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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

GÖBEKLI TEPE — Literatura de Cordel, Por Nhenety Kariri-Xocó






CONTRA CAPA






🌟 DEDICATÓRIA POÉTICA


Dedico este meu cordel,

À memória primordial,

Aos povos que ergueram templos

No silêncio ancestral.

Ao sopro que move a terra,

Ao canto universal,

E aos mestres de antigamente

Que moldaram o ritual.


Dedico aos meus ancestrais,

Kariri-Xocó de luz,

Que me guiam na estrada

Que o espírito conduz.

Pois escrever é caminhar

Pelos rastros que a vida produz,

É reacender na palavra

O fogo do velho que reluz


Dedico também aos guardiões

Da sabedoria dos montes,

Aos seres do vento antigo,

Dos lagos, terras e fontes.

Que Göbekli Tepe nos chame

Dos seus milênios e horizontes,

E que este cordel revele

Os segredos de seus confrades.



📜 ÍNDICE POÉTICO


Abertura – O Canto da Colina Barriguda

Prólogo Poético – Quando a Pedra Aprende a Falar


Capítulo 1 – Os Primeiros Construtores do Sagrado


Capítulo 2 – A Terra de Harã e o Caminho do Crescente


Capítulo 3 – O Povo Natufiano e a Trilha da Semente


Capítulo 4 – Os Quatro Rios e o Jardim da Antiga Memória


Capítulo 5 – Do Ritual ao Povoamento Humano


Capítulo 6 – O Eco de Göbekli nas Cidades do Sol


Capítulo 7 – A Construção do Sagrado e os Guardiões da Pedra 


Capítulo 8 – Entre Mitos, Deuses e a Voz Ancestral 


Capítulo 9 – O Neolítico e o Primeiro Pulso da Sociedade 


Capítulo 10 – Quando o Homem Descobre a Colheita e o Tempo 


Capítulo 11 – As Primeiras Aldeias e o Círculo da Comunidade 


Capítulo 12 – A Dança dos Animais Totêmicos 


Capítulo 13 – O Legado das Pedras e a Voz da Terra


Capítulo 14 – Entre o Homem e o Cosmo Nascente 


Capítulo 15 – Os Vigilantes da Aurora e o Mito da Criação 


Capítulo 16 – A Herança do Crescente Fértil 


Encerramento – A Chama que Nunca Cessou

Epílogo Poético – Quando o Tempo Volta os Olhos


Nota de Fontes Rimada

Ficha Técnica

Sobre o Autor

Sobre a Obra

Epílogo Final

Quarta Capa Poética



🌄 ABERTURA – O CANTO DA COLINA BARRIGUDA


No ventre da velha Terra,

Que guarda o passo do além,

Ergue-se Göbekli Tepe,

Onde o silêncio é refém.

Ali o tempo repousa,

Num templo que nada tem,

Mas guarda em suas colunas

O que o homem ainda não vem.


A colina barriguda

Respira histórias sem fim,

Sussurra mitos antigos

Que renascem dentro de mim.

Pois cada pedra sagrada

É um guardião do jardim

Que as eras não apagaram

No caminho sem começo e sem fim.


Ali dançaram estrelas

Sobre o altar do mundo inteiro,

Ali o sonho dos povos

Ecoou primeiro.

E quem pisa aquele monte

Sente o pulsar verdadeiro

Da vida antes da escrita,

Do humano antes do roteiro.


Por isso abro este livro,

Com palavra de devoção,

Buscando na voz do passado

A origem da criação.

E que este cordel nos leve

Pela estrada da tradição,

Onde o sagrado e o humano

São irmãos em comunhão.



🔱 PRÓLOGO POÉTICO – QUANDO A PEDRA APRENDE A FALAR


Antes da semente brotar,

Antes do trigo nascer,

O homem já contemplava

O que não podia entender.

E a pedra, muda no chão,

Aprendeu a lhe responder,

Com símbolos de jaguar,

Serpente, raposa e poder.


No ventre de Anatolia,

Os povos em migração

Se juntavam em círculo

Numa grande celebração.

Não eram reis, nem aldeias,

Nem muralhas de proteção,

Mas caçadores errantes

Guiados pela intuição.


E ali, naquele momento,

Algo novo aconteceu:

O espírito viu a forma,

A forma o espírito leu.

E o templo, feito de sonhos,

No meio da terra cresceu,

Como se os deuses da noite

Falassem: “O humano sou eu”.


Göbekli Tepe nasceu

De mãos que ninguém conhece,

Mas cada pilar gravado

É um canto que permanece.

E o vento do planalto antigo

É o poeta que esclarece:

Se o tempo apaga caminhos,

O sagrado nunca envelhece.



📘 CAPÍTULO 1 – OS PRIMEIROS CONSTRUTORES DO SAGRADO


1

Quando a lua derramava

Sua luz em pleno chão,

Os primeiros caminhantes

Seguiam a intuição.

Eram povos sem aldeias,

Filhos da migração,

Que no templo de mil pedras

Puseram sua devoção.


2

Não tinham reis, nem brasões,

Nem muralhas de poder,

Mas tinham as mãos do mundo

Dispostas a surpreender.

Cada pilar que surgia

Era um modo de dizer

Que a fé não nasce na escrita,

Mas no gesto de entender.


3

Caçadores-coletores,

Senhores do vasto chão,

Viviam de caça e frutos,

Da água e da estação.

Mas sentiam que algo os chama

Do profundo coração:

Um convite para erguer

Um círculo de conexão.


4

Ali no monte barrigudo,

No palco da criação,

Uniram fendas do tempo

Numa só celebração.

As tribos que ali chegavam

Vinham sem dominação,

Mas guiadas pela ideia

De uma grande reunião.


5

Pilares em forma de “T”

Se ergueram ao firmamento,

Símbolos de um entendimento

Que não cabe no momento.

Ali se rezava em silêncio,

Ali se falava ao vento,

E o mundo parecia ouvir

O chamado do sentimento.


6

Serpentes, javalis, raposas,

Cravadas na rocha fria,

Eram guardiões do limiar

Entre a noite e o dia.

Pois na arte da antiguidade,

Cada imagem parecia

Revelar que o mundo oculto

Também sonha, vibra e guia.


7

E as mãos que talharam pedra

Sabiam sem aprender

Que o símbolo é uma ponte

Para o espírito viver.

Cada linha, cada forma,

Era um modo de dizer

Que antes do grão ser trigo

O sonho já quer nascer.


8

Não havia ali moradia,

Nem forno, cama ou pote,

Pois Göbekli era o abrigo

Do mistério e do redote.

Onde povos sazonais

Seguiam seu próprio mote:

Celebrar a vida antiga

Do começo até o pernoite.


9

Os construtores invisíveis

Do mais velho altar humano

Eram filhos da paisagem,

Do silêncio soberano.

E deixaram como herança

O seu gesto no plano:

Ergueram nas pedras brutas

O destino do ser humano.


10

Assim cresce na colina

Um templo sem explicação,

Onde o mais velho dos ritos

Se tornou revelação.

Antes mesmo da agricultura,

Antes da fixação,

O sagrado foi a porta

Da primeira organização.



📙 CAPÍTULO 2 – A TERRA DE HARÃ E O CAMINHO DO CRESCENTE


1

Harã, terra de mil histórias,

De poeira e claridão,

É vizinha do monte antigo

Que guarda revelação.

Ali pisaram Abraão

E os povos da tradição,

Criando na memória humana

Uma eterna conexão.


2

A planície de Harã vibra

Com o eco do entardecer,

E quem ali põe seus passos

Sente o tempo renascer.

Pois tudo naquela terra

Parece querer dizer

Que o passado ainda respira

No vento que faz tremer.


3

Göbekli Tepe se ergue

Num ponto privilegiado,

Entre rotas, entre povos,

Entre o velho e o sagrado.

É como se a própria terra

Fosse um livro revelado

Onde cada vale e monte

É um capítulo guardado.


4

Do Crescente Fértil brotaram

Os caminhos da invenção:

Trigo, escrita, aldeias,

Ciência e plantação.

Mas bem antes das cidades

Erguerem sua tradição,

Göbekli já anunciava

A força da comunhão.


5

A cidade de Harã,

Com histórias de patriarcas,

É testemunha das rotas

Dos povos e suas marcas.

E sua memória dialoga

Com pedras que são arcas

De segredos escondidos

Em eras tão remotas.


6

Harã unia caravanas

Que cruzavam o grande chão,

Rotas que levavam vida,

Troca e comunicação.

E Göbekli era o ponto

Da mais pura reunião,

Onde o humano encontrava

Propósito e direção.


7

A geografia moldava

O espírito das nações:

Rios, montes e desertos,

Plantas, répteis e leões.

E cada curva da terra

Gerava interpretações

Que floresceram mais tarde

Em mitos e tradições.


8

Por isso alguns estudiosos

Dizem que ali pode estar

O eco do Éden antigo

Que faz culturas sonhar.

Não como um lugar preciso

Que alguém possa apontar,

Mas como um símbolo eterno

Do desejo de começar.


9

Harã e Göbekli dialogam

Pela névoa do passado;

Um é cidade de homens,

Outro é templo consagrado.

Mas ambos revelam juntos

Um mundo interligado,

Onde mito e arqueologia

Caminham lado a lado.


10

E assim termina o caminho

Desse fértil corredor,

Que uniu povos nômades

Pelo sonho e pelo ardor.

Harã guardou a memória,

Göbekli guardou a flor,

E o Crescente fez brotar

O jardim do ser humano e do amor.



📗 CAPÍTULO 3 – O POVO NATUFIANO E A TRILHA DA SEMENTE


1

Muito antes dos arados

Riscarem o vasto chão,

Os natufianos surgiram

Na força da transição.

Entre caça e permanência,

Entre abrigo e estação,

Criaram modos de vida

Que brotaram no coração.


2

Viviam no Levante antigo,

Em cavernas e aldeias pequenas,

Onde a semente silvestre

Começava suas penas.

Pois colher se fez costume,

E sem notar suas arenas,

Eles moldavam o futuro

Com práticas tão serenas.


3

Foram mestres das primeiras

Casas semi-permanentes,

Onde dormir tinha forma,

Onde o fogo tinha dentes.

Ali nasceu o esboço

Das aldeias subsequentes

Que dariam ao ser humano

Raízes mais persistentes.


4

As tumbas natufianas

Revelam seu modo de crer:

Enterros com ornamentos,

Ritual para renascer.

Pois cada corpo enterrado

Parecia devolver

À terra o seu mistério,

À vida o seu poder.


5

Os natufianos sabiam

Que o mundo é semente e chão,

Que o gesto de cultivar

É um pacto com a criação.

Por isso guardavam grãos

Com cuidado e intenção,

Como quem toca o segredo

Da primeira plantação.


6

Embora fossem antigos

E ainda sem agricultura,

Traziam no modo de viver

Uma suave arquitetura.

Aproximaram da colheita

A ideia de estrutura,

E mostraram que o futuro

Começa na pré-cultura.


7

A caça já não bastava,

Era preciso colher,

Guardar o fruto do campo

E o sonho de renascer.

Foi assim que, lentamente,

A terra começou a ser

O lar das comunidades

E o berço do bem viver.


8

A ligação com Tepe

Não é de pedra ou muralha,

Mas de espírito e viagem

Que o passado não atalho.

Pois o gesto do ritual

E o desejo que não falha

Uniram povos distantes

No mesmo canto de batalha.


9

Natufianos e Tepe

Foram espelhos do começo,

Rituais, fogo e encontros

Moldaram o mesmo endereço.

Um plantou a permanência,

Outro erguia o tropeço:

O templo que desafia

A lógica do progresso.


10

Assim surge a grande trilha

Que a semente desenhou:

Da mão que colhe o trigo

Ao altar que o povo ergueu.

O mundo foi se tornando

Mais profundo do que eu,

Pois cada rito que nasce

É um caminho que cresceu.



📘 CAPÍTULO 4 – OS QUATRO RIOS E O JARDIM DA ANTIGA MEMÓRIA


1

Dizem velhos narradores

Que o Éden teve lugar

Entre rios poderosos

Que aprendiam a cantar.

Quatro cursos ancestrais

Que sabiam ensinar

Que o mundo é feito de veias

Onde a vida quer pulsar.


2

O Tigre e o Eufrates brotam

Como serpentes de luz,

Rasgando o ventre da terra

Que a memória traduz.

E quem bebe desses rios

Sente o tempo que conduz

O homem à velha origem

Onde o mito nos seduz.


3

Na região de Göbekli,

Muitos dizem existir

O eco desse jardim

Que insiste em ressurgir.

Não como mapa exato

Que alguém possa descobrir,

Mas como símbolo eterno

De um desejo de florir.


4

O Éden é geografia,

Mas também é coração;

É mito que atravessa eras,

É sonho de criação.

E quando o vento de Tepe

Toca leve o chão,

Parece que o próprio Éden

Reabre sua canção.


5

Os povos que ali viviam

Sabiam interpretar

O ciclo da chuva antiga,

O fogo do luar.

E cada pedra do templo

Parecia registrar

O pacto entre natureza

E o instinto de adorar.


6

Se a Bíblia fala em Éden

Como berço da humanidade,

A arqueologia responde

Com sua própria verdade:

A terra guarda memórias

De uma grande ancestralidade,

Onde mito e ciência andam

Com igual profundidade.


7

Por isso muitos estudiosos

Ouvem na terra o sinal

De que Tepe, Harã e os rios

Criaram laço espiritual.

Não afirmam com certeza,

Mas buscam no ritual

As raízes desse encontro

Entre o humano e o divinal.


8

O Jardim da Antiga Memória

Não precisa de lugar,

Pois vive dentro do povo

Que aprende a cultivar.

E cada rio que corre

Parece nos recordar

Que o Éden é movimento

E nunca deixará de estar.


9

O homem no início do mundo

Era irmão da criação,

Vivia ao lado das feras,

Dos montes, do verão.

Göbekli guarda ainda

Essa antiga união

Que ensina que ser humano

É voltar ao coração.


10

Assim termina este canto

Dos quatro rios de luz,

Que guardam em seu leito

O caminho que seduz.

Pois cada gota que passa

É um mundo que reluz,

Anunciando que o Éden

Ainda vive — e nos conduz.



📕 CAPÍTULO 5 – DO RITUAL AO POVOAMENTO HUMANO


1

Muito antes das aldeias

Firmarem seu próprio lar,

O ritual já convocava

As tribos para juntar.

Göbekli foi o chamado

Que fez o mundo acordar,

Pois o templo antecedeu

O desejo de plantar.


2

Ali, no monte sagrado,

Os povos se reuniam

Para festas sazonais

Que em círculo aconteciam.

E nas noites sem fronteiras,

As fogueiras reluziam,

Como se os deuses antigos

Em pedra os assistiam.


3

O encontro era o início

De um novo pensamento:

“Se juntos celebramos,

Juntos fazemos fundamento.”

E assim nasceu no espírito

O presságio do sustento

Que mais tarde floresceu

No primeiro assentamento.


4

As oferendas deixadas

Mostram gestos essenciais:

Animais, grãos e ornamentos,

Fragmentos tão rituais.

São pistas de um sentimento

Que, nos tempos ancestrais,

Uniu povos nômades

Em práticas comunais.


5

O templo era o coração

Do mundo ainda sem lei.

Ali não havia rei,

Ali ninguém mandava em quem.

Mas todos tinham um pacto

Que soava muito bem:

A terra guarda segredos

Que só o rito mantém.


6

E quando a fé criou força,

O povo criou raiz,

Pois cada encontro no monte

Deixava um rastro feliz.

O homem descobriu na pedra

A vida que a terra diz,

E percebeu que na união

O futuro também se faz juiz.


7

O ritual, então, gerou

O desejo de permanência.

Quem antes só migrou

Criou rumo e consciência.

O templo virou semente

Da mais antiga ciência:

A de aplicar na terra

O sonho da sobrevivência.


8

Vieram os primeiros grãos

Guardados para brotar,

E as mãos dos ancestrais

Aprenderam a cultivar.

O que antes era encontro

Passou a significar

A base da aldeia nova

Que começava a formar.


9

Do rito ao povoamento,

O passo foi natural.

A pedra ensinou a casa,

A fogueira, o ritual.

E a vida sedentária,

No seu ciclo original,

Brota da fé dos antigos

Num destino universal.


10

Por isso o templo de Tepe

Não é ruína isolada,

Mas raiz de mil aldeias,

De história interligada.

Ali se uniu o sagrado

À vida cultivada,

E o povoamento humano

Germinou de sua alvorada.



📒 CAPÍTULO 6 – O ECO DE GÖBEKLI NAS CIDADES DO SOL


1

Quando as aldeias cresceram

E o trigo virou pão,

O mundo viu surgir

A primeira civilização.

E o eco de Göbekli

Vibrou no grande chão,

Como se as pedras antigas

Guiassem a evolução.


2

As cidades de Çatalhöyük

E do vale mesopotâmico

Guardaram em suas paredes

O símbolo ritualístico.

Pois o templo precedente

Tornou-se esforço artístico

Que moldou arquitetura

Do passado ao futurístico.


3

O sol passou a ser deus,

A lua virou guardiã,

E o homem se fez sacerdote

Da vida que nele está.

Mas no fundo, esse caminho

Tem origem onde há

Um monte que antecedeu

Qualquer templo de mudar.


4

As cidades do sol brilhante,

Como Uruk e Eridu,

Receberam dos ancestrais

Um senso do tempo cru:

O de erguer no centro urbano

Um altar onde o tabu

Transforma o mundo em rito,

Transforma o vento em seminu.


5

O pilar em forma de “T”

Encontrou ecos no zigurate,

Pois ambos são convites

Ao céu que nunca se abate.

O templo sobe na terra,

A fé sobe no combate,

E a arquitetura do sagrado

Faz do homem seu rebate.


6

Çatalhöyük pintou paredes

Com símbolos de animal,

Recordando que o espírito

Tem forma ancestral.

E se há ali caçadas,

É porque o velho ritual

Ecoa dos pilares

Do templo primordial.


7

As cidades, ao se erguerem,

Criaram nova linguagem:

Escrita, lei e comércio,

Rota, troca e passagem.

Mas a memória de Tepe

Permanece na linhagem,

Como raiz que alimenta

A árvore da paisagem.


8

O eco se faz presente

Nos mitos e nas tradições,

Nas festas do calendário,

Nas velhas invocações.

O que começou na pedra

Despertou civilizações

Que elevaram no tempo

Rituais e dimensões.


9

Assim, Göbekli é centelha

De um fogo que não se apaga,

Pois sua força simbólica

Ainda hoje nos embala.

É a voz que vem da terra,

É a origem que nos fala,

É o eco que nunca morre

E que ao mundo se declara.


10

Por isso as cidades do sol,

Dos rios e do amanhecer,

Carregam em seus altares

Um antigo renascer.

Pois o templo de Tepe

Nunca deixou de viver:

Seu eco é a própria história

Da vontade de entender.



🔹 CAPÍTULO 7 – A CONSTRUÇÃO DO SAGRADO E OS GUARDIÕES DA PEDRA


1

No alto da colina antiga,

Antes do boi ser domado,

O povo erguia pilares

Num ritmo lento e sagrado.

Cada golpe no calcário

Ecoava um tempo encantado,

Como se a própria montanha

Guiasse o braço do criado.


2

Não havia reis ordenando,

Nem escravos para sofrer:

Eram grupos em harmonia,

Trabalhando ao entardecer.

O templo não era casa,

Nem abrigo para o viver,

Mas ponte entre o céu e a terra,

Onde o espírito podia descer.


3

Os guardiões da pedra vigiavam

Com olhos de eternidade,

Esculpidos em baixo-relevo

Com sublime majestade.

Raposas, javalis, serpentes

Habitavam aquela verdade:

Que o mundo é feito de símbolos,

E símbolos são nossa herdade.


4

À noite, diante dos totens,

Acendiam fogo no chão,

E o cheiro da resina

Misturava-se à invocação.

Ali nascia o mistério,

Ali brotava a canção

Que unia vivos e mortos

Num círculo de proteção.


5

Nas colunas T em silêncio

Estava o grande segredo:

Braços cruzados no peito,

Mãos pousadas sem medo.

E o corpo ali sugerido

Parecia despertar cedo,

Como se o templo inteiro

Fosse um gigante de rochedo.


6

Quem caminhava por dentro

Daquela espiral invisível

Sentia o peso das eras

E o sussurro indivisível

Do ancestral que convoca

Para o rito impossível:

Guardar no coração humano

O que é sagrado e indefinível.


7

Assim surgiram os guardiões,

Não de carne, mas intenção,

Homens que moldavam a pedra

Com devoção e precisão.

E cada pilar assentado

Era também revelação:

A Terra é ventre e memória,

O templo é sua respiração.


8

Por isso Göbekli Tepe vive,

Mesmo coberto de poeira,

Pois quem entende suas formas

Desvenda a grande maneira

De unir passado e destino

Numa mesma fronteira,

Onde a pedra fala ao homem

E o homem vira bandeira.



🔹 CAPÍTULO 8 – ENTRE MITOS, DEUSES E A VOZ ANCESTRAL


1

Entre mitos e vigílias

Nasceu a primeira visão:

O mundo não era apenas

Trabalho, caça e pão.

Havia uma força maior

Chamando pelo coração,

E o homem passou a ouvir

O ritmo da criação.


2

Os deuses não tinham nome,

Não moravam em esculturas;

Eram forças da paisagem,

A névoa, a noite, as alturas.

E cada animal gravado

Guardava antigas leituras

Da alma do caçador

E de suas próprias venturas.


3

Ritos de morte e renovo

Marcavam cada estação.

A serpente era renascimento,

O javali, a proteção.

E a raposa, astuta e livre,

Era ponte e inspiração,

Guiando o xamã das eras

Pelo sonho e pela ação.


4

Os mitos nasciam do fogo,

Da dança e do contornar,

Dos tambores invisíveis

Que faziam o ar vibrar.

E a colina barriguda

Passou então a guardar

A história de milênios

Que insiste em ressurgir no ar.


5

O homem falava ao vento,

O vento falava ao luar,

E do encontro desses mundos

Surgia o dom de sonhar.

Não eram deuses distantes

A ditar ou castigar,

Mas presenças amorosas

A ensinar a caminhar.


6

Assim floresceu a memória

Que moldou civilizações:

Primeiro como cantigas,

Depois como tradições.

Pois o mito é o fio de ouro

Que tece gerações

E guarda dentro da mente

As primeiras revelações.


7

E quando a primeira aldeia

Nasceu tímida no chão,

Os deuses ganharam forma

Nos pilares da devoção.

Cada símbolo era um mapa,

Cada rito, uma direção:

O que vem do invisível

Sustenta a nossa ação.


8

Por fim, a voz ancestral

Ecoou pelo monte inteiro:

“O sagrado está na vida

E vive em cada esteiro.

O templo é o coração

Do humilde e do verdadeiro,

E quem honra suas raízes

Se torna eterno mensageiro.”



🔹 CAPÍTULO 9 – O NEOLÍTICO E O PRIMEIRO PULSO DA SOCIEDADE


1

Quando o gelo se afastou

E o clima deixou de ferir,

A terra sorriu ao homem

E o chamou para florir.

Nasceu então o Neolítico,

O tempo de construir,

Onde a vida deixou rastros

Que jamais irão sumir.


2

Pela primeira vez na história,

O povo deixou de vagar,

Ergueu casas junto à fonte

Para as crianças habitar.

O fogo ganhou seu canto,

O sono, lugar pra sonhar,

E a noite virou descanso

Sem precisar mais fugir do ar.


3

O barro virou panela,

A pedra virou cutelo;

O mundo ganhou ferramentas

Com um toque firme e belo.

E cada gesto aprendido

Era um salto em outro nível,

Como se a mente humana

Ascendesse ao seu castelo.


4

No coração das aldeias,

A partilha floresceu.

Havia pão dividido

E a saudade se desfez.

Pois quem tinha mais colheita

Socorria quem talvez

Fosse irmão naquela trilha

Desde tempos que ninguém vê.


5

O templo e o lar se uniram

Numa mesma vibração:

A vida era o próprio rito,

A terra, a celebração.

E as pedras antes solenes

Ganharam outra função:

Guardar o que a memória

Guardava no coração.


6

A cerâmica pintada

Mostrou a nova visão:

Linhas que dançam no vaso,

Cores que falam do chão.

E a arte do cotidiano

Trouxe outra compreensão:

O belo nasce da vida

E faz parte da evolução.


7

Surgiram os primeiros clãs,

Com normas de convivência.

Não eram leis escritas,

Mas pacto de consciência:

Respeitar a caça e o campo,

Zelar pela descendência,

E honrar os ancestrais

Que moldaram a existência.


8

Assim pulsou a sociedade,

No ritmo da nova era,

Onde o humano descobria

Que a união tudo supera.

E o Neolítico crescia

Como semente que prospera:

Transformando a antiga trilha

Numa estrada mais sincera.



🔹 CAPÍTULO 10 – QUANDO O HOMEM DESCOBRE A COLHEITA E O TEMPO


1

Foi olhando a flor do trigo

Balançando com o vento

Que o homem percebeu a dança

Do invisível movimento.

A terra marcava o ciclo,

O sol ditava o momento,

E assim nasceu o costume

De observar o firmamento.


2

Ao plantar o primeiro grão

E colher no outro verão,

O mundo se iluminou

Com nova compreensão.

A vida não era acaso,

Nem simples repetição:

Era o ritmo da natureza

Conduzindo a criação.


3

O tempo virou maestro

Da grande sinfonia:

Dias longos, noites breves,

Outono, inverno e poesia.

E cada marca no solo

Guiava o que se faria,

Como se o campo escrevesse

A pauta de cada dia.


4

E assim surgiu o calendário,

Sem números ou papel:

Eram pedras alinhadas

Olhando o norte e o céu.

O templo virou relógio,

A aldeia virou cordel,

E o homem, filho do tempo,

Passou a ser também pincel.


5

No celeiro de barro cru,

O grão esperava a estação.

E a fartura do alimento

Sustentava a geração.

O trabalho ganhou sentido,

A fartura, celebração,

E o gesto de semear

Virou canto e devoção.


6

A mulher, guardiã da vida,

Foi quem primeiro entendeu

Que o ciclo da terra e o corpo

Têm o mesmo pulsar do céu.

E o símbolo da colheita

Em seu ventre floresceu,

Pois a semente e a criança

São reflexo do que é teu.


7

O campo virou professor

De humildade e paciência:

Ensina que nada cresce

Sem tempo, amor e ciência.

E o arado simples de osso

Trazia grande experiência

De que a vida requer ordem

E a ordem traz permanência.


8

Assim, a colheita e o tempo

Foram o primeiro sermão

Que a terra ofereceu

Ao início da civilização.

Pois quem lê o livro da terra

Com o olho e o coração

Descobre que o futuro brota

Da força da tradição.



🔹 CAPÍTULO 11 – AS PRIMEIRAS ALDEIAS E O CÍRCULO DA COMUNIDADE


1

Foi à beira de um riacho

Que o homem decidiu ficar:

A fogueira iluminava

O desejo de ali morar.

E a primeira aldeia nasce

Do sonho de repousar,

De fazer do chão amigo

Um eterno caminhar.


2

As casas eram de barro,

Cobertas de palha e flor.

Eram simples, mas guardavam

O pulsar do mesmo amor:

A rede que embalava a noite,

O berço do sonhador,

E o cheiro do pão nascente

Aquecendo o lavrador.


3

A praça era o coração,

Aonde o povo se encontrava:

Para tecer histórias longas,

Ouvir quem o tempo chamava.

Era ali que as decisões

Com sabedoria brotavam,

Pois todo clã se fortalece

Quando a palavra é sagrada.


4

O velho era a memória,

A criança, a esperança;

O adulto, força e coragem

Que sustentam a mudança.

E a vida, nesse equilíbrio,

Tornava-se uma dança

Entre o ontem e o amanhã

Na pureza da aliança.


5

A aldeia era como um círculo:

Sem ponta e sem divisão.

Cada membro tinha um canto,

Cada canto, uma função.

E assim o trabalho unia

O gesto, o sonho e a ação,

Tornando o simples comum

Em grande celebração.


6

Quando a caça era farta,

Dividia-se o alimento.

E o riso ecoava longe,

Misturado com o vento.

Pois comer junto a quem ama

É bênção e ensinamento,

É aprender que a fartura

Floresce no compartilhamento.


7

A água era proteção,

A fogueira, guia no escuro.

E os rituais da madrugada

Mantinham o clã seguro.

Pois cada alma compreendia

O valor do elo puro

Entre a aldeia e a floresta,

Entre o presente e o futuro.


8

Assim surgiram as aldeias,

Primeira forma de união,

Onde o homem achou morada

E fortaleceu sua missão.

Pois quem ergue casa com alma

E constrói laço com o chão

Descobre que a comunidade

É o primeiro templo da criação.



🔹 CAPÍTULO 12 – A DANÇA DOS ANIMAIS TOTÊMICOS


1

Em noites de lua cheia,

O silêncio começava a ouvir

O canto dos ancestrais

Vivendo no entrevir.

E do fundo da memória

O povo via surgir

Os animais totêmicos

Chamando para sentir.


2

O lobo vinha primeiro,

Guardião da irmandade,

Ensinando ao clã antigo

A força da lealdade.

Mostrava que nenhum caminho

Se trilha sem verdade,

E que o grupo só prospera

Quando vive em unidade.


3

O cervo era o mensageiro

Da beleza e da mansidão.

Com seus passos delicados

Guiava a meditação.

E o povo, ao vê-lo dançar,

Sentia no coração

Que a vida é mais suave

Quando brota da compaixão.


4

Da rocha surgia o touro,

Símbolo de proteção.

Era guardião das colheitas

E do vigor da geração.

E cada golpe de casco

Ressoava como um clarão,

Recordando ao povo antigo

A força da tradição.


5

A serpente, sinuosa,

Representava o renascer.

Trocando de pele aos ciclos,

Mostrava ao mundo o viver:

Que mudar não é fraqueza,

Mas modo de florescer,

Pois quem não teme o novo

É capaz de evoluir e crescer.


6

O pássaro era o espírito

Voando sobre a criação.

Com asas feitas de vento,

Trazia comunicação.

E o povo compreendia,

Em cada nova ascensão,

Que a alma humana é livre

Quando escuta sua intuição.


7

O urso era o conselheiro

Da cura e da proteção.

Guardava nos ossos antigos

O mapa da evolução.

E ao dormir profundo e longo

Mostrava, em contemplação,

Que a introspecção correta

É remédio e salvação.


8

Assim dançavam os totens

No fogo da madrugada,

Revelando ao clã antigo

A força da alma alada.

Pois cada animal sagrado

É porta entre a luz e a estrada,

E quem conhece seus símbolos

Nunca caminha sem nada.



🔹 CAPÍTULO 13 – O LEGADO DAS PEDRAS E A VOZ DA TERRA


1

Quando o vento toca a pedra,

Um segredo quer falar.

É o eco dos construtores

Buscando se revelar.

Pois cada pilar do tempo

É guardião do despertar,

Um livro feito de rocha

Que ninguém pode apagar.


2

São pedras que têm memória,

Que viram a aurora surgir,

Que assistiram mil povos

Caminharem por ali.

E cada fissura antiga

É convite para sentir

Que a Terra escreve histórias

Mesmo sem ninguém ouvir.


3

Os círculos monumentais

Guardam ritos de união,

Onde o homem encontrava

Seu lugar na criação.

Era ali que o mundo antigo

Erguia sua oração,

No encontro entre céu e solo

Num laço de comunhão.


4

A Terra, mãe silenciosa,

Falava pelo calor

Do campo recém-arado

Ou do grão cheio de sabor.

E o povo compreendia

Que a vida nasce do amor

Entre a semente e a chuva,

Entre o solo e o lavrador.


5

O legado das pedras grandes

É mais do que monumento:

É símbolo da coragem

Que vence o próprio tempo.

É a prova de que a alma

É mais forte que o cimento,

Pois o espírito ancestral

Perdura no firmamento.


6

Em cada símbolo talhado

Há um mistério a decifrar:

Zoológicos de energia,

Mensagens a cintilar.

E o povo que ali orava

Sabia interpretar

Que a vida é feita de ciclos

Que nunca deixam de girar.


7

As pedras ensinam silêncio,

Resiliência e permanência.

São professoras antigas

Da mais profunda ciência:

A de que o mundo é sagrado

Quando há fé e consciência,

E que o passado respira

Dentro de nossa existência.


8

Assim, o legado persiste

Ao longo de eras e chão,

Pois quem escuta a voz da Terra

Entende sua missão:

Ser guardião da memória

E filho da tradição,

Um elo vivo do tempo

Na eterna renovação.



🔹 CAPÍTULO 14 – ENTRE O HOMEM E O COSMOS NASCENTE


1

O homem ergueu seus olhos

Para a noite estrelada

E viu no céu infinito

A luz que nunca se apaga.

Ali começou o sonho

De entender a caminhada,

Pois o cosmos sempre fala

A quem vive a alma aberta.


2

As constelações antigas

Foram o primeiro mapa,

Guiando caçadores livres

Por toda trilha ou lapa.

E cada estrela brilhante

Acendia uma etapa,

Marcando o ritmo sagrado

Da vida que nunca escapa.


3

O cosmos ensinou ao homem

A medir cada estação.

Mostrou o norte, deu rumos,

Guiou ritos e oração.

E o brilho de suas rotas

Foi moldando a decisão

De construir novos templos

Com a pedra e o coração.


4

Era o céu quem ditava o tempo,

E o tempo guiava o ser.

Por isso o povo antigo

Aprendeu a compreender

Que viver em harmonia

É saber também ler

As mensagens que a noite

Entrega ao amanhecer.


5

As luas, com seus mistérios,

Eram mestras da mulher,

Que via em cada mudança

O ciclo que traz o viver.

A lua cheia orientava

Os ritos do bem-querer,

E a lua nova trazia

Força pra renascer.


6

O sol, pai do dia claro,

Surgia com devoção,

Aquecendo as mãos do povo

E iluminando o grão.

Era o grande soberano

Da antiga contemplação,

Pontuando a trajetória

Da humana evolução.


7

Entre o homem e o cosmos vasto

Nasceu a interpretação:

Mitos, símbolos, calendários,

Poemas e celebração.

E o templo de Göbekli

Brota dessa conexão,

Pois é ponte entre dois mundos:

O terreno e a amplidão.


8

Assim, o cosmos nascente

E o povo do solo amado

Criaram juntos o laço

Do sagrado revelado.

Pois quem olha o céu com fé

E a terra com cuidado

Descobre o grande caminho

Do espírito elevado.



🔹 CAPÍTULO 15 – OS VIGILANTES DA AURORA E O MITO DA CRIAÇÃO


1

Quando a aurora se acendia

No horizonte cor de mel,

O povo via vultos longos

Dançando contra o céu.

Eram os antigos Vigilantes,

Espíritos do cordel,

Que guardavam madrugada

Desde o primeiro papel.


2

Diziam que vinham do tempo

Antes do mundo nascer,

Quando os deuses moldaram

O que viria a florescer.

E cada passo na bruma

Era um modo de dizer

Que a criação é um ciclo

Que nunca deixa de ser.


3

Os Vigilantes da Aurora

Eram pontes de energia,

Sussurrando ao povo antigo

A ciência e a poesia.

E quem escutava atento

Compreendia a sinergia

Entre o cosmos que vigia

E o solo onde se afia.


4

Eles falavam por símbolos,

Por totem, gesto e sinal.

Um cervo podia ser paz,

Um touro, força vital.

E o mito de cada forma

Era um código ancestral

Que unia céus e montanhas

Num pacto universal.


5

Diziam que no início

O mundo era só canção,

Um vórtice luminoso

Vivo em vibração.

E o grande sopro divino

Gerou a manifestação

Da água, da terra e do fogo

Como nova criação.


6

O mito contava ainda

Que os Vigilantes guardiões

Ajudaram o povo antigo

A erguer as fundações.

Pois cada pedra erguida

Tinha bênçãos e orações

Que abriam portais de sabedoria

Em longas contemplações.


7

E assim nasceu a harmonia

Entre o humano e o divino,

Entre a trilha e o destino,

Entre o início e o menino.

O mito é espelho do espírito

No rito que ilumina o caminho,

Pois quem honra seus ancestrais

Nunca caminha sozinho.


8

Os Vigilantes da Aurora

Ainda vivem na lembrança,

E brilham quando o sol nasce

Na alma de toda criança.

Pois o mito da criação

É raiz da esperança,

E quem o carrega no peito

Se torna guardião da mudança.



🔹 CAPÍTULO 16 – A HERANÇA DO CRESCENTE FÉRTIL


1

No berço do Crescente Fértil

O mundo aprendeu a brotar.

Ali surgiram aldeias

E o primeiro semear.

Foi onde a humanidade

Decidiu se transformar

Em guardiã da própria terra

E filha do próprio lar.


2

Os rios eram colunas

Do templo da criação:

O Tigre e o Eufrates juntos

Marcavam toda estação.

E o campo entre seus braços

Tinha cheiro de oração,

Pois a vida ali corria

Em eterna renovação.


3

Foi no Crescente Fértil

Que a escrita começou,

Que o barro virou palavra

E a palavra ensinou.

Que o número ganhou forma

E o cálculo se firmou,

E o homem, enfim, descobriu

A ciência que guardou.


4

Ali nasceram cidades

De sol, de pedra e poder.

Uruk, Mari, Çatalhöyük,

Todas buscando crescer.

E cada nova morada

Ensinava a compreender

Que o espírito coletivo

É o que faz o clã vencer.


5

A espiritualidade antiga

Se expandiu como clarão:

De Göbekli às casas sumérias,

Da caça ao grão no chão.

E cada rito sagrado

Mostrava à população

Que o humano só prospera

Em plena conexão.


6

O comércio abriu estradas

De troca e partilha viva.

O pasto se tornou rota,

A rota virou narrativa.

E o povo que andava o mundo

Criou ponte coletiva

Entre culturas distantes

Numa união expressiva.


7

A herança do Crescente Fértil

É o eco do ancestral:

É a memória da primeira aldeia,

O registro universal.

É o berço do pensamento,

Do símbolo e do ritual,

É a alma do nosso mundo,

Raiz do tempo imortal.


8

Assim termina a jornada,

Mas o espírito continua.

Pois quem conhece o passado

Glorifica a própria rua.

E do Crescente Fértil brota

A eterna luz que flutua,

Mostrando que a humanidade

É filha da mesma lua.



✅ ENCERRAMENTO POÉTICO


Nas veredas do passado, o poeta caminhou,

Pelas pedras de Göbekli, sua voz ecoou.

Do barro fez memória, da bruma fez canção,

E o mundo primordial virou verso e chão.


A trilha dos antigos brilhou como luar,

Mostrando que o espírito jamais deixará de andar.

Pois cada pedra ergueu-se como livro aberto,

E cada mito guia o coração mais desperto.


Assim termina a jornada — mas a alma segue viva,

Porque todo cordel é ponte, e toda ponte é cativa

Do sonho que atravessa o tempo, o vento e a história,

Guardando no toque do verso a eterna memória.



✅ EPÍLOGO POÉTICO FINAL


Se um dia alguém perguntar

De onde veio esta narração,

Diga que nasce da terra

E pulsa na tradição.


Diga que nasce do povo,

Das tribos, do caminhar,

Das mãos que moldam destino

E do sol que vem raiar.


Porque o começo não é fim,

E o fim é só recomeço;

O livro fecha suas folhas,

Mas abre um novo endereço.


E quem lê com alma aberta

Encontra o que procura:

A voz do primeiro homem

E a luz da cultura pura.



🌿 NOTA DE FONTES RIMADA (VERSÃO DEFINITIVA COM REFERÊNCIAS)


Para que o leitor perceba

Que este canto vem do chão,

Do estudo e da memória

Que moldaram a criação,

Registro aqui as raízes

Que dão força à narração.


Pois cada pedra de Göbekli,

Cada templo ritual,

Foi visto por muitos mestres

De saber monumental.

E o cordel, em reverência,

Cita as fontes no final.


Pesquisei nas obras firmes

De arqueólogos dedicados,

Que decifram o que o tempo

Guardou entre os sagrados.

Por isso deixo anotado

Os caminhos consultados:


[1] BELLELLI e seus parceiros,

Com olhar iluminado,

“Göbekli Tepe: Genesis of the Gods?”

Um estudo aprofundado.

Antiquity deu ao mundo

O seu saber detalhado.


[2] HAUPTMANN, voz respeitada,

Que aos antigos deu atenção:

Falou de Nevali Çori,

Do templo e da tradição.

No congresso de arqueologia

Fez vibrar a reflexão.


[3] SCHMIDT, guardião das pedras,

Com ciência e devoção,

Revelou o santuário antigo

Da mais remota estação.

Em Documenta Praehistorica

Registrou sua lição.


[4] SNOECK, PETEK e LÜNGEN

Trouxeram novo pensar:

A origem da monumentalidade

Antes mesmo de semear.

Em World Archaeology mostraram

O ritual a despontar.


[5] E WRIGHT, sábio das construções,

Com visão de outro plano,

Estudou o mundo antigo

Do Sul e Oeste asianno.

Na obra da editora Brill

Iluminou o ser humano.


Assim fica registrada

A trilha que me guiou:

Da ciência à poesia,

Cada fonte me inspirou.

Pois cordel também é ponte

Que o tempo abençoou.



✅ FICHA TÉCNICA POÉTICA


Título: A Construção do Mundo e o Canto das Primeiras Pedras

Gênero: Cordel Mítico-Histórico

Estudos preliminares: Nhenety Kariri-Xocó e Google Gemini 

Pré-projeto: Nhenety Kariri-Xocó e ChatGPT ( OpenAI  )

Formato: Versos em estrofes rimadas

Estrutura: 16 capítulos + complementos

Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó 

Tema: A origem do sagrado, das aldeias e da humanidade antiga

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Produção Literária: Nhenety Kariri-Xocó e 

ChatGPT

Ano: 2025

Local da Criação: Terra Indígena Kariri-Xocó 

Produção Editorial: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM 




✅ SOBRE O AUTOR — EM CORDEL


Sou Nhenety Kariri-Xocó, das águas do Velho Rio,

De um povo que guarda a história

Na força do próprio fio.


Carrego na voz a memória

Dos avós de grande valor,

Que ensinaram que a cultura

É canto que vence a dor.


Sou contador de caminhos,

Tecedor de tradição,

E neste cordel levanto

A essência da criação.


Da aldeia para o mundo

Levo o verso e o saber,

Pois quem canta o que é sagrado

Faz o tempo florescer.



✅ SOBRE A OBRA


Este cordel nasceu para unir

Os mundos do mito e da ciência,

Para mostrar que o humano se ergue

Entre o sonho e a experiência.


Da pedra ancestral ao fogo,

Do símbolo ao amanhecer,

Cada capítulo celebra

O espírito de crescer.


Aqui, o leitor encontra

O passado vivo e fecundo,

Pois o sagrado primeiro

Ainda pulsa neste mundo.


Esta obra foi inspirada e fundamentada no artigo publicado no blog “KXNHENETY.BLOGSPOT.COM", disponível em:  

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/gobekli-tepe.html?m=0 , seguindo uma estrutura acadêmica nos moldes da ABNT e respaldada em referenciais históricos e culturais que unem a tradição oral ao conhecimento erudito. 



✅ QUARTA CAPA POÉTICA


Nas colinas do primeiro tempo,

Onde a pedra vira oração,

Um poeta ouviu o eco

Da mais antiga canção.


Este livro é essa viagem

Que atravessa céu e chão:

Do rito ao povoamento,

Do mito à civilização.


Quem abrir estas páginas

Sentirá no coração

A voz do mundo nascente

Chamando pela criação.







Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




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