terça-feira, 28 de abril de 2026

FILOSOFIA, ARTE E NATUREZA HUMANA XXXII, COLETÂNEA DE ARTIGOS DO ACERVO VIRTUAL BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ, VOLUME 32






FALSA FOLHA DE ROSTO


FILOSOFIA, ARTE E NATUREZA HUMANA XXXII
COLETÂNEA DE ARTIGOS DO ACERVO VIRTUAL
BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ
VOLUME 32



FOLHA DE ROSTO


NHENETY KARIRI-XOCÓ
FILOSOFIA, ARTE E NATUREZA HUMANA XXXII
COLETÂNEA DE ARTIGOS DO ACERVO VIRTUAL
BIBLIOGRÁFICO NHENETY KARIRI-XOCÓ
VOLUME 32
Porto Real do Colégio – AL
2026




VERSO DA FOLHA DE ROSTO


Todos os direitos reservados ao autor.
Esta obra é parte integrante do acervo virtual bibliográfico de Nhenety Kariri-Xocó, reunindo reflexões filosóficas, culturais e artísticas publicadas em meio digital.
É permitida a reprodução parcial desta obra, desde que citada a fonte.




FICHA CATALOGRÁFICA (SIMPLIFICADA)


Kariri-Xocó, Nhenety.
Filosofia, Arte e Natureza Humana XXXII: coletânea de artigos do acervo virtual bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó – Volume 32 / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL, 2026.
80 p.


ISBN: 978-65-00000-32-0


Filosofia. 2. Arte. 3. Cultura. 4. Narrativa. 5. Natureza.
I. Título.
ISBN (SIMBÓLICO)
ISBN: 978-65-00000-32-0



PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.



DEDICATÓRIA


Dedico esta obra aos meus ancestrais,
guardiões da memória e da sabedoria,
e a todos aqueles que mantêm viva a tradição
por meio da palavra, da arte e do espírito.



AGRADECIMENTOS


Agradeço às forças da natureza,
aos ensinamentos dos mais velhos,
às inspirações da vida cotidiana
e àqueles que valorizam o conhecimento
como caminho de transformação humana.



EPÍGRAFE


“Contar histórias é resistir ao esquecimento,
é dar forma ao invisível e eternidade ao instante.”




RESUMO


Esta obra reúne quatro artigos que abordam a relação entre filosofia, arte e natureza humana a partir de uma perspectiva histórica e simbólica. O primeiro capítulo analisa a figura do contador de histórias como agente de transmissão cultural desde as sociedades orais até a era digital. O segundo capítulo explora a construção da figura do herói em suas dimensões mitológicas, culturais, históricas e contemporâneas. O terceiro capítulo discute o poder da arte como força criadora de sentidos e realidades. O quarto capítulo investiga a linguagem da natureza como sistema de comunicação baseado em sinais e interpretações. A coletânea propõe uma reflexão sobre a permanência dos elementos simbólicos na experiência humana, mesmo diante das transformações tecnológicas e sociais.
Palavras-chave: narrativa; arte; herói; natureza; cultura.



ABSTRACT


This work brings together four articles that explore the relationship between philosophy, art, and human nature from a historical and symbolic perspective. The first chapter analyzes the figure of the storyteller as a cultural transmitter from oral societies to the digital age. The second chapter examines the construction of the hero in its mythological, cultural, historical, and contemporary dimensions. The third chapter discusses the power of art as a force that creates meaning and realities. The fourth chapter investigates the language of nature as a system of communication based on signs and interpretation. This collection proposes a reflection on the permanence of symbolic elements in human experience, even in the face of technological and social transformations.
Keywords: narrative; art; hero; nature; culture.



APRESENTAÇÃO


O presente volume integra a coletânea do acervo virtual bibliográfico de Nhenety Kariri-Xocó, reunindo reflexões que atravessam a tradição oral, o pensamento filosófico e a experiência estética. A obra propõe um diálogo entre passado e presente, tradição e inovação, local e universal, destacando a capacidade humana de criar, interpretar e transformar o mundo por meio da linguagem e da arte.




NOTA DO AUTOR


Este volume representa a continuidade de um trabalho de pesquisa, reflexão e expressão que busca valorizar a memória, a identidade e os saberes tradicionais, articulando-os com o pensamento contemporâneo.



MEMÓRIA DO AUTOR


Nhenety Kariri-Xocó, contador de histórias oral e escrita, dedica-se à preservação e difusão dos saberes ancestrais de seu povo. Sua produção intelectual reflete a conexão entre tradição, cultura e reflexão filosófica, constituindo um acervo que dialoga com o passado e projeta o futuro.



SUMÁRIO


Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN ( Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Resumo
Abstract
Apresentação
Nota do Autor
Memória do Autor
Introdução Geral
Capítulo 1 - O Contador de História 
Capítulo 2 - A Figura do Herói 
Capítulo 3 - O Poder da Arte 
Capítulo 4 - A Linguagem da Natureza 
Considerações Finais
Referências Gerais
Sobre o Autor



INTRODUÇÃO GERAL


A relação entre filosofia, arte e natureza humana constitui um dos eixos fundamentais da compreensão da existência. Desde os primórdios, o ser humano busca interpretar o mundo e a si mesmo por meio de narrativas, símbolos e experiências sensíveis. Esta obra propõe uma análise dessas dimensões, evidenciando a permanência de estruturas simbólicas que atravessam diferentes épocas e culturas.



CAPÍTULO 1


O CONTADOR DE HISTÓRIA





1. Introdução


O contador de histórias é uma figura ancestral presente em praticamente todas as sociedades humanas. Antes mesmo da escrita, o ser humano aprendeu a construir sentido para sua existência por meio da narrativa oral. O contador era o elo entre o passado e o presente, o portador dos mitos fundadores, o mensageiro das lições de vida. Com o passar dos séculos, esse narrador tradicional viu seu papel se transformar com o advento da escrita, da imprensa, da mídia e das tecnologias digitais. Hoje, em um mundo globalizado e hiperconectado, questiona-se: o contador de histórias tornou-se um narrador universal? Este artigo propõe um percurso cronológico para compreender essa transição histórica e cultural.

Desenvolvimento

1. As Raízes do Contador de Histórias

Nas sociedades tribais e orais da antiguidade, o contador de histórias era geralmente o ancião, o xamã, o sacerdote ou o pajé. Seu papel era manter viva a memória coletiva por meio da repetição de mitos, lendas, genealogias e saberes práticos. Povos africanos, indígenas, aborígines australianos e comunidades asiáticas mantiveram viva essa tradição por milênios. As histórias tinham função educativa, espiritual e social, preservando a identidade do grupo.

2. Da Oralidade à Escrita nas Grandes Civilizações

Com a invenção da escrita por volta de 3.000 a.C., os primeiros registros narrativos surgiram na Mesopotâmia, Egito, Índia e China. Obras como Gilgamesh, Mahabharata e Odisseia marcaram a transição da oralidade para a literatura. Apesar disso, os contadores orais ainda tinham grande relevância, especialmente entre as camadas populares que não tinham acesso à leitura.

3. Idade Média e Tradições Populares

Durante a Idade Média, os contadores se diversificaram em trovadores, jograis, monges copistas, griôs africanos e outros transmissores da cultura. Eles circularam entre feiras, castelos e mosteiros, mantendo vivas as tradições locais. A oralidade seguiu predominando nas culturas camponesas e indígenas, resistindo ao avanço lento da alfabetização.

4. O Início da Globalização e o Intercâmbio Cultural

A partir do século XV, com as Grandes Navegações, o mundo passou a conhecer um processo de globalização inicial. Povos distantes passaram a interagir e trocar histórias, mitos e religiões. A imprensa de Gutenberg (1455) revolucionou a difusão de narrativas escritas, possibilitando maior alcance das histórias para além do espaço físico do contador.

5. Séculos XIX e XX: Mídia de Massa e Padronização Narrativa

A Revolução Industrial e a ascensão da imprensa, do rádio, do cinema e da televisão transformaram profundamente o ato de narrar. O contador tradicional viu-se diante de narrativas industrializadas, muitas vezes padronizadas, voltadas a um público global. A televisão, em especial, criou uma linguagem comum e inseriu milhões de pessoas em referências narrativas semelhantes.

6. Internet e Inteligência Artificial: O Contador Global

A partir da década de 1990, com a internet e, mais recentemente, com a inteligência artificial, surge um novo ambiente narrativo. Plataformas digitais permitiram a emergência de contadores diversos: blogueiros, youtubers, influencers, escritores independentes, além de narradores automatizados. A IA pode criar histórias, recontar mitos, gerar roteiros e até adaptar estilos culturais. O contador contemporâneo precisa agora equilibrar a sua tradição com a linguagem universal digital, preservando sua identidade sem perder a capacidade de dialogar com o mundo.

Considerações Finais

O contador de histórias atravessou séculos transformando-se junto com as sociedades. Se antes sua atuação era local e oral, hoje ele pode atingir o mundo inteiro com um clique. A globalização, a mídia e as tecnologias digitais ampliaram o seu alcance, mas também impuseram desafios: como manter a essência cultural e ancestral diante de uma linguagem globalizada e automatizada? O contador de histórias do presente é, ao mesmo tempo, guardião do passado e visionário do futuro, integrando o saber local à narrativa universal. A contação de histórias nunca foi tão necessária — não apenas para entreter, mas para conectar culturas, despertar consciências e preservar memórias em meio ao turbilhão da informação digital.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 


 

CAPÍTULO 2


A FIGURA DO HERÓI





1. Introdução 


A figura do herói acompanha a humanidade desde suas narrativas mais antigas. Seja nas epopeias mitológicas, nos relatos históricos, nas tradições orais, nas páginas das histórias em quadrinhos ou na vida cotidiana, os heróis ocupam lugar central na formação de valores, identidades e ideais. Este artigo propõe uma análise abrangente das principais categorias de heróis: mitológicos e lendários, culturais, históricos, fictícios e reais. A proposta é compreender como essas representações evoluíram, o que revelam sobre os povos que as criaram e qual o papel que ainda desempenham no mundo contemporâneo.

2. Desenvolvimento 

2.1 Heróis Mitológicos e Lendários

Os heróis mitológicos são personagens dotados de poderes extraordinários, muitas vezes filhos de deuses e humanos, como Hércules, Aquiles, Gilgamesh, Thor e Rama. Tais figuras representam valores como coragem, honra e sacrifício. Também surgem nas tradições indígenas e africanas, como os Orixás guerreiros, figuras lendárias como Macunaíma ou os heróis dos povos nativos das Américas. Essas narrativas fundam cosmovisões e revelam mitos de origem, lutas contra o caos e a afirmação do bem.

2.2 Heróis Culturais

Os heróis culturais são personagens históricos ou simbólicos que representam os valores e tradições de um povo. Podem surgir da oralidade, da literatura, das artes ou da política cultural. Exemplos incluem Zumbi dos Palmares, Che Guevara, Gandhi, Martin Luther King Jr., Iracema ou até mesmo personagens do cordel. São figuras que simbolizam resistência, identidade e pertencimento.

2.3 Heróis Históricos

Diferentes das figuras lendárias, os heróis históricos são pessoas reais que desempenharam papel crucial em acontecimentos decisivos. Alguns exemplos são Tiradentes, Anita Garibaldi, Dom Pedro II, Nelson Mandela, Simón Bolívar, José Bonifácio, entre outros. Essas personalidades são celebradas por feitos que influenciaram profundamente o curso de uma nação ou de toda a humanidade.

2.4 Super-Heróis Fictícios

Criados no século XX, especialmente com o surgimento das histórias em quadrinhos, os super-heróis refletem as necessidades sociais de justiça e esperança. Superman (1938), Batman (1939), Mulher-Maravilha (1941), Homem-Aranha (1962), Pantera Negra (1966) e outros compõem o panteão moderno da Marvel e DC Comics. Suas narrativas evoluíram da ingenuidade heróica da Era de Ouro para dilemas morais mais complexos na atualidade. Hoje, são ícones globais da cultura pop e influenciam cinema, moda, política e comportamento.

2.5 Heróis Reais do Cotidiano

Além das figuras míticas e públicas, existem os heróis anônimos que atuam no cotidiano: profissionais da saúde, professores, líderes comunitários, mães e pais que lutam pela sobrevivência de suas famílias. Esses heróis não ganham medalhas nem estão nas páginas dos livros, mas são fundamentais para a coesão e bem-estar da sociedade.

3. Considerações Finais 

A necessidade de heróis parece intrínseca à condição humana. Ao longo da história, os heróis — em suas diferentes formas — refletem as angústias, esperanças e lutas de cada geração. Sejam oriundos da mitologia, da história, da cultura popular ou da vida real, eles cumprem um papel simbólico de inspiração, transformação e resistência. Em um mundo em constante mudança, a figura do herói continua sendo uma ponte entre o imaginário e a realidade.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó 



CAPÍTULO 3


O PODER DA ARTE





1. Introdução


Desde os primórdios, a arte acompanha o ser humano como forma de expressão, registro e transformação do mundo. Nas cavernas de Altamira ou nas pirâmides do Egito, já estava implícito o poder de comunicar-se com o invisível, de atribuir forma ao indizível. Com a arte, criamos mitos, deuses, símbolos e narrativas que moldam a percepção da realidade. Neste artigo, propomos explorar esse poder como uma dimensão que ultrapassa a função estética e alcança o território da criação de mundos. Ser artista é também ser demiurgo — aquele que modela o mundo com as próprias mãos, com palavras, imagens, sons ou movimentos.

2. Desenvolvimento

2.1 A arte como potência criadora

A arte nos permite romper com os limites do espaço e do tempo. Platão, em seu conceito de mundo das ideias, já sugeria que o mundo sensível é uma sombra do mundo ideal. A arte, nesse contexto, acessa essa dimensão ideal e a traduz em forma, cor, som ou palavra. Friedrich Nietzsche, ao refletir sobre a arte trágica grega, considerava que o artista atua como um criador de sentidos para o absurdo da existência — é por meio da arte que a vida se justifica. Assim, o impossível se torna possível, e o eterno se torna presente.

2.2 Seres mitológicos e eternos através da arte

Ao criarmos personagens, narrativas e paisagens, damos vida ao que nunca existiu — mas que passa a existir no campo simbólico. A literatura transformou Dom Quixote em símbolo da luta contra os moinhos da vida. A escultura eternizou o Davi de Michelangelo. A pintura fez da Monalisa uma mulher eternamente enigmática. O artista, portanto, não apenas representa: ele cria. E essa criação pode reverberar por séculos, tornando-se mais "real" do que a própria história factual.

2.3 Arte e a modelagem da realidade

O filósofo francês Paul Ricoeur afirmou que a ficção, por meio da "refiguração", influencia a maneira como interpretamos o mundo real. A arte pode antecipar realidades futuras — como ocorre na ficção científica, que frequentemente precede invenções tecnológicas. Filmes, livros, canções e performances não são meros entretenimentos; eles moldam subjetividades, comportamentos e até sistemas políticos. A arte, portanto, não é fuga da realidade: é sua releitura e, muitas vezes, seu prenúncio.

2.4 A arte como transcendência do humano

A arte também confere ao ser humano a experiência do divino. No palco, o ator pode ser rei; no poema, o eu-lírico é eterno; na dança, o corpo voa. A arte permite a metamorfose e a vivência de arquétipos, como sugeria Carl Jung. O artista torna-se, assim, um xamã moderno: alguém capaz de atravessar dimensões simbólicas e trazer ao coletivo uma experiência transformadora.

3. Considerações Finais

A arte não apenas embeleza o mundo — ela o reinventa. É por meio dela que ultrapassamos os limites da existência física e alcançamos a eternidade simbólica. Criamos mundos, vivemos outras vidas, tornamo-nos deuses, reis, monstros ou santos. A arte, como linguagem simbólica e sensível, torna possível o que parecia inalcançável e propõe teorias que a ciência ou a política, por vezes, confirmam mais tarde. Assim, devemos compreender a arte não como ornamento, mas como força vital, criadora e transformadora da condição humana.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




CAPÍTULO 4


A LINGUAGEM DA NATUREZA





Introdução


Desde os primórdios da humanidade, os seres humanos desenvolveram a capacidade de interpretar sinais da natureza, elaborando estratégias de sobrevivência, previsão de fenômenos naturais e compreensão do próprio corpo. Esse processo evidencia que a natureza possui uma linguagem própria, não estruturada por códigos fonéticos, mas manifesta através de padrões, aparências, sintomas e alterações no ambiente. Exemplos como a previsão meteorológica, baseada na observação das nuvens, ou o diagnóstico médico, que interpreta sinais e sintomas, demonstram a relevância desta comunicação silenciosa. No atual contexto de crise ambiental, a interpretação correta das mensagens naturais torna-se essencial para a adoção de atitudes sustentáveis e para a promoção de uma relação mais harmônica com o planeta.

Desenvolvimento

A Natureza como Sistema de Comunicação

A natureza expressa-se através de sinais que indicam mudanças, processos e estados. Esses sinais, embora silenciosos, possuem uma lógica própria que pode ser decifrada. Um exemplo clássico é o campo da meteorologia, que analisa aspectos como a formação e a disposição das nuvens, a direção dos ventos e a variação da pressão atmosférica para prever condições climáticas. Assim, quando um meteorologista afirma que haverá “céu parcialmente nublado com previsão de chuvas”, ele está traduzindo para a linguagem humana uma mensagem previamente comunicada pela atmosfera.

Outro exemplo são os sinais do corpo humano. A medicina, desde a Antiguidade, baseia-se na observação dos sintomas para diagnosticar doenças. A febre, por exemplo, é um indicativo de que algo está alterado no funcionamento fisiológico, sendo interpretada como um alerta do organismo.

A Linguagem da Terra: Alertas Ambientais

A degradação ambiental intensificou a emissão de sinais críticos pela natureza. O degelo das calotas polares, o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos — como furacões, enchentes e secas —, bem como a perda de biodiversidade são manifestações claras de desequilíbrios causados pela ação humana. Esses fenômenos podem ser interpretados como mensagens urgentes da Terra, indicando que o planeta encontra-se em um estado de estresse sistêmico.

Autores como James Lovelock (2006), criador da Hipótese Gaia, sugerem que a Terra funciona como um superorganismo autorregulado, que responde aos estímulos negativos com reações visíveis, como o aumento das temperaturas médias globais. Assim, o aquecimento global e as mudanças climáticas são respostas comunicativas do sistema planetário.

Saberes Tradicionais e a Leitura da Natureza

As culturas indígenas e tradicionais são exemplos vivos de sociedades que desenvolveram formas sofisticadas de leitura da linguagem da natureza. Povos originários, como os Kariri-Xocó, interpretam os ciclos das águas, o comportamento dos animais e as mudanças no céu para orientar práticas agrícolas, cerimoniais e de cura. Esses saberes são transmitidos oralmente e constituem verdadeiros sistemas de conhecimento, que dialogam com as ciências contemporâneas.

A Importância da Alfabetização Ecológica

A capacidade de interpretar os sinais da natureza é essencial para a construção de uma ética ecológica. Segundo Capra (1996), a compreensão das inter-relações entre os sistemas naturais e sociais é um dos pilares para o desenvolvimento sustentável. A educação ambiental, nesse sentido, deve ser pensada como um processo de alfabetização ecológica, que ensine não apenas conceitos, mas habilidades para perceber, compreender e respeitar as mensagens emitidas pela natureza.

Comunicação Não Verbal e Semiologia Natural

Do ponto de vista teórico, a linguagem da natureza pode ser compreendida como uma forma de semiose não intencional, ou seja, como a produção de signos que não têm uma intenção comunicativa consciente, mas que podem ser interpretados por observadores atentos. A semiologia, ciência dos signos, contribui para a compreensão dessa comunicação, ampliando a ideia de linguagem para além do humano.

Considerações Finais

A linguagem da natureza é um sistema complexo de sinais e padrões que comunica aos seres humanos informações vitais sobre o estado do meio ambiente e do próprio corpo. Desenvolver a capacidade de perceber e interpretar essas mensagens é essencial para a construção de sociedades mais sustentáveis e resilientes. A crise ecológica contemporânea evidencia a necessidade urgente de uma reconexão com os processos naturais e de uma escuta atenta aos sinais que a Terra continuamente nos envia. A valorização dos saberes tradicionais e o fortalecimento da educação ambiental são caminhos indispensáveis para essa reconexão.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 





CONSIDERAÇÕES FINAIS


A presente coletânea evidencia que o ser humano é, simultaneamente, narrador, criador e intérprete da realidade. As reflexões aqui reunidas demonstram que, apesar das transformações históricas e tecnológicas, permanecem vivos os elementos fundamentais da experiência humana.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GERAIS UNIFICADAS



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BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. São Paulo: Brasiliense, 1994.

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CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo: Perspectiva, 1972.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

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JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

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LOVELOCK, James. A vingança de Gaia: por que a Terra está reagindo às agressões da humanidade. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2006.

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MORAES, Maria Célia Paoli de. Heróis e mitos da cidade. São Paulo: Brasiliense, 1988.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 9. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

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PLATÃO. A República. São Paulo: Martin Claret, 2017.

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THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade. Petrópolis: Vozes, 1998.



REFERÊNCIAS DOS ARTIGOS DO ACERVO


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. O Contador de História. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/o-contador-de-historia.html?m=0 . Acesso em: 28 abr. 2026. 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. A Figura do Herói. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/a-figura-do-heroi.html?m=0 . Acesso em: 28 abr. 2026. 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety. O Poder da Arte. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/o-poder-da-arte.html?m=0 . Acesso em: 28 abr. 2026. 


KARIRI-XOCÓ, Nhenety.  A Linguagem da Natureza. Disponível em: 

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/05/a-linguagem-da-natureza.html?m=0 . Acesso em: 28 abr. 2026. 





SOBRE O AUTOR


Nhenety Kariri-Xocó é indígena do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas. Contador de histórias oral e escrita, dedica-se à pesquisa e produção de conteúdos voltados à cultura, filosofia e memória ancestral. Seu trabalho busca integrar tradição e contemporaneidade, contribuindo para a valorização do conhecimento e da identidade cultural brasileira.






Autor: Nhenety Kariri-Xocó





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