quarta-feira, 21 de outubro de 2026

WOROY CRODÍBA TSEHO: HISTÓRIA E RESISTÊNCIA DO POVO KARIRI-XOCÓ ENSINO FUNDAMENTAL





Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Local: Aldeia Kariri-Xocó — Porto Real do Colégio, Alagoas.
Natureza da obra: Material pedagógico intercultural para o Ensino Fundamental.
Edição preliminar para revisão comunitária, linguística, histórica e pedagógica.





FALSA FOLHA DE ROSTO

WOROY CRODÍBA TSEHO
HISTÓRIA E RESISTÊNCIA DO POVO KARIRI-XOCÓ
ENSINO FUNDAMENTAL

Nhenety Kariri-Xocó
Aldeia Kariri-Xocó — Porto Real do Colégio, Alagoas.
2026





FOLHA DE ROSTO

WOROY CRODÍBA TSEHO
HISTÓRIA E RESISTÊNCIA DO POVO KARIRI-XOCÓ — ENSINO FUNDAMENTAL
Obra dedicada à valorização da memória ancestral, da tradição oral, da língua, da história, da geografia e da resistência territorial do povo Kariri-Xocó.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó.
Público-alvo: professores e estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Local de referência: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas.
Ano: 2026.





VERSO DA FOLHA DE ROSTO


Esta obra tem como finalidade contribuir para a educação escolar indígena, valorizando os conhecimentos tradicionais, a história oral, a memória dos anciãos e a identidade cultural do povo Kariri-Xocó.

O material articula os conhecimentos comunitários aos componentes curriculares de História, Geografia, Língua Portuguesa, Arte e ao estudo da língua Kariri-Xocó, respeitando as particularidades culturais e os processos próprios de aprendizagem.

A publicação deverá passar por revisão histórica, linguística e pedagógica, com participação de representantes da comunidade e de pessoas reconhecidas como detentoras dos conhecimentos tradicionais.

Direitos autorais: a definir na edição final, respeitando os direitos do autor, os conhecimentos coletivos e as autorizações necessárias para reprodução de narrativas, fotografias, ilustrações e outros registros culturais.





FICHA CATALOGRÁFICA — PRELIMINAR

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Woroy Crodíba Tseho: história e resistência do povo Kariri-Xocó — Ensino Fundamental / Nhenety Kariri-Xocó. — Edição preliminar. — Porto Real do Colégio, AL, 2026.

Material pedagógico intercultural.
1. Povos indígenas — História. 2. Kariri-Xocó — Memória e tradição oral. 3. Educação escolar indígena. 4. História e Geografia — Ensino Fundamental. I. Título.
CDD: a definir por bibliotecário habilitado.
Nota: esta ficha é apenas um modelo. A ficha catalográfica definitiva deverá ser elaborada após a definição dos dados editoriais e da edição final.





ISBN simbólico

ISBN: 978-65-00000-00-0
Este número é meramente ilustrativo e não constitui ISBN válido. A numeração definitiva deverá ser solicitada antes da publicação formal.






PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.





ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó






DEDICATÓRIA

Dedicamos esta obra aos Toá, aos Troncos Velhos, às anciãs e aos anciãos Kariri-Xocó, guardiões da palavra, da memória e dos ensinamentos ancestrais. Às famílias que mantêm vivas as histórias dos antepassados, às lideranças que defendem o território e aos professores que trabalham para fortalecer a identidade indígena por meio da educação. Dedicamos, sobretudo, às crianças e aos jovens Kariri-Xocó, para que conheçam suas raízes, respeitem a sabedoria dos mais velhos e continuem transmitindo a história de seu povo às futuras gerações.





AGRADECIMENTOS

Agradecemos aos anciãos e às anciãs que preservam e compartilham a tradição oral Kariri-Xocó; às famílias que guardam as lembranças dos antepassados; às lideranças indígenas que lutam pela dignidade, pelo território e pelos direitos coletivos; aos professores, estudantes e pesquisadores comprometidos com a educação intercultural; e a todas as pessoas que contribuem para a preservação da língua, da cultura e da memória ancestral.

Os nomes e as contribuições individuais poderão ser acrescentados nesta seção mediante consulta e autorização das pessoas envolvidas.





EPÍGRAFE

“Enquanto houver quem conte, quem escute e quem transmita, a memória ancestral continuará florescendo de geração em geração.”
Formulação inspirada nos princípios da tradição oral apresentados nesta obra.





PREFÁCIO DO VOLUME

A história de um povo não está somente nos livros, nos documentos oficiais ou nos arquivos das instituições. Ela também vive na palavra dos mais velhos, nas lembranças das famílias, nos nomes dos lugares, nas práticas culturais, nos caminhos percorridos pelos antepassados e nos conhecimentos transmitidos de geração em geração.

Ao colocar a tradição oral no centro do processo educativo, a obra reconhece os anciãos como importantes fontes de conhecimento histórico e os povos indígenas como sujeitos de sua própria história. A comunidade Kariri-Xocó é apresentada não apenas por suas experiências do passado, mas também por sua presença contemporânea, sua organização, sua língua, sua cultura e sua luta pela continuidade territorial e cultural.

Os conteúdos articulam a história local à história regional e nacional, permitindo compreender os impactos da colonização, as transformações das aldeias, a resistência às imposições culturais, a valorização da língua e a conquista de direitos indígenas.

Este livro também convida professores e estudantes a desenvolver pesquisas, entrevistar pessoas mais velhas, construir linhas do tempo, elaborar mapas, analisar documentos e produzir trabalhos artísticos e audiovisuais.

Que esta obra contribua para aproximar a escola da comunidade e para fortalecer o diálogo entre gerações, mantendo viva a palavra ancestral Kariri-Xocó.





RESUMO

O livro Woroy Crodíba Tseho — História e Resistência do Povo Kariri-Xocó é uma proposta de material pedagógico intercultural destinada ao Ensino Fundamental. A obra valoriza a tradição oral, a memória dos anciãos, a língua Kariri-Xocó, a história ancestral, o território indígena e as experiências de resistência cultural e política do povo. Organizada em duas seções, contempla os Anos Iniciais, com ênfase na memória, na família e nas primeiras noções de tempo histórico, e os Anos Finais, com estudos sobre colonização, missões religiosas, transformações territoriais, resistência e direitos indígenas. A proposta articula História, Geografia, Língua Portuguesa, Arte e conhecimentos linguísticos, mediante entrevistas, mapas, linhas do tempo, murais, dramatizações e produções audiovisuais. Sua metodologia parte da realidade comunitária para compreender a história regional e nacional, promovendo o respeito aos antepassados, à diversidade cultural e aos direitos dos povos originários.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; tradição oral; memória ancestral; território indígena; educação intercultural; resistência cultural.





ABSTRACT

Woroy Crodíba Tseho — History and Resistance of the Kariri-Xocó People is a proposed intercultural educational resource for Brazilian elementary education. The book values oral tradition, elders' memories, the Kariri-Xocó language, ancestral history, Indigenous territory, and the people's experiences of cultural and political resistance. Organized into two sections, it addresses the early grades through family history, memory, and basic concepts of historical time, while the later grades explore colonization, religious missions, territorial transformations, resistance, and Indigenous rights. The proposal connects History, Geography, Portuguese Language, Arts, and linguistic knowledge through interviews, maps, timelines, murals, dramatizations, and audiovisual projects. Its methodology begins with the community's own experiences to explore regional and national history, promoting respect for ancestors, cultural diversity, and the rights of Indigenous peoples.

Keywords: Kariri-Xocó; oral tradition; ancestral memory; Indigenous territory; intercultural education; cultural resistance.





APRESENTAÇÃO

Este livro foi elaborado com o propósito de contribuir para o ensino da história e da cultura do povo Kariri-Xocó, oferecendo a professores e estudantes um material que aproxima os conhecimentos tradicionais das atividades desenvolvidas em sala de aula.

A proposta parte do entendimento de que a história indígena não deve ser ensinada apenas como um acontecimento distante, relacionado à chegada dos europeus. Os povos originários possuem histórias anteriores à colonização e continuam participando da construção da sociedade brasileira.

A tradição oral constitui um dos fundamentos desta obra. Por meio das narrativas dos anciãos, os estudantes poderão conhecer lembranças familiares, compreender transformações na aldeia, reconhecer a importância dos lugares ancestrais e refletir sobre a continuidade da língua e da cultura.

O livro está organizado em duas seções. A primeira é destinada aos Anos Iniciais, do 1º ao 5º ano, e trabalha o tempo vivido, a história da família, a memória dos antepassados e a presença indígena anterior à colonização. A segunda é voltada aos Anos Finais, do 6º ao 9º ano, e aprofunda os estudos sobre colonização, missões religiosas, mudanças territoriais, história republicana, resistência e direitos indígenas.

As atividades propostas incluem entrevistas, pesquisas familiares, mapas, linhas do tempo, análise de documentos, produções artísticas e registros audiovisuais. Todas deverão respeitar os conhecimentos comunitários e as autorizações necessárias.





NOTA DO AUTOR

Os textos desta obra procuram registrar e valorizar os conhecimentos transmitidos pela tradição oral Kariri-Xocó. As narrativas apresentam formas próprias de interpretar a criação, a ancestralidade, o território, as mudanças históricas e a continuidade cultural.

Os termos em língua Kariri-Xocó e suas traduções são apresentados conforme o material-base utilizado na elaboração do manuscrito. A grafia, a pronúncia e os significados deverão ser revisados por pessoas reconhecidas pela comunidade como conhecedoras da língua, respeitando as variações e os contextos de uso.

As narrativas orais e os documentos escritos possuem características próprias. Por isso, a obra procura promover o diálogo entre diferentes fontes de conhecimento, sem desconsiderar a importância da memória coletiva e dos protocolos culturais da comunidade.

O objetivo é contribuir para que as novas gerações conheçam suas raízes, valorizem a palavra dos mais velhos e compreendam a importância da educação para a continuidade histórica do povo Kariri-Xocó.





MEMÓRIA DO AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó apresenta-se nesta obra como autor comprometido com o registro e a transmissão da memória ancestral de seu povo.

Sua proposta parte da compreensão de que a palavra dos mais velhos constitui um patrimônio de conhecimentos, experiências e ensinamentos que precisa continuar circulando entre as gerações. As narrativas sobre os antepassados, os lugares tradicionais, as mudanças vividas pela comunidade e os processos de resistência ajudam a compreender a trajetória histórica Kariri-Xocó.

A elaboração deste livro representa uma contribuição à educação escolar indígena, aproximando os conhecimentos da tradição oral dos conteúdos de História, Geografia e língua. A intenção é oferecer às crianças e aos jovens oportunidades de aprender a partir da experiência de sua própria comunidade.

Nota biográfica: recomenda-se que esta seção seja complementada pelo autor com sua trajetória pessoal, seus mestres e anciãos de referência, suas experiências de pesquisa e revitalização linguística e suas contribuições culturais, conforme desejar tornar públicas essas informações.





APRESENTAÇÃO PEDAGÓGICA

A escola é um espaço de aprendizagem, convivência e transmissão de conhecimentos. Quando a história da comunidade está presente no currículo, os estudantes podem compreender melhor sua identidade e reconhecer a importância dos antepassados na formação do presente.

A proposta pedagógica deste livro considera a oralidade, a investigação histórica, a observação do território e a produção artística como caminhos de aprendizagem.

O professor poderá organizar rodas de conversa, convidar pessoas autorizadas pela comunidade, realizar pesquisas familiares, comparar fotografias antigas e atuais e desenvolver atividades de representação cartográfica.

O estudante será incentivado a formular perguntas, ouvir com atenção, identificar fontes de informação e apresentar suas descobertas por meio de textos, desenhos, mapas, exposições e produções audiovisuais.

A aprendizagem deverá respeitar os diferentes ritmos escolares, as particularidades culturais e os conhecimentos que não podem ser divulgados fora de seus contextos tradicionais.






INTRODUÇÃO

A história dos povos indígenas constitui parte fundamental da história do Brasil. Muito antes da chegada dos europeus, os povos originários já habitavam diferentes regiões do território, organizavam suas comunidades, desenvolviam conhecimentos ambientais, produziam alimentos, estabeleciam relações entre povos e transmitiam seus saberes por meio da oralidade.

No Baixo São Francisco, a história indígena está profundamente relacionada ao rio Opará, às lagoas, às matas, aos caminhos, às aldeias e às experiências de diferentes povos. Esses espaços representam ambientes de vida, trabalho, circulação, memória e continuidade cultural.

O povo Kariri-Xocó preserva conhecimentos transmitidos por gerações e mantém uma relação histórica com seu território. As narrativas dos anciãos registram experiências de ancestralidade, transformações sociais, deslocamentos, resistência e fortalecimento comunitário.

Ao longo da colonização, muitos povos indígenas enfrentaram imposições religiosas, políticas linguísticas, deslocamentos territoriais e mudanças em suas formas de organização. Entretanto, também desenvolveram estratégias de resistência, preservaram conhecimentos e continuaram transmitindo suas tradições.

Este livro propõe estudar esses processos partindo da realidade Kariri-Xocó e ampliando a análise para a história regional e nacional. Dessa maneira, os estudantes poderão compreender que o presente é resultado de acontecimentos, escolhas, conflitos, conquistas e experiências acumuladas ao longo do tempo.

A proposta pedagógica valoriza a tradição oral como fonte de conhecimento, articulando-a à pesquisa documental, à cartografia e ao estudo da legislação. O propósito não é substituir uma fonte por outra, mas criar oportunidades para que os estudantes compreendam diferentes formas de registrar e interpretar a história.




OBJETIVO GERAL

Promover o conhecimento da história, da língua, da memória e da cultura do povo Kariri-Xocó, fortalecendo a identidade indígena, o respeito à ancestralidade, a compreensão do território e o reconhecimento dos direitos dos povos originários.



OBJETIVOS ESPECÍFICOS

* Valorizar os anciãos como guardiões da memória e dos conhecimentos tradicionais.

* Desenvolver habilidades de escuta, registro e interpretação de narrativas orais.

* Compreender as noções de passado, presente, futuro e transformação histórica.

* Reconhecer a presença dos povos indígenas antes da colonização europeia.

* Investigar as transformações territoriais e culturais no Baixo São Francisco.

* Conhecer processos históricos de resistência indígena.

* Valorizar a língua Kariri-Xocó e os esforços comunitários de revitalização linguística.

* Relacionar a história local à história nacional.

* Conhecer os direitos indígenas reconhecidos pela Constituição Federal de 1988.

* Desenvolver atividades de pesquisa, produção artística e comunicação educativa.





SUMÁRIO

Falsa folha de rosto

Folha de rosto

Verso da folha de rosto

Ficha catalográfica

ISBN - Simbólico

Prefácio Oficial da Coleção

Esclarecimento do Autor

Dedicatória

Agradecimentos

Epígrafe

Prefácio do volume

Resumo

Abstract

Apresentação

Nota do autor

Memória do autor

Apresentação pedagógica

Introdução

Sumário

Sessão I — Anos Iniciais (1º ao 5º Ano)

Unidade 1 — Uché Woroy Tokli: Tempo da História Oral

Renghe Dzeye Kaiahoho: Anciãos Guardiões do Passado

Atividade: Mural dos Nossos Ancestrais

Unidade 2 — Bihéuché Radá: Os Primeiros Tempos do Indígena na Terra

Uché Beté Anran Karaí: Tempo da Chegada do Homem Branco

Atividade: Teatro de Sombras

Sessão II — Anos Finais ( 6⁰ ao 9⁰ Ano )

Unidade 3 — Waré Cró Radamu Opará: Colonização, Missões e Resistência no Baixo São Francisco

Iaboe Woroyá Idzeá Tsehoá: Mistura Histórica de Muitos Povos

Aiby Natianie dó Naticróraí: De Aldeia Indígena à Cidade dos Brancos

Nhaehí Iworó Nunú Crodí Peró: Resgate e Revitalização da Língua

Atividade: Análise de Fonte Histórica

Unidade 4 — Woroy Yetsoeho Watidatè Uanieá: História Republicana e Exclusão Indígena

Toklane Mŷcrisãsaí Soñe Keñe: Marcos das Décadas de 1960 e 1970

Izuté Uché Natiáche: Novo Tempo Aldeia Nova Kariri-Xocó

Direitos indígenas e Constituição de 1988

Atividade: Mini-documentário ou podcast

Parte pedagógica

Metodologia de ensino

Avaliação da aprendizagem

Plano de aula 1 — História oral e anciãos

Plano de aula 2 — Ancestralidade e território

Plano de aula 3 — Colonização e resistência

Plano de aula 4 — Território e direitos indígenas

Considerações finais

Glossário

Referências bibliográficas

Sobre o autor





SEÇÃO I — ANOS INICIAIS (1º AO 5º ANO)

Eixo temático: tempo vivido, memória familiar, passado e presente, ancestralidade e introdução à história indígena regional.



UNIDADE 1 — UCHÉ WOROY TOKLI: TEMPO DA HISTÓRIA ORAL

Na Buyê, a Grande Fogueira, os Toá, nossos Avôs, reuniam a comunidade para transmitir as Woroyá, histórias dos primeiros tempos da criação do mundo. Suas vozes narravam a criação realizada por Sonsé, junto aos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados, cujas memórias atravessavam as gerações. Os Sumarãtó, os Dois Avôs Sagrados, Upuhtoá, o Avô do Vento, e Dutoá, o Avô do Fogo, deram origem às Batti, as estrelas do firmamento. As Sumanike, as Duas Avós Sagradas, Nikedda, a Avó da Terra, e Dzúnike, a Avó da Água, fizeram nascer as Ubuá, plantas das grandes florestas. Da união sagrada desses elementos nasceu Uanie, o Indígena, formado pela Terra, pela Água, pelo Fogo e pelo Vento, forças da criação. Os Toá ensinavam que a humanidade pertence à natureza e está ligada a todos os seres do universo. A Terra sustenta, a Água alimenta, o Fogo aquece e ilumina, e o Vento movimenta a vida. Por meio das Woroyá, os anciãos transmitiam saberes, ensinando o respeito aos antepassados e à natureza. Cada narrativa preservava a identidade e a espiritualidade, fortalecendo a união e a memória da comunidade. Na Buyê, crianças, jovens e adultos aprendiam a escutar, reconhecendo na palavra dos mais velhos a força ancestral. Assim, o UCHÉ WOROY TOKLI, Tempo da História Oral, mantém viva a sabedoria dos antepassados Kariri-Xocó. Enquanto houver quem conte e quem escute essas histórias, a chama ancestral continuará iluminando as novas gerações.

Conceitos históricos

* Memória individual e coletiva.

* Sujeito histórico.

* Fontes orais.

* Passado, presente e futuro.

* Transmissão de conhecimentos entre gerações.



RENGHE DZEYE KAIAHOHO: ANCIÃOS GUARDIÕES DO PASSADO 

Na tradição oral dos Kariri-Xocó, os Worobü Woroyá, os contadores de histórias, são nossos Toá, os avôs e as avós, as pessoas mais Rengheá, mais velhas da Natiá, a aldeia, reconhecidas como Bewó Renghe, o Tronco Velho, Dubuherí Samy, o Mestre da Cultura, e Dzeye Kaiahoho, os Guardiões do Passado. São eles que, de Atseuróché atseuróché, de geração em geração, preservam e transmitem o Swbatekié, os conhecimentos acumulados no Uchéba, o tempo vivido na Radá, a Terra, junto ao seu Tseho, o povo. Os anciãos e as anciãs são raízes vivas da comunidade, atuando como ceramistas, artesãos, pescadores, agricultores e detentores de tantos outros saberes, pois todos carregam na memória e na palavra as Woroyá, as histórias que mantêm viva a identidade ancestral. Eu mesmo, Nhenety, sou um desses anciãos, e meu nome significa “Ser Lembrado, Tradição”, uma missão que carrego na alma e na palavra, aprendida com outros anciãos que deixaram profundas marcas em nossa história e memória: os saudosos Suíra, Nidé, Iraminõn, Ireçê e Candará, cujos ensinamentos permanecem vivos em nossa caminhada. Assim, a palavra dos mais velhos é como um tronco antigo de raízes profundas, que sustenta os galhos das novas gerações, pois enquanto houver quem conte, quem escute e quem transmita, a memória dos Kariri-Xocó continuará florescendo de geração em geração, guardando os ensinamentos dos antepassados e fortalecendo a continuidade de nosso povo na Radá, nossa Terra ancestral.


Objetivos de aprendizagem

* Reconhecer a importância dos anciãos na preservação da história.

* Identificar a oralidade como forma de transmissão de conhecimentos.

* Conhecer lembranças da família e da comunidade.

* Desenvolver a escuta respeitosa e o diálogo entre gerações.

Atividade prática: Mural dos Nossos Ancestrais

Os estudantes conversarão com familiares sobre lembranças da infância, brincadeiras antigas, formas de trabalho, mudanças nas moradias e acontecimentos importantes da comunidade. Com autorização, poderão levar fotografias ou produzir desenhos para montar um mural coletivo.

Cada registro deverá conter uma legenda simples, identificando a pessoa ou o acontecimento, o período aproximado e a origem da informação.


Produção artística

Criação de um mural ilustrado com o título “A Palavra dos Nossos Ancestrais”, acompanhado de desenhos, legendas e palavras da língua Kariri-Xocó validadas pela comunidade.

Avaliação

O professor observará a participação, a escuta respeitosa, a capacidade de reconhecer fontes orais e a organização de lembranças em sequência temporal. Nenhum estudante deverá ser obrigado a apresentar informações familiares ou fotografias pessoais.




UNIDADE 2 — BIHÉUCHÉ UANIEÁ RADÁ: OS PRIMEIROS TEMPOS DO INDÍGENA NA TERRA

Contam os nossos anciãos que, muito antes das caravelas chegarem, nossos antepassados já habitavam a Radá Uanieá, Terra Indígena, um Radda, Mundo, Iworó, redondo, coberto pelo Arankié, Céu, iluminado pelo Ukie, Sol, e pela Kayaku, Lua, com suas Battiá, Estrelas. Existiam as Retséá, Florestas, os Keríá, Animais, os Wãmyá, Peixes, e o grandioso Opará, onde viviam muitos Tsehoá, Povos, como Kariri, Xocó, Karapotó, Natú e Aconã, entre tantos outros. Cada povo possuía sua Natiá, Aldeia, organizada sob a orientação do Nanhe, chefe político, e do Bidzamu, pajé e guardião espiritual. Na Antse, Natureza, em Ibiróá, ambos os lados do grande Iwo, Rio, nossos antepassados cultivavam as Bechiéá, Roças, pescavam, fabricavam cerâmicas, produziam artesanatos e realizavam suas festas tradicionais. Assim, compartilhavam conhecimentos, transmitiam histórias aos mais jovens e preservavam os ensinamentos ancestrais. A terra fornecia o alimento, as águas sustentavam a vida e os anciãos guardavam a memória de cada povo. Esse era o nosso tempo ancestral, quando nossas comunidades já possuíam cultura, organização, espiritualidade e identidade. Antes das caravelas cruzarem o mar, nossa história já existia, enraizada na terra, fortalecida pelos antepassados e mantida viva pela tradição oral.


Conceitos históricos e geográficos

* Tempo ancestral e tempo cronológico.

* Presença indígena anterior à colonização.

* Território, paisagem e ambiente.

* Organização das comunidades.

* Relação entre povos, rios e recursos naturais.



UCHÉ BETÉ ANRAN KARAÍ: TEMPO DA CHEGADA DO HOMEM BRANCO

Nos Uché Tokenhé, Tempo dos Antepassados, nosso Tseho, Povo Kariri, vivia nesta Dhaera, Região, habitando suas Natiá, Aldeias, mantendo vivas suas tradições e sua língua. Nosso povo conhecia os caminhos das águas, as matas e os ciclos da lua, transmitindo seus saberes pela tradição oral. Certo dia, chegou uma Urobi, Notícia, à Buyê, Grande Fogueira, anunciando que o Anran Karaí, Homem Branco, havia chegado a um Undé Maní, Lugar Longe, chamado Kûá, Baía do Mar. Segundo nossa memória, isso aconteceu na Içá Kayaku, Lua das Formigas, em abril de 1500. No Batti, Ano, de 1501, os Anran Karaí chegaram ao Opará, nosso grande rio, durante a Puruá Kayaku, Lua das Flores, conforme o Ucheatti Kayaku, Calendário Lunar. Eles atravessaram o Aindzu, Mar, numa Ubáye Cruté, Grande Canoa de Pano, e visitaram a Natiá Uolidze Opará, Aldeia na Foz do Rio. Ali foram recebidos pelo nosso Nanhe, Chefe Cacique, chamado Tarobá. Com a chegada dos estrangeiros, começaram novas relações e transformações na vida dos povos originários. Pelo Uchébatti Santoá, Calendário dos Santos, dos Karaí, o nome Opará passou a ser chamado Rio São Francisco. Assim começou o Worobu Uché Karaí, Novo Tempo dos Brancos, marcado por mudanças na história de nosso povo. Entretanto, Opará permanece na memória ancestral como símbolo de vida, identidade e resistência cultural. Contar essa história é manter acesa a Buyê, Grande Fogueira, transmitindo às novas gerações os conhecimentos dos antepassados, para que a língua, a tradição oral e a memória do povo Kariri continuem vivas através dos tempos.


Objetivos de aprendizagem

* Reconhecer que a história indígena antecede a chegada dos europeus.

* Localizar o rio São Francisco e compreender sua importância histórica e geográfica.

* Identificar relações entre território, alimentação, trabalho e cultura.

* Distinguir narrativas orais de outras fontes históricas.

Atividade prática: Teatro de Sombras

Os estudantes organizarão uma apresentação inspirada em uma narrativa de origem autorizada pelos detentores dos conhecimentos comunitários. Poderão utilizar silhuetas de papel, desenhos, tecidos e iluminação para representar a paisagem, os elementos naturais e a transmissão de histórias.

Produção artística

Elaboração de um mapa ilustrado do território e dos elementos naturais presentes na narrativa, sem identificar lugares restritos ou sagrados.

Avaliação

O professor verificará a compreensão da anterioridade histórica dos povos indígenas, a identificação dos elementos territoriais e a capacidade de expressar conhecimentos por meio da arte.




SEÇÃO II — ANOS FINAIS (6º AO 9º ANO)

Eixo temático: colonização, análise de fontes históricas, transformações territoriais, resistência, história nacional e direitos indígenas.




UNIDADE 3 — WARÉ CRO RADAMU OPARÁ: COLONIZAÇÃO, MISSÕES E RESISTÊNCIA NO BAIXO SÃO FRANCISCO

No Radamu Opará, o Baixo São Francisco, habitavam diversos Tsehoá, os Povos originários, entre eles os Kariri da Dzurichi, Lagoa Comprida, os Karapotó do rio Tibiri, os Aconã do rio Traipú, os Xocó do rio Ipanema, além dos Natú e Tupinambá do litoral. Esses povos viviam de acordo com seus costumes, suas crenças e suas tradições ancestrais, mantendo uma profunda ligação com os rios, as matas, as lagoas e o Aindzu, o Mar. Com a chegada dos Waré, os Padres jesuítas e capuchinhos, começaram novas transformações. Eles fundaram a Tupãsy Marãe'ỹba Rekogaba, a Missão de Nossa Senhora da Conceição, construindo a Erantoá, Igreja, e o Erátekié, Colégio, para ensinar a religião cristã, a partir de 4 de maio de 1661. Enquanto isso, os Karaí, os Brancos, estabeleceram fazendas de criação de gado, como a Wanheré Cradzó, Fazenda de Gado, denominada Urubumirim. Os Uanieá, os Indígenas, passaram a conhecer novos Kenhéá, Costumes, como usar Rocruté, roupas de pano, e falar Nunú Peró, a Língua Portuguesa. Também foram introduzidos o Crikié, as orações cristãs, e novas formas de moradia, com pequenas Erá, Casas, organizadas em Woderáehó, Ruas retas e alinhadas. Nesse período, o Nanhe, Cacique, perdeu espaço para a autoridade do Capitão-Mor, enquanto o Bidzamu, Pajé, enfrentou a influência religiosa do Waré, o Padre. Novos alimentos chegaram às comunidades, como Abati-uaupé, Arroz, e Bacobá, Banana, além de Behedzí, Melancia, Riné, Carne Salgada, e Meretá, Ferro. Também foram introduzidos animais domésticos, conhecidos como Keríerá, entre eles o Curé, Porco, o Igaborou, Cavalo, e o Cradzó, Boi. Chegaram ainda o Wathõ, Bode, e a Erintuca, Ovelha, modificando o cotidiano. Essas mudanças transformaram a alimentação, o trabalho, a moradia e a organização social. Entretanto, os povos indígenas enfrentaram imposições religiosas e culturais, procurando preservar seus conhecimentos, suas crenças e suas tradições ancestrais. A memória dos antepassados permaneceu viva na oralidade e nos ensinamentos comunitários, fortalecendo a identidade dos povos originários do Radamu Opará. Assim, essa história recorda as mudanças, as resistências e a continuidade cultural, reafirmando a importância de preservar a memória e os saberes do povo Kariri-Xocó.


Conceitos históricos


* Colonização.

* Missões religiosas e aldeamentos.

* Imposição cultural.

* Resistência indígena.

* Transformações territoriais.

* Continuidade cultural.


Objetivos de aprendizagem


* Compreender o papel das missões religiosas na história regional.

* Identificar mudanças na ocupação territorial e na organização comunitária.

* Analisar criticamente fontes produzidas no período colonial.

* Reconhecer estratégias indígenas de resistência e preservação cultural.



Atividade prática: análise de fonte histórica


Os estudantes poderão analisar documentos, mapas ou relatos históricos sobre a região do Baixo São Francisco, observando quem produziu cada fonte, em que contexto e com qual finalidade.

Em seguida, compararão as informações com narrativas orais autorizadas, registrando semelhanças, diferenças e questões que precisam de investigação.




IABOE WOROYÁ IDZEÁ TSEHOÁ: MISTURA HISTÓRICA DE MUITOS POVOS

Conta a tradição oral que, ao longo do Opará, o grande Rio São Francisco, e de seus Iwoá, os afluentes, existiam várias Tupãsy, missões religiosas onde diferentes povos indígenas construíram parte de suas histórias. Em Urubumirim, na Aldeia de Colégio, viviam Kariri, Karapotó e Aconã; em Jaciobá, na região de Pão de Açúcar, estavam os Romari e Xocó, em Alagoas. Mais adiante, em Pacatuba, encontravam-se os Natú e Caxagó, enquanto na Ilha de São Pedro, em Porto da Folha, viviam os Aramuru e, posteriormente, os Xocó, em Sergipe. Naqueles tempos, cada missão enfrentava dificuldades que afetavam a sobrevivência das comunidades, levando muitos indígenas a migrar em busca de terras, alimentos e melhores condições de vida. Assim, os caminhos das águas tornaram-se caminhos de encontros, mudanças e resistência. A Aldeia de Colégio destacou-se por receber numerosos grupos étnicos, entre eles Kariri, Karapotó, Aconã, Xocó, Natú, Caxagó, Fulni-ô, Pankararu e tantos outros povos que chegaram ao longo das gerações. Cada grupo trouxe consigo suas lembranças, seus costumes, suas palavras, suas crenças e seus conhecimentos ancestrais. Nesse movimento histórico, os Xocó chegaram em número expressivo, contribuindo significativamente para a formação étnica e cultural do povo Kariri-Xocó. Dessa maneira, a história de nossa gente foi sendo construída por diferentes raízes que se encontraram às margens do Opará. Os mais velhos guardam na memória essas passagens, transmitindo aos mais jovens a lembrança dos antepassados. E assim compreendemos que nossa identidade é fruto de uma longa caminhada de encontros, migrações, união e resistência, na qual muitos povos contribuíram para manter viva a memória ancestral e a continuidade da cultura Kariri-Xocó.



Atividade


Produzir um painel intitulado “As Raízes Históricas do Povo Kariri-Xocó”, identificando encontros, deslocamentos e contribuições culturais documentadas ou registradas pela tradição oral.




AIBY NATIANIE DÓ NATICRÓRAÍ: DE ALDEIA INDÍGENA À CIDADE DOS BRANCOS

Contam os nossos antigos que, no ano de 1759, os Waré “Padres Jesuítas” foram expulsos do Brasil pelo Namorcaraí Peró “Rei de Portugal”, dando início a um novo tempo de mudanças para os povos indígenas, com a criação do Honédi Aiby Uanieá “Diretório dos Índios”. Naquele Uché “Tempo”, nossas Natiá “Aldeias” passaram a viver sob novas regras, que proibiam Toklikli Nunuá “Línguas Indígenas” e obrigavam os povos a falar somente o Peró “Português”. Nos Erátekié “Colégios”, foram introduzidos os Kenhéá “Costumes” e a Samy “Cultura” dos Karaí “Brancos”, enquanto os ensinamentos dos antepassados enfrentavam tempos difíceis para continuar vivos. Ao longo do Opará “Rio São Francisco”, muitas Natiá “Aldeias” foram transformadas em Naticróbeá “Povoações, vilas e cidades” ribeirinhas, modificando a organização de nossos territórios e o modo de viver das comunidades indígenas. Nossos parentes, que antes habitavam o centro das povoações, foram afastados para a periferia, passando a ocupar a Woderáehó Uanie “Rua dos Índios”, como testemunho das mudanças impostas à vida de nosso povo. Em 1795, nossa Naticróraí “Povoação” recebeu o nome de Króeránaí “Porto Real do Colégio”, denominação formada pelas palavras Kariri-Xocó Cródzu “Porto”, Namorcaraí “Real” e Erátekié “Colégio”. Assim, a antiga aldeia foi sendo transformada em povoação sob a influência das autoridades e dos costumes dos Karaí. Mais tarde, vieram as Honédiá Aiby Uanieá “Diretorias dos Índios”, que permaneceram até a criação da Vila de Porto Real do Colégio, em 7 de julho de 1876. Dessa maneira, nossos ancestrais testemunharam a transformação de suas terras e aldeias, enfrentando proibições, deslocamentos e mudanças culturais. Contudo, a memória dos antigos continua viva na palavra, na tradição oral e na identidade de nosso povo, que guarda a história do Opará e transmite às novas gerações a lembrança de como uma aldeia indígena se transformou na cidade dos Karaí, sem apagar as raízes profundas de nossa ancestralidade


Atividade

Construir uma linha do tempo com os principais acontecimentos da formação de Porto Real do Colégio, comparando a memória oral com fontes documentais disponíveis.




NHAEHÍ IWORÓ NUNÚ CRODÍ PERÓ: RESGATE, REVITALIZAÇÃO E CIRCULAÇÃO DA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ DIANTE DA PREDOMINÂNCIA DO PORTUGUÊS

Contam os nossos anciãos que, mesmo com a transformação da Natiá, Aldeia, em Naticróbeá, Cidade, o povo Kariri-Xocó continuou preservando seus Kenhéá, Costumes, e suas Nhenetíá, Tradições. No Matikay, Ritual do Ouricuri, no Toré, com seus cantos e danças, no Wontyrõ, Mutirão, na Sitó, Caçada, e na Mydzé, Pesca, permaneceram vivos os ensinamentos dos antepassados. Com o passar do tempo, a língua portuguesa ganhou espaço na vida cotidiana, mas muitas palavras ancestrais continuaram guardadas na memória dos mais velhos. Nos séculos XVII e XVIII, missionários como Mamiani e Nantes produziram registros escritos relacionados às línguas da família Kariri, deixando fontes históricas para o estudo desse patrimônio linguístico. Em 1984, os anciãos Manoel Iraminõn e Nhenety iniciaram o resgate de palavras lembradas pela comunidade, buscando fortalecer a herança linguística do povo. Cada palavra recuperada era como uma semente plantada no coração da cultura, trazendo lembranças e conhecimentos dos antepassados. No século XXI, Indiane Crudzá e Kawran deram continuidade ao trabalho de revitalização junto com Nhenety, contribuindo para transmitir esses conhecimentos às novas gerações. Em 2025, Elizabete Suzart desenvolveu um trabalho de doutorado sobre o Dicionário Cultural Kariri-Xocó, ampliando os caminhos de registro, estudo e valorização dessa memória. Assim, entre a oralidade, a escrita e as práticas culturais, o povo Kariri-Xocó continua sua caminhada de resistência e afirmação identitária diante da predominância do português. Os anciãos ensinam que cada palavra indígena guarda uma história, um sentimento e uma maneira própria de compreender o mundo. Por isso, resgatar, registrar, ensinar e fazer circular a língua significa manter viva a voz dos antepassados, fortalecer a identidade Kariri-Xocó e transmitir aos jovens a riqueza de sua herança cultural. Enquanto houver memória, ensinamento e vontade de aprender, as palavras ancestrais continuarão circulando entre as gerações, mantendo viva a cultura e abrindo caminhos para o futuro.


Atividade prática

Os estudantes organizarão um pequeno caderno de vocabulário, com palavras autorizadas, seus significados, exemplos de uso e indicação da pessoa ou fonte que compartilhou o conhecimento.

A grafia e a pronúncia deverão ser confirmadas por pessoas reconhecidas pela comunidade como conhecedoras da língua.



UNIDADE 4 — WOROY YETSOEHO WATIDATÈ APAGE UANIEÁ: HISTÓRIA REPUBLICANA DO BRASIL COM EXCLUSÃO INDÍGENA

Contam os antigos que, no dia 7 de julho de 1876, durante o período do Namorcaraí Watidatè, Reino do Brasil, foi criado Króeránaí, atual Porto Real do Colégio, e os Tsehoá Uanieá, Povos Indígenas perderam suas terras, lagoas e espaços tradicionais, restando a Retsé Matikay, a Floresta do Ouricuri, e a Woderáehó Uanie, a Rua dos Índios. Em 1889, começou o período do Watidatè Yetsoeho, o Brasil República, mas os indígenas continuaram enfrentando a exclusão e lutando pelo reconhecimento de seus direitos. Os Kariri-Xocó preservaram suas tradições e resistiram às mudanças que ameaçavam sua existência. Em 1944, foi fundado o Cunhenhé Uanieá Claixiúa-lhá, o Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso, ligado ao Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Claixiúa-lhá era o nome pelo qual os indígenas Fulni-ô, de Águas Belas, Pernambuco, chamavam o padre Alfredo Dâmaso, o grande defensor dos povos nativos do Nordeste. Na Rua dos Índios, foram criadas a Erátekié, a escola, e a Erádzó, a enfermaria, contribuindo para o atendimento da comunidade. A enchente do Rio Opará de 1949, danificou as Erapyupé "Casa de Palha de Arroz" dos Kariri, o Posto do Indígena ordenou a reforma para novas residências de Eraháebé "Casas de Taipa e Telha". Em 1947, foram adquiridas terras para a Baté-jú Uanieá, a Colônia Indígena, destinadas ao plantio das roças e à produção de alimentos. A inauguração da Iuwó Merata "Estrada de Ferro" com a chegada do Ibámeraipu "Trem" na cidade em 1950. Assim, entre perdas territoriais e conquistas, os Kariri-Xocó continuaram defendendo sua cultura, sua dignidade e seus direitos. Como contam os anciãos, a memória dos antepassados permanece viva na palavra, na terra e na Floresta do Ouricuri, ensinando às novas gerações que a história de um povo jamais deve ser esquecida.



Conceitos históricos


* República e cidadania.

* Exclusão e resistência indígena.

* Transformações territoriais.

* Memória coletiva.

* Direitos constitucionais.


Objetivos de aprendizagem


* Relacionar a história local às mudanças políticas do Brasil.

* Reconhecer os impactos das transformações territoriais na vida comunitária.

* Investigar memórias familiares e acontecimentos da história recente.

* Compreender a importância dos direitos indígenas.




TOKLANE MŶCRISÃSAÍ SOÑE KEÑE: MARCOS DAS DÉCADAS DE 1960 E 1970

Na Mŷcrisãsaí "Década" em Yâ Ikirã Soñe "1960", um novo tempo chegou para o povo Kariri-Xocó, trazendo mudanças que marcaram a memória da comunidade. Em 1966, a Rua dos Índios recebeu uma grande novidade, a Hinebakró "Energia elétrica"  iluminando as casas e transformando a vida das famílias. No ano seguinte, em 1967, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) foi extinto, dando lugar à Fundação Nacional do Índio (FUNAI). A outra década seguinte Yâ Ikirã Keñe "1970", novas transformações começaram a aparecer na região, com a pavimentação da Iuwóiró "Rodovia" , da BR 101 que facilitou a passagem de pessoas e o transporte de mercadorias. Em 1972, a FUNAI realizou reformas nas antigas Eraháebé "Casa de Taipa e Telha"; substituindo-as por outras Eracróunhá "Casa de Pedra e Tijolo", além de ampliar a escola e a casa das professoras. Na cidade, chegaram o Benheokli "Telefone de disco" e o Warudókli "Televisor", novidades que aproximaram as famílias de outras formas de comunicação e informação. Nesse mesmo ano, foi inaugurada a Uocró Idabacrú "Ponte sobre o rio Opará ", importante ligação entre as margens e os caminhos do povo. Porém, entre tantas mudanças, um acontecimento ficou profundamente guardado na lembrança dos anciãos: a saída da comunidade da tradicional Woderáehó Uanie "Rua dos Índios" para a Wanheré Uanhícó "Fazenda Sementeira", onde nasceu a nova aldeia Kariri-Xocó. No dia 31 de outubro de 1978, as famílias iniciaram uma nova etapa de sua história, levando consigo seus costumes, suas lembranças, suas raízes e a força de seus antepassados. Assim, os marcos dessas duas décadas representam não apenas mudanças nas moradias, na educação, na comunicação e nos caminhos, mas também um período de transformação na vida coletiva. Os anciãos continuam contando essas histórias para que os filhos, netos e futuras gerações compreendam que cada mudança deixou suas marcas na memória do povo. A história da Rua dos Índios e da Fazenda Sementeira permanece viva na tradição oral Kariri-Xocó, como testemunho de resistência, continuidade cultural e pertencimento ao território ancestral.



Atividade


Os estudantes poderão construir uma linha do tempo com depoimentos autorizados, fotografias antigas e atuais e documentos sobre as mudanças vividas pela comunidade entre as décadas de 1960 e 1970.




IZUTÉ UCHÉ NATIÁCHE: NOVO TEMPO ALDEIA NOVA KARIRI-XOCÓ

Na tradição oral do povo Kariri-Xocó, contamos que Izuté Uché Natiáche, o Novo Tempo da Aldeia Nova, representa uma caminhada de conquistas, resistência e transformação coletiva, construída ao longo das décadas de Yâmadê Tañe (1980), Yâmadê Biñe (1990), Tayâ (2000), Tayâ Bâkri (2010) e Tayâpri (2020). Na década de 1980, surgiu o Bypeddá, campo de futebol, seguido, em 1981, pelo conjunto de lyadê Bâkri, com 110 casas, pela instalação do Cunhenhé Uanieá, Posto Indígena da FUNAI, e pela Erátekié Uanieá, Escola Indígena; em 1985, foi construído outro conjunto habitacional, com Pribâ, 25 casas. Na década de 1990, chegaram importantes melhorias para a comunidade, como a Erádékan, Polo Base de Saúde, a Eráandzi, Farmácia, e a Pitédzu, Rede Hidráulica, acompanhada da Eraibáme Dzu, Estação de Água Tratada, além do conjunto Tapribâ, com 45 casas. Nos anos 2000, um novo marco educacional foi estabelecido com a construção da Erátekié Uanieá, Escola Indígena Pajé Francisco Queiroz Suíra, fortalecendo o ensino e a valorização dos conhecimentos ancestrais. Na década de 2010, iniciou-se um novo Erádékan, Polo Base de Saúde, foram construídas 100 casas no conjunto lyadê, outras 200 unidades residenciais das Tadê e mais 50 casas em lyapa, no Cercado Grande, além da reforma da Pitéhine, Rede de Energia Elétrica. Já na década de 2020, a aldeia vivencia mais uma transformação com a implantação do Radacró, calçamento de pedras de paralelepípedo, melhorando as condições de circulação e a infraestrutura comunitária. Assim, cada obra, cada moradia, cada escola e cada serviço representa uma parte da memória viva do povo Kariri-Xocó, testemunhando o esforço das gerações que lutaram por melhores condições de vida sem abandonar suas raízes, sua identidade e seus saberes tradicionais. Na voz dos mais velhos, essas conquistas não são apenas construções materiais, mas marcas de uma história coletiva transmitida de geração em geração, na qual o passado orienta o presente e fortalece o futuro. Izuté Uché Natiáche é, portanto, a memória de um novo tempo, em que o desenvolvimento da Aldeia Nova Kariri-Xocó caminha junto com a ancestralidade, a união comunitária e a continuidade da cultura indígena para as futuras gerações.



Direitos indígenas e Constituição Federal de 1988


A Constituição Federal de 1988 representa um marco no reconhecimento dos direitos dos povos indígenas no Brasil.

O artigo 231 reconhece os direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam e protege suas organizações sociais, costumes, línguas, crenças e tradições.

O artigo 232 reconhece aos indígenas, suas comunidades e organizações legitimidade para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, com a intervenção do Ministério Público nos termos constitucionais.

O estudo desses artigos permite compreender que os direitos indígenas são resultado de longas histórias de resistência, mobilização e reivindicação. A participação específica das lideranças Kariri-Xocó na Assembleia Nacional Constituinte deverá ser documentada com depoimentos autorizados e fontes históricas verificáveis.



Atividade prática: mini-documentário ou podcast


Os estudantes poderão produzir um registro audiovisual ou sonoro sobre a história recente da comunidade.

Etapas:


* Escolher um tema relacionado à memória territorial, à escola, às moradias ou às conquistas comunitárias.

* Preparar perguntas para lideranças, anciãos e moradores que desejem participar.

* Solicitar autorização para entrevistas e gravações.

* Registrar as informações com respeito à fala e à vontade das pessoas entrevistadas.

* Comparar os depoimentos com documentos e fotografias autorizados.

* Apresentar o trabalho à comunidade antes de qualquer divulgação pública.




METODOLOGIA DE ENSINO

A história de baixo para cima


A metodologia parte da realidade Kariri-Xocó para compreender a história regional e nacional. Em vez de iniciar exclusivamente por acontecimentos europeus, o percurso pedagógico começa pela comunidade, pelos conhecimentos dos anciãos, pelo território e pelas experiências das famílias.

A proposta valoriza:


* a oralidade como fonte de conhecimento;

* a investigação histórica e geográfica;

* o diálogo entre gerações;

* a pesquisa comunitária;

* a produção artística;

* o estudo da língua;

* a compreensão dos direitos indígenas.


Estratégias metodológicas


Rodas de conversa: promovem a escuta e o compartilhamento de conhecimentos.

Entrevistas: permitem registrar memórias com autorização e identificação das fontes.

Linhas do tempo: organizam acontecimentos e mudanças ao longo dos anos.

Mapas comunitários: representam lugares de memória, caminhos e transformações territoriais, respeitando os locais restritos.

Análise documental: desenvolve a capacidade de investigar autoria, contexto e finalidade de diferentes fontes.

Produções artísticas: favorecem a expressão de conhecimentos por meio de desenhos, pinturas, dramatizações e registros audiovisuais.



AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM



A avaliação será contínua, formativa e adequada à etapa escolar.


O professor observará a capacidade do estudante de:


* reconhecer os anciãos como fontes de conhecimento;

* identificar diferenças entre passado e presente;

* interpretar narrativas orais;

* relacionar acontecimentos ao território;

* compreender processos de colonização e resistência;

* valorizar a língua e a cultura Kariri-Xocó;

* analisar documentos e comparar informações;

* reconhecer os direitos indígenas;

* participar das atividades com respeito e responsabilidade.


Podem ser utilizados portfólios, registros escritos, desenhos, mapas, apresentações orais, murais, entrevistas e produções audiovisuais.

A avaliação deverá considerar o processo de aprendizagem, sem exigir que os estudantes revelem informações familiares ou conhecimentos tradicionais que não possam ser compartilhados.



PLANO DE AULA 1 — ANOS INICIAIS



Tema: UCHÉ WOROY TOKLI — Tempo da História Oral.


Público-alvo: 3º ano do Ensino Fundamental.

Duração: duas aulas de 50 minutos.


Objetivos


* Reconhecer a tradição oral como forma de transmissão de conhecimentos.

* Valorizar os anciãos como guardiões da memória.

* Identificar acontecimentos do passado e do presente.

* Produzir registros artísticos sobre a memória comunitária.


Materiais


Cartolina, papel kraft, lápis de cor, folhas, fotografias autorizadas, desenhos e caderno de registro.



Desenvolvimento passo a passo


1ª etapa — Acolhida (10 minutos)


O professor perguntará quem costuma contar histórias na família e o que os estudantes aprendem com as pessoas mais velhas.


2ª etapa — Escuta da narrativa (15 minutos)


Será realizada a leitura do texto UCHÉ WOROY TOKLI. Os estudantes serão convidados a ouvir com atenção e compartilhar suas impressões.


3ª etapa — Conversa orientada (10 minutos)


O professor explicará que a história pode ser transmitida pela fala, pela escrita, por fotografias, por objetos e por outros registros.


4ª etapa — Produção individual (25 minutos)


Cada estudante fará um desenho relacionado a uma lembrança familiar ou comunitária. Quem preferir poderá criar uma história ilustrada sem utilizar informações pessoais.


5ª etapa — Construção do mural (25 minutos)


A turma organizará as produções em um mural coletivo, com legendas e referências temporais simples.


6ª etapa — Socialização (15 minutos)


Os estudantes apresentarão suas produções e conversarão sobre a importância de escutar e respeitar os mais velhos.


Avaliação


Serão observadas a participação, a escuta respeitosa, a capacidade de identificar fontes de memória e a compreensão de passado e presente.




PLANO DE AULA 2 — ANOS INICIAIS



Tema: Os primeiros tempos do povo indígena na terra.


Público-alvo: 5º ano do Ensino Fundamental.


Duração: duas aulas de 50 minutos.


Objetivos


* Compreender que os povos indígenas já possuíam história antes da colonização.

* Identificar elementos geográficos importantes para a vida comunitária.

* Relacionar território, cultura e memória.

* Desenvolver habilidades básicas de representação cartográfica.



Desenvolvimento


1ª etapa: leitura compartilhada do texto BIHÉUCHÉ UANIEÁ RADÁ.


2ª etapa: localização do rio São Francisco em um mapa da região.


3ª etapa: discussão sobre a importância dos rios, das matas e dos caminhos para as comunidades.


4ª etapa: elaboração de um mapa ilustrado com elementos naturais e lugares de memória autorizados.


5ª etapa: apresentação dos mapas, com explicação das escolhas feitas pelos estudantes.



Avaliação


O professor observará se os estudantes compreendem a anterioridade histórica dos povos indígenas e conseguem relacionar território, ambiente e memória.




PLANO DE AULA 3 — ANOS FINAIS



Tema: Colonização, missões religiosas e resistência indígena.


Público-alvo: 7º ano do Ensino Fundamental.


Duração: três aulas de 50 minutos.



Objetivos


* Compreender as transformações decorrentes da colonização.

* Analisar criticamente documentos históricos.

* Reconhecer a resistência indígena às imposições culturais.

* Comparar fontes escritas e relatos orais.



Desenvolvimento


Aula 1 — Contextualização histórica


Leitura do texto sobre as missões religiosas no Baixo São Francisco e discussão sobre as mudanças provocadas pela colonização.



Aula 2 — Análise de fontes


Os grupos examinarão documentos ou mapas históricos, identificando autoria, data, finalidade e visão de mundo presente no material.


Aula 3 — Comparação e apresentação


Os estudantes compararão os documentos com narrativas orais autorizadas e elaborarão um painel sobre transformações, resistências e permanências culturais.


Avaliação


Serão avaliadas a capacidade de analisar fontes, formular perguntas, reconhecer diferentes perspectivas históricas e fundamentar conclusões.




PLANO DE AULA 4 — ANOS FINAIS


Tema: Memória da Aldeia Nova, território e direitos indígenas.


Público-alvo: 9º ano do Ensino Fundamental.


Duração: quatro aulas de 50 minutos.



Objetivos


* Investigar acontecimentos da história recente Kariri-Xocó.

* Construir uma linha do tempo comunitária.

* Compreender os artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988.

* Produzir um podcast ou mini-documentário com responsabilidade ética.


Desenvolvimento


Aula 1 — Pesquisa histórica


Os estudantes formularão perguntas sobre as mudanças na aldeia e identificarão fontes que possam ajudar a respondê-las.


Aula 2 — Direitos indígenas


A turma estudará os artigos 231 e 232 da Constituição, relacionando-os à história dos povos indígenas.


Aula 3 — Entrevistas


Serão realizadas entrevistas autorizadas ou analisados depoimentos previamente aprovados para uso pedagógico.



Aula 4 — Produção final


Os estudantes editarão o material, revisarão as informações e apresentarão o resultado à turma ou à comunidade, conforme as autorizações concedidas.



Avaliação


O professor considerará a qualidade das perguntas, a utilização responsável das fontes, a compreensão dos direitos indígenas e a clareza da produção final.






CONSIDERAÇÕES FINAIS

O livro Woroy Crodíba Tseho — História e Resistência do Povo Kariri-Xocó propõe um caminho educativo fundamentado na memória, na oralidade, na identidade cultural e no respeito ao território ancestral.

Ao conhecer as narrativas dos anciãos, os estudantes compreendem que a história de seu povo não se limita aos acontecimentos registrados nos documentos oficiais. Ela também vive nas lembranças familiares, nos conhecimentos tradicionais, nas práticas culturais, nos nomes dos lugares e nas experiências de resistência.

O estudo da colonização, das transformações territoriais e dos direitos indígenas permite relacionar a história local aos acontecimentos regionais e nacionais, desenvolvendo uma compreensão crítica da sociedade brasileira.

A valorização da língua Kariri-Xocó constitui outro elemento essencial da obra. Registrar palavras, compreender seus significados e transmiti-las às novas gerações são ações que contribuem para a continuidade cultural.

Este livro deve permanecer aberto à revisão, ao diálogo e à participação comunitária. A conferência de datas, acontecimentos, grafias e informações históricas fortalecerá sua qualidade pedagógica, enquanto a validação dos conhecimentos tradicionais assegurará o respeito à memória coletiva.

Que esta obra contribua para aproximar a escola da comunidade, fortalecer a identidade Kariri-Xocó e manter viva a palavra dos antepassados.





GLOSSÁRIO DA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ



A


Abati-uaupé — Arroz.

Aiby Uanieá — De Indígenas.

Aindzu — Mar.

Anran Karaí — Homem Branco.

Antse — Natureza.

Arankié — Céu.


B


Batti — Estrela, ano.

Battiá — Estrelas.

Batti, Yâ Ikirã — Ano de 1960, conforme a expressão contextual apresentada nos textos.

Bacobá — Banana.

Baté-jú Uanieá — Colônia Indígena.

Bechiéá — Roças.

Behedzí — Melancia.

Bewó Renghe — Tronco Velho.

Bidzamu — Pajé; guardião espiritual.

Bihéuché Uanieá Radá — Os primeiros tempos do indígena na Terra.

Batti, Ucheatti Kayaku — Calendário lunar, conforme a expressão contextual do texto.

Buyê — Grande Fogueira; espaço de reunião e transmissão da tradição oral.

Bypeddá — Campo de futebol.


C


Claixiúa-lhá — Nome pelo qual os indígenas Fulni-ô chamavam o padre Alfredo Dâmaso.

Cradzó — Boi.

Crikié — Orações cristãs.

Cródzu — Porto.

Curé — Porco.

Cunhenhé Uanieá — Posto Indígena.

Cunhenhé Uanieá Claixiúa-lhá — Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso.


D


Dhaera — Região.

Dubuherí Samy — Mestre da Cultura.

Dutoá — Avô do Fogo.

Dzeye Kaiahoho — Guardiões do Passado.

Dzúnike — Avó da Água.

Dzurichi — Lagoa Comprida.


E


Eraandzi (Eráandzi) — Farmácia.

Eraibáme Dzu — Estação de Água Tratada.

Eracróunhá — Casa de Pedra e Tijolo.

Erádékan — Polo Base de Saúde.

Erádzó — Enfermaria.

Erá — Casa.

Eraháebé — Casa de Taipa e Telha.

Erapyupé — Casa de Palha de Arroz.

Erátekié — Colégio; escola, conforme o contexto.

Erátekié Uanieá — Escola Indígena.

Erantoá — Igreja.

Erintuca — Ovelha.


I


Iaboe Woroyá Idzeá Tsehoá — Mistura Histórica de Muitos Povos.

Ibiróá — Ambos os lados.

Igaborou — Cavalo.

Içá Kayaku — Lua das Formigas.

Iraminõn — O "Mel especial". Nome de ancião citado na tradição oral e na história do resgate linguístico.

Ireçê — O que  ‘vem da corrente da água’.
Nome de ancião citado na memória ancestral.

Iuwó Merata — Estrada de Ferro.

Iuwóiró — Rodovia.

Iworó — Redondo.

Iwo — Rio.

Iwoá — Afluentes.

Izuté Uché Natiáche — Novo Tempo da Aldeia Nova.


H


Honédi Aiby Uanieá, Diretório dos Índios.

Honédi — Diretório.


K


Karaí — Brancos.

Kariri-Xocó Cródzu — Porto, expressão apresentada no contexto da formação do nome Porto Real do Colégio.

Kayaku — Lua.

Kenhéá — Costumes.

Keríá — Animais.

Keríerá — Animais domésticos.

Króeránaí — Porto Real do Colégio.

Kûá — Baía do Mar.


M


Matikay — Ritual do Ouricuri.

Meretá — Ferro.

Mŷcrisãsaí — Década.

Mydzé — Pesca.


N


Namorcaraí — Rei; aparece também na expressão Namorcaraí Peró, Rei de Portugal, e na expressão Namorcaraí Watidatè, Reino do Brasil.

Natiá — Aldeia.

Natiá Uolidze Opará — Aldeia na Foz do Rio.

Naticróbeá — Povoações, vilas e cidades.

Naticróraí — Povoação.

Natianie Dó Naticróraí — De Aldeia Indígena à Cidade dos Brancos, conforme o título apresentado no texto.

Nanhe — Chefe político; cacique.

Nhenetíá — Tradições.

Nikedda — Avó da Terra.

Namorcaraí Watidatè — Reino do Brasil.

Nunú Peró — Língua Portuguesa.


O


Opará — Rio São Francisco; nome ancestral do grande rio.


P


Peró — Português.

Pitédzu — Rede Hidráulica.

Pitéhine — Rede de Energia Elétrica.

Pribâ — Conjunto habitacional de 25 casas, conforme o texto.

Puruá Kayaku — Lua das Flores.


R


Radá — Terra.

Radacró — Calçamento de pedras de paralelepípedo.

Radamu Opará — Baixo São Francisco.

Radda — Mundo.

Rengheá — Mais velhos.

Renghe Dzeye Kaiahoho — Anciãos Guardiões do Passado, conforme o título do capítulo.

Retséá — Florestas.

Retsé Matikay — Floresta do Ouricuri.

Riné — Carne Salgada.

Rocruté — Roupas de pano.


S


Samy — Cultura.

Sitó — Caçada.

Sonsé — Criador; aquele a quem o texto atribui a criação do mundo.

Sumarãtó — Os Dois Avôs Sagrados.

Sumanike — As Duas Avós Sagradas.

Swbatekié — Conhecimentos acumulados.


T


Tadê — Nome do conjunto residencial mencionado no texto.

Tayâ — Década de 2000, conforme a nomenclatura temporal apresentada.

Tayâ Bâkri — Década de 2010, conforme a nomenclatura temporal apresentada.

Tayâpri — Década de 2020, conforme a nomenclatura temporal apresentada.

Tokuane (Uanie) — Indígena; a forma efetivamente registrada nos textos é Uanie.

Toklikli Nunuá — Línguas Indígenas.

Toá — Avôs; pessoas mais velhas que transmitem ensinamentos ancestrais.

Tokenhé Antoá — Antepassados Sagrados.

Tseho — Povo.

Tsehoá — Povos.

Tupãsy — Missão religiosa, conforme o contexto apresentado.

Tupãsy Marãe'ỹba Rekogaba — Missão de Nossa Senhora da Conceição.


U


Ubáye Cruté — Grande Canoa de Pano.

Ubuá — Plantas das grandes florestas.

Ucheatti Kayaku — Calendário Lunar.

Uché — Tempo.

Uchéba — Tempo vivido.

Uché Beté Anran Karaí — Tempo da Chegada do Homem Branco.

Uché Tokenhé — Tempo dos Antepassados.

Uché Woroy Tokli — Tempo da História Oral.

Uchebatti Santoá — Calendário dos Santos.

Uanie — Indígena.

Uanieá — Indígenas.

Uanieá Radá — Terra Indígena, conforme a expressão apresentada no texto.

Undé Maní — Lugar Longe.

Upuhtoá — Avô do Vento.

Urobi — Notícia.

Uocró Idabacrú — Ponte sobre o Rio Opará.

Urubumirim — Nome histórico de uma fazenda e localidade mencionado no texto.


W


Wanheré Cradzó — Fazenda de Gado.

Wanheré Uanhícó — Fazenda Sementeira.

Waré — Padres jesuítas e capuchinhos, conforme o contexto do texto.

Warudókli — Televisor.

Wathõ — Bode.

Watidatè — Brasil.

Watidatè Yetsoeho — Brasil República.

Woderáehó — Ruas retas e alinhadas.

Woderáehó Uanie — Rua dos Índios.

Wontyrõ — Mutirão.

Worobü Woroyá — Contadores de histórias.

Worobu Uché Karaí — Novo Tempo dos Brancos.

Woroyá — Histórias; narrativas transmitidas pela tradição oral.

Woroy Crodíba Tseho — História e Resistência do Povo.

Woroy Yetsoeho Watidatè Apage Uanieá — História Republicana do Brasil com a Exclusão Indígena.

Wãmyá — Peixes.


Y


Yâ Ikirã Keñe — Década de 1970.

Yâ Ikirã Soñe — Década de 1960.

Yâmadê Biñe — Década de 1990.

Yâmadê Tañe — Década de 1980.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. Especialmente artigos 231 e 232. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm?utm_source=chatgpt.com . Acesso em: 20 out. 2026. 


BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Brasília, DF: Presidência da República.


BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.


BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CEB nº 5, de 22 de junho de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica.


BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.


BRASIL. Decreto nº 6.861, de 27 de maio de 2009. Dispõe sobre a Educação Escolar Indígena e sua organização em territórios etnoeducacionais. Brasília, DF, 2009.


BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF, 1996.


BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial a temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Brasília, DF, 2008.


BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em:


https://basenacionalcomum.mec.gov.br/ . Acesso em: 14 out. 2026.


BRASIL. Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.


HOHENTHAL JR, William Dalton. As Tribos Indígenas do Médio e Baixo São Francisco. In: Revista do Museu Paulista. Volume XII. Nova Série: São Paulo, 1960, p. 37-86.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Kuatçó Hibuyêwohoá: pintura corporal — memória, grafismos e saberes da tradição Kariri-Xocó. 2026. Disponível em:



KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Sugestões de Números Um até Um Bilhão. Disponível em:



KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Tokenhé Antoá Bihéuché: os antepassados sagrados dos primeiros tempos. 2026. Disponível em: 



MATA, Vera Lúcia Calheiros da [1989]. A Semente da Terra. Identidade e conquista territorial por um grupo indígena integrado. Tese (Doutorado em História dos Índios Cariri-Xocó em Porto Real do Colégio). Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. 2014. 360 p.


MELO, Mário. Os Carnijós de Águas Belas. Recife: Diário Oficial do Jornal do Recife. 1929.


NANTES, Bernardo de. Catecismo índico da língua kariris. Reimpressão da edição de 1709. Leipzig: B. G. Teubner, 1896.


PINTO Estevão. Estórias e lendas indígenas. Seção E (História e Geografia), 15. Recife: Faculdade de Filosofia de Pernambuco, Universidade do Recife. 1955. Disponível em: Estórias e Lendas Indígenas (Pinto 1955) - Biblioteca Digital Curt Nimuendajú. Acesso em 19 abr. 2024.


QUEIROZ, José Márcio Correia de. Um estudo gramatical da língua Dzubukuá, família Karirí. 2012. Tese (Doutorado) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2012. Apêndice: Vocabulário Dzubukuá-Português, p. 398-427.


RIBEIRO, Berta G. Arte indígena, linguagem visual. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1989.


RIBEIRO, Getúlio. Princípios para o ensino sobre as músicas indígenas brasileiras. Olhares & Trilhas, Uberlândia, v. 20, n. 1, p. 136–145, 2018. DOI:



RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. O artigo definido e os numerais na língua Kiriri: Vocabulários Português-Kiriri e Kiriri-Português. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, Brasília, v. 4, n. 2, dez. 2012.


SIQUEIRA, Baptista. Os Cariris do Nordeste. Rio de Janeiro: Livraria Editora Cátedra, 1978. 


SUZART, Elizabete Costa. Dicionário Cultural Kariri-Xocó: forma de ocupar a língua portuguesa como direito à memória e cidadania cultural. Tese (Doutorado em Crítica Cultural) – Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Alagoinhas, 2025. 




SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é apresentado nesta obra como autor comprometido com a preservação e a transmissão da memória ancestral de seu povo. Seu trabalho busca valorizar a tradição oral, os conhecimentos dos mais velhos, a história territorial e a importância da língua e da cultura Kariri-Xocó para as novas gerações.

Por meio desta proposta pedagógica, o autor pretende contribuir para que professores e estudantes conheçam a história de sua comunidade, reconheçam a importância dos antepassados e compreendam os processos de resistência e continuidade cultural.

Sua trajetória biográfica, suas experiências comunitárias, suas contribuições para o registro linguístico e suas referências ancestrais poderão ser ampliadas nesta seção com informações fornecidas ou aprovadas pelo próprio autor.





ORIENTAÇÕES PARA A VERSÃO DEFINITIVA DO LIVRO

Antes da publicação, recomenda-se:

* Revisar a grafia, a pronúncia e os significados dos termos Kariri-Xocó com pessoas indicadas pela comunidade.

* Conferir datas, acontecimentos, nomes de instituições e informações territoriais em fontes históricas.

* Validar os textos de tradição oral com seus detentores, respeitando conhecimentos restritos.

* Completar os dados da biografia do autor conforme sua vontade.

* Providenciar a ficha catalográfica definitiva e um ISBN válido, caso a obra seja publicada formalmente.

* Revisar as atividades pedagógicas com professores e representantes da educação escolar indígena.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó


 


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

RUHÚÁ SAMY MEPLIAPÉ: ARTES, CULTURA E CONEXÃO DA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ — ENSINO FUNDAMENTAL





Autor, organizador e curador: Nhenety Kariri-Xocó
Local: Porto Real do Colégio – Alagoas
Ano: 2026




1. FALSA FOLHA DE ROSTO

RUHÚÁ SAMY MEPLIAPÉ

Artes, Cultura e Conexão da Língua Kariri-Xocó — Ensino Fundamental

Uma proposta educativa de valorização da língua, da arte, da memória ancestral e dos conhecimentos culturais do povo Kariri-Xocó.

Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – AL

2026




2. FOLHA DE ROSTO

RUHÚÁ SAMY MEPLIAPÉ: ARTES, CULTURA E CONEXÃO DA LÍNGUA KARIRI-XOCÓ — ENSINO FUNDAMENTAL

Esta obra propõe um percurso educativo pelas relações entre língua, arte, natureza, espiritualidade, história, alimentação, objetos tradicionais e transformações culturais do povo Kariri-Xocó.

Por meio de narrativas, vocabulários, observações, desenhos, pesquisas e atividades escolares, o livro procura aproximar as novas gerações dos saberes transmitidos pelos antepassados e contribuir para a continuidade da memória cultural.

Autor, organização e curadoria: Nhenety Kariri-Xocó

Local de elaboração: Porto Real do Colégio – Alagoas

Ano: 2026




3. VERSO DA FOLHA DE ROSTO

Nota editorial

Este livro é uma obra educativa e cultural dedicada ao registro, à reflexão e à valorização de conhecimentos associados ao povo Kariri-Xocó.

Os textos apresentam interpretações culturais e propostas pedagógicas organizadas pelo autor. As grafias, os significados e os usos dos vocábulos em língua Kariri-Xocó devem ser conferidos com pessoas reconhecidas pela comunidade como conhecedoras da língua e de seus contextos culturais.

A publicação não pretende substituir a tradição oral, os ensinamentos comunitários nem a autoridade dos detentores dos conhecimentos tradicionais.

Nota sobre o código editorial: eventual código interno de organização bibliográfica é apenas identificador particular da obra. Não equivale a ISBN oficial, ficha catalográfica emitida por profissional habilitado ou registro institucional.

Direitos e usos: recomenda-se solicitar autorização para reproduzir textos, imagens, depoimentos, conhecimentos tradicionais e materiais pertencentes a terceiros ou à comunidade. A divulgação de conhecimentos sagrados, restritos ou sensíveis deve respeitar as decisões comunitárias.





4. MODELO DE FICHA CATALOGRÁFICA

Nhenety Kariri-Xocó.

Ruhúá Samy Mepliapé: artes, cultura e conexão da língua Kariri-Xocó — Ensino Fundamental / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL, 2026.

Obra educativa e cultural sobre língua, arte, memória, conhecimentos tradicionais e práticas pedagógicas Kariri-Xocó.

Assuntos:

Língua Kariri-Xocó.

Educação escolar indígena.

Arte e cultura indígena.

Memória e tradição oral.

Práticas pedagógicas interculturais.

Modelo preliminar para revisão e elaboração de ficha catalográfica definitiva.




5. ISBN SIMBÓLICO 

Identificação editorial provisória

ISBN: não atribuído.

Para fins de organização do projeto, a obra poderá utilizar um código interno de catálogo, como:


RCX-2026-RSM-001

Esse código é apenas identificador interno do projeto. Não constitui ISBN oficial e não deve ser apresentado como número ISBN em registros bibliográficos ou comerciais.




6. PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




7. ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó




8. APRESENTAÇÃO DO AUTOR

A palavra que guarda a memória

Este livro nasce do desejo de registrar, organizar e compartilhar conhecimentos relacionados à língua, à arte e à cultura do povo Kariri-Xocó. Seu propósito é aproximar os estudantes das histórias, dos vocabulários, das expressões artísticas e das experiências culturais que participam da vida de nossa comunidade.

A língua de um povo não é apenas um conjunto de palavras. Ela também pode guardar lembranças, maneiras de observar a natureza, formas de nomear os objetos, conhecimentos sobre a vida coletiva e modos de compreender o mundo.

A arte, por sua vez, manifesta ideias, sentimentos, experiências e memórias. O corpo pintado, os adornos, os objetos, a cerâmica, os instrumentos musicais, as narrativas e as danças constituem possibilidades de expressão cultural. Cada manifestação precisa ser compreendida em seu contexto, respeitando os significados que lhe são atribuídos pela comunidade.

Ao organizar este material, desejo contribuir para que crianças e jovens encontrem na escola oportunidades de conhecer, pesquisar, registrar e valorizar os saberes de seu povo. O livro também procura estabelecer conexões entre os conhecimentos tradicionais e os recursos educativos contemporâneos.

Que as páginas desta obra sirvam como ponto de encontro entre gerações: os mais velhos, que guardam e compartilham experiências; os professores, que orientam a aprendizagem; e os estudantes, que darão continuidade à construção da memória.

Nhenety Kariri-Xocó
Contador de histórias e organizador de conhecimentos culturais.




9. DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos antepassados Kariri-Xocó, aos anciãos e anciãs que preservaram histórias, palavras, costumes e ensinamentos, e às crianças e aos jovens que representam a continuidade da memória de nosso povo.

Dedico também aos professores, pesquisadores, artistas, familiares e conhecedores da cultura que trabalham para que a língua e os saberes tradicionais encontrem espaço na educação.

Que cada estudante compreenda que aprender sobre sua cultura é também reconhecer a dignidade de sua história e a responsabilidade de transmiti-la com respeito.




10. AGRADECIMENTOS

Agradeço aos antepassados, cuja memória inspira esta caminhada; aos familiares e membros da comunidade que compartilham lembranças e conhecimentos; aos educadores que valorizam a cultura indígena; e a todos aqueles que contribuem para o diálogo entre tradição, educação e novas tecnologias.

Agradeço especialmente às pessoas que colaborarem na conferência dos vocábulos, das narrativas e dos significados culturais apresentados nesta obra. Sua participação é essencial para que o material seja fiel à língua e aos conhecimentos da comunidade.

Que o trabalho coletivo fortaleça a educação intercultural e a transmissão responsável dos saberes Kariri-Xocó.




11. EPÍGRAFE

A palavra guarda a lembrança, a arte revela a memória e a educação prepara o caminho das novas gerações.

Reflexão autoral para esta obra.




12. PREFÁCIO

Entre a língua, a arte e a memória

A educação intercultural ganha significado quando permite que os estudantes reconheçam os conhecimentos de sua comunidade como parte importante do processo de aprendizagem. Nesse caminho, língua e arte podem atuar juntas, oferecendo oportunidades para observar, interpretar, registrar e compartilhar experiências.

A presente obra reúne temas relacionados à cosmologia, às cores, aos sinais gráficos, aos antepassados, à natureza, aos adornos, aos alimentos, aos objetos tradicionais, à espiritualidade, ao Toré e às relações culturais entre os povos indígenas e a sociedade envolvente.

O material também propõe atividades para o Ensino Fundamental, incentivando a leitura, a escrita, o desenho, a pesquisa, a oralidade e a produção coletiva. O estudante é convidado a perceber que aprender uma palavra envolve não apenas pronunciá-la, mas também investigar seu significado, seu contexto e sua relação com a vida comunitária.

Por se tratar de uma obra ligada a conhecimentos tradicionais, a consulta aos conhecedores da comunidade deve acompanhar o processo de revisão. A escola pode registrar e estudar saberes autorizados, mas não deve expor aquilo que a comunidade considere sagrado, reservado ou inadequado à divulgação.

Que este livro contribua para uma educação que respeite a diversidade cultural, fortaleça a identidade e incentive a construção de conhecimentos com responsabilidade.




13. INTRODUÇÃO GERAL

A língua como caminho de conhecimento

A língua Kariri-Xocó constitui um dos eixos desta obra. Por meio dela, os estudantes podem investigar palavras, conceitos, narrativas e formas de expressão relacionadas à cultura. Cada vocábulo apresentado oferece uma oportunidade de estudo, desde que sua grafia, seu significado e seu uso sejam compreendidos dentro do contexto adequado.

A arte amplia esse caminho. Pinturas corporais, formas geométricas, adornos, cerâmicas, instrumentos e manifestações coletivas podem ser estudados como expressões de conhecimento, memória e criatividade.

O ensino desses temas não deve se limitar à cópia de desenhos ou à memorização de palavras. É importante que o estudante formule perguntas, escute os conhecedores, compare interpretações autorizadas, registre descobertas e aprenda a respeitar diferentes formas de compreender o mundo.

A proposta deste livro organiza doze unidades temáticas. Cada uma contém uma introdução, uma narrativa cultural resumida, conexões com arte e língua e atividades pedagógicas. Ao final, o projeto Museu Escolar da Memória Viva integra as aprendizagens em uma produção coletiva.

Objetivos gerais

Valorizar a língua e a cultura Kariri-Xocó no ambiente escolar.

Relacionar palavras, narrativas, arte e conhecimentos comunitários.

Desenvolver leitura, escrita, oralidade, observação e expressão artística.

Estimular a pesquisa com familiares, professores e conhecedores autorizados.

Reconhecer a importância da natureza e da vida coletiva.

Promover o respeito à diversidade cultural e aos direitos dos povos indígenas.

Produzir registros educativos que possam ser utilizados pelas novas gerações.

Orientações ao professor

As atividades devem ser adaptadas à idade, à série e às condições de aprendizagem da turma. Sempre que possível, o professor deve trabalhar com pessoas da comunidade que tenham conhecimento sobre o tema estudado.

Os desenhos e as produções artísticas dos estudantes não devem ser apresentados automaticamente como reproduções autênticas de grafismos tradicionais. É importante distinguir a criação escolar inspirada em um tema da reprodução de uma expressão cultural específica.

Antes de registrar depoimentos, fotografar pessoas, gravar cantos ou publicar materiais, solicite as autorizações necessárias. Conhecimentos sagrados ou restritos não devem ser coletados ou divulgados sem consentimento explícito.




14. SUMÁRIO

1. Falsa Folha de Rosto

2. Folha de Rosto

3. Verso da Folha de Rosto

4. Modelo de Ficha Catalográfica

5. ISBN Simbólico

6. Prefácio Oficial da Coleção

7. Esclarecimento do Autor

8. Apresentação do Autor

9. Dedicatória

10. Agradecimentos

11. Epígrafe

12. Prefácio

13. Introdução Geral

14. Sumário

15. Desenvolvimento das Unidades de Ensino

Unidade I — Banran Radda Kuatçó: Origem do Mundo na Pintura Corporal

Unidade II — Antse Kuatçóá: A Natureza das Cores

Unidade III — Mecáto Samy: O Poder dos Sinais na Cultura

Unidade IV — Tokenhé Antoá Bihéuché: Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos

Unidade V — Ninoá Raddá Tokenhé Antoá: A Criação do Mundo pelos Antepassados Sagrados

Unidade VI — Daclonto Upuhtoá Antoá: Adornos do Avô dos Ventos

Unidade VII — Canghité Bechié Keriá: Coisas Boas, Roça e Animais

Unidade VIII — Bunióto Ruñohú: Os Artefatos de Poder e a Cerâmica

Unidade IX — Canghité Anhíantoá: Coisas Boas Espirituais

Unidade X — Toré Kariri-Xocó: Memória, Cultura e Espiritualidade

Unidade XI — Amíá Uanieá Nhenetí: Culinária Indígena Kariri

Unidade XII — Samy Uanieá Caraí: Cultura Indígena e Portuguesa

16. Projeto Integrador — Escolar da Memória Viva

17. Modelo de Plano de Aula

18. Glossário Kariri-Xocó-Português

19. Considerações Finais

20. Referências e Fontes de Consulta

21. Sobre o Autor

22. Etapas Editoriais para a Publicação

Mensagem Final da Obra




15. DESENVOLVIMENTO DAS UNIDADES DE ENSINO 


UNIDADE I — BANRAN RADDA KUATÇÓ: ORIGEM DO MUNDO NA PINTURA CORPORAL



1. Apresentação do tema


A pintura corporal pode ser estudada como uma forma de expressão artística que relaciona corpo, identidade, natureza e memória. Em diferentes contextos indígenas, as pinturas possuem significados específicos, que precisam ser compreendidos a partir dos conhecimentos de cada povo.

Nesta unidade, o estudante é convidado a refletir sobre a relação entre a criação do mundo, a observação da natureza e a expressão artística. A proposta é compreender que as cores e as formas podem transmitir ideias e significados, sem reduzir a pintura corporal a uma simples decoração.


2. Banran Radda Kuatçó: Origem do Mundo na Pintura Corporal 


Na tradição oral Kariri, Banran Radda Kuatçó — Origem do Mundo na Pintura Corporal — narra a criação do universo como parte de um sistema ancestral de conhecimentos que une cosmologia, natureza, identidade, educação, história e espiritualidade. No princípio, Sonsé, o Deus primordial dos Kariri, criou Sáuatçó, a origem das cores, enquanto Kotçó, o preto e o escuro, envolvia Radda, o Mundo, no silêncio e no grande mistério da existência. Das cinzas do mundo antigo, Bydíá, Sonsé soprou Rabynhiu, o Carvão da Eternidade, dando origem a Ikúmuipú, a Nebulosa, de onde surgiu Bihédu, o Primeiro Fogo, anunciando Hine, a Luz. Em seguida, Sonsé estendeu Arãkieruté, o grande Pano do Céu, formando o universo, espalhando Battiá, as Estrelas, colocando Ukie, o Sol, para iluminar o dia, e Cayaku, a Lua, para guardar a noite. Assim, essa narrativa ancestral transmite, pela tradição oral, a memória sagrada da criação do mundo e o significado espiritual das cores na pintura corporal Kariri.

A interpretação cosmológica apresentada pelo autor, a criação do mundo está relacionada à manifestação de forças e elementos que dão origem à luz, ao céu e aos corpos celestes. A narrativa menciona Sonsé e a sequência de acontecimentos associados ao surgimento de uma paisagem cósmica, na qual nebulosas, luzes, estrelas, Sol e Lua participam da formação do universo.

Nesse contexto, a pintura corporal, identificada pelo vocábulo Kuatçó Hibuyêwohoá, pode ser abordada como uma linguagem visual que relaciona o corpo humano à compreensão da existência. Os termos Sáuatçó, Kotçó, Rabynhiu, Bihédu e Arãkieruté integram o vocabulário temático proposto para esta unidade e devem ser estudados conforme seus significados confirmados pela comunidade.

A narrativa convida a turma a refletir sobre como os povos constroem explicações para a origem do mundo e como essas explicações podem ser transmitidas por palavras, imagens e histórias.


3. Arte, língua e cultura


O professor pode apresentar imagens de fenômenos naturais, como o céu noturno, a luz solar, as estrelas e as formas das nuvens. Os estudantes poderão observar linhas, pontos, contrastes e movimentos, relacionando essas características à composição visual.

A atividade não deve inventar significados tradicionais para os grafismos. Quando houver exemplos autênticos, sua utilização deverá ser autorizada e acompanhada da explicação de pessoas conhecedoras.


4. Atividades pedagógicas


Escute a narrativa apresentada pelo professor e identifique os elementos naturais mencionados.

Registre em seu caderno as palavras Kariri-Xocó estudadas e seus significados confirmados.

Desenhe uma paisagem celeste utilizando pontos, linhas e formas.

Escreva um pequeno texto sobre a relação entre natureza, memória e arte.

Converse com o professor sobre a diferença entre um desenho autoral e um grafismo tradicional.


5. Registro de aprendizagem


Tema: Origem do mundo e pintura corporal.

Palavras estudadas:
__________________________________

O que aprendi: _______________________________________

Fonte da informação: _________________________________

O que ainda precisa ser confirmado: ___________________



UNIDADE II — ANTSE KUATÇÓÁ: A NATUREZA DAS CORES

1. Apresentação do tema

As cores estão presentes na natureza, nas paisagens, nos alimentos, nos materiais e nas produções artísticas. Elas ajudam a perceber contrastes, diferenças, luminosidade e formas.

Nesta unidade, os estudantes vão explorar as cores como elementos visuais e conhecer um conjunto de vocábulos apresentado pelo autor para o estudo da cor na língua Kariri-Xocó.

2. Antse Kuatçóá: A Natureza das Cores 

Os antigos Kariri contava-se na tradição oral que Becu, o Branco, nasceu das Bydíá, as Cinzas, e coloriu Arãkieruté, o grande Pano do Céu, trazendo a pureza, a lembrança e o renascimento de todas as coisas; Hé, o Vermelho, surgiu de Bihédu, o Primeiro Fogo, espalhando a força, o calor e a pulsação da vida; Erã, o Amarelo, nasceu de Hine, a Luz, que iluminou a Radá, a Terra, por meio de Ukie, o Sol, e Cayaku, a Lua, fazendo brilhar as plantas e toda a criação; enquanto Cracú, o Azul, vestiu Arankié, o Céu, refletindo sua imensidão sobre as Dzuá, as águas dos rios, lagoas e mares. Assim, cada cor guarda uma memória sagrada da criação, revelando a ligação entre o céu, a terra, o fogo, a luz e as águas, conforme os ensinamentos transmitidos de geração em geração pela tradição oral.

O tema Antse Kuatçóá reúne a reflexão sobre as cores e suas relações com a observação do mundo. O vocabulário proposto inclui:

Becu: branco.

Hé: vermelho.

Erã: amarelo.

Cracú: azul.

Essas correspondências são apresentadas como parte do material de estudo e devem ser conferidas quanto à grafia, à pronúncia e ao uso linguístico.

As cores podem ser encontradas em diferentes elementos naturais: o branco pode aparecer em determinadas pedras, flores e nuvens; o vermelho, em frutos, solos e flores; o amarelo, na luz do Sol e em sementes; e o azul, no céu e em certas paisagens aquáticas.

Essas associações servem como ponto de partida para a observação. Os significados culturais das cores, quando existirem, devem ser explicados por pessoas que conheçam seus usos na comunidade.

3. Arte, língua e cultura

O estudo das cores permite desenvolver percepção visual, vocabulário, classificação e composição artística. Os alunos podem criar uma cartela de cores utilizando lápis, tintas ou materiais disponíveis na escola.

É importante distinguir a observação da natureza dos significados culturais específicos. Uma cor pode ter sentidos diferentes conforme o contexto, o objeto e a tradição.

4. Atividades pedagógicas

Observe o ambiente escolar e identifique objetos com as quatro cores estudadas.

Escreva cada vocábulo ao lado da cor correspondente, após conferir a informação.

Produza um desenho de uma paisagem utilizando as cores escolhidas.

Registre quais cores aparecem com maior frequência em seu entorno.

Converse sobre a importância de não atribuir significados culturais sem uma fonte confiável.

5. Registro de aprendizagem

Cor que mais observei: _______________________________

Vocábulo estudado: __________________________________

Exemplo encontrado na natureza: ______________________

O que aprendi sobre as cores: _________________________



UNIDADE III — MECÁTO SAMY: O PODER DOS SINAIS NA CULTURA

1. Apresentação do tema

Os sinais visuais permitem comunicar ideias por meio de linhas, pontos, formas e combinações. Eles podem aparecer em desenhos, mapas, placas, objetos, tecidos e manifestações artísticas.

Nesta unidade, a turma estudará como as formas podem organizar uma mensagem e como é importante conhecer o contexto de cada sinal antes de interpretá-lo.

2. Mecáto Samy: O Poder dos Sinais na Cultura 

A sabedoria dos sinais sagrados representada no Mecáto Samy, pela tradição oral, nasceram com a criação do mundo e permanecem vivos na memória e na cultura do povo. Iworó é o círculo sagrado que simboliza a forma arredondada do Ukie (Sol), da Cayaku (Lua), das Battiá (Estrelas) e da Radá (Terra); Herité representa as ondas das Dzuá (Águas), os Boêdoá (Morros), o Wonhé (Canto), a palavra e a Samy (Memória e Cultura); Soncaru expressa a ponta da flecha e a forma triangular das Siririté (Serras); Purúhe revela a beleza das flores das Ubuá (Plantas), que cobrem as Retséá (Florestas) e abrigam os seres vivos; e Nhiró é o corpo pintado, a roupa sagrada do Uanie (Indígena), que carrega os ensinamentos ancestrais e mantém viva a ligação espiritual com a natureza, desde o princípio da criação. Assim, cada sinal é uma palavra ancestral desenhada, uma memória viva transmitida de geração em geração, que ensina ao povo a reconhecer sua origem, sua identidade e seu lugar no mundo.

O tema Mecáto Samy propõe uma reflexão sobre os sinais como elementos da expressão cultural. O vocabulário apresentado pelo autor inclui:

Iworó: círculo.

Herité: ondas.

Soncaru: forma descrita no material como ponta de flecha triangular.

Purúhe: formas florais.

Nhiró: pintura corporal.

Essas palavras compõem o conjunto vocabular proposto para a unidade e precisam ser conferidas com os conhecedores da língua.

O círculo pode ser estudado como uma forma geométrica; as ondas podem ser observadas em movimentos da água; as formas triangulares aparecem em diferentes objetos; e as flores oferecem exemplos de estruturas visuais variadas.

Entretanto, uma forma geométrica não possui necessariamente o mesmo significado em todas as culturas. O significado de um sinal tradicional depende de sua história, de seu uso e das explicações fornecidas pela comunidade.

3. Arte, língua e cultura

O professor pode trabalhar com formas geométricas básicas e incentivar os estudantes a produzir composições próprias. Os alunos também podem analisar símbolos de uso cotidiano, como placas e sinais de orientação, comparando suas funções.

Quando forem estudados grafismos Kariri-Xocó específicos, a turma deverá utilizar apenas exemplos cuja apresentação tenha sido autorizada.

4. Atividades pedagógicas

Identifique círculos, triângulos e linhas onduladas no ambiente.

Desenhe três sinais criados por você para representar ideias do cotidiano.

Explique por escrito o que cada sinal autoral significa.

Compare sua criação com um exemplo tradicional autorizado, se houver.

Reflita sobre por que não devemos inventar o significado de um grafismo de outro povo.

5. Registro de aprendizagem

Forma estudada: _____________________________________

Meu sinal autoral representa: _________________________

Vocábulo Kariri-Xocó confirmado: ______________________

Fonte cultural consultada: ____________________________



UNIDADE IV — TOKENHÉ ANTOÁ BIHÉUCHÉ: OS ANTEPASSADOS SAGRADOS DOS PRIMEIROS TEMPOS


1. Apresentação do tema


As narrativas sobre os antepassados ajudam diferentes comunidades a transmitir concepções sobre a origem da vida, a natureza e a organização do mundo. Elas também expressam relações entre gerações e formas de compreender a responsabilidade humana.

Esta unidade apresenta uma reflexão sobre os antepassados sagrados, respeitando a importância cultural e espiritual das narrativas.


2. Tokenhé Antoá Bihéuché: Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos 


Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos, Tokenhé Antoá Bihéuché, segundo a tradição oral, quando caminhavam próximos às forças criadoras do mundo e transmitiam os ensinamentos fundamentais da existência: Upuhtoá, o Avô do Vento, senhor das brisas e dos sopros invisíveis; Dutoá, o Avô do Fogo, força da luz e do calor; Nikedda, a Avó da Terra, fonte de fertilidade, abrigo e sustento; e Dzúnike, a Avó da Água, guardiã das chuvas, dos rios e das lagoas que alimentam a vida. Esses ancestrais sagrados habitam Natiankié, a Aldeia Espiritual, situada no Arankié, o Céu, onde formam Antsetçoeyorã, a Família Sagrada, permanecendo em espírito e sabedoria junto aos seus descendentes, orientando a caminhada do povo Kariri-Xocó e preservando os ensinamentos ancestrais transmitidos de geração em geração.

O título Tokenhé Antoá Bihéuché está relacionado, no material do autor, aos antepassados sagrados dos primeiros tempos.

A narrativa organiza quatro elementos associados a esses antepassados:

Upuhtoá: Avô do Vento.

Dutoá: Avô do Fogo.

Nikedda: Avó da Terra.

Dzúnike: Avó da Água.

O conjunto convida o estudante a observar a importância dos elementos naturais para a existência. O vento participa dos movimentos do ar; o fogo pode produzir calor e luz; a terra sustenta plantas e animais; e a água é indispensável à vida.

A proposta educativa não pretende reduzir os antepassados a simples representações dos elementos naturais. Seu propósito é estudar a narrativa conforme a interpretação apresentada pelo autor e aprofundar seus significados com pessoas autorizadas pela comunidade.



3. Arte, língua e cultura


O tema permite desenvolver desenhos, mapas conceituais e textos sobre a relação entre os seres humanos e a natureza. O professor pode discutir a importância da água, da proteção do solo, do cuidado com o fogo e da preservação dos ambientes naturais.

Os conteúdos espirituais devem ser abordados de acordo com as orientações comunitárias, sem transformar conhecimentos restritos em material escolar de divulgação.


4. Atividades pedagógicas


Faça uma lista das maneiras pelas quais a água participa da vida cotidiana.

Observe como o vento movimenta folhas, galhos e outros materiais leves.

Produza um desenho que represente a relação entre a terra, a água, o ar e o fogo.

Registre os vocábulos estudados após sua conferência.

Escreva uma reflexão sobre a responsabilidade humana diante da natureza.


5. Registro de aprendizagem


Elemento natural estudado: ___________________________

Vocábulo correspondente: ____________________________

Importância para a vida: ______________________________

Fonte autorizada: ___________________________________




UNIDADE V — NINOÁ RADDÁ TOKENHÉ ANTOÁ: A CRIAÇÃO DO MUNDO PELOS ANTEPASSADOS SAGRADOS



1. Apresentação do tema


As narrativas de criação apresentam maneiras de explicar como o mundo se formou e como os seres humanos se relacionam com a natureza. Elas fazem parte das tradições de diferentes povos e devem ser estudadas com respeito às particularidades de cada comunidade.

Nesta unidade, o estudante conhecerá uma organização narrativa que relaciona os antepassados, os elementos naturais e a formação da vida.


2. Ninoá Raddá Tokenhé Antoá: A Criação do Mundo pelos Antepassados Sagrados


A Criação do Mundo pelos Ninoá Raddá Tokenhé Antoá, conforme a tradição oral Kariri, os Sumarãtó, os Dois Avôs Sagrados, Upuhtoá, o Avô do Vento, e Dutoá, o Avô do Fogo, uniram suas forças sagradas e deram origem às Batti, as estrelas brilhantes que iluminam o universo; enquanto Sumanike, as Duas Avós, Nikedda, a Avó da Terra, e Dzúnike, a Avó da Água, fizeram nascer as Ubuá, plantas de muitas formas e utilidades que florescem nas Retseá, as grandes florestas. Dessa união sagrada dos elementos nasceu Uanie, o Indígena, formado pelo corpo da Terra, pelo sangue da Água, pela energia vital do Fogo e pela respiração do Vento, que anima todos os seres, ensinando-nos que a humanidade, a natureza e o universo estão unidos pelo sopro sagrado da criação e pela sabedoria ancestral.

Na interpretação apresentada pelo autor, a narrativa menciona Sumarãtó, relacionado a dois avôs, Upuhtoá e Dutoá, associados ao vento, ao fogo e à presença das estrelas; e Sumanike, relacionado a duas avós, Nikedda e Dzúnike, associadas à terra, à água e ao desenvolvimento das plantas.

A narrativa também apresenta Uanie, o ser humano, em uma composição simbólica que reúne terra, sangue e água, energia do fogo e respiração do vento.

Essa imagem convida à reflexão sobre a relação entre a humanidade e os elementos naturais. O corpo humano depende do ambiente, da água, do ar, dos alimentos e de condições que permitam a continuidade da vida.

A narrativa deve ser compreendida como uma interpretação cultural específica, e não como uma explicação científica universal sobre a formação do universo. As duas formas de conhecimento podem ser estudadas em seus próprios contextos, sem que uma seja apresentada como simples substituta da outra.



3. Arte, língua e cultura


Os estudantes podem construir um painel que represente as relações entre o ser humano, a terra, a água, o ar, o fogo e as plantas. O professor pode orientar a turma a utilizar setas, palavras e desenhos para demonstrar essas conexões.

A atividade também permite comparar diferentes gêneros de conhecimento: narrativa tradicional, explicação científica, poema e desenho.



4. Atividades pedagógicas


Organize os elementos da narrativa em um mapa conceitual.

Escreva um parágrafo sobre a dependência humana em relação à natureza.

Produza uma ilustração que mostre relações entre pessoas, plantas, água e ar.

Identifique a diferença entre uma narrativa cultural e um texto científico.

Converse sobre a importância de respeitar os conhecimentos tradicionais.



5. Registro de aprendizagem


Personagem ou termo estudado: ________________________

Relação com a natureza: ______________________________

O que a narrativa me ensinou: _________________________

Questões para conversar com o professor: ______________



UNIDADE VI — DAKLONTO UPUHTOÁ ANTOÁ: ADORNOS DO AVÔ DOS VENTOS



1. Apresentação do tema


Os adornos podem reunir conhecimentos sobre materiais, técnicas de produção, ambiente, identidade e expressão artística. Sua compreensão exige atenção aos contextos em que são utilizados e aos significados que lhes são atribuídos.

Nesta unidade, o estudante investigará os adornos apresentados no material do autor e refletirá sobre a relação entre arte, natureza e cultura.


2. Daclonto Upuhtoá Antoá: Adornos do Avô dos Ventos 


Segundo a tradição oral Kariri-Xocó, nos primórdios da criação do mundo, Upuhtoá, o Avô dos Ventos e antepassado sagrado, enviou aos Uanieá, os indígenas, os Dakloneá, adornos sagrados transmitidos pelos Ieende, os pássaros e as aves, que ofereciam alimento e suas belas penas. O Dakloro, adorno dos braços, simbolizava força, coragem e compromisso com a comunidade; o Dakloene, adorno das orelhas, ensinava a ouvir os anciãos, os antepassados e os sinais da natureza; e o Daklowõ, adorno das pernas, lembrava a importância de seguir os caminhos corretos e honrar a memória ancestral. A Iaru, flecha, e a Toriaru, zarabatana, representavam a habilidade, a disciplina e a união com os espíritos guardiões da floresta, enquanto o Tçambusebé, cocar sagrado feito de penas das aves, simbolizava proteção espiritual, sabedoria e conexão com Upuhtoá, mantendo viva a herança sagrada transmitida de geração em geração.

O tema Daklonto Upuhtoá Antoá reúne um conjunto de termos relacionados aos adornos e a elementos da tradição. O vocabulário proposto inclui:

Dakloneá — Adornos       

Dakloro — Adornos dos braços   

Dakloene — Adorno das orelhas     

Daklowõ — Adornos das pernas     

Iaru: flecha.

Toriaru: zarabatana.

Tçambusebé: cocar ou adorno de cabeça, conforme a descrição apresentada pelo autor.

Os significados específicos dos quatro primeiros termos devem ser completados após conferência com os conhecedores da língua.

A narrativa relaciona o tema a Upuhtoá, o avô dos ventos, e à presença de aves e penas. Essa associação permite refletir sobre a observação da natureza e sobre o conhecimento dos materiais utilizados na produção de objetos culturais.

A abordagem escolar deve evitar a coleta de penas, plantas ou outros materiais da fauna e da flora sem autorização e sem considerar as normas de proteção ambiental. Modelos didáticos podem ser elaborados com papel, fibras artificiais e outros materiais seguros.



3. Arte, língua e cultura


O professor pode apresentar diferentes técnicas de composição, montagem e organização de materiais. Os estudantes poderão observar simetria, textura, equilíbrio, repetição e contraste.

A produção de um objeto escolar inspirado no estudo dos adornos deve ser identificada como criação pedagógica, não como reprodução autêntica de um adorno tradicional.


4. Atividades pedagógicas


Pesquise, quais materiais podem ser utilizados na produção de adornos.

Identifique formas, texturas e padrões em objetos culturais apresentados pela comunidade.

Crie um adorno artístico com materiais reutilizáveis, respeitando as orientações do professor.

Registre o nome e o significado confirmado dos vocábulos estudados.

Converse sobre a importância de proteger os animais e o ambiente.


5. Registro de aprendizagem


Objeto estudado: ____________________________________

Material utilizado: __________________________________

Vocábulo confirmado: ________________________________

Minha criação escolar: _______________________________




UNIDADE VII — CANGHITÉ BECHIÉ KERIÁ: COISAS BOAS, ROÇA E ANIMAIS


1. Apresentação do tema


A agricultura, a criação de animais, a coleta de alimentos e a convivência comunitária fazem parte das relações entre os seres humanos e a natureza. O conhecimento sobre sementes, plantas, solos, animais e ciclos de cultivo pode ser transmitido por meio da observação e da experiência.

Esta unidade propõe estudar o vocabulário relacionado às plantações e aos animais, valorizando o trabalho coletivo e o cuidado com a terra.


2. Canghité Bechié Keriá: Coisas Boas, Roça e Animais 


Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos, Tokenhé Antoá Bihéuché, na tradição oral, ensinaram ao povo os conhecimentos do plantio das Bechié, as roças, onde Cópiné, as sementes sagradas, faziam nascer Masiche, o milho, e Ghinhé, o feijão, alimentos que sustentavam a vida comunitária. Ao redor da Buyê, a Grande Fogueira, os anciãos compartilhavam Woroyá, as histórias ancestrais, transmitindo Swbatekié, os conhecimentos de geração em geração. Na Picriá, a Grande Casa Coletiva, formou-se a Natiá, a aldeia, onde as famílias viviam em união, respeitando a natureza e os espíritos. Na Retsé, a floresta, habitavam os Keriá, os animais, como Buké, o veado-do-mato, Suét, o tatu, e Kaplan, o jabuti, que também contribuíam para a alimentação do povo, fortalecendo a relação sagrada entre a terra, a floresta, os antepassados e a continuidade da vida Kariri.

O tema Canghité Bechié Keriá reúne palavras relacionadas aos alimentos, às áreas de cultivo, aos encontros comunitários e aos animais.

No vocabulário apresentado pelo autor, aparecem:

Cópiné: sementes.

Masiche: milho.

Ghinhé: feijão.

Bechié: roças ou áreas de cultivo, conforme o contexto descrito.

Buyê: fogueira.

Swbatekié: conhecimento.

Picriá: casa coletiva, conforme a descrição apresentada.

Keriá: animais.

Buké: veado.

Suét: tatu.

Kaplan: tartaruga.

As palavras e seus usos devem ser conferidos com os falantes e conhecedores da língua.

A narrativa destaca a relação entre o plantio, os alimentos, os animais e a transmissão do conhecimento. A roça pode ser compreendida como espaço de trabalho, observação e aprendizagem. A reunião ao redor da fogueira, quando fizer parte das práticas locais, pode oferecer ocasião para a partilha de histórias e experiências.



3. Arte, língua e cultura


A turma pode produzir um calendário ilustrado de plantio, uma coleção de desenhos de sementes ou um mapa dos alimentos conhecidos na comunidade. O professor deve evitar apresentar calendários agrícolas como universais, pois os períodos de plantio variam de acordo com o clima, o local e as práticas comunitárias.

O estudo dos animais pode incluir suas características, seus habitats e sua importância ecológica. Animais silvestres devem ser tratados com respeito, sem incentivo à captura ou à perturbação de seus ambientes.

4. Atividades pedagógicas

Identifique sementes utilizadas na alimentação da comunidade, com autorização.

Faça um desenho de uma roça e indique suas principais partes.

Registre palavras relacionadas ao cultivo e aos animais.

Pesquise quais cuidados ajudam a conservar o solo e a água.

Elabore com a turma um pequeno painel sobre o valor do trabalho coletivo.


5. Registro de aprendizagem


Semente ou alimento estudado: ________________________

Vocábulo em Kariri-Xocó: _____________________________

Conhecimento aprendido: _____________________________

Pessoa ou fonte consultada: __________________________




UNIDADE VIII — BUNIÓTO RUÑOHÚ: OS ARTEFATOS DE PODER E A CERÂMICA


1. Apresentação do tema


Os objetos produzidos por uma comunidade podem atender a necessidades cotidianas, expressar criatividade, guardar memórias e participar de práticas culturais. Suas formas, materiais e técnicas revelam conhecimentos transmitidos entre gerações.

Nesta unidade, os estudantes observarão artefatos, instrumentos e peças de cerâmica, respeitando os significados culturais e os limites de divulgação de cada objeto.



2. Bunióto Ruñohú: Os Artefatos de Poder e a Cerâmica 


Na tradição oral dos antigos Kariri-Xocó, os Bunióto Ruñohú, os artefatos de poder e a cerâmica, representam os conhecimentos sagrados transmitidos pelos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados, que uniam o mundo material ao espiritual. Por meio da Uaplu, a arte da caça, e do Mydzé, a arte da pesca, utilizavam o Seridzé, o arco, e o Yaclaro, o anzol, para obter os Keriá, animais, e os Wãmyá, peixes, necessários à sobrevivência. Com a Ruñohú, a arte da cerâmica, moldavam o barro da terra para produzir o Runhú, panela destinada ao preparo dos alimentos; o Ruño, pote para armazenar água; e o Aribé, prato utilizado nas refeições. Também confeccionavam o Buiú, talha funerária sagrada, destinada aos rituais de sepultamento dos mortos, preservando os costumes ancestrais, a memória dos antepassados e a continuidade dos saberes tradicionais de geração em geração.

O tema Bunióto Ruñohú apresenta um conjunto de termos relacionados aos artefatos, à caça, à pesca, aos instrumentos e à cerâmica.

O vocabulário fornecido pelo autor inclui:

Bunióto: artefatos.

Uaplu: caça.

Mydzé: pesca.

Seridzé: arco.

Yaclaro: anzol.

Ruñohú: cerâmica.

Runhú: pote de barro.

Ruño: jarro.

Aribé: prato.

Buiú: recipiente funerário, conforme a descrição do material.

Os significados, a pronúncia e os contextos de uso devem ser verificados com pessoas conhecedoras da língua e da cultura.

A cerâmica pode ser estudada por suas características materiais: a argila, a modelagem, a forma, a textura e as transformações que ocorrem durante a produção. Os objetos também podem carregar histórias e sentidos que vão além de sua função prática.

O estudo de artefatos associados à caça, à pesca ou a práticas funerárias exige cuidado especial. O professor deve priorizar informações autorizadas e evitar a reprodução de conhecimentos restritos ou de objetos cerimoniais sem orientação comunitária.


3. Arte, língua e cultura


Os estudantes podem observar recipientes e objetos cotidianos, descrevendo sua forma, material, finalidade e processo de produção. A turma também pode criar recipientes escolares com argila apropriada ou massa de modelar, distinguindo claramente essas produções didáticas dos objetos tradicionais.



4. Atividades pedagógicas


Escolha um objeto cotidiano e descreva sua forma e função.

Desenhe um recipiente, identificando suas partes.

Registre os vocábulos confirmados e seus significados.

Compare objetos feitos de barro, madeira, metal e materiais modernos.

Reflita sobre como os objetos podem guardar memórias de uma comunidade.



5. Registro de aprendizagem


Objeto estudado: ____________________________________

Material de que é feito: ______________________________

Função conhecida: ___________________________________

Significado cultural confirmado: _______________________




UNIDADE IX — CANGHITÉ ANHÍANTOÁ: COISAS BOAS ESPIRITUAIS



1. Apresentação do tema


A espiritualidade faz parte das experiências culturais de muitas comunidades. Ela pode estar relacionada a valores, práticas coletivas, instrumentos, narrativas e maneiras de compreender a vida.

Esta unidade propõe estudar o tema com respeito, reconhecendo que nem todos os conhecimentos espirituais são destinados à divulgação pública ou à reprodução em atividades escolares.



2. Canghité Anhíantoá: Coisas Boas Espirituais 


As Coisas Boas Espirituais, Canghité Anhíantoá, na tradição oral dos antigos Kariri-Xocó, representa os conhecimentos e objetos sagrados que mantêm viva a comunicação com as forças da criação. O Pawí, cachimbo de pau, e o Tané, fumo cultivado nos arredores da aldeia, acompanham os momentos de oração, reflexão e elevação dos pensamentos aos seres sagrados, preservando os ensinamentos ancestrais. Já Canghité Wonhé, as Coisas Boas de Cantar e Tocar, reúne a Buibú, maraca, e o Badá, flauta, instrumentos que despertam a memória dos primeiros tempos, fortalecem a união comunitária e transmitem, de geração em geração, a espiritualidade, a sabedoria e o respeito à tradição dos povos Kariri-Xocó.

O tema Canghité Anhíantoá aborda conhecimentos associados à dimensão espiritual, conforme a organização apresentada pelo autor.

O vocabulário fornecido inclui:

Pawí: cachimbo de madeira, segundo a descrição do material.

Tané: tabaco.

Canghité Wonhé: expressão a ser conferida em seu significado e contexto.

Buibú: maracá.

Badá: flauta.

Esses termos devem ser conferidos com conhecedores da língua e da cultura. A descrição de objetos não substitui a compreensão de seus usos e significados.

Instrumentos musicais e objetos tradicionais podem ter funções diferentes conforme a ocasião e o contexto. Por isso, o professor deve evitar afirmar que um objeto possui sempre a mesma finalidade espiritual.

Quando houver práticas restritas, a escola deverá respeitar os limites definidos pela comunidade. Não é necessário realizar rituais ou reproduzir práticas espirituais para estudar a importância da cultura.


3. Arte, língua e cultura


O estudo pode incluir a observação de instrumentos musicais autorizados, a descrição de seus materiais e a discussão sobre som, ritmo e memória.

A turma também pode refletir sobre o respeito às crenças e práticas culturais, reconhecendo que o ambiente escolar deve ser acolhedor e não discriminatório.



4. Atividades pedagógicas


Observe um instrumento musical autorizado e descreva suas características.

Registre os vocábulos estudados após conferência.

Escreva um texto sobre o respeito às diferentes expressões culturais.

Identifique quais informações podem ser divulgadas e quais exigem autorização.

Produza um cartaz sobre o respeito à diversidade cultural.



5. Registro de aprendizagem


Instrumento ou termo estudado: _______________________

Informação autorizada para registro: __________________

O que aprendi sobre respeito cultural: _________________

Orientação recebida: __________________________________




UNIDADE X — TORÉ KARIRI-XOCÓ: MEMÓRIA, CULTURA E ESPIRITUALIDADE



1. Apresentação do tema


O Toré constitui uma manifestação cultural de grande importância para diversos povos indígenas do Nordeste, assumindo características próprias em cada comunidade. Sua compreensão exige atenção às experiências, aos significados e às orientações dos próprios participantes.

Nesta unidade, o Toré é abordado como tema de memória, expressão coletiva e identidade Kariri-Xocó, respeitando os contextos específicos de cada manifestação.



2. Toré Kariri-Xocó: Memória, Cultura e Espiritualidade 


Na tradição oral do povo Kariri-Xocó, o Toré é a expressão viva da memória, da cultura e da espiritualidade ancestral, transmitindo de geração em geração os ensinamentos que fortalecem a identidade e a união da aldeia. O Toré do Piwonhé celebra o casamento e a formação de novas famílias; o Toré Wonhénhá acompanha a despedida dos que partem para o Natiankié, a Aldeia Espiritual dos antepassados; o Toré Uide agradece as vitórias, a saúde, a paz e a resistência do povo; o Toré Wontseho Atseá acolhe os visitantes e celebra a fraternidade entre os povos; o Toré Santoá Usarunghí reúne a comunidade em torno da fogueira, das celebrações de Santo Antônio, São João e São Pedro, ligadas ao amor, ao milho e às chuvas; o Toré Curoté agradece a fartura do milho verde e a colheita das Bechiéá, as roças; e o Toré Hietçãdékiete homenageia Nossa Senhora da Conceição, unindo diferentes expressões da tradição espiritual. Assim, cada canto, cada dança e cada ritual mantêm viva a história dos antigos, renovam os laços comunitários e reafirmam a força, a resistência e a continuidade do povo Kariri-Xocó.

O material apresentado pelo autor reúne diferentes denominações de Toré associadas a ocasiões e sentidos culturais específicos:

Toré do Piwonhé: relacionado, na descrição do autor, ao casamento.

Toré Wonhénhá: associado à despedida ou ao luto.

Toré Uide: relacionado à vitória, à resistência ou à gratidão.

Toré Wontseho Atseá: associado à recepção e à fraternidade.

Toré Santoá Usarunghí: relacionado às fogueiras de junho e à colheita, conforme a interpretação apresentada.

Toré Curoté: associado à colheita do milho verde.

Toré Hietçãdékiete: relacionado a Nossa Senhora da Conceição no material do autor.

Essas denominações e associações devem ser verificadas com os conhecedores e participantes autorizados. Não se deve presumir que todos os nomes, ocasiões e significados sejam usados da mesma maneira por todas as famílias ou em todos os contextos.

O Toré pode ser estudado como manifestação de continuidade cultural, convivência e transmissão de conhecimentos. Sua compreensão envolve ouvir a comunidade e reconhecer que certas dimensões não devem ser gravadas, reproduzidas ou divulgadas sem consentimento.


3. Arte, língua e cultura


A turma pode estudar a importância das manifestações coletivas por meio de relatos autorizados, textos, desenhos e registros históricos. O professor pode trabalhar com ritmo, organização do grupo, memória oral e formas de participação comunitária.

A escola não deve transformar uma prática cultural em apresentação obrigatória nem exigir que estudantes reproduzam cantos, danças ou rituais. O estudo pode ocorrer por meio de relatos e materiais autorizados, respeitando as decisões da comunidade.



4. Atividades pedagógicas


Leia ou escute uma explicação autorizada sobre o Toré.

Registre os vocábulos e os significados confirmados.

Escreva sobre a importância da memória coletiva.

Identifique os cuidados necessários antes de gravar ou publicar uma manifestação cultural.

Produza um texto sobre a responsabilidade de transmitir conhecimentos entre gerações.



5. Registro de aprendizagem


Manifestação estudada: ______________________________

Fonte autorizada: ___________________________________

O que aprendi sobre a memória coletiva: ______________

Cuidados para preservar o conhecimento: ______________




UNIDADE XI — AMÍÁ UANIEÁ NHENETÍ: CULINÁRIA INDÍGENA KARIRI 


1. Apresentação do tema


A alimentação reúne conhecimentos sobre plantas, sementes, preparo de alimentos, utensílios, memória familiar e convivência comunitária. As práticas alimentares também podem revelar relações com o território e com a transmissão de saberes entre gerações.

Nesta unidade, os estudantes investigarão vocábulos relacionados à culinária apresentados pelo autor, valorizando a alimentação como tema cultural, educativo e cotidiano.


2. Amíá Uanieá Nhenetí: Culinária Indígena Kariri


A Culinária Indígena Kariri é uma herança ancestral transmitida pela tradição oral, em que os mais velhos ensinam às novas gerações os saberes dos alimentos, dos utensílios e das técnicas de preparo que sustentam a vida do povo. Entre as comidas tradicionais, destacam-se o Amíá Nhenetí, preparado com os dons da natureza; a mandioca (Muicú), transformada em farinha (Sekiki), beijú (Waraeró) e bolos como Saredu, Woudu e Waredú; o milho (Masiche), cozido ou assado como Madzó; o feijão (Ghinhé), a abóbora (Eremú), a banana (Bacobá) e outros legumes (Tudjeá). Na preparação, utilizam-se a panela de barro (Runhú), o prato de barro (Aribá ou Aribé), o espeto (Babasité), o moquém (Badzuru) e a técnica de assar alimentos em covas sob a terra (Creyá). A culinária também incorpora alimentos e costumes introduzidos ao longo do contato com os colonizadores, como a carne bovina (Crodzó), a carne salgada (Riné) e o vinho de uva (Yeru), além de bebidas tradicionais, como o Nhupy. Assim, cada alimento, palavra e modo de preparo guarda a memória dos antepassados, reafirmando a identidade, a resistência cultural e a continuidade dos saberes do povo Kariri para as futuras gerações.

O material do autor apresenta uma lista de palavras relacionadas à culinária e a alimentos:

Amíá Nhenetí, Babasité, Runhú, Aribá/Aribé, Saredu, Woudu, Waraeró, Masiche, Sekiki, Ghinhé, Eremú, Muicú, Crodzó, Yeru, Badzuru, Creyá, Bacobá, Madzó, Nhupy, Riné, Tudjeá e Waredú.

A lista constitui um ponto de partida para a pesquisa. Os significados específicos de cada termo devem ser preenchidos após consulta aos conhecedores da língua e às pessoas que dominam as práticas culinárias correspondentes. Não é adequado atribuir ingredientes, receitas ou modos de preparo a esses vocábulos sem confirmação.

A culinária pode ser estudada por meio da memória de quem prepara os alimentos, dos utensílios utilizados, das ocasiões em que certas comidas são servidas e das relações entre alimentação e ambiente.


3. Arte, língua e cultura


A turma pode organizar um caderno ilustrado de alimentos, registrando apenas informações autorizadas. Também pode investigar a origem de ingredientes, as etapas de preparo de uma receita compartilhada voluntariamente e os cuidados de higiene necessários.

Receitas tradicionais não devem ser publicadas com o nome de uma pessoa ou da comunidade sem consentimento. O registro deve distinguir aquilo que foi observado, aquilo que foi relatado e aquilo que ainda precisa de confirmação.



4. Atividades pedagógicas


Converse com familiares sobre alimentos conhecidos na comunidade.

Registre uma receita apenas se a pessoa responsável autorizar sua divulgação.

Desenhe os ingredientes e os utensílios utilizados.

Organize um vocabulário culinário com termos confirmados.

Discuta a importância da alimentação saudável, da higiene e do aproveitamento responsável dos alimentos.



5. Registro de aprendizagem


Alimento ou receita estudada: ________________________

Vocábulo confirmado: ________________________________

Pessoa que compartilhou o conhecimento: ______________

Autorização para divulgação: _________________________

O que aprendi: ______________________________________




UNIDADE XII — SAMY UANIEÁ CARAÍ: CULTURA INDÍGENA E PORTUGUESA



1. Apresentação do tema


As relações entre povos e culturas produzem encontros, conflitos, trocas, mudanças e novas formas de expressão. Estudar essas relações exige reconhecer a história de cada povo, as diferenças culturais e o direito à continuidade das identidades indígenas.

Nesta unidade, os estudantes investigarão palavras relacionadas à cultura, à língua, às manifestações artísticas e às tecnologias, conforme o material organizado pelo autor.



2. Samy Uanieá Caraí: Cultura Indígena e Portuguesa 


No contexto da tradição oral Kariri, Samy representa a cultura e a memória, Uaniá identifica o indígena e Caraí denomina os brancos, entre eles os portugueses e outros povos que chegaram às nossas terras. Nessa convivência de saberes, os antigos transmitiam suas memórias por meio do Wonhé, o tocar, cantar e fazer música; do Toráunie, a dança indígena; do Toráhekié Caraí e do Torásamyá Caraí, as danças de diversão e as manifestações culturais dos brancos; das Amara Caraí, cantigas dos brancos, e da Marãbohó, música nativa. O Worobü Woroyá, contador de histórias, e o Dubuherí Samy, mestre da cultura, guardam e ensinam os conhecimentos ancestrais, enquanto o Benhekié, o brincar, e o Inhaehi, o fazer e realizar, fortalecem a aprendizagem coletiva. O corpo, Buiehoho, expressa-se no movimento e no girar, Terébuieho, perpetuando gestos e tradições. Com o passar do tempo, a memória também encontrou novos caminhos nas tecnologias: Piteiatekié, a internet; Pitsohó, as redes sociais; Pité Uanieá Piteiatekié, a rede dos indígenas on-line; e os instrumentos de comunicação, como o Craiwonpiwon, o Crai­wonhé, o Cramycá Samyonhé, o Cramysawa, o Craiwopewa, o Crameokli, o Warudókli e o Tokliddaysã, que representam aparelhos de música, gravação, imagem, rádio, televisão e telefone celular. Assim, a tradição oral Kariri permanece viva, unindo os ensinamentos dos antigos às novas formas de comunicação, preservando a identidade, a memória e a riqueza cultural de nossos povos para as futuras gerações.

O tema Samy Uanieá Caraí propõe refletir sobre as relações entre cultura indígena e cultura portuguesa, bem como sobre as transformações decorrentes do contato entre sociedades.

O vocabulário apresentado pelo autor inclui termos associados à cultura e à vida coletiva, como Samy, Uanie, Caraí, Wonhé, Toráunie, Toráhekié Caraí, Torásamyá Caraí, Worobü Woroyá, Dubuherí Samy, Benhekié, Inhaehi, Buiehoho e Terébuieho.

O material também apresenta palavras relacionadas à comunicação e à tecnologia, como:

Pité Uanieá Piteiatekié: expressão associada, no material do autor, à Rede Índios On-Line.

Pitsohó: redes sociais.

Piteiatekié: Internet.

Craiwonpiwon: aparelho de reprodução de CD, caixa roda pequena que toca e canta.

Crai-wonhé: toca-discos, a caixa roda toca e canta.

Cramycá Samyonhé: gravador de voz, a caixa que canta memórias.

Cramysawa: videocassete, a caixa de fita que gravava imagens.

Cra­iwopewa: aparelho de DVD, a caixa roda e mostra imagem.

Crameokli: rádio, a caixa que fala.

Warudókli: televisão, o espelho que fala.

Tokliddaysã: telefone celular, conforme a descrição fornecida.

As grafias e correspondências devem ser revisadas e padronizadas com a comunidade. Os termos acima são apresentados como vocabulário de trabalho do autor, não como lista linguística definitivamente validada.

A unidade permite refletir sobre a presença de tecnologias em diferentes períodos históricos. A oralidade, a escrita, o rádio, os meios audiovisuais, a Internet e as redes sociais oferecem possibilidades distintas de transmitir histórias e conhecimentos. Seu uso pode contribuir para a preservação cultural, desde que haja responsabilidade na seleção e na divulgação dos conteúdos.

A abordagem histórica também deve evitar tratar as culturas indígenas e portuguesas como blocos uniformes. Existem diferenças internas, mudanças ao longo do tempo e experiências diversas de contato. O estudo deve reconhecer tanto as trocas culturais quanto as relações de desigualdade e resistência presentes na história.


3. Arte, língua e cultura


Os estudantes podem comparar diferentes formas de comunicação: conversa, narrativa oral, carta, livro, rádio, vídeo e publicação digital. A turma pode discutir quais recursos são mais adequados para preservar uma história e quais cuidados são necessários ao compartilhar informações na Internet.

Também pode ser desenvolvido um projeto de registro de memória com entrevistas autorizadas, fotografias consentidas e textos escritos pelos estudantes.


4. Atividades pedagógicas


Registre palavras relacionadas à cultura e à tecnologia, após conferência.

Faça uma linha do tempo dos meios de comunicação conhecidos pela comunidade.

Compare a transmissão oral de uma história com seu registro escrito.

Produza uma pequena narrativa cultural autorizada para o mural escolar.

Converse sobre privacidade, consentimento e proteção de conhecimentos tradicionais na Internet.



5. Registro de aprendizagem


Tecnologia estudada: _________________________________

Vocábulo confirmado: ________________________________

Forma de comunicação escolhida: ______________________

Cuidados para compartilhar informações: ______________




16. PROJETO INTEGRADOR — MUSEU ESCOLAR DA MEMÓRIA VIVA



1. Apresentação


O Museu Escolar da Memória Viva é uma proposta de aprendizagem coletiva que reúne as experiências desenvolvidas nas doze unidades. Seu objetivo é organizar uma exposição educativa sobre língua, arte, cultura, natureza e memória Kariri-Xocó, com participação da comunidade e respeito aos conhecimentos autorizados.

O museu pode ser organizado em uma sala, biblioteca, mural, caderno coletivo ou ambiente digital. Não precisa possuir objetos raros ou peças antigas: desenhos, textos, mapas, vocabulários e relatos autorizados também podem compor a exposição.



2. Objetivos


Integrar os conteúdos estudados ao longo do livro.

Desenvolver pesquisa, escrita, desenho e trabalho coletivo.

Valorizar a participação dos conhecedores da comunidade.

Criar registros educativos que possam ser consultados futuramente.

Aprender a distinguir informação pública, informação que exige autorização e conhecimento restrito.



3. Etapas de realização


Etapa 1 — Planejamento: escolher os temas e organizar os grupos.


Etapa 2 — Pesquisa: reunir palavras, histórias e informações autorizadas.


Etapa 3 — Conferência: revisar grafias, significados, legendas e fontes com o professor e os conhecedores consultados.


Etapa 4 — Produção: preparar cartazes, textos, desenhos, mapas, modelos e registros de áudio ou vídeo quando autorizados.


Etapa 5 — Organização: dividir a exposição por temas e preparar legendas claras.


Etapa 6 — Apresentação: compartilhar o resultado com a comunidade escolar, respeitando os limites de divulgação.


Etapa 7 — Avaliação: registrar o que foi aprendido e o que precisa ser pesquisado posteriormente.


4. Sugestões de estantes ou núcleos temáticos


Língua e vocabulário Kariri-Xocó.

Natureza, cores e formas.

Narrativas e memória ancestral.

Arte, adornos e cerâmica.

Agricultura, animais e alimentação.

Toré, manifestações culturais e memória coletiva.

Cultura, comunicação e tecnologias.

Produções dos estudantes.


5. Ficha de registro cultural


Título do registro: ___________________________________

Tema: _______________________________________________

Vocábulo ou expressão: _______________________________

Significado confirmado: ______________________________

Pessoa ou fonte consultada: __________________________

Data do registro: ____________________________________

Autorização para uso escolar: _________________________

Autorização para divulgação pública: __________________

Há restrições de acesso ou reprodução? _________________

Observações: ________________________________________


A ficha ajuda a documentar a origem das informações e a evitar que interpretações pessoais sejam confundidas com conhecimentos tradicionais confirmados.




17. MODELO DE PLANO DE AULA

Tema: Língua, arte e memória cultural Kariri-Xocó

Público: Ensino Fundamental, com adaptações conforme a série.

Duração sugerida: duas aulas de 50 minutos.

Objetivos específicos

Identificar palavras relacionadas ao tema escolhido.

Relacionar vocabulário, observação e expressão artística.

Produzir um registro escrito ou visual.

Reconhecer a importância de confirmar informações culturais.

Respeitar os conhecimentos e os limites de divulgação definidos pela comunidade.

Conteúdos

Vocabulário Kariri-Xocó.

Arte e expressão visual.

Narrativa cultural.

Registro de memória.

Respeito à diversidade e aos conhecimentos tradicionais.

Recursos

Livro e caderno.

Lápis, papel e materiais artísticos.

Imagens autorizadas.

Vocabulários conferidos.

Materiais de consulta fornecidos pelo professor.

Desenvolvimento

Primeira aula — Leitura e diálogo

O professor apresenta o tema e lê o texto da unidade. A turma identifica palavras desconhecidas, formula perguntas e registra as informações que precisam de confirmação.

Em seguida, o professor promove uma conversa sobre a relação entre língua, arte e cultura. Os estudantes são incentivados a distinguir o que está confirmado, o que é interpretação e o que ainda necessita de pesquisa.

Segunda aula — Produção e registro

Os estudantes desenvolvem um desenho, um pequeno texto, um mapa conceitual ou uma ficha vocabular relacionada ao tema.

Ao final, cada estudante apresenta sua produção e explica o que aprendeu. Os trabalhos poderão integrar o Museu Escolar da Memória Viva, desde que seu conteúdo seja apropriado para divulgação.

Avaliação

A avaliação poderá considerar:

Participação nas atividades.

Compreensão do tema.

Uso cuidadoso do vocabulário.

Clareza do registro escrito ou visual.

Capacidade de identificar fontes e dúvidas.

Respeito às orientações culturais e ao trabalho coletivo.

Adaptações

Para turmas em alfabetização, o professor pode utilizar desenhos, associação entre imagem e palavra, leitura compartilhada e produção oral. Para estudantes de séries mais avançadas, pode propor pesquisa orientada, produção de textos, entrevistas autorizadas e comparação entre diferentes fontes.



18. GLOSSÁRIO KARIRI-XOCÓ–PORTUGUÊS

O glossário abaixo reúne uma seleção dos vocábulos presentes no material original. Os significados são apresentados conforme as referências apresentadas sobre a língua Kariri e Kariri-Xocó.

A — C

Vocábulo  — Significado apresentado                      

Amíá Nhenetí — Comidas tradicionais.                     

Amara Caraí — Cantigas dos brancos.                        

Anhí — Espírito.     

Antse Kuatçóá — Natureza das cores.            

Arãkieruté — Grande pano do céu. 

Aribé / Aribá — Prato de barro.                         

Badá — Flauta. 

Babasité — Espeto para assar carne. 

Badzuru — Moquém.              

Battiá — Estrelas.                                    

Bechié — Roça. 

                                   
Becu — Branco, cor.                                       

Benhekié — Brincar.                                  

Bihédu — Primeiro fogo.                                 

Bihéuché  — Primeiros tempos                             

Bohé — Coletivo.                            

Buibú — Maracá.                                 

Buiú — Talha funerária.                              

Buiehoho — Corpo. 

                                       
Buké — Veado-do-mato.                               

Bunióto — Artefatos de poder. 

                      
Buyê — Grande fogueira.                             

Cópiné — Sementes.                                    

Cracú — Azul.      

                                
Craiwonhé — Toca-discos. 

                      
Craiwonpiwon — CD player.                                  

Craiwopewa — DVD player. 

                                
Cramycá Samyonhé — Gravador de voz. 

                   
Cramysawa — Videocassete. 

                                
Crameokli — Rádio.                                       

Crodzó — Carne bovina.                                 

Creyá — Técnica de assar em covas. 

            
Curoté — Termo presente na denominação do Toré Curoté. 

D — H

Dakloneá — Adornos. 

                                                
Dakloene — Adorno das orelhas.

                                      
Dakloro — Adornos dos braços. 
                               

Daklowõ — Adornos das pernas. 

                               
Daklonto Upuhtoá Antoá — Adornos do Avô dos Ventos.                                

Doboherí Nunúanie — Professor de Língua Indígena.                             

Duboruhú — Professor de Arte. 

                                   
Dubosamy — Professor de Cultura. 

                              
Dubuherí Samy — Mestre da Cultura. 

                                    
Dutoá — Avô do Fogo. 

                                       
Dzúnike — Avó da Água. 

                                      
Erã — Amarelo. 

                                                
Eremú — Abóbora. 

                                             
Ghinhé — Feijão. 

                                       
Hé — Vermelho. 

                                             
Herité — Desenho das ondas. 

                                 
Hine — Luz. 

                                                   
Hibuyêwohoá — Pintura corporal, conforme o contexto do texto. 

Hibuyêwoho — Corpo, conforme o vocabulário geral fornecido. 

Iaru — Flecha.                                                   

Ieende — Pássaros e aves. 

                                  
Iewóá — Gratidão. 
                                           

Inatekié — Obrigado. 

                                           
Inhaehi — Fazer passes, segundo o texto. 

                     
Iworó — Círculo.                                                

Kaplan — Jabuti.                                              

Keriá — Animais. 

                                               
Kotçó — Preto e escuro. 

                                      
Kuatçó Hibuyêwohoá — Pintura corporal. 

                                 
Madzó — Milho verde assado. 

                                
Marãbohó — Música nativa. 
                           

Masiche — Milho. 

                                                
Mecáto Samy — Poder dos sinais na cultura. 

                           
Muicú — Mandioca. 

                                           
Mydzé — Arte da pesca. 
                           

Natiá — Aldeia. 

                                           
Natiankié — Aldeia espiritual. 

                               
Nhiró — Corpo pintado. 

                                    
Nikedda — Avó da Terra. 

                                   
Ninoá Raddá Tokenhé Antoá — Criação do mundo pelos antepassados sagrados. 
 

Nhupy — Bebida de milho fermentada, conforme descrição do autor 



P — S


Pawí — Cachimbo de pau. 

                                         
Picriá — Grande casa coletiva. 

                                     
Pidékan — Saúde. 

                                                      
Piteiatekié — Internet. 

                                              
Pitsohó — Redes sociais.

                                               
Purúhe — Pintura floral. 

                                         
Radda / Radá — Terra, conforme o contexto. 

                                   
Rabynhiu — Carvão da eternidade. 

                                     
Retséá — Grandes florestas. 

                                 
Retsé — Floresta. 

                                             
Riné — Carne salgada. 

                                      
Ruñohú — Cerâmica. 

                                             
Runhú — Panela de barro. 

                                
Ruño — Pote. 

Sáuatçó — Origem das cores. 

                                         
Samy — Cultura ou memória. 
                                 

Samy Uanieá Caraí — Cultura indígena e portuguesa, conforme o título apresentado.

Saredu — Bolo doce de mandioca. 

                                     
Sekiki — Farinha de mandioca seca e fina.

                          
Seridzé — Arco. 

                                                     
Soncaru — Ponta triangular. 

                                           
Sonsé — Deus primordial dos Kariri, conforme a narrativa do autor. 

Suét — Tatu. 

                                                     
Sumarãtó — Os dois avôs sagrados. 

                                   
Sumanike — As duas avós. 

                                             
Swbatekié — Conhecimentos.     

                                        

T — W


Tané — Fumo.            

                    
Tçambusebé — Cocar sagrado. 
                               

Tokliddaysã — Telefone celular.

                         
Tokenhé Antoá — Antepassados sagrados.

                              
Toráhekié Caraí — Dança de diversão dos brancos. 

                  
Torásamyá Caraí — Danças culturais dos brancos.     
                 

Toráunie — Dança indígena.

Toré do Piwonhé — relacionado, na descrição do autor, ao casamento.

Toré Wonhénhá — associado à despedida ou ao luto.

Toré Uide — relacionado à vitória, à resistência ou à gratidão.

Toré Wontseho Atseá — associado à recepção e à fraternidade.

Toré Santoá Usarunghí — relacionado às fogueiras de junho e à colheita.

Toré Curoté — associado à colheita do milho verde.

Toré Hietçãdékiete — relacionado a Nossa Senhora da Conceição.

                              
Toriaru — Zarabatana. 

                                   
Uanie — Indígena ou ser humano, conforme o contexto narrativo.

Uanieá — Indígenas.
                       

Uaplu — Arte da caça. 
                               

Ubuá — Plantas. 
                                  

Upuhtoá — Avô do Vento.

                                  
Waraeró — Beiju de farinha de mandioca.

                       
Waredú — Bolo de mandioca adoçado com mel de uruçu. 

Warudókli — Televisor. 

                                     
Wonhé — Cantar, tocar ou música. 

                    
Wonhé Caraí — Música dos brancos. 
                   

Worobü Woroyá — Contador de histórias. 

                           
Woudu — Bolo de massa de farinha. 

                    
Yaclaro — Anzol.            




19. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A continuidade da memória

A obra Ruhúá Samy Mepliapé: Artes, Cultura e Conexão da Língua Kariri-Xocó — Ensino Fundamental foi organizada com o propósito de aproximar a educação escolar dos conhecimentos culturais, linguísticos e artísticos do povo Kariri-Xocó.

Ao longo das doze unidades, a língua aparece em relação com a natureza, as narrativas, as formas visuais, os adornos, os alimentos, os objetos, as manifestações coletivas e as tecnologias. Essa organização permite compreender que a aprendizagem cultural não ocorre isoladamente: palavras, histórias, experiências e práticas podem se conectar e formar um conjunto de conhecimentos.

A proposta também reconhece que o registro escrito tem limites. Um livro pode guardar palavras, relatos e reflexões, mas não substitui a experiência de viver a cultura, ouvir os conhecedores e participar da comunidade. Por isso, o material deve permanecer aberto à revisão, à correção e à contribuição de pessoas que dominam os conhecimentos tratados.

A valorização da língua exige cuidado com as grafias, os significados e os contextos de uso. A valorização da arte exige respeito às expressões tradicionais e distinção entre criação escolar e reprodução cultural. A valorização da memória exige consentimento, atribuição das fontes e proteção dos conhecimentos que não devem ser divulgados.

Que este livro seja uma ferramenta para professores e estudantes, um convite à pesquisa e uma contribuição para que as novas gerações reconheçam a importância de sua história.

A memória de um povo continua viva quando é transmitida com responsabilidade, respeito e participação coletiva.





20. REFERÊNCIAS E FONTES DE CONSULTA



BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Decreto nº 6.861, de 27 de maio de 2009. Dispõe sobre a Educação Escolar Indígena e sua organização em territórios etnoeducacionais. Brasília, DF, 2009.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF, 1996.

BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial a temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Brasília, DF, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em:

https://basenacionalcomum.mec.gov.br/ . Acesso em: 14 out. 2026.

BRASIL. Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB nº 5, de 22 de junho de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica. Brasília, DF, 2012.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Kuatçó Hibuyêwohoá: pintura corporal — memória, grafismos e saberes da tradição Kariri-Xocó. 2026. Disponível em:

 https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/kuatco-hibuyewohoa-pintura-corporal.html?m=0 .  Acesso em: 10 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Tokenhé Antoá Bihéuché: os antepassados sagrados dos primeiros tempos. 2026. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tokenhe-antoa-biheuche-os-antepassados.html?m=0 . Acesso em: 10 out. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Toré Kariri-Xocó: memória, cultura e espiritualidade. 2026. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tore-kariri-xoco-memoria-cultura-e.html?m=0 . Acesso em: 11 out. 2026.

NANTES, Bernardo de. Catecismo índico da língua kariris. Reimpressão da edição de 1709. Leipzig: B. G. Teubner, 1896.

QUEIROZ, José Márcio Correia de. Um estudo gramatical da língua Dzubukuá, família Karirí. 2012. Tese (Doutorado) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2012. Apêndice: Vocabulário Dzubukuá-Português, p. 398-427.

RIBEIRO, Berta G. Arte indígena, linguagem visual. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1989.

RIBEIRO, Getúlio. Princípios para o ensino sobre as músicas indígenas brasileiras. Olhares & Trilhas, Uberlândia, v. 20, n. 1, p. 136–145, 2018. DOI:

 https://doi.org/10.14393/OT2018vXX.n.1.136-145.

RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. O artigo definido e os numerais na língua Kiriri: Vocabulários Português-Kiriri e Kiriri-Português. Revista Brasileira de Linguística Antropológica, Brasília, v. 4, n. 2, dez. 2012.

SIQUEIRA, Baptista. Os Cariris do Nordeste. Rio de Janeiro: Livraria Editora Cátedra, 1978. 

SUZART, Elizabete Costa. Dicionário Cultural Kariri-Xocó: forma de ocupar a língua portuguesa como direito à memória e cidadania cultural. Tese (Doutorado em Crítica Cultural) – Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Alagoinhas, 2025. 


VIDAL, Lux (org.). Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. São Paulo: Studio Nobel: EDUSP, 1992.




21. SOBRE O AUTOR



Nhenety Kariri-Xocó é autor, contador de histórias e organizador de conhecimentos culturais relacionados à memória, à língua e à identidade do povo Kariri-Xocó.

Seu trabalho procura reunir narrativas, vocabulários, lembranças, reflexões e propostas educativas, aproximando a tradição oral dos recursos escritos e digitais.

Nesta obra, dedica atenção especial às relações entre arte, língua, cultura, natureza e educação escolar, com o propósito de contribuir para que crianças e jovens tenham acesso a materiais que valorizem sua história e incentivem o respeito aos conhecimentos de seus antepassados.

A produção deste livro integra uma caminhada de registro cultural e de construção de materiais educativos voltados à memória viva da comunidade.



22. ETAPAS EDITORIAIS PARA A PUBLICAÇÃO

Antes de concluir a versão definitiva, recomenda-se seguir estas etapas:

Revisão autoral: verificar se os textos correspondem à intenção e à interpretação do autor.

Conferência linguística: revisar cada vocábulo com pessoas reconhecidas pela comunidade como conhecedoras da língua Kariri-Xocó.

Validação cultural: confirmar as narrativas, os contextos de uso e os significados apresentados.

Consentimento e proteção: verificar autorizações para depoimentos, imagens, cantos, objetos, histórias e outros materiais.

Revisão pedagógica: adaptar as atividades às diferentes séries do Ensino Fundamental.

Revisão ortográfica: corrigir pontuação, concordância, padronização de títulos e consistência do texto.

Revisão bibliográfica: conferir todas as referências realmente utilizadas.

Projeto gráfico: definir formato, margens, fontes, ilustrações, legendas, paginação e capa.

Revisão de provas: examinar a versão diagramada antes da impressão ou publicação digital.

Identificação editorial: incluir ISBN ou ficha catalográfica somente quando obtidos pelos procedimentos apropriados, sem apresentar códigos internos como registros oficiais.

Publicação e preservação: guardar uma cópia final e definir as condições de acesso e compartilhamento.

Atualização futura: permitir correções e acréscimos à medida que novos conhecimentos autorizados forem documentados.




MENSAGEM FINAL DA OBRA

Que cada palavra estudada desperte uma pergunta; que cada pergunta incentive uma pesquisa; que cada pesquisa seja realizada com respeito; e que cada conhecimento autorizado possa contribuir para a formação das novas gerações.

A escola pode ser um lugar de encontro entre a memória dos antepassados e os caminhos do futuro.

Somos guardiões da memória e aprendizes de novos caminhos.

Iewóá — gratidão.





AUTOR:

Nhenety Kariri-Xocó