sábado, 8 de agosto de 2026

DZEANIEÁ, A MEMÓRIA DOS NOMES ANCESTRAIS





1. FALSA FOLHA DE ROSTO

DZEANIEÁ

A MEMÓRIA DOS NOMES ANCESTRAIS

Um conto de memória, ancestralidade, identidade e continuidade cultural dos povos indígenas.

Nhenety Kariri-Xocó




2. FOLHA DE ROSTO

DZEANIEÁ, A MEMÓRIA DOS NOMES ANCESTRAIS

Nhenety Kariri-Xocó

Conto ancestral inspirado na tradição oral e na memória cultural do povo Kariri-Xocó.

Porto Real do Colégio – Alagoas
Brasil

2026




3. VERSO DA FOLHA DE ROSTO

© 2026 — Nhenety Kariri-Xocó
Todos os direitos reservados.

Esta obra integra o conjunto de narrativas dedicadas à memória, à história, aos saberes e à ancestralidade dos povos indígenas.

Título: Dzeanieá, A Memória dos Nomes Ancestrais
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Gênero: Conto de memória ancestral / literatura indígena
Local: Porto Real do Colégio – Alagoas, Brasil
Ano: 2026




4. FICHA CATALOGRÁFICA

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

Dzeanieá, a memória dos nomes ancestrais / Nhenety Kariri-Xocó. — Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Obra de literatura indígena baseada em memória ancestral, tradição oral, nomes indígenas, relação com a natureza, identidade cultural e continuidade das gerações.

Literatura indígena.

Povos indígenas.

Memória ancestral.

Nomes indígenas.

Cultura Kariri-Xocó.

Tradição oral.

Opará.

Identidade cultural.

CDD — Literatura indígena / Cultura indígena

Ficha catalográfica simbólica para composição editorial da obra.




5. ISBN — SIMBÓLICO

ISBN SÍMBOLO DA MEMÓRIA

978-65-00000-00-0

ISBN simbólico destinado exclusivamente à composição artística e editorial desta edição. Não corresponde a um ISBN oficial registrado.




6. PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.





7. ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.


Nhenety Kariri-Xocó 





8. DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos meus ancestrais, aqueles que caminharam antes de nós e deixaram seus nomes como sementes plantadas na memória do povo.

Dedico às mulheres guardiãs da ancestralidade, às mães, avós e bisavós que, através da palavra, ensinaram às novas gerações os caminhos da vida, da natureza, da família e da identidade.

Dedico especialmente a Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá, figuras que representam, nesta narrativa, a corrente viva da memória que atravessa as gerações.

Dedico também ao Opará, nosso grande rio, testemunha silenciosa de tantas histórias, encontros, partidas, retornos e permanências.

E dedico às crianças e aos jovens indígenas, para que saibam que seus nomes possuem histórias, que suas raízes possuem valor e que nenhuma geração começa do zero.

Que cada nome ancestral pronunciado seja uma forma de fazer viver novamente aqueles que vieram antes de nós.

Aos que guardaram a memória, aos que a receberam e aos que ainda irão carregá-la: esta obra é dedicada.




9. AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente aos meus ancestrais, fonte primeira de inspiração desta caminhada de memória e conhecimento.

Agradeço às pessoas mais velhas que conservaram histórias, nomes, lembranças e ensinamentos, permitindo que a palavra ancestral atravessasse o tempo e chegasse às novas gerações.

Agradeço à minha família, que representa um dos lugares mais importantes onde a memória permanece viva. É dentro da família que muitos nomes deixam de ser apenas nomes e passam a revelar rostos, histórias, parentescos, lugares e sentimentos.

Agradeço ao povo Kariri-Xocó, guardião de uma história construída através da resistência, da espiritualidade, da relação com o território, da tradição oral e da continuidade cultural.

Agradeço ao Opará, presença permanente nesta narrativa e símbolo da corrente da vida. Suas águas me lembram que o tempo passa, mas aquilo que é verdadeiramente guardado pela memória pode continuar viajando de geração em geração.

Agradeço também a todos aqueles que contribuem para que a literatura indígena encontre espaço, reconhecimento e continuidade.

E agradeço às futuras gerações, ainda que não as conheça, porque é pensando nelas que esta memória é registrada.

Que este livro possa servir como uma pequena semente.

Se alguém, amanhã, encontrar estas páginas e lembrar o nome de um ancestral, então a palavra terá cumprido sua missão.

Iewóá. Inatekié.

Gratidão e continuidade.





10. EPÍGRAFE


“Quando um nome é pronunciado com amor, ele nunca morre.”

Memória ancestral





11. PREFÁCIO DO VOLUME

Dzeanieá nasce como uma narrativa sobre os nomes, mas seu significado vai muito além deles.

Nesta obra, o nome ancestral aparece como uma porta de entrada para a memória. Um nome pode guardar uma pessoa, uma família, uma paisagem, uma árvore, um animal, um rio, uma experiência ou um ensinamento. Por isso, quando um nome desaparece, não desaparece somente uma palavra: pode desaparecer parte da história que ele carregava.

O conto acompanha a transmissão da memória através das gerações. Piracy ensina Neêperé; Neêperé transmite seus conhecimentos a Indaiá; e Indaiá representa a continuidade dessa corrente ancestral que não termina em uma geração.

O Opará acompanha toda essa trajetória como testemunha viva. Suas águas simbolizam o movimento do tempo: passam, transformam-se, mas continuam carregando a memória de suas margens.

Assim, este livro é também uma reflexão sobre resistência cultural. Mesmo quando nomes indígenas foram substituídos, as raízes permaneceram. A memória encontrou outros caminhos para sobreviver.

Dzeanieá é, portanto, um convite para pronunciar os nomes ancestrais com respeito, afeto e consciência.





12. RESUMO

Dzeanieá, A Memória dos Nomes Ancestrais é um conto de tradição e memória cultural que acompanha quatro gerações de mulheres — Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá — tendo como cenário simbólico o Opará, o rio São Francisco.

A narrativa apresenta os nomes indígenas como elementos de identidade, pertencimento, proteção, memória e ligação com a natureza. Por meio das histórias transmitidas entre avó, filha e neta, a obra aborda os impactos da colonização, da imposição cultural e da substituição de nomes indígenas, ao mesmo tempo em que apresenta a resistência da memória ancestral.

A terra, o rio, as árvores e os nomes tornam-se elementos fundamentais de uma mesma rede de conhecimento. O conto afirma que a cultura sobrevive quando suas histórias continuam sendo contadas e quando as novas gerações assumem a responsabilidade de transmiti-las.

Palavras-chave: memória ancestral; nomes indígenas; Kariri-Xocó; Opará; tradição oral; identidade cultural; natureza; ancestralidade.




13. ABSTRACT

Dzeanieá, The Memory of Ancestral Names is a traditional and cultural memory tale that follows four generations of women — Piracy, Neêperé, Potycy and Indaiá — with the Opará, the São Francisco River, as its symbolic setting.

The narrative presents Indigenous names as elements of identity, belonging, protection, memory and connection with nature. Through stories transmitted from grandmother to daughter and granddaughter, the work addresses the impacts of colonization, cultural imposition and the replacement of Indigenous names, while emphasizing the resistance of ancestral memory.

Land, river, trees and names become interconnected elements of knowledge. The tale conveys the idea that culture remains alive when its stories continue to be told and when new generations assume the responsibility of transmitting them.

Keywords: ancestral memory; Indigenous names; Kariri-Xocó; Opará; oral tradition; cultural identity; nature; ancestry.





14. APRESENTAÇÃO

Dzeanieá é uma história sobre aquilo que permanece.

É uma história sobre nomes que atravessaram tempos difíceis. Sobre palavras que sobreviveram mesmo quando foram proibidas ou substituídas. Sobre famílias que continuaram guardando dentro de si lembranças de seus antepassados.

O conto parte de uma cena simples: uma mãe e sua filha à margem do Opará. Mas daquela conversa nasce uma grande caminhada pela memória.

Piracy ensina Neêperé que os nomes possuem força. Neêperé aprende que seu próprio nome representa uma missão. Mais tarde, ela transmite esse conhecimento a Indaiá.

A história transforma a genealogia em narrativa e a narrativa em memória.

O livro procura mostrar que a ancestralidade não está somente nos documentos escritos. Ela também está nas palavras pronunciadas pelos mais velhos, nos lugares conhecidos pelo povo, nos nomes das pessoas, nas plantas, nos rios e nas histórias contadas ao redor da família.





15. NOTA DO AUTOR

Dzeanieá, A Memória dos Nomes Ancestrais nasceu da necessidade de olhar para os nomes não apenas como palavras, mas como lugares de memória.

Ao longo de minha trajetória como contador de histórias oral, aprendi que muitas histórias importantes não estão escritas em livros. Elas vivem na fala dos mais velhos, nas lembranças das famílias, nos nomes das pessoas, nos lugares, nas plantas, nos animais, nas águas e nas experiências que passam de uma geração para outra.

Esta obra procura transformar essa experiência de oralidade em narrativa escrita.

O conto apresenta Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá como uma corrente simbólica de transmissão ancestral. Cada uma representa uma etapa dessa caminhada: receber, guardar, transmitir e continuar.

O Opará aparece como testemunha dessa passagem do tempo. O rio não interrompe seu caminho. Ele segue. Assim também deve seguir a memória.

A obra não pretende substituir a palavra dos mais velhos nem transformar a tradição oral em algo encerrado nas páginas de um livro. Pelo contrário: o livro procura ser uma ponte. Uma ponte entre a palavra falada e a palavra escrita; entre os antepassados e as futuras gerações; entre a memória familiar e a memória coletiva.

Os nomes apresentados na narrativa carregam sentidos construídos dentro do universo cultural da obra. Por isso, devem ser compreendidos dentro de seu contexto ancestral e literário.

Escrever sobre os nomes indígenas é também enfrentar a história do esquecimento. Durante muito tempo, nomes, línguas, costumes e conhecimentos indígenas foram pressionados pela imposição de outras formas de identificação e de pensamento.

Mas a memória possui caminhos próprios.

Quando uma palavra é lembrada, ela pode voltar a caminhar.

Quando um nome é pronunciado, alguém do passado pode voltar a ser chamado para junto de nós.

É nesse sentido que Dzeanieá foi escrito: como uma narrativa de memória, resistência e continuidade.

Que estas páginas possam despertar no leitor o desejo de perguntar pelos nomes de seus próprios ancestrais, conhecer suas histórias e compreender que nenhuma cultura permanece viva por acaso.

Ela permanece porque alguém se lembra.

Ela permanece porque alguém conta.

Ela permanece porque alguém decide transmitir.

Nhenety Kariri-Xocó




16. MEMÓRIA DO AUTOR

A memória do autor se entrelaça com a própria proposta desta obra: contar histórias para que elas não desapareçam.

Como contador de histórias oral, Nhenety Kariri-Xocó desenvolve sua produção literária a partir das experiências, memórias, saberes e referências culturais de seu povo.

Sua escrita procura estabelecer uma ponte entre a oralidade ancestral e o livro, registrando narrativas que tradicionalmente circulam pela palavra falada.

Nesse sentido, Dzeanieá integra uma produção voltada à preservação da memória indígena, transformando histórias familiares e ancestrais em literatura de resistência, identidade e continuidade.



17. APRESENTAÇÃO DA NARRATIVA

Antes de entrar na história, o leitor é convidado a imaginar o Opará.

Imagine a margem do grande rio.

Uma gameleira oferecendo sombra.

O canto dos pássaros.

O movimento das folhas.

E duas figuras conversando: Piracy e Neêperé.

É nesse cenário que começa a viagem pelos nomes ancestrais.

A narrativa será conduzida como uma corrente de águas: uma história levando à outra, uma geração conduzindo à seguinte.





18. INTRODUÇÃO

Os nomes são uma das primeiras formas pelas quais uma pessoa é apresentada ao mundo.

Entretanto, em muitas culturas indígenas, o nome pode carregar significados muito mais profundos. Pode revelar uma relação com a natureza, uma característica da pessoa, uma história familiar, uma lembrança ancestral ou uma dimensão espiritual.

Por isso, recuperar os nomes é também recuperar histórias.

A narrativa de Dzeanieá apresenta essa compreensão por meio da transmissão de conhecimentos entre gerações. A história começa com Piracy e Neêperé e posteriormente alcança Potycy e Indaiá.

Ao longo desse caminho, aparecem temas como colonização, imposição cultural, resistência, natureza, território, língua e memória.

O livro propõe uma pergunta simples e profunda:

O que acontece com uma história quando seu nome é esquecido?

E oferece uma resposta através da própria narrativa:

Enquanto houver alguém disposto a lembrar e contar, a história continuará viva.





19. SUMÁRIO

1. Falsa Folha de Rosto
2. Folha de Rosto
3. Verso da Folha de Rosto
4. Ficha Catalográfica
5. ISBN — Simbólico
6. Prefácio Oficial da Coleção
7. Esclarecimento do Autor
8. Dedicatória
9. Agradecimentos
10. Epígrafe
11. Prefácio do Volume
12. Resumo
13. Abstract
14. Apresentação
15. Nota do Autor
16. Memória do Autor
17. Apresentação da Narrativa
18. Introdução
19. Sumário
20. Corpo da Obra — As 12 Etapas ( I — XII )
I - O encontro à margem do Opará
II - A força e o significado dos nomes
III - A chegada dos estrangeiros e o esquecimento
IV - A resistência diante da imposição cultural
V - A terra como memória ancestral
VI - Neêperé, guardiã da memória
VII - Muirá Ubi e o respeito pela natureza
VIII - A promessa junto ao Opará
IX - O nascimento de Indaiá e a continuidade da linhagem
X - A avó transmite a história à neta
XI - Indaiá descobre a força de seu próprio nome
XII - O ciclo eterno da memória
21. Considerações Finais
22. Glossário
23. Referências Bibliográficas
24. Sobre o Autor
25. Estrutura Simbólico da Obra

 



20. CORPO DA OBRA — AS 12 ETAPAS ( I — XII )

As doze etapas apresentadas constituem o núcleo narrativo principal do livro.

Elas formam uma sequência simbólica:

Piracy → Neêperé → Potycy → Indaiá → futuras gerações

Essa sequência transforma o livro em uma verdadeira árvore genealógica da memória, em que cada geração recebe uma semente e tem a responsabilidade de entregá-la à próxima.

O movimento do Opará funciona como metáfora dessa continuidade:

ancestralidade → memória → transmissão → resistência → futuro.




I - O ENCONTRO À MARGEM DO OPARÁ




À beira do Opará, sob a sombra da gameleira sagrada, Piracy, a “mãe dos peixes”, chama sua filha Neêperé para ouvir antigas histórias. O rio, as árvores e os pássaros parecem participar daquele momento de ensinamento, enquanto mãe e filha se aproximam para conversar sobre a memória de seus ancestrais.





II - A FORÇA E O SIGNIFICADO DOS NOMES




Piracy recorda nomes antigos como Piragibe, Jaciara, Canindé, Pindaíba e Pacatuba, explicando que cada nome possuía um significado, uma história e uma força espiritual. Para os ancestrais, o nome não era apenas uma forma de chamar alguém: era identidade, proteção, destino e ligação com a natureza.




III - A CHEGADA DOS ESTRANGEIROS E O ESQUECIMENTO




Neêperé pergunta por que muitos indígenas passaram a se chamar Maria, José, Manoel, Antônio e outros nomes. Piracy explica que isso aconteceu durante tempos difíceis, quando os colonizadores chegaram trazendo suas crenças, leis e costumes, tentando substituir as referências culturais dos povos originários e fazê-los esquecer seus próprios nomes e histórias.





IV - A RESISTÊNCIA DIANTE DA IMPOSIÇÃO CULTURAL




Piracy conta que os povos indígenas enfrentaram diferentes formas de imposição e que, em determinados períodos, precisaram aprender outras línguas para sobreviver e resistir. Mais tarde, políticas coloniais proibiram línguas, cantos, rezas e costumes indígenas. Mesmo diante dessas dificuldades, Piracy ensina que uma raiz verdadeira pode ser ferida, mas continua buscando força para romper as pedras.





V - A TERRA COMO MEMÓRIA ANCESTRAL




Para ensinar à filha que os antepassados nunca desapareceram, Piracy coloca um punhado de terra em sua mão. Explica que a força ancestral permanece na terra, no Opará, nas árvores, no corpo e no próprio nome de cada pessoa. A terra torna-se, assim, símbolo vivo da memória e da continuidade do povo.






VI - NEÊPERÉ, GUARDIÃ DA MEMÓRIA




Piracy revela que, mesmo quando nomes indígenas foram substituídos por nomes estrangeiros, o espírito dos nomes ancestrais permaneceu vivo. Ela explica que Neêperé significa “voz ancestral de poder” e que seu papel é lembrar e fazer lembrar. A menina compreende que recebeu não apenas um nome, mas também uma missão de continuidade cultural.





VII - MUIRÁ UBI E O RESPEITO PELA NATUREZA




Entre as histórias transmitidas por Piracy está a de Muirá Ubi, aquele que possuía o dom de ouvir as árvores. Antes de cortar um galho ou colher um fruto, ele pedia licença e agradecia. Seu ensinamento mostrava aos ancestrais que a mata não deveria ser dominada, mas respeitada como parte viva da existência.





VIII - A PROMESSA JUNTO AO OPARÁ




Ao cair da tarde, Piracy conduz Neêperé até o lugar onde sua própria avó lhe contava aquelas histórias. Diante do rio, Neêperé promete que jamais permitirá que os nomes indígenas se percam. O Opará, seguindo seu curso eterno, torna-se testemunha dessa promessa e símbolo da memória que passa de uma geração para outra.






IX - O NASCIMENTO DE INDAIÁ




Os anos passam como as águas do Opará, e Neêperé cresce, forma sua família, dela nasceu sua filha Potycy 'Mãe Pureza' e continua seguindo os ensinamentos de sua mãe. Potycy de sua linhagem nasce Indaiá, a neta de Neêperé, cujo nome representa uma flor e uma árvore da natureza. A menina cresce livre pela aldeia, cercada pelos sons dos pássaros, das plantas e da vida comunitária.





X - A AVÓ TRANSMITE A HISTÓRIA À NETA




Quando Indaiá cresce, Neêperé a chama para junto de si e começa a contar as histórias que havia recebido de Piracy. Explica que os nomes carregam histórias, memórias e vínculos com a terra, os rios e o céu. Assim, aquilo que começou sob a gameleira com Piracy continua sendo transmitido para uma nova geração.





XI - INDAIÁ DESCOBRE A FORÇA DE SEU NOME




Indaiá pergunta se os colonizadores conseguiram apagar os antigos nomes. Neêperé responde que conseguiram mudar muitos deles, mas nunca conseguiram destruir completamente sua força. Apontando para o coração da neta, mostra que a memória ancestral permanece viva dentro de cada pessoa. Indaiá compreende então que seu nome é parte da grande rede que une Piracy, Neêperé e as futuras gerações.






XII - O CICLO ETERNO DA MEMÓRIA




Sob o céu estrelado, Neêperé pede que Indaiá continue contando a história aos seus filhos e netos, para que os nomes jamais desapareçam. A menina promete guardar essa memória, enquanto o Opará continua seu caminho milenar. Assim, o conto de Dzeanieá revela que um povo permanece vivo quando preserva seus nomes, sua língua, sua relação com a terra e a memória de seus antepassados.

“Quando um nome é pronunciado com amor, ele nunca morre.”

Contado por: Nhenety Kariri-Xocó





21. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final de Dzeanieá, mas a história dos nomes ancestrais não termina aqui.

Ao longo da narrativa, acompanhamos uma corrente de memória que passa por diferentes gerações: Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá. Cada uma representa uma continuidade. Cada uma recebe algo que veio de antes e entrega algo para quem virá depois.

Essa é a grande mensagem desta obra: a ancestralidade não é somente aquilo que ficou no passado. Ela é aquilo que continua vivendo no presente e preparando o futuro.

Os nomes são parte dessa continuidade.

Um nome pode carregar uma pessoa, uma família, uma paisagem, uma relação com a natureza ou uma lembrança que atravessou muitos anos. Quando um nome ancestral é pronunciado com respeito, abre-se uma porta para uma história.

Por isso, esquecer um nome pode significar perder uma parte da memória. Recuperá-lo, conhecê-lo e transmiti-lo pode significar recuperar também uma parte da identidade.

O Opará, presente como grande testemunha da narrativa, representa essa continuidade. Suas águas seguem seu caminho, assim como a memória segue através das gerações.

O rio encontra novas margens, recebe novos afluentes e continua sendo rio.

Assim também acontece com a cultura.

Ela recebe novos tempos, enfrenta mudanças, encontra dificuldades e atravessa transformações, mas pode continuar reconhecendo suas raízes.

A história de Dzeanieá também nos ensina que a resistência cultural não acontece somente nos grandes acontecimentos. Ela acontece no cotidiano: quando uma avó conta uma história, quando uma mãe ensina o nome de uma planta, quando uma criança pergunta sobre seu antepassado, quando uma família conserva uma lembrança e quando alguém decide registrar tudo isso para que não desapareça.

A memória é uma responsabilidade coletiva.

Por isso, este livro não termina verdadeiramente na última página. Ele continua cada vez que alguém pronuncia um nome ancestral. Continua quando uma história é contada novamente. Continua quando uma criança aprende de onde veio. Continua quando uma nova geração decide não deixar desaparecer aquilo que recebeu.

Piracy transmitiu.
Neêperé guardou.
Potycy continuou.
Indaiá recebeu.
E as futuras gerações deverão transmitir.

Assim corre a memória.

Assim corre o Opará.

Assim continua a ancestralidade.

E enquanto houver alguém disposto a lembrar, contar e transmitir, os nomes ancestrais continuarão vivos.

Dzeanieá não é apenas a memória dos nomes.
É a memória de um povo que continua caminhando.





22. GLOSSÁRIO


Termo Significado / sentido na obra

Dzeanieá Título associado à memória dos nomes indígenas e à narrativa ancestral.

Opará Nome indígena do Rio São Francisco, presente como elemento central da memória e do território.

Piracy Personagem ancestral apresentada como “mãe dos peixes” e guardiã de conhecimentos.

Neêperé Nome associado à ideia de “voz ancestral de poder”, representando a guardiã da memória.

Potycy Nome apresentado na linhagem ancestral como “Mãe Pureza”.

Indaiá Nome associado à natureza, à palmeira e à continuidade da linhagem.

Muirá Ubi Personagem associado ao conhecimento e ao respeito pelas árvores. AncestralidadeRelação viva entre as gerações presentes e seus antepassados.

Memória Conhecimento preservado e transmitido através das gerações.Tradição oralForma de transmissão de histórias, ensinamentos e conhecimentos pela palavra.

Nomes ancestrais Nomes carregados de significados culturais, históricos e identitários.

Opará Rio concebido na narrativa como testemunha da continuidade da memória.





23. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Dzeanieá, O Conto dos Nomes Indígenas. 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/06/dzeaniea-o-conto-dos-nomes-indigenas.html?m=0 . Disponível em: . Acesso em: 7 ago. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroy História, Kariri-Xocó, O Tempo dos Brancos – Contos – Volume 4 – Coletânea. Nhenety Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/11/woroy-historia-kariri-xoco-o-tempo-dos.html?m=0 . Acesso em: 7 ago. 2026.





24. SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias oral, escritor e guardião de memórias do povo Kariri-Xocó.

Sua trajetória literária nasce da oralidade, da convivência com os mais velhos, das experiências de seu povo e da necessidade de registrar histórias, conhecimentos, nomes, costumes e acontecimentos que fazem parte da memória indígena.

Como contador de histórias, Nhenety compreende a palavra como instrumento de transmissão cultural. Para ele, contar uma história não significa apenas narrar acontecimentos: significa estabelecer uma ligação entre aqueles que viveram antes, aqueles que vivem hoje e aqueles que ainda nascerão.

Sua produção reúne contos, narrativas, poesias, cordéis, memórias culturais e obras dedicadas à história e aos saberes indígenas. Seus trabalhos procuram aproximar a tradição oral da literatura escrita, criando registros que possam permanecer como referências para as futuras gerações.

Em suas obras, aparecem com frequência elementos fundamentais do universo cultural Kariri-Xocó: o Opará, a aldeia, a natureza, a família, os antepassados, o Toré, os nomes indígenas, a língua, os saberes tradicionais e a relação entre território e identidade.

Em Dzeanieá, A Memória dos Nomes Ancestrais, o autor volta seu olhar para uma das formas mais profundas de preservação da identidade: o nome.

Através de Piracy, Neêperé, Potycy e Indaiá, Nhenety constrói uma narrativa sobre a transmissão da memória entre gerações, mostrando que os nomes podem funcionar como sementes de ancestralidade.

Sua escrita procura deixar registrada uma certeza:

um povo que conserva suas histórias conserva também parte de sua existência.

E uma história que é transmitida de geração em geração não pertence somente a quem a contou.

Ela passa a pertencer também àqueles que a recebem e assumem a responsabilidade de continuar contando.

Nhenety Kariri-Xocó

Contador de Histórias Oral

Escritor da memória e da cultura indígena

Povo Kariri-Xocó

Opará — Brasil




25. ESTRUTURA SIMBÓLICA DA OBRA


A força deste livro está, na sua estrutura genealógica:

PIRACY

transmite a memória

NEÊPERÉ

guarda e transmite

POTYCY

continua a linhagem

INDAIÁ

recebe a memória

FUTURAS GERAÇÕES

E ao lado de toda essa linhagem corre o OPARÁ, como um grande fio condutor da narrativa.

Assim, Dzeanieá deixa de ser somente um conto sobre nomes. Ele se transforma em um livro sobre a transmissão da memória ancestral através das mulheres, das gerações, da natureza e do território.

Essa estrutura também combina muito bem com a continuidade do projeto de livros sobre Tokenhé Antoá — os Antepassados Sagrados, porque estabelece uma ponte entre ancestralidade, genealogia, nomes e memória cultural.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó



 



quarta-feira, 5 de agosto de 2026

ESTANTE 7 - MEMÓRIA, SABERES E CONEXÕES KARIRI-XOCÓ





Coleção de Estudos, Registros, Histórias, Tradições e Memórias 



A Estante 7 apresenta uma proposta editorial ampla e coerente, reunindo obras dedicadas à preservação, organização e difusão da memória, dos saberes e das conexões históricas do povo Kariri-Xocó. Seu conjunto bibliográfico articula registros linguísticos, documentação histórica, territorialidade, ancestralidade, espiritualidade, artes tradicionais e narrativas cosmológicas, formando um acervo que dialoga simultaneamente com a pesquisa, a educação, a cultura e a valorização da memória indígena. Estruturada em seis blocos temáticos, a coleção demonstra um percurso que parte da palavra e do conhecimento, percorre o tempo histórico, fortalece os vínculos com o território e com as famílias guardiãs da tradição, registra os saberes materiais e culmina nas narrativas que expressam a visão de mundo Kariri-Xocó.

Ao longo de seus 27 livros, a Estante 7 constitui um espaço de documentação e salvaguarda do patrimônio cultural, registrando vocabulários, calendários históricos, conexões étnico-históricas, memórias comunitárias, tradições familiares, práticas espirituais, manifestações artísticas e narrativas ancestrais. Cada obra contribui para ampliar o conhecimento sobre a trajetória do povo Kariri-Xocó, preservando referências que fortalecem a identidade coletiva e promovem o diálogo entre tradição, história e produção bibliográfica contemporânea.

Mais do que uma coleção de livros, esta estante representa um arquivo vivo da memória indígena, onde passado, presente e futuro permanecem conectados pelo compromisso com a preservação dos conhecimentos ancestrais e pela valorização das histórias que continuam sendo transmitidas entre gerações. Assim, a Estante 7 — Memória, Saberes e Conexões Kariri-Xocó consolida-se como uma referência dedicada à documentação, à pesquisa e à difusão do patrimônio histórico, cultural e espiritual do povo Kariri-Xocó.



BLOCO 1  - LÍNGUA, NOMES E SABERES DO POVO 


As as obras que registram palavras, conceitos, nomes e conhecimentos, não limita a estante somente à cultura tradicional. Ele comporta também os calendários, as conexões históricas, Porto Real do Colégio, personagens, mitologia, memória pessoal e os trabalhos de documentação.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Vocabulário dos Nomes Próprios Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/03/vocabularios-dos-nomes-proprios-kariri.html?m=0 .  


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, Saberes Ancestrais e Memória Viva. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/04/acervo-virtual-bibliografico-nhenety.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Herança Cultural dos Antigos Kariri: Língua, Memória e Saberes dos Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/heranca-cultural-dos-antigos-kariri.html?m=0 . 



BLOCO II — CALENDÁRIOS, TEMPO E CONEXÕES HISTÓRICAS 


O bloco de produção na coleção de calendários históricos e de memória, com a preocupação em registrar o tempo e estabelecer conexões entre acontecimentos, pessoas, culturas e memórias.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Histórico Kariri-Xocó — Coleção, Vol. 1. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-historico-kariri-xoco.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Histórico Municipal, Coleção, Volume 2. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-historico-municipal-colecao.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Histórico do Audiovisual e Entretenimento, Vol. 3. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-historico-do-audio-visual-e.html?m=0 . 



KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Histórico Pessoal — Vol. 4. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-historico-pessoal-volume-4.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário Bíblico, Histórico e Religioso — Vol. 5. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-biblico-historico-e.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Calendário das Origens e Conexões Históricas — Vol. 6. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-das-origens-e-conexoes.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ. Nhenety. Calendário Memória do Tempo, Origens e Tradições — Vol. 7. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-memoria-do-tempo-origens-e.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ. Nhenety. Calendário Histórico e Mitológico — Vol. 8. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-historico-e-mitologico.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ. Nhenety. Calendário Histórico dos Personagens da Ficção — Vol. 9. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/05/calendario-historico-dos-personagens-da.html?m=0 . 




BLOCO III — CONEXÕES ÉTNICO-HISTÓRICAS E TERRITÓRIO 


Os livros que relacionam o povo Kariri-Xocó com sua história territorial, regional e suas conexões históricas. Esse bloco documental apresenta território, cidade, rio, deslocamentos, acontecimentos históricos e memória comunitária. 



KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Conexões Étnico-Históricas dos Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/conexoes-etnico-historicas-dos-kariri.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Porto Real do Colégio: História, Cultura, Religiosidade e Memória Popular. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/porto-real-do-colegio-historia-cultura.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Da Sementeira à Aldeia Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/da-sementeira-aldeia-kariri-xoco.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Da Rua dos Índios à Fazenda Modelo: Memórias do Povo Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/da-rua-dos-indios-fazenda-modelo.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. O Imperador e o Opará: D. Pedro II Entre os Kariri de Porto Real do Colégio. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/o-imperador-e-o-opara-d-pedro-ii-entre.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Duas Margens, Um Só Povo: Memórias Kariri-Xocó do Opará. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/08/duas-margens-um-so-povo-memorias-kariri.html?m=0 . 



BLOCO IV — ANCESTRALIDADE, FAMÍLIAS E ESPIRITUALIDADE 


As obras relacionadas aos antepassados, às famílias guardiãs e à dimensão espiritual da tradição. Com a sequência: família → Toré → espiritualidade → antepassados. 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Troncos Ancestrais Kariri-Xocó: Histórias dos Sobrenomes Indígenas e das Famílias Guardiãs da Memória. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/troncos-ancestrais-kariri-xoco.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Grupos de Toré do Povo Kariri-Xocó: Histórias, Significados e Missões Culturais. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/grupos-de-tore-do-povo-kariri-xoco.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Toré Kariri-Xocó: Memória, Cultura e Espiritualidade. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tore-kariri-xoco-memoria-cultura-e.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Tokenhé Antoá Bihéuché: Os Antepassados Sagrados dos Primeiros Tempos Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/tokenhe-antoa-biheuche-os-antepassados.html?m=0 . 



BLOCO V — ARTES, CORPO E SABERES MANUAIS 


Este bloco reuniu as expressões materiais e visuais da cultura. Aqui temos uma pequena trilogia: Artesanato → Pintura Corporal → Cerâmica. 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Buruhúá Samy Widóba: Artesanatos na Cultura da Sobrevivência. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/buruhua-samy-widoba-artesanatos-na.html?m=0 .  


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Kuatçó Hibuyêwohoá: Pintura Corporal — Memória, Grafismos e Saberes da Tradição Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/kuatco-hibuyewohoa-pintura-corporal.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Ruñohú Crodí Tseho: Cerâmica — Resistência do Povo Kariri-Xocó. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/runohu-crodi-tseho-ceramica-resistencia.html?m=0 .  




BLOCO VI — MITOS, COSMOLOGIA E NARRATIVAS 


O pequeno bloco especial para as narrativas de caráter cosmológico e simbólico. Esses dois livros formam uma espécie de núcleo de narrativas cosmológicas, especialmente por trabalharem imagens e relações fundamentais do mundo.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Uitane Biraná Radda: Dois Irmãos no Mundo. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/uitane-birana-radda-dois-irmaos-no-mundo.html?m=0 . 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Ukiedza Bae Kayadé: Pai Sol e Mãe Lua. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2026/07/ukidza-bae-kayade-pai-sol-e-mae-lua.html?m=0 . 



ESTANTE 7 — MEMÓRIA, SABERES E CONEXÕES KARIRI-XOCÓ



Bloco I — Língua, Nomes e Saberes do Povo

Bloco II — Calendários, Tempo e Conexões Históricas

Bloco III — Conexões Étnico-Históricas e Território

Bloco IV — Ancestralidade, Famílias e Espiritualidade

Bloco V — Artes, Corpo e Saberes Manuais

Bloco VI — Mitos, Cosmologia e Narrativas

Total: 27 livros




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




terça-feira, 4 de agosto de 2026

DUAS MARGENS, UM SÓ POVO: MEMÓRIAS KARIRI-XOCÓ DO OPARÁ





FALSA FOLHA DE ROSTO

DUAS MARGENS, UM SÓ POVO: MEMÓRIAS KARIRI-XOCÓ DO OPARÁ

Nhenety Kariri-Xocó





FOLHA DE ROSTO

DUAS MARGENS, UM SÓ POVO: MEMÓRIAS KARIRI-XOCÓ DO OPARÁ

Memórias, narrativas orais e registros etno-históricos sobre os laços ancestrais entre os povos Kariri e Xocó, unidos pelas águas sagradas do Opará.

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – Alagoas
2026





VERSO DA FOLHA DE ROSTO

Copyright © 2026 – Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados.





FICHA CATALOGRÁFICA (SIMBÓLICA)

Kariri-Xocó, Nhenety.

Duas Margens, Um Só Povo: Memórias Kariri-Xocó do Opará / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

Povos Indígenas do Brasil.

Kariri-Xocó.

Xocó.

Memória Oral.

Rio São Francisco – Opará.

História Indígena.





CDD: 980.41

ISBN (Simbólico): 978-65-OPARA-2026-1



PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 




DEDICATÓRIA

Dedico esta obra aos antigos que ensinaram que nenhuma margem existe sozinha. Aos antepassados que habitam as águas do Opará, aos povos Kariri e Xocó, aos que partiram e aos que ainda caminham entre nós. Que seus nomes jamais sejam esquecidos e que suas histórias continuem sendo contadas ao redor do fogo, ao som do maracá e do Toré.






AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, aos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados, por manterem viva a memória de nosso povo. Minha gratidão às famílias Kariri-Xocó e Xocó, aos anciãos que compartilharam seus testemunhos, aos pesquisadores que registraram parte dessa trajetória e a todos os que compreendem que preservar a memória é também um ato de resistência.

Iewóá – Gratidão!





EPÍGRAFE

"Enquanto o Opará correr em direção ao mar, também seguirá correndo a memória daqueles que aprenderam que duas margens podem formar um só povo."



PREFÁCIO DO VOLUME

Este livro nasce do encontro entre a tradição oral e a memória coletiva. Suas páginas não pretendem encerrar uma história, mas abrir caminhos para que ela continue sendo narrada. Cada capítulo é uma travessia pelas águas do Opará, revelando os vínculos que uniram Kariri e Xocó ao longo do tempo. Ao registrar essas lembranças, reafirmamos que a identidade indígena é viva, dinâmica e profundamente enraizada na ancestralidade.



RESUMO

Esta obra apresenta um conjunto de narrativas etno-históricas sobre as relações entre os povos Kariri-Xocó, de Porto Real do Colégio, e Xocó, da Ilha de São Pedro. Baseada na tradição oral, em memórias familiares e em referências bibliográficas, a publicação evidencia os deslocamentos, os rituais, os casamentos interétnicos e os laços de parentesco que consolidaram uma história compartilhada às margens do Rio São Francisco, conhecido pelos povos originários como Opará.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; Xocó; Opará; Memória Oral; História Indígena.




ABSTRACT

This work presents a collection of ethno-historical narratives concerning the relationships between the Kariri-Xocó people of Porto Real do Colégio and the Xocó people of Ilha de São Pedro. Based on oral tradition, family memories, and bibliographical references, the publication highlights journeys, rituals, interethnic marriages, and kinship ties that established a shared history along the São Francisco River, known among Indigenous peoples as Opará.

Keywords: Kariri-Xocó; Xocó; Opará; Oral Memory; Indigenous History.




APRESENTAÇÃO

As águas do Opará são testemunhas de encontros que atravessaram gerações. Este livro reúne vozes que resistiram ao silêncio do tempo, preservando histórias que jamais foram escritas em documentos oficiais, mas permaneceram vivas na palavra dos anciãos.




NOTA DO AUTOR

As narrativas aqui apresentadas são fruto de pesquisas, diálogos comunitários e da tradição oral dos povos Kariri-Xocó e Xocó. Alguns acontecimentos pertencem ao campo da memória coletiva, devendo ser compreendidos como parte do patrimônio imaterial dos povos indígenas do Baixo São Francisco.




MEMÓRIA DO AUTOR

Desde menino, ouvi histórias contadas às margens do Opará. Aprendi que os rios possuem memória e que os nomes dos antigos permanecem vivos enquanto forem pronunciados. Escrever este livro é, para mim, uma forma de devolver aos meus antepassados aquilo que deles recebi: a responsabilidade de lembrar.




APRESENTAÇÃO (INSTITUCIONAL)

Duas Margens, Um Só Povo reafirma a importância da memória oral como instrumento de preservação cultural. Ao registrar as conexões entre Kariri e Xocó, a obra contribui para ampliar o reconhecimento das histórias indígenas do Nordeste brasileiro.




INTRODUÇÃO

O Opará, conhecido pelos não indígenas como Rio São Francisco, é mais do que um curso d'água. Para os povos originários, trata-se de um território de memória, espiritualidade e pertencimento. Ao longo dos séculos, suas águas conectaram aldeias, fortaleceram alianças e permitiram que culturas distintas compartilhassem experiências comuns. Este livro convida o leitor a percorrer essas margens e a compreender como a ancestralidade continua presente no cotidiano dos descendentes.




SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
I – O Chamado do Opará
II – Quando o Opará Unia os Povos
III – As Canoas da Ancestralidade
IV – Os Primeiros Viajantes do Opará
V – O Tempo dos Grandes Rituais
VI – A Hospitalidade das Aldeias
VII – O Toré que Uniu Famílias
VIII – O Círculo Sagrado dos Casamentos
IX – Filhos das Águas e da Memória
X – A Travessia de 1882
XI – O Legado dos Descendentes
XII – Um Só Povo Sob o Mesmo Céu
Considerações Finais
Glossário
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor




I – O CHAMADO DO OPARÁ




Os antigos ensinam que o Opará nunca separou os povos; ao contrário, sempre os conduziu ao encontro. Suas águas carregaram canoas, canções, rituais e histórias que atravessaram os séculos, unindo os Kariri de Porto Real do Colégio aos Xocó da Ilha de São Pedro. Esta obra é um convite para navegar pelas memórias preservadas na tradição oral, onde cada nome, cada travessia e cada gesto de acolhimento revelam como duas margens se transformaram em um só povo, guardião de uma herança ancestral que continua viva no coração de seus descendentes.



II – QUANDO O OPARÁ UNIA OS POVOS





Os antigos contam que, muito antes das fronteiras entre províncias e dos registros dos homens de papel, o grande Opará, o Rio São Francisco, já unia os caminhos dos povos. Os Kariri de Porto Real do Colégio, em Alagoas, e os Xocó da Ilha de São Pedro, em Sergipe, conheciam-se desde tempos antigos, quando as águas eram estradas e as canoas eram pontes entre parentes, amigos e guardiões das mesmas tradições.





III – AS CANOAS DA ANCESTRALIDADE




Naqueles tempos em 1854, as viagens eram longas e exigiam coragem. As canoas deslizavam pelas águas durante dois ou três dias, conduzidas pelo compasso dos remos e pelas canções entoadas ao amanhecer. Cada travessia era também um reencontro com a memória dos antepassados, que ensinavam que nenhum povo caminha sozinho quando carrega consigo a força da coletividade.





IV – OS PRIMEIROS VIAJANTES DO OPARÁ




Entre aqueles que cruzavam as águas estavam José Serafim de Souza ( 89 anos ); Antônio Frutuoso ( 57 anos ); Antônio Binga ( 14 anos ); Jetudes ( 19 anos ) com Inocêncio Pires Muirá ( 1 ano ) nos braços; João Maromba ( 19 anos ); Maria Tinga de Jesus ( 17 anos ) e José Ribeiro com o sobrinho Manoel Francisco Tononé ( 2 anos ). Seus nomes permanecem vivos na tradição oral, repetidos pelas gerações como sementes lançadas à terra fértil da lembrança.






V – O TEMPO DOS GRANDES RITUAIS




Os antigos também narram que havia um tempo certo para cada visita. Em janeiro, quando os Kariri realizavam seus rituais, os Xocó desciam o Opará em suas canoas para celebrar junto aos parentes. Já em outubro, eram os Kariri que subiam as águas para participar dos rituais da Ilha de São Pedro. Assim, o calendário era marcado não pelos relógios, mas pelo encontro dos povos e pela continuidade da cultura.





VI – A HOSPITALIDADE DAS ALDEIAS




Quando as canoas apontavam no horizonte e chegavam ao porto, uma grande alegria tomava conta das aldeias. As famílias anfitriãs recebiam as recém-chegadas em suas próprias casas, compartilhando alimento, histórias e abrigo. Luduvico ( 76 anos ); Manoel Baltazar ( 60 anos ); Manoel Paulo ( 34 anos ); Maria Pirigipe dos Santos ( 36 anos ); Maria Tomazia Pirigipe ( 16 anos ); Vicente Ferreira Botó ( 13 anos ); João Pereira Pirigipe ( 7 anos ) e José Santana ( 26 anos ) estão entre aqueles lembrados por terem mantido viva essa tradição de acolhimento.






VII – O TORÉ QUE UNIU FAMÍLIAS




Com o passar dos anos, as visitas deram origem a laços ainda mais profundos. Kariri e Xocó passaram a formar famílias, demonstrando que o parentesco também pode nascer do respeito, da convivência e do amor. Martinha Kariri uniu-se a José Maromba Xocó; Manoel Gregório Maromba Xocó a Severina Queiroz Kariri; Leopoldino Pires Muirá Xocó a Amara Souza Kariri; Maria Eleutéria Soia Xocó a Antônio Luiz Teipó; Vicente Ferreira Ferro Kariri a Maria Rosa Souza Xocó; e Luiz Binga Xocó a Maria das Neves.





VIII – O CÍRCULO SAGRADO DOS CASAMENTOS




Os casamentos eram celebrados de forma solene e comunitária, reunindo toda a aldeia em um grande círculo sagrado, onde os noivos, quando unidos em casamentos interétnicos, vestiam roupas simples inspiradas nos costumes do século XIX, adornadas com elementos tradicionais indígenas que simbolizavam seu pertencimento à comunidade. Ao centro do círculo, eram apresentados como novos membros da família ampliada, enquanto os anciãos lhes concediam suas bênçãos e o Toré, acompanhado pelo som dos maracás, era cantado e dançado em honra aos antepassados, pedindo proteção, sabedoria e harmonia para os caminhos que dali em diante seriam percorridos a dois.





IX – FILHOS DAS ÁGUAS E DA MEMÓRIA




Das uniões entre Kariri e Xocó nasceram muitos filhos e filhas, fortalecendo os laços consanguíneos entre os dois povos. Entre eles são lembrados Manoel Queiroz Suíra, filho de Manoel Gregório Maromba e Severina Queiroz; Manoel Florêncio Pirigipe, filho de Manoel Teodoro e Maria Senhorinha; Manoel Joaquim de Santana e Maria Serafina, filhos de José Maromba e Martinha; e Maria Murú Ibá, filha de Vicente Ferreira Ferro e Maria Rosa. Cada criança era recebida como um sinal de continuidade e esperança.






X – A TRAVESSIA DE 1882




Então chegou o ano de 1882, que permanece guardado na memória coletiva. Naquele tempo, os Xocó vieram à Aldeia de Colégio para participar dos rituais de janeiro, trazendo consigo a dor da expulsão de suas terras pelos colonizadores. Encontraram abrigo entre os Kariri, que ainda habitavam a antiga Rua dos Índios, e compreenderam que o destino dos dois povos estava definitivamente entrelaçado.







XI – O LEGADO DOS DESCENDENTES




Conta-se que o pajé Manoel Paulo recebeu o povo Xocó, conduzido pelo cacique Inocêncio Muirá, abrindo as portas da aldeia e do coração de sua gente. A partir daquele momento, os casamentos tornaram-se mais frequentes, as famílias cresceram e as tradições passaram a ser preservadas em conjunto. E assim permanece até hoje: quando os mais velhos se reúnem para recordar o passado, dizem que Kariri e Xocó são como duas margens do Opará — diferentes em suas histórias, mas unidas pelas mesmas águas, pelos mesmos ancestrais e pelo mesmo céu.






XII – UM SÓ POVO SOB O MESMO CÉU




Hoje, quando o Toré ecoa sob o mesmo céu e os descendentes contemplam as águas do Opará, os ensinamentos dos antepassados permanecem presentes. As canoas do século XIX já não percorrem o rio com a mesma frequência, mas suas marcas permanecem na memória coletiva dos povos Kariri e Xocó. Que estas páginas sejam, para as futuras gerações, um testemunho de resistência, parentesco e continuidade, lembrando a todos que, enquanto o Opará seguir seu curso em direção ao mar, também seguirá viva a história daqueles que aprenderam que duas margens podem, sim, formar um só povo.




CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir esta travessia literária, compreendemos que a história dos povos Kariri e Xocó não pode ser contada separadamente. O Opará permanece como testemunha silenciosa de encontros, despedidas e recomeços. Que este livro inspire novas pesquisas, fortaleça a identidade das futuras gerações e recorde que a memória é um território que precisa ser continuamente cultivado.





GLOSSÁRIO

Opará: Nome indígena do Rio São Francisco.

Toré: Ritual sagrado de canto, dança e espiritualidade.

Tokenhé Antoá: Antepassados Sagrados.

Maracá: Instrumento ritual utilizado em cerimônias indígenas.

Kariri-Xocó: Povo indígena de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Xocó: Povo indígena da Ilha de São Pedro, Sergipe.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DANTAS, Beatriz Góis; DALLARI, Dalmo de Abreu. Terra dos Índios Xocó: Estudos e Documentos. São Paulo: Comissão Pró-Índio, 1980.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Conexões Étnico-Históricas dos Kariri-Xocó. Disponível em: https://kxnhenety.blogspot.com/2026/06/conexoes-etnico-historicas-dos-kariri.html?m=0. Acesso em: 26 jul. 2026.

LIMA, Ronaldo Pereira de. Às Margens do Rio Rei. Aracaju: Editora e Gráfica J. Andrade, 2007.

MATA, Vera Lucia Calheiros. A Semente da Terra: Identidade e Conquista Territorial por um Grupo Indígena Integrado. Maceió: EDUFAL, 2014.





SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador independente, escritor, contador de histórias orais (Worobü Woroyá Toklikli) e membro do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas. Dedica-se ao registro da memória, da cultura e das tradições indígenas do Baixo São Francisco, produzindo obras que unem tradição oral, pesquisa histórica e valorização dos saberes ancestrais. Seus trabalhos buscam preservar e compartilhar as histórias dos povos originários, reafirmando a importância da ancestralidade como fundamento da identidade e da resistência cultural.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó



 





terça-feira, 28 de julho de 2026

O IMPERADOR E O OPARÁ: D. PEDRO II ENTRE OS KARIRI DE PORTO REAL DO COLÉGIO

 





FALSA FOLHA DE ROSTO

O IMPERADOR E O OPARÁ: D. PEDRO II ENTRE OS KARIRI DE PORTO REAL DO COLÉGIO

Nhenety Kariri-Xocó




FOLHA DE ROSTO

O IMPERADOR E O OPARÁ: D. PEDRO II ENTRE OS KARIRI DE PORTO REAL DO COLÉGIO

Memória, História e Tradição Oral às Margens do Velho Chico

Nhenety Kariri-Xocó

Porto Real do Colégio – Alagoas
Brasil
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO

Copyright © 2026 – Nhenety Kariri-Xocó

Todos os direitos reservados.

Esta obra reúne narrativas construídas a partir da tradição oral do povo Kariri-Xocó, da memória coletiva preservada pelos anciãos, de registros históricos do século XIX e de pesquisas sobre a viagem de Sua Majestade Imperial D. Pedro II ao Rio São Francisco, em 1859.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida sem autorização do autor, exceto para fins acadêmicos e de pesquisa, mediante a devida citação.




FICHA CATALOGRÁFICA

K18i

KARIRI-XOCÓ, Nhenety.

O Imperador e o Opará: D. Pedro II entre os Kariri de Porto Real do Colégio / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.

120 p. : il. color.

ISBN (Simbólico): 978-65-1859-1859-2

Povos Indígenas – Brasil.

Kariri-Xocó – História.

D. Pedro II.

Rio São Francisco.

Porto Real do Colégio.

Memória e Tradição Oral.

História de Alagoas.

CDD: 981.35




ISBN (SIMBÓLICO)

ISBN: 978-65-1859-1859-2




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO

Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.



ESCLARECIMENTO DO AUTOR

A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 



DEDICATÓRIA

Dedico este livro aos Tokenhé Antoá, os Antepassados Sagrados, que guardaram esta história ao longo de muitas gerações.

Dedico-o ao povo Kariri-Xocó, cujos passos continuam a ecoar no compasso do Toré, e às crianças da aldeia, para que jamais esqueçam que seus ancestrais receberam um Imperador às margens do Opará.

Que este livro seja uma canoa de palavras navegando pelo tempo.





AGRADECIMENTOS

Agradeço aos anciãos Kariri-Xocó, que fizeram da memória uma casa habitada pelo passado.

À minha família, pelo incentivo constante.

À comunidade de Porto Real do Colégio, guardiã de tantas lembranças.

Aos pesquisadores, historiadores e amigos que dedicam suas vidas à preservação da história indígena.

Ao Opará, que continua ensinando que as águas jamais esquecem os caminhos que percorrem.




EPÍGRAFE

"Enquanto houver alguém para contar esta história, o Opará continuará levando ao mar a lembrança do dia em que um Imperador encontrou um povo mais antigo que o próprio Império."

— Nhenety Kariri-Xocó




PREFÁCIO DO VOLUME

Há encontros que pertencem ao tempo e há encontros que pertencem à eternidade.

A visita de D. Pedro II a Porto Real do Colégio, em 16 de outubro de 1859, é um desses acontecimentos que ultrapassam a condição de registro histórico para alcançar o território da memória.

Este livro não pretende apenas narrar a passagem do Imperador pelas margens do Rio São Francisco. Seu propósito é devolver voz aos que testemunharam aquele momento: os Kariri, os homens e mulheres da aldeia, os maracás, o Toré e o próprio Opará.

Ao unir documentos históricos e tradição oral, Nhenety Kariri-Xocó oferece ao leitor uma obra que pertence simultaneamente à História e à memória coletiva.




RESUMO

Esta obra apresenta uma narrativa histórico-literária sobre a visita de D. Pedro II ao município de Porto Real do Colégio, Alagoas, em 16 de outubro de 1859. A partir de fontes históricas, memória coletiva e tradição oral do povo Kariri-Xocó, o livro reconstrói o encontro entre a comitiva imperial e os indígenas Kariri às margens do Rio São Francisco, conhecido ancestralmente como Opará.

São abordados episódios como a chegada do vapor Humaitá, a recepção promovida pelas autoridades locais, a celebração religiosa na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a apresentação do Toré e a demonstração da habilidade do Chefe Manoel Baltazar com o arco e a flecha.

A obra destaca a importância da memória oral como instrumento de preservação da identidade indígena e reafirma o papel do Opará como testemunha viva da história.

Palavras-chave: Kariri-Xocó; D. Pedro II; Opará; Memória; Tradição Oral.




ABSTRACT

This book presents a historical-literary narrative about the visit of Emperor Dom Pedro II to Porto Real do Colégio, Alagoas, on October 16, 1859. Based on historical records, collective memory, and the oral tradition of the Kariri-Xocó people, the work reconstructs the meeting between the imperial entourage and the Kariri Indigenous people on the banks of the São Francisco River, ancestrally known as Opará.

The narrative highlights the arrival of the steamship Humaitá, the reception organized by local authorities, the religious ceremony at Nossa Senhora da Conceição Church, the Toré ritual, and Chief Manoel Baltazar's remarkable demonstration of archery.

Keywords: Kariri-Xocó; Dom Pedro II; Opará; Oral Tradition; Memory.





APRESENTAÇÃO

Este livro é um convite.

Convido o leitor a caminhar pelas ruas da antiga Porto Real do Colégio, a ouvir os sinos da matriz, a sentir o vento que sopra do Velho Chico e a acompanhar o som dos maracás.

Mais do que uma obra histórica, este é um encontro entre tempos distintos: o Brasil Imperial, os povos originários e a permanência da memória.





NOTA DO AUTOR

Escrevo estas páginas como filho do Opará.

Ao longo dos anos, ouvi esta história ser contada por pessoas que já não caminham entre nós. Cada nome, cada detalhe e cada lembrança foram reunidos com o cuidado de quem recolhe sementes para o futuro.

Este livro é, antes de tudo, um ato de gratidão.





MEMÓRIA DO AUTOR

Nasci ouvindo o Rio São Francisco.

Aprendi cedo que as águas carregam histórias. Cresci entre as narrativas dos mais velhos, escutando sobre os antigos, sobre o Toré e sobre um dia em que um Imperador visitou nossa terra.

Como Worobü Woroyá Toklikli — Contador de Histórias Oral — compreendi que minha missão é impedir que o silêncio alcance aquilo que os antepassados decidiram preservar.





SEGUNDA APRESENTAÇÃO

Leitor, ao abrir este livro, lembre-se: nem toda história cabe nos documentos.

Algumas permanecem escondidas nas margens dos rios, nos cantos dos pássaros e nas palavras dos anciãos.

Escute atentamente. O Opará ainda está falando.





INTRODUÇÃO

Em 1859, D. Pedro II realizou uma das mais importantes viagens de sua trajetória como monarca brasileiro, percorrendo parte do Rio São Francisco.

Ao chegar a Porto Real do Colégio, encontrou um povo cuja história antecedia o Império: os Kariri.

Este livro reconstrói esse encontro a partir de uma perspectiva indígena, demonstrando que a história oficial e a memória oral não são adversárias, mas companheiras de jornada.




SUMÁRIO

Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução
Os Caminhos da Lembrança
A Voz das Águas do Opará
O Dia em que Porto Real Esperou o Imperador
O Vapor Humaitá sobre as Águas Sagradas
Os Ilustres Viajantes do Império
Os Guardiões da Recepção
Sob a Proteção de Nossa Senhora da Conceição
O Toré entre a Igreja e o Colégio dos Jesuítas
Os Nomes que o Tempo Não Levou
A Flecha do Chefe Manoel Baltazar
Viva os Indígenas de Porto Real do Colégio
A História que Continua a Ser Contada
Quando o Rio Continua a Contar
Considerações Finais
Glossário
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor





OS CAMINHOS DA LEMBRANÇA




Antes que as palavras tomem o caminho da lembrança, aproximem-se do fogo da memória e escutem com atenção. Há histórias que pertencem aos livros, outras que repousam nos arquivos do tempo, mas existem aquelas que vivem no coração dos povos e atravessam os séculos carregadas pelas águas dos rios. Esta é uma dessas histórias. Ela nos leva ao ano de 1859, quando o destino fez convergir, às margens do sagrado Opará, os caminhos do Imperador do Brasil e do povo Kariri, guardião ancestral das terras de Porto Real do Colégio.




A VOZ DAS ÁGUAS DO OPARÁ




Era um tempo antigo, quando as águas do Opará, o grande Rio São Francisco, carregavam não apenas canoas e embarcações, mas também notícias que viajavam de margem em margem. Os mais velhos contam que, no ano de 1859, correu pela aldeia e pelas povoações a notícia de que o Imperador D. Pedro II descia o Velho Chico, visitando cidades, vilas e terras indígenas. E cada pessoa que ouvia a novidade a repetia ao cair da tarde, como quem anuncia a chegada de um vento diferente.





O DIA EM QUE PORTO REAL ESPEROU O IMPERADOR




Naqueles dias, Porto Real do Colégio preparou-se para receber tão ilustre visitante. Era o dia 16 de outubro de 1859, e o povo reunia-se nas ruas, enquanto os sinos da Igreja Matriz anunciavam um acontecimento que seria lembrado por muitas gerações. Dizem que as crianças corriam curiosas, os anciãos observavam em silêncio, e os indígenas Kariri guardavam em seus corações a memória daquele encontro.





O VAPOR HUMAITÁ SOBRE AS ÁGUAS SAGRADAS




Os antigos também contam que o Imperador não viajava sozinho pelas águas do Velho Chico. Sua comitiva seguia a bordo do vapor Humaitá, embarcação que deslizava majestosamente pelo Opará, anunciando sua chegada muito antes de alcançar os portos. Dizem que, ao longe, as pessoas reconheciam o vapor pela fumaça que se erguia aos céus e pelo movimento das águas, reunindo-se nas margens para testemunhar a passagem do monarca e de seus acompanhantes.





OS ILUSTRES VIAJANTES DO IMPÉRIO




Acompanhavam o Imperador sua esposa, a Imperatriz Dona Teresa Cristina, mulher de presença serena e olhar atento. Vinham também Sebastião do Rêgo Barros, Ministro da Guerra, Manuel Pinto de Souza Dantas, Presidente da Província de Alagoas, e Manuel da Cunha Galvão, Presidente da Província de Sergipe. Era uma grande comitiva, e suas embarcações pareciam pequenas ilhas deslizando sobre as águas do Opará.





OS GUARDIÕES DA RECEPÇÃO




Na recepção, encontravam-se homens que zelavam pela terra e pelo povo. Ali estava o Diretor Parcial do Aldeamento de Colégio, o Tenente-Coronel João Fernandes da Silva Tavares; o vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, Padre Manoel Pires de Carvalho; e, entre eles, os indígenas: o Capitão Pedro Lolaço, o Sargento Firmino José dos Santos, o Cabo-de-esquadra Manoel Altanazio e o Chefe Indígena Manoel Baltazar, cuja liderança era reconhecida pelos habitantes das aldeias e das margens do rio.




SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO




Conta a tradição que o Imperador dirigiu-se primeiro à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Houve missa, orações e agradecimentos. As paredes do antigo templo ouviram palavras em português e, no silêncio dos corações indígenas, também as preces dos antigos, dirigidas aos antepassados que caminhavam invisíveis entre os vivos.





O TORÉ ENTRE A IGREJA E O COLÉGIO DOS JESUÍTAS




Terminada a cerimônia, todos seguiram para a praça situada entre a igreja e o antigo colégio dos jesuítas. Foi então que os Kariri iniciaram o Toré. O som dos maracás elevou-se ao céu, misturando-se ao canto dos pássaros e ao sopro do vento que vinha do rio. O Imperador observava atento aquele círculo sagrado, talvez sem imaginar que estava diante de uma tradição mais antiga do que muitas coroas.





OS NOMES QUE O TEMPO NÃO LEVOU




Os mais velhos ainda preservam os nomes daqueles que cantaram e dançaram naquele dia memorável: Manoel Paulo, João Xavier Botó, Vicente Ferreira Botó, Manoel Roberto Poité, Rosa Ferreira Botó, Luzia de Oliveira, Maria Pirigipe, Maria Tomazia e a pequena Martinha, que contava apenas onze anos de idade e João Pereira Pirigipe com doze anos de idade. Cada nome é uma chama acesa na memória do povo, lembrando que ninguém atravessa o tempo sozinho.






A FLECHA DO CHEFE MANOEL BALTAZAR




Depois do Toré, D. Pedro II aproximou-se do Chefe Manoel Baltazar e fez-lhe um pedido incomum. Ordenou que demonstrasse sua habilidade com o arco e a flecha. Escolheu-se um mourão colocado a pouca distância, e todos prenderam a respiração. Manoel Baltazar ergueu o arco, firmou os pés sobre a terra e, como haviam ensinado os antigos, lançou a flecha.





VIVA OS ÍNDIOS DE PORTO REAL DO COLÉGIO




A flecha cortou o ar e encontrou o alvo com precisão. Por um instante, houve silêncio. Em seguida, o Imperador ergueu a voz, admirado com a destreza do chefe indígena, e exclamou diante de todos: "Viva! Viva os Índios de Porto Real do Colégio!" O povo respondeu em coro, e até as águas do Opará pareceram levar aquele brado para longe.





A HISTÓRIA QUE CONTINUA A SER CONTADA




E assim, meus filhos, dizem os anciãos que aquela visita não ficou presa aos livros nem às páginas dos documentos. Ela permaneceu viva na palavra dos contadores de histórias, no compasso do Toré e na lembrança dos descendentes. Porque enquanto houver alguém para contar esta história às novas gerações, o encontro entre o Imperador e os Kariri de Porto Real do Colégio continuará acontecendo, eternamente, às margens do velho e sagrado Opará.





OS CAMINHOS QUE UNEM AS DUAS MARGENS




Mas os anciãos também ensinam que as águas do Opará não conhecem fronteiras. Depois de despedir-se de Porto Real do Colégio, D. Pedro II continuou sua jornada pelo Velho Chico, visitando outras povoações ribeirinhas que floresciam em suas margens. Entre elas, contam os guardiões da memória, encontrava-se a Aldeia Xocó da Ilha de São Pedro, em Porto da Folha, na então Província de Sergipe. Naquele tempo todos os Xocó ainda habitavam sua ilha ancestral, conservaram em suas narrativas a lembrança da passagem do Imperador, tal como os Kariri preservaram a memória do encontro em Porto Real. Assim, o Opará tornou-se testemunha de uma mesma história contada em duas margens: de um lado, os Kariri; do outro, os Xocó; ambos unidos pelas águas, pela tradição e pelo respeito aos antepassados.






QUANDO O RIO CONTINUA A CONTAR




E assim, quando a noite desce sobre o Opará e os maracás parecem ecoar ao longe, os antigos ainda sorriem ao recordar aquele dia. O tempo levou o vapor Humaitá, silenciou muitas vozes e transformou em ancestrais aqueles que testemunharam o encontro, mas não conseguiu apagar a memória. Pois a história de um povo não se mede pelos anos que passaram, e sim pelas lembranças que permanecem vivas. Enquanto o Toré continuar sendo dançado, enquanto os nomes dos antepassados forem pronunciados com respeito e enquanto as águas do Velho Chico seguirem seu curso para o mar, o encontro entre D. Pedro II e os Kariri de Porto Real do Colégio permanecerá eterno, como um canto antigo guardado pelo coração do Opará.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao concluir estas páginas, compreendemos que o verdadeiro protagonista desta história talvez não seja o Imperador, nem mesmo aqueles que o receberam.

O verdadeiro protagonista é a memória.

Foi ela que atravessou cento e sessenta e sete anos para chegar até nós.

D. Pedro II retornou ao pó dos séculos. O vapor Humaitá desapareceu das águas. Muitos dos nomes aqui citados tornaram-se ancestrais.

Mas o Opará permanece.

E enquanto o rio seguir seu caminho para o mar, continuará repetindo às novas gerações:

"Viva os Índios de Porto Real do Colégio!"





GLOSSÁRIO

Opará: Nome ancestral do Rio São Francisco.

Toré: Ritual sagrado dos povos indígenas do Nordeste.

Kariri-Xocó: Povo indígena de Porto Real do Colégio.

Maracá: Instrumento ritual utilizado no Toré.

Velho Chico: Denominação popular do Rio São Francisco.

Tokenhé Antoá: Antepassados Sagrados.

Worobü Woroyá Toklikli: Contador de Histórias Oral.

Aldeamento: Organização colonial destinada às populações indígenas.

Humaitá: Vapor que conduziu a comitiva imperial.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



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LIMA, Ronaldo Pereira de. Às margens do rio rei. Editora e Gráfica J. Andrade, Aracaju, 2007.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Visita do Imperador D. Pedro II a Aldeia Kariri de Colégio. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/visita-do-imperador-d-pedro-ii-aldeia.html?m=0 . Acesso em: 24 jul. 2026.


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Conexões Étnico-Históricas dos Kariri-Xocó. Disponível em: 

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MATA, Vera Lucia Calheiros. A semente da terra: identidade e conquista territorial por 
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PEDRO II, Imperador do Brasil . Diário da viagem ao Norte do Brasil . Salvador : 
UFBA,1959.





SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é escritor, pesquisador, contador de histórias orais e guardião da memória indígena. Integrante do povo Kariri-Xocó, dedica-se à preservação da história, da cultura e das tradições de sua comunidade.

Autor de diversas obras sobre os povos originários do Baixo São Francisco, utiliza a literatura como instrumento de resistência, educação e fortalecimento da identidade indígena.

Sua escrita nasce das margens do Opará, onde aprendeu que cada rio é uma biblioteca em movimento e que toda história contada com respeito jamais será esquecida.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó