segunda-feira, 24 de agosto de 2026

PEÇA TEATRAL, CHEGADA DE D. PEDRO II EM PORTO REAL DO COLÉGIO






Peça Teatral Histórico-Cultural em Memória dos Kariri

Autor:
Nhenety Kariri-Xocó





1. FALSA FOLHA DE ROSTO

PEÇA TEATRAL CHEGADA DE D. PEDRO II EM PORTO REAL DO COLÉGIO

Peça Teatral Histórico-Cultural em Memória dos Kariri

Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio — Alagoas
Brasil
2026




2. FOLHA DE ROSTO

PEÇA TEATRAL CHEGADA DE D. PEDRO II EM PORTO REAL DO COLÉGIO

Peça Teatral Histórico-Cultural em Memória dos Kariri

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Obra dramatúrgica de caráter histórico-cultural dedicada à preservação da memória indígena de Porto Real do Colégio, às margens do Opará — Rio São Francisco.

Porto Real do Colégio — Alagoas
2026




3. VERSO DA FOLHA DE ROSTO

© 2026 — Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados.

Esta obra integra a produção literária, histórica e cultural de Nhenety Kariri-Xocó e foi concebida como registro dramatúrgico de memória, tradição oral e identidade cultural.

É permitida a utilização da obra para fins educativos, culturais e comunitários, desde que preservados a autoria, o título da obra e o devido reconhecimento ao autor.

A representação pública da peça deverá respeitar os elementos culturais Kariri-Xocó nela apresentados, especialmente aqueles relacionados ao Toré, aos maracás, à memória dos antepassados e aos conhecimentos tradicionais.

Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Título: Peça Teatral Chegada de D. Pedro II em Porto Real do Colégio
Natureza: Peça teatral histórico-cultural
Ano: 2026
Local de referência: Porto Real do Colégio — Alagoas — Brasil




4. FICHA CATALOGRÁFICA

Nhenety Kariri-Xocó

Peça teatral chegada de D. Pedro II em Porto Real do Colégio: peça teatral histórico-cultural em memória dos Kariri / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Obra teatral histórico-cultural.

Teatro histórico.

História indígena.

Kariri-Xocó.

Porto Real do Colégio.

Rio São Francisco — Opará.

Memória e tradição oral.

D. Pedro II.

Cultura indígena.

Dramaturgia.

CDD: 869.2
CDU: 82-2

Ficha catalográfica em caráter editorial simbólico, destinada à organização desta edição.




5. ISBN — SIMBÓLICO

ISBN: 978-65-00000-00-0

ISBN simbólico utilizado exclusivamente para composição editorial e organização preliminar desta obra. Não representa registro oficial de ISBN.




6. PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




7. ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 




8. DEDICATÓRIA

Dedico esta peça teatral aos meus antepassados Kariri-Xocó, guardiões da palavra, da memória, da cultura e da vida às margens do Opará.

Dedico aos anciãos e anciãs que conservaram histórias que não foram escritas, mas permaneceram vivas na voz do povo.

Dedico às crianças e aos jovens de Porto Real do Colégio, para que possam conhecer, representar e transmitir às futuras gerações as memórias de sua terra.

Dedico também ao Opará, nosso grande Rio São Francisco, testemunha silenciosa de tantos caminhos, encontros, partidas e acontecimentos.

Que esta obra seja mais uma canoa de memória navegando pelas águas do tempo.

Nhenety Kariri-Xocó





9. AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente aos meus antepassados, cuja presença permanece viva na memória, na palavra, na cultura e na identidade do povo Kariri-Xocó.

Agradeço aos anciãos, mestres da tradição, contadores de histórias, mulheres, homens, crianças e jovens que mantêm viva a cultura indígena de Porto Real do Colégio.

Agradeço à comunidade Kariri-Xocó, espaço de pertencimento e fonte permanente de inspiração para esta obra.

Agradeço ao Opará — Rio São Francisco —, presença fundamental na história e na vida dos povos que habitam suas margens.

Agradeço a todos aqueles que, por meio da oralidade, da pesquisa, da literatura, da memória familiar e da convivência comunitária, contribuem para que acontecimentos do passado continuem sendo conhecidos pelas novas gerações.

Agradeço especialmente aos leitores, educadores, estudantes, artistas e grupos culturais que possam levar esta peça aos palcos e aos espaços de aprendizagem.

Que cada apresentação seja também um ato de preservação da memória.




10. EPÍGRAFE

“O rio leva as águas para o mar;
o povo leva a memória para o futuro.”

Nhenety Kariri-Xocó





11. PREFÁCIO DO VOLUME

Uma peça teatral pode nascer para o palco, mas algumas histórias pedem para permanecer também nas páginas de um livro.

Esta obra nasce desse desejo de preservar uma memória histórica e cultural relacionada à chegada de D. Pedro II a Porto Real do Colégio, em 16 de outubro de 1859.

O acontecimento é aqui apresentado por meio da linguagem teatral, permitindo que personagens históricos, indígenas, moradores, autoridades e o próprio Opará dialoguem diante do leitor e, posteriormente, diante do público.

A dramaturgia transforma a memória em presença.

O que aconteceu no passado deixa de ser apenas uma data distante e passa a possuir voz, movimento, silêncio, música, personagens e cena.

Nesta peça, o Opará assume uma função simbólica especial. Ele é rio e testemunha; caminho e memória; paisagem e personagem.

Suas águas atravessam o tempo e permitem estabelecer uma ligação entre o acontecimento histórico e as gerações que continuam contando essa história.

A obra também procura valorizar a presença indígena na narrativa, colocando em destaque personagens como Pedro Lolaço, Manoel Baltazar e seu filho Manoel Paulo, além das crianças Martinha e João Pereira Pirigipe e dos demais nomes preservados pela tradição oral.

Assim, este volume não pretende ser apenas um texto teatral.

Pretende ser também um instrumento de memória.

Um livro que possa ser lido, estudado, encenado e transmitido.

Um livro que possa chegar às escolas, às comunidades, aos espaços culturais e aos lugares onde a memória de um povo continua sendo contada.





12. RESUMO

Peça Teatral Chegada de D. Pedro II em Porto Real do Colégio é uma obra dramatúrgica histórico-cultural de Nhenety Kariri-Xocó que apresenta, em linguagem teatral, a chegada do Imperador D. Pedro II a Porto Real do Colégio, às margens do Opará — Rio São Francisco —, em 16 de outubro de 1859.

A narrativa acompanha os preparativos da comunidade para a recepção da comitiva imperial, a chegada de D. Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina, a participação das autoridades locais, a visita à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a demonstração de arco e flecha realizada por Manoel Baltazar e a apresentação do Toré pelos indígenas.

A peça também procura preservar os nomes associados à memória daquele acontecimento e destaca a importância da tradição oral como instrumento de transmissão histórica.

O Opará é apresentado como personagem simbólico e guardião da memória, acompanhando o desenvolvimento da narrativa desde o prólogo até o epílogo.

A obra articula história, dramaturgia, oralidade, identidade indígena e memória coletiva, propondo que a representação teatral seja também uma forma de preservar e transmitir conhecimentos às novas gerações.

Palavras-chave: Teatro histórico; Kariri-Xocó; Porto Real do Colégio; Opará; Rio São Francisco; memória indígena; tradição oral; D. Pedro II; cultura indígena.





13. ABSTRACT

The Play The Arrival of D. Pedro II in Porto Real do Colégio is a historical-cultural theatrical work by Nhenety Kariri-Xocó that presents, through dramatic language, the arrival of Emperor D. Pedro II in Porto Real do Colégio, on the banks of the Opará — São Francisco River — on October 16, 1859.

The narrative follows the preparations of the community for the reception of the imperial delegation, the arrival of Emperor D. Pedro II and Empress Teresa Cristina, the participation of local authorities, the visit to the Church of Our Lady of the Conception, the bow-and-arrow demonstration by Manoel Baltazar, and the Toré performed by the Indigenous people.

The play also seeks to preserve the names associated with the memory of that event and emphasizes oral tradition as an important means of historical transmission.

The Opará is presented as a symbolic character and guardian of memory, accompanying the narrative from the prologue to the epilogue.

The work brings together history, drama, oral tradition, Indigenous identity and collective memory, proposing theatrical performance as another means of preserving and transmitting knowledge to future generations.

Keywords: Historical theater; Kariri-Xocó; Porto Real do Colégio; Opará; São Francisco River; Indigenous memory; oral tradition; D. Pedro II; Indigenous culture.






14. APRESENTAÇÃO

Este livro apresenta uma peça teatral construída a partir da memória histórica e cultural relacionada à chegada de D. Pedro II a Porto Real do Colégio.

A escolha da linguagem teatral não é casual.

O teatro permite que a memória seja vista, ouvida e vivenciada.

Uma data pode ser lida.

Uma história pode ser contada.

Mas uma história representada no palco ganha corpo.

Os personagens caminham, conversam, lembram, recebem visitantes, celebram, partem e deixam para trás uma memória que poderá ser novamente apresentada pelas novas gerações.

Nesta obra, o passado é conduzido pelo Narrador e acompanhado pelo Opará, personagem simbólico que representa o grande Rio São Francisco e sua capacidade de testemunhar a passagem do tempo.

A presença indígena ocupa lugar central na narrativa.

A recepção do Imperador não é apresentada somente como acontecimento da história política do Brasil, mas como acontecimento vivido em uma comunidade indígena situada às margens do Opará.

O arco e a flecha, o Toré, os maracás, os nomes dos participantes e a memória transmitida oralmente tornam-se elementos fundamentais da dramaturgia.

Dessa maneira, a peça procura estabelecer uma ponte entre o passado e o presente.

Entre os que viveram.

Os que lembraram.

Os que contaram.

E os que hoje continuam contando.





15. NOTA DO AUTOR

Escrever esta peça é também uma forma de caminhar pela memória.

A história de um povo não está somente nos documentos oficiais.

Ela está nas histórias contadas pelos mais velhos, nos nomes preservados pelas famílias, nas lembranças transmitidas entre gerações e nos lugares que continuam testemunhando a passagem do tempo.

Porto Real do Colégio possui uma relação profunda com o Opará.

O rio está presente na paisagem, na vida, na história e na memória de seu povo.

Por isso, nesta peça, o Opará recebe voz.

Ele representa a continuidade.

Enquanto pessoas passam, gerações mudam e acontecimentos se tornam antigos, o rio permanece correndo.

Assim também acontece com a memória.

Quando alguém conta uma história, ela continua vivendo.

Esta peça foi concebida para que a chegada de D. Pedro II possa ser apresentada não somente como acontecimento histórico, mas como narrativa cultural.

O palco torna-se, portanto, um espaço de encontro entre passado e presente.




16. MEMÓRIA DO AUTOR

Minha trajetória como contador de histórias está ligada à memória do meu povo.

Desde as histórias transmitidas pela oralidade até as experiências de pesquisa, escrita e produção cultural, compreendi que contar uma história também é uma maneira de proteger aquilo que não queremos esquecer.

O nome Nhenety está ligado a essa caminhada de contar, registrar e compartilhar histórias.

A literatura tornou-se uma ferramenta para transformar a memória oral em palavra escrita sem deixar de reconhecer que a oralidade continua sendo uma das grandes guardiãs dos conhecimentos tradicionais.

Esta peça nasce dentro dessa perspectiva.

Ela procura aproximar o teatro da memória indígena e da história de Porto Real do Colégio.

Ao colocar no palco personagens históricos e personagens simbólicos, busco criar uma narrativa que possa ser apresentada por diferentes gerações.

O teatro pode ser realizado por jovens.

Pode ser apresentado pelos mais velhos.

Pode reunir crianças, estudantes, artistas, professores e integrantes da comunidade.

E, sobretudo, pode fazer com que uma história seja novamente ouvida.

É nesse sentido que esta obra participa da minha caminhada como contador de histórias e guardião da memória cultural.





17. INTRODUÇÃO

No ano de 1859, uma visita imperial marcou a história de Porto Real do Colégio.

Em 16 de outubro daquele ano, D. Pedro II chegou à povoação acompanhado de sua comitiva, incluindo a Imperatriz Dona Teresa Cristina.

A visita ocorreu no contexto da viagem realizada pelo Imperador pelas regiões banhadas pelo Rio São Francisco.

Para a comunidade de Colégio, aquele acontecimento passou a integrar uma memória que atravessou gerações.

A presente peça procura transformar essa memória em dramaturgia.

Seu ponto de partida é a chegada.

Mas seu tema maior é a memória.

Por isso, o espetáculo começa com o Opará falando.

O rio não é apenas o lugar onde a história acontece.

Ele é apresentado como testemunha do acontecimento.

A partir do anúncio da chegada, a narrativa acompanha os preparativos realizados pela comunidade, a participação das autoridades locais, a chegada da comitiva imperial, a passagem pela Igreja de Nossa Senhora da Conceição, a demonstração de arco e flecha de Manoel Baltazar e o Toré iniciado por seu filho Manoel Paulo.

O texto também recupera nomes preservados na tradição oral, incluindo Manoel Paulo, João Xavier Botó, Vicente Ferreira Botó, Manoel Roberto Poité, Rosa Ferreira Botó, Luzia de Oliveira, Maria Pirigipe e Maria Tomazia.

Duas crianças aparecem de maneira especial: Martinha, apresentada como menina de onze anos, e João Pereira Pirigipe, menino de doze anos.

A presença dessas crianças possui significado simbólico.

Elas representam a continuidade.

São personagens que permitem imaginar como a memória de um grande acontecimento poderia atravessar gerações.

A peça chega finalmente à despedida.

O vapor Humaitá segue pelo Opará.

A comitiva parte.

Mas a memória permanece.

O rio continua correndo.

E a história continua sendo contada.

É nesse ponto que a dramaturgia encontra sua finalidade maior:

preservar a memória por meio da palavra, da cena e da transmissão entre gerações.




18. SUMÁRIO

1. Falsa Folha de Rosto
2. Folha de Rosto
3. Verso da Folha de Rosto
4. Ficha Catalográfica
5. ISBN – Simbólico
6. Prefácio Oficial da Coleção
7. Esclarecimento do Autor
8. Dedicatória
9. Agradecimentos
10. Epígrafe
11. Prefácio do Volume
12. Resumo
13. Abstract
14. Apresentação
15. Nota do Autor
16. Memória do Autor
17. Apresentação da Peça
18. Introdução
19. Peça Teatral
20. Personagens
21. Prólogo – O Opará Guarda a Memória
Ato I – A Notícia da Chegada
Ato II – O Aviso a Baltazar
Ato III – A Comitiva Imperial
Ato IV – A Igreja de Nossa Senhora da Conceição
Ato V – A Flecha de Baltazar
Ato VI – O Toré
Ato VII – Os Nomes que Ficaram
Ato VIII – A Despedida 
Ato IX – A Memória de 16 de Outubro
22. Epílogo – O Rio Continua
23. Nota de Encenação
24. Frase Final para o Programa
25. Considerações Finais
26. Fonte da Narrativa
27. Sobre o Autor: Nhenety Kariri-Xocó



19. PEÇA TEATRAL CHEGADA DE D. PEDRO II EM PORTO REAL DO COLÉGIO

CHEGADA DE D. PEDRO II EM PORTO REAL DO COLÉGIO

PEÇA TEATRAL HISTÓRICO-CULTURAL EM MEMÓRIA DOS KARIRI

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

20. PERSONAGENS

NARRADOR(A) — apresenta os acontecimentos e conduz a história.

OPARÁ — representa simbolicamente o Rio São Francisco e a memória das águas.

D. PEDRO II — Imperador do Brasil.

DONA TERESA CRISTINA — Imperatriz.

MANUEL PINTO DE SOUZA DANTAS — Presidente da Província de Alagoas.

JOÃO VIEIRA DA SILVA DANTAS — Diretor Parcial do Aldeamento de Colégio.

PEDRO LOLAÇO — capitão indígena.

MANOEL BALTAZAR — chefe indígena.

PADRE MANOEL PIRES DE CARVALHO — vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.

MANOEL PAULO — FILHO DE BALTAZAR — indígena adulto que inicia o Toré.

MARTINHA — menina indígena de 11 anos.

JOÃO PEREIRA PIRIGIPE — menino indígena de 12 anos.

CORO — indígenas, moradores, autoridades e integrantes da comitiva.

21. PRÓLOGO

O Opará Guarda a Memória

[Palco em meia-luz. Ouve-se suavemente o som das águas do Rio São Francisco. O CORO permanece ao fundo.]


NARRADOR(A):

Estamos em Porto Real do Colégio.

É o ano de 1859.

Às margens do grande Rio São Francisco, o Opará, vivia o povo indígena de Colégio.

Naquele tempo, o Aldeamento de Colégio havia um Diretor Parcial.

E naquele ano chegou uma notícia que movimentou toda a povoação.


[O OPARÁ entra lentamente.]

OPARÁ:

Eu sou o Opará.

Rio de muitas histórias.

Por minhas águas passam embarcações, pessoas e acontecimentos.

E há dias que o tempo não consegue apagar.

Um desses dias foi 16 de outubro de 1859.

Naquele dia...

o Imperador do Brasil chegou a Porto Real do Colégio.

[Som suave de águas.]


NARRADOR(A):

E assim começou uma visita que seria lembrada por muitas gerações.




ATO I — A NOTÍCIA DA CHEGADA




[ JOÃO VIEIRA DA SILVA DANTAS: O DIRETOR PARCIAL entra acompanhado de alguns integrantes do CORO.]

NARRADOR(A):

O Diretor Parcial do Aldeamento de Colégio recebeu a notícia:

D. Pedro II havia chegado a Penedo, em Alagoas.

O Imperador visitaria cidades, povoados e aldeias às margens do Opará.

JOÃO VIEIRA DA SILVA DANTAS:

O Imperador está vindo para Porto Real do Colégio.

Precisamos preparar a recepção.

Chamem o capitão Pedro Lolaço.

[Entra PEDRO LOLAÇO.]

PEDRO LOLAÇO:

Senhor Diretor.

JOÃO VIEIRA DA SILVA DANTAS:

Pedro Lolaço, vá até a Rua dos Índios.

Avise ao chefe indígena Baltazar que o Imperador está chegando.

Ele deverá participar da comitiva de recepção.

PEDRO LOLAÇO:

Sim, senhor.

Vou imediatamente.

[PEDRO LOLAÇO sai.]

OPARÁ:

A notícia correu pela aldeia.

E logo todos começaram a esperar a chegada.




ATO II — O AVISO A BALTAZAR




[Cena representando a Rua dos Índios. MANOEL BALTAZAR está com alguns indígenas.]

[Entra PEDRO LOLAÇO.]

PEDRO LOLAÇO:

Baltazar!

MANOEL BALTAZAR:

O que aconteceu, Pedro Lolaço?

PEDRO LOLAÇO:

O Diretor mandou avisar:

D. Pedro II está vindo para Porto Real do Colégio.

MANOEL BALTAZAR:

O Imperador?

PEDRO LOLAÇO:

Sim.

Ele virá com sua comitiva.

MANOEL BALTAZAR:

Então devemos receber a todos com respeito.

Vamos preparar o povo.

CORO:

O Imperador está chegando!

MANOEL BALTAZAR:

Nossa gente estará presente.

OPARÁ:

E eu também.

Porque uma grande visita estava chegando pelas minhas águas.




ATO III — A COMITIVA IMPERIAL




[Som de vapor e máquina. O CORO representa a população reunida.]

NARRADOR(A):

A comitiva imperial chegou.

Com D. Pedro II estavam a Imperatriz Dona Teresa Cristina, o Presidente da Província de Alagoas, Manuel Pinto de Souza Dantas, e outras autoridades do Império.

[Entram D. PEDRO II, DONA TERESA CRISTINA, MANUEL PINTO DE SOUZA DANTAS e integrantes da COMITIVA.]

[ JOÃO VIEIRA DA SILVA DANTAS  aproxima-se.]

JOÃO VIEIRA DA SILVA DANTAS:

Sejam bem-vindos a Porto Real do Colégio!

Sejam bem-vindos, Majestade, Imperatriz e membros da comitiva imperial.

D. PEDRO II:

Agradeço a recepção.

É uma satisfação chegar a Porto Real do Colégio.

DONA TERESA CRISTINA:

É uma bela terra às margens do São Francisco.

MANUEL PINTO DE SOUZA DANTAS:

Uma recepção calorosa.

CORO:

Sejam bem-vindos!

OPARÁ:

A comitiva chegou.

E o povo estava pronto para receber seus visitantes.




ATO IV — A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO



[Todos se dirigem para o espaço que representa a igreja.]

NARRADOR(A):

Logo após a chegada, a comitiva imperial dirigiu-se à Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Ali seria celebrada a missa.

[Entra PADRE MANOEL PIRES DE CARVALHO.]

PADRE MANOEL PIRES DE CARVALHO:

Sejam todos bem-vindos.

Que este momento seja celebrado com respeito e fé.

[D. PEDRO II e DONA TERESA CRISTINA permanecem em posição de oração.]

NARRADOR(A):

O Padre Manoel Pires de Carvalho, vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, ministrou a missa.

[Breve pausa.]

OPARÁ:

Depois da oração...

a comitiva voltou para o espaço da praça.

E ali aconteceria um momento que ficaria na memória.




ATO V — A FLECHA DE BALTAZAR




[Espaço aberto representando a praça. Um mourão ou alvo cenográfico é colocado.]

NARRADOR(A):

No meio da praça, D. Pedro II chamou o chefe indígena Baltazar.

D. PEDRO II:

Baltazar.

Gostaria de ver sua habilidade com o arco e a flecha.

MANOEL BALTAZAR:

Sim, Majestade.

D. PEDRO II:

Então demonstre sua habilidade.

[MANOEL BALTAZAR prepara o arco.]

NARRADOR(A):

Baltazar preparou seu arco.

A praça ficou em silêncio.

Todos olharam para o alvo.

[Breve silêncio.]

NARRADOR(A):

Baltazar lançou a flecha.

[Efeito teatral seguro. A flecha cenográfica atinge o mourão.]

CORO:

Ah!

[Reação de alegria.]

D. PEDRO II:

Muito bem!

MANOEL BALTAZAR:

Obrigado, Majestade.

[D. PEDRO II volta-se para o povo.]

D. PEDRO II:

Viva os Índios de Porto Real do Colégio!

CORO E POVO:

Viva!

D. PEDRO II:

Viva!

CORO E POVO:

Viva!

TODOS:

VIVA OS ÍNDIOS DE PORTO REAL DO COLÉGIO!

[Maracás.]

OPARÁ:

E aquele grito ficou guardado nas minhas águas.




ATO VI — O TORÉ




[MANOEL BALTAZAR chama seu filho Manoel Paulo.]

MANOEL BALTAZAR:

Meu filho, Manoel Paulo!

Venha. É hora de iniciar o Toré.

Entra MANOEL PAULO, FILHO DE BALTAZAR.]

MANOEL PAULO:

Sim, meu pai.

[Os indígenas se organizam.]

NARRADOR(A):

Baltazar ordenou a seu filho Manoel Paulo, já adulto, que iniciasse o Toré com os indígenas.

Os maracás começaram a soar.

[O Toré é iniciado conforme orientação dos mestres e detentores da tradição Kariri-Xocó.]

CORO:

O Toré começou.

O povo se reuniu.

A memória se levantou.

[A dança continua brevemente.]

DONA TERESA CRISTINA:

Que bela manifestação!

D. PEDRO II:

É uma recepção muito especial.

OPARÁ:

Aquele momento também seria lembrado.

Porque os nomes daqueles que cantaram e dançaram ficaram guardados na tradição oral.





ATO VII — OS NOMES QUE FICARAM




[O Toré diminui lentamente. O NARRADOR fica à frente.]

NARRADOR(A):

Os mais velhos ainda preservam os nomes daqueles que participaram daquele dia memorável.

[Cada nome pode ser chamado por um integrante do CORO.]

CORO:

Manoel Paulo!

João Xavier Botó!

Vicente Ferreira Botó!

Manoel Roberto Poité!

Rosa Ferreira Botó!

Luzia de Oliveira!

Maria Pirigipe!

Maria Tomazia!

NARRADOR(A):

E havia também crianças.

MARTINHA:

Meu nome era Martinha.

Eu tinha apenas onze anos.

JOÃO PEREIRA PIRIGIPE:

Eu era João Pereira Pirigipe.

Tinha doze anos.

CORO:

Onze anos.

Doze anos.

Crianças que também ficaram na memória.

NARRADOR(A):

Seus nomes atravessaram o tempo.

De geração em geração.

OPARÁ:

Porque aquilo que um povo guarda...

não desaparece facilmente.






ATO VIII — A DESPEDIDA




[Som do vapor.]

NARRADOR(A):

A comitiva imperial ficou feliz com a recepção calorosa dos indígenas de Porto Real do Colégio e de toda a população.

Mas a viagem precisava continuar.

O vapor Humaitá aguardava.

D. PEDRO II:

Agradeço a todos pela recepção.

DONA TERESA CRISTINA:

Levarei comigo a lembrança deste lugar.

JOÃO VIEIRA DA SILVA DANTAS:

Porto Real do Colégio agradece a presença de Vossas Majestades.

MANOEL BALTAZAR:

Que tenham uma boa viagem.

PEDRO LOLAÇO:

Que o caminho pelo Opará seja tranquilo.

CORO:

Boa viagem!

OPARÁ:

O vapor Humaitá subiu novamente pelo Rio São Francisco.

A comitiva seguiria para outras povoações e aldeias do Opará.

[Som de vapor aumentando.]






ATO IX — A MEMÓRIA DE 16 DE OUTUBRO




[O palco fica mais silencioso.]

NARRADOR(A):

O Imperador partiu.

O vapor seguiu pelo rio.

Mas a história ficou.

Na tradição oral de Porto Real do Colégio, permaneceu a lembrança daquele dia:

16 de outubro de 1859.

MANOEL BALTAZAR:

A flecha ficou na memória.

MARTINHA:

Os nomes ficaram na memória.

JOÃO PEREIRA PIRIGIPE:

O Toré ficou na memória.

PEDRO LOLAÇO:

A chegada ficou na memória.

JOÃO VIEIRA DA SILVA DANTAS:

A recepção ficou na memória.

OPARÁ:

E eu continuei correndo.

Levando as águas...

e guardando as histórias.

EPÍLOGO

O RIO CONTINUA

[Todos os personagens retornam ao palco.]

NARRADOR(A):

Passaram-se os anos.

Passaram-se as gerações.

Mas a visita de D. Pedro II continuou sendo contada.

CORO:

De geração em geração!

NARRADOR(A):

Porque a memória de um povo não vive somente nos livros.

Vive também na palavra.

Na lembrança.

Na tradição.

Na voz dos mais velhos.

E na escuta dos jovens.

MARTINHA:

Eu tinha onze anos.

JOÃO PEREIRA PIRIGIPE:

Eu tinha doze.

MANOEL BALTAZAR:

E naquele dia a flecha acertou o mourão.

CORO:

E o Imperador gritou:

D. PEDRO II:

VIVA OS ÍNDIOS DE PORTO REAL DO COLÉGIO!

TODOS:

VIVA!

VIVA!

VIVA!

[Maracás.]

OPARÁ:

Eu sou o Opará.

Eu vi a chegada.

Eu vi a recepção.

Eu ouvi o Toré.

Eu ouvi o grito.

E continuo correndo...

levando comigo a memória daquele dia.

NARRADOR(A):

16 de outubro de 1859.

Uma data guardada pela tradição oral de Porto Real do Colégio.

Uma história que atravessou gerações.

CORO:

Enquanto houver quem conte...

a memória continuará viva!

TODOS:

ENQUANTO O OPARÁ CORRER...

A MEMÓRIA CONTINUARÁ VIVA!

[Maracás.]

[Breve momento final de Toré, conforme orientação dos mestres e detentores da tradição.]

[As luzes diminuem lentamente.]


FIM



22. NOTA DE ENCENAÇÃO

Esta versão foi construída a partir da narrativa histórica simplificada de Nhenety Kariri-Xocó, privilegiando a sequência dos acontecimentos e facilitando sua apresentação por jovens e integrantes da comunidade.

O OPARÁ pode ser representado por um único jovem ou por um pequeno grupo, utilizando tecidos azuis, movimentos corporais e iluminação para sugerir as águas do Rio São Francisco.

A chegada do vapor Humaitá não necessita de uma embarcação cenográfica. Pode ser representada por som de máquina a vapor, iluminação, movimento dos atores e efeitos sonoros.

A cena do arco e flecha de Manoel Baltazar deve utilizar exclusivamente recursos teatrais seguros: flecha cenográfica, alvo preparado e efeito sonoro ou luminoso.

O Toré deve ser conduzido pelos próprios mestres, anciãos e detentores da tradição Kariri-Xocó, respeitando os cantos, maracás, movimentos e demais elementos culturais apropriados para apresentação pública.

Os integrantes do CORO podem representar simultaneamente indígenas da aldeia, moradores de Porto Real do Colégio, integrantes da comitiva imperial e outras pessoas presentes na recepção.

A duração pode variar aproximadamente entre 25 e 35 minutos, dependendo do tempo destinado ao Toré, à missa representada cenicamente e às transições.



23. FRASE FINAL PARA O PROGRAMA

“O rio leva as águas para o mar; o povo leva a memória para o futuro.”

Nhenety Kariri-Xocó




24. FONTE DA NARRATIVA

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. O Imperador e o Opará: D. Pedro II Entre os Kariri de Porto Real do Colégio. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/o-imperador-e-o-opara-d-pedro-ii-entre.html?m=0 . 




25. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final desta peça, mas não ao final da história.

A chegada de D. Pedro II a Porto Real do Colégio, em 16 de outubro de 1859, pertence a um tempo distante. Entretanto, os acontecimentos do passado continuam encontrando caminhos para chegar ao presente. Um desses caminhos é a memória.

Nesta obra, a memória encontrou o teatro.

As personagens caminharam pela cena, as autoridades chegaram, a comunidade se preparou, o Imperador e a Imperatriz foram recebidos, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição foi visitada, o arco e a flecha de Manoel Baltazar foram apresentados e o Toré marcou a presença indígena naquele momento histórico.

Mas, acima de tudo, a peça procurou mostrar que a história não é formada somente por grandes autoridades ou acontecimentos registrados em documentos.

Ela também é construída pelas pessoas que estavam ali.

Pelos homens e mulheres da comunidade.

Pelos indígenas que participaram daquele encontro.

Pelas crianças que representam a continuidade das gerações.

Pelos nomes que permaneceram guardados na memória.

Pelas vozes dos que contaram aquilo que ouviram de seus antepassados.

Por isso, esta dramaturgia procura estabelecer uma conversa entre a história documentada e a memória cultural.

O Opará ocupa, nesse percurso, um lugar especial.

Suas águas testemunharam a passagem da comitiva imperial, mas também testemunharam muitas outras histórias antes e depois daquele acontecimento. O rio permanece enquanto as gerações passam.

Ele representa, portanto, a continuidade.

Quando o vapor Humaitá parte e a comitiva desaparece no horizonte, a história não termina.

O rio continua.

A comunidade continua.

A cultura continua.

A memória continua.

É justamente nessa continuidade que o teatro encontra sua força.

Uma peça pode ser apresentada hoje e novamente daqui a muitos anos. Cada geração poderá assumir os personagens, interpretar suas falas e reconstruir, por meio da cena, uma passagem da história de Porto Real do Colégio.

Assim, esta obra pode servir como instrumento de leitura, pesquisa, educação, representação artística e transmissão cultural.

Que crianças e jovens possam encontrar nestas páginas uma porta para conhecer o passado.

Que educadores possam utilizar o teatro como instrumento de aprendizagem.

Que artistas possam transformar estas palavras em presença no palco.

Que os mais velhos possam reconhecer nelas o valor da memória.

E que a comunidade possa continuar contando sua própria história.

A memória não pertence somente ao passado.

Ela pertence também ao futuro.

Quando uma geração conta uma história para outra, estabelece-se uma ponte entre os tempos.

Esta peça pretende ser uma dessas pontes.

Uma ponte entre o acontecimento de 1859 e o presente.

Entre a história escrita e a tradição oral.

Entre o palco e a comunidade.

Entre os antepassados e as novas gerações.

E, sobretudo, entre o povo e sua memória.

Que o Opará continue correndo.

Que os maracás continuem anunciando a presença da cultura.

Que o Toré continue sendo expressão de identidade e pertencimento.

Que os nomes dos antepassados continuem sendo lembrados.

E que esta obra possa contribuir, ainda que modestamente, para que a história de Porto Real do Colégio e a memória dos povos indígenas que vivem às margens do Opará permaneçam vivas.

Porque enquanto houver alguém para contar,

a história continuará caminhando.

E enquanto o povo guardar sua memória,

nenhuma história verdadeiramente desaparecerá.

Nhenety Kariri-Xocó





26. SOBRE O AUTOR

NHENETY KARIRI-XOCÓ

Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias, escritor e produtor cultural ligado à memória, à cultura e aos saberes do povo Kariri-Xocó.

Sua trajetória literária nasce da oralidade e do compromisso com a preservação das histórias transmitidas entre gerações.

Em seu trabalho, a palavra escrita dialoga com a memória dos antepassados, com a tradição oral, com a cultura indígena e com a paisagem histórica de Porto Real do Colégio, às margens do Opará — Rio São Francisco.

Como contador de histórias, Nhenety compreende a narrativa como instrumento de preservação cultural.

Contar uma história significa, para ele, manter viva uma memória e possibilitar que aquilo que foi recebido dos mais velhos possa alcançar as novas gerações.

Sua produção reúne diferentes formas literárias e culturais, incluindo contos, fábulas, cordéis, narrativas históricas, textos sobre cultura indígena e obras voltadas à valorização da memória Kariri-Xocó.

Em sua escrita, nomes de pessoas, lugares, acontecimentos, costumes, conhecimentos tradicionais e lembranças familiares tornam-se elementos de uma literatura comprometida com a identidade e com a continuidade cultural.

A presente obra representa mais uma etapa dessa caminhada.

Ao transformar a chegada de D. Pedro II a Porto Real do Colégio em uma peça teatral, Nhenety aproxima a história do palco e possibilita que uma memória do século XIX seja novamente apresentada às gerações do presente.

Sua dramaturgia procura unir pesquisa, oralidade, imaginação cênica e memória cultural, sem perder de vista a importância dos conhecimentos transmitidos pelos antepassados.

O Opará — Rio São Francisco — aparece frequentemente como elemento fundamental de sua visão narrativa.

Para além de sua dimensão geográfica, o rio representa caminho, testemunho, vida, território e continuidade.

É nesse espaço de memória que sua escrita encontra parte importante de sua inspiração.

Como autor e contador de histórias, Nhenety também acredita na importância de registrar as narrativas para que elas possam circular entre escolas, comunidades, leitores, pesquisadores, artistas e novas gerações.

Sua produção literária constitui, assim, uma forma de documentação cultural e de valorização da memória indígena.

Seu trabalho procura afirmar que os povos indígenas não são apenas personagens da história: são também narradores, autores, guardiões e produtores de suas próprias memórias.

Nesta peça teatral, essa perspectiva encontra expressão por meio da cena.

Os personagens históricos dialogam com personagens simbólicos; o passado conversa com o presente; e o Opará transforma-se em testemunha da passagem do tempo.

A obra de Nhenety Kariri-Xocó permanece, dessa maneira, vinculada a uma missão maior:

contar para preservar, escrever para lembrar e transmitir para que a memória continue viva.

Nhenety Kariri-Xocó

Contador de Histórias — Escritor — Guardião da Memória Cultural

Porto Real do Colégio — Alagoas — Brasil





Autor: Nhenety Kariri-Xocó



 



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