quinta-feira, 27 de março de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
DA OCA A CASA II
Nossa Aldeia Kariri-Xocó continua evoluindo na questão de construção de residências, muitas vezes os indígenas segue o modelo de habitações de projetos governamentais que não ajuda nada na preservação do estilo tradicional.

Aqueles indígenas por iniciativas próprias fazem suas casas segundo suas condições econômicas disponível em arquitetura da civilização que se ajuste mais a adaptação do mundo globalizado, tendo em vista que aqui os recursos naturais estar em escassez de matéria prima de madeira, palha, as novas casas são alvenaria, cimento e telhas de cerâmica argilosa a preço de mercado. Temos até casas de andar na aldeia, com garagem, sendo que o índio agora tem automóvel, moto pela facilidade de locomoção as grandes distancias .
sábado, 25 de janeiro de 2014
DA OCA A CASA I
![]() |
| Oca Kariri-Xocó construída hoje para lembrar a tradição |
![]() |
| Casa de Taipa e Palha do Século XIX até a década de 1960 |
![]() |
| Casa de Taipa e Telha de 1960 até 1972 |
![]() |
| Modelos de Casas de 1972 até 1978 |
![]() |
| Estilo de Casa de 1981 até 2000 |
![]() |
| Modelo de Casas a partir de 2001 |
Aqui vocês poderão acompanhar pelas fotos como era a aldeia antes e depois, as mudanças sofridas ao longo do tempo, observando as casas de minha família e a dos indígenas Kariri-Xocó do município de Porto Real do Colégio, Estado de Alagoas.
Nhenety Kariri-Xocó.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
A NATUREZA NOSSO LAR
Nós povo
Kariri-Xocó moramos nas margens do Rio Opara( Rio São Francisco ) denominado
pelos nossos antepassados, gostamos muito da nossa Mata do Ouricuri em formações vegetais de Caatinga com mata Atlântica onde
conhecemos muitas plantas pelos ensinamentos passados de geração em
geração . As copas das árvores do angico faz uma sombra agradável, sua casca
medicinal serve para gripe e um anti-inflamatório, a aroeira outra espécie tem
grande dimensão, também muito útil um poderoso cicratizante. Nossa vida na
natureza somente com a matéria prima da floresta . Na construção da casa troncos
para as estruturas da residência, as paredes com esteios de quixabeira e amarrados
com cipós resistentes ,a cobertura com
palha de Ouricuri aguentava chuvas fortes, a cama de dormi era feita de vara de
marmeleiro, a mobília do índio um pilão de madeira cana fístula no canto da casa, jereré com
fibra de algodão confeccionado em arco de juá mirim pendurado na parede muitas
vezes utilizado pelo pescador . O transporte das canoas feita de mulungu subia
e descia o rio, no porto da aldeia muitas embarcações, cada família possuía a
sua, todo mundo era feliz. As vasilhas feita do fruto do coité, pratinhos de
cuias colocado no chão em forma circular formando nossa mesa do jantar,
meninos, jovens e os pais da família distribuía a comida em porções, carne de
ave nambu , mandioca com uvaia fruta tirada da mata. Para dor de barriga as
mulheres utilizava a casca de imburana cura diária, encontrar o remédio é só
pegar ali onde quiser não custa nada,
apenas devemos ter muito respeito para
preservar nossa floresta, assim vamos ter nossos produtos naturais disponível para
toda a comunidade. Os cantos dos pássaros anima preenche vazio da solidão,
todos os animais faz seu comunicado em suas próprias sonoridade , cada bicho
tem seu lugar de morar, imagine um animal desse extinto quanta falta vai fazer
para nossa tradição , ficaremos muito triste por não mais ouvi aquela harmonia
sagrada de todos os seres da terra.
Nhenety Kariri-Xocó
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
MEMÓRIA DA TERRA
Sabemos como é nosso território porque nossos antepassados
nos disseram, onde construímos nossas aldeias são lugares escolhidos por
oferecer melhores condições de moradia. A terra que conhecemos não tinha
divisão com cercas de arame farpado, nosso direito não estava limitado léguas
de terras em sesmarias medida pelo colonizador, depois oficializado pelos
governos posteriores do império e da república. Nossos antepassados diziam que
a Terra estar ligada a toda a natureza, sol, lua, chuvas, rios, mar, floresta,
dia, noite, verão, inverno. Retiramos a
argila boa para a cerâmica nas margens das lagoas, tem uma cor marrom escura,
dela confeccionamos potes, moringas, pratos de barro. Na parte alta de nossa
terra retiramos a argila vermelha muito resistente para fazer panelas de barro,
frigideiras, cuscuzeiros. Para a pintura corporal retiramos nas fontes da terra
o “ Tawá “ argila branca, onde fazemos nossos traços com desenhos na pele dos
guerreiros e cantadores de Toré, as mulheres indígenas também utilizam esta
substancia para pintar a cerâmica . No subsolo estar guardado muitos
antepassados em “ igaçabas “ grandes
potes de barro onde enterravam os nossos mortos, tem machados de pedras,
panelas, pontas de flechas de ossos, tudo isso é uma grande Memória. Cada camada
de terra tem uma história registrada pelo tempo desde nossa origem primeira,
preservar nosso território corresponde assegurar a Memória da Mãe Terra,
defendemos nossos territórios porque nele estar os registros de nossa cultura,
ao longo dos séculos construímos uma relação com o torrão natal. Ficamos muitos
tristes porque a maior parte de nosso território estar nas mãos de pessoas
estranhas que não respeitam os valores nativos , destroem a terra, tirando
minérios, poluindo os rios, construindo cidades, acabando com nossos vestígios
sagrados . O relevo terrestre tem nomes
indígenas Serra da Maraba, Serra da Apreaca, Várzea do Itiúba, Lagoa do Coité,
Baixa do Paturi, Grota do Cambotá, Rio Tibirí, Margem da Maricota . Quando veio
o colonizador veio mudando os nomes dos lugares do Território Indígena língua portuguesa : Morro do São Caetano ,
Rio São Francisco, Morro da Viúva, Pedra do Castro. Mas nossa força cultural é
tão viva que muitos das povoações criadas por eles receberam nomes nativos
: Aldeia Urubu-Mirim , Povoados Tapera,
Tibirí, Tucuns, Angico, Sucupira, Girau do Itiúba e Povoado Kariri. Pela
Memória da Mãe Terra sabemos os lugares para cada coisa, local de plantar as
roças, caçar os tipos de animais pelos hábitos alimentares dos bichos, onde tem
os tipos de peixes de acordo com o tipo de ambiente das espécies dos rios ,
bando de aves aquáticas das lagoas. Cada povo tem sua Memória da Mãe Terra, em
cada ecossistema um acervo da sabedoria nativa sobre a relação com a natureza,
na sua cultura e vivencia local atravessando os tempos históricos. Por causa da terra muitos povos indígenas
foram exterminados, os colonizadores retiraram
as riquezas de nosso território, cortaram o pau-brasil, escravizaram
muitas tribos, evangelizaram os sobreviventes que eles poderiam capturar ,
outros indígenas fugiram para o interior das florestas distantes. Os índios que
ficaram na Missão Religiosa do Colégio dos Jesuítas miscigenaram com outras etnias europeias e
africanas, dando origem ao povo brasileiro, neste país só queremos exercer
nossas tradições, com nossa cultura, ser respeitado como povo indígena,
exigimos nossos direitos garantidos pela Constituição Federal, Direitos Humanos
por uma Terra de Paz.
Nhenety Kariri-Xocó
PRAGAS DO PASSADO
![]() |
| Infestação de Grilos |
http://www.indiosonline.net/
Nhenety Kariri-Xocó.
domingo, 1 de setembro de 2013
BATIMENTO DE FEIJÃO
O feijão batido é ensacado, a palha colocada de
lado, entra outro quarteto de homens, para descançar o primeiro grupo,
que agora vam beber água, outros fumar cachimbo de pau, com fumo de
rolo. O Batimento de feijão de arranca , é um trabalho muito animado,
tem cantos de batalhão, como no tapamento da casa de taipa. Após o
batimento os trabalhadores vai comer a feijoada, debaixo do juazeiro
verde , quando tudo termina, o dono da roça agradece a todos que
trabalharam, promete também participar, do Batimento de Feijão, do
agricultor que chamar, fica devendo obrigação, em retribuir o que
recebeu , a energia da coletividade. Agora muitas coisas estar mudando casa vez mais os agricultores indígenas estão ficando velhos, os mais novos não querem plantar na roça porque arrumaram outras profissões : são pedreiros, carpinteiros etc... somente alguns plantam para matar a saudade de comer um feijão verde. Ainda bem que temos alguma pessoa que planta e bate feijão como antigamente, somos indígenas, nossos costumes devem continuar. http://www.indiosonline.net/Nhenety Kariri-Xocó.
Assinar:
Postagens (Atom)



















