sexta-feira, 5 de setembro de 2025

JAGUATIRICA E O TETÉU






A Fábula da Jaguatirica e o Tetéu 


Nas margens de um lago, em dia de calor, a Jaguatirica caminhava em silêncio. Seus olhos brilhavam atentos, pois avistara uma manada de veados. Preparava-se para o salto certeiro, quando, de repente, um grito ecoou pelo campo:


— Tetéééu! Tetéééu!


Era o Tetéu, o espanta-boiada, que voava baixo e alvoroçado. Ao ouvir o alarme, os veados dispararam em corrida, salvando-se do ataque.


A Jaguatirica, contrariada, rosnou:

— Por que fez isso, Tetéu? Estava com fome e espantaste a minha caça!


O pequeno vigia respondeu com firmeza:

— Não esqueças, amiga, que sou o guardião da Caipora. Cabe a mim avisar quando um predador quer caçar sem sua permissão. A floresta tem suas leis, e até mesmo os fortes precisam respeitar.


A Jaguatirica refletiu e, com humildade, disse:

— Tens razão, Tetéu. Da próxima vez, pedirei à Caipora, por meio de ti, a licença para caçar.


Assim, felino e ave fizeram um acordo. E desde aquele dia, sempre que a Jaguatirica rondava o campo, lembrava-se que, acima da força, existe o respeito que mantém a harmonia entre todos os seres.


Moral da Fábula


Mesmo os mais poderosos precisam aprender que a natureza vive em equilíbrio, e só há verdadeira força quando existe respeito e convivência.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó 



JAGUATIRICA E O TETÉU

( Versão Cordel Sextilhas  )


Na beira de um lindo lago

Caçava a onça ligeira,

Jaguatirica astuciosa,

Predadora verdadeira.

Avistou veados soltos

Correndo pela clareira.


Mas o Tetéu vigilante,

Ave de grande respeito,

Vendo a cena se aproximar

Deu o seu grito perfeito:

“Tetééu, Tetééu, cuidado!

Fujam, irmãos, sem receio!”


Os veados escaparam

Da garra que os perseguia,

E a onça zangada então

Para a ave respondia:

“Por que gritas, Tetéuzinho,

E espantas minha alegria?”


Disse o Tetéu com firmeza:

“Sou guardião da Caipora,

Aviso os bichos da mata

Quando a ameaça aflora.

Quem deseja aqui caçar

Deve pedir antes, e agora.”


A onça então se calou,

Reconheceu a verdade,

Prometeu ser mais justa

Com respeito e lealdade:

“Na próxima vez pedirei

À Caipora a liberdade.”


Assim ficou estabelecido

Na lei da mata sagrada:

Mesmo o forte precisa ouvir

A palavra respeitada.

Só há harmonia na vida

Com parceria firmada.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó 





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