CONTRA CAPA
🌟 DEDICATÓRIA POÉTICA
Dedico este meu cordel,
À memória primordial,
Aos povos que ergueram templos
No silêncio ancestral.
Ao sopro que move a terra,
Ao canto universal,
E aos mestres de antigamente
Que moldaram o ritual.
Dedico aos meus ancestrais,
Kariri-Xocó de luz,
Que me guiam na estrada
Que o espírito conduz.
Pois escrever é caminhar
Pelos rastros que a vida produz,
É reacender na palavra
O fogo do velho que reluz
Dedico também aos guardiões
Da sabedoria dos montes,
Aos seres do vento antigo,
Dos lagos, terras e fontes.
Que Göbekli Tepe nos chame
Dos seus milênios e horizontes,
E que este cordel revele
Os segredos de seus confrades.
📜 ÍNDICE POÉTICO
Abertura – O Canto da Colina Barriguda
Prólogo Poético – Quando a Pedra Aprende a Falar
Capítulo 1 – Os Primeiros Construtores do Sagrado
Capítulo 2 – A Terra de Harã e o Caminho do Crescente
Capítulo 3 – O Povo Natufiano e a Trilha da Semente
Capítulo 4 – Os Quatro Rios e o Jardim da Antiga Memória
Capítulo 5 – Do Ritual ao Povoamento Humano
Capítulo 6 – O Eco de Göbekli nas Cidades do Sol
Capítulo 7 – A Construção do Sagrado e os Guardiões da Pedra
Capítulo 8 – Entre Mitos, Deuses e a Voz Ancestral
Capítulo 9 – O Neolítico e o Primeiro Pulso da Sociedade
Capítulo 10 – Quando o Homem Descobre a Colheita e o Tempo
Capítulo 11 – As Primeiras Aldeias e o Círculo da Comunidade
Capítulo 12 – A Dança dos Animais Totêmicos
Capítulo 13 – O Legado das Pedras e a Voz da Terra
Capítulo 14 – Entre o Homem e o Cosmo Nascente
Capítulo 15 – Os Vigilantes da Aurora e o Mito da Criação
Capítulo 16 – A Herança do Crescente Fértil
Encerramento – A Chama que Nunca Cessou
Epílogo Poético – Quando o Tempo Volta os Olhos
Nota de Fontes Rimada
Ficha Técnica
Sobre o Autor
Sobre a Obra
Epílogo Final
Quarta Capa Poética
🌄 ABERTURA – O CANTO DA COLINA BARRIGUDA
No ventre da velha Terra,
Que guarda o passo do além,
Ergue-se Göbekli Tepe,
Onde o silêncio é refém.
Ali o tempo repousa,
Num templo que nada tem,
Mas guarda em suas colunas
O que o homem ainda não vem.
A colina barriguda
Respira histórias sem fim,
Sussurra mitos antigos
Que renascem dentro de mim.
Pois cada pedra sagrada
É um guardião do jardim
Que as eras não apagaram
No caminho sem começo e sem fim.
Ali dançaram estrelas
Sobre o altar do mundo inteiro,
Ali o sonho dos povos
Ecoou primeiro.
E quem pisa aquele monte
Sente o pulsar verdadeiro
Da vida antes da escrita,
Do humano antes do roteiro.
Por isso abro este livro,
Com palavra de devoção,
Buscando na voz do passado
A origem da criação.
E que este cordel nos leve
Pela estrada da tradição,
Onde o sagrado e o humano
São irmãos em comunhão.
🔱 PRÓLOGO POÉTICO – QUANDO A PEDRA APRENDE A FALAR
Antes da semente brotar,
Antes do trigo nascer,
O homem já contemplava
O que não podia entender.
E a pedra, muda no chão,
Aprendeu a lhe responder,
Com símbolos de jaguar,
Serpente, raposa e poder.
No ventre de Anatolia,
Os povos em migração
Se juntavam em círculo
Numa grande celebração.
Não eram reis, nem aldeias,
Nem muralhas de proteção,
Mas caçadores errantes
Guiados pela intuição.
E ali, naquele momento,
Algo novo aconteceu:
O espírito viu a forma,
A forma o espírito leu.
E o templo, feito de sonhos,
No meio da terra cresceu,
Como se os deuses da noite
Falassem: “O humano sou eu”.
Göbekli Tepe nasceu
De mãos que ninguém conhece,
Mas cada pilar gravado
É um canto que permanece.
E o vento do planalto antigo
É o poeta que esclarece:
Se o tempo apaga caminhos,
O sagrado nunca envelhece.
📘 CAPÍTULO 1 – OS PRIMEIROS CONSTRUTORES DO SAGRADO
1
Quando a lua derramava
Sua luz em pleno chão,
Os primeiros caminhantes
Seguiam a intuição.
Eram povos sem aldeias,
Filhos da migração,
Que no templo de mil pedras
Puseram sua devoção.
2
Não tinham reis, nem brasões,
Nem muralhas de poder,
Mas tinham as mãos do mundo
Dispostas a surpreender.
Cada pilar que surgia
Era um modo de dizer
Que a fé não nasce na escrita,
Mas no gesto de entender.
3
Caçadores-coletores,
Senhores do vasto chão,
Viviam de caça e frutos,
Da água e da estação.
Mas sentiam que algo os chama
Do profundo coração:
Um convite para erguer
Um círculo de conexão.
4
Ali no monte barrigudo,
No palco da criação,
Uniram fendas do tempo
Numa só celebração.
As tribos que ali chegavam
Vinham sem dominação,
Mas guiadas pela ideia
De uma grande reunião.
5
Pilares em forma de “T”
Se ergueram ao firmamento,
Símbolos de um entendimento
Que não cabe no momento.
Ali se rezava em silêncio,
Ali se falava ao vento,
E o mundo parecia ouvir
O chamado do sentimento.
6
Serpentes, javalis, raposas,
Cravadas na rocha fria,
Eram guardiões do limiar
Entre a noite e o dia.
Pois na arte da antiguidade,
Cada imagem parecia
Revelar que o mundo oculto
Também sonha, vibra e guia.
7
E as mãos que talharam pedra
Sabiam sem aprender
Que o símbolo é uma ponte
Para o espírito viver.
Cada linha, cada forma,
Era um modo de dizer
Que antes do grão ser trigo
O sonho já quer nascer.
8
Não havia ali moradia,
Nem forno, cama ou pote,
Pois Göbekli era o abrigo
Do mistério e do redote.
Onde povos sazonais
Seguiam seu próprio mote:
Celebrar a vida antiga
Do começo até o pernoite.
9
Os construtores invisíveis
Do mais velho altar humano
Eram filhos da paisagem,
Do silêncio soberano.
E deixaram como herança
O seu gesto no plano:
Ergueram nas pedras brutas
O destino do ser humano.
10
Assim cresce na colina
Um templo sem explicação,
Onde o mais velho dos ritos
Se tornou revelação.
Antes mesmo da agricultura,
Antes da fixação,
O sagrado foi a porta
Da primeira organização.
📙 CAPÍTULO 2 – A TERRA DE HARÃ E O CAMINHO DO CRESCENTE
1
Harã, terra de mil histórias,
De poeira e claridão,
É vizinha do monte antigo
Que guarda revelação.
Ali pisaram Abraão
E os povos da tradição,
Criando na memória humana
Uma eterna conexão.
2
A planície de Harã vibra
Com o eco do entardecer,
E quem ali põe seus passos
Sente o tempo renascer.
Pois tudo naquela terra
Parece querer dizer
Que o passado ainda respira
No vento que faz tremer.
3
Göbekli Tepe se ergue
Num ponto privilegiado,
Entre rotas, entre povos,
Entre o velho e o sagrado.
É como se a própria terra
Fosse um livro revelado
Onde cada vale e monte
É um capítulo guardado.
4
Do Crescente Fértil brotaram
Os caminhos da invenção:
Trigo, escrita, aldeias,
Ciência e plantação.
Mas bem antes das cidades
Erguerem sua tradição,
Göbekli já anunciava
A força da comunhão.
5
A cidade de Harã,
Com histórias de patriarcas,
É testemunha das rotas
Dos povos e suas marcas.
E sua memória dialoga
Com pedras que são arcas
De segredos escondidos
Em eras tão remotas.
6
Harã unia caravanas
Que cruzavam o grande chão,
Rotas que levavam vida,
Troca e comunicação.
E Göbekli era o ponto
Da mais pura reunião,
Onde o humano encontrava
Propósito e direção.
7
A geografia moldava
O espírito das nações:
Rios, montes e desertos,
Plantas, répteis e leões.
E cada curva da terra
Gerava interpretações
Que floresceram mais tarde
Em mitos e tradições.
8
Por isso alguns estudiosos
Dizem que ali pode estar
O eco do Éden antigo
Que faz culturas sonhar.
Não como um lugar preciso
Que alguém possa apontar,
Mas como um símbolo eterno
Do desejo de começar.
9
Harã e Göbekli dialogam
Pela névoa do passado;
Um é cidade de homens,
Outro é templo consagrado.
Mas ambos revelam juntos
Um mundo interligado,
Onde mito e arqueologia
Caminham lado a lado.
10
E assim termina o caminho
Desse fértil corredor,
Que uniu povos nômades
Pelo sonho e pelo ardor.
Harã guardou a memória,
Göbekli guardou a flor,
E o Crescente fez brotar
O jardim do ser humano e do amor.
📗 CAPÍTULO 3 – O POVO NATUFIANO E A TRILHA DA SEMENTE
1
Muito antes dos arados
Riscarem o vasto chão,
Os natufianos surgiram
Na força da transição.
Entre caça e permanência,
Entre abrigo e estação,
Criaram modos de vida
Que brotaram no coração.
2
Viviam no Levante antigo,
Em cavernas e aldeias pequenas,
Onde a semente silvestre
Começava suas penas.
Pois colher se fez costume,
E sem notar suas arenas,
Eles moldavam o futuro
Com práticas tão serenas.
3
Foram mestres das primeiras
Casas semi-permanentes,
Onde dormir tinha forma,
Onde o fogo tinha dentes.
Ali nasceu o esboço
Das aldeias subsequentes
Que dariam ao ser humano
Raízes mais persistentes.
4
As tumbas natufianas
Revelam seu modo de crer:
Enterros com ornamentos,
Ritual para renascer.
Pois cada corpo enterrado
Parecia devolver
À terra o seu mistério,
À vida o seu poder.
5
Os natufianos sabiam
Que o mundo é semente e chão,
Que o gesto de cultivar
É um pacto com a criação.
Por isso guardavam grãos
Com cuidado e intenção,
Como quem toca o segredo
Da primeira plantação.
6
Embora fossem antigos
E ainda sem agricultura,
Traziam no modo de viver
Uma suave arquitetura.
Aproximaram da colheita
A ideia de estrutura,
E mostraram que o futuro
Começa na pré-cultura.
7
A caça já não bastava,
Era preciso colher,
Guardar o fruto do campo
E o sonho de renascer.
Foi assim que, lentamente,
A terra começou a ser
O lar das comunidades
E o berço do bem viver.
8
A ligação com Tepe
Não é de pedra ou muralha,
Mas de espírito e viagem
Que o passado não atalho.
Pois o gesto do ritual
E o desejo que não falha
Uniram povos distantes
No mesmo canto de batalha.
9
Natufianos e Tepe
Foram espelhos do começo,
Rituais, fogo e encontros
Moldaram o mesmo endereço.
Um plantou a permanência,
Outro erguia o tropeço:
O templo que desafia
A lógica do progresso.
10
Assim surge a grande trilha
Que a semente desenhou:
Da mão que colhe o trigo
Ao altar que o povo ergueu.
O mundo foi se tornando
Mais profundo do que eu,
Pois cada rito que nasce
É um caminho que cresceu.
📘 CAPÍTULO 4 – OS QUATRO RIOS E O JARDIM DA ANTIGA MEMÓRIA
1
Dizem velhos narradores
Que o Éden teve lugar
Entre rios poderosos
Que aprendiam a cantar.
Quatro cursos ancestrais
Que sabiam ensinar
Que o mundo é feito de veias
Onde a vida quer pulsar.
2
O Tigre e o Eufrates brotam
Como serpentes de luz,
Rasgando o ventre da terra
Que a memória traduz.
E quem bebe desses rios
Sente o tempo que conduz
O homem à velha origem
Onde o mito nos seduz.
3
Na região de Göbekli,
Muitos dizem existir
O eco desse jardim
Que insiste em ressurgir.
Não como mapa exato
Que alguém possa descobrir,
Mas como símbolo eterno
De um desejo de florir.
4
O Éden é geografia,
Mas também é coração;
É mito que atravessa eras,
É sonho de criação.
E quando o vento de Tepe
Toca leve o chão,
Parece que o próprio Éden
Reabre sua canção.
5
Os povos que ali viviam
Sabiam interpretar
O ciclo da chuva antiga,
O fogo do luar.
E cada pedra do templo
Parecia registrar
O pacto entre natureza
E o instinto de adorar.
6
Se a Bíblia fala em Éden
Como berço da humanidade,
A arqueologia responde
Com sua própria verdade:
A terra guarda memórias
De uma grande ancestralidade,
Onde mito e ciência andam
Com igual profundidade.
7
Por isso muitos estudiosos
Ouvem na terra o sinal
De que Tepe, Harã e os rios
Criaram laço espiritual.
Não afirmam com certeza,
Mas buscam no ritual
As raízes desse encontro
Entre o humano e o divinal.
8
O Jardim da Antiga Memória
Não precisa de lugar,
Pois vive dentro do povo
Que aprende a cultivar.
E cada rio que corre
Parece nos recordar
Que o Éden é movimento
E nunca deixará de estar.
9
O homem no início do mundo
Era irmão da criação,
Vivia ao lado das feras,
Dos montes, do verão.
Göbekli guarda ainda
Essa antiga união
Que ensina que ser humano
É voltar ao coração.
10
Assim termina este canto
Dos quatro rios de luz,
Que guardam em seu leito
O caminho que seduz.
Pois cada gota que passa
É um mundo que reluz,
Anunciando que o Éden
Ainda vive — e nos conduz.
📕 CAPÍTULO 5 – DO RITUAL AO POVOAMENTO HUMANO
1
Muito antes das aldeias
Firmarem seu próprio lar,
O ritual já convocava
As tribos para juntar.
Göbekli foi o chamado
Que fez o mundo acordar,
Pois o templo antecedeu
O desejo de plantar.
2
Ali, no monte sagrado,
Os povos se reuniam
Para festas sazonais
Que em círculo aconteciam.
E nas noites sem fronteiras,
As fogueiras reluziam,
Como se os deuses antigos
Em pedra os assistiam.
3
O encontro era o início
De um novo pensamento:
“Se juntos celebramos,
Juntos fazemos fundamento.”
E assim nasceu no espírito
O presságio do sustento
Que mais tarde floresceu
No primeiro assentamento.
4
As oferendas deixadas
Mostram gestos essenciais:
Animais, grãos e ornamentos,
Fragmentos tão rituais.
São pistas de um sentimento
Que, nos tempos ancestrais,
Uniu povos nômades
Em práticas comunais.
5
O templo era o coração
Do mundo ainda sem lei.
Ali não havia rei,
Ali ninguém mandava em quem.
Mas todos tinham um pacto
Que soava muito bem:
A terra guarda segredos
Que só o rito mantém.
6
E quando a fé criou força,
O povo criou raiz,
Pois cada encontro no monte
Deixava um rastro feliz.
O homem descobriu na pedra
A vida que a terra diz,
E percebeu que na união
O futuro também se faz juiz.
7
O ritual, então, gerou
O desejo de permanência.
Quem antes só migrou
Criou rumo e consciência.
O templo virou semente
Da mais antiga ciência:
A de aplicar na terra
O sonho da sobrevivência.
8
Vieram os primeiros grãos
Guardados para brotar,
E as mãos dos ancestrais
Aprenderam a cultivar.
O que antes era encontro
Passou a significar
A base da aldeia nova
Que começava a formar.
9
Do rito ao povoamento,
O passo foi natural.
A pedra ensinou a casa,
A fogueira, o ritual.
E a vida sedentária,
No seu ciclo original,
Brota da fé dos antigos
Num destino universal.
10
Por isso o templo de Tepe
Não é ruína isolada,
Mas raiz de mil aldeias,
De história interligada.
Ali se uniu o sagrado
À vida cultivada,
E o povoamento humano
Germinou de sua alvorada.
📒 CAPÍTULO 6 – O ECO DE GÖBEKLI NAS CIDADES DO SOL
1
Quando as aldeias cresceram
E o trigo virou pão,
O mundo viu surgir
A primeira civilização.
E o eco de Göbekli
Vibrou no grande chão,
Como se as pedras antigas
Guiassem a evolução.
2
As cidades de Çatalhöyük
E do vale mesopotâmico
Guardaram em suas paredes
O símbolo ritualístico.
Pois o templo precedente
Tornou-se esforço artístico
Que moldou arquitetura
Do passado ao futurístico.
3
O sol passou a ser deus,
A lua virou guardiã,
E o homem se fez sacerdote
Da vida que nele está.
Mas no fundo, esse caminho
Tem origem onde há
Um monte que antecedeu
Qualquer templo de mudar.
4
As cidades do sol brilhante,
Como Uruk e Eridu,
Receberam dos ancestrais
Um senso do tempo cru:
O de erguer no centro urbano
Um altar onde o tabu
Transforma o mundo em rito,
Transforma o vento em seminu.
5
O pilar em forma de “T”
Encontrou ecos no zigurate,
Pois ambos são convites
Ao céu que nunca se abate.
O templo sobe na terra,
A fé sobe no combate,
E a arquitetura do sagrado
Faz do homem seu rebate.
6
Çatalhöyük pintou paredes
Com símbolos de animal,
Recordando que o espírito
Tem forma ancestral.
E se há ali caçadas,
É porque o velho ritual
Ecoa dos pilares
Do templo primordial.
7
As cidades, ao se erguerem,
Criaram nova linguagem:
Escrita, lei e comércio,
Rota, troca e passagem.
Mas a memória de Tepe
Permanece na linhagem,
Como raiz que alimenta
A árvore da paisagem.
8
O eco se faz presente
Nos mitos e nas tradições,
Nas festas do calendário,
Nas velhas invocações.
O que começou na pedra
Despertou civilizações
Que elevaram no tempo
Rituais e dimensões.
9
Assim, Göbekli é centelha
De um fogo que não se apaga,
Pois sua força simbólica
Ainda hoje nos embala.
É a voz que vem da terra,
É a origem que nos fala,
É o eco que nunca morre
E que ao mundo se declara.
10
Por isso as cidades do sol,
Dos rios e do amanhecer,
Carregam em seus altares
Um antigo renascer.
Pois o templo de Tepe
Nunca deixou de viver:
Seu eco é a própria história
Da vontade de entender.
🔹 CAPÍTULO 7 – A CONSTRUÇÃO DO SAGRADO E OS GUARDIÕES DA PEDRA
1
No alto da colina antiga,
Antes do boi ser domado,
O povo erguia pilares
Num ritmo lento e sagrado.
Cada golpe no calcário
Ecoava um tempo encantado,
Como se a própria montanha
Guiasse o braço do criado.
2
Não havia reis ordenando,
Nem escravos para sofrer:
Eram grupos em harmonia,
Trabalhando ao entardecer.
O templo não era casa,
Nem abrigo para o viver,
Mas ponte entre o céu e a terra,
Onde o espírito podia descer.
3
Os guardiões da pedra vigiavam
Com olhos de eternidade,
Esculpidos em baixo-relevo
Com sublime majestade.
Raposas, javalis, serpentes
Habitavam aquela verdade:
Que o mundo é feito de símbolos,
E símbolos são nossa herdade.
4
À noite, diante dos totens,
Acendiam fogo no chão,
E o cheiro da resina
Misturava-se à invocação.
Ali nascia o mistério,
Ali brotava a canção
Que unia vivos e mortos
Num círculo de proteção.
5
Nas colunas T em silêncio
Estava o grande segredo:
Braços cruzados no peito,
Mãos pousadas sem medo.
E o corpo ali sugerido
Parecia despertar cedo,
Como se o templo inteiro
Fosse um gigante de rochedo.
6
Quem caminhava por dentro
Daquela espiral invisível
Sentia o peso das eras
E o sussurro indivisível
Do ancestral que convoca
Para o rito impossível:
Guardar no coração humano
O que é sagrado e indefinível.
7
Assim surgiram os guardiões,
Não de carne, mas intenção,
Homens que moldavam a pedra
Com devoção e precisão.
E cada pilar assentado
Era também revelação:
A Terra é ventre e memória,
O templo é sua respiração.
8
Por isso Göbekli Tepe vive,
Mesmo coberto de poeira,
Pois quem entende suas formas
Desvenda a grande maneira
De unir passado e destino
Numa mesma fronteira,
Onde a pedra fala ao homem
E o homem vira bandeira.
🔹 CAPÍTULO 8 – ENTRE MITOS, DEUSES E A VOZ ANCESTRAL
1
Entre mitos e vigílias
Nasceu a primeira visão:
O mundo não era apenas
Trabalho, caça e pão.
Havia uma força maior
Chamando pelo coração,
E o homem passou a ouvir
O ritmo da criação.
2
Os deuses não tinham nome,
Não moravam em esculturas;
Eram forças da paisagem,
A névoa, a noite, as alturas.
E cada animal gravado
Guardava antigas leituras
Da alma do caçador
E de suas próprias venturas.
3
Ritos de morte e renovo
Marcavam cada estação.
A serpente era renascimento,
O javali, a proteção.
E a raposa, astuta e livre,
Era ponte e inspiração,
Guiando o xamã das eras
Pelo sonho e pela ação.
4
Os mitos nasciam do fogo,
Da dança e do contornar,
Dos tambores invisíveis
Que faziam o ar vibrar.
E a colina barriguda
Passou então a guardar
A história de milênios
Que insiste em ressurgir no ar.
5
O homem falava ao vento,
O vento falava ao luar,
E do encontro desses mundos
Surgia o dom de sonhar.
Não eram deuses distantes
A ditar ou castigar,
Mas presenças amorosas
A ensinar a caminhar.
6
Assim floresceu a memória
Que moldou civilizações:
Primeiro como cantigas,
Depois como tradições.
Pois o mito é o fio de ouro
Que tece gerações
E guarda dentro da mente
As primeiras revelações.
7
E quando a primeira aldeia
Nasceu tímida no chão,
Os deuses ganharam forma
Nos pilares da devoção.
Cada símbolo era um mapa,
Cada rito, uma direção:
O que vem do invisível
Sustenta a nossa ação.
8
Por fim, a voz ancestral
Ecoou pelo monte inteiro:
“O sagrado está na vida
E vive em cada esteiro.
O templo é o coração
Do humilde e do verdadeiro,
E quem honra suas raízes
Se torna eterno mensageiro.”
🔹 CAPÍTULO 9 – O NEOLÍTICO E O PRIMEIRO PULSO DA SOCIEDADE
1
Quando o gelo se afastou
E o clima deixou de ferir,
A terra sorriu ao homem
E o chamou para florir.
Nasceu então o Neolítico,
O tempo de construir,
Onde a vida deixou rastros
Que jamais irão sumir.
2
Pela primeira vez na história,
O povo deixou de vagar,
Ergueu casas junto à fonte
Para as crianças habitar.
O fogo ganhou seu canto,
O sono, lugar pra sonhar,
E a noite virou descanso
Sem precisar mais fugir do ar.
3
O barro virou panela,
A pedra virou cutelo;
O mundo ganhou ferramentas
Com um toque firme e belo.
E cada gesto aprendido
Era um salto em outro nível,
Como se a mente humana
Ascendesse ao seu castelo.
4
No coração das aldeias,
A partilha floresceu.
Havia pão dividido
E a saudade se desfez.
Pois quem tinha mais colheita
Socorria quem talvez
Fosse irmão naquela trilha
Desde tempos que ninguém vê.
5
O templo e o lar se uniram
Numa mesma vibração:
A vida era o próprio rito,
A terra, a celebração.
E as pedras antes solenes
Ganharam outra função:
Guardar o que a memória
Guardava no coração.
6
A cerâmica pintada
Mostrou a nova visão:
Linhas que dançam no vaso,
Cores que falam do chão.
E a arte do cotidiano
Trouxe outra compreensão:
O belo nasce da vida
E faz parte da evolução.
7
Surgiram os primeiros clãs,
Com normas de convivência.
Não eram leis escritas,
Mas pacto de consciência:
Respeitar a caça e o campo,
Zelar pela descendência,
E honrar os ancestrais
Que moldaram a existência.
8
Assim pulsou a sociedade,
No ritmo da nova era,
Onde o humano descobria
Que a união tudo supera.
E o Neolítico crescia
Como semente que prospera:
Transformando a antiga trilha
Numa estrada mais sincera.
🔹 CAPÍTULO 10 – QUANDO O HOMEM DESCOBRE A COLHEITA E O TEMPO
1
Foi olhando a flor do trigo
Balançando com o vento
Que o homem percebeu a dança
Do invisível movimento.
A terra marcava o ciclo,
O sol ditava o momento,
E assim nasceu o costume
De observar o firmamento.
2
Ao plantar o primeiro grão
E colher no outro verão,
O mundo se iluminou
Com nova compreensão.
A vida não era acaso,
Nem simples repetição:
Era o ritmo da natureza
Conduzindo a criação.
3
O tempo virou maestro
Da grande sinfonia:
Dias longos, noites breves,
Outono, inverno e poesia.
E cada marca no solo
Guiava o que se faria,
Como se o campo escrevesse
A pauta de cada dia.
4
E assim surgiu o calendário,
Sem números ou papel:
Eram pedras alinhadas
Olhando o norte e o céu.
O templo virou relógio,
A aldeia virou cordel,
E o homem, filho do tempo,
Passou a ser também pincel.
5
No celeiro de barro cru,
O grão esperava a estação.
E a fartura do alimento
Sustentava a geração.
O trabalho ganhou sentido,
A fartura, celebração,
E o gesto de semear
Virou canto e devoção.
6
A mulher, guardiã da vida,
Foi quem primeiro entendeu
Que o ciclo da terra e o corpo
Têm o mesmo pulsar do céu.
E o símbolo da colheita
Em seu ventre floresceu,
Pois a semente e a criança
São reflexo do que é teu.
7
O campo virou professor
De humildade e paciência:
Ensina que nada cresce
Sem tempo, amor e ciência.
E o arado simples de osso
Trazia grande experiência
De que a vida requer ordem
E a ordem traz permanência.
8
Assim, a colheita e o tempo
Foram o primeiro sermão
Que a terra ofereceu
Ao início da civilização.
Pois quem lê o livro da terra
Com o olho e o coração
Descobre que o futuro brota
Da força da tradição.
🔹 CAPÍTULO 11 – AS PRIMEIRAS ALDEIAS E O CÍRCULO DA COMUNIDADE
1
Foi à beira de um riacho
Que o homem decidiu ficar:
A fogueira iluminava
O desejo de ali morar.
E a primeira aldeia nasce
Do sonho de repousar,
De fazer do chão amigo
Um eterno caminhar.
2
As casas eram de barro,
Cobertas de palha e flor.
Eram simples, mas guardavam
O pulsar do mesmo amor:
A rede que embalava a noite,
O berço do sonhador,
E o cheiro do pão nascente
Aquecendo o lavrador.
3
A praça era o coração,
Aonde o povo se encontrava:
Para tecer histórias longas,
Ouvir quem o tempo chamava.
Era ali que as decisões
Com sabedoria brotavam,
Pois todo clã se fortalece
Quando a palavra é sagrada.
4
O velho era a memória,
A criança, a esperança;
O adulto, força e coragem
Que sustentam a mudança.
E a vida, nesse equilíbrio,
Tornava-se uma dança
Entre o ontem e o amanhã
Na pureza da aliança.
5
A aldeia era como um círculo:
Sem ponta e sem divisão.
Cada membro tinha um canto,
Cada canto, uma função.
E assim o trabalho unia
O gesto, o sonho e a ação,
Tornando o simples comum
Em grande celebração.
6
Quando a caça era farta,
Dividia-se o alimento.
E o riso ecoava longe,
Misturado com o vento.
Pois comer junto a quem ama
É bênção e ensinamento,
É aprender que a fartura
Floresce no compartilhamento.
7
A água era proteção,
A fogueira, guia no escuro.
E os rituais da madrugada
Mantinham o clã seguro.
Pois cada alma compreendia
O valor do elo puro
Entre a aldeia e a floresta,
Entre o presente e o futuro.
8
Assim surgiram as aldeias,
Primeira forma de união,
Onde o homem achou morada
E fortaleceu sua missão.
Pois quem ergue casa com alma
E constrói laço com o chão
Descobre que a comunidade
É o primeiro templo da criação.
🔹 CAPÍTULO 12 – A DANÇA DOS ANIMAIS TOTÊMICOS
1
Em noites de lua cheia,
O silêncio começava a ouvir
O canto dos ancestrais
Vivendo no entrevir.
E do fundo da memória
O povo via surgir
Os animais totêmicos
Chamando para sentir.
2
O lobo vinha primeiro,
Guardião da irmandade,
Ensinando ao clã antigo
A força da lealdade.
Mostrava que nenhum caminho
Se trilha sem verdade,
E que o grupo só prospera
Quando vive em unidade.
3
O cervo era o mensageiro
Da beleza e da mansidão.
Com seus passos delicados
Guiava a meditação.
E o povo, ao vê-lo dançar,
Sentia no coração
Que a vida é mais suave
Quando brota da compaixão.
4
Da rocha surgia o touro,
Símbolo de proteção.
Era guardião das colheitas
E do vigor da geração.
E cada golpe de casco
Ressoava como um clarão,
Recordando ao povo antigo
A força da tradição.
5
A serpente, sinuosa,
Representava o renascer.
Trocando de pele aos ciclos,
Mostrava ao mundo o viver:
Que mudar não é fraqueza,
Mas modo de florescer,
Pois quem não teme o novo
É capaz de evoluir e crescer.
6
O pássaro era o espírito
Voando sobre a criação.
Com asas feitas de vento,
Trazia comunicação.
E o povo compreendia,
Em cada nova ascensão,
Que a alma humana é livre
Quando escuta sua intuição.
7
O urso era o conselheiro
Da cura e da proteção.
Guardava nos ossos antigos
O mapa da evolução.
E ao dormir profundo e longo
Mostrava, em contemplação,
Que a introspecção correta
É remédio e salvação.
8
Assim dançavam os totens
No fogo da madrugada,
Revelando ao clã antigo
A força da alma alada.
Pois cada animal sagrado
É porta entre a luz e a estrada,
E quem conhece seus símbolos
Nunca caminha sem nada.
🔹 CAPÍTULO 13 – O LEGADO DAS PEDRAS E A VOZ DA TERRA
1
Quando o vento toca a pedra,
Um segredo quer falar.
É o eco dos construtores
Buscando se revelar.
Pois cada pilar do tempo
É guardião do despertar,
Um livro feito de rocha
Que ninguém pode apagar.
2
São pedras que têm memória,
Que viram a aurora surgir,
Que assistiram mil povos
Caminharem por ali.
E cada fissura antiga
É convite para sentir
Que a Terra escreve histórias
Mesmo sem ninguém ouvir.
3
Os círculos monumentais
Guardam ritos de união,
Onde o homem encontrava
Seu lugar na criação.
Era ali que o mundo antigo
Erguia sua oração,
No encontro entre céu e solo
Num laço de comunhão.
4
A Terra, mãe silenciosa,
Falava pelo calor
Do campo recém-arado
Ou do grão cheio de sabor.
E o povo compreendia
Que a vida nasce do amor
Entre a semente e a chuva,
Entre o solo e o lavrador.
5
O legado das pedras grandes
É mais do que monumento:
É símbolo da coragem
Que vence o próprio tempo.
É a prova de que a alma
É mais forte que o cimento,
Pois o espírito ancestral
Perdura no firmamento.
6
Em cada símbolo talhado
Há um mistério a decifrar:
Zoológicos de energia,
Mensagens a cintilar.
E o povo que ali orava
Sabia interpretar
Que a vida é feita de ciclos
Que nunca deixam de girar.
7
As pedras ensinam silêncio,
Resiliência e permanência.
São professoras antigas
Da mais profunda ciência:
A de que o mundo é sagrado
Quando há fé e consciência,
E que o passado respira
Dentro de nossa existência.
8
Assim, o legado persiste
Ao longo de eras e chão,
Pois quem escuta a voz da Terra
Entende sua missão:
Ser guardião da memória
E filho da tradição,
Um elo vivo do tempo
Na eterna renovação.
🔹 CAPÍTULO 14 – ENTRE O HOMEM E O COSMOS NASCENTE
1
O homem ergueu seus olhos
Para a noite estrelada
E viu no céu infinito
A luz que nunca se apaga.
Ali começou o sonho
De entender a caminhada,
Pois o cosmos sempre fala
A quem vive a alma aberta.
2
As constelações antigas
Foram o primeiro mapa,
Guiando caçadores livres
Por toda trilha ou lapa.
E cada estrela brilhante
Acendia uma etapa,
Marcando o ritmo sagrado
Da vida que nunca escapa.
3
O cosmos ensinou ao homem
A medir cada estação.
Mostrou o norte, deu rumos,
Guiou ritos e oração.
E o brilho de suas rotas
Foi moldando a decisão
De construir novos templos
Com a pedra e o coração.
4
Era o céu quem ditava o tempo,
E o tempo guiava o ser.
Por isso o povo antigo
Aprendeu a compreender
Que viver em harmonia
É saber também ler
As mensagens que a noite
Entrega ao amanhecer.
5
As luas, com seus mistérios,
Eram mestras da mulher,
Que via em cada mudança
O ciclo que traz o viver.
A lua cheia orientava
Os ritos do bem-querer,
E a lua nova trazia
Força pra renascer.
6
O sol, pai do dia claro,
Surgia com devoção,
Aquecendo as mãos do povo
E iluminando o grão.
Era o grande soberano
Da antiga contemplação,
Pontuando a trajetória
Da humana evolução.
7
Entre o homem e o cosmos vasto
Nasceu a interpretação:
Mitos, símbolos, calendários,
Poemas e celebração.
E o templo de Göbekli
Brota dessa conexão,
Pois é ponte entre dois mundos:
O terreno e a amplidão.
8
Assim, o cosmos nascente
E o povo do solo amado
Criaram juntos o laço
Do sagrado revelado.
Pois quem olha o céu com fé
E a terra com cuidado
Descobre o grande caminho
Do espírito elevado.
🔹 CAPÍTULO 15 – OS VIGILANTES DA AURORA E O MITO DA CRIAÇÃO
1
Quando a aurora se acendia
No horizonte cor de mel,
O povo via vultos longos
Dançando contra o céu.
Eram os antigos Vigilantes,
Espíritos do cordel,
Que guardavam madrugada
Desde o primeiro papel.
2
Diziam que vinham do tempo
Antes do mundo nascer,
Quando os deuses moldaram
O que viria a florescer.
E cada passo na bruma
Era um modo de dizer
Que a criação é um ciclo
Que nunca deixa de ser.
3
Os Vigilantes da Aurora
Eram pontes de energia,
Sussurrando ao povo antigo
A ciência e a poesia.
E quem escutava atento
Compreendia a sinergia
Entre o cosmos que vigia
E o solo onde se afia.
4
Eles falavam por símbolos,
Por totem, gesto e sinal.
Um cervo podia ser paz,
Um touro, força vital.
E o mito de cada forma
Era um código ancestral
Que unia céus e montanhas
Num pacto universal.
5
Diziam que no início
O mundo era só canção,
Um vórtice luminoso
Vivo em vibração.
E o grande sopro divino
Gerou a manifestação
Da água, da terra e do fogo
Como nova criação.
6
O mito contava ainda
Que os Vigilantes guardiões
Ajudaram o povo antigo
A erguer as fundações.
Pois cada pedra erguida
Tinha bênçãos e orações
Que abriam portais de sabedoria
Em longas contemplações.
7
E assim nasceu a harmonia
Entre o humano e o divino,
Entre a trilha e o destino,
Entre o início e o menino.
O mito é espelho do espírito
No rito que ilumina o caminho,
Pois quem honra seus ancestrais
Nunca caminha sozinho.
8
Os Vigilantes da Aurora
Ainda vivem na lembrança,
E brilham quando o sol nasce
Na alma de toda criança.
Pois o mito da criação
É raiz da esperança,
E quem o carrega no peito
Se torna guardião da mudança.
🔹 CAPÍTULO 16 – A HERANÇA DO CRESCENTE FÉRTIL
1
No berço do Crescente Fértil
O mundo aprendeu a brotar.
Ali surgiram aldeias
E o primeiro semear.
Foi onde a humanidade
Decidiu se transformar
Em guardiã da própria terra
E filha do próprio lar.
2
Os rios eram colunas
Do templo da criação:
O Tigre e o Eufrates juntos
Marcavam toda estação.
E o campo entre seus braços
Tinha cheiro de oração,
Pois a vida ali corria
Em eterna renovação.
3
Foi no Crescente Fértil
Que a escrita começou,
Que o barro virou palavra
E a palavra ensinou.
Que o número ganhou forma
E o cálculo se firmou,
E o homem, enfim, descobriu
A ciência que guardou.
4
Ali nasceram cidades
De sol, de pedra e poder.
Uruk, Mari, Çatalhöyük,
Todas buscando crescer.
E cada nova morada
Ensinava a compreender
Que o espírito coletivo
É o que faz o clã vencer.
5
A espiritualidade antiga
Se expandiu como clarão:
De Göbekli às casas sumérias,
Da caça ao grão no chão.
E cada rito sagrado
Mostrava à população
Que o humano só prospera
Em plena conexão.
6
O comércio abriu estradas
De troca e partilha viva.
O pasto se tornou rota,
A rota virou narrativa.
E o povo que andava o mundo
Criou ponte coletiva
Entre culturas distantes
Numa união expressiva.
7
A herança do Crescente Fértil
É o eco do ancestral:
É a memória da primeira aldeia,
O registro universal.
É o berço do pensamento,
Do símbolo e do ritual,
É a alma do nosso mundo,
Raiz do tempo imortal.
8
Assim termina a jornada,
Mas o espírito continua.
Pois quem conhece o passado
Glorifica a própria rua.
E do Crescente Fértil brota
A eterna luz que flutua,
Mostrando que a humanidade
É filha da mesma lua.
✅ ENCERRAMENTO POÉTICO
Nas veredas do passado, o poeta caminhou,
Pelas pedras de Göbekli, sua voz ecoou.
Do barro fez memória, da bruma fez canção,
E o mundo primordial virou verso e chão.
A trilha dos antigos brilhou como luar,
Mostrando que o espírito jamais deixará de andar.
Pois cada pedra ergueu-se como livro aberto,
E cada mito guia o coração mais desperto.
Assim termina a jornada — mas a alma segue viva,
Porque todo cordel é ponte, e toda ponte é cativa
Do sonho que atravessa o tempo, o vento e a história,
Guardando no toque do verso a eterna memória.
✅ EPÍLOGO POÉTICO FINAL
Se um dia alguém perguntar
De onde veio esta narração,
Diga que nasce da terra
E pulsa na tradição.
Diga que nasce do povo,
Das tribos, do caminhar,
Das mãos que moldam destino
E do sol que vem raiar.
Porque o começo não é fim,
E o fim é só recomeço;
O livro fecha suas folhas,
Mas abre um novo endereço.
E quem lê com alma aberta
Encontra o que procura:
A voz do primeiro homem
E a luz da cultura pura.
🌿 NOTA DE FONTES RIMADA (VERSÃO DEFINITIVA COM REFERÊNCIAS)
Para que o leitor perceba
Que este canto vem do chão,
Do estudo e da memória
Que moldaram a criação,
Registro aqui as raízes
Que dão força à narração.
Pois cada pedra de Göbekli,
Cada templo ritual,
Foi visto por muitos mestres
De saber monumental.
E o cordel, em reverência,
Cita as fontes no final.
Pesquisei nas obras firmes
De arqueólogos dedicados,
Que decifram o que o tempo
Guardou entre os sagrados.
Por isso deixo anotado
Os caminhos consultados:
[1] BELLELLI e seus parceiros,
Com olhar iluminado,
“Göbekli Tepe: Genesis of the Gods?”
Um estudo aprofundado.
Antiquity deu ao mundo
O seu saber detalhado.
[2] HAUPTMANN, voz respeitada,
Que aos antigos deu atenção:
Falou de Nevali Çori,
Do templo e da tradição.
No congresso de arqueologia
Fez vibrar a reflexão.
[3] SCHMIDT, guardião das pedras,
Com ciência e devoção,
Revelou o santuário antigo
Da mais remota estação.
Em Documenta Praehistorica
Registrou sua lição.
[4] SNOECK, PETEK e LÜNGEN
Trouxeram novo pensar:
A origem da monumentalidade
Antes mesmo de semear.
Em World Archaeology mostraram
O ritual a despontar.
[5] E WRIGHT, sábio das construções,
Com visão de outro plano,
Estudou o mundo antigo
Do Sul e Oeste asianno.
Na obra da editora Brill
Iluminou o ser humano.
Assim fica registrada
A trilha que me guiou:
Da ciência à poesia,
Cada fonte me inspirou.
Pois cordel também é ponte
Que o tempo abençoou.
✅ FICHA TÉCNICA POÉTICA
Título: A Construção do Mundo e o Canto das Primeiras Pedras
Gênero: Cordel Mítico-Histórico
Estudos preliminares: Nhenety Kariri-Xocó e Google Gemini
Pré-projeto: Nhenety Kariri-Xocó e ChatGPT ( OpenAI )
Formato: Versos em estrofes rimadas
Estrutura: 16 capítulos + complementos
Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó
Tema: A origem do sagrado, das aldeias e da humanidade antiga
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Produção Literária: Nhenety Kariri-Xocó e
ChatGPT
Ano: 2025
Local da Criação: Terra Indígena Kariri-Xocó
Produção Editorial: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM
✅ SOBRE O AUTOR — EM CORDEL
Sou Nhenety Kariri-Xocó, das águas do Velho Rio,
De um povo que guarda a história
Na força do próprio fio.
Carrego na voz a memória
Dos avós de grande valor,
Que ensinaram que a cultura
É canto que vence a dor.
Sou contador de caminhos,
Tecedor de tradição,
E neste cordel levanto
A essência da criação.
Da aldeia para o mundo
Levo o verso e o saber,
Pois quem canta o que é sagrado
Faz o tempo florescer.
✅ SOBRE A OBRA
Este cordel nasceu para unir
Os mundos do mito e da ciência,
Para mostrar que o humano se ergue
Entre o sonho e a experiência.
Da pedra ancestral ao fogo,
Do símbolo ao amanhecer,
Cada capítulo celebra
O espírito de crescer.
Aqui, o leitor encontra
O passado vivo e fecundo,
Pois o sagrado primeiro
Ainda pulsa neste mundo.
Esta obra foi inspirada e fundamentada no artigo publicado no blog “KXNHENETY.BLOGSPOT.COM", disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/gobekli-tepe.html?m=0 , seguindo uma estrutura acadêmica nos moldes da ABNT e respaldada em referenciais históricos e culturais que unem a tradição oral ao conhecimento erudito.
✅ QUARTA CAPA POÉTICA
Nas colinas do primeiro tempo,
Onde a pedra vira oração,
Um poeta ouviu o eco
Da mais antiga canção.
Este livro é essa viagem
Que atravessa céu e chão:
Do rito ao povoamento,
Do mito à civilização.
Quem abrir estas páginas
Sentirá no coração
A voz do mundo nascente
Chamando pela criação.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó



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