Autor: Nhenety Kariri-Xocó
1. FALSA FOLHA DE ROSTO
LETRAMENTO DO ALFABETO KARIRI
Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú
(Vamos Saber Nossa Língua)
Nhenety Kariri-Xocó
2. FOLHA DE ROSTO
LETRAMENTO DO ALFABETO KARIRI
Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú
Vamos Saber Nossa Língua
Autor
Nhenety Kariri-Xocó
Obra dedicada ao fortalecimento da língua, da oralidade, da memória e dos conhecimentos do povo Kariri-Xocó.
Porto Real do Colégio – Alagoas
2026
3. VERSO DA FOLHA DE ROSTO
Letramento do Alfabeto Kariri
Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú – Vamos Saber Nossa Língua
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Obra de caráter cultural, educativo e de preservação da memória linguística.
Esta publicação apresenta uma proposta introdutória de letramento do Alfabeto Kariri, articulando oralidade, escuta, pronúncia, leitura, escrita, cultura, território e memória comunitária.
A descrição dos sons e das formas linguísticas deve permanecer vinculada aos conhecimentos dos falantes, anciãos, professores, pesquisadores e demais conhecedores da língua.
4. FICHA CATALOGRÁFICA
KARIRI-XOCÓ, Nhenety.
Letramento do Alfabeto Kariri: Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú – Vamos Saber Nossa Língua / Nhenety Kariri-Xocó. – Porto Real do Colégio, AL: Edição do Autor, 2026.
Obra educativa e cultural.
Língua Kariri-Xocó.
Línguas indígenas.
Alfabetização indígena.
Letramento.
Oralidade.
Educação intercultural.
Memória cultural.
Cultura Kariri-Xocó.
CDD: [classificação a ser definida por profissional responsável pela catalogação]
Observação editorial: a ficha catalográfica definitiva deve ser elaborada por bibliotecário habilitado, caso a obra seja publicada formalmente.
5. ISBN — SIMBÓLICO
ISBN SIMBÓLICO / EDITORIAL
Letramento do Alfabeto Kariri
Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú – Vamos Saber Nossa Língua
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
ISBN simbólico: destinado à organização interna do acervo digital e à identificação editorial da obra.
O número oficial de ISBN, quando desejado para publicação formal, deverá ser solicitado pelo responsável pela edição conforme os procedimentos vigentes.
6. PREFÁCIO OFICIAL DA COLEÇÃO
Esta obra integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, iniciativa dedicada à preservação, produção e difusão do conhecimento construído a partir das vivências culturais do povo Kariri-Xocó.
Fundamentado na memória, na ancestralidade e na experiência histórica, o Acervo orienta-se pela compreensão de que o saber se constrói por meio de encontros, trocas e transformações culturais ao longo do tempo.
Os elementos culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores são respeitados em suas origens, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.
Ao mesmo tempo, reconhece-se a existência de uma produção autoral própria, resultante da interpretação singular da realidade vivida.
Dessa forma, a presente obra se insere em uma continuidade cultural dinâmica, na qual tradição e criação se articulam, preservando identidades e projetando novos horizontes.
7. ESCLARECIMENTO DO AUTOR
A presente obra constitui, neste momento, um projeto editorial em fase de estruturação e organização bibliográfica.
Sua versão definitiva poderá futuramente ser submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.
Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se à identificação preliminar da obra e à organização interna do Acervo.
O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.
Nhenety Kariri-Xocó
8. DEDICATÓRIA
Dedico este livro às crianças Kariri-Xocó, que são sementes da continuidade de nossa língua, de nossa cultura e de nossa memória.
Dedico também aos nossos anciãos e às pessoas que guardam os conhecimentos recebidos de seus antepassados e que continuam ensinando por meio da palavra, da convivência, da observação e da experiência.
Aos professores, educadores, jovens, pais, mães, avós e a todos aqueles que acreditam que uma língua vive quando é falada, ensinada, registrada e transmitida às novas gerações.
Que cada letra seja uma semente.
Que cada palavra seja uma memória.
Que cada criança possa reconhecer na língua de seu povo uma parte de sua própria história.
Nhenety Kariri-Xocó
9. AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente aos nossos antepassados, que mantiveram viva a memória do povo Kariri e fizeram chegar até nós conhecimentos que não pertencem somente ao passado, mas continuam presentes no nosso modo de viver.
Agradeço aos anciãos e aos conhecedores da tradição, que são referências fundamentais para a transmissão da oralidade, da cultura e da língua.
Agradeço às crianças e aos jovens Kariri-Xocó, porque são eles que levarão adiante aquilo que hoje estamos procurando registrar e ensinar.
Agradeço aos professores e educadores que trabalham para aproximar a escola da realidade da comunidade e que compreendem que ensinar a língua também significa fortalecer a identidade e a memória.
Agradeço aos pesquisadores e estudiosos que contribuíram para o conhecimento das línguas da família Kariri e para o registro de aspectos históricos, linguísticos e culturais.
Agradeço também às tecnologias contemporâneas, utilizadas aqui como instrumentos de registro, organização e difusão do conhecimento, sempre reconhecendo que a tecnologia deve estar a serviço da memória e dos conhecimentos comunitários.
Minha gratidão a todos que, de diferentes maneiras, ajudam a manter viva a palavra Kariri.
Iewóá. Gratidão.
Nhenety Kariri-Xocó
10. EPÍGRAFE
“Nossa língua é nosso território sonoro. Cada letra é um passo na memória do nosso povo.”
Nhenety Kariri-Xocó
11. PREFÁCIO DO VOLUME
A língua como território de memória
O Letramento do Alfabeto Kariri nasce de uma preocupação fundamental: criar caminhos para que as novas gerações possam aproximar-se da língua de seu povo por meio da escuta, da oralidade, da leitura e da escrita.
O ponto de partida desta proposta não é a letra isolada. É o som.
Antes de escrever, é preciso ouvir. Antes de reconhecer a grafia, é necessário perceber a pronúncia. Antes da palavra escrita, existe a palavra falada.
Por isso, o livro propõe uma sequência pedagógica gradual: oralidade, reconhecimento sonoro, associação cultural, formação de sílabas, leitura de palavras e aproximação com pequenos textos.
A proposta também parte de um princípio essencial: a língua não está separada da cultura.
Uma palavra pode carregar o nome de um lugar, de uma planta, de um rio, de uma pessoa, de um costume ou de uma lembrança. Aprender essa palavra significa também aproximar-se do universo cultural que ela representa.
O presente volume deve ser entendido como uma proposta inicial de letramento. A pronúncia, o vocabulário e as formas linguísticas precisam continuar sendo trabalhados com os falantes, conhecedores e referências da própria comunidade.
Assim, escrever não significa substituir a oralidade.
Significa criar mais uma ferramenta para que a memória possa atravessar gerações.
Nhenety Kariri-Xocó
12. RESUMO
Este livro apresenta uma proposta introdutória de letramento do Alfabeto Kariri, organizada a partir da oralidade, da percepção sonora, da associação cultural e da progressiva introdução da escrita. A proposta considera um sistema composto por 28 letras, sendo 18 consoantes e 10 vogais, e estabelece uma sequência pedagógica que parte da escuta e da pronúncia para chegar à formação de sílabas, palavras e pequenas estruturas de leitura.
O material procura aproximar o ensino da língua da realidade cultural do povo Kariri-Xocó, valorizando referências territoriais, elementos da natureza, memória comunitária, conhecimentos dos mais velhos e participação das novas gerações.
O livro também apresenta sugestões de atividades, materiais didáticos, organização do primeiro mês de aprendizagem e princípios para uma metodologia indígena de letramento.
Palavras-chave: Alfabeto Kariri; Kariri-Xocó; letramento indígena; língua indígena; oralidade; educação intercultural; memória cultural.
13. ABSTRACT
This book presents an introductory proposal for literacy in the Kariri Alphabet, based on orality, sound perception, cultural association, and the gradual introduction of writing. The proposal considers a system consisting of 28 letters, including 18 consonants and 10 vowels, and establishes a pedagogical sequence that begins with listening and pronunciation and progresses toward syllable formation, words, and short reading structures.
The material seeks to connect language teaching with the cultural reality of the Kariri-Xocó people, valuing territorial references, elements of nature, community memory, the knowledge of elders, and the participation of younger generations.
The book also presents suggestions for activities, teaching materials, organization of the first month of learning, and principles for an Indigenous literacy methodology.
Keywords: Kariri Alphabet; Kariri-Xocó; Indigenous literacy; Indigenous language; orality; intercultural education; cultural memory.
14. APRESENTAÇÃO
Este livro foi pensado como uma ferramenta de iniciação ao conhecimento do Alfabeto Kariri.
A criança não deve encontrar a língua apenas dentro das páginas de um livro. Ela deve encontrá-la na voz dos mais velhos, na família, na aldeia, nos nomes dos lugares, nas histórias, nas plantas, nos animais, no rio, nas festas, nas brincadeiras e nas experiências do cotidiano.
Por isso, a proposta de Letramento do Alfabeto Kariri procura aproximar a aprendizagem da realidade da comunidade.
O livro pode ser utilizado por professores, educadores, famílias e pessoas interessadas em contribuir para o fortalecimento da língua.
Seu propósito não é encerrar o conhecimento linguístico em uma forma definitiva. Pelo contrário: pretende abrir caminhos para novas pesquisas, novos registros, novas palavras, novas histórias e novas formas de ensinar.
15. NOTA DO AUTOR
Este livro foi elaborado como uma proposta de organização pedagógica para o início do letramento do Alfabeto Kariri.
O material deve ser compreendido como parte de um processo vivo.
A língua pertence à comunidade e continua sendo transmitida por seus falantes e conhecedores. Por isso, exemplos de pronúncia, vocabulário e estruturas linguísticas devem ser conferidos e aprofundados junto às referências linguísticas e culturais Kariri-Xocó.
As comparações apresentadas para determinados sons têm finalidade exclusivamente pedagógica. Elas não substituem a pronúncia própria da língua.
O principal objetivo deste livro é ajudar a construir uma ponte entre voz e escrita, tradição e escola, memória e futuro.
Nhenety Kariri-Xocó
16. MEMÓRIA DO AUTOR
Da palavra ouvida à palavra escrita
Minha relação com a memória Kariri-Xocó nasceu da convivência com os mais velhos, com as histórias, com a comunidade e com as experiências vividas ao longo do tempo.
Desde cedo compreendi que muitos conhecimentos não estavam escritos em livros. Eles estavam nas pessoas.
Estavam na voz dos anciãos.
Estavam nas histórias contadas nas casas.
Estavam nos nomes dos lugares.
Estavam na relação com o Opará.
Estavam nas práticas culturais e na vida coletiva.
Minha trajetória como contador de histórias e tradicionalista levou-me a perceber que registrar não significa retirar o conhecimento de sua origem. O registro pode ser uma ferramenta para ajudar a memória a atravessar o tempo.
Ao longo dessa caminhada, passei a utilizar livros, cordéis, artigos, imagens, recursos digitais e novas tecnologias para organizar conhecimentos e histórias que considero importantes para as futuras gerações.
O presente trabalho sobre o Alfabeto Kariri faz parte desse mesmo caminho.
Acredito que uma criança que aprende uma palavra de sua língua não está simplesmente aprendendo uma sequência de sons.
Ela está encontrando uma parte de sua própria memória.
Nhenety Kariri-Xocó
17. INTRODUÇÃO
A língua é uma das formas mais profundas de expressão de um povo.
Por meio dela, as pessoas nomeiam o mundo, reconhecem lugares, transmitem conhecimentos, contam histórias e estabelecem relações entre gerações.
No contexto indígena, o ensino da língua não pode ser separado da cultura e do território.
O presente livro apresenta uma proposta de iniciação ao letramento do Alfabeto Kariri, organizada em etapas progressivas.
A primeira etapa trabalha a escuta.
Depois vem o reconhecimento dos sons.
Em seguida, as letras.
Depois, as sílabas.
Posteriormente, as palavras.
E, finalmente, pequenas frases e textos.
Essa sequência procura respeitar o desenvolvimento gradual da aprendizagem.
O livro também procura valorizar a dimensão cultural da palavra. Por isso, nomes de lugares, elementos naturais e referências da vida comunitária podem fazer parte das atividades.
O objetivo é construir uma aprendizagem em que a criança possa perceber:
Nossa língua tem som.
Nossa língua tem escrita.
Nossa língua tem história.
Nossa língua tem território.
Nossa língua tem memória.
18. SUMÁRIO
1. Falsa Folha de Rosto
2. Folha de Rosto
3. Verso da Folha de Rosto
4. Ficha Catalográfica
5. ISBN - Simbólico
6. Prefácio Oficial da Coleção
7. Esclarecimento do Autor
8. Dedicatória
9. Agradecimentos
10. Epígrafe
11. Prefácio do Volume
12. Resumo
13. Abstract
14. Apresentação
15. Nota do Autor
16. Memória do Autor
17. Introdução
18. Sumário
19. Desenvolvimento dos Capítulos
Capítulo 1 — O Alfabeto Kariri
1.1 Vogais
1.2 Consoantes
Capítulo 2 — Princípios do Letramento Kariri
Capítulo 3 — Metodologia de Letramento
Capítulo 4 — 1ª Etapa: Despertar Sonoro
Capítulo 5 — 2ª Etapa: As Vogais
5.1 Aula 1 — Vogais simples
5.2 Aula 2 — Vogais compostas
Capítulo 6 — 3ª Etapa: Consoantes em Blocos
6.1 Bloco 1 — Sons simples
6.2 Bloco 2 — Sons compostos
6.3 Atenção aos sons específicos
Capítulo 7 — 4ª Etapa: Formação de Sílabas
Capítulo 8 — 5ª Etapa: Palavras Significativas
Capítulo 9 — Uma Metodologia Indígena de Letramento
Capítulo 10 — Material Didático para o Início do Letramento
Capítulo 11 — Modelo de Primeiro Livreto
Capítulo 12 — Proposta para o Primeiro Mês
Capítulo 13 — Elementos Importantes da Pronúncia
Capítulo 14 — A Frase Pedagógica
Capítulo 15 — A Escrita e a Memória
20. Considerações Finais
21. Glossário
22. Referências Bibliográficas
23. Sobre o Autor
19. DESENVOLVIMENTO DOS CAPÍTULOS
CAPÍTULO 1 — O ALFABETO KARIRI
1.1 Vogais
O sistema apresentado nesta proposta reúne dez vogais:
A – E – EI – I – IU – O – OE – OI – U – UI
O ensino deve começar pela escuta e pela pronúncia.
1.2 Consoantes
As dezoito consoantes apresentadas são:
B – Tx – D – Dj – Ds – Dz – G – K – L – M – N – Nh – P – R – S – Ts – T – V
A aprendizagem pode ser progressiva, começando pelos sons mais familiares e avançando para aqueles que exigem maior atenção.
CAPÍTULO 2 — PRINCÍPIOS DO LETRAMENTO KARIRI
A proposta estabelece como princípios:
Oralidade primeiro.
Som antes da letra.
Reconhecimento auditivo antes da escrita.
Letra antes da sílaba.
Sílabas antes dos textos.
Palavras com significado cultural.
Aprendizagem relacionada à realidade comunitária.
Respeito aos conhecimentos dos mais velhos.
Participação das crianças e das novas gerações.
Escrita como instrumento de fortalecimento da memória.
Língua e cultura ensinadas de forma integrada.
CAPÍTULO 3 — METODOLOGIA DE LETRAMENTO
A sequência proposta é:
1. Oralidade
Escutar e falar.
2. Reconhecimento sonoro
Perceber e diferenciar os sons.
3. Associação cultural
Relacionar sons e letras a imagens, objetos, lugares e elementos conhecidos.
4. Formação de sílabas
Combinar sons.
5. Leitura de palavras
Trabalhar palavras presentes no cotidiano indígena e cultural.
CAPÍTULO 4 — 1ª ETAPA: DESPERTAR SONORO
Antes da escrita, ensinar os sons.
O educador pode organizar uma roda de escuta e trabalhar:
A – E – EI – I – IU – O – OE – OI – U – UI
A atividade pode seguir a sequência:
escutar → repetir coletivamente → repetir individualmente → reconhecer → relacionar → utilizar.
O objetivo inicial é desenvolver o ouvido.
CAPÍTULO 5 — 2ª ETAPA: AS VOGAIS
Aula 1 — Vogais simples
A – E – I – O – U
Para cada vogal:
som;
pronúncia;
palavra;
imagem;
repetição;
reconhecimento auditivo.
Aula 2 — Vogais compostas
EI – IU – OE – OI – UI
Podem ser apresentadas pedagogicamente como “vogais que caminham juntas”, sempre respeitando a pronúncia reconhecida pelos falantes.
CAPÍTULO 6 — 3ª ETAPA: CONSOANTES EM BLOCOS
Bloco 1 — Sons simples
B – D – G – K – L – M – N – P – R – S – T – V
Bloco 2 — Sons compostos
Dj – Dz – Ds – Nh – Tx – Ts
As comparações com sons de outras línguas devem ser utilizadas apenas como apoio didático.
A pronúncia própria do Kariri deve permanecer como referência principal.
CAPÍTULO 7 — 4ª ETAPA: FORMAÇÃO DE SÍLABAS
Após a familiarização com vogais e consoantes, inicia-se a combinação dos sons.
Exemplos:
BA – BE – BI – BO – BU
KA – KE – KI – KO – KU
E estruturas apresentadas nesta proposta:
BUI – DJA – TXA
A criança começa a compreender que sons podem formar unidades maiores.
CAPÍTULO 8 — 5ª ETAPA: PALAVRAS SIGNIFICATIVAS
O ensino deve privilegiar palavras culturalmente significativas.
Exemplos apresentados:
Opará — Rio São Francisco
Kayaku / Kadjaku
Naticrórai
Pahankó
Essas palavras podem ser acompanhadas por:
imagens;
desenhos;
histórias;
relatos dos mais velhos;
elementos naturais;
referências da aldeia;
frases curtas;
exercícios de leitura.
CAPÍTULO 9 — UMA METODOLOGIA INDÍGENA DE LETRAMENTO
O caminho pedagógico pode ser representado assim:
ORALIDADE → SOM → LETRA → SÍLABA → PALAVRA → FRASE → TEXTO
Esse caminho permite aproximar:
anciãos e crianças;
memória e futuro;
oralidade e escrita;
língua e território;
cultura e educação.
CAPÍTULO 10 — MATERIAL DIDÁTICO PARA O INÍCIO DO LETRAMENTO
Sugestões:
Cartões de letras
Letra grande + imagem + palavra.
Cartões de sílabas
Sílabas para combinação e leitura.
Cartazes das vogais
Vogal + pronúncia + imagem + exemplo.
Cartazes das consoantes
Organizados por grupos sonoros.
Livreto ilustrado
Pequeno livro para as primeiras experiências de leitura.
CAPÍTULO 11 — MODELO DE PRIMEIRO LIVRETO
Capa
Aprendendo o Alfabeto Kariri
1ª página
As vogais
2ª página
As consoantes simples
3ª página
As consoantes compostas
4ª página
As sílabas
5ª página
As primeiras palavras
6ª página
Palavras do nosso território
7ª página
Pequenas frases em Kariri
8ª página
Nossa língua, nossa memória
CAPÍTULO 12 — PROPOSTA PARA O PRIMEIRO MÊS
Semana 1
A – E – I – O – U
Escuta, pronúncia, identificação e associação.
Semana 2
EI – IU – OE – OI – UI
Escuta, repetição e diferenciação.
Semana 3
B – D – G – K – L – M – N – P – R – S – T – V
Reconhecimento e combinação.
Semana 4
Formação de sílabas:
BA – BE – BI – BO – BU
KA – KE – KI – KO – KU
E outras estruturas próprias do Kariri.
CAPÍTULO 13 — ELEMENTOS IMPORTANTES DA PRONÚNCIA
Atenção especial para:
Tx – Nh – Dj – Dz – Ds – Ts
e:
EI – IU – OE – OI – UI
O trabalho deve priorizar exemplos falados por pessoas que conhecem e praticam a língua.
CAPÍTULO 14 — A FRASE PEDAGÓGICA
“Nossa língua é nosso território sonoro. Cada letra é um passo na memória do nosso povo.”
A frase pode ser utilizada em cartazes, materiais pedagógicos e atividades escolares.
CAPÍTULO 15 — A ESCRITA E A MEMÓRIA
A escrita não substitui a palavra falada.
Ela pode funcionar como uma ferramenta adicional para guardar aquilo que a comunidade deseja transmitir às próximas gerações.
Os mais velhos continuam sendo referências.
A comunidade continua sendo espaço de aprendizagem.
A oralidade continua fundamental.
A escrita passa a caminhar junto com essas formas tradicionais de transmissão.
20. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O letramento do Alfabeto Kariri representa um caminho de aproximação entre a língua, a cultura e as novas gerações.
Este livro procurou organizar uma sequência pedagógica simples e gradual, começando pela escuta e chegando à leitura e à escrita.
O princípio fundamental é compreender que uma língua não é apenas um conjunto de letras.
Uma língua carrega histórias.
Carrega nomes.
Carrega lugares.
Carrega conhecimentos.
Carrega formas de compreender o mundo.
Por isso, ensinar o Alfabeto Kariri é também criar oportunidades para que as crianças conheçam e reconheçam a memória de seu povo.
A escrita pode contribuir para esse processo, mas não substitui a oralidade nem o conhecimento dos mais velhos.
O futuro do letramento Kariri poderá ser construído pela união entre professores, crianças, jovens, famílias, anciãos, pesquisadores e demais conhecedores da língua.
Que este livro seja uma semente.
Que outras palavras sejam registradas.
Que novas cartilhas sejam produzidas.
Que novas crianças aprendam.
E que a voz Kariri continue atravessando as gerações.
Nossa língua é nossa memória viva.
Nhenety Kariri-Xocó
21. GLOSSÁRIO
Uma primeira versão do glossário poderá conter:
Termo: Significado / referência.
Alfabeto Kariri: Sistema de letras utilizado na proposta de escrita apresentada neste livro.
Letramento: Processo de aprendizagem e utilização social da leitura e da escrita.
Oralidade: Transmissão de conhecimentos por meio da palavra falada.
Som: Unidade sonora percebida na fala.
Vogal: Som vocálico utilizado na organização apresentada.
Consoante: Som consonantal utilizado na organização apresentada.
Sílaba: Unidade formada pela combinação de sons.
Opará Rio São Francisco
Natiá Aldeia
Samy Cultura
Swbatekié Conhecimento
Tokenhé Antoá Antepassados Sagrados
Radá Uanieá Terra Indígena
Bohé Coletivo
Woroy História
Iewóá Gratidão
Inatekié Obrigado
O glossário definitivo deve ser ampliado e revisado com base no vocabulário Kariri-Xocó reconhecido pela comunidade.
22. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BATISTA CAETANO (ed.). Arte de Grammatica da Língua Brasílica da Naçam Kiriri. Paris: Imprensa Nacional, 1877.
KARIRI-XOCÓ, Nhenety. Letramento do Alfabeto Kariri. Disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2026/02/letramento-do-alfabeto-kariri.html?m=0 .Acesso em: 1 out. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nnhenety. O devir de tradicionalista: “o guardião da língua e da tradição KX” In: Fórum de debate: Bilinguismo indígena no Brasil. Universidade do Estado da Bahia. Evento online, 17 mai. 2022. Vídeo (1h28). Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=RRXWZr27Ax4&t=58s . Acesso em: 28 set. 2026.
KARIRI-XOCÓ, Nnhenety. A retomada da língua Kariri-Xocó In: Cadernos de Linguística, v. 1, n. 3, p. 01. Rio de Janeiro: UFRJ, 2020. p. 1-13. Disponível em:
https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/254/243 . Acesso em: 26 set. 2026.
QUEIROZ, José Márcio de. Aspectos da Fonologia Dzubukuá. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). CAC. Linguística, 2008. 122 p.
QUEIROZ, José Márcio de. Um Estudo Gramatical da Língua Dzubukuá, Família Kariri.Tese de Doutorado em Linguística – Universidade Federal da Paraíba (UFPB/PROLING). Letras CCHLA 2012. 427 p.
23. SOBRE O AUTOR
NHENETY KARIRI-XOCÓ
Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias, tradicionalista e autor indígena do povo Kariri-Xocó, dedicado ao registro, à valorização e à transmissão dos conhecimentos de sua comunidade.
Sua produção reúne histórias, contos, fábulas, cordéis, artigos, registros de memória, cultura, língua, território e conhecimentos tradicionais.
Ao longo de sua trajetória, desenvolveu diferentes formas de utilizar a escrita, a imagem e as tecnologias digitais como instrumentos de preservação e divulgação cultural.
Seu trabalho procura aproximar a memória dos mais velhos das novas gerações, valorizando a oralidade, os conhecimentos comunitários e a continuidade da cultura Kariri-Xocó.
Entre seus projetos encontra-se a organização de um acervo virtual bibliográfico dedicado à produção cultural e intelectual, reunindo diferentes gêneros de sua autoria e registros relacionados à memória do povo Kariri-Xocó.
No trabalho com a língua, sua preocupação está voltada para o fortalecimento da memória linguística e para a criação de caminhos pedagógicos que possam aproximar as crianças e os jovens da língua de seus antepassados.
Para Nhenety, registrar uma história é ajudar a memória a continuar caminhando.
“Somos guardiões da memória do Opará.”
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Essa estrutura dá ao Letramento do Alfabeto Kariri — Bocuwiá Uné Hietãdé Nunú a forma de um livro pedagógico-cultural completo, adequado para posteriormente receber ilustrações de cada letra, exercícios, cartões de leitura, páginas para crianças e um segundo volume com atividades práticas.


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