quinta-feira, 23 de abril de 2026

MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DE PERNAMBUCO SÉCULOS XVIII–XXI, COLETÂNEA DE ARTIGOS DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ, VOLUME 24






FALSA FOLHA DE ROSTO


MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DE PERNAMBUCO SÉCULOS XVIII–XXI
Coletânea de Artigos do Acervo Virtual Bibliográfico
Nhenety Kariri-Xocó
Volume 24



FOLHA DE ROSTO


NHENETY KARIRI-XOCÓ
MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DE PERNAMBUCO SÉCULOS XVIII–XXI
Coletânea de Artigos do Acervo Virtual Bibliográfico
Volume 24
Porto Real do Colégio – AL
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO


© 2026 – Nhenety Kariri-Xocó
Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem autorização do autor, exceto para fins acadêmicos e científicos com a devida citação.
Obra independente.



FICHA CATALOGRÁFICA (MODELO SIMPLIFICADO)


N576m
Kariri-Xocó, Nhenety
Manifestações culturais de Pernambuco séculos XVIII–XXI: coletânea de artigos do acervo virtual bibliográfico / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.
Volume 24
Cultura popular – Pernambuco
Manifestações culturais
Religiosidade popular
Tradição oral
Cultura afro-brasileira e indígena
CDD: 981.34
ISBN (SIMBÓLICO)
ISBN: 978-65-00-00024-0



PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.




DEDICATÓRIA


Dedico esta obra à memória de meus pais,
Maria de Lurdes (Indaiá) e Alírio Nunes,
que, com simplicidade e sabedoria, mantiveram viva a chama das tradições culturais de nosso povo.
Dedico também aos mestres, mestras, pajés, caciques e brincantes da Aldeia Kariri-Xocó,
que transformaram a cultura em resistência, fé e identidade.



AGRADECIMENTOS


Agradeço à minha família, em especial à minha mãe Indaiá, fonte de memória viva, e ao meu pai Alírio Nunes, que participou das manifestações culturais que hoje registro com saudade e respeito.
Aos mestres da tradição oral, ao Pajé Suíra, ao Cacique Jonas Ibá e a todos os integrantes da comunidade Kariri-Xocó, que contribuíram direta ou indiretamente para a preservação de nossa cultura.
Aos estudiosos da cultura popular brasileira, cujas obras serviram de base para esta pesquisa.
E à memória coletiva de um povo que resiste através da cultura.



EPÍGRAFE


“A cultura é a memória viva de um povo, escrita não apenas nos livros, mas nos corpos, nos cantos e nos silêncios da história.”



SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN ( Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução Geral
Desenvolvimento dos Capítulos
Capítulo 1 - As Manifestações Culturais da Capitania de Pernambuco Século XVIII
Capítulo 2 - As Manifestações Culturais da Capitania de Pernambuco Século XIX
Capítulo 3 - As Manifestações Culturais da Capitania de Pernambuco Século XX
Capítulo 4 - As Manifestações Culturais da Capitania de Pernambuco Século XXI
Capítulo 5 - Encerramento da Série, Pernambuco Tradição, Resistência e Futuro Vivo da Cultura Popular
Considerações Finais
Referências Gerais
Sobre o Autor



APRESENTAÇÃO


A presente obra, intitulada Manifestações Culturais de Pernambuco Séculos XVIII–XXI, integra o Volume 24 do acervo bibliográfico de Nhenety Kariri-Xocó e reúne uma coletânea de estudos dedicados à compreensão das expressões culturais e religiosas do povo pernambucano ao longo do tempo.
Organizada em perspectiva cronológica, a obra percorre os séculos XVIII, XIX, XX e XXI, analisando as permanências, transformações e resistências das manifestações populares, com destaque para suas matrizes africanas, indígenas e ibéricas.
Mais do que um estudo histórico, este livro constitui um registro de memória, um testemunho cultural e um instrumento de valorização das tradições populares nordestinas.




NOTA DO AUTOR


Esta obra nasce da necessidade de registrar, preservar e valorizar as manifestações culturais que marcaram a história de Pernambuco e, especialmente, da comunidade Kariri-Xocó.
Os textos aqui reunidos foram originalmente publicados em meu blog e posteriormente organizados em formato acadêmico, com o objetivo de contribuir para estudos culturais, históricos e antropológicos.
Trata-se de um trabalho que une pesquisa bibliográfica e memória oral, reconhecendo a importância do saber tradicional como fonte legítima de conhecimento.




MEMÓRIA DO AUTOR


Nasci e cresci na Aldeia Kariri-Xocó, em Porto Real do Colégio, Alagoas, território que, entre os séculos XVI e XIX, esteve sob jurisdição da Capitania de Pernambuco e da Vila de Penedo.
Desde cedo, fui marcado pelas narrativas de minha mãe, Maria de Lurdes, conhecida como Indaiá, que me contava sobre as manifestações culturais vividas em sua juventude. Meu pai, Alírio Nunes, participou da Chegança na década de 1940, ao lado do Pajé Suíra, do Cacique Jonas Ibá e de outros membros da comunidade.
Embora eu não tenha conhecido a Chegança diretamente, vivi, no final da década de 1960 e início da década de 1970, experiências marcantes com o Reisado e o Boi Bumbá, manifestações que reuniam crianças, jovens e adultos nas ruas da aldeia.
Lembro com emoção das apresentações realizadas por minha irmã Marinalva e outras mulheres indígenas, como Maria Veia, Maria Odete e Isabel, que dançavam sob a liderança de Joaquim Miguel.
Hoje, muitas dessas manifestações já não existem mais. Permanecem, contudo, vivas em minha memória e neste registro escrito, como testemunho de um tempo que não deve ser esquecido.



INTRODUÇÃO GERAL


As manifestações culturais e religiosas de Pernambuco constituem um dos mais ricos patrimônios simbólicos do Brasil. Formadas a partir do encontro entre povos indígenas, africanos e europeus, essas expressões revelam processos históricos complexos marcados por resistência, adaptação e reinvenção cultural.
Este livro propõe uma análise cronológica dessas manifestações entre os séculos XVIII e XXI, considerando suas origens, transformações e permanências. Ao longo dos capítulos, são abordadas práticas como o maracatu, o reisado, as congadas, o cordel, os festejos juninos e as expressões religiosas de matriz africana.
A obra também reconhece a importância da memória oral como fonte histórica, especialmente no contexto das comunidades tradicionais, onde o conhecimento é transmitido entre gerações.


DESENVOLVIMENTO DOS CAPÍTULOS

CAPÍTULO 1

AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO SÉCULO XVIII





Introdução


O século XVIII representou um período de consolidação das estruturas coloniais na Capitania de Pernambuco, com intensificação da economia açucareira, reorganização das vilas e maior controle da Coroa portuguesa sobre as atividades culturais e religiosas. Ainda assim, esse século também foi palco de transformações simbólicas marcadas pelo sincretismo entre elementos católicos, africanos e indígenas. A religiosidade do povo se enraizou nos espaços públicos e domésticos, por meio de festas, procissões, autos, cultos e expressões orais. Novas irmandades foram fundadas, a cultura africana se afirmou nas senzalas e nas ruas, e o cordel popular começou a ganhar forma como instrumento de resistência e memória. Este texto apresenta um panorama cronológico e descritivo das principais manifestações culturais e religiosas do século XVIII em Pernambuco, destacando suas origens e permanências.

Desenvolvimento Cronológico e Descritivo

1. Crescimento das Irmandades Religiosas e Devoção Barroca

Durante o século XVIII, sob a influência do estilo barroco, a religiosidade popular ganhou intensidade por meio da arte sacra, do teatro religioso e das irmandades leigas. Entre as mais importantes, destacam-se a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a de São Benedito e a de Santa Efigênia — ligadas à população negra. As festas dessas irmandades envolviam música, danças, missas, fogos, oferendas e teatro popular, criando uma religiosidade afro-católica marcada pela resistência. Os templos construídos pelas irmandades tornaram-se centros de vida comunitária, onde a fé cristã era celebrada de forma integrada às culturas de origem bantu, iorubá e mina.

2. Festas Cíclicas e Calendário Popular

O calendário litúrgico católico organizava as festas ao longo do ano, com destaque para as celebrações do Ciclo Natalino (com presépios e pastoris), da Semana Santa (com procissões dramáticas) e do Ciclo Junino (São João, São Pedro e Santo Antônio). Nas zonas rurais, as cavalgadas de fé, ladainhas ao entardecer, terços nas casas e rezas cantadas integravam a devoção diária. No ciclo junino, surgiram elementos como as quadrilhas, os desafios orais e o uso de fogueiras, balões e danças de roda. Essas festas fortaleciam laços sociais e transmitiam valores comunitários, além de abrir espaço para a incorporação de elementos indígenas e africanos.

3. Afirmando a Cultura Africana nas Senzalas e Irmandades

Nas senzalas, as práticas religiosas africanas eram mantidas sob disfarces cristãos. O culto aos orixás era transposto para os santos católicos — Xangô por São Jerônimo, Iemanjá por Nossa Senhora das Candeias, e assim por diante. Ritmos como o coco, o maracatu e o tambor de mina ganharam forma, utilizando instrumentos tradicionais (atabaques, agogôs, xequerês). O Maracatu Nação, em especial, emergiu como forma de cortejo e performance das antigas coroações de reis negros, com suas rainhas, estandartes e baianas de honra. No Recife e em Olinda, essas manifestações tomaram as ruas com vestes simbólicas, música percussiva e gestos de ancestralidade.

4. Cordel, Oralidade e Educação Popular

No ambiente sertanejo e nas feiras, começaram a circular os primeiros folhetos de cordel, influenciados pela tradição ibérica dos romances de cavalaria e das narrativas de santos e milagres. Escritos em versos rimados e metrificados, os cordéis do século XVIII preservavam causos, ensinamentos morais e episódios religiosos. A oralidade foi a principal forma de transmissão dessas histórias, que eram declamadas ao som de rabecas ou violas em espaços públicos. O cordel se consolidou como instrumento de instrução informal e resistência cultural, articulando valores cristãos com a realidade nordestina.

5. Congadas, Reisados e Folias de Reis

Entre as manifestações culturais afro-brasileiras que se expandiram no século XVIII estão as Congadas e os Reisados, rituais que celebravam a ancestralidade africana sob a forma de dramatizações da visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. As Congadas, com forte presença em Pernambuco, envolviam cortejos dançantes, vestes coloridas, música de tambores e chocalhos, e personagens como o rei do Congo e seus vassalos. Já o Reisado, com maior presença no interior, mesclava elementos do teatro religioso com a cultura sertaneja, trazendo encenações dramáticas e cômicas, caretas, batalhas coreografadas e loas.

Considerações Finais

O século XVIII em Pernambuco foi um período de expressiva efervescência cultural e religiosa. Em meio ao domínio colonial e à repressão oficial, o povo criou formas autênticas de celebrar sua fé, sua história e sua resistência. A presença africana tornou-se mais evidente nas ruas, nos templos, nas festas e nas práticas cotidianas, contribuindo para a formação de uma identidade cultural sincrética e profundamente enraizada no sagrado.

As festas, irmandades, danças e cordéis não eram apenas entretenimento ou liturgia: eram formas de afirmação simbólica, de pertencimento e de contestação silenciosa ao regime escravocrata. A religiosidade barroca se encontrava com os tambores africanos e os cânticos indígenas, originando uma espiritualidade plural que permanece viva na cultura popular nordestina. Compreender essas manifestações é essencial para preservar a memória ancestral e valorizar a riqueza simbólica das tradições que atravessam os séculos.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó


 

CAPÍTULO 2

AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO SÉCULO XIX





Introdução


O século XIX foi um período de intensas transformações na história de Pernambuco e do Brasil. Após a independência de Portugal (1822), a antiga capitania tornou-se província do Império, vivenciando conflitos políticos, lutas populares, abolicionismo, urbanização e a chegada de novas ideias iluministas e republicanas. Ao mesmo tempo, as manifestações culturais e religiosas do povo — sobretudo de origem africana e sertaneja — resistiram e se adaptaram às mudanças, mantendo vivas tradições seculares por meio das festas, folguedos, cantorias e irmandades. Nesse contexto, a cultura popular expressou sentimentos de fé, identidade e contestação. Este texto apresenta, em perspectiva cronológica, os principais aspectos dessas manifestações no século XIX, considerando sua relação com os movimentos sociais e as permanências simbólicas de longa duração.

Desenvolvimento Cronológico e Descritivo

1. A Persistência das Irmandades e o Protagonismo Popular

Mesmo com as mudanças políticas e o aumento da repressão às práticas religiosas afro-brasileiras, as irmandades religiosas negras continuaram ativas ao longo do século XIX. Irmandades como a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, de São Benedito, e de Santa Efigênia foram fundamentais para a organização comunitária da população afrodescendente, especialmente libertos e escravizados. Estas confrarias ofereciam não apenas espaço de culto, mas também apoio social, educação religiosa, e práticas de resistência cultural frente à exclusão. As festas dessas irmandades continuaram marcadas por tambores, danças, ladainhas cantadas e procissões, sempre com forte sentido de afirmação identitária.

2. Os Movimentos Populares e a Religiosidade Contestatória

O século XIX foi palco de revoltas populares e religiosas, como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador de 1824, nas quais a fé cristã, especialmente a dos setores populares, foi mobilizada como linguagem de justiça e resistência. Os sermões, ladainhas e orações muitas vezes traziam mensagens políticas contra a exploração e o autoritarismo. Nas zonas rurais, surgiram também líderes carismáticos populares, como beatos e profetas que misturavam a Bíblia com o sofrimento do povo sertanejo, antecipando movimentos messiânicos do século XX. A religiosidade deixava de ser apenas uma ferramenta de domínio para se tornar espaço de crítica e esperança.

3. O Maracatu e a Reinvenção da Realeza Negra

O Maracatu Nação, que havia surgido no século anterior como extensão das coroações de reis do Congo, foi reconfigurado no século XIX como uma expressão artística de grande impacto cultural no Recife. Apesar da repressão policial e da tentativa de criminalização das práticas afro-brasileiras, o Maracatu resistiu, reinventando seus rituais e simbologias. As nações de maracatu (como Porto Rico, Leão Coroado e Elefante) tornaram-se escolas de tradição oral, com hierarquias próprias, figurinos imponentes e forte ligação com os terreiros de Xangô. A presença de mães-de-santo como lideranças femininas também cresceu nesse período, fortalecendo o papel da mulher negra na religiosidade popular.

4. Festas Juninas, Desafios e Cantorias Sertanejas

Nas zonas do agreste e do sertão pernambucano, as festas juninas floresceram como momentos de grande expressão comunitária. Quadrilhas, forrós, repentes e desafios orais fizeram das festas de São João, São Pedro e Santo Antônio os eventos mais aguardados do ano. A figura do cantador se destacou como cronista popular, unindo poesia, crítica social e espiritualidade. Esses poetas improvisadores eram capazes de dialogar com as multidões em feiras e festas, narrando milagres, tragédias e causos. O cordel, impresso em folhetos simples, passou a circular com mais frequência nas feiras livres, dando forma escrita à tradição oral.

5. A Folia de Reis, o Cavalo-Marinho e os Brincantes

No litoral norte de Pernambuco, principalmente entre Nazaré da Mata e Goiana, desenvolveram-se manifestações como o Cavalo-Marinho, uma mistura de teatro popular, dança, música e crítica social. Esse folguedo natalino se destacava por seus personagens mascarados — Mateus, Catirina, Capitão, Boi, e outros — e sua estrutura de brincadeira dramática. Junto a ele, as Folia de Reis e as Cheganças mantiveram a tradição da dramatização religiosa com músicas, coreografias e desfiles de rua. Essas expressões misturavam elementos medievais ibéricos com ritmos e narrativas africanas, criando um mosaico cultural profundamente enraizado no cotidiano.

6. O Sincretismo Religioso nas Cidades e Terreiros

Com o fim gradual da escravidão (Lei do Ventre Livre em 1871, Lei dos Sexagenários em 1885, Abolição em 1888), muitos negros libertos migraram para áreas urbanas e estabeleceram terreiros de Xangô no Recife e em Olinda. O sincretismo entre santos católicos e orixás se consolidou nas práticas religiosas urbanas, formando uma identidade afro-religiosa plural. O culto a Oxum, Ogum, Iansã e Oxóssi passou a coexistir com a devoção a Nossa Senhora, São Jorge, Santa Bárbara e outros santos. A música, a dança, os toques e os cantos eram instrumentos de comunicação espiritual e preservação da memória ancestral.

Considerações Finais

O século XIX foi um período de encruzilhada histórica, onde os ventos da modernização, da política e da repressão se entrelaçaram com a permanência de tradições profundas enraizadas no imaginário popular. Pernambuco, com sua história marcada por resistência, tornou-se um dos maiores celeiros de manifestações culturais e religiosas do Brasil. Entre folguedos, irmandades, cantorias e festas, o povo preservou sua fé, sua cultura e sua esperança.

A riqueza dessas expressões reside no seu poder de reinventar o sagrado, mantendo viva a ancestralidade mesmo diante das adversidades. A oralidade, o corpo, a dança e o canto foram os meios pelos quais o povo contou sua história, celebrou sua fé e questionou as estruturas sociais. Essas manifestações não apenas sobreviveram ao século XIX — elas o transformaram, dando voz ao invisível e sentido ao cotidiano.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó


CAPÍTULO 3

AS MANIFESTAÇÕES CULTURAL DE PERNAMBUCO SÉCULO XX





Introdução


O século XX marcou um período de rápidas transformações sociais, políticas e culturais no Brasil, com reflexos intensos em Pernambuco. A urbanização crescente, a chegada do rádio, da televisão, da indústria fonográfica e a ampliação dos meios de transporte provocaram uma nova dinâmica nas manifestações culturais e religiosas populares. Em meio às tensões entre modernidade e tradição, o povo de Pernambuco reinventou suas práticas simbólicas, ressignificou suas festas, folguedos e cultos, e fortaleceu suas formas de expressão como resistência cultural. Este texto explora, em perspectiva cronológica, como essas manifestações se adaptaram às novas conjunturas ao longo do século XX, preservando raízes ancestrais e dialogando com os ventos da modernidade.

Desenvolvimento Cronológico e Descritivo

1. As Décadas Iniciais (1900–1930): Resistência e Invisibilidade

Nas primeiras décadas do século XX, as manifestações culturais de matriz africana, indígena e popular eram marginalizadas pelo poder público e pela elite urbana. O Estado buscava projetar uma identidade nacional “civilizada”, afastando elementos considerados “atrasados”. Mesmo assim, as festas religiosas populares, como a de São João, Nossa Senhora da Conceição e Reisado, seguiam firmes, especialmente nas comunidades do interior e dos subúrbios.

O Maracatu Nação, por exemplo, sofreu tentativas de criminalização e repressão policial durante os desfiles de carnaval. Mas, mesmo com a perseguição, as nações de maracatu se fortaleceram no Recife, mantiveram sua estrutura hierárquica e resistiram com seus tambores, suas calungas e seus cânticos em iorubá. Terreiros de Xangô mantinham suas práticas com discrição, e as mães e pais de santo tornavam-se figuras respeitadas nas comunidades.

2. As Décadas de 1930–1950: Cultura Popular como Símbolo Nacional

Com o advento do Estado Novo (1937–1945) e a política de valorização da cultura popular como parte da identidade nacional, houve uma mudança ambígua: de um lado, maior visibilidade; de outro, controle estatal. Nesse contexto, o carnaval começou a ser institucionalizado e o frevo se consolidou como símbolo cultural pernambucano.

As orquestras de frevo, os blocos líricos e os clubes de máscaras passaram a desfilar com maior apoio e organização. O frevo-canção, com letras politizadas e espirituosas, ganhou espaço no rádio e nos concursos carnavalescos. Ao mesmo tempo, continuavam vivos os pastoris natalinos, o bumba meu boi, os cavalos-marinhos e os caboclinhos, com forte presença em bairros populares e cidades do interior.

3. Décadas de 1950–1970: Censura, Resistência e Consolidação

Com o avanço da ditadura militar (1964–1985), muitas manifestações culturais e religiosas foram vigiadas ou proibidas, especialmente as que tinham teor crítico ou conotação afro-religiosa. Os terreiros de Xangô, por exemplo, enfrentaram perseguição por parte da polícia e da imprensa. Ainda assim, a religiosidade de matriz africana resistiu e se expandiu, ganhando novos adeptos e ampliando sua rede simbólica.

Nos anos 1960, emergem os movimentos de cultura popular impulsionados por intelectuais, artistas e educadores, como o Movimento de Cultura Popular (MCP), que visava valorizar o saber do povo nordestino. Os cordelistas, cantadores e mestres da tradição oral passaram a ser reconhecidos como guardiões da memória. As festas de rua, como o carnaval de Olinda e os arraiais juninos, tornaram-se palcos de crítica social por meio de alegorias e sátiras.

4. Décadas de 1980–1990: Reconhecimento e Patrimonialização

A redemocratização do Brasil após 1985 trouxe novo fôlego à cultura popular. Os maracatus, blocos afro, caboclinhos e afoxés passaram a ser reconhecidos como patrimônio cultural. As prefeituras criaram secretarias e políticas de apoio a festas tradicionais, e surgiram festivais de cultura popular.

No campo religioso, os terreiros de candomblé e Xangô se tornaram mais visíveis, com celebrações públicas e maior integração com os movimentos negros e feministas. O sincretismo com o catolicismo se manteve, mas também houve afirmação autônoma dos orixás e entidades espirituais africanas. O Movimento Negro Unificado (MNU) contribuiu para valorizar os saberes religiosos e as expressões estéticas afrodescendentes.

Em paralelo, o Movimento Armorial, liderado por Ariano Suassuna, buscou resgatar as raízes culturais do povo nordestino por meio da música, do teatro e da literatura, integrando elementos do cordel, da música de rabeca, das xilogravuras e das danças populares.

5. Final do Século (1990–2000): Cultura Popular e Globalização

Nas últimas décadas do século XX, a globalização e os meios de comunicação impactaram profundamente as expressões culturais. O acesso ao rádio, à TV e à internet modificou o modo como as manifestações tradicionais se difundiam. Muitas festas populares passaram a ser transmitidas nacionalmente, como o carnaval do Recife e de Olinda, os festejos de Caruaru e o Festival de Inverno de Garanhuns.

O frevo foi finalmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco (e depois do Brasil), e novas gerações passaram a se interessar pela dança, música e história dos folguedos tradicionais. A produção de CDs, DVDs e livros sobre cultura popular cresceu, bem como a valorização dos mestres e mestras da tradição oral como patrimônio vivo.

Ao mesmo tempo, os desafios da mercantilização das festas e a descaracterização de rituais sagrados exigiram ações de resistência e conscientização por parte das comunidades e lideranças culturais.

Considerações Finais

O século XX representou, para Pernambuco, o palco de disputas simbólicas e reconciliações entre tradição e modernidade, entre repressão e resistência, entre folclore e cultura viva. As manifestações culturais e religiosas que brotaram do povo — negras, indígenas, sertanejas e urbanas — foram constantemente atacadas, mas também reinventadas com criatividade e sabedoria.

O povo pernambucano não apenas preservou suas tradições: ele resignificou seus símbolos, adaptou suas práticas, construiu novos sentidos e afirmou sua identidade cultural em meio às mudanças do mundo moderno. Ao longo do século, essas manifestações deixaram de ser “coisa de pobre ou de matuto” e passaram a ocupar espaços de protagonismo na memória e no orgulho coletivo.

Manifestações como o maracatu, o cavalo-marinho, o frevo, os reisados, o coco de roda, o cordel, os terreiros e os cânticos juninos continuam ecoando as vozes dos antepassados e alimentando a esperança de novas gerações.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó


 

CAPÍTULO 4

AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DE PERNAMBUCO SÉCULO XXI





Introdução


O século XXI trouxe novos desafios e possibilidades para as manifestações culturais e religiosas em Pernambuco. O avanço das tecnologias digitais, a globalização, as mudanças nas políticas culturais e os novos movimentos sociais influenciaram diretamente a forma como a cultura popular é vivida, representada e transmitida. Nesse cenário, as tradições populares — muitas vezes ameaçadas pela mercantilização ou esquecimento — passaram a utilizar ferramentas contemporâneas para garantir sua preservação, afirmação identitária e reinvenção simbólica. Este texto propõe uma leitura cronológica e descritiva da evolução das expressões culturais e religiosas populares em Pernambuco nas primeiras décadas do século XXI.

Desenvolvimento Cronológico e Descritivo

1. Início do Século (2000–2010): Políticas de Valorização e Cultura como Patrimônio Vivo

Com a criação do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI) e dos registros de bens culturais como Patrimônio Cultural do Brasil, várias manifestações populares passaram a ser reconhecidas oficialmente. Em Pernambuco, o frevo foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2007, e mestres de maracatu, cavalo-marinho, reisado e afoxés passaram a ser contemplados pelo Registro dos Mestres da Cultura Popular.

O início do século também foi marcado por uma forte atuação de ONGs, coletivos culturais e universidades na valorização da cultura popular, promovendo oficinas, festivais e documentação audiovisual. A presença da cultura afro-brasileira ganhou visibilidade com a inserção de estudos étnico-raciais nas escolas (Lei 10.639/2003), possibilitando maior reconhecimento da religiosidade e das tradições de matriz africana.

2. Segunda Década (2010–2020): Cultura Digital, Redes Sociais e Resistência Comunitária

Com a disseminação da internet e das redes sociais, muitos grupos culturais começaram a se comunicar diretamente com o público, divulgando ensaios, cortejos, rituais e entrevistas em plataformas como YouTube, Facebook e Instagram. Essa presença digital permitiu que tradições antes restritas ao espaço físico alcançassem novos públicos e pesquisadores de todo o mundo.

Os terreiros de Xangô e candomblé também passaram a dialogar com o espaço digital, promovendo debates sobre ancestralidade, racismo religioso e espiritualidade em tempos de intolerância. A religião afro-brasileira, muitas vezes alvo de desinformação, encontrou nas redes uma forma de educação e resistência.

Por outro lado, a crescente mercantilização de festas populares, como o carnaval e os festejos juninos, acendeu debates sobre a autenticidade, o protagonismo das comunidades tradicionais e a descaracterização das práticas populares. A criação de editais públicos e leis de incentivo cultural tornou-se fundamental para a sobrevivência dos grupos mais vulneráveis.

3. Pandemia e Reconfiguração Cultural (2020–2022): Silêncio e Reinvenção

A pandemia da Covid-19 foi um dos maiores desafios enfrentados pelas expressões culturais e religiosas no século XXI. As proibições de aglomeração interromperam os cortejos, festas religiosas e apresentações de grupos tradicionais. Muitos mestres e mestras da cultura popular faleceram nesse período, sem que houvesse despedidas coletivas, o que gerou um luto simbólico profundo.

Em resposta, diversos grupos e coletivos se adaptaram ao ambiente digital, promovendo lives, oficinas virtuais, festivais online e documentários sobre suas histórias e saberes. Essa reconfiguração trouxe à tona a importância da memória oral, da gravação de relatos e da formação de arquivos digitais comunitários.

A espiritualidade também se adaptou. Os rituais religiosos passaram a ser realizados de forma mais íntima, mas com transmissões online de cantos sagrados e discussões sobre fé e ancestralidade, fortalecendo redes de solidariedade e resistência espiritual.

4. Pós-Pandemia e Caminhos Atuais (2023–presente): Patrimônio Vivo, Juventudes e Descolonização

A retomada das atividades presenciais após a pandemia foi marcada por reencontros emocionados, reconstrução de redes e fortalecimento de vínculos identitários. O conceito de “patrimônio vivo” ganhou novo sentido, com destaque para a formação de jovens mestres, oficinas intergeracionais e projetos que visam a transmissão de saberes orais e rituais.

As novas gerações, muitas delas indígenas, negras e periféricas, têm se apropriado dos meios digitais para reivindicar protagonismo, narrar suas histórias e promover eventos com foco na descolonização dos saberes. A cultura popular deixou de ser apenas objeto de estudo para se tornar projeto político de resistência cultural.

Terreiros, blocos afro, grupos de coco e maracatu têm fortalecido parcerias com universidades, escolas públicas e movimentos sociais, construindo espaços educativos baseados no respeito à diversidade e à memória ancestral.

Ao mesmo tempo, surgem novos desafios: a intolerância religiosa, o avanço de discursos conservadores, a gentrificação de bairros tradicionais e a ameaça de cortes de verbas para a cultura. Ainda assim, os movimentos culturais populares de Pernambuco continuam firmes na defesa da dignidade, da espiritualidade e da ancestralidade como fundamentos de um futuro mais justo e plural.

Conclusão

No século XXI, as manifestações culturais e religiosas populares em Pernambuco assumem papel estratégico na luta por memória, identidade e transformação social. Frente às novas tecnologias, ao avanço da intolerância e às ameaças da globalização cultural excludente, os povos de tradição têm se reinventado com sabedoria, coragem e criatividade.

A cultura popular deixou de ser vista apenas como folclore para ser compreendida como modo de vida, forma de pensamento, filosofia ancestral e ferramenta de emancipação coletiva. Grupos de maracatu, mestres de cavalo-marinho, terreiros de Xangô, mulheres do coco, juventudes periféricas e artistas populares seguem ecoando as vozes da terra, do sagrado e da coletividade.

A partir das lições do passado e dos desafios do presente, as manifestações culturais e religiosas de Pernambuco continuam pulsando como instrumentos de liberdade, justiça e beleza, lançando suas raízes no futuro.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó


 

CAPÍTULO 5

ENCERRAMENTO DA SÉRIE PERNAMBUCO TRADIÇÃO, RESISTÊNCIA E FUTURO VIVO DA CULTURA POPULAR





Introdução


Este texto encerra a série “Pernambuco: Tradição, Resistência e Futuro Vivo da Cultura Popular”, com o propósito de refletir sobre a riqueza histórica, simbólica e social das manifestações culturais e religiosas que marcam a trajetória do povo pernambucano. Através de um percurso cronológico entre os séculos XVI e XXI, busca-se reconhecer os processos de resistência, recriação e afirmação de identidade vivenciados por comunidades tradicionais, mestres da cultura popular e novas gerações. Trata-se de um convite à valorização da memória coletiva e da continuidade dos saberes ancestrais em diálogo com o presente.

Encerramento da Série Pernambuco Tradição, Resistência e Futuro Vivo da Cultura Popular 

Ao longo dos séculos, o território de Pernambuco revelou-se um berço de encontros, choques e reinvenções culturais. Das primeiras chegadas portuguesas no século XVI às complexas dinâmicas do século XXI, as manifestações culturais e religiosas populares mostraram-se como expressões profundas da alma coletiva de um povo que resiste, recria e afirma sua identidade.

No século XVI, o chão da Capitania foi semeado com as sementes de tradições africanas, indígenas e ibéricas, muitas vezes à força, outras por necessidade de sobrevivência espiritual. Nas feiras, nas festas religiosas e nas senzalas, surgiram práticas que, mesmo diante da violência da colonização e da escravidão, ecoaram como cânticos de liberdade e fé.

No século XVII, em meio a invasões estrangeiras, rebeliões e expansão do sertão, o povo nordestino forjou suas tradições nos embates e na resistência. Os batuques do quilombo dos Palmares, as procissões de santos e os toques de terreiro deram continuidade ao que não podia morrer: a memória dos ancestrais e a esperança nos ritos.

Já no século XX, entre os desafios da modernização e o surgimento dos meios de comunicação de massa, os brincantes, mestres e mestras da cultura popular transformaram a dor em arte e a marginalização em espetáculo de beleza e sabedoria. O cordel, o maracatu, a capoeira e os afoxés passaram a habitar o rádio, a televisão, os palcos e os livros, reivindicando espaço na história oficial.

Finalmente, no século XXI, a cultura popular de Pernambuco ressurge com novos rostos, linguagens e territórios. Jovens de terreiro, poetas urbanos, educadores populares e mestres da tradição se unem em redes digitais e coletivos, recriando o antigo sem abrir mão do novo. São vozes que, mesmo diante de pandemias, preconceitos ou apagamentos, continuam entoando cantos de cura, justiça e pertencimento.

Essa série — que percorre os caminhos das manifestações culturais e religiosas de Pernambuco entre os séculos XVI e XXI — é, acima de tudo, um tributo àqueles que mantêm viva a chama da ancestralidade, da alegria e da fé. Um chamado para que nunca esqueçamos que cada dança, cada tambor, cada cordel e cada oferenda carregam histórias de luta, sabedoria e transformação.

Pernambuco não é apenas cenário: é sujeito histórico, terra sagrada e território simbólico, onde o sagrado e o profano, o passado e o presente, o visível e o invisível caminham lado a lado, formando um mosaico cultural de rara beleza e potência.

Considerações Finais

A cultura popular de Pernambuco não apenas resiste ao tempo, mas se reinventa continuamente por meio da força criadora de seu povo. Ao revisitarmos essa trajetória entre séculos de opressão, celebração e transformação, somos lembrados de que a memória cultural é também um ato político e vital. Cabe a todos nós preservar, valorizar e transmitir esses saberes como herança viva que pulsa nas ladeiras, nos terreiros, nas redes e nos corações. O futuro da cultura popular se constrói hoje — com reverência ao passado e coragem diante do novo.



CONSIDERAÇÕES FINAIS GERAL


Ao percorrer os caminhos das manifestações culturais de Pernambuco, torna-se evidente que a cultura popular não é apenas um conjunto de práticas tradicionais, mas um sistema vivo de significados, identidades e resistências.
Entre os séculos XVIII e XXI, essas manifestações enfrentaram repressões, transformações e desafios, mas jamais deixaram de existir. Pelo contrário, reinventaram-se continuamente, adaptando-se às mudanças sociais sem perder suas raízes.
Este livro reafirma a importância da preservação da memória cultural como patrimônio coletivo e como instrumento de afirmação identitária, especialmente para povos indígenas e comunidades tradicionais.



REFERÊNCIAS GERAIS

 

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REFERÊNCIAS DOS ARTIGOS DO ACERVO


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. As Manifestações Culturais da Capitania de Pernambuco Século XVIII. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/as-manifestacoes-culturais-da-capitania_19.html?m=0 . Acesso em: 23 abr. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. As Manifestações Culturais da Capitania de Pernambuco Século XIX. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/as-manifestacoes-culturais-da-capitania_48.html?m=0 . Acesso em: 23 abr. 2026.

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https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/as-manifestacoes-culturais-da-capitania_82.html?m=0 . Acesso em: 23 abr. 2026. 

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. As Manifestações Culturais da Capitania de Pernambuco Século XXI. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/as-manifestacoes-culturais-da-capitania_12.html?m=0 . Acesso em: 23 abr. 2026.

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Encerramento da Série, Pernambuco Tradição, Resistência e Futuro Vivo da Cultura Popular. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/encerramento-da-serie-pernambuco.html?m=0 . Acesso em: 23 abr. 2026. 




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




SOBRE O AUTOR


Nhenety Kariri-Xocó é escritor, pesquisador e contador de histórias pertencente ao povo indígena Kariri-Xocó, de Porto Real do Colégio, Alagoas.
Dedica-se ao estudo da cultura popular, da tradição oral e da memória histórica de seu povo, com ênfase nas manifestações culturais e religiosas do Nordeste brasileiro.
Autor de diversos textos publicados em seu blog, utiliza a escrita como instrumento de preservação da identidade cultural e valorização dos saberes ancestrais.







Autor: Nhenety Kariri-Xocó

 



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