A Fábula da Jaguatirica e o Tetéu
Nas margens de um lago, em dia de calor, a Jaguatirica caminhava em silêncio. Seus olhos brilhavam atentos, pois avistara uma manada de veados. Preparava-se para o salto certeiro, quando, de repente, um grito ecoou pelo campo:
— Tetéééu! Tetéééu!
Era o Tetéu, o espanta-boiada, que voava baixo e alvoroçado. Ao ouvir o alarme, os veados dispararam em corrida, salvando-se do ataque.
A Jaguatirica, contrariada, rosnou:
— Por que fez isso, Tetéu? Estava com fome e espantaste a minha caça!
O pequeno vigia respondeu com firmeza:
— Não esqueças, amiga, que sou o guardião da Caipora. Cabe a mim avisar quando um predador quer caçar sem sua permissão. A floresta tem suas leis, e até mesmo os fortes precisam respeitar.
A Jaguatirica refletiu e, com humildade, disse:
— Tens razão, Tetéu. Da próxima vez, pedirei à Caipora, por meio de ti, a licença para caçar.
Assim, felino e ave fizeram um acordo. E desde aquele dia, sempre que a Jaguatirica rondava o campo, lembrava-se que, acima da força, existe o respeito que mantém a harmonia entre todos os seres.
Moral da Fábula
Mesmo os mais poderosos precisam aprender que a natureza vive em equilíbrio, e só há verdadeira força quando existe respeito e convivência.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
JAGUATIRICA E O TETÉU
( Versão Cordel Sextilhas )
Na beira de um lindo lago
Caçava a onça ligeira,
Jaguatirica astuciosa,
Predadora verdadeira.
Avistou veados soltos
Correndo pela clareira.
Mas o Tetéu vigilante,
Ave de grande respeito,
Vendo a cena se aproximar
Deu o seu grito perfeito:
“Tetééu, Tetééu, cuidado!
Fujam, irmãos, sem receio!”
Os veados escaparam
Da garra que os perseguia,
E a onça zangada então
Para a ave respondia:
“Por que gritas, Tetéuzinho,
E espantas minha alegria?”
Disse o Tetéu com firmeza:
“Sou guardião da Caipora,
Aviso os bichos da mata
Quando a ameaça aflora.
Quem deseja aqui caçar
Deve pedir antes, e agora.”
A onça então se calou,
Reconheceu a verdade,
Prometeu ser mais justa
Com respeito e lealdade:
“Na próxima vez pedirei
À Caipora a liberdade.”
Assim ficou estabelecido
Na lei da mata sagrada:
Mesmo o forte precisa ouvir
A palavra respeitada.
Só há harmonia na vida
Com parceria firmada.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó

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