - Penedo, Alagoas, Brasil, 1928 ) agricultor, indígena Xocó pai de Antônio Marinho; avô paterno de Júlia Pires Suré.

Carolina Maria de Jesus ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe, Império do Brasil, 1854 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1937 ) ceramista, indígena Xocó, esposa de Manoel Francisco da Silva.

Maria Tertuliana Muirá ( Ilha de São Pedro, Porto de Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1856 - Porto Real do Colégio, fal. 1938 ) ceramista, indígena Xocó e Aramurú, esposa de Inocêncio Pires Muirá.

Manoel Gregório Maromba ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1857 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1936 ) agricultor, filho de João Maromba, indígena Xocó filho de João Maromba, esposo de Severina Queiroz, avô de Francisco Queroz Suíra.

Francisco Matias de Souza ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1858 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1934 ) pescador, indígena Xocó.

José Maromba ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1858 - Rua dos Índios Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1933 ) agricultor, indígena Xocó filho de João Maromba, esposo de Martinha, pai de Manoel Joaquim de Santana e de Maria Serafina.

Severina Queiroz ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1858 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1936 ) agricultora, indígena Kariri, mãe de Manoel Queroz Suíra .




CAPÍTULO VII - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XIX ( Parte 2 )

As condições políticas, sociais, culturais e climáticas  determinavam o favorecimento de uma atividade econômica, seja em qualquer período histórico da humanidade. Assim ocorreu a evolução das sociedades, cada geração passou por crises e superações. As fogueiras continuavam com as notícias das novidades recém-chegadas, assim necessitariam novas adaptações para superar as crises.


Francisco Maromba ( Ilha de São Pedro, Freguesia de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1861 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 ) pescador, indígena Xocó filho de João Maromba.

Leopoldino Pires Muirá ( Ilha de São Pedro, Freguesia de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1862 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1941 ) agricultor e estivador, indígena Xocó, filho de Antônia Rosa de Souza e Inocêncio Pires Muirá.

Pedro Maromba ( Ilha de São Pedro, Freguesia de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1863 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, fal. 1943 ) agricultor, indígena Xocó filho de João Maromba.

João Vicente Ferreira Ferro ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1865 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1949 ) apicultor, agricultor, indígena Kariri e Natú, filho de Manoel Altanazio dos Santos.

Delmira Roberto Poité ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1870 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1953 ) agricultora, indígena Kariri, mãe de Euclides Ferreira Poité; filha de Manoel Roberto Poité.

João de Rosa Ferreira ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1870 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1943 ) pescador, indígena Kariri, filho de Rosa Ferreira Botó e Marco Ferreira.

Ana Maria da Conceição ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Província de Pernambuco, Império do Brasil, 1872 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1954 ) agricultura, indígena Pankararu, filha de Maria Pizenanda de Jesus e Roque Pires de Carvalho.

Maria Eleuteria Soia ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Freg. de N. Sra. da Conceição da Ilha do Ouro, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1874 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1955 ) ceramista, indígena Xocó, mãe de Josefa Soia.

Manoel Messias Botó ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1874 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1942 ) agricultor, indígena Kariri, filho de João Xavier da Silva Botó e Maria da Conceição.

Antônia Rosa Conceição ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Freg. de N. Sra. da Conceição da Ilha do Ouro, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1875 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1947 ) ceramista, indígena Xocó, filha  de Manoel Alexandre e Maria Tinga de Jesus. 

Manoel Queroz Suíra ( Ilha de São Pedro, Freg. de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1875 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1938 ) pescador, indígena Kariri e Xocó, filho de Manoel Gregório Maromba e Severina Queiroz.




CAPÍTULO VIII - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XIX ( Parte 3 )

No final do século XIX a política imperial nas províncias de extinção administrativa das aldeias indígenas para a criação de vilas e cidades, o território usurpado, as florestas derrubadas, o nativo passou muitas privações, descriminação étnica para legitimar tal mudança. O indígena passou a trabalhar para os colonizadores, nas fazendas de gado, engenhos de cana. serviços domésticos.


Maria Isabel ( Ilha de São Pedro, Freg. de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1875 - Itabaiana, Sergipe, Brasil, 1939 ) ceramista, indígena Xocó, mãe de Francilina Santos.

Maria Francelina Lima ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1877 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1942 ) ceramista, indígena Kariri, mãe de Umbelina de Souza Lima e Maria das Neves, avó do cacique Otávio Queiroz Nidé.

Luiz Binga ( Ilha de São Pedro, Freg. de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1879 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 ) pescador, indígena Xocó, filho de Antônio Binga. 

Antônia Rosa Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1880 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1958 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Manoel Altanazio dos Santos e Maria Agostinha.

Manoel Florêncio Pirigipe ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1880 - Rua SãoVicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1964 ) agricultor, indígena Xocó, filho de Manoel Teodoro e Maria Senhorinha. 

Rosa Pires Muirá ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1880 - Povoado Carrapicho, Neópolis, Sergipe, Brasil, 1964 ), ceramista, indígena Xocó, filha de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Pires Muirá.

Antônio Pires Muirá ( Ilha de São Pedro,  Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1881 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1963 ) canoeiro, índio Xocó, filho de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Muirá .

Antônio Marinho ( Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1885 - Neópolis, Sergipe, Brasil, 1953 ) marchante, indígena Xocó pai de Júlia Pires Suré; filho de Lourenço Marinho. 

Euclides Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1889 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1966 ) pescador e agricultor, indígena Kariri, filho de Vicente Ferreira Poité e Delmira Ferreira Poité.

Arcelina Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1890 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1972 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Aniceto Tinga e Maria Tinga.

Maria Hermínia Pires ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe, Brasil, 1890 - Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, 1912 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Muirá, mão de Júlia Pires Suré.

Maria Pureza Poité ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1890 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1971 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Maria Tomazia Pirigipe e João Pereira Pirigipe.





CAPÍTULO IX - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XIX ( Parte 4 )

As gerações seguintes do final do século XIX e início do século XX continuaram pequenas migrações entre as aldeias, as províncias estavam em processo de enfraquecimento do poder imperial para o período republicano do Brasil. Nas suas crenças tradicionais o indígena diziam nas fogueiras do conselho tribal: "O rei estar sendo castigado pelos nossos antepassados" por transformar aldeias em cidades.


João Francisco Tononé ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe, Brasil, 1890 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1956 ) agricultor, indígena Xocó filho de Manoel Francisco da Silva e Carolina Maria de Jesus.

Ervira Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1892 - Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 ) ceramista, índia Kariri, filha de Maria Tomazia Pirigipe e João Pereira Pirigipe.

Maria das Neves ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1892 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Brasil, 1944 ) ceramista, indígena Xocó e Kariri, filha de Martiniano Lima e Maria Francelina Lima.

Francilina Santos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1893 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 ) ceramista, indígena Xocó, mãe de Manoel Iraminõ, filha de Maria Isabel.

Maria Celestina Muirá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1895 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil 1974 ) agricultura, indígena Kariri, filha de Vicente Ferreira Poité e Delmira Roberto Poité.

Vicente Ferreira Ferro ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1875 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1950 ) pescador, indígena Cariri, filho de José Santana e Maria Juaquina.

Zafiraé ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1875 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1951 ) ceramista, indígena Kariri filha de Venceslau dos Santos e Ana Borges dos Santos.

Umbelina de Souza Lima ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1895 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1953 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Martiniano Lima e Maria Francilina Lima.

Isabel Pires Muirá ( Povoado Carrapicho, Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1898 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1980 ) agricultora, indígena Xocó, filha de Rosa Pires Muirá e João Damasio Bispo.

Cristina Vieira Caldas ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1899 - Propriá, Sergipe, Brasil, 1972 ) indígena agricultura, filha de Josias Caldas e Ana Maria da Conceição.

Nobertino Pires Muirá ( Povoado Carrapicho, Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1899 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1971 ) agricultor, indígena Xocó, filho de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Pires Muirá.



CAPÍTULO X - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 1 )

No início do século XX foi criado o SPI ( Serviço de Proteção aos Índios ) em 1910, agora nessa fase o indígena teve uma atenção maior pela República. A criação de postos indígenas veio também a assistência médica, escolas e as primeiras demarcações das terras indígenas.

Dorfina Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1900 - Povoado Sampaio, São Braz, Alagoas, Brasil, 1976 ) agricultura, indígena Kariri, filha de Vicente Ferreira Poité e Delmira Roberto Poité.

Josefa Soia ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1900 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1976 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Manoel Mourão e Maria Eleuteria Soia .

Maria Marcelina Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1900 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1959 ) ceramista, indígena Kariri, filha de João Vicente Ferreira Ferro e Maria Eulina .

Manoel Mourão Ibá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1900 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1954 ) pescador, indígena Xocó, filho de Manoel Mourão e Maria Mourão.

Firmino Pires Muirá ( Povoado Carrapicho, Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1901 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1978 ) canoeiro, indígena Xocó, filho de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Muirá.

Pedro Tinga Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1901 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio Alagoas, Brasil, 1955 ) pescador, indígena Xocó, esposo de Ernestina Tinga Pirigipe; filho de Manoel Paulo e Maria Ediviges.

Ernestina Tinga Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1904 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1958 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Aniceto Tinga e Maria Tinga.

Maria da Conceição ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1904 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1981 ) indígena Kariri, agricultora, filha de Luiz Antônio Teipó e Maria Joaquina Teipó. 

João Tibiriçá Içá ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1905 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1964 ) agricultor, indígena Pankararu, filho de Francisco Manoel Tenório Iça e Maria Rosa Içá.

José Porfírio dos Santos ( Palmeira dos Índios, Alagoas, Brasil, 1905 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1984 ) agricultor, indígena Xucuru-Kariri, filho de Manoel Francisco e Amara Francisco.




CAPÍTULO XI - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 2 )

O Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso foi criado em Porto Real do Colégio, Alagoas em 1944, com uma escola e uma enfermaria, terra para o plantio das roças com a garantia jurídica do Governo Federal. Outras comunidades indígenas foram sendo reconhecidas, mas em Alagoas foram somente Kariri-Xocó e Xucuru-Kariri no período do SPI até 1967.

Odilon Pires Muirá ( Povoado Carrapicho, Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1906 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1977 ) raizeiro, indígena Xocó.

Joana Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1907 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 1985 ) agricultura, indígena, Kariri, filha de Delmira Roberto Poité e Vicente Ferreira Poité.

Manoel Nunes Suré ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1907 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1948 ) agricultor, indígena Kariri, filho de João Nunes de Oliveira e Maria Tomasia Suré .

Maria Prazeres Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1907 - Aldeia Cariri, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1978 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Manoel Messias Botó e Maria dos Prazeres.

Maria Luiza Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, nasc. 1908 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1956 ) ceramista, indígena Kariri, filha de João Vicente Ferreira Ferro e Maria Antônia Rosa.

Júlia Pires Suré ( Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1909 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1988 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Hermínia Pires e Antônio Marinho.

Benedita Muirá Iraçê ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1910 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1980 ) indígena Xocó, filha de Leopoldino Pires Muirá e Maura Muirá.

Manoel Iraminõ ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1912 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1995 ) ceramista, indígena Xocó, filho de Francilina dos Santos.

Laudilina Jirá Iça ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1913 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1984 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Manoel Queroz Suíra e Maria Serafina.

Luiza Neri Tibiriçá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1913 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, fal. 2005 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Luiz Binga e Maria das Neves.





CAPÍTULO XII - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 3 )

Na década de 1950 a estrada de ferro cortou a terra indígena  Kariri-Xocó, reduzindo ainda mais o território em nome do desenvolvimento. A economia da região melhorou com a circulação de mercadorias, o indígena buscou adaptar-se a nova realidade do mundo.

Sebastião Francisco Tenório ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1913 - Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1968 ) agricultor, indígena Pankararu, filho Francisco Manoel Tenório e Maria Rosa da Conceição, teve família em Colégio depois retornando a terra natal.

Manoel Jirá Iça ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1914 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1990 ) cantador, agricultor, indígena Pankararu, filho de José Gomes e Marcelina Maria da Conceição. 

Amarílio Tononé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2010 ) vigilante, indígena Xocó, filho de João Francisco Tononé e Firmina Tononé. 

João Felismino Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1979 ) agricultor, indígena Xocó, filho de Antônio Cândido e Maria Aniceto.

Jovelina Queroz Suíra ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1975 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Manoel Queroz Suíra e Maria Serafina.

Maria Clara Soia Tononé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1974 ), ceramista, indígena Xocó, filha de João Mourão e Maria Giló.

Maria Leonidia ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1989 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Avelino dos Santos e Maria dos Santos. 

Maria Vieira Muirá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1976 ) indígena Xocó, filha de João Damasio e Maria Cristina.

Maria Eulina Ibá ( Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1917 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1985 ) ceramista, indígena Xocó e Kariri, filha de Manoel Joaquim de Santana e Maria Soia. 

Maria Celestina Lima ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1918 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 1996 ) ceramista, rezadeira, indígena Kariri e Natú, filha de Manoel Florêncio e Antônia Rosa Pirigipe.




CAPÍTULO XIII - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 4 )

No final da década de 1970 foi agora a vez da Rodovia BR 101, muito indígenas Kariri-Xocó foram aos canteiros de obras junto aos trabalhadores da construção civil, a ponte sobre o Rio São Francisco foi inaugurada em dezembro de 1972. Mas atividades agrícolas e pesqueiras não foram abandonadas, continuam o plantio das roças pelos jovens e as mulheres na cerâmica.


Antônia Ferreira Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1919 - Aldeia Kariri-Xocó, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 2003 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Marcelina Pirigipe e João Ferreira Ferro.

Jardilina Soia ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1920 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1993 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Manoel Soia e Maria Soia.

Maria Muirá Teipó ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1920 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2008 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Leopoldino de Souza Muirá e Amara Souza Muirá.

Leonor Pires Muirá Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1921 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1965 ), ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Firmino Pires e Maria Celestina Poité.

Elpídio Filintro Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1923 - Aldeia Kariri-Xocó, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 2006 ) pescador, indígena Kariri, filho de Manoel Filintro Pirigipe e Laurinda Pirigipe.

Maria Doralice Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1925 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1977 ) pescadora, indígena Kariri e Xocó, filha de Manoel Filintro e Maria Petronila de Jesus.

Maria dos Anjos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1925 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2013 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Antônio Luiz Teipó e Maria Eleuteria Teipó.

Antônio Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1926 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1996 ) cantador, pescador, indígena Xocó, filho de Pedro Tinga e Ernestina Tinga. 

Geraldino Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1926 - Rua SãoVicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1977 ) agricultor, indígena Kariri filho de Manoel Florêncio e Antônia Rosa Pirigipe .

José Francisco Tononé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1926 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Brasil, 2010 ) auxiliar de serviços gerais, indígena Xocó, filho de João Francisco Tononé e Maria Tononé.




CAPÍTULO XIV - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 5 )

A Rua dos Índios na periferia de Porto Real do Colégio, a energia elétrica trazia as novidades, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, a música no rádio e TV animava a garotada e adultos. O mundo agora estava mais próximo da aldeia, produtos da moda no comércio local, mas sem esquecer a cultura nativa. Os rituais do Ouricuri em períodos quinzenais fortalecia as raízes com os antepassados sagrados.

Maria de Lourdes Ferreira dos Santos ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1926 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2010 ) ceramista, indígena Kariri e Natú, filha de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité, esposa de Alírio Nunes de Oliveira.

Alírio Nunes de Oliveira ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1927 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1990 ) pescador, indígena Xocó, filho de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes de Oliveira, esposo de Maria de Lourdes Ferreira dos Santos.

Bonivar Pires Muirá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1927 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1996 ) indígena Kariri e Xocó, agricultor, filho de Firmino Pires Muirá e Maria Celestina Muirá.

Eurídice Tononé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1929 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2012 ) ceramista, indígena Kariri-Xocó, filha de Manoel Joaquim Santana e Maria Murú Ibá.

Maria do Carmo Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1929 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2021 ) doméstica, indígena Kariri, filha de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité.

Pedro Francisco dos Santos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1929 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1966 ) agricultor, indígena Kariri, filho de Avelino dos Santos e Maria dos Santos.

Claudenor Ramos Nidé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1928 - Lagoa de Canoa, Alagoas, Brasil, 2003 ) agricultor, indígena Kariri, filho de Heleno Ramos Nidé e Bracelina Nidé.

José Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 - Aldeia Kariri-Xocó, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 2003 ) pescador, indígena Kariri, filho de Ervira Pirigipe e Manoel Marcionílio.

Manoel Correia dos Santos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1931 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1985 ) agricultor e comerciante, indígena Kariri, filho de Antônio Correia dos Santos e Juventina Correia dos Santos.

Miguel Queiroz Suíra ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1931 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1999 ) agricultor e esportista, indígena Kariri-Xocó, filho de Francisco Queroz Suíra e Doralice Queroz Suíra. 

Edite Pires Suré ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1932 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2005 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes Suré.





CAPÍTULO XV - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 6 )

No ano de 1978 a mudança da Rua dos Índios para a Fazenda Modelo, no município de Porto Real do Colégio, Alagoas, os indígenas ergueram a nova Aldeia Kariri-Xocó, construção de 110 casas. As terras para as roças destruição para as famílias, lagoas com criação de peixes e principalmente as fontes de argila para a cerâmica.

Anália Ramos Nidé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1933 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2010 ) ceramista e agricultora, indígena Kariri, filha de Heleno Ramos Nidé e Brasilina Ramos Nidé.

Ivete Pires Suré ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1932 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2012 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes Suré.

Terezinha Tinga Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1933 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1954 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Pedro Tinga Pirigipe e Ernestina Tinga Pirigipe.

Edivaldo de Aquino ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1934 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1985 ) pescador, indígena Xocó, filho de Marieta de Aquino e Antônio de Aquino.

Especília Queroz Suíra ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1934 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2021 ) ceramista, indígena  Kariri e Xocó, filha de Francisco Queroz Suíra e Doralice Queroz Suíra.

Mirian Pires Muirá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1934 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1998 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Firmino Pires Muirá e Maria Celestina Muirá.

Maria Helena Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1935 - Rua Dr. Clementino Dumont, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2020 ) agricultora e doméstica, indígena Kariri, filha de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité.

Maria Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1937 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2011 ) ceramista, filha de João Felismino Tinga e Leonor Pires Muirá Tinga.

Paulo Pires Suré ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1937 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2021 ) agricultor, indígena Kariri e Xocó, filho de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes Suré.

Andrelino Ibá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1940 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2015 ) agricultor, indígena Kariri e Xocó, filho de Manoel Mourão Ibá e Maria Eulina Ibá.




CAPÍTULO XVI - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 7 )

A ampliação dos serviços de saúde, a escola recebeu mais novas salas de aulas, aumento do quadro de professores, os agricultores receberam um trator, caminhonete e contratação de funcionários públicos federais pela FUNAI ( Fundação Nacional do Índio). O Polo Base de Saúde, com medicos, enfermeiras e agentes de saúde.

Maria da Conceição ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1940 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1956 ) indígena Xocó, filha de Maria Leonidia.

Luiz Sebastião Tenório ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1941 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1958 ) agricultor, indígena Kariri e Pankararu, filho de Francisco Sebastião Tenório e Maria Celestina Lima.

Josival Pires Suré ( Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1941 - Vitória, Espírito Santo, Brasil, 1985 ) agricultor e mecânico, indígena Kariri e Xocó, filho de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes Suré.

Rosa Neri Tibiriçá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1941 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1993 ) ceramista, indígena Xocó e Pankararu, filha de João Tibiriçá Içá e Luiza Neri Tibiriçá.

Maria Jandira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1943 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2017 ) agricultora e doméstica, indígena Kariri, filha de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité.

Lorival dos Santos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 - São Paulo, S. Paulo, Brasil, 1996 ) agricultor, indígena Xocó, filho de Maria Leonidia .

Moacir Pires Muirá ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 - Aldeia Kariri-Xocó, P. R. do Colégio, Alagoas., Brasil, 2022 ), agricultor, indígena Xocó, filho de Odilon Pires Muirá.

Manoel Nunes da Cruz ( Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1956 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1994 ) agricultor, indígena Kariri-Fulniô, filho de Paulo Nunes Suré e Maria Justa da Cruz.

Lucineide Tenório Tononé ( Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1964 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2012 ) agricultura e comerciante, indígena Kariri-Pankararu, filha de José Francisco Tononé e Helena Tenório.




PARTE IV — MEMÓRIA, RESISTÊNCIA E CONTINUIDADE

Os saberes tradicionais estar presente na memória coletiva da comunidade indígena, às vivências ocorridas são compartilhadas nas fogueiras em contações de histórias. Cada pessoa traz sua nativa na ótica do pescador, agricultor, ceramista, curandeiros, lideranças tradicionais e clãs chefes de famílias.

Os casamentos inter-étnicos favoreceram uma melhor resistência, a multiplicidade de saberes adquiridos nesta unidade em laços de parentesco garantiu maior respeito e poder de negociação com autoridades, mesmo numa integração parcial na sociedade com a nova realidade contemporânea.

O indígena foi utilizado como militar nos períodos de conflitos coloniais, outras vezes como mão de obra barata, mas também o nativo aprendeu a resistir conforme a conjuntura diante dos desafios apresentados no dia a dia.

OURICURI E A RESISTÊNCIA CULTURAL

Na luta pela sobrevivência, estes povos descobriram estratégias de resistência ao avanço do colonizador no seu território, na pressão dos missionários os indígenas guardaram em segredo os rituais tradicionais, praticadas nas florestas para preservar o Ouricuri sagrado.

A unidade no ritual garantiu sua continuidade como povo indígena, mesmo vivendo em contato com a sociedade nacional. Os período quinzenais de rituais na mata os indígenas retornam suas práticas nativas da cultura, arte, pintura corporal no reencontro dos costumes e tradições dos antepassados.


A CERÂMICA, A PESCA E AGRICULTURA TRADICIONAL

A cerâmica utilitária na confecção de potes e panelas de barro foi fonte de sustento dos Kariri-Xocó durante séculos, onde a produção de objetos eram trocados por alimentos com o os povoados circunvizinhos, fortalecendo um elo de amizade ao longo dos anos aqui no Baixo São Francisco.

No Rio Opará chamado de São Francisco a atividade pesqueiras dos povos originários, com a fartura de peixes estão presentes nas tradições, arte e cultura, passada de geração e geração, nos saberes da fauna e flora, com práticas tradicionais, contos e danças.

O cultivo de milho, feijão e mandioca são a base da alimentação indígena, a plantação das roças são realizadas em mutirões no plantio e colheita da produção agrícola. As famílias faz união com cantos de tradicionais, assim favorecendo a unidade grupal.

A FORMAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA ALDEIA KARIRI-XOCÓ

Os tempo contemporâneos confirma em continuidade os casamentos inter-étnicos que sempre aconteceram no passado, mas agora com maior intensidade pela facilidade de locomoção e comunicação, entre Kariri-Xocó, Fulni-ô, Tingui-Botó, Karapotó, Fulkaxó comprovam essa formação.

A comunidade Kariri-Xocó no passado acolheu grupos étnicos que buscavam refúgio na aldeia no município de Porto Real do Colégio em Alagoas, agora esses grupos também estão retornando a seus territórios de origem, mas a amizade e o laços de parentesco permanecem.

Na conquista do antigo território tradicional em 1978 a comunidade fez nova morada saíram da Rua São Vicente na periferia de Porto Real do Colégio para a construção da Aldeia Indígena Kariri-Xocó, onde as famílias poderam erguer suas casas, plantar suas roças, fazer sua cerâmica e pescar nas lagoas existentes.

A MEMÓRIA DOS ANTEPASSADOS NA ATUALIDADE

A memória dos antepassados na atualidade refere-se à busca ativa por conexão com nossas raízes, costumes e legados genéticos e culturais. Longe de ser apenas nostalgia, funciona como uma ferramenta contemporânea de autoconhecimento, construção de identidade e compreensão de comportamentos ou predisposições na nossa sociedade hiper-individualizada.

Os povos e as comunidades atuais são o resultado vivo e o reflexo direto de tudo o que os seus antepassados construíram, enfrentaram e transmitiram ao longo das gerações. Somos o legado dos antepassados na atualidade, pessoas, saberes, cultura, arte, costumes e tradições.

A memória dos antepassados está também nos contos, cantos, danças, pintura corporal, os seus nomes estão presentes nas histórias contadas nas fogueiras, tradição oral e agora na escrita em livros, estudos e vídeos nessa nova era digital como na inteligência artificial.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

As conexões históricas entre os Kariri-Xocó e outros povos indígenas do Nordeste revelam a profunda complexidade das relações étnicas existentes no Baixo São Francisco ao longo dos séculos.

Mesmo diante das políticas coloniais de dispersão, da perda territorial e das tentativas de apagamento cultural, os povos indígenas mantiveram vivas suas tradições, memórias ancestrais e formas próprias de organização comunitária.

A tradição oral desempenhou papel fundamental na preservação dessas histórias, permitindo que conhecimentos sobre famílias, lideranças, migrações e práticas culturais atravessassem gerações.

Espera-se que esta obra contribua para o fortalecimento da memória indígena nordestina e para futuras pesquisas sobre os povos originários do Opará.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


ALMEIDA, Geraldo Gustavo de. Heróis Indígenas do Brasil. Memórias sinceras de uma raça. Rio de Janeiro: Catedra, 1988 .

BRASIL. Ministério da Agricultura, Serviço de Proteção aos Índios (SPI), 4ª Inspetoria Regional. Ressenceamento população indígena Padre Alfredo Damaso localizado em Porto Real do Colégio, Estato de Alagoas. 1945. 6 fl. 


DANTAS , B. G. A Antiga Missão de São Pedro do Porto da Folha e a Recente Questão dos Xocó de Sergipe (Sinopse).In Terra dos Índios Xocó, 13-20. Comissão Pró-Índio. São Paulo, 1980a.

NIDÉ, Otávio Queiroz. Entrevista de um Cacique Kariri: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 06-14 jun. 1981.

SUÍRA, Francisco Queiroz. Entrevista de um Pajé Kariri: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 10-20 ago. 1986.

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IRECÊ, Cícero Santiago. Entrevista de um Cacique Kariri-Xocó: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 08-30 mar. 2015.

SUÍRA, Júlio Queiroz. Entrevista de um Pajé Kariri-Xocó: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 16-09 Fev. 1998.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Origens Kariri-Xocó 5. Disponível em: 

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KARIRI-XOCÓ, N. Blog Kxnhenety. 12 Jun. 2010 a 21 Dez. 2022 [online]. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:
http://kxnhenety.blogspot.com/2010-2022.html , Acesso em 21/12/2022.

VENANCIO, Manuela Machado Ribeiro. Os Kariri-Xocó do Baixo São Francisco: 

organização social, variações culturais e retomada das terras do território de ocupação tradicional.Tese de doutorado pela Universidade Fluminense de Niterói, 2018. 





GLOSSÁRIO

AL - Alagoas

CAPIT. DE PERNAMBUCO - Capitania de Pernambuco

FUNAI - Fundação Nacional dos Povos Indígenas

FREG. DE N. SRª. DA CONCEIÇÃO - Freguesia de Nossa Senhora da Conceição

PE - Pernambuco

PIT - Posto Indígena de Alfabetização e Tratamento

P. R. DO COLÉGIO - Porto Real do Colégio

SPI - Serviço de Proteção aos Índios





SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador independente, contador de histórias oral e escrita, memorialista indígena e integrante do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Dedica-se à preservação da memória ancestral dos povos indígenas do Nordeste brasileiro, especialmente das tradições históricas e culturais do Baixo São Francisco.

É autor de pesquisas, registros genealógicos e estudos etno-históricos publicados em plataformas digitais e projetos culturais relacionados à memória indígena nordestina.






Autor: Nhenety Kariri-Xocó