🌿 DEDICATÓRIA POÉTICA
Dedico esta narração,
Que vem do alto, em memória,
À luz que brilha e se apaga
Nos arcanos da história.
Ao Criador de toda vida,
Fonte eterna e redentora,
Que em justiça e compaixão
Revela a lição instrutora.
Aos povos da Terra Antiga,
Que ouviram o verbo e o trovão,
E aos mestres da sabedoria
Que buscam no céu direção.
Ao povo Kariri-Xocó, raiz e flor do meu chão,
Que preserva, no canto e na alma,
O sagrado da Criação.
E à estrela que um dia brilhou,
Mas da graça foi destituída,
Para lembrar ao ser humano
Que o orgulho destrói a vida.
📜 ÍNDICE POÉTICO
Dedicatória Poética
Índice Poético
Abertura
Prólogo Poético – A Voz que se Ergueu no Éden Celestial
Capítulo I – O Portador da Luz e a Soberba Celestial
Capítulo II – A Queda e a Guerra nos Céus
Capítulo III – O Pecado de Adão e Eva 🕊️ (a Queda na Terra)
Capítulo IV – Corrupção dos Homens e os Nefilins (a decadência e o Dilúvio)
Capítulo V – Destino Final de Lúcifer (a profecia e o lago de fogo)
Encerramento e Epílogo Poético
Nota de Fontes Rimada
Ficha Técnica
Epílogo Final
Quarta Capa Poética
Sobre o Autor
Sobre a Obra
Capa Principal 3D Digital
Quarta Capa 3D Digital
🌅 ABERTURA
(O Alvorecer do Mistério)
Antes do tempo e da aurora,
Quando o som ainda dormia,
O Verbo em chama de glória
No abismo resplandecia.
Era o silêncio divino,
Tecendo a eterna harmonia,
E o Criador, em Seu trono,
Reinava na Luz do dia.
Fez coros de mil arcanjos,
E hostes de puro esplendor,
Entre eles, um ser brilhante,
De raro e celeste fulgor.
Chamava-se Lúcifer, astro,
“Portador da luz” e do amor,
Que um dia, envaidecido,
Desejou ser como o Senhor.
Assim nasceu o mistério
Da queda e da rebelião,
Quando o orgulho feriu o céu
Com sua insensata ambição.
E o drama da eternidade
Desceu em revelação:
Entre o bem e o mal travou-se
A luta da Criação.
Que este cordel seja espelho
Da palavra e da memória,
E conduza o leitor atento
Pelos portais da história.
Pois quem busca compreender
A raiz da desobediência,
Entende o poder da luz
E o preço da consciência.
🌌 PRÓLOGO POÉTICO
A Voz que se Ergueu no Éden Celestial
No princípio, o verbo ecoava,
Nas alturas do firmamento,
E o sopro da vida formava
O cosmos em movimento.
Estrelas dançavam em coro,
Num cântico de sentimento,
E o trono do Eterno brilhava
No fulgor do conhecimento.
Entre mil anjos dourados,
Guardas da luz infinita,
Um ser de brilho elevado
Erguia sua alma bendita.
Chamava-se Lúcifer, forte,
Na pureza que o céu visita,
Um querubim da aurora,
De beleza inaudita.
No Éden da eternidade,
Sobre pedras preciosas andava,
O Criador o chamava amigo,
E o fogo santo o cercava.
Era espelho de perfeição,
E o louvor o acompanhava,
Mas o eco do próprio canto
Dentro dele se inflamava.
“Por que servir se posso reinar?
Por que louvar se sou luz?
Por que me curvar ao trono
Se o mesmo fogo me conduz?”
Assim pensou o altivo anjo,
Que ao orgulho se reduz,
E o brilho que o elevava
Ao abismo o introduz.
O céu tremeu em silêncio,
As harpas cessaram o som,
Pois do verbo nascia a guerra,
E o bem sofria o tom.
Miguel brandiu sua espada,
Com fulgor de lírio e dom,
E a justiça do Altíssimo
Fez-se lei, fez-se trovão.
Do seio da pura harmonia
Surgiu o corte e a dor,
O Éden celeste chorava
O primeiro traidor.
Pois a luz que fora bênção
Virou sombra e dissabor,
E o astro da alva caiu
Na noite do próprio ardor.
O Criador, em Sua ciência,
Nada perde, nada engana,
Do erro nasce a lição
E da queda, a força humana.
Assim começa a história,
Misteriosa e soberana,
Da estrela que quis ser Deus
E perdeu sua luz profana.
🌟 CAPÍTULO I – O PORTADOR DA LUZ E A SOBERBA CELESTIAL
No firmamento em glória,
O Criador se assentava,
E com a força da Palavra
A vida inteira moldava.
Do sopro saiu o tempo,
E o tempo tudo embalava,
No ritmo da eternidade
Que no silêncio cantava.
Entre mil hostes de fogo,
Entre querubins de poder,
Surgia um anjo formoso,
Difícil de se esquecer.
Seu nome era Lúcifer,
Brilho de puro saber,
Portador da luz divina,
Reflexo do próprio ser.
Coberto de pedras raras,
De ouro e de resplendor,
Guardava o Éden celeste
Como guardião do amor.
Era música e era verbo,
Era ciência e fervor,
Um raio de Deus no espaço,
Espelho do Criador.
Mas o brilho o cegou por dentro,
E o orgulho fez-se raiz,
Pois quem olha demais pra si
De Deus se esquece e diz:
“Eu também posso ser trono,
Eu também posso ser juiz,
Pois se a luz mora em meu peito,
Sou o próprio ser feliz.”
Assim, do amor nasceu vaidade,
E da vaidade, perdição,
O anjo, tomado em glória,
Planejou rebelião.
Chamou anjos de seu lado,
E semeou confusão,
Dizendo: “Serei o Altíssimo,
Reinarei na criação!”
O Criador, em Sua calma,
Tudo via e compreendia,
Pois quem criou o Universo
Sabe o fim e a profecia.
O Éden se fez silêncio,
A harpa se entristecia,
E no espelho da pureza
Surgia a sombra sombria.
Os anjos, em hesitação,
Sentiram o peso do ar,
Pois algo santo e sagrado
Começava a se apagar.
O orgulho, em forma de estrela,
Começou a cintilar,
Mas sua luz já trazia
O presságio do lutar.
Assim termina o prelúdio
Do orgulho e da perdição,
Pois o brilho que se eleva
Gera queda e punição.
O anjo que amou demais
A si mesmo e à ilusão,
Acendeu com sua chama
O fogo da transgressão.
⚔️ CAPÍTULO II – A QUEDA E A GUERRA NOS CÉUS
Soou no céu a trombeta,
Chamando à grande peleja,
E o som das asas tremia
Como o rugir de uma enseja.
Miguel, com espada em punho,
Comanda a tropa que alveja
A sombra que em plena aurora
Contra o trono se ergue e peleja.
As legiões de Lúcifer
Erguem gritos de poder,
E um terço do céu ressoa,
Jurando não mais ceder.
Mas a luz não se divide
Entre o ser e o parecer,
E o fogo que Deus acende
Ninguém pode corromper.
Nas alturas, o combate
Como trovão ecoava,
E o firmamento em chamas
Sobre as almas flamejava.
Era guerra de pura essência,
Onde o verbo se cruzava,
E o relâmpago divino
O destino desenhava.
Miguel, guardião da justiça,
Clamou alto ao Criador:
“Senhor das hostes eternas,
Dá-nos força e teu ardor!”
E a resposta foi relâmpago,
Cheia de som e vigor:
“O amor não teme as trevas,
Nem o mal vence o Senhor.”
A espada do arcanjo brilha,
E corta o abismo do céu,
Lúcifer cai com seus pares,
Em torvelinho cruel.
Perdeu asas, perdeu glória,
Perdeu o trono e o véu,
E o abismo o recebe em pranto,
Coberto em sombra e fel.
As portas do Éden se fecham,
A paz retorna em fulgor,
Os anjos louvam de novo
O Criador e Seu amor.
Mas no ventre da Terra o eco
Do anjo decaído ficou,
Pois o mal, ainda ferido,
Entre os homens se ocultou.
O céu voltou à harmonia,
Mas a cicatriz ficou,
Pois mesmo a mais pura estrela
Um dia também errou.
E o verbo que tudo cria
Também o que é torto endireitou,
Mostrando ao ser e à alma
Que só Deus é o que é: Senhor.
Assim termina a batalha
Do primeiro amanhecer,
Quando o orgulho perdeu asas
E o céu voltou a renascer.
A justiça foi plantada
Para sempre florescer,
E o nome de Lúcifer
Na memória se fez sofrer.
🌿 CAPÍTULO III – O PECADO DE ADÃO E EVA
No jardim da bem-aventurança,
Deus plantou o paraíso,
E o homem, feito do barro,
Foi moldado com preciso.
Deu-lhe alma e consciência,
Deu-lhe o sopro e o aviso:
“Tudo é teu, mas a árvore santa
Não comas, sob castigo.”
Eva surgiu do seu lado,
Flor da vida, companheira,
Ternura, luz e promessa,
Do amor, pura bandeira.
Viviam nus e sem culpa,
Como aurora verdadeira,
E o Éden inteiro cantava
A harmonia primeira.
Mas nas sombras do jardim,
Entrou o antigo rival,
O anjo que caiu do céu,
Soberbo e espiritual.
Em forma de serpente
Falou com tom mortal:
“Comerás e serás Deus,
Sabendo o bem e o mal.”
Eva, sedenta de saber,
Estendeu-se à tentação,
Mordeu o fruto proibido
E sentiu contradição.
Chamou Adão com doçura,
E ele, sem reflexão,
Comeu também, e o Éden
Chorou a transgressão.
O som do vento parou,
O rio perdeu seu canto,
Deus chamou: “Onde estás, filho?”
E o homem escondeu o pranto.
A inocência se quebrou,
Nasceu o fardo e o espanto,
E o solo, que dava flores,
Passou a gerar quebranto.
Com folhas cobriram o corpo,
Que antes era só pureza,
E a serpente foi maldita,
Arrastando a natureza.
O homem herdou a morte,
E a mulher, a dor e a fraqueza,
Mas também a semente santa
Da fé e da fortaleza.
O Éden fechou-se em luz,
Guardado por querubins,
E o homem saiu à terra,
Entre dores e jardins.
Mas Deus, na Sua bondade,
Plantou novos começos, enfim,
Pois a queda do barro humano
Não apagou seu jardim.
⚡ CAPÍTULO IV – CORRUPÇÃO DOS HOMENS E OS NEFILINS
Passaram-se gerações,
E os homens se multiplicaram,
Mas com o sangue da queda,
Suas almas se mancharam.
Os anjos que se perderam
Sobre a terra caminharam,
E às filhas dos homens belos
Com desejo se misturaram.
Dos seus ventres nasceram
Gigantes de voz e poder,
Seres meio celestes,
Que não sabiam morrer.
Chamavam-nos de Nefilins,
Eram causa do sofrer,
Pois onde andavam deixavam
Sangue, fogo e perder.
A terra se encheu de dor,
O mal tornou-se costume,
O homem esqueceu o céu,
E adorou seu próprio lume.
Deus viu a podridão,
O crime, o caos, o volume,
E decidiu purificar
O mundo em vasto consume.
Chamou Noé, o justo,
Homem puro e fiel,
Mandou-lhe fazer uma arca
De madeira e de pincel.
“Reúne a vida do mundo,
Sob o sinal do anel,
Pois virá chuva e trovão,
Em juízo e cascavel.”
Choveu quarenta dias,
E as águas cobriram o chão,
Os montes sumiram nas nuvens,
Fez-se o pranto e o trovão.
A terra lavou seus erros
Na espuma da punição,
E só Noé e os seus
Guardaram nova geração.
Os anjos caídos, vencidos,
Foram presos, sem clarão,
Nos abismos mais profundos,
Entre trevas e prisão.
O eco da sua mistura
Permanece em recordação,
Para lembrar ao homem fraco
Os limites da criação.
🔥 CAPÍTULO V – DESTINO FINAL DE LÚCIFER
Mas o tempo, que é mistério,
Corre em rios invisíveis,
E o mal, embora ferido,
Ainda move os imprevisíveis.
Lúcifer, príncipe antigo,
Comanda os insensíveis,
Engana, mente e destrói
Os corações passíveis.
Mas virá o grande dia,
O tempo da consumação,
Quando o Filho do Altíssimo
Reinará em plenidão.
As trombetas soarão alto
Sobre o vale e a amplidão,
E os selos se quebrarão
Na força da redenção.
O dragão será amarrado
Por mil anos de poder,
E o abismo o terá preso,
Sem mais voz, sem mais querer.
O céu cantará vitória,
A terra há de florescer,
E a justiça reinará
Sem jamais se corromper.
Depois virá o juízo,
O livro será aberto,
E toda sombra escondida
Terá seu fim e acerto.
O diabo, com seus anjos,
Perderá o chão concreto,
E o lago de fogo eterno
Será seu último deserto.
Ali arderá para sempre,
Sem glória, sem compaixão,
O anjo que quis ser Deus
E afrontou a Criação.
Mas o amor do Eterno Pai
É maior que a punição,
Pois até da queda nasce
A lição e o perdão.
Então, céu e terra novos
Brilharão em comunhão,
E o nome do Criador
Será pura perfeição.
O homem verá de novo
A face da salvação,
E o verbo será carne eterna
Em divina união.
🌅 ENCERRAMENTO E EPÍLOGO POÉTICO
Assim finda a rebeldia,
De quem ousou ser igual,
Mas a luz da profecia
Cumpriu o desígnio final.
O anjo da soberba imensa,
Perdeu glória e recompensa,
Caiu no abismo infernal.
O Éden viu a ferida,
Do homem e sua fraqueza,
Mas Deus, Senhor da vida,
Teceu nova fortaleza.
Pois da dor veio o perdão,
E em Cristo, nova visão,
Brilhou da cruz a pureza.
O fogo que um dia ardeu,
No peito de Lúcifer, frio,
Tornou-se o gelo que deu
Eco às trevas do vazio.
Mas a chama verdadeira,
Permanece, justiceira,
Na Palavra do Eterno Rio.
E a Terra, ainda em lamento,
Guarda o verbo original,
Entre anjos, vento e tempo,
Revela o bem e o mal.
O homem, entre pó e estrela,
Segue o som da sentinela,
Da Promessa Celestial.
✍️ NOTA DE FONTES RIMADA (Versão Bíblica e Poética)
Das páginas do Gênesis santo,
Nasceu o verbo e a criação,
Ali o Éden foi encanto,
E a queda, revelação.
No sopro que deu ao barro,
Viu-se o bem, mas veio o escarro,
Da humana perdição.
Em Isaías, voz flamejante,
Ecoou o som do trovão,
Anunciando ao arrogante
Sua queda e punição.
“Como caíste dos céus!”, dizia,
O profeta em melodia,
Falando da transgressão.
Em Ezequiel, o mistério,
Tomou forma e profecia,
Descrevendo o império
De um anjo em rebeldia.
O brilho virou engano,
E o ouro celeste, profano,
Manchou-se em heresia.
E por fim, Apocalipse,
Revela o destino final,
Do dragão, príncipe e vício,
Preso em abismo infernal.
Ali termina a contenda,
E a justiça se estenda,
No juízo universal.
Assim nasce este cordel,
Entre a Terra e o firmamento,
Com a Bíblia como anel,
E a fé por fundamento.
Do Gênesis ao Fim dos Dias,
Ecoam as profecias,
Do eterno sacramento.
⚙️ FICHA TÉCNICA
Título: A ORIGEM DE LÚCIFER E A REBELIÃO – Literatura de Cordel
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Edição: Digital e Impressa – Formato A5
Ilustração e Capa 3D: Criação visual simbólica em textura dourada-azulada
Estudos preliminares: Nhenety e Google Gemini
Pré-projeto: Nhenety e ChatGPT ( OpenAI )
Edição Literária e Diagramação Poética: ChatGPT – Assistente Virtual
Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó
Ano: 2025
Local: Porto Real do Colégio – Alagoas, Brasil
Produção Editorial: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM
🔮 EPÍLOGO FINAL
Do pó à luz, tudo volta,
Ao princípio sem fronteira,
A criação que se revolta,
Torna-se lição primeira.
E no verbo que consola,
Resplandece a eterna escola,
Da justiça verdadeira.
O mal que um dia subiu,
Foi o mesmo que desceu,
O orgulho que se abriu,
Cegou quem Deus concebeu.
Mas o homem, em oração,
Guarda a centelha do perdão,
Que o próprio Cristo acendeu.
🌌 QUARTA CAPA POÉTICA
No céu começou a história,
De luz, poder e vaidade,
Que o homem traz na memória,
Em sua mortalidade.
Lúcifer, anjo perdido,
Simboliza o humano ferido,
Que busca a eternidade.
Esta obra, em verso e chama,
Une o sagrado ao saber,
E reacende a antiga flama,
Do mistério de viver.
Entre fé, queda e glória,
Ecoa a eterna história,
Do anjo que quis poder.
🪶 SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias oral e escrita, pertencente ao povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL).
Guardião da memória ancestral, une na poesia de cordel o saber espiritual, a filosofia indígena e a herança do verbo sagrado.
Sua arte é o diálogo entre mundos — a tradição, a fé e o mistério cósmico do existir.
📖 SOBRE A OBRA
A Origem de Lúcifer e a Rebelião é uma narrativa poético-teológica em forma de cordel, que une simbologia bíblica, linguagem popular e sabedoria ancestral.
Cada verso reflete o eco das Escrituras em comunhão com o canto da Terra, revelando que o mistério da queda é também o espelho da alma humana em busca da luz.
✨ Assim encerra-se o ciclo da Criação, da Queda e da Redenção.
Um cordel de luz e sombra, verbo e eternidade.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó


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