quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

YARA DZÚ (Toré na Lingua Kariri-Portugues )


Pedra onde a Mãe Dágua fica a noite
HIETÇÃ UBI WONHÉ
Eu ver cantar
YARA AIBY YE DZÚ
Mãe dágua de grande água
HIETÇÃ UBI WONHÉ
eu ver cantar
YARA AYBY YE DZÚ
Mãe dágua de grande água .


http://www.indiosonline.net/yara_dzu_decimo_setimo_canto_tore/



Nhenety Kariri-Xocó.

BY PÉ NHINHÓ ( Toré Kariri-Portugues )

Grupo Sabucá Toré Junino 2013

YÓ BY PÉ
Muitos pé pisar
ERÍ NHINHÓ
Meu ìndios
YÓ HEYÉ HEYÉ
muitas árvores grandes
YÓ HEYÉ HEYÉ
muitas árvores grandes.
Nhenety Kariri-Xocó.

http://www.indiosonline.net/by_pe_nhinho_decimo_oitavo_canto_tore/

BROCAÁ (Toré na Língua Kariri-Portugues )


BROCAÁ C DZIDÉ
vem depressa nossa mãe e deles
BROCAÁ C DZIDÉ
vem depressa nossa mãe e deles
CUPADZUÁ DIMÉ
nosso senhor
CUPADZUÁ DIMÉ
nosso senhor
RIDZÁ IWICRIDÉ
palavras ditas
RIDZÁ IWICRIDÉ
palavras ditas
AÍ NHINHÓ MORÉ TERÓ
o índio aqui vem cá
AÍ NHINHÓ MORÉ TERÓ
o índio aqui vem cá .
Nhenety Kariri-Xocó.

http://www.indiosonline.net/brocaa_decimo_nono_canto_tore/

CAJU PI PIPINETÉ

Pé de Cajueiro

CAJU PI PIPINETÉ
CAJU PI PIPINETÉ
NICRIDÉ NÉ BOMODÉ
BOIWIRÓ PIPINETÉ
NICRIDÉ É MODÉ
Á RI HÓ EYA HI HÓ
A RI HÓ EYA YÃ A .



( Este Toré é na Lingua Kariri e algumas palavras Tupi, fala do Cajú pequenino muito azedo chamado  Cajuí, mas muito utilizado na culinária de nossos antepassados ).
Nhenety Kariri-Xocó.

http://www.indiosonline.net/caju_pi_pipinete/

ALDEIA EM RUA E CIDADE

Rua dos Índios vista do Alto
   
Mapa Rua dos Índios do Rio até a Fabrica de Arroz
Rua dos Índios da Fabrica de Arroz até o Alto esquina com a Rua Santa Cruz
  A política do Governo Imperial e da República, regularizando a situação de invasores do território indígena através da venda de lotes, porque suas áreas foram transformadas em terras públicas. Ordena que sejam demarcadas as terras devolutas com vista a formação de propriedades para exploração agrícola. A população indígena de Alagoas perde os direitos de donos do território. O processo de expropriação reduziu a população indígena á condição de vender sua força de trabalho aos proprietários da região. A exploração levou ao longo dos anos, a população indígena a se fixar numa rua da periferia da cidade de Porto Real do Colégio. Levando o peso da discriminação este espaço urbano ficou conhecido como “Rua dos Caboclos”, pela população da cidade. Anos depois o prefeito local deu nome de “Rua São Vicente”, nos registros oficiais. Após o reconhecimento da população indígena pelo S.P.I. a rua passou a ser chamada ” Rua dos Índios ” .No princípio da história indígena, as tribos viviam em aldeias tradicionais de forma circular, com um terreiro no centro, malocas coletivas que abrigavam centenas de famílias. Logo após a chegada dos portugueses as coisas mudaram, vieram os padres jesuítas e mudou toda a estrutura social e cultural. No lugar da aldeia circular os padres jesuítas juntamente com portugueses construíram ruas retas, lineares, no centro da aldeia edificaram uma capela rústica, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição. As famílias de portugueses afastou os indígenas do centro da aldeia para a periferia. A aglomeração urbana passou a chamar-se povoação, porque era assim o modelo trazido da Europa. A capela foi transformada em igreja símbolo da nova religião, no lugar do pajé chefe espiritual indígena foi colocado o padre sacerdote cristão. Para substituir o cacique chefe político tradicional foi colocado o Capitão-Mor autoridade militar do Império, agora presente na tribo. Os nomes dos indígenas na língua materna, foi mudada para nomes portugueses, José, Maria, João e Pedro. Até o nome da aldeia Kariri foi mudado para Colégio. Na Província de Alagoas as aldeias indígena foram transformadas em vilas a parti de 1873 por ordem do Império do Brasil, dando origem as cidades. Aqui aconteceu em 7 de julho de 1876 criando a Vila de Porto Real do Colégio.

http://www.indiosonline.net/aldeia-em-rua-e-cidade/

Nhenety Kariri-Xocó.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

TORÉ KARIRI-XOCO Historia e Cultura





Toré faz unir as pessoas
Toré do Maruanda
Grupo Soyré
Grupo Dzubucuá
Grupo Sabucá Oparatinga


   
O que é o Tore?
“Os Kariri-Xocó é um Povo Indígena de Cultura Musical, tendo no Toré sua representatividade maior. O Toré é um conjunto de cantos e danças indígenas que expressa os acontecimentos históricos, culturais, apresentando em forma de arte os fenômenos naturais do universo tribal. O canto conectado com a dança, harmonizado no espírito coletivo, praticado na energia nativa, derrama o suor no chão; os movimentos dos braços trazem a chuva refrescante do Inverno. O instrumento musical maracá é tocado de acordo com os batimentos cardíacos do coração, respeitando e seguindo o ritmo da vida. Quem traz o maracá na mão, está com o Planeta Terra em miniatura, simbolizada no coité. Girar este instrumento na mão é movimentar o mundo, trazendo o dia, a noite, faz mudar as estações – Verão, Outono, Primavera e Inverno. Os círculos dos movimentos da dança representam a circunferência da Terra, do sol e da lua, a aldeia, a maloca, o círculo da vida”.

 Torés que falam de…CAJUPI PIPINETÉ – Este Toré fala de uma espécie de cajueiro nativo de frutos pequenos, muito azedos e nutritivos.
Y OU LÊ LÊ – Este expressa nosso desejo de que o Toré não acabe.
LÊRÊ LARÁ – Gostamos de cantar com energia e com o sentimento sincero para com nossas tradições.
CANTANDO MEU TORÉ – Este expressa o amor e o cuidado que os indígenas têm pelo seu Toré.
MARUANDA – Era um índio Kariri-Xocó que viveu no século XVI, no tempo dos jesuítas. A Igreja proibia os cantos indígenas. Os índios cantavam o Toré de forma oculta, para não serem punidos pela Igreja, Maruanda sempre era o vigilante pela parte indígena. Um dia, ele dormiu debaixo de um pé de juazeiro e os jesuítas pegaram os indígenas cantando e os castigaram. Este Toré nos ensina a estarmos sempre atentos e vigilantes.
JURUMBÁ – Cantamos com força na voz, pisando na terra pela união; de mãos dadas buscando a harmonia que vem quando nos conectamos com a natureza.
HYÁ HÉ – Os mais velhos cantam primeiro porque foram eles que seguraram a tradição do Toré, depois vem os adultos, depois os jovens e os meninos – o futuro da tribo.
JUÁ ERÃ – É uma homenagem à árvore do Juazeiro. Ela é essencial para a manutenção das nascentes dos rios. Desde a invasão portuguesa até hoje estão se cortando muitas árvores e os rios secando. Esta canção é um lembrete ecológico.
DONDONZINHA – No Brasil colonial, muitas tribos fugiram do litoral para o sertão para escapar dos bandeirantes e senhores de engenho. Um dia chegou na tribo Kariri-Xocó uma indiazinha sobrevivente de um massacre, os índios perguntaram de onde ela vinha, ela disse que morava na beira do mar.
SEREIA DO MAR – Os índios Kariri-Xocó costumavam descer ao mar pelo Rio São Francisco, em tempo de seca e escassez de alimento, nessas andanças eles ouviam os cantos da “Mãe D’Água”, que os brancos chamavam de Sereia, assim os índios acharam bonito o nome da Sereia e cantaram.
URUBU SIRIRITÉ – É uma homenagem a essa ave escura que é o faxineiro do mundo.
PASSARINHO TÁ – Os pássaros cantam e dançam em cima das árvores. São eles os semeadores das florestas. Os pássaros comem os frutos e defecam as sementes das plantas por várias partes da mata, gerando novos vegetais. A fêmea chama o macho para dançar e juntos fazem a floresta.
REYA HE HEYA HÁ – Este Toré diz que todos são importantes no canto do Toré, da criança ao mais velho, da voz mais grave à mais aguda. É da união dos sons que se faz o Toré, é com participação coletiva.
A TRIBO KARIRI-XOCÓ – A religião do Ouricuri é muito importante para os Kariri-Xocó. No princípio da colonização foi muito combatida pela Igreja, mas resiste até hoje. Nós índios vamos para a floresta praticar nossa tradição.
PÉ DO JUREMA – O índio foi muito perseguido pela Igreja para deixar sua religião. Com muita pressão fizeram os indígenas conhecerem Jesus Cristo, mas debaixo do Pé de Jurema – árvore sagrada – eles cantam o Toré.
BOROY WYRÓ – Canto de despedida na língua Kariri.
VAMOS EMBORA – Canto de encerramento do Toré.
No Município de Porto Real do Colégio do estado de Alagoas existe uma área indígena demarcada que engloba  2.500 Kariri-Xocó, índios que preservam o Cantodo Toré. Os indígenas se reúnem e em círculos: cantam, dançam, curam sua matéria e seu espírito.
“To significa som e Ré significa sagrado; no Toré toda a nossa comunidade esta presente, toda a beleza da nossa diversidade unida, o jeito brincalhão das crianças, a alegria da mulher, o braço forte do agricultor, as pinturas corporais, os cocares com as penas que nosso caçadores caçavam, as maracás feitas pelos nossos artistas… O Toré fala dos fenômenos naturais, sociais, cultura e também de nossa historia.”

Nhenety Kariri-Xocó

URUCUM A ENERGIA

O urucum é uma planta arbustiva nativa do Brasil, conhecida pelos nossos indígenas a milênios, recebe o nome também de safrôa. A sua utilidade na cultura indígena, estar presentes na pintura corporal, artística e na culinária. Esta planta do urucum produz frutos em formas de cachos, com pequenas sementes vermelhas, quando sua poupa é esfregada em água, formando uma tinta cor avermelhada. Os indígenas pintam o corpo com urucum simbolizando a cor do “Pai Sol”, astro que emana energia para terra, onde sem seu calor a vida não existiria. Na culinária local o urucum também é conhecido por coloral, em forma moida, uma espécie de corante alimentício. Atualmente no Brasil contemporâneo esta fruta já estar sendo utilizada seu fruto como bronzeador, na proteção dos raios solares.Nhenety Kariri-Xocó.

http://www.indiosonline.net/urucum_a_energia/