Desde o princípio, quando o céu ainda era um grande manto de algodão e a terra um ventre quente, os Kariri-Xocó conheciam o segredo: nossa Terra não é um pedaço quebrado, cercado por arames, mas IWODDATÍ — o Mundo Circular e Estelar.
Na aldeia, Jurema ouvia sempre seu avô, Pajé Kauã, contar:
— IWODDATÍ é onde a terra se encontra com o céu, com as serras, com o rio, a floresta, os bichos, as estrelas. Nosso território é o sol, a lua, as nuvens. É tudo o que precisamos para viver e para sermos quem somos.
Um dia, Jurema perguntou:
— Avô, onde termina nossa Terra?
O velho sorriu, os olhos brilhando como o reflexo da lua no rio:
— Olhe para o horizonte, minha neta. Vê onde o céu toca a serra? Lá está o fim e o começo. Mas, se você caminhar até lá, o horizonte andará mais adiante, e você verá que nossa Terra nunca acaba.
Jurema olhou, desconfiada:
— Nunca acaba?
— Nunca. Porque nossa Terra não é só o chão que pisamos. É o céu onde as estrelas dormem, a água que corre, o vento que dança, a árvore que canta.
Então Jurema subiu à serra mais alta. De lá, viu o rio abraçando a floresta, o vento costurando nuvens, a luz da manhã beijando as folhas. O céu imenso se curvava, como um círculo, protegendo tudo.
Naquele instante, entendeu: IWODDATÍ.
Desceu correndo até o avô:
— Agora eu sei! Nosso território é redondo, é o Mundo Circular e Estelar!
Pajé Kauã sorriu e completou:
— E assim é para todos os povos da Terra. Cada povo tem o seu IWODDATÍ, seu horizonte circular onde vive, canta, celebra, luta e sonha. Nenhum território é quadrado ou fechado; todos são círculos que acolhem a vida.
Jurema então passou a ensinar às crianças da aldeia:
— Nunca deixem que digam que nossa Terra é só um pedaço de chão. Nossa Terra é o mundo inteiro que respira com a gente.
E, todas as noites, ao olhar para o céu cheio de estrelas, Jurema sorria, lembrando: IWODDATÍ está em toda parte, onde a vida e o sonho seguem juntos, girando, brilhando, eternamente.
Também vai aí o cordel:
CORDEL IWODDATÍ — O Mundo Circular e Estelar
No tempo em que a Terra nasceu,
O céu bordava o chão,
Kariri-Xocó compreendeu:
IWODDATÍ é a nossa nação!
Não é cerca, nem divisão,
É o mundo inteiro em conexão.
Jurema, menina curiosa,
Ao pajé quis perguntar:
— Avô, a nossa terra formosa,
Onde é que pode acabar?
O velho sorriu com ternura,
E apontou a linha da altura:
— Olhe, onde a serra e o céu se abraçam,
Ali parece ser o final.
Mas quando os teus pés lá alcançam,
O horizonte se move igual.
Assim é IWODDATÍ verdadeiro:
Sem começo, fim ou travesseiro.
— Nossa Terra nunca termina?
— Não, menina, é sempre a girar!
É o rio, o vento que ensina,
É a lua que vem clarear.
O céu, a floresta e o chão,
Tudo vive em comunhão.
Jurema subiu a montanha,
Quis ver o mundo com clareza.
Lá de cima, a paisagem tamanha
Revelou toda a natureza:
O horizonte redondo e sagrado,
IWODDATÍ — mundo encantado!
Desceu correndo e gritou:
— Agora eu posso entender!
Nosso território é o que sou,
É o ar, o rio, o amanhecer!
É o céu com estrelas a brilhar,
É a vida que segue a pulsar!
O pajé sorriu com certeza,
E disse com voz de paixão:
— Cada povo nesta natureza
Tem também sua própria direção.
Seu horizonte, seu círculo inteiro,
Seu mundo sagrado e verdadeiro!
Nenhum território é quadrado,
Nem cercado com arame cruel.
O nosso espaço é abençoado,
Como o voo do pássaro fiel.
IWODDATÍ é círculo estelar,
Nosso modo eterno de habitar!
Jurema então passou a contar,
Às crianças e aos anciãos:
— Nossa Terra não podem cortar
Com cercas, cercados ou mãos!
Ela é viva, pulsante, infinita,
É canção que no peito palpita!
E à noite, olhando o luar,
Jurema sorri com alegria.
Sabe que o mundo a girar
É roda, é dança, é poesia!
IWODDATÍ está em todo lugar,
Onde a vida insiste em brotar!
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 24 de maio de 2025 e a capa no dia 25 de maio de 2025.


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