quinta-feira, 22 de maio de 2025

COMO ATLAS SUSTENTA OS CÉUS






Uma Leitura Simbólica do Mito


 


Resumo



O presente artigo propõe uma reflexão simbólica sobre o mito grego de Atlas, condenado a sustentar os céus sobre os ombros como punição após a Titanomaquia. A partir de uma análise interpretativa, busca-se compreender o significado desta narrativa além de sua literalidade, considerando sua dimensão simbólica, artística e filosófica. Para tanto, são mobilizados aportes teóricos de Jean-Pierre Vernant, Joseph Campbell e Mircea Eliade, entre outros estudiosos da mitologia e do imaginário cultural. Ao final, considera-se como o mito permanece atual como metáfora do esforço humano diante do cosmos e da própria existência.


Palavras-chave: Atlas; Mitologia Grega; Simbolismo; Titanomaquia; Cultura.



Introdução



A mitologia grega é repleta de narrativas que transcendem o tempo e continuam a influenciar o pensamento humano. Entre essas histórias, destaca-se a figura de Atlas, o titã condenado a carregar os céus sobre os ombros após a derrota dos Titãs frente aos deuses olímpicos, liderados por Zeus. Como compreender, nos dias atuais, essa imagem tão poderosa? O presente artigo busca explorar a dimensão simbólica do mito de Atlas, analisando seu significado no contexto da cultura grega antiga e suas possíveis interpretações contemporâneas. Fundamenta-se a reflexão em importantes estudiosos da mitologia, bem como em elementos artísticos e filosóficos que ajudam a compreender a universalidade e a perenidade desse símbolo.



Desenvolvimento



1. O mito de Atlas na tradição grega


Na mitologia clássica, Atlas é um dos Titãs, filhos de Urano (o Céu) e Gaia (a Terra). Segundo Hesíodo, após a derrota dos Titãs na Titanomaquia, Atlas foi punido por Zeus a sustentar a abóbada celeste nos limites do mundo, na região do Ocidente extremo (HESÍODO, 2013). Essa tarefa simboliza não apenas o castigo pela rebelião, mas também a separação definitiva entre Céu e Terra.


Jean-Pierre Vernant (2001) destaca que os mitos gregos devem ser compreendidos em seu contexto cultural e simbólico, mais do que como relatos literais de fatos. Assim, a figura de Atlas pode ser interpretada como uma personificação dos limites humanos frente ao cosmos, representando o esforço contínuo de sustentar uma ordem frente ao caos primordial.



2. A dimensão simbólica do gesto de sustentar os céus



A imagem de Atlas com os braços erguidos, sustentando os céus, ultrapassa sua literalidade e se insere naquilo que Mircea Eliade (2010) denomina de “símbolo do eixo do mundo”, ou axis mundi. Esse gesto pode ser visto como a manutenção da ligação entre o céu e a terra, representando o papel do ser humano ou da divindade como sustentáculo da ordem cósmica.


Do ponto de vista simbólico, como destacado na reflexão inicial, o ato de levantar os braços em direção ao céu é, por si só, um gesto que evoca esforço, resistência e transcendência. Mesmo sem carregar fisicamente o peso do cosmos, o homem que ergue os braços em direção ao alto assume a postura simbólica daquele que suporta a vastidão do universo. Como Joseph Campbell (1990) propõe, os mitos oferecem modelos de comportamento e imagens que ajudam o ser humano a situar-se diante dos mistérios do mundo e da vida.



3. Atlas como metáfora da condição humana



A representação artística de Atlas é recorrente na tradição ocidental, figurando em esculturas, pinturas e outras expressões culturais. Além de seu sentido mitológico, a imagem tornou-se uma metáfora da condição humana: a ideia de suportar o peso do mundo, enfrentar desafios e limitações.


O mito de Atlas sugere que qualquer pessoa pode, simbolicamente, “sustentar os céus”, ao enfrentar as dificuldades cotidianas e os desafios existenciais. A cultura grega, conforme Vernant (2001), é mestra na arte de criar representações simbólicas através das quais a humanidade compreende a si mesma. A dramaturgia grega antiga fazia dos deuses personagens humanos, revelando o poder da narrativa como meio de elaborar e transmitir valores e concepções de mundo.


Por outro lado, a interpretação simbólica do mito evidencia como a cultura é um fenômeno dinâmico. Como ressalta Clifford Geertz (2008), a cultura não é estática, mas sujeita a constantes atualizações e resignificações. Assim, o mito de Atlas pode adquirir novos sentidos conforme os contextos históricos e culturais em que é reinterpretado.



Considerações Finais



A análise do mito de Atlas revela a riqueza simbólica e filosófica das narrativas mitológicas gregas. Longe de ser apenas um relato sobre um titã castigado, a história de Atlas nos convida a refletir sobre a condição humana, a relação com o cosmos e a necessidade de encontrar sentido na vida por meio das representações culturais.


A partir da articulação entre a interpretação simbólica proposta e os referenciais teóricos da mitologia comparada, conclui-se que a imagem de Atlas continua a exercer fascínio, sendo uma metáfora poderosa da resistência, da força e da responsabilidade humana perante o mundo. O mito, assim como a cultura, permanece em constante transformação, possibilitando novas leituras e atualizações a cada geração.



Referências Bibliográficas



CAMPBELL, Joseph. O poder do mito. São Paulo: Palas Athena, 1990.


ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 2010.


GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.


HESÍODO. Teogonia. Trad. Mário da Gama Kury. São Paulo: Editora 34, 2013.


VERNANT, Jean-Pierre. Mito e pensamento entre os gregos: estudos de psicologia histórica. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 22 de maio de 2025 e a capa do artigo na mesma data.



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