sexta-feira, 26 de julho de 2013

LANCHAS DO SÃO FRANCISCO




    A navegação no rio de unidade nacional é uma atividade bastante antiga, mesmo antes da construção da ponte em 1972. No meu tempo de criança, alcancei três grandes lanchas a motor, que fazia o trajeto do litoral ao sertão, pelo Baixo São Francisco; era a Tupã, Tupi e Tupigi. Quando elas passavam pela margem do rio, as crianças Kariri-Xocó, pegavam as ondas, feitas pela força dos motores, as embarcações tinham dois andares, mas a Tupã era a maior lancha em 1970. Logo após a construção da Ponte sobre o Rio São Francisco, começou as três grandes lanchas para de navegar neste trecho de Penedo a Pão-de-Açucar. As canoas do passado foram transformadas em lanchas motorizadas, para tentar competir com os automóveis que trafegavam a BR 101. Aqui em Porto Real do Colégio, várias lanchas foram construídas para esse fim; eram: As lanchas Cláudia, Jaspe, Rayane, Rosana, Princesa Rosa, Colegiense , Oriente. Em São Braz a Sãobraense,
Escurial tinha a Goiás e Goiana. Na Aldeia Kariri-Xocó tem a Nova Iraci Tononé e a Nordeste, do índio José Francisco tononé. Estas lanchas faz o transporte de passageiros de Porto Real do Colégio a cidade de Própria, com capacidade de 40 pessoas na lotação. A lancha Oriente fazia o trecho de Penedo ao sertão, era a maior lancha neste estilo, com capacidade para 80 passageiros. Referindo as lanchas dos índios servia para atravessar o Rio São Francisco até Própria, além de levar os indígenas para trabalharem no Projeto de Irrigação de Plantação de Arroz na Várzea de Própria e Cedro de São João. Este tipo de transporte substituiu as canoas, mas fica cada vez mais difícil competir com os carros da BR 101.  http://www.indiosonline.net/lanchas_do_sao_francisco/   .


Nhenety Kariri-Xocó. 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

MOBILIZADOS EM NOVOS TEMPOS



  O Povo brasileiro foram as ruas em suas cidades fazer manifestações por uma melhor atenção do governo dos principais problemas que aflinge a população, para os indígenas não foi diferente. Os Kariri-Xocó do município de Porto Real do Colégio-AL., fizeram uma manifestação pacífica temporariamente na BR 101, no dia 11 de Julho de 2013. Entre as reivindicações dos indígenas saúde de qualidade, educação, agricultura, a Terra Indígena Kariri-Xocó, DNIT . Ao longo nas rodovias em diversos pontos do estado de Alagoas teve vários movimentos, povos indígenas, sindicatos dos trabalhadores. Na manifestação teve faixas, cartazes com as propostas dos índios, dançaram o Toré como uma forma de protesto, por melhores condições de vida. A Comunidade Indígena compareceu em massa, homens, mulheres e crianças com mobilização de paz, atendendo a polícia, a segurança da estrada. Logo após passar a mensagem na BR 101 Terra Indígena , os Kariri-Xocó retornaram para a Aldeia, a estrada ficou bonita com nosso povo caminhando na terra dos antepassados, pintados, cantando e dançando. O Toré de encerramento fizeram uma grande roda com a participação de todos na dança, cantaram vários toantes para trazer boas novas. Falta muita coisa a ser feita na comunidade Kariri-Xocó, a rede de energia elétrica é muito antiga quebra constatemente, o Mine-Hospital construído na área indígena ainda não funciona, falta equipamentos, as estradas no perído das chuvas ficam intransitáveis, falta remédios, a escola indígena insuficiente para atender a demanda da população, alunos da aldeia estuda na cidade de Porto Real do Colégio. Os índios disse se as coisas não melhorar vão retornar a fazer suas mobilizações, não podem ficar assim desse jeito que estar.

Nhenety Kariri-Xocó

quinta-feira, 11 de julho de 2013

PLANTADORES DE ARROZ

  
Arroz de Sequeiro
A introdução da cultura do arroz no Baixo São Francisco, deve-se aos jesuítas,no século XVII. Os índios de Porto Real do Colégio, São Bráz, aprenderam a cultivar o arroz, principalmente as mulheres, plantavam nas lagoas : Grande, Comprida, Camurupim Grande e Várzea do Itiúba. No século XX, fazendeiros e proprietários das lagoas, terras inundáveis, do Baixo São Francisco, constroem suas fábricas de beneficiamento de arroz, nas principais cidades de Propriá -Sergipe , Porto Real do Colégio- Alagoas 1915. Em 1935 o Sr.,José Maria começou a construção da Fábrica de Beneficiamento de Arroz, na Rua dos Índios. Muitos indígenas trabalharam na fábrica, como estivadores, no transporte do arroz em sacos de 60 kg. Em 1975 chega em Porto Real do Colégio o Projeto de Irrigação do Itiúba. Foram cadastrados 300 parceleiros (pequenos proprietários) brancos e 40 indígenas. Os Kariri-Xocó foram muitos descriminados pela CODEVASF( Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco)por serem donos de lotes, deveriam ser mão-de-obra. Os parceleiros índios resolveram abandonar o projeto, ou vender seus lotes, a parti de 1986. Como mão-de-obra barata, os Kariri-Xocó, trabalharam no Projeto Itiúba em Colégio, no Projeto de Irrigação de Propriá em Sergipe, Betume e Igreja Nova, na plantação de arroz. Homens, mulheres e crianças, saíam da aldeia, para trabalhar em Sergipe,atravessando o Rio São Francisco em lanchas. Saiam de casa de madrugada, trabalhavam o dia inteiro, retornando á noite. A parti do ano 2000, a cultura do arroz, entrou em decadência na região, cedendo lugar a cana-de-açúcar. Os índios ficaram sem trabalho, sem lotes irrigados de plantação de arroz.


  http://www.indiosonline.net/plantadores_de_arroz/   .

Nhenety Kariri-Xocó.
 

DESMATAMENTO

Madeira retirada

Corte de Madeira na área do Cercado Grande
Área Devastada
  Esta história vem desde a colonização, quando começaram a derrubada da Mata Atlântica, com o corte do pau-brasil. Logo após veio a atividade canavieira, devastando as floresta da região para instalar os engenhos e plantio da cana-de-açúcar. Na época da República nos anos de 1960 em nossa região ao Sul de Alagoas, a Mata Atlântica foram quase devastada por completo, existindo algumas área verde, aqui e alí . A única floresta que dispomos na Terra Indígena Kariri-Xocó é a Mata do Ouricuri de aproximadamente 100 hectares. Esta unidade ambiental é bastante castigada por lenhadores, além dos caçadores. É triste registrar isso aqui, mas precissamos registrar esses fatos para ficar na história de nossos indígenas; dos construtores e destruidores do meio ambiente. A partir de 2010 uma parceria entre os Kariri-Xocó e UFAL Universidade Federal de Alagoas estamos reflorestando a Mata do Ouricuri, produzindo mudas para o plantio na recucuperação do meio ambiente. As sementes de angico, pau-dárco, caatingueira, barauna, ouricuri são coletadas na própria mata, assim o banco de sementes naturais do local adaptando mais rapidamente ao seu lugar de origem, aos poucos vai recuperando as áreas mais devastadas do ecossistema.

Nhenety Kariri-Xocó.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

RODA DA GIRÓ


Roda da Giró
  Os Kariri-Xocó conhece a cachaça de muitos anos, no passado fabricavam o cauím a base de mandioca fermentada. O termo “Roda de Giró”, é para designar uma rodada de cachaça, homens sentados em círculo tomando pinga. Não faz muito tempo a bebida era ussada nos mutirões de limpa da roça, tapamento da casa de taipa, festas coletivas, era produzida na forma natural, não fazia mal . A bebida indígena podia ser feito o vinho de genipapo, de cajú e principalmente de mandioca. O problema foi quando o colonizador trouxe bebidas com produtos químicos nocivos as pessoas, a igreja tirou o índio de sua vida coletiva, proibiu o cauim, mas veio a bebida de engenho desconhecida do indígena. A cachaça a base de cana, industrializada, com produtos químicos, causam dependência, prejudicial a saúde. Muitos índios se tornaram alcoólatras,chegando falecerem com este problema de alcoolismo. Temos alguns índios com esse problemas, por levarem uma sem opção de trabalho,sem alternativa. Quando os desocupados se encontram em roda, dizem logo, vamos tomar uma pinga, compram cachaça conhecida pelos mais velhos por ” Giró “.  Tudo em excesso pode causar mal a saúde, no passado a bebidas naturais eram consumidas em função social de alguma tarefa cultural, na empleitada , casamentos, nascimentos . http://www.indiosonline.net/roda_da_giro/   .

Nhenety Kariri-Xocó.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

MUSICA E SERESTEIROS


Encontro da Velha e Novas Gerações da Seresta na Aldeia
  O conhecimento dos índios na arte dos civilizados vem do tempo da colonização,. iniciando com as músicas sacras, da igreja católica, rezas, hinos, incluindo as tradições européias. Como europeu vieram suas manifestações culturais, carnaval, festas populares. No século XX a Música Popular Brasileira, foi muito aceita pela população de modo geral, porque foi originada da fusão dos vários povos, na cultura e arte que formou nosso povo. Aqui na Aldeia Indígena de Porto Real do Colégio, a música dos civilizados o Chorinho e a Seresta já era cantada pelo índio Manoel de Queiroz nos anos de 1930, exímio violonista, tocava e cantava como ninguém.
Música Sertaneja também muito cantada
Nos anos de 1940 a 1950 com a nova geração de seresteiros: Cícero Santiago, Bonival, Zé Brinquinho, Andrelino e outros indígenas. Os cantores preferidos pelos seresteiros indígenas que ouviam pelo rádio , eram: Nelson Gonçalves, Luma de Oliveira, Orlando Dias, Ângela Maria, Altemar Dutra. Na geração de 1960 apareceram os seresteiros Ademir Cruz, juntamente com os rapazes da cidade Lú de Queiroz, Zezinho de Antônio Domingos, Roque, Zé Costa. A noite os seresteiros cantavam músicas como: Ronda, O Trem das 11 animava a madrugada. Nos anos de 1970 chegou nas paradas novos cantores brasileiros, Roberto Carlos, Baltasar, Fernando Mendes, Agnaldo Timóteo, todos esses artistas eram imitados pelos indígenas, em serestas e farras pelas ruas da aldeia. Aqueles indígenas com maior poder aquisitivo, comprava toca disco, com vários LPs. A Música Brega também fez parte do repertório local, ouvidos pela rádio e televisão: Bartô Galeno, Amado Batista, Carlos André, Carlos Alexandre, assistido no Programa do Chacrinha da Rede Globo. Curti muito nas duas  décadas 1970 e 1980, as musicas internaconais romanticas, discotecas da época, mas vou falar em outra matéria Em dias de São João de 1980 a 1990, os indígenas contratavam Trios de Forró Pé de Serra, de Zezinho Sanfoneiro, Zequinha e Piau. Com os comícios políticos vieram as Bandas de Forró Eletrônico, Milho Verde, Diamante, Indiamar. Hoje ainda cantam os jovens indígenas músicas Sertaneja, de Zezé de Camargo e Luciano, nas farras da aldeia. Compram DVDs e CDs de Leonardo, Banda Calypiso, Calcinha Preta, Bonde do Forró, Gaviões do Forró, Limão com Mel, Tropicália, Mastruz com Leite.    http://www.indiosonline.net/musica_e_seresteiros/     .

Nhenety Kariri-Xocó.

EPOCA DA PIRACEMA


Coroas de Areia no Rio São Francisco defronte a Aldeia
Amamos o Rio
As Curvas do Rio
Matas Ciliares ao longo das margens do rio
  O Rio São Francisco tem seu curso natural, enche, vasa, fauna, flora, afluentes, regulado pelo regime das chuvas. A partir de 15 de fevereiro os peixes sobem rio acima, é a época da piracema ( reprodução dos peixes), para desovar. Muitos peixes que reproduzem no Rio São Francisco são do mar. Os peixes do mar aqui encontrados, temos : a sardinha, tainha, curimã, bagre, corvina, robalo, cará-peba, pilombêta e outras mais.As espécies do rio são mandim, surubim, pacõmõ,crumatá, locró, tubí, sarapó, lambia, aragú, niquim, espora-pé, piaba, piranha, camurupim, pirambeba, jundiá etc. Neste período de reprodução, os peixes sobem em cardumes, chamadas pelos índios de manjuba, vai aos milhares, procurar seus locais de desova. Muitos pescadores pegavam muitos peixes, porque aos cardumes ficava mais fácil, mais agora é proibido pelo IBAMA, nós achamos certo, temos que preservar o meio ambiente. Mais aqui queremos lembrar que a época da piracema, significa muito para nós indígena, povos da cultura do rio, porque isso acontecia todos os anos, uma tradição ver-mos os peixes subir, era sinal de fartura. As lagoas do rio são criadouros naturais, os peixes entram e crescem, retornando ao rio no mês de junho, época da enxurrada de inverno. Assim o rio regulava a vida em todo Vale do São Francisco, enchente e vazante, era a ordem natural, harmonizando todo o ecossistema.   http://www.indiosonline.net/epoca_da_piracema/   .

Nhenety Kariri-Xocó.