Páginas

quinta-feira, 22 de maio de 2025

O CORDEL DA ORIGEM DOS SERES - A VERDADE DOS MITOS






Resumo (estrofe de abertura)


Dos mitos que o povo conta,

No tempo do ancestrais,

Veio o peixe, veio a planta,

Com saberes naturais.

A ciência hoje aponta:

Tem verdade nos sinais!


Introdução


Nos contos dos indígenas,

Animais são ancestrais,

O esquilo ensina a roça,

O macaco ensina mais.

Na floresta e nos cantos

Moram saberes reais.


São mitos que vêm do fundo

Da alma da tradição,

E que falam do começo

De toda geração.

Natureza é mãe e mestra,

É raiz e criação.


Desenvolvimento


1. O saber dos povos nativos


O povo que vê no bicho

Um irmão, não está só,

Pois o mundo é parentesco,

Não é pedra nem é pó.

Quem respeita a natureza

Nunca vive ao léu, ao nó.


Os Desana lá do alto

Dizem que vieram sim

Dos peixes que, lá do cosmos,

Trouxeram saber sem fim.

Em forma de serpente-luz

Desceram pra este jardim.


2. O que diz a ciência


Na ciência dos modernos,

Se estuda a evolução,

E também se conta a história

Da nossa transformação.

Do peixe ao ser mamífero,

Há milénios de expansão.


Mamífero vem do réptil,

Que foi anfíbio um dia,

E esse saiu do peixe

Com nadadeira macia.

E o peixe de seres moles

Na pré-história já nascia.


Tiktaalik, peixe antigo,

Com pulmão e forte osso,

Pisou terra sem abrigo

E do mar fez seu alvoroço.

Foi avô dos primeiros passos

Do andarilho mais grosso.


3. Saberes que se tocam


Veja agora o casamento

Do mito com a biologia:

Ambos falam de um começo

Em que o peixe já vivia.

E no fundo dessa trama

Tem verdade e poesia.


O mito diz com imagem,

A ciência, com explicação.

Mas os dois se entrelaçam

Na mesma contemplação.

O homem é da floresta,

É do rio, é do sertão.


Considerações Finais


Quem diz que veio do bicho

Não mentiu nem se enganou,

Pois a vida tem seus ciclos

E a origem já mostrou:

Toda espécie tem um traço

Do que um dia se formou.


O indígena vê no mundo

O irmão que anda, que voa.

Já a ciência desenha

Uma linhagem tão boa.

Mas no fundo, toda vida

É semente que se entoa.


Vamos, pois, valorizar

Os saberes da raiz,

Pois a terra, a mata e o mar

Nos ensinam a ser feliz.

E os mitos, com sua luz,

Têm ciência no matiz.




Por Nhenety Kariri-Xocó, em parceria com a inteligência das palavras no dia 19 de abril de 2025 e a capa do cordel dia 22 de maio de 2025.




Nenhum comentário:

Postar um comentário