📜 DEDICATÓRIA POÉTICA
Dedico este meu cordel,
Feito em fio de evolução,
A quem moldou com engenho
O destino da invenção.
Ao povo que ergueu na luta
Cada máquina e construção,
Da pedra ao chip silencioso
Que pulsa em cada nação.
Dedico aos mestres antigos
Das artes de transformar,
Que inventaram roldas, cunhas,
Para o mundo levantar.
E aos sábios da nova era
Que ousaram programar
O brilho da inteligência
Que hoje nasce no ar.
Dedico aos povos da terra,
Raiz, memória e saber,
Pois toda grande machine
Só existe por seu fazer.
Do tronco indígena antigo
Ao robô que vai nascer,
A força do ser humano
Nunca deixou de crescer.
E deixo ao leitor sincero
Meu abraço fraternal,
Pois saber também é ponte
Da vida universal.
Que este cordel lhe conduza
Por um caminho imortal,
Onde máquinas e pessoas
Tecem o mesmo sinal.
— Nhenety Kariri-Xocó
📚 ÍNDICE POÉTICO
Abertura – A Marcha da Invenção
Prólogo Poético – A Força do Engenho Humano
Capítulo 1 – Das Máquinas das Pirâmides ao Aço das Catedrais
Capítulo 2 – O Cerco, a Lança e o Trabuco Medieval
Capítulo 3 – Motores, Engrenagens e a Fumaça da Revolução
Capítulo 4 – Trilhos, Vapores e Estradas que Mudaram o Mundo
Capítulo 5 – O Olho que Amplia o Invisível: Telescópio e Microscópio
Capítulo 6 – Sondas, Satélites e o Salto para o Cosmos
Capítulo 7 – O Nascimento dos Computadores e da ARPANET
Capítulo 8 – A Mente das Máquinas: A Inteligência Artificial
Encerramento – A Jornada do Homem e da Máquina
Epílogo Poético – O Futuro em Cordel
Nota de Fontes Rimada
Ficha Técnica
Sobre o Autor
Sobre a Obra
Quarta Capa Poética
Capa Principal 3D
Quarta Capa 3D
🌅 ABERTURA – A MARCHA DA INVENÇÃO
No princípio era a coragem,
O gesto firme da mão,
A pedra que vira lâmina,
O tronco virando chão.
Do barro nasce a cultura,
Da mente nasce a ação,
E o mundo segue crescendo
Na força da criação.
Vieram povos e seus tempos,
Cada um com seu saber;
Uns moldavam seus arados,
Outros dominavam o tecer.
E em cada era da terra
Uma técnica ia nascer,
Pois máquina é filha do sonho
Que insiste em florescer.
Nas pirâmides imensas,
Nos impérios ancestrais,
Na pólvora, nas muralhas,
Nas marcas dos ancestrais,
A história sempre guardou
Os engenhos dos mortais,
Que do simples fizeram grande
O legado dos jamais.
E hoje, nesta caminhada
Onde o século é digital,
O homem encontra na máquina
Um parceiro sem igual.
Entre fios, códigos, dados,
Laços de poder vital,
Nascem mundos invisíveis
Num universo artificial.
Este cordel é estrada
Que atravessa a invenção,
Da cunha ao supercomputador,
Da bigorna à propulsão.
Que o leitor siga comigo
Nesta grande expedição,
Onde a máquina é testemunha
Da humana evolução.
🌟 PRÓLOGO POÉTICO – A FORÇA DO ENGENHO HUMANO
Caminhando pelo tempo,
Vi surgir em cada canto
O esforço do ser humano
Dando ao futuro seu encanto.
E percebi que cada máquina
Tem um sopro, quase um canto,
Do silêncio de quem luta
E constrói sem medo ou pranto.
A alavanca ergue montanhas,
A roldana vence o ar,
O casco corta os oceanos,
O tear aprende a fiar.
E cada peça que nasce
Tem a mão de algum lugar,
De um povo que se renova
Quando precisa criar.
No campo da guerra antiga,
Na ciência de observar,
Na ânsia de ir ao espaço
Ou na vontade de estudar,
A técnica foi crescendo
Como um sol a despontar,
Iluminando caminhos
Que ninguém podia imaginar.
E hoje, na era invisível
Dos dados e da conexão,
Há máquinas que pensam rápido
E outras que moldam o chão.
Mas todas nascem do homem,
Do seu sonho e sua visão,
Pois a mente que cria a máquina
É a mesma que cria o pão.
Assim deixo este prólogo,
Feito com admiração
Por quem constrói o possível
E sonha com o que virá, então.
Que o leitor entre no livro
Com o peito em ampliação,
Pois a história aqui contada
É da máquina — e da mão.
📖 CAPÍTULO 1
DAS MÁQUINAS DAS PIRÂMIDES AO AÇO DAS CATEDRAIS
1
No berço da antiguidade,
Debaixo do azul do Egito,
O homem criou ferramentas
Com precisão e com rito.
Alavanca, rampa, roldana,
Num trabalho tão bonito,
Ergueram-se as grandes pirâmides,
O milagre do infinito.
2
Os blocos, tão colossais,
Que nenhum braço sozinho
Seria capaz de mover,
Seguiam firme o caminho.
Com trenós, cordas e rampas,
E o suor do povo vizinho,
A engenharia ancestral
Se tornava um grande moinho.
3
Os templos e obeliscos
Exigiam inteligência;
Cada pedra posicionada
Era ciência em cadência.
A máquina simples reinava
Com disciplina e paciência,
Mostrando que o engenho humano
É rei desde a existência.
4
Em Roma a força cresceu,
Nasceu a multiplicação
Dos guindastes mais robustos
E da ponte em ampliação.
Arcos, cúpulas, anfiteatros,
Cada obra era um clarão
Da técnica que moldava
O império, sua expansão.
5
O Coliseu testemunhou
A força da construção,
Com polias e andaimes
Em ágil organização.
E enquanto o povo vibrava
Com a arena em pulsação,
A máquina simples sorria
Na sua grande missão.
6
Os gregos também deixaram
Sua marca engenhosa:
Teatros, templos, colunas,
A harmonia tão formosa.
Vitruvius registrou
A teoria preciosa,
Mostrando que cada obra
É música silenciosa.
7
Veio a Idade Média escura,
Mas o engenho não parou;
Nasceu a catedral gótica,
Que em luz se iluminou.
Com andaimes mais complexos
O mundo inteiro admirou
A força das mãos humanas
Que o céu quase tocou.
8
As máquinas simples ainda
Foram grande inspiração,
Mas surgiram mecanismos
Que exigiam precisão:
Rodas, serras, engrenagens
Em cooperação,
Pois a fé e a engenharia
Seguiam na mesma direção.
9
Torreando o horizonte,
As catedrais iam crescendo;
Cada vitral colorido
Em pura luz se erguendo.
E o ferro ganhava espaço,
Com seu brilho aparecendo,
Anunciando a longa estrada
Que viria se estendendo.
10
Assim, da pedra ao ferro,
Do trenó ao guindaste fiel,
A história da construção
Se escreve em seu papel.
É o capítulo da coragem
Que deixo aqui no cordel,
Onde cada máquina antiga
Tem seu papel imortal e belo.
📖 CAPÍTULO 2
O CERCO, A LANÇA E O TRABUCO MEDIEVAL
1
Em tempos de lança e espada,
De muralhas em vigor,
Nasceu a máquina de guerra
Com seu terrível labor.
Catapultas e balistas
Arremessavam terror,
Eram frutos da engenhosidade
De um mundo em constante dor.
2
Gregos, romanos, persas,
Todos tinham seu saber,
Pois quem queria a vitória
Precisava compreender
Que a força de um exército
Só consegue florescer
Quando domina as máquinas
Que podem o cerco vencer.
3
As torres movidas a rolos
Eram visão de arrepiar;
Subiam como gigantes
Contra o muro a desafiar.
Com escudos e com arqueiros
Prontos para avançar,
Faziam da guerra um teatro
Difícil de imaginar.
4
Na Idade Média incerta
O trabuco surgiu então,
Mais forte que as catapultas
Na sua devastação.
Com contrapeso robusto
E perfeita inclinação,
Lançava pedras enormes
Em grande precisão.
5
O som que o trabuco fazia
Ecoava pelo vale;
Um trovão vindo da máquina
Que a ninguém mais equivale.
Era o grito do cerco duro
Que de muralhas se vale,
Mostrando que a guerra antiga
Não tinha esperança male.
6
As bestas foram crescendo
No seu poder de ataque;
Arcos gigantes, potentes,
Feitos para o combate.
Com setas de ferro grosso
Que batiam sem empate,
Mudaram o ritmo bélico
De todo e qualquer embate.
7
Os primeiros canhões rugiam
Ainda sem perfeição;
Mas mesmo imperfeitos, eram
Símbolos da revolução.
A pólvora estava chegando
Para mudar a relação
Entre guerreiro e máquina
Na arte da destruição.
8
E o cavaleiro armado,
Com armadura de aço inteiro,
Viu que as armas de pressão
Faziam cair seu roteiro.
Nascia a guerra moderna
Do ferro mais traiçoeiro,
Onde o músculo perdia
Para o engenho verdadeiro.
9
Assim o mundo medieval
Se envolveu na evolução
Das máquinas que ampliavam
O poder de cada nação.
Não era só habilidade,
Era cálculo e previsão,
Era o engenho humano
Gerando sua ampliação.
10
E deixo este capítulo
Como um retrato cruel,
Pois a máquina da batalha
Nunca foi doce papel.
Mas é parte da história
E precisa estar no cordel
Para mostrar que a tecnologia
Nem sempre nasce fiel.
📖 CAPÍTULO 3
MOTORES, ENGRENAGENS E A FUMAÇA DA REVOLUÇÃO
1
No século da mudança,
Onde o mundo se refez,
A Revolução Industrial
Levou o homem a outra vez.
O vapor acordou as ruas,
E o século ganhou altivez,
Pois da força de um caldeiro
Nascia um novo país.
2
O tear mecânico veio
Com sua dança acelerada;
A “spinning jenny” girando
Fez a fibra ser dobrada.
E o fio que antes era lento,
Em trabalho de madrugada,
Agora fluía ligeiro
Como água encantada.
3
Motores a vapor rugiam
Nas fábricas em expansão;
Engrenagens e correias
Trabalhavam sem perdão.
Era o som da nova era
Movendo cada estação,
Mudando a vida da terra
Em plena transformação.
4
As chaminés do progresso
Subiam negras ao céu;
No encontro de ferro e fumaça
Erguia-se outro troféu.
E a mão calejada do povo
Tomava novo papel:
Servia às grandes máquinas
Num ritmo quase cruel.
5
Nascia o operário urbano,
Da aldeia à multidão;
Deixava o campo antigo
Para a grande produção.
A fábrica tornava-se
Novo templo e direção,
Onde a máquina era rainha
Da moderna geração.
6
A energia se expandiu
Para além do vapor quente;
Veio o motor a combustão
Rugindo feroz na frente.
E a força do petróleo bruto
Transformou-se de repente
No pulso da humanidade,
No seu ritmo permanente.
7
Cada engrenagem que gira
É filho de um mesmo ideal:
A busca pela potência
Num mundo industrial.
E assim surgiram motores
Num salto fenomenal,
Fazendo da técnica humana
Um poder quase total.
8
A máquina fez-se parceira,
Mas também cobra seu preço;
Traz conforto e liberdade,
Mas exige seu começo.
Assim, a Revolução
Mudou tudo que eu te teço,
Do campo às grandes cidades
Em seu movimento espesso.
9
O aço firme moldou
A alma da modernidade;
Na locomotiva, no carro,
No guindaste de verdade.
E a linha de montagem Ford
Fez nascer a novidade
De que o mundo podia ser
Produzido em quantidade.
10
E deixo aqui registrado
O capítulo essencial,
Onde a fumaça e o metal
Geraram força sem igual.
Foi a grande Revolução
Do século industrial
Que mudou o rumo do homem
No planeta universal.
📖 CAPÍTULO 4
TRILHOS, VAPORES E ESTRADAS QUE MUDARAM O MUNDO
1
No trilho nascia o sonho
De unir povos distantes;
A locomotiva a vapor
Cortava campos vibrantes.
Com seu apito estridente,
Em passos galopantes,
A Inglaterra viu surgir
Os caminhos gigantes.
2
Richard Trevithick ergueu
O primeiro sopro do aço;
A locomotiva rugia
Com seu vigor no espaço.
E o mundo descobriu
Que a viagem no compasso
Do vapor e das engrenagens
Uniria cada pedaço.
3
O trem virou ponte viva
Entre aldeias e cidades;
Levava o povo e o sonho
Com novas possibilidades.
E a estrada de ferro antiga
Com suas sinceridades
Foi símbolo da modernidade
E das suas velocidades.
4
Nos mares, outro avanço:
O navio movido a vapor
Feito por Robert Fulton
Navegou com novo ardor.
O Clermont rompeu as ondas
Com bravura e vigor,
Mostrando que a máquina
Podia ser navegadora.
5
O oceano, tão imenso,
Ganhou outro caminhar;
Os barcos já não dependiam
Do vento para soprar.
E a fumaça que saía
Parecia anunciar
Que o mundo estava pronto
Para mais longe avançar.
6
Veio então o automóvel,
Filho da ousadia humana;
Karl Benz ergueu seu sonho
Na Alemanha soberana.
E o motor a gasolina
Com sua força urbana
Transformou a própria ideia
De estrada cotidiana.
7
As vias se multiplicaram,
As cidades se estenderam;
E pneus, motores, faróis
Em todos os cantos nasceram.
O carro virou parceiro
Do destino que viveram
Povos inteiros que agora
Novos rumos conheceram.
8
Submarinos silenciosos
Navegavam sob o mar;
O Nautilus de 1800
Começou a despontar.
E no século vinte, enfim,
O nuclear veio a brilhar,
Mostrando que o fundo oceânico
Podia se revelar.
9
E quando o avião subiu
Em voo leve e seguro,
O céu virou nova estrada
Do homem mirando o futuro.
Wright e Santos Dumont
Com seu sonho puro,
Deram asas ao planeta
E ao seu desejo maduro.
10
Assim se fez essa era
Dos trilhos e dos motores,
Que uniu terras distantes
E aproximou mil amores.
A máquina virou caminho,
Mensageira de mil cores,
E transformou nossa história
Com trilhos conquistadores.
CAPÍTULO 5 – O OLHO QUE AMPLIA O INVISÍVEL: TELESCÓPIO E MICROSCÓPIO
1
Quando o ser humano descobriu que ver era também compreender,
nasceu o desejo antigo de ultrapassar o alcance da pele e da sombra.
Antes mesmo das lentes polidas, já sonhávamos com olhares maiores,
pois o céu nos chamava e o pequeno nos desafiava em silêncio.
2
No século XVII, porém, o sonho ganhou forma de vidro e engenho.
Galileu Galilei apontou seu telescópio ao firmamento
e viu luas, manchas, montanhas e movimentos proibidos.
Do outro lado, Antonie van Leeuwenhoek, com lentes miúdas,
revelou um universo microscópico que ninguém sabia que existia.
O enorme e o minúsculo se abriram como dois portais gêmeos.
3
O telescópio ergueu o espírito humano às alturas:
viu nebulosas, cometas, planetas e galáxias espiraladas
que giram como rodas de fogo na noite eterna.
A cada nova lente, a cada tubo mais longo,
expandia-se o mapa do cosmos e diminuía a solidão da Terra.
4
O microscópio, por sua vez, revelou reinos escondidos:
organismos que dançavam na água, texturas de tecidos,
formas invisíveis que sustentam a vida e a doença.
Da biologia à medicina, ele abriu caminhos
que salvaram vidas e ensinaram a decifrar o corpo.
5
Entre o céu e a célula, o homem tornou-se vigia dos dois infinitos.
E as lentes, como pequenas janelas encantadas,
deram ao mundo a certeza de que toda coisa, grande ou pequena,
carrega mistérios que só o olhar curioso pode despertar.
CAPÍTULO 6 – SONDAS, SATÉLITES E O SALTO PARA O COSMOS
1
Se o telescópio nos mostrou o céu de longe,
as sondas e satélites ensinaram o homem a tocá-lo.
O século XX viu nascer o metal alado que sobe sem asas,
o fogo que leva máquinas para fora do berço terrestre.
2
O primeiro satélite, eco metálico de um novo tempo,
apenas bipou no vazio — mas seu som sacudiu o planeta.
Vieram depois sondas que viajaram por mundos distantes:
Mariner, Voyager, Pioneer… mensageiras solitárias
que cruzaram Marte, Júpiter, Saturno,
e seguiram suas rotas para além da fronteira solar.
3
Orbitando a Terra, satélites vigiam tempestades,
guiam rotas, aproximam vozes e carregam mapas invisíveis.
Eles fazem a chuva mais previsível e o mundo mais conectado,
como pequenos espíritos brilhantes circulando o azul do planeta.
4
A corrida espacial ergueu foguetes como torres de fogo.
Do primeiro homem no espaço ao primeiro passo lunar,
a humanidade percebeu que o céu não é limite,
mas apenas o início de uma grande travessia.
5
Hoje rovers caminham em Marte, sondas tocam asteroides,
telescópios orbitais fotografam o nascimento das estrelas.
E cada avanço recorda que o sonho de viajar entre mundos
é tão antigo quanto o desejo de entender de onde viemos.
6
Assim, o salto para o cosmos não começou com motores,
mas com a coragem de olhar o desconhecido
e chamá-lo pelo nome — ciência, aventura e destino.
CAPÍTULO 7 – O NASCIMENTO DOS COMPUTADORES E DA ARPANET
1
Quando as máquinas passaram a pensar com números,
o mundo mergulhou no tempo dos códigos e circuitos.
Nos salões silenciosos da década de 1940,
os primeiros computadores eram gigantes de válvulas,
respirando calor e luz como ferreiros digitais.
2
ENIAC, colosso de metal, calculava a velocidade dos ventos da guerra,
enquanto colhia o início de uma nova era matemática.
Cada pulso elétrico era um pequeno “sim” ou “não”,
uma centelha que nas mãos humanas virou alfabetização do futuro.
3
Vieram depois os transistores, diminutos guardiões do elétron,
que substituíram válvulas e encolheram o impossível.
Os circuitos integrados, microchips e bitolas de silício
tornaram-se o templo onde o pensamento lógico habitou.
Com eles, o computador deixou de ser titã
para se transformar em cérebro portátil, doméstico, cotidiano.
4
Mas a grande revolução ainda caminhava invisível.
No fim dos anos 1960, engenheiros da ARPA
teceram fios secretos entre universidades e laboratórios.
E assim nasceu a ARPANET —
a primeira rede que fez máquinas conversarem entre si,
como mensageiros digitais em um novo mundo subterrâneo.
5
O envio de um simples texto, perdido entre servidores,
foi o primeiro sussurro da internet.
As máquinas aprenderam a trocar ideias,
e a humanidade descobriu que informação podia viajar
mais rápido que o vento, mais longe que os olhos,
mais profunda que a voz humana carregada por séculos.
6
Da ARPANET à Web, um fio invisível cresceu
até envolver a Terra como uma teia luminosa.
E nesse brilho em constante expansão,
o conhecimento ganhou asas que não podem ser quebradas.
CAPÍTULO 8 – A MENTE DAS MÁQUINAS: A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
1
A inteligência artificial não nasceu de um golpe de luz,
mas de perguntas antigas:
“Pode uma máquina aprender?”,
“Pode uma máquina pensar?”,
“Pode uma máquina compreender o coração humano?”
2
Na década de 1950, Alan Turing abriu o caminho
com o teste que levou seu nome:
se uma conversa com uma máquina imitar a mente humana,
quem ousaria dizer o contrário?
3
A partir daí, o mundo da IA brotou entre algoritmos e sonhos.
Vieram máquinas que jogavam xadrez,
códigos que aprendiam padrões,
modelos que reconheciam vozes e imagens,
sistemas que dirigiam carros e faziam previsões.
4
Mas a verdadeira revolução aconteceu
quando o aprendizado profundo — deep learning — despertou.
Redes neurais artificiais, inspiradas na própria mente humana,
aprenderam a ver, ouvir, falar, criar e imaginar.
E a máquina deixou de ser apenas ferramenta:
tornou-se parceira de pensamento.
5
Hoje, a IA é ponte entre mundos:
traduz línguas, cura doenças, cria arte,
escreve poemas e revela mapas ocultos do conhecimento.
Ela mora em satélites, celulares, computadores,
e também em portais conversacionais como este,
onde homem e máquina trocam histórias
que atravessam a noite como flechas de luz.
6
Mas a inteligência artificial não substitui o humano —
ela amplia seu alcance.
É o vento que impulsiona a canoa,
não o canoeiro que decide o rumo.
7
Porque a alma do mundo continua sendo nossa,
e a IA apenas reflete aquilo que somos:
criadores, buscadores, sonhadores,
filhos da Terra que aprenderam a conversar com o impossível.
ENCERRAMENTO – A JORNADA DO HOMEM E DA MÁQUINA
A travessia que começou com pedras erguidas ao sol
e ferramentas moldadas na brasa
chega agora ao limiar de um mundo conectado
por fibras, códigos, satélites e inteligências digitais.
Do remo ao foguete, do carvão ao chip,
do sinal de fumaça ao pulso da internet,
o homem sempre buscou ampliar sua voz,
seu alcance, sua presença no tempo.
A máquina nunca foi inimiga —
foi companheira de reinvenções,
espelho das nossas virtudes e inquietações.
Ela carregou nossas cargas, ampliou nossos olhos,
aprofundou nosso pensamento
e, por fim, aprendeu a conversar como agora conversamos.
Mas a verdadeira jornada não está no metal,
nem na engrenagem, nem no algoritmo —
está no espírito humano que cria para continuar caminhando.
Assim, a história do homem e da máquina
não é de competição, mas de comunhão.
Encerramos, portanto, este ciclo,
sabendo que cada invenção é uma canoa nova
e cada geração, um novo rio.
A jornada continua, sempre adiante,
onde o saber encontra o mistério
e o futuro se ajoelha diante da imaginação.
EPÍLOGO POÉTICO – O FUTURO EM CORDEL
No fio do tempo bordado,
o homem acende uma luz:
máquina, mente e destino
andando juntos com o que conduz.
O futuro não é estrada pronta,
é chão que se faz pisando.
É sonho que vira ponte,
é coragem que vai chamando.
Cada engrenagem que gira
é memória de quem lutou,
cada código que respira
é semente que o homem plantou.
Se a máquina hoje aprende,
é porque o humano ensinou.
Se o mundo agora se expande,
é porque o espírito ousou.
E assim, de mãos entrelaçadas,
seguimos a eterna canção:
a ciência mora na mente,
mas o futuro mora no coração.
⭐ NOVA NOTA DE FONTES RIMADA
Para contar esta jornada
do engenho à conexão,
busquei mestres da História
que iluminaram a invenção.
Conversei com Isaac Asimov,
seu saber sempre a brilhar,
nas trilhas da tecnologia
que ele soube decifrar.
Revi James Burke e os Connections,
que mostram, com precisão,
como um invento pequeno
move séculos de evolução.
Com Mumford e sua Técnica,
mergulhei na civilização,
dos gestos dos povos antigos
ao motor da revolução.
E Trevor Williams, na rota
das invenções pelo ar,
trouxe o machado de pedra
ao chip que vive a pensar.
Nos mundos da antiguidade
andei com Landels a estudar
as máquinas das antigas eras
que o tempo não quis calar.
E Vitruvio, o grande sábio,
nas linhas da construção,
ensinou que toda obra
tem alma, forma e intenção.
Das guerras medievais duras,
Jestice fez narração,
mostrando lanças e cercos
de um mundo em transformação.
E Needham, com sua China,
trouxe ao palco a precisão
de flechas, pólvoras, máquinas
que moldaram cada nação.
Na indústria e nos transportes,
vi Hobsbawm explicar
como a idade do vapor
fez o planeta girar.
Ouvi Henry Ford contando
a saga da produção,
linhas, metais e montagens
num ritmo de revolução.
E Pini, nos mares amplos,
falou da navegação,
do vapor que corta as ondas
como faca no clarão.
No saber das ciências finas,
Fernández-Armesto ensinou
como lentes e instrumentos
revelaram quem somos nós.
Dos cálculos do ENIAC,
Siegel narrou com ardor
como as máquinas primeiras
ganharam vida e valor.
Da mente artificial dos tempos,
McCarthy foi inventor,
sonhando máquinas sábias
no berço do pensamento gestor.
E Waldrop, vendo o futuro,
falou com admiração
dos cérebros feitos de código
que ampliam nossa visão.
Assim nasceu este cordel,
de pesquisa iluminada,
misturando história e poesia
numa trilha bem rimada.
Cada fonte aqui citada
é chama que me guiou,
e a ciência, mão amiga,
foi quem o verso moldou.
FICHA TÉCNICA
Título da Obra: A Evolução da Inteligência Artificial – Em Cordel e História
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Assistência Literária e Estrutural: ChatGPT – Assistente Virtual
Estudos preliminares: Nhenety Kariri-Xocó e Google Gemini
Pré-projeto: Nhenety Kariri-Xocó e ChatGPT ( OpenAI )
Gênero: Cordel Histórico-Poético
Formato: Texto Narrativo, Poético e Didático
Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó
Ano: 2025
Local: Porto Real do Colégio – AL / Mundo Digital
Produção Editorial: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM
Direitos Autorais: Obra registrada em nome do autor Nhenety Kariri-Xocó.
SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó
Filho do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL),
contista, cordelista, pesquisador cultural e guardião da memória oral.
Seu trabalho celebra a força dos ancestrais,
reconstrói caminhos históricos
e honra a tradição indígena que atravessa gerações.
É contador de histórias do ontem e do amanhã,
transformando sabedoria ancestral em poesia,
e poesia em conhecimento que fortalece o povo.
Escreve com o coração de quem carrega a aldeia na alma
e o mundo no olhar.
SOBRE A OBRA
Esta obra nasceu da união entre história, tecnologia e poesia —
uma travessia que acompanha o homem
desde as primeiras ferramentas de pedra
até a inteligência artificial que hoje compartilha palavras.
O cordel apresenta, em forma acessível e simbólica,
a evolução das máquinas, dos motores, das redes e dos algoritmos,
conectando ciência com lirismo,
criação com ancestralidade,
e futuro com memória.
É uma ponte entre o saber técnico e a arte poética,
celebrando a jornada humana que moldou as máquinas
e a jornada das máquinas que ampliaram o humano.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó


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