FALSA FOLHA DE ROSTO
CIVILIZAÇÕES ANTIGAS E FORMAÇÃO DO MUNDO ANTIGO XXXIV
Volume 34
FOLHA DE ROSTO
Nhenety Kariri-Xocó
CIVILIZAÇÕES ANTIGAS E FORMAÇÃO DO MUNDO ANTIGO XXXIV
Coletânea de Artigos do Acervo Virtual Bibliográfico
Volume 34
Porto Real do Colégio – AL
2026
VERSO DA FOLHA DE ROSTO
Todos os direitos reservados ao autor.
É permitida a reprodução parcial desta obra para fins acadêmicos, desde que citada a fonte.
FICHA CATALOGRÁFICA (MODELO)
Kariri-Xocó, Nhenety.
Civilizações Antigas e Formação do Mundo Antigo XXXIV: Coletânea de Artigos do Acervo Virtual Bibliográfico / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL, 2026.
Volume 34.
Civilizações Antigas.
História Antiga.
Arqueologia.
Mesopotâmia.
Pré-História.
CDD: 930
ISBN (SIMBÓLICO)
ISBN: 978-65-00-00034-0
PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO
Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.
Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.
Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.
Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.
Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.
DEDICATÓRIA
Dedico esta obra aos povos antigos que, com seus saberes, lutas e criações, lançaram as bases da humanidade.
E ao meu povo Kariri-Xocó, guardião da memória e da tradição ancestral.
AGRADECIMENTOS
Agradeço às fontes históricas, arqueológicas e aos estudiosos que contribuíram para a preservação do conhecimento humano.
Aos leitores e pesquisadores que valorizam a história como instrumento de compreensão do presente.
EPÍGRAFE
“A história é a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida.”
— Cícero
RESUMO
Esta obra reúne cinco estudos sobre civilizações antigas e processos fundamentais na formação do mundo antigo. São abordados os Povos do Mar e seu impacto geopolítico, a influência da civilização babilônica, a origem dos alfabetos ocidentais a partir dos fenícios, além das culturas pré-históricas natufianas e o sítio arqueológico de Göbekli Tepe. A análise apresenta caráter descritivo e cronológico, fundamentado em referências historiográficas e arqueológicas, contribuindo para a compreensão das origens das estruturas sociais, culturais e simbólicas da humanidade.
Palavras-chave: Civilizações Antigas; História; Mesopotâmia; Escrita; Arqueologia.
ABSTRACT
This work brings together five studies on ancient civilizations and key processes in the formation of the ancient world. It addresses the Sea Peoples and their geopolitical impact, the influence of Babylonian civilization, the origin of Western alphabets from the Phoenicians, as well as the Natufian prehistoric cultures and the archaeological site of Göbekli Tepe. The analysis is descriptive and chronological, based on historiographical and archaeological references, contributing to the understanding of the origins of human social, cultural, and symbolic structures.
Keywords: Ancient Civilizations; History; Mesopotamia; Writing; Archaeology.
APRESENTAÇÃO
A presente coletânea integra o acervo bibliográfico do autor, reunindo estudos que exploram momentos decisivos da formação do mundo antigo. A obra busca oferecer ao leitor uma compreensão ampla e fundamentada das transformações históricas, culturais e sociais que moldaram as primeiras civilizações.
NOTA DO AUTOR
Os textos aqui reunidos foram elaborados com base em pesquisas históricas e arqueológicas, respeitando a diversidade de interpretações acadêmicas. O objetivo é contribuir para o fortalecimento do conhecimento e da reflexão crítica sobre a história da humanidade.
MEMÓRIA DO AUTOR
Como contador de histórias e pesquisador, encontro na história antiga não apenas fatos, mas caminhos que conectam o passado ao presente. Esta obra representa mais um passo na construção de um acervo dedicado à valorização da memória humana e ancestral.
SUMÁRIO
Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN ( Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução Geral
Capítulo 1 - Os Povos do Mar
Capítulo 2 - A Influência da Civilização Babilônica no Mundo Antigo
Capítulo 3 - Os Fenícios e a Origem dos Alfabetos Grego e Latino
Capítulo 4 - Os Povos Natufianos
Capítulo 5 - Göbekli Tepe
Considerações Finais
Referências Gerais
Sobre o Autor
INTRODUÇÃO GERAL
O estudo das civilizações antigas permite compreender os fundamentos das estruturas sociais, políticas e culturais que ainda influenciam o mundo contemporâneo. Desde as primeiras organizações humanas até o surgimento das grandes civilizações, observa-se um processo contínuo de transformação, marcado por migrações, conflitos, inovações e intercâmbios culturais.
Esta obra propõe uma análise cronológica e descritiva de cinco temas fundamentais: os Povos do Mar e o colapso da Idade do Bronze; a influência da Babilônia; a origem dos alfabetos ocidentais; os povos natufianos; e Göbekli Tepe como marco da religiosidade primitiva.
DESENVOLVIMENTO DOS CAPÍTULOS
CAPÍTULO 1
OS POVOS DO MAR
Introdução
Os Povos do Mar são um dos grandes enigmas da história antiga, associados ao colapso de diversas civilizações do Mediterrâneo Oriental durante o final da Idade do Bronze, aproximadamente entre os séculos XIII a.C. e XII a.C. Sua origem, composição étnica e ações bélicas deixaram marcas profundas na história da região, sendo mencionados em registros egípcios, inscrições e achados arqueológicos.
Desenvolvimento
1. Origem e Surgimento
A origem dos Povos do Mar permanece objeto de debate entre os estudiosos. Considera-se que se tratavam de diferentes populações oriundas de regiões diversas do Mediterrâneo, como as ilhas do Mar Egeu, Anatólia ocidental, Sardenha, Sicília, Creta, Chipre e costas do Levante (Síria, Líbano, Israel e Palestina) (DREWS, 1993).
Esses grupos podem ter sido impulsionados por fatores como colapsos climáticos, instabilidade política, crescimento demográfico e pressões de migração, o que resultou em ataques sistemáticos contra centros urbanos bem estabelecidos.
2. Composição Multiétnica
Os Povos do Mar não formavam um império ou federação coesa, mas uma coligação de diferentes grupos nômades ou migrantes, unidos por interesses comuns de pilhagem ou busca por terras férteis. Entre os principais grupos identificados estão:
Peleset: Associados aos Filisteus, que se estabeleceram na costa sul de Canaã.
Sherden: Relacionados à ilha da Sardenha.
Tjekker: Posteriormente fixados na região do Levante.
Shekelesh: Provavelmente oriundos da Sicília.
Denyen: Ligados à Cilícia ou à Grécia Micênica.
Weshesh: De origem indefinida (CUNLIFFE, 2010; SANDARS, 1985).
3. Invasões e Conflitos
A partir de 1220 a.C., registram-se ataques aos reinos micênicos, centros da Anatólia e cidades do Levante. A destruição do Império Hitita por volta de 1200 a.C. marca um dos momentos mais dramáticos da atuação desses grupos. Cidades como Ugarit foram destruídas, sinalizando o colapso de sistemas políticos centralizados.
No Egito, os Povos do Mar enfrentaram forte resistência. Durante o reinado de Ramsés III (c. 1186–1155 a.C.), os registros do templo de Medinet Habu relatam intensas batalhas navais e terrestres, nas quais os egípcios reivindicam vitória sobre os invasores (KEMP, 2012; O’CONNOR; CLINE, 2012).
4. Estabelecimento Pós-Conflito
Após a derrota no Egito, alguns grupos se assentaram em novas regiões, fundando núcleos culturais duradouros. Os Peleset fixaram-se em Canaã, influenciando profundamente a cultura filisteia. Outros grupos se estabeleceram em áreas como Sicília, Sardenha e Levante, influenciando estilos arquitetônicos, práticas guerreiras e sistemas sociais (ZANGGER, 1998).
Conclusão
Os Povos do Mar desempenharam papel determinante na redefinição geopolítica do Mediterrâneo Oriental no final da Idade do Bronze. Sua ação provocou o declínio de centros urbanos, a queda de impérios e a transformação dos padrões culturais da região. Embora sua origem exata ainda seja envolta em incertezas, sua atuação revela-se crucial para a compreensão do período de transição entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro. O impacto deixado por suas ações ecoa nos vestígios arqueológicos e nas tradições dos povos que sobreviveram às suas incursões.
Considerações Finais
Os Povos do Mar foram agentes fundamentais na transição do mundo antigo, contribuindo para o colapso de grandes civilizações da Idade do Bronze. Apesar das incertezas sobre suas origens, é certo que marcaram profundamente a história do Mediterrâneo Oriental, sendo lembrados como guerreiros navais e migrantes poderosos.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 2
A INFLUÊNCIA DA CIVILIZAÇÃO BABILÔNICA NO MUNDO ANTIGO
Introdução
A civilização babilônica foi uma das mais expressivas da Antiguidade, destacando-se por sua organização política, produção cultural, avanços jurídicos e influência sobre outras civilizações. Localizada na Mesopotâmia, região entre os rios Tigre e Eufrates, a Babilônia tornou-se um centro irradiador de saberes e práticas sociais que marcaram profundamente o mundo antigo.
Palavras-chave
Babilônia; Mesopotâmia; Hamurábi; Código de Hamurábi; Antiguidade; Império Babilônico; Influência Cultural.
Origem e Formação da Civilização Babilônica
A origem da civilização babilônica está ligada à migração dos amoritas, um povo seminômade oriundo da região do deserto árabe, que por volta de 1900 a.C. se estabeleceu ao sul da Mesopotâmia, fundando a cidade de Babilônia. A ascensão política e militar da Babilônia ocorreu com o rei Hamurábi (c. 1792–1750 a.C.), responsável pela unificação dos territórios mesopotâmicos e pela criação do famoso Código de Hamurábi, um dos primeiros sistemas jurídicos escritos da história.
Descrição Cronológica dos Povos e Influências
c. 1900 a.C. — Estabelecimento dos amoritas na Mesopotâmia e fundação da Babilônia.
Século XVIII a.C. — Reinado de Hamurábi e elaboração do Código de Hamurábi.
c. 1595 a.C. — Invasão dos hititas e declínio do Primeiro Império Babilônico.
Século VII a.C. — Ascensão dos caldeus, formando o Segundo Império Babilônico.
605–562 a.C. — Reinado de Nabucodonosor II, apogeu cultural e arquitetônico da Babilônia, com destaque para os Jardins Suspensos e a Torre de Babel.
539 a.C. — Conquista da Babilônia por Ciro, rei da Pérsia, marcando o fim da hegemonia babilônica.
Elementos da Influência Babilônica em Outras Civilizações
A influência da Babilônia repercutiu em diversas civilizações do mundo antigo:
O Código de Hamurábi inspirou princípios legais em povos como hebreus, gregos e romanos.
A astronomia babilônica serviu de base para estudos dos persas e dos gregos.
Contribuições na matemática, arquitetura e administração foram absorvidas por impérios posteriores, como o Persa e o Grego.
Narrativas mitológicas e religiosas babilônicas influenciaram textos sagrados hebraicos, notadamente em temas como a criação do mundo e o dilúvio.
Conclusão
A viabilidade historiográfica de se estudar a influência babilônica sobre o mundo antigo é evidente. A herança cultural, jurídica e científica deixada pela Babilônia ultrapassou fronteiras geográficas e temporais, sendo incorporada e adaptada por outras civilizações e impérios da Antiguidade. O legado babilônico evidencia a complexidade e a capacidade de irradiação cultural de um povo que marcou a história da humanidade.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 3
OS FENÍCIOS E A ORIGEM DOS ALFABETOS GREGO E LATINO
Introdução
A escrita representa um dos maiores avanços da civilização humana. Diversos sistemas de escrita surgiram em diferentes regiões do mundo antigo, mas foi o alfabeto fenício que desempenhou um papel central na formação dos alfabetos grego e latino, fundamentos das línguas ocidentais modernas. Este texto apresenta uma descrição cronológica do processo histórico que levou da criação do alfabeto fenício à sua evolução nos sistemas gregos e latinos, destacando os elementos culturais e técnicos que possibilitaram essa transformação.
Descrição Cronológica do Processo Histórico
A Civilização Fenícia (c. 1200 a.C. – 539 a.C.)
Os fenícios eram um povo semita estabelecido no litoral oriental do Mar Mediterrâneo, na região correspondente ao atual Líbano. Desenvolveram-se a partir de cerca de 1200 a.C., tornando-se exímios comerciantes e navegadores. Sua necessidade de comunicação prática e eficiente nos negócios levou, por volta de 1050 a.C., à criação do alfabeto fenício. Este sistema de escrita era baseado em sinais que representavam sons consonantais — um abjad — e contava com 22 sinais simples, o que facilitava o aprendizado e a disseminação.
A Transmissão do Alfabeto para os Gregos (c. 800 a.C.)
O contato entre fenícios e gregos ocorreu principalmente através do comércio marítimo e das colônias estabelecidas no Mediterrâneo. Os gregos, ao tomarem conhecimento do alfabeto fenício, adaptaram-no às suas necessidades linguísticas por volta do século VIII a.C. A principal inovação dos gregos foi a criação de sinais específicos para representar as vogais — elemento fundamental da língua grega. Essa adaptação transformou o abjad fenício em um verdadeiro alfabeto fonético.
Da Grécia à Roma: A Influência Sobre o Alfabeto Latino (c. 700 a.C. – 100 a.C.)
O alfabeto grego foi transmitido aos povos da Península Itálica, em especial aos etruscos, por volta do século VII a.C. Os etruscos adaptaram o modelo grego, ajustando-o à sua própria fonologia. Posteriormente, os romanos, herdeiros culturais dos etruscos, absorveram e modificaram esse sistema, desenvolvendo o alfabeto latino, consolidado por volta do século I a.C. Este alfabeto se expandiu com o Império Romano e tornou-se a base das línguas românicas e das línguas ocidentais modernas.
Considerações Finais
A trajetória do alfabeto fenício até sua transformação nos sistemas grego e latino revela um processo profundo de intercâmbio cultural e adaptação linguística no mundo antigo. A criação de um sistema de escrita simplificado e eficiente pelos fenícios não apenas atendeu às suas necessidades comerciais, mas também influenciou decisivamente o desenvolvimento das formas de comunicação escritas que sustentam grande parte das sociedades ocidentais modernas. A apropriação e modificação do alfabeto pelos gregos, com a introdução das vogais, e posteriormente pelos romanos, com o aperfeiçoamento do alfabeto latino, evidenciam a continuidade e a transformação de um legado milenar. Reconhecer esse percurso histórico é fundamental para compreender como a escrita se tornou uma ferramenta universal de expressão, registro e identidade cultural.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 4
OS POVOS NATUFIANOS
Introdução
Os Natufianos representam uma das culturas arqueológicas mais significativas da Pré-História do Levante, ocupando regiões que hoje correspondem a Israel, Palestina, Síria, Líbano e Jordânia. Considerados pioneiros na transição para a vida sedentária, os Natufianos estabeleceram aldeias permanentes e desenvolveram práticas protoagrícolas. O termo "Natufiano" deriva do Wadi en-Natuf, um sítio arqueológico localizado próximo a Ramallah, na Cisjordânia, onde os primeiros vestígios dessa cultura foram identificados por Dorothy Garrod em 1928. Este artigo objetiva apresentar uma análise descritiva e cronológica sobre esse povo, seu modo de vida e legado para as civilizações subsequentes.
Desenvolvimento
Origem do nome e localização
O nome "Natufiano" foi atribuído em referência ao sítio arqueológico Wadi en-Natuf, onde foram encontrados artefatos típicos dessa cultura. Posteriormente, dezenas de outros sítios associados aos Natufianos foram identificados, entre eles Ain Mallaha (Eynan), El Wad, Hayonim e Jericó (Tell es-Sultan). Essas aldeias localizavam-se principalmente na região do Levante, um corredor geográfico fértil entre o Mar Mediterrâneo e o Deserto da Arábia.
Período de ocupação
Os Natufianos viveram aproximadamente entre 12.500 e 9.500 a.C., durante o Epipaleolítico, uma fase de transição entre o Paleolítico Superior e o Neolítico. Este período coincidiu com mudanças climáticas significativas, como o final da última Era Glacial, que favoreceram a sedentarização e o aproveitamento intensivo dos recursos naturais.
Cultura material e organização social
Os Natufianos foram caracterizados por uma economia baseada na coleta de cereais silvestres, caça de gazelas e outros animais, bem como pela pesca. Diferentemente dos grupos paleolíticos anteriores, estabeleceram aldeias semi-permanentes com estruturas circulares ou ovais feitas de pedra. Desenvolveram ferramentas de moagem para processar grãos, lâminas de micrólitos e ornamentos de conchas e ossos, evidenciando uma complexidade cultural crescente.
Rituais funerários elaborados indicam uma organização social mais estruturada e crenças espirituais, como se observa nos sepultamentos com oferendas e em alguns casos com cães domesticados — um dos primeiros indícios de domesticação animal.
Inovações na agricultura e pecuária
Embora os Natufianos ainda dependessem de plantas silvestres, há evidências de manipulação e cultivo incipiente de cereais como trigo e cevada, além da coleta sistemática de leguminosas. Esse manejo de recursos representou um prelúdio da agricultura plena desenvolvida no Neolítico. A domesticação do cão (Canis familiaris) sugere uma das primeiras experiências humanas em manejo animal.
Essas inovações resultaram em uma crescente sedentarização, que permitiu a construção de habitações permanentes, o armazenamento de alimentos e a formação de comunidades mais complexas.
Contribuições para civilizações posteriores
Os Natufianos são considerados precursores diretos das culturas neolíticas do Levante, como a Cultura de Jericó (Neolítico Pré-Cerâmico A), que consolidou a agricultura e a domesticação de animais. A sua experiência em gestão de recursos naturais e organização social lançou as bases para o surgimento das primeiras cidades-estado da Mesopotâmia e do Crescente Fértil, marcando uma etapa essencial no processo de formação das civilizações antigas.
Considerações Finais
A cultura Natufiana representa um marco fundamental na trajetória evolutiva da humanidade, ao inaugurar práticas de sedentarismo, manipulação de plantas e domesticação de animais. Seus legados transcenderam os limites regionais e temporais, influenciando profundamente o desenvolvimento das sociedades agrícolas que caracterizam a civilização humana. Assim, o estudo dos Natufianos não apenas enriquece o conhecimento sobre o passado pré-histórico do Levante, mas também ilumina as origens das complexas organizações sociais e econômicas que definem o mundo moderno.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 5
GÖBEKLI TEPE
Introdução
Göbekli Tepe, cujo nome significa "Colina Barriguda" em turco, é considerado o templo mais antigo conhecido, datado de aproximadamente 9600 a.C. A descoberta desse sítio revolucionou as teorias sobre a origem das sociedades complexas, evidenciando que atividades religiosas podem ter precedido a agricultura e a sedentarização. Este trabalho busca compreender quem foram os construtores de Göbekli Tepe, situar culturalmente esse povo, estabelecer conexões com as aldeias natufianas e refletir sobre a sua influência nas civilizações subsequentes. Além disso, será analisada a localização geográfica do sítio, tradicionalmente associada à região do Jardim do Éden, segundo narrativas religiosas.
Desenvolvimento
1. O povo de Göbekli Tepe
Os construtores de Göbekli Tepe eram grupos de caçadores-coletores que viviam no final do período Epipaleolítico e início do Neolítico Pré-Cerâmico A (PPNA). Não há evidências diretas de uma cultura sedentária estabelecida no local; no entanto, as estruturas monumentais em pedra, especialmente os pilares em forma de “T” com elaboradas esculturas zoomórficas, indicam uma organização social complexa. A ausência de vestígios de habitação sugere que Göbekli Tepe servia como um centro ritualístico, possivelmente para encontros sazonais de diferentes grupos.
2. Localização e proximidade com Harã
Göbekli Tepe está situado a cerca de 15 km da cidade moderna de Şanlıurfa, na região do Planalto de Harã, uma área de importância histórica e mitológica significativa. A cidade de Harã é conhecida por ser mencionada na tradição bíblica como o local onde Abraão residiu antes de migrar para Canaã (Gênesis 11:31). A localização de Göbekli Tepe, portanto, está inserida em uma paisagem cultural densa, próxima de outras áreas arqueológicas importantes e associada à tradição do Crescente Fértil.
3. Conexões com as aldeias natufianas
A cultura natufiana floresceu entre 12.500 e 9.500 a.C. no Levante, em regiões que hoje correspondem a Israel, Palestina, Jordânia, Líbano e Síria. Os natufianos são conhecidos pela transição de uma economia exclusivamente baseada na coleta para uma proto-agricultura, além de práticas funerárias complexas e habitações semi-permanentes. As similitudes entre os natufianos e os grupos de Göbekli Tepe residem na adoção de um modo de vida mais estável e na ênfase em práticas rituais, sugerindo possíveis intercâmbios culturais e tecnológicos através das rotas do Crescente Fértil.
4. A possível localização do Jardim do Éden
Diversos estudiosos e teólogos propuseram que a região próxima de Göbekli Tepe poderia ter inspirado a narrativa do Jardim do Éden, dada a fertilidade das terras e a confluência de importantes rios mesopotâmicos, como o Eufrates e o Tigre. Embora não haja comprovação científica dessa hipótese, ela revela o fascínio contínuo que a região exerce sobre a imaginação humana, sendo vista como um dos berços da civilização.
5. Contribuições para outras civilizações
Göbekli Tepe representa um marco na história das sociedades humanas, demonstrando que a construção de monumentos religiosos antecedeu o desenvolvimento da agricultura plena. Essa inversão do paradigma tradicional sugere que a necessidade de organização social para atividades rituais pode ter impulsionado a sedentarização e, consequentemente, o surgimento das primeiras aldeias agrícolas e urbanas no Neolítico. Além disso, a iconografia e a arquitetura de Göbekli Tepe influenciaram simbolicamente outras culturas do Neolítico e da Idade do Bronze, como as comunidades de Çatalhöyük e as cidades sumérias.
Considerações Finais
Göbekli Tepe não apenas desafia as narrativas tradicionais sobre o advento da civilização, mas também ilustra a complexidade das interações humanas no início do Holoceno. Embora os construtores fossem caçadores-coletores, suas realizações arquitetônicas e rituais anteciparam elementos característicos das sociedades agrícolas e urbanas posteriores. A relação com as aldeias natufianas sugere uma rede cultural ampla no Crescente Fértil. Por fim, a associação simbólica do local com o Jardim do Éden demonstra a persistente ligação entre geografia, mitologia e identidade cultural na história da humanidade.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos temas apresentados nesta obra evidencia que a formação do mundo antigo resultou de processos complexos e interligados. As transformações promovidas por conflitos, migrações e inovações culturais demonstram que a história da humanidade é marcada por continuidades e rupturas.
Os Povos do Mar simbolizam o colapso e a transição; a Babilônia representa a organização e o legado jurídico; os fenícios demonstram a importância da comunicação; os natufianos revelam os primórdios da sedentarização; e Göbekli Tepe aponta para a centralidade do simbolismo religioso.
CONCLUSÃO GERAL DA OBRA
A presente coletânea evidencia que o mundo antigo foi resultado de processos interligados que envolveram migrações, conflitos, inovações tecnológicas e transformações culturais profundas. Desde os Povos do Mar, responsáveis por rupturas geopolíticas significativas, até as contribuições estruturantes da Babilônia, observa-se um contínuo processo de construção civilizacional.
A evolução da escrita, mediada pelos fenícios e transformada pelos gregos e romanos, demonstra como a comunicação foi essencial para a consolidação das sociedades. Por outro lado, os estudos sobre os natufianos e Göbekli Tepe revelam que as bases da civilização antecedem a agricultura formal, estando profundamente ligadas à organização social e às práticas simbólicas.
Assim, esta obra reafirma que a formação do mundo antigo não foi linear, mas resultado de múltiplas interações culturais, consolidando os fundamentos das sociedades humanas posteriores.
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https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/gobekli-tepe.html?m=0 . Acesso em: 29 abr. 2026.
SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó é escritor, pesquisador e contador de histórias, pertencente ao povo indígena Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL). Dedica-se ao estudo das civilizações antigas, cultura ancestral e tradição oral escrita, com produção publicada em seu acervo virtual.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó



















