(Em sextilhas de cordel)
I
Na terra do Sol ardente,
Das pirâmides erguidas,
Surge o Livro dos Mortos,
Com palavras tão sentidas.
Guia o morto em sua trilha,
Pelas sendas da partida.
II
Chamado "Surgir do Dia",
Nome em língua faraônica,
Feito em papiro sagrado,
Na escrita hieroglífica.
Era o mapa do além,
Da jornada tão simbólica.
III
Não foi livro de um só,
Mas de séculos inteiros,
Textos velhos das pirâmides,
E do caixão derradeiro.
Feitiços mil reunidos,
Nos caminhos verdadeiros.
IV
No caixão era guardado,
Ou na tumba colocado,
Para que a alma seguisse
Seu destino iluminado.
Contra o caos e a morte,
O espírito protegido e amado.
V
Na barca solar do dia,
O falecido embarcava,
E nas trevas do Duat,
Seu destino enfrentava.
Com a ajuda dos feitiços,
A vitória conquistava.
VI
Primeiro vinha a descida,
Onde o corpo revivia,
A fala e o movimento,
Novamente possuía.
Do silêncio da caverna,
Nova vida então nascia.
VII
Depois surgiam os deuses,
Com seus nomes e lugares,
Revelando as origens,
Dos segredos milenares.
O morto, como o sol,
Renascia em novos ares.
VIII
Seguia a barca dourada,
Com o sol resplandecente,
Viajando entre as estrelas,
Num cortejo reluzente.
À noite, diante de Osíris,
Seu destino era presente.
IX
E no juízo supremo,
Diante da Balança erguida,
Seu coração era pesado,
Com a pena da medida.
Se fosse puro e justo,
Ganhava a eterna vida.
X
Por fim, justificado,
Com amuletos sagrados,
Entre os deuses assumia
Os poderes conquistados.
O morto era divino,
Nos mistérios revelados.
XI
Assim é o Livro dos Mortos,
Um tesouro ancestral,
Que guiava os egípcios
No caminho imortal.
Entre a noite e a aurora,
Rumo à vida celestial.
👉 Fiz em tom narrativo e ritual, como se fosse um cordel de ensinamento, mantendo a essência mágica do Totenbuch.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó

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