segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

CAMINHO DO OURICURI

Entrada da Aldeia Kariri-Xocó
Estrada do Cercado Grande
Chegando no Mulunguzeiro
Passando pelas Cajazeiras
Descida da Ladeira
Entrada do Portão do Ouricuri
Vista da Aldeia, Colégio e Propriá



SAUDADES



ALDEIA OURICURI KARIRI-XOCÓ 1980-1995

Entrada Ouricuri 1981

Pajé Julio Suira e Pedro Giri
Visita de Clara Kariri-Xocó de Manaus-Am

Lado Leste do Ouricuri
Lado Sul
Lado Norte
Toré Comunitário
Visita da Familia de Jurandi Kariri-Xocó de Manaus

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

ALDEIA EM COSNTRUÇÃO




Maloca na Aldeia Kariri-Xocó
Conjunto de 18 casas de 1985
   No passado construir uma aldeia levava pouco tempo, com a mobilização de toda da comunidade o  grupo escolhia um local na Terra Indígena apropriado, na margem de um rio, mar, lagoa, serra que tivesse caça, peixe, solo bom para agricultura, argila para a ceramica, frutos e floresta. A matéria prima para a construção de uma maloca precisava de mão-de-obra, palha de palmeira ou sapé, tronco de árvore, vara e barro, e pronto estava ai os ingredientes de uma nova aldeia . Com a chegada do homem branco, derrubaram as florestas, tiraram nossa matéria prima, acabou as caças, os peixes, rios diminuiram suas águas. O civilizadores europeus ensinaram aos nossos antepassados a confeccção de telha de argila, tijolo para construção de cidades e povoados. Agora para construir uma aldeia temos que fazer um projeto,comprar telha, tijolo, madeira, ou até mesmo participar de algum projeto a fundo perdido. Aqui em Kariri-Xocó pelo costume quando duas pessoas se casam vai morar na casa do pai do noivo, que vai trabalhar para um dia ter sua própria casa, seja construida com seus próprios recursos, seja ou regime de mutirão pelo menos o rapaz arrume a comida para formar a comunidade no dia do Mutirão da Construção da Casa. Até 1967 as casas da aldeia eram de palha e taipa ( barro), depois vieram as casas de taipa e telha até 1971, a parti de 1972 a FUNAI fez um projeto ainda na Rua dos Índios e construii todas frentes das casas de tijolo, daí por diante os indígenas Kariri-Xocó passaram a construir suas casas de tijolo e telha. Embora que ainda tem índígena ou por falta de recursos cosntroem suas casas de taipa, ou até mesmo porque gostam de manter as tradições de fazer Tapamento de Casa de Taipa para manter nossos costumes em mutirão. Também com o programa de erradicação das casas de taipa pelos órgãos de saúde por causa da doença de chagas, as casas de taipa estão em declínio nas aldeias indígenas.
Conjunto de casas em 1992
Os Kariri-Xocó para construir as casas em 1982, participaram de um Projeto de construção de 110 casas. Cada família  recebeu da FUNAI  10 sacos de cimento, madeira, telha, os tijolos os indígenas fazia cada família 10.000 tijolos, recebiam a lenha vinda de fora e os próprios índios queimavam em fornos  ou  caieiras.   Em 1988 a população cresceu e feito outro projeto de 18 casas com o mesmo sistema empreendido. Os índios foram casando ai ficamos na mesma carencia de moradia, foi feito outro projeto em 1991 de um Conjunto de 45 casas. Com a decadencia da FUNAI construir casas em projeto ficou mais dificil. Agora estamos ouvindo rumores de um Programa de Habitação Minha Casa Minha Vida, vamos ver se acontece na aldeia para suprir as necessitades dos pais de famílias que não podem construir suas casas, entre nesse programa para realizar um sonho que antes do branco era uma realidade entre os indígenas ter seu lar. Nhenety Kariri-Xocó.























































quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ESCOLA INDÍGENA PAJÉ SUIRA



Escola atual na Aldeia Kariri-Xocó
   A criação do Posto Indígena Padre Alfredo Damaso pelo S.P.I. ( Serviço de Proteção aos Índios ), em 1944, melhorou as condições de vida dos Kariri-Xocó, tanto no ponto de vista agrário, educacional e jurídico, porque esta comunidade vivia espalhada na cidade de Porto Real do Colégio-AL, outros morando na Mata do Ouricurii por falta de espaço como moradia. O prédio da escola foi construído na Rua dos Índios neste mesmo período da criação do posto, mas enquanto na concluia a obra foi ussada como escola uma casa de taipa vizinha ao local. Os primeiros alunos da escola foi Paulo Nunes, Júlio Suíra, Maria do Carmo, Cícero, António Nunes, etc... grande quantidade de crianças meninos e meninas. Receberam fardamento, aprenderam a cantar o Hino do Brasil, a rezar, vacinação, o ensino era para integrar o índio a sociedade nacional. O professor foi o Sr. Wilson que ensinava tabuada, língua portuguesa, estudos sociais, história e geografia. Naquele tempo dizia Maria Véia : " nós apanhava de palmatória para aprender ", muitas crianças abondonava a sala de aula, preferiam trabalhar ajudando seus pais, na agricultura, as meninas ficava com as mães na ceramica que dava mais resultado. O que aprendiam reprimia o índio cada vez mais esquecer suas tradições. Os Kariri-Xocó utilizava mais o prédio da escola para  fazer suas atividades sócios culturais, casamentos, canto de toré a noite até amnhecer o dia, na época da colheita do milho em São João. Os índios da Colonia viam também nas festas dançar o Toré na escola, o Velho Zé de Ouro puxava o canto com Antonio Tinha e Mané Preto, os outros acompanhava, homens, mulheres e crianças. O  S.P.I. contratou  uma não índia Terezinha Wanderley da cidade de Porto Real do Colégio, como professora dos índios Kariri-Xocó, trabalhou na Rua dos Índios até a extinção do órgão de Serviço de Proteção ao Índio em 1967, onde foi aposentada tempo de trabalho. Em 1975 a escola passou a denominar Escola Sertanísta Gilberto Pinto Figueredo Costa, ja no tempo da FUNAI . Também lecionou nesta escola as professoras da cidade Dona Silva, Norma, Dona Fina, também foram contratadas depois destas as indígenas Marly Pimentel Fuln-o, Contunília Iracema de Mendonça proveniente de Xucuru-Kariri, Maria do Carmo de Rodelas, Maria Amélia Militão Fulni-o professora de Corte e Costura. As últimas professoras não índias da FUNAI  foi Dona Lurdes e Ivone todas da cidade. Com a mudança da Aldeia para a Sementeira, mesmo assim a Escola continuou na Rua dos Índios, porque todos os prédios da antiga fazenda  ocupada pelos índios estava sendo ussada como moradia pelas famílias. No período da professora Terezinha Wanderley tinha alfabetização ABC, catecismo, estudos sociais, matemática com tabuada, palmatória para os alunos que esquecia da lição, castigo com caroço de milho no joelho. A professora Dona Norma, lembro muito bem das cantigas de Ciranda e Cirandinha no recreio. A professora Dona Fina aprendemos muito sobre educação física. Contunília introduziu o Teatro, Quadrilha Junina, Jogo de Voley Bol, isso na década de 70. Os indígenas por si só faziam sua própria educação de seu jeito, com cantos, história na beira da fogueira que era acessa na frente do prédio, assando milho verde colhido da roça cantada nos multirões no meses anteriores. O tempo foi passando fomos abrindo os olhos que nem tudo que vinha de fora podia fazer bem a nós. Porque as coisas ia acontecendo sentimos na experiencia de vida dos efeitos dos ensinamentos da escola de branco. Até hoje é um grande desafio ter uma Educação Indígena, falta muita coisa, é necessário que nós mesmos busque o caminho, valorizando nossas histórias, algumas palavras da língua aqui e ali soltas na fauna, flora, acidentes geográficos, na culinária, costumes e tradições, buscando nosso referencial indígena com a étno-pedagogia. Todos nós morando as margens do Rio São Francisco nossos pais ensinavam a nadar, aprendemos os artifícios de pescar, brincadeiras de canoinhas e muito mais .Nhenety Kariri-Xocó.
































































































COLÔNIA INDÍGENA 1947-1989



Pajé Francisquinho e Dona Gercina na Colonia
Centro com Chafariz
Este local era uma área de 54 hectares de terras, cedida pelo Fomento Agrícola a comunidade indígena de Porto Real do Colégio, em 4 de agosto de 1947. Esta terra referida como Colônia está a três quilômetros do Rio São Francisco, longe da Rua dos Ìndios.
Nomes das Famílias que moravam na Colônia : Desenho Nhenety
O local ficou para uso da agricultura, muitos índios abondonaram a Rua dos Índios, mudando-se para a Colônia, cerca de vinte e cinco famílias, onde lá foram morar. A aglomeração maior de pessoas ficou morando ao redor da casa do Pajé Francisquinho, e as outras famílas construíram suas habitações em suas próprias roças, em regime de mutirão com cantos de rojão. Os índios que moravam na Colônia, se sentiam mais a vontade na vida indígena, porque estavam mais próximos do Ouricuri. Lá na Colônia tinha escola com 72 alunos, casa de farinha do Sr. João Sampaio, um chafariz de água encanada,e muitos pés de fruteiras. Antes da construção da escola existia no espaço um campo de futebol, que os indígenas jogavam, muitas vezes organizavam disputas esportivas com as equipes da Rua dos Índios com a Colonia . Em 1950 a área foi da Colônia foi cortada pela Estrada de Ferro, causando a morte de um índio finado Cadête, atropelado pelo trêm anos depois. A Colônia também era utilizada para a agricultura pelos indígena que moravam na Rua dos Índios, cada família tinha três tarefas de terra. Na roça tem área de plantio, casa de taipa, pequeno sítio, criação de animais domésticos. No mês de abril na época do plantio e no mês de junho tempo da colheita da safra de feijão e milho, os índios fazem mutirões com cantos de rojão para lambicar a terra, no batimento do feijão.
Pintura Colonia : Índio Kalunga
A Colônia foi abondonada pelos índios a parti de 1978, após retomada da Fazenda Modelo A Sementeira, mas ainda em 1989 moravam algumas famílas por amor ao lugar. Moravam muitas famílias na Colonia : Pajé Francisco Suira, Julio Suira, Odilon, Amarilio e Clara, Analbertino Pires, José Quirino, Candará, Selé, Geraldo, Manoel Preto Véio, Lorinda, Né, Morena, José de Morena, Tonho Neguinho, Pixaxo, Manarí . Este local era ponto de para dos Kariri-Xocó que moravam na Rua dos Índios quando se dirigiam para o ritual do Ouricuri para rever familiares que lá moravam. Ao longo da estrada moravam a família Caciano, Crizelina, Firmino Pires, João Sampaio, Anabertino Pires, Amarilho e Mari-Inha . Quem morava na Rua dos Índios tinha a Colonia como um lugar de refúgio para praticar as atividades agrícolas, em trabalhos coletivos, andar pelo campos caçando pequenas aves, na época do fachiamento da rolinha. Outras vezes muitos adultos saiam da Rua dos Índios para pescar na Vázea do Itiúba, passavam na Colonia que o caminho passava perto de lá, combinava com outros pais de famíla para pescar camarão, mandim com muita fartura. Os jovens também jogavam futebol, tinha até entre as equipes da Rua dos Índios e Colonia na disputa de partidas, era divertido.

Nhenety Kariri-Xocó.




































QUANDO OS XOCÓS CHEGARAM ?

A Tribo Kariri da Aldeia Urubu-Mirim( Porto Real do Colégio), mantia uma relação cultural, política com outros grupos indígenas do Baixo São Francisco. Entre os grupos que se relacionavam com os Kariris de Colégio, eram: os Karapotó da Aldeia Tinguí-Al, Pacatuba do Rio Poxim-Se, Carnijós de Águas Belas-Pe, os Xocós da Ilha de São Pedro-Se e os Pankararus-Pe.
Foto: Ronaldo Pereira, Kariri-Xocó 1970 na Rua dos Índios
No início do século XX os irmãos José Botó e Cícero Botó uma família de indígena de Porto Real do Colégio, saíram da aldeia e foram residir em Olho Dágua, município de Feira Grande, Alagoas e deram origem a etnia Tingui-Botó, atualmente é uma comunidade indígena com os mesmos valores culturais. Entre as famílias da etnia Xocó que vieram residir na Aldeia de Colégio foram: Os Maromba, Moyrá ( Pires), Aniceto, Tinga, Rusário, Santos, Souza, Serafim, Lotera (Soya), Binga, Cabrinha ( Ramos) e outras mais . Os troncos de clãs dos Xocós era João Maromba que deu origem a muitos filhos casados e que migraram para a Aldeia de Colégio-AL, José Maromba, Gregório Maromba, Pedro Maromba e Chiquinho Maromba. Do tronco dos Moyrá ( Pires) José Ribeiro Sabino Pires Pankararu-Pe que casou com Jetude Xocó, estes pai e mãe de Inocencio de Pires que gerou :  Rosa Pires, Joaquim Pires, Anabertino Pires e Ormina Pires, mas Inocencio ainda teve um filho com outra mulher Rosa de Souza Xocó mãe de Leopoldo. Vieram muitos  pais e mães de famílias com seus filhos : José Vitorino, Cabrinha, Luiz Binga, Vicente, Dunga, Manoel de Queiroz etc...

Cel. João Profírio
No século XIX a política indigenista do Império do Brasil, foi arrazadora para os povos indígenas, publicou a Lei das Terras em 1850, declarando como Domínio Público. Nesta fase foram extintos muitos aldeiamentos nas províncias de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e outras regiões do Império, por critérios raciais e discriminatórios, só para se aposarem dos territórios indígenas. Os Kariri de Colégio por manter relações com esses grupos indígenas ao longo de sua história, á eles era solidário, acolheu muitas tribos em sua tribo, casando uns com os outros fazendo parte de um único povo. É o caso dos Xocó da Ilha de São Pedro de Porto da Folha da Província de Sergipe, suas terras foram leiloadas e vendidas aos arrendatários do próprio território, por ordem do Império a parti de 1870. Liderados pelo Cacique Inocêncio Muirá, os Xocós lutaram bravamente para ficar na terra, mas os adversários eram poderosos coronéis da região do Sertão . O Cel. João Profírio , maior rendeiro do território indígena, após várias investidas, finalmente expulsa os Xocós da Ilha de São Pedro em 1882, ficando no local só família de Inocêncio Muirá e Manoel Lapada. Para saber a data que os Xocós chegou na aldeia de Colégio, certa vez conversando com a anciã Gercina Santos, ela me falou que Analbertino filho do Cacique Inocencio disse que em 1957 fazia 75 anos que os Xocós estava aqui em Porto real do Colégio .Os Xocós sairam de São Pedro em canoas, com seus pertences, foram buscar abrigo entre os Kariri de Colégio no lado da Província de Alagoas. Na grande mudança dos Xocós, alguns foram para Itabaiana, Carrapicho e Serra Negra em Sergipe, outros para Águas Belas-Pernambuco. Mais a maior parte dos Xocós ficaram mesmo em Porto Real do Colégio, na referida ” Rua dos Índios “. Com os casamentos inter-étnicos entre Kariri e Xocó, os indígenas de Porto Real do Colégio, formaram a Tribo Kariri-Xocó. Contam os mais velhos que havia grande rivalidade entre os dois grupos, mas com os cazamentos inter-étnicos as diferenças foram  sendo esquecidas. Os Xocós que vieram sempre falavam de sua Terra Tradicional na Caiçara e Ilha de São Pedro de Porto da Folha, Sergipe, mencionavam a vida do sertão, a igreja, o Ouricuri no alto da colina, as lagoas onde pescavam, das lutas contra os missionários para manter a tradição, da resistencia contra os fazendeiros da região, falavam das viagens do Cacique Inocencio Pires ao Rio de Janeiro no Século XIX para falar com o Imperador D. Pedro II.. Muitos dos Xocós que vieram morreram em Porto Real do Colégio, mas seus filhos e netos contaram as histórias de onde vieram, do sofrimento em deixar sua terra natal, mas ficaram ainda alguns Xocós na Ilha negando sua identidade por uma questão de sobrevivencia. Os Xocós que foram para a Aldeia de Colégio,  levaram segredos dos rituais da tribo, seria imposível praticar as tradições com tantas perseguições na época, então a saida foi ir embora para outra aldeia de nossos irmãos Kariri viajando em canoas navegando pelo Rio São Francisco.  Mas o que pude verificar conversando com alguns anciões como o Cacique Otávio Nidé 1908-1988 , informou que os Kariri e os Xocós antes de sua expulsão da Ilha de São Pedro estas duas tribos sempre se visitavam em rituais, na época do Ouricuri em Porto Real do Colégio, os Xocós  desciam o rio para participar da religião dos irmãos  Kariri , em época de Ouricuri em Xocó os Kariri subia o rio para participar das tradições um do outro. Nestas viagens de subida e descida de ambas as tribos antes da expulsão dos Xocós, tinha cazamentos étnicos entre os dois grupos  podemos constatar isso com Gregório Maromba Xocó era casado com a índia Kariri Severa avós do Pajé Francisco Suíra, outro cazamento inter-étnico é  de José Maromba Xocó com Martinha índia  Kariri avós de Dunga antigo pajé antes de Francisco Queiroz Suíra . Temos que registrar isso para os mais jovens saber de nossa história contada pelos mais velhos que conviveram nesta época, quem aprende repassa para os outros de nossa comunidade, para a tradição continuar .Nhenety Kariri-Xocó.

Nhenety Kariri-Xoco




http://www.indiosonline.org.br/novo/chegada_dos_xocos/