Há muito tempo, quando o mundo era ainda jovem e os seres viviam em perfeita harmonia, a natureza tinha seus próprios sinais para anunciar os ciclos da vida. Cada ser, pequeno ou grande, tinha sua função sagrada no equilíbrio do mundo.
No coração da grande floresta, os sapos coaxavam com força nas noites úmidas, avisando às raízes que a chuva estava chegando. As árvores, em resposta, estendiam seus galhos para receber a água que alimentaria a vida. As águas dos rios tornavam-se mais cristalinas, e os peixes subiam as correntezas em busca dos ninhos de pedras.
Mas havia um momento especial, esperado por todos: o Crowerú, a festa das borboletas nas flores.
Quando os dias se tornavam mais quentes e o aroma das flores começava a perfumar o ar, as borboletas despertavam de seu repouso silencioso. Saíam das cascas que haviam cuidadosamente tecido, revelando asas de cores vibrantes — vermelhas como o fogo, azuis como o céu da manhã, amarelas como o ouro do sol.
Assim que a primeira flor desabrochava, surgia a mais antiga e sábia das borboletas, chamada Yapó, cujas asas brilhavam com todas as cores do arco-íris. Ela fazia um voo em círculos sobre a clareira, anunciando a todos os seres que o Crowerú havia começado.
As flores, em respeito e alegria, abriam-se em coroas exuberantes. Os beija-flores vinham em revoada, acompanhando as borboletas no balé da polinização. Os veados paravam suas corridas e observavam em silêncio, enquanto os macacos, nas copas das árvores, cantavam melodias alegres para saudar o espetáculo.
Durante sete dias e sete noites, as borboletas dançavam de flor em flor, levando vida e fertilidade por onde passavam. A floresta inteira se vestia de festa: folhas mais verdes, frutos mais doces, e o ar impregnado de esperança.
Os anciãos da aldeia, reunidos em torno do fogo, contavam às crianças que o Crowerú era o sinal de que a natureza estava feliz, e que o equilíbrio do mundo havia sido renovado. Eles ensinavam que, assim como as borboletas tinham sua função, cada ser humano também deveria cumprir o seu papel com respeito, harmonia e sabedoria.
No final do sétimo dia, Yapó fazia seu último voo sobre a floresta, pousando sobre a flor mais alta do ipê-amarelo. Lá, ela batia as asas três vezes, espalhando um pó dourado que, ao tocar o solo, fazia germinar novas sementes para o próximo ciclo da vida.
E assim, a festa das borboletas se encerrava, deixando um legado de cores, aromas e esperança.
Até hoje, quando as borboletas surgem em bandos, os mais velhos sussurram com reverência:
— O Crowerú chegou... é hora de celebrar a dança da vida.
Agora o conto do Crowerú em forma de Provérbios:
"E os anciãos sempre encerravam a história do Crowerú com um ensinamento antigo, passado de geração em geração:
"Assim como a borboleta toca a flor sem feri-la, devemos caminhar sobre a terra com leveza e respeito, pois somos parte dela e ela é parte de nós."
E assim, cada criança que ouvia o conto entendia que o verdadeiro sentido da festa não era apenas a beleza das cores ou o perfume das flores, mas a lembrança de que tudo na natureza vive em comunhão.
E que, como as borboletas, também devemos cumprir nossa função com alegria, humildade e sabedoria."
Com alegria! Aqui está o conto transformado em cordel, com rimas e métrica tradicional:
CROWERÚ, A Festa das Borboletas nas Flores
( Versão Cordel Sextilhas )
Na floresta encantada e serena,
Cada ser tem missão verdadeira.
O sapo, com seu coaxar,
Anuncia a chuva certeira.
E quando a flor vai brotar,
A borboleta é mensageira.
De asas de cores vibrantes,
Elas dançam no ar com leveza.
O Crowerú é celebrado,
Uma festa de rara beleza!
É a vida se renovando,
Com ternura e delicadeza.
A mais sábia, chamada Yapó,
Surge com asas de arco-íris no chão.
Faz seu voo sobre a clareira,
Dando início à celebração.
Sete dias e sete noites,
De dança, perfume e canção.
Beija-flores vêm em revoada,
E os macacos se põem a cantar.
O veado contempla em silêncio,
A festa que está a brilhar.
Enquanto as borboletas alegres
De flor em flor vão passear.
Ao final, Yapó se despede,
Pousando no ipê-amarelo.
Bate as asas, espalha sementes,
Deixa o futuro singelo.
O Crowerú então se encerra,
Com esperança e amor tão belo.
E os anciãos sempre ensinam,
Com sabedoria a refletir:
"Como a borboleta na flor,
Devemos na terra existir.
Pisando com leveza e respeito,
Pois dela não podemos fugir."
Assim a festa é lembrada,
Por quem sabe escutar e olhar.
O Crowerú é mais que beleza:
É um convite pra celebrar,
A harmonia entre os seres,
E o ciclo eterno a se renovar.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 23 de maio de 2025 e a capa na mesma data.

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