terça-feira, 1 de abril de 2025

NOMENCLATURA E SIGNIFICADO: QUIPÁ


 Vem do tupi guarani e o significado ainda não foi descoberto. Todas as espécies aqui apresentadas recebem desses outros nomes populares: palmatória, palminha, almofada de espinho, orelha-de-mikey-brasileira e gogóia.

Origem: Ambas as espécies aqui apresentadas ocorrem em cerrados, catingas e montanas rochosas presentes nos estados de Minas Gerais, Bahia e praticamente em toda a região nordeste do Brasil. Mais informações nos links:  http://servicos.jbrj.gov.br/flora/search/Tacinga_inamoena e


http://servicos.jbrj.gov.br/flora/search/Tacinga_subcylindrica.




Autor da matéria: Ari Llusan Kariri 



QUAL A ORIGEM DA PALAVRA JAQUINICÓ



Eu vejo que a gente compartilha o uso do sufixo -kó com os Pankararú, não sei dizer se há uma relação genética das línguas ou se é fruto de intenso contato.

Se essa palavra for nossa, usando o Boróro de comparação, creio que signique 'lugar de grande abertura (grande buraco), cognato do Boróro iakuri 'grande abertura' (ia 'boca, abertura', cognato do nosso -dza/-dze de wari-dza/woli-dze + kuri 'abundante, grande, muito')

No entanto, se for Pankararú, e se eles tiverem relação linguística conosco, é possível que esse já inicial seja 'água', visto que essa palavra foi documentada como já e jái 'água'. Sobre o kini, ainda estou fazendo algumas comparações do vocabulário Pankararú para ver o que encontro em termos de porcentagem, por enquanto, se for dessa língua, só traduzo como:


já kini kó 'lugar de água que é [kini]'




Autor da matéria: Ari Llusan Kariri 



ALDEIAS E MISSÕES DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO SÉCULOS XVI - XVII


A Capitania de Pernambuco teve um papel fundamental na colonização do Nordeste brasileiro e contou com diversas aldeias indígenas e missões jesuíticas que visavam à catequização e controle das populações nativas. Abaixo estão algumas das principais aldeias e missões organizadas por estado, abrangendo os séculos XVI a XVII.


Pernambuco


Missão de Nossa Senhora da Assunção de Caeté (fundada pelos jesuítas no século XVI, no atual município de Goiana)

Aldeia de Santo Antão (próxima ao Cabo de Santo Agostinho, uma das primeiras aldeias indígenas do Brasil)

Aldeia de São Lourenço (nos arredores de Olinda, importante centro de catequese jesuítica)

Aldeia de Tracunhaém (famosa pelo artesanato indígena e fundada no século XVII)

Aldeia de São Miguel (próxima a Igarassu, uma das mais antigas missões jesuíticas)


Paraíba


Missão de Nossa Senhora da Conceição de Itabaiana (fundada no século XVII, sendo um dos principais núcleos de catequese)

Missão de São Miguel (situada na região de Baía da Traição, foi uma importante missão para os índios Potiguaras)

Aldeia de Jacoca (atual Conde, uma das aldeias indígenas mais importantes da época)

Aldeia de Taquara (hoje município de Rio Tinto, um centro de resistência indígena)


Rio Grande do Norte


Missão de Nossa Senhora dos Mártires de Cunhaú (fundada pelos jesuítas e palco do massacre de Cunhaú em 1645)

Missão de Uruaçu (outra aldeia ligada aos mártires do Rio Grande do Norte, também atacada em 1645)

Aldeia dos Guarapes (importante povoação indígena do século XVII)


Ceará


Missão de Nossa Senhora da Assunção (fundada por jesuítas no local onde hoje é Fortaleza)

Aldeia de Caucaia (fundada pelos jesuítas para catequizar os índios Tapuias e Potiguaras)

Missão de Soure (atual Acaraú, estabelecida no século XVII)

Missão de Ibiapaba (no sertão do Ceará, teve forte presença dos jesuítas)


Alagoas


Missão de São Miguel dos Campos (uma das mais importantes missões jesuíticas em Alagoas)

Aldeia de Porto Calvo (centro de catequese no século XVII)

Missão de Penedo (fundada para evangelizar os povos indígenas da região do Rio São Francisco)

Aldeia de Santa Maria Madalena (na região da Serra da Barriga, onde estavam os remanescentes do Quilombo dos Palmares)


Bahia (Oeste da Capitania de Pernambuco)


Missão de São Francisco Xavier do Gentio do Sertão (fundada no século XVII, localizada na região oeste da Bahia)

Missão de Bom Jesus da Lapa (fundada pelos franciscanos no final do século XVII)

Missão de São João Batista dos Gentios (voltada para a catequese dos índios Tapuias)

As aldeias e missões eram fundamentais para a organização colonial, promovendo tanto a catequização indígena quanto a expansão da ocupação portuguesa na região. Muitas dessas missões foram afetadas pelas invasões holandesas, pela resistência indígena e pelas mudanças na política indigenista ao longo dos séculos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros


ALMEIDA, Rita de Cássia Amaral de. Jesuítas e indígenas na Capitania de Pernambuco (séculos XVI-XVII). Recife: Editora Universitária da UFPE, 2010.

CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

MELLO, Evaldo Cabral de. O negócio do Brasil: Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669. São Paulo: Editora Senac, 1998.


Artigos e Teses


ALMEIDA, Rita de Cássia Amaral de. “As Missões Jesuíticas na Capitania de Pernambuco: estratégias de ocupação e resistência indígena (séculos XVI-XVII).” Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 29, n. 57, p. 61-85, 2009.

LIMA, Tereza Cristina de Novaes. A geopolítica missionária na Capitania de Pernambuco: aldeamentos indígenas e resistência (séculos XVII-XVIII). 2015. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2015.

SILVA, Maria de Fátima. “A catequese indígena na Capitania de Pernambuco: as aldeias missionárias e suas dinâmicas socioculturais.” Anais do XXVII Simpósio Nacional de História, Natal, 2013.



AS CAPITANIAS DO NORDESTE ORIENTAL 1534 a 1822


A Capitania de Pernambuco, criada em 1534, abrangia originalmente os atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e o Oeste da Bahia. Com o passar do tempo, algumas dessas áreas foram desmembradas e se tornaram capitanias independentes. Veja as datas de criação das capitanias que se tornaram independentes entre 1535 e 1822:

1. Capitania da Paraíba – Criada em 1574 e efetivamente implantada em 1585.

2. Capitania do Rio Grande (atual Rio Grande do Norte) – Criada em 1597 e estabelecida em 1633.

3. Capitania do Ceará – Criada em 1680, mas efetivamente implantada em 1799.

4. Capitania de Alagoas – Criada em 1817, separando-se de Pernambuco.

O Oeste da Bahia permaneceu parte da Capitania da Bahia, e Pernambuco permaneceu como unidade principal até a independência do Brasil, em 1822.

Esses estados que fizeram parte da Capitania de Pernambuco compartilham diversas semelhanças culturais devido ao passado comum. Esse vínculo histórico influenciou tradições, expressões artísticas, culinária, festas populares e até mesmo aspectos do modo de falar. Algumas dessas influências incluem:

1. Língua e Expressões – O sotaque nordestino tem traços em comum, especialmente entre Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas. Muitas expressões típicas foram preservadas e adaptadas regionalmente.

2. Culinária – Pratos como a carne de sol, o bolo de rolo, a tapioca, o cuscuz e a feijoada nordestina são consumidos em todas essas regiões, com variações locais.

3. Festas Populares – O São João é um dos exemplos mais fortes dessa herança compartilhada, sendo celebrado com intensidade nesses estados. O maracatu, o frevo e o forró são manifestações culturais que, apesar de mais fortes em algumas áreas, têm raízes comuns.

4. Influência Indígena, Africana e Europeia – A miscigenação desses povos na época colonial moldou a cultura local. A presença de quilombos, a musicalidade e até mesmo as crenças populares refletem essa mistura.

5. Economia e Agricultura – O cultivo da cana-de-açúcar foi uma atividade central na Capitania de Pernambuco e influenciou a economia dos territórios que dela se desmembraram.

6. Aspectos Históricos e Políticos – Movimentos como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador de 1824 refletiram ideais que se espalharam por esses estados, mostrando que o sentimento de unidade persistiu por muito tempo.

Mesmo com o passar dos séculos e o desenvolvimento de identidades regionais mais específicas, essas conexões históricas ainda são perceptíveis na cultura popular e na identidade nordestina como um todo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros


1. ANDRADE, Manuel Correia de. A Terra e o Homem no Nordeste. São Paulo: Editora Atlas, 1986. – Aborda a formação geográfica e histórica da região, incluindo a influência das capitanias.

2. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Capítulos de História Colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. – Explora o período colonial, incluindo a organização das capitanias hereditárias.

3. GILBERTO FREYRE. Casa-Grande & Senzala. 48ª edição. São Paulo: Global, 2006. – Analisa a influência da cultura indígena, africana e europeia na formação social e cultural do Nordeste.

4. MELLO, Evaldo Cabral de. O Norte Agrário e o Império (1871-1889). São Paulo: Editora 34, 2003. – Discute a organização econômica e política do Nordeste após o período colonial.


Artigos e Teses


5. FERNANDES, Fábio. A Capitania de Pernambuco e seus desmembramentos: aspectos históricos e administrativos. Revista Brasileira de História, v. 35, n. 69, 2015. – Analisa a evolução administrativa das capitanias.

6. SANTOS, Maria Izabel. As Capitanias do Nordeste e o Processo de Independência do Brasil. História e Cultura, v. 10, n. 2, 2018. – Explora as ligações entre os estados nordestinos no contexto da independência.



GRUPOS ÉTNICOS AFRICANOS DO BRASIL COLONIAL


Durante o período colonial, o Brasil recebeu um grande número de africanos trazidos à força pelo tráfico transatlântico de escravizados. Esses grupos eram diversos e pertenciam a diferentes regiões da África, cada um com sua cultura, língua e tradições próprias. Na Capitania de Pernambuco, uma das principais regiões econômicas do Brasil colonial devido à produção açucareira, o tráfico de escravizados foi intenso, trazendo grupos específicos.

Principais grupos étnicos africanos no Brasil Colonial

Os povos africanos escravizados vieram principalmente de três grandes regiões:

1. Região da Costa da Mina (África Ocidental - Golfo da Guiné)

Jejes (Ewes e Fons) – provenientes do atual Benim e Togo, trouxeram influências religiosas importantes para o Candomblé (nação Jeje).

Akan (Ashanti, Fanti, Akwamu, etc.) – vieram da atual Gana e Costa do Marfim, com influência cultural forte em práticas religiosas e resistência.

2. Região da Costa dos Escravos e Nigéria (África Ocidental)

Iorubás (Nago, Ketu, Oyo, Ifé, etc.) – da atual Nigéria e Benim, formaram uma base cultural forte no Candomblé (nação Nagô) e em tradições musicais e linguísticas.

Hauçás e Malês – muçulmanos vindos da região do Sudão Ocidental (atual Nigéria e Níger), participaram de revoltas escravas como a Revolta dos Malês (1835).

3. Região da África Central (Congo e Angola)

Bantos (Congos, Ambundos, Ovimbundos, Quicongos, etc.) – da atual Angola, República do Congo e Moçambique, foram a maioria dos africanos escravizados em Pernambuco e no Brasil. Eram agricultores e especialistas em metalurgia, e sua cultura influenciou fortemente a língua, a música e as religiões afro-brasileiras (Umbanda e Candomblé Bantu).

Grupos africanos na Capitania de Pernambuco

Pernambuco foi um dos maiores receptores de africanos escravizados no Brasil devido à sua economia açucareira. Os principais grupos que chegaram à região foram:

Bantos (Angolas, Congos e Moçambiques) – vieram em grande número e influenciaram práticas religiosas (Jurema, Candomblé Bantu), o vocabulário do português falado no Brasil e ritmos como o maracatu e a capoeira.

Nagôs (Iorubás e Jejes) – responsáveis pela forte tradição do Candomblé na região, especialmente em Recife e no interior.

Hauçás e Malês – muçulmanos africanos que, mesmo em menor número, participaram de revoltas e influenciaram ritos e costumes.

Influências culturais dos africanos em Pernambuco

A presença desses grupos moldou profundamente a cultura pernambucana e brasileira. Entre as principais contribuições estão:

A música (maracatu, coco, capoeira, afoxé).

A religião (Candomblé, Jurema, cultos afro-indígenas).

O vocabulário (palavras de origem banto e iorubá no português).

A gastronomia (uso do dendê, acarajé, mungunzá).

A diversidade africana no Brasil Colonial mostra que a escravidão não apagou as identidades desses povos, mas sim contribuiu para a formação da cultura afro-brasileira.



REFERÊNCIAS:


Livros e artigos acadêmicos:


ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

REIS, João José. Ganhadores: A Greve Negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

VERGER, Pierre. Fluxo e Refluxo: O tráfico de escravos entre o Golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos, dos séculos XVII a XIX. São Paulo: Corrupio, 1987.

SOUZA, Marina de Mello e. Os Negros na História do Brasil. São Paulo: Contexto, 2007.

CARVALHO, Marcus J. M. A Formação das Classes Trabalhadoras e o Escravismo no Nordeste do Brasil: Século XIX. Recife: Editora Universitária UFPE, 2003.




POVOS INDÍGENAS E A FORMAÇÃO DO POVO BRASILEIRO


A diversidade étnica dos povos indígenas no Brasil é um dos pilares fundamentais da formação da identidade nacional. Desde o período colonial, os diferentes grupos indígenas foram distribuídos de maneira regionalizada, conforme as características geográficas e os desafios impostos pelo contato com os colonizadores. Esse contato resultou em diversos desdobramentos históricos que marcaram profundamente a trajetória dessas populações.

No período colonial, a ocupação indígena já era ampla e diversificada. No litoral, predominavam povos Tupis-Guaranis, como os Tupinambás e os Tupiniquins, que foram os primeiros a interagir com os portugueses. No interior, na região amazônica e no cerrado, viviam grupos Macro-Jês, como os Kaingangs e os Xavantes, além de povos Aruaques e Caribes. No Sul, os Guaranis se espalhavam pelas matas e planaltos, enquanto no Nordeste existiam os Potiguaras, Tabajaras, Kariris, Carnijós, Pankararu e outros. No Pantanal e no Centro-Oeste, havia os Bororos e os Terena, entre muitos outros.

Com o avanço do Brasil Império e da República, muitos desses povos foram empurrados para territórios cada vez menores, vítimas da ocupação agrícola, dos projetos de desenvolvimento e das missões religiosas que buscavam convertê-los ao cristianismo.

O contato com os europeus teve consequências devastadoras para muitos povos indígenas. A introdução de doenças, a escravidão e os conflitos armados levaram à extinção de diversos grupos. Alguns foram escravizados para trabalhar na lavoura e na extração do pau-brasil, enquanto outros fugiram para o Norte, adentrando a Amazônia em busca de refúgio. Os que resistiram ou foram evangelizados acabaram inseridos nas estruturas coloniais, muitas vezes perdendo parte de sua identidade cultural.

A resistência indígena, no entanto, se manifestou de diversas formas. Muitas tribos migraram, reorganizaram suas comunidades e mantiveram vivas suas línguas e tradições, apesar das tentativas de apagamento cultural.

A matriz indígena foi fundamental na formação do povo brasileiro, especialmente através da miscigenação com portugueses e africanos. Essa fusão de culturas gerou um povo mestiço, com características únicas que se refletiram na língua, na culinária, nas crenças e nos costumes. O próprio idioma português falado no Brasil foi influenciado por palavras de origem tupi, especialmente em nomes de animais, plantas e locais.

Durante o período colonial, os jesuítas criaram aldeamentos e missões religiosas, que foram a base para a formação de diversas cidades brasileiras. Esses aldeamentos tinham o objetivo de converter os indígenas ao cristianismo, mas também serviam como uma estratégia de controle da população nativa. Algumas cidades importantes, como São Paulo, surgiram a partir desses núcleos missionários.

O legado dos povos indígenas para o Brasil é vasto e inegável. Além da influência linguística, os conhecimentos indígenas sobre o uso de plantas medicinais, a agricultura sustentável e a convivência harmônica com a natureza são ensinamentos valiosos para a sociedade contemporânea. A cultura indígena também está presente nas artes, na música, na dança e nos rituais que foram incorporados às manifestações populares brasileiras.

Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo da história, os povos indígenas seguem resistindo e lutando por seus direitos, reafirmando sua identidade e contribuindo para a riqueza cultural do Brasil. A valorização dessa herança é essencial para a construção de um país que reconhece e respeita suas origens.



REFERÊNCIAS:


Livros:


MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. Companhia das Letras, 1994.

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Global Editora, 2006.

PRADO, Maria Emília de Castro. História dos Índios no Brasil. Companhia das Letras, 1996.

CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). Os Índios no Brasil: história, direitos e cidadania. Claro Enigma, 2019.


Artigos e Documentos Acadêmicos:


FUNARI, Pedro Paulo; NOELLI, Francisco Silva. Pré-história do Brasil (2002). Disponível em periódicos acadêmicos e sites institucionais.

IBGE. Os indígenas no Brasil: estatísticas e territorialidade. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010.





SELEÇÃO DE ALGUNS SOBRENOMES DE ORIGEM IBÉRICA


Aqui estão as informações sobre os sobrenomes Ferreira, Nunes, Oliveira, Ribeiro e Santos, analisando seus significados, origens e registros históricos na Península Ibérica e no Brasil. Sabemos que tem centenas de nomes, mas quiz aque demonstrar apenas aqueles nomes vinculados aos meus antepassados ibéricos. 


1. Ferreira


a) Significado:

Ferreira vem do latim ferraria, que significa "ferraria" ou "forja", indicando um local onde se trabalhava com ferro. O sobrenome pode ter sido inicialmente relacionado a uma profissão (ferreiro) ou a um local com minas de ferro.

b) Origem:

O nome tem origem ibérica (portuguesa e espanhola), mas sua raiz vem do latim, indicando influência romana.

Possui registros entre cristãos-novos e cristãos-velhos, mas também foi adotado por judeus sefarditas como um nome cristianizado.

c) Registros históricos:

Aparece em Portugal e na Espanha desde a Baixa Idade Média (séculos XII-XIV).

Tornou-se comum no Brasil com os colonizadores portugueses a partir do século XVI.


2. Nunes


a) Significado:

Nunes significa "filho de Nuno". Nuno é um nome de origem incerta, podendo vir do latim Nonnus ("monge, ancião") ou ter raiz pré-romana, de origem celta ou ibérica.

b) Origem:

Nome de origem ibérica, possivelmente de influência celta ou romana.

Associado a cristãos-velhos, mas também usado por famílias sefarditas como sobrenome após a conversão forçada.

c) Registros históricos:

Aparece em Portugal e Espanha já na Idade Média (séculos XI-XIII).

No Brasil, chega com os primeiros colonizadores portugueses no século XVI.


3. Oliveira


a) Significado:

Sobrenome toponímico derivado da árvore oliveira (Olea europaea), associada ao cultivo da azeitona e ao azeite, muito valorizados na cultura mediterrânea.

b) Origem:

Origem ibérica, possivelmente com forte influência romana, devido à importância da cultura da oliveira na Hispânia romana.

Frequentemente adotado por cristãos-novos judeus, pois evitava referências diretas à ancestralidade judaica.

c) Registros históricos:

Surge como sobrenome na Idade Média (século XII ou XIII).

No Brasil, foi levado pelos portugueses no século XVI.


4. Ribeiro


a) Significado:

Sobrenome toponímico derivado do latim rivarius, que significa "curso de água" ou "rio pequeno".

b) Origem:

De origem ibérica, com influência romana.

Presente entre cristãos-velhos, mas também foi adotado por cristãos-novos.

c) Registros históricos:

Registros na Península Ibérica desde a Baixa Idade Média (século XII).

No Brasil, o nome aparece com os portugueses no século XVI.


5. Santos


a) Significado:

Significa "dos santos" e era frequentemente usado em referência a pessoas nascidas no Dia de Todos os Santos (1º de novembro) ou adotado por cristãos-novos para evitar referências judaicas.

b) Origem:

De origem ibérica, fortemente ligada à tradição cristã.

Nome comum entre cristãos-velhos e adotado por conversos.

c) Registros históricos:

Registros desde a Idade Média (século XIII).

Tornou-se um dos sobrenomes mais comuns no Brasil desde o século XVI.


Conclusão:


Esses sobrenomes têm origens variadas, mas todos eram comuns na Península Ibérica desde a Idade Média. Alguns foram originalmente cristãos-velhos, enquanto outros foram adotados por cristãos-novos para disfarçar sua origem judaica. No Brasil, sua disseminação começou no século XVI com a colonização portuguesa.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros e Artigos sobre Onomástica e Sobrenomes Ibéricos

1. COELHO, José Pedro Machado. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 1989.

2. ALMEIDA, Manuel de Sousa. Genealogia e História de Portugal. Lisboa: Edições Colibri, 2002.

3. MATTOSO, José. Nomes e Família na Idade Média: Formação da Sociedade Medieval Portuguesa. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985.

4. MENDONÇA, Marcos de Castro. Sobrenomes Judeus em Portugal e no Brasil. Rio de Janeiro: Imago, 2001.

5. GONÇALVES, Iraci del Nero. Antroponímia e História Social. São Paulo: Hucitec, 1997.

Estudos sobre a Influência Judaica nos Sobrenomes Ibéricos

6. NOVINSKY, Anita. Cristãos-Novos na Bahia. São Paulo: Perspectiva, 2005.

7. SALGADO, Graça. Judeus e Cristãos-Novos na Bahia: 1624-1654. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

8. SARAIVA, António José. A Inquisição Portuguesa. Lisboa: Gradiva, 1985.

9. DUTRA, Francisca Nogueira. Os Judeus na Formação do Brasil. São Paulo: Editora da Unesp, 2009.

Referências sobre Herança Romana, Visigótica e Celta nos Sobrenomes

10. BARRETO, Alexandre. Os Povos da Hispânia: Celtas, Romanos e Visigodos. Coimbra: Minerva, 2003.

11. RODRÍGUEZ, Juan Gil. Los Visigodos y la Formación de España. Madrid: Alianza Editorial, 1992.

12. FERNÁNDEZ, Armando. A Influência Romana nos Nomes e Costumes da Península Ibérica. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2010.


Essas referências cobrem aspectos históricos, genealógicos e etimológicos dos sobrenomes citados, bem como sua relação com a história da Península Ibérica e a colonização do Brasil.