quinta-feira, 22 de maio de 2025

CORDEL SAGRADO DO MUNDO GUARANI






“Os Céus Cantantes e a Terra sem Mal”


No princípio, o verbo era canto,

No som sagrado de um manto,

Nhamandu brilhou nos céus,

Com seus olhos firmes, fiéis.

Lá do escuro fez o clarão,

Com a palavra em oração,

Criou o tempo e o fundamento,

Do mundo em doce movimento.


Pelas matas, rios e florestas,

Viviam almas puras e modestas.

Eram Guarani, filhos da luz,

Seguindo os rastros de Tupã-Pyruz.

Do Norte, vieram em peregrinação,

Com a fé no peito e pés no chão,

Buscando a Yvy marã e’ỹ,

Terra sem mal, onde o mal não vem.


Sete céus no alto resplandecem,

Moradas onde os espíritos descem.

No mais alto, Nhamandu habita,

E sua luz nunca se limita.

Karai, Jakaira e Tupã também,

Guardam os portais do bem,

Em suas mãos, fogo e perfume,

Que o mundo inteiro resume.


Na aldeia, o tempo é sagrado,

Todo espaço é consagrado.

A casa de reza, o opy encantado,

Onde o pajé canta o curado.

Cantos que curam corpo e alma,

E fazem do espírito a calma.

Pois o Guarani bem sabe sentir,

Que viver é saber existir.


Os Mbyá falam com o coração,

O corpo é templo em comunhão.

Tem alma que vibra em camadas,

Umas leves, outras pesadas.

Na doença, é a alma que chora,

Mas com reza, o mal vai embora.

Pois o que cura é o verbo cantado,

No chão da mata, o som consagrado.


E quando se vai, não é partida,

É retorno à grande vida.

Ao céu de estrelas ancestrais,

Onde cantam os antigos pais.

Mas aqui na Terra, outro paraíso

É sonhado com amor e juízo.

A Yvy marã e’ỹ está em cada ação,

Num viver com paz e conexão.




Por Nhenety Kariri-Xocó & ChatGPT, no dia 12 de abril de 2025 e a capa do cordel no dia 22 de maio de 2025.



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