sexta-feira, 23 de maio de 2025

POVO CERAMISTA DE ANANATUBA







Cultura, Território e Legado Arqueológico na Amazônia




Resumo




O presente artigo aborda a cultura arqueológica dos ceramistas de Ananatuba, considerada uma das mais antigas tradições ceramistas da Amazônia. O estudo enfoca aspectos como o período de existência, práticas culturais e agrícolas, características da cerâmica, tronco linguístico, processo de decadência e influências sobre outras culturas amazônicas. Destaca-se sua inserção na tradição ceramista da fase pré-policroma amazônica, bem como sua importância para a compreensão da ocupação humana antiga na região.


Palavras-chave: Ananatuba; Cultura Amazônica; Cerâmica; Pré-história; Arqueologia.



Introdução



A cultura ceramista de Ananatuba representa um dos mais importantes marcos da arqueologia amazônica, sendo uma das primeiras manifestações humanas associadas à produção de cerâmica na região. Identificada principalmente no sítio de Ananatuba, na Ilha de Marajó, no atual estado do Pará, Brasil, essa tradição cultural remonta a um período que antecede a era cristã, situando-se entre aproximadamente 1.000 a.C. e 200 d.C. O estudo desta cultura fornece subsídios para compreender a evolução das sociedades amazônicas, especialmente em relação à produção cerâmica, práticas agrícolas e organização social.



Desenvolvimento



1. Localização e período de existência



O Povo Ceramista de Ananatuba habitou a região da Ilha de Marajó, especificamente na localidade que hoje corresponde ao município de Salvaterra, no estado do Pará. Sua ocupação se deu entre aproximadamente 1.000 a.C. e 200 d.C., sendo uma das mais antigas evidências de populações sedentárias na Amazônia que desenvolveram técnicas ceramistas sofisticadas.



2. Cultura e práticas agrícolas



A sociedade de Ananatuba era caracterizada por grupos sedentários que exploravam intensamente os recursos fluviais e terrestres da várzea amazônica. Praticavam agricultura de mandioca (Manihot esculenta), cultivavam tubérculos e plantas nativas e mantinham atividades de coleta, caça e pesca, especialmente de peixes e moluscos. A gestão dos recursos naturais e a construção de montículos artificiais (tesos) demonstram um elevado grau de adaptação ao ambiente alagadiço.



3. A cerâmica de Ananatuba



A cultura de Ananatuba é conhecida por sua cerâmica rudimentar em comparação com fases posteriores, como a Marajoara, mas já apresentava elementos importantes de inovação tecnológica. As peças eram predominantemente utilitárias, com formas simples e decoradas com incisões e pinturas geométricas monocromáticas, utilizando pigmentos minerais. Sua produção se enquadra na chamada fase formativa da cerâmica amazônica, sendo anterior ao apogeu das culturas policromas, como a Marajoara e a Tapajônica.


Em termos estilísticos, a cerâmica de Ananatuba é considerada uma tradição de cerâmica incisa e monocroma, marcando a transição entre as primeiras experiências ceramistas da região e as sofisticadas tradições policromas que se desenvolveriam posteriormente, a partir de cerca de 400 d.C.



4. Tronco linguístico



Embora não existam registros diretos sobre a língua falada pelos povos de Ananatuba, evidências arqueológicas e etno-históricas sugerem uma relação com povos pertencentes ao tronco linguístico Tupí. Hipóteses apontam que ancestrais dos atuais grupos Tupí e Aruák possam ter compartilhado ou herdado práticas culturais semelhantes, como a cerâmica e a agricultura.



5. Decadência e transição cultural



A decadência da cultura de Ananatuba ocorreu gradativamente, sendo sucedida por outras tradições ceramistas mais complexas, como a Fase Mangueiras e, posteriormente, a Fase Marajoara, que floresceu entre 400 e 1.300 d.C. A mudança pode ser atribuída a transformações ambientais, pressões demográficas e trocas culturais com outros grupos amazônicos.



6. Contribuições para outras culturas amazônicas



A cultura ceramista de Ananatuba desempenhou um papel fundamental como precursora no desenvolvimento das tradições ceramistas amazônicas. Sua experiência em modelagem de argila, técnicas de queima e motivos decorativos influenciou diretamente as culturas que se seguiram, especialmente a Marajoara, notável pela exuberância de sua cerâmica policroma e antropomorfa. Além disso, o modelo de adaptação ao ambiente de várzea foi replicado por diversos grupos amazônicos ao longo dos séculos.



Considerações finais



A cultura ceramista de Ananatuba constitui um dos principais testemunhos da complexidade e antiguidade das ocupações humanas na Amazônia. Sua cerâmica simples, porém tecnicamente elaborada para a época, estabeleceu as bases para o florescimento de culturas mais sofisticadas, como a Marajoara. O legado de Ananatuba transcende o âmbito arqueológico, pois revela importantes aspectos das interações humanas com o ambiente amazônico e da construção de identidades culturais na pré-história sul-americana.




Referências bibliográficas




MEGGERS, Betty J.; EVANS, Clifford. Arqueologia amazônica. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 1977.


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SCHMIDT, Mario C. Pré-história do Brasil. 5. ed. São Paulo: Atual, 2008.


HECKENBERGER, Michael J. The Ecology of Power: Culture, Place and Personhood in the Southern Amazon, AD 1000–2000. New York: Routledge, 2005.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 23 de maio de 2025 e a capa na mesma data. 




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