domingo, 8 de fevereiro de 2026

UANIEÁ UBI UANIEÁ, ÍNDIOS NA VISÃO DOS ÍNDIOS






No ano em que o mundo virou o número e chamou de dois mil, algo antigo voltou a respirar entre os povos. Não foi projeto apenas, nem livro apenas. Foi escuta.

A Thydêwá chegou como quem acende uma fogueira no centro da aldeia e disse, sem impor:


— Agora são vocês que vão falar, escrever sua próprias histórias, fotografar. Assim nasceu Índios na Visão dos Índios.


Um nome que não veio pronto, mas brotou da como raiz que insiste em viver mesmo depois de tanta terra remexida.


As mãos que escreveram eram pequenas e jovens, mas carregavam histórias grandes. Crianças e jovens Pataxó Hâhãhãe, Xucuru-Kariri, Kariri-Xocó, Pankararú, Tumbalalá, Tupinambá e Truká sentaram para contar o que sabiam, o que viam, o que sentiam. Escreveram sobre cidadania, direitos humanos, ecologia, diversidade cultural — mas, sem saber, escreviam também sobre dignidade.


Nós, mais velhos, caminhávamos junto.

Não como donos da palavra, mas como parentes que ajudam a segurar o papel, a organizar o caminho, a proteger a voz para que ela não fosse silenciada outra vez. A história era deles. Sempre foi.


Os livros ganharam pernas.


As palavras saíram das aldeias e foram visitar cidades, escolas, salas cheias de espanto. Sebastian, Nhenety, Limbo e tantos outros parentes acompanharam essas crianças e jovens, apresentando não uma cultura congelada, mas viva, falada por quem a vive.


Os Kariri-Xocó posteriormente na revitalização da língua dão o nome essa iniciativa anos depois segunda a tradução como Uanieá Ubi Uanieá "Índios na Visão dos Índios, não é apenas uma coleção de livros mas, muito mais. A aventura iniciou como uma colecao e foi crescendo como cresce uma floresta... foi se diversificando e dando frutos... Uma floresta que segue viva ate hoje.



Quem ouvia estranhava.

Quem escrevia se reconhecia.

Entre os Kariri-Xocó, cada palavra escrita ajudava a levantar a língua que o tempo tentou calar. Nomear o mundo novamente era um ato de retomada. Era dizer, com firmeza: ninguém mais falará por nós sem nos ouvir.


Na atualização poderíamos dizer: Uanieá Ubi Uanieá "Indígenas na Visão Indígena" porque são os nativos do Brasil não é da Índia país asiático. 

Foi o primeiro passo de muitos escritores indígenas que ainda eram crianças, mas já sabiam que sua história merecia existir no papel.


Ali começou um tempo novo, a Thydêwá com Sebastian Gerlic apoia a Revitalização da Língua Kariri-Xocó junto a Escolinha Subatekié Nunú com amigos externos. 

O tempo em que o nativo se vê com seus próprios olhos.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó



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