FALSA FOLHA DE ROSTO
COLETÂNEA DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO
NHENETY KARIRI-XOCÓ
FOLHA DE ROSTO
NHENETY KARIRI-XOCÓ
FORMAÇÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA I: POVOS E INFLUÊNCIAS ANTIGAS, COLETÂNEA DE ARTIGOS DO ACERVO NHENETY KARIRI-XOCÓ, VOLUME 1
Porto Real do Colégio – AL
2026
VERSO DA FOLHA DE ROSTO
© 2026 – Nhenety Kariri-Xocó
Todos os direitos reservados.
Obra pertencente à
Biblioteca Digital Nhenety Kariri-Xocó
Disponível em:
FICHA CATALOGRÁFICA (PADRÃO ACADÊMICO)
Ficha catalográfica elaborada pelo autor
Kariri-Xocó, Nhenety.
Formação da Península Ibérica I: Povos e Influências Antigas, Coletânea de Artigos do Acervo Nhenety Kariri-Xocó — Porto RealdoColégio, AL: Edição do Autor, 2026.
Volume 1.
Inclui referências bibliográficas.
ISBN 978-65-00-00001-1
Península Ibérica – História.
Cultura castreja.
Romanização.
Visigodos.
Influência muçulmana.
Formação cultural.
I. Título.
II. Série.
CDD: 946
DEDICATÓRIA
À tradição oral de meus ancestrais,
que vive na palavra, na memória e na resistência cultural.
AGRADECIMENTOS
Aos anciãos, guardiões do saber ancestral,
e às ferramentas contemporâneas que permitem registrar, preservar
e difundir o conhecimento para as futuras gerações.
EPÍGRAFE
"A memória é a raiz da identidade de um povo."
SUMÁRIO
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Ficha Catalográfica
Introdução Geral
Capítulos ( 1 - 5 )
Capítulo 1 - Influência dos Castros
Capítulo 2 - Influência Romana no Norte de Portugal
Capítulo 3 - Influência Romana na Península Ibérica
Capítulo 4 - Influência dos Visigodos na Península Ibérica
Capítulo 5 - Influência Muçulmana na Península Ibérica
Conclusão Geral
Referências Bibliográficas
1. INTRODUÇÃO GERAL
A formação histórica e cultural da Península Ibérica constitui um processo complexo, marcado pela interação de diversos povos ao longo dos séculos. Desde as sociedades pré-romanas até a presença muçulmana medieval, diferentes civilizações contribuíram para a construção de identidades culturais, linguísticas e políticas que influenciam até hoje Portugal e Espanha.
Este volume reúne cinco artigos que abordam, em perspectiva cronológica e descritiva, as principais influências na formação da Península Ibérica, com ênfase no território que viria a constituir Portugal. A coletânea inicia-se com a cultura castreja, passando pela romanização, pelo domínio visigótico e culminando com a presença muçulmana.
O objetivo desta obra é sistematizar, em linguagem acessível e com rigor acadêmico, conteúdos já publicados no blog do autor, transformando-os em material organizado para consulta, pesquisa e preservação histórica.
CAPÍTULO 1
2. DESENVOLVIMENTO (ARTIGOS)
2.1 INFLUÊNCIA DOS CASTROS
1. Introdução
As origens da identidade cultural portuguesa estão profundamente enraizadas nos antigos povos que habitaram a Península Ibérica antes da chegada dos romanos. Dentre essas populações, destacam-se os celtas e os galaicos, que construíram aldeias fortificadas conhecidas como castros, especialmente nas regiões montanhosas do noroeste da península. Tais estruturas não apenas serviam como habitações e pontos de defesa, mas também simbolizam uma organização social e cultural sofisticada. Este artigo busca investigar a influência dessas aldeias fortificadas na formação cultural do norte de Portugal, destacando o papel dos castros na construção da identidade territorial e toponímica portuguesa.
2. Desenvolvimento
2.1. Os castros e a cultura castreja
Os castros eram povoados fortificados, normalmente situados no topo de colinas, característicos da Idade do Ferro e da fase de romanização no noroeste da Península Ibérica. Faziam parte da chamada cultura castreja, cujas comunidades tinham um modelo social tribal, com estruturas defensivas de pedra e planta circular. Estes assentamentos foram ocupados por povos celtas e pré-romanos, como os Callaeci (ou galaicos), estabelecidos na atual Galiza, norte de Portugal, Astúrias e Leão (GARCÍA QUINTELA, 2001).
2.2. O Castro de Santa Trega
Um dos exemplos mais emblemáticos da cultura castreja é o Castro de Santa Trega, localizado em A Guarda, na província de Pontevedra, Galícia (Espanha). Este sítio arqueológico encontra-se a apenas 3 km da fronteira com Portugal, no distrito de Viana do Castelo. A proximidade do castro com o território português revela fortes vínculos culturais entre as populações galaicas e as do norte de Portugal, evidenciando a extensão da cultura castreja para além das fronteiras políticas modernas (REIMERS, 2004).
2.3. A origem do nome “Portugal” e o castro de Cale
A origem do nome “Portugal” remonta à antiga cidade de Portus Cale, localizada na foz do rio Douro, onde hoje se encontram o Porto e Vila Nova de Gaia. Acredita-se que Cale tenha sido um castro situado na margem sul do rio Douro, habitado por povos galaicos (MATTOSO, 1997). O termo Portus foi adicionado durante a ocupação romana, designando o porto de Cale (Portus Cale), que com o tempo evoluiu para Portucale, e posteriormente Portugal. Embora a teoria de que Cale tenha origem celta seja amplamente aceita, ainda há debates entre historiadores e linguistas sobre a exata etimologia do termo.
2.4. Celtas, lusitanos e galaicos
Os celtas chegaram à Península Ibérica por volta do século IX a.C., misturando-se com os povos ibéricos e originando os chamados celtiberos. No noroeste da península, formaram-se os galaicos, um grupo celta ou celtizado. Os lusitanos, povo celta de forte influência ibérica, habitaram a região central do atual território português e são considerados antepassados diretos dos portugueses. Todos esses povos contribuíram para a construção da identidade cultural de Portugal, cujas raízes se encontram entrelaçadas com a cultura castreja (SILVA, 2011).
3. Considerações Finais
A presença de castros em regiões próximas ao atual território português, como o Castro de Santa Trega, demonstra que a cultura castreja exerceu forte influência no norte de Portugal. Além do aspecto material, representado pelas construções fortificadas, há também um legado cultural, social e simbólico que perdura na identidade portuguesa. A cidade de Portus Cale, possível herança de um castro celta, não só originou o nome do país, como evidencia a profunda conexão entre a cultura castreja e o nascimento de Portugal. Portanto, compreender os castros é essencial para entender as bases históricas e culturais do país.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 2
2.2 INFLUÊNCIA ROMANA NO NORTE DE PORTUGAL
1. Introdução
O território que hoje compõe o norte de Portugal foi historicamente marcado por diversas influências culturais, com destaque especial para o domínio romano, que se sobrepôs significativamente a outras ocupações, como a muçulmana. A importância da herança romana se reflete não apenas nas estruturas físicas, como estradas e cidades, mas também na formação linguística, cultural e religiosa da região. Este artigo busca analisar de forma sintética e descritiva como o processo de romanização moldou profundamente o norte português, em contraste com a presença efêmera dos mouros.
2. Desenvolvimento
2.1 A presença romana e a formação da Gallaecia
Os romanos chegaram à Península Ibérica no contexto das Guerras Púnicas e consolidaram seu domínio sobre o noroeste peninsular por volta do século II a.C. A região foi incorporada à província da Gallaecia, e Bracara Augusta (atual Braga) tornou-se um importante centro administrativo, comercial e cultural. A romanização implicou a construção de vias como a Via XVII, termas, aquedutos, templos e a implementação de uma organização política e social de base latina.
A língua portuguesa, derivada do latim vulgar, é uma das heranças mais duradouras desse processo, além dos elementos arquitetônicos, urbanísticos e até mesmo práticas agrícolas introduzidas pelos romanos. A continuidade dessas estruturas foi fundamental para a formação das futuras unidades políticas medievais, como o Reino de Leão e o Condado Portucalense.
2.2 A resistência à ocupação muçulmana
A invasão muçulmana da Península Ibérica, iniciada em 711, teve um impacto mais profundo nas regiões sul e centro, como o Alentejo e o Algarve. No norte, porém, os mouros enfrentaram forte resistência por parte dos cristãos locais. A geografia acidentada, composta por montanhas e vales, favoreceu a organização de focos de resistência, como o Reino das Astúrias e, posteriormente, o Condado Portucalense.
Cidades como Braga e Guimarães, longe de serem islamizadas, tornaram-se bastiões do cristianismo medieval. Essa resistência precoce permitiu que a herança romana e cristã permanecesse praticamente intacta, o que ajuda a explicar a forte identidade cultural dessas regiões, notadamente visível nas tradições religiosas, nas estruturas medievais e na própria paisagem urbana.
3. Considerações Finais
A influência romana no norte de Portugal revelou-se mais duradoura e profunda do que a muçulmana. Enquanto o sul do país foi amplamente moldado pela presença islâmica durante séculos, o norte manteve-se como um centro de continuidade da cultura romana e da fé cristã. A cidade de Braga, herdeira direta de Bracara Augusta, é um exemplo eloquente da permanência desta herança, tanto em sua estrutura urbana quanto em seu papel religioso. Guimarães, berço da nacionalidade portuguesa, também reflete esse legado. A análise histórica reforça, assim, a importância da romanização na formação da identidade cultural e histórica do norte de Portugal.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 3
2.3 INFLUÊNCIA ROMANA NA PENÍNSULA IBÉRICA
Introdução
A Península Ibérica, localizada no extremo sudoeste da Europa, foi palco de diversas civilizações ao longo da Antiguidade. Entre elas, a presença romana foi a que mais profundamente impactou a formação identitária dos povos locais, incluindo os iberos, lusitanos, celtiberos e outros grupos autóctones. A partir de 218 a.C., com a Segunda Guerra Púnica, Roma iniciou sua conquista da região, que se estenderia por quase dois séculos. O objetivo deste artigo é apresentar uma análise das principais influências romanas na Península Ibérica, com ênfase nas dimensões cultural, política, econômica e social.
Desenvolvimento
1. Influência Cultural
A romanização da cultura ibérica manifestou-se sobretudo pela difusão da língua latina, que se tornaria a base dos idiomas românicos — como o espanhol, o português e o catalão. No campo urbano, Roma implantou seu modelo de cidade, com fórum, templos, termas, teatros e aquedutos, como se observa em cidades como Mérida (Emerita Augusta) e Tarragona (Tarraco). A religião politeísta romana foi introduzida e muitas vezes sincretizada com cultos locais, antecedendo a adoção do cristianismo nos séculos posteriores.
2. Influência Política e Jurídica
O direito romano influenciou de forma duradoura as estruturas legais da Península. A organização administrativa imposta por Roma integrava a região como província do Império, sob o nome de Hispânia. As elites locais foram incorporadas à administração romana, passando a exercer funções no governo provincial. Com o Édito de Caracala, em 212 d.C., todos os habitantes livres do Império passaram a ser cidadãos romanos, ampliando o sentimento de pertencimento e lealdade à estrutura imperial.
3. Infraestrutura e Integração Territorial
A construção de estradas, pontes e aquedutos foi essencial para a integração da Península ao Império Romano. Essas vias não apenas facilitavam o deslocamento de tropas e a administração, como também impulsionavam o comércio regional e interprovincial.
4. Economia e Produção
A economia da Hispânia romana baseava-se na mineração (ouro, prata, estanho) e na agricultura (vinho, azeite e cereais). A produção agrícola era voltada tanto para o consumo local quanto para o abastecimento do restante do Império. A Península Ibérica tornou-se um dos centros comerciais mais importantes do mundo romano, com portos ativos no Mediterrâneo e no Atlântico.
Considerações Finais
A presença romana na Península Ibérica deixou um legado que perdura até os dias atuais. As línguas, o direito, a urbanização, as tradições religiosas e os sistemas econômicos contemporâneos carregam elementos romanos profundamente enraizados. A compreensão desse processo de romanização é fundamental para entender a formação histórica da identidade ibérica e sua integração ao contexto europeu.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 4
2.4 A INFLUÊNCIA DOS VISIGODOS NA PENÍNSULA IBÉRICA
1. INTRODUÇÃO
O período de domínio visigodo na Península Ibérica, entre os séculos V e VIII, foi um dos mais significativos no processo de transição da Antiguidade para a Idade Média no contexto ibérico. Após a queda do Império Romano do Ocidente, os visigodos, um povo de origem germânica, estabeleceram-se no território ibérico e fundaram um reino que, apesar de relativamente curto, deixou profundas marcas nas estruturas sociais, religiosas e políticas da região. Este artigo propõe uma abordagem panorâmica da influência visigótica, ressaltando seus legados mais duradouros e sua importância na constituição das identidades culturais ibéricas.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1 Direito e Administração
Um dos legados mais expressivos dos visigodos foi o desenvolvimento de um sistema jurídico que conciliava tradições germânicas e romanas. Destacam-se o Código de Leovigildo, no final do século VI, e o Liber Iudiciorum, compilado em 654 sob o reinado de Recesvinto. Este último tornou-se a base do direito visigótico e influenciou profundamente o direito medieval ibérico, pois unificava normas para visigodos e hispano-romanos, fortalecendo a centralização do poder régio.
2.2 Religião e Igreja
Inicialmente adeptos do arianismo, os visigodos converteram-se ao catolicismo em 589, durante o reinado de Recaredo I. Essa conversão teve profundo impacto político e social, fortalecendo a aliança entre a Igreja e a monarquia. Os Concílios de Toledo, assembleias que reuniam reis e bispos, tornaram-se centros de poder e deliberação sobre questões doutrinárias, civis e políticas, integrando a Igreja ao funcionamento do Estado visigótico.
2.3 Arquitetura e Arte
A arte visigótica, influenciada pelas tradições romanas e bizantinas, revelou-se principalmente na arquitetura religiosa. Exemplos notáveis são as igrejas de San Juan de Baños (Espanha) e São Frutuoso de Montélios (Portugal), com suas plantas basilicais e arcos em ferradura. Além disso, o requinte da ourivesaria visigoda pode ser observado nas coroas votivas do Tesouro de Guarrazar, que demonstram o alto grau de sofisticação artística.
2.4 Língua e Cultura
Apesar de o latim ter permanecido como língua dominante, os visigodos introduziram elementos do léxico germânico, especialmente relacionados à guerra e à administração. A influência cultural também se deu na onomástica, com a popularização de nomes germânicos. Contudo, sua contribuição para a formação de uma cultura híbrida germano-romana foi mais perceptível nos costumes e estruturas sociais.
2.5 Estrutura Social e Política
Os visigodos estabeleceram uma monarquia eletiva, que frequentemente gerava disputas internas, mas também criou um modelo de aristocracia que mesclava elites germânicas e hispano-romanas. Essa fusão consolidou a base social que sustentaria os reinos cristãos da Idade Média. O ideal de realeza visigótica influenciaria diretamente os modelos monárquicos ibéricos posteriores.
2.6 Influência no Período Pós-Visigótico
Mesmo após a conquista muçulmana de 711, a cultura visigótica não desapareceu. Ela sobreviveu nos reinos cristãos do norte, como Astúrias e Leão, sendo resgatada como símbolo de resistência e identidade. Durante a Reconquista, o legado visigótico foi reinterpretado como herança legítima dos reinos cristãos em luta contra o domínio islâmico, contribuindo para a formação de uma memória coletiva medieval.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O domínio visigodo na Península Ibérica foi um período de síntese entre tradições germânicas e romanas, cujo legado perdura na cultura ibérica. A codificação do direito, a organização da Igreja, a produção artística, a estrutura social e o modelo político adotado influenciaram de maneira decisiva a formação dos reinos medievais de Portugal e Espanha. Mesmo após o fim do reino visigodo, sua memória permaneceu viva, sendo ressignificada no contexto da Reconquista e da construção das identidades nacionais ibéricas. Compreender essa influência é essencial para entender os alicerces da história medieval da Península.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
CAPÍTULO 5
2.5 INFLUÊNCIA MUÇULMANA NA PENÍNSULA IBÉRICA
Introdução
A conquista muçulmana da Península Ibérica em 711 marcou o início de um dos períodos mais ricos e complexos da história europeia medieval. Sob o domínio islâmico, especialmente durante o período do Al-Andalus, a península tornou-se um espaço de intercâmbio cultural, científico e artístico entre muçulmanos, cristãos e judeus. Este artigo tem por objetivo apresentar, de forma estruturada e didática, as diversas áreas em que a presença muçulmana deixou legados profundos, demonstrando como essa influência moldou aspectos fundamentais da cultura ibérica.
Desenvolvimento
Arquitetura e Urbanismo
A arquitetura muçulmana introduziu elementos únicos, como os arcos em ferradura, pátios internos com fontes e o uso ornamental dos azulejos. Exemplos notáveis incluem o complexo palaciano da Alhambra (Granada), a Mesquita-Catedral de Córdoba e o Alcázar de Sevilha. Tais construções revelam um refinamento estético aliado a conhecimentos avançados de engenharia e hidráulica.
Ciência e Educação
Durante o domínio muçulmano, cidades como Córdoba e Toledo tornaram-se centros do saber. O legado inclui traduções de textos greco-romanos, avanços em astronomia, matemática (introdução do zero e do sistema decimal), medicina e filosofia. Esses saberes influenciaram o Renascimento europeu.
Agricultura e Engenharia Hidráulica
Técnicas de irrigação como noras, açudes e canais foram amplamente empregadas, o que permitiu a expansão de culturas como arroz, laranja, algodão, açúcar e açafrão. O aproveitamento racional da água contribuiu para o desenvolvimento agrícola sustentável.
Língua e Cultura Literária
A influência árabe deixou marcas profundas no vocabulário do espanhol e do português, com milhares de palavras herdadas. Além disso, a literatura e a poesia ibérica absorveram formas, temas e estilos da tradição árabe-andaluza.
Música e Arte Decorativa
A música flamenca, entre outros gêneros, revela traços de escalas e ritmos árabes. Na arte, o uso de padrões geométricos, arabescos e caligrafias se espalhou, influenciando também a arte sacra cristã na região.
Organização Social e Política
Os muçulmanos introduziram sistemas administrativos complexos, modelos de governança locais e regionais e práticas jurídicas inspiradas na Sharia. A convivência entre diferentes povos e religiões, embora nem sempre pacífica, possibilitou rica troca cultural e tecnológica.
Conclusão
A presença muçulmana na Península Ibérica foi um dos episódios mais significativos da história do continente europeu. Sua influência transcende os oito séculos de domínio político e permanece viva nas formas de expressão artística, no vocabulário, na arquitetura e até mesmo nos costumes ibéricos. O período do Al-Andalus representa um raro exemplo de confluência de saberes e culturas no contexto medieval, cujo impacto moldou aspectos importantes do mundo moderno.
Considerações Finais
A abordagem da influência muçulmana na Península Ibérica permite uma melhor compreensão das raízes da diversidade cultural europeia. O reconhecimento dessas contribuições promove uma visão mais integrada da história e favorece o diálogo intercultural. Estudos contínuos sobre o tema são fundamentais para preservar esse legado e ampliar o conhecimento sobre os processos históricos de intercâmbio entre civilizações.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
3. CONCLUSÃO GERAL
A análise conjunta dos cinco artigos permite compreender que a formação da Península Ibérica resulta de um processo histórico contínuo de sobreposição cultural. Desde os castros da Idade do Ferro até o florescimento do Al-Andalus, cada período contribuiu com elementos fundamentais para a construção da identidade ibérica.
A cultura castreja estabeleceu as bases territoriais e sociais iniciais; a romanização promoveu a integração política, linguística e urbana; os visigodos consolidaram estruturas jurídicas e religiosas; e os muçulmanos enriqueceram significativamente os campos científico, artístico e agrícola.
Essa diversidade de influências revela que a identidade ibérica não é homogênea, mas sim fruto de múltiplas interações culturais. O reconhecimento dessa pluralidade é essencial para a compreensão histórica e para a valorização do patrimônio cultural europeu.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GERAIS (ABNT)
BARCELÓ, Miquel. A Alta Idade Média: Ocidente Cristão e Mundo Islâmico. Lisboa: Edições 70, 2000.
CAMPOS, J. M. Gonçalves. A romanização da Península Ibérica. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1990.
DIAS, Jorge de Alarcão. Romanização do Noroeste da Península Ibérica. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009.
FERREIRA, Jorge. História da Península Ibérica. São Paulo: Contexto, 2015.
FLETCHER, Richard. The Visigoths in the Time of Ulfila. London: Methuen & Co., 1980.
GARCÍA QUINTELA, Marco V. La cultura castreña. Madrid: Síntesis, 2001.
LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval. São Paulo: Loyola, 2001.
MATTOSO, José. História de Portugal. Lisboa: Editorial Estampa, 1997.
WATT, W. Montgomery. A History of Islamic Spain. Edinburgh: Edinburgh University Press, 1992.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Artigos publicados no blog. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com . Acesso em: 2 abr. 2026.
REFERÊNCIAS DOS ARTIGOS NO ACERVO
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Influência dos Castros. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/03/influencia-dos-castro-aldeias.html?m=0 . Acesso em: 2 abr. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Influência Romana no Norte de Portugal. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/03/influencia-romana-no-norte-de-portugal.html?m=0 . Acesso em: 2 abr. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Influência Romana na Península Ibérica. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/03/influencia-romana-na-peninsula-iberica.html?m=0 . Acesso em: 2 de abr. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. A Influência dos Visigodos na Península Ibérica. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/03/a-influencia-dos-visigodos-na-peninsula.html?m=0 . Acesso em: 2 de abr. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Influência Muçulmana na Península Ibérica. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/03/influencia-muculmana-na-peninsula.html?m=0 . Acesso em: 2 de abr. 2026 .
Autor: Nhenety Kariri-Xocó







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