quinta-feira, 23 de abril de 2026

CULTURA POPULAR BRASILEIRA E NORDESTINA XXIII, COLETÂNEA DE ARTIGOS DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ, VOLUME 23






FOLHA DE ROSTO


NHENETY KARIRI-XOCÓ
CULTURA POPULAR BRASILEIRA E NORDESTINA XXIII
Coletânea de Artigos do Acervo Virtual Bibliográfico
Volume 23
Porto Real do Colégio – AL
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO (FICHA CATALOGRÁFICA, MODELO COMPLETO)
(Usar este modelo no verso da folha de rosto)


Ficha Catalográfica (elaborada pelo autor)
Kariri-Xocó, Nhenety.
Cultura popular brasileira e nordestina XXIII: coletânea de artigos do acervo virtual bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó. Volume 23 / Nhenety Kariri-Xocó. – Arapiraca, AL: Edição do Autor, 2026.
120 p. (estimado)
Inclui referências bibliográficas.
ISBN: 978-65-000-0023-0
Cultura popular brasileira.
Folclore brasileiro.
Sertão nordestino – História.
Literatura de cordel.
Festas juninas.
Cultura indígena – Kariri-Xocó.
CDD: 398.0981

ISBN (SIMBÓLICO)
ISBN: 978-65-000-0023-0
- (Estruturado corretamente para padrão brasileiro, ainda que simbólico)




PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.



DEDICATÓRIA


Dedico esta obra aos meus ancestrais do povo Kariri-Xocó,
guardiões da memória, da palavra e da espiritualidade.
Aos anciãos Iraminõ, Joaquim Fumaça e Virgílio (Gringo),
que, à luz das fogueiras, mantiveram viva a tradição oral
e ensinaram que a cultura é a alma de um povo.



AGRADECIMENTOS


Agradeço, primeiramente, aos meus ancestrais, cuja sabedoria atravessa o tempo e sustenta a identidade do povo Kariri-Xocó.
Aos mais velhos da aldeia, que compartilharam histórias, ensinamentos e experiências, preservando a cultura por meio da oralidade.
À cultura popular brasileira, em suas múltiplas formas, que inspira este trabalho e fortalece o sentimento de pertencimento.
E a todos que valorizam, pesquisam e mantêm vivas as tradições do nosso povo.


EPÍGRAFE


“O folclore é a cultura do povo tornada norma pela tradição.”
— Câmara Cascudo



SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN ( Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução Geral
Desenvolvimento dos Capítulos
Introdução Geral
Capítulo 1 – O Brasil Folclórico segundo Câmara Cascudo
Capítulo 2 – Sertão Nordestino: Ocupação, Lutas e Cultura no Século XVII
Capítulo 3 – Simbologia da História de Cordel no Imaginário e Folhetos
Capítulo 4 – A Festa de São João: Tradição Cristã e Legado de Luiz Gonzaga
Considerações Finais
Referências Gerais
Sobre o Autor



INTRODUÇÃO GERAL


A cultura popular brasileira constitui-se como um vasto campo de expressões simbólicas, práticas sociais e manifestações identitárias construídas ao longo da história. Resultante da interação entre diferentes matrizes culturais — indígena, europeia e africana —, essa cultura revela a diversidade e a riqueza do povo brasileiro em suas múltiplas formas de viver, narrar e interpretar o mundo.
No contexto nordestino, essa diversidade adquire características próprias, marcadas pela oralidade, pela religiosidade, pela resistência histórica e pela criatividade popular. A região Nordeste, especialmente o sertão, configura-se como um espaço de memória, luta e produção cultural, onde tradições são preservadas e continuamente ressignificadas.
A presente obra, intitulada Cultura Popular Brasileira e Nordestina XXIII, reúne quatro artigos que abordam diferentes dimensões desse universo cultural. O primeiro capítulo discute o folclore brasileiro à luz das contribuições de Câmara Cascudo, destacando suas raízes e transformações. O segundo capítulo analisa a ocupação do sertão nordestino no século XVII, evidenciando conflitos e resistências. O terceiro capítulo investiga a simbologia da literatura de cordel, enquanto o quarto capítulo aborda a Festa de São João como expressão da tradição cristã e da identidade nordestina.
A partir de uma abordagem descritiva e cronológica, este volume busca contribuir para a valorização da cultura popular, reconhecendo-a como patrimônio imaterial e como elemento fundamental na construção da identidade nacional e regional, com destaque especial para a perspectiva do povo Kariri-Xocó.



APRESENTAÇÃO


A presente obra, Cultura Popular Brasileira e Nordestina XXIII, integra uma coletânea de estudos dedicados à análise e valorização das manifestações culturais que formam a identidade do Brasil, com ênfase especial na região Nordeste.
Este volume reúne artigos que dialogam com diferentes dimensões da cultura popular, abordando o folclore, a história do sertão, a literatura de cordel e as festas tradicionais. A partir de uma perspectiva descritiva e cronológica, o autor constrói uma narrativa que evidencia a contribuição das matrizes indígena, africana e europeia na formação cultural brasileira.
Mais do que um estudo acadêmico, esta obra representa um testemunho de vivência, memória e pertencimento, especialmente no contexto do povo Kariri-Xocó, cuja tradição oral e histórica se entrelaça com os temas abordados.
Assim, este livro se apresenta como instrumento de pesquisa, reflexão e valorização da cultura popular, contribuindo para a preservação do patrimônio imaterial brasileiro.



NOTA DO AUTOR


Este volume é resultado de pesquisas, leituras e vivências construídas ao longo do tempo, reunindo artigos publicados no acervo virtual do autor.
A proposta desta obra é contribuir para o reconhecimento da cultura popular como forma legítima de conhecimento, destacando sua importância na formação histórica e social do Brasil.
Escrever sobre o folclore, o sertão, o cordel e as festas populares é também escrever sobre memória, identidade e resistência. Como integrante do povo Kariri-Xocó, compreendo a cultura não apenas como objeto de estudo, mas como herança viva que se manifesta no cotidiano, nas narrativas e nas práticas comunitárias.
Este trabalho é, portanto, uma contribuição para o fortalecimento da cultura brasileira e para a valorização das tradições que constituem nossa história.



MEMÓRIA DO AUTOR


Durante minha infância na aldeia Kariri-Xocó, tive a oportunidade de conviver com duas formas fundamentais de conhecimento: a oralidade e a leitura.
Enquanto muitos colegas se dedicavam às brincadeiras, eu encontrava abrigo na Biblioteca Padre Anchieta, localizada na escola indígena. Ali, entre livros e silêncios, desenvolvi o hábito da leitura, que se tornaria parte essencial da minha formação.
Entre as obras que mais me marcaram, destaca-se o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo. A leitura dessa obra despertou em mim o interesse pelo estudo da cultura popular, permitindo compreender que muitas das histórias, crenças e práticas vivenciadas em minha comunidade faziam parte de um universo maior, compartilhado por todo o Brasil.
Ao mesmo tempo, fora da biblioteca, a sabedoria dos anciãos — como Iraminõ, Joaquim Fumaça e Virgílio (Gringo) — transmitia, por meio da palavra falada, aquilo que os livros registravam: a memória viva do povo.
Essa dupla formação, entre o livro e a fogueira, entre a escrita e a oralidade, constitui a base deste trabalho. O Volume 23 é, portanto, resultado dessa trajetória, que une vivência, leitura e reflexão sobre a cultura popular brasileira.



DESENVOLVIMENTO DOS CAPÍTULOS

CAPÍTULO 1

O BRASIL FOLCLÓRICO SEGUNDO CÂMARA CASCUDO





1. Introdução


O folclore brasileiro, segundo Câmara Cascudo, é a expressão mais autêntica da cultura popular. Ele nasce da sabedoria acumulada por gerações, transmitida oralmente e vivenciada nas práticas do cotidiano. O Brasil, por sua formação histórica, apresenta um universo folclórico resultante da fusão de três grandes tradições: a indígena, a europeia (especialmente a portuguesa) e a africana. Este trabalho propõe uma abordagem descritiva, cronológica e hierárquica do mundo folclórico brasileiro, demonstrando suas origens, permanências e transformações ao longo da história.

2. Descrição Cronológica e Hierárquica do Brasil Folclórico

2.1 As raízes indígenas — o tempo primordial

O primeiro estrato do folclore brasileiro é constituído pelos povos indígenas, habitantes originais do território. Sua cultura é marcada pela oralidade, pelos mitos ligados à natureza, pela visão animista do mundo, pelas práticas de cura e pelas lendas que explicam fenômenos naturais. Este é o Brasil das florestas, das águas, dos espíritos e dos encantamentos. A sabedoria indígena moldou a base espiritual e imaginária do folclore nacional.

2.2 A contribuição europeia — o tempo colonial

Com a chegada dos portugueses no século XVI, o Brasil passou a incorporar elementos da cultura europeia, sobretudo do catolicismo popular, das festas religiosas, dos contos medievais, das superstições e das práticas agrícolas. Os portugueses trouxeram também lendas, músicas, danças e tradições que se adaptaram ao novo território, formando um segundo nível cultural no folclore brasileiro. Essa fusão resultou na criação de práticas híbridas, que persistem até os dias atuais.

2.3 A influência africana — o tempo da resistência e da criação

A presença dos povos africanos, trazidos como escravizados, contribuiu de maneira decisiva para o folclore nacional. Seus mitos, cultos, ritmos musicais, danças, culinária e práticas religiosas enriqueceram o repertório cultural do Brasil. A resistência e a criatividade das culturas africanas permitiram a formação de novos símbolos, como os orixás, os tambores, as festas populares e as lendas afro-brasileiras. Essa matriz representa um movimento de resistência cultural, memória ancestral e reinvenção permanente.

3. Considerações Finais

A partir da abordagem descritiva, cronológica e hierárquica proposta por este estudo, torna-se evidente que o folclore brasileiro constitui-se como expressão autêntica da identidade nacional, sendo resultado da inter-relação entre as matrizes culturais indígena, europeia e africana. Conforme os ensinamentos de Câmara Cascudo, o folclore não se restringe a manifestações do passado, mas revela-se como um fenômeno dinâmico, vivo e em constante reelaboração, refletindo a criatividade, a resistência e a capacidade de reinvenção do povo brasileiro.

Ao compreender o folclore como patrimônio imaterial e como expressão coletiva da sabedoria popular, reconhece-se também a importância da valorização e preservação dessas manifestações culturais. O estudo do Brasil folclórico permite, assim, um mergulho profundo na formação simbólica e na memória cultural do país, reforçando a necessidade de políticas públicas e ações educativas que promovam o reconhecimento e o respeito à diversidade cultural brasileira.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó

CAPÍTULO 2

SERTÃO NORDESTINO OCUPAÇÃO, LUTAS E CULTURA NO SÉCULO XVII





Introdução


A ocupação do sertão nordestino no século XVII foi um processo marcado por interesses econômicos, disputas territoriais e resistências sociais. Na Capitania de Pernambuco, a expansão das atividades agropecuárias, sobretudo a criação de gado, teve papel fundamental no suporte à economia açucareira do litoral. Além disso, o sertão foi cenário de intensas lutas, como a Insurreição Pernambucana e a resistência do Quilombo dos Palmares, que evidenciam as tensões e conflitos do período colonial. Esse contexto também permitiu o desenvolvimento de expressões culturais afro-brasileiras que permaneceram como legado histórico da época.

Sertão Nordestino: Ocupação, Lutas e Cultura no Século XVII

A ocupação do sertão nordestino, especialmente na Capitania de Pernambuco, desenvolveu-se ao longo do século XVII em meio a interesses econômicos, disputas territoriais e resistências culturais.

As primeiras iniciativas de ocupação datam de aproximadamente 1630, quando começaram a surgir as primeiras fazendas de gado no Vale do São Francisco e no sertão do Pajeú. Padres jesuítas e senhores de engenho foram os principais responsáveis pela criação extensiva de gado, atividade fundamental para o abastecimento dos engenhos de açúcar no litoral, fornecendo carne e força de tração animal.

Paralelamente, desde o início do século XVII, o interior da capitania foi palco de lutas e resistências. Por volta de 1605, formou-se o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga — região que hoje corresponde ao estado de Alagoas, mas que na época integrava Pernambuco. Palmares se tornou um importante símbolo da resistência negra à escravidão, sustentando-se por quase um século, até ser destruído em 1694 pelas tropas comandadas por Domingos Jorge Velho.

Ainda no contexto das lutas, destacou-se a Insurreição Pernambucana (1645-1654), movimento que, embora tenha se concentrado no litoral contra a ocupação holandesa, também mobilizou forças no interior, envolvendo sertanejos e grupos indígenas aliados.

A ocupação oficial do sertão pernambucano foi intensificada a partir de 1671, com o avanço das fronteiras coloniais e a criação de novas fazendas de gado como estratégia de apoio à economia açucareira e contenção dos ataques indígenas.

Entre 1686 e 1694, as famosas incursões bandeirantes chegaram ao Nordeste. Destaca-se a presença de Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista convocado pelas autoridades da Capitania de Pernambuco para combater o Quilombo dos Palmares — um dos episódios mais marcantes das ações bandeirantes fora do Sudeste.

Nesse contexto de ocupação e conflitos, as manifestações culturais de matriz africana também ganharam expressão no sertão nordestino. Um dos registros mais antigos data de 1674, com a prática da Congada — celebração de origem africana que se consolidou como parte do patrimônio cultural regional.

Conclusão

O estudo da ocupação do sertão nordestino no século XVII revela a importância estratégica e econômica dessa região para a consolidação da colonização portuguesa. A criação de gado, as ações dos bandeirantes e as lutas de resistência demonstram o caráter conflituoso e dinâmico do sertão pernambucano. Além dos confrontos, o século XVII deixou marcas culturais significativas, oriundas das tradições africanas e indígenas, que contribuíram para a formação da identidade cultural nordestina. Assim, o sertão não foi apenas espaço de exploração, mas também de resistência, cultura e construção histórica.

Considerações Finais

A análise da ocupação, das lutas e das manifestações culturais no sertão nordestino do século XVII permite compreender a complexidade histórica e social que envolveu a formação dessa região. Longe de ser um espaço marginal ao processo colonizador, o sertão pernambucano revelou-se essencial para o suporte econômico da colônia, além de palco de importantes episódios de resistência social e cultural. O surgimento das fazendas de gado, a atuação de bandeirantes e a resistência quilombola, notadamente em Palmares, evidenciam a confluência de interesses e conflitos entre colonizadores, povos indígenas, africanos escravizados e libertos. Ademais, as expressões culturais de matriz africana, como a Congada, demonstram que, mesmo em meio à opressão, emergiram formas de afirmação cultural que perduram até os dias atuais. Esse panorama reforça a necessidade de valorizar o sertão como território de memória, luta e identidade na construção da história do Brasil colonial.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó


 

CAPÍTULO 3

SIMBOLOGIA DA HISTÓRIA DE CORDEL NO IMAGINÁRIOS E FOLHETOS





Introdução


A literatura de cordel constitui um dos mais significativos patrimônios culturais do Nordeste brasileiro, mantendo viva uma tradição que remonta à Europa medieval. Trazida por imigrantes portugueses, essa manifestação popular adaptou-se ao sertão nordestino, conservando estruturas narrativas e simbólicas ancestrais. Este trabalho propõe uma reflexão sobre a simbologia presente na história do cordel, inserida em ciclos imaginários que percorrem desde o mundo mítico e fantástico até os relatos de heróis históricos. A pesquisa pretende destacar como o cordel, além de entretenimento, funciona como um arquivo simbólico das representações sociais e culturais de diferentes épocas.

Linha do Tempo Simbólica do Corel Popular 

1. Ciclo Maravilhoso  ( Imaginário Mítico  )

2348 a.C. (Data simbólica do Dilúvio segundo Ussher)

Surgimento de histórias de gigantes, monstros, deuses e seres encantados.

Fadas, reinos mágicos e criaturas fantásticas povoam os primeiros contos orais.

Cordéis Simbólicos: A Princesa Encantada na Montanha do Fim do Mundo, A Serpente dos Sete Olhos.

2. Ciclo Histórico ( Heróis da Antiguidade  )

c. 1100 a.C. – Sansão, herói bíblico de força sobre-humana.

c. 1300 a.C. – Moisés, libertador do povo hebreu.

c. 1250 a.C. – Hércules, herói greco-romano (cronologia mitológica).

356–323 a.C. – Alexandre, o Grande

100–44 a.C. – Júlio César

Cordéis Históricos: Sansão, o Fortíssimo de Deus, As Doze Provas de Hércules, Alexandre e os Magos do Oriente.

3. Ciclo Religioso ( Fé, Santos e Milagres  )

c. 2000 a.C. – Abraão, patriarca do povo hebreu.

Ano 1 d.C. – Nascimento de Cristo

1182–1226 – São Francisco de Assis

Século III d.C. – Santa Luzia

1844–1934 – Padre Cícero Romão Batista

Cordéis Religiosos: Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, Milagres de Padim Ciço, São Francisco e o Lobo de Gúbio.

4. Ciclo Político ( Reinos e Heróis Libertadores  )

Século V–VI – Rei Artur, lenda celta.

1554–1578 – Dom Sebastião, rei desaparecido mitificado no imaginário ibérico.

1655–1695 – Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo.

1746–1792 – Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira.

Cordéis Políticos: O Desaparecimento de Dom Sebastião, Zumbi: Herói do Quilombo, A Vida e Morte de Tiradentes.

5. Ciclo Regional (Nordeste, Cangaço e Coronéis) 

Início do Cangaço: c. 1870

Virgulino Ferreira – Lampião: 1897–1938

Apogeu do Cangaço: 1920–1938

Coronelismo: c. 1870–1950

Cordéis Regionais: Lampião e Maria Bonita no Inferno, A Peleja de Zé Sereno com o Coronel Libório, Os Cabras Valentes do Sertão.

6. Ciclo Cultural e dos Costumes  ( Romances, Moral e Vida Popular  )

Década de 1930 – Popularização dos folhetos de romance

Século XX – Consolidação do cordel como identidade cultural nordestina

Século XXI – Cordel digital e urbano

Cordéis de Costumes: Romance do Vaqueiro Benedito, O Namoro da Moça com o Rapaz da Cidade, A Internet no Sertão.

Considerações Finais

A literatura de cordel revela-se, ao longo de sua trajetória, não apenas como expressão artística popular, mas como guardiã de símbolos, memórias e valores culturais. Sua permanência e adaptação às realidades do Nordeste brasileiro demonstram a vitalidade do imaginário coletivo presente nos folhetos. O estudo da simbologia no cordel evidencia a importância dessa tradição na construção da identidade cultural nordestina, bem como seu potencial educativo e formador de consciência histórica. Preservar e valorizar o cordel é, portanto, um gesto de resistência cultural e de celebração da diversidade simbólica do Brasil.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó


 

CAPÍTULO 4

A FESTA DE SÃO JOÃO A TRADIÇÃO CRISTÃ E LEGADO DE LUIZ GONZAGA





Introdução


As festas juninas representam um dos maiores patrimônios culturais do Brasil. Com forte influência religiosa cristã, especialmente na figura de São João Batista, estas celebrações têm raízes no Oriente Médio bíblico e nas tradições europeias que se expandiram para o Ocidente. No Brasil, essa festa ganhou contornos únicos, associando religiosidade, cultura popular, música e identidade nordestina, tendo Luiz Gonzaga como símbolo maior dessa expressão artística.

Desenvolvimento

Origens Bíblicas e Cristãs





A celebração do nascimento de São João Batista está descrita no Evangelho de Lucas (Lc 1,57-66), sendo considerado o único santo, além de Jesus Cristo, cujo nascimento é comemorado no calendário cristão. A tradição de acender fogueiras teria ligação com o sinal que Isabel, mãe de João Batista, combinou com Maria, mãe de Jesus, para avisar sobre o nascimento do menino.

Evolução Histórica

Durante a Idade Média, a Igreja Católica incorporou as antigas festas pagãs do solstício de verão europeu (hemisfério norte), convertendo-as em festas religiosas, especialmente dedicadas a São João. Com a colonização portuguesa, as festas chegaram ao Brasil no século XVI, se expandindo por todo o território.

Cultura Popular Brasileira

No Brasil, as festas juninas incorporaram elementos das culturas indígena e africana, resultando em um sincretismo cultural com danças (quadrilhas), comidas típicas (milho, canjica, pamonha), vestimentas caipiras e o forró como expressão musical predominante.

Luiz Gonzaga e o Forró

Luiz Gonzaga (1912-1989), nascido em Exu-PE, onde São João é padroeiro, foi o maior responsável por transformar o forró — em especial o forró pé-de-serra — em patrimônio musical nacional. Com sucessos como "Olha pro Céu", "São João na Roça" e "Noites Brasileiras", Gonzaga imortalizou as festas juninas na música brasileira.

O forró pé-de-serra evoluiu com nomes como Dominguinhos (década de 1970), Trio Nordestino (anos 1960-1970), Genival Lacerda, entre outros. Nos anos 1990 e 2000, surgem o forró eletrônico e o forró universitário, popularizando o ritmo em outras regiões do Brasil, sem perder a identidade junina.

Considerações Finais

A Festa de São João representa a força da tradição cristã e cultural no Brasil. Sua história revela um percurso de adaptações e ressignificações que a tornaram um dos maiores símbolos da cultura popular brasileira. O legado de Luiz Gonzaga permanece vivo nas festas juninas, sendo celebrado por todas as gerações que se encantam com a musicalidade, religiosidade e alegria dessas festividades. Celebrar São João é celebrar a alma nordestina, a fé, a música e a cultura brasileira.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó

 


CONSIDERAÇÕES FINAIS GERAL


A presente coletânea evidencia a importância da cultura popular como elemento estruturante da identidade brasileira e nordestina. Ao percorrer temas como o folclore, a ocupação do sertão, a literatura de cordel e as festas juninas, observa-se a permanência de tradições que atravessam séculos, adaptando-se às transformações sociais sem perder sua essência.
A contribuição das matrizes indígena, africana e europeia revela-se fundamental na constituição desse patrimônio cultural, sendo o povo Kariri-Xocó parte ativa desse processo histórico e simbólico. A oralidade, as narrativas e as práticas culturais demonstram que a cultura não é estática, mas dinâmica e viva.
Dessa forma, este volume reafirma a necessidade de valorização, preservação e difusão das manifestações culturais populares, reconhecendo-as como formas legítimas de conhecimento e expressão histórica.




REFERÊNCIAS GERAIS



ALMEIDA, Israel da Silva. A literatura de cordel e o imaginário popular. João Pessoa: UFPB, 2014.

ALMEIDA, Renato. História da Música Brasileira. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1942.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é folclore. São Paulo: Brasiliense, 1984.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é cultura popular. São Paulo: Brasiliense, 2006.

CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. Rio de Janeiro: Global, 2012.

CASCUDO, Luís da Câmara. Literatura oral no Brasil. São Paulo: Global, 2010.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. São Paulo: Global, 2006.

GOMES, Flávio dos Santos. Histórias de quilombolas. São Paulo: Claro Enigma, 2015.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

MELLO, Evaldo Cabral de. O negócio do Brasil. São Paulo: Topbooks, 1998.

MOURA, Roberto. Luiz Gonzaga: o rei do baião. São Paulo: Moderna, 1994.

REIS, João José; GOMES, Flávio dos Santos. Liberdade por um fio. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

SILVA, Marco Haurélio. Breve história da literatura de cordel. São Paulo: Claridade, 2010.



REFERÊNCIAS DOS ARTIGOS DO ACERVO



KARIRI-XOCÓ, Nhenety. O Brasil Folclórico Segundo Câmara Cascudo. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/o-brasil-folclorico-segundo-camara.html?m=0 . Acesso em: 23 abr. 2026. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Sertão Nordestino Ocupação, Lutas e Cultura no Século XVII. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/sertao-nordestino-ocupacao-lutas-e.html?m=0 . Acesso em: 23 abr. 2026. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Simbologia da História do Cordel, no Imaginários e Folhetos. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/simbologia-da-historia-de-cordel-no.html?m=0 . Acesso em: 23 de abr. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. A Festa de São João a Tradição Cristã e Legado de Luiz Gonzaga. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/a-festa-de-sao-joao-tradicao-crista-e.html?m=0 . Acesso em: 23 abr. 2026. 




Autor: Nhenety Kariri-Xocó




SOBRE O AUTOR



Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador, escritor e contador de histórias, pertencente ao povo indígena Kariri-Xocó, localizado em Porto Real do Colégio, Alagoas.
Dedicado ao estudo da cultura popular brasileira, desenvolve trabalhos voltados à preservação da memória histórica, da oralidade e das tradições culturais, com ênfase nas contribuições indígenas, africanas e europeias.
Autor de diversos artigos publicados em seu acervo virtual, utiliza a escrita como instrumento de valorização identitária e fortalecimento cultural, integrando saberes acadêmicos e conhecimentos tradicionais.
Sua produção intelectual abrange temas como folclore, literatura de cordel, história do sertão nordestino, manifestações culturais e simbologia popular, contribuindo para a difusão do patrimônio cultural brasileiro.






Autor: Nhenety Kariri-Xocó





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