terça-feira, 9 de junho de 2026

DA SEMENTEIRA À ALDEIA KARIRI-XOCÓ







FALSA FOLHA DE ROSTO

DA SEMENTEIRA À ALDEIA KARIRI-XOCÓ
Patrimônio, Memória e Transformações do Território Indígena




FOLHA DE ROSTO

DA SEMENTEIRA À ALDEIA KARIRI-XOCÓ
Patrimônio, Memória e Transformações do Território Indígena
Nhenety Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio – Alagoas
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

© 2026 – Nhenety Kariri-Xocó
Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida sem autorização do autor, exceto para fins acadêmicos, educacionais e de pesquisa, mediante citação da fonte.




FICHA CATALOGRÁFICA (MODELO)

Kariri-Xocó, Nhenety.
Da Sementeira à Aldeia Kariri-Xocó: patrimônio, memória e transformações do território indígena / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.
p. : il.
Inclui referências bibliográficas.
ISBN: 978-65-0000-000-0 (simbólico)
História indígena. 2. Kariri-Xocó. 3. Porto Real do Colégio. 4. Patrimônio cultural. 5. Memória coletiva. I. Título.
CDD: 981.35




ISBN (SIMBÓLICO)

ISBN: 978-65-0000-000-0




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 





DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos meus ancestrais Kariri e Xocó, guardiões da memória, da terra e da espiritualidade de nosso povo.
Dedico também aos anciãos, pajés, caciques, artesãos, agricultores, pescadores, mulheres, homens, jovens e crianças da Aldeia Kariri-Xocó, que mantiveram viva nossa história através da tradição oral e da resistência cultural.






AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente ao Grande Criador pela vida, pela sabedoria e pela oportunidade de registrar a memória de meu povo.

Minha gratidão aos anciãos e lideranças Kariri-Xocó que compartilharam conhecimentos, histórias e experiências que contribuíram para a construção desta obra.

Agradeço igualmente aos pesquisadores, professores, amigos e familiares que incentivaram este trabalho de preservação histórica.

Por fim, agradeço a todos aqueles que acreditam na importância da memória indígena como patrimônio cultural do Brasil.






EPÍGRAFE

"Enquanto houver quem conte a história dos antigos, a memória do povo continuará caminhando entre as novas gerações."
— Sabedoria tradicional Kariri-Xocó





PREFÁCIO DO VOLUME

Texto destinado a um convidado, liderança indígena, pesquisador ou autoridade cultural que apresente a relevância histórica e documental da obra.





RESUMO

Esta obra apresenta a trajetória histórica do território atualmente ocupado pela Aldeia Kariri-Xocó, em Porto Real do Colégio, Alagoas, desde as construções ancestrais existentes no século XVIII até os processos contemporâneos de fortalecimento cultural e preservação da memória coletiva. Por meio de registros orais, documentos históricos, fotografias, entrevistas e observações da comunidade, o livro reúne informações sobre edificações, espaços produtivos, instituições públicas e iniciativas comunitárias que marcaram diferentes períodos da história local. A narrativa evidencia as transformações ocorridas entre a implantação de projetos agrícolas governamentais, a retomada territorial indígena e a consolidação da atual aldeia Kariri-Xocó. O estudo contribui para a valorização do patrimônio histórico, cultural e territorial do povo Kariri-Xocó e para a preservação de sua memória coletiva.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; memória coletiva; patrimônio cultural; território indígena; Porto Real do Colégio.





ABSTRACT

This book presents the historical trajectory of the territory currently occupied by the Kariri-Xocó Village, in Porto Real do Colégio, Alagoas, Brazil, from the ancestral constructions of the eighteenth century to contemporary processes of cultural strengthening and preservation of collective memory. Through oral records, historical documents, photographs, interviews and community observations, the work gathers information about buildings, productive spaces, public institutions and community initiatives that marked different periods of local history. The narrative highlights the transformations resulting from governmental agricultural projects, the indigenous territorial recovery process and the consolidation of the present-day Kariri-Xocó Village. The study contributes to the appreciation of the historical, cultural and territorial heritage of the Kariri-Xocó people and to the preservation of their collective memory.

Keywords: Kariri-Xocó; collective memory; cultural heritage; indigenous territory; Porto Real do Colégio.





APRESENTAÇÃO

A história de um povo não se encontra apenas nos documentos oficiais. Ela também vive nas lembranças dos mais velhos, nos caminhos percorridos pelos ancestrais, nas construções erguidas ao longo do tempo e nos lugares que guardam significados profundos para a comunidade.

Esta obra reúne parte dessa memória histórica do povo Kariri-Xocó, registrando espaços, edificações e acontecimentos que contribuíram para a formação da atual Aldeia Kariri-Xocó. Ao documentar essas referências, busca-se preservar um patrimônio coletivo que pertence não apenas à comunidade indígena, mas também à história do Baixo São Francisco e do Brasil.





NOTA DO AUTOR

Os relatos e informações aqui apresentados resultam de décadas de pesquisa, observação, entrevistas e registros realizados junto à comunidade Kariri-Xocó.

Sempre que possível, os dados foram confrontados com documentos históricos, fotografias, mapas, registros institucionais e depoimentos orais. Algumas datas e acontecimentos refletem a memória coletiva preservada pelos anciãos e lideranças da comunidade.





MEMÓRIA DO AUTOR

Sou Nhenety Kariri-Xocó, indígena do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Desde a infância ouvi histórias contadas pelos mais velhos sobre os antigos tempos da aldeia, da Sementeira, da Fazenda Modelo e das lutas pela terra. Essas narrativas despertaram em mim o desejo de registrar aquilo que poderia se perder com o passar dos anos.

Este livro nasce desse compromisso com a memória de meu povo. Cada capítulo representa uma tentativa de reunir fragmentos da história coletiva dos Kariri-Xocó para que as futuras gerações possam conhecer suas origens, compreender suas conquistas e fortalecer sua identidade cultural.





INTRODUÇÃO

A história da Aldeia Kariri-Xocó está profundamente ligada às transformações ocorridas no território situado entre Porto Real do Colégio e São Brás, no Baixo São Francisco alagoano.

Ao longo de mais de dois séculos, essa região testemunhou diferentes formas de ocupação, desde os antigos marcos territoriais indígenas até a implantação de projetos agrícolas governamentais, passando pela retomada da Fazenda Modelo e pela consolidação da atual aldeia.

O presente livro tem como objetivo registrar cronologicamente essas transformações, destacando construções, espaços comunitários, instituições e iniciativas que contribuíram para a formação do território contemporâneo Kariri-Xocó.





SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Apresentação
Introdução
Capítulo I – As Construções Ancestrais do Território Kariri-Xocó (1797–1914)
Capítulo II – O Centro Agrícola e o Campo Experimental das Sementes (1923–1940)
Capítulo III – A Consolidação do Fomento Agrícola e da CVSF (1941–1949)
Capítulo IV – O Posto Agropecuário Federal e a Modernização Rural (1950–1957)
Capítulo V – A Fazenda Modelo e os Projetos Agropecuários (1964–1975)
Capítulo VI – A Retomada da Sementeira e os Primeiros Tempos da Aldeia (1978–1980)
Capítulo VII – A Formação da Infraestrutura Comunitária Kariri-Xocó (1981–1986)
Capítulo VIII – Habitação e Desenvolvimento Econômico da Aldeia (1988–1997)
Capítulo IX – Educação, Cultura e Inclusão Digital (1999–2011)
Capítulo X – A Expansão Urbana da Aldeia Kariri-Xocó (2010–2014)
Capítulo XI – Os Novos Espaços de Cultura e Desenvolvimento (2015–2023)
Capítulo XII – Patrimônio Material e Memória Coletiva dos Kariri-Xocó
Considerações Finais
Referências Bibliográficas





CAPÍTULO I – AS CONSTRUÇÕES ANCESTRAIS DO TERRITÓRIO KARIRI-XOCÓ (1797–1914)

A história territorial do povo Kariri-Xocó encontra-se preservada não apenas na memória oral de seus ancestrais, mas também em antigos marcos geográficos, construções tradicionais e documentos administrativos que testemunham a ocupação indígena ao longo dos séculos. Entre o final do século XVIII e o início do século XX, diferentes referências materiais e territoriais evidenciaram a permanência dos indígenas na região de Porto Real do Colégio, demonstrando a continuidade de seus vínculos culturais, espirituais e econômicos com a terra. Os vestígios apresentados neste capítulo revelam aspectos importantes da organização territorial tradicional e das transformações ocorridas no período que antecedeu a implantação de projetos estatais sobre áreas historicamente ocupadas pelos Kariri-Xocó.

Antigo Marco da Terra, os antigos marcos territoriais da aldeia eram constituídos por referências naturais e tradicionais que delimitavam as terras indígenas reconhecidas pelo governo colonial. Entre esses marcos destacavam-se o Marco do Ouricuri, a Pedra da Mesa, a Pedra do Casto, o Morro de São Caetano e o Morro da Lagoa da Enxada. Esses limites estavam associados à concessão territorial destinada aos indígenas das Aldeias de Porto Real do Colégio e de São Brás pelo governador da Capitania de Pernambuco, em 1708, servindo como referências de ocupação e pertencimento coletivo ao longo das gerações.

Casa de Telha em Casca de Jatobá do Pajé Luduvico, construída em 1797, localizava-se na porção sul do Alto do Bode, área que, séculos mais tarde, passou a ser conhecida como Sementeira, em Porto Real do Colégio, Alagoas. A construção representava um importante exemplo da arquitetura tradicional indígena, adaptada aos recursos disponíveis na região, além de simbolizar a presença das lideranças espirituais e familiares na organização da vida comunitária do povo Kariri-Xocó.

Marco de Divisão da Terra, em 1914, o engenheiro Roberto Pereira Reis, a serviço do Estado de Alagoas, visitou Porto Real do Colégio para realizar o levantamento dos limites da antiga aldeia indígena. O trabalho tinha como objetivo subsidiar a criação do Centro Agrícola, iniciativa governamental que promoveu a redefinição administrativa de áreas historicamente ocupadas pelos indígenas. Esse levantamento constituiu um dos registros formais mais importantes sobre os limites territoriais da antiga aldeia no início do século XX.

Os vestígios materiais e territoriais apresentados neste capítulo demonstram a continuidade histórica da ocupação indígena Kariri-Xocó em Porto Real do Colégio. Os antigos marcos de terra, a residência do Pajé Luduvico e os levantamentos territoriais realizados pelo Estado constituem evidências da profunda relação entre o povo indígena e seu território ancestral. Mais do que simples referências geográficas ou construções isoladas, esses elementos representam a memória coletiva de uma comunidade que preservou sua identidade ao longo das gerações. Assim, as construções ancestrais e os marcos territoriais tornam-se importantes testemunhos históricos da permanência, resistência e pertencimento do povo Kariri-Xocó às terras tradicionalmente ocupadas por seus antepassados.





CAPÍTULO II - O CENTRO AGRÍCOLA E O CAMPO EXPERIMENTAL DAS SEMENTES (1923–1940)


A década de 1920 marcou uma nova fase na ocupação e utilização das terras indígenas situadas entre Porto Real do Colégio e São Brás. Nesse período, o Governo Federal implantou uma série de iniciativas voltadas ao desenvolvimento agrícola da região, criando órgãos de assistência técnica, experimentação e fomento à produção rural. Essas medidas integravam a política nacional de modernização da agricultura, tendo como principal objetivo estimular o cultivo do algodão e promover pesquisas agrícolas. Contudo, a implantação dessa estrutura ocorreu sobre áreas pertencentes ao antigo patrimônio territorial dos indígenas Kariri-Xocó, contribuindo para a consolidação da ocupação não indígena das chamadas "Duas Léguas de Terras".

Serviço de Algodão – Criado em 1923 pelo Governo Federal com a finalidade de orientar os agricultores da região e incentivar a produção algodoeira. A instituição integrou o processo de ocupação agrícola das terras situadas no antigo território indígena de Porto Real do Colégio, promovendo a distribuição e a venda de lotes destinados ao estabelecimento de agricultores e posseiros.

Centro Agrícola – Em 1924, o Serviço de Algodão passou a denominar-se Centro Agrícola. A instituição administrava aproximadamente 6.000 hectares de terras localizadas nos municípios de Colégio e São Brás, abrangendo parte das chamadas "Duas Léguas de Terras", tradicionalmente pertencentes aos indígenas da região.

Casa do Vapor de Algodão – Construída em 1924, localizava-se no Campo Experimental das Sementes, em Porto Real do Colégio-AL. A estrutura era utilizada no beneficiamento e processamento do algodão produzido nas áreas experimentais e agrícolas da região.

Casa da Vigilância – Construída em 1925, localizava-se no Campo Experimental das Sementes, em Porto Real do Colégio-AL. Destinava-se ao apoio administrativo e à fiscalização das atividades desenvolvidas na área experimental.

Porta d'Água da Lagoa Comprida – Construída em 1934, localizava-se no Campo Experimental das Sementes, em Porto Real do Colégio-AL. A obra contribuiu para o controle hídrico da lagoa e para o abastecimento das atividades agrícolas desenvolvidas no local.

Escola do Fomento Agrícola – Construída em 1940, localizava-se no Fomento Agrícola, anteriormente denominado Campo Experimental das Sementes, em Porto Real do Colégio-AL. A instituição tinha como finalidade a difusão de conhecimentos agrícolas e a capacitação de trabalhadores rurais, fortalecendo as ações de assistência técnica e desenvolvimento agrícola na região.

A implantação do Centro Agrícola e do Campo Experimental das Sementes entre 1923 e 1940 consolidou a presença da estrutura agrícola federal no Baixo São Francisco alagoano. Além de incentivar a produção agrícola e introduzir novas técnicas de cultivo, essas iniciativas transformaram a paisagem regional por meio da construção de prédios, sistemas de apoio e instituições de ensino rural. Ao mesmo tempo, esse processo ocorreu sobre parcelas significativas do antigo território indígena, evidenciando as profundas mudanças territoriais e sociais que marcaram a história de Porto Real do Colégio durante a primeira metade do século XX.






CAPÍTULO III – A CONSOLIDAÇÃO DO FOMENTO AGRÍCOLA E DA CVSF (1941–1949)


A década de 1940 representou um período de consolidação das iniciativas governamentais voltadas ao desenvolvimento agrícola do Baixo São Francisco. Em Porto Real do Colégio, os investimentos realizados pelo Fomento Agrícola e, posteriormente, pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), contribuíram para a ampliação da produção rural, o aperfeiçoamento das atividades pecuárias e a melhoria da infraestrutura necessária ao aproveitamento dos recursos naturais da região. A construção de instalações de beneficiamento, residências administrativas, reservatórios de água e estruturas de apoio à criação animal evidenciou a crescente presença do Estado na organização e modernização das atividades agropecuárias locais.

Galpão da Fábrica de Arroz, construído em 1941, localizava-se no Fomento Agrícola, S/N, em Porto Real do Colégio–AL. A unidade destinava-se ao beneficiamento e armazenamento da produção arrozeira regional, contribuindo para o fortalecimento da economia agrícola local.

Residência do Administrador do Fomento Agrícola, construída em 1942, localizava-se no Fomento Agrícola, S/N, em Porto Real do Colégio–AL. A edificação servia como moradia oficial do responsável pela administração das atividades agrícolas desenvolvidas na área experimental e produtiva.

Açude da CVSF, construído em 1948 pela Comissão do Vale do São Francisco, localizava-se na Sementeira, no município de Porto Real do Colégio–AL. A obra foi implantada com o objetivo de garantir o abastecimento hídrico das atividades agrícolas e pecuárias, representando um importante investimento em infraestrutura rural.

Antiga Baia e Curral, construídos em 1949, localizavam-se no Posto Agropecuário Federal da Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. Essas instalações destinavam-se ao manejo, abrigo e melhoramento do rebanho utilizado nas experiências e atividades pecuárias desenvolvidas pelo posto.

A construção dessas estruturas entre 1941 e 1949 demonstra o fortalecimento das políticas de desenvolvimento rural implementadas na região do Baixo São Francisco. O conjunto formado pela fábrica de arroz, residência administrativa, açude e instalações pecuárias revela a integração entre produção agrícola, criação animal e gestão dos recursos hídricos. Essas obras constituíram importantes marcos da modernização do campo em Porto Real do Colégio, contribuindo para a expansão econômica regional e consolidando a presença do poder público no incentivo à agricultura e à pecuária durante a década de 1940.





CAPÍTULO IV – O POSTO AGROPECUÁRIO FEDERAL E A MODERNIZAÇÃO RURAL (1950–1957)


A década de 1950 representou um período de profundas transformações para a agricultura brasileira, marcado pela ampliação das políticas de modernização do campo, pela mecanização das atividades agropecuárias e pela valorização da formação técnica dos trabalhadores rurais. Em Porto Real do Colégio, Alagoas, o Posto Agropecuário Federal da Sementeira consolidou-se como um importante centro de experimentação, assistência técnica e capacitação profissional, reunindo instalações voltadas tanto à administração e ao apoio das atividades produtivas quanto ao treinamento de agricultores, vaqueiros, tratoristas e extensionistas rurais. As edificações erguidas nesse período refletem o esforço governamental para introduzir novas tecnologias e difundir conhecimentos capazes de aumentar a produtividade agrícola e melhorar as condições de vida no meio rural.

Fachada do Portão de Entrada da Sementeira, construída em 1950, a Fachada do Portão de Entrada da Sementeira localizava-se no acesso principal do Posto Agropecuário Federal da Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. Além de sua função prática de controle e recepção, tornou-se um marco arquitetônico do complexo agrícola, simbolizando a presença das instituições federais voltadas ao desenvolvimento agropecuário da região.

Casa do Mirante do Alto do Bode, construída em 1952, a Casa do Mirante do Alto do Bode localizava-se em uma das áreas elevadas do Posto Agropecuário Federal da Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. Sua posição privilegiada permitia a observação das áreas de cultivo, pastagens e instalações do campo experimental, auxiliando no acompanhamento das atividades agropecuárias desenvolvidas no local.

Casa do Vaqueiro João de Ana, construída em 1953, no conjunto denominado Oco do Urubu, a Casa do Vaqueiro João de Ana localizava-se no Posto Agropecuário Federal da Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. A residência estava associada às atividades de manejo dos rebanhos e demonstra a importância da pecuária dentro do programa de desenvolvimento rural promovido pela instituição.

Casa do Feitor, construída em 1954, a Casa do Feitor localizava-se no Posto Agropecuário Federal da Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. Destinada ao responsável pela supervisão dos serviços agrícolas e pecuários, a edificação integrava a estrutura administrativa necessária para coordenar os trabalhos desenvolvidos nas áreas de produção e experimentação.

Galpão da Oficina Mecânica e Centro de Treinamento para Tratoristas, construído em 1955, o Galpão da Oficina Mecânica localizava-se no Centro de Treinamento para Tratoristas da Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. O espaço era destinado à manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas, desempenhando papel fundamental na introdução da mecanização rural e na formação de operadores capacitados para o uso de tratores e implementos modernos.

Galpão Garagem da Maquinaria, também construído em 1955, o Galpão Garagem da Maquinaria localizava-se no Centro de Treinamento para Tratoristas da Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. A estrutura servia para abrigar tratores, implementos agrícolas e demais equipamentos utilizados nas atividades de ensino prático e nos serviços agropecuários do posto, contribuindo para a preservação e organização do patrimônio mecânico da instituição.

Escola de Extensão Rural e Economia Doméstica, construída em 1956, a Escola de Extensão Rural e Economia Doméstica localizava-se na Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. A instituição destinava-se à formação de agricultores, agricultoras e famílias rurais, difundindo conhecimentos sobre produção agrícola, criação de animais, alimentação, higiene, administração doméstica e melhoria das condições de vida no campo. Sua atuação refletia os programas nacionais de extensão rural implementados durante o período.

Alojamento Masculino da Escola de Extensão Rural, construído em 1957, o Alojamento Masculino da Escola de Extensão Rural localizava-se na Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. A edificação permitia hospedar alunos oriundos de diferentes localidades, ampliando o alcance das ações educativas promovidas pelo Posto Agropecuário Federal e fortalecendo a formação profissional voltada ao desenvolvimento rural da região.

Entre 1950 e 1957, o Posto Agropecuário Federal da Sementeira consolidou-se como um importante núcleo de modernização agrícola no Baixo São Francisco alagoano. A construção de instalações administrativas, residenciais, educacionais e técnicas evidencia o esforço de integrar mecanização, pesquisa aplicada, extensão rural e qualificação profissional em um mesmo espaço. Mais do que um centro de produção agropecuária, a Sementeira tornou-se um ambiente de difusão de conhecimentos e tecnologias que contribuíram para a transformação das práticas agrícolas regionais. As edificações desse período constituem testemunhos materiais de uma fase marcada pela busca do progresso rural e pela formação de trabalhadores preparados para os desafios da agricultura moderna.





CAPÍTULO V – A FAZENDA MODELO E OS PROJETOS AGROPECUÁRIOS (1964–1975)


Entre 1964 e 1975, a antiga Sementeira de Porto Real do Colégio alcançou uma de suas fases mais significativas, consolidando-se como um importante centro de experimentação agropecuária do Baixo São Francisco. Nesse período, a implantação da Fazenda Modelo ampliou os trabalhos anteriormente desenvolvidos pelo Campo Experimental de Sementes, incorporando novas estruturas voltadas à pecuária leiteira, ao abastecimento hídrico e à piscicultura. As iniciativas buscavam demonstrar técnicas modernas de produção rural, incentivar a diversificação econômica e servir como referência para agricultores, criadores e estudantes da região.

Casa Grande da Fazenda Modelo – Construída em 1964, localizava-se na Fazenda Modelo da antiga Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. Servia como centro administrativo e de apoio às atividades agropecuárias desenvolvidas na propriedade.

Nova Baia para Gado Holandês – Construída em 1965, localizava-se na Fazenda Modelo da antiga Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. Destinava-se ao manejo e à criação de bovinos da raça Holandesa, utilizados nos projetos de melhoramento da produção leiteira.

Maternidade da Vaca Leiteira – Construída em 1966, localizava-se na Fazenda Modelo da antiga Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. A estrutura foi planejada para oferecer condições adequadas ao nascimento e aos primeiros cuidados dos bezerros, contribuindo para o aprimoramento da pecuária leiteira local.

Caixa d’Água da Suvale – Construída em 1967, localizava-se nas proximidades da Escola de Extensão Rural, na antiga Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. Integrava o sistema de abastecimento hídrico destinado às atividades agrícolas, pecuárias e educacionais desenvolvidas na área.

Casa do Motor-Bomba d’Água – Construída em 1967, localizava-se próxima à Escola de Extensão Rural, na antiga Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. Abrigava os equipamentos responsáveis pela captação e distribuição de água para os diversos setores da Fazenda Modelo.

Centro Reprodutivo da Piscicultura – Implantado em 1975, com a construção dos tanques destinados à criação e reprodução de peixes, localizava-se na Fazenda Modelo da antiga Sementeira, em Porto Real do Colégio–AL. O projeto representou a ampliação das experiências agropecuárias para a área aquícola, buscando diversificar a produção e fortalecer o aproveitamento dos recursos hídricos da região.

O período compreendido entre 1964 e 1975 marcou o auge da Fazenda Modelo da antiga Sementeira, caracterizado pela expansão da infraestrutura rural e pela diversificação das experiências produtivas. As instalações voltadas à pecuária leiteira, ao abastecimento de água e à piscicultura demonstram o esforço institucional para introduzir técnicas modernas de produção e estimular o desenvolvimento agropecuário regional. Mais do que simples edificações, essas estruturas constituíram instrumentos de pesquisa, demonstração e formação rural, deixando um importante legado para a história agrícola de Porto Real do Colégio e do Baixo São Francisco.





CAPÍTULO VI – A RETOMADA DA SEMENTEIRA E OS PRIMEIROS TEMPOS DA ALDEIA (1978–1980)

A ocupação da Fazenda Modelo pelos Kariri-Xocó, em 1978, marcou um dos momentos mais importantes da história recente do povo indígena de Porto Real do Colégio. Após décadas de luta pela permanência em seu território tradicional, as famílias indígenas passaram a reorganizar sua vida comunitária em uma área que anteriormente servira a projetos agropecuários do governo estadual. A transformação daquele espaço em aldeia representou não apenas a conquista de moradia e trabalho, mas também a reafirmação da identidade cultural, das tradições ancestrais e do direito coletivo à terra. Nos primeiros anos da ocupação, diversos espaços comunitários foram criados para atender às necessidades imediatas da população e fortalecer a organização social da nova aldeia.

Prédios da Fazenda Modelo – A Casa Grande, a Casa de Vigilância, os Galpões e demais edificações da Fazenda Modelo foram ocupados pelos Kariri-Xocó em 1978. A partir desse momento, o complexo passou a representar não apenas um antigo centro de desenvolvimento agropecuário regional, mas também um símbolo da luta indígena por moradia, território e reorganização social das famílias que ali se estabeleceram.

Palhoça do Toré – Construída em 1978, no dia da ocupação da Fazenda Modelo pelos Kariri-Xocó, servia como espaço de preparação para os rituais e apresentações culturais realizadas diante de autoridades, visitantes e representantes da imprensa. Localizava-se ao lado da Casa Grande, na atual Aldeia Kariri-Xocó, em Porto Real do Colégio–AL.

Barracas de Plástico – Erguidas em 1979, abrigaram temporariamente as famílias indígenas que não conseguiram ocupar os antigos prédios da Fazenda Modelo durante o processo de transferência para a nova área da aldeia. Essas moradias provisórias constituíram uma das primeiras formas de adaptação ao novo território.

Campo de Futebol – Implantado em 1980, nas proximidades da Lagoa Grande, tornou-se um importante espaço de lazer, convivência comunitária e realização de eventos esportivos para os moradores da Aldeia Kariri-Xocó, em Porto Real do Colégio–AL.

Olaria dos Tijolos – Estruturada em 1980, destinava-se à fabricação artesanal de tijolos utilizados na construção das primeiras casas da aldeia. Além de atender às necessidades habitacionais da comunidade, a olaria também contribuiu para o comércio regional de produtos cerâmicos no Baixo São Francisco. Localizava-se às margens da Lagoa Comprida, na Aldeia Kariri-Xocó.

Barreiro das Louceiras – Organizado em 1980, consistia na principal área de extração de argila utilizada pelas artesãs indígenas na produção de potes, panelas e outros utensílios cerâmicos tradicionais. Situava-se às margens da Lagoa Comprida, constituindo importante fonte de matéria-prima para a manutenção dos saberes artesanais da comunidade.

Área Agropecuária – Em 1980 foram distribuídas áreas de cultivo destinadas às famílias indígenas, geralmente compostas por lotes entre três e cinco tarefas. Paralelamente, foram estabelecidos cercados para a criação de bovinos, ovinos, caprinos e equinos, garantindo condições básicas para a subsistência e fortalecimento da economia comunitária dos Kariri-Xocó.

A ocupação da Fazenda Modelo inaugurou uma nova etapa na história do povo Kariri-Xocó. Entre 1978 e 1980, a adaptação dos antigos prédios, a construção de moradias, a implantação de áreas produtivas e a criação de espaços culturais e comunitários lançaram as bases da atual aldeia. Mais do que estruturas físicas, esses locais simbolizaram a reconstrução coletiva de um território indígena recuperado, onde trabalho, cultura, espiritualidade e resistência passaram a caminhar juntos no fortalecimento da identidade Kariri-Xocó às margens do rio São Francisco.






CAPÍTULO VII – A FORMAÇÃO DA INFRAESTRUTURA COMUNITÁRIA KARIRI-XOCÓ (1981–1986)

A primeira metade da década de 1980 representou um período de significativa transformação para o povo Kariri-Xocó. Após a ocupação da antiga Fazenda Modelo e a consolidação da permanência indígena no território, iniciou-se uma fase voltada para a construção de estruturas comunitárias essenciais à moradia, educação, produção agrícola, esporte e convivência social. Esse conjunto de realizações fortaleceu a organização interna da comunidade, ampliou a qualidade de vida das famílias e contribuiu para a reafirmação da presença Kariri-Xocó em seu território tradicional às margens do Rio São Francisco.

Conjunto das 110 Casas – Construído em 1981 na Aldeia Kariri-Xocó, antiga Fazenda Modelo, por meio de recursos financiados pela Embaixada do Canadá. Os tijolos utilizados nas construções foram produzidos pelos próprios indígenas na olaria comunitária, simbolizando o esforço coletivo e a participação direta da comunidade na formação de sua nova estrutura habitacional.

Casa do Cacique Cícero Irêçê – Edificada em 1981, durante o período de construção das 110 casas, no local onde anteriormente funcionava a Palhoça do Toré da época da ocupação. Localizada na Rua do Posto, s/n, Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio–AL, tornou-se uma referência histórica e simbólica da liderança indígena no processo de reorganização comunitária.

Chafariz Comunitário – Construído em 1982, próximo à caixa d’água da aldeia, contribuiu para o abastecimento de água das famílias residentes e representou uma importante melhoria nas condições de vida da comunidade.

Maquinário Agrícola – Em 1982, a FUNAI adquiriu um trator, carroção, grade aradora, arado e uma caminhonete destinados ao atendimento dos agricultores da Aldeia Kariri-Xocó. Esses equipamentos fortaleceram a produção agrícola local e ampliaram as condições de trabalho nas áreas cultivadas pela comunidade.

Sede do Guarani Esporte Clube – Construída em 1983 na Rua do Primeiro Portão, Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio–AL. O espaço tornou-se importante ponto de encontro para atividades esportivas, recreativas e sociais, fortalecendo a integração entre jovens e adultos da comunidade.

Reserva Indígena Kariri-Xocó – Em 18 de setembro de 1984, foi desenvolvido o projeto de ampliação da Reserva Indígena Kariri-Xocó para 699 hectares, sob coordenação do Grupo de Trabalho liderado pela antropóloga Lígia Terezinha Lopes Simonian. A iniciativa representou um importante avanço no processo de reconhecimento e consolidação territorial do povo Kariri-Xocó.

Escola Gilberto Pinto Figueiredo Costa – Em 1984, a escola foi instalada em um dos prédios remanescentes da antiga Fazenda Modelo, nas proximidades da caixa d’água da antiga SUVALE, na Aldeia Kariri-Xocó. A instituição passou a desempenhar papel fundamental na educação das crianças e jovens indígenas, contribuindo para a formação escolar da comunidade.

Quadrinha de Futebol – Construída em 1985 na margem do Rio São Francisco, tornou-se um dos principais espaços de lazer e prática esportiva da aldeia, fortalecendo a convivência comunitária e incentivando a participação da juventude em atividades recreativas.

Boteco de Antônio Tinga – Construído em 1986 ao lado da Quadrinha de Futebol, em frente ao portão da Aldeia Kariri-Xocó. Além de estabelecimento comercial, tornou-se um espaço de encontro e convivência social, frequentado por moradores e visitantes da comunidade.

Entre 1981 e 1986, a Aldeia Kariri-Xocó vivenciou uma etapa decisiva de consolidação de sua infraestrutura comunitária. A construção de moradias, a implantação de equipamentos de abastecimento de água, a aquisição de máquinas agrícolas, a ampliação das áreas destinadas ao território indígena, a instalação de espaços educacionais e esportivos e o surgimento de novos pontos de convivência demonstram o esforço coletivo empreendido pela comunidade para reconstruir sua vida social após a ocupação da Fazenda Modelo. Esse período marcou a transição de uma fase de resistência territorial para uma etapa de organização estrutural, fortalecendo as bases materiais, culturais e sociais que sustentam a continuidade histórica do povo Kariri-Xocó até os dias atuais.






CAPÍTULO VIII – HABITAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA ALDEIA (1988–1997)

A partir do final da década de 1980, a Aldeia Kariri-Xocó passou por uma importante fase de transformação estrutural, marcada pela ampliação das moradias, pela implementação de melhorias na infraestrutura comunitária e pelo fortalecimento das atividades produtivas tradicionais. Esse período representou um avanço significativo na qualidade de vida da população indígena, resultado das lutas pela garantia dos direitos constitucionais conquistados após a promulgação da Constituição Federal de 1988. As iniciativas voltadas para habitação, geração de trabalho e assistência à saúde contribuíram para consolidar as bases do desenvolvimento social e econômico da comunidade, acompanhando o crescimento populacional e as novas demandas da aldeia.

Casa Geminada para Duas Famílias – Construção do Conjunto das 18 Casas, localizado na Rua do Primeiro Portão, no ano de 1988, na Aldeia Kariri-Xocó, município de Porto Real do Colégio, Alagoas. As residências foram destinadas a famílias indígenas que necessitavam de melhores condições de moradia, contribuindo para reduzir o déficit habitacional existente na comunidade.

Galpão da Olaria – Construído em 1989, nas proximidades da Lagoa Comprida, na Aldeia Kariri-Xocó. O espaço foi utilizado para apoiar a produção artesanal de tijolos, telhas e outros artefatos cerâmicos, fortalecendo uma atividade tradicional que gerava trabalho e renda para diversas famílias indígenas.

Conjunto das 45 Casas – Construído em 1991 na Aldeia Kariri-Xocó, com recursos do Governo Federal, destinado a atender famílias em situação de vulnerabilidade social e acompanhar o crescimento da população indígena. A obra representou um dos maiores investimentos habitacionais realizados na comunidade até então.

Antigo Polo Base Kariri-Xocó – Construído em 1994, localizado na Rua do Posto, na Aldeia Kariri-Xocó. A unidade passou a servir como referência para o atendimento básico de saúde indígena, ampliando o acesso da população aos serviços de acompanhamento médico, vacinação e ações preventivas.

Rede Hidráulica – Implantada em 1997 por meio de parceria entre o Governo Federal e a Prefeitura Municipal de Porto Real do Colégio. A instalação da rede de abastecimento de água tratada representou um marco para a saúde pública da aldeia, reduzindo riscos sanitários e proporcionando melhores condições de higiene e bem-estar para as famílias indígenas.

A construção de novas moradias, a valorização das atividades produtivas tradicionais, a ampliação da assistência à saúde e a implantação da rede de abastecimento de água demonstram que o período entre 1988 e 1997 foi marcado por importantes conquistas sociais para o povo Kariri-Xocó. Essas realizações fortaleceram a permanência das famílias em seu território, melhoraram as condições de vida da comunidade e contribuíram para a consolidação de um processo de desenvolvimento baseado na dignidade, no trabalho coletivo e na afirmação dos direitos indígenas. Os avanços alcançados nesse período constituem um legado fundamental para as gerações seguintes e representam uma etapa decisiva na construção da história contemporânea da Aldeia Kariri-Xocó.






CAPÍTULO IX – EDUCAÇÃO, CULTURA E INCLUSÃO DIGITAL (1999–2011)

O período compreendido entre 1999 e 2011 representa uma fase de importantes transformações na Aldeia Kariri-Xocó, marcada pela ampliação dos serviços essenciais, pelo fortalecimento da educação escolar indígena, pelo acesso às tecnologias da informação e pela valorização das expressões culturais tradicionais. Nesse contexto, a comunidade consolidou conquistas históricas relacionadas ao abastecimento de água, à saúde, à educação e à inclusão digital, ao mesmo tempo em que fortaleceu sua identidade étnica e seus conhecimentos ancestrais. Essas iniciativas contribuíram para a construção de novas oportunidades para as gerações mais jovens, sem romper os vínculos com a memória, a tradição oral e os modos de vida do povo Kariri-Xocó.

A 1ª Estação de Abastecimento e Tratamento d'Água foi construída em 1999, localizada na Rua do 2º Portão, Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio – AL. A obra representou um importante avanço para a saúde pública e para a qualidade de vida da comunidade, garantindo melhores condições de acesso à água tratada.

O Posto de Saúde foi construído em 2001 pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), na Aldeia Kariri-Xocó. A unidade passou a contar com equipe multidisciplinar composta por médico, enfermeira, dentista e auxiliares de enfermagem, ampliando o atendimento à população indígena e fortalecendo as ações de prevenção e promoção da saúde.

A Escola Indígena Pajé Francisco Queiroz Suíra foi construída em 2002, localizada na Rua do Campo, s/n, Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio – AL. A instituição tornou-se um importante espaço para o desenvolvimento da educação intercultural, promovendo a articulação entre os conhecimentos acadêmicos e os saberes tradicionais da comunidade.

O Cyber Oca Índios Online foi implantado em 2006, localizado na Rua da Caixa d'Água, s/n, Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio – AL. O espaço possibilitou o acesso da juventude indígena às tecnologias digitais e à internet, contribuindo para a inclusão digital, a comunicação intercultural e a divulgação da cultura indígena em âmbito nacional e internacional.

O Ponto de Cultura Horizonte Circular passou por adequação estrutural em 2009, localizado na Ladeira do Posto, s/n, Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio – AL. O espaço consolidou-se como centro de atividades culturais, artísticas e educativas, promovendo oficinas, encontros, pesquisas e ações voltadas à preservação da memória e das tradições do povo Kariri-Xocó.

A Casa de Alpendre Francisco Sampaio da Silva foi construída em 2010, dando origem ao núcleo habitacional Sítio Alegre Aracaré Parrancó, na Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio – AL. A iniciativa marcou a expansão do espaço comunitário e o fortalecimento da ocupação territorial da aldeia.

A Rede Elétrica da Aldeia Kariri-Xocó, que desde 1966 era abastecida pela infraestrutura herdada da antiga Fazenda Modelo, passou por reforma e ampliação em 2011 por meio do Programa Luz para Todos, do Governo Federal. A melhoria ampliou o acesso à energia elétrica e favoreceu o funcionamento de equipamentos educacionais, culturais, tecnológicos e residenciais da comunidade.

O conjunto dessas realizações demonstra que o desenvolvimento da Aldeia Kariri-Xocó, entre o final do século XX e o início do século XXI, esteve fundamentado na busca por melhores condições de vida, sem abrir mão da preservação da identidade indígena. A expansão dos serviços de saúde, educação, abastecimento de água, energia elétrica e inclusão digital fortaleceu a autonomia comunitária e criou novas possibilidades para as futuras gerações. Ao integrar tradição e modernidade, os Kariri-Xocó reafirmaram sua capacidade de adaptação, resistência e valorização cultural, transformando a educação intercultural e o acesso à tecnologia em instrumentos de fortalecimento de sua história, memória e permanência no território ancestral.
Tema central: Educação intercultural, tecnologia e valorização cultural.






CAPÍTULO X – A EXPANSÃO URBANA DA ALDEIA KARIRI-XOCÓ (2010–2014)

A primeira metade da década de 2010 foi marcada por uma significativa transformação no espaço físico da Aldeia Kariri-Xocó. O crescimento populacional das famílias indígenas, aliado ao acesso a programas habitacionais federais e aos investimentos em infraestrutura comunitária, impulsionou a expansão urbana da Terra Indígena. Novos conjuntos habitacionais surgiram em diferentes áreas da aldeia, ampliando as condições de moradia, fortalecendo a permanência das famílias em seu território tradicional e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da comunidade. Paralelamente, equipamentos públicos foram implantados ou ampliados, acompanhando as novas demandas sociais e sanitárias da população indígena.

Conjunto Habitacional das 100 Casas – Construído em 2010 por meio do Programa Minha Casa Minha Vida, com financiamento da Caixa Econômica Federal, destinou-se às famílias da Aldeia Kariri-Xocó. O empreendimento representou uma das maiores iniciativas habitacionais já realizadas na comunidade, contribuindo para a redução do déficit de moradias e para a melhoria das condições de habitação das famílias indígenas.

Conjunto Habitacional das 200 Casas – Construído em 2012 através do Programa Minha Casa Minha Vida, com financiamento da Caixa Econômica Federal. O conjunto ampliou significativamente a área urbanizada da aldeia, atendendo à crescente demanda habitacional decorrente do aumento populacional e da formação de novos núcleos familiares.

Núcleo Habitacional dos Taré – Implantado em 2012, deu origem à atual Rua da Família Taré, na Aldeia Kariri-Xocó. O novo núcleo consolidou um espaço de convivência familiar e comunitária, fortalecendo os laços de parentesco e a ocupação tradicional do território indígena.

Conjunto Habitacional das 50 Casas – Construído em 2013 na região do Cercado Grande, dentro da Terra Indígena Kariri-Xocó, com financiamento da Caixa Econômica Federal. O conjunto foi destinado principalmente às famílias de pescadores, ampliando as oportunidades de acesso à moradia digna para um importante segmento da comunidade ligado às atividades pesqueiras do rio São Francisco.

Novo Polo Base Kariri-Xocó – Construído em 2014, localizado na Rua da Escola Indígena, Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL. A nova estrutura fortaleceu os serviços de atenção à saúde indígena, ampliando o espaço de atendimento e o quadro de profissionais, incluindo agentes indígenas de saúde, técnicos e equipes multidisciplinares responsáveis pela assistência à comunidade.

Entre 2010 e 2014, a Aldeia Kariri-Xocó vivenciou uma das mais expressivas fases de expansão urbana de sua história recente. A construção de novos conjuntos habitacionais e a implantação de equipamentos públicos demonstraram a capacidade da comunidade de articular políticas públicas voltadas à habitação, saúde e bem-estar coletivo. Mais do que a ampliação física da aldeia, esse período representou o fortalecimento da permanência indígena em seu território ancestral, assegurando melhores condições de vida às famílias e preparando a comunidade para os desafios das gerações futuras. As novas moradias, ruas e estruturas de atendimento consolidaram um importante marco no processo de desenvolvimento social e territorial do povo Kariri-Xocó, sem romper os vínculos com sua identidade cultural, memória histórica e tradições ancestrais.






CAPÍTULO XI - OS NOVOS ESPAÇOS DE CULTURA E DESENVOLVIMENTO (2015–2023)

A partir de 2015, a Terra Indígena Kariri-Xocó passou a vivenciar uma nova etapa de fortalecimento comunitário, marcada pela criação de espaços voltados à preservação da memória, à valorização dos saberes tradicionais e à melhoria das condições de vida da população. Esse período representa a consolidação de iniciativas que unem cultura, educação, turismo de base comunitária e infraestrutura, demonstrando a capacidade do povo Kariri-Xocó de construir caminhos de desenvolvimento alinhados à sua identidade ancestral. Os novos equipamentos comunitários implantados entre 2015 e 2023 tornaram-se referências para a promoção da cultura indígena e para o fortalecimento da autonomia local.

Centro Cultural Sabucá – Construído em 2015, localizado no Cercado Grande, Terra Indígena Kariri-Xocó, município de Porto Real do Colégio–AL. O espaço foi criado com a finalidade de promover atividades culturais, educativas e comunitárias, contribuindo para a preservação da memória histórica, das tradições indígenas e da transmissão dos conhecimentos ancestrais às novas gerações.

Aldeia Cultural Opará – Construída em 2019, localizada no Cercado Grande, Terra Indígena Kariri-Xocó, município de Porto Real do Colégio–AL. Idealizada como espaço de valorização cultural e recepção de visitantes, a Aldeia Cultural Opará fortaleceu o turismo de base comunitária, ampliando as oportunidades de intercâmbio cultural e divulgação das tradições, da arte, da espiritualidade e dos modos de vida do povo Kariri-Xocó.

Nova Estação de Abastecimento e Tratamento de Água – Construída em 2023, localizada no Conjunto das 200 Casas, Aldeia Kariri-Xocó, município de Porto Real do Colégio–AL. A obra representou um importante avanço na infraestrutura comunitária, ampliando o acesso à água tratada e contribuindo para a melhoria das condições sanitárias, da saúde pública e da qualidade de vida das famílias indígenas.

Os anos de 2015 a 2023 simbolizam um período de renovação e fortalecimento da Terra Indígena Kariri-Xocó, marcado pela integração entre tradição e desenvolvimento. A implantação do Centro Cultural Sabucá, da Aldeia Cultural Opará e da Nova Estação de Abastecimento e Tratamento de Água demonstra que a valorização da identidade cultural pode caminhar lado a lado com a melhoria da infraestrutura e do bem-estar coletivo. Esses espaços consolidaram-se como importantes patrimônios da comunidade, contribuindo para a preservação da memória ancestral, para o fortalecimento do turismo de base comunitária e para a construção de um futuro mais sustentável para as atuais e futuras gerações do povo Kariri-Xocó.





CAPÍTULO XII - PATRIMÔNIO MATERIAL E MEMÓRIA COLETIVA DOS KARIRI-XOCÓ

A história do povo Kariri-Xocó não se limita aos acontecimentos políticos, econômicos e sociais registrados ao longo do tempo. Ela também está presente nos lugares, nas construções, nas paisagens, nos objetos e, sobretudo, na memória coletiva transmitida entre as gerações. A preservação desse patrimônio material e imaterial constitui um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das mais importantes formas de fortalecimento da identidade indígena, garantindo que as experiências do passado permaneçam vivas para orientar o presente e inspirar o futuro.

A antiga Fazenda Modelo Agropecuária, implantada em terras tradicionalmente ocupadas pelos Kariri-Xocó, foi gradualmente recuperada pela comunidade após o movimento de retomada iniciado em 1978. Com a regularização e demarcação do território indígena nas décadas seguintes, a área passou a ser oficialmente reconhecida como Terra Indígena (TI), assegurando à comunidade o direito de usufruto coletivo de suas terras ancestrais. Nesse espaço consolidou-se a nova unidade sociocultural e habitacional da etnia, conhecida simplesmente como Aldeia Kariri-Xocó.

A permanência da memória ancestral no território manifesta-se especialmente em locais históricos como o Alto Bode, área associada às antigas ocupações dos antepassados Kariri e Xocó. Até o final do século XVIII, diversas famílias indígenas habitavam essas terras às margens do rio São Francisco. A partir de 1923, parte desse território foi incorporada a projetos governamentais vinculados ao Centro Agrícola e à Fazenda Modelo, situação que perdurou até a recuperação gradual das terras pela comunidade a partir de 1978.

Ao longo do tempo, muitas construções erguidas durante o período da Fazenda Modelo desapareceram ou foram profundamente modificadas. Antigos alojamentos, galpões, baias, residências de funcionários e prédios administrativos deram lugar a novas estruturas comunitárias ou foram adaptados para atender às necessidades habitacionais das famílias indígenas. Embora parte desse patrimônio físico tenha sido transformada, sua memória permanece preservada nos relatos dos moradores e na história da comunidade.

Entre os principais desafios para a preservação do patrimônio histórico indígena está a valorização da tradição oral, transmitida através das conversas familiares, dos encontros comunitários e das fogueiras das histórias, onde os mais velhos compartilham conhecimentos, experiências e ensinamentos. Paralelamente, cresce a importância da escrita e da publicação de obras produzidas por autores indígenas, contribuindo para registrar e difundir a história, a cultura e a visão de mundo dos Kariri-Xocó para as novas gerações.

As narrativas dos anciãos e as fontes orais constituem um patrimônio de valor inestimável. O registro dessas memórias por meio de entrevistas, gravações, fotografias, documentos e publicações possibilita a construção de acervos físicos e virtuais voltados à preservação da história coletiva da comunidade. Esses registros fortalecem a identidade cultural, promovem a valorização dos saberes tradicionais e garantem que o legado dos antepassados permaneça acessível às gerações futuras.

Conclui-se que o patrimônio material e a memória coletiva dos Kariri-Xocó representam muito mais do que vestígios do passado. São elementos vivos que conectam território, identidade, cultura e pertencimento. Preservar a memória da Aldeia, dos antigos espaços ocupados, das lutas pela terra e das narrativas transmitidas pelos anciãos significa assegurar a continuidade histórica do povo Kariri-Xocó. Dessa forma, cada relato, documento, fotografia, construção remanescente ou obra produzida pela comunidade transforma-se em testemunho permanente de sua resistência, reafirmando seu papel como patrimônio histórico, cultural e humano do Baixo São Francisco e do Brasil.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

A trajetória apresentada nesta obra demonstra que a história da Aldeia Kariri-Xocó é resultado de um longo processo de permanência, transformação e resistência. Dos antigos marcos territoriais às atuais iniciativas culturais e comunitárias, cada geração contribuiu para a construção de um patrimônio coletivo que ultrapassa os limites físicos do território e se manifesta na memória, na identidade e nos saberes tradicionais do povo.

As construções, instituições, espaços produtivos e equipamentos comunitários descritos ao longo dos capítulos representam diferentes momentos históricos que moldaram a realidade contemporânea da aldeia. Ao mesmo tempo, revelam a capacidade dos Kariri-Xocó de adaptar-se às mudanças sem abandonar os valores culturais herdados de seus ancestrais.

Este livro busca contribuir para a preservação da memória histórica da comunidade, valorizando as narrativas dos anciãos, os registros documentais e as experiências vividas pelas famílias indígenas ao longo de mais de duzentos anos. Que estas páginas sirvam como fonte de conhecimento, reflexão e inspiração para pesquisadores, estudantes, lideranças e, principalmente, para as futuras gerações Kariri-Xocó.

Preservar a memória é preservar a própria existência. E enquanto a história continuar sendo contada, a identidade do povo Kariri-Xocó continuará viva, fortalecendo sua ligação com a terra, com seus ancestrais e com o futuro.
Nhenety Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio – Alagoas
2026






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 



ALMEIDA, Geraldo Gustavo de. Heróis Indígenas do Brasil. Memórias sinceras de uma raça. Rio de Janeiro: Catedra, 1988 .

NIDÉ, Otávio Queiroz. Entrevista de um Cacique Kariri: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 06-14 jun. 1981.

SUÍRA, Francisco Queiroz. Entrevista de um Pajé Kariri: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 10-20 ago. 1986.

IRAMINON, Manoel. Entrevista de um Ancião Xocó: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 13-22 nov. 1985.

KARIRI-XOCÓ, N. kxnhenety. 30 Jul. 2008 a 19 Dez. 2022 [online]. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:

http://kxnhenety.blogspot.com/2008-2022.html , Acesso em 05/12/2022.

KARIRI-XOCÓ, N. kxnhenety. 10 Fev. 2023. [online]. Nhenety Kariri-Xocó.

https://kxnhenety.blogspot.com/2023/01/as-origens-kariri-xoco-4.html?m=0 .  Acesso em 10/02/2023. 

KARIRI-XOCÓ, N. kxnhenety. 14 Fev. 2023. [online].  

https://kxnhenety.blogspot.com/2023/01/as-origens-kariri-xoco-3.html?m=0 > Acesso em 14/02/2023. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Evolução Cultural 6. Disponível em: 

 https://kxnhenety.blogspot.com/2024/08/evolucao-cultural-6.html?m=0 . Acesso em: 7 jun. 2026.

MILITÃO, José Eudes. Entrevista de um Ancião Kariri-Xocó: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 14 abr. 2021.






SOBRE O AUTOR


Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador independente, contador de histórias oral e escrita, memorialista indígena e integrante do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Dedica-se à preservação da memória ancestral dos povos indígenas do Nordeste brasileiro, especialmente das tradições históricas e culturais do Baixo São Francisco.

É autor de pesquisas, registros genealógicos e estudos etno-históricos publicados em plataformas digitais e projetos culturais relacionados à memória indígena nordestina.






Autor: Nhenety Kariri-Xocó


 



domingo, 7 de junho de 2026

PORTO REAL DO COLÉGIO: HISTÓRIA, CULTURA, RELIGIOSIDADE E MEMÓRIA POPULAR

 







FALSA FOLHA DE ROSTO


PORTO REAL DO COLÉGIO: HISTÓRIA, CULTURA, RELIGIOSIDADE E MEMÓRIA POPULAR

Nhenety Kariri-Xocó






FOLHA DE ROSTO


PORTO REAL DO COLÉGIO: HISTÓRIA, CULTURA, RELIGIOSIDADE E MEMÓRIA POPULAR

Nhenety Kariri-Xocó

1ª Edição

Porto Real do Colégio – AL 2026






VERSO DA FOLHA DE ROSTO


Copyright © 2026 por Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida sem autorização do autor, exceto para fins acadêmicos e de pesquisa, mediante citação da fonte.

Porto Real do Colégio – Alagoas Brasil

Edição independente.






FICHA CATALOGRÁFICA (MODELO)


Kariri-Xocó, Nhenety.

Porto Real do Colégio: história, cultura, religiosidade e memória popular / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

xxx p. : il.

Inclui referências bibliográficas.

ISBN: 978-65-0000-000-0

História de Porto Real do Colégio. 2. Cultura Popular. 3. Kariri-Xocó. 4. Memória Social. 5. Patrimônio Cultural. I. Título.




ISBN (SIMBÓLICO)


ISBN: 978-65-0000-000-0

(Registro simbólico para fins de apresentação editorial.)




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 





DEDICATÓRIA



Dedico esta obra ao povo Kariri-Xocó, aos moradores de Porto Real do Colégio, aos antigos mestres da tradição oral, aos pescadores, agricultores, artesãos, religiosos e trabalhadores que ajudaram a construir a memória coletiva de nossa terra.

Dedico também aos meus familiares e a todos aqueles que preservam a história e a cultura do Baixo São Francisco para as futuras gerações.





AGRADECIMENTOS

Agradeço aos anciãos Kariri-Xocó, aos moradores de Porto Real do Colégio, aos pesquisadores, professores, lideranças indígenas e amigos que compartilharam conhecimentos, histórias e documentos que contribuíram para a realização desta obra.

Agradeço igualmente aos leitores do Blog Kxnhenety, cuja participação ao longo dos anos incentivou a continuidade das pesquisas sobre a história regional.






EPÍGRAFE

“Um povo sem memória é como um rio sem nascente.”

(Provérbio adaptado pelo autor)






PREFÁCIO DO VOLUME

Este livro reúne memórias, acontecimentos históricos, manifestações culturais, tradições religiosas e experiências vividas pelos habitantes de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó.

A obra procura registrar aspectos da vida cotidiana que muitas vezes permanecem apenas na tradição oral, preservando para as futuras gerações elementos fundamentais da identidade regional.






RESUMO

Esta obra apresenta um panorama histórico e cultural do município de Porto Real do Colégio, Alagoas, e da Aldeia Kariri-Xocó. O estudo reúne informações referentes à formação social, manifestações religiosas, festas populares, folclore, cultura ribeirinha, atividades econômicas, instituições públicas, esportes, brincadeiras tradicionais e lugares de memória. A pesquisa fundamenta-se em bibliografia especializada, documentos históricos e relatos da tradição oral, contribuindo para a preservação do patrimônio cultural material e imaterial do Baixo São Francisco.

Palavras-chave: Porto Real do Colégio; Kariri-Xocó; Cultura Popular; História Regional; Memória Social.





ABSTRACT

This work presents a historical and cultural overview of the municipality of Porto Real do Colégio, Alagoas, Brazil, and the Kariri-Xocó Indigenous Village. The study gathers information regarding social formation, religious manifestations, popular festivals, folklore, riverside culture, economic activities, public institutions, sports, traditional games, and places of memory. The research is based on specialized bibliography, historical documents, and oral tradition narratives, contributing to the preservation of the material and immaterial cultural heritage of the Lower São Francisco River region.

Keywords: Porto Real do Colégio; Kariri-Xocó; Popular Culture; Regional History; Social Memory.






APRESENTAÇÃO

O presente livro resulta de anos de pesquisa, observação e registro das tradições culturais de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó. Seu objetivo é preservar a memória coletiva da população, valorizando personagens, acontecimentos, costumes, festas, religiosidade e formas de vida que marcaram a história regional.






NOTA DO AUTOR

As informações aqui reunidas foram obtidas por meio de pesquisa bibliográfica, entrevistas, observação participante e registros da tradição oral. Alguns fatos apresentados pertencem ao campo da memória popular e do imaginário coletivo, sendo preservados como parte do patrimônio cultural da comunidade.






MEMÓRIA DO AUTOR

Sou Nhenety Kariri-Xocó, indígena do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas. Desde cedo desenvolvi interesse pela história de meu povo, pelas narrativas dos mais velhos e pela memória das comunidades do Baixo São Francisco.

Esta obra representa uma contribuição à preservação da identidade cultural regional e ao fortalecimento da memória histórica das futuras gerações.






SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Apresentação
Introdução
Capítulo I – História Colonial, Imperial e Administrativa 
Capítulo II – Religiosidade Católica e Festas Cristãs 
Capítulo III – Religiosidade Afro-Brasileira 
Capítulo IV – Festas Populares e Folguedos 
Capítulo V – Cultura Popular, Artes e Entretenimento Circo 
Capítulo VI – Folclore, Lendas e Imaginário Popular 
Capítulo VII – O Rio São Francisco e a Cultura Ribeirinha 
Capítulo VIII – Pesca e Modos de Vida Ribeirinha 
Capítulo IX – Agricultura, Trabalho e Economia Rural 
Capítulo X – O Progresso Agropecuário e a Formação Rural 
Capítulo XI – Transportes, Comunicação e Modernização 
Capítulo XII – Comércio e Vida Urbana 
Capítulo XIII – Educação e Instituições Públicas 
Capítulo XIV – Esporte e Lazer 
Capítulo XV – Integração dos Kariri-Xocó na Sociedade Local 
Capítulo XVI – Brincadeiras e Jogos Tradicionais 
Capítulo XVII – Lugares de Memória e Patrimônio Colegiense 
Capítulo XVIII – Tradições e Memórias Populares de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó
Considerações Finais
Referências Bibliográficas






INTRODUÇÃO

Porto Real do Colégio constitui um dos mais importantes núcleos históricos do Baixo São Francisco. Sua formação resultou da interação entre povos indígenas, colonizadores portugueses e populações afrodescendentes, produzindo uma rica diversidade cultural.

Entre os grupos indígenas da região, os Kariri-Xocó destacam-se por sua resistência histórica e pela preservação de importantes tradições culturais. Ao longo dos séculos, a convivência entre diferentes grupos sociais contribuiu para a construção de uma identidade regional singular.

Neste contexto, o presente livro procura registrar elementos da história, cultura, religiosidade e memória popular que ajudaram a moldar a vida social de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó.





CAPÍTULO I - HISTÓRIA COLONIAL, IMPERIAL E ADMINISTRATIVA

A história de Porto Real do Colégio, localizada às margens do rio São Francisco, é marcada pela presença indígena, pela atuação missionária dos jesuítas e pela formação das instituições civis, religiosas e administrativas que contribuíram para a construção do município ao longo dos séculos. Desde os aldeamentos indígenas e as propriedades coloniais do século XVII até a consolidação dos órgãos públicos municipais nos séculos XIX e XX, a localidade desenvolveu uma identidade própria, resultante do encontro de diferentes tradições culturais e processos históricos.

Fazenda Urubumirim – Propriedade do colonizador Antônio Souto de Macedo, doada à devoção de Nossa Senhora da Conceição em 1675. Em suas terras desenvolveu-se o núcleo que deu origem ao Colégio dos Jesuítas no Baixo São Francisco.

Residência de Urubumirim – Centro da administração inaciana no Baixo São Francisco durante o século XVII. A residência coordenava as aldeias de Colégio e São Brás, promovendo atividades ligadas à produção de artefatos de couro, enfermagem, artes e ofícios.

Igreja Matriz – A Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Porto Real do Colégio, foi edificada em 1661 durante o período da missão jesuítica. Ao longo dos séculos, passou por diversas reformas e ampliações.

Visita de D. Pedro II – Segundo a tradição oral de Porto Real do Colégio, o imperador D. Pedro II visitou a localidade em 16 de outubro de 1859, sendo recebido pelo chefe tribal Manoel Baltazar.

Colônia São Francisco – Criada em 1878 no município de Porto Real do Colégio, teve como objetivo reunir e assistir os flagelados da seca. Sua administração foi confiada ao agrimensor Manoel de Souza Braga.

Intendência – Instituição administrativa criada em 1876, onde o intendente exercia as funções do poder executivo local. O primeiro intendente foi Francisco Xavier. A sede da Intendência funcionou até 1926, quando teve início a transição para a administração municipal moderna.

Prefeitura – Sede do Poder Executivo Municipal. Em Porto Real do Colégio, sua organização consolidou-se a partir de 1931, durante a administração de Joaquim Ferreira Barbosa, permanecendo como estrutura administrativa até os dias atuais.

Câmara Municipal – Instituição do Poder Legislativo local, criada em 1876. É o órgão responsável pela representação política da população do município por meio dos vereadores eleitos.

Delegacia de Polícia – Unidade de segurança pública existente desde o período da Intendência. Responsável pelas atividades policiais e investigações criminais, teve seu edifício reformado em 1921.

Paróquia de Nossa Senhora da Conceição – Instituição religiosa responsável pelos registros sacramentais e pela assistência espiritual da comunidade. Foi criada em 1827 e está localizada na Rua da Matriz, Centro de Porto Real do Colégio.

Centenário da Independência – Em 1922, Porto Real do Colégio participou das comemorações do Centenário da Independência do Brasil. As festividades incluíram desfiles cívicos com a participação da filha do ex-intendente Ignácio Albino de Figueiredo e de representantes indígenas do município.

Os marcos apresentados destacam alguns dos principais acontecimentos, edifícios, instituições e personagens que participaram da formação histórica de Porto Real do Colégio, evidenciando sua importância no contexto do Baixo São Francisco e do estado de Alagoas. O registro deste fatos contribuirá para os estudos para uma preservação da memória ancestral, cultural, histórica e espiritualidade.





CAPÍTULO II - RELIGIOSIDADE CATÓLICA E FESTAS CRISTÃS

A religiosidade católica exerce papel fundamental na formação histórica, social e cultural do município de Porto Real do Colégio, Alagoas. Desde o período colonial, as tradições cristãs foram incorporadas ao cotidiano da população por meio das celebrações litúrgicas, procissões, novenas, missões religiosas, festas de santos padroeiros e diversos ritos que marcam os ciclos da vida, da morte e das principais datas do calendário cristão.

Ao longo dos séculos, essas manifestações religiosas tornaram-se importantes elementos de identidade coletiva, reunindo famílias, fortalecendo laços comunitários e preservando costumes transmitidos de geração em geração. As festividades não se limitam aos aspectos espirituais, mas também promovem encontros sociais, atividades culturais, música, gastronomia e expressões populares que enriquecem a vida da comunidade.

Novenas de Nossa Senhora da Conceição, 29 de novembro até 8 de dezembro á procissão, com Parque de Diversões Jorginho,  barracas de jogos e entretenimento.

Procissão de São Roque, a festa do Padroeiro de Porto Real do Colégio desde 1911, os festejos com missas nos dias 14, 15 e 16 de agosto procissão pelas ruas da cidade.

Bom Jesus dos Navegantes, a procissão de barcos, lanchas e navio Encomendador Peixoto, no Rio São Francisco, com a imagem de Bom Jesus de Porto Real do Colégio, no último domingo de fevereiro.

Domingo de Ramos, a festa móvel cristã, no domingo anterior à Páscoa, representando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, os colegienses participam da procissão com ramos no domingo que antecede a Sexta-Feira Santa.

Procissão Senhor dos Passos, o ritual católico da terceira semana da Quaresma, na procissão reproduz os momentos finais da vida de Jesus Cristo, encontro entre mãe e filho a caminho do Calvário.

Procissão das Almas, a procissão ocorre na madrugada da Sexta-feira da Paixão ao Sábado de Aleluia, os fiéis com velas acessas, vestem túnicas brancas, representam as almas.

Corpus Christi, a comemoração litúrgica da Igreja Católica, que acontece na quinta-feira, no domingo seguinte ao de Pentecostes, os fiéis enfeitam as ruas da cidade para a procissão.

Sexta-feira da Paixão, a data religiosa cristã que relembra a crucificação de Jesus, no município é dia santo, na tradição é dia de pedir as bençãos, dos pais, avós, padrinhos, também á troca de presentes.

Período de Natal, a festa religiosa cristã, enfeitam a casa com árvore natalina, ceia, bebidas, presentes, dando Feliz Natal, as 00:00 horas do dia 25 de dezembro, comemorando o nascimento de Cristo.

Réveillon, a virada de ano, festa de passagem do Ano-velho para o Ano-novo, no dia 31 de dezembro, com missa às 00:00 horas , pessoas se cumprimentam dando Feliz Ano Novo.

Missão de Frei Damião, as santas missões realizadas por Frei Damião e Frei Fernando, com seus sermões, caminhadas  e romarias, também muito frequente em Porto Real do Colégio na década de 1970.

Coral da Igreja, o Coral da Igreja Nossa Senhora da Conceição, com 8 membros, animas as festas religiosas católica, no município de Porto Real do Colégio.

Batizados, após o rito cristão católicos, os padrinhos fazem uma festa na casa do afilhado (a), junto aos compadres, oferecem bebidas, comidas aos convidados.

Festa de Casamento, após a cerimônia de matrimônio religioso ou civil, os noivos fazem festa para os convidados, com música para todos dançar, comida e bebidas a vontade.

Fogueira do Morto, o fogo acesso a noite, na porta do falecido (a), a família do morto providencia café, pão para os visitantes, contam histórias sobre o finado relembrando sua trajetória até o dia amanhecer.

Sentinela do Morto, o rito de cantos fúnebre para a pessoa que morreu, geralmente com benditos, Ato de Contrição, Salve Rainha, as rezas vai até certas horas da noite.

Nesse contexto, destaca-se a participação ativa do povo Kariri-Xocó, que ao longo de sua trajetória histórica manteve relações de convivência e intercâmbio cultural com a sociedade local, integrando-se a diversas celebrações religiosas do município. Essa participação demonstra a riqueza do patrimônio cultural colegiense, marcado pela coexistência de diferentes tradições e formas de expressão da fé.

As festas religiosas, procissões, romarias, celebrações natalinas, ritos fúnebres e demais práticas apresentadas neste capítulo revelam a importância da religiosidade cristã na construção da memória coletiva de Porto Real do Colégio, constituindo um valioso legado histórico e cultural preservado pelas gerações passadas e presentes.






CAPÍTULO III – RELIGIOSIDADE AFRO-BRASILEIRA

Os afrodescendentes estão presentes no município desde os primeiros tempos da colonização do Baixo São Francisco, entre os séculos XVI e XVII. Em Porto Real do Colégio, a religiosidade de matriz africana permaneceu ativa ao longo das décadas de 1960 e 1970, destacando-se o Candomblé de Zuleica, figura muito querida e respeitada pela população local. Outras manifestações religiosas bastante frequentes nesse período incluíam oferendas dedicadas aos orixás, realizadas por parte da comunidade.

Candomblé de Zuleica – Liderança religiosa afro-brasileira ligada aos cultos de origem africana. Suas atividades eram realizadas na antiga Rua Santa Cruz. Entre as celebrações destacavam-se as festividades dedicadas a São Cosme e São Damião, realizadas anualmente em 27 de setembro.

Despacho de Macumba – Oferenda tradicionalmente associada a Exu, composta por elementos como cachaça, cigarro, galo preto, velas, pano preto, farofa e outros itens relacionados aos pedidos ou agradecimentos dirigidos à entidade. As oferendas eram geralmente depositadas por pessoas da cidade nas encruzilhadas.

Oferenda para Iemanjá – Homenagem dedicada à orixá das águas, realizada por meio de pequenos barcos lançados nas águas do Rio São Francisco. Nessas oferendas eram colocados presentes como rosas brancas, arroz-doce, perfumes, bijuterias e espelhos, especialmente durante as celebrações da passagem do Ano-Novo.

As manifestações religiosas afro-brasileiras constituíram importante elemento da diversidade cultural e espiritual de Porto Real do Colégio. Por meio de seus rituais, celebrações e práticas devocionais, contribuíram para a preservação de tradições ancestrais transmitidas entre gerações, fortalecendo a identidade cultural da comunidade e enriquecendo o patrimônio histórico do município.






CAPÍTULO IV - FESTAS POPULARES E FOLGUEDOS

As festas populares e os folguedos sempre desempenharam papel fundamental na formação da identidade cultural de Porto Real do Colégio. Por meio das danças, músicas, brincadeiras, celebrações religiosas e manifestações comunitárias, gerações de colegienses construíram laços de convivência, preservaram tradições e transmitiram conhecimentos que fazem parte da memória coletiva do município. Este capítulo apresenta algumas das principais festas e folguedos que marcaram diferentes épocas da história local, revelando a riqueza cultural de um povo que soube celebrar a vida, a fé, a amizade e suas raízes históricas.

Bumba Meu Boi, a festa popular de Porto Real do Colégio, personagens Boi ( índio Soyré ) e o Mateus ( Birra ), acontecia no mês de Janeiro, entre 1968 a 1974.

Guerreiro, um folguedo natalino, de Porto Real do Colégio, Alagoas, a fusão de reisados e chegança, do mestre Joaquim Migué, com Indígenas Kariri-Xocó entre 1958 a 1970.

Pastoril, com canções e danças religiosas no período natalino, apresentado no coreto próximo a Igreja Matriz de Porto Real do Colégio, deixou de ser praticado em 1973.

Carnaval, as Machinhas de Carnaval na Praça Pelé, com grande número de foliões, animadas pelo saxofonista Niraldo, clarinete Tonho e Companhia, foi até o período de 1986.

Serra-Velho, a brincadeira de  provocação para mexer com os mais velhos da cidade, feita por pessoas irreverentes, na quarta-feira da Quaresma, desde o século XVIII, terminou em 1976, aqui em Colégio.

Forró Real, o evento que acontece no período junino de 23 a 29 de junho, criado em 1992, com artistas do forró pé de serra e forró eletrônico, o Forró Real é bastante famoso em Alagoas.

Bailes dos Anos 70, acontecia no Salão Paroquial na Rua Santa Cruz,  promovidas pela turma da 8ª série do Ginásio São Francisco, com bandas de rock, cantores, com música da jovem guarda, forró-pé-de-serra, funcionou até 1988.

Discoteca Beira Rio, o salão de dança música disco, criada em 1977, era ponto de encontro dos colegienses, bastante frequentada aos finais de semana, funcionou até 1993.

Farra dos Seresteiros, o gênero musical, presente nas farras dos colegiense, nos fins de semana, sendo de dia ou a noite, Lu de Queiroz e amigos, entrou em declínio em 1989.

Pau de Sebo, a brincadeira de subir no mastro untado de sebo, para ganhar o prêmio, acontecia na Rua Dr. Clementino Dumont, em Porto Real do Colégio, no mês de janeiro até 1980.

As festas populares e os folguedos de Porto Real do Colégio representam muito mais do que momentos de diversão e entretenimento; constituem importantes expressões da história, da cultura e da identidade de seu povo. Embora algumas dessas manifestações tenham desaparecido com o passar do tempo, permanecem vivas na lembrança daqueles que as vivenciaram e nas narrativas transmitidas entre as gerações. Registrar essas tradições é contribuir para a preservação do patrimônio cultural colegiense, valorizando homens e mulheres que mantiveram acesa a chama das celebrações populares e ajudaram a construir a memória histórica do município.






CAPÍTULO V – CULTURA POPULAR, ARTES E ENTRETENIMENTO


A história cultural de Porto Real do Colégio é marcada por diversas manifestações artísticas, recreativas e informativas que contribuíram para a formação da identidade coletiva de seu povo. Ao longo das décadas, o município vivenciou momentos de lazer, educação e integração social por meio do cinema, da música, dos serviços de comunicação comunitária, dos parques de diversão e de outros espaços de entretenimento que se tornaram referências afetivas para várias gerações. Essas iniciativas fortaleceram os laços comunitários e enriqueceram a vida cultural da população colegiense.

Sessão de Cinema – A exibição de filmes no Salão Paroquial, realizada principalmente nos finais de semana, proporcionou momentos de lazer e convivência social para a população. Os filmes eram trazidos pelas empresas Cine Fernandes e Cine Veneza, da cidade de Propriá (SE), que atendiam Porto Real do Colégio entre os anos de 1971 e 1976.

Serviço de Alto-Falante – Importante canal de informação pública, cultura, educação e religiosidade, o serviço de alto-falante possibilitou a divulgação de notícias, avisos, campanhas comunitárias e eventos locais. Criado em 1952, marcou profundamente a memória dos colegienses, permanecendo ativo até sua desativação em 1984.

Filarmônica 7 de Julho – Fundada em 2001, a orquestra filarmônica tornou-se um dos maiores símbolos culturais do município. Suas apresentações animam festas religiosas católicas, eventos cívicos, comemorações populares e solenidades, representando motivo de orgulho para a população local.

Parque Jorginho – Tradicional espaço de diversão itinerante, com sede em Porto Real do Colégio, está presente na cidade desde o final da década de 1970. Suas atrações costumam integrar os festejos da padroeira Nossa Senhora da Conceição, realizados anualmente entre os dias 29 de novembro e 8 de dezembro.

Parque Aquático Sonho Real MM – Empresa fundada em 2018, localizada no Centro de Porto Real do Colégio (AL), voltada para atividades recreativas e turísticas. O empreendimento destaca-se como espaço de lazer familiar, oferecendo atrações aquáticas e contribuindo para o desenvolvimento do setor de entretenimento local.

A cultura popular, as artes e as formas de entretenimento desempenharam papel fundamental na construção da memória social de Porto Real do Colégio. O cinema, os serviços de comunicação comunitária, a música filarmônica e os parques de diversão proporcionaram momentos de aprendizado, integração e alegria para diferentes gerações. Esses elementos, além de promoverem o lazer, ajudaram a preservar tradições, fortalecer o sentimento de pertencimento e enriquecer o patrimônio cultural do município, tornando-se parte importante da história e da identidade do povo colegiense.






CAPÍTULO VI – FOLCLORE, LENDAS E IMAGINÁRIO POPULAR


O folclore constitui um dos mais importantes patrimônios culturais de um povo, preservando narrativas, crenças, costumes e ensinamentos transmitidos de geração em geração. Em Porto Real do Colégio e em toda a região do Baixo São Francisco, lendas, assombrações, personagens populares e histórias fantásticas fazem parte da memória coletiva, refletindo influências indígenas, europeias, africanas e sertanejas. Essas narrativas ajudaram a explicar fenômenos da natureza, transmitir valores morais e fortalecer a identidade cultural das comunidades ribeirinhas.

Tesouro dos Jesuítas – A lenda conta que, sabendo da expulsão da Companhia de Jesus em 1759, os jesuítas teriam escondido um grande tesouro nas proximidades do Rio São Francisco. Desde então, muitas histórias falam de riquezas enterradas que jamais foram encontradas.

Bezerro de Bronze – Segundo a tradição popular, existia uma escultura de bronze atribuída aos jesuítas, conhecida como Bezerro de Bronze. A narrativa afirma que os indígenas eram colocados em seu interior como forma de castigo e aprendizado da nova religião durante o século XVII.

Mudo da Marialva – Conhecido por sua força extraordinária, o estivador Davi tornou-se uma figura lendária do Baixo São Francisco. Piloto da canoa Marialva, viveu até o final da década de 1960, sendo lembrado pelas histórias que destacavam sua resistência física e coragem.

Papafigo – Lenda bastante difundida em diversas regiões do Brasil, conta a história de um velho que sequestrava crianças para retirar-lhes o fígado, acreditando que isso poderia curar uma doença misteriosa. Em Porto Real do Colégio, essa narrativa também fez parte do imaginário popular durante muitos anos.

Papai Noel – Figura lendária associada ao Natal, o bom velhinho de roupas vermelhas distribui presentes às crianças na noite de 24 de dezembro. Sua imagem tornou-se uma das mais queridas pelas novas gerações.

Serpente do Rio – Conta a lenda que uma mulher teria agredido a própria mãe e, após sua morte, foi transformada em uma gigantesca serpente. Diz-se que religiosos retiraram seu corpo do cemitério em um caixão de ferro e o lançaram às águas do Rio São Francisco, de onde teria seguido em direção ao mar.

Corpo Santo – Segundo a crença popular, algumas pessoas de grande santidade faleciam e seus corpos permaneciam incorruptos, como se ainda estivessem vivos. Essa condição era vista como sinal de virtude e proximidade com o divino.

Corpo Seco – Diferentemente do Corpo Santo, o Corpo Seco representa a pessoa extremamente má em vida. A tradição afirma que a terra rejeita seus restos mortais e que nem mesmo o inferno os aceita, restando apenas pele e ossos em uma aparência assustadora.

Lobisomem – Uma das lendas mais conhecidas do folclore brasileiro. Conta-se que um homem se transforma em uma criatura semelhante a um lobo durante as noites de lua cheia. Em Porto Real do Colégio existem diversas histórias relacionadas a esse ser lendário.

Caravanas Ciganas – Durante muitos anos, grupos de ciganos montados a cavalo acampavam nos arredores de Porto Real do Colégio. Além de comercializar diversos produtos, realizavam leituras de mãos e previsões, despertando curiosidade e fascínio entre os moradores.

As lendas e narrativas populares de Porto Real do Colégio representam uma valiosa herança cultural preservada pela tradição oral. Misturando fatos históricos, crenças religiosas, ensinamentos morais e elementos fantásticos, essas histórias ajudaram a formar a identidade cultural das comunidades ribeirinhas do Baixo São Francisco. Mais do que simples relatos imaginários, elas constituem testemunhos da criatividade, da memória coletiva e da forma como diferentes gerações compreenderam e interpretaram o mundo ao seu redor.






CAPÍTULO VII – O RIO SÃO FRANCISCO E A CULTURA RIBEIRINHA

O Rio São Francisco, conhecido carinhosamente como Velho Chico, sempre foi muito mais que um curso d'água para os habitantes de Porto Real do Colégio e de toda a região do Baixo São Francisco. Ao longo dos séculos, suas águas serviram como caminho para o transporte, fonte de alimento para os pescadores, espaço de lazer para as famílias e cenário de manifestações culturais que marcaram gerações. A vida ribeirinha desenvolveu costumes próprios, moldados pela convivência diária com o rio, criando uma identidade cultural profundamente ligada às canoas, aos portos, às pescarias, às embarcações e às tradições populares que ainda permanecem vivas na memória do povo.

Porto de Baixo, o antigo cais do porto em Colégio, onde ficavam atracadas as canoas de transporte e pescaria. Desde 1972, o local passou a funcionar como ponto de embarque e desembarque das lanchas que fazem a travessia entre Porto Real do Colégio e Propriá.

Porto das Canoinhas, o tradicional atracadouro das canoas de pescaria, localizado na margem do Rio São Francisco, em frente à bomba d'água do SAAE, em Porto Real do Colégio, permanece em atividade até os dias atuais.

Porto dos Homens, local protegido pela vegetação às margens do Rio São Francisco, próximo à Salgadeira, onde os homens mais velhos costumavam tomar banho nus. O costume permaneceu até aproximadamente 1984.

Coroas de Areia, praias de água doce formadas por bancos de areia que surgem como ilhas fluviais no Rio São Francisco, em Porto Real do Colégio, constituindo um dos principais espaços de lazer da população durante os fins de semana.

Corrida de Barcos, competição fluvial realizada com pequenas canoas de pescaria, geralmente durante as festividades de Bom Jesus dos Navegantes, nas manhãs do mês de janeiro, antes da procissão.

Batim, salto ornamental praticado pelos ribeirinhos a partir dos barrancos do Rio São Francisco durante os períodos de cheia. Atualmente ocorre com menor frequência devido ao assoreamento e às alterações no regime natural do rio.

Canoas do São Francisco, embarcações tradicionais que fizeram parte da cultura e da economia ribeirinha. Entre elas destacou-se a famosa canoa Canindé. Seu uso entrou em declínio após a expansão do transporte rodoviário e a consolidação da BR-101 na década de 1970.

Lanchas do São Francisco, embarcações motorizadas que se destacaram no transporte de cargas e passageiros no Baixo São Francisco durante a década de 1970, entre elas Sumatra, Sãobraense, Goiânia e Oriente.

Lanchas de Colégio, a navegação motorizada no município teve início por volta de 1960 com a lancha Vitória, pertencente à SUVALE. Posteriormente surgiram outras embarcações, como Fátima, Nordeste, Iraci e Cláudia, contribuindo para a mobilidade regional.

Navegação a Vapor, iniciada no Baixo São Francisco em 1852, ligando Penedo a Piranhas, em Alagoas. O último vapor da região, o Encomendador Peixoto, encerrou suas atividades em 1969.

Grandes Lanchas, embarcações motorizadas que passaram a operar regularmente no Baixo São Francisco a partir da década de 1950, destacando-se a Tupã, Tupy e Tupigy, que realizaram linhas entre Penedo e Piranhas até o encerramento da navegação em 1979.

A história do Rio São Francisco confunde-se com a própria história de Porto Real do Colégio. Seus portos, embarcações, praias fluviais e tradições populares testemunharam o cotidiano de inúmeras gerações que construíram sua existência às margens do Velho Chico. Embora muitas práticas tenham desaparecido ou se transformado com o avanço dos tempos modernos, a memória da cultura ribeirinha continua viva na lembrança dos moradores e no patrimônio cultural da região. Preservar essas histórias significa manter viva a identidade de um povo que encontrou no rio não apenas um meio de sobrevivência, mas também uma fonte permanente de cultura, convivência e pertencimento.






CAPÍTULO VIII – PESCA E MODOS DE VIDA RIBEIRINHA

A pesca artesanal sempre desempenhou papel fundamental na subsistência, na economia e na identidade cultural das populações ribeirinhas do Baixo São Francisco. Ao longo de gerações, homens e mulheres desenvolveram técnicas próprias de captura de peixes, utilizando instrumentos confeccionados de acordo com os conhecimentos transmitidos pelos mais velhos. Essas práticas, associadas ao cotidiano das canoas, aos ciclos das águas e à convivência com o rio, constituem um importante patrimônio cultural que continua presente na vida das comunidades de Porto Real do Colégio.

Pescaria de Tarrafa – Arremesso manual de uma rede circular de malha, lançado de forma que se abra completamente antes de tocar a água. Trata-se de uma das técnicas tradicionais mais antigas da pesca artesanal, ainda amplamente utilizada pelos pescadores da região.

Pesca com Rede de Bóia – Utiliza uma extensa rede de malha equipada com bóias, atualmente muitas vezes confeccionadas em isopor, podendo alcançar cerca de 100 metros de comprimento. A atividade é realizada principalmente em canoas que navegam pelas águas do Rio São Francisco.

Pesca com Rede de Galão – Rede de arrasto de menor porte, sustentada por dois suportes de madeira. Possui um compartimento em forma de bolsa na parte inferior, onde os peixes ficam retidos durante a captura.

Mercado do Peixe – O Mercado do Peixe Alírio Nunes de Oliveira, inaugurado em 2006, tornou-se um importante centro de comercialização da produção pesqueira local, reunindo pescadores e consumidores do município de Porto Real do Colégio e contribuindo para o fortalecimento da economia ribeirinha.

A pesca artesanal representa muito mais do que uma atividade econômica para os povos ribeirinhos. Ela expressa saberes tradicionais, formas de organização comunitária e uma relação histórica de respeito e dependência das águas do Rio São Francisco. Mesmo diante das transformações sociais e ambientais ocorridas ao longo do tempo, as técnicas e costumes ligados à pesca permanecem como símbolos da resistência cultural e da identidade das comunidades que vivem às margens do Velho Chico, preservando uma herança transmitida de geração em geração.





CAPÍTULO IX – AGRICULTURA, TRABALHO E ECONOMIA RURAL


A agricultura e as atividades produtivas rurais constituíram, ao longo de séculos, uma das principais bases da sobrevivência e do desenvolvimento econômico de Porto Real do Colégio. O trabalho coletivo, a utilização dos recursos naturais das lagoas e várzeas, a cooperação entre famílias e as práticas tradicionais de cultivo e beneficiamento dos alimentos moldaram a vida cotidiana da população local. Neste capítulo são apresentados os principais elementos da economia rural colegiense, destacando atividades agrícolas, manufaturas artesanais e formas comunitárias de trabalho que contribuíram para a formação histórica, cultural e econômica do município.

Plantação de Arroz – O cultivo de arroz nas regiões da Lagoa Grande e da Várzea do Itiúba contou com a participação de indígenas e da população local, que trabalhavam como meeiros entre 1923 e 1977.

Batimento de Arroz – Trabalho realizado em sistema de mutirão para beneficiar o arroz colhido. Os participantes batiam o arroz com cacetes, realizavam a limpeza dos grãos e o ensacamento da produção. Tradicionalmente eram servidas feijoadas aos trabalhadores. Essa atividade manual permaneceu até aproximadamente 1975, quando passou a ser substituída por máquinas agrícolas.

Fábrica de Arroz – Usina de beneficiamento de arroz criada em 1937 na então Rua dos Índios, posteriormente denominada Rua São Vicente. A unidade impulsionou a economia do município de Colégio, permanecendo em atividade até sua desativação em 1969.

Farinhada – Antiga prática comunitária e cooperativa de produção de farinha de mandioca, ainda presente em Porto Real do Colégio, especialmente nas comunidades rurais do interior do município, preservando conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.

Mutirão da Casa de Taipa – Trabalho coletivo realizado por familiares, amigos e vizinhos para a construção da moradia de um novo casal. Essa tradição solidária, bastante comum no passado, encontra-se atualmente em processo de desaparecimento.

Várzea do Itiúba – Terras inundáveis pelas águas do rio São Francisco e do rio Itiúba, onde a população mais humilde de Colégio retirava seu sustento por meio da agricultura, da pesca e da caça. Em 1975, a área foi desapropriada pela Codevasf.

Projeto Itiúba – Projeto de irrigação voltado ao cultivo de arroz, implantado em 1975, abrangendo uma área de aproximadamente 2.000 hectares e beneficiando 305 famílias de parceleiros no município de Porto Real do Colégio. O empreendimento impulsionou significativamente a economia regional.

Olaria – Atividade dedicada à fabricação artesanal de tijolos, telhas e outros artefatos de barro, introduzida pelos missionários jesuítas no Baixo São Francisco no século XVII. Desenvolvida nas regiões das lagoas do Cordeiro, Grande e Comprida, constituiu importante fonte de trabalho e renda para indígenas e população local, permanecendo ativa até 1994.

Caieira de Tijolos – Forno artesanal de formato piramidal utilizado na queima de tijolos, possuindo na base aberturas destinadas à alimentação do fogo com lenha. A maior caieira construída pelos Kariri-Xocó alcançou a produção de aproximadamente 100 mil tijolos, utilizando dez bocas de fogo, nas margens da Lagoa do Cordeiro, em 1976.

A história da agricultura, do trabalho comunitário e das atividades produtivas rurais de Porto Real do Colégio revela a capacidade de adaptação, cooperação e resistência de seu povo. Das plantações de arroz às olarias, das farinhadas aos mutirões de construção, cada atividade representou não apenas uma fonte de sustento, mas também um importante elemento de identidade cultural. Mesmo diante das transformações tecnológicas e das mudanças econômicas ocorridas ao longo do tempo, essas práticas permanecem como parte da memória coletiva do município e do patrimônio histórico dos povos indígenas e das comunidades tradicionais do Baixo São Francisco.






CAPÍTULO X– O PROGRESSO AGROPECUÁRIO E A FORMAÇÃO RURAL

No século XIX, a antiga Aldeia de Porto Real do Colégio foi transformada em vila, e grande parte de suas terras passou gradativamente para o domínio do Estado e de particulares. Ao longo do século XX, essas áreas receberam diferentes denominações e funções dentro de projetos governamentais voltados ao desenvolvimento agropecuário, à experimentação agrícola e à formação de trabalhadores rurais. Tais iniciativas contribuíram para a ocupação econômica da região e para a modernização das atividades agrícolas. Nesse processo, os indígenas Kariri-Xocó foram progressivamente integrados às transformações ocorridas em seu território tradicional, até que, após décadas de reivindicações e resistência cultural, retomaram parte de suas terras ancestrais, onde foi oficialmente restabelecida a Aldeia Kariri-Xocó.

Fomento Agrícola – Em 1940, o antigo Serviço do Algodão passou a denominar-se Fomento Agrícola, assumindo a administração da propriedade e transferindo sua vinculação da esfera estadual para a administração do Governo Federal.

Campo Experimental das Sementes – Em 25 de agosto de 1941, o Fomento Agrícola de Porto Real do Colégio foi reorganizado como Campo Experimental das Sementes, destinado ao desenvolvimento de pesquisas e experiências voltadas ao aprimoramento da produção agrícola regional.

Posto Agropecuário Federal – Também em 1941, foi instalado o Posto Agropecuário Federal em Porto Real do Colégio, permanecendo sob a administração do Fomento Agrícola até 1955.

Centro de Treinamento para Tratoristas – Em 1955, o Ministério da Agricultura, por intermédio da Superintendência do Ensino Agrícola e Veterinário, em convênio com a SUVALE e o Ministério do Interior, implantou o Centro de Treinamento para Tratoristas, que funcionou até 1960, promovendo a capacitação técnica de trabalhadores rurais.

Fazenda Escola – Em 1960, o Centro de Treinamento para Tratoristas passou a denominar-se Fazenda Escola. A instituição oferecia cursos de Extensão Rural Doméstica destinados a jovens mulheres em regime de internato, dispondo inclusive de atividades culturais e educativas, como sessões de cinema. Suas atividades foram encerradas em 1963.

Fazenda Modelo – Em 1964, a Fazenda Escola foi transformada em Fazenda Modelo, dedicada à criação de gado holandês para fornecimento de matrizes aos pecuaristas da região, além do desenvolvimento de projetos de piscicultura. A instituição permaneceu em funcionamento até 1978.

Aldeia Kariri-Xocó – Em 1978, as terras e a sede da antiga Fazenda Modelo passaram a constituir a Aldeia Kariri-Xocó, quando os indígenas retornaram da Rua São Vicente, localizada na periferia da cidade de Porto Real do Colégio, para reassumir parte de seu território tradicional.

EMATER – O Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), criado em 1975, passou a atuar posteriormente no município de Porto Real do Colégio, oferecendo assistência técnica, orientação produtiva e apoio ao desenvolvimento das atividades rurais.

FUNRURAL – O Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL), criado em 1971, levou à população do campo benefícios previdenciários e serviços de saúde itinerantes, incluindo atendimento médico, odontológico e de enfermagem por meio de ônibus ambulatoriais que percorriam povoados e aldeias. O programa foi extinto em 1985.

A sucessão de instituições agrícolas implantadas em Porto Real do Colégio ao longo do século XX demonstra a importância estratégica da região para os projetos governamentais de desenvolvimento rural no Baixo São Francisco. Desde o Fomento Agrícola até a Fazenda Modelo, essas iniciativas contribuíram para a modernização da agricultura, a formação de trabalhadores e a introdução de novas técnicas produtivas. Contudo, além de sua dimensão econômica, esse processo também esteve ligado à história do território tradicional dos Kariri-Xocó. A transformação das antigas terras indígenas em áreas de experimentação e produção agropecuária marcou um período de profundas mudanças sociais e culturais. A criação da Aldeia Kariri-Xocó, em 1978, representou não apenas uma nova denominação administrativa, mas um importante marco na retomada territorial e na reafirmação da identidade histórica de um povo que preservou suas tradições mesmo diante das transformações impostas ao longo dos séculos.






CAPÍTULO XI – TRANSPORTES, COMUNICAÇÃO E MODERNIZAÇÃO

A segunda metade do século XX marcou profundas transformações em Porto Real do Colégio. O desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação aproximou a cidade dos grandes centros regionais, facilitando o deslocamento de pessoas, mercadorias e informações. A chegada da ferrovia, a travessia por balsas e ferry-boats, a construção da ponte sobre o Rio São Francisco, a presença de um campo de aviação e a expansão dos serviços telefônicos simbolizaram uma nova etapa da história colegiense, caracterizada pelo progresso, pela integração regional e pela modernização da vida cotidiana.

Maria Fumaça – A locomotiva a vapor, conhecida popularmente como Maria Fumaça, com seu característico apito, faz parte da memória afetiva dos colegienses. Integrante da rede ferroviária da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.), operou entre 1950 e 1972. Um exemplar permanece preservado junto à antiga estação ferroviária como testemunho desse importante período histórico.

Estação Ferroviária – Local de embarque e desembarque de passageiros, bem como de carregamento e descarregamento de mercadorias. A estação de Colégio funcionou entre 1950 e 1972, desempenhando papel fundamental na integração econômica e social do município.

Armazém Carnaúba – Instalação destinada ao armazenamento e movimentação de cargas transportadas pela Rede Ferroviária Federal S.A. Localizado em Porto Real do Colégio, funcionou entre 1950 e 1972, sendo importante centro de trabalho para estivadores e demais profissionais ligados ao transporte ferroviário.

Grande Hotel – Estabelecimento de hospedagem, alimentação e entretenimento vinculado ao movimento ferroviário da região. Situado em Colégio, funcionou entre 1950 e 1972, acolhendo viajantes, comerciantes e funcionários da ferrovia.

Ferry-Boats – Embarcações especializadas no transporte de composições ferroviárias através do Rio São Francisco, ligando Porto Real do Colégio (AL) a Propriá (SE). Operaram entre 1967 e 1972, permitindo a continuidade do tráfego ferroviário entre os dois estados.

Porto das Balsas – Atracadouro destinado às balsas que realizavam o transporte de pessoas, mercadorias, caminhões e automóveis pelo Rio São Francisco, estabelecendo a ligação entre Porto Real do Colégio e Propriá. Funcionou principalmente entre 1967 e 1972, destacando-se a tradicional Balsa Atlântida, muito lembrada pela população regional.

Ponte sobre o Rio São Francisco – Importante obra de engenharia que passou a ligar os estados de Alagoas e Sergipe, unindo as cidades de Porto Real do Colégio e Propriá por meio da BR-101. Sua construção foi iniciada em 1968 e sua inauguração ocorreu em 1972, substituindo gradativamente os antigos sistemas de travessia fluvial.

Campo da Aviação – Área destinada ao pouso e decolagem de aeronaves de pequeno porte, localizada a leste da cidade de Porto Real do Colégio. Utilizado desde a década de 1950 até aproximadamente 1976, permaneceu vivo no imaginário popular como símbolo dos primeiros contatos da população local com a aviação.

TELASA S/A – Telecomunicações de Alagoas – Empresa responsável pelos serviços de telefonia no estado, chegou a Porto Real do Colégio na década de 1970, ampliando significativamente as possibilidades de comunicação da população. Em 1998, com o processo de privatização do sistema brasileiro de telecomunicações, seus serviços foram incorporados por novas operadoras, iniciando uma fase que culminaria na popularização dos telefones fixos e, posteriormente, dos aparelhos celulares.

Os avanços nos transportes e nas comunicações transformaram profundamente a realidade de Porto Real do Colégio durante o século XX. A ferrovia, as embarcações de travessia, a ponte sobre o Rio São Francisco, o campo de aviação e a expansão dos serviços telefônicos contribuíram para integrar o município às dinâmicas econômicas e sociais da região. Embora muitos desses equipamentos e serviços tenham desaparecido ou sido substituídos por tecnologias mais modernas, permanecem vivos na memória coletiva como marcos de uma época de progresso, desenvolvimento e esperança para as gerações que testemunharam a modernização da cidade.






CAPÍTULO XII – COMÉRCIO E VIDA URBANA

Ao longo de sua história, Porto Real do Colégio desenvolveu uma dinâmica comercial que acompanhou o crescimento populacional e as transformações econômicas do Baixo São Francisco. Desde as antigas feiras livres e pequenas bodegas familiares até os estabelecimentos comerciais de maior porte e os serviços de fiscalização estadual, o comércio desempenhou papel fundamental no abastecimento da população, na circulação de mercadorias e na integração do município com as cidades vizinhas. Esses espaços comerciais também se constituíram como importantes locais de convivência social, troca de informações e fortalecimento das relações comunitárias.

Feira da Cidade – Tradicional evento comercial realizado às sextas-feiras, reunindo feirantes, comerciantes ambulantes e produtores rurais de Porto Real do Colégio e de municípios circunvizinhos. A feira tornou-se um dos principais centros de abastecimento popular, movimentando a economia local e fortalecendo os laços sociais e culturais da região.

Mercearia do Teixeirinha – Estabelecimento comercial tradicional de Porto Real do Colégio, referência no comércio local durante grande parte do século XX. Comercializava gêneros alimentícios, bebidas, ferramentas e diversos produtos de consumo cotidiano, permanecendo em funcionamento até 1985.

Mercearia de Antônio Donato – Importante casa comercial da cidade, especializada na venda de gêneros alimentícios, utensílios domésticos e mercadorias diversas. Durante décadas foi uma das principais referências comerciais de Porto Real do Colégio, mantendo suas atividades até a década de 1990.

Bodega de Seu Joaquim – Pequena mercearia localizada na Rua Dr. Clementino Dumont, onde eram comercializados produtos de primeira necessidade e artigos variados. Seu proprietário, Joaquim Migué (Miguel), tornou-se figura muito estimada pela população, integrando a memória afetiva e a cultura popular do município.

Mercado da Carne Eraldo Custódio – Equipamento público inaugurado em 2006 com a finalidade de concentrar e organizar a comercialização de carnes bovinas, suínas e de aves. Sua criação contribuiu para melhorar as condições de abastecimento e atendimento aos consumidores de Porto Real do Colégio.

Posto Fiscal Estadual – Unidade da Secretaria da Fazenda do Estado de Alagoas implantada em 1972, às margens da Rodovia BR-101. Destinava-se à fiscalização de mercadorias em trânsito e ao controle da arrecadação tributária, especialmente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), desempenhando importante papel na administração fiscal da região.

A história do comércio e da vida urbana de Porto Real do Colégio reflete a capacidade de adaptação e crescimento de sua população diante das transformações econômicas e sociais ocorridas ao longo do tempo. Feiras, mercearias, bodegas, mercados e órgãos públicos contribuíram para a formação de uma rede de abastecimento essencial ao desenvolvimento do município. Mais do que espaços de compra e venda, esses locais constituíram pontos de encontro, convivência e construção da identidade coletiva, permanecendo vivos na memória da comunidade como símbolos e progresso urbano e da história econômica dos colegienses.






CAPÍTULO XIII – EDUCAÇÃO E INSTITUIÇÕES PÚBLICAS

A educação e as instituições públicas desempenharam papel fundamental no desenvolvimento social de Porto Real do Colégio e da Aldeia de Colégio ao longo do século XX e início do século XXI. A implantação de programas de alfabetização, escolas municipais, bibliotecas e serviços públicos contribuiu para ampliar o acesso ao conhecimento, fortalecer a cidadania e melhorar a qualidade de vida da população urbana e indígena. Esses investimentos refletiram o esforço contínuo do poder público em promover a formação educacional e a organização dos serviços essenciais para o município.

MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização – Programa federal criado em 1967 e implantado nacionalmente a partir de 1968. Chegou à Aldeia de Colégio em 1971, promovendo a alfabetização de jovens e adultos que não tiveram acesso à educação regular. Suas atividades foram encerradas em 1985, quando foi substituído por novos programas educacionais.

Ginásio São Francisco – Escola municipal de ensino secundário criada em 1960, localizada às margens do Rio São Francisco, em Porto Real do Colégio. Durante décadas contribuiu para a formação educacional de diversas gerações de estudantes do município, permanecendo em funcionamento até sua desativação em 1991.

Centro Educacional Professor Ernande F. Magalhães – Instituição integrante da rede municipal de ensino, criada em 1989, localizada na Rua da Independência, s/n, Centro, Porto Real do Colégio, Alagoas. Destaca-se pela oferta de ensino e pela contribuição à formação educacional de crianças e jovens do município.

Biblioteca Pública Municipal Enoy Magalhães Bitencourt – Criada em 2001, localizada na Avenida Moacyr Andrade, s/n, Centro, Porto Real do Colégio, Alagoas. Constitui importante espaço de incentivo à leitura, pesquisa e preservação da memória cultural do município.

SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Porto Real do Colégio – Autarquia municipal criada em 1965 com a finalidade de administrar os serviços de abastecimento de água e saneamento básico, atendendo à população urbana e contribuindo para a melhoria das condições de saúde pública do município.

A trajetória da educação e das instituições públicas em Porto Real do Colégio demonstra o esforço coletivo pela construção de uma sociedade mais instruída, organizada e preparada para enfrentar os desafios de cada época. Escolas, programas de alfabetização, bibliotecas e serviços públicos constituíram importantes instrumentos de desenvolvimento social, beneficiando tanto a população urbana quanto as comunidades indígenas da região. Esses marcos históricos permanecem como testemunhos do compromisso do município com a formação humana, a cidadania e o bem-estar de seus habitantes.





CAPÍTULO XIV – ESPORTE E LAZER

O esporte e o lazer sempre desempenharam papel importante na vida social de Porto Real do Colégio, constituindo espaços de convivência, integração comunitária e fortalecimento dos laços entre as famílias da cidade, dos povoados e da Aldeia Kariri-Xocó. Ao longo das décadas, campos de futebol, campeonatos, desfiles cívicos e festividades públicas contribuíram para a formação da identidade cultural do município, reunindo diferentes gerações em momentos de celebração, competição saudável e participação coletiva.

Campeonato Municipal de Futebol – Competição esportiva criada em 1976, reunindo equipes de futebol dos povoados e da sede de Porto Real do Colégio. O torneio tornou-se uma das principais tradições esportivas do município e permanece em atividade.

Campo do Murim – Campo de futebol localizado no Bairro Murim, criado na década de 1950. Durante muitos anos foi palco de partidas entre equipes locais e visitantes, sendo atualmente utilizado como estádio municipal para eventos esportivos.

Campinho – Tradicional campo de futebol improvisado nas margens da Lagoa do Cordeiro, utilizado pela juventude para partidas recreativas e torneios informais. O espaço deixou de existir em 1991 em decorrência da expansão imobiliária da área.

Desfile de 7 de Setembro – Comemoração cívica da Independência do Brasil realizada anualmente com a participação das escolas do município, entre elas o Ginásio São Francisco, a Escola Firmo de Castro, a Escola Dona Santa Bulhões, a Escola Dom Pedro II e a Escola da Aldeia Kariri-Xocó. Os desfiles ocorreram com grande participação popular, especialmente entre as décadas de 1970 e 1994.

Festa de Emancipação Política – Celebração da emancipação política de Porto Real do Colégio, realizada em 7 de julho. A programação tradicional incluía desfile das escolas do município, apresentações culturais e shows musicais, reunindo moradores e visitantes em um dos mais importantes eventos festivos da cidade.

As atividades esportivas, recreativas e cívicas registradas neste capítulo demonstram a importância dos espaços de lazer e das celebrações coletivas na construção da memória social de Porto Real do Colégio. Entre campos de futebol, campeonatos, desfiles e festividades populares, formaram-se tradições que marcaram gerações e fortaleceram o sentimento de pertencimento da população. Mais do que simples momentos de entretenimento, essas práticas constituem patrimônio cultural e afetivo do município, preservando lembranças e valores que continuam vivos na história de seu povo.





CAPÍTULO XV – INTEGRAÇÃO DOS KARIRI-XOCÓ NA SOCIEDADE LOCAL

A antiga aldeia indígena que deu origem ao atual município de Porto Real do Colégio, em Alagoas, constitui um importante marco da formação histórica e cultural do Baixo São Francisco. Ao longo dos séculos, a convivência entre indígenas, portugueses e afrodescendentes contribuiu para a construção de uma sociedade marcada pela diversidade cultural e pelas múltiplas formas de interação social.

Os tópicos a seguir apresentam alguns exemplos dessa integração social e cultural, evidenciando a participação dos Kariri-Xocó na construção da história local.

Futebol Indígena (Kariri e Guarani) – O futebol teve ampla aceitação entre os Kariri-Xocó, que organizaram equipes esportivas como Kariri e Guarani. Por meio desse esporte, os indígenas estabeleceram intercâmbio com municípios ribeirinhos do Baixo São Francisco, participando de competições e recebendo diversas equipes visitantes na Aldeia Kariri-Xocó.

Olimpíada do Índio – A primeira Olimpíada Indígena Kariri-Xocó foi realizada em 19 de abril de 1989. O evento contou com modalidades como atletismo, futebol de campo, futsal, ciclismo e futebol feminino, sendo organizado pelo chefe do Posto da FUNAI.

A Televisão – A utilização da televisão popularizou-se em Porto Real do Colégio a partir da década de 1970. Na Aldeia Kariri-Xocó, os primeiros aparelhos chegaram por volta de 1972. Atualmente, a televisão está presente na maioria dos lares, tornando-se importante meio de informação e entretenimento.

Sintonia no Rádio – O primeiro aparelho de rádio chegou à Aldeia de Colégio em 1948, trazido pelo indígena Antônio Correia. A partir das décadas de 1960 e 1970, sua utilização tornou-se cada vez mais frequente entre as famílias indígenas, mantendo-se presente até os dias atuais.

Radiograma – O serviço de radiograma, conhecido como telegrama sem fio transmitido por rádio, foi implantado na Aldeia Kariri-Xocó em 1972, quando a comunidade ainda estava localizada na Rua dos Índios. O serviço permaneceu em funcionamento até 1990.

Nhinhó – Na tradição espiritual Kariri, Nhinhó é concebido como uma entidade primordial. Segundo a visão nativa, essa divindade apresenta características semelhantes às dos próprios indígenas, utilizando pintura corporal, participando dos cantos sagrados e dançando o Toré.

Arcoverde – Indígena pernambucana, filha do cacique Uira Ubi, recebeu o nome cristão de Maria do Espírito Santo. Ao lado de Bartira e Paraguaçu, é lembrada por diversos autores como uma das figuras femininas associadas à formação histórica do povo brasileiro (ALMEIDA, 1988, p. 61).

Gaspar Lourenço – Indígena catequizado pelos jesuítas e instruído para auxiliar na evangelização de sua própria comunidade sob a supervisão do padre Leonardo Nunes. Segundo registros históricos, esteve na região do Baixo São Francisco em 1575 (ALMEIDA, 1988, p. 74).

Nesse contexto multicultural, diferentes práticas sociais aproximaram os Kariri-Xocó das comunidades vizinhas, fortalecendo vínculos de convivência e intercâmbio cultural. O esporte, os meios de comunicação e as manifestações tradicionais constituíram importantes elementos desse processo de integração, ao mesmo tempo em que a comunidade preservou aspectos fundamentais de sua identidade étnica e espiritual.







CAPÍTULO XVI – BRINCADEIRAS E JOGOS TRADICIONAIS

As brincadeiras e os jogos tradicionais constituem importante patrimônio cultural transmitido de geração em geração, fortalecendo os laços de amizade, convivência comunitária e aprendizado entre crianças e jovens. Muito antes da popularização dos jogos eletrônicos e das redes digitais, as ruas, praças, terreiros, campos e quintais eram espaços de encontro onde a criatividade transformava objetos simples em fontes de diversão. Em Porto Real do Colégio e na Aldeia Kariri-Xocó, essas brincadeiras fizeram parte do cotidiano de inúmeras famílias, preservando costumes, valores e formas de interação que permanecem vivos na memória coletiva da comunidade.

Ciranda – Cantiga folclórica realizada em roda, na qual as crianças de mãos dadas cantam e giram ao ritmo da música. Na parte final da canção, uma criança é escolhida para ocupar o centro da roda, encerrando a brincadeira com todos reunidos no meio.

Amarelinha ou Macacão – Jogo coletivo em que são desenhados no chão quadrados numerados. Cada participante lança uma pedra em um dos quadrados e percorre o percurso pulando em um pé ou nos dois, conforme as regras. Vence quem completar o circuito com menos erros.

Cabra Cega ou Quebra-Pote – Brincadeira tradicional realizada durante festas e comemorações. Com os olhos vendados e segurando um pau ou cacete, o participante tenta localizar e quebrar um pote suspenso contendo balas e outras guloseimas. Os jogadores se revezam nas tentativas até que um deles consiga acertar o alvo e romper o recipiente, momento em que os doces são distribuídos entre os presentes.

Bolas de Gude – Jogo realizado com pequenas esferas de vidro coloridas. Os participantes lançam suas bolinhas em direção às dos adversários, buscando acertá-las para conquistar as peças colocadas em disputa.

Pipas ou Papagaios – Brinquedos confeccionados com varetas de madeira, papel de seda colorido ou plástico. Empinadas ao vento, permitem a realização de diversas manobras no céu, sendo uma das brincadeiras mais populares entre crianças e adolescentes.

Pião – Brinquedo de madeira com ponta metálica que, ao ser lançado por meio de uma corda enrolada em seu corpo, gira rapidamente sobre o solo. Em algumas modalidades, os participantes tentam atingir o pião do adversário.

Estilingue – Instrumento confeccionado com galhos em forma de forquilha e tiras de borracha, utilizado para lançar pequenas pedras ou bolinhas de barro secas ao sol. Também foi empregado tradicionalmente em atividades de caça de pequeno porte.

Bater Figurinhas – Brincadeira em que as figurinhas são colocadas em um monte sobre o chão. Cada participante bate com a mão sobre elas, e as que virarem passam a pertencer ao jogador.

Corrida de Saco – Competição recreativa em que cada participante entra dentro de um saco e percorre determinada distância saltando até a linha de chegada. Vence quem completar o percurso mais rapidamente sem cair.

Dança da Corda – Brincadeira em que duas pessoas seguram as extremidades de uma corda esticada, enquanto os demais participantes tentam passar por baixo dela, inclinando o corpo para trás sem tocar na corda. A cada rodada, a altura da corda é reduzida, aumentando o grau de dificuldade.

As brincadeiras e os jogos tradicionais representam muito mais do que simples formas de entretenimento. Eles constituem expressões da cultura popular, contribuindo para o desenvolvimento físico, social e emocional das crianças, além de fortalecerem o espírito de cooperação, respeito e convivência comunitária. Ao registrar essas práticas, preserva-se uma importante herança cultural que marcou a infância de inúmeras gerações em Porto Real do Colégio e na Aldeia Kariri-Xocó, garantindo que essas memórias continuem vivas para as futuras gerações.






CAPÍTULO XVII – LUGARES DE MEMÓRIA E PATRIMÔNIO COLEGIENSE

Os lugares de memória constituem referências fundamentais para a compreensão da história de um povo. Mais do que simples espaços geográficos, eles guardam lembranças, experiências e acontecimentos que marcaram a vida das comunidades ao longo das gerações. Em Porto Real do Colégio, diversos locais, caminhos, construções e estruturas de uso coletivo testemunharam transformações sociais, econômicas e culturais, permanecendo vivos na memória dos moradores. Este capítulo reúne alguns desses marcos, cuja importância ultrapassa sua existência física, tornando-se parte do patrimônio histórico e afetivo colegiense.

Povoado Belém – Antiga povoação situada às margens do Rio São Francisco, nas proximidades da sede de Colégio. Conhecida pela grande quantidade de mangueiras existentes no local, foi desapropriada em 1975 em decorrência da implantação do Projeto Itiúba. Com a retirada dos moradores, muitas famílias migraram para outras localidades, permanecendo o povoado como uma importante referência da memória regional.

Estrada do Paturi – Antigo caminho de chão batido que dava acesso à região da Várzea do Itiúba, seguindo por trás do Posto Fiscal de Porto Real do Colégio. Durante décadas, serviu como importante via de ligação entre a sede municipal e diversos povoados circunvizinhos, facilitando o transporte de pessoas, animais e mercadorias.

Currais – Localidade situada nas proximidades do antigo SESP, onde existia um curral destinado ao manejo de bovinos. A área passou por transformações urbanas ao longo do tempo, sendo posteriormente ocupada pela Rua Pajé Manoel Baltazar, inaugurada em 1998, às margens da Lagoa do Cordeiro, em Porto Real do Colégio.

Palhoção – Quiosque localizado no porto das balsas e pertencente ao Sr. Helias Costa. O estabelecimento servia de ponto de apoio aos motoristas e viajantes que aguardavam a travessia do Rio São Francisco. Além da venda de bebidas e alimentação, o local era conhecido pela música e pelo ambiente de convivência social, funcionando aproximadamente entre 1967 e 1980.

Acampamento das Construtoras – Sede administrativa e alojamento das empresas de engenharia responsáveis pelas obras da ponte sobre o Rio São Francisco e da BR-101 na região. Funcionou entre 1968 e 1972 nas instalações da antiga fábrica de arroz, localizada na Rua São Vicente, antiga Rua dos Índios, tornando-se um importante centro de apoio às obras que transformaram a infraestrutura regional.

Carro de Boi – Tradicional meio de transporte de cargas e passageiros introduzido pelos colonizadores portugueses e amplamente utilizado no município durante muitos anos. Fundamental para o escoamento da produção agrícola e para a locomoção da população rural, entrou gradativamente em decadência após a melhoria das estradas e a construção da BR-101, concluída na região em 1972.

A preservação dos lugares de memória é essencial para fortalecer a identidade histórica e cultural de Porto Real do Colégio. Cada espaço aqui mencionado representa fragmentos da trajetória de homens e mulheres que contribuíram para a formação do município e de suas comunidades tradicionais, incluindo o povo Kariri-Xocó. Embora muitos desses locais tenham desaparecido ou se transformado ao longo do tempo, suas histórias permanecem vivas na lembrança dos moradores, constituindo um patrimônio imaterial que merece ser registrado, valorizado e transmitido às futuras gerações como parte da herança coletiva colegiense.





CAPÍTULO XVIII - TRADIÇÕES E MEMÓRIAS POPULARES DE PORTO REAL DO COLÉGIO E DA ALDEIA KARIRI-XOCÓ

As tradições populares de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó constituem um importante patrimônio cultural transmitido de geração em geração. Por meio das festas religiosas, das celebrações comunitárias, das manifestações artísticas e das memórias coletivas, preservam-se valores, costumes, saberes e formas de convivência que fortalecem a identidade do povo ribeirinho e indígena do Baixo São Francisco. Muitas dessas tradições estão associadas ao calendário religioso católico, enquanto outras refletem elementos próprios da cultura Kariri-Xocó, formando um rico mosaico cultural que caracteriza a região.

Fogueira de São José – Realizada no dia 19 de março, em homenagem a São José, padroeiro dos trabalhadores e protetor das plantações. Tradicionalmente, a fogueira é acesa diante das residências onde mora alguém chamado José. A celebração marca simbolicamente o início do período de plantio das roças, especialmente do milho, cuja colheita é esperada para as festividades juninas.

Fogueira de Santo Antônio – Celebrada no dia 13 de junho, com fogueiras acesas tanto na cidade de Porto Real do Colégio quanto na Aldeia Kariri-Xocó. Entre os indígenas, a festividade é enriquecida com a realização do Toré, acompanhado por cantos, danças tradicionais e queima de fogos de artifício, unindo elementos da religiosidade popular e da tradição ancestral indígena.

Noites de São João – Comemoradas nos dias 23 e 24 de junho, constituem uma das maiores festas populares da região. As ruas da cidade são iluminadas por fogueiras, enquanto moradores e visitantes participam de apresentações de forró pé-de-serra, quadrilhas e degustam comidas típicas juninas, como milho cozido, canjica, pamonha e bolo de milho.

Noites de São Pedro – Realizadas nos dias 28 e 29 de junho, encerram o ciclo principal das festividades juninas. Assim como nas celebrações de São João, as ruas são enfeitadas e iluminadas por fogueiras, reunindo famílias e amigos em torno do forró pé-de-serra e das tradicionais comidas típicas da época.

O Circo – Manifestação artística e popular de grande aceitação entre os colegienses ao longo do século XX. Diversas companhias circenses passaram pela cidade, levando espetáculos de humor, acrobacias, mágicas e atrações variadas. Entre elas destacou-se o Circo Aparecida, que esteve em Porto Real do Colégio em 1976, trazendo como uma de suas principais atrações o palhaço Chicha Rito, cuja apresentação permaneceu viva na memória de muitos moradores.

As tradições e memórias populares aqui registradas representam parte significativa da história cultural de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó. Elas revelam a força das relações comunitárias, da religiosidade, da arte e dos costumes transmitidos entre gerações. Mais do que simples celebrações, essas manifestações constituem referências de identidade e pertencimento, contribuindo para a preservação da memória coletiva e para a valorização do patrimônio cultural do povo colegiense e do povo Kariri-Xocó.





CONSIDERAÇÕES FINAIS

A história de Porto Real do Colégio e da Aldeia Kariri-Xocó é marcada pela diversidade cultural, pela resistência das tradições e pela constante transformação social.

As memórias reunidas nesta obra demonstram a importância da preservação dos saberes populares, das manifestações religiosas, das práticas culturais e dos lugares de memória que constituem o patrimônio histórico da região.

Espera-se que este livro contribua para futuras pesquisas e para o fortalecimento da identidade cultural das comunidades do Baixo São Francisco.






SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador independente, escritor, memorialista, contador de histórias e integrante do povo indígena Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Dedica-se ao estudo da história indígena, da cultura popular, da tradição oral e da memória regional do Baixo São Francisco. É autor de pesquisas publicadas em seu Blog Kxnhenety e de diversos trabalhos voltados à preservação da identidade cultural de seu povo.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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LIMA, Ronaldo Pereira de. Às Margens do Rio Rei. J. Andrade, Aracaju, 2006 . 

LIMA, Ronaldo Pereira de. Porto Real do Colégio: História e Geografia. Prima Edições, Colégio-AL, 2018 .

MATA, Vera Lucia Calheiros. A semente da terra: identidade e conquista territorial por um grupo indígena integrado – Maceió : EDUFAL, 2014. 389.: Il.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. As Origens Kariri-Xocó 4. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2023/01/as-origens-kariri-xoco-4.html?m=0 . Acesso em: 04 jun. 2026.

KARIRI-XOCÓ, N. Blog Kxnhenety. 12 Jun. 2010 a 21 Dez. 2022 [online]. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:

 http://kxnhenety.blogspot.com/2010-2022.html , Acesso em 21/12/2022.

PERFIL MUNICIPAL. Ano 4, nº 4 (2013), Maceió: Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio, 2018.



             





Autor: Nhenety Kariri-Xocó