FALSA FOLHA DE ROSTO
TORÉ KARIRI-XOCÓ: MEMÓRIA, CULTURA E ESPIRITUALIDADE
FOLHA DE ROSTO
TORÉ KARIRI-XOCÓ: MEMÓRIA, CULTURA E ESPIRITUALIDADE
Nhenety Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio – Alagoas
2026
VERSO DA FOLHA DE ROSTO
© Nhenety Kariri-Xocó, 2026.
Todos os direitos reservados.
Obra dedicada à preservação da memória cultural, histórica e espiritual do povo Kariri-Xocó.
FICHA CATALOGRÁFICA (MODELO)
Kariri-Xocó, Nhenety.
Toré Kariri-Xocó: memória, cultura e espiritualidade / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL, 2026.
xx p.
Inclui referências bibliográficas.
ISBN: 978-65-0000-000-0
Povos indígenas. 2. Kariri-Xocó. 3. Toré. 4. Cultura indígena. 5. Memória oral. 6. Espiritualidade indígena.
CDD: 980.41
ISBN (SIMBÓLICO)
ISBN: 978-65-0000-000-0
PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO
Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.
Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.
Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.
Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.
Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.
ESCLARECIMENTO DO AUTOR
A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.
Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.
Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.
O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.
Nhenety Kariri-Xocó
DEDICATÓRIA
Dedico esta obra aos meus ancestrais Kariri e Xocó, guardiões dos cantos, das histórias e dos caminhos que conduziram nosso povo através dos séculos. Dedico também às crianças, jovens e futuros guardiões da memória, para que jamais se apague a chama do conhecimento herdado dos antigos.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente aos ancestrais que preservaram os saberes transmitidos pela tradição oral. Aos anciãos e anciãs que compartilharam suas memórias, aos parentes Kariri-Xocó que mantêm viva a cultura do Toré e a todos aqueles que contribuíram para a construção desta obra.
Registro igualmente minha gratidão às ferramentas contemporâneas de pesquisa e escrita que auxiliaram na organização e preservação desses conhecimentos, permitindo que a memória ancestral alcance novas gerações.
EPÍGRAFE
"Enquanto houver quem cante o Toré, os ancestrais continuarão caminhando entre seu povo."
— Tradição Oral Kariri-Xocó
PREFÁCIO
O presente livro constitui um importante registro da memória cultural e espiritual do povo Kariri-Xocó. Por meio dos cantos do Toré, o autor reúne narrativas, lembranças e conhecimentos preservados pela tradição oral, demonstrando como a cultura indígena permanece viva através das gerações.
Mais do que uma descrição de práticas culturais, esta obra apresenta uma visão de mundo construída pela relação entre comunidade, ancestralidade, natureza e espiritualidade. Cada capítulo representa um fragmento da memória coletiva transformado em registro escrito para fortalecer a preservação dos saberes tradicionais.
RESUMO
Esta obra apresenta um estudo descritivo sobre os principais cantos tradicionais do Toré Kariri-Xocó, abordando seus significados culturais, históricos e espirituais. Por meio da tradição oral, da memória coletiva e dos conhecimentos ancestrais, são analisados oito torés associados a diferentes momentos da vida comunitária, incluindo casamento, despedida dos mortos, celebração das vitórias, acolhimento de visitantes, colheitas, chuvas e devoções religiosas. O trabalho busca contribuir para a preservação da memória indígena e para a valorização do patrimônio cultural do povo Kariri-Xocó.
Palavras-chave: Kariri-Xocó; Toré; Memória; Cultura Indígena; Espiritualidade.
ABSTRACT
This work presents a descriptive study of the main traditional Toré chants of the Kariri-Xocó people, addressing their cultural, historical and spiritual meanings. Through oral tradition, collective memory and ancestral knowledge, eight Toré chants associated with different moments of community life are analyzed, including marriage, funerary rites, celebrations of victories, welcoming ceremonies, harvests, rains and religious devotions. The work seeks to contribute to the preservation of Indigenous memory and to the appreciation of the cultural heritage of the Kariri-Xocó people.
Keywords: Kariri-Xocó; Toré; Memory; Indigenous Culture; Spirituality.
APRESENTAÇÃO
O Toré constitui uma das mais importantes expressões culturais dos povos indígenas do Nordeste brasileiro. Entre os Kariri-Xocó, ele representa um patrimônio vivo que reúne música, dança, espiritualidade, memória e identidade coletiva.
Esta obra busca registrar parte desse patrimônio por meio de oito capítulos dedicados a diferentes modalidades de Toré preservadas na memória oral da comunidade.
SUMÁRIO
Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Nota do Autor
Memória do Autor
Apresentação
Introdução
Capítulo I – Toré do Piwonhé: O Canto da Memória Ancestral
Capítulo II – Toré Wonhénhá: O Canto da Memória e da Despedida
Capítulo III – Toré Uide: Os Cantos da Vitória e da Resistência
Capítulo IV – Toré Wontseho Atseá: Os Cantos de Boas-Vindas e a Celebração da Fraternidade
Capítulo V – Toré Santoá Usarunghí: Entre a Fogueira e a Colheita na Tradição Kariri-Xocó
Capítulo VI – Toré Curoté: O Canto da Celebração na Fartura do Milho Verde
Capítulo VII – Toré Dzóá: O Canto das Chuvas e a Memória Ancestral das Águas
Capítulo VIII – Toré Hietçãdékiete: O Canto da Padroeira e o Encontro das Tradições Espirituais
Considerações Finais
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor
NOTA DO AUTOR
Este livro foi elaborado a partir de pesquisas, memórias familiares, relatos de anciãos, experiências culturais e estudos desenvolvidos ao longo dos anos. Não pretende encerrar o conhecimento sobre o Toré, mas contribuir para sua valorização e preservação.
MEMÓRIA DO AUTOR
Nasci entre histórias, cantos e lembranças preservadas pelos mais velhos do povo Kariri-Xocó. Desde a infância ouvi narrativas sobre os antigos troncos familiares, os encantados, os rituais e os acontecimentos que marcaram a trajetória de nossa comunidade.
Ao longo dos anos compreendi que registrar essas memórias significa fortalecer a identidade de nosso povo e garantir que os ensinamentos ancestrais permaneçam vivos para as futuras gerações.
INTRODUÇÃO
O Toré ocupa posição central na vida cultural e espiritual do povo Kariri-Xocó. Presente em celebrações, cerimônias, momentos de passagem, acolhimentos e manifestações de fé, ele constitui uma importante forma de transmissão de conhecimentos ancestrais.
Este livro apresenta oito expressões do Toré preservadas pela tradição oral, buscando compreender seus significados históricos, simbólicos e comunitários.
CAPÍTULO I – TORÉ DO PIWONHÉ: O CANTO DA MEMÓRIA ANCESTRAL
O Toré do Piwonhé ocupa um lugar especial na tradição oral do povo Kariri-Xocó, reunindo canto, dança, espiritualidade e memória coletiva em uma única manifestação cultural. Transmitido pelos mais velhos às novas gerações, esse toré preserva ensinamentos ancestrais, lembranças dos antigos caminhos percorridos pelo povo e a profunda relação entre os seres humanos, a natureza e as forças sagradas que orientam a vida da comunidade. Ao longo deste capítulo, serão apresentados os relatos, significados e lembranças associados ao Toré do Piwonhé, destacando sua importância para a identidade cultural e para a continuidade das tradições Kariri-Xocó.
Na memória do povo Kariri-Xocó, o casamento representava um dos momentos mais importantes da vida comunitária. Antes de se unir à sua companheira, o rapaz precisava demonstrar que estava preparado para formar uma nova família. Para isso, com a ajuda dos parentes e do mutirão da aldeia, construía sua erá (casa) e mantinha sua bechiéá (roça), cultivando legumes e outros alimentos necessários ao sustento do futuro lar.
Somente depois de cumprir essas responsabilidades o jovem e a moça podiam realizar o piwonhé (casamento). A união não era vista apenas como um compromisso entre duas pessoas, mas como um acontecimento de interesse coletivo, pois fortalecia os laços da comunidade e garantia a continuidade do povo por meio das futuras gerações.
Marcado o grande dia, iniciava-se a festa no Toré. Ao redor da fogueira, homens, mulheres, crianças e anciãos cantavam, dançavam e celebravam durante toda a noite. O som dos maracás, as cantigas tradicionais e a presença dos familiares transformavam aquele momento em uma verdadeira cerimônia de alegria, união e reconhecimento social.
Quando a madrugada avançava e o novo dia surgia, a festa continuava na porta da casa recém-construída. Ali, diante de todos, o povo reconhecia oficialmente o casal como uma nova unidade familiar. Era também uma forma de desejar prosperidade, harmonia e muitos filhos que viessem fortalecer a comunidade e preservar as tradições ancestrais.
Após o encerramento do Toré, realizava-se uma grande partilha de alimentos produzidos na roça. Todos participavam da refeição coletiva e celebravam a abundância conquistada pelo trabalho comum. Em seguida, na presença dos pais e dos avós, o casal recebia as bênçãos dos mais velhos, levando consigo os ensinamentos, a proteção espiritual e os votos de uma vida longa e feliz dentro da comunidade Kariri-Xocó.
Mais do que um simples canto ritual, o Toré do Piwonhé representa um elo vivo entre passado, presente e futuro. Em cada passo da dança, em cada voz que entoa seus versos e em cada ensinamento transmitido pelos anciãos, permanecem guardadas as memórias e os valores que sustentam a existência do povo Kariri-Xocó. Sua preservação fortalece a identidade coletiva, reafirma o respeito aos ancestrais e garante que a sabedoria herdada continue iluminando os caminhos das futuras gerações, mantendo viva a história e a espiritualidade do povo.
CAPÍTULO II – TORÉ WONHÉNHÁ: O CANTO DA MEMÓRIA E DA DESPEDIDA
Entre os Kariri-Xocó, a morte não representa o fim da existência, mas a passagem para outra etapa da caminhada espiritual. Desde tempos antigos, os ensinamentos dos ancestrais orientam que cada pessoa deixa sua marca na comunidade por meio de suas ações, palavras e exemplos. Nesse contexto, o Toré Wonhénhá ocupa um lugar especial na tradição, pois reúne a memória coletiva, o respeito aos que partiram e a valorização do legado deixado por cada membro do povo. Por meio dos cantos sagrados, das narrativas compartilhadas e dos rituais de despedida, a comunidade reafirma seus vínculos com os antepassados e fortalece a continuidade de sua identidade cultural.
Na Cultura dos Kariri-Xocó, cada pessoa deixa suas marcas no caminho da vida. Desde o nascimento até os últimos dias, o homem ou a mulher constrói sua história por meio de suas ações, de seu trabalho e de sua convivência com a comunidade. Uns são lembrados como grandes pescadores das águas do Velho Chico, outros como caçadores habilidosos, agricultores dedicados, ceramistas talentosos ou guardiões das tradições. Essas histórias, chamadas de woroyá, permanecem vivas na memória do povo e ajudam a definir o legado de cada pessoa.
Quando chega o momento da partida e alguém encerra sua caminhada na Terra, a aldeia se reúne em respeito e lembrança. Durante a noite que antecede o sepultamento, a família acende uma fogueira diante da casa. O fogo ilumina a escuridão e reúne parentes, amigos e vizinhos ao redor de suas chamas, criando um espaço de memória e reflexão.
Ao redor da fogueira, começam os relatos sobre a vida daquele que partiu. São recordadas suas lutas, suas alegrias, seus ensinamentos e as contribuições que deixou para a comunidade. Cada palavra fortalece a lembrança de quem viveu entre seu povo e ajuda os mais jovens a compreenderem a importância de honrar os costumes herdados dos antepassados.
Com o amanhecer do novo dia, chega a hora da despedida final. Antes que o cortejo siga para o local do enterro, são entoados três cantos sagrados de Toré conhecidos como Wonhénhá, o Canto do Morto. As vozes ecoam pela aldeia, levando consigo o respeito, a gratidão e o reconhecimento pela trajetória daquele que cumpriu sua missão entre os seus.
Assim, o Toré Wonhénhá não representa apenas uma despedida, mas também uma celebração da memória. Por meio dos cantos e das histórias compartilhadas, a vida da pessoa continua presente no coração da comunidade. Dessa forma, os Kariri-Xocó reafirmam que ninguém parte sem deixar seus ensinamentos, e que a memória dos ancestrais permanece viva enquanto suas histórias continuarem sendo contadas.
O Toré Wonhénhá revela a profunda sabedoria dos Kariri-Xocó ao transformar a despedida em um momento de união, reflexão e preservação da memória ancestral. Ao redor da fogueira, nas histórias contadas e nos cantos entoados antes do sepultamento, permanece viva a certeza de que a trajetória de cada pessoa continua presente na lembrança de seu povo. Assim, o Wonhénhá não apenas honra aqueles que partiram, mas também ensina às novas gerações o valor da coletividade, da gratidão e da continuidade dos saberes tradicionais. Enquanto houver quem recorde e compartilhe essas histórias, os ancestrais permanecerão caminhando ao lado de seu povo, fortalecendo a identidade e a espiritualidade Kariri-Xocó.
CAPÍTULO III — TORÉ WIDE: OS CANTOS DA VITÓRIA E DA RESISTÊNCIA
O Toré Uide ocupa um lugar especial na memória e na tradição do povo Kariri-Xocó, pois reúne os cantos que celebram as conquistas alcançadas ao longo das gerações. Mais do que simples manifestações de alegria, esses cantos representam a gratidão coletiva diante das vitórias conquistadas pelo esforço, pela união e pela proteção dos ancestrais e encantados. Em cada época da história, o Toré Uide acompanhou os momentos de superação, renovando a esperança e fortalecendo o sentimento de pertencimento à comunidade.
O Canto da Vitória, não é um único canto, mas um conjunto de cantos comemorativos que acompanham as conquistas do povo ao longo do tempo. Desde os tempos mais antigos, os indígenas celebram seus momentos de alegria e realização através do toré. Cada vitória alcançada, grande ou pequena, torna-se motivo para reunir a comunidade em cantos, danças e agradecimentos, fortalecendo os laços entre as pessoas e a memória dos ancestrais.
Quando os caçadores retornavam trazendo alimento para suas famílias, quando as roças ofereciam boas colheitas ou quando uma nova aldeia era construída com o esforço coletivo, o povo reunia-se para festejar. Os maracás ecoavam pelo terreiro, os cantos se elevavam ao céu e os dançadores formavam o círculo sagrado do toré, celebrando a abundância e a união da comunidade.
Nas épocas de luta, o Toré Uide também marcava presença. Depois de enfrentar dificuldades, proteger o território ou superar desafios que surgiam pelo caminho, a comunidade celebrava sua resistência. A vitória não pertencia apenas a uma pessoa, mas a todos aqueles que haviam contribuído para o bem-estar e a continuidade do povo.
Com a passagem dos anos, novas formas de conquista surgiram. Além das vitórias relacionadas à caça, à agricultura e à organização da aldeia, passaram a ser comemoradas as conquistas dos direitos indígenas, a valorização da cultura tradicional, a preservação da identidade e o reconhecimento dos saberes ancestrais. Cada boa notícia tornava-se motivo para novos cantos e celebrações.
Assim, o Toré Uide permanece vivo através de diversos cantos de comemoração, transmitidos e recriados conforme as necessidades de cada geração. Embora os tempos mudem e as conquistas assumam novas formas, o sentimento continua o mesmo: celebrar a vitória, agradecer aos encantados e aos ancestrais e reafirmar a força coletiva do povo Kariri-Xocó.
Ao atravessar o tempo e chegar aos dias atuais, o Toré Uide continua sendo uma expressão viva da força do povo Kariri-Xocó. Seus cantos preservam a memória das conquistas antigas e celebram as vitórias do presente, lembrando que cada avanço alcançado é fruto da caminhada coletiva de muitas gerações. Assim, ao som dos maracás e dos passos no terreiro, o Toré Uide permanece reafirmando a resistência, a identidade cultural e a continuidade dos saberes ancestrais que sustentam a vida e a história do povo.
CAPÍTULO IV – TORÉ WONTSEHO ATSEÁ: OS CANTOS DE BOAS-VINDAS E A CELEBRAÇÃO DA FRATERNIDADE
Entre as diversas expressões culturais preservadas pelo povo Kariri-Xocó, o Toré Wontseho Atseá ocupa um lugar especial como manifestação de acolhimento, respeito e fortalecimento dos vínculos comunitários. Mais do que uma simples recepção aos visitantes, essa tradição reúne cantos, danças e ensinamentos transmitidos pelos ancestrais, revelando valores fundamentais da convivência coletiva. Ao longo das gerações, o Toré Wontseho Atseá tornou-se um importante símbolo da hospitalidade indígena, preservando memórias, reafirmando identidades e promovendo o encontro entre diferentes povos e culturas.
No povo Kariri-Xocó, existe uma antiga tradição chamada Toré Wontseho Atseá, os cantos de apresentação dedicados à chegada de visitantes. Desde os tempos mais antigos, quando parentes de outras aldeias se aproximavam, homens, mulheres, anciãos e crianças reuniam-se para cantar e dançar, demonstrando alegria, respeito e fraternidade. O som dos maracás e as vozes entoadas em conjunto anunciavam que os visitantes eram recebidos como parte de uma grande família.
Os mais velhos contam que esses cantos não serviam apenas para saudar quem chegava, mas também para fortalecer os laços entre os povos indígenas. Cada apresentação carregava mensagens de paz, amizade e reconhecimento mútuo. Ao redor do terreiro, os cantos ecoavam como um convite para a convivência harmoniosa, reafirmando a união entre comunidades que compartilhavam histórias, costumes e ancestrais.
Com o passar do tempo, os Kariri-Xocó passaram a receber também pessoas não indígenas, conhecidas tradicionalmente como caraí. A mesma cerimônia de acolhimento foi então estendida aos novos visitantes. Dessa forma, o Toré Wontseho Atseá tornou-se uma ponte entre culturas, preservando o respeito aos costumes ancestrais enquanto acolhia aqueles que chegavam de fora da aldeia.
Uma das narrativas mais lembradas pela tradição oral conta que o pajé Baltazar recebeu o imperador Dom Pedro II durante sua visita à aldeia, em 1859. Na ocasião, os cantos e danças do Toré Wontseho Atseá foram apresentados como sinal de boas-vindas e respeito. A memória desse encontro permaneceu viva entre as gerações, sendo transmitida pelos anciãos como um momento marcante da história do povo.
Ainda hoje, o Toré Wontseho Atseá continua vivo entre os Kariri-Xocó. Quando o povo visita escolas, participa de eventos culturais ou recebe amigos e autoridades na aldeia, os cantos de apresentação voltam a ecoar pelo terreiro. Muitos daqueles que participam do Toré afirmam que existe uma grande diferença entre apenas ouvir falar dessa tradição e vivenciá-la. Ao cantar, dançar e acompanhar o ritmo dos maracás, sentem a alegria dos homenageados e a força da união do grupo. Assim, o Toré permanece como uma expressão viva de acolhimento, respeito e memória ancestral, transmitindo conhecimentos que não se aprendem somente pelas palavras, mas também pela experiência compartilhada.
O Toré Wontseho Atseá permanece como uma das mais significativas heranças culturais do povo Kariri-Xocó, expressando por meio dos cantos e das danças a continuidade de saberes ancestrais que atravessam o tempo. Sua prática reafirma a importância da união, do respeito mútuo e da valorização da memória coletiva, fortalecendo tanto os laços internos da comunidade quanto as relações estabelecidas com outros povos e visitantes. Ao manter viva essa tradição, os Kariri-Xocó preservam não apenas uma forma de recepção, mas também um patrimônio cultural e espiritual que continua ensinando às novas gerações os princípios da fraternidade, da reciprocidade e da convivência harmoniosa.
CAPÍTULO V – TORÉ SANTOÁ USARUNGHÍ: ENTRE A FOGUEIRA E A COLHEITA NA TRADIÇÃO KARIRI-XOCÓ
Entre os Kariri-Xocó, os ciclos da natureza sempre estiveram profundamente ligados à vida espiritual e comunitária. Cada etapa do plantio e da colheita era acompanhada por rituais que fortaleciam os laços entre as famílias, a terra e os encantados guardiões da existência. Nesse contexto, surgiu uma das mais significativas expressões culturais do povo: o Toré Santoá Usarunghí, celebração que reúne elementos ancestrais e influências históricas incorporadas ao longo dos séculos, preservando a essência da identidade indígena e a memória coletiva da comunidade.
Toré Santoá Usarunghí. Entre os Kariri-Xocó, o tempo da colheita sempre foi marcado por celebrações que uniam a comunidade em torno da terra e de seus frutos. No período em que os legumes da roça alcançavam a maturação, os antigos Kariri realizavam um toré especial de agradecimento, reconhecendo a generosidade da natureza e renovando os laços de respeito com as forças espirituais que protegiam a vida do povo.
Era uma época de alegria e abundância. Homens, mulheres, crianças e anciãos reuniam-se para cantar, dançar e celebrar os alimentos que garantiriam o sustento das famílias. O toré ecoava pelos caminhos da aldeia como uma expressão de gratidão, marcando o ciclo da renovação e da continuidade da vida comunitária.
Com a chegada dos colonizadores portugueses, novas práticas religiosas passaram a fazer parte do cotidiano da região. Entre elas estava a tradição de acender fogueiras em homenagem a Santo Antônio, celebrado no dia 13 de junho. Ao longo do tempo, essa festividade tornou-se conhecida entre os não indígenas como a festa do santo associado às noivas e aos casamentos.
Os Kariri-Xocó, porém, não abandonaram suas antigas referências culturais. Em vez disso, incorporaram alguns elementos da nova tradição ao seu próprio universo simbólico. A fogueira passou a ser acesa juntamente com o toré, e Santo Antônio recebeu uma denominação própria na língua e na memória do povo, sendo chamado de Santoá Usarunghí.
Assim, nasceu o Toré Santoá Usarunghí, uma celebração que reúne heranças distintas em uma mesma experiência cultural. Ao redor da fogueira e ao som do toré, permanece viva a lembrança dos antigos tempos da maturação dos legumes da roça, enquanto a comunidade reafirma sua capacidade de preservar a memória ancestral e ressignificar influências externas sem perder sua identidade.
O Toré Santoá Usarunghí representa muito mais do que uma festividade associada à colheita ou à tradição da fogueira. Ele simboliza a capacidade histórica dos Kariri-Xocó de dialogar com diferentes influências culturais sem abandonar seus valores fundamentais. Ao manter vivo o toré como centro da celebração, o povo reafirma sua ligação com a terra, com os ancestrais e com os ensinamentos transmitidos de geração em geração. Dessa forma, a festa permanece como um importante patrimônio cultural, testemunhando a resistência, a continuidade e a renovação da identidade Kariri-Xocó ao longo do tempo.
CAPÍTULO VI – TORÉ CUROTÉ: O CANTO DA CELEBRAÇÃO NA FARTURA DO MILHO VERDE
Entre os diversos saberes transmitidos pelos antigos troncos Kariri, destacam-se as celebrações ligadas aos ciclos da natureza e à produção dos alimentos que garantiam a sobrevivência da comunidade. Muito além de uma simples atividade agrícola, o tempo da colheita era compreendido como um momento sagrado de agradecimento, partilha e fortalecimento dos laços coletivos. Nesse contexto surgiu o Toré Curoté, tradição ancestral associada ao milho verde, que atravessou gerações preservando memórias, ensinamentos e valores fundamentais da cultura Kariri.
Toré Curoté (Canto da Colheita). Muito antes da chegada dos missionários waré às terras indígenas do Baixo São Francisco, o povo Kariri celebrava os ciclos da natureza por meio de cantos, danças e rituais que fortaleciam a união da comunidade. Entre essas tradições estava o Toré Curoté, o “Canto da Colheita”, realizado no tempo em que o masiche erã (milho verde) alcançava o ponto ideal para ser colhido e compartilhado entre as famílias da aldeia.
Nessa época de abundância, homens, mulheres, jovens e crianças reuniam-se para agradecer pelos frutos oferecidos pela terra. O milho verde era colhido com alegria e preparado nas fogueiras comunitárias, espalhando seu aroma pela aldeia. O Toré acompanhava esse momento de fartura, transformando a colheita em uma celebração coletiva marcada por cantos, passos ritmados e expressões de gratidão aos encantados e às forças da natureza.
Com o passar do tempo, os missionários e colonizadores, conhecidos pelos indígenas como caraí, trouxeram novos elementos culturais e religiosos para a região. Entre eles estavam o Erantoá (Casa dos Santos, Igreja) e diversos kenhé (costumes) ligados às festividades cristãs. Essas mudanças passaram a fazer parte do cotidiano das comunidades indígenas, criando novas formas de convivência entre tradições ancestrais e práticas introduzidas pelos não indígenas.
Entre os costumes incorporados destacavam-se as Duantoá Okenerá, as fogueiras acesas diante das casas durante as festas dos santos, especialmente as celebrações dedicadas a São João. As chamas que iluminavam as noites festivas passaram a se somar às antigas práticas ligadas ao tempo da colheita, aproximando elementos de diferentes origens culturais em uma mesma celebração comunitária.
Assim, o Toré Curoté atravessou gerações sem perder seu significado essencial. O que começou como um canto dedicado à colheita do milho verde incorporou novos símbolos ao longo da história, mantendo viva a memória ancestral do povo Kariri. Até os dias de hoje, essa tradição recorda um tempo de fartura, união e respeito às heranças culturais que foram sendo tecidas ao longo dos séculos na vida da aldeia.
O Toré Curoté permanece como um importante testemunho da capacidade de resistência e adaptação cultural do povo Kariri ao longo dos séculos. Mesmo diante das transformações provocadas pelo contato com missionários, colonizadores e novas práticas religiosas, a essência da celebração continuou viva na memória coletiva da comunidade. Como expressão de gratidão pela fartura, de respeito aos encantados e de valorização da vida comunitária, o Canto da Colheita representa um elo entre passado e presente, reafirmando a identidade indígena e a continuidade dos conhecimentos ancestrais transmitidos de geração em geração.
CAPÍTULO VII – TORÉ DZÓÁ: O CANTO DAS CHUVAS E A MEMÓRIA ANCESTRAL DAS ÁGUAS
Neste capítulo, adentramos o universo sagrado do Toré Dzóá, o Canto das Chuvas, manifestação ancestral que expressa a profunda relação entre o povo Xocó e os ciclos da natureza. Inserido no tempo mítico dos antigos, quando a terra ainda guardava os passos primeiros dos ancestrais, este canto ritual revela não apenas uma celebração das águas, mas também um modo de compreender o mundo em harmonia com os sinais do céu, da lua e das estações. É nesse contexto de memória viva que o Toré Dzóá se apresenta como elo espiritual entre o passado e o presente, mantendo acesa a continuidade da tradição.
Toré Dzóá, o Canto das Chuvas, nasceu nos tempos antigos, quando ainda não existia Natierácró, a cidade dos não indígenas que hoje se encontra próxima da Natiá Aramurú, a aldeia onde viveram os Xocó. Naquele uché, o tempo dos ancestrais, a vida seguia o ritmo da natureza, e cada mudança das estações era acompanhada por cantos, danças e celebrações que fortaleciam a ligação entre o povo e os espíritos da terra.
Durante o período de Dzó Kayaku, a Lua da Chuva, os Xocó realizavam o Toré Dzóá. Era um momento especial em que os cantos ecoavam pelos caminhos da aldeia, agradecendo pelas águas que alimentavam os rios, as lagoas, as plantações e todos os seres vivos. O som dos maracás misturava-se ao cair da chuva, criando uma atmosfera sagrada que renovava a esperança e a fartura para toda a comunidade.
Com o passar dos anos, os caraí chegaram à região e estabeleceram a Missão Ilha São Pedro. Trouxeram consigo novas práticas religiosas, festas de santos e fogueiras que passaram a fazer parte do cotidiano local. Mesmo diante dessas mudanças, os Xocó mantiveram vivas muitas de suas tradições, guardando na memória coletiva os ensinamentos recebidos dos antigos e transmitindo-os às novas gerações.
Mais tarde, quando os Xocó migraram para a Aldeia de Colégio, onde viviam os Kariri, levaram consigo seus costumes, suas histórias e seus cantos sagrados. Entre essas tradições estava o Toré Dzóá, que continuou sendo realizado como expressão da identidade do povo e como lembrança dos tempos em que seus antepassados celebravam a chegada das chuvas em suas terras de origem.
Assim, as celebrações passaram a unir heranças de diferentes troncos ancestrais. No ciclo festivo de São João, os Kariri realizavam o Toré Santoá Usarunghí na abertura das comemorações, enquanto os Xocó encerravam o período festivo com o Toré Dzóá, o Canto das Chuvas. Dessa forma, os dois povos fortaleciam seus laços de parentesco e memória, preservando tradições que atravessaram gerações e continuam vivas no coração da comunidade.
Dessa forma, o Toré Dzóá permanece como expressão viva da resistência cultural e da espiritualidade do povo Xocó, atravessando mudanças históricas, deslocamentos territoriais e encontros com outros modos de vida sem perder sua essência. Ao unir canto, dança e memória, o ritual reafirma a importância das águas como fonte de vida e renovação, simbolizando também a permanência dos laços ancestrais que sustentam a identidade coletiva. Assim, o Canto das Chuvas segue ecoando no tempo, não apenas como lembrança do passado, mas como presença contínua que fortalece o espírito comunitário e a ligação sagrada com a terra.
CAPÍTULO VIII – TORÉ HIETÇÃDÉKIETE: O CANTO DA PADROEIRA E O ENCONTRO DAS TRADIÇÕES ESPIRITUAIS
O Toré Hietçãdékiete, conhecido como o Canto da Padroeira, inscreve-se na memória ancestral do povo Kariri como expressão de um tempo em que a espiritualidade tradicional e novas formas de devoção passaram a coexistir na aldeia. Nesse cenário histórico e simbólico, marcado pela presença dos waré e pela introdução da imagem de Hietçãdékiete, Nossa Senhora da Conceição, a comunidade passou a ressignificar seus rituais, integrando elementos da fé cristã ao universo do Toré, sem romper com a essência de sua identidade cultural. Assim, o canto da Padroeira emerge como um elo entre mundos espirituais, fortalecendo a continuidade da tradição e da memória coletiva.
Nas antigas eras, quando os Kariri viviam em sua Natianie, a aldeia tradicional cercada por águas, matas e caminhos ancestrais, a vida seguia o ritmo das estações, das colheitas e dos ensinamentos transmitidos pelos mais velhos. O povo realizava seus rituais, fortalecia seus laços de parentesco e mantinha viva a memória de seus antepassados por meio dos cantos, das narrativas e do Toré.
Foi então que, durante o Pehó Kayaku, a Lua da Enxurrada, no tempo das grandes chuvas de dezembro, chegaram às terras Kariri os waré, os padres missionários. Eles trouxeram novos costumes, novas palavras e uma imagem que seria acolhida pela comunidade. Essa imagem era Hietçãdékiete, Nossa Senhora da Conceição, que passou a ser reverenciada como Idzedete, a Madrinha e mãe espiritual protetora do povo.
Com a presença dos missionários, ergueu-se o Erantoá, a igreja que se tornou espaço de oração e encontro. Próximo a ela foi construído o Erátekié, o colégio dos padres jesuítas, onde se ensinavam novos conhecimentos religiosos e outras formas de aprendizado. Aos poucos, elementos da tradição indígena e da devoção cristã passaram a caminhar lado a lado na vida da aldeia, criando uma convivência simbólica entre diferentes formas de espiritualidade.
Nas noites iluminadas pela fé e pelas estrelas, durante o período das novenas dedicadas à Padroeira, o povo reunia-se em comunidade. Homens, mulheres, crianças e anciãos entoavam cânticos que misturavam devoção, gratidão e identidade cultural. Era nesses momentos que o Toré Hietçãdékiete ecoava pelos caminhos da aldeia, unindo gerações em torno da proteção da Madrinha espiritual.
Com o passar do tempo, o canto passou a ser transmitido entre gerações como parte viva da memória coletiva, preservando não apenas a devoção, mas também a história do encontro entre diferentes mundos espirituais. O Toré Hietçãdékiete tornou-se, assim, um símbolo de continuidade cultural, em que o sagrado indígena e o sagrado cristão dialogam dentro da vivência comunitária.
Dessa forma, o Toré Hietçãdékiete permanece como um dos mais significativos testemunhos da capacidade do povo Kariri de dialogar com diferentes tradições religiosas sem romper com suas raízes ancestrais. O Canto da Padroeira não representa apenas um ato de devoção, mas também um símbolo de união comunitária, resistência cultural e adaptação histórica. Ao ecoar nas novenas, nas reuniões e nas celebrações da aldeia, ele reafirma a presença viva da memória indígena, mostrando que a espiritualidade Kariri continua pulsando no tempo, entrelaçada à proteção da Madrinha e à força do Toré.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os cantos do Toré constituem muito mais do que manifestações artísticas ou religiosas. Eles representam formas de preservar a memória, transmitir conhecimentos e fortalecer a identidade coletiva do povo Kariri-Xocó.
Ao reunir os oito torés apresentados nesta obra, torna-se possível compreender a riqueza cultural e espiritual de uma tradição que atravessou séculos de transformações históricas sem perder sua essência. Cada canto guarda ensinamentos sobre a vida, a natureza, os ancestrais, a coletividade e a resistência cultural.
Assim, este livro busca contribuir para a valorização da memória indígena, reafirmando a importância de preservar os conhecimentos tradicionais como patrimônio vivo das presentes e futuras gerações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Natiá Buyõ Dzéá — Aldeia de Muitos Nomes. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2026/03/natia-buyo-dzea-aldeia-de-muitos-nomes.html?m=0 . Acesso em: 25 jun. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Pedi Nhenetí Krotseba — Crer com Tradição na Resistência. Disponível em:
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KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Woroia Wontseré – História dos Grupos de Toré. Disponível em:
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KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Teudiokié Honéá Uanieá, A Luta Pelos Direitos Indígenas. Disponível em:
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KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Ibenhete Onhantoá – As Imagens dos Santos na Parede. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2026/01/ibenhete-onhantoa-as-imagens-dos-santos.html?m=0 . Acesso em: 25 jun. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Duantoá Okenerá – As Fogueiras dos Santos nas Portas. Disponível em:
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SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó é pesquisador indígena, contador de histórias, escritor e guardião da memória cultural de seu povo. Pertencente ao povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas, dedica-se à preservação da tradição oral, da história indígena, dos sobrenomes ancestrais, da espiritualidade, da cultura e da identidade dos povos originários do Baixo São Francisco.
Por meio de pesquisas, narrativas e publicações, busca registrar conhecimentos transmitidos pelos anciãos e contribuir para que as futuras gerações mantenham vivos os ensinamentos herdados dos antigos troncos familiares e dos guardiões da memória coletiva.

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

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