Autor, organizador e curador: Nhenety Kariri-Xocó
Local: Porto Real do Colégio – Alagoas
Ano: 2026
1. FALSA FOLHA DE ROSTO
RUHÚÁ SAMY MEPLIAPÉ
Artes, Cultura e Conexão da Língua Kariri-Xocó — Ensino Fundamental
Uma proposta educativa de valorização da língua, da arte, da memória ancestral e dos conhecimentos culturais do povo Kariri-Xocó.
Nhenety Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio – AL
2026
2. FOLHA DE ROSTO
RUHÚÁ SAMY MEPLIAPÉ: ARTES, CULTURA E CONEXÃO DA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ — ENSINO FUNDAMENTAL
Esta obra propõe um percurso educativo pelas relações entre língua, arte, natureza, espiritualidade, história, alimentação, objetos tradicionais e transformações culturais do povo Kariri-Xocó.
Por meio de narrativas, vocabulários, observações, desenhos, pesquisas e atividades escolares, o livro procura aproximar as novas gerações dos saberes transmitidos pelos antepassados e contribuir para a continuidade da memória cultural.
Autor, organização e curadoria: Nhenety Kariri-Xocó
Local de elaboração: Porto Real do Colégio – Alagoas
Ano: 2026
3. VERSO DA FOLHA DE ROSTO
Nota editorial
Este livro é uma obra educativa e cultural dedicada ao registro, à reflexão e à valorização de conhecimentos associados ao povo Kariri-Xocó.
Os textos apresentam interpretações culturais e propostas pedagógicas organizadas pelo autor. As grafias, os significados e os usos dos vocábulos em língua Kariri-Xocó devem ser conferidos com pessoas reconhecidas pela comunidade como conhecedoras da língua e de seus contextos culturais.
A publicação não pretende substituir a tradição oral, os ensinamentos comunitários nem a autoridade dos detentores dos conhecimentos tradicionais.
Nota sobre o código editorial: eventual código interno de organização bibliográfica é apenas identificador particular da obra. Não equivale a ISBN oficial, ficha catalográfica emitida por profissional habilitado ou registro institucional.
Direitos e usos: recomenda-se solicitar autorização para reproduzir textos, imagens, depoimentos, conhecimentos tradicionais e materiais pertencentes a terceiros ou à comunidade. A divulgação de conhecimentos sagrados, restritos ou sensíveis deve respeitar as decisões comunitárias.
4. MODELO DE FICHA CATALOGRÁFICA
Nhenety Kariri-Xocó.
Ruhúá Samy Mepliapé: artes, cultura e conexão da língua Kariri-Xocó — Ensino Fundamental / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL, 2026.
Obra educativa e cultural sobre língua, arte, memória, conhecimentos tradicionais e práticas pedagógicas Kariri-Xocó.
Assuntos:
Língua Kariri-Xocó.
Educação escolar indígena.
Arte e cultura indígena.
Memória e tradição oral.
Práticas pedagógicas interculturais.
Modelo preliminar para revisão e elaboração de ficha catalográfica definitiva.
5. ISBN SIMBÓLICO
Identificação editorial provisória
ISBN: não atribuído.
Para fins de organização do projeto, a obra poderá utilizar um código interno de catálogo, como:
RCX-2026-RSM-001
Esse código é apenas identificador interno do projeto. Não constitui ISBN oficial e não deve ser apresentado como número ISBN em registros bibliográficos ou comerciais.
6. PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO
Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.
Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.
Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.
Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.
Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.
7. ESCLARECIMENTO DO AUTOR
A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.
Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.
Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.
O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.
Nhenety Kariri-Xocó
8. APRESENTAÇÃO DO AUTOR
A palavra que guarda a memória
Este livro nasce do desejo de registrar, organizar e compartilhar conhecimentos relacionados à língua, à arte e à cultura do povo Kariri-Xocó. Seu propósito é aproximar os estudantes das histórias, dos vocabulários, das expressões artísticas e das experiências culturais que participam da vida de nossa comunidade.
A língua de um povo não é apenas um conjunto de palavras. Ela também pode guardar lembranças, maneiras de observar a natureza, formas de nomear os objetos, conhecimentos sobre a vida coletiva e modos de compreender o mundo.
A arte, por sua vez, manifesta ideias, sentimentos, experiências e memórias. O corpo pintado, os adornos, os objetos, a cerâmica, os instrumentos musicais, as narrativas e as danças constituem possibilidades de expressão cultural. Cada manifestação precisa ser compreendida em seu contexto, respeitando os significados que lhe são atribuídos pela comunidade.
Ao organizar este material, desejo contribuir para que crianças e jovens encontrem na escola oportunidades de conhecer, pesquisar, registrar e valorizar os saberes de seu povo. O livro também procura estabelecer conexões entre os conhecimentos tradicionais e os recursos educativos contemporâneos.
Que as páginas desta obra sirvam como ponto de encontro entre gerações: os mais velhos, que guardam e compartilham experiências; os professores, que orientam a aprendizagem; e os estudantes, que darão continuidade à construção da memória.
Nhenety Kariri-Xocó
Contador de histórias e organizador de conhecimentos culturais.
9. DEDICATÓRIA
Dedico esta obra aos antepassados Kariri-Xocó, aos anciãos e anciãs que preservaram histórias, palavras, costumes e ensinamentos, e às crianças e aos jovens que representam a continuidade da memória de nosso povo.
Dedico também aos professores, pesquisadores, artistas, familiares e conhecedores da cultura que trabalham para que a língua e os saberes tradicionais encontrem espaço na educação.
Que cada estudante compreenda que aprender sobre sua cultura é também reconhecer a dignidade de sua história e a responsabilidade de transmiti-la com respeito.
10. AGRADECIMENTOS
Agradeço aos antepassados, cuja memória inspira esta caminhada; aos familiares e membros da comunidade que compartilham lembranças e conhecimentos; aos educadores que valorizam a cultura indígena; e a todos aqueles que contribuem para o diálogo entre tradição, educação e novas tecnologias.
Agradeço especialmente às pessoas que colaborarem na conferência dos vocábulos, das narrativas e dos significados culturais apresentados nesta obra. Sua participação é essencial para que o material seja fiel à língua e aos conhecimentos da comunidade.
Que o trabalho coletivo fortaleça a educação intercultural e a transmissão responsável dos saberes Kariri-Xocó.
11. EPÍGRAFE
A palavra guarda a lembrança, a arte revela a memória e a educação prepara o caminho das novas gerações.
Reflexão autoral para esta obra.
12. PREFÁCIO
Entre a língua, a arte e a memória
A educação intercultural ganha significado quando permite que os estudantes reconheçam os conhecimentos de sua comunidade como parte importante do processo de aprendizagem. Nesse caminho, língua e arte podem atuar juntas, oferecendo oportunidades para observar, interpretar, registrar e compartilhar experiências.
A presente obra reúne temas relacionados à cosmologia, às cores, aos sinais gráficos, aos antepassados, à natureza, aos adornos, aos alimentos, aos objetos tradicionais, à espiritualidade, ao Toré e às relações culturais entre os povos indígenas e a sociedade envolvente.
O material também propõe atividades para o Ensino Fundamental, incentivando a leitura, a escrita, o desenho, a pesquisa, a oralidade e a produção coletiva. O estudante é convidado a perceber que aprender uma palavra envolve não apenas pronunciá-la, mas também investigar seu significado, seu contexto e sua relação com a vida comunitária.
Por se tratar de uma obra ligada a conhecimentos tradicionais, a consulta aos conhecedores da comunidade deve acompanhar o processo de revisão. A escola pode registrar e estudar saberes autorizados, mas não deve expor aquilo que a comunidade considere sagrado, reservado ou inadequado à divulgação.
Que este livro contribua para uma educação que respeite a diversidade cultural, fortaleça a identidade e incentive a construção de conhecimentos com responsabilidade.
13. INTRODUÇÃO GERAL
A língua como caminho de conhecimento
A língua Kariri-Xocó constitui um dos eixos desta obra. Por meio dela, os estudantes podem investigar palavras, conceitos, narrativas e formas de expressão relacionadas à cultura. Cada vocábulo apresentado oferece uma oportunidade de estudo, desde que sua grafia, seu significado e seu uso sejam compreendidos dentro do contexto adequado.
A arte amplia esse caminho. Pinturas corporais, formas geométricas, adornos, cerâmicas, instrumentos e manifestações coletivas podem ser estudados como expressões de conhecimento, memória e criatividade.
O ensino desses temas não deve se limitar à cópia de desenhos ou à memorização de palavras. É importante que o estudante formule perguntas, escute os conhecedores, compare interpretações autorizadas, registre descobertas e aprenda a respeitar diferentes formas de compreender o mundo.
A proposta deste livro organiza doze unidades temáticas. Cada uma contém uma introdução, uma narrativa cultural resumida, conexões com arte e língua e atividades pedagógicas. Ao final, o projeto Museu Escolar da Memória Viva integra as aprendizagens em uma produção coletiva.
Objetivos gerais
Valorizar a língua e a cultura Kariri-Xocó no ambiente escolar.
Relacionar palavras, narrativas, arte e conhecimentos comunitários.
Desenvolver leitura, escrita, oralidade, observação e expressão artística.
Estimular a pesquisa com familiares, professores e conhecedores autorizados.
Reconhecer a importância da natureza e da vida coletiva.
Promover o respeito à diversidade cultural e aos direitos dos povos indígenas.
Produzir registros educativos que possam ser utilizados pelas novas gerações.
Orientações ao professor
As atividades devem ser adaptadas à idade, à série e às condições de aprendizagem da turma. Sempre que possível, o professor deve trabalhar com pessoas da comunidade que tenham conhecimento sobre o tema estudado.
Os desenhos e as produções artísticas dos estudantes não devem ser apresentados automaticamente como reproduções autênticas de grafismos tradicionais. É importante distinguir a criação escolar inspirada em um tema da reprodução de uma expressão cultural específica.
Antes de registrar depoimentos, fotografar pessoas, gravar cantos ou publicar materiais, solicite as autorizações necessárias. Conhecimentos sagrados ou restritos não devem ser coletados ou divulgados sem consentimento explícito.
14. SUMÁRIO
1. Falsa Folha de Rosto
2. Folha de Rosto
3. Verso da Folha de Rosto
4. Modelo de Ficha Catalográfica
5. ISBN Simbólico
6. Prefácio Oficial da Coleção
7. Esclarecimento do Autor
8. Apresentação do Autor
9. Dedicatória
10. Agradecimentos
11. Epígrafe
12. Prefácio
13. Introdução Geral
14. Sumário
15. Desenvolvimento das Unidades de Ensino
Unidade I — Banran Radda Kuatçó: Origem do Mundo na Pintura Corporal
Unidade II — Antse Kuatçóá: A Natureza das Cores
Unidade III — Mecáto Samy: O Poder dos Sinais na Cultura
Unidade IV — Tokenhé Antoá Bihéuché: Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos
Unidade V — Ninoá Raddá Tokenhé Antoá: A Criação do Mundo pelos Antepassados Sagrados
Unidade VI — Daclonto Upuhtoá Antoá: Adornos do Avô dos Ventos
Unidade VII — Canghité Bechié Keriá: Coisas Boas, Roça e Animais
Unidade VIII — Bunióto Ruñohú: Os Artefatos de Poder e a Cerâmica
Unidade IX — Canghité Anhíantoá: Coisas Boas Espirituais
Unidade X — Toré Kariri-Xocó: Memória, Cultura e Espiritualidade
Unidade XI — Amíá Uanieá Nhenetí: Culinária Indígena Kariri
Unidade XII — Samy Uanieá Caraí: Cultura Indígena e Portuguesa
16. Projeto Integrador — Escolar da Memória Viva
17. Modelo de Plano de Aula
18. Glossário Kariri-Xocó-Português
19. Considerações Finais
20. Referências e Fontes de Consulta
21. Sobre o Autor
22. Etapas Editoriais para a Publicação
Mensagem Final da Obra
15. DESENVOLVIMENTO DAS UNIDADES DE ENSINO
UNIDADE I — BANRAN RADDA KUATÇÓ: ORIGEM DO MUNDO NA PINTURA CORPORAL
1. Apresentação do tema
A pintura corporal pode ser estudada como uma forma de expressão artística que relaciona corpo, identidade, natureza e memória. Em diferentes contextos indígenas, as pinturas possuem significados específicos, que precisam ser compreendidos a partir dos conhecimentos de cada povo.
Nesta unidade, o estudante é convidado a refletir sobre a relação entre a criação do mundo, a observação da natureza e a expressão artística. A proposta é compreender que as cores e as formas podem transmitir ideias e significados, sem reduzir a pintura corporal a uma simples decoração.
2. Banran Radda Kuatçó: Origem do Mundo na Pintura Corporal
Na tradição oral Kariri, Banran Radda Kuatçó — Origem do Mundo na Pintura Corporal — narra a criação do universo como parte de um sistema ancestral de conhecimentos que une cosmologia, natureza, identidade, educação, história e espiritualidade. No princípio, Sonsé, o Deus primordial dos Kariri, criou Sáuatçó, a origem das cores, enquanto Kotçó, o preto e o escuro, envolvia Radda, o Mundo, no silêncio e no grande mistério da existência. Das cinzas do mundo antigo, Bydíá, Sonsé soprou Rabynhiu, o Carvão da Eternidade, dando origem a Ikúmuipú, a Nebulosa, de onde surgiu Bihédu, o Primeiro Fogo, anunciando Hine, a Luz. Em seguida, Sonsé estendeu Arãkieruté, o grande Pano do Céu, formando o universo, espalhando Battiá, as Estrelas, colocando Ukie, o Sol, para iluminar o dia, e Cayaku, a Lua, para guardar a noite. Assim, essa narrativa ancestral transmite, pela tradição oral, a memória sagrada da criação do mundo e o significado espiritual das cores na pintura corporal Kariri.
A interpretação cosmológica apresentada pelo autor, a criação do mundo está relacionada à manifestação de forças e elementos que dão origem à luz, ao céu e aos corpos celestes. A narrativa menciona Sonsé e a sequência de acontecimentos associados ao surgimento de uma paisagem cósmica, na qual nebulosas, luzes, estrelas, Sol e Lua participam da formação do universo.
Nesse contexto, a pintura corporal, identificada pelo vocábulo Kuatçó Hibuyêwohoá, pode ser abordada como uma linguagem visual que relaciona o corpo humano à compreensão da existência. Os termos Sáuatçó, Kotçó, Rabynhiu, Bihédu e Arãkieruté integram o vocabulário temático proposto para esta unidade e devem ser estudados conforme seus significados confirmados pela comunidade.
A narrativa convida a turma a refletir sobre como os povos constroem explicações para a origem do mundo e como essas explicações podem ser transmitidas por palavras, imagens e histórias.
3. Arte, língua e cultura
O professor pode apresentar imagens de fenômenos naturais, como o céu noturno, a luz solar, as estrelas e as formas das nuvens. Os estudantes poderão observar linhas, pontos, contrastes e movimentos, relacionando essas características à composição visual.
A atividade não deve inventar significados tradicionais para os grafismos. Quando houver exemplos autênticos, sua utilização deverá ser autorizada e acompanhada da explicação de pessoas conhecedoras.
4. Atividades pedagógicas
Escute a narrativa apresentada pelo professor e identifique os elementos naturais mencionados.
Registre em seu caderno as palavras Kariri-Xocó estudadas e seus significados confirmados.
Desenhe uma paisagem celeste utilizando pontos, linhas e formas.
Escreva um pequeno texto sobre a relação entre natureza, memória e arte.
Converse com o professor sobre a diferença entre um desenho autoral e um grafismo tradicional.
5. Registro de aprendizagem
Tema: Origem do mundo e pintura corporal.
Palavras estudadas:
__________________________________
O que aprendi: _______________________________________
Fonte da informação: _________________________________
O que ainda precisa ser confirmado: ___________________
UNIDADE II — ANTSE KUATÇÓÁ: A NATUREZA DAS CORES
1. Apresentação do tema
As cores estão presentes na natureza, nas paisagens, nos alimentos, nos materiais e nas produções artísticas. Elas ajudam a perceber contrastes, diferenças, luminosidade e formas.
Nesta unidade, os estudantes vão explorar as cores como elementos visuais e conhecer um conjunto de vocábulos apresentado pelo autor para o estudo da cor na língua Kariri-Xocó.
2. Antse Kuatçóá: A Natureza das Cores
Os antigos Kariri contava-se na tradição oral que Becu, o Branco, nasceu das Bydíá, as Cinzas, e coloriu Arãkieruté, o grande Pano do Céu, trazendo a pureza, a lembrança e o renascimento de todas as coisas; Hé, o Vermelho, surgiu de Bihédu, o Primeiro Fogo, espalhando a força, o calor e a pulsação da vida; Erã, o Amarelo, nasceu de Hine, a Luz, que iluminou a Radá, a Terra, por meio de Ukie, o Sol, e Cayaku, a Lua, fazendo brilhar as plantas e toda a criação; enquanto Cracú, o Azul, vestiu Arankié, o Céu, refletindo sua imensidão sobre as Dzuá, as águas dos rios, lagoas e mares. Assim, cada cor guarda uma memória sagrada da criação, revelando a ligação entre o céu, a terra, o fogo, a luz e as águas, conforme os ensinamentos transmitidos de geração em geração pela tradição oral.
O tema Antse Kuatçóá reúne a reflexão sobre as cores e suas relações com a observação do mundo. O vocabulário proposto inclui:
Becu: branco.
Hé: vermelho.
Erã: amarelo.
Cracú: azul.
Essas correspondências são apresentadas como parte do material de estudo e devem ser conferidas quanto à grafia, à pronúncia e ao uso linguístico.
As cores podem ser encontradas em diferentes elementos naturais: o branco pode aparecer em determinadas pedras, flores e nuvens; o vermelho, em frutos, solos e flores; o amarelo, na luz do Sol e em sementes; e o azul, no céu e em certas paisagens aquáticas.
Essas associações servem como ponto de partida para a observação. Os significados culturais das cores, quando existirem, devem ser explicados por pessoas que conheçam seus usos na comunidade.
3. Arte, língua e cultura
O estudo das cores permite desenvolver percepção visual, vocabulário, classificação e composição artística. Os alunos podem criar uma cartela de cores utilizando lápis, tintas ou materiais disponíveis na escola.
É importante distinguir a observação da natureza dos significados culturais específicos. Uma cor pode ter sentidos diferentes conforme o contexto, o objeto e a tradição.
4. Atividades pedagógicas
Observe o ambiente escolar e identifique objetos com as quatro cores estudadas.
Escreva cada vocábulo ao lado da cor correspondente, após conferir a informação.
Produza um desenho de uma paisagem utilizando as cores escolhidas.
Registre quais cores aparecem com maior frequência em seu entorno.
Converse sobre a importância de não atribuir significados culturais sem uma fonte confiável.
5. Registro de aprendizagem
Cor que mais observei: _______________________________
Vocábulo estudado: __________________________________
Exemplo encontrado na natureza: ______________________
O que aprendi sobre as cores: _________________________
UNIDADE III — MECÁTO SAMY: O PODER DOS SINAIS NA CULTURA
1. Apresentação do tema
Os sinais visuais permitem comunicar ideias por meio de linhas, pontos, formas e combinações. Eles podem aparecer em desenhos, mapas, placas, objetos, tecidos e manifestações artísticas.
Nesta unidade, a turma estudará como as formas podem organizar uma mensagem e como é importante conhecer o contexto de cada sinal antes de interpretá-lo.
2. Mecáto Samy: O Poder dos Sinais na Cultura
A sabedoria dos sinais sagrados representada no Mecáto Samy, pela tradição oral, nasceram com a criação do mundo e permanecem vivos na memória e na cultura do povo. Iworó é o círculo sagrado que simboliza a forma arredondada do Ukie (Sol), da Cayaku (Lua), das Battiá (Estrelas) e da Radá (Terra); Herité representa as ondas das Dzuá (Águas), os Boêdoá (Morros), o Wonhé (Canto), a palavra e a Samy (Memória e Cultura); Soncaru expressa a ponta da flecha e a forma triangular das Siririté (Serras); Purúhe revela a beleza das flores das Ubuá (Plantas), que cobrem as Retséá (Florestas) e abrigam os seres vivos; e Nhiró é o corpo pintado, a roupa sagrada do Uanie (Indígena), que carrega os ensinamentos ancestrais e mantém viva a ligação espiritual com a natureza, desde o princípio da criação. Assim, cada sinal é uma palavra ancestral desenhada, uma memória viva transmitida de geração em geração, que ensina ao povo a reconhecer sua origem, sua identidade e seu lugar no mundo.
O tema Mecáto Samy propõe uma reflexão sobre os sinais como elementos da expressão cultural. O vocabulário apresentado pelo autor inclui:
Iworó: círculo.
Herité: ondas.
Soncaru: forma descrita no material como ponta de flecha triangular.
Purúhe: formas florais.
Nhiró: pintura corporal.
Essas palavras compõem o conjunto vocabular proposto para a unidade e precisam ser conferidas com os conhecedores da língua.
O círculo pode ser estudado como uma forma geométrica; as ondas podem ser observadas em movimentos da água; as formas triangulares aparecem em diferentes objetos; e as flores oferecem exemplos de estruturas visuais variadas.
Entretanto, uma forma geométrica não possui necessariamente o mesmo significado em todas as culturas. O significado de um sinal tradicional depende de sua história, de seu uso e das explicações fornecidas pela comunidade.
3. Arte, língua e cultura
O professor pode trabalhar com formas geométricas básicas e incentivar os estudantes a produzir composições próprias. Os alunos também podem analisar símbolos de uso cotidiano, como placas e sinais de orientação, comparando suas funções.
Quando forem estudados grafismos Kariri-Xocó específicos, a turma deverá utilizar apenas exemplos cuja apresentação tenha sido autorizada.
4. Atividades pedagógicas
Identifique círculos, triângulos e linhas onduladas no ambiente.
Desenhe três sinais criados por você para representar ideias do cotidiano.
Explique por escrito o que cada sinal autoral significa.
Compare sua criação com um exemplo tradicional autorizado, se houver.
Reflita sobre por que não devemos inventar o significado de um grafismo de outro povo.
5. Registro de aprendizagem
Forma estudada: _____________________________________
Meu sinal autoral representa: _________________________
Vocábulo Kariri-Xocó confirmado: ______________________
Fonte cultural consultada: ____________________________
UNIDADE IV — TOKENHÉ ANTOÁ BIHÉUCHÉ: OS ANTEPASSADOS SAGRADOS DOS PRIMEIROS TEMPOS
1. Apresentação do tema
As narrativas sobre os antepassados ajudam diferentes comunidades a transmitir concepções sobre a origem da vida, a natureza e a organização do mundo. Elas também expressam relações entre gerações e formas de compreender a responsabilidade humana.
Esta unidade apresenta uma reflexão sobre os antepassados sagrados, respeitando a importância cultural e espiritual das narrativas.
2. Tokenhé Antoá Bihéuché: Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos
Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos, Tokenhé Antoá Bihéuché, segundo a tradição oral, quando caminhavam próximos às forças criadoras do mundo e transmitiam os ensinamentos fundamentais da existência: Upuhtoá, o Avô do Vento, senhor das brisas e dos sopros invisíveis; Dutoá, o Avô do Fogo, força da luz e do calor; Nikedda, a Avó da Terra, fonte de fertilidade, abrigo e sustento; e Dzúnike, a Avó da Água, guardiã das chuvas, dos rios e das lagoas que alimentam a vida. Esses ancestrais sagrados habitam Natiankié, a Aldeia Espiritual, situada no Arankié, o Céu, onde formam Antsetçoeyorã, a Família Sagrada, permanecendo em espírito e sabedoria junto aos seus descendentes, orientando a caminhada do povo Kariri-Xocó e preservando os ensinamentos ancestrais transmitidos de geração em geração.
O título Tokenhé Antoá Bihéuché está relacionado, no material do autor, aos antepassados sagrados dos primeiros tempos.
A narrativa organiza quatro elementos associados a esses antepassados:
Upuhtoá: Avô do Vento.
Dutoá: Avô do Fogo.
Nikedda: Avó da Terra.
Dzúnike: Avó da Água.
O conjunto convida o estudante a observar a importância dos elementos naturais para a existência. O vento participa dos movimentos do ar; o fogo pode produzir calor e luz; a terra sustenta plantas e animais; e a água é indispensável à vida.
A proposta educativa não pretende reduzir os antepassados a simples representações dos elementos naturais. Seu propósito é estudar a narrativa conforme a interpretação apresentada pelo autor e aprofundar seus significados com pessoas autorizadas pela comunidade.
3. Arte, língua e cultura
O tema permite desenvolver desenhos, mapas conceituais e textos sobre a relação entre os seres humanos e a natureza. O professor pode discutir a importância da água, da proteção do solo, do cuidado com o fogo e da preservação dos ambientes naturais.
Os conteúdos espirituais devem ser abordados de acordo com as orientações comunitárias, sem transformar conhecimentos restritos em material escolar de divulgação.
4. Atividades pedagógicas
Faça uma lista das maneiras pelas quais a água participa da vida cotidiana.
Observe como o vento movimenta folhas, galhos e outros materiais leves.
Produza um desenho que represente a relação entre a terra, a água, o ar e o fogo.
Registre os vocábulos estudados após sua conferência.
Escreva uma reflexão sobre a responsabilidade humana diante da natureza.
5. Registro de aprendizagem
Elemento natural estudado: ___________________________
Vocábulo correspondente: ____________________________
Importância para a vida: ______________________________
Fonte autorizada: ___________________________________
UNIDADE V — NINOÁ RADDÁ TOKENHÉ ANTOÁ: A CRIAÇÃO DO MUNDO PELOS ANTEPASSADOS SAGRADOS
1. Apresentação do tema
As narrativas de criação apresentam maneiras de explicar como o mundo se formou e como os seres humanos se relacionam com a natureza. Elas fazem parte das tradições de diferentes povos e devem ser estudadas com respeito às particularidades de cada comunidade.
Nesta unidade, o estudante conhecerá uma organização narrativa que relaciona os antepassados, os elementos naturais e a formação da vida.
2. Ninoá Raddá Tokenhé Antoá: A Criação do Mundo pelos Antepassados Sagrados
A Criação do Mundo pelos Ninoá Raddá Tokenhé Antoá, conforme a tradição oral Kariri, os Sumarãtó, os Dois Avôs Sagrados, Upuhtoá, o Avô do Vento, e Dutoá, o Avô do Fogo, uniram suas forças sagradas e deram origem às Batti, as estrelas brilhantes que iluminam o universo; enquanto Sumanike, as Duas Avós, Nikedda, a Avó da Terra, e Dzúnike, a Avó da Água, fizeram nascer as Ubuá, plantas de muitas formas e utilidades que florescem nas Retseá, as grandes florestas. Dessa união sagrada dos elementos nasceu Uanie, o Indígena, formado pelo corpo da Terra, pelo sangue da Água, pela energia vital do Fogo e pela respiração do Vento, que anima todos os seres, ensinando-nos que a humanidade, a natureza e o universo estão unidos pelo sopro sagrado da criação e pela sabedoria ancestral.
Na interpretação apresentada pelo autor, a narrativa menciona Sumarãtó, relacionado a dois avôs, Upuhtoá e Dutoá, associados ao vento, ao fogo e à presença das estrelas; e Sumanike, relacionado a duas avós, Nikedda e Dzúnike, associadas à terra, à água e ao desenvolvimento das plantas.
A narrativa também apresenta Uanie, o ser humano, em uma composição simbólica que reúne terra, sangue e água, energia do fogo e respiração do vento.
Essa imagem convida à reflexão sobre a relação entre a humanidade e os elementos naturais. O corpo humano depende do ambiente, da água, do ar, dos alimentos e de condições que permitam a continuidade da vida.
A narrativa deve ser compreendida como uma interpretação cultural específica, e não como uma explicação científica universal sobre a formação do universo. As duas formas de conhecimento podem ser estudadas em seus próprios contextos, sem que uma seja apresentada como simples substituta da outra.
3. Arte, língua e cultura
Os estudantes podem construir um painel que represente as relações entre o ser humano, a terra, a água, o ar, o fogo e as plantas. O professor pode orientar a turma a utilizar setas, palavras e desenhos para demonstrar essas conexões.
A atividade também permite comparar diferentes gêneros de conhecimento: narrativa tradicional, explicação científica, poema e desenho.
4. Atividades pedagógicas
Organize os elementos da narrativa em um mapa conceitual.
Escreva um parágrafo sobre a dependência humana em relação à natureza.
Produza uma ilustração que mostre relações entre pessoas, plantas, água e ar.
Identifique a diferença entre uma narrativa cultural e um texto científico.
Converse sobre a importância de respeitar os conhecimentos tradicionais.
5. Registro de aprendizagem
Personagem ou termo estudado: ________________________
Relação com a natureza: ______________________________
O que a narrativa me ensinou: _________________________
Questões para conversar com o professor: ______________
UNIDADE VI — DAKLONTO UPUHTOÁ ANTOÁ: ADORNOS DO AVÔ DOS VENTOS
1. Apresentação do tema
Os adornos podem reunir conhecimentos sobre materiais, técnicas de produção, ambiente, identidade e expressão artística. Sua compreensão exige atenção aos contextos em que são utilizados e aos significados que lhes são atribuídos.
Nesta unidade, o estudante investigará os adornos apresentados no material do autor e refletirá sobre a relação entre arte, natureza e cultura.
2. Daclonto Upuhtoá Antoá: Adornos do Avô dos Ventos
Segundo a tradição oral Kariri-Xocó, nos primórdios da criação do mundo, Upuhtoá, o Avô dos Ventos e antepassado sagrado, enviou aos Uanieá, os indígenas, os Dakloneá, adornos sagrados transmitidos pelos Ieende, os pássaros e as aves, que ofereciam alimento e suas belas penas. O Dakloro, adorno dos braços, simbolizava força, coragem e compromisso com a comunidade; o Dakloene, adorno das orelhas, ensinava a ouvir os anciãos, os antepassados e os sinais da natureza; e o Daklowõ, adorno das pernas, lembrava a importância de seguir os caminhos corretos e honrar a memória ancestral. A Iaru, flecha, e a Toriaru, zarabatana, representavam a habilidade, a disciplina e a união com os espíritos guardiões da floresta, enquanto o Tçambusebé, cocar sagrado feito de penas das aves, simbolizava proteção espiritual, sabedoria e conexão com Upuhtoá, mantendo viva a herança sagrada transmitida de geração em geração.
O tema Daklonto Upuhtoá Antoá reúne um conjunto de termos relacionados aos adornos e a elementos da tradição. O vocabulário proposto inclui:
Dakloneá — Adornos
Dakloro — Adornos dos braços
Dakloene — Adorno das orelhas
Daklowõ — Adornos das pernas
Iaru: flecha.
Toriaru: zarabatana.
Tçambusebé: cocar ou adorno de cabeça, conforme a descrição apresentada pelo autor.
Os significados específicos dos quatro primeiros termos devem ser completados após conferência com os conhecedores da língua.
A narrativa relaciona o tema a Upuhtoá, o avô dos ventos, e à presença de aves e penas. Essa associação permite refletir sobre a observação da natureza e sobre o conhecimento dos materiais utilizados na produção de objetos culturais.
A abordagem escolar deve evitar a coleta de penas, plantas ou outros materiais da fauna e da flora sem autorização e sem considerar as normas de proteção ambiental. Modelos didáticos podem ser elaborados com papel, fibras artificiais e outros materiais seguros.
3. Arte, língua e cultura
O professor pode apresentar diferentes técnicas de composição, montagem e organização de materiais. Os estudantes poderão observar simetria, textura, equilíbrio, repetição e contraste.
A produção de um objeto escolar inspirado no estudo dos adornos deve ser identificada como criação pedagógica, não como reprodução autêntica de um adorno tradicional.
4. Atividades pedagógicas
Pesquise, quais materiais podem ser utilizados na produção de adornos.
Identifique formas, texturas e padrões em objetos culturais apresentados pela comunidade.
Crie um adorno artístico com materiais reutilizáveis, respeitando as orientações do professor.
Registre o nome e o significado confirmado dos vocábulos estudados.
Converse sobre a importância de proteger os animais e o ambiente.
5. Registro de aprendizagem
Objeto estudado: ____________________________________
Material utilizado: __________________________________
Vocábulo confirmado: ________________________________
Minha criação escolar: _______________________________
UNIDADE VII — CANGHITÉ BECHIÉ KERIÁ: COISAS BOAS, ROÇA E ANIMAIS
1. Apresentação do tema
A agricultura, a criação de animais, a coleta de alimentos e a convivência comunitária fazem parte das relações entre os seres humanos e a natureza. O conhecimento sobre sementes, plantas, solos, animais e ciclos de cultivo pode ser transmitido por meio da observação e da experiência.
Esta unidade propõe estudar o vocabulário relacionado às plantações e aos animais, valorizando o trabalho coletivo e o cuidado com a terra.
2. Canghité Bechié Keriá: Coisas Boas, Roça e Animais
Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos, Tokenhé Antoá Bihéuché, na tradição oral, ensinaram ao povo os conhecimentos do plantio das Bechié, as roças, onde Cópiné, as sementes sagradas, faziam nascer Masiche, o milho, e Ghinhé, o feijão, alimentos que sustentavam a vida comunitária. Ao redor da Buyê, a Grande Fogueira, os anciãos compartilhavam Woroyá, as histórias ancestrais, transmitindo Swbatekié, os conhecimentos de geração em geração. Na Picriá, a Grande Casa Coletiva, formou-se a Natiá, a aldeia, onde as famílias viviam em união, respeitando a natureza e os espíritos. Na Retsé, a floresta, habitavam os Keriá, os animais, como Buké, o veado-do-mato, Suét, o tatu, e Kaplan, o jabuti, que também contribuíam para a alimentação do povo, fortalecendo a relação sagrada entre a terra, a floresta, os antepassados e a continuidade da vida Kariri.
O tema Canghité Bechié Keriá reúne palavras relacionadas aos alimentos, às áreas de cultivo, aos encontros comunitários e aos animais.
No vocabulário apresentado pelo autor, aparecem:
Cópiné: sementes.
Masiche: milho.
Ghinhé: feijão.
Bechié: roças ou áreas de cultivo, conforme o contexto descrito.
Buyê: fogueira.
Swbatekié: conhecimento.
Picriá: casa coletiva, conforme a descrição apresentada.
Keriá: animais.
Buké: veado.
Suét: tatu.
Kaplan: tartaruga.
As palavras e seus usos devem ser conferidos com os falantes e conhecedores da língua.
A narrativa destaca a relação entre o plantio, os alimentos, os animais e a transmissão do conhecimento. A roça pode ser compreendida como espaço de trabalho, observação e aprendizagem. A reunião ao redor da fogueira, quando fizer parte das práticas locais, pode oferecer ocasião para a partilha de histórias e experiências.
3. Arte, língua e cultura
A turma pode produzir um calendário ilustrado de plantio, uma coleção de desenhos de sementes ou um mapa dos alimentos conhecidos na comunidade. O professor deve evitar apresentar calendários agrícolas como universais, pois os períodos de plantio variam de acordo com o clima, o local e as práticas comunitárias.
O estudo dos animais pode incluir suas características, seus habitats e sua importância ecológica. Animais silvestres devem ser tratados com respeito, sem incentivo à captura ou à perturbação de seus ambientes.
4. Atividades pedagógicas
Identifique sementes utilizadas na alimentação da comunidade, com autorização.
Faça um desenho de uma roça e indique suas principais partes.
Registre palavras relacionadas ao cultivo e aos animais.
Pesquise quais cuidados ajudam a conservar o solo e a água.
Elabore com a turma um pequeno painel sobre o valor do trabalho coletivo.
5. Registro de aprendizagem
Semente ou alimento estudado: ________________________
Vocábulo em Kariri-Xocó: _____________________________
Conhecimento aprendido: _____________________________
Pessoa ou fonte consultada: __________________________
UNIDADE VIII — BUNIÓTO RUÑOHÚ: OS ARTEFATOS DE PODER E A CERÂMICA
1. Apresentação do tema
Os objetos produzidos por uma comunidade podem atender a necessidades cotidianas, expressar criatividade, guardar memórias e participar de práticas culturais. Suas formas, materiais e técnicas revelam conhecimentos transmitidos entre gerações.
Nesta unidade, os estudantes observarão artefatos, instrumentos e peças de cerâmica, respeitando os significados culturais e os limites de divulgação de cada objeto.
2. Bunióto Ruñohú: Os Artefatos de Poder e a Cerâmica
Na tradição oral dos antigos Kariri-Xocó, os Bunióto Ruñohú, os artefatos de poder e a cerâmica, representam os conhecimentos sagrados transmitidos pelos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados, que uniam o mundo material ao espiritual. Por meio da Uaplu, a arte da caça, e do Mydzé, a arte da pesca, utilizavam o Seridzé, o arco, e o Yaclaro, o anzol, para obter os Keriá, animais, e os Wãmyá, peixes, necessários à sobrevivência. Com a Ruñohú, a arte da cerâmica, moldavam o barro da terra para produzir o Runhú, panela destinada ao preparo dos alimentos; o Ruño, pote para armazenar água; e o Aribé, prato utilizado nas refeições. Também confeccionavam o Buiú, talha funerária sagrada, destinada aos rituais de sepultamento dos mortos, preservando os costumes ancestrais, a memória dos antepassados e a continuidade dos saberes tradicionais de geração em geração.
O tema Bunióto Ruñohú apresenta um conjunto de termos relacionados aos artefatos, à caça, à pesca, aos instrumentos e à cerâmica.
O vocabulário fornecido pelo autor inclui:
Bunióto: artefatos.
Uaplu: caça.
Mydzé: pesca.
Seridzé: arco.
Yaclaro: anzol.
Ruñohú: cerâmica.
Runhú: pote de barro.
Ruño: jarro.
Aribé: prato.
Buiú: recipiente funerário, conforme a descrição do material.
Os significados, a pronúncia e os contextos de uso devem ser verificados com pessoas conhecedoras da língua e da cultura.
A cerâmica pode ser estudada por suas características materiais: a argila, a modelagem, a forma, a textura e as transformações que ocorrem durante a produção. Os objetos também podem carregar histórias e sentidos que vão além de sua função prática.
O estudo de artefatos associados à caça, à pesca ou a práticas funerárias exige cuidado especial. O professor deve priorizar informações autorizadas e evitar a reprodução de conhecimentos restritos ou de objetos cerimoniais sem orientação comunitária.
3. Arte, língua e cultura
Os estudantes podem observar recipientes e objetos cotidianos, descrevendo sua forma, material, finalidade e processo de produção. A turma também pode criar recipientes escolares com argila apropriada ou massa de modelar, distinguindo claramente essas produções didáticas dos objetos tradicionais.
4. Atividades pedagógicas
Escolha um objeto cotidiano e descreva sua forma e função.
Desenhe um recipiente, identificando suas partes.
Registre os vocábulos confirmados e seus significados.
Compare objetos feitos de barro, madeira, metal e materiais modernos.
Reflita sobre como os objetos podem guardar memórias de uma comunidade.
5. Registro de aprendizagem
Objeto estudado: ____________________________________
Material de que é feito: ______________________________
Função conhecida: ___________________________________
Significado cultural confirmado: _______________________
UNIDADE IX — CANGHITÉ ANHÍANTOÁ: COISAS BOAS ESPIRITUAIS
1. Apresentação do tema
A espiritualidade faz parte das experiências culturais de muitas comunidades. Ela pode estar relacionada a valores, práticas coletivas, instrumentos, narrativas e maneiras de compreender a vida.
Esta unidade propõe estudar o tema com respeito, reconhecendo que nem todos os conhecimentos espirituais são destinados à divulgação pública ou à reprodução em atividades escolares.
2. Canghité Anhíantoá: Coisas Boas Espirituais
As Coisas Boas Espirituais, Canghité Anhíantoá, na tradição oral dos antigos Kariri-Xocó, representa os conhecimentos e objetos sagrados que mantêm viva a comunicação com as forças da criação. O Pawí, cachimbo de pau, e o Tané, fumo cultivado nos arredores da aldeia, acompanham os momentos de oração, reflexão e elevação dos pensamentos aos seres sagrados, preservando os ensinamentos ancestrais. Já Canghité Wonhé, as Coisas Boas de Cantar e Tocar, reúne a Buibú, maraca, e o Badá, flauta, instrumentos que despertam a memória dos primeiros tempos, fortalecem a união comunitária e transmitem, de geração em geração, a espiritualidade, a sabedoria e o respeito à tradição dos povos Kariri-Xocó.
O tema Canghité Anhíantoá aborda conhecimentos associados à dimensão espiritual, conforme a organização apresentada pelo autor.
O vocabulário fornecido inclui:
Pawí: cachimbo de madeira, segundo a descrição do material.
Tané: tabaco.
Canghité Wonhé: expressão a ser conferida em seu significado e contexto.
Buibú: maracá.
Badá: flauta.
Esses termos devem ser conferidos com conhecedores da língua e da cultura. A descrição de objetos não substitui a compreensão de seus usos e significados.
Instrumentos musicais e objetos tradicionais podem ter funções diferentes conforme a ocasião e o contexto. Por isso, o professor deve evitar afirmar que um objeto possui sempre a mesma finalidade espiritual.
Quando houver práticas restritas, a escola deverá respeitar os limites definidos pela comunidade. Não é necessário realizar rituais ou reproduzir práticas espirituais para estudar a importância da cultura.
3. Arte, língua e cultura
O estudo pode incluir a observação de instrumentos musicais autorizados, a descrição de seus materiais e a discussão sobre som, ritmo e memória.
A turma também pode refletir sobre o respeito às crenças e práticas culturais, reconhecendo que o ambiente escolar deve ser acolhedor e não discriminatório.
4. Atividades pedagógicas
Observe um instrumento musical autorizado e descreva suas características.
Registre os vocábulos estudados após conferência.
Escreva um texto sobre o respeito às diferentes expressões culturais.
Identifique quais informações podem ser divulgadas e quais exigem autorização.
Produza um cartaz sobre o respeito à diversidade cultural.
5. Registro de aprendizagem
Instrumento ou termo estudado: _______________________
Informação autorizada para registro: __________________
O que aprendi sobre respeito cultural: _________________
Orientação recebida: __________________________________
UNIDADE X — TORÉ KARIRI-XOCÓ: MEMÓRIA, CULTURA E ESPIRITUALIDADE
1. Apresentação do tema
O Toré constitui uma manifestação cultural de grande importância para diversos povos indígenas do Nordeste, assumindo características próprias em cada comunidade. Sua compreensão exige atenção às experiências, aos significados e às orientações dos próprios participantes.
Nesta unidade, o Toré é abordado como tema de memória, expressão coletiva e identidade Kariri-Xocó, respeitando os contextos específicos de cada manifestação.
2. Toré Kariri-Xocó: Memória, Cultura e Espiritualidade
Na tradição oral do povo Kariri-Xocó, o Toré é a expressão viva da memória, da cultura e da espiritualidade ancestral, transmitindo de geração em geração os ensinamentos que fortalecem a identidade e a união da aldeia. O Toré do Piwonhé celebra o casamento e a formação de novas famílias; o Toré Wonhénhá acompanha a despedida dos que partem para o Natiankié, a Aldeia Espiritual dos antepassados; o Toré Uide agradece as vitórias, a saúde, a paz e a resistência do povo; o Toré Wontseho Atseá acolhe os visitantes e celebra a fraternidade entre os povos; o Toré Santoá Usarunghí reúne a comunidade em torno da fogueira, das celebrações de Santo Antônio, São João e São Pedro, ligadas ao amor, ao milho e às chuvas; o Toré Curoté agradece a fartura do milho verde e a colheita das Bechiéá, as roças; e o Toré Hietçãdékiete homenageia Nossa Senhora da Conceição, unindo diferentes expressões da tradição espiritual. Assim, cada canto, cada dança e cada ritual mantêm viva a história dos antigos, renovam os laços comunitários e reafirmam a força, a resistência e a continuidade do povo Kariri-Xocó.
O material apresentado pelo autor reúne diferentes denominações de Toré associadas a ocasiões e sentidos culturais específicos:
Toré do Piwonhé: relacionado, na descrição do autor, ao casamento.
Toré Wonhénhá: associado à despedida ou ao luto.
Toré Uide: relacionado à vitória, à resistência ou à gratidão.
Toré Wontseho Atseá: associado à recepção e à fraternidade.
Toré Santoá Usarunghí: relacionado às fogueiras de junho e à colheita, conforme a interpretação apresentada.
Toré Curoté: associado à colheita do milho verde.
Toré Hietçãdékiete: relacionado a Nossa Senhora da Conceição no material do autor.
Essas denominações e associações devem ser verificadas com os conhecedores e participantes autorizados. Não se deve presumir que todos os nomes, ocasiões e significados sejam usados da mesma maneira por todas as famílias ou em todos os contextos.
O Toré pode ser estudado como manifestação de continuidade cultural, convivência e transmissão de conhecimentos. Sua compreensão envolve ouvir a comunidade e reconhecer que certas dimensões não devem ser gravadas, reproduzidas ou divulgadas sem consentimento.
3. Arte, língua e cultura
A turma pode estudar a importância das manifestações coletivas por meio de relatos autorizados, textos, desenhos e registros históricos. O professor pode trabalhar com ritmo, organização do grupo, memória oral e formas de participação comunitária.
A escola não deve transformar uma prática cultural em apresentação obrigatória nem exigir que estudantes reproduzam cantos, danças ou rituais. O estudo pode ocorrer por meio de relatos e materiais autorizados, respeitando as decisões da comunidade.
4. Atividades pedagógicas
Leia ou escute uma explicação autorizada sobre o Toré.
Registre os vocábulos e os significados confirmados.
Escreva sobre a importância da memória coletiva.
Identifique os cuidados necessários antes de gravar ou publicar uma manifestação cultural.
Produza um texto sobre a responsabilidade de transmitir conhecimentos entre gerações.
5. Registro de aprendizagem
Manifestação estudada: ______________________________
Fonte autorizada: ___________________________________
O que aprendi sobre a memória coletiva: ______________
Cuidados para preservar o conhecimento: ______________
UNIDADE XI — AMÍÁ UANIEÁ NHENETÍ: CULINÁRIA INDÍGENA KARIRI
1. Apresentação do tema
A alimentação reúne conhecimentos sobre plantas, sementes, preparo de alimentos, utensílios, memória familiar e convivência comunitária. As práticas alimentares também podem revelar relações com o território e com a transmissão de saberes entre gerações.
Nesta unidade, os estudantes investigarão vocábulos relacionados à culinária apresentados pelo autor, valorizando a alimentação como tema cultural, educativo e cotidiano.
2. Amíá Uanieá Nhenetí: Culinária Indígena Kariri
A Culinária Indígena Kariri é uma herança ancestral transmitida pela tradição oral, em que os mais velhos ensinam às novas gerações os saberes dos alimentos, dos utensílios e das técnicas de preparo que sustentam a vida do povo. Entre as comidas tradicionais, destacam-se o Amíá Nhenetí, preparado com os dons da natureza; a mandioca (Muicú), transformada em farinha (Sekiki), beijú (Waraeró) e bolos como Saredu, Woudu e Waredú; o milho (Masiche), cozido ou assado como Madzó; o feijão (Ghinhé), a abóbora (Eremú), a banana (Bacobá) e outros legumes (Tudjeá). Na preparação, utilizam-se a panela de barro (Runhú), o prato de barro (Aribá ou Aribé), o espeto (Babasité), o moquém (Badzuru) e a técnica de assar alimentos em covas sob a terra (Creyá). A culinária também incorpora alimentos e costumes introduzidos ao longo do contato com os colonizadores, como a carne bovina (Crodzó), a carne salgada (Riné) e o vinho de uva (Yeru), além de bebidas tradicionais, como o Nhupy. Assim, cada alimento, palavra e modo de preparo guarda a memória dos antepassados, reafirmando a identidade, a resistência cultural e a continuidade dos saberes do povo Kariri para as futuras gerações.
O material do autor apresenta uma lista de palavras relacionadas à culinária e a alimentos:
Amíá Nhenetí, Babasité, Runhú, Aribá/Aribé, Saredu, Woudu, Waraeró, Masiche, Sekiki, Ghinhé, Eremú, Muicú, Crodzó, Yeru, Badzuru, Creyá, Bacobá, Madzó, Nhupy, Riné, Tudjeá e Waredú.
A lista constitui um ponto de partida para a pesquisa. Os significados específicos de cada termo devem ser preenchidos após consulta aos conhecedores da língua e às pessoas que dominam as práticas culinárias correspondentes. Não é adequado atribuir ingredientes, receitas ou modos de preparo a esses vocábulos sem confirmação.
A culinária pode ser estudada por meio da memória de quem prepara os alimentos, dos utensílios utilizados, das ocasiões em que certas comidas são servidas e das relações entre alimentação e ambiente.
3. Arte, língua e cultura
A turma pode organizar um caderno ilustrado de alimentos, registrando apenas informações autorizadas. Também pode investigar a origem de ingredientes, as etapas de preparo de uma receita compartilhada voluntariamente e os cuidados de higiene necessários.
Receitas tradicionais não devem ser publicadas com o nome de uma pessoa ou da comunidade sem consentimento. O registro deve distinguir aquilo que foi observado, aquilo que foi relatado e aquilo que ainda precisa de confirmação.
4. Atividades pedagógicas
Converse com familiares sobre alimentos conhecidos na comunidade.
Registre uma receita apenas se a pessoa responsável autorizar sua divulgação.
Desenhe os ingredientes e os utensílios utilizados.
Organize um vocabulário culinário com termos confirmados.
Discuta a importância da alimentação saudável, da higiene e do aproveitamento responsável dos alimentos.
5. Registro de aprendizagem
Alimento ou receita estudada: ________________________
Vocábulo confirmado: ________________________________
Pessoa que compartilhou o conhecimento: ______________
Autorização para divulgação: _________________________
O que aprendi: ______________________________________
UNIDADE XII — SAMY UANIEÁ CARAÍ: CULTURA INDÍGENA E PORTUGUESA
1. Apresentação do tema
As relações entre povos e culturas produzem encontros, conflitos, trocas, mudanças e novas formas de expressão. Estudar essas relações exige reconhecer a história de cada povo, as diferenças culturais e o direito à continuidade das identidades indígenas.
Nesta unidade, os estudantes investigarão palavras relacionadas à cultura, à língua, às manifestações artísticas e às tecnologias, conforme o material organizado pelo autor.
2. Samy Uanieá Caraí: Cultura Indígena e Portuguesa
No contexto da tradição oral Kariri, Samy representa a cultura e a memória, Uaniá identifica o indígena e Caraí denomina os brancos, entre eles os portugueses e outros povos que chegaram às nossas terras. Nessa convivência de saberes, os antigos transmitiam suas memórias por meio do Wonhé, o tocar, cantar e fazer música; do Toráunie, a dança indígena; do Toráhekié Caraí e do Torásamyá Caraí, as danças de diversão e as manifestações culturais dos brancos; das Amara Caraí, cantigas dos brancos, e da Marãbohó, música nativa. O Worobü Woroyá, contador de histórias, e o Dubuherí Samy, mestre da cultura, guardam e ensinam os conhecimentos ancestrais, enquanto o Benhekié, o brincar, e o Inhaehi, o fazer e realizar, fortalecem a aprendizagem coletiva. O corpo, Buiehoho, expressa-se no movimento e no girar, Terébuieho, perpetuando gestos e tradições. Com o passar do tempo, a memória também encontrou novos caminhos nas tecnologias: Piteiatekié, a internet; Pitsohó, as redes sociais; Pité Uanieá Piteiatekié, a rede dos indígenas on-line; e os instrumentos de comunicação, como o Craiwonpiwon, o Craiwonhé, o Cramycá Samyonhé, o Cramysawa, o Craiwopewa, o Crameokli, o Warudókli e o Tokliddaysã, que representam aparelhos de música, gravação, imagem, rádio, televisão e telefone celular. Assim, a tradição oral Kariri permanece viva, unindo os ensinamentos dos antigos às novas formas de comunicação, preservando a identidade, a memória e a riqueza cultural de nossos povos para as futuras gerações.
O tema Samy Uanieá Caraí propõe refletir sobre as relações entre cultura indígena e cultura portuguesa, bem como sobre as transformações decorrentes do contato entre sociedades.
O vocabulário apresentado pelo autor inclui termos associados à cultura e à vida coletiva, como Samy, Uanie, Caraí, Wonhé, Toráunie, Toráhekié Caraí, Torásamyá Caraí, Worobü Woroyá, Dubuherí Samy, Benhekié, Inhaehi, Buiehoho e Terébuieho.
O material também apresenta palavras relacionadas à comunicação e à tecnologia, como:
Pité Uanieá Piteiatekié: expressão associada, no material do autor, à Rede Índios On-Line.
Pitsohó: redes sociais.
Piteiatekié: Internet.
Craiwonpiwon: aparelho de reprodução de CD, caixa roda pequena que toca e canta.
Crai-wonhé: toca-discos, a caixa roda toca e canta.
Cramycá Samyonhé: gravador de voz, a caixa que canta memórias.
Cramysawa: videocassete, a caixa de fita que gravava imagens.
Craiwopewa: aparelho de DVD, a caixa roda e mostra imagem.
Crameokli: rádio, a caixa que fala.
Warudókli: televisão, o espelho que fala.
Tokliddaysã: telefone celular, conforme a descrição fornecida.
As grafias e correspondências devem ser revisadas e padronizadas com a comunidade. Os termos acima são apresentados como vocabulário de trabalho do autor, não como lista linguística definitivamente validada.
A unidade permite refletir sobre a presença de tecnologias em diferentes períodos históricos. A oralidade, a escrita, o rádio, os meios audiovisuais, a Internet e as redes sociais oferecem possibilidades distintas de transmitir histórias e conhecimentos. Seu uso pode contribuir para a preservação cultural, desde que haja responsabilidade na seleção e na divulgação dos conteúdos.
A abordagem histórica também deve evitar tratar as culturas indígenas e portuguesas como blocos uniformes. Existem diferenças internas, mudanças ao longo do tempo e experiências diversas de contato. O estudo deve reconhecer tanto as trocas culturais quanto as relações de desigualdade e resistência presentes na história.
3. Arte, língua e cultura
Os estudantes podem comparar diferentes formas de comunicação: conversa, narrativa oral, carta, livro, rádio, vídeo e publicação digital. A turma pode discutir quais recursos são mais adequados para preservar uma história e quais cuidados são necessários ao compartilhar informações na Internet.
Também pode ser desenvolvido um projeto de registro de memória com entrevistas autorizadas, fotografias consentidas e textos escritos pelos estudantes.
4. Atividades pedagógicas
Registre palavras relacionadas à cultura e à tecnologia, após conferência.
Faça uma linha do tempo dos meios de comunicação conhecidos pela comunidade.
Compare a transmissão oral de uma história com seu registro escrito.
Produza uma pequena narrativa cultural autorizada para o mural escolar.
Converse sobre privacidade, consentimento e proteção de conhecimentos tradicionais na Internet.
5. Registro de aprendizagem
Tecnologia estudada: _________________________________
Vocábulo confirmado: ________________________________
Forma de comunicação escolhida: ______________________
Cuidados para compartilhar informações: ______________
16. PROJETO INTEGRADOR — MUSEU ESCOLAR DA MEMÓRIA VIVA
1. Apresentação
O Museu Escolar da Memória Viva é uma proposta de aprendizagem coletiva que reúne as experiências desenvolvidas nas doze unidades. Seu objetivo é organizar uma exposição educativa sobre língua, arte, cultura, natureza e memória Kariri-Xocó, com participação da comunidade e respeito aos conhecimentos autorizados.
O museu pode ser organizado em uma sala, biblioteca, mural, caderno coletivo ou ambiente digital. Não precisa possuir objetos raros ou peças antigas: desenhos, textos, mapas, vocabulários e relatos autorizados também podem compor a exposição.
2. Objetivos
Integrar os conteúdos estudados ao longo do livro.
Desenvolver pesquisa, escrita, desenho e trabalho coletivo.
Valorizar a participação dos conhecedores da comunidade.
Criar registros educativos que possam ser consultados futuramente.
Aprender a distinguir informação pública, informação que exige autorização e conhecimento restrito.
3. Etapas de realização
Etapa 1 — Planejamento: escolher os temas e organizar os grupos.
Etapa 2 — Pesquisa: reunir palavras, histórias e informações autorizadas.
Etapa 3 — Conferência: revisar grafias, significados, legendas e fontes com o professor e os conhecedores consultados.
Etapa 4 — Produção: preparar cartazes, textos, desenhos, mapas, modelos e registros de áudio ou vídeo quando autorizados.
Etapa 5 — Organização: dividir a exposição por temas e preparar legendas claras.
Etapa 6 — Apresentação: compartilhar o resultado com a comunidade escolar, respeitando os limites de divulgação.
Etapa 7 — Avaliação: registrar o que foi aprendido e o que precisa ser pesquisado posteriormente.
4. Sugestões de estantes ou núcleos temáticos
Língua e vocabulário Kariri-Xocó.
Natureza, cores e formas.
Narrativas e memória ancestral.
Arte, adornos e cerâmica.
Agricultura, animais e alimentação.
Toré, manifestações culturais e memória coletiva.
Cultura, comunicação e tecnologias.
Produções dos estudantes.
5. Ficha de registro cultural
Título do registro: ___________________________________
Tema: _______________________________________________
Vocábulo ou expressão: _______________________________
Significado confirmado: ______________________________
Pessoa ou fonte consultada: __________________________
Data do registro: ____________________________________
Autorização para uso escolar: _________________________
Autorização para divulgação pública: __________________
Há restrições de acesso ou reprodução? _________________
Observações: ________________________________________
A ficha ajuda a documentar a origem das informações e a evitar que interpretações pessoais sejam confundidas com conhecimentos tradicionais confirmados.
17. MODELO DE PLANO DE AULA
Tema: Língua, arte e memória cultural Kariri-Xocó
Público: Ensino Fundamental, com adaptações conforme a série.
Duração sugerida: duas aulas de 50 minutos.
Objetivos específicos
Identificar palavras relacionadas ao tema escolhido.
Relacionar vocabulário, observação e expressão artística.
Produzir um registro escrito ou visual.
Reconhecer a importância de confirmar informações culturais.
Respeitar os conhecimentos e os limites de divulgação definidos pela comunidade.
Conteúdos
Vocabulário Kariri-Xocó.
Arte e expressão visual.
Narrativa cultural.
Registro de memória.
Respeito à diversidade e aos conhecimentos tradicionais.
Recursos
Livro e caderno.
Lápis, papel e materiais artísticos.
Imagens autorizadas.
Vocabulários conferidos.
Materiais de consulta fornecidos pelo professor.
Desenvolvimento
Primeira aula — Leitura e diálogo
O professor apresenta o tema e lê o texto da unidade. A turma identifica palavras desconhecidas, formula perguntas e registra as informações que precisam de confirmação.
Em seguida, o professor promove uma conversa sobre a relação entre língua, arte e cultura. Os estudantes são incentivados a distinguir o que está confirmado, o que é interpretação e o que ainda necessita de pesquisa.
Segunda aula — Produção e registro
Os estudantes desenvolvem um desenho, um pequeno texto, um mapa conceitual ou uma ficha vocabular relacionada ao tema.
Ao final, cada estudante apresenta sua produção e explica o que aprendeu. Os trabalhos poderão integrar o Museu Escolar da Memória Viva, desde que seu conteúdo seja apropriado para divulgação.
Avaliação
A avaliação poderá considerar:
Participação nas atividades.
Compreensão do tema.
Uso cuidadoso do vocabulário.
Clareza do registro escrito ou visual.
Capacidade de identificar fontes e dúvidas.
Respeito às orientações culturais e ao trabalho coletivo.
Adaptações
Para turmas em alfabetização, o professor pode utilizar desenhos, associação entre imagem e palavra, leitura compartilhada e produção oral. Para estudantes de séries mais avançadas, pode propor pesquisa orientada, produção de textos, entrevistas autorizadas e comparação entre diferentes fontes.
18. GLOSSÁRIO KARIRI-XOCÓ–PORTUGUÊS
O glossário abaixo reúne uma seleção dos vocábulos presentes no material original. Os significados são apresentados conforme as referências apresentadas sobre a língua Kariri e Kariri-Xocó.
A — C
Vocábulo — Significado apresentado
Amíá Nhenetí — Comidas tradicionais.
Amara Caraí — Cantigas dos brancos.
Anhí — Espírito.
Antse Kuatçóá — Natureza das cores.
Arãkieruté — Grande pano do céu.
Aribé / Aribá — Prato de barro.
Badá — Flauta.
Babasité — Espeto para assar carne.
Badzuru — Moquém.
Battiá — Estrelas.
Bechié — Roça.
Becu — Branco, cor.
Benhekié — Brincar.
Bihédu — Primeiro fogo.
Bihéuché — Primeiros tempos
Bohé — Coletivo.
Buibú — Maracá.
Buiú — Talha funerária.
Buiehoho — Corpo.
Buké — Veado-do-mato.
Bunióto — Artefatos de poder.
Buyê — Grande fogueira.
Cópiné — Sementes.
Cracú — Azul.
Craiwonhé — Toca-discos.
Craiwonpiwon — CD player.
Craiwopewa — DVD player.
Cramycá Samyonhé — Gravador de voz.
Cramysawa — Videocassete.
Crameokli — Rádio.
Crodzó — Carne bovina.
Creyá — Técnica de assar em covas.
Curoté — Termo presente na denominação do Toré Curoté.
D — H
Dakloneá — Adornos.
Dakloene — Adorno das orelhas.
Dakloro — Adornos dos braços.
Daklowõ — Adornos das pernas.
Daklonto Upuhtoá Antoá — Adornos do Avô dos Ventos.
Doboherí Nunúanie — Professor de Língua Indígena.
Duboruhú — Professor de Arte.
Dubosamy — Professor de Cultura.
Dubuherí Samy — Mestre da Cultura.
Dutoá — Avô do Fogo.
Dzúnike — Avó da Água.
Erã — Amarelo.
Eremú — Abóbora.
Ghinhé — Feijão.
Hé — Vermelho.
Herité — Desenho das ondas.
Hine — Luz.
Hibuyêwohoá — Pintura corporal, conforme o contexto do texto.
Hibuyêwoho — Corpo, conforme o vocabulário geral fornecido.
Iaru — Flecha.
Ieende — Pássaros e aves.
Iewóá — Gratidão.
Inatekié — Obrigado.
Inhaehi — Fazer passes, segundo o texto.
Iworó — Círculo.
Kaplan — Jabuti.
Keriá — Animais.
Kotçó — Preto e escuro.
Kuatçó Hibuyêwohoá — Pintura corporal.
Madzó — Milho verde assado.
Marãbohó — Música nativa.
Masiche — Milho.
Mecáto Samy — Poder dos sinais na cultura.
Muicú — Mandioca.
Mydzé — Arte da pesca.
Natiá — Aldeia.
Natiankié — Aldeia espiritual.
Nhiró — Corpo pintado.
Nikedda — Avó da Terra.
Ninoá Raddá Tokenhé Antoá — Criação do mundo pelos antepassados sagrados.
Nhupy — Bebida de milho fermentada, conforme descrição do autor |
P — S
Pawí — Cachimbo de pau.
Picriá — Grande casa coletiva.
Pidékan — Saúde.
Piteiatekié — Internet.
Pitsohó — Redes sociais.
Purúhe — Pintura floral.
Radda / Radá — Terra, conforme o contexto.
Rabynhiu — Carvão da eternidade.
Retséá — Grandes florestas.
Retsé — Floresta.
Riné — Carne salgada.
Ruñohú — Cerâmica.
Runhú — Panela de barro.
Ruño — Pote.
Sáuatçó — Origem das cores.
Samy — Cultura ou memória.
Samy Uanieá Caraí — Cultura indígena e portuguesa, conforme o título apresentado.
Saredu — Bolo doce de mandioca.
Sekiki — Farinha de mandioca seca e fina.
Seridzé — Arco.
Soncaru — Ponta triangular.
Sonsé — Deus primordial dos Kariri, conforme a narrativa do autor.
Suét — Tatu.
Sumarãtó — Os dois avôs sagrados.
Sumanike — As duas avós.
Swbatekié — Conhecimentos.
T — W
Tané — Fumo.
Tçambusebé — Cocar sagrado.
Tokliddaysã — Telefone celular.
Tokenhé Antoá — Antepassados sagrados.
Toráhekié Caraí — Dança de diversão dos brancos.
Torásamyá Caraí — Danças culturais dos brancos.
Toráunie — Dança indígena.
Toré do Piwonhé — relacionado, na descrição do autor, ao casamento.
Toré Wonhénhá — associado à despedida ou ao luto.
Toré Uide — relacionado à vitória, à resistência ou à gratidão.
Toré Wontseho Atseá — associado à recepção e à fraternidade.
Toré Santoá Usarunghí — relacionado às fogueiras de junho e à colheita.
Toré Curoté — associado à colheita do milho verde.
Toré Hietçãdékiete — relacionado a Nossa Senhora da Conceição.
Toriaru — Zarabatana.
Uanie — Indígena ou ser humano, conforme o contexto narrativo.
Uanieá — Indígenas.
Uaplu — Arte da caça.
Ubuá — Plantas.
Upuhtoá — Avô do Vento.
Waraeró — Beiju de farinha de mandioca.
Waredú — Bolo de mandioca adoçado com mel de uruçu.
Warudókli — Televisor.
Wonhé — Cantar, tocar ou música.
Wonhé Caraí — Música dos brancos.
Worobü Woroyá — Contador de histórias.
Woudu — Bolo de massa de farinha.
Yaclaro — Anzol.
19. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A continuidade da memória
A obra Ruhúá Samy Mepliapé: Artes, Cultura e Conexão da Língua Kariri-Xocó — Ensino Fundamental foi organizada com o propósito de aproximar a educação escolar dos conhecimentos culturais, linguísticos e artísticos do povo Kariri-Xocó.
Ao longo das doze unidades, a língua aparece em relação com a natureza, as narrativas, as formas visuais, os adornos, os alimentos, os objetos, as manifestações coletivas e as tecnologias. Essa organização permite compreender que a aprendizagem cultural não ocorre isoladamente: palavras, histórias, experiências e práticas podem se conectar e formar um conjunto de conhecimentos.
A proposta também reconhece que o registro escrito tem limites. Um livro pode guardar palavras, relatos e reflexões, mas não substitui a experiência de viver a cultura, ouvir os conhecedores e participar da comunidade. Por isso, o material deve permanecer aberto à revisão, à correção e à contribuição de pessoas que dominam os conhecimentos tratados.
A valorização da língua exige cuidado com as grafias, os significados e os contextos de uso. A valorização da arte exige respeito às expressões tradicionais e distinção entre criação escolar e reprodução cultural. A valorização da memória exige consentimento, atribuição das fontes e proteção dos conhecimentos que não devem ser divulgados.
Que este livro seja uma ferramenta para professores e estudantes, um convite à pesquisa e uma contribuição para que as novas gerações reconheçam a importância de sua história.
A memória de um povo continua viva quando é transmitida com responsabilidade, respeito e participação coletiva.
20. REFERÊNCIAS E FONTES DE CONSULTA
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Decreto nº 6.861, de 27 de maio de 2009. Dispõe sobre a Educação Escolar Indígena e sua organização em territórios etnoeducacionais. Brasília, DF, 2009.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF, 1996.
BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial a temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Brasília, DF, 2008.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em:
https://basenacionalcomum.mec.gov.br/ . Acesso em: 14 out. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 5, de 22 de junho de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica. Brasília, DF, 2012.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Kuatçó Hibuyêwohoá: pintura corporal — memória, grafismos e saberes da tradição Kariri-Xocó. 2026. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/kuatco-hibuyewohoa-pintura-corporal.html?m=0 . Acesso em: 10 out. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Tokenhé Antoá Bihéuché: os antepassados sagrados dos primeiros tempos. 2026. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tokenhe-antoa-biheuche-os-antepassados.html?m=0 . Acesso em: 10 out. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Toré Kariri-Xocó: memória, cultura e espiritualidade. 2026. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tore-kariri-xoco-memoria-cultura-e.html?m=0 . Acesso em: 11 out. 2026.
NANTES, Bernardo de. Catecismo índico da língua kariris. Reimpressão da edição de 1709. Leipzig: B. G. Teubner, 1896.
QUEIROZ, José Márcio Correia de. Um estudo gramatical da língua Dzubukuá, família Karirí. 2012. Tese (Doutorado) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2012. Apêndice: Vocabulário Dzubukuá-Português, p. 398-427.
RIBEIRO, Berta G. Arte indígena, linguagem visual. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1989.
RIBEIRO, Getúlio. Princípios para o ensino sobre as músicas indígenas brasileiras. Olhares & Trilhas, Uberlândia, v. 20, n. 1, p. 136–145, 2018. DOI:
https://doi.org/10.14393/OT2018vXX.n.1.136-145.
RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. O artigo definido e os numerais na língua Kiriri: Vocabulários Português-Kiriri e Kiriri-Português. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, Brasília, v. 4, n. 2, dez. 2012.
SIQUEIRA, Baptista. Os Cariris do Nordeste. Rio de Janeiro: Livraria Editora Cátedra, 1978.
SUZART, Elizabete Costa. Dicionário Cultural Kariri-Xocó: forma de ocupar a língua portuguesa como direito à memória e cidadania cultural. Tese (Doutorado em Crítica Cultural) – Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Alagoinhas, 2025.
VIDAL, Lux (org.). Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. São Paulo: Studio Nobel: EDUSP, 1992.
21. SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó é autor, contador de histórias e organizador de conhecimentos culturais relacionados à memória, à língua e à identidade do povo Kariri-Xocó.
Seu trabalho procura reunir narrativas, vocabulários, lembranças, reflexões e propostas educativas, aproximando a tradição oral dos recursos escritos e digitais.
Nesta obra, dedica atenção especial às relações entre arte, língua, cultura, natureza e educação escolar, com o propósito de contribuir para que crianças e jovens tenham acesso a materiais que valorizem sua história e incentivem o respeito aos conhecimentos de seus antepassados.
A produção deste livro integra uma caminhada de registro cultural e de construção de materiais educativos voltados à memória viva da comunidade.
22. ETAPAS EDITORIAIS PARA A PUBLICAÇÃO
Antes de concluir a versão definitiva, recomenda-se seguir estas etapas:
Revisão autoral: verificar se os textos correspondem à intenção e à interpretação do autor.
Conferência linguística: revisar cada vocábulo com pessoas reconhecidas pela comunidade como conhecedoras da língua Kariri-Xocó.
Validação cultural: confirmar as narrativas, os contextos de uso e os significados apresentados.
Consentimento e proteção: verificar autorizações para depoimentos, imagens, cantos, objetos, histórias e outros materiais.
Revisão pedagógica: adaptar as atividades às diferentes séries do Ensino Fundamental.
Revisão ortográfica: corrigir pontuação, concordância, padronização de títulos e consistência do texto.
Revisão bibliográfica: conferir todas as referências realmente utilizadas.
Projeto gráfico: definir formato, margens, fontes, ilustrações, legendas, paginação e capa.
Revisão de provas: examinar a versão diagramada antes da impressão ou publicação digital.
Identificação editorial: incluir ISBN ou ficha catalográfica somente quando obtidos pelos procedimentos apropriados, sem apresentar códigos internos como registros oficiais.
Publicação e preservação: guardar uma cópia final e definir as condições de acesso e compartilhamento.
Atualização futura: permitir correções e acréscimos à medida que novos conhecimentos autorizados forem documentados.
MENSAGEM FINAL DA OBRA
Que cada palavra estudada desperte uma pergunta; que cada pergunta incentive uma pesquisa; que cada pesquisa seja realizada com respeito; e que cada conhecimento autorizado possa contribuir para a formação das novas gerações.
A escola pode ser um lugar de encontro entre a memória dos antepassados e os caminhos do futuro.
Somos guardiões da memória e aprendizes de novos caminhos.
Iewóá — gratidão.
AUTOR:
Nhenety Kariri-Xocó

