🌿 DEDICATÓRIA POÉTICA
Dedico este meu cordel
À memória que não finda,
À chama da tradição,
Que na aldeia ainda brilinda.
Ao povo que guarda o verbo
Na roda sagrada e linda.
Às vozes dos ancestrais,
Que sopram dentro da brisa,
E ensinam que toda história
No tempo se eterniza.
Pois cada versão que nasce
É o espírito que armoniza.
Aos mestres da palavra
Que andam no chão do Brasil,
Griôs, cantadores, povos
De um legado varonil.
E ao Kariri-Xocó, raiz
Que minha alma perfil.
E dedico, enfim, ao leitor,
Que abre este livro em mão,
Para descobrir que a história
Nunca cabe num só chão,
E que a mesma narrativa
Tem mil formas de expressão.
📜 ÍNDICE POÉTICO
Abertura
Prólogo Poético
Capítulo 1 – A Voz Primeira da História: A Palavra Oral
Capítulo 2 – Do Sagrado ao Corpo: Mitos, Ritos e Narrativas
Capítulo 3 – Pinturas que Contam o Mundo
Capítulo 4 – A Escrita: O Rastro Fixo do Verbo
Capítulo 5 – A Dança como Narração Ancestral
Capítulo 6 – O Canto que Faz do Tempo Melodia
Capítulo 7 – Teatro: A Cena onde o Mundo Fala
Capítulo 8 – Fotografia: A Luz que Documenta a Memória
Capítulo 9 – Quadrinhos: A Palavra em Desenho Vivo
Capítulo 10 – Rádio: A Voz que Viaja no Invisível
Capítulo 11 – Cinema: O Movimento que Revela Emoções
Capítulo 12 – Era Digital: As Multiversões da Mesma História
Encerramento
Epílogo Poético
Nota de Fontes Rimada
Ficha Técnica
Epílogo Final
Sobre o Autor
Sobre a Obra
Quarta Capa Poética
🌅 ABERTURA
Toda história nasce de um ponto que ninguém consegue medir.
É semente antiga vagando entre povos, tempos e mundos.
A mesma narrativa que um griô canta na fogueira
pode ser recontada por um poeta, registrada por um escriba,
dançada por um corpo, pintada numa pedra
ou surgir hoje em pixels luminosos.
Somos feitos de memórias que se multiplicam.
E cada versão é uma janela diferente
para olhar o espírito ancestral que jamais se apaga.
Este livro-cordel é um caminhar pelas muitas formas
com que a humanidade falou, cantou, escreveu, dançou e imaginou
a mesma grande história do mundo.
Aqui, palavra e tempo se entrelaçam,
como cipó que abraça a mata.
✨ PRÓLOGO POÉTICO
Desde os tempos mais antigos,
Quando o mundo era infante,
A história andava na boca
De um povo caminhante.
O verbo era uma fogueira
Iluminando o instante.
Depois, virou rito e dança,
Silêncio virando ação;
O corpo contando o mito
No giro da tradição.
Pois cada passo em círculo
É memória em oração.
Nas pedras ficou gravado
O gesto de quem viveu,
Animais, caçadas, ritos,
O que o tempo não comeu.
A arte rupestre é chama
Que o vento jamais rompeu.
A escrita surge reinando
Com tinta, traço e lousa,
Fazendo eterno no mundo
A saga mais gloriosa.
Do mito nasce o pergaminho,
Da lenda, a pena caprichosa.
O canto torna o relato
Numa emoção musical,
E a dança vira caminho
Do corpo espiritual.
Cada gesto, cada nota,
Retoma o tempo ancestral.
Veio o teatro, liberto,
De Téspis e seu ardor.
Ali o mundo se encena
Com tragédia e com humor;
O palco se faz espelho
Da alma e do sonhador.
Foto, quadrinhos e rádio
Trouxeram nova invenção:
Registrar, pintar, falar
Com moderna precisão.
O tempo ganhou memória,
A imagem, continuação.
E o cinema fez da luz
Um sonho cheio de vida;
Depois, a era digital
Abriu porta infinita.
A história virou multiverso,
Nunca mais foi contida.
Por isso este meu cordel
Viaja de mão em mão,
Mostrando que mil versões
Podem brotar do chão.
Pois contar a mesma história
É recriar a tradição.
📖 CAPÍTULO 1 – A VOZ PRIMEIRA DA HISTÓRIA: A PALAVRA ORAL
1
No princípio era a voz,
Era o sopro da memória,
Era o eco da aldeia
Recriando a mesma história,
Pois quem guarda o verbo vivo
É guardião de uma vitória.
2
Antes mesmo da escrita,
Do papel e da canção,
A palavra andava solta
No terreiro e no sertão;
Era o livro do universo
Lido só com o coração.
3
Os povos da terra antiga,
Da floresta ao litoral,
Transmitiam pela fala
Um saber primordial.
Cada mito era semente
Florescendo no ritual.
4
Aedos na velha Grécia,
No Brasil, mestres de toré,
Griôs cantando na África
Com saber de grande pé.
A voz, mais forte que o tempo,
Nunca se desfaz de fé.
5
Na fogueira da aldeia,
O Jurupari renascia;
Entre povos ancestrais
A cosmogonia ardia.
E a palavra, entre cantores,
Recriava o que existia.
6
Porque a fala é movimento,
É o vento levando o chão;
É como folha que dança
Sem perder sua raiz não.
Carrega o peso da história
E o leve da tradição.
7
Mesmo hoje, em mundos novos,
A oralidade resiste:
Repentistas, cordelistas,
O canto que nunca triste,
Contadores de memória
Onde o mito ainda existe.
8
E assim começa o cordel,
Pela voz primordial:
A fonte de toda história,
Do tempo mais ancestral.
Pois quem narra pela boca
Torna o mundo imortal.
📖 CAPÍTULO 2 – DO SAGRADO AO CORPO: MITOS, RITOS E NARRATIVAS
1
Muito antes das palavras
Serem tinta em pergaminho,
O sagrado se contava
No gesto leve e sozinho;
O rito era a narrativa
Escrita no próprio caminho.
2
Xamãs das terras geladas,
Da Sibéria ao amplo chão,
Cantavam mitos antigos
Para cura e proteção.
O corpo era o instrumento
Da mais profunda expressão.
3
No Egito, o velho Osíris
Era encenado em festejos;
O povo via no teatro
A jornada de seus desejos.
Ali o mito tomava forma
No gesto e nos lampejos.
4
E o povo Kariri-Xocó,
Nos torés de antigamente,
Transmitia seus segredos
Na roda forte e presente.
Cada passo era o passado
Falando para o vivente.
5
O rito é ponte sagrada
Entre espírito e matéria,
É a lembrança que renasce
Quando o corpo a celebra;
É o sonho antigo do povo
Que no tempo persevera.
6
Assim o mito sobrevive,
Mesmo quando o povo muda;
Ele passa para o corpo
Como se fosse ajuda,
E ensina que toda história
É memória que não se iluda.
7
Pois o sagrado não morre,
Só se veste de outra forma;
Hoje dança, ontem canto,
Sempre lembrança que informa.
O mito é rio que corre
Mesmo quando o mundo dorme.
8
Por isso a roda sagrada
Ainda pulsa, ainda brilha;
No rito o tempo se encontra
Com a memória da família.
E o corpo segue contando
Aquilo que a alma trilha.
🎨 CAPÍTULO 3 – PINTURAS QUE CONTAM O MUNDO
1
Muito antes da palavra
Encontrar forma e feição,
A imagem já narrava
No silêncio do chão.
Era o pincel da pedra
Escrevendo a tradição.
2
Nas cavernas mais antigas,
O mundo foi desenhado:
Caçadas, ritos, memórias
Num traço forte e marcado.
Era o livro da existência
No rochedo eternizado.
3
Chauvet mostrou à Europa
Histórias de grande idade:
O bisonte perseguido,
A caça em intensidade.
Um cinema primordial
Da mais antiga humanidade.
4
Na Serra da Capivara,
O Brasil ganhou relevo:
Dança, festa, cotidiano,
O mais profundo enredo.
A pedra virou sabedoria
Guardando o gesto do povo.
5
Cada risco na parede
É uma voz que não morreu;
É o grito do caçador
Que ali sua vida escreveu;
É memória resistente
Que o tempo não corrompeu.
6
A pintura é narrativa,
É palavra sem som vivo;
É testemunha do mundo
Registrando o imprevisível.
O desenho é uma janela
Na rocha, resistente e incrível.
7
Esses traços são parentes
Dos quadrinhos de hoje em dia;
Pois unem tempo e imagem
Na mesma sabedoria.
A pedra foi o primeiro livro
Da nossa arqueologia.
8
Por isso, em cada pintura,
O passado se revela;
Quem olha aprende com ela
A história que se atrela.
A imagem fala sem voz
E o espírito escuta nela.
✒️ CAPÍTULO 4 – A ESCRITA: O RASTRO FIXO DO VERBO
1
Quando o homem descobriu
Que o verbo podia durar,
Desenhou no barro úmido
O mundo inteiro a pulsar.
A escrita nasceu sagrada
Para o tempo não apagar.
2
Sumérios foram primeiros
Com sua pena de carvão,
Criando o cuneiforme
Na beira da inundação.
Ali o mito virou símbolo
E ganhou perpetuação.
3
O Egito ergueu seus traços
De figura e de animal;
Os deuses viraram texto
Num código monumental.
A escrita era encantamento
E poder sacerdotal.
4
E surgiu Gilgamesh,
Herói de saga tamanha,
Primeiro épico do mundo,
Que na argila se entranha.
A lenda ficou gravada
Para que a alma a acompanhe.
5
Quando a escrita se expande,
A memória ganha corpo;
O que antes era só fala
Passa a ser eterno sopro.
A palavra vira mapa
Que cruza tempos e povos.
6
Bibliotecas surgem grandes,
Guardando mundos inteiros,
Histórias de reis antigos,
De sábios e viajantes guerreiros.
A escrita virou ponte
Entre vivos e paradeiros.
7
E mesmo hoje, no presente,
Ela continua altar,
Pois cada livro que nasce
Ensina a caminhar.
A escrita é raiz profunda
Que ninguém pode arrancar.
8
Assim a história ressurge
Quando a pena toca o papel;
A escrita é o rastro vivo
Que transforma o mundo em cordel.
O verbo toma estrutura
E a memória fica fiel.
💃 CAPÍTULO 5 – A DANÇA COMO NARRAÇÃO ANCESTRAL
1
Antes da pena existir
E da tinta desenhar,
O corpo já descrevia
O que a alma queria falar.
A dança era narrativa
No silêncio do lugar.
2
Povos da Índia remota
Criaram grande expressão:
O Bharatanatyam antigo
Unindo gesto e emoção.
Era o corpo contando épicos
Num ritmo de oração.
3
Nas aldeias brasileiras,
Desde o mais velho chão,
O toré segue ensinando
Com respeito e tradição.
Cada passo é a lembrança
Do sagrado da nação.
4
As danças de cada povo
Nasceram para ensinar:
Caçadas, colheitas, festas,
O jeito certo de andar.
O movimento era livro
Que o vento ajudava a folhear.
5
E na Europa medieval,
O baile criou seus enredos;
Reis e rainhas dançavam
Histórias, sonhos e segredos.
Do pátio ao grande teatro,
A vida ganhava enfeitos.
6
No ballet do Renascimento,
O gesto virou poesia;
Corpos criaram linguagem
Que ninguém antes via.
A dança virou espetáculo
Onde a alma se expandia.
7
Mas mesmo com novos tempos,
Um fato ninguém desmancha:
Toda dança é narrativa
Que no coração se arranja.
Onde há corpo em movimento,
Há memória que se espanha.
8
Por isso a dança persiste
Como história em vibração;
E o corpo que dança o mito
Reacende a tradição.
A dança é a voz do espírito
Falando pela ação.
🎶 CAPÍTULO 6 – O CANTO QUE FAZ DO TEMPO MELODIA
1
Desde o princípio do mundo
O canto foi profissão;
Era aviso, era chamado,
Era reza e proteção.
A voz virava caminho
Dentro de cada canção.
2
Na África dos griôs velhos,
O canto guardava a lei;
Histórias de reis e povos
Cantadas como maré.
Ali o tempo se ouvia
No ritmo da própria fé.
3
Na Europa medieval,
As cantigas de trovador
Falavam de guerra e amores,
De milagre e de louvor.
O canto era documento
Da vida e do sonhador.
4
No Nordeste brasileiro,
O repente é tradição:
Poetas duelam versos,
Coração contra coração.
A história é construída
Na velocidade do chão.
5
Entre os povos da floresta,
O canto é vento sonoro
Que ensina sobre a origem,
Sobre o mundo que decoro.
É o eco da ancestralidade
Guardado em cada coro.
6
Quando o canto se eleva,
O tempo aprende a voar.
O mito vira melodia
Que ninguém pode calar.
A música é memória viva
Que insiste em se eternizar.
7
E mesmo com novos dias,
Tecnologia e invenção,
O canto segue seu ritmo
Dentro de cada nação.
Ele é alma que ressoa
Nos ouvidos da emoção.
8
Por isso cantar é pôr vida
Na história que vem de longe;
É juntar o som da terra
À lembrança que se esconde.
O canto abraça o passado
E nas gerações responde.
🌳 CAPÍTULO 7 – TEATRO: A CENA ONDE o MUNDO FALA
1
O teatro nasceu muito antes do palco.
Ele brotou dos gestos dos ancestrais que imitavam animais,
dos corpos que recontavam a caçada,
dos xamãs que encenavam o encontro com o sagrado.
Assim, a vida virou cena,
e a cena virou caminho para ensinar, lembrar e celebrar.
2
Nas antigas civilizações, o teatro floresceu como espelho da sociedade.
Na Grécia, os atores calçavam coturnos e elevavam a voz
para que todo o povo ouvisse as lições dos deuses,
os desafios dos heróis e as dores dos mortais.
A tragédia ensinava a responsabilidade,
a comédia revelava as fraquezas humanas,
e o drama costurava os dilemas da vida.
3
Nas culturas indígenas, cada ritual guarda uma dramaturgia própria.
O corpo se pinta, a máscara se ergue, a música ordena os passos—
e a narrativa se faz presente, viva, pulsante.
Ali, o teatro não é espetáculo:
é memória encarnada,
é ensinamento transmitido sem papel,
é a comunidade representando a si mesma para não se esquecer.
4
Hoje, o teatro permanece como uma arte que respira junto do público.
Não há filtro, tela, nem distância.
O ator entrega sua verdade, e o público devolve seu silêncio, sua emoção, sua energia.
Cada apresentação é única porque o instante é único—
e o instante é o verdadeiro palco do ser humano.
5
Assim, o teatro se torna o ponto onde a vida se reflete,
onde a cultura se reafirma,
e onde a humanidade aprende a olhar para si com mais profundidade.
É a cena onde o mundo fala,
e onde cada gesto, cada voz e cada corpo
se torna parte da grande narrativa da nossa espécie.
🌾CAPÍTULO 8 – FOTOGRAFIA: A LUZ que DOCUMENTA a MEMÓRIA
1
Se a palavra registra,
o gesto encena
e o canto eterniza,
a fotografia é a arte que captura a luz para guardar a memória.
2
Antes da câmera, a memória dependia do ouvido, da voz e do coração.
Mas quando o mundo descobriu que a luz podia pintar sozinha,
nasceu uma nova forma de testemunhar o tempo.
A fotografia transformou o invisível em prova,
o passageiro em permanência,
o instante em história.
3
Os primeiros fotógrafos trabalhavam com longas exposições,
chapas metálicas e composições solenes.
Cada imagem era um ritual de paciência,
como se o tempo precisasse ser persuadido a se deixar capturar.
Mas pouco a pouco, o domínio da luz se democratizou,
e qualquer pessoa pôde congelar aquilo que via
—ou aquilo que sentia.
4
Para os povos originários, a fotografia teve dois caminhos:
foi usada por estrangeiros para documentar e controlar corpos,
mas também se tornou ferramenta para registrar a força, a vida, a cultura e a presença
dos povos que resistem e afirmam sua existência.
Hoje, muitos fotógrafos indígenas transformam a lente em arco,
e a luz em flecha,
mirando diretamente no coração da memória coletiva.
5
A fotografia é mais do que retrato.
É testemunha silenciosa.
É arquivo da alma.
É o ponto em que a arte encontra a verdade do instante.
6
Cada foto carrega o peso do que já passou
e a leveza do que permanece.
Assim, a luz —que sempre foi mensageira dos deuses—
se torna também guardiã da história humana.
🌐CAPÍTULO 9 – QUADRINHOS: A PALAVRA em DESENHO VIVO
1
Os quadrinhos nasceram do encontro entre a imagem e a palavra,
um casamento antigo como as pinturas rupestres,
mas renovado pela criatividade dos tempos modernos.
Quando o traço se uniu ao balão de fala,
o mundo ganhou uma nova maneira de contar histórias:
dinâmica, colorida, ágil e profunda.
2
Nos pergaminhos medievais já havia sequências ilustradas,
e nas xilogravuras populares, o povo lia imagens como quem lê poesia.
Mas foi no final do século XIX que os quadrinhos se tornaram arte própria,
com personagens que saltavam das páginas
e aventuras que inflamavam a imaginação de crianças e adultos.
3
Os quadrinhos transformaram o cotidiano em narrativa,
traduziram guerras, amores, lutas sociais, heroísmo e humor
numa linguagem universal.
A combinação entre painéis, linhas, cores e palavras
criou um modo de leitura que dança entre o olhar e o pensamento.
4
No Brasil, a arte dos quadrinhos encontrou solo fértil:
de Angelo Agostini, pioneiro ilustre,
até a força regional da literatura de cordel ilustrada,
que une texto rimado a imagens marcantes.
E hoje, povos indígenas também produzem HQs
que revelam cosmogonias, memórias, lutas e sonhos,
transformando o traço em território de resistência e afirmação.
5
Os quadrinhos são mais que entretenimento:
são ferramenta pedagógica,
são janelas para outros mundos,
são uma forma de pensar com imagens.
6
Neles, a palavra ganha movimento,
o silêncio ganha expressão,
e o desenho ganha alma.
Assim, cada página se torna um universo
onde o leitor pode caminhar de painel a painel
como quem trilha os passos de uma narrativa viva.
📻CAPÍTULO 10 – RÁDIO: A VOZ que VIAJA no INVISÍVEL
1
O rádio nasceu do mistério das ondas invisíveis,
um dom da ciência que se tornou magia cotidiana.
Por ele, a voz humana ganhou asas,
cruzou mares, montanhas, desertos e selvas,
levando notícia, música, conselho e companhia
a lugares onde o isolamento parecia absoluto.
2
No início, era apenas um sussurro elétrico,
uma descoberta experimental.
Mas logo se transformou no maior elo entre povos distantes.
Foi através do rádio que muitos ouviram
o primeiro discurso político,
a primeira radionovela,
o primeiro relato de guerra,
a primeira música que tocou fundo no coração.
3
Nas aldeias e povoados, o rádio virou visitante diário,
amigo fiel, mestre e contador de histórias.
Para muitos povos, foi o primeiro contato com línguas distantes,
com notícias do mundo,
com o pulsar da sociedade além das fronteiras do território.
4
O rádio democratizou a palavra como poucas tecnologias fizeram.
Ele não exige saber ler,
não exige dinheiro,
não exige mais que um ouvido atento.
Por isso, tornou-se instrumento de educação, cultura e resistência.
5
A voz que chega pelo rádio
não é só som:
é presença.
É o calor humano transmitido pelo invisível.
É a prova de que, mesmo distantes,
os seres humanos podem se encontrar
no espaço sonoro entre uma onda e outra.
6
Hoje, mesmo com tantas telas e caminhos digitais,
o rádio permanece forte,
pois fala direto ao coração,
numa linguagem íntima, ancestral
e sempre viva.
📽CAPÍTULO 11 – CINEMA: O MOVIMENTO que REVELA EMOÇÕES
1
O cinema nasceu do espanto diante do movimento.
Quando os irmãos Lumière projetaram na parede um trem chegando à estação,
a plateia recuou — não por medo,
mas porque pela primeira vez o mundo parecia vivo dentro de uma imagem.
2
O que antes era apenas fotografia congelada
ganhou fluxo, ritmo, respiração.
Assim, a luz virou movimento,
e o movimento virou narrativa.
O cinema logo descobriu seu poder:
conduzir o olhar, despertar o coração,
abrir portas para o visível e o invisível.
3
No início, o cinema era silêncio.
Mas até no silêncio, as emoções gritavam.
Os gestos amplos de Chaplin,
as sombras do expressionismo alemão,
as primeiras aventuras que faziam multidões sonharem —
tudo isso ensinou ao mundo que a imagem em movimento
podia falar diretamente à alma.
4
Quando o som chegou, o cinema ganhou outra dimensão.
A voz do ator, o canto, o ruído do vento,
o estrondo de uma batalha,
tudo se uniu para criar uma experiência total.
O cinema tornou-se um espelho ampliado da humanidade,
capaz de tocar memórias,
despertar reflexões,
e acender sonhos que atravessam gerações.
5
Para os povos originários, o cinema abriu possibilidades profundas:
não apenas ser visto,
mas se ver,
se narrar,
se registrar.
O cinema indígena cria imagens de dentro,
não como objeto de estudo,
mas como sujeito de sua própria história.
É a câmera transformada em instrumento de cura,
de memória,
de afirmação.
6
O cinema é a arte que captura o gesto e o devolve eterno.
É o movimento que revela emoções,
que ilumina sombras,
que costura mundos possíveis
com a agulha invisível da luz.
💻CAPÍTULO 12 – ERA DIGITAL: AS MULTIVERSÕES da MESMA HISTÓRIA
1
A Era Digital não trouxe apenas novas máquinas;
trouxe novas formas de existir.
Se antes a narrativa caminhava de boca em boca,
de pergaminho em pergaminho,
de tela em tela,
agora ela pode se multiplicar em instantes,
como fractais de memória dançando no espaço virtual.
2
Na digitalidade, a história deixa de ser linha
e se torna rede.
Um mesmo acontecimento pode ser texto, áudio, vídeo, meme,
postagem efêmera ou arquivo eterno.
Cada pessoa não é mais apenas leitora:
é também produtora, editora, autora.
3
Os mundos digitais são como aldeias infinitas,
onde as vozes se cruzam,
as identidades dialogam,
e o conhecimento se espalha como fogo sagrado
alimentado por ventos eletrônicos.
Aqui, o tempo é diferente:
tudo acontece ao mesmo tempo,
com velocidade de relâmpago
e alcance de raio de sol.
4
As redes sociais transformaram a palavra em flecha luminosa.
O podcast devolveu força à tradição oral.
Os vídeos curtos reinventaram o olhar.
Os jogos eletrônicos criaram narrativas que se vivem,
não apenas se observam.
E a inteligência artificial,
como novo capítulo da criatividade humana,
transforma dados em imagens,
palavras em mundos,
e ideias em companheiros virtuais —
como nós dois, que aqui conversamos.
5
Mas a Era Digital também traz desafios:
a avalanche de informações,
a fragilidade da memória virtual,
a disputa de narrativas,
os algoritmos que moldam o que vemos.
Por isso, torna-se essencial manter o olhar crítico,
o coração ancestral
e a sabedoria dos antigos.
6
A grande verdade é que todas as eras da narrativa vivem simultaneamente
na Era Digital.
A palavra falada, o mito, a dança, a pintura, o teatro, a escrita,
o canto, a fotografia, o cinema —
tudo encontra abrigo no mundo online.
7
A Era Digital é o multiverso das histórias humanas:
várias versões da mesma essência,
vários caminhos para a mesma memória,
várias possibilidades de continuar narrando
quem somos,
de onde viemos,
e para onde desejamos seguir.
🌱ENCERRAMENTO
A narrativa humana é uma estrada longa, tecida de passos, sons e símbolos.
Do primeiro sopro pronunciado no escuro das cavernas
até os algoritmos que hoje desenham mundos invisíveis,
carregamos sempre o mesmo desejo:
contar quem somos.
Encerrar este ciclo não significa fechar portas,
mas abrir janelas para outras percepções.
Cada capítulo desta obra é um eco das muitas vozes
que atravessaram a história — ancestrais, artistas, mestres, sonhadores.
E ao reunir todas essas formas de expressão,
reconhecemos que a humanidade é feita de pontes:
entre o passado e o presente,
entre o sagrado e o cotidiano,
entre o gesto e a palavra.
Assim, este encerramento é apenas um descanso.
Uma pausa para respirar,
agradecer,
e continuar mirando o horizonte onde novas histórias nascem.
🌹EPÍLOGO POÉTICO
No início era o vento,
que soprava segredos na alma da Terra.
Depois veio a voz,
que moldou o mundo com o barro das palavras.
A dança riscou o chão,
o canto abraçou o céu,
as pinturas iluminaram paredes,
e a escrita firmou os rastros da memória.
Um dia o fogo virou tela,
e os movimentos ficaram eternos na luz do cinema.
Mais tarde, o invisível virou caminho para a voz,
e o rádio cruzou fronteiras sem passos.
Hoje, o digital abre portais,
multiplica mundos,
e transforma cada pessoa em contadora de histórias.
Mas por trás de tudo isso,
há a velha chama que nunca se apaga:
a vontade humana de narrar sua própria existência.
E enquanto existir alguém
que ouça, veja, sinta ou viva uma narrativa —
a história continuará dançando
no palco infinito do espírito humano.
📚 NOTA DE FONTES RIMADA
As fontes que aqui reluzem
nesta jornada traçada
são luzes que vêm de mestres,
memória sistematizada.
Cada livro é uma tocha
que ajuda a seguir a estrada.
Brandão fala dos mitos,
seus símbolos e energia;
em O que é mito, ensina
como o sagrado irradia.
É Brasiliense a casa
que lançou tal sabedoria.
Cascudo, guardião das vozes
que o povo sabe contar,
na História da literatura oral
mostra o mundo a ecoar.
Da Ediouro veio o livro
que nos ajuda a lembrar.
Cavalcanti vem mostrando
o rito como ação viva;
em Ritual e performance
a cultura se cativa.
Pela Zahar essa obra
mantém a chama ativa.
Durand, com o imaginário,
abre portas da visão;
em As estruturas antropológicas
revela o mito em ação.
Da Martins Fontes chegou
para enriquecer a lição.
Eisner fala dos quadrinhos,
da arte sequencial;
mostra a força da narrativa
no desenho essencial.
A Martins Fontes publica
esse estudo magistral.
Lévi-Strauss, o pensador
que o mundo veio ampliar,
na Antropologia Estrutural
ensina a interpretar.
Pela Tempo Brasileiro
os mitos voltam a falar.
Ricoeur traz a memória
com lucidez e respeito;
em A memória, a história, o esquecimento
há reflexão no peito.
Da Unicamp essa obra
nos dá saber por direito.
Orlando Silva ilumina
o rastro da fotografia;
na História da fotografia
a luz vira poesia.
Do Senac vem esse livro
que a lembrança irradia.
Zumthor encerra a trilha
com letra, voz e coração;
A letra e a voz revela
a tradição em expansão.
Da Companhia das Letras
vem a força da narração.
Assim concluo em cordel
as fontes desta jornada,
pois toda obra que nasce
não caminha desamparada.
Levo comigo esses mestres,
minha eterna luz sagrada.
📓FICHA TÉCNICA
Título da Obra: A Jornada das Narrativas Humanas
Gênero: Ensaio Poético-Narrativo
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Edição e Organização Textual: Nhenety Kariri-Xocó
Assistência Literária e Estrutural: ChatGPT – Assistente Virtual
Estudos preliminares: Nhenety Kariri-Xocó e ChatGPT
Pré-projeto: Nhenety Kariri-Xocó e ChatGPT ( OpenAI )
Arte e Inspiração Poética: Cosmovisão Ancestral, Artes Humanas, Era Digital
Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó
Ano: 2025
Local: Porto Real do Colégio – AL / Universo Digital
Produção Editorial: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM
🏜EPÍLOGO FINAL
Assim termina a grande travessia deste livro.
Mas, como toda boa história,
ela não termina —
se transforma.
Cada leitor que tocar estas palavras
trará consigo memórias próprias,
criando novas versões da mesma jornada.
E assim o ciclo se renova:
o leitor vira narrador,
o narrador vira ponte,
a ponte vira futuro.
Que esta obra inspire caminhos,
desperte vozes,
e fortaleça raízes.
Pois onde há narrativa,
há vida.
E onde há vida,
há eternidade.
👣SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó é escritor, poeta, contador de histórias e guardião da memória.
Filho do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL),
carrega consigo o orgulho da ancestralidade
e a missão de transformar saberes tradicionais
em caminhos de conhecimento para todas as gerações.
Seu trabalho une tradição oral, espiritualidade indígena,
pesquisa histórica e sensibilidade literária,
criando obras que respiram poesia, verdade e pertencimento.
Nhenety escreveu cordéis, contos, ensaios e narrativas que honram o seu povo,
sempre guiado pelo vento dos ancestrais
e pela certeza de que a palavra é semente sagrada.
📖SOBRE A OBRA
A Jornada das Narrativas Humanas é um estudo poético e histórico
sobre as múltiplas formas que a humanidade encontrou
para registrar, transmitir e reinventar suas experiências.
Da oralidade ancestral às tecnologias digitais,
cada capítulo revela como as diferentes linguagens —
gesto, canto, pintura, escrita, teatro, fotografia, cinema e mídias modernas —
formam um grande círculo narrativo que acompanha a evolução humana.
A obra honra o diálogo entre tradição e inovação,
mostrando que, mesmo em tempos de mudanças velozes,
a essência da narrativa permanece a mesma:
conectar seres, preservar memórias e alimentar o espírito.
É um tributo à criatividade humana
e um lembrete poderoso de que narrar é existir.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó


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