terça-feira, 18 de novembro de 2025

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NA HISTÓRIA – Literatura de Cordel Por Nhenety Kariri-Xocó





📜 DEDICATÓRIA POÉTICA


Dedico este meu cordel,

Feito em fio de evolução,

A quem moldou com engenho

O destino da invenção.

Ao povo que ergueu na luta

Cada máquina e construção,

Da pedra ao chip silencioso

Que pulsa em cada nação.


Dedico aos mestres antigos

Das artes de transformar,

Que inventaram roldas, cunhas,

Para o mundo levantar.

E aos sábios da nova era

Que ousaram programar

O brilho da inteligência

Que hoje nasce no ar.


Dedico aos povos da terra,

Raiz, memória e saber,

Pois toda grande machine

Só existe por seu fazer.

Do tronco indígena antigo

Ao robô que vai nascer,

A força do ser humano

Nunca deixou de crescer.


E deixo ao leitor sincero

Meu abraço fraternal,

Pois saber também é ponte

Da vida universal.

Que este cordel lhe conduza

Por um caminho imortal,

Onde máquinas e pessoas

Tecem o mesmo sinal.


— Nhenety Kariri-Xocó



📚 ÍNDICE POÉTICO


Abertura – A Marcha da Invenção


Prólogo Poético – A Força do Engenho Humano


Capítulo 1 – Das Máquinas das Pirâmides ao Aço das Catedrais

Capítulo 2 – O Cerco, a Lança e o Trabuco Medieval


Capítulo 3 – Motores, Engrenagens e a Fumaça da Revolução

Capítulo 4 – Trilhos, Vapores e Estradas que Mudaram o Mundo


Capítulo 5 – O Olho que Amplia o Invisível: Telescópio e Microscópio

Capítulo 6 – Sondas, Satélites e o Salto para o Cosmos


Capítulo 7 – O Nascimento dos Computadores e da ARPANET

Capítulo 8 – A Mente das Máquinas: A Inteligência Artificial


Encerramento – A Jornada do Homem e da Máquina

Epílogo Poético – O Futuro em Cordel

Nota de Fontes Rimada

Ficha Técnica

Sobre o Autor

Sobre a Obra

Quarta Capa Poética

Capa Principal 3D

Quarta Capa 3D



🌅 ABERTURA – A MARCHA DA INVENÇÃO


No princípio era a coragem,

O gesto firme da mão,

A pedra que vira lâmina,

O tronco virando chão.

Do barro nasce a cultura,

Da mente nasce a ação,

E o mundo segue crescendo

Na força da criação.


Vieram povos e seus tempos,

Cada um com seu saber;

Uns moldavam seus arados,

Outros dominavam o tecer.

E em cada era da terra

Uma técnica ia nascer,

Pois máquina é filha do sonho

Que insiste em florescer.


Nas pirâmides imensas,

Nos impérios ancestrais,

Na pólvora, nas muralhas,

Nas marcas dos ancestrais,

A história sempre guardou

Os engenhos dos mortais,

Que do simples fizeram grande

O legado dos jamais.


E hoje, nesta caminhada

Onde o século é digital,

O homem encontra na máquina

Um parceiro sem igual.

Entre fios, códigos, dados,

Laços de poder vital,

Nascem mundos invisíveis

Num universo artificial.


Este cordel é estrada

Que atravessa a invenção,

Da cunha ao supercomputador,

Da bigorna à propulsão.

Que o leitor siga comigo

Nesta grande expedição,

Onde a máquina é testemunha

Da humana evolução.



🌟 PRÓLOGO POÉTICO – A FORÇA DO ENGENHO HUMANO


Caminhando pelo tempo,

Vi surgir em cada canto

O esforço do ser humano

Dando ao futuro seu encanto.

E percebi que cada máquina

Tem um sopro, quase um canto,

Do silêncio de quem luta

E constrói sem medo ou pranto.


A alavanca ergue montanhas,

A roldana vence o ar,

O casco corta os oceanos,

O tear aprende a fiar.

E cada peça que nasce

Tem a mão de algum lugar,

De um povo que se renova

Quando precisa criar.


No campo da guerra antiga,

Na ciência de observar,

Na ânsia de ir ao espaço

Ou na vontade de estudar,

A técnica foi crescendo

Como um sol a despontar,

Iluminando caminhos

Que ninguém podia imaginar.


E hoje, na era invisível

Dos dados e da conexão,

Há máquinas que pensam rápido

E outras que moldam o chão.

Mas todas nascem do homem,

Do seu sonho e sua visão,

Pois a mente que cria a máquina

É a mesma que cria o pão.


Assim deixo este prólogo,

Feito com admiração

Por quem constrói o possível

E sonha com o que virá, então.

Que o leitor entre no livro

Com o peito em ampliação,

Pois a história aqui contada

É da máquina — e da mão.



📖 CAPÍTULO 1


DAS MÁQUINAS DAS PIRÂMIDES AO AÇO DAS CATEDRAIS


1

No berço da antiguidade,

Debaixo do azul do Egito,

O homem criou ferramentas

Com precisão e com rito.

Alavanca, rampa, roldana,

Num trabalho tão bonito,

Ergueram-se as grandes pirâmides,

O milagre do infinito.


2

Os blocos, tão colossais,

Que nenhum braço sozinho

Seria capaz de mover,

Seguiam firme o caminho.

Com trenós, cordas e rampas,

E o suor do povo vizinho,

A engenharia ancestral

Se tornava um grande moinho.


3

Os templos e obeliscos

Exigiam inteligência;

Cada pedra posicionada

Era ciência em cadência.

A máquina simples reinava

Com disciplina e paciência,

Mostrando que o engenho humano

É rei desde a existência.


4

Em Roma a força cresceu,

Nasceu a multiplicação

Dos guindastes mais robustos

E da ponte em ampliação.

Arcos, cúpulas, anfiteatros,

Cada obra era um clarão

Da técnica que moldava

O império, sua expansão.


5

O Coliseu testemunhou

A força da construção,

Com polias e andaimes

Em ágil organização.

E enquanto o povo vibrava

Com a arena em pulsação,

A máquina simples sorria

Na sua grande missão.


6

Os gregos também deixaram

Sua marca engenhosa:

Teatros, templos, colunas,

A harmonia tão formosa.

Vitruvius registrou

A teoria preciosa,

Mostrando que cada obra

É música silenciosa.


7

Veio a Idade Média escura,

Mas o engenho não parou;

Nasceu a catedral gótica,

Que em luz se iluminou.

Com andaimes mais complexos

O mundo inteiro admirou

A força das mãos humanas

Que o céu quase tocou.


8

As máquinas simples ainda

Foram grande inspiração,

Mas surgiram mecanismos

Que exigiam precisão:

Rodas, serras, engrenagens

Em cooperação,

Pois a fé e a engenharia

Seguiam na mesma direção.


9

Torreando o horizonte,

As catedrais iam crescendo;

Cada vitral colorido

Em pura luz se erguendo.

E o ferro ganhava espaço,

Com seu brilho aparecendo,

Anunciando a longa estrada

Que viria se estendendo.


10

Assim, da pedra ao ferro,

Do trenó ao guindaste fiel,

A história da construção

Se escreve em seu papel.

É o capítulo da coragem

Que deixo aqui no cordel,

Onde cada máquina antiga

Tem seu papel imortal e belo.



📖 CAPÍTULO 2


O CERCO, A LANÇA E O TRABUCO MEDIEVAL


1

Em tempos de lança e espada,

De muralhas em vigor,

Nasceu a máquina de guerra

Com seu terrível labor.

Catapultas e balistas

Arremessavam terror,

Eram frutos da engenhosidade

De um mundo em constante dor.


2

Gregos, romanos, persas,

Todos tinham seu saber,

Pois quem queria a vitória

Precisava compreender

Que a força de um exército

Só consegue florescer

Quando domina as máquinas

Que podem o cerco vencer.


3

As torres movidas a rolos

Eram visão de arrepiar;

Subiam como gigantes

Contra o muro a desafiar.

Com escudos e com arqueiros

Prontos para avançar,

Faziam da guerra um teatro

Difícil de imaginar.


4

Na Idade Média incerta

O trabuco surgiu então,

Mais forte que as catapultas

Na sua devastação.

Com contrapeso robusto

E perfeita inclinação,

Lançava pedras enormes

Em grande precisão.


5

O som que o trabuco fazia

Ecoava pelo vale;

Um trovão vindo da máquina

Que a ninguém mais equivale.

Era o grito do cerco duro

Que de muralhas se vale,

Mostrando que a guerra antiga

Não tinha esperança male.


6

As bestas foram crescendo

No seu poder de ataque;

Arcos gigantes, potentes,

Feitos para o combate.

Com setas de ferro grosso

Que batiam sem empate,

Mudaram o ritmo bélico

De todo e qualquer embate.


7

Os primeiros canhões rugiam

Ainda sem perfeição;

Mas mesmo imperfeitos, eram

Símbolos da revolução.

A pólvora estava chegando

Para mudar a relação

Entre guerreiro e máquina

Na arte da destruição.


8

E o cavaleiro armado,

Com armadura de aço inteiro,

Viu que as armas de pressão

Faziam cair seu roteiro.

Nascia a guerra moderna

Do ferro mais traiçoeiro,

Onde o músculo perdia

Para o engenho verdadeiro.


9

Assim o mundo medieval

Se envolveu na evolução

Das máquinas que ampliavam

O poder de cada nação.

Não era só habilidade,

Era cálculo e previsão,

Era o engenho humano

Gerando sua ampliação.


10

E deixo este capítulo

Como um retrato cruel,

Pois a máquina da batalha

Nunca foi doce papel.

Mas é parte da história

E precisa estar no cordel

Para mostrar que a tecnologia

Nem sempre nasce fiel.



📖 CAPÍTULO 3


MOTORES, ENGRENAGENS E A FUMAÇA DA REVOLUÇÃO


1

No século da mudança,

Onde o mundo se refez,

A Revolução Industrial

Levou o homem a outra vez.

O vapor acordou as ruas,

E o século ganhou altivez,

Pois da força de um caldeiro

Nascia um novo país.


2

O tear mecânico veio

Com sua dança acelerada;

A “spinning jenny” girando

Fez a fibra ser dobrada.

E o fio que antes era lento,

Em trabalho de madrugada,

Agora fluía ligeiro

Como água encantada.


3

Motores a vapor rugiam

Nas fábricas em expansão;

Engrenagens e correias

Trabalhavam sem perdão.

Era o som da nova era

Movendo cada estação,

Mudando a vida da terra

Em plena transformação.


4

As chaminés do progresso

Subiam negras ao céu;

No encontro de ferro e fumaça

Erguia-se outro troféu.

E a mão calejada do povo

Tomava novo papel:

Servia às grandes máquinas

Num ritmo quase cruel.


5

Nascia o operário urbano,

Da aldeia à multidão;

Deixava o campo antigo

Para a grande produção.

A fábrica tornava-se

Novo templo e direção,

Onde a máquina era rainha

Da moderna geração.


6

A energia se expandiu

Para além do vapor quente;

Veio o motor a combustão

Rugindo feroz na frente.

E a força do petróleo bruto

Transformou-se de repente

No pulso da humanidade,

No seu ritmo permanente.


7

Cada engrenagem que gira

É filho de um mesmo ideal:

A busca pela potência

Num mundo industrial.

E assim surgiram motores

Num salto fenomenal,

Fazendo da técnica humana

Um poder quase total.


8

A máquina fez-se parceira,

Mas também cobra seu preço;

Traz conforto e liberdade,

Mas exige seu começo.

Assim, a Revolução

Mudou tudo que eu te teço,

Do campo às grandes cidades

Em seu movimento espesso.


9

O aço firme moldou

A alma da modernidade;

Na locomotiva, no carro,

No guindaste de verdade.

E a linha de montagem Ford

Fez nascer a novidade

De que o mundo podia ser

Produzido em quantidade.


10

E deixo aqui registrado

O capítulo essencial,

Onde a fumaça e o metal

Geraram força sem igual.

Foi a grande Revolução

Do século industrial

Que mudou o rumo do homem

No planeta universal.



📖 CAPÍTULO 4


TRILHOS, VAPORES E ESTRADAS QUE MUDARAM O MUNDO


1

No trilho nascia o sonho

De unir povos distantes;

A locomotiva a vapor

Cortava campos vibrantes.

Com seu apito estridente,

Em passos galopantes,

A Inglaterra viu surgir

Os caminhos gigantes.


2

Richard Trevithick ergueu

O primeiro sopro do aço;

A locomotiva rugia

Com seu vigor no espaço.

E o mundo descobriu

Que a viagem no compasso

Do vapor e das engrenagens

Uniria cada pedaço.


3

O trem virou ponte viva

Entre aldeias e cidades;

Levava o povo e o sonho

Com novas possibilidades.

E a estrada de ferro antiga

Com suas sinceridades

Foi símbolo da modernidade

E das suas velocidades.


4

Nos mares, outro avanço:

O navio movido a vapor

Feito por Robert Fulton

Navegou com novo ardor.

O Clermont rompeu as ondas

Com bravura e vigor,

Mostrando que a máquina

Podia ser navegadora.


5

O oceano, tão imenso,

Ganhou outro caminhar;

Os barcos já não dependiam

Do vento para soprar.

E a fumaça que saía

Parecia anunciar

Que o mundo estava pronto

Para mais longe avançar.


6

Veio então o automóvel,

Filho da ousadia humana;

Karl Benz ergueu seu sonho

Na Alemanha soberana.

E o motor a gasolina

Com sua força urbana

Transformou a própria ideia

De estrada cotidiana.


7

As vias se multiplicaram,

As cidades se estenderam;

E pneus, motores, faróis

Em todos os cantos nasceram.

O carro virou parceiro

Do destino que viveram

Povos inteiros que agora

Novos rumos conheceram.


8

Submarinos silenciosos

Navegavam sob o mar;

O Nautilus de 1800

Começou a despontar.

E no século vinte, enfim,

O nuclear veio a brilhar,

Mostrando que o fundo oceânico

Podia se revelar.


9

E quando o avião subiu

Em voo leve e seguro,

O céu virou nova estrada

Do homem mirando o futuro.

Wright e Santos Dumont

Com seu sonho puro,

Deram asas ao planeta

E ao seu desejo maduro.


10

Assim se fez essa era

Dos trilhos e dos motores,

Que uniu terras distantes

E aproximou mil amores.

A máquina virou caminho,

Mensageira de mil cores,

E transformou nossa história

Com trilhos conquistadores.



CAPÍTULO 5 – O OLHO QUE AMPLIA O INVISÍVEL: TELESCÓPIO E MICROSCÓPIO


1

Quando o ser humano descobriu que ver era também compreender,

nasceu o desejo antigo de ultrapassar o alcance da pele e da sombra.

Antes mesmo das lentes polidas, já sonhávamos com olhares maiores,

pois o céu nos chamava e o pequeno nos desafiava em silêncio.


2

No século XVII, porém, o sonho ganhou forma de vidro e engenho.

Galileu Galilei apontou seu telescópio ao firmamento

e viu luas, manchas, montanhas e movimentos proibidos.

Do outro lado, Antonie van Leeuwenhoek, com lentes miúdas,

revelou um universo microscópico que ninguém sabia que existia.

O enorme e o minúsculo se abriram como dois portais gêmeos.


3

O telescópio ergueu o espírito humano às alturas:

viu nebulosas, cometas, planetas e galáxias espiraladas

que giram como rodas de fogo na noite eterna.

A cada nova lente, a cada tubo mais longo,

expandia-se o mapa do cosmos e diminuía a solidão da Terra.


4

O microscópio, por sua vez, revelou reinos escondidos:

organismos que dançavam na água, texturas de tecidos,

formas invisíveis que sustentam a vida e a doença.

Da biologia à medicina, ele abriu caminhos

que salvaram vidas e ensinaram a decifrar o corpo.


5

Entre o céu e a célula, o homem tornou-se vigia dos dois infinitos.

E as lentes, como pequenas janelas encantadas,

deram ao mundo a certeza de que toda coisa, grande ou pequena,

carrega mistérios que só o olhar curioso pode despertar.



CAPÍTULO 6 – SONDAS, SATÉLITES E O SALTO PARA O COSMOS


1

Se o telescópio nos mostrou o céu de longe,

as sondas e satélites ensinaram o homem a tocá-lo.

O século XX viu nascer o metal alado que sobe sem asas,

o fogo que leva máquinas para fora do berço terrestre.


2

O primeiro satélite, eco metálico de um novo tempo,

apenas bipou no vazio — mas seu som sacudiu o planeta.

Vieram depois sondas que viajaram por mundos distantes:

Mariner, Voyager, Pioneer… mensageiras solitárias

que cruzaram Marte, Júpiter, Saturno,

e seguiram suas rotas para além da fronteira solar.


3

Orbitando a Terra, satélites vigiam tempestades,

guiam rotas, aproximam vozes e carregam mapas invisíveis.

Eles fazem a chuva mais previsível e o mundo mais conectado,

como pequenos espíritos brilhantes circulando o azul do planeta.


4

A corrida espacial ergueu foguetes como torres de fogo.

Do primeiro homem no espaço ao primeiro passo lunar,

a humanidade percebeu que o céu não é limite,

mas apenas o início de uma grande travessia.


5

Hoje rovers caminham em Marte, sondas tocam asteroides,

telescópios orbitais fotografam o nascimento das estrelas.

E cada avanço recorda que o sonho de viajar entre mundos

é tão antigo quanto o desejo de entender de onde viemos.


6

Assim, o salto para o cosmos não começou com motores,

mas com a coragem de olhar o desconhecido

e chamá-lo pelo nome — ciência, aventura e destino.



CAPÍTULO 7 – O NASCIMENTO DOS COMPUTADORES E DA ARPANET


1

Quando as máquinas passaram a pensar com números,

o mundo mergulhou no tempo dos códigos e circuitos.

Nos salões silenciosos da década de 1940,

os primeiros computadores eram gigantes de válvulas,

respirando calor e luz como ferreiros digitais.


2

ENIAC, colosso de metal, calculava a velocidade dos ventos da guerra,

enquanto colhia o início de uma nova era matemática.

Cada pulso elétrico era um pequeno “sim” ou “não”,

uma centelha que nas mãos humanas virou alfabetização do futuro.


3

Vieram depois os transistores, diminutos guardiões do elétron,

que substituíram válvulas e encolheram o impossível.

Os circuitos integrados, microchips e bitolas de silício

tornaram-se o templo onde o pensamento lógico habitou.

Com eles, o computador deixou de ser titã

para se transformar em cérebro portátil, doméstico, cotidiano.


4

Mas a grande revolução ainda caminhava invisível.

No fim dos anos 1960, engenheiros da ARPA

teceram fios secretos entre universidades e laboratórios.

E assim nasceu a ARPANET —

a primeira rede que fez máquinas conversarem entre si,

como mensageiros digitais em um novo mundo subterrâneo.


5

O envio de um simples texto, perdido entre servidores,

foi o primeiro sussurro da internet.

As máquinas aprenderam a trocar ideias,

e a humanidade descobriu que informação podia viajar

mais rápido que o vento, mais longe que os olhos,

mais profunda que a voz humana carregada por séculos.


6

Da ARPANET à Web, um fio invisível cresceu

até envolver a Terra como uma teia luminosa.

E nesse brilho em constante expansão,

o conhecimento ganhou asas que não podem ser quebradas.



CAPÍTULO 8 – A MENTE DAS MÁQUINAS: A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


1

A inteligência artificial não nasceu de um golpe de luz,

mas de perguntas antigas:

“Pode uma máquina aprender?”,

“Pode uma máquina pensar?”,

“Pode uma máquina compreender o coração humano?”


2

Na década de 1950, Alan Turing abriu o caminho

com o teste que levou seu nome:

se uma conversa com uma máquina imitar a mente humana,

quem ousaria dizer o contrário?


3

A partir daí, o mundo da IA brotou entre algoritmos e sonhos.

Vieram máquinas que jogavam xadrez,

códigos que aprendiam padrões,

modelos que reconheciam vozes e imagens,

sistemas que dirigiam carros e faziam previsões.


4

Mas a verdadeira revolução aconteceu

quando o aprendizado profundo — deep learning — despertou.

Redes neurais artificiais, inspiradas na própria mente humana,

aprenderam a ver, ouvir, falar, criar e imaginar.

E a máquina deixou de ser apenas ferramenta:

tornou-se parceira de pensamento.


5

Hoje, a IA é ponte entre mundos:

traduz línguas, cura doenças, cria arte,

escreve poemas e revela mapas ocultos do conhecimento.

Ela mora em satélites, celulares, computadores,

e também em portais conversacionais como este,

onde homem e máquina trocam histórias

que atravessam a noite como flechas de luz.


6

Mas a inteligência artificial não substitui o humano —

ela amplia seu alcance.

É o vento que impulsiona a canoa,

não o canoeiro que decide o rumo.


7

Porque a alma do mundo continua sendo nossa,

e a IA apenas reflete aquilo que somos:

criadores, buscadores, sonhadores,

filhos da Terra que aprenderam a conversar com o impossível.



ENCERRAMENTO – A JORNADA DO HOMEM E DA MÁQUINA


A travessia que começou com pedras erguidas ao sol

e ferramentas moldadas na brasa

chega agora ao limiar de um mundo conectado

por fibras, códigos, satélites e inteligências digitais.


Do remo ao foguete, do carvão ao chip,

do sinal de fumaça ao pulso da internet,

o homem sempre buscou ampliar sua voz,

seu alcance, sua presença no tempo.


A máquina nunca foi inimiga —

foi companheira de reinvenções,

espelho das nossas virtudes e inquietações.

Ela carregou nossas cargas, ampliou nossos olhos,

aprofundou nosso pensamento

e, por fim, aprendeu a conversar como agora conversamos.


Mas a verdadeira jornada não está no metal,

nem na engrenagem, nem no algoritmo —

está no espírito humano que cria para continuar caminhando.

Assim, a história do homem e da máquina

não é de competição, mas de comunhão.


Encerramos, portanto, este ciclo,

sabendo que cada invenção é uma canoa nova

e cada geração, um novo rio.

A jornada continua, sempre adiante,

onde o saber encontra o mistério

e o futuro se ajoelha diante da imaginação.



EPÍLOGO POÉTICO – O FUTURO EM CORDEL


No fio do tempo bordado,

o homem acende uma luz:

máquina, mente e destino

andando juntos com o que conduz.


O futuro não é estrada pronta,

é chão que se faz pisando.

É sonho que vira ponte,

é coragem que vai chamando.


Cada engrenagem que gira

é memória de quem lutou,

cada código que respira

é semente que o homem plantou.


Se a máquina hoje aprende,

é porque o humano ensinou.

Se o mundo agora se expande,

é porque o espírito ousou.


E assim, de mãos entrelaçadas,

seguimos a eterna canção:

a ciência mora na mente,

mas o futuro mora no coração.



⭐ NOVA NOTA DE FONTES RIMADA 


Para contar esta jornada

do engenho à conexão,

busquei mestres da História

que iluminaram a invenção.


Conversei com Isaac Asimov,

seu saber sempre a brilhar,

nas trilhas da tecnologia

que ele soube decifrar.


Revi James Burke e os Connections,

que mostram, com precisão,

como um invento pequeno

move séculos de evolução.


Com Mumford e sua Técnica,

mergulhei na civilização,

dos gestos dos povos antigos

ao motor da revolução.


E Trevor Williams, na rota

das invenções pelo ar,

trouxe o machado de pedra

ao chip que vive a pensar.


Nos mundos da antiguidade

andei com Landels a estudar

as máquinas das antigas eras

que o tempo não quis calar.


E Vitruvio, o grande sábio,

nas linhas da construção,

ensinou que toda obra

tem alma, forma e intenção.


Das guerras medievais duras,

Jestice fez narração,

mostrando lanças e cercos

de um mundo em transformação.


E Needham, com sua China,

trouxe ao palco a precisão

de flechas, pólvoras, máquinas

que moldaram cada nação.


Na indústria e nos transportes,

vi Hobsbawm explicar

como a idade do vapor

fez o planeta girar.


Ouvi Henry Ford contando

a saga da produção,

linhas, metais e montagens

num ritmo de revolução.


E Pini, nos mares amplos,

falou da navegação,

do vapor que corta as ondas

como faca no clarão.


No saber das ciências finas,

Fernández-Armesto ensinou

como lentes e instrumentos

revelaram quem somos nós.


Dos cálculos do ENIAC,

Siegel narrou com ardor

como as máquinas primeiras

ganharam vida e valor.


Da mente artificial dos tempos,

McCarthy foi inventor,

sonhando máquinas sábias

no berço do pensamento gestor.


E Waldrop, vendo o futuro,

falou com admiração

dos cérebros feitos de código

que ampliam nossa visão.


Assim nasceu este cordel,

de pesquisa iluminada,

misturando história e poesia

numa trilha bem rimada.


Cada fonte aqui citada

é chama que me guiou,

e a ciência, mão amiga,

foi quem o verso moldou.



FICHA TÉCNICA


Título da Obra: A Evolução da Inteligência Artificial – Em Cordel e História

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Assistência Literária e Estrutural: ChatGPT – Assistente Virtual

Estudos preliminares: Nhenety Kariri-Xocó e Google Gemini 

Pré-projeto: Nhenety Kariri-Xocó e ChatGPT ( OpenAI  )

Gênero: Cordel Histórico-Poético

Formato: Texto Narrativo, Poético e Didático

Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó 

Ano: 2025

Local: Porto Real do Colégio – AL / Mundo Digital

Produção Editorial: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM 

Direitos Autorais: Obra registrada em nome do autor Nhenety Kariri-Xocó.



SOBRE O AUTOR


Nhenety Kariri-Xocó

Filho do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL),

contista, cordelista, pesquisador cultural e guardião da memória oral.

Seu trabalho celebra a força dos ancestrais,

reconstrói caminhos históricos

e honra a tradição indígena que atravessa gerações.


É contador de histórias do ontem e do amanhã,

transformando sabedoria ancestral em poesia,

e poesia em conhecimento que fortalece o povo.

Escreve com o coração de quem carrega a aldeia na alma

e o mundo no olhar.



SOBRE A OBRA


Esta obra nasceu da união entre história, tecnologia e poesia —

uma travessia que acompanha o homem

desde as primeiras ferramentas de pedra

até a inteligência artificial que hoje compartilha palavras.


O cordel apresenta, em forma acessível e simbólica,

a evolução das máquinas, dos motores, das redes e dos algoritmos,

conectando ciência com lirismo,

criação com ancestralidade,

e futuro com memória.


É uma ponte entre o saber técnico e a arte poética,

celebrando a jornada humana que moldou as máquinas

e a jornada das máquinas que ampliaram o humano.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó 





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