sexta-feira, 2 de outubro de 2026

AS PRIMEIRAS SÍLABAS EM KARIRI — O SOM QUE FORMA A PALAVRA — BOCUWIÁ UNÉ HIETÃDÉ NUNÚ, VAMOS SABER NOSSA LÍNGUA

 




Nhenety Kariri-Xocó




FALSA FOLHA DE ROSTO


AS PRIMEIRAS SÍLABAS EM KARIRI

O SOM QUE FORMA A PALAVRA

BOCUWIÁ UNÉ HIETÃDÉ NUNÚ

VAMOS SABER NOSSA LÍNGUA

Nhenety Kariri-Xocó

2026




FOLHA DE ROSTO


AS PRIMEIRAS SÍLABAS EM KARIRI

O SOM QUE FORMA A PALAVRA

BOCUWIÁ UNÉ HIETÃDÉ NUNÚ

VAMOS SABER NOSSA LÍNGUA

Autor:
Nhenety Kariri-Xocó

Obra de continuidade do projeto de letramento da língua Kariri-Xocó.

Porto Real do Colégio – Alagoas
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO


AS PRIMEIRAS SÍLABAS EM KARIRI — O SOM QUE FORMA A PALAVRA

Esta obra integra o projeto de registro, ensino, valorização e transmissão dos conhecimentos linguísticos e culturais Kariri-Xocó.

O presente volume dá continuidade à obra:

LETRAMENTO DO ALFABETO KARIRI — BOCUWIÁ UNÉ HIETÃDÉ NUNÚ, VAMOS SABER NOSSA LÍNGUA

Neste segundo momento, o estudo concentra-se na formação das primeiras sílabas, passando do reconhecimento dos sons para sua combinação e preparação para a formação de palavras.

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Organização, autoria e curadoria: Nhenety Kariri-Xocó

Local: Porto Real do Colégio – AL
Ano: 2026

Obra destinada a fins culturais, educacionais, linguísticos e de preservação da memória.

“Somos guardiões da memória do Opará.”





FICHA CATALOGÁFICA


KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

As primeiras sílabas em Kariri: o som que forma a palavra, Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú, Vamos Saber Nossa Língua / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Livro digital.

Língua Kariri-Xocó.

Línguas indígenas.

Letramento indígena.

Alfabetização.

Sílabas.

Cultura Kariri-Xocó.

Memória indígena.

Educação indígena.

Revitalização linguística.

Opará – Rio São Francisco.

CDD: 498 – Línguas indígenas da América do Sul

CDU: 811.1 – Línguas indígenas

Nota: Esta ficha é uma proposta editorial para organização da obra digital e não substitui ficha catalográfica elaborada por bibliotecário habilitado quando exigida para publicação institucional.





ISBN — REGISTRO SIMBÓLICO


ISBN SIMBÓLICO / EDITORIAL

978-65-00000-00-0

Este número é apresentado nesta edição como elemento simbólico de organização da coleção digital do autor.

Para fins de registro oficial, catalogação comercial ou publicação por editora, deverá ser utilizado o ISBN efetivamente atribuído pela agência competente.

Coleção: Letramento Kariri
Volume: II
Ano: 2026




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó





DEDICATÓRIA


Dedico este livro às crianças Kariri-Xocó.

A cada criança que escuta uma palavra, repete um som, aprende uma sílaba e descobre que a língua de seu povo também vive dentro de sua própria voz.

Dedico aos nossos anciãos, guardiões das palavras antigas, das histórias, dos cantos e dos ensinamentos que atravessaram gerações.

Dedico às famílias Kariri-Xocó, que continuam transmitindo conhecimentos dentro de suas casas e da comunidade.

Dedico aos professores e educadores indígenas que transformam a sala de aula em espaço de memória, identidade e continuidade.

E dedico especialmente aos nossos antepassados, que deixaram caminhos para que hoje pudéssemos continuar caminhando.

Que cada sílaba aprendida seja uma pequena semente.

Que cada palavra cresça.

Que cada história floresça.

E que a nossa língua continue viva.

Nhenety Kariri-Xocó





AGRADECIMENTOS


Agradeço primeiramente aos meus antepassados, cuja memória continua orientando meus passos.

Agradeço aos anciãos e às anciãs Kariri-Xocó, guardiões da palavra, da tradição e dos conhecimentos transmitidos pela oralidade.

Agradeço às crianças e aos jovens, que representam a continuidade da nossa cultura e que poderão levar a língua para novas gerações.

Agradeço aos professores, pesquisadores e colaboradores que contribuem para o registro e a valorização da língua Kariri-Xocó.

Agradeço à comunidade Kariri-Xocó, território vivo onde a memória encontra o presente.

Agradeço também às ferramentas digitais e às novas tecnologias que possibilitam organizar, registrar, ilustrar e compartilhar conhecimentos que antes permaneciam principalmente na oralidade.

Este livro é resultado de uma caminhada.

Nenhuma caminhada de conhecimento pertence somente a uma pessoa.

A palavra recebida torna-se responsabilidade de quem a recebe.

Por isso, agradeço a todos aqueles que, de diferentes maneiras, ajudam a manter viva a memória do nosso povo.

Iewóá.

Gratidão.





EPÍGRAFE


“Primeiro o ouvido aprende.
Depois a boca pronuncia.
Depois a mão escreve.
E então a palavra permanece.”

Nhenety Kariri-Xocó





PREFÁCIO DO VOLUME


O primeiro volume desta caminhada apresentou o Alfabeto Kariri, reunindo as vogais e as consoantes utilizadas na proposta de escrita apresentada para o processo de letramento.

Agora chegamos a uma nova etapa.

A criança já conhece os elementos básicos.

É hora de descobrir como eles podem se encontrar.

É nesse encontro que aparecem as primeiras sílabas.

Uma sílaba pode parecer pequena.

Entretanto, pedagogicamente, ela representa uma grande conquista.

A criança percebe que os sons não estão isolados.

Eles podem ser combinados.

Podem ser repetidos.

Podem ser escritos.

Podem formar palavras.

E as palavras podem guardar pensamentos, histórias e conhecimentos.

Este volume foi organizado para caminhar lentamente, respeitando o processo de aprendizagem.

Não se trata apenas de memorizar combinações.

Trata-se de desenvolver a escuta, a pronúncia, o reconhecimento visual, a escrita e, sobretudo, a relação entre língua e cultura.

O letramento Kariri-Xocó precisa estar ligado à vida.

A palavra precisa encontrar o território.

O som precisa encontrar a memória.

A escrita precisa encontrar a oralidade.

Assim, o livro torna-se uma ferramenta de continuidade cultural.





RESUMO


As Primeiras Sílabas em Kariri: O Som que Forma a Palavra — Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú, Vamos Saber Nossa Língua constitui o segundo volume da proposta de letramento da língua Kariri-Xocó desenvolvida por Nhenety Kariri-Xocó.

A obra dá continuidade ao estudo apresentado no primeiro volume, dedicado ao Alfabeto Kariri, e concentra-se na formação das primeiras sílabas a partir da combinação entre consoantes e vogais.

O livro apresenta atividades de escuta, repetição, reconhecimento, leitura e escrita, valorizando o princípio de que o aprendizado linguístico começa pelo som e pela oralidade antes de chegar ao registro escrito.

São abordadas combinações silábicas iniciais, sons específicos representados por conjuntos de letras e atividades que relacionam sílaba, palavra, significado, território e cultura.

A proposta considera o letramento como instrumento de fortalecimento da memória e da continuidade cultural Kariri-Xocó.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; língua indígena; letramento; sílaba; oralidade; educação indígena; memória; cultura.





ABSTRACT


First Syllables in Kariri: The Sound That Forms the Word — Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú, Let Us Learn Our Language is the second volume of the Kariri-Xocó language literacy project developed by Nhenety Kariri-Xocó.

The book continues the work presented in the first volume, which introduced the Kariri alphabet, and focuses on the formation of the first syllables through combinations of consonants and vowels.

The work proposes activities involving listening, repetition, recognition, reading and writing, emphasizing the importance of oral language and sound perception as foundations for written literacy.

It introduces initial syllabic combinations, specific sounds represented by groups of letters, and educational activities connecting syllables, words, meanings, territory and culture.

The proposal understands literacy as an instrument for strengthening Kariri-Xocó cultural memory, language transmission and intergenerational continuity.

Keywords: Kariri-Xocó; Indigenous language; literacy; syllables; orality; Indigenous education; memory; culture.





APRESENTAÇÃO


Este segundo volume nasce como continuação de uma caminhada.

No primeiro livro, entramos no universo do Alfabeto Kariri.

Conhecemos as vogais.

Conhecemos as consoantes.

Aprendemos que cada som possui importância.

Agora avançamos.

Vamos juntar esses sons.

Vamos descobrir as primeiras sílabas.

A criança que aprende uma sílaba está começando a perceber uma das grandes possibilidades da escrita: transformar o som em registro.

Mas a escrita não substitui a oralidade.

Ela é uma forma de registrar, preservar, ensinar e compartilhar aquilo que a comunidade conhece.

Por isso, o caminho deste livro será:

OUVIR → FALAR → REPETIR → LER → ESCREVER → COMPREENDER

O livro também procura aproximar a aprendizagem da realidade Kariri-Xocó.

A língua não está separada do território.

Ela está nas histórias.

Nos nomes.

Nas relações familiares.

Na natureza.

Nos cantos.

Nas lembranças.

Na comunidade.

Nos conhecimentos transmitidos pelos mais velhos.

Assim, aprender uma sílaba pode ser o começo de uma longa caminhada.





NOTA DO AUTOR


Este livro foi elaborado como continuidade do trabalho de letramento da língua Kariri-Xocó.

O objetivo não é apresentar a língua como um objeto distante, mas como conhecimento vivo, relacionado à memória e à identidade do povo.

A proposta parte do princípio de que a criança precisa primeiro escutar.

A escuta vem antes da escrita.

A pronúncia vem antes da cópia mecânica.

O significado vem antes da simples decoração.

Por isso, as atividades devem ser realizadas de maneira oral, coletiva e participativa sempre que possível.

Também considero importante que as palavras utilizadas nos exemplos sejam palavras conhecidas, registradas ou validadas dentro do trabalho linguístico Kariri-Xocó.

Não devemos inventar palavras simplesmente para preencher exercícios.

A língua deve orientar o material didático.

O material didático deve servir à língua.

Este livro, portanto, é uma proposta de caminhada.

Ele poderá ser ampliado, corrigido e aperfeiçoado conforme novos registros, conhecimentos comunitários e estudos linguísticos sejam incorporados.

Nhenety Kariri-Xocó





MEMÓRIA DO AUTOR


Minha caminhada com a palavra começou muito antes de escrever livros.

Começou na escuta.

Começou nas histórias contadas pelos mais velhos.

Começou na convivência com a comunidade.

Aprendi que uma história não é apenas uma narrativa.

Ela carrega ensinamentos.

Uma palavra pode guardar um lugar.

Um nome pode guardar uma pessoa.

Uma lembrança pode guardar uma geração inteira.

Ao longo da minha trajetória como tradicionalista e contador de histórias, fui percebendo a importância de registrar aquilo que recebemos pela oralidade.

A escrita passou a ser uma ferramenta para organizar essa memória.

Com o tempo, comecei a produzir contos, fábulas, cordéis, artigos, livros e registros relacionados à cultura e à língua Kariri-Xocó.

O trabalho digital também abriu novas possibilidades.

A tecnologia permitiu transformar parte da memória oral em textos, imagens e materiais educativos.

Mas a tecnologia não substitui a comunidade.

Ela é ferramenta.

A fonte principal continua sendo a memória, a experiência, a escuta e o conhecimento transmitido entre gerações.

Este livro nasce exatamente desse encontro:

TRADIÇÃO + EDUCAÇÃO + ESCRITA + TECNOLOGIA + MEMÓRIA

Meu desejo é que as crianças possam olhar para a língua Kariri-Xocó não como algo distante, mas como parte de sua própria vida.

Que possam ouvir.

Falar.

Ler.

Escrever.

Contar.

E transmitir.

Porque uma língua continua viva quando encontra novas vozes.





INTRODUÇÃO


Depois de conhecer o Alfabeto Kariri, iniciamos uma nova etapa do letramento: a formação das primeiras sílabas.

A sílaba é o encontro entre o sopro da vogal e a força da consoante.

É nela que o som ganha corpo.

É nela que começa a nascer a palavra.

Ensinar sílabas em Kariri é ensinar ritmo, identidade e continuidade cultural.

Neste volume, retomamos as dez vogais:

A – E – EI – I – IU – O – OE – OI – U – UI

E as dezoito consoantes:

B – TX – D – DJ – DS – DZ – G – K – L – M – N – NH – P – R – S – TS – T – V

A partir delas, iniciamos exercícios de combinação e reconhecimento.

O princípio pedagógico é simples:

Som → Sílaba → Palavra → Sentido

Primeiro o ouvido aprende.

Depois a boca pronuncia.

Depois os olhos reconhecem.

Finalmente, a mão escreve.





SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN - Simbólico
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
Sumário
1. Do Alfabeto à Sílaba
2. Revisando as Vogais
3. A Primeira Consoante: B
4. A Consoante: K
5. A Consoante: T
6. Os Sons Compostos
7. O Som: TX
8. O Som: NH
9. A Família das Sílabas
10. Todas as Consoante Entram no Caminho
11. Não Inventar Palavra para Preencher o Exercício
12. Da Sílaba à Palavra
13. A Palavra Nasce do Território
14. O Corpo Também Aprende
15. Brincadeiras de Sílabas
16. Escrever no Ar
17. A Roda de Leitura
18. A Família Ensina
19. Professor, Ancião e Criança
20. Metodologia do Livro
21. O Caminho do Letramento
22. Caderno de Exercícios
23. A Língua como Memória Viva
Considerações Finais
Glossário
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor





1. DO ALFABETO À SÍLABA


No primeiro livro aprendemos que cada letra representa um som dentro do sistema de escrita que estamos utilizando.

Agora precisamos descobrir o que acontece quando esses sons se encontram.

Podemos começar observando:

B + A = BA

B + E = BE

B + I = BI

A criança escuta.

Depois repete.

Depois observa a escrita.

Depois escreve.

Por isso, nosso caminho pedagógico começa assim:

OUVIR → FALAR → REPETIR → RECONHECER → ESCREVER

Primeiro o ouvido aprende.

Depois a boca produz.

Depois os olhos reconhecem.

Por fim, a mão registra.





2. REVISANDO AS VOGAIS


Antes de iniciar as combinações, vamos recordar as dez vogais apresentadas no primeiro livro:

A – E – EI – I – IU – O – OE – OI – U – UI

Esses sons precisam ser trabalhados com atenção.

Não devemos ensinar somente pela aparência da letra.

É necessário ouvir.

É necessário pronunciar.

É necessário comparar.

É necessário repetir.

A criança deve perceber que uma mudança na vogal pode modificar o som produzido pela sílaba.

Exercício de escuta

O professor ou a pessoa mais experiente pronuncia uma vogal.

As crianças escutam.

Depois todas repetem.

Em seguida, cada criança pode repetir individualmente.

Caminho:

Ouvir → Repetir → Reconhecer → Escrever





3. A PRIMEIRA CONSOANTE: B


Começamos com uma consoante simples:

B

Agora aproximamos o B das vogais.

Combinações iniciais

BA – BE – BI – BO – BU

Depois podemos observar as vogais compostas:

BEI – BIU – BOE – BOI – BUI

O objetivo inicial não é decorar uma lista.

O objetivo é perceber que o B pode encontrar diferentes sons vocálicos.

Exercício

O professor aponta para uma sílaba.

A criança pronuncia.

Depois a criança procura a mesma sílaba entre outras.

Finalmente, escreve.





4. A CONSOANTE K


Agora conhecemos outra consoante:

K

Formamos:

KA – KE – KI – KO – KU

E observamos também as combinações com vogais compostas:

KEI – KIU – KOE – KOI – KUI

O K deve ser trabalhado a partir do som estabelecido no sistema de escrita adotado para o Kariri-Xocó.

A criança deve compreender que a aprendizagem parte do som da língua, e não simplesmente da comparação automática com a ortografia portuguesa.





5. A CONSOANTE T


Chegamos ao:

T

Formamos:

TA – TE – TI – TO – TU

Depois experimentamos outras combinações vocálicas:

TEI – TIU – TOE – TOI – TUI

A repetição ajuda a criança a perceber que uma mesma consoante pode participar de diferentes sílabas.

Exercício oral

O professor pronuncia uma sequência.

A turma acompanha.

Depois a sequência é repetida mais lentamente.

Em seguida, as crianças podem marcar cada sílaba com uma batida leve da mão.

Assim, o corpo também participa da aprendizagem.





6. OS SONS COMPOSTOS


Depois das consoantes mais simples, introduzimos sons representados por mais de uma letra.

Esse é um momento importante do letramento.

A criança precisa entender que:

duas letras podem representar uma unidade sonora específica.

Começamos com:

TS

TSA – TSE – TSI – TSO – TSU

E, progressivamente:

TSEI – TSIU – TSOE – TSOI – TSUI

Aqui começa uma nova percepção.

A criança não deve ler cada letra isoladamente.

Ela precisa aprender a reconhecer o conjunto como uma unidade sonora dentro do sistema de escrita.





7. O SOM TX


Outro elemento importante é:

TX

Neste material, o som pode ser apresentado por meio de uma referência conhecida pelas crianças, como o início sonoro de “tchau”, sempre lembrando que a comparação serve apenas como apoio pedagógico e não substitui a pronúncia própria do Kariri-Xocó.

Formamos:

TXA – TXE – TXI – TXO – TXU

E depois:

TXEI – TXIU – TXOE – TXOI – TXUI

A criança aprende que determinados sons da nossa língua necessitam de uma representação gráfica própria.





8. O SOM NH


Agora encontramos:

NH

Podemos utilizar como apoio pedagógico a comparação com o som nasal conhecido em palavras do português, sem perder de vista a pronúncia própria da língua Kariri-Xocó.

Formamos:

NHA – NHE – NHI – NHO – NHU

E avançamos:

NHEI – NHIU – NHOE – NHOI – NHUI

Neste momento, o professor deve valorizar especialmente a escuta.

O importante não é apenas saber escrever NH.

É saber reconhecer o som.





9. A FAMÍLIA DAS SÍLABAS


Depois das primeiras experiências, podemos construir famílias silábicas.

Por exemplo:

Família do B

BA – BE – BI – BO – BU

Família do K

KA – KE – KI – KO – KU

Família do T

TA – TE – TI – TO – TU

Família do TS

TSA – TSE – TSI – TSO – TSU

Família do TX

TXA – TXE – TXI – TXO – TXU

Família do NH

NHA – NHE – NHI – NHO – NHU

O professor pode apresentar cada família separadamente.

Depois pode misturá-las para que a criança reconheça as sílabas sem depender apenas da ordem decorada.





10. TODAS AS CONSOANTES ENTRAM NO CAMINHO


O sistema apresentado no primeiro livro possui dezoito consoantes:

B – TX – D – DJ – DS – DZ – G – K – L – M – N – NH – P – R – S – TS – T – V

Agora essas consoantes começam a entrar na formação das sílabas.

A progressão poderá seguir esta sequência:

B → D → G → K → L → M → N → P → R → S → T → V

Depois trabalharemos cuidadosamente os sons compostos:

TX → DJ → DS → DZ → NH → TS

A organização pode ser feita em pequenas lições.

Cada lição apresenta:

a consoante;

a escuta;

as primeiras sílabas;

as combinações com as vogais;

a repetição oral;

a leitura;

a escrita;

um exercício;

uma palavra cultural, quando houver uma forma previamente registrada e validada.





11. NÃO INVENTAR PALAVRAS PARA PREENCHER O EXERCÍCIO


Este princípio é muito importante.

O exercício pode ensinar uma sílaba sem necessariamente inventar uma palavra.

Quando utilizarmos uma palavra Kariri-Xocó, seu significado deverá ser conhecido, registrado ou validado dentro do trabalho linguístico do povo.

Assim, o livro não deve criar palavras apenas porque precisamos de um exemplo.

A língua vem primeiro.

O exercício vem depois.

Quando uma palavra tradicional existir, ela será apresentada com seu significado cultural.

Quando ainda não houver uma palavra apropriada para determinado exercício, podemos trabalhar apenas com a sílaba.

Por exemplo:

BA

BE

BI

BO

BU

Não é necessário inventar uma palavra para cada combinação.





12. DA SÍLABA À PALAVRA


Depois que a criança reconhece as sílabas, podemos começar a juntá-las.

Uma palavra pode ser apresentada de forma segmentada:

BA + RÁ

Depois:

BARÁ

O objetivo é mostrar que a palavra pode ser percebida em partes e, ao mesmo tempo, reconhecida como uma unidade de sentido.

Aqui começamos uma nova etapa:

SÍLABA → PALAVRA

E depois:

PALAVRA → SENTIDO

A criança não aprende somente a ler.

Ela aprende que aquilo que lê possui significado.





13. A PALAVRA NASCE DO TERRITÓRIO


O letramento Kariri-Xocó precisa dialogar com o território.

Podemos trabalhar palavras relacionadas:

à aldeia ( natiá );

ao rio ( Opará );

à natureza ( antse );

às plantas ( ubuá );

aos animais ( keriá );

à pesca ( mydzé );

à agricultura ( natéra );

ao dança ou canto ( toré );

ao Ouricuri ( retsé );

às famílias ( bohé );

aos anciãos ( tokenhé );

às crianças ( inghé );

às histórias ( woroyá );

aos lugares de memória ( undé samy ).

Assim, a sala de aula não fica separada da vida.

A palavra aprendida no papel pode ser encontrada novamente na comunidade.

A criança pode ouvir.

Pode observar.

Pode perguntar aos mais velhos.

Pode registrar.

Pode desenhar.

Pode contar uma história.

Esse é o caminho do letramento vivo.





14. O CORPO TAMBÉM APRENDE


A aprendizagem das sílabas pode utilizar o corpo.

Para cada sílaba, a criança pode:

ouvir;

repetir;

bater uma palma;

marcar o ritmo com os pés;

escrever no ar;

traçar a sílaba com o dedo;

escrever no quadro;

escrever no caderno.

Assim, a aprendizagem deixa de ser somente visual.

Ela passa a envolver:

OUVIDO + BOCA + OLHOS + MÃO + CORPO + MEMÓRIA






15. BRINCADEIRAS DE SÍLABAS


Jogo 1 — Escute e levante

O professor pronuncia uma sílaba.

As crianças levantam o cartão correspondente.

Jogo 2 — Encontre a sílaba

Vários cartões são colocados sobre a mesa.

O professor pronuncia uma sílaba.

A criança procura.

Jogo 3 — Complete

O professor apresenta:

B + A = ____

A criança completa:

BA

Jogo 4 — Misture

Apresentamos:

BA + RÁ

A criança junta:

BARÁ

Jogo 5 — Desenhe a palavra

Depois de aprender uma palavra cultural, a criança faz um desenho relacionado ao seu significado.

Assim:

PALAVRA + IMAGEM + MEMÓRIA





16. ESCREVER NO AR


Antes de escrever no caderno, podemos escrever no ar.

O professor apresenta uma sílaba.

As crianças acompanham o movimento com o dedo.

Primeiro lentamente.

Depois novamente.

Em seguida, cada criança escreve a mesma forma no caderno.

Esse exercício ajuda a aproximar:

movimento → forma → memória





17. A RODA DE LEITURA


Podemos organizar uma roda.

Cada criança recebe uma sílaba.

Uma criança começa.

Lê sua sílaba.

A próxima continua.

Depois o grupo inteiro repete.

A atividade pode terminar com uma palavra conhecida pela comunidade.

Dessa maneira, o aprendizado torna-se coletivo.

O conhecimento não fica preso em uma única pessoa.

Ele circula.





18. A FAMÍLIA ENSINA


O letramento também pode sair da escola.

A criança pode levar para casa uma sílaba ou uma palavra estudada.

Pode perguntar:

“Você conhece esta palavra?”

“Como nossos mais velhos falavam?”

“Qual é o significado?”

“Em que história aparece?”

Assim, o livro torna-se uma ponte entre:

ESCOLA → FAMÍLIA → ANCIÃOS → COMUNIDADE

Esse movimento é fundamental para uma língua viva.





19. PROFESSOR, ANCIÃO E CRIANÇA


O ensino da língua não precisa acontecer somente diante de um quadro.

O ancião possui memória.

O professor possui metodologia.

A criança possui curiosidade.

Quando esses conhecimentos se encontram, a aprendizagem se fortalece.

Por isso:

O ANCIÃO GUARDA A MEMÓRIA.

O PROFESSOR ORGANIZA O ENSINO.

A CRIANÇA RECEBE, EXPERIMENTA E CONTINUA.

E assim a língua atravessa as gerações.





20. METODOLOGIA DO LIVRO


Propomos uma sequência simples:

1. ESCUTAR

Ouvir o som apresentado.

2. REPETIR

Reproduzir o som coletivamente.

3. RECONHECER

Identificar a forma escrita.

4. COMBINAR

Unir consoante e vogal.

5. LER

Reconhecer a sílaba.

6. ESCREVER

Registrar a forma.

7. FORMAR

Juntar sílabas quando houver palavra validada.

8. COMPREENDER

Conhecer seu significado.

9. CONTEXTUALIZAR

Relacionar a palavra à cultura e ao território.

10. TRANSMITIR

Ensinar novamente a outra pessoa.





21. O CAMINHO DO LETRAMENTO


Podemos representar nossa caminhada assim:

SOM

↓

LETRA

↓

SÍLABA

↓

PALAVRA

↓

FRASE

↓

HISTÓRIA

↓

MEMÓRIA

↓

CULTURA

A aprendizagem começa pequena.

Uma letra.

Um som.

Uma sílaba.

Mas pode crescer até formar histórias inteiras.





22. CADERNO DE EXERCÍCIOS


Exercício 1 — Leia


BA – BE – BI – BO – BU

KA – KE – KI – KO – KU

TA – TE – TI – TO – TU


Exercício 2 — Circule


Circule a sílaba que o professor pronunciar.

BA BE BI BO BU


Exercício 3 — Complete


B + A = ______

K + A = ______

T + A = ______


Exercício 4 — Copie


Escreva três vezes:

BA

KA

TA


Exercício 5 — Escute


O professor pronuncia.

A criança marca a sílaba que ouviu.


Exercício 6 — Escreva no ar


Escolha uma sílaba.

Trace-a no ar com o dedo.

Depois escreva no caderno.


Exercício 7 — Junte


BA + RÁ = __________


Exercício 8 — Desenhe


Escolha uma palavra cultural conhecida e faça um desenho que represente seu significado.





23. A LÍNGUA COMO MEMÓRIA VIVA


Uma língua não é apenas um conjunto de letras.

Ela guarda maneiras de observar o mundo.

Guarda nomes.

Guarda lugares.

Guarda histórias.

Guarda relações entre pessoas, natureza e território.

Por isso, quando uma criança aprende uma sílaba em Kariri, ela está dando um pequeno passo dentro de uma caminhada muito maior.

Cada som aprendido pode se tornar uma palavra.

Cada palavra pode guardar uma lembrança.

Cada lembrança pode contar uma história.

E cada história pode atravessar gerações.





CONCLUSÃO


Chegamos ao final desta primeira caminhada pelas sílabas.

No livro anterior, conhecemos o alfabeto.

Agora aprendemos a juntar seus sons.

Aprendemos que uma consoante pode encontrar uma vogal.

Aprendemos que diferentes encontros produzem diferentes sílabas.

Aprendemos que a leitura começa pelo ouvido.

Aprendemos que a escrita registra aquilo que a memória, a fala e a comunidade preservam.

Quando uma criança aprende uma sílaba, ela não está apenas aprendendo uma combinação de letras.

Ela está descobrindo que o som pode ser unido.

Que a união pode formar uma palavra.

Que a palavra pode guardar um significado.

Que o significado pode carregar uma história.

E que a história pode manter viva a língua.

Por isso continuamos nossa caminhada:

SOM → SÍLABA → PALAVRA → SENTIDO → CULTURA → MEMÓRIA

BOCUWIÁ UNÉ HIETÃDÉ NUNÚ.

VAMOS SABER NOSSA LÍNGUA.

A caminhada continua.





CONSIDERAÇÕES FINAIS


A caminhada iniciada neste volume pode parecer simples:

uma consoante encontra uma vogal.

Uma sílaba é formada.

Uma criança lê.

Entretanto, por trás desse pequeno gesto existe um grande processo cultural.

A criança está aprendendo a reconhecer os sons de sua língua.

Está aprendendo a registrar aquilo que escuta.

Está descobrindo que a escrita pode servir à memória.

Está construindo uma ponte entre a tradição oral e as novas formas de conhecimento.

O caminho continua:

SOM

SÍLABA

PALAVRA

FRASE

HISTÓRIA

MEMÓRIA

CULTURA

O livro termina, mas a aprendizagem não termina.

Ela continua na escola.

Continua na aldeia.

Continua nas famílias.

Continua nas histórias dos mais velhos.

Continua nas crianças.

Continua no território.

A língua pertence à vida.

E a vida continua ensinando.

Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú.

Vamos saber nossa língua.





GLOSSÁRIO


ALFABETO

Conjunto organizado de sinais utilizados para representar os sons de uma língua na escrita.


CONSOANTE

Som que, dentro do sistema de escrita apresentado nesta obra, participa da formação das sílabas juntamente com as vogais.


CULTURA

Conjunto de conhecimentos, práticas, valores, histórias, costumes, expressões e modos de viver transmitidos entre gerações.


ESCRITA

Sistema utilizado para registrar graficamente a língua.


FALA

Manifestação oral da língua por meio dos sons produzidos pelos falantes.


LETRAMENTO

Processo de aprendizagem e utilização da leitura e da escrita em situações significativas.


LÍNGUA

Sistema de comunicação e expressão utilizado por uma comunidade, carregando conhecimentos, histórias e formas de compreender o mundo.


MEMÓRIA

Conjunto de lembranças, conhecimentos e experiências preservados e transmitidos entre gerações.


NUNÚ

Termo utilizado nesta obra para designar a língua no contexto da proposta de letramento apresentada.


OITIVA / ESCUTA

Ato de ouvir atentamente os sons da língua para reconhecê-los e reproduzi-los.


OPRÁ / OPARÁ

Nome utilizado para o Rio São Francisco no contexto cultural apresentado pelo autor.


ORALIDADE

Transmissão de conhecimentos por meio da fala, da escuta, das histórias, dos cantos e de outras formas de expressão oral.


PALAVRA

Unidade linguística que possui significado e pode ser formada por uma ou mais sílabas.


SÍLABA

Unidade sonora utilizada na formação das palavras.


SOM

Manifestação acústica produzida pela fala e percebida pelo ouvido.


TERRITÓRIO

Espaço vivido por uma comunidade, carregado de relações sociais, culturais, históricas e simbólicas.


VOGAL

Som vocálico utilizado na formação das sílabas dentro do sistema apresentado nesta obra.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BATISTA CAETANO (ed.). Arte de Grammatica da Língua Brasílica da Naçam Kiriri. Paris: Imprensa Nacional, 1877.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. As Primeiras Silábicas em Kariri: Som que Forma a Palavra. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/02/as-primeiras-silabas-em-kariri-o-som.html?m=0 . Acesso em: 2 out. 2026.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Letramento do Alfabeto Kariri, Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú, Vamos Saber Nossa Língua. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/10/letramento-do-alfabeto-kariri-bocuwia.html?m=0 . Acesso em: 02 de out. 2026.


KARIRI-XOCÓ, Nnhenety. O devir de tradicionalista: “o guardião da língua e da tradição KX” In: Fórum de debate: Bilinguismo indígena no Brasil. Universidade do Estado da Bahia. Evento online, 17 mai. 2022. Vídeo (1h28). Disponível em: 

https://www.youtube.com/watch?v=RRXWZr27Ax4&t=58s . Acesso em: 28 set. 2026.


KARIRI-XOCÓ, Nnhenety. A retomada da língua Kariri-Xocó In: Cadernos de Linguística, v. 1, n. 3, p. 01. Rio de Janeiro: UFRJ, 2020. p. 1-13. Disponível em: 

https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/254/243 . Acesso em: 26 set. 2026. 


QUEIROZ, José Márcio de. Aspectos da Fonologia Dzubukuá. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). CAC. Linguística, 2008. 122 p. 


QUEIROZ, José Márcio de. Um Estudo Gramatical da Língua Dzubukuá, Família Kariri.Tese de Doutorado em Linguística – Universidade Federal da Paraíba (UFPB/PROLING). Letras CCHLA 2012. 427 p.





SOBRE O AUTOR


NHENETY KARIRI-XOCÓ


Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias, escritor, tradicionalista e pesquisador da memória, da cultura e dos conhecimentos do povo Kariri-Xocó.

Sua produção reúne histórias, contos, fábulas, cordéis, artigos, registros culturais e trabalhos relacionados à língua e à tradição de seu povo.

Ao longo de sua trajetória, dedica-se ao registro e à transmissão de conhecimentos recebidos por meio da oralidade e da convivência comunitária.

Seu trabalho procura estabelecer pontes entre a tradição oral e as novas formas de registro, utilizando também recursos digitais e tecnológicos para ampliar a preservação e a circulação do conhecimento.

Na área linguística, desenvolve materiais voltados ao registro, ensino e valorização da língua Kariri-Xocó, buscando aproximar a aprendizagem da realidade cultural, territorial e comunitária.

Para Nhenety, escrever é também guardar memória.

Contar é transmitir.

Ensinar é continuar.

E preservar uma língua é ajudar a garantir que as novas gerações possam reconhecer nela parte de sua própria história.

Nhenety significa tradição ou ser lembrado.





AUTOR


Nhenety Kariri-Xocó

Contador de História Oral e Escrita
Professor e pesquisador da língua e da cultura Kariri-Xocó

“Somos guardiões da memória do Opará.”

Porto Real do Colégio – Alagoas

2026



LETRAMENTO DO ALFABETO KARIRI, BOCUWIÁ UNÉ HIETÃDÉ NUNÚ, VAMOS SABER NOSSA LÍNGUA





Autor: Nhenety Kariri-Xocó




1. FALSA FOLHA DE ROSTO

LETRAMENTO DO ALFABETO KARIRI

Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú

(Vamos Saber Nossa Língua)

Nhenety Kariri-Xocó





2. FOLHA DE ROSTO


LETRAMENTO DO ALFABETO KARIRI

Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú
Vamos Saber Nossa Língua

Autor
Nhenety Kariri-Xocó

Obra dedicada ao fortalecimento da língua, da oralidade, da memória e dos conhecimentos do povo Kariri-Xocó.

Porto Real do Colégio – Alagoas
2026





3. VERSO DA FOLHA DE ROSTO


Letramento do Alfabeto Kariri
Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú – Vamos Saber Nossa Língua

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Obra de caráter cultural, educativo e de preservação da memória linguística.

Esta publicação apresenta uma proposta introdutória de letramento do Alfabeto Kariri, articulando oralidade, escuta, pronúncia, leitura, escrita, cultura, território e memória comunitária.

A descrição dos sons e das formas linguísticas deve permanecer vinculada aos conhecimentos dos falantes, anciãos, professores, pesquisadores e demais conhecedores da língua.





4. FICHA CATALOGRÁFICA


KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Letramento do Alfabeto Kariri: Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú – Vamos Saber Nossa Língua / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Obra educativa e cultural.

Língua Kariri-Xocó.

Línguas indígenas.

Alfabetização indígena.

Letramento.

Oralidade.

Educação intercultural.

Memória cultural.

Cultura Kariri-Xocó.

CDD: [classificação a ser definida por profissional responsável pela catalogação]

Observação editorial: a ficha catalográfica definitiva deve ser elaborada por bibliotecário habilitado, caso a obra seja publicada formalmente.





5. ISBN — SIMBÓLICO


ISBN SIMBÓLICO / EDITORIAL

Letramento do Alfabeto Kariri
Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú – Vamos Saber Nossa Língua

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

ISBN simbólico: destinado à organização interna do acervo digital e à identificação editorial da obra.

O número oficial de ISBN, quando desejado para publicação formal, deverá ser solicitado pelo responsável pela edição conforme os procedimentos vigentes.




6. PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




7. ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó





8. DEDICATÓRIA


Dedico este livro às crianças Kariri-Xocó, que são sementes da continuidade de nossa língua, de nossa cultura e de nossa memória.

Dedico também aos nossos anciãos e às pessoas que guardam os conhecimentos recebidos de seus antepassados e que continuam ensinando por meio da palavra, da convivência, da observação e da experiência.

Aos professores, educadores, jovens, pais, mães, avós e a todos aqueles que acreditam que uma língua vive quando é falada, ensinada, registrada e transmitida às novas gerações.

Que cada letra seja uma semente.

Que cada palavra seja uma memória.

Que cada criança possa reconhecer na língua de seu povo uma parte de sua própria história.

Nhenety Kariri-Xocó





9. AGRADECIMENTOS


Agradeço primeiramente aos nossos antepassados, que mantiveram viva a memória do povo Kariri e fizeram chegar até nós conhecimentos que não pertencem somente ao passado, mas continuam presentes no nosso modo de viver.

Agradeço aos anciãos e aos conhecedores da tradição, que são referências fundamentais para a transmissão da oralidade, da cultura e da língua.

Agradeço às crianças e aos jovens Kariri-Xocó, porque são eles que levarão adiante aquilo que hoje estamos procurando registrar e ensinar.

Agradeço aos professores e educadores que trabalham para aproximar a escola da realidade da comunidade e que compreendem que ensinar a língua também significa fortalecer a identidade e a memória.

Agradeço aos pesquisadores e estudiosos que contribuíram para o conhecimento das línguas da família Kariri e para o registro de aspectos históricos, linguísticos e culturais.

Agradeço também às tecnologias contemporâneas, utilizadas aqui como instrumentos de registro, organização e difusão do conhecimento, sempre reconhecendo que a tecnologia deve estar a serviço da memória e dos conhecimentos comunitários.

Minha gratidão a todos que, de diferentes maneiras, ajudam a manter viva a palavra Kariri.

Iewóá. Gratidão.

Nhenety Kariri-Xocó






10. EPÍGRAFE


“Nossa língua é nosso território sonoro. Cada letra é um passo na memória do nosso povo.”

Nhenety Kariri-Xocó





11. PREFÁCIO DO VOLUME


A língua como território de memória

O Letramento do Alfabeto Kariri nasce de uma preocupação fundamental: criar caminhos para que as novas gerações possam aproximar-se da língua de seu povo por meio da escuta, da oralidade, da leitura e da escrita.

O ponto de partida desta proposta não é a letra isolada. É o som.

Antes de escrever, é preciso ouvir. Antes de reconhecer a grafia, é necessário perceber a pronúncia. Antes da palavra escrita, existe a palavra falada.

Por isso, o livro propõe uma sequência pedagógica gradual: oralidade, reconhecimento sonoro, associação cultural, formação de sílabas, leitura de palavras e aproximação com pequenos textos.

A proposta também parte de um princípio essencial: a língua não está separada da cultura.

Uma palavra pode carregar o nome de um lugar, de uma planta, de um rio, de uma pessoa, de um costume ou de uma lembrança. Aprender essa palavra significa também aproximar-se do universo cultural que ela representa.

O presente volume deve ser entendido como uma proposta inicial de letramento. A pronúncia, o vocabulário e as formas linguísticas precisam continuar sendo trabalhados com os falantes, conhecedores e referências da própria comunidade.

Assim, escrever não significa substituir a oralidade.

Significa criar mais uma ferramenta para que a memória possa atravessar gerações.

Nhenety Kariri-Xocó





12. RESUMO


Este livro apresenta uma proposta introdutória de letramento do Alfabeto Kariri, organizada a partir da oralidade, da percepção sonora, da associação cultural e da progressiva introdução da escrita. A proposta considera um sistema composto por 28 letras, sendo 18 consoantes e 10 vogais, e estabelece uma sequência pedagógica que parte da escuta e da pronúncia para chegar à formação de sílabas, palavras e pequenas estruturas de leitura.

O material procura aproximar o ensino da língua da realidade cultural do povo Kariri-Xocó, valorizando referências territoriais, elementos da natureza, memória comunitária, conhecimentos dos mais velhos e participação das novas gerações.

O livro também apresenta sugestões de atividades, materiais didáticos, organização do primeiro mês de aprendizagem e princípios para uma metodologia indígena de letramento.

Palavras-chave: Alfabeto Kariri; Kariri-Xocó; letramento indígena; língua indígena; oralidade; educação intercultural; memória cultural.





13. ABSTRACT


This book presents an introductory proposal for literacy in the Kariri Alphabet, based on orality, sound perception, cultural association, and the gradual introduction of writing. The proposal considers a system consisting of 28 letters, including 18 consonants and 10 vowels, and establishes a pedagogical sequence that begins with listening and pronunciation and progresses toward syllable formation, words, and short reading structures.

The material seeks to connect language teaching with the cultural reality of the Kariri-Xocó people, valuing territorial references, elements of nature, community memory, the knowledge of elders, and the participation of younger generations.

The book also presents suggestions for activities, teaching materials, organization of the first month of learning, and principles for an Indigenous literacy methodology.

Keywords: Kariri Alphabet; Kariri-Xocó; Indigenous literacy; Indigenous language; orality; intercultural education; cultural memory.





14. APRESENTAÇÃO


Este livro foi pensado como uma ferramenta de iniciação ao conhecimento do Alfabeto Kariri.

A criança não deve encontrar a língua apenas dentro das páginas de um livro. Ela deve encontrá-la na voz dos mais velhos, na família, na aldeia, nos nomes dos lugares, nas histórias, nas plantas, nos animais, no rio, nas festas, nas brincadeiras e nas experiências do cotidiano.

Por isso, a proposta de Letramento do Alfabeto Kariri procura aproximar a aprendizagem da realidade da comunidade.

O livro pode ser utilizado por professores, educadores, famílias e pessoas interessadas em contribuir para o fortalecimento da língua.

Seu propósito não é encerrar o conhecimento linguístico em uma forma definitiva. Pelo contrário: pretende abrir caminhos para novas pesquisas, novos registros, novas palavras, novas histórias e novas formas de ensinar.





15. NOTA DO AUTOR


Este livro foi elaborado como uma proposta de organização pedagógica para o início do letramento do Alfabeto Kariri.

O material deve ser compreendido como parte de um processo vivo.

A língua pertence à comunidade e continua sendo transmitida por seus falantes e conhecedores. Por isso, exemplos de pronúncia, vocabulário e estruturas linguísticas devem ser conferidos e aprofundados junto às referências linguísticas e culturais Kariri-Xocó.

As comparações apresentadas para determinados sons têm finalidade exclusivamente pedagógica. Elas não substituem a pronúncia própria da língua.

O principal objetivo deste livro é ajudar a construir uma ponte entre voz e escrita, tradição e escola, memória e futuro.

Nhenety Kariri-Xocó





16. MEMÓRIA DO AUTOR


Da palavra ouvida à palavra escrita

Minha relação com a memória Kariri-Xocó nasceu da convivência com os mais velhos, com as histórias, com a comunidade e com as experiências vividas ao longo do tempo.

Desde cedo compreendi que muitos conhecimentos não estavam escritos em livros. Eles estavam nas pessoas.

Estavam na voz dos anciãos.

Estavam nas histórias contadas nas casas.

Estavam nos nomes dos lugares.

Estavam na relação com o Opará.

Estavam nas práticas culturais e na vida coletiva.

Minha trajetória como contador de histórias e tradicionalista levou-me a perceber que registrar não significa retirar o conhecimento de sua origem. O registro pode ser uma ferramenta para ajudar a memória a atravessar o tempo.

Ao longo dessa caminhada, passei a utilizar livros, cordéis, artigos, imagens, recursos digitais e novas tecnologias para organizar conhecimentos e histórias que considero importantes para as futuras gerações.

O presente trabalho sobre o Alfabeto Kariri faz parte desse mesmo caminho.

Acredito que uma criança que aprende uma palavra de sua língua não está simplesmente aprendendo uma sequência de sons.

Ela está encontrando uma parte de sua própria memória.

Nhenety Kariri-Xocó





17. INTRODUÇÃO


A língua é uma das formas mais profundas de expressão de um povo.

Por meio dela, as pessoas nomeiam o mundo, reconhecem lugares, transmitem conhecimentos, contam histórias e estabelecem relações entre gerações.

No contexto indígena, o ensino da língua não pode ser separado da cultura e do território.

O presente livro apresenta uma proposta de iniciação ao letramento do Alfabeto Kariri, organizada em etapas progressivas.

A primeira etapa trabalha a escuta.

Depois vem o reconhecimento dos sons.

Em seguida, as letras.

Depois, as sílabas.

Posteriormente, as palavras.

E, finalmente, pequenas frases e textos.

Essa sequência procura respeitar o desenvolvimento gradual da aprendizagem.

O livro também procura valorizar a dimensão cultural da palavra. Por isso, nomes de lugares, elementos naturais e referências da vida comunitária podem fazer parte das atividades.

O objetivo é construir uma aprendizagem em que a criança possa perceber:

Nossa língua tem som.

Nossa língua tem escrita.

Nossa língua tem história.

Nossa língua tem território.

Nossa língua tem memória.





18. SUMÁRIO


1. Falsa Folha de Rosto
2. Folha de Rosto
3. Verso da Folha de Rosto
4. Ficha Catalográfica
5. ISBN - Simbólico
6. Prefácio Oficial da Coleção
7. Esclarecimento do Autor
8. Dedicatória
9. Agradecimentos
10. Epígrafe
11. Prefácio do Volume
12. Resumo
13. Abstract
14. Apresentação
15. Nota do Autor
16. Memória do Autor 
17. Introdução
18. Sumário
19. Desenvolvimento dos Capítulos
Capítulo 1 — O Alfabeto Kariri
1.1 Vogais
1.2 Consoantes
Capítulo 2 — Princípios do Letramento Kariri
Capítulo 3 — Metodologia de Letramento
Capítulo 4 — 1ª Etapa: Despertar Sonoro
Capítulo 5 — 2ª Etapa: As Vogais
5.1 Aula 1 — Vogais simples
5.2 Aula 2 — Vogais compostas
Capítulo 6 — 3ª Etapa: Consoantes em Blocos
6.1 Bloco 1 — Sons simples
6.2 Bloco 2 — Sons compostos
6.3 Atenção aos sons específicos
Capítulo 7 — 4ª Etapa: Formação de Sílabas
Capítulo 8 — 5ª Etapa: Palavras Significativas
Capítulo 9 — Uma Metodologia Indígena de Letramento
Capítulo 10 — Material Didático para o Início do Letramento
Capítulo 11 — Modelo de Primeiro Livreto
Capítulo 12 — Proposta para o Primeiro Mês
Capítulo 13 — Elementos Importantes da Pronúncia
Capítulo 14 — A Frase Pedagógica
Capítulo 15 — A Escrita e a Memória
20. Considerações Finais
21. Glossário
22. Referências Bibliográficas
23. Sobre o Autor




19. DESENVOLVIMENTO DOS CAPÍTULOS



CAPÍTULO 1 — O ALFABETO KARIRI


1.1 Vogais

O sistema apresentado nesta proposta reúne dez vogais:

A – E – EI – I – IU – O – OE – OI – U – UI

O ensino deve começar pela escuta e pela pronúncia.

1.2 Consoantes

As dezoito consoantes apresentadas são:

B – Tx – D – Dj – Ds – Dz – G – K – L – M – N – Nh – P – R – S – Ts – T – V

A aprendizagem pode ser progressiva, começando pelos sons mais familiares e avançando para aqueles que exigem maior atenção.




CAPÍTULO 2 — PRINCÍPIOS DO LETRAMENTO KARIRI


A proposta estabelece como princípios:

Oralidade primeiro.

Som antes da letra.

Reconhecimento auditivo antes da escrita.

Letra antes da sílaba.

Sílabas antes dos textos.

Palavras com significado cultural.

Aprendizagem relacionada à realidade comunitária.

Respeito aos conhecimentos dos mais velhos.

Participação das crianças e das novas gerações.

Escrita como instrumento de fortalecimento da memória.

Língua e cultura ensinadas de forma integrada.




CAPÍTULO 3 — METODOLOGIA DE LETRAMENTO


A sequência proposta é:

1. Oralidade
Escutar e falar.

2. Reconhecimento sonoro
Perceber e diferenciar os sons.

3. Associação cultural
Relacionar sons e letras a imagens, objetos, lugares e elementos conhecidos.

4. Formação de sílabas
Combinar sons.

5. Leitura de palavras
Trabalhar palavras presentes no cotidiano indígena e cultural.





CAPÍTULO 4 — 1ª ETAPA: DESPERTAR SONORO


Antes da escrita, ensinar os sons.

O educador pode organizar uma roda de escuta e trabalhar:

A – E – EI – I – IU – O – OE – OI – U – UI

A atividade pode seguir a sequência:

escutar → repetir coletivamente → repetir individualmente → reconhecer → relacionar → utilizar.

O objetivo inicial é desenvolver o ouvido.




CAPÍTULO 5 — 2ª ETAPA: AS VOGAIS


Aula 1 — Vogais simples

A – E – I – O – U

Para cada vogal:

som;

pronúncia;

palavra;

imagem;

repetição;

reconhecimento auditivo.

Aula 2 — Vogais compostas

EI – IU – OE – OI – UI

Podem ser apresentadas pedagogicamente como “vogais que caminham juntas”, sempre respeitando a pronúncia reconhecida pelos falantes.




CAPÍTULO 6 — 3ª ETAPA: CONSOANTES EM BLOCOS


Bloco 1 — Sons simples

B – D – G – K – L – M – N – P – R – S – T – V

Bloco 2 — Sons compostos

Dj – Dz – Ds – Nh – Tx – Ts

As comparações com sons de outras línguas devem ser utilizadas apenas como apoio didático.

A pronúncia própria do Kariri deve permanecer como referência principal.




CAPÍTULO 7 — 4ª ETAPA: FORMAÇÃO DE SÍLABAS


Após a familiarização com vogais e consoantes, inicia-se a combinação dos sons.

Exemplos:

BA – BE – BI – BO – BU

KA – KE – KI – KO – KU

E estruturas apresentadas nesta proposta:

BUI – DJA – TXA

A criança começa a compreender que sons podem formar unidades maiores.




CAPÍTULO 8 — 5ª ETAPA: PALAVRAS SIGNIFICATIVAS


O ensino deve privilegiar palavras culturalmente significativas.

Exemplos apresentados:

Opará — Rio São Francisco

Kayaku / Kadjaku

Naticrórai

Pahankó

Essas palavras podem ser acompanhadas por:

imagens;

desenhos;

histórias;

relatos dos mais velhos;

elementos naturais;

referências da aldeia;

frases curtas;

exercícios de leitura.




CAPÍTULO 9 — UMA METODOLOGIA INDÍGENA DE LETRAMENTO


O caminho pedagógico pode ser representado assim:

ORALIDADE → SOM → LETRA → SÍLABA → PALAVRA → FRASE → TEXTO

Esse caminho permite aproximar:

anciãos e crianças;

memória e futuro;

oralidade e escrita;

língua e território;

cultura e educação.




CAPÍTULO 10 — MATERIAL DIDÁTICO PARA O INÍCIO DO LETRAMENTO


Sugestões:

Cartões de letras

Letra grande + imagem + palavra.

Cartões de sílabas

Sílabas para combinação e leitura.

Cartazes das vogais

Vogal + pronúncia + imagem + exemplo.

Cartazes das consoantes

Organizados por grupos sonoros.

Livreto ilustrado

Pequeno livro para as primeiras experiências de leitura.




CAPÍTULO 11 — MODELO DE PRIMEIRO LIVRETO


Capa

Aprendendo o Alfabeto Kariri

1ª página

As vogais

2ª página

As consoantes simples

3ª página

As consoantes compostas

4ª página

As sílabas

5ª página

As primeiras palavras

6ª página

Palavras do nosso território

7ª página

Pequenas frases em Kariri

8ª página

Nossa língua, nossa memória




CAPÍTULO 12 — PROPOSTA PARA O PRIMEIRO MÊS


Semana 1

A – E – I – O – U

Escuta, pronúncia, identificação e associação.

Semana 2

EI – IU – OE – OI – UI

Escuta, repetição e diferenciação.

Semana 3

B – D – G – K – L – M – N – P – R – S – T – V

Reconhecimento e combinação.

Semana 4

Formação de sílabas:

BA – BE – BI – BO – BU

KA – KE – KI – KO – KU

E outras estruturas próprias do Kariri.




CAPÍTULO 13 — ELEMENTOS IMPORTANTES DA PRONÚNCIA


Atenção especial para:

Tx – Nh – Dj – Dz – Ds – Ts

e:

EI – IU – OE – OI – UI

O trabalho deve priorizar exemplos falados por pessoas que conhecem e praticam a língua.




CAPÍTULO 14 — A FRASE PEDAGÓGICA


“Nossa língua é nosso território sonoro. Cada letra é um passo na memória do nosso povo.”

A frase pode ser utilizada em cartazes, materiais pedagógicos e atividades escolares.




CAPÍTULO 15 — A ESCRITA E A MEMÓRIA


A escrita não substitui a palavra falada.

Ela pode funcionar como uma ferramenta adicional para guardar aquilo que a comunidade deseja transmitir às próximas gerações.

Os mais velhos continuam sendo referências.

A comunidade continua sendo espaço de aprendizagem.

A oralidade continua fundamental.

A escrita passa a caminhar junto com essas formas tradicionais de transmissão.




20. CONSIDERAÇÕES FINAIS


O letramento do Alfabeto Kariri representa um caminho de aproximação entre a língua, a cultura e as novas gerações.

Este livro procurou organizar uma sequência pedagógica simples e gradual, começando pela escuta e chegando à leitura e à escrita.

O princípio fundamental é compreender que uma língua não é apenas um conjunto de letras.

Uma língua carrega histórias.

Carrega nomes.

Carrega lugares.

Carrega conhecimentos.

Carrega formas de compreender o mundo.

Por isso, ensinar o Alfabeto Kariri é também criar oportunidades para que as crianças conheçam e reconheçam a memória de seu povo.

A escrita pode contribuir para esse processo, mas não substitui a oralidade nem o conhecimento dos mais velhos.

O futuro do letramento Kariri poderá ser construído pela união entre professores, crianças, jovens, famílias, anciãos, pesquisadores e demais conhecedores da língua.

Que este livro seja uma semente.

Que outras palavras sejam registradas.

Que novas cartilhas sejam produzidas.

Que novas crianças aprendam.

E que a voz Kariri continue atravessando as gerações.

Nossa língua é nossa memória viva.

Nhenety Kariri-Xocó




21. GLOSSÁRIO


Uma primeira versão do glossário poderá conter:

Termo: Significado / referência.

Alfabeto Kariri: Sistema de letras utilizado na proposta de escrita apresentada neste livro.

Letramento: Processo de aprendizagem e utilização social da leitura e da escrita.

Oralidade: Transmissão de conhecimentos por meio da palavra falada.

Som: Unidade sonora percebida na fala.

Vogal: Som vocálico utilizado na organização apresentada.

Consoante: Som consonantal utilizado na organização apresentada.

Sílaba: Unidade formada pela combinação de sons.

Opará Rio São Francisco

Natiá Aldeia

Samy Cultura

Swbatekié Conhecimento

Tokenhé Antoá Antepassados Sagrados

Radá Uanieá Terra Indígena

Bohé Coletivo

Woroy História

Iewóá Gratidão

Inatekié Obrigado

O glossário definitivo deve ser ampliado e revisado com base no vocabulário Kariri-Xocó reconhecido pela comunidade.




22. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BATISTA CAETANO (ed.). Arte de Grammatica da Língua Brasílica da Naçam Kiriri. Paris: Imprensa Nacional, 1877.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Letramento do Alfabeto Kariri. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/02/letramento-do-alfabeto-kariri.html?m=0 .Acesso em: 1 out. 2026. 


KARIRI-XOCÓ, Nnhenety. O devir de tradicionalista: “o guardião da língua e da tradição KX” In: Fórum de debate: Bilinguismo indígena no Brasil. Universidade do Estado da Bahia. Evento online, 17 mai. 2022. Vídeo (1h28). Disponível em: 

https://www.youtube.com/watch?v=RRXWZr27Ax4&t=58s . Acesso em: 28 set. 2026.


KARIRI-XOCÓ, Nnhenety. A retomada da língua Kariri-Xocó In: Cadernos de Linguística, v. 1, n. 3, p. 01. Rio de Janeiro: UFRJ, 2020. p. 1-13. Disponível em: 

https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/254/243 . Acesso em: 26 set. 2026. 


QUEIROZ, José Márcio de. Aspectos da Fonologia Dzubukuá. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). CAC. Linguística, 2008. 122 p. 


QUEIROZ, José Márcio de. Um Estudo Gramatical da Língua Dzubukuá, Família Kariri.Tese de Doutorado em Linguística – Universidade Federal da Paraíba (UFPB/PROLING). Letras CCHLA 2012. 427 p.





23. SOBRE O AUTOR


NHENETY KARIRI-XOCÓ


Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias, tradicionalista e autor indígena do povo Kariri-Xocó, dedicado ao registro, à valorização e à transmissão dos conhecimentos de sua comunidade.

Sua produção reúne histórias, contos, fábulas, cordéis, artigos, registros de memória, cultura, língua, território e conhecimentos tradicionais.

Ao longo de sua trajetória, desenvolveu diferentes formas de utilizar a escrita, a imagem e as tecnologias digitais como instrumentos de preservação e divulgação cultural.

Seu trabalho procura aproximar a memória dos mais velhos das novas gerações, valorizando a oralidade, os conhecimentos comunitários e a continuidade da cultura Kariri-Xocó.

Entre seus projetos encontra-se a organização de um acervo virtual bibliográfico dedicado à produção cultural e intelectual, reunindo diferentes gêneros de sua autoria e registros relacionados à memória do povo Kariri-Xocó.

No trabalho com a língua, sua preocupação está voltada para o fortalecimento da memória linguística e para a criação de caminhos pedagógicos que possam aproximar as crianças e os jovens da língua de seus antepassados.

Para Nhenety, registrar uma história é ajudar a memória a continuar caminhando.

“Somos guardiões da memória do Opará.”

Autor: Nhenety Kariri-Xocó




Essa estrutura dá ao Letramento do Alfabeto Kariri — Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú a forma de um livro pedagógico-cultural completo, adequado para posteriormente receber ilustrações de cada letra, exercícios, cartões de leitura, páginas para crianças e um segundo volume com atividades práticas.


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

CADERNO Nº 02, LINHA DO TEMPO DA TRAJETÓRIA DE CRIAÇÃO DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ

 




Autor, organizador e curador:
Nhenety Kariri-Xocó

Aldeia Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio — Alagoas — Brasil
2026




FALSA FOLHA DE ROSTO


CADERNO Nº 02

LINHA DO TEMPO DA TRAJETÓRIA DE CRIAÇÃO DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ

Nhenety Kariri-Xocó





VERSO DA FOLHA DE ROSTO


Título: Caderno nº 02 — Linha do Tempo da Trajetória de Criação do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Organização e curadoria: Nhenety Kariri-Xocó

Projeto: Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó

Local: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil.

Ano: 2026.

Esta obra integra a série documental do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, dedicada ao registro da trajetória de formação, produção, organização e preservação digital de memórias, histórias, saberes e obras.





FICHA CATALOGRÁFICA


KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Caderno nº 02: linha do tempo da trajetória de criação do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó. Porto Real do Colégio, AL: Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, 2026.


Assuntos:

Memória indígena.
Kariri-Xocó.
História oral.
Escrita indígena.
Literatura indígena.
Memória cultural.
Tecnologia digital.
Internet.
Inteligência Artificial.
Bibliotecas digitais.
Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó.

CDD: classificação editorial simbólica para organização do acervo.




ISBN SIMBÓLICO / EDITORIAL


Esta identificação é destinada à organização interna e editorial do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, não constituindo necessariamente registro oficial de ISBN.


Caderno nº 02 — Linha do Tempo da Trajetória de Criação do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó

Ano editorial: 2026.





PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.


Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.


Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.


Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.


Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.





ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.


Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.


Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.


O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.


Nhenety Kariri-Xocó





DEDICATÓRIA


Dedico este Caderno nº 02 aos meus pais, avós, bisavós e anciãos Kariri-Xocó que, por meio da palavra, da convivência e das histórias, transmitiram conhecimentos que atravessaram gerações.


Dedico também às crianças e aos jovens Kariri-Xocó, para que possam conhecer a trajetória de nossa memória e compreender que uma história contada junto à fogueira também pode chegar ao papel, ao livro, ao computador e ao mundo digital.


Dedico, enfim, ao povo Kariri-Xocó e aos ancestrais do Opará, cujas memórias continuam vivas.


Nhenety Kariri-Xocó




AGRADECIMENTOS


Agradeço aos meus pais, avós, familiares e anciãos que foram minhas primeiras fontes de conhecimento.


Agradeço às pessoas da comunidade Kariri-Xocó que participaram, direta ou indiretamente, da construção dessa trajetória.


Agradeço também às escolas, pesquisadores, instituições, projetos culturais, meios de comunicação e tecnologias que contribuíram para ampliar os caminhos de registro e divulgação das histórias indígenas.


Agradeço às experiências com livros, revistas, fotografias, rádio, televisão, telefone, Internet, publicações digitais e Inteligência Artificial, que abriram novas possibilidades para transformar memória em conhecimento registrado.


Minha gratidão a todos que ajudaram a fazer com que a palavra Kariri-Xocó pudesse atravessar diferentes tempos e territórios.




EPÍGRAFE


“A história começa na palavra,
passa pela memória,
encontra a escrita
e continua viva no mundo digital.”

Nhenety Kariri-Xocó




PREFÁCIO DO VOLUME


O Caderno nº 02 — Linha do Tempo da Trajetória de Criação do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó registra uma trajetória que não pode ser compreendida apenas a partir da criação de um blog ou da utilização das tecnologias digitais.


A história começa muito antes.


Começa na infância, nas histórias contadas pelos pais, avós e anciãos; passa pelas fogueiras, pela escola, pelos livros, pelas publicações, pelo rádio, pela televisão, pelo telefone e pela Internet; chega ao blog criado em 2008; incorpora posteriormente as ferramentas de Inteligência Artificial; e alcança, em 2026, a organização das obras em Estantes Virtuais.


Com a expansão do Acervo, essa trajetória passou a incluir também uma grande quantidade de fotografias, desenhos, imagens digitais, folhetos de cordel e produções audiovisuais.


O acervo, portanto, é apresentado neste volume como resultado de uma longa caminhada entre memória, oralidade, escrita, publicação, comunicação, tecnologia e organização digital.





RESUMO


Este Caderno nº 02 apresenta a trajetória de formação do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, desde as experiências de infância e aprendizagem da tradição oral até a criação de uma estrutura digital organizada em Estantes Virtuais.


A narrativa acompanha diferentes momentos da vida do autor: as primeiras histórias ouvidas dos pais e avós; as experiências junto aos anciãos e às fogueiras; a entrada na escola indígena; a aprendizagem da leitura e da escrita; as primeiras pesquisas e publicações; o contato com rádio, televisão, telefone e Internet; a criação do blog KXNHENETY em 2008; a produção de livros, artigos, cordéis e e-books; o contato com a Inteligência Artificial a partir de 2023; e a criação da primeira Estante Virtual em 2026.


A atualização deste Caderno registra também a dimensão alcançada pelo blog e pelo Acervo em 2026: milhares de matérias, fotografias e desenhos, centenas de contos, fábulas e artigos, livros, cordéis, imagens digitais e uma videoteca audiovisual.


O volume demonstra como diferentes tecnologias e formas de registro foram incorporadas a uma trajetória originalmente fundamentada na oralidade e na memória comunitária.


Palavras-chave: Kariri-Xocó; memória; oralidade; escrita; literatura indígena; tecnologia; Internet; Inteligência Artificial; biblioteca digital; Acervo Virtual Bibliográfico.




ABSTRACT


This Notebook No. 02 presents the development of the Nhenety Kariri-Xocó Virtual Bibliographic Collection, following a trajectory that begins with childhood experiences and oral tradition and reaches the creation of a digital structure organized into Virtual Shelves.


The narrative follows different stages of the author's life: the first stories heard from parents and grandparents; learning from elders and storytelling fires; indigenous schooling; literacy; research and publications; contact with radio, television, telephone and the Internet; the creation of the KXNHENETY blog in 2008; the production of books, articles, cordels and e-books; the first contact with Artificial Intelligence in 2023; and the creation of the first Virtual Shelf in 2026.


The updated edition also records the scale reached by the blog and the collection in 2026, including thousands of posts, photographs and drawings, hundreds of stories, fables and articles, books, cordels, digital images and audiovisual materials.


The volume presents the collection as the result of a continuous process connecting memory, orality, writing, publication, digital technology, Artificial Intelligence and audiovisual communication.


Keywords: Kariri-Xocó; memory; oral tradition; indigenous literature; technology; Internet; Artificial Intelligence; digital library; virtual bibliographic collection.





APRESENTAÇÃO


O presente Caderno nº 02 foi organizado para registrar, em forma de linha do tempo, a trajetória que levou à criação e ao desenvolvimento do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó.


O objetivo não é apenas apresentar datas. É mostrar a relação entre acontecimentos, experiências, tecnologias e formas de produção cultural.


A trajetória pode ser representada inicialmente pela seguinte sequência:


Memória oral → Escrita → Publicações → Blog → Livros e obras digitais → Estantes Virtuais → Acervo Virtual Bibliográfico


Com a atualização de 2026, acrescenta-se uma dimensão estatística e audiovisual:


Acervo → Imagens → Fotografias → Desenhos → Cordéis → Livros → Artigos → Vídeos


Cada etapa representa uma transformação na maneira de guardar, organizar e compartilhar conhecimentos.





NOTA DO AUTOR


Este Caderno foi construído a partir de memórias pessoais, experiências comunitárias, registros escritos, publicações, materiais digitais e referências relacionadas à trajetória de produção cultural e intelectual de Nhenety Kariri-Xocó.


Algumas expressões em língua Kariri-Xocó são apresentadas com seus significados conforme o uso adotado pelo autor ao longo de sua produção.


As datas apresentadas procuram organizar cronologicamente os acontecimentos e estabelecer uma narrativa documental da formação do Acervo.


Os números estatísticos apresentados nesta edição correspondem ao levantamento atual informado pelo autor em 2026. Como o blog e o Acervo permanecem em processo de produção e organização, esses números são dinâmicos e poderão ser atualizados futuramente.


Este volume também registra a presença das novas tecnologias na trajetória do autor, entendendo a tecnologia como ferramenta de registro, organização, criação e divulgação, sem substituir a memória, a oralidade e os conhecimentos transmitidos pelas gerações anteriores.





MEMÓRIA DO AUTOR


Minha história como contador de histórias começou antes de eu imaginar que um dia poderia escrever livros.


Começou ouvindo.


Ouvi meus pais, meus avós e os anciãos. Ouvi histórias nas casas, na comunidade e junto às fogueiras. Aprendi que cada história carregava uma memória, e que cada memória podia ensinar alguma coisa sobre nosso povo.


Quando aprendi a ler e escrever, descobri outra maneira de guardar aquilo que antes era transmitido principalmente pela palavra.


Depois vieram os livros, as revistas, as fotografias, o rádio, a televisão, o telefone, a Internet e as novas tecnologias.


Em 2008, criei meu blog. O espaço passou a reunir textos, histórias, pesquisas e produções culturais.


Com o passar dos anos, as publicações aumentaram. Vieram os livros digitais, os e-books, os cordéis, as coletâneas e os artigos.


Mais tarde, a Inteligência Artificial entrou nessa trajetória como ferramenta de assistência para criação, organização e desenvolvimento de novas obras.


Em 2026, a criação das Estantes Virtuais possibilitou reunir diferentes produções em uma estrutura semelhante a uma biblioteca.


Ao mesmo tempo, o levantamento do acervo revelou uma dimensão muito maior da produção: milhares de matérias e fotografias, centenas de textos literários e artigos, livros, cordéis, imagens, desenhos e vídeos.


Assim nasceu, de forma progressiva, o conceito do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó.


Minha trajetória pode ser resumida em uma frase:


Eu comecei ouvindo histórias e continuei contando histórias por novos caminhos.




INTRODUÇÃO


O Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó é resultado de um processo gradual de transformação da memória em diferentes formas de registro.


Sua origem está na oralidade.


Antes dos livros digitais existirem, havia as histórias contadas pelos mais velhos. Antes do blog, havia os cadernos, os papéis, as publicações e as experiências de escrita. Antes da Internet, havia outros meios de comunicação.


Cada nova tecnologia acrescentou uma possibilidade de comunicação.


Por isso, a trajetória do Acervo não deve ser compreendida como uma ruptura entre tradição e tecnologia, mas como uma sequência de formas utilizadas para registrar e compartilhar conhecimentos.




SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN Simbólico / Editorial
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
Sumário
Desenvolvimento do Caderno
I — O Sonho de Infância: Ser Contador de Histórias do Seu Povo
II — As Fogueiras das Histórias e os Saberes dos Anciãos
III — Da Escola à Escrita: Aprender a Guardar as Histórias no Papel
IV — Das Comunicações à Era Digital
V — Do Blog ao Acervo Virtual Bibliográfico
VI — A Conexão entre Blog, Postagens, Obras, Estantes e Acervo
VII — Linha do Tempo Histórica Resumida
VIII — Estatística Atual do Blog, do Acervo e da Videoteca
IX — As Estantes Temáticas do Acervo
X — Linha do Tempo Visual
Referências Bibliográficas
Conclusão
Considerações Finais
Glossário
Sobre o Autor
Encerramento do Caderno




DESENVOLVIMENTO DO CADERNO


CADERNO Nº 02 — LINHA DO TEMPO DA TRAJETÓRIA DE CRIAÇÃO DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ



COMO SURGIU O ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ


O Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó é resultado de uma trajetória iniciada ainda na infância, marcada pela escuta das histórias dos pais, avós e anciãos, pela aprendizagem da leitura e da escrita, pelo contato com diferentes meios de comunicação e, posteriormente, pelas tecnologias digitais e pela Inteligência Artificial.


Ao longo dessa trajetória, a memória oral foi sendo transformada em textos, artigos, livros, e-books, coletâneas e cordéis.


Essas produções passaram a ser publicadas em um blog, organizadas por meio de links e, posteriormente, reunidas em Estantes Virtuais, formando uma biblioteca digital de memória, saberes e produção cultural.


Linha de evolução


Memória oral → Escrita → Publicações → Blog → Livros e obras digitais → Estantes Virtuais → Acervo Virtual Bibliográfico



I — O SONHO DE INFÂNCIA: SER CONTADOR DE HISTÓRIAS DO SEU POVO


Desde criança, Nhenety Kariri-Xocó cultivou o sonho de ser contador de histórias de seu povo indígena, localizado no município de Porto Real do Colégio, Alagoas.


a) Nascimento


Nhenety nasceu em 10 de setembro de 1963, na Aldeia Kariri-Xocó, chamada Natianie — “Aldeia Indígena Tradicional”, na Rua dos Índios, município de Porto Real do Colégio, Alagoas.


b) As primeiras histórias


Até aproximadamente os cinco anos de idade, em 1968, Nhenety ouvia as primeiras histórias contadas por seus pais e avós na casa da família, na comunidade Kariri-Xocó, especialmente nas noites de luar da Rua dos Índios.


Essas primeiras experiências constituíram uma das bases de sua formação como contador de histórias e guardião da memória de seu povo.


c) A chegada da energia elétrica


Em 1969, chegou à Aldeia Kariri-Xocó o Hinebakró — “Luz no Tronco de Pedra”, expressão utilizada para designar a energia elétrica, com postes de cimento.


Esse acontecimento marcou um novo período na comunidade e na chamada Rua dos Índios, Woderáehó Uanieá.


d) O rádio: “A Caixa que Fala”


Também em 1969, os pais de Nhenety compraram um aparelho de rádio, chamado em sua língua Crameokli — “A Caixa que Fala”.


Por meio do rádio, a criança passou a ouvir músicas, notícias do Brasil e acontecimentos de outras partes do mundo, ampliando seus horizontes de conhecimento para além da comunidade.




II — AS FOGUEIRAS DAS HISTÓRIAS E OS SABERES DOS ANCIÃOS


A formação de Nhenety também aconteceu nas experiências comunitárias, especialmente junto às fogueiras, onde os anciãos transmitiam conhecimentos sobre a história, os costumes, as tradições e a cultura Kariri-Xocó.


a) Buyê Woroyá — “Fogueira das Histórias”


Na Buyê Woroyá — “Fogueira das Histórias”, realizada na floresta, Nhenety ouvia os anciãos contarem histórias sobre os povos indígenas do Opará que contribuíram para a formação dos Kariri-Xocó.


Nessas narrativas estavam presentes os Woroyé — contos, mitos e fábulas, os Uanoá — costumes, as Nhenetíá — tradições, o Buruhú — arte e a Samy — cultura.


Essas experiências de escuta constituíram uma verdadeira escola de tradição oral.


b) O contato com outras culturas


Os anciãos também contavam a Nhenety sobre a Natiwaré — “Aldeia dos Padres”, espaço relacionado à transmissão de outras culturas e tradições dos Caraí — “Brancos”.


Nas narrativas aparecia também a chegada da Erantoá — Igreja, casa dos santos, e as transformações culturais associadas a esse contato, incluindo o uso das Rocruté — roupas de pano.




III — DA ESCOLA À ESCRITA: APRENDER A GUARDAR AS HISTÓRIAS NO PAPEL


A escola indígena e a escola na cidade possibilitaram a Nhenety aprender a ler e escrever, conhecer histórias e culturas de outros povos do Brasil e do mundo e compreender suas conexões históricas, culturais e sociais com os Kariri-Xocó.


a) Início da escolarização indígena


Nhenety entrou na Erátekié Uanie — “Escola Indígena”, em 10 de fevereiro de 1969.


Durante o antigo Curso Primário, que compreendia quatro anos de escolarização, do 1º ao 4º ano, aprendeu a ler Tonranran — livro, e Mekuá — escrever.


A escrita passou a oferecer uma nova possibilidade: guardar as histórias em papel, além da transmissão pela oralidade.


b) Continuidade dos estudos na cidade


Em 14 de fevereiro de 1977, iniciou os estudos na Erátekié Caraí — “Escola de Branco”, na 5ª série do antigo 1º Grau, no Ginásio São Francisco, em Porto Real do Colégio, Alagoas.


Na 8ª série, realizou uma pesquisa escolar sobre a história dos indígenas de Porto Real do Colégio, Alagoas.


Esse trabalho representou uma das primeiras experiências de investigação e registro escrito da história indígena local.


c) Primeiro artigo publicado


Em 1º de dezembro de 1999, ocorreu a publicação do texto “Um Pouco da Minha Infância”, na Revista Estudos Avançados, da Universidade de São Paulo — USP.


A publicação representou um importante momento de passagem da memória pessoal e comunitária para o espaço editorial e acadêmico.


d) Participação em livro coletivo indígena


Em 2001, participou do livro coletivo de autores indígenas Índios na Visão dos Índios, publicado em Salvador, Bahia.


e) Arco Digital


Em 2007, participou da publicação Arco Digital — Textos e fotos de vários indígenas, sendo Nhenety um dos autores da obra, publicada em Maceió.


f) E-books Dois Irmãos no Mundo


Em 2015, Nhenety foi autor dos e-book Dois Irmãos no Mundo, nas línguas: Portuguesa, Spanish, English e  French, publicado pela Thydêwá, em Ilhéus.





IV — DAS COMUNICAÇÕES À ERA DIGITAL


A convivência social e cultural em Porto Real do Colégio e a chegada de diferentes meios de comunicação — rádio, televisão, telefone, Internet e, posteriormente, Inteligência Artificial — possibilitaram a Nhenety ampliar suas fontes de conhecimento e também as formas de escrever e divulgar as histórias de seu povo.


a) Warudókli — “O Espelho que Fala”


A televisão, chamada Warudókli — “O Espelho que Fala”, trouxe novas imagens, informações e narrativas para dentro das casas.


Segundo a memória registrada pelo autor, chegou à aldeia na casa de José Tononé em 1972.


b) Benheokli — telefone


O telefone de disco, analógico, chamado Benheokli, acrescentou uma nova possibilidade de comunicação entre pessoas e lugares.


A Estação Terrena da S/A — TELASA, em Porto Real do Colégio, Alagoas, foi instalada em 21 de novembro de 1972.


c) Piteiatekié — Internet


A chegada da Piteiatekié — Internet abriu uma nova etapa na produção e divulgação dos conhecimentos.


Nesse contexto também surgiu a experiência da Pité Uanieá Piteiatekié — Rede Índios On-Line, ampliando a comunicação indígena por meios digitais.


A experiência Índios Online, criada em Salvador, Bahia, em 10 de abril de 2004, foi lançada nas aldeias do Nordeste, inclusive na comunidade Kariri-Xocó, em 19 de abril de 2004, conforme o registro adotado neste Caderno.


A comunicação deixou de depender somente da presença física, do papel ou dos meios tradicionais e passou a alcançar outros territórios por meio das redes digitais.



V — DO BLOG AO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO


As histórias, contos e fábulas dos Kariri-Xocó, em contato com outras culturas e conhecimentos, foram formando uma fusão de saberes e experiências.


Esse processo levou Nhenety a produzir e organizar diferentes tipos de materiais: livros, artigos, e-books, coletâneas, cordéis e publicações digitais.


Foi nesse processo que surgiu a ideia do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó.


a) Criação do Blog


Em 30 de julho de 2008, Nhenety criou o blog:


Local: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil.


A primeira postagem foi “O Rio São Francisco”.


O blog passou a funcionar como uma base digital para publicação, preservação e divulgação de seus textos, histórias, pesquisas, memórias e produções culturais.


b) O blog como espaço de publicação de obras


Em 22 de maio de 2021, o autor publicou no blog o cordel “Povo do Opará”, associado ao conjunto de obras Worowakisí — “Histórias nas Imagens Repartidas”.


A partir desse processo, o blog deixou de funcionar apenas como espaço de matérias e passou também a servir como espaço de publicação e organização de livros, cordéis e outras obras digitais.


c) A chegada da Inteligência Artificial


Em 4 de junho de 2023, ocorreu o primeiro contato de Nhenety com a Inteligência Artificial por meio do Midjourney, experiência que o autor denominou Nikiékliwahi — “o Espírito da Máquina”.


Posteriormente, em 12 de abril de 2024, iniciou-se o uso do ChatGPT em consultas relacionadas a datas históricas locais e nacionais.


A partir daí, ferramentas de Inteligência Artificial passaram a exercer papel de assistência virtual em atividades de organização, criação, pesquisa, revisão e desenvolvimento editorial.


Essa colaboração entre memória humana, escrita, tecnologia digital e Inteligência Artificial abriu uma nova etapa na trajetória do Acervo.


Entre as experiências posteriores está a postagem “Influência dos Castros — Aldeias Fortificadas do Norte de Portugal”, publicada em 15 de março de 2025, com assistência virtual relacionada ao trabalho do Acervo.


d) A criação da primeira Estante Virtual


Em 14 de março de 2026, foi criada no blog a primeira Estante Virtual:


“Estante 1 — Coletânea de Contos e Fábulas, Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó”.


A criação dessa primeira estante representou uma mudança importante na organização do blog.


As obras que anteriormente estavam distribuídas em diferentes postagens passaram a ser agrupadas por categorias e temas, formando uma estrutura semelhante às estantes de uma biblioteca.


A partir dessa organização, desenvolveu-se o conceito do:


ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ


O Acervo passou a reunir livros digitais, artigos, cordéis, contos, fábulas, coletâneas, imagens e outros trabalhos em diferentes Estantes Virtuais, interligadas por links.




VI — A CONEXÃO ENTRE BLOG, POSTAGENS, OBRAS, ESTANTES E ACERVO


A estrutura do Acervo Virtual Bibliográfico pode ser compreendida como uma sequência de organização do conhecimento:


BLOG

É a base digital onde os conteúdos são publicados.

↓

POSTAGENS

São as páginas individuais onde cada matéria, texto ou obra é disponibilizada.

↓

LINKS EM HTML

São os caminhos digitais que permitem acessar e conectar as diferentes páginas e obras.

↓

LIVROS, ARTIGOS, CORDÉIS E COLETÂNEAS

São os conteúdos produzidos, publicados e organizados digitalmente.

↓

ESTANTES VIRTUAIS

Agrupam as obras por temas, gêneros e categorias.

↓

ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO

É o conjunto integrado dessas produções, organizadas e conectadas em uma biblioteca digital.


Em síntese


O blog é a base.

As postagens são as páginas.

Os links são os caminhos.

As obras são o conteúdo.

As estantes são a organização.

O acervo é o conjunto da memória reunida.




VII — LINHA DO TEMPO HISTÓRICA RESUMIDA


1963 — Nascimento de Nhenety Kariri-Xocó na Aldeia Kariri-Xocó.


1968 — Escuta das primeiras histórias familiares, contadas pelos pais e avós.


1969 — Entrada na escola indígena, chegada da energia elétrica à comunidade e aquisição do rádio pela família.


1972 — Chegada da televisão à aldeia, na casa de José Tononé.


1972 — Instalação da Estação Terrena da TELASA em Porto Real do Colégio.


1977 — Início dos estudos no Ginásio São Francisco.


1999 — Publicação de “Um Pouco da Minha Infância”, na Revista Estudos Avançados da USP.


2001 — Participação em Índios na Visão dos Índios.


2004 — Participação no contexto da Rede Índios On-Line.


2007 — Participação em Arco Digital — Textos e fotos de vários indígenas.


2008 — Criação do blog KXNHENETY e publicação de “O Rio São Francisco”.


2015 — Publicação do e-book Dois Irmãos no Mundo.


2021 — Publicação de Povo do Opará no blog.


2023 — Primeiro contato com Inteligência Artificial, por meio do Midjourney.


2024 — Ampliação do uso do ChatGPT como ferramenta de assistência virtual.


2025 — Desenvolvimento de novas publicações com assistência virtual.


2026 — Criação da primeira Estante Virtual e consolidação do conceito do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó.


2026 — Atualização estatística do blog, do Acervo, das Estantes Temáticas e da
Videoteca.



VIII — ESTATÍSTICA ATUAL DO BLOG, DO ACERVO E DA VIDEOTECA


1. Estatística do Blog KXNHENETY


O levantamento realizado em 2026 apresenta a seguinte dimensão do blog:


Item Quantidade Matérias/postagens publicadas 2.374.


Fotografias de autoria de Nhenety 1.506.


Imagens digitais de autoria de Nhenety 1.114 .


Desenhos feitos por Nhenety 72


Livros publicados no acervo 235 


Estantes já criadas no acervo 7


Folhetos de cordel ainda não organizados nas Estantes 113


Videoteca que será organizada numa nova Estante com 52 vídeos de Audiovisual.


Esses números demonstram que o blog ultrapassou a função inicial de página de publicação e passou a constituir uma importante base documental da produção cultural, literária, fotográfica e artística de Nhenety Kariri-Xocó.


Os 113 folhetos de cordel ainda não organizados representam, por sua vez, uma frente de trabalho para futuras etapas de catalogação e incorporação às Estantes Virtuais.


2. Estatística do Acervo Virtual Bibliográfico


O levantamento atual registra:


Categoria Quantidade Imagens digitais utilizadas em livros nos cordéis e postagens 1.114, Contos Kariri-Xocó 286, Coletânea de contos 27 volumes, Fábulas Kariri-Xocó nas 114 Coletânea de fábulas com 11 volumes, Cordéis 102 volumes, Artigos 167 Coletânea de artigos 44 volumes, Livros de temas diversos cerca de 35 volumes Total declarado do Acervo 235 volumes.


Os números representam um retrato do Acervo no momento deste levantamento.


Como a produção continua em expansão, a quantidade de obras poderá aumentar e sofrer atualizações futuras.


3. Dimensão literária e documental


A produção reunida apresenta diferentes formas de expressão:


Contos — 286 produções reunidas em 27 volumes.


Fábulas — 114 produções reunidas em 11 volumes.


Livretos de Cordéis 102 distribuídas em 3 estantes do acervo.


Artigos — 167 textos reunidos em 44 volumes.


Livros diversos — aproximadamente 35 volumes.


Folhetos de Cordéis — produção que será posteriormente distribuída em diferentes novas estantes, assim os 113 folhetos que ainda aguardam organização.


Essa diversidade demonstra que o Acervo não se limita a um único gênero literário.


Ele reúne literatura, memória, pesquisa, história, cultura, filosofia, arte, tecnologia e diferentes formas de expressão.




IX — AS ESTANTES TEMÁTICAS DO ACERVO


Em 2026, o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó encontra-se organizado ou em processo de organização em oito Estantes Temáticas.



ESTANTE 1


Coletânea de Contos e Fábulas — Memória e Identidade Cultural

39 volumes


Reúne contos, fábulas e narrativas relacionadas à memória, identidade cultural e experiências de produção literária.



ESTANTE 2


Cordéis — Origens, Espiritualidade, Esporte, Arte e Tecnologia

35 volumes


Reúne cordéis relacionados a origens, espiritualidade, esporte, arte, tecnologia e outros temas associados à produção cultural.



ESTANTE 3


Cordéis — Temas Bíblicos, Reinos Cristãos, Cultura e Identidade

Cerca de 30 volumes


Agrupa produções em cordel relacionadas a temas bíblicos, reinos cristãos, cultura, identidade e relações históricas entre diferentes tradições.



ESTANTE 4


Cordéis — Mitologia, Povos Antigos e Filosofia

37 volumes


Reúne cordéis relacionados à mitologia, povos antigos, filosofia e diferentes tradições históricas e culturais.



ESTANTE 5


Livros e Artigos — Estudos, Cultura e Memória

23 volumes


Reúne livros e artigos dedicados a estudos, cultura, memória e diferentes experiências de pesquisa e produção intelectual.



ESTANTE 6


Coletânea de Artigos do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó

44 volumes


Concentra a produção de artigos organizada em volumes, formando uma seção específica para estudos, pesquisas, memória cultural, histórica, espiritual e intelectual.



ESTANTE 7


Memória, Saberes e Conexões Kariri-Xocó

27 volumes


Reúne trabalhos relacionados à memória, aos saberes, às experiências culturais e às conexões Kariri-Xocó com diferentes conhecimentos e territórios.



ESTANTE 8


Estante em Formação


11 volumes já preparados


A Estante 8 encontra-se em processo de formação e conclusão.


Já existem 11 volumes preparados para compor essa nova seção, que deverá ser ampliada conforme a organização das obras.




X — A VIDEOTECA DO CANAL DE NHENETY NO YOUTUBE


A trajetória digital de Nhenety Kariri-Xocó também ultrapassou o texto, a fotografia e o livro.


Ela alcançou o audiovisual.


O Canal de Nhenety no YouTube possui, no levantamento de 2026, 52 vídeos de autoria própria.


Os conteúdos abordam temas como:


Toré;


cultura;


ervas medicinais;


arte;


meio ambiente;


conhecimentos e experiências da comunidade.


A Videoteca constitui, portanto, uma dimensão audiovisual complementar ao Acervo Virtual Bibliográfico.


Enquanto os livros preservam textos e imagens, os vídeos possibilitam registrar movimento, voz, ambiente, práticas culturais e diferentes formas de comunicação.


Dessa maneira, o Acervo passa a apresentar uma dimensão multimídia:


Texto + Fotografia + Desenho + Imagem Digital + Cordel + Livro + Artigo + Vídeo


A Videoteca representa mais um caminho pelo qual a memória pode circular no mundo contemporâneo.




XI — O ACERVO COMO BIBLIOTECA DIGITAL EM EXPANSÃO


A partir da atualização de 2026, torna-se possível compreender o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó não apenas como uma coleção de livros digitais, mas como uma estrutura mais ampla de preservação e organização da produção cultural.


O conjunto articula:


Blog

→ espaço de publicação.


Postagens

→ unidades de conteúdo.


Fotografias

→ registros visuais.


Desenhos

→ expressões artísticas.


Imagens digitais

→ elementos de composição das obras.


Contos e fábulas

→ produção literária.


Artigos

→ produção de caráter documental e intelectual.


Cordéis

→ poesia, narrativa e reflexão em formato popular.


Livros e e-books

→ organização ampliada das obras.


Estantes Virtuais

→ classificação temática.


Videoteca

→ preservação audiovisual.


Acervo Virtual Bibliográfico

→ integração dessas diferentes formas de produção.


Assim, o conceito de biblioteca é ampliado.


A biblioteca deixa de ser entendida apenas como uma sala física cheia de livros e passa também a existir como uma rede digital de conteúdos relacionados entre si.




XII — LINHA DO TEMPO VISUAL


1963

Nascimento de Nhenety Kariri-Xocó.


1968

Primeiras histórias familiares ouvidas dos pais e avós.


1969

Entrada na escola indígena, chegada da energia elétrica e aquisição do rádio pela família.


1972

Chegada da televisão à aldeia e instalação da Estação Terrena da TELASA em Porto Real do Colégio.


1977

Início dos estudos no Ginásio São Francisco.


1999

Publicação de “Um Pouco da Minha Infância”.


2001

Participação em Índios na Visão dos Índios.


2004

Participação no contexto da Rede Índios On-Line.


2007

Participação em Arco Digital.


2008

Criação do blog KXNHENETY.


2015

Publicação do e-book Dois Irmãos no Mundo.


2021

Publicação de Povo do Opará no blog.


2023

Primeiro contato com Inteligência Artificial por meio do Midjourney.


2024

Ampliação do uso do ChatGPT como ferramenta de assistência virtual.


2025

Desenvolvimento de novas publicações com assistência virtual.


2026

Criação da primeira Estante Virtual.


2026

Expansão do Acervo para oito Estantes, com a oitava em formação.


2026

Levantamento estatístico do Blog, Acervo, Estantes e Videoteca.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Canal de Nhenety no YouTube. YouTube. Disponível em:

https://www.youtube.com/user/Nhenety⁠  . Acesso em: 30 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Estante 1 — Coletânea de Contos e Fábulas, Acervo Virtual Bibliográfico. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/03/estante-1-coletaneas-de-contos-e.html?m=0. Acesso em: 28 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História — Kariri-Xocó, Saberes, Contos — Volume 17 — Coletânea. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/12/woroy-historia-kariri-xoco-caminhos-e_5.html?m=0. Acesso em: 28 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História — Kariri-Xocó, Sonoridades Entrelaçadas, Contos — Volume 8 — Coletânea. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/11/woroy-historia-kariri-xoco-sonoridades.html?m=0. Acesso em: 28 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História — Kariri-Xocó, Transportes no Tempo, Contos — Volume 6 — Coletânea. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/11/woroy-historia-kariri-xoco-transportes.html?m=0. Acesso em: 28 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História — Kariri-Xocó, Luz do Novo Mundo: Contos — Volume 9. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/11/woroy-historia-kariri-xoco-luz-do-novo.html?m=0. Acesso em: 28 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História — Kariri-Xocó, Memória da Tecnologia: Contos — Volume 19. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/12/woroy-historia-kariri-xoco-memoria-da.html?m=0. Acesso em: 28 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História — Kariri-Xocó, Tecnologia Digital e Inteligente: Contos — Volume 20. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/12/woroy-historia-kariri-xoco-tecnologia.html?m=0. Acesso em: 28 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. O Rio São Francisco. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2008/07/o-rio-sao-francisco.html?m=0. Acesso em: 28 set. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Arco Digital — Textos e fotos de vários indígenas. Maceió, 2007. 64 p. Disponível em:

https://www.thydewa.org/downloads/arco.pdf. Acesso em: 28 set. 2026.

OLIVEIRA, José Nunes de. Um pouco da minha infância. In: Revista Estudos Avançados, USP, v. 13, n. 37, 1999, p. 78–103. Disponível em:

http://www.iea.usp.br/revista/autores/autorj/josenunesdeoliveira?searchterm=Oliveira+UM+POUC. Acesso em: 28 set. 2026.

GERLIC, Sebastian. Índios na Visão dos Índios. Salvador, Bahia, 2001. Disponível em:

https://www.thydewa.org/downloads/kariri_xoco.pdf. Acesso em: 28 set. 2026.





CONCLUSÃO


A história do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó não começou com a criação do blog.

Sua origem está muito mais atrás: nas histórias contadas pelos pais, avós e anciãos, nas fogueiras, na memória da comunidade e no desejo de uma criança de se tornar contador de histórias de seu povo.

O blog criado em 2008 tornou-se posteriormente o espaço digital onde essa memória passou a ser publicada e preservada.

Os livros, artigos, cordéis e coletâneas ampliaram esse conteúdo.

Os links passaram a conectar as obras.

As Estantes Virtuais deram uma estrutura de organização.

A produção fotográfica, os desenhos, as imagens digitais e os vídeos ampliaram as formas de registro.

E a reunião dessas partes formou o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó.

Assim, a trajetória pode ser compreendida como:


MEMÓRIA → ORALIDADE → ESCRITA → PUBLICAÇÃO → BLOG → LIVROS DIGITAIS → LINKS → ESTANTES VIRTUAIS → ACERVO → VIDEOTECA


Mais do que um conjunto de páginas na Internet, o Acervo constitui uma forma de organizar, preservar e compartilhar uma trajetória de memória, saberes, histórias e produção cultural Kariri-Xocó no ambiente digital.





CONSIDERAÇÕES FINAIS


A história do Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó continua em movimento.

Sua origem está nas histórias contadas pelos pais, avós e anciãos, nas fogueiras e na memória comunitária.

A escrita transformou parte dessas lembranças em registros.

Os livros e as publicações ampliaram sua circulação.

O blog criou uma base digital.

Os links estabeleceram caminhos entre as obras.

As Estantes Virtuais organizaram os conteúdos.

A Inteligência Artificial passou a atuar como ferramenta de assistência em determinadas etapas de criação, pesquisa e organização.

A fotografia, o desenho, a imagem digital e o audiovisual ampliaram ainda mais os meios de expressão.

Em 2026, o levantamento do autor registra 2.374 matérias no blog, 1.506 fotografias, 72 desenhos, 1.114 imagens digitais, 286 contos, 114 fábulas, 167 artigos, 235 volumes declarados no Acervo e 52 vídeos no canal de Nhenety no YouTube, além de folhetos de cordel ainda aguardando organização e uma nova Estante em formação.

Esses números não representam apenas quantidade.

Representam uma trajetória de produção, memória, organização e continuidade.

A palavra que nasceu na memória encontrou o papel, chegou à tela, passou pelas redes digitais e continua caminhando.




GLOSSÁRIO


Acervo — conjunto organizado de obras, documentos, textos e produções.


Blog — espaço digital utilizado para publicação e organização de conteúdos.


Buyê Woroyá — “Fogueira das Histórias”.


Crameokli — “A Caixa que Fala”, denominação utilizada para o rádio.


Erátekié Uanie — “Escola Indígena”.


Hinebakró — “Luz no Tronco de Pedra”, denominação utilizada para a energia elétrica.


Mekuá — escrever.


Natiá — aldeia.


Natiwaré — “Aldeia dos Padres”.


Nhenetíá — tradições.


Nikiékliwahi — “o Espírito da Máquina”, denominação utilizada pelo autor para a Inteligência Artificial.


Opará — Rio São Francisco.


Piteiatekié — Internet.


Rocruté — roupas de pano.


Samy — cultura.


Swbatekié — conhecimento.


Tonranran — livro.


Uanoá — costumes.


Woroy — história.


Woroyé — contos, mitos e fábulas.


Worowakisí — “Histórias nas Imagens Repartidas”.





SOBRE O AUTOR


NHENETY KARIRI-XOCÓ

Nhenety Kariri-Xocó nasceu em 10 de setembro de 1963, na Aldeia Kariri-Xocó, em Porto Real do Colégio, Alagoas.

Desde a infância, teve contato com as histórias transmitidas por pais, avós e anciãos de sua comunidade. Essas experiências contribuíram para sua formação como contador de histórias, escritor e pesquisador da memória e da cultura de seu povo.

Ao longo de sua trajetória, desenvolveu trabalhos envolvendo literatura, memória, história, cultura, educação, tecnologia e comunicação indígena.

Participou de publicações coletivas e projetos relacionados à produção cultural indígena e desenvolveu extensa produção própria de artigos, contos, fábulas, cordéis, livros e obras digitais.

Em 2008, criou o blog KXNHENETY, que posteriormente passou a funcionar como base para a organização de sua produção bibliográfica digital.

A partir de 2023, incorporou ferramentas de Inteligência Artificial ao processo de criação e organização de suas obras.

Em 2026, estruturou as Estantes Virtuais, dando forma ao Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó.

Sua trajetória pode ser compreendida como uma ponte entre memória ancestral, oralidade, escrita, literatura, tecnologia, comunicação audiovisual e mundo digital.

Nhenety significa tradição ou ser lembrado.




ENCERRAMENTO DO CADERNO


CADERNO Nº 02, LINHA DO TEMPO DA TRAJETÓRIA DE CRIAÇÃO DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ


Da palavra dos anciãos à biblioteca digital.

Da memória à escrita.

Da escrita ao livro.

Do livro ao blog.

Do blog às Estantes Virtuais.

Das Estantes ao Acervo.

Do Acervo à Videoteca.

E da memória registrada às novas gerações.

Somos guardiões da memória do Opará.




Autor, organizador e curador:
Nhenety Kariri-Xocó

Aldeia Kariri-Xocó — Porto Real do Colégio — Alagoas — Brasil

2026