sábado, 8 de agosto de 2026

DZEANIEÁ, A MEMÓRIA DOS NOMES ANCESTRAIS





1. FALSA FOLHA DE ROSTO

DZEANIEÁ

A MEMÓRIA DOS NOMES ANCESTRAIS

Um conto de memória, ancestralidade, identidade e continuidade cultural dos povos indígenas.

Nhenety Kariri-Xocó




2. FOLHA DE ROSTO

DZEANIEÁ, A MEMÓRIA DOS NOMES ANCESTRAIS

Nhenety Kariri-Xocó

Conto ancestral inspirado na tradição oral e na memória cultural do povo Kariri-Xocó.

Porto Real do Colégio – Alagoas
Brasil

2026




3. VERSO DA FOLHA DE ROSTO

© 2026 — Nhenety Kariri-Xocó
Todos os direitos reservados.

Esta obra integra o conjunto de narrativas dedicadas à memória, à história, aos saberes e à ancestralidade dos povos indígenas.

Título: Dzeanieá, A Memória dos Nomes Ancestrais
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Gênero: Conto de memória ancestral / literatura indígena
Local: Porto Real do Colégio – Alagoas, Brasil
Ano: 2026




4. FICHA CATALOGRÁFICA

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Dzeanieá, a memória dos nomes ancestrais / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Obra de literatura indígena baseada em memória ancestral, tradição oral, nomes indígenas, relação com a natureza, identidade cultural e continuidade das gerações.

Literatura indígena.

Povos indígenas.

Memória ancestral.

Nomes indígenas.

Cultura Kariri-Xocó.

Tradição oral.

Opará.

Identidade cultural.

CDD — Literatura indígena / Cultura indígena

Ficha catalográfica simbólica para composição editorial da obra.




5. ISBN — SIMBÓLICO

ISBN SÍMBOLO DA MEMÓRIA

978-65-00000-00-0

ISBN simbólico destinado exclusivamente à composição artística e editorial desta edição. Não corresponde a um ISBN oficial registrado.




6. PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.





7. ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.


Nhenety Kariri-Xocó 





8. DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos meus ancestrais, aqueles que caminharam antes de nós e deixaram seus nomes como sementes plantadas na memória do povo.

Dedico às mulheres guardiãs da ancestralidade, às mães, avós e bisavós que, através da palavra, ensinaram às novas gerações os caminhos da vida, da natureza, da família e da identidade.

Dedico especialmente a Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá, figuras que representam, nesta narrativa, a corrente viva da memória que atravessa as gerações.

Dedico também ao Opará, nosso grande rio, testemunha silenciosa de tantas histórias, encontros, partidas, retornos e permanências.

E dedico às crianças e aos jovens indígenas, para que saibam que seus nomes possuem histórias, que suas raízes possuem valor e que nenhuma geração começa do zero.

Que cada nome ancestral pronunciado seja uma forma de fazer viver novamente aqueles que vieram antes de nós.

Aos que guardaram a memória, aos que a receberam e aos que ainda irão carregá-la: esta obra é dedicada.




9. AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente aos meus ancestrais, fonte primeira de inspiração desta caminhada de memória e conhecimento.

Agradeço às pessoas mais velhas que conservaram histórias, nomes, lembranças e ensinamentos, permitindo que a palavra ancestral atravessasse o tempo e chegasse às novas gerações.

Agradeço à minha família, que representa um dos lugares mais importantes onde a memória permanece viva. É dentro da família que muitos nomes deixam de ser apenas nomes e passam a revelar rostos, histórias, parentescos, lugares e sentimentos.

Agradeço ao povo Kariri-Xocó, guardião de uma história construída através da resistência, da espiritualidade, da relação com o território, da tradição oral e da continuidade cultural.

Agradeço ao Opará, presença permanente nesta narrativa e símbolo da corrente da vida. Suas águas me lembram que o tempo passa, mas aquilo que é verdadeiramente guardado pela memória pode continuar viajando de geração em geração.

Agradeço também a todos aqueles que contribuem para que a literatura indígena encontre espaço, reconhecimento e continuidade.

E agradeço às futuras gerações, ainda que não as conheça, porque é pensando nelas que esta memória é registrada.

Que este livro possa servir como uma pequena semente.

Se alguém, amanhã, encontrar estas páginas e lembrar o nome de um ancestral, então a palavra terá cumprido sua missão.

Iewóá. Inatekié.

Gratidão e continuidade.





10. EPÍGRAFE


“Quando um nome é pronunciado com amor, ele nunca morre.”

Memória ancestral





11. PREFÁCIO DO VOLUME

Dzeanieá nasce como uma narrativa sobre os nomes, mas seu significado vai muito além deles.

Nesta obra, o nome ancestral aparece como uma porta de entrada para a memória. Um nome pode guardar uma pessoa, uma família, uma paisagem, uma árvore, um animal, um rio, uma experiência ou um ensinamento. Por isso, quando um nome desaparece, não desaparece somente uma palavra: pode desaparecer parte da história que ele carregava.

O conto acompanha a transmissão da memória através das gerações. Piracy ensina Neêperé; Neêperé transmite seus conhecimentos a Indaiá; e Indaiá representa a continuidade dessa corrente ancestral que não termina em uma geração.

O Opará acompanha toda essa trajetória como testemunha viva. Suas águas simbolizam o movimento do tempo: passam, transformam-se, mas continuam carregando a memória de suas margens.

Assim, este livro é também uma reflexão sobre resistência cultural. Mesmo quando nomes indígenas foram substituídos, as raízes permaneceram. A memória encontrou outros caminhos para sobreviver.

Dzeanieá é, portanto, um convite para pronunciar os nomes ancestrais com respeito, afeto e consciência.





12. RESUMO

Dzeanieá, A Memória dos Nomes Ancestrais é um conto de tradição e memória cultural que acompanha quatro gerações de mulheres — Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá — tendo como cenário simbólico o Opará, o rio São Francisco.

A narrativa apresenta os nomes indígenas como elementos de identidade, pertencimento, proteção, memória e ligação com a natureza. Por meio das histórias transmitidas entre avó, filha e neta, a obra aborda os impactos da colonização, da imposição cultural e da substituição de nomes indígenas, ao mesmo tempo em que apresenta a resistência da memória ancestral.

A terra, o rio, as árvores e os nomes tornam-se elementos fundamentais de uma mesma rede de conhecimento. O conto afirma que a cultura sobrevive quando suas histórias continuam sendo contadas e quando as novas gerações assumem a responsabilidade de transmiti-las.

Palavras-chave: memória ancestral; nomes indígenas; Kariri-Xocó; Opará; tradição oral; identidade cultural; natureza; ancestralidade.




13. ABSTRACT

Dzeanieá, The Memory of Ancestral Names is a traditional and cultural memory tale that follows four generations of women — Piracy, Neêperé, Potycy and Indaiá — with the Opará, the São Francisco River, as its symbolic setting.

The narrative presents Indigenous names as elements of identity, belonging, protection, memory and connection with nature. Through stories transmitted from grandmother to daughter and granddaughter, the work addresses the impacts of colonization, cultural imposition and the replacement of Indigenous names, while emphasizing the resistance of ancestral memory.

Land, river, trees and names become interconnected elements of knowledge. The tale conveys the idea that culture remains alive when its stories continue to be told and when new generations assume the responsibility of transmitting them.

Keywords: ancestral memory; Indigenous names; Kariri-Xocó; Opará; oral tradition; cultural identity; nature; ancestry.





14. APRESENTAÇÃO

Dzeanieá é uma história sobre aquilo que permanece.

É uma história sobre nomes que atravessaram tempos difíceis. Sobre palavras que sobreviveram mesmo quando foram proibidas ou substituídas. Sobre famílias que continuaram guardando dentro de si lembranças de seus antepassados.

O conto parte de uma cena simples: uma mãe e sua filha à margem do Opará. Mas daquela conversa nasce uma grande caminhada pela memória.

Piracy ensina Neêperé que os nomes possuem força. Neêperé aprende que seu próprio nome representa uma missão. Mais tarde, ela transmite esse conhecimento a Indaiá.

A história transforma a genealogia em narrativa e a narrativa em memória.

O livro procura mostrar que a ancestralidade não está somente nos documentos escritos. Ela também está nas palavras pronunciadas pelos mais velhos, nos lugares conhecidos pelo povo, nos nomes das pessoas, nas plantas, nos rios e nas histórias contadas ao redor da família.





15. NOTA DO AUTOR

Dzeanieá, A Memória dos Nomes Ancestrais nasceu da necessidade de olhar para os nomes não apenas como palavras, mas como lugares de memória.

Ao longo de minha trajetória como contador de histórias oral, aprendi que muitas histórias importantes não estão escritas em livros. Elas vivem na fala dos mais velhos, nas lembranças das famílias, nos nomes das pessoas, nos lugares, nas plantas, nos animais, nas águas e nas experiências que passam de uma geração para outra.

Esta obra procura transformar essa experiência de oralidade em narrativa escrita.

O conto apresenta Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá como uma corrente simbólica de transmissão ancestral. Cada uma representa uma etapa dessa caminhada: receber, guardar, transmitir e continuar.

O Opará aparece como testemunha dessa passagem do tempo. O rio não interrompe seu caminho. Ele segue. Assim também deve seguir a memória.

A obra não pretende substituir a palavra dos mais velhos nem transformar a tradição oral em algo encerrado nas páginas de um livro. Pelo contrário: o livro procura ser uma ponte. Uma ponte entre a palavra falada e a palavra escrita; entre os antepassados e as futuras gerações; entre a memória familiar e a memória coletiva.

Os nomes apresentados na narrativa carregam sentidos construídos dentro do universo cultural da obra. Por isso, devem ser compreendidos dentro de seu contexto ancestral e literário.

Escrever sobre os nomes indígenas é também enfrentar a história do esquecimento. Durante muito tempo, nomes, línguas, costumes e conhecimentos indígenas foram pressionados pela imposição de outras formas de identificação e de pensamento.

Mas a memória possui caminhos próprios.

Quando uma palavra é lembrada, ela pode voltar a caminhar.

Quando um nome é pronunciado, alguém do passado pode voltar a ser chamado para junto de nós.

É nesse sentido que Dzeanieá foi escrito: como uma narrativa de memória, resistência e continuidade.

Que estas páginas possam despertar no leitor o desejo de perguntar pelos nomes de seus próprios ancestrais, conhecer suas histórias e compreender que nenhuma cultura permanece viva por acaso.

Ela permanece porque alguém se lembra.

Ela permanece porque alguém conta.

Ela permanece porque alguém decide transmitir.

Nhenety Kariri-Xocó




16. MEMÓRIA DO AUTOR

A memória do autor se entrelaça com a própria proposta desta obra: contar histórias para que elas não desapareçam.

Como contador de histórias oral, Nhenety Kariri-Xocó desenvolve sua produção literária a partir das experiências, memórias, saberes e referências culturais de seu povo.

Sua escrita procura estabelecer uma ponte entre a oralidade ancestral e o livro, registrando narrativas que tradicionalmente circulam pela palavra falada.

Nesse sentido, Dzeanieá integra uma produção voltada à preservação da memória indígena, transformando histórias familiares e ancestrais em literatura de resistência, identidade e continuidade.



17. APRESENTAÇÃO DA NARRATIVA

Antes de entrar na história, o leitor é convidado a imaginar o Opará.

Imagine a margem do grande rio.

Uma gameleira oferecendo sombra.

O canto dos pássaros.

O movimento das folhas.

E duas figuras conversando: Piracy e Neêperé.

É nesse cenário que começa a viagem pelos nomes ancestrais.

A narrativa será conduzida como uma corrente de águas: uma história levando à outra, uma geração conduzindo à seguinte.





18. INTRODUÇÃO

Os nomes são uma das primeiras formas pelas quais uma pessoa é apresentada ao mundo.

Entretanto, em muitas culturas indígenas, o nome pode carregar significados muito mais profundos. Pode revelar uma relação com a natureza, uma característica da pessoa, uma história familiar, uma lembrança ancestral ou uma dimensão espiritual.

Por isso, recuperar os nomes é também recuperar histórias.

A narrativa de Dzeanieá apresenta essa compreensão por meio da transmissão de conhecimentos entre gerações. A história começa com Piracy e Neêperé e posteriormente alcança Potycy e Indaiá.

Ao longo desse caminho, aparecem temas como colonização, imposição cultural, resistência, natureza, território, língua e memória.

O livro propõe uma pergunta simples e profunda:

O que acontece com uma história quando seu nome é esquecido?

E oferece uma resposta através da própria narrativa:

Enquanto houver alguém disposto a lembrar e contar, a história continuará viva.





19. SUMÁRIO

1. Falsa Folha de Rosto
2. Folha de Rosto
3. Verso da Folha de Rosto
4. Ficha Catalográfica
5. ISBN — Simbólico
6. Prefácio Oficial da Coleção
7. Esclarecimento do Autor
8. Dedicatória
9. Agradecimentos
10. Epígrafe
11. Prefácio do Volume
12. Resumo
13. Abstract
14. Apresentação
15. Nota do Autor
16. Memória do Autor
17. Apresentação da Narrativa
18. Introdução
19. Sumário
20. Corpo da Obra — As 12 Etapas ( I — XII )
I - O encontro à margem do Opará
II - A força e o significado dos nomes
III - A chegada dos estrangeiros e o esquecimento
IV - A resistência diante da imposição cultural
V - A terra como memória ancestral
VI - Neêperé, guardiã da memória
VII - Muirá Ubi e o respeito pela natureza
VIII - A promessa junto ao Opará
IX - O nascimento de Indaiá e a continuidade da linhagem
X - A avó transmite a história à neta
XI - Indaiá descobre a força de seu próprio nome
XII - O ciclo eterno da memória
21. Considerações Finais
22. Glossário
23. Referências Bibliográficas
24. Sobre o Autor
25. Estrutura Simbólico da Obra

 



20. CORPO DA OBRA — AS 12 ETAPAS ( I — XII )

As doze etapas apresentadas constituem o núcleo narrativo principal do livro.

Elas formam uma sequência simbólica:

Piracy → Neêperé → Potycy → Indaiá → futuras gerações

Essa sequência transforma o livro em uma verdadeira árvore genealógica da memória, em que cada geração recebe uma semente e tem a responsabilidade de entregá-la à próxima.

O movimento do Opará funciona como metáfora dessa continuidade:

ancestralidade → memória → transmissão → resistência → futuro.




I - O ENCONTRO À MARGEM DO OPARÁ




À beira do Opará, sob a sombra da gameleira sagrada, Piracy, a “mãe dos peixes”, chama sua filha Neêperé para ouvir antigas histórias. O rio, as árvores e os pássaros parecem participar daquele momento de ensinamento, enquanto mãe e filha se aproximam para conversar sobre a memória de seus ancestrais.





II - A FORÇA E O SIGNIFICADO DOS NOMES




Piracy recorda nomes antigos como Piragibe, Jaciara, Canindé, Pindaíba e Pacatuba, explicando que cada nome possuía um significado, uma história e uma força espiritual. Para os ancestrais, o nome não era apenas uma forma de chamar alguém: era identidade, proteção, destino e ligação com a natureza.




III - A CHEGADA DOS ESTRANGEIROS E O ESQUECIMENTO




Neêperé pergunta por que muitos indígenas passaram a se chamar Maria, José, Manoel, Antônio e outros nomes. Piracy explica que isso aconteceu durante tempos difíceis, quando os colonizadores chegaram trazendo suas crenças, leis e costumes, tentando substituir as referências culturais dos povos originários e fazê-los esquecer seus próprios nomes e histórias.





IV - A RESISTÊNCIA DIANTE DA IMPOSIÇÃO CULTURAL




Piracy conta que os povos indígenas enfrentaram diferentes formas de imposição e que, em determinados períodos, precisaram aprender outras línguas para sobreviver e resistir. Mais tarde, políticas coloniais proibiram línguas, cantos, rezas e costumes indígenas. Mesmo diante dessas dificuldades, Piracy ensina que uma raiz verdadeira pode ser ferida, mas continua buscando força para romper as pedras.





V - A TERRA COMO MEMÓRIA ANCESTRAL




Para ensinar à filha que os antepassados nunca desapareceram, Piracy coloca um punhado de terra em sua mão. Explica que a força ancestral permanece na terra, no Opará, nas árvores, no corpo e no próprio nome de cada pessoa. A terra torna-se, assim, símbolo vivo da memória e da continuidade do povo.






VI - NEÊPERÉ, GUARDIÃ DA MEMÓRIA




Piracy revela que, mesmo quando nomes indígenas foram substituídos por nomes estrangeiros, o espírito dos nomes ancestrais permaneceu vivo. Ela explica que Neêperé significa “voz ancestral de poder” e que seu papel é lembrar e fazer lembrar. A menina compreende que recebeu não apenas um nome, mas também uma missão de continuidade cultural.





VII - MUIRÁ UBI E O RESPEITO PELA NATUREZA




Entre as histórias transmitidas por Piracy está a de Muirá Ubi, aquele que possuía o dom de ouvir as árvores. Antes de cortar um galho ou colher um fruto, ele pedia licença e agradecia. Seu ensinamento mostrava aos ancestrais que a mata não deveria ser dominada, mas respeitada como parte viva da existência.





VIII - A PROMESSA JUNTO AO OPARÁ




Ao cair da tarde, Piracy conduz Neêperé até o lugar onde sua própria avó lhe contava aquelas histórias. Diante do rio, Neêperé promete que jamais permitirá que os nomes indígenas se percam. O Opará, seguindo seu curso eterno, torna-se testemunha dessa promessa e símbolo da memória que passa de uma geração para outra.






IX - O NASCIMENTO DE INDAIÁ




Os anos passam como as águas do Opará, e Neêperé cresce, forma sua família, dela nasceu sua filha Potycy 'Mãe Pureza' e continua seguindo os ensinamentos de sua mãe. Potycy de sua linhagem nasce Indaiá, a neta de Neêperé, cujo nome representa uma flor e uma árvore da natureza. A menina cresce livre pela aldeia, cercada pelos sons dos pássaros, das plantas e da vida comunitária.





X - A AVÓ TRANSMITE A HISTÓRIA À NETA




Quando Indaiá cresce, Neêperé a chama para junto de si e começa a contar as histórias que havia recebido de Piracy. Explica que os nomes carregam histórias, memórias e vínculos com a terra, os rios e o céu. Assim, aquilo que começou sob a gameleira com Piracy continua sendo transmitido para uma nova geração.





XI - INDAIÁ DESCOBRE A FORÇA DE SEU NOME




Indaiá pergunta se os colonizadores conseguiram apagar os antigos nomes. Neêperé responde que conseguiram mudar muitos deles, mas nunca conseguiram destruir completamente sua força. Apontando para o coração da neta, mostra que a memória ancestral permanece viva dentro de cada pessoa. Indaiá compreende então que seu nome é parte da grande rede que une Piracy, Neêperé e as futuras gerações.






XII - O CICLO ETERNO DA MEMÓRIA




Sob o céu estrelado, Neêperé pede que Indaiá continue contando a história aos seus filhos e netos, para que os nomes jamais desapareçam. A menina promete guardar essa memória, enquanto o Opará continua seu caminho milenar. Assim, o conto de Dzeanieá revela que um povo permanece vivo quando preserva seus nomes, sua língua, sua relação com a terra e a memória de seus antepassados.

“Quando um nome é pronunciado com amor, ele nunca morre.”

Contado por: Nhenety Kariri-Xocó





21. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final de Dzeanieá, mas a história dos nomes ancestrais não termina aqui.

Ao longo da narrativa, acompanhamos uma corrente de memória que passa por diferentes gerações: Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá. Cada uma representa uma continuidade. Cada uma recebe algo que veio de antes e entrega algo para quem virá depois.

Essa é a grande mensagem desta obra: a ancestralidade não é somente aquilo que ficou no passado. Ela é aquilo que continua vivendo no presente e preparando o futuro.

Os nomes são parte dessa continuidade.

Um nome pode carregar uma pessoa, uma família, uma paisagem, uma relação com a natureza ou uma lembrança que atravessou muitos anos. Quando um nome ancestral é pronunciado com respeito, abre-se uma porta para uma história.

Por isso, esquecer um nome pode significar perder uma parte da memória. Recuperá-lo, conhecê-lo e transmiti-lo pode significar recuperar também uma parte da identidade.

O Opará, presente como grande testemunha da narrativa, representa essa continuidade. Suas águas seguem seu caminho, assim como a memória segue através das gerações.

O rio encontra novas margens, recebe novos afluentes e continua sendo rio.

Assim também acontece com a cultura.

Ela recebe novos tempos, enfrenta mudanças, encontra dificuldades e atravessa transformações, mas pode continuar reconhecendo suas raízes.

A história de Dzeanieá também nos ensina que a resistência cultural não acontece somente nos grandes acontecimentos. Ela acontece no cotidiano: quando uma avó conta uma história, quando uma mãe ensina o nome de uma planta, quando uma criança pergunta sobre seu antepassado, quando uma família conserva uma lembrança e quando alguém decide registrar tudo isso para que não desapareça.

A memória é uma responsabilidade coletiva.

Por isso, este livro não termina verdadeiramente na última página. Ele continua cada vez que alguém pronuncia um nome ancestral. Continua quando uma história é contada novamente. Continua quando uma criança aprende de onde veio. Continua quando uma nova geração decide não deixar desaparecer aquilo que recebeu.

Piracy transmitiu.
Neêperé guardou.
Potycy continuou.
Indaiá recebeu.
E as futuras gerações deverão transmitir.

Assim corre a memória.

Assim corre o Opará.

Assim continua a ancestralidade.

E enquanto houver alguém disposto a lembrar, contar e transmitir, os nomes ancestrais continuarão vivos.

Dzeanieá não é apenas a memória dos nomes.
É a memória de um povo que continua caminhando.





22. GLOSSÁRIO


Termo Significado / sentido na obra

Dzeanieá Título associado à memória dos nomes indígenas e à narrativa ancestral.

Opará Nome indígena do Rio São Francisco, presente como elemento central da memória e do território.

Piracy Personagem ancestral apresentada como “mãe dos peixes” e guardiã de conhecimentos.

Neêperé Nome associado à ideia de “voz ancestral de poder”, representando a guardiã da memória.

Potycy Nome apresentado na linhagem ancestral como “Mãe Pureza”.

Indaiá Nome associado à natureza, à palmeira e à continuidade da linhagem.

Muirá Ubi Personagem associado ao conhecimento e ao respeito pelas árvores. AncestralidadeRelação viva entre as gerações presentes e seus antepassados.

Memória Conhecimento preservado e transmitido através das gerações.Tradição oralForma de transmissão de histórias, ensinamentos e conhecimentos pela palavra.

Nomes ancestrais Nomes carregados de significados culturais, históricos e identitários.

Opará Rio concebido na narrativa como testemunha da continuidade da memória.





23. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Dzeanieá, O Conto dos Nomes Indígenas. 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/06/dzeaniea-o-conto-dos-nomes-indigenas.html?m=0 . Disponível em: . Acesso em: 7 ago. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História, Kariri-Xocó, O Tempo dos Brancos – Contos – Volume 4 – Coletânea. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/11/woroy-historia-kariri-xoco-o-tempo-dos.html?m=0 . Acesso em: 7 ago. 2026.





24. SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias oral, escritor e guardião de memórias do povo Kariri-Xocó.

Sua trajetória literária nasce da oralidade, da convivência com os mais velhos, das experiências de seu povo e da necessidade de registrar histórias, conhecimentos, nomes, costumes e acontecimentos que fazem parte da memória indígena.

Como contador de histórias, Nhenety compreende a palavra como instrumento de transmissão cultural. Para ele, contar uma história não significa apenas narrar acontecimentos: significa estabelecer uma ligação entre aqueles que viveram antes, aqueles que vivem hoje e aqueles que ainda nascerão.

Sua produção reúne contos, narrativas, poesias, cordéis, memórias culturais e obras dedicadas à história e aos saberes indígenas. Seus trabalhos procuram aproximar a tradição oral da literatura escrita, criando registros que possam permanecer como referências para as futuras gerações.

Em suas obras, aparecem com frequência elementos fundamentais do universo cultural Kariri-Xocó: o Opará, a aldeia, a natureza, a família, os antepassados, o Toré, os nomes indígenas, a língua, os saberes tradicionais e a relação entre território e identidade.

Em Dzeanieá, A Memória dos Nomes Ancestrais, o autor volta seu olhar para uma das formas mais profundas de preservação da identidade: o nome.

Através de Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá, Nhenety constrói uma narrativa sobre a transmissão da memória entre gerações, mostrando que os nomes podem funcionar como sementes de ancestralidade.

Sua escrita procura deixar registrada uma certeza:

um povo que conserva suas histórias conserva também parte de sua existência.

E uma história que é transmitida de geração em geração não pertence somente a quem a contou.

Ela passa a pertencer também àqueles que a recebem e assumem a responsabilidade de continuar contando.

Nhenety Kariri-Xocó

Contador de Histórias Oral

Escritor da memória e da cultura indígena

Povo Kariri-Xocó

Opará — Brasil




25. ESTRUTURA SIMBÓLICA DA OBRA


A força deste livro está, na sua estrutura genealógica:

PIRACY

transmite a memória

NEÊPERÉ

guarda e transmite

POTYCY

continua a linhagem

INDAIÁ

recebe a memória

FUTURAS GERAÇÕES

E ao lado de toda essa linhagem corre o OPARÁ, como um grande fio condutor da narrativa.

Assim, Dzeanieá deixa de ser somente um conto sobre nomes. Ele se transforma em um livro sobre a transmissão da memória ancestral através das mulheres, das gerações, da natureza e do território.

Essa estrutura também combina muito bem com a continuidade do projeto de livros sobre Tokenhé Antoá — os Antepassados Sagrados, porque estabelece uma ponte entre ancestralidade, genealogia, nomes e memória cultural.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó



 



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