Resumo (estrofe de abertura)
Dos mitos que o povo conta,
No tempo do ancestrais,
Veio o peixe, veio a planta,
Com saberes naturais.
A ciência hoje aponta:
Tem verdade nos sinais!
Introdução
Nos contos dos indígenas,
Animais são ancestrais,
O esquilo ensina a roça,
O macaco ensina mais.
Na floresta e nos cantos
Moram saberes reais.
São mitos que vêm do fundo
Da alma da tradição,
E que falam do começo
De toda geração.
Natureza é mãe e mestra,
É raiz e criação.
Desenvolvimento
1. O saber dos povos nativos
O povo que vê no bicho
Um irmão, não está só,
Pois o mundo é parentesco,
Não é pedra nem é pó.
Quem respeita a natureza
Nunca vive ao léu, ao nó.
Os Desana lá do alto
Dizem que vieram sim
Dos peixes que, lá do cosmos,
Trouxeram saber sem fim.
Em forma de serpente-luz
Desceram pra este jardim.
2. O que diz a ciência
Na ciência dos modernos,
Se estuda a evolução,
E também se conta a história
Da nossa transformação.
Do peixe ao ser mamífero,
Há milénios de expansão.
Mamífero vem do réptil,
Que foi anfíbio um dia,
E esse saiu do peixe
Com nadadeira macia.
E o peixe de seres moles
Na pré-história já nascia.
Tiktaalik, peixe antigo,
Com pulmão e forte osso,
Pisou terra sem abrigo
E do mar fez seu alvoroço.
Foi avô dos primeiros passos
Do andarilho mais grosso.
3. Saberes que se tocam
Veja agora o casamento
Do mito com a biologia:
Ambos falam de um começo
Em que o peixe já vivia.
E no fundo dessa trama
Tem verdade e poesia.
O mito diz com imagem,
A ciência, com explicação.
Mas os dois se entrelaçam
Na mesma contemplação.
O homem é da floresta,
É do rio, é do sertão.
Considerações Finais
Quem diz que veio do bicho
Não mentiu nem se enganou,
Pois a vida tem seus ciclos
E a origem já mostrou:
Toda espécie tem um traço
Do que um dia se formou.
O indígena vê no mundo
O irmão que anda, que voa.
Já a ciência desenha
Uma linhagem tão boa.
Mas no fundo, toda vida
É semente que se entoa.
Vamos, pois, valorizar
Os saberes da raiz,
Pois a terra, a mata e o mar
Nos ensinam a ser feliz.
E os mitos, com sua luz,
Têm ciência no matiz.
Por Nhenety Kariri-Xocó, em parceria com a inteligência das palavras no dia 19 de abril de 2025 e a capa do cordel dia 22 de maio de 2025.

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