quarta-feira, 24 de junho de 2026

GRUPOS DE TORÉ DO POVO KARIRI-XOCÓ: HISTÓRIAS, SIGNIFICADOS E MISSÕES CULTURAIS







FALSA FOLHA DE ROSTO

GRUPOS DE TORÉ DO POVO KARIRI-XOCÓ: HISTÓRIAS, SIGNIFICADOS E MISSÕES CULTURAIS
Nhenety Kariri-Xocó






FOLHA DE ROSTO



GRUPOS DE TORÉ DO POVO KARIRI-XOCÓ: HISTÓRIAS, SIGNIFICADOS E MISSÕES CULTURAIS
Nhenety Kariri-Xocó
Porto Real do Colégio – Alagoas
2026






VERSO DA FOLHA DE ROSTO



Copyright © 2026
Nhenety Kariri-Xocó
Todos os direitos reservados.
Esta obra destina-se à preservação da memória, da história e dos conhecimentos tradicionais do povo Kariri-Xocó, valorizando os grupos culturais de Toré como importantes guardiões da ancestralidade indígena.







FICHA CATALOGRÁFICA



Kariri-Xocó, Nhenety.
Grupos de Toré do Povo Kariri-Xocó: Histórias, Significados e Missões Culturais / Nhenety Kariri-Xocó.
Porto Real do Colégio (AL): Edição do Autor, 2026.
Inclui referências bibliográficas.
Povos Indígenas do Nordeste.
Kariri-Xocó.
Toré.
Cultura Indígena.
Memória Ancestral.
Tradição Oral.
CDD: 980.41






ISBN (SIMBÓLICO)


ISBN: 978-65-0000-000-0
(Número simbólico para fins de organização da obra. O ISBN definitivo deverá ser solicitado junto à Câmara Brasileira do Livro.)






PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO


Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.

Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.

Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.

Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.

Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.







ESCLARECIMENTO DO AUTOR


A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.

Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.

Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.

O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.

Nhenety Kariri-Xocó 






DEDICATÓRIA



Dedico esta obra aos meus ancestrais Kariri-Xocó, que preservaram os caminhos da memória mesmo diante das adversidades do tempo.

Dedico também aos mestres do Toré, aos guardiões da palavra, aos artesãos, aos cantadores, aos rezadores, às lideranças e a todas as famílias indígenas que mantêm viva a chama da cultura ancestral.

Que este livro seja uma homenagem permanente aos que vieram antes de nós e uma fonte de conhecimento para aqueles que virão depois.







AGRADECIMENTOS



Agradeço primeiramente ao Grande Criador, pela vida, pela inspiração e pela oportunidade de registrar parte da memória de meu povo.

Agradeço aos anciãos Kariri-Xocó, guardiões dos conhecimentos transmitidos pela tradição oral, aos líderes culturais, aos grupos de Toré e a todos aqueles que compartilharam histórias, ensinamentos e experiências que contribuíram para a construção desta obra.

Minha gratidão também aos familiares, amigos, pesquisadores, educadores e apoiadores da cultura indígena que incentivam a preservação da memória ancestral.







EPÍGRAFE



"Enquanto houver um canto de Toré, uma história contada pelos mais velhos e uma criança aprendendo os caminhos da tradição, a memória de nosso povo continuará viva."
— Sabedoria tradicional Kariri-Xocó







PREFÁCIO



Este livro nasce do compromisso de registrar, preservar e compartilhar a memória cultural dos grupos de Toré do povo Kariri-Xocó. Cada grupo apresentado nesta obra representa uma importante expressão da identidade indígena, reunindo histórias, significados, missões culturais e trajetórias construídas por homens e mulheres dedicados à continuidade dos saberes ancestrais.

Mais do que uma simples reunião de informações, esta obra constitui um testemunho da resistência cultural indígena, demonstrando que os conhecimentos transmitidos pelos antepassados permanecem vivos através da oralidade, dos cantos, das danças, dos rituais e das práticas comunitárias.






SUMÁRIO



Falsa Folha de Rosto
Folha de Rosto
Verso da Folha de Rosto
Ficha Catalográfica
ISBN (Simbólico)
Prefácio Oficial da Coleção
Esclarecimento do Autor
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Prefácio do Volume
Resumo
Abstract
Nota do Autor
Memória do Autor
Apresentação
Introdução
Capítulo 1 – Os Caminhos do Parentesco e da União: Grupos Culturais Etçãmy e Wyanã
Capítulo 2 – Os Guardiões da Espiritualidade: Grupos Culturais Pawí e Suré
Capítulo 3 – A Força da Cura Ancestral: Grupos Culturais Apony e Thydjo
Capítulo 4 – Aguas, Rios e Povos da Ribeira: Grupos Culturais Dzú e Dzubukuá
Capítulo 5 – Os Semeadores do Conhecimento: Grupos Culturais Takayoá e Swbatekié
Capítulo 6 – O Tempo dos Astros e dos Ancestrais: Grupos Culturais Kayakuá e Arankié
Capítulo 7 – Resistência e Fortaleza Cultural: Grupos Culturais Morochy Crody e Muratã
Capítulo 8 – A Voz dos Cantos e da Música Nativa: Grupos Culturais Wakai e Benhekié
Capítulo 9 – Os Guardiões do Trabalho e da Partilha: Grupos Culturais Ketçã e Piratã
Capítulo 10 – Caminhos de Encontro e Movimento: Grupos Culturais Bocuwiá e Wyriçá
Capítulo 11 – Lideranças e Despertares: Grupos Culturais Sabucá e Yegeri
Capítulo 12 – Os Elementos da Natureza e da Vida: Grupos Culturais Kaçafeita e Kayomã
Considerações Finais
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor








RESUMO



Esta obra apresenta um levantamento histórico, cultural e simbólico dos grupos de Toré do povo Kariri-Xocó. Através de uma abordagem descritiva, são reunidas informações sobre suas origens, significados linguísticos, lideranças, atividades culturais e missões comunitárias. Os capítulos demonstram como os grupos atuam na preservação da memória ancestral, na valorização da língua indígena, na transmissão dos conhecimentos tradicionais, na espiritualidade, na educação cultural e no fortalecimento da identidade coletiva. O estudo evidencia a importância do Toré como elemento central da cultura Kariri-Xocó e como instrumento de resistência e continuidade histórica.
Palavras-chave: Kariri-Xocó; Toré; Cultura Indígena; Memória Ancestral; Identidade Cultural.






ABSTRACT



This work presents a historical, cultural and symbolic survey of the Toré groups of the Kariri-Xocó people. Through a descriptive approach, information is gathered regarding their origins, linguistic meanings, leaderships, cultural activities and community missions. The chapters demonstrate how these groups contribute to the preservation of ancestral memory, the appreciation of indigenous language, the transmission of traditional knowledge, spirituality, cultural education and the strengthening of collective identity. The study highlights the importance of Toré as a central element of Kariri-Xocó culture and as an instrument of resistance and historical continuity.
Keywords: Kariri-Xocó; Toré; Indigenous Culture; Ancestral Memory; Cultural Identity.







APRESENTAÇÃO



Os grupos de Toré constituem uma das mais importantes formas de expressão cultural do povo Kariri-Xocó. Por meio deles, a memória ancestral continua sendo transmitida, fortalecendo a identidade coletiva e assegurando a continuidade dos conhecimentos tradicionais.

Esta obra reúne histórias, significados e missões culturais desses grupos, valorizando suas contribuições para a preservação da cultura indígena e para o fortalecimento das futuras gerações.







NOTA DO AUTOR



Este livro foi elaborado a partir de relatos, memórias, observações culturais e conhecimentos compartilhados pelos próprios integrantes da comunidade Kariri-Xocó.

Seu objetivo principal é contribuir para a preservação da tradição oral por meio da escrita, registrando informações que possam servir às futuras gerações como fonte de consulta, pesquisa e valorização da cultura indígena.







MEMÓRIA DO AUTOR



Sou Nhenety Kariri-Xocó, contador de histórias da tradição oral e escrita, pertencente ao povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio, Alagoas.

Ao longo dos anos, tenho dedicado parte de minha caminhada à preservação da memória de meu povo, registrando histórias, costumes, tradições, genealogias, manifestações culturais e conhecimentos ancestrais transmitidos pelos mais velhos.

Este livro representa mais um passo nessa missão de transformar a oralidade em registro escrito, contribuindo para que as futuras gerações possam conhecer e valorizar a riqueza da herança cultural Kariri-Xocó.








INTRODUÇÃO



Os grupos de Toré ocupam um papel fundamental na preservação da cultura do povo Kariri-Xocó. São eles que mantêm vivos os cantos, as danças, os ensinamentos espirituais, os conhecimentos tradicionais e os valores comunitários herdados dos ancestrais.

Ao longo desta obra, o leitor encontrará histórias de lideranças, significados linguísticos, missões culturais e ações desenvolvidas por diferentes grupos que atuam na proteção e divulgação da identidade indígena. Cada capítulo revela uma faceta da riqueza cultural Kariri-Xocó, demonstrando que a tradição permanece viva quando é praticada, compartilhada e transmitida às novas gerações.





CAPÍTULO 1 – OS CAMINHOS DO PARENTESCO E DA UNIÃO: GRUPOS CULTURAIS ETÇÃMY E WYANÃ


O povo Kariri-Xocó construiu sua história apoiado nos laços de parentesco, na solidariedade coletiva e no compromisso de preservar os ensinamentos recebidos dos ancestrais. Nesse contexto, os grupos culturais Etçãmy e Wyanã representam importantes expressões da identidade indígena, pois fortalecem a união entre as famílias, valorizam a memória dos mais velhos e mantêm viva a tradição do Toré como elemento de resistência cultural. Por meio de suas ações, ambos demonstram que o sentimento de pertencimento à comunidade e à terra continua sendo uma das bases fundamentais da existência e da continuidade do povo Kariri-Xocó.



Etçãmy História, Significado e Missão


Etçãmy – é um grupo de Toré do povo Kariri-Xocó cujo nome, na língua Kariri, significa “parente”. A denominação expressa os laços de união, respeito e pertencimento que fortalecem a comunidade indígena. O grupo é liderado por Batoré, que atua na preservação e divulgação das tradições culturais herdadas dos ancestrais.

Suas atividades são desenvolvidas na aldeia Kariri-Xocó, em um espaço cultural que leva o nome Etçãmy. Nesse local, turistas, estudantes e visitantes têm a oportunidade de conhecer aspectos da cultura indígena por meio de apresentações culturais e do contato com os saberes tradicionais do povo Kariri-Xocó.

O grupo também se dedica à produção e comercialização de artesanato tradicional, confeccionando peças como arcos, flechas, cachimbos de pau, zarabatanas e maracás. Esses objetos representam importantes expressões da cultura material indígena, além de contribuírem para a geração de renda e para a valorização dos conhecimentos transmitidos entre as gerações.

Desde 2010, o Grupo Etçãmy participa das atividades da Semana dos Povos Indígenas em escolas do município de Feira de Santana, na Bahia. Por meio de cantos, danças e apresentações de Toré, seus integrantes compartilham a história e a cultura Kariri-Xocó, fortalecendo a identidade de seu povo e promovendo o reconhecimento da riqueza cultural indígena junto à sociedade.



Wyanã História, Significado e Missão


Wyanã é um grupo cultural de Toré e Cura que mantém viva a sintonia da música nativa e dos conhecimentos ancestrais do povo Kariri-Xocó. Seu nome foi escolhido em homenagem ao saudoso líder Gildeon, cuja dedicação à cultura indígena deixou marcas profundas entre seus parentes e seguidores. A palavra Wyanã carrega um significado especial, traduzida como “parente da terra”, expressando o vínculo sagrado entre o povo indígena, a natureza e seus ancestrais.

Ao longo dos anos, o grupo consolidou-se como um importante espaço de preservação cultural, reunindo cantos, danças, rituais e saberes tradicionais transmitidos de geração em geração. Em seu espaço cultural localizado na Terra Indígena Kariri-Xocó, a memória de Gildeon continua presente em cada atividade desenvolvida, fortalecendo a identidade e o orgulho de seu povo.

Após a partida de seu fundador, a continuidade do trabalho ficou sob a responsabilidade de seu filho Kawãpé, nome que significa “Ave Mensageira”. Seguindo os ensinamentos recebidos de seu pai, Kawãpé assumiu a missão de conduzir o grupo, mantendo acesa a chama da tradição e promovendo ações voltadas à valorização da cultura indígena entre as novas gerações.

A atuação do Wyanã ultrapassa os limites da aldeia, alcançando cidades como São Paulo e Campinas, onde realiza apresentações e atividades culturais que divulgam a riqueza das tradições Kariri-Xocó. Vinculado aos clãs Suré Kariri-Xocó e Thydjo Fulni-ô, o grupo segue sua caminhada como guardião da memória ancestral, demonstrando que a cultura permanece viva sempre que há quem a preserve, celebre e compartilhe com o mundo.

As trajetórias dos grupos Etçãmy e Wyanã revelam que a força de um povo está na união de seus parentes, na preservação de suas raízes e na transmissão dos conhecimentos ancestrais às novas gerações. Seja por meio do artesanato, das apresentações culturais, dos cantos, das danças ou dos rituais tradicionais, esses grupos mantêm acesa a chama da identidade Kariri-Xocó, reafirmando diariamente os valores do respeito, da coletividade e da ligação sagrada com a terra. Assim, tornam-se verdadeiros guardiões da memória e da cultura, demonstrando que a tradição permanece viva quando é compartilhada, celebrada e fortalecida por toda a comunidade.





CAPÍTULO 2 – OS GUARDIÕES DA ESPIRITUALIDADE: GRUPOS CULTURAIS PAWÍ E SURÉ


O universo espiritual do povo Kariri-Xocó encontra expressão viva nos grupos culturais Pawí e Suré, guardiões de conhecimentos ancestrais que atravessam gerações por meio do Toré, dos cantos sagrados, das práticas de cura e dos rituais comunitários. Mais do que grupos culturais, eles representam caminhos de ligação entre o mundo material e o mundo espiritual, preservando ensinamentos herdados dos antepassados e fortalecendo a identidade coletiva do povo. Em suas ações, revelam a profunda relação entre espiritualidade, tradição e pertencimento, mantendo acesa a memória dos antigos e renovando continuamente os laços que unem a comunidade ao sagrado.




Pawí História, Significado e Missão 


Pawí é um grupo de toré pertencente ao povo Kariri-Xocó, carrega em seu nome um significado profundo na língua Kariri: “cachimbo”, objeto que simboliza a comunicação espiritual e o fortalecimento das relações com o sagrado. Esse grupo mantém viva a tradição do Toré, expressão cultural e ritual que une dança, canto e espiritualidade, reafirmando a identidade coletiva de seu povo.

À frente do grupo está Paruanã, liderança que integra a família Sóia e Tononé. Ele também exerce a função de cacique da aldeia Kariri-Xocó Multiétnica, situada no município de Entre Rios, na Bahia, onde coordena atividades culturais e fortalece os laços entre diferentes comunidades indígenas.

Nas práticas cotidianas e apresentações culturais, o grupo Pawí realiza manifestações de Toré, além de promover a venda de artesanatos e o uso de ervas medicinais tradicionais. Essas atividades não apenas preservam o conhecimento ancestral, mas também garantem a sustentabilidade econômica e cultural da comunidade.

Paruanã também se destaca pelo intercâmbio com outras etnias indígenas do Centro-Oeste, participando de encontros de moytará, que consistem na troca de produtos e saberes culturais, como ornamentos e conhecimentos tradicionais. Dessa forma, o grupo Pawí amplia suas conexões e reforça a continuidade das redes de solidariedade entre os povos indígenas.




Suré História, Significado e Missão


Suré é um nome carregado de significado e respeito entre o povo Kariri-Xocó. A palavra está associada ao “soprador mágico do Toré”, aquele que conduz a força dos cantos e das tradições sagradas. Com o passar do tempo, o nome também passou a identificar um importante grupo cultural de Toré, liderado por Ademir Cruz, guardião de saberes herdados dos ancestrais.

Dizem ainda que o clã Suré nasceu das antigas famílias indígenas Kariri-Xocó, cujas gerações mantiveram vivas as práticas, os cantos e os ensinamentos transmitidos pelos mais velhos. Essas famílias foram responsáveis por fortalecer os grupos culturais de Toré, preservando uma herança que atravessou o tempo e permaneceu presente na memória coletiva do povo.

Quando chegam os períodos festivos, especialmente durante as celebrações juninas e as festividades de final de ano, são os Suré que muitas vezes dão início aos cantos do Toré na aldeia. Ao som dos maracás e das vozes reunidas, eles ajudam a abrir os caminhos da celebração, renovando os laços entre as famílias, a comunidade e os espíritos protetores da tradição.

Mas a história dos Suré não se limita às terras da aldeia. Levando consigo a cultura Kariri-Xocó, seus integrantes percorrem diferentes estados do Brasil, realizando apresentações culturais, compartilhando a beleza do Toré e divulgando o artesanato indígena. Em suas viagens, também transmitem conhecimentos da cura nativa, fazendo com que os ensinamentos ancestrais continuem vivos e respeitados por onde passam.

As trajetórias dos grupos Pawí e Suré demonstram que a espiritualidade Kariri-Xocó permanece viva por meio daqueles que assumem a missão de proteger e transmitir os saberes ancestrais. Seja através do cachimbo sagrado, dos cantos do Toré, das práticas de cura, dos intercâmbios culturais ou das apresentações realizadas dentro e fora das aldeias, esses guardiões mantêm abertas as portas da tradição para as novas gerações. Assim, Pawí e Suré não apenas preservam uma herança cultural milenar, mas também reafirmam a força do espírito coletivo Kariri-Xocó, garantindo que a voz dos ancestrais continue ecoando nos caminhos do presente e do futuro.





CAPÍTULO 3 – A FORÇA DA CURA ANCESTRAL: GRUPOS CULTURAIS APONY E THYDJO


A medicina tradicional indígena constitui um dos mais importantes patrimônios culturais dos povos originários, reunindo conhecimentos acumulados ao longo de inúmeras gerações sobre as plantas, os cantos sagrados, os rituais e a relação espiritual entre o ser humano e a natureza. Entre o povo Kariri-Xocó, a cura não se limita ao tratamento do corpo, mas envolve também o fortalecimento da mente, do espírito e dos vínculos comunitários. Nesse contexto, os grupos culturais Apony e Thydjo representam diferentes expressões dessa herança ancestral, preservando saberes terapêuticos, práticas xamânicas e ensinamentos transmitidos pelos mais velhos, reafirmando a continuidade de uma tradição que permanece viva e essencial para a identidade do povo.



Apony História, Significado e Missão


Apony é o nome de um grupo cultural de cura ligado aos conhecimentos tradicionais sobre as ervas medicinais e aos saberes ancestrais transmitidos entre gerações. Na língua indígena, o nome Apony significa “pequeno espírito de cura”, expressão que simboliza a presença da força espiritual que acompanha os tratamentos naturais e a relação harmoniosa entre o ser humano e a natureza.

Seu líder, Miller, pertence aos clãs Poité e Baca, trazendo consigo a herança cultural de famílias guardiãs de importantes conhecimentos do povo Kariri-Xocó. Durante muitos anos, desenvolveu suas atividades na cidade de São Paulo, onde conciliava o trabalho de cura com a comercialização de ervas medicinais e outros produtos oriundos da floresta, divulgando saberes tradicionais para diferentes públicos e fortalecendo a valorização da cultura indígena fora da aldeia.

Com o passar do tempo, o chamado da terra ancestral tornou-se mais forte. A partir de 2020, Miller retornou à Aldeia Kariri-Xocó, onde construiu sua oca e passou a receber visitantes e clientes interessados nos conhecimentos das plantas medicinais e nos ensinamentos relacionados à cura tradicional. Esse retorno representou também uma reconexão profunda com o território, a comunidade e os valores transmitidos pelos antigos.

Atualmente, além de continuar compartilhando seus conhecimentos sobre as ervas e os produtos naturais, Miller dedica-se ao cultivo de seu pequeno sítio, onde cria animais domésticos e mantém uma relação próxima com a terra. Assim, o grupo Apony segue preservando práticas culturais e conhecimentos ancestrais, demonstrando que a tradição continua viva e renovada no cotidiano do povo Kariri-Xocó.




Thydjo História, Significado e Missão


Thydjo o grupo de cura xamânica conhecido, palavra que significa “peixe” na língua Iatê do povo Fulni-ô. O nome também está ligado à trajetória de seu líder, Umberto Cruz, que reuniu conhecimentos tradicionais, cantos sagrados e práticas de cura herdadas dos ancestrais. Assim como o peixe que percorre os caminhos das águas, o Thydjo passou a levar sua mensagem para diferentes regiões do Brasil e também para outros países, divulgando saberes indígenas e fortalecendo a identidade de seu povo.

Com o passar dos anos, Umberto Cruz tornou-se uma importante liderança indígena e assumiu a função de cacique da Aldeia Fulkaxo. Sob sua orientação, a comunidade consolidou-se como um espaço de preservação cultural, onde tradições, rituais, cantos e ensinamentos ancestrais continuam sendo transmitidos às novas gerações. A aldeia representa um encontro de heranças culturais que unem os povos Fulni-ô, Kariri e Xocó em uma mesma caminhada.

A história dos Fulkaxos começou a ganhar novos contornos a partir de 2012, quando famílias ligadas ao povo Kariri-Xocó iniciaram o processo de formação de uma nova aldeia no município de Pacatuba, em Sergipe. A mudança marcou o início de uma nova etapa, construída com esforço coletivo, respeito às tradições e desejo de fortalecer uma identidade própria sem romper com as raízes que os formaram ao longo do tempo.

Mesmo estabelecidos em um novo território, os Fulkaxos jamais esqueceram sua origem. Os laços culturais, familiares e espirituais com a terra de Kariri-Xocó continuam vivos nas celebrações, nos cantos, nas histórias contadas pelos mais velhos e na memória compartilhada por toda a comunidade. Dessa forma, a trajetória do Thydjo e da Aldeia Fulkaxo tornou-se um exemplo de continuidade cultural, mostrando que um povo pode abrir novos caminhos sem abandonar as marcas deixadas por seus ancestrais.

As trajetórias dos grupos Apony e Thydjo demonstram que os conhecimentos tradicionais de cura continuam desempenhando um papel fundamental na preservação da cultura indígena e no fortalecimento da memória ancestral. Por meio das ervas medicinais, dos cantos sagrados, dos ensinamentos espirituais e da convivência harmoniosa com a natureza, seus integrantes mantêm viva uma herança que ultrapassa gerações e resiste às transformações do tempo. Mais do que práticas terapêuticas, esses saberes representam formas de compreender o mundo, cuidar da comunidade e honrar os ancestrais, reafirmando a força cultural e espiritual que sustenta a caminhada do povo Kariri-Xocó e de seus parentes indígenas.





CAPÍTULO 4 – ÁGUAS, RIOS E POVOS DA RIBEIRA: GRUPOS CULTURAIS DZÚ E DZUBUKUÁ


O Rio Opará, conhecido nacionalmente como Rio São Francisco, ocupa um lugar central na história, na espiritualidade e na identidade dos povos indígenas do Baixo São Francisco. Muito mais do que um curso d’água, ele representa um território de vida, memória e resistência, onde gerações construíram suas relações com a natureza, transmitiram saberes ancestrais e fortaleceram seus vínculos comunitários. Entre os Kariri-Xocó, as águas do Opará permanecem presentes nos cantos, nos rituais e nas narrativas que atravessam o tempo, inspirando grupos culturais que assumem a missão de preservar e compartilhar esse patrimônio imaterial. Nesse contexto, destacam-se os grupos Dzú e Dzubukuá, cujos nomes e trajetórias refletem a profunda conexão entre povo, território e ancestralidade.



Dzú História, Significado e Missão


Dzú é um grupo cultural de Toré do povo Kariri-Xocó, cujo nome significa “água”, um elemento sagrado que simboliza a vida, a renovação e a ligação profunda com a natureza. Sob a liderança de Gilson Yradzú, o grupo mantém viva a tradição dos ancestrais por meio dos cantos, danças e ensinamentos transmitidos de geração em geração. O nome Dzú também carrega um significado espiritual, relacionado às águas das emoções e ao amor pelo rio Opará, o grande Rio São Francisco, que há séculos sustenta a vida e a memória dos povos indígenas da região.

Inspirado por esse simbolismo, o grupo desenvolve diversas atividades culturais e comunitárias. Seus integrantes participam da produção e comercialização de artesanatos indígenas, promovem campanhas de arrecadação de alimentos e realizam palestras educativas que divulgam a história, os costumes e os valores do povo Kariri-Xocó. Por meio dessas ações, o Dzú fortalece os laços entre tradição, solidariedade e educação.

As apresentações de Toré constituem uma das principais marcas do grupo. Em escolas de Alagoas, seus membros compartilham cantos, danças e narrativas que aproximam estudantes e educadores da riqueza cultural indígena. Cada apresentação torna-se um momento de aprendizado e respeito mútuo, contribuindo para a valorização das identidades indígenas e para a preservação dos conhecimentos ancestrais.

Gilson Yradzú possui raízes que unem diferentes povos indígenas. Kariri-Xocó e Karapotó, ele pertence ao clã Itapó, ligado à família do cacique Juarez, irmão de sua mãe. Embora tenha construído sua família na aldeia Tingui-Botó, Yradzú mantém fortes vínculos com a comunidade Kariri-Xocó, visitando frequentemente seu povo e participando das atividades culturais. Sua trajetória representa a continuidade dos laços de parentesco, da memória ancestral e do compromisso com a preservação da cultura indígena.




Dzubukuá História, Significado e Missão


Dzubukuá, entre os muitos grupos que mantêm viva a cultura ancestral do povo Kariri-Xocó, destaca-se o Dzubukuá, nome que, na língua Kariri, significa “povo da ribeira”. A denominação guarda profunda ligação com as margens do Rio Opará, o grande Rio São Francisco, que há séculos alimenta a vida, a memória e as tradições dos povos indígenas da região. Sob a liderança de Nido, o grupo segue fortalecendo os laços entre passado e presente por meio da preservação de seus costumes e saberes tradicionais.

Por onde passa, o Dzubukuá leva consigo a força do Toré, expressão sagrada da identidade indígena. Suas apresentações em cidades como Maceió, Porto Real do Colégio e Palmeiras dos Índios aproximam diferentes públicos da cultura Kariri-Xocó, revelando cantos, danças, histórias e conhecimentos herdados dos ancestrais. Além das apresentações culturais, o grupo participa de palestras, encontros e projetos voltados à valorização dos povos originários.

O trabalho desenvolvido pelo Dzubukuá também está ligado à produção e à divulgação do artesanato indígena, importante fonte de sustento e afirmação cultural. Em sua caminhada, o grupo recebe apoio por meio de doações de alimentos e sementes, que contribuem para o cultivo das roças comunitárias e para a manutenção de práticas agrícolas tradicionais transmitidas de geração em geração.

Mais do que um grupo cultural, Dzubukuá representa uma herança histórica profundamente enraizada na identidade Kariri. O nome também remete a um dos grupos dialetais da língua Kariri, da qual os Kariri-Xocó fazem parte como integrantes de uma grande nação indígena vinculada ao Rio Opará. Dessa forma, cada canto do Toré, cada peça de artesanato e cada ação comunitária tornam-se expressões vivas de um povo que continua preservando sua língua, sua memória e sua relação ancestral com a terra e as águas do Velho Chico.

As trajetórias dos grupos Dzú e Dzubukuá demonstram que a cultura Kariri-Xocó continua viva e em constante movimento, alimentada pela força da memória coletiva e pelas águas sagradas do Rio Opará. Por meio do Toré, do artesanato, das ações comunitárias e da transmissão dos conhecimentos tradicionais, esses grupos reafirmam a identidade de seu povo e fortalecem o diálogo entre as novas gerações e os ensinamentos dos ancestrais. Assim como o rio segue seu curso atravessando terras e histórias, Dzú e Dzubukuá mantêm viva a missão de proteger e difundir os valores culturais, espirituais e territoriais que fazem dos Kariri-Xocó herdeiros e guardiões de uma das mais ricas tradições indígenas do Nordeste brasileiro.





CAPÍTULO 5 – OS SEMEADORES DO CONHECIMENTO: GRUPOS CULTURAIS TAKAYOÁ E SWBATEKIÉ


A preservação de um povo depende não apenas da defesa de seu território, mas também da continuidade dos conhecimentos transmitidos entre as gerações. Entre os Kariri-Xocó, a educação tradicional acontece por meio da oralidade, dos cantos, das danças, da língua materna, dos rituais e das práticas culturais que fortalecem a identidade coletiva. Nesse contexto, os grupos culturais Takayoá e Swbatekié desempenham um papel fundamental como semeadores do conhecimento ancestral, atuando na formação cultural das novas gerações e na difusão dos valores que sustentam a memória e a resistência do povo Kariri-Xocó.




Takayoá História, Significado e Missão


Takayoá o grupo de cantos e danças de toré do povo Kariri-Xocó, ligado ao clã Aracaré Pahancó e conduzido pela liderança de Pêpa. Seu nome significa “tocha luminosa”, uma expressão carregada de simbolismo e sabedoria ancestral. Assim como uma chama que rompe a escuridão da noite, Takayoá representa a força do conhecimento que ilumina os caminhos da comunidade e fortalece a preservação da identidade indígena.

Na tradição Kariri-Xocó, a tocha luminosa simboliza a busca pelo saber e pela consciência coletiva. Ela recorda que o conhecimento transmitido pelos mais velhos, pelas histórias, pelos cantos e pelas vivências é uma luz capaz de afastar as trevas da ignorância. Por meio do toré, o grupo mantém viva a memória dos ancestrais e reafirma os valores que sustentam a cultura do povo.

Um dos grandes destaques do Takayoá é o trabalho de palestras e apresentações culturais realizadas em diferentes espaços. Nesses encontros, seus integrantes compartilham a visão de mundo do povo Kariri-Xocó, apresentando aspectos da história, das tradições e da relação espiritual com a natureza. Dessa forma, o grupo contribui para ampliar o conhecimento sobre os povos indígenas e promover o respeito à diversidade cultural.

Cada elemento apresentado pelo Takayoá possui um significado especial. O artesanato, as pinturas corporais, os cantos e as danças não são apenas manifestações artísticas, mas expressões vivas de uma herança cultural construída ao longo de muitas gerações. Assim, a tocha luminosa que dá nome ao grupo continua acesa, iluminando caminhos, fortalecendo identidades e levando adiante os ensinamentos do povo Kariri-Xocó.




Swbatekié História, Significado e Missão


Swbatekié grupo de toré que significa “conhecimento”. Sob a liderança de Idiane Crudzá, o grupo tornou-se um importante espaço de fortalecimento cultural, reunindo crianças, jovens e adultos em torno da preservação da memória, da língua e das tradições do povo. Seu nome representa a busca constante pelo aprendizado e pela valorização dos ensinamentos herdados dos ancestrais.

No espaço cultural do Swbatekié, o conhecimento ganha vida por meio da Escola da Língua Kariri-Xocó. Ali, Idiane Crudzá e seu esposo Kawã exercem a função de Duboherí, os mestres responsáveis por transmitir os saberes linguísticos e culturais às novas gerações. Ao lado deles, Nhenety atua como coordenador pedagógico, contribuindo para a organização das atividades educativas e para o fortalecimento da identidade indígena através da educação tradicional.

Além do ensino da língua, o espaço cultural é também um centro de aprendizado das artes tradicionais. Oficinas de cerâmica, pintura em tecidos, pintura corporal e produção de artesanatos permitem que os participantes desenvolvam habilidades manuais enquanto aprendem os significados culturais presentes em cada criação. Cada peça produzida carrega símbolos, histórias e conhecimentos que conectam o presente ao legado ancestral dos Kariri-Xocó.

Fora da aldeia, o Swbatekié leva sua mensagem de conhecimento e valorização cultural para diferentes comunidades e eventos. Por meio das apresentações de toré, o grupo compartilha a beleza de seus cantos, danças e tradições, aproximando outros povos da cultura indígena. A venda dos artesanatos complementa essa missão, permitindo que o trabalho cultural seja reconhecido e contribuindo para a sustentabilidade das atividades do grupo. Assim, o Swbatekié segue iluminando caminhos através do conhecimento, fortalecendo a cultura Kariri-Xocó e mantendo viva a herança deixada pelos ancestrais.

Ao manterem vivos os cantos do toré, os ensinamentos da língua, as artes tradicionais e a transmissão dos saberes ancestrais, Takayoá e Swbatekié cumprem uma missão que ultrapassa o campo cultural, tornando-se verdadeiras escolas de identidade e pertencimento. Por meio de suas atividades, esses grupos fortalecem os vínculos entre passado, presente e futuro, garantindo que a memória dos antepassados continue orientando os caminhos das novas gerações. Assim, como tochas acesas pelo conhecimento e pela tradição, Takayoá e Swbatekié permanecem como importantes pilares da educação cultural Kariri-Xocó, preservando e renovando o legado de seu povo para os tempos vindouros.





CAPÍTULO 6 – O TEMPO DOS ASTROS E DOS ANCESTRAIS: GRUPOS CULTURAIS KAYAKUÁ E ARANKIÉ


Entre os Kariri-Xocó, o tempo não é compreendido apenas como uma sucessão de dias, meses e anos, mas como uma manifestação sagrada dos ciclos da natureza e da presença contínua dos ancestrais. As fases da lua, o movimento dos astros e a relação entre o mundo visível e o mundo espiritual constituem elementos fundamentais de uma cosmologia que orienta a vida coletiva, os ensinamentos tradicionais e as práticas culturais do povo. Neste capítulo, os grupos culturais Kayakuá e Arankié revelam diferentes dimensões dessa sabedoria ancestral: enquanto Kayakuá preserva a memória das doze luas que marcam o ritmo da existência e das atividades comunitárias, Arankié mantém viva a ligação espiritual entre a terra e o céu, reafirmando a presença dos antepassados como guias permanentes das novas gerações.





Kayakuá História, Significado e Missão


Kayakuá é um grupo de Toré do povo Kariri-Xocó cujo nome significa “Luas” ou “meses”. Liderado por Kamonny, o grupo carrega em sua identidade a sabedoria do tempo marcado pelos ciclos da natureza e pelas doze luas que orientam o calendário tradicional do povo. Para os Kariri-Xocó, cada lua representa um período de vida, trabalho, aprendizado e fortalecimento da cultura ancestral que atravessa gerações.

Na aldeia, a identidade indígena não se limita a uma data comemorativa. Os ensinamentos dos antepassados estão presentes todos os dias do ano, nos cantos do Toré, nas histórias contadas pelos mais velhos, nas práticas comunitárias e no respeito à terra. Assim, o povo segue seu caminho guiado pelas doze luas, mantendo vivas as tradições que sustentam sua memória e sua espiritualidade.

Quando chega o dia 19 de abril, data em que o Brasil dedica atenção especial aos povos indígenas, o grupo Kayakuá participa de apresentações culturais para compartilhar um pouco de sua riqueza cultural. Nesses encontros, os cantos, as danças do Toré e o artesanato produzido ao longo do ano tornam-se pontes de diálogo entre os Kariri-Xocó e a sociedade, revelando a força de uma cultura que permanece viva e atuante.

Mais do que celebrar uma única data, o grupo Kayakuá busca mostrar que a presença indígena faz parte da realidade cotidiana do país. Por isso, seus integrantes convidam todos a conhecer a aldeia em qualquer período do ano, com as portas e os braços abertos. Ali, cada visitante pode aprender que os povos indígenas continuam escrevendo sua história a cada lua que passa, preservando conhecimentos ancestrais e compartilhando sua cultura com respeito, acolhimento e orgulho.





Arankié História, Significado e Missão


Arankié um dos grupos culturais de Toré do povo Kariri-Xocó, tendo como significado a palavra “céu”. Sob a liderança de Lewdirã, o grupo carrega uma importante missão dentro da cultura tradicional: manter viva a memória da ligação entre o mundo terrestre e o mundo celeste. Seu nome recorda que acima do horizonte visível existe uma morada sagrada, onde habitam os ancestrais que continuam acompanhando e protegendo seus descendentes.

Na tradição Kariri-Xocó, o céu não é apenas um espaço distante, mas uma aldeia sagrada conectada à aldeia dos vivos. É nesse plano espiritual que residem aqueles que caminharam sobre a terra antes das gerações atuais, deixando ensinamentos, cantos e exemplos de vida. Através dessa visão, a existência humana é compreendida como parte de uma grande continuidade, onde passado e presente permanecem unidos pelos laços da ancestralidade.

Quando o grupo Arankié realiza seus cantos e danças de Toré, revive-se uma herança recebida dos antigos. Cada passo, cada melodia e cada movimento carregam significados transmitidos ao longo das gerações. Os participantes tornam-se guardiões de um legado que não pertence apenas ao presente, mas também aos ancestrais que continuam vivos na memória coletiva do povo. Assim, a cultura se fortalece como uma ponte entre os mundos.

Por meio de suas apresentações, Arankié revela o lado espiritual dos cantos e danças tradicionais. Suas expressões culturais contam histórias de homens e mulheres que viveram na terra, construíram famílias, enfrentaram desafios e deixaram marcas profundas na comunidade. Dessa forma, o grupo transforma o Toré em uma celebração da memória ancestral, reafirmando que os ensinamentos dos antepassados continuam iluminando o caminho das novas gerações Kariri-Xocó.

Os grupos Kayakuá e Arankié representam importantes expressões da espiritualidade e da visão de mundo Kariri-Xocó, demonstrando que o conhecimento ancestral permanece vivo por meio dos cantos, das danças, das narrativas e das práticas coletivas transmitidas entre gerações. Ao celebrar as luas que orientam os ciclos da vida e ao recordar o céu como morada dos ancestrais, esses grupos fortalecem os laços entre passado, presente e futuro, preservando valores que sustentam a identidade do povo. Suas ações revelam que a cultura indígena continua sendo uma fonte permanente de sabedoria, capaz de ensinar sobre respeito à natureza, à memória coletiva e à continuidade da vida, mantendo acesa a chama da ancestralidade que ilumina o caminho dos Kariri-Xocó.




CAPÍTULO 7 – RESISTÊNCIA E FORTALEZA CULTURAL: GRUPOS CULTURAIS MOROCHY CRODY E MURATÃ


O caminho percorrido pelos povos indígenas ao longo dos séculos foi marcado por inúmeros desafios, mas também por uma extraordinária capacidade de resistência e renovação cultural. Entre os Kariri-Xocó, essa força manifesta-se nos grupos de toré que preservam os ensinamentos ancestrais e mantêm vivos os vínculos espirituais, familiares e comunitários herdados das gerações passadas. Neste capítulo, destacam-se os grupos Morochy Crody e Muratã, cujas trajetórias representam a firmeza de um povo que transformou a memória em instrumento de continuidade histórica, fortalecendo sua identidade por meio da cultura, da educação e da prática permanente do Toré.




Morochy Crody História, Significado e Missão


Morochy Crody é um grupo de toré do povo Kariri-Xocó, cujo nome traz o sentido de “firme e forte”. Sob a liderança de Boiada, o grupo se constitui como expressão viva da continuidade cultural, reafirmando diariamente a força de sua tradição.

A atuação do grupo está profundamente ligada à resistência cultural, marcada pela manutenção dos costumes ancestrais. Por meio dos cantos, das danças e da organização do toré, Morochy Crody reforça a ligação espiritual e coletiva com a memória do povo Kariri-Xocó.

Em suas apresentações, o grupo também estabelece o contato com a sociedade envolvente, levando o toré para além dos limites da aldeia. Nesse encontro, a pintura corporal e a arte indígena tornam-se linguagens de afirmação identitária, mostrando a riqueza de uma cultura que segue viva e atuante.

Assim, o grupo evidencia que, embora existam diferenças entre os povos, elas não significam separação, mas sim diversidade cultural. O Morochy Crody reafirma que é possível viver em um mundo plural, onde cada tradição contribui para a construção de uma convivência mais respeitosa e enriquecedora.




Muratã História, Significado e Missão


Muratã o grupo de Toré, pertencente ao povo Kariri-Xocó. Seu nome carrega um significado profundo: "semente dura da terra", símbolo de resistência, força e continuidade cultural. Assim como a semente que permanece firme mesmo diante das adversidades, o grupo preserva os ensinamentos herdados dos antepassados e mantém viva a identidade indígena por meio do canto, da dança e da espiritualidade do Toré.

À frente do grupo está Weverton, liderança indígena que reside na Aldeia Karapotó de Terra Nova, no município de São Sebastião, Alagoas. Com dedicação e compromisso, ele conduz o Muratã em diversas atividades culturais, levando a mensagem de seu povo para diferentes comunidades. Por meio das apresentações de Toré, o grupo compartilha saberes ancestrais, fortalecendo o respeito às tradições indígenas e promovendo o reconhecimento da riqueza cultural dos povos originários.

Além das apresentações, os integrantes do Muratã participam de eventos em escolas, onde realizam palestras sobre a cultura indígena e expõem artesanatos produzidos por suas comunidades. Essas ações contribuem para a valorização da memória ancestral, aproximando estudantes e professores das histórias, dos costumes e dos conhecimentos preservados pelos povos indígenas ao longo das gerações.

Nos períodos de festas culturais e durante os rituais tradicionais, Weverton retorna a Porto Real do Colégio para reencontrar seus parentes Kariri-Xocó. Nesses momentos, o líder fortalece os laços familiares e espirituais que unem seu povo, participando das celebrações e das práticas tradicionais que atravessam o tempo. Assim, o Muratã segue como uma semente resistente lançada sobre a terra da memória, germinando cultura, identidade e pertencimento para as gerações presentes e futuras.

As histórias dos grupos Morochy Crody e Muratã revelam que a resistência indígena não se limita à preservação do passado, mas se expressa na capacidade de transmitir conhecimentos, fortalecer laços comunitários e projetar a cultura para o futuro. Por meio do Toré, dos cantos, das danças, das ações educativas e do compromisso com a memória ancestral, esses grupos reafirmam a vitalidade do povo Kariri-Xocó e de seus parentes indígenas. Como árvores de raízes profundas e sementes que atravessam o tempo, Morochy Crody e Muratã demonstram que a verdadeira fortaleza cultural reside na continuidade dos saberes, na união do povo e na permanência de uma identidade que segue florescendo geração após geração.





CAPÍTULO 8 – A VOZ DOS CANTOS E DA MÚSICA NATIVA: GRUPOS CULTURAIS WAKAI E BENHEKIÉ


A música sempre ocupou um lugar especial na vida dos povos indígenas, funcionando como uma ponte entre o mundo espiritual, a memória dos ancestrais e o cotidiano das comunidades. Por meio dos cantos, danças, brincadeiras e celebrações coletivas, conhecimentos, valores e tradições são transmitidos de geração em geração, fortalecendo a identidade cultural dos povos originários. Neste capítulo, destacam-se os grupos culturais Wakai e Benhekié, que, através da arte, da musicalidade e das ações educativas, mantêm viva a herança ancestral dos povos Kariri-Xocó e Fulni-ô, demonstrando que a cultura indígena continua pulsando com força, criatividade e sabedoria nos tempos atuais.




Wakai História, Significado e Missão


Wakai é um grupo cultural de música nativa formado por integrantes dos povos Kariri-Xocó e Fulni-ô, cuja trajetória está profundamente ligada à valorização das tradições indígenas e à preservação dos conhecimentos ancestrais. Seu nome tem origem na língua Yatê, falada pelo povo Fulni-ô, e significa “açude” ou “lagoa”, elementos que simbolizam vida, renovação e a forte ligação dos povos indígenas com a natureza. O grupo também carrega o nome indígena de seu líder, Wakai, conhecido como Mocó, que se tornou uma importante referência na difusão da cultura nativa.

Ao longo dos anos, o grupo consolidou sua atuação em diversos espaços educativos e culturais, levando a música indígena, a história dos povos originários e suas tradições para escolas, teatros e instituições de ensino. Por meio de apresentações artísticas, palestras e atividades culturais, Wakai tem contribuído para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a riqueza cultural dos povos indígenas do Nordeste brasileiro, fortalecendo o diálogo entre diferentes comunidades.

No final da década de 1990, Wakai realizou um importante trabalho de registro e preservação cultural ao gravar um CD com músicas interpretadas na língua Yatê. Esse projeto ajudou a divulgar a musicalidade indígena para um público mais amplo e a valorizar uma das línguas nativas ainda vivas no Brasil. Nos anos seguintes, novas gravações e regravações deram continuidade a esse trabalho, mantendo viva a memória musical e fortalecendo a identidade cultural dos povos envolvidos.

Atualmente, o grupo desenvolve suas atividades principalmente na cidade de Salvador e em diversos municípios do interior da Bahia. Em Itinga, no município de Lauro de Freitas, mantém o Centro Cultural Tháfene e a Reserva Ambiental Memboré, espaços dedicados à promoção da cultura indígena, à educação, à preservação ambiental e ao fortalecimento das tradições ancestrais. Dessa forma, Wakai segue construindo uma importante ponte entre passado e presente, unindo música, conhecimento e respeito à natureza em favor da valorização dos povos indígenas.




Benhekié História, Significado e Missão


Benhekié é o nome de um grupo cultural de toré que carrega consigo a alegria e a força das tradições do povo Kariri-Xocó. Na língua Kariri, Benhekié significa “brincar”, expressão que traduz o espírito de união, aprendizado e celebração presente em suas atividades. Sob a liderança de Tawca pertencente ao tronco familiar Suré. É filho de Suré, neto de Suré, um dos antigos representantes dessa família tradicional, cuja trajetória permanece viva na memória da comunidade."

As atividades do Benhekié acontecem principalmente na Aldeia Fulkaxo, localizada no município de Pacatuba, em Sergipe, mas seus integrantes também levam suas ações para a cidade de Aracaju. Em cada apresentação, o grupo compartilha saberes tradicionais, fortalecendo os laços entre as comunidades indígenas e a sociedade envolvente.

Entre as muitas iniciativas desenvolvidas pelo grupo está a produção e comercialização de artesanatos inspirados em brinquedos indígenas tradicionais. Essas miniaturas representam não apenas uma fonte de renda para as famílias envolvidas, mas também uma forma de transmitir conhecimentos culturais às novas gerações, preservando histórias, costumes e modos de vida herdados dos ancestrais.

Além do artesanato, o Benhekié realiza apresentações de toré, palestras e atividades educativas em escolas e outros espaços culturais. O grupo também promove ações solidárias, recebendo doações de alimentos para auxiliar famílias da comunidade. Dessa forma, Benhekié segue cumprindo sua missão de brincar, ensinar, compartilhar e fortalecer a identidade indígena através da cultura, da solidariedade e da preservação das tradições ancestrais.

As trajetórias dos grupos Wakai e Benhekié revelam a importância da música, da arte e da brincadeira como instrumentos de preservação cultural e fortalecimento identitário. Seja por meio dos cantos na língua Yatê, das apresentações de toré, da produção de artesanato tradicional ou das atividades educativas desenvolvidas junto às comunidades, ambos os grupos desempenham um papel fundamental na valorização dos saberes ancestrais. Suas ações demonstram que a cultura indígena permanece viva e dinâmica, renovando-se a cada geração sem perder suas raízes. Assim, Wakai e Benhekié tornam-se verdadeiros guardiões da memória e da alegria dos povos originários, assegurando que as vozes dos ancestrais continuem ecoando através da música, da solidariedade e da transmissão dos conhecimentos tradicionais.




CAPÍTULO 9 – OS GUARDIÕES DO TRABALHO E DA PARTILHA: GRUPOS CULTURAIS KETÇÃ E PIRATÃ


Neste capítulo, conhecemos a trajetória dos grupos culturais Ketçã e Piratã, guardiões de valores fundamentais para a vida coletiva do povo Kariri-Xocó. Suas histórias revelam a importância da solidariedade, da partilha dos alimentos, do trabalho comunitário e da valorização dos saberes artesanais como formas de fortalecer a identidade indígena. Inspirados pelos ensinamentos ancestrais, esses grupos demonstram que a cultura não se manifesta apenas nos cantos e danças do Toré, mas também nos gestos de cuidado, cooperação e apoio mútuo que garantem o bem-estar da comunidade.




Ketçã História, Significado e Missão


Ketçã é o nome de um grupo de Toré do povo Kariri-Xocó, guardião de uma palavra antiga que carrega um significado especial na língua Kariri: “comer depressa”. Mais do que uma simples expressão, Ketçã representa um ensinamento transmitido pelos ancestrais sobre a importância do alimento para a vida. Em sua essência, lembra que a comida é uma necessidade fundamental e que, diante da fome, alimentar-se torna-se prioridade para todos.

Entre os Kariri-Xocó, o nome Ketçã ganhou também um sentido simbólico ligado à solidariedade e ao cuidado coletivo. Ele recorda os tempos em que as famílias precisavam compartilhar os frutos da caça, da pesca, da agricultura e da coleta para garantir a sobrevivência da comunidade. Assim, a palavra tornou-se uma lembrança permanente de que ninguém deve passar necessidade quando existe união entre os parentes e amigos.

À frente do grupo está Juninho, descendente das tradicionais famílias Suíra e Pirigipe. Sob sua liderança, o Ketçã fortalece a cultura do Toré e leva adiante os valores herdados dos mais velhos. Em cada apresentação, o grupo reafirma a identidade Kariri-Xocó, preservando cantos, danças e saberes que fazem parte da memória viva de seu povo.

A atuação do Ketçã se estende por diversas cidades do Baixo São Francisco, onde seus integrantes realizam apresentações culturais, palestras e comercializam artesanatos produzidos pela comunidade. Além de divulgar a riqueza da cultura indígena, o grupo também promove ações solidárias, recebendo doações de alimentos que são destinadas ao bem-estar coletivo, fortalecendo os laços de ajuda mútua e de compromisso com a comunidade Kariri-Xocó.




Piratã História, Significado e Missão


Piratã é um dos grupos de Toré do povo Kariri-Xocó, carregando em seu nome um significado especial: “peixe duro”. Ao longo dos anos, o grupo tornou-se conhecido não apenas por suas apresentações culturais, mas também pelo compromisso com o fortalecimento da economia da aldeia. Sua liderança é exercida por Piuí, homem dedicado às tradições e às necessidades de seu povo.

Nas ocasiões festivas e encontros culturais, os integrantes do Piratã entoam os cantos do Toré e participam das danças que preservam a memória ancestral dos Kariri-Xocó. Cada apresentação representa um momento de reafirmação da identidade indígena, transmitindo aos mais jovens os conhecimentos herdados dos antepassados e fortalecendo os laços entre as famílias da comunidade.

Mas a missão do grupo vai além das celebrações culturais. Em muitas casas da aldeia existem pequenas oficinas familiares onde são produzidos artesanatos de diferentes tipos. São peças confeccionadas com dedicação, utilizando saberes tradicionais passados de geração em geração. Nem sempre, porém, esses produtos encontram compradores com facilidade, fazendo com que muitos artesãos acumulem suas obras sem conseguir transformá-las em renda.

Percebendo essa realidade, Piuí passou a adquirir os artesanatos produzidos pelos moradores, reunindo as peças para comercialização em eventos, feiras e apresentações. Dessa forma, o grupo Piratã tornou-se também um importante elo de apoio econômico para a comunidade. Ao valorizar o trabalho dos artesãos, contribui para melhorar a renda das famílias e ajuda a manter vivas as tradições culturais que fazem parte da história do povo Kariri-Xocó.

As experiências dos grupos Ketçã e Piratã mostram que a força de um povo se constrói pela união entre tradição, trabalho e generosidade. Enquanto o Ketçã mantém viva a memória da partilha e do cuidado com aqueles que mais necessitam, o Piratã transforma a valorização do artesanato em instrumento de fortalecimento econômico e cultural. Juntos, esses grupos preservam ensinamentos herdados dos ancestrais e demonstram que a verdadeira riqueza dos Kariri-Xocó está na capacidade de caminhar coletivamente, compartilhando conhecimentos, oportunidades e esperanças para as futuras gerações.





CAPÍTULO 10 – CAMINHOS DE ENCONTRO E MOVIMENTO: GRUPOS CULTURAIS BOCUWIÁ E WYRIÇÁ


Ao longo da história do povo Kariri-Xocó, os caminhos sempre foram mais do que simples trajetos entre lugares. Eles representam encontros, trocas de conhecimentos, fortalecimento de alianças e oportunidades de compartilhar a riqueza cultural herdada dos ancestrais. Neste capítulo, destacam-se os grupos culturais Bocuwiá e Wyriçá, cujas jornadas ultrapassam os limites da aldeia para levar o Toré, os saberes tradicionais e o artesanato indígena a diferentes regiões. Por meio de suas viagens e ações coletivas, esses grupos tornam-se importantes embaixadores da cultura Kariri-Xocó, promovendo o diálogo entre povos, fortalecendo a identidade indígena e construindo pontes de respeito e valorização cultural.




Bocuwiá História, Significado e Missão


Bocuwiá o grupo de toré que carrega em seu nome uma mensagem de movimento, encontro e partilha. Na língua Kariri, Bocuwiá significa “vamos”, um convite que ecoa entre os cantos, os passos da dança e o espírito de união do povo Kariri-Xocó. Liderado por Gil, o grupo tornou-se uma importante ponte entre a aldeia e os diferentes espaços onde a cultura indígena é apresentada e valorizada.

Por meio do Toré, os integrantes do Bocuwiá levam para além dos limites da aldeia os conhecimentos, as histórias e os costumes herdados dos ancestrais. As apresentações acontecem em escolas, universidades, eventos culturais e diversos centros urbanos, onde o público tem a oportunidade de conhecer um pouco da riqueza cultural do povo Kariri-Xocó. Ao mesmo tempo, essas viagens fortalecem a divulgação e a comercialização do artesanato produzido na comunidade.

Durante as apresentações, o Toré não é apenas um espetáculo para ser observado. Muitas vezes, os visitantes são convidados a participar da dança, formando um grande círculo de convivência e respeito. Nesse momento, os cantos e os movimentos tornam-se uma linguagem capaz de aproximar pessoas de diferentes origens, promovendo o intercâmbio cultural e a valorização dos saberes indígenas.

É justamente nesse espírito de acolhimento que a expressão Bocuwiá ganha seu significado mais profundo: “vamos”. Vamos conhecer, aprender, compartilhar e dançar juntos. Assim, o grupo segue sua caminhada, levando a cultura Kariri-Xocó para novos lugares e mostrando que a verdadeira aprendizagem nasce da convivência, do respeito mútuo e da sintonia com as tradições que mantêm viva a memória do povo.



Wyriçá História, Significado e Missão


Wyriçá é o nome de um grupo cultural de toré do povo Kariri-Xocó, cujo significado é “formiga da terra”. Assim como as formigas trabalham em união e perseverança, o grupo carrega em sua trajetória os valores da coletividade, da resistência cultural e do fortalecimento da identidade indígena. Sua liderança é exercida por Rovésio Tenório, pertencente ao tradicional clã Tibiriçá, que conduz as atividades do grupo com dedicação à cultura de seu povo.

As caminhadas de Wyriçá ultrapassam os limites da aldeia e alcançam diferentes regiões do Brasil, especialmente a cidade de São Paulo, onde realiza apresentações de toré e divulga a riqueza cultural Kariri-Xocó. Durante essas viagens, o grupo leva consigo não apenas os cantos, danças e saberes ancestrais, mas também o artesanato produzido pelos parentes da aldeia, tornando-se uma importante ponte entre a tradição indígena e o público das escolas e instituições que visita.

O trabalho de comercialização dos artesanatos representa uma valiosa contribuição para as famílias artesãs da comunidade. Ao adquirir peças produzidas pelos parentes Kariri-Xocó para revenda durante suas apresentações, Wyriçá ajuda a ampliar a geração de renda e incentiva a continuidade dos conhecimentos tradicionais transmitidos de geração em geração. Dessa forma, cultura e economia caminham juntas em benefício do povo.

Na Aldeia Kariri-Xocó, o grupo mantém suas ações educativas e culturais no espaço Aldeia Cultural Opará Taré, ligado ao seu clã familiar. Ali, estudantes e visitantes têm a oportunidade de conhecer aspectos da história, da língua, do toré e das tradições indígenas. Por meio dessas atividades, Wyriçá continua semeando conhecimento, fortalecendo a memória ancestral e contribuindo para que as futuras gerações mantenham viva a herança cultural de seu povo.

As trajetórias de Bocuwiá e Wyriçá demonstram que a cultura Kariri-Xocó permanece viva quando caminha junto com seu povo. Seja nos círculos do Toré, nas apresentações culturais, nos espaços educativos ou na divulgação do artesanato tradicional, ambos os grupos transformam cada viagem em uma oportunidade de ensinar, aprender e fortalecer laços de amizade e respeito. Como mensageiros da memória ancestral, seguem abrindo caminhos para que as novas gerações conheçam e valorizem sua herança cultural, provando que a força de um povo também se revela na capacidade de compartilhar sua história, preservar suas tradições e construir encontros que unem diferentes mundos em torno da sabedoria indígena.




CAPÍTULO 11 – LIDERANÇAS E DESPERTARES: GRUPOS CULTURAIS SABUCÁ E YEGERI


O fortalecimento de um povo depende não apenas da preservação de suas tradições, mas também da existência de lideranças capazes de despertar consciências, transmitir conhecimentos e mobilizar a comunidade em torno de objetivos coletivos. Entre os Kariri-Xocó, os grupos culturais Sabucá e Yegeri representam essa importante missão de educar, inspirar e promover o reconhecimento da identidade indígena. Por meio da cultura, do ensino, da solidariedade e da valorização dos saberes ancestrais, esses grupos contribuem para a formação de novas gerações conscientes de suas raízes e comprometidas com a continuidade da memória de seu povo.




Sabucá  História, Significado e Missão


Sabucá o grupo cultural Kariri-Xocó que se destaca, mantêm viva a tradição do povo Kariri-Xocó. O nome Sabucá significa “galo”, ave que simboliza o despertar, a vigilância e a força da comunidade. Sob a liderança de Pawanã, o grupo tornou-se um importante guardião dos saberes ancestrais, fortalecendo a identidade indígena por meio da preservação dos cantos, danças e ensinamentos transmitidos de geração em geração.

Na Terra Indígena Kariri-Xocó, o grupo mantém o Centro Cultural Sabucá, espaço dedicado à valorização e difusão da cultura tradicional. Ali são realizadas oficinas de artesanato, cursos de pintura corporal, ensinamentos sobre os cantos e danças do toré, além da preservação dos cantos de trabalho em mutirão, conhecidos como rojão. O centro tornou-se um lugar de aprendizado, encontro e fortalecimento da memória coletiva do povo.

O Sabucá também abre suas portas para visitantes, estudantes e pesquisadores interessados em conhecer mais profundamente a cultura indígena. Durante as vivências culturais, os participantes têm a oportunidade de ouvir histórias tradicionais, experimentar comidas típicas e participar de atividades que revelam a riqueza dos costumes Kariri-Xocó. Dessa forma, o grupo promove o diálogo entre diferentes culturas e contribui para a valorização dos povos originários.

Além das atividades realizadas na aldeia, o grupo leva suas apresentações para escolas e eventos em diversas regiões do Brasil, especialmente nas capitais das regiões Sul e Sudeste. À frente dessas ações está Pawanã, que também atua como professor de cultura indígena na Escola Estadual Pajé Francisco Queiroz Suíra, na Aldeia Kariri-Xocó, em Porto Real do Colégio, Alagoas. Por meio de seu trabalho como educador e líder cultural, ele contribui para que os conhecimentos ancestrais continuem vivos e sejam transmitidos às novas gerações.




Yegeri História, Significado e Missão


Yegeri o grupo de Toré do povo Kariri-Xocó, cuja denominação significa “Grande Giri”, expressão associada aos antigos chamadores de chuva, guardiões de saberes ancestrais ligados à natureza e à espiritualidade indígena. Sob a liderança de Nelcide, mulher indígena Kariri-Xocó comprometida com a valorização da cultura de seu povo, o grupo tornou-se uma importante referência na divulgação das tradições da aldeia.

As atividades do Yegeri acontecem principalmente nas escolas da cidade de Maceió, em Alagoas, onde seus integrantes compartilham conhecimentos sobre a história, os costumes e a identidade indígena. Por meio das apresentações de Toré, os estudantes e educadores têm a oportunidade de conhecer uma manifestação cultural que reúne canto, dança, espiritualidade e memória coletiva, fortalecendo o respeito à diversidade dos povos originários.

Além das apresentações culturais, o grupo também promove a exposição e a venda de artesanatos produzidos na aldeia. Essas peças carregam símbolos, técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações, contribuindo para a valorização da arte indígena e para a geração de renda das famílias. Durante os eventos, também são arrecadadas doações de alimentos destinadas às famílias mais necessitadas da comunidade, fortalecendo os laços de solidariedade.

O período de maior atuação do Yegeri ocorre no mês de abril, durante a Semana dos Povos Indígenas, quando as questões relacionadas aos povos originários ganham maior visibilidade na sociedade. Nessa época, o grupo intensifica suas atividades culturais e educativas, levando a mensagem de resistência, identidade e preservação cultural a diferentes públicos, mantendo viva a herança ancestral do povo Kariri-Xocó.

As trajetórias dos grupos Sabucá e Yegeri demonstram que a liderança cultural é uma das forças mais importantes para a preservação e o fortalecimento da identidade Kariri-Xocó. Seja por meio da educação, das apresentações culturais, da transmissão dos saberes tradicionais ou das ações de solidariedade comunitária, ambos os grupos mantêm viva a herança ancestral recebida dos mais velhos. Assim, seus integrantes tornam-se verdadeiros semeadores de consciência, despertando o orgulho de pertencer ao povo Kariri-Xocó e assegurando que os cantos, as histórias, os ensinamentos e os valores dos antepassados continuem ecoando entre as gerações presentes e futuras.




CAPÍTULO 12 – OS ELEMENTOS DA NATUREZA E DA VIDA: GRUPOS CULTURAIS KAÇAFEITA E KAYOMÃ


Entre os povos indígenas, os elementos da natureza não são apenas partes do mundo físico, mas também expressões vivas dos ensinamentos transmitidos pelos ancestrais. No universo cultural Kariri-Xocó, o fogo e o vento representam forças de transformação, movimento, sabedoria e continuidade da vida. É nesse contexto que se destacam os grupos culturais Kaçafeita e Kayomã, guardiões de conhecimentos que unem maturidade, responsabilidade e compromisso com a preservação da identidade coletiva. Por meio do Toré, das práticas culturais e da transmissão dos saberes tradicionais, esses grupos mantêm acesa a chama da memória ancestral, fortalecendo os vínculos entre passado, presente e futuro.




Kaçafeita História, Significado e Missão


Kaçafeita é um grupo de Toré pertencente ao povo Kariri-Xocó, cuja denominação, na compreensão cultural, significa “homem feito”, isto é, a pessoa já adulta que passou pelos processos de formação e responsabilidade dentro da tradição. Nesse contexto, o uso da calça também marca simbolicamente essa fase de maturidade, e o grupo se organiza sob a liderança de Coção, que conduz as atividades e orienta os trabalhos culturais.

Dentro da Terra Indígena Kariri-Xocó, o Kaçafeita mantém um espaço próprio de atuação cultural, onde recebe visitantes, turistas e estudantes interessados em conhecer mais de perto a tradição do Toré e seus significados. Nesse ambiente, as apresentações não são apenas espetáculos, mas momentos de reafirmação da identidade, da memória e da espiritualidade do povo.

Além das apresentações do Toré, o grupo também desenvolve práticas de “terapia nativa”, voltadas ao bem-estar e ao equilíbrio espiritual, além da produção e venda de artesanatos que expressam a criatividade e a ancestralidade Kariri-Xocó. Essas atividades fortalecem a economia local e ajudam a manter viva a circulação dos saberes tradicionais.

Desde o ano de 1998, o Kaçafeita também ampliou sua atuação para além do território indígena, realizando trabalhos culturais na cidade de São Paulo. Nesse intercâmbio contínuo com escolas e universidades, o grupo compartilha conhecimentos, histórias e práticas tradicionais ao longo de todo o ano, contribuindo para o diálogo entre culturas e para a valorização da presença indígena na sociedade contemporânea.




Kayomã História, Significado e Missão


Kayomã grupo de Toré do povo Kariri-Xocó, significa 'Fogo que Traz o Vento'. Entre os grupos de Toré do povo Kariri-Xocó, destaca-se o Kayomã, nome que carrega o significado de “Fogo que traz o vento”. Sob a liderança de Ailton, o grupo tornou-se uma importante referência cultural na aldeia, preservando e compartilhando os saberes ancestrais por meio dos cantos, danças e tradições do Toré. Seu nome simboliza a força do fogo que aquece e ilumina, acompanhado pelo vento que espalha sua energia e leva sua mensagem para além das fronteiras da comunidade.

Durante muitos anos, os integrantes do Kayomã percorreram diferentes caminhos levando a cultura Kariri-Xocó para outros lugares. Entre essas jornadas, destacam-se as viagens para a cidade de Salvador, na Bahia, onde realizavam apresentações de Toré e mostravam ao público a riqueza das tradições indígenas. Essas experiências permitiram que muitas pessoas conhecessem um pouco da história, da espiritualidade e da identidade cultural preservadas pelo povo Kariri-Xocó.

Com o passar do tempo, porém, uma nova visão começou a orientar o trabalho do grupo. Em vez de levar a cultura apenas para fora da aldeia, chegou o momento de convidar as pessoas a conhecerem diretamente o território onde essa tradição permanece viva. Assim, o espaço cultural do Kayomã passou a receber visitantes vindos de diversas regiões do Brasil e também do exterior, proporcionando encontros marcados pelo diálogo, pela troca de conhecimentos e pelo respeito às raízes indígenas.

Hoje, a aldeia cultural do Kayomã tornou-se um lugar de aprendizado e convivência. Ali, os visitantes participam de vivências com as ceramistas, conhecem a culinária tradicional, acompanham manifestações culturais e encontram artesanatos produzidos pelas mãos habilidosas da comunidade. Dessa forma, o grupo segue cumprindo sua missão de manter acesa a chama da cultura Kariri-Xocó, como um fogo ancestral que, conduzido pelo vento, continua levando memória, conhecimento e identidade para as novas gerações e para todos aqueles que desejam conhecer a riqueza desse povo.

As trajetórias dos grupos Kaçafeita e Kayomã demonstram que a cultura se fortalece quando é vivida com responsabilidade e compartilhada com respeito. Enquanto o Kaçafeita simboliza a maturidade alcançada por aqueles que assumem seu papel na comunidade, o Kayomã representa a força transformadora do fogo ancestral conduzido pelos ventos da renovação. Juntos, esses grupos revelam que a tradição Kariri-Xocó permanece viva porque encontra em cada geração homens e mulheres dispostos a proteger, ensinar e transmitir os conhecimentos recebidos dos mais velhos. Assim, como o fogo que ilumina e o vento que espalha suas sementes, a cultura Kariri-Xocó continua seu caminho, renovando a memória de seus ancestrais e inspirando os que virão.






CONSIDERAÇÕES FINAIS



A história dos grupos de Toré do povo Kariri-Xocó revela muito mais do que a existência de organizações culturais; ela demonstra a continuidade de uma herança ancestral construída ao longo de inúmeras gerações. Cada grupo apresentado nesta obra representa uma expressão singular da memória coletiva, reunindo conhecimentos, práticas espirituais, cantos, danças, artes, formas de educação tradicional e modos próprios de compreender a relação entre o ser humano, a natureza e o sagrado.

Ao percorrer os caminhos dos grupos Etçãmy, Wyanã, Pawí, Suré, Apony, Thydjo, Dzú, Dzubukuá, Takayoá, Swbatekié, Kayakuá, Arankié, Morochy Crody, Muratã, Wakai, Benhekié, Ketçã, Piratã, Bocuwiá, Wyriçá, Sabucá, Yegeri, Kaçafeita e Kayomã, torna-se evidente a riqueza cultural existente dentro do povo Kariri-Xocó. Cada nome, cada significado e cada missão refletem valores profundamente ligados à ancestralidade, à coletividade, ao respeito pelos mais velhos e à preservação dos conhecimentos tradicionais.

Os grupos de Toré assumem funções que vão além das apresentações culturais. Eles atuam como escolas de identidade, centros de memória, espaços de fortalecimento espiritual, agentes de solidariedade comunitária e instrumentos de diálogo entre a cultura indígena e a sociedade envolvente. Por meio de suas ações, garantem que os ensinamentos dos ancestrais continuem vivos e acessíveis às novas gerações.

Este livro também representa um esforço de transformar a tradição oral em registro escrito, contribuindo para a preservação de conhecimentos que durante séculos foram transmitidos principalmente pela palavra falada, pelos cantos e pela convivência comunitária. Ao registrar essas histórias, busca-se fortalecer a memória do povo Kariri-Xocó e oferecer às futuras gerações uma fonte de consulta sobre parte importante de seu patrimônio cultural.

Por fim, esta obra reafirma que a cultura indígena não pertence apenas ao passado. Ela permanece viva, dinâmica e em constante renovação. Enquanto houver um canto de Toré ecoando na aldeia, uma criança aprendendo os ensinamentos dos mais velhos, um artesão produzindo suas peças tradicionais ou uma liderança compartilhando sua sabedoria, a memória ancestral continuará caminhando junto ao povo Kariri-Xocó, iluminando os caminhos do presente e do futuro.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Grupos de Toré. Disponível em:

https://kxnhenety.blogspot.com/2019/04/os-grupos-de-tore.html?m=0. Acesso em: 21 jun. 2026.

SUZART, Elizabete Costa. Dicionário Cultural Kariri-Xocó: forma de ocupar a língua portuguesa como direito à memória e cidadania cultural. 2025. 338 f. Tese (Doutorado em Crítica Cultural) – Departamento de Linguística, Literatura e Artes, Universidade do Estado da Bahia, Alagoinhas, 2025.






SOBRE O AUTOR



Nhenety Kariri-Xocó é indígena do povo Kariri-Xocó, da Terra Indígena localizada em Porto Real do Colégio, Alagoas. Contador de histórias da tradição oral e escrita, dedica-se à preservação da memória histórica, cultural e ancestral de seu povo por meio da pesquisa, da escrita e da valorização dos conhecimentos transmitidos pelas gerações mais antigas.

Ao longo de sua trajetória, tem desenvolvido estudos sobre história indígena, genealogias familiares, manifestações culturais, língua tradicional, espiritualidade, memória oral e patrimônio imaterial dos povos originários do Nordeste brasileiro. Seus trabalhos buscam registrar conhecimentos que historicamente foram preservados pela oralidade, contribuindo para a continuidade da identidade cultural Kariri-Xocó.

Como pesquisador independente, escritor e agente cultural, utiliza a literatura como instrumento de fortalecimento da memória coletiva, promovendo o diálogo entre tradição e escrita. Seus livros e pesquisas constituem importantes contribuições para a valorização dos saberes indígenas e para a difusão da história de seu povo junto às futuras gerações.

Blog do autor: 


https://kxnhenety.blogspot.com

Terra Indígena Kariri-Xocó Porto Real do Colégio – Alagoas – Brasil




             




Autor: Nhenety Kariri-Xocó


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