Origem, Descobertas e Contribuições Arqueológicas
Resumo
Este artigo aborda a cultura dos Sambaquis do litoral brasileiro, estruturas construídas por povos pré-históricos através do acúmulo de conchas, ossos, artefatos e resíduos orgânicos. Analisa-se sua origem, os principais pesquisadores que iniciaram os estudos sobre esses sítios arqueológicos, bem como as descobertas relacionadas aos modos de vida desses povos. A cultura sambaquieira teve início por volta de 6.000 a.C. e perdurou até aproximadamente 1.000 d.C. Por meio de uma revisão bibliográfica, evidencia-se a importância desses sítios para a compreensão das práticas culturais e da ocupação humana no litoral do Brasil.
Palavras-chave: Sambaqui, Arqueologia, Brasil Pré-histórico, Povos Originários.
Introdução
Os Sambaquis, também conhecidos como "montes de conchas", são sítios arqueológicos formados pelo acúmulo secular de conchas, restos faunísticos, artefatos líticos e, ocasionalmente, esqueletos humanos. Essas estruturas estão presentes principalmente no litoral brasileiro, estendendo-se do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul. Considerados importantes registros da presença humana pré-histórica na região, os Sambaquis revelam aspectos significativos das sociedades que os construíram, especialmente no que se refere aos seus modos de vida, organização social e práticas funerárias.
A pesquisa arqueológica sobre os Sambaquis teve início no final do século XIX, destacando-se o naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund como um dos primeiros a registrar tais formações, embora o pioneirismo nas escavações científicas seja atribuído ao suíço Emilio Goeldi, à frente do Museu Paraense, no início do século XX.
Desenvolvimento
Origem e Cronologia da Cultura dos Sambaquis
A cultura sambaquieira se desenvolveu no Holoceno Médio, por volta de 6.000 a.C., quando grupos humanos passaram a estabelecer-se de forma mais sedentária nas regiões costeiras do Brasil. Esses povos utilizavam principalmente recursos marinhos, como moluscos e peixes, e acumulavam os resíduos em grandes montes, formando os Sambaquis.
Estudos arqueológicos indicam que a construção desses sítios perdurou até cerca de 1.000 d.C., quando mudanças ambientais e culturais, associadas ao avanço de outros grupos indígenas, contribuíram para o declínio dessa prática.
Descobridores e Pesquisadores Pioneiros
Embora Peter Wilhelm Lund tenha sido um dos primeiros naturalistas a descrever formações semelhantes em suas expedições no Brasil, foi Emilio Goeldi quem sistematizou as primeiras pesquisas sobre os Sambaquis, promovendo escavações e estudos mais aprofundados a partir da década de 1890. Posteriormente, outros importantes arqueólogos como Paulo Duarte, João Alfredo Rohr, Maria Beltrão e, mais recentemente, André Prous e Maria Dulce Gaspar, contribuíram para o aprofundamento das investigações.
Descobertas sobre os Povos Sambaquieiros
As pesquisas revelaram que os povos sambaquieiros eram predominantemente pescadores, coletores e caçadores, com um modo de vida fortemente associado aos recursos aquáticos. A análise dos vestígios ósseos e artefatos indica práticas funerárias complexas, como enterramentos com acompanhamento de artefatos simbólicos e uso de corantes como ocre.
Além disso, estudos de paleoecologia e bioarqueologia apontam para uma dieta rica em moluscos e peixes, mas também composta por recursos vegetais. Artefatos líticos, como machados, raspadores e pontas de projétil, assim como adornos confeccionados em osso e pedra, foram amplamente recuperados desses sítios, revelando aspectos da tecnologia e da estética desses grupos.
A distribuição dos Sambaquis ao longo do litoral sugere uma rede de ocupações interligadas, adaptadas às diferentes condições ambientais costeiras. Em alguns sítios, como o Sambaqui de Cabeçuda (SC) e o Sambaqui da Beirada (ES), foram identificadas estruturas habitacionais e áreas específicas de atividades, indicando uma complexa organização social.
Considerações Finais
A cultura dos Sambaquis representa uma das manifestações mais notáveis da presença humana pré-colonial no Brasil. Através de seus vestígios, é possível compreender a profunda relação desses povos com o meio ambiente litorâneo e a diversidade de suas práticas culturais. As pesquisas arqueológicas continuam a lançar luz sobre a complexidade dessas sociedades, demonstrando que muito além de meros coletores, os povos sambaquieiros desenvolveram sofisticadas estratégias de adaptação e manejo dos recursos naturais.
A preservação e o estudo contínuo dos Sambaquis são fundamentais para o reconhecimento e valorização do patrimônio arqueológico brasileiro, bem como para o entendimento das raízes mais antigas da ocupação humana nas Américas.
Referências Bibliográficas
BELTRÃO, Maria Cristina. Sambaquis: O Povo do Mar. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1999.
GOELDI, Emilio. Sambaquis do Brasil. Belém: Museu Paraense, 1900.
GASPAR, Maria Dulce et al. Arqueologia da Paisagem: Os Sambaquis e a Dinâmica Ambiental Costeira. Revista de Arqueologia, v. 27, n. 2, 2014, p. 5-25.
PROUS, André. Arqueologia Brasileira. Brasília: Editora da UNB, 1992.
ROHR, João Alfredo. Sambaquis: Monumentos Pré-Históricos do Brasil. Florianópolis: Editora da UFSC, 1984.
SOUZA, Sérgio Francisco de. Arqueologia dos Sambaquis: O Passado das Populações Costeiras. São Paulo: Editora Contexto, 2017.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração do trabalho, em 24 de maio de 2025 e a capa no dia 25 de maio de 2025.

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