quarta-feira, 21 de maio de 2025

O PODER DA ARTE






Entre A Ficção, O Infinito E A Realidade 




Resumo



A arte é uma das expressões mais poderosas da humanidade, capaz de transpor os limites do real, criar mundos alternativos, eternizar sentimentos e transformar ideias em matéria sensível. Este artigo propõe uma reflexão sobre o poder da arte como força criadora que permite ao ser humano tornar-se deus, rei, herói ou qualquer forma personificada, ainda que no campo da ficção. Com base em conceitos filosóficos e históricos, discutimos como a arte transcende a existência imediata, atua como ferramenta de eternidade simbólica e, muitas vezes, antecipa teorias que se concretizam na realidade. A arte, portanto, é mais que representação: é reinvenção do possível.


Palavras-chave: arte, poder criativo, eternidade simbólica, ficção, transcendência.



1. Introdução



Desde os primórdios, a arte acompanha o ser humano como forma de expressão, registro e transformação do mundo. Nas cavernas de Altamira ou nas pirâmides do Egito, já estava implícito o poder de comunicar-se com o invisível, de atribuir forma ao indizível. Com a arte, criamos mitos, deuses, símbolos e narrativas que moldam a percepção da realidade. Neste artigo, propomos explorar esse poder como uma dimensão que ultrapassa a função estética e alcança o território da criação de mundos. Ser artista é também ser demiurgo — aquele que modela o mundo com as próprias mãos, com palavras, imagens, sons ou movimentos.



2. Desenvolvimento



2.1 A arte como potência criadora

A arte nos permite romper com os limites do espaço e do tempo. Platão, em seu conceito de mundo das ideias, já sugeria que o mundo sensível é uma sombra do mundo ideal. A arte, nesse contexto, acessa essa dimensão ideal e a traduz em forma, cor, som ou palavra. Friedrich Nietzsche, ao refletir sobre a arte trágica grega, considerava que o artista atua como um criador de sentidos para o absurdo da existência — é por meio da arte que a vida se justifica. Assim, o impossível se torna possível, e o eterno se torna presente.



2.2 Seres mitológicos e eternos através da arte



Ao criarmos personagens, narrativas e paisagens, damos vida ao que nunca existiu — mas que passa a existir no campo simbólico. A literatura transformou Dom Quixote em símbolo da luta contra os moinhos da vida. A escultura eternizou o Davi de Michelangelo. A pintura fez da Monalisa uma mulher eternamente enigmática. O artista, portanto, não apenas representa: ele cria. E essa criação pode reverberar por séculos, tornando-se mais "real" do que a própria história factual.



2.3 Arte e a modelagem da realidade



O filósofo francês Paul Ricoeur afirmou que a ficção, por meio da "refiguração", influencia a maneira como interpretamos o mundo real. A arte pode antecipar realidades futuras — como ocorre na ficção científica, que frequentemente precede invenções tecnológicas. Filmes, livros, canções e performances não são meros entretenimentos; eles moldam subjetividades, comportamentos e até sistemas políticos. A arte, portanto, não é fuga da realidade: é sua releitura e, muitas vezes, seu prenúncio.



2.4 A arte como transcendência do humano



A arte também confere ao ser humano a experiência do divino. No palco, o ator pode ser rei; no poema, o eu-lírico é eterno; na dança, o corpo voa. A arte permite a metamorfose e a vivência de arquétipos, como sugeria Carl Jung. O artista torna-se, assim, um xamã moderno: alguém capaz de atravessar dimensões simbólicas e trazer ao coletivo uma experiência transformadora.



3. Considerações Finais



A arte não apenas embeleza o mundo — ela o reinventa. É por meio dela que ultrapassamos os limites da existência física e alcançamos a eternidade simbólica. Criamos mundos, vivemos outras vidas, tornamo-nos deuses, reis, monstros ou santos. A arte, como linguagem simbólica e sensível, torna possível o que parecia inalcançável e propõe teorias que a ciência ou a política, por vezes, confirmam mais tarde. Assim, devemos compreender a arte não como ornamento, mas como força vital, criadora e transformadora da condição humana.



Referências Bibliográficas



BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994.


JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.


NIETZSCHE, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.


PLATÃO. A República. São Paulo: Martin Claret, 2017.


RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Campinas: Papirus, 1997.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 21 de maio de 2025 e a capa do artigo na mesma data.



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