domingo, 7 de setembro de 2025

TANHYRA TÎBÍRA E A SAÚVA, Os Comedores de Folhas






A Fábula do Gafanhoto e a Saúva


No coração do sertão, sob a sombra amarela de um ipê florido, viviam muitos seres em busca de alimento.


Um bando de Tanhyra Tîbíra, os gafanhotos-soldados, pousou nos galhos verdes e começou a devorar as folhas tenras. Saltavam de um lado a outro, armados de mandíbulas, como pequenos guerreiros do mato.


De repente, um exército de Saúvas, as temidas içás cortadeiras, começou a subir pelo tronco, organizadas em fileiras apressadas. Logo surgiu a disputa:


— Essas folhas são nossas! — gritaram os Tanhyra Tîbíra. — Chegamos primeiro!


As Saúvas, firmes e trabalhadeiras, responderam:


— Ninguém é dono das árvores! A floresta é livre e quem trabalha merece colher!


A briga estava prestes a começar, quando apareceu o Sagui-de-tufos-brancos, esperto e ligeiro, saltando de galho em galho. Com olhar vivo e voz firme, ele declarou:


— Escutem, amigos! Vejo gafanhotos e formigas brigando por folhas, mas saibam que eu como tanto uns quanto outros. Se não houver acordo, talvez eu seja o único a me fartar.


Os insetos silenciaram. O sagui então completou:


— Vi que os Tanhyra Tîbíra chegaram primeiro ao ipê. É justo que fiquem aqui. As Saúvas, com sua força e união, podem encontrar outra árvore para cortar. Assim, cada qual terá seu sustento sem guerras.


As Saúvas, embora contrariadas, aceitaram a palavra do sagui. Os Tanhyra Tîbíra continuaram a refeição, e a paz voltou à floresta.


🌱 Moral da fábula:


Na natureza e na vida, cada um tem seu espaço. A sabedoria está em dividir, não em destruir.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




TANHYRA TÎBÍRA E A SAÚVA, Os Comedores de Folhas

( Versão Cordel Sextilhas  )



No sertão de luz amarela

No ipê todo em florado

Pousou bando de soldado

Tanhyra Tîbíra na vela

Comendo folha tão bela

No galho ensolarado.


Mas eis que a Saúva ligeira

Subiu no tronco apressada

Com a tropa organizada

Formiga forte e guerreira

Quis disputar a bandeira

Das folhas tão cobiçadas.


— “Chegamos primeiro ao chão!”

— disseram os gafanhotos.

“Estas folhas são os nossos

Tesouros desta estação.”

Mas a Saúva em união

Falou: “Nada é de poucos.”


Chegou o sagui ligeiro

De tufos brancos na testa

Saltando na grande festa

Disse: “Eu como os dois primeiro,

Formiga e gafanhote inteiro,

Se briga virar floresta!”


E com a voz bem madura

Falou do que tinha visto:

“Os soldados chegaram disto

Primeiros na rama pura.

Saúva busque outra altura,

Assim se cumpre o justo.”


A tropa então concordou,

O acordo foi selado.

Cada qual no seu lado

Em paz a vida ficou.

E o sertão todo ensinou:

Partilhar é o bom legado.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 






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