terça-feira, 4 de agosto de 2026

DUAS MARGENS, UM SÓ POVO: MEMÓRIAS KARIRI-XOCÓ DO OPARÁ





FALSA FOLHA DE ROSTO

DUAS MARGENS, UM SÓ POVO: MEMÓRIAS KARIRI-XOCÓ DO OPARÁ

Nhenety Kariri-Xocó





FOLHA DE ROSTO

DUAS MARGENS, UM SÓ POVO: MEMÓRIAS KARIRI-XOCÓ DO OPARÁ

Memórias, narrativas orais e registros etno-históricos sobre os laços ancestrais entre os povos Kariri e Xocó, unidos pelas águas sagradas do Opará.

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – Alagoas
2026





VERSO DA FOLHA DE ROSTO

Copyright © 2026 – Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados.





FICHA CATALOGRÁFICA (SIMBÓLICA)

Kariri-Xocó, Nhenety.

Duas Margens, Um Só Povo: Memórias Kariri-Xocó do Opará / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Povos Indígenas do Brasil.

Kariri-Xocó.

Xocó.

Memória Oral.

Rio São Francisco – Opará.

História Indígena.





CDD: 980.41

ISBN (Simbólico): 978-65-OPARA-2026-1



PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 




DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos antigos que ensinaram que nenhuma margem existe sozinha. Aos antepassados que habitam as águas do Opará, aos povos Kariri e Xocó, aos que partiram e aos que ainda caminham entre nós. Que seus nomes jamais sejam esquecidos e que suas histórias continuem sendo contadas ao redor do fogo, ao som do maracá e do Toré.






AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, aos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados, por manterem viva a memória de nosso povo. Minha gratidão às famílias Kariri-Xocó e Xocó, aos anciãos que compartilharam seus testemunhos, aos pesquisadores que registraram parte dessa trajetória e a todos os que compreendem que preservar a memória é também um ato de resistência.

Iewóá – Gratidão!





EPÍGRAFE

"Enquanto o Opará correr em direção ao mar, também seguirá correndo a memória daqueles que aprenderam que duas margens podem formar um só povo."



PREFÁCIO DO VOLUME

Este livro nasce do encontro entre a tradição oral e a memória coletiva. Suas páginas não pretendem encerrar uma história, mas abrir caminhos para que ela continue sendo narrada. Cada capítulo é uma travessia pelas águas do Opará, revelando os vínculos que uniram Kariri e Xocó ao longo do tempo. Ao registrar essas lembranças, reafirmamos que a identidade indígena é viva, dinâmica e profundamente enraizada na ancestralidade.



RESUMO

Esta obra apresenta um conjunto de narrativas etno-históricas sobre as relações entre os povos Kariri-Xocó, de Porto Real do Colégio, e Xocó, da Ilha de São Pedro. Baseada na tradição oral, em memórias familiares e em referências bibliográficas, a publicação evidencia os deslocamentos, os rituais, os casamentos interétnicos e os laços de parentesco que consolidaram uma história compartilhada às margens do Rio São Francisco, conhecido pelos povos originários como Opará.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; Xocó; Opará; Memória Oral; História Indígena.




ABSTRACT

This work presents a collection of ethno-historical narratives concerning the relationships between the Kariri-Xocó people of Porto Real do Colégio and the Xocó people of Ilha de São Pedro. Based on oral tradition, family memories, and bibliographical references, the publication highlights journeys, rituals, interethnic marriages, and kinship ties that established a shared history along the São Francisco River, known among Indigenous peoples as Opará.

Keywords: Kariri-Xocó; Xocó; Opará; Oral Memory; Indigenous History.




APRESENTAÇÃO

As águas do Opará são testemunhas de encontros que atravessaram gerações. Este livro reúne vozes que resistiram ao silêncio do tempo, preservando histórias que jamais foram escritas em documentos oficiais, mas permaneceram vivas na palavra dos anciãos.




NOTA DO AUTOR

As narrativas aqui apresentadas são fruto de pesquisas, diálogos comunitários e da tradição oral dos povos Kariri-Xocó e Xocó. Alguns acontecimentos pertencem ao campo da memória coletiva, devendo ser compreendidos como parte do patrimônio imaterial dos povos indígenas do Baixo São Francisco.




MEMÓRIA DO AUTOR

Desde menino, ouvi histórias contadas às margens do Opará. Aprendi que os rios possuem memória e que os nomes dos antigos permanecem vivos enquanto forem pronunciados. Escrever este livro é, para mim, uma forma de devolver aos meus antepassados aquilo que deles recebi: a responsabilidade de lembrar.




APRESENTAÇÃO (INSTITUCIONAL)

Duas Margens, Um Só Povo reafirma a importância da memória oral como instrumento de preservação cultural. Ao registrar as conexões entre Kariri e Xocó, a obra contribui para ampliar o reconhecimento das histórias indígenas do Nordeste brasileiro.




INTRODUÇÃO

O Opará, conhecido pelos não indígenas como Rio São Francisco, é mais do que um curso d'água. Para os povos originários, trata-se de um território de memória, espiritualidade e pertencimento. Ao longo dos séculos, suas águas conectaram aldeias, fortaleceram alianças e permitiram que culturas distintas compartilhassem experiências comuns. Este livro convida o leitor a percorrer essas margens e a compreender como a ancestralidade continua presente no cotidiano dos descendentes.




SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
I – O Chamado do Opará
II – Quando o Opará Unia os Povos
III – As Canoas da Ancestralidade
IV – Os Primeiros Viajantes do Opará
V – O Tempo dos Grandes Rituais
VI – A Hospitalidade das Aldeias
VII – O Toré que Uniu Famílias
VIII – O Círculo Sagrado dos Casamentos
IX – Filhos das Águas e da Memória
X – A Travessia de 1882
XI – O Legado dos Descendentes
XII – Um Só Povo Sob o Mesmo Céu
Considerações Finais
Glossário
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor




I – O CHAMADO DO OPARÁ




Os antigos ensinam que o Opará nunca separou os povos; ao contrário, sempre os conduziu ao encontro. Suas águas carregaram canoas, canções, rituais e histórias que atravessaram os séculos, unindo os Kariri de Porto Real do Colégio aos Xocó da Ilha de São Pedro. Esta obra é um convite para navegar pelas memórias preservadas na tradição oral, onde cada nome, cada travessia e cada gesto de acolhimento revelam como duas margens se transformaram em um só povo, guardião de uma herança ancestral que continua viva no coração de seus descendentes.



II – QUANDO O OPARÁ UNIA OS POVOS





Os antigos contam que, muito antes das fronteiras entre províncias e dos registros dos homens de papel, o grande Opará, o Rio São Francisco, já unia os caminhos dos povos. Os Kariri de Porto Real do Colégio, em Alagoas, e os Xocó da Ilha de São Pedro, em Sergipe, conheciam-se desde tempos antigos, quando as águas eram estradas e as canoas eram pontes entre parentes, amigos e guardiões das mesmas tradições.





III – AS CANOAS DA ANCESTRALIDADE




Naqueles tempos em 1854, as viagens eram longas e exigiam coragem. As canoas deslizavam pelas águas durante dois ou três dias, conduzidas pelo compasso dos remos e pelas canções entoadas ao amanhecer. Cada travessia era também um reencontro com a memória dos antepassados, que ensinavam que nenhum povo caminha sozinho quando carrega consigo a força da coletividade.





IV – OS PRIMEIROS VIAJANTES DO OPARÁ




Entre aqueles que cruzavam as águas estavam José Serafim de Souza ( 89 anos ); Antônio Frutuoso ( 57 anos ); Antônio Binga ( 14 anos ); Jetudes ( 19 anos ) com Inocêncio Pires Muirá ( 1 ano ) nos braços; João Maromba ( 19 anos ); Maria Tinga de Jesus ( 17 anos ) e José Ribeiro com o sobrinho Manoel Francisco Tononé ( 2 anos ). Seus nomes permanecem vivos na tradição oral, repetidos pelas gerações como sementes lançadas à terra fértil da lembrança.






V – O TEMPO DOS GRANDES RITUAIS




Os antigos também narram que havia um tempo certo para cada visita. Em janeiro, quando os Kariri realizavam seus rituais, os Xocó desciam o Opará em suas canoas para celebrar junto aos parentes. Já em outubro, eram os Kariri que subiam as águas para participar dos rituais da Ilha de São Pedro. Assim, o calendário era marcado não pelos relógios, mas pelo encontro dos povos e pela continuidade da cultura.





VI – A HOSPITALIDADE DAS ALDEIAS




Quando as canoas apontavam no horizonte e chegavam ao porto, uma grande alegria tomava conta das aldeias. As famílias anfitriãs recebiam as recém-chegadas em suas próprias casas, compartilhando alimento, histórias e abrigo. Luduvico ( 76 anos ); Manoel Baltazar ( 60 anos ); Manoel Paulo ( 34 anos ); Maria Pirigipe dos Santos ( 36 anos ); Maria Tomazia Pirigipe ( 16 anos ); Vicente Ferreira Botó ( 13 anos ); João Pereira Pirigipe ( 7 anos ) e José Santana ( 26 anos ) estão entre aqueles lembrados por terem mantido viva essa tradição de acolhimento.






VII – O TORÉ QUE UNIU FAMÍLIAS




Com o passar dos anos, as visitas deram origem a laços ainda mais profundos. Kariri e Xocó passaram a formar famílias, demonstrando que o parentesco também pode nascer do respeito, da convivência e do amor. Martinha Kariri uniu-se a José Maromba Xocó; Manoel Gregório Maromba Xocó a Severina Queiroz Kariri; Leopoldino Pires Muirá Xocó a Amara Souza Kariri; Maria Eleutéria Soia Xocó a Antônio Luiz Teipó; Vicente Ferreira Ferro Kariri a Maria Rosa Souza Xocó; e Luiz Binga Xocó a Maria das Neves.





VIII – O CÍRCULO SAGRADO DOS CASAMENTOS




Os casamentos eram celebrados de forma solene e comunitária, reunindo toda a aldeia em um grande círculo sagrado, onde os noivos, quando unidos em casamentos interétnicos, vestiam roupas simples inspiradas nos costumes do século XIX, adornadas com elementos tradicionais indígenas que simbolizavam seu pertencimento à comunidade. Ao centro do círculo, eram apresentados como novos membros da família ampliada, enquanto os anciãos lhes concediam suas bênçãos e o Toré, acompanhado pelo som dos maracás, era cantado e dançado em honra aos antepassados, pedindo proteção, sabedoria e harmonia para os caminhos que dali em diante seriam percorridos a dois.





IX – FILHOS DAS ÁGUAS E DA MEMÓRIA




Das uniões entre Kariri e Xocó nasceram muitos filhos e filhas, fortalecendo os laços consanguíneos entre os dois povos. Entre eles são lembrados Manoel Queiroz Suíra, filho de Manoel Gregório Maromba e Severina Queiroz; Manoel Florêncio Pirigipe, filho de Manoel Teodoro e Maria Senhorinha; Manoel Joaquim de Santana e Maria Serafina, filhos de José Maromba e Martinha; e Maria Murú Ibá, filha de Vicente Ferreira Ferro e Maria Rosa. Cada criança era recebida como um sinal de continuidade e esperança.






X – A TRAVESSIA DE 1882




Então chegou o ano de 1882, que permanece guardado na memória coletiva. Naquele tempo, os Xocó vieram à Aldeia de Colégio para participar dos rituais de janeiro, trazendo consigo a dor da expulsão de suas terras pelos colonizadores. Encontraram abrigo entre os Kariri, que ainda habitavam a antiga Rua dos Índios, e compreenderam que o destino dos dois povos estava definitivamente entrelaçado.







XI – O LEGADO DOS DESCENDENTES




Conta-se que o pajé Manoel Paulo recebeu o povo Xocó, conduzido pelo cacique Inocêncio Muirá, abrindo as portas da aldeia e do coração de sua gente. A partir daquele momento, os casamentos tornaram-se mais frequentes, as famílias cresceram e as tradições passaram a ser preservadas em conjunto. E assim permanece até hoje: quando os mais velhos se reúnem para recordar o passado, dizem que Kariri e Xocó são como duas margens do Opará — diferentes em suas histórias, mas unidas pelas mesmas águas, pelos mesmos ancestrais e pelo mesmo céu.






XII – UM SÓ POVO SOB O MESMO CÉU




Hoje, quando o Toré ecoa sob o mesmo céu e os descendentes contemplam as águas do Opará, os ensinamentos dos antepassados permanecem presentes. As canoas do século XIX já não percorrem o rio com a mesma frequência, mas suas marcas permanecem na memória coletiva dos povos Kariri e Xocó. Que estas páginas sejam, para as futuras gerações, um testemunho de resistência, parentesco e continuidade, lembrando a todos que, enquanto o Opará seguir seu curso em direção ao mar, também seguirá viva a história daqueles que aprenderam que duas margens podem, sim, formar um só povo.




CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir esta travessia literária, compreendemos que a história dos povos Kariri e Xocó não pode ser contada separadamente. O Opará permanece como testemunha silenciosa de encontros, despedidas e recomeços. Que este livro inspire novas pesquisas, fortaleça a identidade das futuras gerações e recorde que a memória é um território que precisa ser continuamente cultivado.





GLOSSÁRIO

Opará: Nome indígena do Rio São Francisco.

Toré: Ritual sagrado de canto, dança e espiritualidade.

Tokenhé Antoá: Antepassados Sagrados.

Maracá: Instrumento ritual utilizado em cerimônias indígenas.

Kariri-Xocó: Povo indígena de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Xocó: Povo indígena da Ilha de São Pedro, Sergipe.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DANTAS, Beatriz Góis; DALLARI, Dalmo de Abreu. Terra dos Índios Xocó: Estudos e Documentos. São Paulo: Comissão Pró-Índio, 1980.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Conexões Étnico-Históricas dos Kariri-Xocó. Disponível em: https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/conexoes-etnico-historicas-dos-kariri.html?m=0. Acesso em: 26 jul. 2026.

LIMA, Ronaldo Pereira de. Às Margens do Rio Rei. Aracaju: Editora e Gráfica J. Andrade, 2007.

MATA, Vera Lucia Calheiros. A Semente da Terra: Identidade e Conquista Territorial por um Grupo Indígena Integrado. Maceió: EDUFAL, 2014.





SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador independente, escritor, contador de histórias orais (Worobü Woroyá Toklikli) e membro do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas. Dedica-se ao registro da memória, da cultura e das tradições indígenas do Baixo São Francisco, produzindo obras que unem tradição oral, pesquisa histórica e valorização dos saberes ancestrais. Seus trabalhos buscam preservar e compartilhar as histórias dos povos originários, reafirmando a importância da ancestralidade como fundamento da identidade e da resistência cultural.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó



 





terça-feira, 28 de julho de 2026

O IMPERADOR E O OPARÁ: D. PEDRO II ENTRE OS KARIRI DE PORTO REAL DO COLÉGIO

 





FALSA FOLHA DE ROSTO

O IMPERADOR E O OPARÁ: D. PEDRO II ENTRE OS KARIRI DE PORTO REAL DO COLÉGIO

Nhenety Kariri-Xocó




FOLHA DE ROSTO

O IMPERADOR E O OPARÁ: D. PEDRO II ENTRE OS KARIRI DE PORTO REAL DO COLÉGIO

Memória, História e Tradição Oral às Margens do Velho Chico

Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – Alagoas
Brasil
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

Copyright © 2026 – Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados.

Esta obra reúne narrativas construídas a partir da tradição oral do povo Kariri-Xocó, da memória coletiva preservada pelos anciãos, de registros históricos do século XIX e de pesquisas sobre a viagem de Sua Majestade Imperial D. Pedro II ao Rio São Francisco, em 1859.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida sem autorização do autor, exceto para fins acadêmicos e de pesquisa, mediante a devida citação.




FICHA CATALOGRÁFICA

K18i

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

O Imperador e o Opará: D. Pedro II entre os Kariri de Porto Real do Colégio / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

120 p. : il. color.

ISBN (Simbólico): 978-65-1859-1859-2

Povos Indígenas – Brasil.

Kariri-Xocó – História.

D. Pedro II.

Rio São Francisco.

Porto Real do Colégio.

Memória e Tradição Oral.

História de Alagoas.

CDD: 981.35




ISBN (SIMBÓLICO)

ISBN: 978-65-1859-1859-2




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.



ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 



DEDICATÓRIA

Dedico este livro aos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados, que guardaram esta história ao longo de muitas gerações.

Dedico-o ao povo Kariri-Xocó, cujos passos continuam a ecoar no compasso do Toré, e às crianças da aldeia, para que jamais esqueçam que seus ancestrais receberam um Imperador às margens do Opará.

Que este livro seja uma canoa de palavras navegando pelo tempo.





AGRADECIMENTOS

Agradeço aos anciãos Kariri-Xocó, que fizeram da memória uma casa habitada pelo passado.

À minha família, pelo incentivo constante.

À comunidade de Porto Real do Colégio, guardiã de tantas lembranças.

Aos pesquisadores, historiadores e amigos que dedicam suas vidas à preservação da história indígena.

Ao Opará, que continua ensinando que as águas jamais esquecem os caminhos que percorrem.




EPÍGRAFE

"Enquanto houver alguém para contar esta história, o Opará continuará levando ao mar a lembrança do dia em que um Imperador encontrou um povo mais antigo que o próprio Império."

— Nhenety Kariri-Xocó




PREFÁCIO DO VOLUME

Há encontros que pertencem ao tempo e há encontros que pertencem à eternidade.

A visita de D. Pedro II a Porto Real do Colégio, em 16 de outubro de 1859, é um desses acontecimentos que ultrapassam a condição de registro histórico para alcançar o território da memória.

Este livro não pretende apenas narrar a passagem do Imperador pelas margens do Rio São Francisco. Seu propósito é devolver voz aos que testemunharam aquele momento: os Kariri, os homens e mulheres da aldeia, os maracás, o Toré e o próprio Opará.

Ao unir documentos históricos e tradição oral, Nhenety Kariri-Xocó oferece ao leitor uma obra que pertence simultaneamente à História e à memória coletiva.




RESUMO

Esta obra apresenta uma narrativa histórico-literária sobre a visita de D. Pedro II ao município de Porto Real do Colégio, Alagoas, em 16 de outubro de 1859. A partir de fontes históricas, memória coletiva e tradição oral do povo Kariri-Xocó, o livro reconstrói o encontro entre a comitiva imperial e os indígenas Kariri às margens do Rio São Francisco, conhecido ancestralmente como Opará.

São abordados episódios como a chegada do vapor Humaitá, a recepção promovida pelas autoridades locais, a celebração religiosa na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a apresentação do Toré e a demonstração da habilidade do Chefe Manoel Baltazar com o arco e a flecha.

A obra destaca a importância da memória oral como instrumento de preservação da identidade indígena e reafirma o papel do Opará como testemunha viva da história.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; D. Pedro II; Opará; Memória; Tradição Oral.




ABSTRACT

This book presents a historical-literary narrative about the visit of Emperor Dom Pedro II to Porto Real do Colégio, Alagoas, on October 16, 1859. Based on historical records, collective memory, and the oral tradition of the Kariri-Xocó people, the work reconstructs the meeting between the imperial entourage and the Kariri Indigenous people on the banks of the São Francisco River, ancestrally known as Opará.

The narrative highlights the arrival of the steamship Humaitá, the reception organized by local authorities, the religious ceremony at Nossa Senhora da Conceição Church, the Toré ritual, and Chief Manoel Baltazar's remarkable demonstration of archery.

Keywords: Kariri-Xocó; Dom Pedro II; Opará; Oral Tradition; Memory.





APRESENTAÇÃO

Este livro é um convite.

Convido o leitor a caminhar pelas ruas da antiga Porto Real do Colégio, a ouvir os sinos da matriz, a sentir o vento que sopra do Velho Chico e a acompanhar o som dos maracás.

Mais do que uma obra histórica, este é um encontro entre tempos distintos: o Brasil Imperial, os povos originários e a permanência da memória.





NOTA DO AUTOR

Escrevo estas páginas como filho do Opará.

Ao longo dos anos, ouvi esta história ser contada por pessoas que já não caminham entre nós. Cada nome, cada detalhe e cada lembrança foram reunidos com o cuidado de quem recolhe sementes para o futuro.

Este livro é, antes de tudo, um ato de gratidão.





MEMÓRIA DO AUTOR

Nasci ouvindo o Rio São Francisco.

Aprendi cedo que as águas carregam histórias. Cresci entre as narrativas dos mais velhos, escutando sobre os antigos, sobre o Toré e sobre um dia em que um Imperador visitou nossa terra.

Como Worobü Woroyá Toklikli — Contador de Histórias Oral — compreendi que minha missão é impedir que o silêncio alcance aquilo que os antepassados decidiram preservar.





SEGUNDA APRESENTAÇÃO

Leitor, ao abrir este livro, lembre-se: nem toda história cabe nos documentos.

Algumas permanecem escondidas nas margens dos rios, nos cantos dos pássaros e nas palavras dos anciãos.

Escute atentamente. O Opará ainda está falando.





INTRODUÇÃO

Em 1859, D. Pedro II realizou uma das mais importantes viagens de sua trajetória como monarca brasileiro, percorrendo parte do Rio São Francisco.

Ao chegar a Porto Real do Colégio, encontrou um povo cuja história antecedia o Império: os Kariri.

Este livro reconstrói esse encontro a partir de uma perspectiva indígena, demonstrando que a história oficial e a memória oral não são adversárias, mas companheiras de jornada.




SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
Os Caminhos da Lembrança
A Voz das Águas do Opará
O Dia em que Porto Real Esperou o Imperador
O Vapor Humaitá sobre as Águas Sagradas
Os Ilustres Viajantes do Império
Os Guardiões da Recepção
Sob a Proteção de Nossa Senhora da Conceição
O Toré entre a Igreja e o Colégio dos Jesuítas
Os Nomes que o Tempo Não Levou
A Flecha do Chefe Manoel Baltazar
Viva os Indígenas de Porto Real do Colégio
A História que Continua a Ser Contada
Quando o Rio Continua a Contar
Considerações Finais
Glossário
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor





OS CAMINHOS DA LEMBRANÇA




Antes que as palavras tomem o caminho da lembrança, aproximem-se do fogo da memória e escutem com atenção. Há histórias que pertencem aos livros, outras que repousam nos arquivos do tempo, mas existem aquelas que vivem no coração dos povos e atravessam os séculos carregadas pelas águas dos rios. Esta é uma dessas histórias. Ela nos leva ao ano de 1859, quando o destino fez convergir, às margens do sagrado Opará, os caminhos do Imperador do Brasil e do povo Kariri, guardião ancestral das terras de Porto Real do Colégio.




A VOZ DAS ÁGUAS DO OPARÁ




Era um tempo antigo, quando as águas do Opará, o grande Rio São Francisco, carregavam não apenas canoas e embarcações, mas também notícias que viajavam de margem em margem. Os mais velhos contam que, no ano de 1859, correu pela aldeia e pelas povoações a notícia de que o Imperador D. Pedro II descia o Velho Chico, visitando cidades, vilas e terras indígenas. E cada pessoa que ouvia a novidade a repetia ao cair da tarde, como quem anuncia a chegada de um vento diferente.





O DIA EM QUE PORTO REAL ESPEROU O IMPERADOR




Naqueles dias, Porto Real do Colégio preparou-se para receber tão ilustre visitante. Era o dia 16 de outubro de 1859, e o povo reunia-se nas ruas, enquanto os sinos da Igreja Matriz anunciavam um acontecimento que seria lembrado por muitas gerações. Dizem que as crianças corriam curiosas, os anciãos observavam em silêncio, e os indígenas Kariri guardavam em seus corações a memória daquele encontro.





O VAPOR HUMAITÁ SOBRE AS ÁGUAS SAGRADAS




Os antigos também contam que o Imperador não viajava sozinho pelas águas do Velho Chico. Sua comitiva seguia a bordo do vapor Humaitá, embarcação que deslizava majestosamente pelo Opará, anunciando sua chegada muito antes de alcançar os portos. Dizem que, ao longe, as pessoas reconheciam o vapor pela fumaça que se erguia aos céus e pelo movimento das águas, reunindo-se nas margens para testemunhar a passagem do monarca e de seus acompanhantes.





OS ILUSTRES VIAJANTES DO IMPÉRIO




Acompanhavam o Imperador sua esposa, a Imperatriz Dona Teresa Cristina, mulher de presença serena e olhar atento. Vinham também Sebastião do Rêgo Barros, Ministro da Guerra, Manuel Pinto de Souza Dantas, Presidente da Província de Alagoas, e Manuel da Cunha Galvão, Presidente da Província de Sergipe. Era uma grande comitiva, e suas embarcações pareciam pequenas ilhas deslizando sobre as águas do Opará.





OS GUARDIÕES DA RECEPÇÃO




Na recepção, encontravam-se homens que zelavam pela terra e pelo povo. Ali estava o Diretor Parcial do Aldeamento de Colégio, o Tenente-Coronel João Fernandes da Silva Tavares; o vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Padre Manoel Pires de Carvalho; e, entre eles, os indígenas: o Capitão Pedro Lolaço, o Sargento Firmino José dos Santos, o Cabo-de-esquadra Manoel Altanazio e o Chefe Indígena Manoel Baltazar, cuja liderança era reconhecida pelos habitantes das aldeias e das margens do rio.




SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO




Conta a tradição que o Imperador dirigiu-se primeiro à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Houve missa, orações e agradecimentos. As paredes do antigo templo ouviram palavras em português e, no silêncio dos corações indígenas, também as preces dos antigos, dirigidas aos antepassados que caminhavam invisíveis entre os vivos.





O TORÉ ENTRE A IGREJA E O COLÉGIO DOS JESUÍTAS




Terminada a cerimônia, todos seguiram para a praça situada entre a igreja e o antigo colégio dos jesuítas. Foi então que os Kariri iniciaram o Toré. O som dos maracás elevou-se ao céu, misturando-se ao canto dos pássaros e ao sopro do vento que vinha do rio. O Imperador observava atento aquele círculo sagrado, talvez sem imaginar que estava diante de uma tradição mais antiga do que muitas coroas.





OS NOMES QUE O TEMPO NÃO LEVOU




Os mais velhos ainda preservam os nomes daqueles que cantaram e dançaram naquele dia memorável: Manoel Paulo, João Xavier Botó, Vicente Ferreira Botó, Manoel Roberto Poité, Rosa Ferreira Botó, Luzia de Oliveira, Maria Pirigipe, Maria Tomazia e a pequena Martinha, que contava apenas onze anos de idade e João Pereira Pirigipe com doze anos de idade. Cada nome é uma chama acesa na memória do povo, lembrando que ninguém atravessa o tempo sozinho.






A FLECHA DO CHEFE MANOEL BALTAZAR




Depois do Toré, D. Pedro II aproximou-se do Chefe Manoel Baltazar e fez-lhe um pedido incomum. Ordenou que demonstrasse sua habilidade com o arco e a flecha. Escolheu-se um mourão colocado a pouca distância, e todos prenderam a respiração. Manoel Baltazar ergueu o arco, firmou os pés sobre a terra e, como haviam ensinado os antigos, lançou a flecha.





VIVA OS ÍNDIOS DE PORTO REAL DO COLÉGIO




A flecha cortou o ar e encontrou o alvo com precisão. Por um instante, houve silêncio. Em seguida, o Imperador ergueu a voz, admirado com a destreza do chefe indígena, e exclamou diante de todos: "Viva! Viva os Índios de Porto Real do Colégio!" O povo respondeu em coro, e até as águas do Opará pareceram levar aquele brado para longe.





A HISTÓRIA QUE CONTINUA A SER CONTADA




E assim, meus filhos, dizem os anciãos que aquela visita não ficou presa aos livros nem às páginas dos documentos. Ela permaneceu viva na palavra dos contadores de histórias, no compasso do Toré e na lembrança dos descendentes. Porque enquanto houver alguém para contar esta história às novas gerações, o encontro entre o Imperador e os Kariri de Porto Real do Colégio continuará acontecendo, eternamente, às margens do velho e sagrado Opará.





OS CAMINHOS QUE UNEM AS DUAS MARGENS




Mas os anciãos também ensinam que as águas do Opará não conhecem fronteiras. Depois de despedir-se de Porto Real do Colégio, D. Pedro II continuou sua jornada pelo Velho Chico, visitando outras povoações ribeirinhas que floresciam em suas margens. Entre elas, contam os guardiões da memória, encontrava-se a Aldeia Xocó da Ilha de São Pedro, em Porto da Folha, na então Província de Sergipe. Naquele tempo todos os Xocó ainda habitavam sua ilha ancestral, conservaram em suas narrativas a lembrança da passagem do Imperador, tal como os Kariri preservaram a memória do encontro em Porto Real. Assim, o Opará tornou-se testemunha de uma mesma história contada em duas margens: de um lado, os Kariri; do outro, os Xocó; ambos unidos pelas águas, pela tradição e pelo respeito aos antepassados.






QUANDO O RIO CONTINUA A CONTAR




E assim, quando a noite desce sobre o Opará e os maracás parecem ecoar ao longe, os antigos ainda sorriem ao recordar aquele dia. O tempo levou o vapor Humaitá, silenciou muitas vozes e transformou em ancestrais aqueles que testemunharam o encontro, mas não conseguiu apagar a memória. Pois a história de um povo não se mede pelos anos que passaram, e sim pelas lembranças que permanecem vivas. Enquanto o Toré continuar sendo dançado, enquanto os nomes dos antepassados forem pronunciados com respeito e enquanto as águas do Velho Chico seguirem seu curso para o mar, o encontro entre D. Pedro II e os Kariri de Porto Real do Colégio permanecerá eterno, como um canto antigo guardado pelo coração do Opará.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir estas páginas, compreendemos que o verdadeiro protagonista desta história talvez não seja o Imperador, nem mesmo aqueles que o receberam.

O verdadeiro protagonista é a memória.

Foi ela que atravessou cento e sessenta e sete anos para chegar até nós.

D. Pedro II retornou ao pó dos séculos. O vapor Humaitá desapareceu das águas. Muitos dos nomes aqui citados tornaram-se ancestrais.

Mas o Opará permanece.

E enquanto o rio seguir seu caminho para o mar, continuará repetindo às novas gerações:

"Viva os Índios de Porto Real do Colégio!"





GLOSSÁRIO

Opará: Nome ancestral do Rio São Francisco.

Toré: Ritual sagrado dos povos indígenas do Nordeste.

Kariri-Xocó: Povo indígena de Porto Real do Colégio.

Maracá: Instrumento ritual utilizado no Toré.

Velho Chico: Denominação popular do Rio São Francisco.

Tokenhé Antoá: Antepassados Sagrados.

Worobü Woroyá Toklikli: Contador de Histórias Oral.

Aldeamento: Organização colonial destinada às populações indígenas.

Humaitá: Vapor que conduziu a comitiva imperial.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



DANTAS, Beatriz Góis & DALLARI, Dalmo de Abreu. 1980. Terra dos índios Xocó —
Estudos e documentos. São Paulo: Comissão Pró-Índio.


DANTAS , B. G. 1980a A Antiga Missão de São Pedro do Porto da Folha e a Recente 
Questão dos Xocó de Sergipe (Sinopse).In Terra dos Índios Xocó, 13-20. São Paulo: 
Comissão Pró-Índio. 


DANTAS, B. G. 1980b A Antiga Missão de São Pedro do Porto da Folha e a Recente 
Questão dos Xocó de Sergipe. In Terra dos Índios Xocó, 143-83. São Paulo: Comissão PróÍndio. 


LIMA, Ronaldo Pereira de. Às margens do rio rei. Editora e Gráfica J. Andrade, Aracaju, 2007.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Visita do Imperador D. Pedro II a Aldeia Kariri de Colégio. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/visita-do-imperador-d-pedro-ii-aldeia.html?m=0 . Acesso em: 24 jul. 2026.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Conexões Étnico-Históricas dos Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/conexoes-etnico-historicas-dos-kariri.html?m=0 . Acesso em: 24 jul. 2026.


MATA, Vera Lucia Calheiros. A semente da terra: identidade e conquista territorial por 
um grupo indígena integrado – Maceió : EDUFAL, 2014. 389.: Il.


PEDRO II, Imperador do Brasil . Diário da viagem ao Norte do Brasil . Salvador : 
UFBA,1959.





SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é escritor, pesquisador, contador de histórias orais e guardião da memória indígena. Integrante do povo Kariri-Xocó, dedica-se à preservação da história, da cultura e das tradições de sua comunidade.

Autor de diversas obras sobre os povos originários do Baixo São Francisco, utiliza a literatura como instrumento de resistência, educação e fortalecimento da identidade indígena.

Sua escrita nasce das margens do Opará, onde aprendeu que cada rio é uma biblioteca em movimento e que toda história contada com respeito jamais será esquecida.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó



 



sexta-feira, 17 de julho de 2026

UKIDZA BAE KAYADÉ: PAI SOL E MÃE LUA






FALSA FOLHA DE ROSTO

UKIDZA BAE KAYADÉ: PAI SOL E MÃE LUA

Narrativa da tradição oral do povo Kariri-Xocó

Nhenety Kariri-Xocó






FOLHA DE ROSTO

UKIDZA BAE KAYADÉ: PAI SOL E MÃE LUA

Pai Sol e Mãe Lua

Narrativa baseada na tradição oral e na memória ancestral do povo indígena Kariri-Xocó.

Autor

Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – Alagoas

2026






VERSO DA FOLHA DE ROSTO

© 2026 – Nhenety Kariri-Xocó.

Todos os direitos desta obra pertencem ao autor.

Esta publicação valoriza a tradição oral, a memória ancestral e os conhecimentos culturais do povo Kariri-Xocó. Sua reprodução poderá ocorrer mediante autorização do autor e com o devido reconhecimento da autoria e da origem cultural dos conhecimentos apresentados.





FICHA CATALOGRÁFICA

K18u

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Ukidza Bae Kayadé: Pai Sol e Mãe Lua / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL, 2026.

Narrativa da tradição oral.

Inclui glossário e referências bibliográficas.

Povos indígenas. 2. Kariri-Xocó. 3. Tradição oral. 4. Mitologia indígena. 5. Cosmologia. 6. Sol. 7. Lua. I. Título.

CDD: 398.20981






ISBN (SIMBÓLICO)

ISBN: 978-65-0000-000-0

(Registro apresentado apenas para fins editoriais simbólicos.)






PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.





ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 






DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos meus ancestrais Kariri-Xocó, aos Tokenhé Antoá, cuja sabedoria continua iluminando nossos caminhos, e aos nossos anciãos, que preservaram a memória dos Primeiros Tempos por meio da palavra, do Toré e do exemplo.

Dedico também às crianças e aos jovens de nosso povo, para que encontrem nestas páginas a força de suas raízes e o orgulho de sua identidade.






AGRADECIMENTOS

Minha profunda gratidão a Sonsé, o Grande Criador, pela vida e pelos caminhos percorridos.

Agradeço aos anciãos Kariri-Xocó, verdadeiras bibliotecas vivas, que mantiveram acesa a chama da tradição oral.

Agradeço às famílias de nossa comunidade, que continuam transmitindo os ensinamentos dos antepassados, fortalecendo nossa cultura e nossa língua.

Estendo igualmente minha gratidão a todos os leitores, pesquisadores e educadores que reconhecem o valor da memória indígena como patrimônio da humanidade.






EPÍGRAFE

"Enquanto o Sol nascer e a Lua iluminar a noite, os ensinamentos dos Tokenhé Antoá continuarão vivos no coração do povo Kariri-Xocó."






PREFÁCIO DO VOLUME

Este livro nasce da tradição oral do povo Kariri-Xocó e apresenta uma narrativa ancestral sobre a origem do Sol, da Lua e da organização do mundo segundo nossa memória coletiva.

Mais do que explicar fenômenos da natureza, a história revela valores fundamentais de respeito, reciprocidade e equilíbrio entre todos os seres da criação.

Que cada página seja lida como quem escuta um ancião contando histórias ao redor do fogo, onde o conhecimento se transforma em memória e a memória fortalece a identidade.






RESUMO

Esta obra reúne uma narrativa tradicional da cosmologia Kariri-Xocó acerca da criação do universo. A partir dos ensinamentos transmitidos pelos anciãos, apresenta a atuação de Sonsé, dos Tokenhé Antoá, de Ukiedza, Pai Sol, e de Kayadé, Mãe Lua, revelando princípios de equilíbrio, respeito à natureza e continuidade da vida. O livro contribui para a valorização da tradição oral indígena e para a preservação da memória cultural do povo Kariri-Xocó.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; tradição oral; cosmologia; memória ancestral; Sol; Lua.






ABSTRACT

This book presents a traditional Kariri-Xocó narrative about the creation of the universe. Based on oral tradition, it tells the story of Sonsé, the Sacred Ancestors, Ukiedza (Father Sun) and Kayadé (Mother Moon), emphasizing harmony between nature, humanity and the sacred. The work contributes to the preservation and appreciation of the cultural memory of the Kariri-Xocó people.

Keywords: Kariri-Xocó; oral tradition; cosmology; sacred ancestors; Sun; Moon.






APRESENTAÇÃO

As narrativas tradicionais constituem um dos maiores patrimônios culturais dos povos indígenas. Elas guardam conhecimentos construídos ao longo de incontáveis gerações e ensinam que toda forma de vida possui valor e merece respeito.

Nesta obra, o leitor encontrará uma narrativa que une espiritualidade, memória e identidade, oferecendo um olhar Kariri-Xocó sobre a criação do mundo e sobre o papel do Sol e da Lua na manutenção da vida.






NOTA DO AUTOR

Esta obra foi escrita com profundo respeito à tradição oral Kariri-Xocó. Seu objetivo não é substituir a palavra dos anciãos, mas contribuir para sua preservação por meio da escrita, permitindo que esses conhecimentos alcancem as futuras gerações.






MEMÓRIA DO AUTOR

Desde criança, ouvi histórias contadas pelos mais velhos de minha comunidade. Sentado ao lado dos anciãos, aprendi que cada narrativa guarda muito mais do que acontecimentos antigos: ela transmite ensinamentos para viver em equilíbrio com a natureza e com o próximo.

Escrever este livro representa um gesto de gratidão aos meus antepassados e um compromisso com a continuidade da memória de nosso povo.






INTRODUÇÃO

Ukiedza e Kayadé ocupam lugar especial na tradição Kariri-Xocó. Não representam apenas os astros que iluminam o céu, mas seres ancestrais responsáveis pela continuidade da vida.

Ao reunir esta narrativa, buscamos preservar uma parte importante da cosmologia indígena, mostrando que natureza, espiritualidade e humanidade caminham juntas desde os Primeiros Tempos.






SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
A Memória Sagrada da Criação
Sonsé Desperta a Grande Criação
Os Dois Avôs do Primeiro Tempo
As Duas Avós da Criação
A Missão dos Antepassados Sagrados
O Nascimento de Ukiedza, o Pai Sol
O Surgimento de Kayadé, a Mãe Lua
A Alternância do Dia e da Noite
O Equilíbrio da Vida sobre a Terra
Nikedda, a Guardiã dos Netos
O Legado dos Primeiros Tempos
A Luz Eterna dos Antepassados
Considerações Finais
Glossário
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor






A MEMÓRIA SAGRADA DA CRIAÇÃO





Entre os Kariri-Xocó, as histórias da criação não são apenas lembranças do passado, mas ensinamentos vivos que atravessam as gerações. Contadas pelos mais velhos durante as noites de conversa e nos momentos de partilha da comunidade, elas revelam como o universo foi organizado por Sonsé, o Grande Criador, e pelos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados. Nesta narrativa, conhecemos a origem de Ukiedza, o Pai Sol, e de Kayadé, a Mãe Lua, seres luminosos que receberam a missão de proteger e manter o equilíbrio de toda a vida sobre a Terra.





SONSÉ DESPERTA A GRANDE CRIAÇÃO




Nos antigos Bihéuché, os Primeiros Tempos, quando tudo ainda era silêncio e apenas o grande mistério existia, foi Sonsé, o Grande Criador, quem decidiu que chegara a hora de dar forma ao mundo. Dizem os mais velhos que foi naquele instante sagrado que começaram as primeiras histórias contadas ao redor do fogo, para que ninguém esquecesse como nasceu a vida sobre a Radá, a Terra.





OS DOIS AVÔS DO PRIMEIRO TEMPO




Primeiro, Sonsé chamou os Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados. Vieram os Sumarãtó, os Dois Avôs. Um era Upuhto, o Avô do Vento, que caminhava levando o sopro da vida por todos os lugares. O outro era Duto, o Avô do Fogo, cuja chama aquecia, iluminava e transformava tudo aquilo que tocava.




AS DUAS AVÓS DA CRIAÇÃO




Depois, Sonsé chamou as Sumanike, as Duas Avós. Chegou Nikedda, a Avó da Terra, firme como as montanhas e generosa como o chão que alimenta. Ao seu lado veio Dzúnike, a Avó da Água, cujas correntes levavam força, frescor e renovação para todas as coisas que ainda estavam por nascer.





A MISSÃO DOS ANTEPASSADOS SAGRADOS





Então Sonsé falou aos quatro Antepassados Sagrados e lhes confiou uma grande missão:

— Da união de vocês nascerão aqueles que protegerão toda a vida. Criem os Ubuá, as Plantas; os Keriá, os Animais; e os Uanieá, os Povos Indígenas. Ensinem-lhes que nada poderá existir sem equilíbrio, pois toda criação caminhará unida.

Os quatro Antepassados inclinaram suas cabeças em sinal de respeito e aceitaram a missão sagrada.





O NASCIMENTO DE UKIEDZA, O PAI SOL




Os Sumarãtó reuniram seus poderes e fizeram surgir no alto do céu o Ukie, o Sol. Seu brilho espalhou calor pelos campos, despertou as águas e fez crescer a esperança. Sonsé olhou para sua obra e disse:

— Tu serás Dzaba, o Pai da Vida dos Keriá, chamarás Ukiedza, o Pai Sol. Caminharás durante o Kaie, no dia despertando toda a vida com tua luz.

Ukiedza respondeu com voz firme:

— Enquanto existir a Radá, aquecerei os Ubuá, fortalecerei os Keriá e iluminarei o caminho dos Uanieá.





O SURGIMENTO DE KAYADÉ, A MÃE LUA




Enquanto isso, as Sumanike olharam para o céu quando a claridade descansava. Com o carinho das avós, criaram Kayaridu, a Lua, de luz suave e serena. Sonsé aproximou-se dela e declarou:

— Tu serás Déba, a Mãe da Vida, protetora das Ubuá, as Plantas, chamarás Kayadé, a Mãe Lua. Quando chegar a Kaia, na noite
guardarás o descanso da criação, acompanharás os ciclos das plantas e velarás pelos sonhos de todos os seres.

Kayadé sorriu serenamente e respondeu:

— Quando o brilho de Ukiedza repousar atrás das montanhas, estarei presente para que jamais faltem paz, esperança e renovação.





A ALTERNÂNCIA DO DIA E DA NOITE




Então Sonsé reuniu Ukiedza e Kayadé diante dos Tokenhé Antoá e lhes disse:

— Nenhum de vocês caminhará sozinho. O dia pertencerá ao Pai Sol e a noite pertencerá à Mãe Lua. Um preparará o caminho do outro, pois somente juntos manterão vivo o equilíbrio da criação.

Desde aquele dia, quando Ukiedza se despede do horizonte, Kayadé surge silenciosa para continuar a missão recebida do Grande Criador.






O EQUILÍBRIO DA VIDA SOBRE A TERRA




Desde então, Pai Sol e Mãe Lua passaram a cuidar de tudo o que vive sobre a Radá. Um fortalece com sua luz ardente; a outra alimenta com sua claridade delicada. Juntos, mantêm o tempo em equilíbrio para que plantas, animais e povos continuem vivendo em harmonia com a criação de Sonsé.






NIKEDDA, A GUARDIÃ DOS NETOS




Mas os antigos também ensinam que, nos primeiros passos da vida, nem sempre o pai e a mãe conhecem todos os caminhos. Por isso, Nikedda, a Avó da Terra, recebeu uma missão muito especial: cuidar dos Tekéá, as Netas, e dos Téá, os Netos, acolhendo-os com paciência enquanto aprendem a caminhar pelo mundo.






O LEGADO DOS PRIMEIROS TEMPOS




É por essa razão que os anciãos dizem às novas gerações que a sabedoria nasce do cuidado das avós e dos avôs, deixado pelos Tokenhé Antoá desde os Primeiros Tempos. Quando o Sol nasce e a Lua se levanta, eles lembram que Ukiedza e Kayadé continuam velando pela vida, enquanto Nikedda permanece sustentando seus netos sobre a Terra, para que jamais se percam os ensinamentos sagrados da criação.





A LUZ ETERNA DOS ANTEPASSADOS




Assim permanece viva, na memória do povo Kariri-Xocó, a lembrança de que o Sol e a Lua não são apenas astros que iluminam o céu, mas ancestrais da criação que continuam guiando o ritmo da vida. A cada amanhecer e a cada anoitecer, Ukiedza e Kayadé renovam o pacto sagrado firmado nos Primeiros Tempos, enquanto Nikedda, a Avó da Terra, segue acolhendo seus netos com sabedoria e cuidado. Dessa forma, a tradição ensina que viver em harmonia com a natureza é também honrar os ensinamentos deixados pelos Tokenhé Antoá e fortalecer a continuidade da vida para todas as gerações.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir esta narrativa, compreendemos que Ukiedza e Kayadé permanecem vivos não apenas no céu, mas também na memória, na espiritualidade e nos ensinamentos do povo Kariri-Xocó.

Os Primeiros Tempos continuam presentes sempre que o Sol nasce, a Lua desponta e a natureza segue seu ciclo. Honrar esses ensinamentos significa preservar o equilíbrio da vida, respeitar todas as formas de existência e fortalecer a herança deixada pelos Tokenhé Antoá.

Que esta obra inspire novas gerações a conhecer, valorizar e transmitir a riqueza da tradição oral Kariri-Xocó, mantendo acesa a luz da ancestralidade.



GLOSSÁRIO

Bihéuché – Primeiros Tempos.
Dzaba – Pai da Vida.
Déba – Mãe da Vida.
Duto – Avô do Fogo.
Dzúnike – Avó da Água.
Kaia – Noite.
Kaie – Dia.
Kayadé – Mãe Lua.
Kayaridu – Lua.
Keriá – Animais.
Nikedda – Avó da Terra.
Radá – Terra.
Sonsé – Grande Criador.
Sumanike – Duas Avós.
Sumarãtó – Dois Avôs.
Tekéá – Netas.
Téá – Netos.
Tokenhé Antoá – Antepassados Sagrados.
Uanieá – Povos Indígenas.
Ubuá – Plantas.
Ukie – Sol.
Ukiedza – Pai Sol.
Upuhto – Avô do Vento.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Tokenhé Antoá Bihéuché: Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tokenhe-antoa-biheuche-os-antepassados.html?m=0 . Acesso em: 10 jul. 2026. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História, Kariri-Xocó, Crenças do Mundo Espiritual, Contos - Volume 12 - Coletânea, Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/11/woroy-historia-kariri-xoco-crencas-do.html?m=0 . Acesso em: 10 jul. 2026. 





SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é escritor, pesquisador, contador de histórias da tradição oral (Worobü Woroyá Toklikli) e dedicado à preservação da memória cultural de seu povo.

Sua produção literária reúne narrativas, contos, estudos históricos e obras voltadas à valorização da língua, da espiritualidade, da cosmologia e dos conhecimentos ancestrais Kariri-Xocó. Por meio da escrita, busca fortalecer a identidade indígena, registrar a sabedoria dos anciãos e contribuir para que as futuras gerações mantenham viva a herança cultural recebida dos Tokenhé Antoá.

Em UKIDZA BAE KAYADÉ: PAI SOL E MÃE LUA, o autor apresenta uma narrativa inspirada na tradição oral sobre a criação do mundo, reafirmando o compromisso com a preservação da memória ancestral e com o respeito à natureza como fundamento da vida.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó