FALSA FOLHA DE ROSTO
CONEXÕES ÉTNICO-HISTÓRICAS DOS KARIRI-XOCÓ
Nhenety Kariri-Xocó
FOLHA DE ROSTO
CONEXÕES ÉTNICO-HISTÓRICAS DOS KARIRI-XOCÓ
Memórias Ancestrais do Baixo São Francisco
Nhenety Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio – Alagoas
2026
VERSO DA FOLHA DE ROSTO
Copyright © 2026 – Nhenety Kariri-Xocó
Todos os direitos reservados.
Esta obra reúne memórias históricas, tradição oral, genealogias indígenas e registros etno-históricos relacionados aos povos indígenas do Baixo São Francisco, especialmente os Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.
Parte das informações aqui presentes foi preservada através da oralidade dos anciões, entrevistas, documentos históricos, registros do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), bibliografias especializadas e arquivos pessoais do autor.
FICHA CATALOGRÁFICA
KARIRI-XOCÓ, Nhenety.
Conexões Étnico-Históricas dos Kariri-Xocó: memórias ancestrais do Baixo São Francisco / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.
Povos indígenas do Nordeste.
Kariri-Xocó.
Tradição oral indígena.
Genealogia indígena.
Etno-história do Baixo São Francisco.
Memória ancestral.
CDD: 980.41
ISBN (SIMBÓLICO)
ISBN: 978-65-0000-000-0
Registro simbólico para edição cultural e memorialística.
PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO
Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.
Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.
Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.
Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.
Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.
ESCLARECIMENTO DO AUTOR
A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.
Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.
Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.
O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.
Nhenety Kariri-Xocó
DEDICATÓRIA
Dedico esta obra aos meus antepassados Kariri-Xocó, aos antigos pajés, caciques, conselheiros, cantadores, pescadores, agricultores, ceramistas e guardiões da memória oral do Opará.
Dedico também aos anciões que mantiveram viva nossa história nas fogueiras da aldeia, transmitindo aos mais jovens os caminhos da tradição, da resistência e da espiritualidade indígena.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente aos antepassados, aos ancestrais sagrados e ao Grande Espírito pela força concedida durante esta caminhada de pesquisa e memória.
Agradeço aos anciões Kariri-Xocó, Xocó, Pankararu, Fulni-ô, Karapotó e demais parentes indígenas do Nordeste que contribuíram com relatos, histórias, genealogias e ensinamentos preservados pela oralidade.
Agradeço às lideranças indígenas, professores, pesquisadores e instituições que preservam documentos históricos relacionados aos povos originários do Baixo São Francisco.
Minha gratidão especial à minha família, ao povo Kariri-Xocó e a todos que acreditam na importância da preservação da memória ancestral indígena.
EPÍGRAFE
“Enquanto existir a memória dos antigos nas fogueiras do conselho, nosso povo continuará vivo sobre as margens sagradas do Opará.”
— Tradição Oral Kariri-Xocó
PREFÁCIO DO VOLUME
A presente obra constitui um importante registro etno-histórico das conexões ancestrais dos povos indígenas do Baixo São Francisco, especialmente dos Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.
Mais do que um levantamento genealógico, este trabalho representa um exercício de preservação da memória coletiva indígena, articulando tradição oral, documentação histórica, experiências familiares e referências culturais transmitidas entre gerações.
Ao reunir lideranças, pajés, curandeiros, conselheiros, agricultores, pescadores e ceramistas, o autor demonstra como os povos indígenas nordestinos resistiram aos séculos de colonização, deslocamentos populacionais e tentativas de apagamento cultural.
Esta obra possui valor histórico, antropológico, memorialístico e identitário, contribuindo para o fortalecimento da memória dos povos originários do Nordeste brasileiro.
RESUMO
Esta obra apresenta um levantamento etno-histórico das conexões ancestrais dos Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas, com outros povos indígenas do Baixo São Francisco e do Nordeste brasileiro. A pesquisa fundamenta-se em tradição oral, entrevistas com anciões, documentos históricos, registros do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), bibliografia especializada e memória familiar. O trabalho organiza cronologicamente lideranças indígenas, pajés, curandeiros, conselheiros, agricultores, pescadores e ceramistas, demonstrando os processos históricos de resistência, migração, reorganização social e preservação cultural dos povos indígenas nordestinos entre os períodos colonial, imperial e republicano.
Palavras-chave: Kariri-Xocó; tradição oral; etno-história; genealogia indígena; Baixo São Francisco.
ABSTRACT
This work presents an ethno-historical survey of the ancestral connections of the Kariri-Xocó people from Porto Real do Colégio, Alagoas, with other indigenous peoples of the Lower São Francisco River and Northeastern Brazil. The research is based on oral tradition, interviews with elders, historical documents, records from the Indigenous Protection Service (SPI), specialized bibliography, and family memory. The study chronologically organizes indigenous leaders, shamans, healers, counselors, farmers, fishermen, and potters, demonstrating the historical processes of resistance, migration, social reorganization, and cultural preservation among Northeastern indigenous peoples during the colonial, imperial, and republican periods.
Keywords: Kariri-Xocó; oral tradition; ethno-history; indigenous genealogy; Lower São Francisco River.
APRESENTAÇÃO
As histórias dos povos indígenas do Nordeste brasileiro foram, durante muito tempo, narradas apenas sob o olhar colonial. Muitas memórias ancestrais sobreviveram graças à oralidade preservada pelos anciões, pelos rituais sagrados, pelos conselhos tribais e pelas famílias indígenas.
A presente obra busca contribuir para a preservação dessas memórias, reunindo informações sobre lideranças, famílias tradicionais, práticas culturais e conexões históricas entre os povos indígenas do Baixo São Francisco.
O livro organiza narrativas ancestrais em ordem cronológica, permitindo compreender a continuidade histórica dos Kariri-Xocó ao longo das gerações.
NOTA DO AUTOR
Este trabalho nasceu da necessidade de preservar as memórias ancestrais do povo Kariri-Xocó e de registrar histórias transmitidas oralmente por nossos antigos.
Muitas informações aqui presentes foram reconstruídas através de relatos familiares, entrevistas com anciões, observações culturais e análise cronológica baseada na tradição oral indígena.
O objetivo desta obra não é encerrar debates históricos, mas contribuir para o fortalecimento da memória coletiva e da identidade dos povos originários do Baixo São Francisco.
MEMÓRIA DO AUTOR
Sou Nhenety Kariri-Xocó, indígena do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas. Cresci ouvindo as histórias dos antigos nas rodas de conversa, nas fogueiras, nos rituais e nos ensinamentos transmitidos pelos mais velhos.
Desde cedo desenvolvi interesse pela memória ancestral de meu povo, buscando compreender as origens das famílias indígenas, as migrações entre aldeias e as conexões históricas entre diferentes etnias do Nordeste.
Ao longo dos anos reuni relatos orais, documentos históricos, entrevistas e referências bibliográficas que hoje formam parte deste trabalho.
Esta obra representa não apenas uma pesquisa, mas também um compromisso espiritual e cultural com os antepassados Kariri-Xocó.
SUMÁRIO
Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
Parte I — Contexto Histórico e Metodológico
Formação Histórica dos Povos do Baixo São Francisco
As Missões Indígenas no Período Colonial
Migrações Étnicas entre Alagoas, Sergipe e Pernambuco
Metodologia da Tradição Oral e Reconstrução Cronológica
A Memória dos Anciões e os Cálculos Geracionais
Parte II — Lideranças, Pajés e Conselheiros
Capítulo I — Lideranças e Conexões Étnico-Históricas
Capítulo II — Antigas Lideranças Militares de Aldeias e Missões
Capítulo III — Caciques e Pajés dos Séculos XVIII–XX
Capítulo IV — Curandeiros(as) e Mezinheiros(as) do Passado
Capítulo V — Conselheiros e Clãs Líderes de Famílias
Parte III — Memórias dos Trabalhadores e da Vida Comunitária
Capítulo VI — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XIX — Parte I
Capítulo VII — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XIX — Parte II
Capítulo VIII — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XIX — Parte III
Capítulo IX — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XIX — Parte IV
Capítulo X — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte I
Capítulo XI — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte II
Capítulo XII — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte III
Capítulo XIII — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte IV
Capítulo XIV — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte V
Capítulo XV — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte VI
Capítulo XVI — Pescadores, Agricultores e Ceramistas do Século XX — Parte VII
Parte IV — Memória, Resistência e Continuidade
O Ouricuri e a Resistência Cultural
A Cerâmica, a Pesca e a Agricultura Tradicional
A Formação Contemporânea da Aldeia Kariri-Xocó
A Memória dos Antepassados na Atualidade
Considerações Finais
Referências Bibliográficas
Glossário
Sobre o Autor
INTRODUÇÃO
Os povos indígenas do Baixo São Francisco possuem uma longa trajetória histórica marcada por deslocamentos, alianças étnicas, resistência cultural e reorganização social diante dos impactos da colonização portuguesa.
A atual comunidade Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas, resulta de diversos processos históricos envolvendo povos indígenas provenientes de aldeias e missões situadas em Alagoas, Sergipe e Pernambuco.
Durante os períodos colonial, imperial e republicano, grupos indígenas foram submetidos à ocupação territorial, redução populacional, deslocamentos forçados e políticas de assimilação cultural. Apesar dessas dificuldades, mantiveram práticas religiosas, estruturas familiares, tradições orais e formas próprias de organização comunitária.
A presente obra busca reconstruir parte dessa trajetória histórica por meio de registros genealógicos, memórias familiares e narrativas preservadas pela oralidade indígena.
PARTE I — CONTEXTO HISTÓRICO E METODOLÓGICO
O contexto histórico-metodológico do povo Kariri-Xocó reconstrói a trajetória da comunidade no baixo Rio São Francisco a partir do cruzamento entre a etnohistória colonial e a cronologia baseada na memória e tradição oral.
Esta abordagem valida a ciência indígena de registrar o tempo, conectando os ciclos de vida dos antepassados aos marcos territoriais e políticos da região.
Para o povo Kariri-Xocó, a datação histórica não depende apenas de cartórios ou documentos oficiais, mas sim de uma metodologia cronológica viva:
A identificação de datas e eras baseia-se na idade cronológica de lideranças e parentes cruzada com o momento em que viveram e morreram.
O tempo é medido por acontecimentos marcantes da comunidade (como grandes enchentes do Rio São Francisco, secas, a chegada de órgãos coloniais, instituições religiosas, fundações de capitania, povoados, freguesias, paróquias, vilas, cidades, conflitos por terra ou a chegada e de de órgãos indigenistas).
Na pesquisa histórica moderna, essa metodologia é chamada de História Oral Coletiva, onde a memória dos anciãos possui o mesmo peso científico que um documento escrito antigo.
A configuração atual dos Kariri-Xocó é fruto de uma longa estratégia de resistência iniciada na antiga Capitania de Pernambuco:
As Missões Religiosas Coloniais: Durante o Brasil Colonial, o baixo Rio São Francisco foi palco do aldeamento jesuíta e capuchinho (como a Missão de N. Srª. da Conceição de Colégio, atual Porto Real do Colégio).
Esses aldeamentos reuniram diferentes grupos étnicos (Kariri, Karapotó, Aconã, Xocó, Natu, entre outros). Para resistir e manter a posse da terra, esses povos se uniram, gerando o processo de etnogênese que consolidou a identidade Kariri-Xocó.
Mesmo com a imposição colonial e a forte mistura cultural das missões, o povo preservou o seu segredo sagrado, a tradição do Ouricuri, elemento central que garantiu a coesão identitária e a resistência étnica até os dias de hoje.
FORMAÇÃO HISTÓRICA DOS POVOS DO BAIXO SÃO FRANCISCO
A narrativa oral dos povos originários chamado o rio chamado de Opará com a chegada dos colonizadores foi denominado de Rio São Francisco no ano 1501. Historicamente Alagoas ficou sob a jurisdição da Capitania de Pernambuco, fundado o povoado Penedo em 1560 nas margens do Rio São Francisco. O Colégio dos Jesuítas em Olinda, capital da Capitania de Pernambuco foi fundado em 1568 para incentivar a criação de aldeias e missões, reunindo vários grupos étnicos da região Nordeste, nos séculos posteriores. Essas aldeias, missões com passar dos anos tornaram povoados, freguesias, paróquias,
vilas e cidades, atravessando o tempo, ficaram marcados na tradição oral como datação de nascimento e morte de pessoas da comunidade indígena.
AS MISSÕES INDÍGENAS NO PERÍODO COLONIAL
Na região do Baixo São Francisco existiu várias missões jesuítas e capuchinhas ao longo dos séculos XVII - XVIII, mas em alguns lugares esse ciclo se prolongou até o final do século XIX, quando o Império do Brasil determinou extinção administrativa de aldeamentos indígena em várias províncias, inclusive de Alagoas em 1873.
As aldeias que mantiveram conexões com a Missão de N. Sra. da Conceição de Colégio, foram: Pacatuba (SE), Ilha de São Pedro (SE), Lagoa Comprida ( AL), Jaciobá (AL), Panema (PE), Brejo dos Padres (PE), por afinidades culturais e religiosas das tradições do Oricuri sagrado.
Nos meados do século XVIII, os jesuítas foram expulso do Brasil, por ordem do Marquês de Pombal 1⁰ Ministro de Portugal, assim os aldeamentos missionários foram ao longo do tempo transformados em povoados e vilas para a colonização da região.
MIGRAÇÕES ÉTNICAS ENTRE ALAGOAS, SERGIPE E PERNAMBUCO
A Carta Régia de 1700 determina uma légua de terra para cada aldeia, delimitando a população até 100 casais em cada missão religiosa. Assim os excesso populacional das aldeias para uma redistribuição de indígenas para outros lugares distantes de sua terra natal.
Nessa conjuntura política da época muitos povos migraram ora das vezes por força da lei, mas tiveram aqueles grupos étnicos que mudaram de região espontaneamente, buscando melhores condições de sobrevivência, outras vezes resistiam as mudanças impostas.
Os casamentos inter-étnicos favoreceram laços de parentesco, fortalecendo a resistência contra o colonizador, podemos perceber vários conflitos no Brasil Colonial entre os indígenas e colonizadores na defesa do território tradicional.
Na descrição dos nomes das lideranças e pessoas da comunidade veremos uma diversidade étnica de famílias de grupos indígenas sobreviventes que vieram residir em Porto Real do Colégio, Alagoas, por oferecer melhores condições de sobrevivência como povo nativo.
METODOLOGIA DA TRADIÇÃO ORAL E RECONSTRUÇÃO CRONOLÓGICA
Na tradição oral como fazer para descobrir as datas de nascimento e morte de um indígena? Quando vou entrevistar um ancião pergunto, o senhor sabe qual o ano que seu pai ou mãe nasceu e morreu? O ancião responde rapaz não sei não, mas quando eu nasci em 1940 meu pai tinha 19 anos de idade e minha mãe 18 anos. Meu pai morreu com 78 anos e minha mãe com 80 anos.
Para descobrir o ano de nascimento e falecimento dos pais desse ancião, podemos calcular da seguinte forma: Pai: Nasceu em \(1921\) e morreu em \(1999\).
Mãe: Nasceu em \(1922\) e morreu em \(2002\).
O Pai, nascimento: Como o ancião nasceu em 1940 e o pai tinha 19 anos, basta subtrair: \(1940 - 19 = 1921\). Falecimento: Sabendo que o pai nasceu em 1921 e viveu 78 anos, somamos: \(1921 + 78 = 1999\).
A Mãe, nascimento: Como o ancião nasceu em 1940 e a mãe tinha 18 anos, subtraímos: \(1940 - 18 = 1922\). Falecimento: Sabendo que a mãe nasceu em 1922 e viveu 80 anos, somamos: \(1922 + 80 = 2002\).
DESENVOLVIMENTO DOS CAPÍTULOS
Os capítulos desta obra encontram-se organizados em ordem cronológica e temática, reunindo informações sobre lideranças indígenas, capitães-mores, pajés, curandeiros, conselheiros, agricultores, pescadores, ceramistas e famílias tradicionais dos Kariri-Xocó e povos relacionados.
Cada capítulo aborda um aspecto específico da organização social indígena ao longo dos séculos, permitindo compreender a continuidade histórica e cultural das comunidades do Baixo São Francisco.
As informações foram obtidas através de tradição oral, entrevistas, documentos históricos, registros do SPI, bibliografia especializada e memória familiar preservada entre gerações.
CAPÍTULOS I - LIDERANÇAS CONEXÕES ÉTNICO-HISTÓRICA
No Nordeste do Brasil as aldeias indígenas foram incorporadas outras culturas, introduzida pelo colonizador, ocupação do território para a cana-de-açúcar, criação de gado ocasionou desestabilidade interna. Nesse período inicial lideranças indígenas tiveram influência regional, alianças étnicas, para superar conflitos com holandeses, Confederação dos Cariris, Palmares.
Tarobá ( Aldeia Natu, Opará, 1439 - Aldeia Natu, Capitania de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1548 ), estava com 62 anos quando avistou a caravela em 1501 na foz do Opará que os portugueses denominaram de Rio São Francisco, ele viveu 109 anos.
Piragibe ( Aldeia Ribeiras do Opará, Alagoas, 1485 - Ilha do Bispo, Paraíba, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1600 ) foi cacique tabajara. Na tradição Kariri-Xocó existe a família Pirigipe, considerada relacionada simbolicamente à memória ancestral de Piragibe.
Jurumbá ( Aldeia Natú, Baixo São Francisco, Capit. de Pernambuco, Reino de Portugal, 1535 - Aldeia Pacatuba, Sergipe d'El Rei, Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1603 ) ele já estava com 25 anos quando os portugueses fundaram Penedo em Alagoas em 1560 na Capitania de Pernambuco, viveu 68 anos.
Camaná ( Aldeia Natú, Baixo São Francisco, Capitania de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1553 - Aldeia de Pacatuba, Sergipe d'El Rei, Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1629 ) indígena Natú, filha de Jurumbá que estava com 18 anos quando ela nasceu nas Ribeiras do Opará, ela viveu 76 anos.
Pindaíba ( Aldeia Aramurú, Sergipe d'El Rei, Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1576 - Aldeia Aramurú, Morgado de Porto da Folha, Sergipe d'El , Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1658 ). cacique, indígena Aramurú.
Muira Ubi, Niraubi ou Antônio Pessoa Arcoverde ( Paraíba, Capit. de Pernambuco, PE, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1604 - Paraíba, Capit. Pernambuco, 1692 ) capitão mor, indígena Tabajara, liderou os Xocó.
Maruandá (Aldeia Kariri, Vila de Penedo, Capitania de Pernambuco, Brasil Holandês, 1652 – Aldeia Urubumirim, Vila do Penedo do Rio São Francisco, Capitania de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1726).
Canindé ( Rio Grande do Norte, RN, Capit. Rio Grande ( RN ), Estado do Brasil, Reino de Portugal, Séc. XVII - Rio Grande (RN ), Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1699 ), líder dos Janduis e dos Cariris do Nordeste, em Kariri-Xocó existe a família Nidé.
Carapotó Antônio Gonçalves ( Capit. de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1618 - Aldeia Pacatuba, Sergipe 'dEl Rei', Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1708 ) cacique, indígena Karapotó deu origem o povo do mesmo nome.
CAPÍTULO II - ANTIGAS LIDERANÇAS MILITARES DE ALDEIAS E MISSÕES
Na ocupação do território no período Brasil Colonial, Brasil Império até na República, os indígenas lutaram com resistência, ora as vezes contra o colonizador outras vezes ao lado deles, sendo nomeados como capitão-mor. Essas lideranças visitavam os parentes em outras aldeias em momentos de luta pela sobrevivência do povo.
José Serafim de Souza ( Aldeia Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe 'dEl Rei', Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1765 - Aldeia Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1863 ) capitão mor, indígena Xocó, pai de Antônia Rosa de Souza.
Pedro Lolaço ( Rua dos Índios, Distrito Porto Real do Colégio, Vila de Penedo, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1796 - Rua dos Índios, Paróquia de Porto Real do Colégio, Penedo, Prov. Alagoas, Império do Brasil, 1871 ) capitão mor, indígena Kariri, irmão de Ludovico .
Antônio Frutuoso ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe d'El Rei, Capit. Bahia, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1797 - Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Prov. Sergipe, Império do Brasil, 1873 ) capitão-mor da Ilha, substituiu o cap. José Serafim de Souza em 1823 .
Manoel Altanazio ( Rua dos Índios, Distrito Porto Real do Colégio, Comarca de Alagoas, Vila de Penedo, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1811 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Prov. Alagoas, Império do Brasil, 1880 ) cabo de esquadra e agricultor, indígena Kariri, pai de Maria Tomazia, João Vicente e Antônia Rosa.
Firmino José dos Santos ( Rua dos Índios, Paróquia de Porto Real do Colégio, Vila de Penedo, Prov. Alagoas, Império do Brasil, 1840 - Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1900 ) alferes e o 2º intendente de Porto Real do Colégio, indígena Kariri.
Manoel Pacífico de Barros ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Prov. Sergipe, Império do Brasil, 1834 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1906 ) soldado da marinha, indígena Xocó.
Jurandir Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1919 - Manaus, AM, Brasil, 1982 ) tenente, indígena Kariri, filho de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité.
CAPÍTULO III - CACIQUES E PAJÉS DO SÉCULOS XVIII - XX
O Estado Português e os missionários tentaram apagar a cultura indígena, colocando Capitão-mor no lugar do Cacique e o Padre no lugar do Pajé. Mas não funcionou, os Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas, mantiveram sua organização social e religiosa até os dias atuais. Nas fogueiras histórias no interior da floresta, em segredo pessoas aflitas por não poder expressar sua cultura, foi tempo difícil mas tudo passou.
Luduvico ( Rua dos Índios, Freg. de N. Sra. da Conceição do Porto Real, Vila de Penedo, Comarca de Alagoas, Capit. de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1778 - Rua dos Índios, Paróquia de Porto Real do Colégio, Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1855 ) pajé, indígena Kariri, pai de Manoel Baltazar; avô paterno de Manoel Paulo; bisavô materno de Manoel Joaquim de Santana.
Manoel Baltazar ( Rua dos Índios, Freg. de N. Sra. da Conceição do Porto Real, Comarca de Alagoas, Vila de Penedo, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1794 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1876 ) pajé, indígena Kariri, filho de Ludovico e pai de Manoel Paulo.
Manoel Paulo ( Rua dos Índios, Distrito de Porto Real do Colégio, Capit. Alagoas, Vila de Penedo, Reino de Portugal, Brasil e Algarve, 1820 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1910 ) pajé, indígena Kariri, filho de Manoel Baltazar.
Antônio Binga ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1840 - Porto Real do Colégio, AL, Brasil, 1921 ) pajé em São Pedro, pescador, indígena Xocó.
Inocêncio Pires Muirá ( Ilha de São Pedro, Porto de Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1855 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1936 ) cacique, indígena Xocó, Aramurú e Xocó, filho de Jetudes e José Ribeiro.
José Ferreira Botó ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1896 - Olho D'água do Meio, Feira Grande, Alagoas, Brasil, 1967 ) pajé Tingui-Botó, indígena Kariri, filho de João Xavier da Silva Botó e Maria da Conceição.
Manoel Joaquim de Santana ( Ilha de São Pedro, Freg. de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1878 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 ) pajé, indígena Kariri e Xocó, filho de José Maromba e Martinha.
Otávio Nidé ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1908 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 1989 ) cacique, rezador e pescador, indígena Xocó, filho de Umberlina de Souza Lima e Manoel Queroz.
Jonas Ibá ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1908 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 ) cacique, mestre de chegança, indígena Kariri e Xocó, filho de Manoel Joaquim de Santana e Maria Murú Ibá .
Francisco Queroz Suíra ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1912 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 1994 ) pajé e pescador, indígena Kariri e Xocó, filho de Manoel de Queroz e Maria Serafina .
Cícero Santiago Irecê ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2016 ) cacique e professor, indígena Xocó, filho de Benedita Muirá .
CAPÍTULO IV - CURANDEIROS (AS) E MESINHEIRAS (OS) DO PASSADO
As dificuldades imposta pelo colonizadores, ocupação do território, com pouco acesso às florestas, mesmo assim o indígena fez uso dos saberes ancestrais para superar os problemas, buscou a cura através dos pajés e curandeiros, assim foram chamador pelos brancos que também a procuravam em busca da cura nativa. O povo cresceu juntamente com a diversidade de saberes de outros grupos étnicos que vieram aos poucos em vários períodos históricos. A Rua dos Índios recebera esta denominação desde 1763, quando os indígenas saíram do centro da antiga aldeia com a criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real, Alagoas, foram morar na periferia ao lado norte. Com a criação da fábrica de beneficiamento de Arroz a Usina São Vicente a Rua dos Índios passou a ser chamada Rua São Vicente até os dias atuais, segundo a tradição local.
Jaciara ( Aldeia Jaciobá, Pão-de-Açúcar, Alagoas, Capitania de Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1655 - Aldeia Jaciobá, Pão de Açúcar, Comarca de Alagoas, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1717 ) mesinheira, indígena Chocó, mãe de Tereza Muirá; mulher de Muirá ou Niraubi.
Rosa Ferreira Botó ( Rua dos Índios, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1824 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Porto Real do Colégio, Brasil, 1918 ) curandeira, indígena Kariri, filha de Pedro Lolaço; esposa de Marcos Ferreira.
Luzia ( Rua dos Índios, Distrito de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, 1829 - Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1912 ) mesinheira, indígena Kariri, filha de Manoel Baltazar; irmã de Manoel Paulo, esposa de Gabriel Gonçalves de Oliveira.
Martinha ( Rua dos Índios, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1848 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1922 ) mesinheira, índia Kariri, filha de Manoel Paulo e neta de Manoel Baltazar.
Gabriel Gonçalves de Oliveira ( Palmeiras dos Índios, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1853 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1933 ) mezinheiro, indígena Xucuru-Kariri, esposo de Luzia irmã de Manoel Paulo.
Maria Alexandrina Ferro ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1875 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, AL., 1951 ) mesinheira, indígena Xocó e Pankararu, filha de Jorge Alexandre e Almerinda Conceição.
Cícero Ferreira Botó ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1894 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1949 ) curandeiro, indígena Kariri, filho de João Xavier da Silva Botó e Maria da Conceição.
Antônio Rosa Ferro, ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1910 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1966 ) curandeiro, indígena Kariri e Xocó, filho de João Vicente Ferreira Ferro e Antônia Rosa C. Ferro.
Cícero de Aquino Candará ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2011 ) caçador, curandeiro, indígena Xocó, filho de Marieta de Aquino e Antônio de Aquino.
CAPÍTULO V - CONSELHEIROS E CLÃS LÍDERES DE FAMÍLIAS
A política indigenista colonial de redução da população das aldeias e a extinção administrativa dos aldeamento para criação de vilas e cidades, muitas famílias de grupos étnicos diversos buscaram refúgio, onde as condições de sobrevivência era mais amenas em outras aldeias. Nesse tempo havia líderes de clã e conselheiros chefes de famílias, esse foi o tempo de acolhimento dos parentes em aflição por deixar sua terra querida. A Rua dos Índios, na periferia de Porto Real do Colégio, ali residiam: Kariri, Karapotó, Natu, Aconã, Xucuru-Kariri, Xocó e Fulni-ô.
Tereza Muirá ( Aldeia Jaciobá, Alagoas, Vila de Penedo, Capit. de Pernambuco, 1687 - Aldeia Jaciobá, Pão de Açúcar, Vila de Penedo, Comarca de Alagoas, Capit. Pernambuco, Estado do Brasil, Reino de Portugal, 1759 ), líder clãnica indígena Chocó, filha de Jaciara e Muira Ubi.
Maria Pirigipe dos Santos ( Rua dos Índios, Distrito de Porto Real, Vila de Penedo, Capitania de Alagoas, Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, 1818 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1902 ) líder clãnica da Família Pirigipe, ceramista, indígena Kariri e Natú, mãe de Maria Tomazia Pirigipe.
João Xavier da Silva Botó ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real do Colégio, Comarca de Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1832 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1923 ) líder clãnico dos Botó, agricultor, indígena Kariri, filho de Pedro Lolaço.
João Maromba ( Freguesia de São Félix de Pacatuba, Vila Nova, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1835 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1921 ) líder clãnico dos Maromba, agricultor, indígena Xocó, pai de José, Francisco, Pedro e Gregório.
Maria Tomazia Pirigipe ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real do Colégio, Comarca de Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1838 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, Alagoas, 1953 ) conselheira, tribal, indígena Kariri e Natú, filha de Manoel Altanazio dos Santos e Maria Pirigipe dos Santos.
Vicente Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real do Colégio, Comarca de Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1841 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, 1913 ) líder clãnico dos Poité, agricultor, indígena Kariri, filho de Pedro Lolaço.
João Pereira Pirigipe ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Porto Real do Colégio, Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1847 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, fal. 1945 ) chefe do Conselho Tribal, conselheiro, pescador, indígena Kariri, pai de Maria Pureza Poité.
Manoel Francisco da Silva ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1852 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1936 ) canoeiro, indígena Xocó, líder clãnico dos Tononé.
Maria Serafina ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1876 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1938 ) líder clãnica dos Suíra, ceramista e pescadora, indígena Kariri e Xocó, filha de Martinha e José Maromba, mãe de Francisco Queiroz Suíra.
Aniceto Tinga ( Ilha de São Pedro, Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1878 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1943 ) líder clãnico dos Tinga, agricultor, indígena Xocó, pai de Ernestina Tinga.
CAPÍTULO VI - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XIX ( Parte 1 )
As comunidades indígenas a agricultura coletiva, homens e mulheres plantavam milho, feijão, mandioca e batata na base da alimentação. Na cerâmica as mulheres confeccionavam potes e panelas de barro, se tornando um meio de troca e venda do produto cerâmico por alimentos com o próprio colonizador. Mas a pesca era uma atividade diária, o Rio São Francisco com sua fartura de peixes supria as necessidades. O fortalecimento da comunidade com os casamentos inter-étnicos nos laços de parentesco e força grupal nos desafios porvir. Parte dos Xocó migraram para Porto Real do Colégio em 1882, mas a família de Inocêncio Muirá ficou na Ilha de São Pedro, Porto da Folha, na Província de Sergipe, saindo em 1898.
Manoel Alexandre ( Brejo dos Padres, Freguesia de Nossa Senhora da Saúde de Tacaratu, Província de Pernambuco, Império do Brasil, 1825 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1903 ) agricultor, indígena Pankararu, irmão de José Ribeiro e Pedro Alexandre.
José Santana ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Paróquia de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Vila de Penedo, Império do Brasil, 1828 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1916 ) pescador, indígena Kariri, pai de Marco Ferreira, Martiniano Lima, Vicente F. Ferro e Maria Colodina.
José Ribeiro Sabino Pires ( Freguesia de Nossa Senhora da Saúde de Tacaratu, Província de Pernambuco, Império do Brasil, 1830 - Ilha de São Pedro, Freguesia de Nossa Senhora do Porto da Folha, Província de Sergipe, 1880 ) agricultor, indígena Pankararu, pai de Inocêncio Pires Muirá.
Jetudes ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1835 - Ilha de São Pedro, Freguesia Nossa Senhora da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1890 ) fiandeira e ceramista, índia Xocó, mãe de Inocêncio Muirá.
Maria Tinga de Jesus ( Freguesia São Félix de Pacatuba, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1837 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1920 ) ceramista, indígena Orumarus e Xocó, esposa de Manoel Alexandre, mãe de Antônia Rosa Conceição.
Manoel Roberto Poité ( Rua dos Índios, Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Paróquia de Porto Real do Colégio, Comarca de Penedo, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1841 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1909 ) agropecuarista, indígena Kariri, pai de Delmira Roberto Poité.
Lourenço Marinho ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1853 - Penedo, Alagoas, Brasil, 1928 ) agricultor, indígena Xocó pai de Antônio Marinho; avô paterno de Júlia Pires Suré.
Carolina Maria de Jesus ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe, Império do Brasil, 1854 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1937 ) ceramista, indígena Xocó, esposa de Manoel Francisco da Silva.
Maria Tertuliana Muirá ( Ilha de São Pedro, Porto de Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1856 - Porto Real do Colégio, fal. 1938 ) ceramista, indígena Xocó e Aramurú, esposa de Inocêncio Pires Muirá.
Manoel Gregório Maromba ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1857 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1936 ) agricultor, filho de João Maromba, indígena Xocó filho de João Maromba, esposo de Severina Queiroz, avô de Francisco Queroz Suíra.
Francisco Matias de Souza ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1858 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1934 ) pescador, indígena Xocó.
José Maromba ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1858 - Rua dos Índios Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1933 ) agricultor, indígena Xocó filho de João Maromba, esposo de Martinha, pai de Manoel Joaquim de Santana e de Maria Serafina.
Severina Queiroz ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1858 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1936 ) agricultora, indígena Kariri, mãe de Manoel Queroz Suíra .
CAPÍTULO VII - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XIX ( Parte 2 )
As condições políticas, sociais, culturais e climáticas determinavam o favorecimento de uma atividade econômica, seja em qualquer período histórico da humanidade. Assim ocorreu a evolução das sociedades, cada geração passou por crises e superações. As fogueiras continuavam com as notícias das novidades recém-chegadas, assim necessitariam novas adaptações para superar as crises.
Francisco Maromba ( Ilha de São Pedro, Freguesia de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1861 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 ) pescador, indígena Xocó filho de João Maromba.
Leopoldino Pires Muirá ( Ilha de São Pedro, Freguesia de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1862 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1941 ) agricultor e estivador, indígena Xocó, filho de Antônia Rosa de Souza e Inocêncio Pires Muirá.
Pedro Maromba ( Ilha de São Pedro, Freguesia de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1863 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, fal. 1943 ) agricultor, indígena Xocó filho de João Maromba.
João Vicente Ferreira Ferro ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1865 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1949 ) apicultor, agricultor, indígena Kariri e Natú, filho de Manoel Altanazio dos Santos.
Delmira Roberto Poité ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1870 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1953 ) agricultora, indígena Kariri, mãe de Euclides Ferreira Poité; filha de Manoel Roberto Poité.
João de Rosa Ferreira ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1870 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1943 ) pescador, indígena Kariri, filho de Rosa Ferreira Botó e Marco Ferreira.
Ana Maria da Conceição ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Província de Pernambuco, Império do Brasil, 1872 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1954 ) agricultura, indígena Pankararu, filha de Maria Pizenanda de Jesus e Roque Pires de Carvalho.
Maria Eleuteria Soia ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Freg. de N. Sra. da Conceição da Ilha do Ouro, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1874 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1955 ) ceramista, indígena Xocó, mãe de Josefa Soia.
Manoel Messias Botó ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1874 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1942 ) agricultor, indígena Kariri, filho de João Xavier da Silva Botó e Maria da Conceição.
Antônia Rosa Conceição ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Freg. de N. Sra. da Conceição da Ilha do Ouro, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1875 - Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1947 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Manoel Alexandre e Maria Tinga de Jesus.
Manoel Queroz Suíra ( Ilha de São Pedro, Freg. de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1875 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1938 ) pescador, indígena Kariri e Xocó, filho de Manoel Gregório Maromba e Severina Queiroz.
CAPÍTULO VIII - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XIX ( Parte 3 )
No final do século XIX a política imperial nas províncias de extinção administrativa das aldeias indígenas para a criação de vilas e cidades, o território usurpado, as florestas derrubadas, o nativo passou muitas privações, descriminação étnica para legitimar tal mudança. O indígena passou a trabalhar para os colonizadores, nas fazendas de gado, engenhos de cana. serviços domésticos.
Maria Isabel ( Ilha de São Pedro, Freg. de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1875 - Itabaiana, Sergipe, Brasil, 1939 ) ceramista, indígena Xocó, mãe de Francilina Santos.
Maria Francelina Lima ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1877 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1942 ) ceramista, indígena Kariri, mãe de Umbelina de Souza Lima e Maria das Neves, avó do cacique Otávio Queiroz Nidé.
Luiz Binga ( Ilha de São Pedro, Freg. de N. Sra. da Conceição de Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1879 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 ) pescador, indígena Xocó, filho de Antônio Binga.
Antônia Rosa Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1880 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1958 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Manoel Altanazio dos Santos e Maria Agostinha.
Manoel Florêncio Pirigipe ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1880 - Rua SãoVicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1964 ) agricultor, indígena Xocó, filho de Manoel Teodoro e Maria Senhorinha.
Rosa Pires Muirá ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1880 - Povoado Carrapicho, Neópolis, Sergipe, Brasil, 1964 ), ceramista, indígena Xocó, filha de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Pires Muirá.
Antônio Pires Muirá ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1881 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1963 ) canoeiro, índio Xocó, filho de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Muirá .
Antônio Marinho ( Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Província de Sergipe, Império do Brasil, 1885 - Neópolis, Sergipe, Brasil, 1953 ) marchante, indígena Xocó pai de Júlia Pires Suré; filho de Lourenço Marinho.
Euclides Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1889 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1966 ) pescador e agricultor, indígena Kariri, filho de Vicente Ferreira Poité e Delmira Ferreira Poité.
Arcelina Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1890 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1972 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Aniceto Tinga e Maria Tinga.
Maria Hermínia Pires ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe, Brasil, 1890 - Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, 1912 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Muirá, mão de Júlia Pires Suré.
Maria Pureza Poité ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1890 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1971 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Maria Tomazia Pirigipe e João Pereira Pirigipe.
CAPÍTULO IX - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XIX ( Parte 4 )
As gerações seguintes do final do século XIX e início do século XX continuaram pequenas migrações entre as aldeias, as províncias estavam em processo de enfraquecimento do poder imperial para o período republicano do Brasil. Nas suas crenças tradicionais o indígena diziam nas fogueiras do conselho tribal: "O rei estar sendo castigado pelos nossos antepassados" por transformar aldeias em cidades.
João Francisco Tononé ( Ilha de São Pedro, Porto da Folha, Sergipe, Brasil, 1890 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, 1956 ) agricultor, indígena Xocó filho de Manoel Francisco da Silva e Carolina Maria de Jesus.
Ervira Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1892 - Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 ) ceramista, índia Kariri, filha de Maria Tomazia Pirigipe e João Pereira Pirigipe.
Maria das Neves ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1892 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Brasil, 1944 ) ceramista, indígena Xocó e Kariri, filha de Martiniano Lima e Maria Francelina Lima.
Francilina Santos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1893 - Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 ) ceramista, indígena Xocó, mãe de Manoel Iraminõ, filha de Maria Isabel.
Maria Celestina Muirá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1895 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil 1974 ) agricultura, indígena Kariri, filha de Vicente Ferreira Poité e Delmira Roberto Poité.
Vicente Ferreira Ferro ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1875 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1950 ) pescador, indígena Cariri, filho de José Santana e Maria Juaquina.
Zafiraé ( Rua dos Índios, Paróquia de N. Sra. da Conceição de Porto Real do Colégio, Província de Alagoas, Império do Brasil, 1875 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1951 ) ceramista, indígena Kariri filha de Venceslau dos Santos e Ana Borges dos Santos.
Umbelina de Souza Lima ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1895 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1953 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Martiniano Lima e Maria Francilina Lima.
Isabel Pires Muirá ( Povoado Carrapicho, Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1898 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1980 ) agricultora, indígena Xocó, filha de Rosa Pires Muirá e João Damasio Bispo.
Cristina Vieira Caldas ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1899 - Propriá, Sergipe, Brasil, 1972 ) indígena agricultura, filha de Josias Caldas e Ana Maria da Conceição.
Nobertino Pires Muirá ( Povoado Carrapicho, Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1899 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1971 ) agricultor, indígena Xocó, filho de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Pires Muirá.
CAPÍTULO X - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 1 )
No início do século XX foi criado o SPI ( Serviço de Proteção aos Índios ) em 1910, agora nessa fase o indígena teve uma atenção maior pela República. A criação de postos indígenas veio também a assistência médica, escolas e as primeiras demarcações das terras indígenas.
Dorfina Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1900 - Povoado Sampaio, São Braz, Alagoas, Brasil, 1976 ) agricultura, indígena Kariri, filha de Vicente Ferreira Poité e Delmira Roberto Poité.
Josefa Soia ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1900 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1976 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Manoel Mourão e Maria Eleuteria Soia .
Maria Marcelina Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1900 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1959 ) ceramista, indígena Kariri, filha de João Vicente Ferreira Ferro e Maria Eulina .
Manoel Mourão Ibá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1900 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1954 ) pescador, indígena Xocó, filho de Manoel Mourão e Maria Mourão.
Firmino Pires Muirá ( Povoado Carrapicho, Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1901 - Rua São Vicente, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1978 ) canoeiro, indígena Xocó, filho de Inocêncio Pires Muirá e Tertuliana Muirá.
Pedro Tinga Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1901 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio Alagoas, Brasil, 1955 ) pescador, indígena Xocó, esposo de Ernestina Tinga Pirigipe; filho de Manoel Paulo e Maria Ediviges.
Ernestina Tinga Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1904 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1958 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Aniceto Tinga e Maria Tinga.
Maria da Conceição ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1904 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1981 ) indígena Kariri, agricultora, filha de Luiz Antônio Teipó e Maria Joaquina Teipó.
João Tibiriçá Içá ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1905 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1964 ) agricultor, indígena Pankararu, filho de Francisco Manoel Tenório Iça e Maria Rosa Içá.
José Porfírio dos Santos ( Palmeira dos Índios, Alagoas, Brasil, 1905 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1984 ) agricultor, indígena Xucuru-Kariri, filho de Manoel Francisco e Amara Francisco.
CAPÍTULO XI - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 2 )
O Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso foi criado em Porto Real do Colégio, Alagoas em 1944, com uma escola e uma enfermaria, terra para o plantio das roças com a garantia jurídica do Governo Federal. Outras comunidades indígenas foram sendo reconhecidas, mas em Alagoas foram somente Kariri-Xocó e Xucuru-Kariri no período do SPI até 1967.
Odilon Pires Muirá ( Povoado Carrapicho, Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1906 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1977 ) raizeiro, indígena Xocó.
Joana Ferreira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1907 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 1985 ) agricultura, indígena, Kariri, filha de Delmira Roberto Poité e Vicente Ferreira Poité.
Manoel Nunes Suré ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1907 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1948 ) agricultor, indígena Kariri, filho de João Nunes de Oliveira e Maria Tomasia Suré .
Maria Prazeres Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1907 - Aldeia Cariri, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1978 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Manoel Messias Botó e Maria dos Prazeres.
Maria Luiza Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, nasc. 1908 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1956 ) ceramista, indígena Kariri, filha de João Vicente Ferreira Ferro e Maria Antônia Rosa.
Júlia Pires Suré ( Povoado Carrapicho, Vila Nova Real D'el Rei, Sergipe, Brasil, 1909 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1988 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Hermínia Pires e Antônio Marinho.
Benedita Muirá Iraçê ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1910 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1980 ) indígena Xocó, filha de Leopoldino Pires Muirá e Maura Muirá.
Manoel Iraminõ ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1912 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1995 ) ceramista, indígena Xocó, filho de Francilina dos Santos.
Laudilina Jirá Iça ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1913 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1984 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Manoel Queroz Suíra e Maria Serafina.
Luiza Neri Tibiriçá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1913 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, fal. 2005 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Luiz Binga e Maria das Neves.
CAPÍTULO XII - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 3 )
Na década de 1950 a estrada de ferro cortou a terra indígena Kariri-Xocó, reduzindo ainda mais o território em nome do desenvolvimento. A economia da região melhorou com a circulação de mercadorias, o indígena buscou adaptar-se a nova realidade do mundo.
Sebastião Francisco Tenório ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1913 - Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1968 ) agricultor, indígena Pankararu, filho Francisco Manoel Tenório e Maria Rosa da Conceição, teve família em Colégio depois retornando a terra natal.
Manoel Jirá Iça ( Brejo dos Padres, Tacaratu, Pernambuco, Brasil, 1914 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1990 ) cantador, agricultor, indígena Pankararu, filho de José Gomes e Marcelina Maria da Conceição.
Amarílio Tononé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2010 ) vigilante, indígena Xocó, filho de João Francisco Tononé e Firmina Tononé.
João Felismino Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1979 ) agricultor, indígena Xocó, filho de Antônio Cândido e Maria Aniceto.
Jovelina Queroz Suíra ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1975 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Manoel Queroz Suíra e Maria Serafina.
Maria Clara Soia Tononé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1974 ), ceramista, indígena Xocó, filha de João Mourão e Maria Giló.
Maria Leonidia ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1989 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Avelino dos Santos e Maria dos Santos.
Maria Vieira Muirá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1915 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1976 ) indígena Xocó, filha de João Damasio e Maria Cristina.
Maria Eulina Ibá ( Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1917 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1985 ) ceramista, indígena Xocó e Kariri, filha de Manoel Joaquim de Santana e Maria Soia.
Maria Celestina Lima ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1918 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 1996 ) ceramista, rezadeira, indígena Kariri e Natú, filha de Manoel Florêncio e Antônia Rosa Pirigipe.
CAPÍTULO XIII - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 4 )
No final da década de 1970 foi agora a vez da Rodovia BR 101, muito indígenas Kariri-Xocó foram aos canteiros de obras junto aos trabalhadores da construção civil, a ponte sobre o Rio São Francisco foi inaugurada em dezembro de 1972. Mas atividades agrícolas e pesqueiras não foram abandonadas, continuam o plantio das roças pelos jovens e as mulheres na cerâmica.
Antônia Ferreira Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real, Alagoas, Brasil, 1919 - Aldeia Kariri-Xocó, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 2003 ) ceramista, indígena Kariri, filha de Marcelina Pirigipe e João Ferreira Ferro.
Jardilina Soia ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1920 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1993 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Manoel Soia e Maria Soia.
Maria Muirá Teipó ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1920 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2008 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Leopoldino de Souza Muirá e Amara Souza Muirá.
Leonor Pires Muirá Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1921 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1965 ), ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Firmino Pires e Maria Celestina Poité.
Elpídio Filintro Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1923 - Aldeia Kariri-Xocó, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 2006 ) pescador, indígena Kariri, filho de Manoel Filintro Pirigipe e Laurinda Pirigipe.
Maria Doralice Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1925 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1977 ) pescadora, indígena Kariri e Xocó, filha de Manoel Filintro e Maria Petronila de Jesus.
Maria dos Anjos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1925 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2013 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Antônio Luiz Teipó e Maria Eleuteria Teipó.
Antônio Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1926 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1996 ) cantador, pescador, indígena Xocó, filho de Pedro Tinga e Ernestina Tinga.
Geraldino Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1926 - Rua SãoVicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1977 ) agricultor, indígena Kariri filho de Manoel Florêncio e Antônia Rosa Pirigipe .
José Francisco Tononé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1926 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Brasil, 2010 ) auxiliar de serviços gerais, indígena Xocó, filho de João Francisco Tononé e Maria Tononé.
CAPÍTULO XIV - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 5 )
A Rua dos Índios na periferia de Porto Real do Colégio, a energia elétrica trazia as novidades, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, a música no rádio e TV animava a garotada e adultos. O mundo agora estava mais próximo da aldeia, produtos da moda no comércio local, mas sem esquecer a cultura nativa. Os rituais do Ouricuri em períodos quinzenais fortalecia as raízes com os antepassados sagrados.
Maria de Lourdes Ferreira dos Santos ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1926 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2010 ) ceramista, indígena Kariri e Natú, filha de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité, esposa de Alírio Nunes de Oliveira.
Alírio Nunes de Oliveira ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1927 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1990 ) pescador, indígena Xocó, filho de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes de Oliveira, esposo de Maria de Lourdes Ferreira dos Santos.
Bonivar Pires Muirá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1927 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1996 ) indígena Kariri e Xocó, agricultor, filho de Firmino Pires Muirá e Maria Celestina Muirá.
Eurídice Tononé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1929 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2012 ) ceramista, indígena Kariri-Xocó, filha de Manoel Joaquim Santana e Maria Murú Ibá.
Maria do Carmo Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1929 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2021 ) doméstica, indígena Kariri, filha de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité.
Pedro Francisco dos Santos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1929 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1966 ) agricultor, indígena Kariri, filho de Avelino dos Santos e Maria dos Santos.
Claudenor Ramos Nidé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1928 - Lagoa de Canoa, Alagoas, Brasil, 2003 ) agricultor, indígena Kariri, filho de Heleno Ramos Nidé e Bracelina Nidé.
José Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1930 - Aldeia Kariri-Xocó, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 2003 ) pescador, indígena Kariri, filho de Ervira Pirigipe e Manoel Marcionílio.
Manoel Correia dos Santos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1931 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1985 ) agricultor e comerciante, indígena Kariri, filho de Antônio Correia dos Santos e Juventina Correia dos Santos.
Miguel Queiroz Suíra ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1931 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1999 ) agricultor e esportista, indígena Kariri-Xocó, filho de Francisco Queroz Suíra e Doralice Queroz Suíra.
Edite Pires Suré ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1932 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2005 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes Suré.
CAPÍTULO XV - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 6 )
No ano de 1978 a mudança da Rua dos Índios para a Fazenda Modelo, no município de Porto Real do Colégio, Alagoas, os indígenas ergueram a nova Aldeia Kariri-Xocó, construção de 110 casas. As terras para as roças destruição para as famílias, lagoas com criação de peixes e principalmente as fontes de argila para a cerâmica.
Anália Ramos Nidé ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1933 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2010 ) ceramista e agricultora, indígena Kariri, filha de Heleno Ramos Nidé e Brasilina Ramos Nidé.
Ivete Pires Suré ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1932 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2012 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes Suré.
Terezinha Tinga Pirigipe ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1933 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1954 ) ceramista, indígena Xocó, filha de Pedro Tinga Pirigipe e Ernestina Tinga Pirigipe.
Edivaldo de Aquino ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1934 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1985 ) pescador, indígena Xocó, filho de Marieta de Aquino e Antônio de Aquino.
Especília Queroz Suíra ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1934 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2021 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Francisco Queroz Suíra e Doralice Queroz Suíra.
Mirian Pires Muirá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1934 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1998 ) ceramista, indígena Kariri e Xocó, filha de Firmino Pires Muirá e Maria Celestina Muirá.
Maria Helena Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1935 - Rua Dr. Clementino Dumont, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2020 ) agricultora e doméstica, indígena Kariri, filha de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité.
Maria Tinga ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1937 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2011 ) ceramista, filha de João Felismino Tinga e Leonor Pires Muirá Tinga.
Paulo Pires Suré ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1937 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2021 ) agricultor, indígena Kariri e Xocó, filho de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes Suré.
Andrelino Ibá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1940 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2015 ) agricultor, indígena Kariri e Xocó, filho de Manoel Mourão Ibá e Maria Eulina Ibá.
CAPÍTULO XVI - PESCADORES, AGRICULTORES E CERAMISTAS SÉCULO XX ( Parte 7 )
A ampliação dos serviços de saúde, a escola recebeu mais novas salas de aulas, aumento do quadro de professores, os agricultores receberam um trator, caminhonete e contratação de funcionários públicos federais pela FUNAI ( Fundação Nacional do Índio). O Polo Base de Saúde, com medicos, enfermeiras e agentes de saúde.
Maria da Conceição ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1940 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1956 ) indígena Xocó, filha de Maria Leonidia.
Luiz Sebastião Tenório ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1941 - Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1958 ) agricultor, indígena Kariri e Pankararu, filho de Francisco Sebastião Tenório e Maria Celestina Lima.
Josival Pires Suré ( Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1941 - Vitória, Espírito Santo, Brasil, 1985 ) agricultor e mecânico, indígena Kariri e Xocó, filho de Júlia Pires Suré e Manoel Nunes Suré.
Rosa Neri Tibiriçá ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1941 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1993 ) ceramista, indígena Xocó e Pankararu, filha de João Tibiriçá Içá e Luiza Neri Tibiriçá.
Maria Jandira Poité ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1943 - Aldeia Kariri-Xocó, Alagoas, Brasil, 2017 ) agricultora e doméstica, indígena Kariri, filha de Euclides Ferreira Poité e Maria Pureza Poité.
Lorival dos Santos ( Rua dos Índios, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 - São Paulo, S. Paulo, Brasil, 1996 ) agricultor, indígena Xocó, filho de Maria Leonidia .
Moacir Pires Muirá ( Rua dos Índios, P. R. do Colégio, Alagoas, Brasil, 1944 - Aldeia Kariri-Xocó, P. R. do Colégio, Alagoas., Brasil, 2022 ), agricultor, indígena Xocó, filho de Odilon Pires Muirá.
Manoel Nunes da Cruz ( Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1956 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1994 ) agricultor, indígena Kariri-Fulniô, filho de Paulo Nunes Suré e Maria Justa da Cruz.
Lucineide Tenório Tononé ( Rua São Vicente, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 1964 - Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil, 2012 ) agricultura e comerciante, indígena Kariri-Pankararu, filha de José Francisco Tononé e Helena Tenório.
PARTE IV — MEMÓRIA, RESISTÊNCIA E CONTINUIDADE
Os saberes tradicionais estar presente na memória coletiva da comunidade indígena, às vivências ocorridas são compartilhadas nas fogueiras em contações de histórias. Cada pessoa traz sua nativa na ótica do pescador, agricultor, ceramista, curandeiros, lideranças tradicionais e clãs chefes de famílias.
Os casamentos inter-étnicos favoreceram uma melhor resistência, a multiplicidade de saberes adquiridos nesta unidade em laços de parentesco garantiu maior respeito e poder de negociação com autoridades, mesmo numa integração parcial na sociedade com a nova realidade contemporânea.
O indígena foi utilizado como militar nos períodos de conflitos coloniais, outras vezes como mão de obra barata, mas também o nativo aprendeu a resistir conforme a conjuntura diante dos desafios apresentados no dia a dia.
OURICURI E A RESISTÊNCIA CULTURAL
Na luta pela sobrevivência, estes povos descobriram estratégias de resistência ao avanço do colonizador no seu território, na pressão dos missionários os indígenas guardaram em segredo os rituais tradicionais, praticadas nas florestas para preservar o Ouricuri sagrado.
A unidade no ritual garantiu sua continuidade como povo indígena, mesmo vivendo em contato com a sociedade nacional. Os período quinzenais de rituais na mata os indígenas retornam suas práticas nativas da cultura, arte, pintura corporal no reencontro dos costumes e tradições dos antepassados.
A CERÂMICA, A PESCA E AGRICULTURA TRADICIONAL
A cerâmica utilitária na confecção de potes e panelas de barro foi fonte de sustento dos Kariri-Xocó durante séculos, onde a produção de objetos eram trocados por alimentos com o os povoados circunvizinhos, fortalecendo um elo de amizade ao longo dos anos aqui no Baixo São Francisco.
No Rio Opará chamado de São Francisco a atividade pesqueiras dos povos originários, com a fartura de peixes estão presentes nas tradições, arte e cultura, passada de geração e geração, nos saberes da fauna e flora, com práticas tradicionais, contos e danças.
O cultivo de milho, feijão e mandioca são a base da alimentação indígena, a plantação das roças são realizadas em mutirões no plantio e colheita da produção agrícola. As famílias faz união com cantos de tradicionais, assim favorecendo a unidade grupal.
A FORMAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA ALDEIA KARIRI-XOCÓ
Os tempo contemporâneos confirma em continuidade os casamentos inter-étnicos que sempre aconteceram no passado, mas agora com maior intensidade pela facilidade de locomoção e comunicação, entre Kariri-Xocó, Fulni-ô, Tingui-Botó, Karapotó, Fulkaxó comprovam essa formação.
A comunidade Kariri-Xocó no passado acolheu grupos étnicos que buscavam refúgio na aldeia no município de Porto Real do Colégio em Alagoas, agora esses grupos também estão retornando a seus territórios de origem, mas a amizade e o laços de parentesco permanecem.
Na conquista do antigo território tradicional em 1978 a comunidade fez nova morada saíram da Rua São Vicente na periferia de Porto Real do Colégio para a construção da Aldeia Indígena Kariri-Xocó, onde as famílias poderam erguer suas casas, plantar suas roças, fazer sua cerâmica e pescar nas lagoas existentes.
A MEMÓRIA DOS ANTEPASSADOS NA ATUALIDADE
A memória dos antepassados na atualidade refere-se à busca ativa por conexão com nossas raízes, costumes e legados genéticos e culturais. Longe de ser apenas nostalgia, funciona como uma ferramenta contemporânea de autoconhecimento, construção de identidade e compreensão de comportamentos ou predisposições na nossa sociedade hiper-individualizada.
Os povos e as comunidades atuais são o resultado vivo e o reflexo direto de tudo o que os seus antepassados construíram, enfrentaram e transmitiram ao longo das gerações. Somos o legado dos antepassados na atualidade, pessoas, saberes, cultura, arte, costumes e tradições.
A memória dos antepassados está também nos contos, cantos, danças, pintura corporal, os seus nomes estão presentes nas histórias contadas nas fogueiras, tradição oral e agora na escrita em livros, estudos e vídeos nessa nova era digital como na inteligência artificial.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As conexões históricas entre os Kariri-Xocó e outros povos indígenas do Nordeste revelam a profunda complexidade das relações étnicas existentes no Baixo São Francisco ao longo dos séculos.
Mesmo diante das políticas coloniais de dispersão, da perda territorial e das tentativas de apagamento cultural, os povos indígenas mantiveram vivas suas tradições, memórias ancestrais e formas próprias de organização comunitária.
A tradição oral desempenhou papel fundamental na preservação dessas histórias, permitindo que conhecimentos sobre famílias, lideranças, migrações e práticas culturais atravessassem gerações.
Espera-se que esta obra contribua para o fortalecimento da memória indígena nordestina e para futuras pesquisas sobre os povos originários do Opará.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, Geraldo Gustavo de. Heróis Indígenas do Brasil. Memórias sinceras de uma raça. Rio de Janeiro: Catedra, 1988 .
BRASIL. Ministério da Agricultura, Serviço de Proteção aos Índios (SPI), 4ª Inspetoria Regional. Ressenceamento população indígena Padre Alfredo Damaso localizado em Porto Real do Colégio, Estato de Alagoas. 1945. 6 fl.
DANTAS , B. G. A Antiga Missão de São Pedro do Porto da Folha e a Recente Questão dos Xocó de Sergipe (Sinopse).In Terra dos Índios Xocó, 13-20. Comissão Pró-Índio. São Paulo, 1980a.
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IRECÊ, Cícero Santiago. Entrevista de um Cacique Kariri-Xocó: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 08-30 mar. 2015.
SUÍRA, Júlio Queiroz. Entrevista de um Pajé Kariri-Xocó: Aldeia Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio-AL, 16-09 Fev. 1998.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Origens Kariri-Xocó 5. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2023/01/as-origens-kariri-xoco-5.html?m=0 . Acesso em: 28 maio 2026.
KARIRI-XOCÓ, N. Blog Kxnhenety. 12 Jun. 2010 a 21 Dez. 2022 [online]. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em:
http://kxnhenety.blogspot.com/2010-2022.html , Acesso em 21/12/2022.
VENANCIO, Manuela Machado Ribeiro. Os Kariri-Xocó do Baixo São Francisco:
organização social, variações culturais e retomada das terras do território de ocupação tradicional.Tese de doutorado pela Universidade Fluminense de Niterói, 2018.
GLOSSÁRIO
AL - Alagoas
CAPIT. DE PERNAMBUCO - Capitania de Pernambuco
FUNAI - Fundação Nacional dos Povos Indígenas
FREG. DE N. SRª. DA CONCEIÇÃO - Freguesia de Nossa Senhora da Conceição
PE - Pernambuco
PIT - Posto Indígena de Alfabetização e Tratamento
P. R. DO COLÉGIO - Porto Real do Colégio
SPI - Serviço de Proteção aos Índios
SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador independente, contador de histórias oral e escrita, memorialista indígena e integrante do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.
Dedica-se à preservação da memória ancestral dos povos indígenas do Nordeste brasileiro, especialmente das tradições históricas e culturais do Baixo São Francisco.
É autor de pesquisas, registros genealógicos e estudos etno-históricos publicados em plataformas digitais e projetos culturais relacionados à memória indígena nordestina.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó

