domingo, 9 de março de 2025

INFLUENCIADO PELO CAYAPÓ DO SUL (2 PALAVRAS)


aspikia ‘mulher’: Mais uma palavra que sofreu fusão, nesse caso, parece que os falantes confudiram pikwa ‘mulher’, um cognato do Xavante pi’õ (< *pikõ) com um cognato do Cayapó do Sul insipiá ‘mulher’, gerando as formas aspikiá e spikwais (-is ‘plural’ provavelmente do português), demonstrando a característica mista da língua Terejê.


pikwa ‘homem’: Essa forma provavelmente surgiu por processos similares ao de cima, a palavra Cayapó do Sul para ‘homem’ é impuaria ou puara, cujo nesse caso sofreu influências fonéticas de pikwa ‘mulher’.



Autor da matéria: Ari Llusan Kariri-Xocó 



GRUPO CAYAPÓ DO SUL (8 PALAVRAS)


Do grupo Cayapó do Sul, temos poucas palavras, em comparação à presença significante de aspectos gramaticais desse grupo:


ati’a ‘fogo’: essa palavra, já em sua forma documentada, é mista, pois utiliza de um prefixo que não existe nas línguas do grupo do Panará, que é o prefixo a- ‘argumento genérico’, sendo este do Jê Setentrional. A palavra, no entanto, parece ter entrado na língua sem a remoção do prefixo de terceira pessoa ti-, que marca que esse lexema é um verbo (cf.: Cayapó do Sul: tikaa ‘queimar’), ou talvez, tal fosse a forma de nominalização de verbos nessa língua mista. Palavra de aspecto misto.


ke ‘tu’ (Xk) e ka ‘tu’ (Wk): Esse é o pronome de segunda pessoa do singular ergativa, surge nas frases ketalike ‘deixe-nos ir’ e kalicê bêlêtsiê báskíô ‘fale comigo’.


ta ‘2/3.IRR’ (Xk): Surge na frase ketalike, significa ‘tu/ele(a)’ na forma irrealis (futuro, imperativo).


li ‘1.ABS’ (Xk e Wk): surge nas duas frases supracitadas, significa ‘para mim’ no singular e ‘para nós’ no plural.


ke ‘ir’ (Xk): surge em ketalike, cognato do Panará kwy ‘ir’.


kinfa ‘pequeno’: A palavra é cognata do Cayapó do Sul kit ‘pobre’ e pan ‘pequeno’, demonstrando que a língua Xokó preservava suas codas por meio de extensão delas, às vezes também perdendo-a completamente, o mesmo sistema fonético do Akuwẽ.




Autor da matéria: Ari Llusan Kariri-Xocó 



FINALMENTE DESVENDADA, A ÚLTIMA PALAVRA QUE FALTAVA DO WAKONÃ



Dehaivê-pa demonstrou grande dificuldade, mas hoje volto a esse tópico com uma nova perspectiva, que reforça os argumentos que fiz antes: a gramática *principal* das línguas Terejê é uma polissintética de derivação do Kayapó do Sul, essa palavra vem para confirmar novamente essa teoria


A palavra dêhai-vê-pa significa 'bom dia' e 'como vai', ou mais precisamente, 'bom-bom-bom', três sinônimos para bom, comparem a palavra marcada no Cayapó do Sul da imagem


t(e)ma-mpé > dêhai-vê


O último -pa sendo a terceira palavra para bom, surgindo na palavra marcada de azul: mparé, assim temos


dehai ve pa

bom bom bom 

'bom dia, como vai'


Mais uma vez, o Cayapó do Sul demonstra ter tido, ao lado do Akuwẽ, Jê Setentrional e o Arawak, grande influência nas línguas Xokó, Natú e Wakonã.






Autor da matéria: Ari Llusan 

sábado, 8 de março de 2025

A PALAVRA KAPOER PARA LUZ DO XOKÓ DERIVA DA PALAVRA 'SOL' NO ARAWAK


A palavra para 'luz' do Xokó é kapoer, ela é Arawak, e deriva da palavra para 'sol', comparem o resultado do Wirina (circulado) na imagem:


Wirina: kamoe vs Xokó: kapoer


Mas não digo que essa palavra é do Wirina, notem que temos um -r final aqui, isso indica que o -(r)i da reconstrução (circulado em azul) foi preservado como uma coda, ao invés de ficar na sua posição original. Mantenho minha convicção da interação entre os ramos do Alto Orinoco (Baniwa de Maroa, Yavitero e Maipure, circulados de verde na imagem) e o ramo Boliviano (Ignaciano, Trinitario e Baure), aqui comparo:


Yavitero kamʊ́l̥i 'sol' vs Xokó kapoer 'luz'





Autor da matéria: Ari Llusan Kariri-Xocó 



USO DO XOKÓ E NATÚ NO SUFIXO TEMÁTICO '-KA' COM O TARAIRIÚ


Aliás, detalhe que esqueci de citar, esse daqui confirma que o Xokó e o Natú compartilham do uso do sufixo temático -ka com o Tarairiú (-go), Puri-Coroado (-ká), Fulni-ô (-ka, -kya), Tuxá (-kê) e possivelmente o Kariri -ho (< *-go < *-ko). Isso é aspecto importante da gramática, pois é através desse sufixo temática que a voz ativa é feita, assim:


wa-k-atu 'nosso sopro'


porém


k-atu-ka 'ação ativa de sopro' > 'soprar, assoprar' (basicamente cria um verbo, falando de forma mais simples)


assim sendo diferente do primeiro, pois agora é uma ação:


wa-k-atu-ka 'nós sopramos' (verbo, ação) vs wa-k-atu 'nosso sopro' (possessivo, pertencimento).






Autor da matéria: Ari Llusan 



A PALAVRA PARA ALDEIA DO KARIRI-XOCÓ NO NOME DA CIDADE DE PORTO REAL DO COLÉGIO



Corrigindo uma etimologia antiga, com as novas descobertas feitas, creio ter finalmente desvendado o significado da palavra simido, o nome da cidade de Porto Real do Colégio.


Eu já havia especulado na época das minhas primeiras teorias que o nome da cidade era 'aldeia', mas corrijo a teoria que fiz antes, visto que estou notando uma relação Arawak-Terejê.


Aqui na imagem temos o Ignaciano, que possui duas palavras que vou usar para esse exemplo: si- 'muito' e pena 'casa', cujo creio serem os ancestrais de si- e mido, através de:


si-pena > si-mena (nasalização de p > m) > si-meⁿda (desnasalização de n > nd) > si-miⁿdo (câmbio das vogais) > si-mido (término da desnasalização do antigo -n- para -d-).






Autor da matéria: Ari Llusan 


A PALAVRA MANTEM DO KIPEÁ BATE COM O MONTEREJÊ


As frases do Kipeá dos Kiriri, essas primeiras frases parecem ser de uma língua Jê de um povo que está junto aos Kiriri de Mirandela.

- Makumir kukren!

( Vamos comer! )


A palavra mantem na frase bate com o nome Monterejê, como verbo môtê(r) 'ir, sair'

- War mantém!

( Vou embora! )


Aqui tem um cognato do Wakonã haj, hej 'bom', comparem:


*pej*-kã 'bom' vs *hej*-póra 'bom'.






Autor da matéria: Ari Llusan